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"Minha Família"

8 comentários
Bom dia/Boa tarde/Boa noite! Desculpem ter soltado a creepy atrasado, ontem fui fazer a última revisão antes de soltar até que percebi que no original o poema rimava, então tive que refazer tudo! Aproveitem :3
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 "Fale mais alto, por favor."

Coloquei minha mão próxima ao ouvido, sinalizando do fundo da sala que  precisaria elevar o tom.

Assim ela respirou profundamente. Pude ver a ansiedade corando suas bochechas, enquanto mechas de um loiro cabelo começaram a cair do mesmo rabo de cavalo crespo que ela fazia diariamente. Havia algo nela tão familiar... Mas eu não era capaz de apontar o que me causava esse sentimento. Com sua face colada ao papel e assustada demais para fazer contato visual, ela despejou tudo rapidamente, como se fosse desvanecer.

"Oi, meu nome é Paisley Jackson, e meu poema se chama 'Minha Família'."

Paisley era uma garotinha tímida. Na realidade, ela era uma das estudantes mais quietas que já tive nos meus 10 anos lecionando. Acredito que seja o resultado de ser a mais nova em uma família de 11. Surpreendentemente, era muito esperta, ao contrário de seus irmãos, mais estúpidos que um monte de pedras. Deus, os Jackson eram realmente uma dor de cabeça, com exceção da Paisley, é claro. Eu queria ter dado a ela mais oportunidades para melhorar seu futuro.

Não me entenda mal, tentei ajudar Paisley, de verdade. Dei a ela roupas, comida, e até mesmo havia separado recursos monetários para ajudar. Mas viver na miséria em uma cabana no meio do deserto era um empecílho enorme com o qual lidar. Além disso, independente do que fizesse, não faria diferença, todos sabem que o ciclo da pobreza é praticamente inquebrável.

Cruzei minhas pernas, caneta em mãos, preparando-me para outra história sem graça sobre uma família que eu nunca conheceria. Se você alguma vez já trabalhou com crianças desprivilegiadas, deve saber que dificilmente há envolvimento do guardião em qualquer assunto. No que toca ao interesse na educação de sua filha, os pais de Paisley não fugiam da regra.
 

"Tenho duas Mamães. Uma se chama Betty, e faz um ótimo spaghetti. De Mãe ela é chamada, e é com meu pai Tom que está casada. A outra me lembra amarelo, Claire tem um cabelo tão belo. Mamãe ela é pra mim, meu pai diz que ela é seu hobby, seu projeto sem fim."

Largada no meio de Utah, já vi centenas de famílias poligâmicas, então isso não me soou estranho. Mesmo que poligamia seja ilegal, mantenho meu nariz onde sou chamada. 


"A Mãe à todos protege. Ela é muito alta, por isso consegue. Mamãe usa um belo bracelete prateado. O usa porque famosa ela é um bocado."

Não seria a primeira vez que vejo crianças inventando parentes celebridades para adicionar alguma emoção em suas vidas ordinárias. Só não esperava isso da Paisley. 


"Mamãe teve à mim e ao Tommy. Antes de mim ele pegou o sobrenome. A Mãe é bem mais antiga. Todos os outros devem a ela a vida."

Eu estranhei bastante. Isso queria dizer que uma das mães de Paisley deu à luz nove crianças. Não sou capaz de imaginar alguém passando por tantas gestações. 


"Papai diz que eu e Tommy somos presentes do Senhor. Ele nunca vai nos causar dor. Tommy é seu orgulho e alegria, mas diz que só à Mamãe ama noite e dia."

Tirei meus olhos do caderno de notas, aquilo sobre Dor havia chamado minha atenção. De qualquer modo, outros de meus estudantes já haviam acidentalmente reportado abusos antes. Verdade seja dita, o Serviço de Proteção Infantil é seletivo quando se trata de escolher quem ajudar.
 

"A Mãe outro bebê vai ganhar. Ela está brava porque nosso Pai de Daisy quer nomear. Mamãe não pode ter mais bebês mesmo que tente. Seu último morreu de Síndrome da Morte Súbita do Lactente."

Tentando encontrar uma posição confortável onde estava, rabisquei uma anotação para me lembrar de entregar as roupas de bebê antigas da minha filha pro barraco dos Jackson. Como a mãe que sou, sei bem que bebês podem ser caros. 


