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Porquê larguei o turno da noite.

20 comentários
Uma creepy um pouco mais simples, pra diferenciar das outras até então. Apreciem :3
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Hesitei quando me ofereceram o emprego de gerente noturno do McDonald's. Já trabalhava na loja há seis meses, mas só durante o dia. Eu raramente trabalhava depois do escurecer e tinha conversado com colegas de trabalho que já trabalharam. Super ocupado, falta pessoal, e os clientes são turbulentos. Essas eram as reclamações gerais, e eu percebi que era por isso que a posição de gerente do turno da noite tinha uma taxa de rotatividade tão alta. Em seis meses foram quatro novos gerentes, e cada um deles havia desistido.

O último a sair foi Jesse, um cara que costumava trabalhar às tardes e sempre vinha chapado. Ele fazia isso com tanta frequência que eu assumi que era exatamente como ele era, e então um dia ele veio sóbrio e eu pensei "Merda, entendi porque eles te contrataram". Não me surpreendeu muito quando ele aceitou a promoção; o único benefício da posição é que não há ninguém na sua bunda. Sem preocupações com Clientes Ocultos, o gerente geral está em casa dormindo e você pode fingir que a máquina de sorvete está quebrada o quanto quiser, ninguém vai te dedurar.

O que me surpreendeu foi quando ele desistiu, quase uma semana depois. Ele nem sequer colocou um aviso. Ele saiu da loja no meio do turno e nunca mais voltou. Seu último salário ficou juntando poeira no escritório, e ninguém conseguiu entrar em contato com ele.

E foi aí que eles me ofereceram a posição. Eu tinha minhas dúvidas, mas com apenas dezoito anos, não tinha ideia do que queria fazer da minha vida, e o pagamento era quase o dobro do meu salário como membro regular da equipe. Aceitei o emprego, passei cerca de uma semana em treinamento, e sem perceber já estava encarregado do lugar das onze às sete, cinco noites por semana.

Não era ruim. Durante as primeiras três horas, eu teria um funcionário extra na cozinha e outro no balcão para receber pedidos e entregar a comida pela janela. Os dois saiam às três, e depois a loja ficava vazia, exceto por mim e Miriam, a única mulher da cozinha. Miriam era uma mulher baixa, quieta e de meia-idade, que trabalhava na cozinha há mais de uma década. Ela não falava inglês muito bem, mas conseguia entender bem o bastante.

Era por volta das quatro da madrugada de um domingo, quando entendi por que Jesse se foi. A fila do lado de fora havia acabado e o estacionamento estava vazio. O chão e as mesas do saguão estavam impecáveis, intocados desde que o zelador saiu. O único som audível era o zumbido constante das fritadeiras. Eu sabia que ainda tinha coisas para fazer - ainda precisava reiniciar o sistema de computador, contar os registros -, mas tomei um momento para ficar ao lado do balcão da frente, olhando para o saguão que fechava todas as noites às onze.

Eu não estava olhando para nada em particular, mas meus olhos se fixaram no reflexo na janela e vi algo se mover, debaixo de uma das mesas cobertas. Minha visão não é ótima, então me inclinei sobre o balcão e olhei, até que percebi que não estava imaginando coisas. Eram as pernas de uma garota, saindo horizontalmente debaixo da mesa.

Ela tinha sapatos brancos como a neve, do tipo que as enfermeiras usam. Suas pernas estavam nuas, mas eu não conseguia ver nada acima do joelho. A parte de trás de seus calcanhares repousava no chão, e os dedos dos pés apontavam para o teto.

Então seus dedos começaram a balançar, para frente e para trás, como se ela estivesse ouvindo música. Eu a observei por um momento. Ela estava ferida? Isso era uma pegadinha? Pessoas já tinham entrado no saguão depois de fechar antes, querendo fazer um pedido ou usar o banheiro, mas eu nunca vi nenhum deles agindo assim. Normalmente eles viriam diretamente até o balcão da frente, eu diria "Desculpe, o restaurante está fechado", e acabaria assim. Mas isso…

"Hey!" Eu gritei: "O restaurante está fechado!"

