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Algum Dia Mataremos Todos Os Viajantes do Tempo

15 comentários
Bom dia/Boa tarde/Boa noite! Viagem no tempo é um tópico bem interessante de se pensar, então vamos de creepypasta! Aproveitem :3
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Há cinco ondas de viajantes do tempo. Digo, eles vêm do futuro em cinco grupos distintos. Mas, da minha perspectiva, estão todos na mesma bagunça. Não sei se usaram a mesma tecnologia pra chegar aqui, entretanto, todos eles têm praticamente o mesmo objetivo. Me matar.

A primeira onda foi provavelmente mais experimental, e sucesso não estava nas expectativas. Eles não são nem um pouco discretos. Vêm correndo, gritando. Vestem macacões metálicos, são carecas, e empunham grandes facas militares. Papai ficou tão bom em atirar neles que não conseguem chegar à trinta metros de nós.

A segunda onda também não tem cabelo. Eles usam roupas de brechó que não combinam com nada, coisas que estão fora de moda há vários anos. É fácil confundi-los com hipsters, especialmente os que usam chapéus pra cobrir a cabeça. Eles não vêm gritando até mim. "Andam exalando determinação", como diz meu pai. Alguns deles já chegaram tão perto que pude ver seus dentes pútridos. Ou algo terrível aconteceu com todos os dentistas do futuro, ou a viagem no tempo estraga os dentes. Meu pai é dentista. Ao menos ele era, antes disso tudo.


Papai tem um monte de carteiras de motorista falsas. Eu tenho dúzias de cartões de biblioteca fraudulentos. Eles são reais, mas todos registrados em nomes diferentes. Sally Roberts, Megan Jones, Samantha Smith. Nomes descartáveis, como o papai os chama. Fáceis de esquecer.

Vivemos na estrada. Sou muito nova pra dirigir, então leio ou invento jogos. O banco de trás está cheio de livros de bibliotecas que roubamos por todo o país. Tenho duas cópias do mesmo livro, uma velha e outra novinha em folha. O antigo tem várias anotações nele, enquanto o outro não tinha nenhuma quando o encontrei. Gosto de brincar de copiar todas as notas do mais velho pro novo. Não é um Minecraft, mas faz o tempo passar enquanto viajantes temporais estão tentando te assassinar.


Todos na terceira onda têm o cabelo "sombrio como um abismo" como disse o Papai. Não sei se a viagem fez isso com eles, ou se todos na terceira onda são geneticamente relacionados ou algo assim. Isso é algo que gostaria de perguntá-los. Tenho um livro cheio de perguntas que gostaria de fazer, pro caso de eu ter a chance de entrevistar algum deles.

O primeiro dessa onda não tentou me matar. Não imediatamente. Não tenho certeza de por quanto tempo, mas ele nos seguiu. Ele ficava nos mesmos hotéis que nós, comia nos mesmos restaurantes. Ele vestia roupas comuns e fazia coisas normais, como jogar no telefone. Nós estávamos viajando pela rodovia interestadual 80 na época. Indo para o Oeste. Imagino que ele faria o mesmo trajeto.

Descobrimos suas verdadeiras intenções quando estávamos na metade do caminho para Iowa. Ele estava nos esperando no posto de gasolina em uma cidade no meio do nada. Tinha dois Ruger Super Redhawks, revólveres Magnum calibre .454. Ele tentou empunhar as duas armas ao mesmo tempo, como se tivesse saído de um dos filmes do John Woo. Um dos tiros atingiu nosso carro, o outro passou direto. Ele foi derrubado pelo recuo, o que deu ao meu pai tempo suficiente pra pegar seu rifle, mirar, e cravar uma bala em sua testa. Nós saímos dali, roubamos outro veículo, e estávamos fora do estado antes do anoitecer.


Um dia, em uma aula de história no sétimo ano, Sr. Norris fez uma pergunta hipotética à classe. Era algo que ele gostava de fazer, para nos tirar da monotonia, como justificava. Ele perguntou "Se vocês pudessem voltar no tempo e matar Hitler ainda bebê, fariam isso?"

Foi como na vez que ele havia perguntado se mataríamos propositalmente uma pessoa pra salvar outras cinco presas aos trilhos. A turma estava ferozmente dividida. Quase metade disse que voltaria, enquanto a outra disse que era errado matar uma criança que ainda não fez nada. Ambos os lados faziam sentido pra mim. Agora, quando penso nessa pergunta, começo a chorar. Não tanto por mim. Quer dizer, é por mim, mas mais porque sinto falta das aulas do Sr. Norris. Sinto falta de ficar debatendo perguntas assim. Sinto falta da monotonia.


A quarta onda é a mais perigosa. Papai os chama de "adormecidos". Eles pousaram no passado, em alguns casos, anos antes até mesmo de eu nascer. Vivem uma vida normal, sabendo que algum dia talvez tenham a oportunidade de me encontrar. Se essa oportunidade se concretizar, estão prontos para o que for necessário.

Estávamos em um jantar uma vez, quando um dos cozinheiros saiu da cozinha. Ele pulou em mim segurando uma faca de açougueiro. A mão esquerda do Papai foi cortada lutando contra ele.

Mais cedo, a recepcionista de longa data da clínica dental do meu pai pegou uma das brocas e tentou perfurar meu crânio. Ela esperou anos até ter essa chance. Papai não a matou logo de cara, então pude fazer algumas das perguntas que havia escrito.

