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Eu costumava gostar de cultos

18 comentários


Eu achava que cultos eram divertidos. 

Você fica com seus amigos no meio do deserto, usa um pouco de mescalina e alucina sobre a existência de alguma religião.

Nosso culto era minha vida. 

Meu amigo Orin e eu começamos com um ex-ônibus escolar que compramos de um cara no Craigslist. O ônibus estava enferrujado e metade das janelas estavam quebradas. Nós pintamos o nome "A Besta" na lateral em tinta vermelha.

Tínhamos dezessete membros, todos perdedores e viciados, assim como Orin e eu. Nós navegamos A Besta por todo deserto procurando por portais para o Outro Mundo.

O Outro Mundo era ideia de Orin. Era como o círculo de luxúria do Inferno de Dante - um tornado gigante de corpos se contorcendo nus e se batendo eternamente uns nos outros. Entretanto, nossa versão era para ser divertida, não tortuosa.

Um dia, encontramos um portal.

Não parecia ser a princípio - não havia nada lá, a não ser um velho crânio de vaca banhado pelo sol. Mas Orin disse que era o lugar, então estacionamos o ônibus e desembarcamos.

Pegamos nosso cachimbo de paz cerimonial feito do osso do quadril oco de uma carcaça de animal e o enchemos de peiote.

Orin e eu começamos a fumar enquanto os seguidores construíam a fogueira. O céu se transformou em um laranja cintilante enquanto o sol se punha sobre as areias brilhantes do deserto. Quando apareceu o crepúsculo arroxeado nos céus, o fogo já era um inferno rosnante de seis metros de altura, enroscando-se em direção dos céus como uma enorme serpente laranja. 

O cachimbo foi passado, e o tempo  começou a se arrastar. Sombras dançavam na luz quente do fogo que banhava o crânio da vaca e, então, o demônio emergiu.

Apareceu a princípio como um rastro de fumaça cinza azulada, deslizando para fora do olho esquerdo do crânio e subindo até o céu. Começou a enrolar-se, girando-se num redemoinho que aos poucos adquiriu bordas para formar a cabeça de um grande lobo, com pelos cintilantes de fios de prata e dentes que brilhavam como adagas de marfim.

"Eu sou o Grande Espírito dos Lobos", anunciou. Sua voz era sonora e profunda, como o soar de um sino.

Olhei em volta em busca dos outros membros do culto, mas percebi que era só eu e o Grande Espírito dos Lobos, flutuando em um leito de estrelas.

Eu queria falar, mas as palavras não vinham.

"O Grande Espírito dos Lobos é o espírito do predador", disse o lobo. "É o espírito da Besta. É o executor da ordem natural, em que a forte presa nos fracos. Seu amigo me procurou, pensando que iria encontrar o paraíso. Mas não há paraíso. Os fortes sempre comerão os fracos. Agora abra sua mente e torne-se o lobo."

Ele abriu a boca e uivou, um som arrepiante que parecia agarrar meus ossos e sacudi-los, as estrelas explodiram em fogos de artifício de prata e eu caí, para sempre, no esquecimento.

Quando acordei, estava nu, e o fogo há muito havia queimado até as cinzas que os ventos haviam espalhado, deixando apenas uma leve mancha preta no chão. Devo ter ficado desmaiado por dias, talvez semanas, e o desconforto surgiu quando percebi que estava sozinho.

Orin se fora e o resto do culto também. A Besta não estava por perto.

Eu não sabia por que os outros haviam me abandonado, nem como eu havia sobrevivido sozinho no deserto enquanto vagava pela névoa psicótica induzida pela droga que agora existia em um lugar obscurecido da minha memória.

O único plano formado pela metade que minha mente enlameada conseguiu fazer era subir a terrenos mais altos, de modo que eu pudesse encontrar um rumo.

Avistei um desfiladeiro a distância e, nas duas horas seguintes, fiz a caminhada cansativa até lá. Meus pés estavam ensanguentados quando cheguei ao topo, mas meu coração estava leve de alegria, porque no horizonte distante eu via a salvação - A Besta.

Era no meio da tarde quando me deparei ela. Corri para o ônibus com um ânimo ascendente, pronto para ver meus amigos. E eles estavam lá, realmente. O interior da Besta tinha sido pintado com suas entranhas.

O mundo girou e girou, e eu tive que segurar para ficar em pé. Senti minhas tripas em protesto, e então a torrente de vômito quente explodiu da minha garganta.

Olhei em horror quando percebi o motivo de não ter morrido de fome naqueles dias. 

No topo da pilha de vômito ensanguentado e vermelho, tinha dedo humano parcialmente digerido.


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

18 comentários :

  1. PRGDL02022

    Wow, que doideira... Gostei, muito boa!

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  2. como disse antes, parem de postar coisas só do reddit, muda um pouco, sei que as melhores creppy são de la e nem todos leem em inglês, mas bora variar um pouquinho

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    1. Quando alguém me perguntar o que mais me surpreende na humanidade, vou mostrar esse comentário sem sentido pra ele...
      Que diferença faz a fonte do conteúdo? Falta do que criticar mesmo. Hue

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    2. nao é falta do que criticar, é pq so traduzem de lá e esperamos muito tempo para postarem uma creepy e quando postam de um so site, a chance de outra pessoa ter traduzido e lido antes é grande, e esse é um site de renome, por isso meu comentário pedindo para variarem as fontes

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    3. Envia uma fonte boa aí, como sugestão, então.

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    4. Preocupação, "a chance de outra pessoa ter traduzido e lido antes é grande ..." Q????????????? Qual é o problema?
      Tipico, sabe criticar, mas apresentar outras fontes ....

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    5. Creepypasta.com é uma boa fonte.

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    6. pois é, no inicio do site mesmo tem outras 2 fontes

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    7. la no perguntas e respostas

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  3. Curti muito nao.. 4/10

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  4. Azidéia dos maluko kkkk fumar cachimbo da paz no deserto ó kkkk

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  5. Curti, no final ele vira um lobo mesmo ou é só uma personalidade? Parabens pela história.

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  6. O cara que fez essa creepy comeu farofa com maconha n é possivel

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