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A Floresta, Feito por Avid.

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Meu nome é Sam Wilkinson. Essas serão minhas últimas palavras. Recentemente recebi um e-mail estranho no trabalho e antes de partir dessa para melhor, gostaria de contar para vocês sobre esse e-mail e o que aconteceu depois dele. Não ligo se você vai acreditar ou não em mim, apenas quero deixar um registro. Uma confissão, por melhor dizer. Vou tentar fazer um texto breve, mas creio que o melhor seja que eu comece do começo.

Eu odiava minha vida desde que me conheço por gente. Deu-se inicio no meu primeiro dia de aula. Foi quando o bullying começou. Não sei o que fiz para merece-lo ou o motivo de ter continuado não importava quantas vezes mudasse de escola. Meu único crime, parecia, era ser gordo. Era um círculo vicioso. Quanto mais pegavam no meu pé, mais eu comia para me confortar e quanto mais eu comia, mais pegavam no meu pé. Fui me tornando depressivo e mais anti-social. Quando fiquei mais velho e fui para o ensino médio, comecei a desprezar todas as pessoas no geral. Basicamente qualquer ser humano que não fosse minha mãe. Minha visão misantrópica do mundo não me ajudava muito, creio eu. Vamos dizer que minha personalidade não se desenvolveu para uma das melhores.

Nunca me mudei de casa e passei maior parte dos meus dias no porão da casa da minha mãe jogando vídeo games antigos. E essa era minha vida. Já estou falando no passado... Meu Deus. Essa ainda é minha vida. Minha maior vergonha - minha maior culpa - é que essa minha condição deixava minha pobre mãe infeliz. Já vi fotos dela logo após meu nascimento. Minha mãe me olhava com tanta alegria em seus, naquela época, jovens olhos. Mal imaginava o ser inútil que eu me tornaria. Devia ter imaginado algo diferente. Acreditava que seu menininho iria crescer para se transformar em um homem que lhe daria netos; não achava que eu cresceria e me tornaria... eu.

Nunca desenvolvi outras habilidades a não ser jogar vídeo game, então por muito tempo fiquei desempregado. Mas eu gostava assim. Não queria estar com outras pessoas. Entretanto, cerca de três anos atrás, minha mãe me obrigou a voltar a estudar para que conseguisse encontrar um emprego e ajudar com o aluguel que ficava cada dia mais alto. Relutantemente concordei, e escolhi um curso aleatório na escola técnica mais próxima que encontrei de casa. Não tenho carteira de motorista, então não podia ir muito longe. Mas isso era o de menos, queria mesmo era estar o mais próximo possível do aconchego da minha casa. 

O curso que escolhi não era divertido. Administração de empresas, o que significava basicamente que ficaria o dia inteiro sentado olhando para tabelas de Excel. Nunca achei que me levaria a lugares, não por não ter aprendido o que me ensinaram, mas porque achei que ninguém seria louco o suficiente para contratar alguém como eu. Entretanto, depois do meu estágio em uma grande empresa de tecnologia - não vou mencionar o nome, mas muito provavelmente você já ouviu falar nela - milagrosamente fui contratado. Embora tenha sofrido minha vida toda, foi só quando comecei esse período da minha vida - o qual estou vivendo agora - que comecei a considerar suicídio. 

O estresse era insuportável desde o início. Todos os dias quando eu pegava o ônibus para ir trabalhar tinha que ativamente prestar atenção no fato de que as pessoas escolhiam deliberadamente não sentar do meu lado. No trabalho, os escritórios eram em um espaço aberto, então não havia possibilidade de escapar das pessoas não importa o quanto eu tentasse, e elas não podiam escapar de mim. Por algum motivo, fui colocado junto do pessoal do RH, a galera mais barulhenta e social de todo o prédio. Tinha que ficar ouvido o papo furado deles o tempo todo enquanto ficava encarando minhas tediosas tabelas. E, não foi surpresa o fato de que eles também não gostavam de mim. Na maior parte do tempo apenas fingiam que eu não existia, mas quando era obrigado a falar com um deles - ou quando acidentalmente nossos olhares se cruzavam - eu podia ver a repulsa em seus olhos.

Jennifer, uma moça que ficava ao meu lado, era a que mais me odiava. Sempre me recebia com uma expressão de nojo e podia ver com frequência seus olhos se revirando quando me sentava na cadeira ao lado. Era visível sua irritação quando eu dirigia a palavra a ela. As vezes podia ouvi-los falando de mim pelas costas. Jennifer nem se importava em baixar o tom de voz. E, bem, não tinha como eu ir até o RH e fazer uma reclamação, eles era o RH.

Esse é o resumo da minha vida a três anos. Recentemente minha chefe me chamou para conversar. Aparentemente, uma reclamação tinha sido feita ao meu respeito. Disse que a pessoa que fizera a reclamação desejava permanecer anônima, mas tenho quase certeza que foi a Jennifer. Minha chefe disse, com pena em sua voz, que era a respeito da minha higiene pessoal. 

"Por que você não toma uma banho de manhã?" Perguntou. 

Eu fazia isso, mas depois de andar algumas centenas de metros até a parada de ônibus e de me sentar no transporte público sendo consumido pela minha ansiedade, ficava suado de novo. Não era algo que pudesse evitar. Ouvir aquilo fez com que eu me odiasse demais. Meus pensamentos suicidas dispararam. A única coisa que me impedia de concretizar esse fato, era o quando isso machucaria minha mãe. Não podia fazer isso com ela. Mas, adivinha? Faz uma semana que minha mãe morreu. 

