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Um demônio salvou minha vida

14 comentários


A primeira vez que conheci o demônio eu tinha dezessete anos, e naquela noite ele salvou minha vida. 

Eu estava de pé na parada do ônibus, esperando uma carona para o trabalho que tinha depois da escola. Tinha esquecido meu guarda-chuva aquele dia e, como você sabe, sempre chove quando você esquece seu guarda-chuva.

Caia geladamente e em grande quantidade, e eu tentava ignorar o fato de que já estava flutuando em meus próprios tênis. De repente, a chuva acima de mim parou, e olhei para cima e o vi - o demônio, me cobrindo com seu guarda-chuva.

Parecia ser uma pessoa construída por alguém que não fazia ideia como um ser humano se parecia. Era alto e esguio, pelo menos dois metros de altura, e seus ombros eram curvados para frente de um jeito que deixava seu perfil parecendo um enorme abutre.

Seu rosto magro, todos os cantos pontudos e com cavidades profundas, e nele estava um sorriso largo e amigável de dentes cinzentos e tortos.

"Não ficou sabendo, amigo?" perguntou. 

"Não," falei. "Sabendo de que?" 

"O ônibus não vai passar hoje," disse. "O motorista estava bêbado e se envolveu em um acidente. Todos passageiros morreram." 

O jeito que falou essa última parte - quase animadamente - fez meu estomago se revirar. 

Não sabia se devia realmente acreditar nele, mas decidi que ia embora de qualquer forma. Senti uma necessidade absurda de me distanciar o máximo possível dele. 

"Ah," respondi. "Acho que vou andando, então." 

"Sim," disse. "Você vai. Aqui, pode levar meu guarda-chuva." 

Esticou o guarda-chuva na minha direção, e sem pensar, aceitei. Meus dedos rapidamente tocaram a pele de sua mão, e um arrepio passou por todo meu corpo. 

No dia seguinte vi o acidente do ônibus no jornal - exceto que havia acontecido depois da minha parada. Assim como o homem havia declarado, todos haviam morrido. E se não fosse por ele, eu teria morrido também. 

Na outra vez que vi o demônio foi no segundo ano da faculdade. Estava me esperando no meu dormitório, curvado sobre a escrivaninha, lendo um dos meus livros. 

"Você," falei.

"Sim," respondeu. "Eu."

Calmamente fechou o licro e se virou para mim, sorrindo com seus dentes tortos. 

"Te trouxe um presente," disse. 

Meu estomago se encolheu. 

"Trouxe?" perguntei. 

"Ah, sim."

Enfiou a mão dentro do seu paletó e pegou um caderno de espiral cor de rosa. O nome 'Ellen Hartwell' estava impresso na capa. 

"Isso pertence a menina linda dos cabelos castanhos da aula de psicologia", disse. “Aquela que você está sempre olhando. Você vai dizer a ela que encontrou e depois vai convidá-la para jantar."

Ele colocou na minha mesa.

"Ah", eu disse. "Obrigado."

"Não precisa agradecer," disse o homem. "Irei te ver de novo."

Naquele momento pisquei e ele desapareceu.

A última vez que vi o demônio foi na noite em que meu filho foi concebido. Minha esposa Ellen estava esperando no quarto enquanto eu tomava um banho rápido. Eu saí nu e molhado e vi o homem em pé no meu banheiro.

"Olá de novo, amigo", disse.

"Você me assustou", respondi.

"Eu sei", disse ele. "Escute. Esta noite você vai falar com sua esposa. Ela está pronta para ter filhos, mas ela ainda não sabe. Ela vai conceber seu filho hoje à noite."

Meu coração inchou ao pensar em um filho, mas meu estômago estava menos otimista, e ele se contorceu em desconforto.

"Por que você está me ajudando?" Perguntei.

O homem sorriu largamente.

"Os fios do destino são longos", disse ele. "Muito mais longos do que uma única vida humana."

Ele estalou os dedos e desapareceu em uma névoa de fumaça azul-acinzentada.

O homem nunca mais me visitou depois disso, mas às vezes eu sentia aquela sensação desconfortável na boca do estômago que acompanhava sua presença. Anos se passaram, depois décadas e, gradualmente, me esqueci dele - até o dia em que a polícia chegou.

Eles vieram com cães farejadores e pás, e  reviraram toda a minha propriedade do avesso.

Depois de tudo, dito e feito, encontraram os restos mortais de trinta e sete mulheres e prenderam meu único filho.

Meu filho afirmou durante todo o julgamento que um demônio o forçou a cometer os assassinatos, mas a acusação não acreditou, e ele foi condenado à morte.

Mas eu reconheci o demônio dos milhares de esboços que enchiam seus cadernos.

Era um homem de rosto magro, com um sorriso largo e amigável de dentes cinzentos podres e tortos.

14 comentários :

  1. Mano a leitura disso foi mt gostosa, visualizei todas as partes, sem erros grotescos, leitura leve e cativante, o final foi meio chatinho mas ta bem legal no geral

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  2. Poha adorei. E n sei pq mas imaginei o demônio bem parecido com o rei Bial

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    1. Achei mais parecido com o Tommy Taffy

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    2. Achei parecido com o Homem Torto do Invocação do Mal

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  3. Então, o demo "deu" tudo à ele e depois cobrou o filho? Kk

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    1. Aparentemente o demônio sabia sobre o que estaria por vir no futuro, e com isso ajudou o cara. Talvez o demônio não pudesse interferir de maneira direta no nosso mundo e por isso interferiu de maneira indireta ajudando o cara. Talvez o objetivo do demônio fosse de fato o filho daquele que ele salvou por ser uma criança e ser mais fácil impor ordens para cometer as atrocidades que o demônio queria.

      Mas são só suposições, e isso meio que é o charme dessa creepypasta para mim.

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  4. Achei um pouco corrido, poderia ter aprofundado mais.
    Porém isso nao estraga a Creepypasta. Gostei dela.

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  5. Depois de tanto tempo afastada do site,entro pra matar a saudade e leio uma creepy legal dessas. Parabéns ❤️

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