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Há um fantasma em meu quarto, e eu acho que estou o assombrando

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NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 

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Há um fantasma que assombra meu quarto, e ele é a melhor parte da minha casa.

Acho que papai não queria uma filha. Ou, pelo menos não queria uma depois que sua esposa não pôde ser minha mamãe. Tudo que ele já disse sobre ela é que não podemos impedir a morte, e então ficou bem quieto.

Ele nunca mais quis falar sobre ela depois disso.

Eu sempre me perguntei quanto controle ele tinha sobre sua própria vida. Se você não pode impedir a morte de acontecer, por que você impediria a vida de acontecer? Porque essa é a escolha que ele fez.

Ele nunca me levou a nenhum lugar. Amigos não eram permitidos dentro de nossa casa. Para ser honesta, ele nunca pareceu muito feliz e ser meu papai.

Eu fiquei com muito medo na primeira vez que o fantasma veio até mim. Senti como se estivesse caindo no sono, mas então eu estava realmente caindo. Caí mais e mais rápido, e eu queria acordar, mas algo estava me puxando para longe. Eu não conseguia respirar, e tudo estava muito escuro.

Então ficou quente e pacífico. Conheci o fantasma, mas não podia vê-lo. Não fazia o menor sentido, mas todos os meus sentidos se foram. Eu sabia que ele estava na minha frente, mas meu corpo não estava ali, e e havia luz. Eu senti a luz em vez de vê-la, e isso tornou real.

"Eu vim te levar embora", ele disse. O fantasma não usava palavras, mas eu sabia o que ele queria dizer mesmo assim. "Por que você está me tirando da minha cama?" Pensei, e ele entendeu. "É apenas por um curto período", explicou. "Eu estarei no seu lugar, em sua cama, e seu pai não será capaz de saber que sou eu em vez de você. Quando acabar, você poderá voltar para casa." "Mas pra onde eu vou até lá?" Pensei, e o fantasma rapidamente respondeu. "Você ficará aqui, onde é quente e seguro. Buscarei você quando a noite acabar.

Queria fazer mais perguntas, mas ele se foi.

Eu estava quente e segura.

E quando voltei para minha própria cama naquela noite, ainda me sentia quente e segura.

Teria feito sentido ficar com medo quando caí na escuridão e entrei em outro mundo. Teria feito sentido duvidar do fantasma que me tirou do quarto e tomou o meu lugar à noite. No entanto, eu não estava com medo. Podia sentir bondade no fantasma.

Mas também senti tristeza.

Ficou mais forte com o passar do tempo. O fantasma ficava na minha frente por apenas um segundo quando eu vinha para seu mundo. Cada vez, ele ficava mais frio. Cada vez, ele falava menos.

Eu queria fazê-lo se sentir melhor, mas não sabia como. Me perguntei, então, se essa era a parte sobre crescer que ninguém fala. Talvez todos possam ver a dor nas pessoas ao seu redor, mas não entendem o que perguntar sobre por que ela está lá, mesmo onde a pessoa que sofre apenas precise compartilhar uma história sobre a qual ninguém saiba como falar.

Queria contar ao meu papai sobre o fantasma que entrava no meu quarto à noite. Mas sempre que eu tentava, ele ficava muito vermelho e quieto. Às vezes, ele se afastava e eu ouvia um som estridente. Mais tarde, eu encontrava buracos do tamanho de punhos nas paredes.

De vez em quando o mundo me engolia enquanto eu conversava com papai, e o fantasma me levava no meio do dia. Ainda era dia quando eu voltava, mas papai sempre me evitava até a manhã seguinte.

Acho que ele não queria ouvir minhas histórias. Eu nunca entendi o porquê; tudo que eu queria era alguém para compartilhá-las.

E nem é importante acreditar na história que um amigo lhe conta. Na maioria das vezes, o amigo só quer saber que é valorizado o suficiente para ser ouvido.

Mesmo sendo muito jovem, eu entendia que um homem deveria valorizar sua filha.

Eu não sabia como resolver o problema, então aprendi a parar de falar sobre isso. Ninguém queria ouvir o que eu tinha a dizer.

Então o problema falou por si só.

Só ficou maior e maior porque ninguém estava ouvindo. E de repente tudo mudou.

Eu contei dezenove socos na parede naquela noite, e treze segundos depois, minha porta estava chiando nas dobradiças. Não entendi porque eu tinha que ter medo, mas sabia que tinha. Às vezes, não ´há um motivo para quando as pessoas estão com medo.

Coloquei minha fé na fechadura da porta.

Minha fé foi quebrada.

Eu estava caindo.O fantasma passou por mim, e eu podia sentir o medo em torno dele como redemoinhos de creme branco no café preto.

Eu estava subindo. Mas imediatamente comecei a cair de novo, e nada fazia sentido, e todos estavam girando um no outro.

Então eu estava na casa do fantasma. Eu estava quente. Eu estava segura.

Fui puxada novamente.