Quando voltei do trabalho, encontrei-a no chão da cozinha. Pude perceber que devia estar lá desde de manhã porque ainda estava vestida com sua camisola. Ainda estava viva, mas não conseguia falar. Gemia com um olhar confuso em seu rosto que um dia fora bonito. Chamei a ambulância imediatamente. Morreu no hospital mais tarde naquela mesma noite. Os médicos me disseram que ela tinha sofrido um derrame fatal. É claro, isso seria devastante para qualquer pessoa, mas, para mim, significava o fim da minha vida. No meu ponto de vista, já não existia nenhum ser humano decente pisando nessa terra. 

Minha chefe não me dispensou do trabalho, nem para eu sofrer meu luto em paz. Esse era o tipo de filha da puta que ela era, mas tudo bem. Ficar em casa só me faria lembrar mais da minha mãe. Todo mundo sabia o que havia acontecido quando voltei a trabalhar. Pude sentir pela atmosfera. Mas ninguém prestou condolências. Eu ficava me imaginando dando um tiro na minha cabeça, explodindo meus miolos na frente de todo mundo. Mas eu não tinha uma arma. Ao invés disso, meu plano real era pular da janela. Afinal de contas, meu departamento ficava no quinquagésimo andar. Não havia nenhuma possibilidade real de sobreviver uma queda de 50 andares. Nunca tinha tido tanta certeza do que precisava fazer. Tinha tomado minha decisão. E foi nesse momento que recebi um e-mail estranho. Como disse antes, isso faz uma semana. 


O e-mail começava assim: 

"Aqui está o seu acesso para A Floresta." 

Havia um login e senha e bem em baixo dizia, "Atenciosamente, Avid."

Avid usava um e-mail corporativo, então assumi que era da parte do TI e que tinham começado a usar um novo software. O que achei estranho era que não explicava o que era no corpo do e-mail. Não pensei muito sobre e só presumi que já tivessem explicado sobre em alguma reunião que eu não prestara muita atenção. Perguntei para Jennifer se ela sabia do que se tratava. Sacudiu a cabeça negativamente com sua atitude de sempre e disse 'não' com um tom de voz enojado. Como sempre, fingi não ser atingido por aquilo, mas por dentro me sentia tão inútil quanto ela achava que eu realmente era. Dei uma olhada rápida para a janela e pensei 'pule'. Mas eu ainda queria esperar até depois do funeral da minha mãe. 'Logo, logo', pensei, e tentei imaginar a reação de Jennifer ao me ver pular. 

Quando fechei o Excel algumas horas depois, antes de sair para o almoço, notei um novo ícone na minha área de trabalho. O ícone era algumas árvorezinhas pixeladas. A Floresta, era seu nome. Achei estranho ter aparecido ali do nada. Geralmente precisava levar o PC até os técnicos de informática para instalarem novos softwares. Sem nada mais para fazer, cliquei no arquivo. 

O que abriu para mim foi um programa que me lembrava o jeito que softwares eram feito nos anos 90. Não tinha grandes conteúdos. Havia uma janela que transmitia o que parecia ser o vídeo de uma floresta. Eu podia usar o mouse para ver em 360 graus, mas além disso, não havia muito mais o que pudesse fazer. A qualidade do vídeo era bem baixa, mas não parecia ser uma animação. No entanto, logo fiquei com a impressão de que deveria ser um jogo, porque em cima da transmissão havia uma barra que permitia definir a velocidade do tempo. Você podia visualizar o vídeo em tempo real, que era a definição padrão, ou aumentar a velocidade do tempo até cem anos por segundo. Abaixo das configurações de velocidade, havia apenas dois botões. Importar e exportar. E era isso. No menu não havia muitas opções. Apenas um Sobre e Sair. Cliquei em Sobre. Apenas dizia: 'Feito por Avid." 

Resolvi mexer um pouco no programa e apertei Importar. 

Surpreendentemente, um catálogo com todos os funcionários da minha empresa apareceu. Desconfiei que talvez estivesse conectado com o Outlook da empresa, onde um catálogo similar ficava disponível. Havia uma barra de busca para facilitar achar quem você procurava. Olhei para cima e vi minha chefe passando pela sala. Fechei o programa rapidamente. 

Fui para casa naquele dia sem abrir de novo o programa, com medo de ser chamado mais uma vez na sala da minha chefe. Em casa, não pensei muito sobre A Floresta. Estava com coisas mais importantes na cabeça, para se dizer no mínimo. Eu iria herdar a casa da minha mãe, mas não muito dinheiro. Sabia que jamais conseguiria pagar o aluguel e outras despesas sozinho, e não tinha motivação nenhuma para fazer algo sobre. Pensando nisso, deitei no sofá da sala, olhando para o local exato onde havia encontrado minha mãe caída, reduzida a uma forma diminuta e confusa de si mesma. Dali em diante eu não estaria apenas ficando ferrado mentalmente, mas fisicamente também. Logo perderia a casa, e provavelmente, iria parar na rua.

