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Eu sou terapeuta e o meu paciente vai ser o próximo atirador em uma escola (Paciente #107) - Final

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Algumas semanas depois, depois de terem removido os corpos e retomado as aulas, eu comecei a limpar minha mesa. 

Sim, eu fui demitido.

Eles sempre demitem o terapeuta quando coisas assim acontecem. "Devia ter percebido", eles dizem. "Todos os sinais estavam ali."

Jura?

Mas é o motivo que a escola deu para me demitir que ainda me perturba. "Comportamento imprudente resultou em uma tragédia desnecessária."

Quase parece que eles estavam me culpando por tudo que tinha acontecido.

Talvez eu tenha sido imprudente, sei lá. Claro, foi o oposto do que você deve fazer em uma situação como essa, mas pelo menos eu tentei.

Se você realmente quer saber o que aconteceu depois que o alarme tocou, aqui está a minha versão dos fatos. Mas, como você já deve imaginar, não tem um final feliz.

.

"Liga pra ele.", eu disse.

"O que?", Alex levantou as sobrancelhas.

"Se você realmente quer parar isso, pegue seu telefone e ligue pra ele."

Ele parecia hesitante, mas pegou seu telefone. "O que eu devo dizer?"

"Fala pra ele que você pegou a arma de um dos seguranças e que você quer que ele te espere... para você participar da diversão."

A última parte me fez quase vomitar quando eu disse, mas precisava parecer real.

"Isso é loucura..."

"AGORA, Alex."

Logo que ele colocou o telefone no ouvido, um dos seguranças entrou correndo na sala. Eu corri na direção dele e sussurrei "não é o Alex."

"O que?"

"Tem um segundo atirador," eu disse, enquanto Alex murmurava no telefone. "Você tem que ficar quieto e deixar ele terminar a ligação."

"Não, eu... eu não posso fazer isso." Ele deu um passo à frente, mas ele parecia aterrorizado. "Nós precisamos esperar a polícia."

Eu fui na direção dele. "Olha, a biblioteca é, no mínimo, sessenta segundos, correndo, daqui. Quantos estudantes um atirador consegue matar em um minuto?"

Ele olhou ao redor da sala, nervoso.

"Alex só tá ganhando tempo."eu disse. "Cada segundo conta. Você tem que confiar em mim. Eu conheço ele."

Ele deu uma respirada funda e balançou a cabeça, concordando comigo. Acho que ele ficou aliviado por eu ter tomado a responsabilidade pela situação, para que ele não tivesse nenhuma. Eu podia afirmar que ele estava dando tudo de si, cada pequena porção de coragem no seu corpo, para não sair correndo da escola.

Eu olhei para seu distintivo e disse "Dave, eu quero que você me escute, okay? Tudo vai dar certo."

Ele concordou de novo.

"Dave, onde está o outro segurança?"

"Eu não.." ele estremeceu. "Eu não sei."

"Jesus. Você ligou para o 911, certo?"

"Sim," ele disse. "Eles estão a três minutos de distância."

Eu balancei minha cabeça. "Isso é muito tempo."

Eu me virei para Alex e vi que ele já não falava mais ao telefone. Eu perdi toda a conversa.

"Ele acreditou em você?" Perguntei.

"Acho que sim," respondeu ele. "Ele disse que tem 20 alunos com ele na biblioteca."

Eu fechei meus olhos por um momento e me virei para o segurança. "Me dá sua arma."

"Que?" ele sacudiu a cabeça. "Claro que não. E se o outro garoto pegar ela?"

"Tire o pente e me dê a arma" eu repeti.

"N.. Não. Precisamos esperar pela polícia e pela negociação de reféns."

"Pelo amor de Deus! Isso não é um sequestro!" respondi, exasperado. "É um massacre, esperando pelo segundo jogador entrar no jogo. No segundo que ele achar que o Alex não vai, ele vai matar todo mundo."

"Mas..."

