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Tivemos que inventar histórias de terror em uma aula, essa se destacou.

21 comentários
N.T: Alguns nomes próprios e expressões foram mudadas durante a tradução para auxilar trocadilhos e para melhor entendimento do leitor, outros foram mantidos como no original. O sentido original do conto se mantém.
 
Quando eu estava no ensino fundamental, tínhamos um professor que todos odiavam. Seu nome era Sr. Handscombe. Dava aula de português.

Sr. Handscombe tinha por volta dos 1,65 de altura, com uma cara de rato e óculos fundo de garrafa. Uma barriga que parecia de vermes. Ficando careca no topo. Basicamente todas as desvantagens genéticas possíveis reunidas em um só filho da puta.

Porra, como eu o odiava. Não sei se foi o fato de conseguir ser mais alto do que 30 outros seres humanos em uma única sala que subiu-lhe a cabeça, mas nos tratava mais como se fôssemos prisioneiros do que seus alunos.

Gritava e berrava com as crianças. Humilhava-os. Te colocava na detenção por qualquer coisa que conseguisse pensar. Ele era um pedacinho de bosta.

E ele tinha seus favoritos. Não crianças que gostava, mas os seus preferidos para implicar. Tinha um garoto gordinho chamado John Butão e, toda vez que Handscombe fazia a chamada, chamava-o de "Bundão" e fingia que tinha sido sem querer. Havia uma Menina chamara Maria, que tinha a língua presa. Quando ninguém se voluntariava para ler os textos na aula, ele nomeava Maria. Sempre.

Mas a criança que ele gostava mais de pegar no pé era o Grant.

Grant era um garoto novo no colégio, entrou na nossa turma na sexta série.  Minha mãe me disse que ele era um errante, que significava que se mudava para vários lugares diferentes e morava em uma caravana. Outras crianças usavam outro termo para se referir a ele, mas nunca o diziam na sua frente. O garoto era pelo menos uma cabeça maior do que todos nós, sabe. Portador de ossos grandes e era largo. Tinha uma expressão fixa de você-não-vai-querer-mexer-comigo no rosto que fazia com que todos os outros o deixassem em paz.

Mas isso não impedia o Sr. Handscombe. Nem um pouquinho. Não sei era pelo motivo de Grant ser quase do seu tamanho ou porque a família de Grant era errante, mas Handscombe o tornou um alvo desde o primeiro dia. Ele odiava Grant. Dava para ouvir até em sua voz, toda vez que falava com o garoto. Não gostava mesmo.

Sr. Handscombe alternava entre xingar Grant na frente de todo mundo - podia ser por qualquer coisa, tipo espirrar enquanto ele falava ou por sua camisa não estar dentro da calça - e dar seu melhor para constrangê-lo. Na primeira semana, mandou Grant ir para frente da sala, depois o repreendeu por dez minutos pois seus sapatos não estavam devidamente engraxados.

Outra vez disse que nós iríamos praticar sinônimos, e então escreveu a palavra DIFERENTE no meio do quadro negro. Tivemos que um por um ir até lá e escrever palavras em volta que significasse algo parecido.

Quando terminamos, Sr. Handscombe deu um sorriso cínico.

"Agora precisamos de alguém com um vasto conhecimento nesse assunto para ler todas essas palavras em voz alta para a turma," disse. "Que tal... você, Grant?"

Acho que o professor esperava que Grant fosse um leitor lento, mas estava enganado. O garoto podia parecer um delinquente mas, cara, sabia ler muito bem. Proferiu cada uma daquelas palavras sem problema algum, sem dar sugestão de que o tema o afetava. Pude ver o sorrisinho de Handscombe virando uma cara feia.

As coisas continuaram desse mesmo jeito por boa parte do outono. Handscombe alfinetando e Grant lidando da melhor forma possível. Então, Outubro chegou, e tínhamos uma tarefa especial. Uma para o Halloween. A ideia era escrevermos histórias de terror, então as leríamos em voz alta na aula do dia 31 de Outubro.

Não me lembro da maioria das histórias contadas naquele dia. Na verdade, mal me lembro da minha. Acho que era algo super genérico sobre um monstro que morava na dispensa da minha casa. Mas me lembro a de Grant. Mesmo depois de todos esses anos, eu me lembro. A história que Grant contou era uma espécie de conto folclórico, e prendeu minha atenção assim que começou a contá-la.

Aqui está, nas palavras de Grant, da forma como me lembro:

Era uma vez uma família de bruxas que vivia em uma caverna. As bruxas viviam isoladas, e a maior parte das pessoas e criaturas que viviam no vilarejo próximo as deixavam em paz. Mas havia uma exceção.