Mas eu não pretendia chegar nesse ponto. Adormeci e vi a janela do trabalho nos meus sonhos. Não era um pesadelo. O pesadelo começaria assim que eu acordasse. No dia seguinte, fui para o trabalho uma hora antes do que todo mundo. Normalmente eu não chegaria tão cedo, mas ultimamente não tinha vontade de passar muitas horas em casa, sozinho. Ver o ícone do A Floresta na minha área de trabalho me fez ficar curioso de novo. Abri. Tudo estava igual, exceto que era noite agora na floresta. A lua - mais laranja que nossa lua - produzia uma iluminação amarelada nas folhas das árvores. Aumentei a velocidade do vídeo para alguns minutos por segundo. Nada mudou, mas logo percebi que as nuvens que passavam na frente da lua agora se moviam um pouco mais rápido do que antes. Legal, pensei, sem muita emoção. Depois, tentei apertar o botão Exportar. A mesma janela que aparecera quando eu apertara Importar apareceu, mas sem nenhum nome. Fui para a janela do Importar, olhei a lista de nomes e ponderei o que aquilo devia ser. Eventualmente, tentei me animar um pouco e procurei pelo nome de Jennifer. Selecionei-a e cliquei Importar. Uma caixa de texto apareceu. "Você tem certeza que quer importar Jennifer Norman para A Floresta?" Apertei Sim.

O nome de Jennifer desapareceu da lista. Dei uma risadinha, embora não conseguisse sentir nenhuma alegria de verdade, pensando que esse programa devia ser uma grande piada interna no departamento de TI. Fui abrir de novo a janela de Exportar. Como esperado, o nome de Jennifer estava lá agora. De repente, minha chefe entrou no escritório junto de um outro colega de trabalho. Rapidamente fechei o A Floresta, abri o Excel e fingi trabalhar. 

Mais e mais colegas foram chegando, mas Jennifer não. Primeiro achei que estivesse atrasada, o que não era incomum, e quando não chegou nem por volta da hora do almoço, supus que estivesse doente. Comi um hambúrguer de almoço em um restaurante no fim da rua. Não serviam a melhor comida do mundo, muito longe disso, mas eu sabia que era o único restaurante da redondeza que nenhum colega de trabalho ia almoçar.  In The Year 2525 tocava no saguão. Fiquei sentado ali, comendo meu hambúrguer e tomando meu refrigerante, enquanto ouvia a música e pensava em pular daquela janela. Pensava em fazê-lo no final daquela mesma semana, talvez na sexta, um dia depois do funeral.

De volta no trabalho, minha chefe foi até o departamento do RH e perguntou se alguém havia falado com Jennifer. Aparentemente, ela não havia ligado para avisar que estava doente ou algo do tipo. Só naquele momento que meu cérebro começou a pensar no impossível. Será que isso tinha a ver com o que eu fizera no programa? Obviamente não, mas se por um acaso fosse - com um cuidado supersticioso - abri A Floresta e a exportei. "Tem certeza que quer exportar Jennifer Norman de A Floresta?" 

Sim. Ela desapareceu da lista e apareceu na lista de nomes na janela de importação.

Uma hora depois, Jennifer apareceu no escritório. No final das contas, supus, só estava atrasada como de costume. Enquanto se aproximava, percebi que havia algo estranho nela. Uma colega nossa, amiga dela, se levantou e correu em direção de Jennifer. 

"Jennifer!" exclamou. "O que aconteceu com você?" 

Levantei o olhar para ver a interação.  

"E-eu não sei, Bella, dormi demais - a-acabei de acordar - e.... e... E vim para cá o mais rápido que consegui, mas não me sinto bem. Acho que tenho que falar com a chefa sobre..." 

"O que aconteceu com seu rosto?!" Bella continuou sem nem ouvi-la. "Isso é de verdade? Suas roupas... Você se olhou no espelho antes de sair de casa? Meu Deus." 

Olhei para a cara de Jennifer. Tinha uma cicatriz enorme e bem feia. Suas roupas pareciam velhas e detonadas, como se estivesse vestindo ela a muito tempo. 

"Como assim?" Jennifer falou e colocou a mão no rosto. "Que?!" Correu para o banheiro, presumivelmente para se olhar no espelho e, alguns segundos depois, deu um berro e saiu de lá correndo e chorando. Todos se levantaram, até eu, e a observamos sair do escritório em pânico.

Foi aí que caiu minha ficha... O tempo. O tempo na Floresta estava colocado como algumas horas por segundo. Fiz alguns cálculos rápidos de cabeça. Se isso tivesse alguma coisa a ver com a importação que eu fizera, ela devia ter ficado uns três anos Na Floresta. Enquanto eu estava lá em baixo, comendo meu hambúrguer, ouvindo In The Year 2525, ela havia passado anos lá dentro... Mas isso não podia ser real. Isso seria ridículo. 

Jennifer não voltou para o escritório no dia seguinte. Seu marido, pelo que ouvi dizer dos boatos que corriam rápido, havia ligado e disse que ela não iria poder voltar a trabalhar por algum tempo. 

E então no dia seguinte fui para o trabalho ainda mais cedo. Abri A Floresta. Ainda estava configurado como algumas horas por segundo. Coloquei de volta no tempo real. Alguns pássaros, muito maiores do que qualquer outro pássaro que eu já vira na vida, voaram em direção do céu. Aumentei a velocidade de novo, dessa vez para alguns dias por segundo. Os pássaros rapidamente desapareceram e a lua substituiu o sol e vice-versa algumas vezes em sucessões rápidas. As árvores se moviam como em um vídeo muito acelerado. Isso não pode ser uma floresta de verdade, pensei, não pode. Novamente, coloquei o tempo para o tempo real. 

