Postagens Semanais

Segunda-Feira
Francis Divina

Terça-Feira
Gabriel Azevedo

Quarta-Feira
Francis Divina

Quinta-Feira
Gabriel Azevedo

Sexta-Feira
Talisson Bruce

Sábado
==========

Domingo
==========

O Jogo Das Sombras

13 comentários
Bom dia/ Boa tarde/ Boa noite, Voltei ao blog, e espero continuar ativo! Aproveitem a creepy!
•••
"Feliz Halloween... ou quase. Pronto pra festejar?"

Chuck me deu um tapinha no ombro quando fez a pergunta, passando por mim através da porta da frente sem esperar uma resposta. A pergunta pareceu bem intencionada, como era praticamente tudo que Chuck fazia ou dizia ao meu redor. Transmitia que ele se importava o bastante pra vir a essa festa, em que ele provavelmente não queria estar, e ainda fazer uma pergunta bem-humorada enquanto entrava. Mas eu podia perceber a cautela em cada palavra. Nós não éramos amigos, não na verdade. Foi somente graças ao nosso amor mútuo pela minha irmã Vanessa que nossas vidas se cruzaram.

Ela estava logo ao lado da porta, e me deu um abraço apertado enquanto tentava não derrubar a tigela de molho que estava equilibrando na mão direita. Ela sussurrou no meu ouvido, "Você tá bem? Tá tudo legal?" e eu apertei suas costas enquanto respondia, "Sim Ness. Estou bem. Tô legal."

Quando Billy apareceu vinte minutos mais tarde, foi menos estranho. Ele tem sido meu melhor amigo por quase vinte anos, e eu falei mais com ele sobre tudo do que com qualquer outra pessoa desde que Amber morreu. Quando abri a porta ele só me deu um abraço curto e começou a falar com a Vanessa e o Chuck enquanto eu terminava de arrumar as cadeiras na sala de estar.

Minha esposa, Amber, morreu há seis meses. Ela sempre foi uma pessoa consideravelmente saudável, mas um ano atrás começou a se sentir mal. Ela foi diagnosticada com Diabetes Tipo 2, o que na época pareceu uma notícia ruim, mas tolerável. Então, num fim de semana tive que viajar à negócios. Amber pediu para ir comigo, mas estava com medo dela ficar entediada, e a encorajei a ficar em casa e descansar. Ela concordou e disse que tentaria chamar Vanessa e Chuck pro jantar nessa noite de sábado.

Amber e Vanessa se tornaram grandes amigas nos seis anos do nosso casamento, e ela costumava falar mais com a minha irmã do que eu mesmo. Além de algumas visitas ocasionais e mensagens, eu quase não falava com minha irmã pelo celular. Assim, quando acordei uma da manhã com meu celular apitando a chamada da Vanessa, soube que havia algo errado.

O legista determinou ataque cardíaco, com a diabetes marcada como fator contribuinte. Era algo raro para alguém nos seus trinta e poucos, mas aparentemente acontecia às vezes. Vanessa me disse que os três caíram no sono assistindo um filme, e quando acordou, ela e Chuck tentaram acordar Amber pra avisar que eles estavam indo embora. Amber não acordava. Eles chamaram a emergência e ela foi declarada morta no local.

Desde então, tudo tem sido como um borrão vermelho de ira e tristeza. Eu não queria estar perto de ninguém. Senti dificuldade pra trabalhar ou interagir com as pessoas, e todos os dias eu corria pra solidão de casa assim que possível, porque estar próximo aos outros era sufocante. Sempre me sentia como um peixe se debatendo para tentar voltar pra água, desesperadamente lutando para voltar pra casa e pra longe de todo o resto.

