Postagens Semanais

Segunda-Feira
Francis Divina

Terça-Feira
Gabriel Azevedo

Quarta-Feira
Francis Divina

Quinta-Feira
Gabriel Azevedo

Sexta-Feira
Talisson Bruce

Sábado
==========

Domingo
==========

Meu vizinho está cortando a grama faz 12 horas.

14 comentários

Começou as quatro e quarenta e três da manhã. O barulho me arrancou do sono. Parecia que um caminhão gigante estava esquentando seu motor bem do lado da minha janela. A fumaça do escapamento entrava pelo vidro aberto. Era um péssimo jeito de começar o dia.

"O que é isso?" Minha esposa gemeu. Nós dois dormimos mal naquela noite porque nossa filha tinha rastejado para nossa cama a uma da manhã e ficava nos chutando na cara até que nós dois ficássemos quase caindo da borda do colchão enquanto ela roncava sonoramente. 

"O começo do fim do mundo," grunhi. "Volte a dormir." 

"Sem chance de eu conseguir dormir de novo com essa barulheira," Vanessa disse. Rolou para fora da cama e fechou a janela. Isso ajudou um pouco, mas ainda soava como se houvesse uma guerra lá fora. Ela puxou as cortinas e olhou para fora. "É a porra do vizinho. Cortando a porra da grama. Antes da porra do sol nascer. Temos que ter uma conversinha com ele. Dizer que isso não é legal." 

Keagan, nossa filha, acordou chorando.

"Acho que é isso," resmunguei, saindo da cama. "Vou falar com ele depois que tomar um café." 

"Traz pra mim também," Vanessa disse.

"Papai, me traz M&Ms," Keagan disse.

"Não, nada de doces no café da manhã. Banana. Ou torrada. Mas nada de M&Ms." 

"Tá," bufou. "Torrada. Mas cortada bonita." 

Suspirei. Isso era a última coisa que eu queria estar fazendo as 04:45 de um sábado. Fazer café e cortar torrada em formatos de animais ao invés de estar babando no meu travesseiro e sonhando com um mundo melhor. 

Fui para a cozinha e comecei a preparar café e torradas e então olhei pela janela da sala. E lá estava. Sr. Limsky, cortando a merda da grama, vestindo nada mais nada menos que seu roupão de banho. Aí estava outra coisa que não estava afim de fazer: falar com ele sobre isso, na verdade, não gostaria de ter que falar com ele nunca, a não ser acenar de longe e dar bom dia uma vez na vida e outra na morte. 

Quando eu já estava acordado o suficiente para ter pensamentos coerentes, eram quase seis da manhã, e eu já consumira quatro xícaras de café. Sr. Limsky ainda estava lá, o que era estranho, porque seu jardim não era nada grande. Não deveria demorar mais que quarenta minutos para realizar essa tarefa. Mas lá estava ele, uma hora e quinze minutos depois, ainda cortando. 

Me semi vesti e tropecei para a rua. Atravessei meu próprio jardim, o qual, notei, estava precisando ter sua grama cortada. Talvez eu o sugerisse que, se ele cortasse a minha grama e não começasse tão cedo, eu deixaria essa passar. Mas é obvio que eu não iria fazer isso. Eu era um covarde.

Enquanto chegava mais perto, observei confusamente que o gramado dele já estava cortado. Estava passando o cortador uma segunda vez. Andei até o limite de nossa propriedade, denotada pelo contraste de grama cortada e não cortada, e comecei a sacudir meus braços no ar, tentando chamar a atenção do Sr. Limsky. 

Ele não olhou para mim nem sequer uma vez. Apenas olhava para frente, reto, e continuava a empurrar o cortador de grama. 

"EI!" Gritei. Mas não consegui nada. Eu mal conseguia me ouvir, e assim eu sabia que ele não me ouviria também por causa do barulho da máquina. 

Mas que bosta.

Andei pelo gramado até ficar bem atrás dele. "EI!" Gritei de novo. Nada. Toquei em seu ombro. Nada. Ele apenas continuava a empurrar o cortador para frente em cima da grama já aparada. Eu não sabia o que fazer. 

Vou tentar falar com ele quando terminar, acho. Deve estar muito concentrado. 