Thomas, um cara do departamento de economia que sempre fizera piadinhas desagradáveis ao meu respeito entrou no saguão. Olhei em sua direção, caminhando  para seu escritório com sua pasta de couro e seu relógio caríssimo preso em volta de eu pulso. Olhou para mim. Acenei com a cabeça, mas ele me ignorou. 

Eu não podia ver seu escritório do lugar onde eu ficava sentado, mas assim que passou por mim, pude ouvi-lo colocando a mala em sua mesa e abrindo-a. Conferi se o tempo estava definido como padrão e apertei em Importar. "Thomas Wachtmeister", digitei na barra de pesquisar e então o importei. "Tem certeza que quer importar Thomas Wachtmeister para A Floresta?". Eu tinha certeza. Assim que seu nome desapareceu da lista, cuidadosamente andei até onde ele tinha ido. Sua pasta estava aberta na mesa, mas ele havia sumido. Voltei para o meu computador. Olhei para a transmissão da Floresta. Era meio dia lá naquele momento. Lentamente movi a câmera em 360 graus para ver se conseguia encontrar Thomas em algum lugar. Me senti um idiota fazendo aquilo, por tão impossível que era. Não o vi em lugar nenhum, mas vi alguns animais bizarros - duas girafas azuladas - passando por ali. A resolução baixa tornava basicamente impossível de distinguir se eram reais ou animadas, mas como eram girafas azuis, presumi que fosse a segunda opção. Thomas devia ter ido no banheiro. Mas, por precaução, o exportei de volta. Assim que o fiz, ouvi algo em seu escritório. Fui até lá dar uma olhada. 

Thomas estava de pé no meio da sala, parecendo confuso. Seu cabelo, normalmente escovadinho e com gel, estava todo bagunçado como se tivesse acabado de acordar. 

"Ei, Thomas," falei. 

Ele olhou para mim, surpreso por não estar sozinho. 

"E-eu acho que desmaiei," falou, corando um pouco. 

"Como assim?" Perguntei. "Você está bem?" 

"Bem... Eu estava prestes a ligar meu computador quando me encontrei deitado no chão."

"Sério?" Olhei para baixo, tentando pensar em algo para falar. "Você se lembra de alguma coisa dos últimos minutos?" 

Ele olhou para o relógio de pulso.

"Uh, não. Eu apaguei!" 

Fui saindo, dizendo que provavelmente não era nada que precisasse se preocupar, e voltei para o meu computador. Senti uma excitação correr pelo meu corpo, embora ainda não acreditasse 100% que aquilo podia estar acontecendo de verdade.

Outros colegas de trabalho começaram aparecer e não consegui abrir A Floresta novamente pelo resto do expediente, se não seria visto. Durante o dia, houveram mais burburinhos sobre Jennifer. Maior parte do que ouvi eram boatos. Ninguém falava comigo sobre, é claro, mas era difícil não ouvir os sussurros ao meu redor. Umas das amigas mais próximas dela falou que a mesma havia ligado e que era difícil entendê-la. Estava obcecada com um certo pesadelo que estava-a perseguindo todas as vezes que ia dormir. Algo sobre ser caçada por monstros dentro de uma floresta. Tudo começou a ficar muito bizarro para ser uma mera coincidência. Seria eu responsável pelo o que acontecera do Jennifer? Me senti estranho. Por um lado, nunca tinha me imaginado fazendo algo para machucar alguém - nunca fui um cara violento - mas por outro, pensar que uma das pessoas que mais me traziam tormento havia sido forçada a passar três anos em uma floresta monstruosa me trazia um pouco de satisfação.

Não tive coragem de importar mais ninguém no dia seguinte. Continuei a contemplar suicídio, mas mais e mais frequentemente esses pensamentos eram substituídos pela A Floresta. Passei dois dias apenas observando-a, brincando com a ferramenta de tempo. Aumentei ao máximo e fiquei observando as estações passando em questões de segundos. As árvores cresciam, morriam e eram substituídas por novas árvores. Em certo ponto, houve um flash de luz e todas as árvores sumiram. Reduzi a velocidade do tempo. Parecia que havia acontecido um grande incêndio. Aumentei o tempo de novo e, cerca de um minuto depois, as árvores cresceram de novo como se nada tivesse acontecido. Porém, os animais não voltaram tão rápido, mas eventualmente, lá estavam de novo. 

A maioria das criaturas que eu via me lembravam muito mais de monstros do que de animais. Vi uma enorme centopeia branca com milhares de olhos vermelhos, também um tipo de lesma - ou gosma - devorando uma criatura que me lembrava um bicho-pau gigante. Em um momento, uma das girafas azuis chegou perto o suficiente da câmera para eu ver que não tinha cabeça, apenas várias bocas em lugares aleatórios do seu pescoço, cheia de dentes afiados. Sentado na segurança do meu escritório enquanto observava aquelas criaturas horríveis caçando umas as outras me dava uma sensação de aconchego, como estar dentro de casa durante uma tempestade. E haviam muitas tempestades dentro da floresta. As vezes aconteciam durante anos e anos sem parar, e eu tinha que acelerar o tempo em anos para que passassem. Quando virava a câmera para cima durante essas tempestades, eu podia ver uma nuance púrpura dentro das nuvens chuvosas. Isso tudo me deixava tão absorto que já nem mais pensava tanto na janela, mas ainda assim eu sabia que minha vida estava acabada e não tinha muita escolha.