Ela chorou quando as li. Disse que meu livro de perguntas é usado em interrogatórios no futuro enquanto as pessoas são torturadas. Eu disse a ela: "Bem, talvez se você responder às minhas perguntas, você não seja torturada." Papai acredita que ela tinha uma cápsula de cianeto no lugar de um dos dentes, porque ela morreu depois que eu disse isso.


Sonho em construir um dispositivo. Um que me permita enviar explosivos pro futuro. Pra levar a luta pro lado deles. Uma vez, vários meses atrás, estávamos nos escondendo na floresta próxima à um ferro-velho. Dos meus livros de biblioteca consegui reunir pedaços distintos de informação sobre como construir essa máquina. Aprendi como construí-la principalmente graças às anotações do livro que tenho duas cópias.

Fiz um protótipo da máquina. Era do tamanho de um micro-ondas, e também parecia muito com um. Peguei uma bala, uma calibre .38, e coloquei lá dentro. Configurei a máquina para dez anos no futuro. A bala desapareceu. Destruí o protótipo e espalhei as peças pelo ferro-velho.


A quinta onda era uma única pessoa. Uma velha senhora, que eu não reconheci a princípio. Meu rosto mudou muito, mas ela ainda tinha meus olhos. Eu a encontrei apenas uma vez, anos atrás. Ela não tentou me matar.

Era um dia de verão, e eu estava sozinha em casa enquanto Papai estava no trabalho. Isso foi antes da recepcionista tentar me matar. Antes de todas as outras ondas. A velha senhora entrou em casa pela porta da frente sem sequer pedir. Ela disse que faria uma limonada para si, pois sua marca favorita havia parado de vender há décadas, mas ainda tínhamos em nossa cozinha.

Ela nos serviu dois copos, e perguntou se podíamos nos sentar lá fora, perto do jardim. Esse sempre foi meu lugar favorito pra ler.

Lá fora, naquele dia ensolarado, ela me contou sobre a bala que encontrou num ferro-velho dez anos depois de enviá-la para o futuro. Sobre como construiu uma máquina maior e melhor depois que seu pai foi morto por uma pessoa de cabelos negros como a noite.

Antes de partir, ela me entregou um velho livro de biblioteca repleto de anotações. Pareceram coisas entediantes na hora, mas ela disse que me seriam úteis algum dia. Ela se foi antes que meu pai chegasse em casa.

Contei tudo que ela disse, e ele pensou que eu estava brincando.

Mas então, algumas semanas depois, a primeira e a segunda onda nos atacaram. E depois a recepcionista.

Agora estou tentando aproveitar o tempo que me resta com meu pai. Antes que alguém de cabelos escuros como petróleo o mate. Antes que eu encontre a bala que mandei pro futuro. Antes que eu construa minha máquina.


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FONTE  AUTOR
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Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

15 comentários :

  1. Eu acho que sou burro. Achei muito massa a creepy, prendeu bastante a minha atenção de modo que me fez criar expectativa perante o final do plot, mas depois decepcionou. Afinal pq queriam matar ela? Eu real não entendi. MEU DEUS EU DEVO SER RETARDADO, ou foi de propósito mesmo sei la.

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    1. Esse é o questionamento que a creepy quer deixar, pra que nos possamos teorizar os motivos do que aconteceu

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    2. A creepy não expõe, mas ela explica. A garota virou uma ditadora cruel no futuro, então a rebelião criou uma máquina do tempo e enviou soldados pra tentar matá-la ainda criança. Por isso a fala do professor, "se você pudesse voltar no tempo, e matar Hittler ainda bebê, você o faria?".
      Ao meu ver existem duas linhas do tempo diferentes. A primeira: ela cresceu normalmente, e por algum motivo se tornou uma ditadora.
      A segunda: a rebelião mandou os soldados, e ela cresceu na estrada fugindo deles. Quando mais velha criou uma máquina do tempo e literalmente explodiu o futuro, possivelmente aniquilou a vida no planeta, e assim pode crescer e viver uma vida calma, e quando velha voltou no tempo pra entregar suas anotações ao seus eu mais jovem, e provávelmente morrer naquele tempo mesmo.

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  2. No Perguntas e Respostas, o e-mail para envio de creepypasta está correto?

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  3. Muito boaa, prendeu atenção do início ao fim

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  4. caralho, Heitor!
    que bagulho fodástico!!!

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  5. Isso me lembrou Steins;Gate

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    1. Você olhou o link dessa postagem aqui no blog?
      ( ͡~ ͜ʖ ͡°)

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    2. AAAAAAAAAA FAZ SENTIDO

      MANO EU NAO TINHA VISTO

      EL PSY KOONGROO

      AAAAAAAAA SERN MALDITA

      até saí do anônimo Kkkkk

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    3. tentei sair do anonimo

      Aaaaaaaaaaaaaaaaa

      Xonei

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  6. Bootstrap paradox, que delícia. Viagens no tempo bem exploradas sempre dão certo como plot.

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    1. O Doutor curtiu esse seu comentário.

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  7. PRGDL02022

    Curto muito essas creepys de viagem no tempo, paradoxo... Igual aquela que você descobre que a personagem principal é também TODOS os outros personagens, muito boa, uma das melhores que já li aqui!

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  8. Prende nossa atenção do começo ao fim e deixa o clima de misterio no final

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