"O Pai diz que ela fez conscientemente, porque queria fugir e se tornar uma artista circense. A Mãe diz que não foi culpa dela, e eu prometi guardar segredo com uma piscadela."

Balancei a cabeça entristecida, como alguém poderia culpar uma mãe de luto por algo que ela não poderia controlar? 


"Mamãe foi aquela que o Pai escolheu. Ele assistiu todas suas apresentações desde que a conheceu. Eles ficavam juntos na escuridão. Papai diz que dentro dela há muita confusão. A Mãe é só enganação, ele não a ama de coração."

Joguei minha mão para cima, um gesto que ensinei aos meus estudantes, pedindo para ela parar. Mas Paisley não olhou para mim. Ela continuou lendo, inconsciente da minha expressão decepcionada. Obviamente algum de seus irmãos havia colocado-a nessa situação como uma brincadeira. 


"Mamãe diz que precisa fugir. Que quer me mostrar o que da vida pode surgir. Papai fica bravo, sua maior neura é essa. Mamãe tem um olhar magoado, pra ir embora ela tem pressa."

 "Mamãe canta pra mim sua música favorita. A Mãe diz que Papai tem a cabeça esquisita."

Suspirei, balançando a cabeça. Outra criança com tanto potencial, e um coração tão puro, estava presa no meio de uma confusão amorosa que sequer envolvia ela. 


"Aniversário passado, queria levar a Mamãe pra ver seu time favorito de basquete. A Mãe fez um bolo com cobertura de chantili cheio de confete. Eu consegui aos Knicks assistir, mas Papai diz ter feito um erro que não consegue corrigir."

"Agora tudo mudou. Do motivo incerta estou. O Papai à noite sozinho chora. 'O que eu fiz?', pergunta pra Deus sem demora. Pra Mãe ele não liga mais, ela espera que com o bebê as coisas voltem aos seus normais."

Paisley levantou sua cabeça com um sorriso, buscando minha aprovação. Embora estivesse chocada com a inadequação de seu poema, não queria partir seu espírito. Ela claramente estava muito orgulhosa dele, e dar uma bronca nela por algo que não era uma má conduta dela, só iria atirá-la novamente pro casulo que esteve por meses tentando quebrar.

Então, em vez disso, bati palmas, fazendo com que o resto da classe (novos demais pra entender a gravidade da situação) também aplaudisse.

"Senhorita June, trouxe uma foto da Mamãe pra ter alguns pontos extras, e ela tem mais uma parte do poema. Posso mostrar pra turma?"

Acenei com a cabeça, pensando que não seria possível haver qualquer detalhe pior do que os já apresentados.

Paisley enfiou a mão no bolso da frente do velho e gasto vestido, que havia herdado, puxando uma foto envelhecida. Ela virou a foto descascada, exibindo-a como se fosse seu bem mais precioso.

Meu sangue congelou. Finalmente descobri o motivo de Paisley ser tão familiar pra mim.

No que parecia uma foto do colégio, sorrindo de orelha a orelha exatamente como Paisley, estava uma jovem chamada Claire Daisy. Ela era uma estudante do ensino médio, popular por sua capacidade de ganhar a liderança em todas as peças da escola, que desapareceu sem deixar vestígios 12 anos antes. Ela foi vista pela última vez saindo do teatro tarde da noite, mas depois simplesmente sumiu. Nenhum sinal de luta. Nenhuma testemunha. Nenhuma evidência. Sem corpo. Nada. Seu caso foi esteve em todas as estações de notícias de Utah por um tempo, por conta de quão peculiar era, até que as pessoas perderam o interesse.

Paisley alegremente continuou, estava tão chocada que não pude pará-la, enquanto ela lia o verso da imagem. 


"Tem uma coisa que eu não entendo, e talvez a resposta você esteja escondendo. Se o amor do Papai pela Mamãe não tem fim, por que ele trata ela assim? A Mãe deita sua cabeça na cama de uma princesa. Mas Mamãe dorme no porão, sob um bloco de concreto bem grandão."
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Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

8 comentários :

  1. Li a original ontem msm.. parabéns adaptou bem as rimas. A historia tb gostei, 10/10 😘

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  2. Caramba... Genial e muito real. O ritmo das rimas faz parecer que será uma história somente melodramática, mas depois ela faz com que recordamos que é uma creepy, ou seja, QUE TERÁ ALGO BIZARRO.

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  3. PRGDL02022

    VISH... Coitada da menina, que trauma!

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