Na quinta-feira - ontem - continuei a observar a floresta. De novo, apertei no Sobre. "Feito por Avid." Quem era ele? Passei boa parte do dia tentando descobrir isso. Abri novamente seu e-mail, copiei-o e procurei na lista de funcionários. Mas ele não apareceu. Mesmo tendo um e-mail corporativo, não parecia estar registrado como empregado. Chequei vários documentos com datas muito antigas, mas não achei nada. O nome Avid nunca apareceu. Pensei que talvez pudesse ter se demitido, mas mesmo assim ainda deveria aparecer nos registros que eu pesquisara. Eventualmente, desisti de procurá-lo e fui para casa sem ter feito nada de produtivo naquele dia.

Hoje eu devia ter ido ao funeral da minha mãe. Era para ser um dia importante para mim, um dia que me traria uma espécie de encerramento. Entretanto, minha chefe não me deu o dia de folga. Falou que eu não havia feito a solicitação de folga no prazo necessário, e talvez até estivesse certa mas, quer dizer... era a desgraça do funeral da minha mãe. É claro, meu plano era ligar e dizer que estava doente na hora, mas algo clicou dentro de mim quando ela fez isso comigo. Não podia mais aguentar.Tinha que parar. Minha chefe, meus colegas e toda aquela companhia era um câncer não somente na minha vida como na sociedade como um todo. Todo o ódio que eu senti por anos começou a borbulhar dentro de mim de um jeito que nem achava ser possível. Antes disso, eu não fazia ideia como aqueles caras que pegavam uma arma do nada e saiam atirando em seus escritórios se sentiam, mas agora sabia. É, eu não tinha uma arma, mas tinha outra coisa: A Floresta.

Cheguei bem cedo no escritório. Sabia que a maioria de meus colegas ainda estavam dormindo. E hoje acordariam em um cenário completamente novo. Entretanto, por algum motivo, minha chefe já estava em seu escritório. Ela não podia me ver de onde estava, mas eu podia ouvi-la falando no celular. Parecia uma ligação importante e provavelmente era o motivo de ter chegado mais cedo.

Abri o A Floresta. Uma tempestade despejava sua chuva roxa por cima das árvores. Por alguns segundos, hesitei. Meu plano era simples. Eu importaria pessoas que eu odiava - que basicamente consistia em todo mundo - para o pesadelo da minha tela e então abriria a janela e acabaria com minha própria vida, sabendo que cada uma daquelas pessoas desprezíveis teriam fins drásticos na boca de monstros. De certa forma, era bastante simbólico realizar isso no dia do funeral da minha mãe. Minha hesitação não durou muito. Apertei em Importar e digitei o nome da minha chefe na barra de busca. O programa perguntou se eu tinha certeza. Ouvi a voz dela ainda conversando no celular e cliquei Sim.

"Sim, eu sei sobre o recesso mas ainda assim temos que..."

De repente ficou tudo em silêncio. Senti um arrepio. Fui até seu escritório. O celular estava caído em sua mesa. Pude ouvir um homem falando no outro lado da linha. "Alô? Cadê você?" Desliguei a ligação e voltei para o meu escritório. Olhei em volta pela floresta, mas não achei minha chefe em lugar nenhum. Depois disso, comecei a importar o resto dos meus colegas, Jennifer inclusa. Senti uma felicidade da maneira que creio que qualquer um sentiria ao poder se vingar de seus inimigos. Sendo que iria me matar logo após, não considerei as consequências das minhas ações. Apenas deixei meus impulsos destrutivos tomarem conta completamente. Depois de importar todos do RH, não consegui me conter. Ao invés disso, continuei importando pessoas da empresa. Se fodeu, se fodeu, se fodeu também, eu dizia enquanto importava até gente que não conhecia. Pra mim já era motivo o simples fato de trabalharem ali. Nesse ponto, meu ódio já havia tomado conta de mim. Depois de um tempo, algumas pessoas começaram a aparecer na tela. Jennifer estava andando na frente da câmera. Andou até lá e gritou algo, mas como não havia som no vídeo, não pude entende-la. E então algo desceu do céu e a agarrou. Caiu alguns metros a frente, parecendo ainda viva. Depois disso, vi três homens - usando seus pijamas - correndo na frente da câmera, sendo perseguido pelo que parecia ser uma aranha, mas na verdade era apenas o cadáver de uma das girafas azuis com oito patas saindo de seu corpo apodrecido. 

Não sei porque - talvez a severidade da situação se tornou mais óbvia quando comecei a ver as pessoas na tela - mas comecei a chorar. Era um choro recheado de tantas emoções diferentes, mas maior parte eram mágoa e ódio. Mas continuei a importar pessoas. Depois de um tempo, percebi que dava para selecionar mais de uma pessoa por vez. Selecionei uma quantidade aleatória dentro das centenas de funcionários da lista. "Você tem certeza que quer importar os 167 sujeitos selecionados para A Floresta?" Sim, porra, tenho toda a certeza do mundo! Me senti vazio por dentro depois de apertar sim, como se mais nada importasse. Meu último resquício de humanidade havia sido perdido. Com o coração congelado - assistindo meus colegas confusos procurando por segurança na floresta tempestuosa - aumentei a velocidade para alguns dias por segundo. Estava indo rápido demais para conseguir ver alguém pela câmera. De repente, uma caixa de texto apareceu na tela. 