Minha voz ecoou pelo prédio e, assim que eu gritei, as pernas congelaram no lugar. Por um momento ambas ficaram no chão completamente imóveis. A moça que estava debaixo da mesa aproximou-as de si, uma de cada vez, até estarem afastadas o bastante da borda da mesa, para que eu não conseguisse mais vê-las.

Eu percebi que ela estava se levantando e esperei que se mostrasse, mas ela não apareceu. Gritei novamente: "Eu sei que você está aí!", Mas nada aconteceu. Suspirei, deixei meu fone de ouvido em volta do pescoço e saí para o saguão. Ela teria que me obedecer, querendo ou não.

Mas quando saí do balcão e cheguei à mesa, ninguém estava por baixo. Eu olhei debaixo das outras mesas, não vi ninguém. Eu dei uma olhada ampla examinando todo o restaurante. Além de Miriam na cozinha, o lugar estava vazio.

Eu fiquei lá por um tempo, meus pés congelados no chão. Eventualmente suspirei e caminhei de volta para o balcão, tentando não persistir no fato de que eu tinha imaginado um par de pernas debaixo da mesa por pelo menos um minuto inteiro. Eu não estava ficando maluco. Eu estava apenas cansado. Coloquei o fone de ouvido de volta, e quando tive certeza de que ninguém havia entrado no drive-thru, verifiquei novamente as entradas para ter certeza de que todas as portas estavam trancadas. Elas já estavam. Se realmente houvesse uma garotinha se escondendo em algum lugar da loja, (e não havia), então ela teria que estar se escondendo por pelo menos cinco horas até agora. Isso seria ridículo. Eu teria notado ela antes.

Dei outra olhada superficial pelo saguão enquanto caminhava de volta para o balcão, e congelei. No reflexo do vidro, vi um dos sapatos brancos, agora no chão. Eu não conseguia ver mais ninguém, ninguém sob a mesa.

Eu me virei para chamar a atenção de Miriam (ela também veria isso?), mas ela já não estava mais na cozinha. Ela deve ter ido ao estoque para pegar suprimentos. Me virei, tentando obter o melhor ângulo para ver o reflexo, mas por trás do balcão eu só podia ver sombras sob a mesa e, claro, o sapato, descansando ao lado dela. Um momento depois, uma pequena e pálida mão saiu da escuridão, pegou o sapato e o puxou de volta para baixo da mesa sem emitir um som sequer.

Eu quase me esqueci de respirar. Encarei aquele reflexo por uma eternidade, esperando que algo surgisse outra vez, esperando algum outro sinal de que aquilo era real.

Não sei quanto tempo levei para perceber que o telefone estava tocando. Miriam chamou meu nome do escritório. Quando me virei ela estava andando para me entregar o telefone fixo que ainda tocava. Dei outra olhada para o reflexo na janela antes de pegar o telefone e me permiti relaxar quando, novamente, não vi nada.

É tarde, estou exausto, não estou ficando maluco. Agradeci a Miriam e atendi a ligação.

Não esperava muito. A essa hora da noite, nenhuma pessoa bem-intencionada nos ligaria. Geralmente era um erro, algumas crianças passando trote, ou alguém que não tinha certeza se abríamos 24 horas por dia, e queria ligar primeiro antes de chegar até aqui. Mas eu sabia desde o momento em que ouvi a voz do outro lado da linha que isso era diferente.

"Ajuda... por favor me ajude..."

Uma voz suave e jovem estremeceu na linha. Uma garotinha. Meus olhos voaram de volta para o outro lado do saguão, para o reflexo na janela. "Quem é?"

"Estou presa", disse ela. Não vi nada incomum perto da mesa desta vez. "Eu estou presa debaixo da mesa..."

"Onde você está?", Perguntei. Exceto que eu sabia exatamente onde ela estava.

