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Eu sou terapeuta e o meu paciente vai ser o próximo atirador em uma escola (Paciente #107) - Parte 2

9 comentários
Dia 17 de Dezembro

O que você faria se soubesse do 11 de setembro no dia pouco antes de acontecer? Ou Newtown? Ou Vegas?

Como você impediria de acontecer sem parecer um completo lunático?

Algumas pessoas me sugeriram falar com a mãe do Alex. Eu tentei, mas ela disse para eu me afastar ou pediria uma ordem de restrição.

Alguns disseram que eu era um péssimo terapeuta e que eu deveria mandar ele para outra pessoa. Eu não culpo essas pessoas. Esperem até ouvirem de meus outros pacientes.

Alguns sugeriram um 5150 (hospitalização involuntária). Provavelmente foi a melhor ideia, mas eu sou obcecado por ter o controle e acho que eu sei mais sobre o Alex do que qualquer um poderia aprender em 72 horas. Qualquer coisa involuntária só pioraria a condição dele. 

Alguns sugeriram que eu o matasse. Honestamente, passou pela minha cabeça. Não foi meu melhor momento.

Alguns disseram para eu ficar em casa hoje, mas eu não conseguiria fazer isso. Eu não conseguiria ser o próximo terapeuta ou vizinho ou amigo dando entrevista, remoendo sobre como todos os sinais estavam aparentes e como a tragédia poderia ter sido evitada, de algum jeito.

Não poderia fazer isso. Não quando a vida de crianças estavam em perigo.

Para dar algum crédito para a escola, eles contrataram dois seguranças armados, e ambos ficaram do lado de fora do meu escritório enquanto Alex e eu nos sentávamos para começar nossa sessão.

Dadas as circunstâncias, eu não conseguiria estar mais tranquilo do que eu estava. Os seguranças o revistaram todo e tomaram sua mochila. Além do mais, cada segundo que ele passava aqui significava um segundo a mais que ele não estava lá fora. 

"Alex," comecei. "Precisamos falar sobre o que aconteceu semana passada."

Ele estava de cabeça baixa e não falava nada.

"Você não cancelou nossa sessão." eu disse. "Sua mãe não queria você aqui, mas você veio mesmo assim. Posso assumir que você tem repensado?"

Alex levantou os olhos, mas não fez contato visual. "Não vou dizer nada sobre semana passada." ele disse. "Eu sei que você, provavelmente, colocou câmeras aqui."

Meu estômago revirou. Ele não estava errado.

"Okay." eu disse. "Que tal falarmos de outra coisa?"

"Tipo?"

Eu mordi meu lábio e resolvi ir de cabeça. "Seu pai."

Finalmente, seus olhos encontraram os meus. Eles estavam vermelhos, arregalados e exaustos.

"Que que tem ele?"

"Ele foi embora há muito tempo, Alex." eu disse. "Mas acho que você ainda sofre por isso."

"Eu não sofro por isso." ele disparou. "Estou feliz por aquele babaca ter ido embora."

"E Emma?" Perguntei. "Quando ela te rejeitou, deve ter causado algum tipo de sofrimento. Eu vi isso durante o mês passado. Você estava machucado, Alex."

"Eu não estou sofrendo!" ele segurou forte a cadeira. "Ela é só mais uma puta estúpida. Eu não dou uma foda para o que ela pensa."

"Raiva é uma reação completamente normal para dor." eu disse. "Especialmente quando é uma dor recorrente."

"Você quer calar essa boca sobre dor e sofrimento?" ele se levantou da cadeira. "Eu sou um milhão de vezes melhor que a Emma e meu pai.. e melhor que você também!"

Eu respirei fundo e continuei sentado. "E o vazio? O tédio? A solidão?"

"Que?" ele ainda estava de pé, mas agora parecia um animal preso. "Do que você está falando?"

"Todo dia você se sente vazio." eu disse. "Desconectado do mundo e das pessoas ao seu redor. Você sente como se nada tivesse sentido ou motivo. E se conseguíssemos mudar isso?"

Seu rosto ficou rosa e ele, finalmente, abaixou a voz um pouco. "Não podemos."