No fundo da minha mente, imaginava que as coisas melhorariam com o tempo. Que a ordem e monotonia do dia-a-dia suavizariam minha dor e me deixariam com esse peso que nunca iria embora, mas que se tornaria mais fácil de carregar. Isso não aconteceu. Minhas memórias dela não desapareciam. Eu continuava me esquecendo que ela havia partido. Eu ouvia algo eu outra parte da casa e por um momento assumia que era ela, antes de lembrar. Eu entrava em um quarto e podia jurar que ainda sentia o perfume dela lá.

Não me entenda errado. Não pensei que ela estivesse me assombrando ou algo assim. Só imaginei que minha mente não conseguia lidar com a realidade de que ela estava morta - e em algum canto do meu coração, eu estava lentamente decidindo que não queria mais nenhum pedaço dessa realidade.

Foi quando eu recebi a ligação do corretor de imóveis. A tia da Amber havia morrido dois anos atrás, e por não ter nenhum filho, ela deixou tudo que tinha para Amber após a morte. Consistia majoritariamente de sua casa, um pouco de dinheiro no banco, e uma loja de penhores que ela manteve por quase quarenta anos. Praticamente todos os patrimônios haviam sido arrumados antes da morte da Amber - a casa foi comprada por um casal recém-casados, e os itens na loja foram todos leiloados ou vendidos para outros estabelecimentos. Só a propriedade em si não havia sido vendida ainda, e pela importância que Amber deu pra ver isso tudo acertado, foi uma das poucas coisas pras quais me dediquei desde sua morte.

Consegui encontrar um comprador, e a venda aconteceu poucos dias antes do corretor me ligar. Ele disse que o novo dono encontrou algo escondido por trás de uma parede falsa no armazém da loja. O agente me disse que eles poderiam ficar com o objeto eles mesmos, uma vez que a compra já havia sido feita, e que o item em questão era claramente velho e potencialmente muito valioso, mas a dupla que comprou a loja tinha sido honesta e não se sentia bem em manter algo que eu provavelmente nem tinha ideia da existência quando vendi a loja.

Me forcei a escutar o que o corretor estava me dizendo, mas quando acabou falei que ele podia ficar com o objeto. Eu não me importava. Minha lista de tarefas estava cada vez menor, e uma vez que ela estivesse completa, já não teria certeza sobre quanto tempo ainda estaria por aqui.

Mas ele me disse que a coisa já havia sido encaminhada. E, claro, chegou no dia seguinte. Eu abri a grande e pesada caixa, mais por mania do que por interesse, até que vi o seu interior.

Guardei o cartão que veio colado com fita no topo do objeto quando o abri. Vi, quando me aproximei de uma lâmpada para ler, que estava repleto de pequenos rabiscos de uma cursiva quase ilegível. Chuck e Vanessa já estavam se sentando nas cadeiras que coloquei ao redor da caixa, enquanto Billy ainda estava um pouco distante bebendo uma cerveja. Todos pareciam interessados mas um pouco aflitos pela organização e pela caixa suspeita. Entretanto, dei um sorriso reconfortante e disse que esse seria nosso "jogo de Halloween" pra noite, ignorando seus olhares preocupados e começando a ler o cartão em voz alta.

"Esse item é a Caixa das Sombras de Izu. Minha pesquisa mostrou que existem outras caixas, mas aparentemente elas são muito raras, e todas de tempos e locais diferentes. Essa caixa foi feita na antiga Província de Izu, onde atualmente é a porção leste da prefeitura de Shizuoka, no Japão. Mesmo não tendo certeza, é possível afirmar que esse item foi feito entre 1750 e 1800. Não sou capaz de determinar a natureza de todos os componentes da caixa, mas sua composição básica é madeira bastante envernizada e metal. Os componentes mecânicos na caixa nunca passaram por manutenção - sequer foram vistos - desde que possuo a caixa, mas sempre funcionaram perfeitamente e sem falhas durante meus testes."

