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Ontem a noite, deixei uma mulher comer de graça no meu restaurante. Foi a melhor decisão que já tomei na vida.

27 comentários
Quando eu era pequena, meus avós me criaram. Meu pai sumiu muito antes de eu nascer e, minha mãe, em uma tentativa de me dar a melhor vida possível financialmente, trabalhava em dois empregos durante a semana e mais um nos finais de semana. Eu nunca a via, então, naturalmente, meus avós os substituíam nesse sentido.

Mesmo tendo nosso próprio apartamento, eu passava maior parte do tempo na casa dos meus avós. Eram aposentados e viviam modestamente, sobrevivendo de suas aposentadorias e investimentos, morando em um simples bangalô de dois andares. Não eram ricos - mas para uma criança, aquele estilo de vida era o paraíso. Eu amava ficar com eles e explorar cada cantinho daquela maravilhosa casa antiga. Adorava ficar correndo pelo jardim durante o verão e minha vó ficava me molhando com a mangueira. Mas, acima de tudo, eu amava comer suas comidas tão caseiras.

Sem dúvidas, minha vó fazia a melhor comida que já experimentei na vida. Ela cozinhava devagar e com amor, seguindo meticulosamente receitas que passavam na nossa família de geração em geração, mas sem medo de adicionar seus próprios temperos. Embora não existisse nada em seu cardápio que eu não gostasse, o que eu mais amava era sua pizza.

Minha vó carregava sangue italiano, então sua receita de pizza era legítima. Passada para ela por sua mãe, e para mãe de sua vó, e assim por diante até os descendestes que realmente moravam na Itália. A massa sempre ficava fina porém fofinha, de derreter na boca, e com um molho cheiroso demais que sempre me deixava com água na boca. O recheio não importava muito; contanto que acertasse a massa e o molho, você tinha acertado a pizza. 

Por demorar muito e demandar muito trabalho, ela não fazia a pizza com muita frequência - geralmente em ocasiões especiais, como no meu aniversário, ou quando entrei para a faculdade. Até fez uma para mim quando noivei, mesmo que na época estivesse lidando com alguns problemas de saúde.

Depois que ambos meus avós faleceram, decidi que queria fazer algo especial para honrá-los. Nessa época eu estava indo muito bem: tinha um emprego bom que me pagava bem, e tinha recebido uma boa quantia de herança. Então para honrar suas memórias, decidi abrir minha própria pizzaria. Coloquei o nome de Buchanan's - o sobrenome dos meus avós, um que eu não compartilhava - e me empenhei em vender a pizza caseira e autêntica da minha avó.

E não deu muito certo. 

Não sei se foi a localização ou o tipo de cozinha, mas o restaurante nem se sustentou de pé antes de desmoronar. Eu havia me demitido e mergulhado de cabeça nessa aventura, com investimentos não só do meu marido como de minha mãe também; além disso, não era apenas um negócio para mim, era da memória de meus avôs que estamos falando aqui. O fato de não conseguir mais de dez clientes por dia era de partir o coração. 

Em uma noite, meses depois da inauguração, eu estava fechando mais cedo. Geralmente fechamos as 22h, mas já eram 21h e havia sido um dia péssimo: geralmente conseguimos alguns pedidos de tele-entrega e entre quatro ou cinco mesas no salão. Mas não naquela noite. Nenhuma única alma viva havia entrado no restaurante. Então decidi começar a fechar tudo, para pelo menos conseguir chegar em casa antes do meu filho ir dormir. 

Estava terminando de arrumar o salão quando ouvi. 

Uma batidinha leve vindo da janela, seguido do som levemente estridente de dedos contra o vidro limpo. Espiei lá fora, esperando que fosse um cliente mas, nada. Ninguém.

Entretanto, meus olhos se estreitaram para a noite. Lá fora estava tudo muito escuro - estranho para aquela vizinhança, normalmente muito bem iluminada pelo brilho dos postes de luz, outras lojas, luzes de varanda, faróis... Mas naquela noite, nada. Foi aí que notei que o ar no meu restaurante estava... não sei. Estranho? Comprimido, acho, quente e parado, como se alguém tivesse feito vácuo lá dentro, deixando só um pouquinho de oxigênio para eu respirar.

Achando ser só mais uma daquelas noite, continuei o que estava fazendo, levantando cadeiras para colocar ao contrário em cima das mesas, assim poderia passar pano no chão. Quase instantaneamente, ouvi novamente. Mais alto dessa vez, o som inconfundível de alguém batendo na minha porta de vidro. 