Um enorme e horroroso Troll aterrorizava a floresta nos arredores da vilarejo. O Troll tinha dois metros e meio, com uma barriga verde enorme. Furúnculos e verrugas gigantes e vermelhas cobriam seu rosto. Comia qualquer coisa que fosse idiota o suficiente para cruzar seu caminho.

O Troll achava que era dono da floresta, e não gostava do fato de que as bruxas estivessem morando em uma caverna tão próxima. Não gostava mesmo.

Mas ele não podia fazer muito a respeito. Toda vez que via as bruxa, corria atrás delas. Mas elas voltavam logo correndo para a segurança da caverna. Rastejavam para a escuridão de trás das pedras, e o Troll era grande demais para entrar lá.

Ele ficava na entrada da caverna, e todos os dias pronunciava a mesma coisa:

"Bruxas, na caverna, se escondendo como animais,

Saiam dessas terras e não voltem mais!

Se recusarem e escolherem ficar,

Fiquem cientes que o preço vão pagar."

Bem, as bruxas tinham medo do Troll - todos tinham - mas não tinham para onde ir. Então, por um bom tempo, sobreviveram da melhor forma que puderam. Saiam da caverna para conseguir comida e os itens que precisavam para seus feitiços toda vez que o Troll sumia de vista. E toda vez que o avistavam, corriam de novo para a escuridão.

O Troll nunca era esperto o suficiente para apanhá-las, e foi ficando cada vez mais bravo. Logo, começou a matar animais e deixava-os na entrada da caverna para apodrecer. Furões, raposas, pássaros - foi capaz até de um dia pegar uma criança do vilarejo e deixar seu corpinho quebrado e destroçado na entrada da caverna.

Quando as bruxas saíram no dia seguinte e viram aquilo, ficaram horrorizadas. Mas também perceberam outra coisa; algo que o Troll jamais perceberia. Preso junto aos pedaços sangrentos do corpo da criança, haviam um único fio de cabelo negro e grosso. Um fio de cabelo da cabeça do Troll. E quando as bruxas viram aquilo, souberam o que tinham de fazer.

Pegaram o fio de cabelo, e juntaram mais alguns gravetos da floresta e transformaram tudo em um pequeno boneco de madeira. Fizeram o boneco alto, feio e gordo, para que se parecesse o máximo possível com o Troll. Então, colocaram-no em um círculo para fazer um feitiço.

E quando terminaram sua mágica, pegaram o boneco e em turnos começaram a enfiar alfinetes nele. Alfinete depois de alfinete, depois de alfinete, depois de alfinete. Quando terminaram, haviam mais de cem palitinhos de metal enfiados no boneco de madeira.

No dia seguinte, não havia animais mortos na entrada da caverna. Não havia sinal algum do Troll. As bruxas procuraram por ele pela floresta, e logo mais encontraram manchas de sangue negro de troll respingado em arbustos perto do rio. Seguiram o rastro. A quantidade de sangue foi ficando maior quanto mais longe iam, e os respingos ficavam mais e mais frequentes. Mais frescos.

Finalmente, em uma clareia não muito longe do vilarejo, encontraram o próprio Troll. Estava jogado nas sombras de um enorme carvalho. Olhos fechados. Puxando o ar com dificuldade. E sangrava por centenas de pequenos furos espalhados por sua massa verde corpulenta, seu sangue negro vazando do jeito mais lento e doloroso imaginável--


Me lembro que o Sr. Handscombe parou a história nessa parte.

Estava carrancudo enquanto gesticulava para a turma ficar quieta. Dava pra ver que todo mundo estava gostando da história, pelo diversos lamentos que foram soltos quando Handscombe o parou.

"Tá, tá, tudo bem," disse, levantando as mãos pedindo silêncio. "Acho que já ouvimos o suficiente, Grant. Isso foi previsivelmente desagradável. Estou vendo aqui a prova que você pode tirar o garoto da caravana, mas não pode tirar a caravana do garoto."

Esse não foi o último dia que vi Grant, mas deve ter sido perto; ele deixou a escola duas semanas depois. A família se mudou. Ouvi dizer que foram para o Sul, mas ninguém sabia ao certo. Tudo que sabíamos era que um dia ele estava na aula e no outro sua cadeira estava vazia. Sumiu. Simples assim.

Alguns dias depois, Sr. Handscombe também sumiu.

Começou quando um professor substituto apareceu certa manhã para dar a aula dele. Não demos muita bola - só achamos que ele devia estar doente ou algo do tipo. Isso até vermos a página principal do jornal na manhã seguinte.