Me aproximei da caixa. A coloquei em uma mesa baixa no centro do anel de quatro cadeiras. A caixa é um hexágono de sessenta centímetros de altura feito de madeira preta com um metal marrom-cinzento revestindo cada uma das arestas. Praticamente não tem qualquer adorno, sem escritos ou símbolos na sua superfície - mesmo que eu ocasionalmente tenha imaginado ver vestígios de algum tipo de marca profunda na madeira preta. Embora a caixa passe uma aparência simples, o topo dela não é.

A aresta mais alta de cada um dos seis lados era ocupada por um comprido retângulo de vidro côncavo montado no metal tempestuoso. Eram os locais para olhar.  O topo da caixa é inclinado em cada ponta, direcionando para uma tampa de metal em seu centro. A tampa me lembra a de um saleiro gigante, só que com menos buracos e com sulcos na extremidade para prover uma melhor pegada. Essa tampa estava parafusada em um tubo metálico que levava pro interior da caixa, fora de vista. Tocando esse eixo metálico central, continuei a ler.

"A caixa é usada como está escrito a seguir: Podem participar de uma a seis pessoas, mas todos que estiverem no mesmo ambiente devem participar, e não podem ser mais de seis. Para começar, é preciso destampar o tubo central. Se olhar dentro do tubo, será possível ver uma vela vermelha. Importante: só use essa vela, e não se preocupe com seu desgaste."

Olhei pra cima e vi que os três estavam olhando pra mim e pra caixa com mais interesse agora, mesmo que ainda estivessem um pouco preocupados. Voltando ao cartão, continuei.

"Puxe a ponta do tubo e você perceberá que essa parte sai com facilidade. Esse é o reservatório da vela. Lembre de encaixar essa peça adequadamente quando você devolver o tubo, já que ele precisa ser recolocado com seus sulcos alinhados para que a caixa funcione sem falhas. Depois de retirar o reservatório da vela, você verá que há um pequeno compartimento abaixo dela. É onde os objetos pessoais ficam durante o uso da caixa."

"Os objetos precisam ser bem pequenos, claro, mas praticamente qualquer item que a pessoa possua servirá. Botões e moedas são as escolhas mais comuns, mas até cabelo ou dentes podem ser usados. Os únicos critérios reais são que seja uma posse do usuário, apenas um item por pessoa, e que os itens sejam pequenos o bastante para que fiquem todos dentro do compartimento ao mesmo tempo. A quantia de objetos, obviamente, varia de acordo com o número de participantes."

"Depois que os itens forem colocados na câmara inferior do tubo, o reservatório da vela deve ser recolocado e a vela acesa. A tampa então deve ser parafusada apertado. Você está pronto para começar."

Me sentei em uma das cadeiras vazias e gesticulei para que Billy fizesse o mesmo. Ele franziu a testa e deu um passo à frente, mas hesitou. "Que isso, cara? Algum tipo de sessão espírita ou algo assim? Vou te ajudar no que você precisar, só não sei quão saudável..."

"Não é a porra de uma sessão, ok? Só..." fiz uma pausa e respirei. Precisava me manter calmo. "Só preciso que todos vocês mantenham a mente aberta. Não estou tentando contatar Amber ou qualquer coisa do tipo. Isso só é uma coisa estranha que pensei que seria legal compartilhar com meus amigos. Estava nervoso de testar isso sozinho."

Vanessa se aproximou e apertou meu braço. Billy corou um pouco antes de se jogar na cadeira perto de mim. "Merda, cara. Me desculpe. Vou fazer o que você precisar." Assentindo pra ele, eu olhei de volta pro cartão.

"O primeiro participante coloca seus olhos no seu visor e então segura a tampa do tubo metálico. Ele deve girar o tubo central em sentido anti-horário. Se feito corretamente, o participante verá algo singular, que varia bastante de cada indivíduo. Apenas uma rotação é necessária, e quando sua vista escurecer novamente, seu turno terá acabado. Isso deve ser repetido até que todos completem um turno. Um segundo turno pode ser feito, mas não é recomendado. Sob nenhuma circunstância se pode falar sobre o que foi visto até que todos tenham completado seus turnos."