"Jesus, você quer ser o próximo segurança de Parkland, como o seu amigo que sumiu? O segurança que deixou dezenas de crianças morrerem?"

O rosto dele ficou branco.

Finalmente, ele pareceu ter entendido a situação. É difícil manipular alguém que você não conhece, mas parece que eu acertei em cheio com ele.

Ele sacudiu a cabeça, tirou o pente e me entregou arma.

"Obrigado" Eu disse.

Eu peguei a arma e entreguei para o Alex.

"Mas que merda?" Alex e o guarda falaram ao mesmo tempo.

"Nós vamos para a biblioteca." eu disse.

"Por que?"

"Alex, nesse momento, você é o único que tá mantendo os alunos vivos. Enquanto ele acreditar que você encontrará ele e que tá no time dele, ele não vai machucar ninguém. Pra isso, você tem que ter conseguido a arma. Ele precisa continuar acreditando."

Ele engoliu em seco e pegou a arma.

"Ótimo" eu disse. "Vamos."

Passamos correndo pelo segurança, que não se mexeu e não fez menção de nos seguir. Talvez fosse melhor. Um segurança só iria provocar esse cara. Seja lá quem ele fosse.

Enquanto corríamos para a biblioteca, eu disse pro Alex: "Aponte a arma para minha cabeça."

"O que? Você tá maluco."

"Faça!" eu disse. "Se ele estiver vendo pelas câmeras de segurança, isso tem que parecer real."

Ele fez como eu o instruí. Nós corremos pelos corredores enquanto o alarme repetia: "Atirador na escola... Isso não é um exercício... Se escondam..."

Agora, eu tinha apenas sessenta segundos para descobrir duas coisas:

1) Quem era a outra pessoa? E o que eu precisava saber para manipulá-lo?
2) O Alex realmente queria acabar com aquilo, ou ele só estava me manipulando? Ele, claramente, era capaz de me enganar, mas eu realmente achava que a sua realização há algum tempo tinha sido genuína. Ou talvez tenha sido parte da distração. Mas ele me disse da distração antes do alarme soar.

"Alex, eu preciso que você me diga tudo que sabe sobre essa outra pessoa." eu disse. "Quem é ele? Qual é o nome dele? Como você o conheceu?"

"Ah, é.. seu nome é Ian. A gente se conheceu em um fórum na internet mês passado."

"Você estava falando sobre a Emma?"

"Sim." Ele já estava sem fôlego. "E o Ian me entendeu. Ele passou pela mesma coisa."

"Ele estuda nessa escola?"

"Não" ele disse. "Ele é mais velho. Tem 24 anos, acho."

"E ele queria te ajudar com seu plano?"

"Na verdade, foi tudo ideia dele. Ele disse que isso consertaria tudo."

Isso explicava tudo. A rápida queda de Alex em direção à escuridão no mês passado. A calma súbita. A calculadora gráfica antiga, que os alunos de hoje não usam mais. Tenho que admitir, era um jeito inteligente de se comunicar sem deixar rastros.

"Alex, eu preciso que você me diga a verdade." eu tentava recuperar meu fôlego. "Você realmente quer acabar com isso ou você ainda está me enganando?"

Ele não respondeu imediatamente. "Eu acho que quero ajudar."

Isso não foi convincente.

Eu estava achando que nem o Alex sabia o que queria fazer ainda. E isso me assustava.

"Tudo que eu disse lá na sala é verdade. Você pode melhorar, eu prometo." Então eu complementei. "Você sabe que o Ian só está te usando, né? Ele está te usando para realizar as próprias fantasias."

Eu me sentia um advogado, tentando convencer o júri a ficar do meu lado.

Alex balançou a cabeça e foi isso. Nossos sessenta segundos tinham se esgotado.

Quando viramos o corredor, diminuímos a velocidade em frente à porta da biblioteca. Eu olhei pelo espelho e vi um grupo de estudantes agrupado perto do balcão de informações. Ian estava em pé na mesa, apontando a arma para eles.