Olhei e, novamente, não havia ninguém lá. Achando se tratar de uma brincadeira de crianças da vizinhança, andei rapidamente até a porta, irritada, puxei e abri, preparada para gritar com eles como uma mulher louca e-

Mas lá estava uma mulher parada na minha frente. 

Ela parecia... normal. Bem, normal o suficiente. Alta, magra, quase esquelética, a pele debaixo de seus olhos  tão esticada que parecia da finura de uma folha de papel e tingida de um roxo violento. A única coisa diferente nela era o broche que usava em seu cardigã: era pequeno, mas encrustado de pedrinhas escuras. Parecia que tinha tirado do próprio filme do Titanic ou algo do tipo.

Ela parecia... Bem, parecia exausta. Instantaneamente senti pena dela, como se tivesse a necessidade de ser super simpática. Lembrava a minha mãe, quinze anos atrás. Além do mais, talvez quisesse comprar pizza. 

Dando um sorriso e usando minha melhor voz de vendedora, falei "Posso ajudá-la?"

A mulher sorriu, e quando o fez, seu rosto pareceu se iluminar. Me senti inquieta e relaxada ao mesmo tempo. Era estranho.

"Desculpa, tive um longo dia e preciso muito usar o banheiro. Posso entrar?" perguntou, e se moveu em direção do interior do restaurante. 

Eu ri. "O banheiro é para só para clientes," brinquei, mas sai da frente para que pudesse entrar. Tá bom, ela não queria pizza. Mas a companhia era bem vinda, mesmo que por alguns momentos enquanto eu a guiava até o banheiro. 

"Ah. Tudo bem. Bem, eu não tenho dinheiro aqui, mas-"

"Mamãe?"

A voz de uma menininha surgiu de trás da mulher, eu dei um pulo, não tinha notado sua presença antes. Espiando melhor na escuridão, pude ver sua silhueta: cabelos escuros, como os da mãe.

"Mamãe, podemos ir? Tô com frio -"

"Ainda não, Annie, mamãe precisa muito usar o banheiro -"

"Ma eu tô com muita fome!"

A mulher se virou em direção da filha e pude dar uma olhada melhor em seu rosto. Era idêntica a sua mãe, só não parecia que iria desmaiar a qualquer segundo. Usava uma boina decorada com as mesmas jóias do broche da mãe. "Annie," sibilou a mulher, "espere aí fora um pouquinho, tá bom? Eu já vou." 

Instantaneamente me senti mal pela menina - e pela mulher. Me lembrava de mim e da minha mãe. Ou pelo menos, como as coisas poderiam ter sido se não fosse meus amados avós. 

"Ei," falei, "porque vocês duas não entram e comem uma pizza? De graça. Aqui dentro está quentinho e-"

"Não!" A mulher exclamou. "Não, não, obrigada. Annie está bem, ela pode esperar lá fora, isso é muito generoso da sua parte."

"É por conta da casa," repeti, meus olhos implorando para a mulher entrar. Não sei se era orgulho ou medo que a fazia recusar minha oferta, mas queria que ela entendesse que eu não estava ali para julgá-la. Sinceramente só queria ajudar. Não conseguia pensar em nenhum jeito melhor para honrar a memória de meus avôs. Além do mais, isso não mudaria nada na minha situação financeira. 

A mulher ficou em silêncio. Parecia pesar suas opções. 

"Mamãe?" Annie gemeu. 

Com um suspiro, agarrou a mão da filha e passou por mim, entrando no restaurante. "Tudo bem, mas não vamos demorar, tá bom? Mamãe também está com fome, Marianne." 

A duas acabaram ficando mais ou menos duas horas. Coloquei fogo no forno a lenha e fiz, no total, quatro pizzas broto - todas para Annie, que comeu duas das pizzas com tanta paixão e alegria que eu não havia visto desde que minha avó as fazia para mim. Sua mãe, Layla, não comeu, insistindo que tinha bastante comida em casa que seria desperdiçada se não comesse naquela mesma noite. 

Quando Annie terminou de comer, eu embalei as pizzas restantes e coloquei nas mão de Layla. "Para o resto da semana," falei, dando um sorriso. "São ótimas para o almoço. Uma coisa a menos para se preocupar durante a semana." 