"Ajude-me a sair", ela continuou, como se ela não tivesse me ouvido. "Estou presa, não consigo sair..."

Eu podia sentir os pelos na minha nuca eriçados e minha visão parecia super focada. Onde uma vez a reflexão estava embaçada, agora eu já podia ver com perfeita clareza. Entretanto, nada aconteceu. Nada saiu de debaixo da mesa, mas a voz no telefone continuava implorando por ajuda.

"... por favor senhor, estou presa aqui faz tanto tempo..."

Eu quase desliguei o telefone bem ali. Se tivesse desligado, acho que fingiria que nada havia acontecido e, caso o telefone tocasse de novo, eu não atenderia. Mas isso não era o tipo de coisa que alguém poderia ignorar, além disso, podia sentir até na pele que mesmo se desligasse quantas vezes eu quisesse, ela não ia parar de ligar.

Voltei para o saguão. Eu não andei mais lentamente que o normal, mas demorou uma eternidade para chegar à mesa. Fiquei pensando em Jesse, como ele desapareceu de repente sem uma explicação.

Eu me agachei e olhei sob a mesa e, assim como da última vez, ninguém estava lá. Dei um suspiro de alívio. A voz no telefone soava tão falsa agora. Era claramente alguém passando um trote, que por acaso escolheu a melhor hora possível para mexer comigo.

"Legal, idiota", disse ao telefone, e tentei desligar, de uma vez por todas. "Não ligue para este lugar novamente."

"Mas... eu finalmente consigo te ver", ela disse, parecendo honestamente confusa. "Estou bem ao seu lado. Você está vestindo um uniforme vermelho e preto e uma viseira..."

"Sim, obviamente", eu disse. Se este fosse um trote, eles saberiam que eu estaria assim. “Este é o McDonald's. Nós todos nos vestimos assim."

"- e seus olhos são castanhos, e você não tem um crachá, e você tem um corte na mão direita -"

Sua descrição continuou chegando ao ponto em que ela descreveu o jeito que eu estava agachado, a forma do meu nariz, que minhas mãos estavam tremendo. Eu olhei para a janela novamente, tentando ver além do meu próprio reflexo, para o estacionamento do lado de fora. Alguém está me observando do lado de fora, eu disse a mim mesmo, mas eu estava errado. A reflexão era tudo que eu precisava ver. Nela estava o rosto da garota, espiando, uns quatro ou cinco centímetros além do fim da mesa. Ela olhou diretamente para mim, quase a um braço de distância, seus lábios se movendo em sincronia com as palavras que ouvia através do telefone.

Eu me afastei dela, tropeçando em uma cadeira. Deixei cair o telefone no chão mas ainda assim podia ouvir o tom de sua voz, mas nenhum som saia de debaixo da própria mesa. Não havia nada lá, nada além dos ladrilhos e do suporte para a mesa. Olhei de volta para o vidro e ainda podia vê-la lá, clara como o dia, olhando para mim com grandes olhos negros. Sua boca se moveu silenciosamente, mas ela não se aproximou mais.

Peguei o telefone e corri de volta para o balcão. Meu coração batia no peito, minha garganta seca, minha cabeça latejando. Eu lutei para respirar. Olhei de volta para a janela e lá estava ela de novo, observando-me com a cabeça para fora das sombras. Ela franziu a testa e lágrimas vermelhas escuras começaram a escorrer pelo seu rosto. Coloquei o telefone de volta em meus ouvidos e a ouvi novamente.

"... por que você foi embora? Eu pensei que você ia me ajudar. Estou presa, não consigo sair..."

Ela continuou falando, e eu escutei, com uma sensação ainda pior na boca do estômago quando ela começou a gritar.

"Por favor! Eu estou aqui há muito tempo..."

Saí desse transe com a Miriam chamando meu nome da cozinha. Me virei para vê-la me observando com olhos estreitos. "Você está bem?"