"Me leva lá pra dentro, com a arma na minha cabeça," eu sussurrei. "Fala pra ele que quer que eu veja eles morrendo, para que eu saiba o fracasso que eu sou."

"Qual é o seu problema?" Alex sussurrou de volta.

"Só faça isso" eu sibilei. Então abri a porta e entrei na biblioteca.

Ian rapidamente virou a arma para a gente.

"Por que o terapeuta está aqui?"

"Para foder com nossa cabeça." disse o Alex, abaixando a arma. "Como eu disse no telefone, não escute uma palavra que essa víbora diz. Agora me dê algo carregado."

Mas que merda, Alex?

Alex e Ian trocaram sorrisos, então andaram na direção um do outro e se abraçaram.

"A Glock 19, né?"

"Isso."

Ian entregou a arma para o Alex e se voltou para o grupo de alunos. Eu dei uma olhada rápida no grupo e foi aí que vi a Emma.

Meu coração parou. O que ela estava fazendo aqui? Eu liguei para o pai dela para avisar, na noite passada. Quem deixaria sua filha vir para a escola depois disso? Ele, entre todas as pessoas, deveria saber disso.

Era fácil ver o porquê o Alex se apaixonou pela Emma. Era era linda, mas de um jeito inocente, como se ela não tentasse ser bonita. Ela estava encurralada, junto dos outros alunos, com lágrimas escorrendo pelas bochechas.

"Os policiais vão chegar a qualquer minuto." disse Alex. "Vamos logo acabar com isso."

Os estudantes choramingaram. Emma deixou escapar um soluço alto.

"Cala a boca, sua vaca." Ian gritou.

Ela começou a chorar de novo e afundou a cara entre as mãos.

Por um milésimo de segundo, Alex realmente pareceu sentido com a situação.

E foi aí que eu percebi que a Emma estar ali era, na verdade, uma coisa boa. Não era eu quem precisava manipular alguém.

"Alex, ela precisa de você." eu disse, gentilmente.

Ele girou e apontou a arma para meu rosto. "Cala a boca. Tô cansado de você. Você vai ver a gente matar cada um deles. Talvez isso finalmente calará a sua boca."

"Olha para ela." Eu continuei. "Ela está em perigo, e você é o único que pode salvá-la."

Ele chegou perto de mim e me deu uma coronhada.

"Cala. A Porra. Da boca."

Mas, mesmo no chão, eu insisti. "Você pode salvá-la, Alex. Pode ser seu herói."

Eu olhei para a Emma e ergui as sobrancelhas, tentando sugerir que ela devia seguir minha deixa.

Ela me deu um olhar pleno e depois fechou os olhos.

"Por favor, me salve, Alex."

ISSO!

Finalmente, eu consegui ver. O olhar de Alex se suavizando. Assim como na minha sala, pouco antes.

"Cara, só mata a vadia." Ian disse. "Não se lembra o que ela fez contigo?"

"Por favor, me salve, Alex." Emma repetia entre lágrimas. "Eu preciso de você."

"Você só pode estar de sacanagem comigo." Ian riu e apontou a arma para Emma. "Aqui, deixa que eu começo."

Emma gritou.

Então, um barulho de tiro.

E antes que eu conseguisse entender direito o que tinha acontecido, Ian estava caído no chão, ao meu lado, com uma poça de sangue se formando em volta de sua cabeça.

Eu olhei para cima e vi Alex parado sobre a gente, branco como um fantasma.

"Você conseguiu." Eu sussurrei. "Você conseguiu, Alex. Salvou todos nós."

Seus olhos estavam marejados de lágrimas, mas eu sabia que ele não ia chorar.

"Alex, você é o herói dela. Você salvou Emma."

Seu rosto estava suave. Ele estava justamente do jeito que precisávamos mantê-lo até a polícia chegar.

Eu sei que eu estaria com grandes problemas mas, ao meu ver, um assassino morto era melhor que doze crianças inocentes.

