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Tem uma garota morta no Snapchat - Um Escritório Frio (Parte 3)

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Eu fiquei lá encarando o telefone e me perguntando o que a Lydia queria comigo. Não foi a primeira nem a ultima vez que me perguntei o porquê ela me escolheu para ser o mensageiro dela. Ela esperava que eu entrasse em contato com todo mundo do nosso grupo e avisasse eles? Era loucura. Eu não podia fazer isso. Além do mais, eu vou sair da cidade esse fim de semana. Não tem como eu avisar umas duas dúzias de pessoas sobre um perigo iminente, não quando estou há três estados de distância.

O resto do meu dia transcorreu sem incidentes. Eu dei o meu máximo para me concentrar no trabalho. Felizmente, teve um pequeno desastre com os Chromebooks de alguns alunos, então consegui me manter ocupado e distraído no trabalho. 

O celular não parava de vibrar e apitar enquanto trabalhava nos Chormebooks, mas não tinha como eu olhar enquanto eu ajudava os alunos. Quando finalmente voltei para meu escritório, peguei o celular e vi o fantasminha na barra de notificações. Meu estômago embrulhou e tive uma vontade enorme de ignorar as mensagens. Como se lendo meus pensamentos, o telefone vibrou de novo, mostrando um novo story para abrir.

Eu me convenci que não dava para ver o que a Lydia mandava, já que o Snapchat era bloqueado pelo WiFi da escola e o sinal do meu celular era ruim dentro do prédio. Levaria muito tempo para carregar um story. Além do mais, já estava no final do meu expediente e eu poderia ver quando chegasse em casa. Coloquei meu celular na mesa, com a tela virada para baixo, e a sala ficou fria. Olhei pela janela do escritório e notei que o céu tinha ficado mais escuro.

Eu sabia o que isso significava e, sinceramente, eu tava puto. Esse fantasma, ou seja lá o que fosse, teria sua birra e eu teria que lidar com um dia um pouco mais frio, talvez umas luzes piscando. Eu conseguiria passar por isso.

Péssima ideia.

Eu devia ter dito que eu trabalho em uma escola de nível médio, com aproximadamente 500 alunos, todos muito facilmente distraíveis. Então, quando as nuvens começaram a aparecer e a chuva caiu do nada, eu conseguia ouvir conversas vindas de diferentes salas de aula, das pessoas se perguntando de onde tinha vindo aquela tempestade surpresa. Eu coloquei meu celular para carregar e saí para dar uma olhada para ver como as pessoas estavam lidando com aquilo. Foi meio estranho sair do meu escritório meio frio para o corredor, que estava em uma temperatura normal. 

Eu conseguia escutar os professores tentarem, em vão, fazer os alunos saírem de perto das janelas enquanto a tempestade caía. Algumas das salas tinham até mesmo os professores olhando surpresos pela janela. A previsão tinha dito que choveria, mas o céu tinha estado limpo durante o dia inteiro. Bom, até eu ignorar as mensagens do fantasma da minha amiga morta.

Fui até a recepção e conversei com algumas pessoas sobre a loucura que era aquela tempestade. Um de meus colegas de trabalho estava agarrado em um terço fazendo uma prece silenciosa.

Eu estremeci quando finalmente voltei para meu escritório. Estava congelando lá dentro e eu conseguia ver minha respiração quando espirava. Fechei a porta e coloquei a touca que eu deixava no escritório para quando fizesse muito frio. Obviamente não adiantou nada. Tentar trabalhar também não adiantou. Eu estava muito distraído com as luzes amarelas piscando na tela do meu celular. Devia ter uma dezena de notificações do Snapchat. Meu orgulho e minha raiva não deixaram eu tirar o celular do carregador e ver as notificações. Eu conseguia ouvir o barulho da tempestade aumentar e sentia a temperatura do escritório abaixando. Dois dias atrás eu não tinha nada de supersticioso e agora eu estava vivendo em um episódio de Supernatural. Onde estão os Winchesters quando se precisa deles? 

"Tá bom, Lydia. Você venceu!" Eu exclamei, talvez um pouco alto demais, quando peguei meu telefone e tirei do carregador. Eu desliguei o WiFi para os stories carregarem. Demoraria uma eternidade para carregarem, devido o péssimo sinal que eu tinha no prédio, mas eu aprendi minha lição. Sempre escute um fantasma antes que ele vire um espírito vingativo.

Os stories carregaram normalmente porque, né, claro que carregaram. Por que eu achei que algo tão trivial quanto sinal de telefone iria impedir alguém que estava, literalmente, falando comigo de outro mundo?

O primeiro story começava com uma tela cinza escura. Eu conseguia ouvir, bem baixinho, "Cheek to Cheek", de Fred Astaire, tocando, mas o áudio não parecia estar saindo do meu telefone. Você já teve um fone de ouvido Bluetooth tocando músicas em cima de algum lugar, enquanto o celular estava na sua mão? Era um som baixo e distante, como se você não tivesse certeza que estava ouvindo, mas tem certeza que está lá.

"Céu. Eu estou no Céu."

Um girassol apareceu na tela, brilhando amarelo com pequenas gotas de vermelho nas pétalas.

"E meu coração bate tanto que mal consigo falar."

Um vídeo borrado, que mal dava para ver alguma coisa, apareceu, mostrando o que parecia alguém subindo uma cerca.

"... quando estamos juntos, dançando bochecha com bochecha."

Respiração ofegante. Árvores, arbustos, passando rápido. O chão se aproximava rapidamente da câmera, como se quem tivesse filmando tivesse caído no chão. A pessoa se levantou e continuou correndo até atravessar um pequeno córrego. A música continuava tocando ao fundo.

"Oh, eu amo pescar..."

Mãos grandes se esticaram para tentar pegar a água imunda.

"Seja em rio ou em lagos..."

A água espirrou e acertou a câmera e eu juro que eu conseguia sentir o meu rosto molhado. Talvez eu estivesse suando, apesar do frio.

"Mas eu não gosto tanto..."

Eu escuto um espirro. Isso confirma o que eu estava pensando. Um espirro de um homem. Eu consigo sentir o desespero dele, de alguma maneira. É um daqueles espirros que faz seu corpo todo tremer e faz você sentir como se cada parte do seu corpo tivesse acabado de levar um soco.

"...quanto dançar bochecha com bochecha."

A câmera se abaixa, mostrando a superfície da água. Eu consigo ver as ondulações desaparecendo lentamente, enquanto o reflexo começava a aparecer.

Eu não tenho certeza do que ele estava fugindo, ou o que ele estava tentando alcançar, mas diante de mim, me encarando, estava o rosto de um homem lotado de ódio e malícia.

Era o rosto de Naveed.


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!





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