Layla, que havia ficado quieta e parada maior parte da refeição, olhou para mim, depois para a filha, e de volta para mim. Exalou. "Sabe, eu nunca deixo Annie vir comigo quando... bem, tem coisas que não quero que ela veja. É o trabalho da mãe proteger seus filhos, certo? Não importa o quão difícil seja." 

Estreitei meus olhos, confusa. "Sim, claro. Concordo." 

Layla hesitou. Então colocou a mão livre no ombro de Annie. 

"Agradeça a refeição," disse. "Temos que ir agora. Só... não deixe a porta do restaurante aberta assim tão tarde. Essa vizinhança é cheia de gente... estranha."

Com Annie me acenando tchau, as duas foram embora. 

Continuei fechando como de costume, mas por causa daquele encontro, me atrasei algumas horas da rotina de sempre. Quando tranquei a porta, já passava um pouco da meia noite - muito mais tarde do que eu gostaria que fosse, dado o fato de que aparentemente todas as luzes da vizinhança pareciam estar quebradas. Além disso, considerando o aviso de Layla, não era do meu maior desejo ficar andando por aí na escuridão total de madrugada. Tudo bem, era apenas uma caminhada de uns cinco minutos até onde eu havia estacionado. Mas muita coisa pode acontecer em cinco minutos. 

Rapidamente, tranquei a porta e comecei a trotear até o carro. Era difícil enxergar um palmo afrente de meu rosto de tão densa que era a escuridão, então iluminei meu caminho com a lanterna do telefone e- 

Foi aí que eu o vi. 

Com o brilho da lanterna do meu celular, vi a silhueta de um homem a poucos metros de mim. Mas não era um homem... humano. Era alto, mais alto do que qualquer outra pessoa que já vi na vida, mas suas costas estavam dobradas em um ângulo retorcido, de modo que seu pescoço enrugado e alongado descia até o nível dos olhos.

Quando vi aquilo, ofeguei, congelada de medo, sem conseguir fazer nada além de encará-lo. Seus dedos eram longos e pareciam estar quebrados e dobrados em partes extras, seu rosto emaciado, com pedaços de pele penduradas em seu rosto como papel de parede velho. Seus olhos estavam fechados, mas sua boa estava curvada em um sorriso satisfeito. 

Eu não conseguia fazer nada. Estava fisicamente incapacitada de me mover, ou de sequer gritar. Consegui abrir minha boca para tentar gritar, mas quando o fiz, a coisa também abriu sua boca, revelando muitas carreiras de dentes afiadíssimos. 

Chocada, soltei um grito. Foi aí que a criatura se jogou na minha direção, seus ossos fizeram um som arrastado horrível contra o asfalto. Eu não conseguia mexer nem minhas pernas nem meus braços. Meu celular caiu da minha mão paralisada, deixando-nos no breu total mais uma vez. Eu sentia o cheiro rançoso de seus ossos. Aceitando meu destino cruel, fechei os olhos e esperei pela morte dolorosa que viria a seguir - 

Mas nada aconteceu. Senti uma onda de ar gelado me envolvendo, e depois o som parou. O cheiro sumiu. E, dentro de um instante, consegui me mexer de novo. Depois de alguns segundos para recuperar o ar e o que restara da minha sanidade, estiquei meu pé para frente e senti meu celular. Desajeitadamente, peguei-o do chão, e simplesmente corri em direção do meu carro. 

Quando cheguei em casa, minha mente estava basicamente em piloto automático. Era como se meu cérebro ainda estivesse frágil demais para processar aquela noite, então simplesmente afastou todos meus pensamentos momentaneamente para que eu não ficasse louca de vez. 

Já era mais de uma hora da manhã, mas meu marido ainda estava cordado me esperando, me recebendo com um sorriso caloroso do sofá assim que pus os pés dentro de casa. 

Automaticamente, deslizei pela sala de estar e fui até ele para lhe dar um beijo. 

"O que é isso?" perguntou, enquanto eu me afastava de nosso selinho. 

"Hmm? Isso o que?"

"Isso - na sua blusa. É novo?"

Meu coração acelerou. A criatura tinha me marcado? Havia um pedaço de sua pele pendurada na minha blusa? Bile subiu pela minha garganta enquanto as memórias daquela noite encharcavam meus pensamentos. 

Olhei para baixo. 

Preso ao tecido, em cima de meu peito, estava um broche, encrustado com pedras brilhantes vermelho sangue. 