"James O. Nilsson está prestes a expirar. Deseja exportá-lo?" 

Apertei Não. Agora eu sabia que havia o matado. Isso aconteceu várias vezes até eu colocar a velocidade no máximo. Imediatamente uma caixa de texto apareceu. "210 sujeitos estão prestes a expirar. Deseja exportá-los?" 

Novamente, apertei Não. Fui para a lista de exportação e vi que agora estava vazia. Considerei importar ainda mais pessoas, mas decidi que minha dívida estava paga. Havia apenas uma coisa para fazer. Olhei para a janela. Minha decisão de pular não tinha nada a ver com o que eu acabara de fazer. Eu não era um covarde fugindo da polícia ou algo do tipo. De qualquer forma, sabia que ninguém iria conseguir descobrir o que acontecera com toda aquela gente. Nunca seria pego. Meu suicídio tinha a ver com o fim da minha dor, e por isso ainda estava decidido a continuar com esse plano. E agora era a hora. Antes de andar até a janela com qual eu havia tanto sonhando me jogar por, coloquei a velocidade de novo em seu tempo normal. 

Era um dia ensolarado na floresta. Para minha surpresa, pude ver um rastro de fumaça vindo do chão, alguns metros da câmera. De princípio não consegui definir do que se tratava, mas depois de uns minutos, percebi que haviam pessoas sentadas em volta de uma fogueira. Mais tarde, um deles andou até a câmera. Era um homem. Estava vestindo a pele de um animal e segurava uma lança. Uma mulher veio para seu lado. Pareciam pré-históricos. Se ajoelharam diante da câmera e colocaram no chão à frente o que parecia ser um pedaço de carne. Isso era uma oferenda? Meu primeiro pensamento foi que essas pessoas já deviam morar na floresta desde sempre, mas então entendi que provavelmente aqueles era descendentes das pessoas que eu havia importado. Deviam ter sobrevivido tempo suficiente para ter filhos. 

Decidi adiar meu suicídio mais um pouquinho para poder observar aquelas pessoas. Mas não faziam muito mais que aquilo. Depois de colocar a carne na frente da câmera, andaram de volta para seu acampamento e desapareceram de vista. Então aumentei a velocidade de novo, alguns anos por segundo. Cerca de cinquenta anos depois, diminuí de novo. Dessa vez, havia uma espécie de altar em volta da câmera - feita de pedras e flores - e eu podia ver mais fogueiras queimando ao longe. Fiquei fascinado com o fato dessas pessoas viverem vidas tão primitivas sendo que seus descendentes eram pessoas da idade moderna. Então percebi que todo mundo que eu tinha importado para A Floresta trabalhavam em um escritório. O conhecimento em Excel que tinham não era muito útil na vida selvagem. Com uma curiosidade flamejante, acelerei o tempo de novo. Dessa vez permiti que algumas centenas de anos se passassem. Quando voltei para o tempo padrão, a primeira coisa que notei foi que o altar havia mudado. Dessa vez, era estruturado. Pedras uma em cima da outra, mas ainda assim de um jeito primitivo. 

As pessoas pareciam as mesmas, ainda vestindo peles de animais e empunhando lanças. Mas dessa vez vi uma mulher carregando algo que parecia ser um arco e flechas. Mas ainda estavam na idade da pedra. Então aumentei o tempo e deixei que se passassem aproximadamente três mil anos antes de voltar ao tempo padrão. Demorei menos de meio minuto para fazer isso com a velocidade no máximo.

Para minha surpresa, os habitante ainda não haviam superado a idade da pedra, embora o altar estivesse um pouquinho mais avançado. Agora parecia um pouco com o Stonehenge. Um pouco desapontado com a demora de sua evolução, uma ideia surgiu na minha mente. Agora levado por uma curiosidade mórbida e não ódio, apertei novamente no Importar. Sabia que estava prestes a mudar a vida de alguém com minhas ações, e sem seu consentimento, mas de certa forma não parecia ser grandes coisas para mim. Acho que tinha me acostumado com aquilo. Procurei pelas pessoas mais inteligentes que conhecia na lista de funcionários. Haviam apenas três deles (horrível, eu sei): Uma médica que havia mudado de carreira na metade de sua vida, um engenheiro que havia trabalhado em projetos experimentais da empresa tipo desenvolver energias sustentáveis, e um servente que já havia trabalhado como dentista no seu país de origem. Importei-os e aumentei o tempo por alguns minutos, deixando metade de um século passar na floresta enquanto eu mal tivera tempo de coçar a cabeça. 

Dessa vez as coisas mudaram drasticamente. As pessoas não pareciam mais viver como nômades, mas em vilarejos. Pelo menos, havia uma vila construída em volta da câmera, então presumi que deviam haver outras. Finalmente, parecia que os habitantes haviam virado fazendeiros. Estavam usando carroças com rodas e até vi um cavalgando uma das girafas azuis como se fosse um cavalo. A culpa mínima que senti ao importar aquelas três pessoas sumiu imediatamente quando vi quanto haviam contribuído durante sua estadia na A Floresta. Passei cerca de uma hora observando os moradores da vila antes de aumentar o tempo novamente. Estava fazendo tudo tranquilamente, sem pressa, pois sabia que meus colegas não iriam para o trabalho naquele dia.