Olhei pra cima e sorri. "É isso. Agora... Vocês estão prontos pra festejar?"

Todos os itens pessoais foram colocados na caixa e Billy foi o primeiro. Inicialmente ele parecia estar em dúvida do que colocar, mas então pegou uma pequena borracha de abóbora da carteira. Sorrindo envergonhado, ele encolheu os ombros. "Um paciente me deu. Ser um pediatra tem suas vantagens."

Quando ele girou o tubo central, vi ambos Vanessa e Chuck se afastarem levemente com o barulho que aquilo fez. Era um estranho e solitário ruído áspero, diferente de qualquer coisa que se costuma ouvir numa noite repleta de cigarras. Minha irmã me encarou franzindo as sobrancelhas e disse "O que é essa coisa?" enquanto Billy continuava a inclinar-se para seu visor, o som oco do tubo começando a diminuir. Eu só sorri e dei de ombros antes de voltar a assistir Billy.

Depois de mais de um minuto, Billy sentou-se e piscou como se estivesse saindo de uma caverna. Seus olhos estavam desfocados enquanto olhava pra mim. "Que porra foi essa, cara? Como isso é possível?"

Chuck, do outro lado do círculo, perguntou. "O que você viu?" Vanessa o cutucou.

"Não podemos falar do que vimos ainda, lembra?" Ela olhou para o Billy. "Mas você tá bem?"

Billy esfregou os olhos e balançou a cabeça. "Sim... Sim, eu só... Não se preocupem comigo. Vão em frente e testem."

Chuck foi o próximo, tendo colocado uma moeda que estava em seu bolso. Ele havia acabado de girar o tubo quando Billy levantou-se e sentou-se novamente aos tropeços. "Eu... Acho que fiquei enjoado ou algo assim. Não me sinto bem. Eu deveria ir embora."

Tirei os olhos de Chuck e sacudi a cabeça. "Vai passar, provavelmente. Além disso, se está tonto, a última coisa que precisa fazer é dirigir um carro. Por que você não vai se deitar por alguns minutos enquanto terminamos? Você já acabou.”

Billy me encarou por vários segundos como se estivesse mensurando algo, e eu estava quase repetindo quando ele acenou com a cabeça. "Sim, ok. Vou tentar isso por um minuto. Mas não prometo nada."

Olhei para trás e notei que Chuck já estava quase acabando, mas quando o tubo parou, ele não se inclinou para trás ou disse qualquer coisa. Vanessa olhou para mim com um ar de dúvida. "Algo está errado."

Eu franzi a testa. "Sim, não sei. Ei, Chuck?" Quando ele ainda assim não respondeu, Vanessa balançou seu ombro e, em seguida, deu-lhe um empurrão leve. Isso pareceu despertá-lo o suficiente para que ele sentasse e nos encarasse timidamente.

"Hum, Desculpem caras. Acho que dormi naquela coisa. Foi uma semana longa no trabalho."

Vanessa olhou para ele. "Você está me dizendo que você dormiu em três minutos mexendo nisso? Com seu rosto deitado contra essa caixa estranha?”

Ele encolheu. "Eu acho. Eu só... Olha, eu odeio ser o estraga-prazeres, mas podemos deixar isso pra lá e ir, querida?” Chuck olhou para mim. "Sinto muito, cara. Eu queria sair hoje à noite, mas meio que tô com o Billy nessa. Não me sinto tão bem agora.”

Eu me levantei. "Me desculpe, cara. Quer que eu veja se eu tenho alguma coisa para a sua cabeça ou enjoo ou algo assim?”

Ele balançou a cabeça quando começou a se levantar. "Não, eu acho que só preciso ir para casa na verdade. Podemos fazer isso outra noite."

Eu olhei para a minha irmã. "Ness, por favor, não vá. Desculpe que não está dando tudo certo, mas estou mesmo tentando. Demorou muito pra mim até mesmo conseguir convidá-los.”