Nunca ficamos sabendo dos detalhes. Houve boatos na administração e alguns sussurros na hora do recreio, claro - mas a maior parte eram só rumores. Ninguém sabia muito bem no que acreditar.

A única coisa em que todos concordavam era que o Sr. Hanscombe havia sido assassinado. A polícia não tinha pistas. E os detalhes sobre sua morte aparentemente eram macabros demais para serem aprofundados no jornal.
 
***

Não sei o que foi que me fez ir vasculhar o local onde a família de Grant estivera acampando.

Provavelmente uma curiosidade mórbida. Talvez fosse o fato de que eu não conseguia esquecer a história que ele havia escrito. Seja lá o que fosse, fez com que eu passasse semanas passeando de bicicleta pelo local depois da escola e nos finais de semana. Tentando encontrar o local de acampamento exato deles.

E, eventualmente, encontrei.

Foi um homem que trabalhava em uma banca de jornal em uma vila dos arredores que me deu a dica. Apontou a direção de alguns campos perto da floresta. Disse que os errantes tinham ficado em algum local para aqueles lados.

Não demorei a encontrar o campo certo depois disso.

Era próximo dos arredores da floresta, não muito longe de um rio. Me lembrava muito dos cenários da história de Grant.  Só mudar o campo por uma caverna. Desci da minha bicicleta e comecei a vasculhar o local.

A família de Grant já tinha ido embora faziam algumas semanas na época, mas os sinais ainda estavam lá. Grama esmagada. Algumas cadeiras enferrujadas. Bitucas de cigarro. E, no que eu acho que devia ser o centro do acampamento, um círculo de pedra.

Não sei porquê, mas eu estava com uma sensação estranha na minha barriga enquanto me aproximava daquele circulo. Borboletas no estômago, creio eu. Talvez um pouco de medo.

O círculo estava vazio a não ser por uma coisa no meio. Uma forma pequena, encostada em uma pedra. Acho que minha mente já sabia muito bem o que estava prestes a ver antes mesmo de eu me aproximar o suficiente para entender os detalhes. Segurei a respiração.

O objeto encostado na pedra era um boneco.

De madeira, pintado. Entalhado da madeira de alguma árvore dali, acho. Era um boneco pequeno, mas tinha sido decorado em detalhes minuciosos. Uma barriga de vermes. Cabelos finos. Reconheci o pequeno Sr. Handscombe quase que imediatamente.

Havia apenas uma coisa diferente - uma única coisa que diferenciava o boneco da imagem real do professor que aparecera no jornal local. Algo sutilmente errado com seu rosto.

Me aproximei para olhar melhor, e senti uma onda de náusea tomando conta de mim.

Ambos os olhos do boneco estavam pendurados para fora de seu pequeno crânio.

ORIGINAL

21 comentários :

  1. Meio que um terror rural. Aaaaa amei 💕

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  2. Adorei! Final previsivel, mas msm assim gostei bastante 8/10 😘❣

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  3. eu li duas vezes pra não deixar nada passar, raramente eu avalio um creepypasta com nota 9 mais essa eta que eu gostei.

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    1. Antes de se achar o super crítico, o mínimo que você deve ter é uma boa ortografia, babaca.

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    2. O povo daqui é muito exigente mas nem a diferença de mais e mas sabem

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    3. Aparentemente nesses seis meses que eu não visito o site surgiu um "Anônimo" bastante sem noção que gosta de dar rage gratuito nos comentários daqui...

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  4. Pessoal, o app Creepypasta Brasil agora está disponível para quem tem iOS na Apple Store!
    Segue o link: https://apps.apple.com/us/app/creepypasta-brasil/id1469590619

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  5. Eu tinha ouvido essa creepy no YouTube, mas o professor era uma professora! Eu amo essa história que ele conta e o final~

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  6. Maravilhosa. Divina Francis, você é maravilhosa. Creppy sensacional. Gostei muito. ❤️

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  7. poxa Divina que creepy maravilhosa, você se esforça tanto e nos trás delícias como essa pra lermos ^-^ Obrigada!

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  8. Otimá história parabéns 👏👏

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  9. só isso?até q é boazinha mais e bastante previsível minha opinião somente

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  10. Também achei o final previsível, mas a creepy é bem legal. Se eu fosse a autora só finalizaria a história de uma forma mais grotesca ainda, pro impacto ser maior.

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  11. Eu gostei mas o final deu um sentimento de incompleto, esperava que ele axhasse o corpo do professor sla ,_,

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