Por um momento, não tive ideia de como responder isso. Eu olhei de volta para a janela e não vi nada, mas nem fodendo que eu teria imaginado tudo aquilo. Coloquei o telefone no ouvido e ouvi a menina gritando de novo. Foi quase reconfortante. Ela era real. Eu podia ouvi-la.

Eu contei a Miriam sobre a garota embaixo da mesa e a voz dela no telefone. Eu deveria estar falando muito rápido porque ela claramente não conseguiu me entender. Então eu lhe entreguei o telefone e disse a ela para ouvir.

Miriam colocou o telefone no ouvido dela. Ela escutou por cerca de dois segundos, depois encerrou a chamada calmamente e colocou o telefone com a face voltada para baixo no balcão. "Garota demoníaca", disse ela.

"O que?"

Ela repetiu-se lentamente, certificando-se de que estava pronunciando corretamente. "Garota demoníaca", “Vive debaixo da mesa. Não deixe ela te tocar, você vai ficar bem".

E com isso, ela voltou a limpar a grelha, cantarolando para si mesma. Meu fone de ouvido tocou e ouvi um carro estacionando no alto-falante drive-thru. Levei minha mão para o botão no meu fone de ouvido, pronto para fazer o pedido, mas meus dedos pararam a alguns centímetros do botão. Olhei para o rosto da garota pela janela novamente. Ela olhou para mim, sem piscar, sem desviar o olhar uma vez sequer.

"Olá", disse o cliente. Mas aceitar seu pedido era a última coisa que eu conseguiria fazer. Minhas mãos estavam suando, a sala estava girando e, acima de tudo, eu me sentia enjoado, doente até às tripas. "Alguém aí?", perguntou o cliente. "Olá?"

Tirei meu fone de ouvido, saí pela porta e nunca mais pisei naquele prédio.
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Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

20 comentários :

  1. "O fantasma da mesa" xD
    Embora eu não tenha cobeguido visualizar bem o ângulo que o personagem via, foi uma boa história e é por essa é por outras que não como mais no McDonalds xD

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Bem comum.. mas achei legalzinha 😋
    Um dia vou ter a calma e a coragem da tiazinha kakakaka 8/10 😘

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  4. não me sentia tenso assim há um tempo, creepy mt boa, fiquei ansioso por uma continuação!

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  5. boa creepy, só queria saber de verdade como a garota morreu. Tipo, construíram o mc donalds em cima de algum lugar? mataram ela ali? tem algo a ver com os olhos? (já que ela chorou sangue)
    Mas muito boa, parabéns Heitor, você tá no caminho pra ser uma Divina da vida (;

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  6. por favor, comecem a traduzir de outros sites sem ser o reddir kkkk

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    1. Mas lá é onde mais tem creepy.. toneladas de historias
      Pra quem sabe ingles e lê direto pode ser repetido, mas nem td mundo fala ou tem disposição p isso

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  7. Me digam uma coisa, estava eu relembrando algumas creepys por aqui quando eu vi novamente "The Holders Series". Vocês continuarão essa série ou acabou e ponto final?

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    1. Se você quiser você pode ler a série dos portadores nesse site:
      http://lerpodeserassustador.blogspot.com/?m=1
      Lá tem cerca de umas 200 partes e ainda continuam postando mais

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. PRGDL02022

    Gostei, muito boa mesmo! Também gostaria de saber o motivo de a menina estar presa debaixo da mesa. Vai ver ela teve um infarto ao ver o Ronald McDonald... Nunca fui com a cara dele!

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. falta de adms, os adms pararam de responder os comentários, creepys repetitivas e sem graça,poucas creepys por semana,e por ai vai

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. 1 Década trabalhando e Miriam não sabe falar inglês direito. rss

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    1. Mano e acontece MUITO isso.. eu n acreditava até ver com meus proprios olhos. Principalmente imigrantes q moram em comunidade latina, só falam espanhol entre si... 25 anos nos US e n falam ingles.. kkkkkk

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  13. Como dava pra ver os dedos dos pés se ela tava com sapatos?

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