Ela mordeu o lábio e olhou para Chuck, depois de volta para mim. "Eu sei. Eu sei." Ela olhou para a caixa e depois virou-se para o marido. "Olha, vamos ficar um pouco mais. Descanse e eu acabo de jogar o jogo. Se você não começar a se sentir melhor, nós vamos, eu prometo.” Chuck ia discutir, mas Vanessa já estava inclinada sobre a caixa.

Chuck me deu um olhar duro antes de ir para o sofá que eu tinha empurrado para trás contra uma parede distante da sala de estar. Eu podia sentir os olhos dele queimando um buraco nas minhas costas, mas tentei ignorá-lo. Não queria perder a reação da Vanessa. Não precisei esperar muito já que, depois de alguns segundos, ela começou a falar em voz alta, num quase grito.

"O inferno é uma floresta profunda e escura. Sua terra é fria, suas árvores são rígidas. Entre as sombras habita o rosto do caçador. Por favor, envie outro em meu lugar.”

Ela disse as palavras com pressa e depois ficou em silêncio, como um motor queimado em seu último suspiro. Ness deslizou para fora de sua cadeira e caiu no chão. Chuck já estava de pé, e quando ele a viu começar a se debater silenciosamente no chão, passou por mim para ajudá-la. Foi fácil enfiar a arma de choque em suas costelas e jogá-lo ao lado de sua esposa como um peixe morrendo.

Eu não tinha certeza do que estava acontecendo com Vanessa ou quanto tempo duraria, mas eu sabia que só tinha alguns segundos antes de Chuck voltar. Antes de meus convidados chegarem, eu tinha colado uma faca de açougueiro com fita adesiva sob a mesa em que estava a caixa. - uma das várias armas que eu havia escondido para diferentes cenários possíveis naquela noite. Eu o retirei de seu esconderijo enquanto ia pra cima do meu cunhado. Ele já estava recuperando os sentidos e tentou agarrar meu braço, mas ainda estava muito lento. Eu enfiei a faca no pomo de Adão dele e dei um forte giro.

"Isso é pela Amber, seu filho da puta."

Ele se contorceu por um punhado de batimentos cardíacos, mas quando soltei a faca e a empurrei garganta abaixo com todo o meu peso, suas mãos caíram no chão como pássaros mortos. Um olhar para seus olhos e eu sabia que ele havia partido. Boa.

Olhei para Vanessa, vi que ela tinha parado de convulsionar, mas seu único movimento era respirar pesadamente. Pelo menos ela ainda não estava morta. Lembro-me de ter pensado naquele momento que tudo estava indo tão bem porque estava fazendo o certo. O justo. Amber não era perfeita, mas ela não merecia o que eles fizeram com ela, e todos iriam pagar.

Levantando-me de Chuck, limpei a faca na perna da minha calça e fui para o quarto onde Billy deveria estar. Eu tinha que presumir que ele poderia estar ciente do que tinha acontecido na sala de estar, então eu estava tenso e pronto para um ataque quando abri a porta do quarto. Acendendo a luz com a mão segurando a arma de choque, procurei algum sinal dele, mas não havia nenhum.

Xingando sob a minha respiração, eu quase voltei para o corredor antes de notar que a porta do banheiro estava fechada e a luz estava acesa. Coloquei o ouvido na porta por um minuto, mas tudo estava quieto. Olhando atrás de mim para qualquer emboscada em potencial, chamei Billy como se estivesse checando, vendo se ele estava doente no banheiro. Nada.

