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Crianças somem depois do por do sol na nossa vizinhança.

27 comentários

Quando eu era novo, nós morávamos em um bairro ruim. Nossa rua ficava em uma parte isolada da cidade. Barata e suja, cheia de vizinhos estranhos e solitários. Um deles era a Sra. Yaga. 

Ela era uma velhinha que morava no segundo andar de um prédio velho. Suas cortinas estavam sempre fechadas.

Do outro lado de sua janela ficava um canto escuro da rua, onde a luz do poste não alcançava. Toda noite, eu via sua silhueta na frente da janela, olhando para o canto escuro. 

No fim da tarde, eu brincava nas ruas com meu amigo, Tommy. Ficávamos ali pela rua da frente da minha casa. 

Um dia, depois do por do sol, Tommy se aproximou de mim. Eu estava sentado nos degraus do meu prédio, comendo uma maça. Parecia preocupado. 

"Minha bola caiu pra lá."

Apontou para o canto escuro da rua.

"Pode ir lá comigo?"

Não estava assim tão escuro. E a esquina ficava bem pertinho. 

"Porque eu preciso ir junto?"

Estava inquieto. 

"Se eu for sozinho, a Sra. Baba vai me pegar."

Olhei para a janela dela. A silhueta se balançando na cadeira estava lá, olhando para a esquina. 

"Aquela velhinha?"

Me respondeu em um sussurro.

"Ela mata crianças."

Devo ter olhado para ele de algum jeito estranho, pois começou a gaguejar. 

"Vo-você pode perguntar para os seus pais. O-ou qualquer outra criança. Todo mundo sabe. Ela ma-matou seu próprio irmão quando tinha dez a-anos.

Qualquer um que for lá na esquina escura vê ela parada no escuro. E daí ela te pega." 

Tommy parecia assustado. Eu o via como um irmão mais novo. Não podia deixá-lo sozinho.

"Bem, então vamos lá."

Sai dos degraus e comecei a andar junto dele. Atravessamos a rua e fomos em direção da esquina. Parei em frente da casa da Sra. Yaga. 

As cortinas ainda estavam fechadas. 

"Onde está?"

Ele procurava pelo chão.

"Era para estar bem aqui. Será que alguém pegou?"

"Está ali, nas sombras."

Me aproximei mais um pouco. 

"Onde... você ouviu isso?"

As cortinas tinhas sido abertas. 

Ela estava de pé. Olhando para mim com a expressão mais assombrosa do mundo. Como se estivesse esperando por algo. 

"Vem."

Tommy esticou a mão para mim.

Enquanto eu a olhava, sua boca se abriu de um jeito basicamente inumano e soltou um berro. Foi o pior grito que já ouvi na vida. 

Ela batia na janela, o vidro quase quebrando. 

Agarrei a mão de Tommy. Ele tentou me segurar mas eu o puxei. 

Fugimos. Eu sentia como se o seu grito estivesse nos seguindo. Até quando entrei no meu quarto, ainda podia ouvi-la pela janela. Ela berrou por horas seguidas. 

Naquela noite, fiquei acordado até bem mais tarde. Fiquei pensando no jeito que ela batia na janela. Como se estivesse tentando sair de lá. 

De madrugada, ouvi som de vidro se quebrando vindo de algum lugar da rua. Vinha do fim da rua. 

Tudo que eu conseguia imaginar era ela, quebrando o vidro e se rastejando para fora. Agora vagando pelo escuro, me procurando. 

Tapei a cabeça com as cobertas. Mas não ouvi mais nada pelo resto da noite. 

No dia seguinte, fui para rua uma hora antes do por do sol. As luzes do segundo andar estavam desligadas, mas eu podia ver claramente. A janela do segundo andar estava quebrada.

Eu não queria ficar mais lá. Não vendo aquela janela. Fui embora antes que Tommy chegasse. 

Quando cheguei em casa, meus pais estavam conversando na cozinha. Conversavam em sussurros. Ouvi o nome dela.