Chame de irresponsável, se quiser, mas as sirenes pararam de soar ao nosso redor. Eu sabia que conseguiria dormir bem nessa noite.

Se não fosse por um segundo tiro.

Antes que eu conseguisse reagir, Alex caiu em cima de mim, e eu senti algo quente se espalhando pelo meu peito.

"Mas que..."

Eu olhei para cima e vi Emma em pé sobre a gente.

"ELE NÃO É MEU SALVADOR!" ela gritou.

"Emma, eu preciso que você se acal..."

"Ele é um perseguidor e um psicopata!" Ela soluçava. "Ele me fez sentir medo de vir para a escola."

"Eu entendo." eu disse, ainda no chão, com Alex sangrando sobre mim. "Você pode abaixar a arma, por favor, para ninguém mais se machucar?"

"Eu não vou soltar a arma." ela sacudiu a cabeça. "Quando você ligou ontem à noite, meu pai me deu a arma dele e me disse para usá-la caso alguma coisa acontecesse. Você devia ter impedido isso. Você não devia ter me usado como um peão. Eu não confio em você. Não confio em ninguém."

O pai dela era militar. Ele deve ter levado a ameaça a sério, então.

"Você está salva agora, Emma." eu disse calmamente. "Eu prometo."

Ela secou os olhos. "Eu nem sei mais o que é estar segura mais."

"Eu só quero garantir que a polícia não a machuque quando eles verem uma arma na sua mão." eu disse. "Você pode jogar ela pro outro lado da biblioteca, por favor?"

Ela fungou e considerou por uns segundos. Ela então concordou e jogou a arma para longe.

Eu exalei profundamente quando os policiais entraram na biblioteca.

Teve muitos gritos e choro, mas eu não prestei muita atenção.

Invés disso, eu olhei para os olhos do Alex, que estavam a centímetros de meu rosto. Eu vi tristeza, mas também orgulho. Eu vi o rosto de um homem que sentia que tinha se redimido.

Eu passei as mãos pelo cabelo dele e sussurrei: "Me desculpe, Alex."

.

Então, como você pode ver, a verdade é complicada.

Irresponsável? Talvez. Mas eu tô convencido que aquela ligação salvou a vida de doze crianças, mesmo as custas da vida do meu paciente.

Talvez você ache que eu devia ter esperado e deixado acontece a negociação de reféns.

Talvez você ache que eu estava sendo manipulador e controlador, mas eu só faço esse tipo de coisa porque não acredito que as pessoas possam tomar as decisões certas.

Talvez você ache que isso me faria fugir de terapia para sempre, mas eu já vi de tudo: uma mulher que mantinha o ex aprisionado no porão como seu escravo sexual. Um paciente com PTSD (estresse pós traumático) que me fez ter pesadelos. Um casal que se acusavam de abuso, mas só um estava dizendo a verdade. Um pedófilo maníaco por conspiração que parecia realmente ter achado um segredo obscuro. Um paciente com TOC cuja família realmente se feria toda vez que ele errava o ritual. E quem poderia esquecer do menino que dizia estar sendo molestado, não por um padre, mas por Deus.

O problema é que meus pacientes têm o péssimo hábito de morrer. Alex não foi o primeiro e temo que não tenha sido o último. Às vezes me pergunto se sou o denominador comum. Ou talvez esse seja o custo de aceitar pacientes extremamente quebrados.

Eu peguei minhas coisas e dei uma última olhada na sala. Eu ia sentir falta do lugar e das pessoas, mas eu acharia outro lugar logo.

Eu nunca vou parar de tentar ajudar os outros.

Fim do arquivo do paciente #107

Nota: Como ele disse ali no final, são várias histórias diferentes. A maioria já está escrita. Vou postar as histórias gradualmente, sempre com a tag "Dr. Harper". A próxima história vai aparecer por aqui daqui a duas semanas. Vai ser a história do paciente com TOC, seguindo a ordem que o autor postou.

Fonte

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!






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