Eu torci a maçaneta e ela não se mexeu. Trancada. Tudo bem. A porta era frágil e nada iria me impedir de terminar o que eu tinha começado. Dois chutes e a porta se abriu. Eu dei um passo para frente e olhei para dentro do banheiro, inicialmente confuso com o que estava vendo. Billy estava deitado na banheira vazia, morto. Ele usou o canivete que sempre carregava para cortar os pulsos na horizontal e na vertical e, a julgar pela quantidade de sangue acumulado sob ele, aconteceu quase imediatamente depois de nos deixar ou ele sangrou muito rapidamente. De qualquer forma, eu disse uma palavra silenciosa de agradecimento à caixa. Billy era maior e mais forte do que eu, então o maior problema que enfrentaria seria ele. Aparentemente, o que quer que tenha visto na caixa de sombras bastava para convencê-lo de que precisava fazer a coisa certa, afinal.

Voltando para a sala de estar, vi que Vanessa estava começando a recobrar consciência. Ela estava de quatro, tentando se levantar apoiada em uma cadeira, mas falhando miseravelmente. Não ajudou quando chutei sua caixa torácica, mandando-a rolando de costas. Quando ela olhou para mim, vi que ela tinha pequenos pontos de sangue nos cantos de seus olhos.

"Então, o que você viu?"

Ela apenas olhou para mim confusa como se ela não me reconhecesse ou não entendesse as palavras que estava dizendo. Eu me agachei e dei um tapa forte no rosto dela.

"Sai dessa. Quero que você entenda o que aconteceu antes de morrer.”

Sua respiração falhou com a pancada, e quando ela olhou de volta para mim, vi que me reconheceu. Ela olhou através de mim, para onde Chuck estava morto e a primeira emoção real voltou ao seu rosto. Seus olhos voltaram-se para os meus enquanto lágrimas cor de rosa começavam a escorrer por suas bochechas.

"Por quê? O que é que você fez?"


Eu bati nela novamente. "O que eu fiz? O que é que você fez. O que todos vocês fizeram.” Senti uma vontade quase avassaladora de ir em frente e apunhalá-la, então me levantei e andei a alguns metros de distância. “Eu vi o que você fez. A caixa me mostrou o que você fez.”

Vanessa ainda parecia confusa, e suas voz era levemente arrastada enquanto falava, mas franziu a testa e conseguiu falar: - “O que? Nós não fizemos nada.”

Eu soltei uma risada amarga. "Bem, eu acho que isso é verdade, não é?" Eu agarrei a faca com tanta força que podia sentir os ossos da minha mão gemendo em protesto. “A caixa me mostrou a noite em que Amber morreu. Como você, Chuck e Billy se aproximaram. Como você drogou Amber. Ela ficou bêbada. Fizeram coisas obscenas, pervertidas com ela, todos vocês. E então, quando ela desmoronou de tudo que você tinha dado a ela ... quando ela começou a morrer, todos vocês ficaram em pé e riram. Não chamaram ajuda pra ela. Não tentaram salvá-la. Você só assistiu ela morrer enquanto todos vocês só riram, caralho.”
Eu estava mais perto novamente, de pé sobre Vanessa e gritando com todas as forças, minhas próprias lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela estava falando de novo, tentando dizer que não era verdade. Que isso era insano e não fazia sentido. Mas eu sabia que ela estava mentindo. Eu sabia o que a caixa me mostrara. Eu sabia a verdade.

Então eu matei minha irmãzinha. Eu queria poder dizer que não me lembro disso, mas seria mentira. Eu lembro de cada golpe, cada grito que ela fez, cada momento de alegria e satisfação que senti em causar-lhe dor e vingar o que aconteceu com minha doce Amber. Tudo era tão claro e perfeito.

Mas quando acabou, essa clareza começou a desaparecer. Sentei-me no chão da minha sala de estar, coberta de sangue e sentindo a dúvida e o medo deslizando em minha barriga como a lâmina que eu deixara nos restos arruinados de Vanessa. Por que eu tinha tanta certeza de que podia confiar no que a caixa me mostrara? A autópsia de Amber não mostraria drogas e álcool em seu sistema se tivesse acontecido como eu vi? E por que algum deles gostaria de fazer algo disso em primeiro lugar?