Durante a noite, alguém invadiu a casa da Sra Yaga. Cortaram sua garganta.

Eu precisava saber a verdade. Contei as histórias que tinha ouvido. Perguntei se eram verdade. 

Naquela noite, descobri a história real. 

De vez em quando, uma criança desaparecia na esquina escura. A única testemunha era a velha senhora.Toda vez, a mulher repetia mesma história. 

Quando era mais nova, seu irmão costumava a brincar na rua. Fez amizade com um menino mais novo. O nome do menino era Tommy. 

Um dia, seu irmão desapareceu. 

Disse que tinha sido Tommy. O menininho tinha levado seu irmão até a esquina escura da rua. 

Mas Tommy não era real.

Desde aquele dia, sempre que uma criança desaparecia, ela mencionava Tommy. Dizia que esse menino atraia as crianças para a esquina. 

Ela gritava para avisar as crianças. 

Papai me disse que Tommy não era real. 

Ele estava errado. 

Toda noite, logo depois do por do sol, eu o vejo na rua pela minha janela. Ele está me esperando para brincar. 

ORIGINAL

27 comentários :

  1. Gostei da creepy, do final em si que surpreendeu bastante, mas quando li "yaga" pensei logo de cara na baba yaga dos comic book da, ou do, zenescope, não consigo parar de imaginar ela gritando na janela. Otima creepypasta divina

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  2. Não fiquei com tanto medo mas é uma ótima crepypasta fiquei surpreso no fim 8de10

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  3. Nunca comentei mas ultimamente tenho tomado acido e tido vontade de interagir com tudo e todos. Divina, acompanho o site desde 2013 se não me engano e sou obrigado a dizer, suas creepys são maravilhosas, a tradução é incrível, e o conteúdo então? Nem se fala, demais demais, meus parabéns!

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    1. Dei uma gargalhada desse comentário. Cuidado para não ter uma bad trip. Divina, você é divina mesmo...amo as histórias que você posta!

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    2. auhauhauhau chorei com essa!

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  4. aaaaa tommy taffyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyy

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    1. Impossivel(im-pos-si-vel!) ver esse nome em qualquer creepy que seja e não associar imediatamente haha

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  5. eu não esperava por esse final, gostei nota 9

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  6. opa... uma história que vou guardar comigo kk Amei... amanhã mesmo estarei usando ela na hora do terror q faço com os guri daqui da rua hehehe

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  7. Não é o padrão "Divina"
    Achei fraca 5/10

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  8. Cara lembrei de um personagem de um livro uma anjo escuro do livro filhos do éden yaga.

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  9. divina maravilhosa como sempre, creepy sensacional!

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  10. Mermão quase me caguei de medo quando eu li o final amei essa ceepy continua q eu sempre vou ter tempo de ler elas ❤️❤️❤️

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  11. O brasil de bem esta com você divina

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    1. O blog morreu? Eu tenho depressão e as Creepys que leio aqui me ajudam a superar. So que essa demora pra postar novas Creepys desanimam muito, deve ser a 15 vez que eu venho no blog só essa semana pra ver se tinha uma creepy nova e nada...

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    2. Estão com poucos tradutores e a Divina tem um bebê agr por isso ela tá meio sem tempo. Mas o blog não morreu, tenta ir lendo as mais antigas, elas são muito legais tbm S2

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    3. Também tenho depressão e ansiedade. Lê creepys é ótimo pra distrair, no momento tô lendo as mais antigas. (Ironicamente não gosto de creepys que tem depressa como tema)

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    4. Oiii! O blog não morreu! Eu estou um pouco sem tempo, meu bebê completou 4 meses agora e exige mais de mim. Mas agora estou reorganizando a minha rotina e pretendo voltar a traduzir mais! Fique bem, saiba que você é amado, você é importante e estamos aqui para isso. Se precisar conversar com alguém, meu e-mail é divinalush@gmail.com. Não prometo rapidez na resposta, mas respondo sim. Obrigado por esse relato e espero continuar ajudando como posso.

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  12. Um pouco cliché mas não deixa de ser legal

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