"Claro que podemos." eu disse. "Inúmeras pessoas antes de você sofreram dessas feridas e inúmeras pessoas se curaram delas."

"Besteira de psicólogo."

Eu mordi meus lábios de novo. Droga, por que eu fiz isso? Terapeutas não devem ter tiques.

"Mesmo que o mundo todo seja sem sentido e falso, como machucar os outros iria ajudar em alguma coisa?"

"Eles merecem. São bullies. Me tratam como se eu não fosse nada."

"Às vezes, quando temos traumas de abandono e rejeição, a gente continua achando isso em vários lugares, mesmo onde não tem." eu disse. "Mas Emma não é uma bully por não querer um relacionamento. Então o que você ganharia machucando ela e os amigos dela?"

Ele pensou nisso por um momento e respondeu. "Eu seria o Deus deles por um dia."

"Mas esse não é o jeito de conseguir fama e reconhecimento." eu repliquei. "Digo, ninguém lembra os nomes dos atiradores depois de Parkland. Nós ficamos anestesiados contra essa coisas agora."

Ele franziu as testas e moveu um pouco a boca. Eu notei que ele tentava replicar e provar que eu estava errado, mas não conseguia pensar num argumento.

"Tudo que peço é que você dê uma chance ao meu jeito" eu me inclinei em direção a ele. "Nós podemos transformar o vazio em um preenchimento de coisas boas. A desconexão em conexão. O que temos a perder?"

Ele andou pela sala sem falar pelo que pareceu uma eternidade.

Finalmente ele parou e o ouvi resmungando "Okay."

Meu coração se encheu de alívio. Eu tinha acabado de reduzir o tratamento de um ano dele em uma conversa de cinco minutos, mas, pelo menos, estávamos chegando em algum lugar.

Mas então, ele adicionou. "Mas..."

Sem mas, por favor. "Alex, eu estou totalmente comprometido a te ajudar para atingirmos o nosso objetivo." eu o interrompi antes que ele tivesse tempo de mudar de ideia. "Mas rápidas sessões como essa não o suficiente para resolver o problema para sempre. Talvez você esteja com esperança agora, mas isso pode mudar hoje à noite, ou amanhã, ou semana que vem."

"O que quer dizer?"

Eu o olhei diretamente nos olhos. "Eu quero você sob vigilância 24 horas. Sete dias na semana." eu disse, decidido. "Você concordaria com hospitalização voluntária? Eu vou tirar licença da escola para passar cada segundo contigo. Para te ajudar a se sentir bem de novo."

Ele olhou para o chão e depois para a porta. "Não fará nenhuma diferença."

"Claro que vai!" eu disse. "Nós vamos..."

"Não, eu quero dizer que eu não sou a pessoa que você tinha que enrolar mais."

Eu franzi a testa. "O que quer dizer?"

"Obviamente eu não conseguiria trazer armas para a escola. Não com os guardas me vigiando de perto. Então nós tivemos que mudar nossos planos depois que você encontrou a calculadora."

"Que?" eu balancei a cabeça. "Alex, que é 'nós'? Que plano?"

"Minha parte era te distrair e manter os guardas nessa parte do prédio."

"Distrair?" eu repeti, com o coração acelerado. "Distrair de que?"

"Até que ele alcançasse a biblioteca."

Antes dele terminar a frase, eu saltei e fui correndo para acionar o alarme de incêndio.

Mas o alarme já estava soando.

Paciente #107 - Arquivo 2 de 3.


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!




9 comentários :

  1. Muito bom. Uma dica de tradução, quando ele fala "Eu não dou uma foda para o que ela pensa" Não parece natural. Tente "Estou me fedendo para o que ela pensa."

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    1. e quem nesse mundo diz q está fedendo pra alguem? wtf

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    2. Hahahaha sim, verdade. É o jeito que falo normalmente, então nem me toquei em outra expressão

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    3. A sugestão do RKLUK é até melhor

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  2. Na vdd é bem comum dizer que não dá uma foda por algo kk

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  3. é o famoso "I don't give a fuck"... se tornou comum falar a traductr literal no br

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  4. PRGDL02022

    Muito boa série.. aguardando na expectativa os próximos capítulos....

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