Em poucos minutos, fui da excitação ao desespero. Eu ainda me sentia confuso, e até agora eu não posso dizer com certeza o que faz sentido e o que não faz, mas acho que fui enganado. Enquanto escrevo tudo isso, minha mente está mais clara. Acho que talvez tenha assassinado as únicas pessoas que me restaram, as únicas que se importavam comigo.

Até mesmo o começo dessa percepção me encheu de um desejo ardente de me matar. Eu provavelmente teria feito isso, mas algo inesperado me parou. Meu telefone tocou e, quando respondi, era você.

"Olá? É o Sr. Saltzmann?”

Eu assenti silenciosamente e então percebi que precisava falar. "Sim. Eu acho."

"Olá. Meu nome é Cora Westgate. Eu tenho tentado te rastrear. Ou pelo menos algo que eu acho que você tem.” Você parou para eu responder, mas fiquei em silêncio, então você continuou. “É uma caixa. É chamada de ... Caixa das Sombras de Izu, eu acho?”

Eu quase desliguei. Isso estava me impedindo de puxar a faca do cadáver da minha irmã e usá-la em mim mesmo. Mas algo me levou a perguntar, de qualquer forma.

"Por que você quer isso?"

Eu ouvi excitação em sua voz. “Então você está com ela. Impressionante. Olha, meu tio ... ele foi sequestrado. Por pessoas muito ruins. E acho que a caixa pode me ajudar a encontrá-lo. Eu sei que parece loucura, mas se …”

"Tudo bem." Fiquei surpreso ao ouvir a voz sair da minha boca e eu poderia dizer que você estava surpreso também.

“Oh, nossa. Ótimo! Olha, eu tenho o seu endereço e posso estar aí em duas horas, se estiver tudo bem. Terei todo o prazer em pagar-lhe bem, mas…”

"Não, eu não vou estar aqui quando você chegar aqui. Apenas pegue.” Novamente, eu não sabia por que eu ainda estava falando com você, muito menos porque eu estava encorajando você a pegar algo que eu estava cada vez mais certo de que era a causa de todo o horror ao meu redor.

Você estava tentando me agradecer, mas eu já estava desligando. Eu quase fui para a faca, mas uma parte de mim, o meu verdadeiro eu, hesitou. Eu sabia que queria morrer, mas queria avisá-la da melhor forma possível. Se eu não pudesse dizer para você, talvez escrever o que aconteceu funcionaria. Eu esperava não poder nem começar a contar, muito menos terminar. Eu pensei que a caixa não me deixaria te contar. Alertar você.

Mas agora que terminei, acho que entendi. A caixa quer ir com você e, embora saiba que você vai ler isso, também sabe que você não vai prestar atenção ao meu aviso. Só espero que eu esteja errado.

Por favor, não leve a caixa. Ou se você fizer isso, não use. Destrua se puder. Você vai me encontrar morto, encontrar todos nós mortos, e talvez você acredite que eu não quis fazer nada disso. Se você sabe sobre coisas como a caixa, você pode ser a única que pode entender. De qualquer maneira, está feito agora. Enganado ou não, estou condenado.

Cora, por favor, não use a caixa. Por favor, acredite que eu sinto muito pelo que fiz.

Eu te amo, Amber. Espero voltar para você algum dia.

Adeus.
•••
FONTE  AUTOR  SEUS LIVROS
•••
Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

13 comentários :

  1. PRGDL02022

    Nosssss, que creepy sensacional, prende o leitor a estória toda... E esse final, sem comentários...

    ResponderExcluir
  2. interessante nunca tinha lido uma creepypasta assim, muito boa, parabéns ao escritor.

    ResponderExcluir
  3. Heitor, muito bem traduzida/adaptada. Obrigado pela creepy!

    ResponderExcluir
  4. a creepy eh excelente, mas deixa algumas pontas soltas, por exemplo, porque Billy se suicidou? o que a caixa mostrava pra eles? eles realmente mataram amber?

    alguém explica pfv

    ResponderExcluir