Quando coloquei a velocidade em tempo normal novamente, as pessoas agora viviam em algo que só posso descrever como uma cidade. Ainda parecia um vilarejo, mas era maior e com objetos de metal, como armas e ferramentas. Tipo a idade do bronze, sabe? Cerca de umas vinte pessoas trajando mantos brancos estavam rezando em volta da câmera. Me lembravam uma mistura de Hindus e Muçulmanos.

A devoção que tinham pela câmera fez com que eu me sentisse importante de uma forma que nunca havia me sentido antes. Afinal de contas, essas pessoas nunca teriam nascido se não fosse por mim. De certa forma, eu realmente era o Deus deles. E já me sentia assim. Aumentei a velocidade de novo. Nada muito novo aconteceu. Seu desenvolvimento estava lento. 

Em dado momento, a câmera havia sido tapada por paredes de todos os lados. Eu não podia ver nada, mas - como estava assistindo a floresta numa velocidade de um ano por segundo - logo as paredes desapareceram. Porque fizeram aquilo? Teria acontecido um tipo de mudança em sua religião? Casas eram construídas e destruídas, tempestades iam e vinham. Depois de um tempo, testemunhei a primeira guerra. Diminuí o tempo, mas a guerra passou tão rápido que terminou antes mesmo de eu poder ver parte dela em tempo real. A cidade estava em chamas e pessoas - mulheres e crianças - estavam deitadas mortas pelo chão enquanto homens com seus rostos pintados andavam por lá com lanças muito maiores do que eu já vira. Girafas azuis vestindo selas vazias se alimentavam dos cadáveres espalhados. 

Decidi aumentar a velocidade para cem anos por segundo de novo. Não dava para ver nenhuma ação individual, mas a cidade crescia, depois apareceu totalmente destruída por uma fração de segundo e reapareceu ainda maior que antes. Isso se repetiu diversas vezes e depois de um minuto da minha realidade - seis mil anos na A Floresta - normalizei a velocidade. A cidade era uma cidade antiga, algo como eu imaginava como que Atenas era antigamente. Visualizei a bandeira dessa cidade. Era preta com uma torre dourada no meio. Talvez fosse uma interpretação da câmera, achei. Afinal de contas eu nunca havia visto como era essa câmera e não tinha ideia de como se parecia. Quando aumentei novamente a velocidade, a cidade se destruiu e reconstruiu mais algumas vezes.

"Onde está todo mundo?" 

Era o zelador, um cara que sempre 'brincava' com meu peso.

"Hm," falei, surpreso. "Não faço ideia." 

Tirei o A Floresta da tela.

"Ei, o que era aquilo?" ele perguntou. "Um jogo?" 

"N-não..."

"Vamos, deixe eu dar uma olhada."

Nervosamente, abri novamente o programa. 

"A Floresta?" 

"Hm, é, meio que apareceu sozinho no meu computador," respondi. 

Entrei em pânico e não soube o que dizer além da verdade. 

"E o que você faz? É tipo Age of Empires ou algo do tipo?"

"É..." falei exitante, "não, não é. Não sei direito o que é." Senti uma gota de suor escorrendo pela minha bochecha.

"Você não devia jogar esses joguinhos em horário de trabalho sabia? É por isso que você é tão gordo, tem que parar de jogar essas porcarias o dia inteiro e ir para a academia, cara!" 

Ele riu. 

"Não é bem um jogo," Falei, ignorando seu insulto. "Só tem essas duas opções. Importar e Exportar. E olha só, quando eu clico em Importar abre essa lista com o nome de todos os funcionários daqui." 

Abri a lista. 

"Sério?" ele falou. "Isso é bem estranho." 

"Sim, tá todo mundo na lista. Olha." Digitei o nome dele. "Aqui está você. Você está na lista."

"Tá, e o que acontece se você apertar Importar?"

"E-eu não sei. Vamos tentar."

Selecionei o nome dele e apertei Importar. A caixa de texto de sempre apareceu. "Tem certeza que quer importar Ignacio Gonzalez para A Floresta?" 

Ignacio riu. "Isso é estranho pra caralho, cara, eu..." 

Cliquei Sim. Não cheguei a vê-lo desaparecer. Mesmo estando do meu lado, não o vi sumindo. Só... sumiu. Na verdade, era como se nunca tivesse existido. 

Aumentei a velocidade de novo. 

"Ignacio Gonzales está prestes a expirar, deseja exportá-lo?" 

Cliquei em Não tediosamente deixei que o tempo passasse. Dado o que eu sabia da história da humanidade na Terra, presumi que a civilização na A Floresta logo imitaria a minha civilização. Um minuto depois, vi que eu estava certo. A cidade havia passado de rústica para moderna em sessenta segundos. Mas não avistei nenhum arranha-céu. A câmera estava dentro do que parecia ser uma gigantesca instalação militar. 

Pessoas que pareciam ser cientistas andavam em volta dela fazendo testes diferentes. Por alguns minutos, observei-os trabalhando. Em uma das paredes, havia um enorme mapa mundial. Nele não havia nenhum continente da Terra. Pude ver fronteiras e pontinhos marcando diferentes cidades. De um jeito primitivo, me senti ofendido que as pessoas haviam parado de endeusar a câmera.