Caí na minha cama com força o suficiente para quicar. Respirei fundo e me sentei. Sentia cheiro de moedas. Senti uma camada espessa de um líquido pegajoso vermelho na minha camisa.

A silhueta do meu pai permaneceu no outro lado do quarto. Eu estava confusa, porque ele não parecia zangado.

"Sinto muito", ele sussurrou, entranho e familiar ao mesmo tempo. "Mas eu não posso impedir a morte. Ninguém pode."

Eu estava desconfortável, e queria chorar. Mas os piores tipos de lágrimas são aquelas compartilhadas com pessoas que não se importam, então aprendi a não chorar perto do papai.

Ele respirou fundo, e eu entendi que ele estava chorando baixinho no escuro.

"Quem morreu?" Eu perguntei em voz baixa.

Ele congelou por vários segundos. "Você."

Senti o líquido no meu peito, depois olhei para os meus dedos. Um tom de vermelho era quase invisível ao luar que entrava pela janela.

Entrei em pânico. "Não há razão-"

"Não importa se não há razão", papai continuou, devagar. "Crescer significa deixar as coisas irem."

Lutei para respirar. "O que tem que ser deixado ir?"

Sua voz tremeu. "Eu sinto muito. Tentei para isso. Mas a raiva de seu papai foi demais desta vez, o que significa que foi demais para sempre." Ele estendeu o punho trêmulo para a pequena faixa do luar.

Estava coberto de vermelho.

Eu suspirei. "Eu vou-"

"Eu troquei com você", ele respondeu. "Você só poderia entrar em outro lugar quando alguém estivesse disposto a substituí-la. Então não, você não vai morrer."

Minha cabeça girou. Eu queria vomitar.

"Você estava indo para o outro lugar", ele continuou, "e então a morte veio, e não pôde ser detida. Então era hora de trocar novamente. Sinto muito que você tenha ido e voltado tantas vezes. Mas alguém tinha que estar no seu lugar, alguém tinha que estar no lugar de seu papai, e a coisa mais importante é que a morte tinha que levar um de nós." Ele falava alto agora. "Eu sinto muito. Eu não sei porque era minha responsabilidade cuidar de você, mas é assim que as coisas são."

Ele enxugou os olhos. "Eu não acho que ele era um bom papai. Não podia ser parado, e você merecia ser salva da morte muito mais do que ele."

Eu queria perguntar tantas coisas, mas tudo ficou preso na minha garganta.

"Mas eu não podia deixá-la sozinha. Não depois de passar tanto tempo protegendo você, trocando nossos corpos quando seu pai vinha para você à noite."

Ele ficou muito quieto.

"Você é o fantasma?" Eu perguntei surpresa. "E agora você está no corpo do meu papai?"

Ele assentiu ao luar.

"E meu pai está-"

Ele assentiu novamente. "Ele tomou a decisão de trazer a morte para o quarto, então tomei a decisão de que ele seria o único a enfrentá-la."

Comecei a entender. "Mas - quando você pode voltar para sua casa, onde é quente e seguro?"

Ele deu um longo suspiro. "A morte fecha portas que não podem ser abertas novamente."

Eu tremi. O tremor não parava. "Mas é a sua casa! Sua família não vai sentir sua falta?"

Ele fungou. "Sim."

Ficamos em silêncio por algum tempo.

"Sinto muito", ele finalmente disse. "Eu não sei ser seu pai. Não há instruções. Tenho que começar falhando nisso, ou não aprenderei nada." Ele finalmente chorou, aberta mas gentilmente. "Sinto muito que você esteja presa comigo. Eu tentei dar o meu melhor, mas às vezes só podemos escolher o menor fracasso."

Saí da cama e atravessei o quarto para envolvê-lo em um abraço. Eu conseguia perceber imediatamente que era uma pessoa diferente, mesmo que o corpo fosse o mesmo. Eu senti algo que nunca tive antes.

Era quente e seguro.

Ele tossia entre soluços abafados. Meu minúsculo ombro estava pressionado contra sua boca enquanto eu o abraçava, então ele lutou para falar.

"Quando você e eu trocávamos, eu apenas tomava seu lugar por alguns minutos de cada vez. Além disso, eu nunca fui uma - bem, uma pessoa antes. Eu não sei como."

"Tudo bem", respondi rapidamente. "Ninguém sabe."

Ele respirou pesadamente. "Quando eu estava no seu lugar... seu pai me quebrou um pouco mais a cada visita. Eu não sei se algum dia serei consertado."

A culpa me dominou. "Oh". Respirei profundamente. "Bem, talvez um conserto não é algo que acontece uma vez. Talvez ser consertado apenas signifique que você sempre tenta melhor um pouco."

Ele olhou para mim, os olhos arregalados ao luar fraco. "Como eu posso fazer isso?"

O soltei, segurei-o pela mão e sentei-me na beira da minha cama.

"Bem", comecei, "o que eu sempre quis foi alguém para me ouvir." 


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

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