Dei de ombros e estava prestes a dar minhas costas e voltar para casa quando vi um rastro do que presumidamente era urina, escorrendo pela sua perna. 

Jesus Cristo. 

Voltei para casa e abri a porta. Vanessa estava lendo um livro para Keagan. Parou quando entrei e olhou para mim. "E aí?" 

"Eu, hm... ele não conseguiu me ouvir. Vou voltar lá quando ele terminar. Vai ter que parar em algum momento, né? E, hm... bem, na real estou um pouco preocupado. Eu vi, você sabe, ele se molhou." 

"Sr. Limsky fez xixi nas calças?" Keagan perguntou. Começou a rir. 

"Isso acontece as vezes, menininha," falei. "Você fazia isso antes, lembra. A gente faz isso bastante quando é criança e depois passa um tempão sem fazer e quando fica mais velho pode voltar a fazer." 

Isso a fez pensar um pouco. 

"Uh," Vanessa disse. 

"Tem mais," continuei. "Ele já cortou a grama. Esta passando o cortador em cima da grama já cortada." 

"Talvez esteja arrumando uns pedaços que ficaram com grama alta?"

"Não. Está perfeito. Nenhuma folha de grama acima das outras." 

"Hmm," Vanessa pensou. "Isso é estranho. Você acha que ele está bem? Deveríamos ligar para alguém?"

Encolhi os ombros. "Ligar pra quem? Pra polícia? Falar que nosso vizinho aposentado está cortando a grama duas vezes e se mij... fazendo xixi nas calças? Acha que vão fazer alguma coisa mesmo?" 


***

Pelas oito da manhã eu estava cozinhando bacon e Sr. Limsky ainda estava lá, cortando a grama pelo que parecia ser a quinta vez. Tentei não pensar a respeito, mas era difícil. 

"Depois do café da manhã a gente devia ir para algum lugar," falei. "Está um dia lindo. Não precisamos ficar enfurnados aqui dentro o dia todo."

"Por que o Sr. Limsky ainda está cortando a grama?" Keagan perguntou. 

"Eu não sei, bebê," resmunguei. "Não sei. Quer ir no parquinho ou algo do tipo?"

"Siiim!"

"Vou ficar em casa e tentar dormir mais um pouco, pode ser?" Vanessa disse. 

"Claro," falei. Eu também estava com vontade de voltar a dormir, mesmo depois de todo aquele café, mas o desejo de me afastar daquele barulho era muito maior. 

Comemos, então eu e Keagan fomos para o parquinho. 

Às 9h recebi uma mensagem de texto de Vanessa: "Não consigo dormir, ele ainda está cortando a grama." 

9h30: "Estou começando a ficar preocupada. Isso não é normal." 

10h00: "Fui lá e tentei falar com ele mas é como se estivesse em um transe. Por favor, volte pra casa." 

Suspirei, mas consenti. Chamei minha filha e voltamos para casa. Uma sensação desagradável começava a pairar sobre mim, e só piorava ao me aproximar de casa. 

Você está com medo de um velho cortando a grama? Debochei de mim mesmo. Mas não funcionou, porque minha resposta instintiva foi: Sim.

Entrei na minha rua rezando para que quando chegasse na frente de casa, Sr. Limsky teria parado de cortar a grama. Diria que era só uma pegadinha e todos nós riríamos juntos. Mas logo, vi que isso não aconteceria. Quando estacionei na minha garagem, vi que ele ainda estava lá. Achei ter visto um rastro marrom escuro escorrendo por sua perna, mas era difícil ter certeza por causa da sombra da macieira anciã de seu jardim.

Entrei dentro de casa e Vanessa estava na cozinha com olheiras enormes e uma taça de vinha na mão. "Por favor, faça parar," disse. 

"Eu não sei o que fazer," falei, de repente me sentindo muito cansado e também precisando de uma bebida.

"Ligue para a polícia," ela falou. 

"Por que você não liga?" perguntei.

"Certo," falou. "É só que eu já faço tudo nessa casa e achei que talvez você pudesse ajudar dessa vez."

Segurei minha língua. Eu fazia um monte de coisas em casa, mas sabia que esse não era o momento de falar sobre isso. "Tá," respondi. "Eu ligo para a polícia. Mas como será que não acabou ainda o combustível daquela bosta ainda?"