Os cientistas trabalhavam meticulosamente e, embora me fascinasse muito, não era muito divertido ficar observando aquilo. Dessa vez aumentei a velocidade para um ano por segundo. Tudo começou a se mover rapidamente na frente da câmera. De repente - com um flash de luz - a instalação militar sumiu e me foi revelado que a cidade estava completamente destruída.

Normalizei a velocidade. Eu não tinha ideia do que acontecera, mas parecia que haviam bombardeado a cidade. Podia ver esqueletos de prédios gigantes na distância e havia fumaça por todos os lados. Então, vi uma luz brilhante no horizonte seguido de uma nuvem de cogumelo subindo aos céus. 

Uma tristeza cresceu dentro de mim. Em poucas horas, eu tinha acidentalmente criado uma civilização, vi a crescer e se autodestruir. Não vi nenhum sinal de vida. Coloquei a velocidade no máximo. Demorou apenas um segundo para tudo ficar verde de novo. A Floresta voltara, tão imaculada quanto no seu início. Agora, pensei, era hora de terminar com minha própria vida. 

Deixei A Floresta rodando no meu computador e andei em direção da janela. Meus passos pareciam pesados. Abri a janela, deixando o ar do verão entrar, e então lembrei que havia deixado meu celular em cima da minha mesa. Não queria que ninguém o acessasse depois da minha morte, então voltei para buscá-lo. 

Algo havia mudado na tela. De alguma forma a humanidade havia sobrevivido na A Floresta. Demorou alguns milhares de anos para se reconstruírem - como se tivessem começado do zero de novo - mas a cidade voltara. Quando diminuí a velocidade - deixando antes alguns milhares de anos a mais passar pela floresta - notei que a cidade era ainda maior que antes. Os arranha-céus iam ainda mais alto e, para minha surpresa, pude ver diversos veículos voando pelos céus. Usei a câmera para olhar em volta e quando direcionei-a para o céu, pude ver luzes nas faces da lua. Haviam pessoas morando lá agora. Enquanto eu observava esse mundo, agora completamente transformado de um mundo terrivelmente selvagem para um paraíso de tecnologias que nunca nem se quer sonhamos aqui na Terra, chorei lágrimas de felicidade. Era uma alegria que jamais havia sentido na vida. 

Olhei pela janela do meu escritório e para a primitiva e tediosa cidade espalhada pelo horizonte e depois para a cidade que brilhava na minha tela do computador. Pensei na minha amada mãe. Ela iria querer que eu continuasse vivo. 

Isso tudo foi antes de começar a escrever isso, minhas últimas palavras na Terra. Acabei de clicar em Importar. 

"Você tem certeza que quer importar Sam Wilkinson para a Floresta?"

Antes de clicar em Sim, quero dizer só mais uma coisa: Se algum dia você receber um e-mail de um cara chamado Avid com um login para A Floresta, não esqueça de agradecer por mim. 

ORIGINAL

28 comentários :

  1. Linda estória! Achei engraçado o trecho "tudo começou a ficar muito bizarro para ser uma merda coincidência", já que pode ser um erro de escrita ou um xingamento mesmo.

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  2. Essa foi uma das melhores que já li até hoje

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  3. Pude imaginar cada cena. Creeppy sensacional. Obrigada Divina, por essa tradução

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    1. Tem um vídeo dessa Creepypasta no canal Sky Rox Terror si quiser vai lá ver e o só botar Sky Rox Terror A Floresta,Feito por Avid

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  4. Uma das melhores histórias que li até hoje.

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    1. Tem um vídeo dessa creepypasta no canal Sky Rox terror e só pesquisar no YouTube e botar Sky Rox Terror A floresta feito por Avid

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  5. Excelente creepy. Parabéns.

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  6. PQP, CARALHO, QUE FODA, VAI SE FODER, PICA DE MAIS, PORRAAA. Fazia muito tempo que eu não lia uma creepy tão perfeita. Parabéns a tradutora ♡♡♡♡♡♡

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  7. É por isso que ainda leio essa porra! Ihul, muito bom!

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  8. Amei muito, divina, faz uns 2 ou menos anos que acompanho esse blog. Realmente, amo de mais esse blog essa foi uma das melhores Creepypastas que já li em toda minha vida e não esquecerei tao fácilmente, espero.

    Só me explica uma coisa, o final. Quem é esse "Sam Wi (alguma coisa) son" mesmo??

    - Terry Larry O' Clock

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    1. Sam é o cara que tá contando a história. Tá no começo

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    2. Terry, leia a primeira frase da creepy de novo. :D

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  9. muito boa porem não é púbico é público, foi so um errinho bobo porem pode corrigir minha nota pra essa história é 7 muito boa, excelente.

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  10. AMEI! Mto bem escrita e uma ideia deus/criador msm.. agora eu quero jogar e morar no futuro kakakakaka
    1000/10 😘 😁

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  11. por um momento achei que a frase do inicio era:
    Meu nome é Sam Winchester...

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  12. Respostas
    1. creio que sim, ja que no original é Leif (anagrama de life, que é vida em ingles)

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  13. PRGDL02022

    Muito boa, gostei! Lembrei de um episódio de south park...

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  14. Minha irmã me recomendou essa história, então comecei a ler. Quando comecei ler não queria mais para de ler, essa história é uma das poucas onde você não fica desanimada mas pelo contrário, a cada linha que você lê só te dá mais vontade de ler. Para essa história e pelo(a) autor(a) eu dou uma nota 10.
    Muito boa mesmo essa história

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