"Eu estava o observando," Vanessa disse. "Tem um garrafão de gasolina na garagem. Quando o cortador morre, ele vai lá e abastece enquanto ainda empurra o cortador. Muito bizarro. Por favor, chama a polícia."

"Tá bom, tá bom," eu disse. Diquei o número e acabei tendo a conversa por telefone mais constrangedora da minha vida. Foi dez minutos com a telefonista, depois mais dez minutos com um policial. Por fim, concordaram em vir dar uma olhada. 


***

Quinze minutos depois, assisti da minha janela os policiais estacionarem na frente da casa do Sr. Limsky. Umúnico policial saiu do carro e andou até ele. 

O policial estava sacudindo os braços e gritando, mas não obteve respostas. Então o policial agarrou o Sr. Limsky pelos ombros e o forçou a girar em sua direção. Isso fez com que o velho finalmente largasse o cortado de grama e, pela primeira vez no dia, o cortador parou de se mexer. Ainda estava ligado, porque ele havia enrolado com fita o botão de ligar e desligar. 

Segurei a respiração e esperei para ver o que aconteceria em seguida. 

A boca de Sr. Limsky se abriu e algo saiu lá de dentro. Parecia um tentáculo longo e fino. O tentáculo se enrolou no pescoço do policial e o levantou no ar. Então um segundo tentáculo emergiu da boca do homem e entrou na garganta do policial. 

Fechei as cortinas com violência e percebi que, assim como Sr. Limsky mais cedo, eu também tinha me mijado. 

"O que está acontecendo lá fora?" Vanessa perguntou da cozinha. "A polícia chegou?"

Eu não tinha uma resposta decente para dar, então não respondi. 

"Querido?" Vanessa disse, andando até mim. "Você está bem?"

Lá fora, ouvimos o som de outra máquina se juntando ao cortador de grama. Vanessa abriu a cortina, e lentamente me virei para olhar. 

O policial estava dando voltas na macieira com um cortador de ervas daninhas enquanto o Sr. Limsky voltava a empurrar seu cortador novamente. 

***

É cinco da tarde. Além do Sr. Limsky, tem mais quatro policiais em seu jardim fazendo várias atividades. Um ainda está com o cortador de ervas daninhas. Outro está nos arbustos com uma tesoura gigante picando as folhas a horas. Mas o que mais me preocupa é o que anda por aí pulverizando o chão de uma garrafa cheia de líquido azul neon que o Sr. Limsky em algum momento vomitou de sua boca.

Pessoalmente, estou pedindo para minha família arrumar suas coisas e colocar no carro para partirmos para a Flórida, onde mora a mãe de Vanessa. Eu não tenho ideia do que está acontecendo, mas não parece bom.

14 comentários :

  1. Primeiro, o relato da área 51.
    Depis, essa Creepy.
    Hmm.. aí tem brique

    ResponderExcluir
  2. Parece que não conseguiram impedir que as criaturas da área 51 escapassem.

    ResponderExcluir
  3. Q doido 🙀 tb pensei em aliens, ai q medo kkkkk
    Morri com o mau humor do cara 😹 igualzinho meu ex acordando kakakakakaka
    10/10 😘

    ResponderExcluir
  4. Alienígenas que fazem serviços domésticos. Já quero.

    ResponderExcluir
  5. Cara isso ficou muito legal, Porém,eu achei que o final ficou muito arrastado e meio sem graça.
    Em minha opinião essa estória deveria ter uma continuação para nos esclarecer melhor sobre o que de fato estava avendo,pois essa coisa que controla as pessoas me deixou muuuuiiitooo curioso sobre ela.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tem a parte 2
      https://www.reddit.com/r/nosleep/comments/cfdnpp/my_neighbor_was_mowing_his_lawn_for_13_straight/

      Excluir
  6. Muito boa. Só esse final em aberto que é chato. 8/10

    ResponderExcluir
  7. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  8. Seria pedir demais que traduzissem essa https://www.reddit.com/r/nosleep/comments/bw7ai1/since_the_first_time_i_died_ive_fallen_in_love/ ??

    ResponderExcluir
  9. Porra de empregada doméstica, papo de conseguir um alien na área 51 pra fazer o serviço completo kkkkkkkk

    ResponderExcluir
  10. Esse é o classico alien rabugento

    ResponderExcluir