27 comentários :

  1. Boa noite Divina o/

    Apesar de ser fã e acompanhar a página há vários anos, penso que essa seja a primeira vez em que eu me dirijo diretamente a você. Saiba que adoro seu trabalho aqui no blog.

    Essa creepypasta está excelente. Muito bem feita no geral. Mas notei alguns errinhos ao longo do texto, e como eu estou com paciência hoje resolvi marcar esses erros:

    No parágrafo 32 tem dois erros: Ao invés de "jugá-la" (terceira linha) acredito que seja "julgá-la"; Na mesma linha, ao invés de "penar" acredito que seja "pensar".

    No parágrafo 40 tem apenas um erro: acredito que o correto é "hesitou" ao invés de "exitou".

    No parágrafo 47, segunda linha: acredito que o correto seja "extras" ao invés de "estras".

    No parágrafo 49, primeira linha: Seria melhor substituir "fazer" por "faziam" ou "fizeram"; acredito que a segunda opção seja melhor.

    No parágrafo 52, na primeira linha: Acredito que seja melhor escrever "Já era mais de uma hora da manhã" ao invés de "Já era uma hora da manhã passada".

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    1. Estou apenas contribuindo com o site "Unknown". Faço o que eu bem entender e não é uma pessoa aleatória que vai me impedir. Agora foi que deu.

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    2. Lucas, muitíssimo obrigada pelas correções! Eu estou sem tempo e as vezes mesmo revisando os textos, como traduzo na correria acabo deixando passar várias coisas. Sempre bom ter gente com o olhar atento para essas coisas. Já corrigi os erros! Valeu mesmo!

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    3. Nego tem tempo pra corrigir erro de português dessa forma hahahaah

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    4. Por nada Divina! Você não tem ideia do quanto eu curto o seu trabalho, acompanho já faz muitos anos esse blog. E eu entendo perfeitamente sua situação. Espero que possa continuar realizando esse trabalho com o Blog por muitos anos. E desculpe caso que tenha soado chato, como alguém fez questão de assinalar lá em cima.

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    5. Ótimas observações moço... Só pra lembrar, quando nos referimos às horas, o verbo sempre tem que estar no plural. Então "Já eraM mais de{...}

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    6. Ótimas observações moço... Só pra lembrar, quando nos referimos às horas, o verbo sempre tem que estar no plural. Então "Já eraM mais de{...}

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  2. Não entendi??? A menina e a mãe eram a vó dela e própria mãe dela??? E pq foi a melhor decisão da vida dela atender as duas? Isso não e explicado direito na creepy

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    1. É sim, ela é protegida da criatura, provavelmente por causa do broche

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    2. Mas ela só encontrou com o "monstro" porque ficou até mais tarde atendendo a mulher e a menininha. Se não fosse por elas, a moça teria fechado a pizzaria e iria embora mais cedo.

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    3. Mano, está tudo na creepypasta vey. Basta apenas interpretar um pouco.

      1 - Ela apenas lembrou dela mesma e da própria mãe quando viu a velha e a garota.
      2 - Sério mesmo? Foi a melhor decisão da vida dela pois ela ganhou uma espécie de amuleto que foi o que a protegeu do monstro. E isso foi graças a velha, que foi quem ela ajudou.
      3 - Pqp, não. Ela não encontrou o monstro só "porque ficou até mais tarde atendendo a mulher e a menininha". É dito no começo da creepypasta que havia algo de diferente ao redor do restaurante. Se ela tivesse decidido seguir a rotina e ido embora cedo, não teria ganho o amuleto e teria se fudido com o monstro.

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    4. cara chato da porra

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    5. Chato dmais esse Lucas heim, pqp

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    6. Uma galera que acompanha esse blog é um pé no saco mesmo viu. A gente tenta ajudar e só leva patada. Ainda bem que uns merdas feito vocês não são os administradores do blog, já teria me feito deixar de acompanhar há eras.

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    7. Vai tomar no seu cu seu bosta. Te perguntei porra nenhuma não seu lixo arrogante de merda, pau no cu, virgem fudido

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    8. ta certo, Lucas.
      eu hein, povo chato

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  3. Interessante, será que a mulher, Layla, é uma caçadora de monstros ou algo do tipo? Deu a entender no último diálogo das duas

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  4. Acho que a Layla é uma caçadora. E as jóias que ela é a filha dela usam, são amuletos de proteção.

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  5. O brasil te ama divina

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    1. O português horroroso mata o tesão da leitura. Erros absurdos.

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    2. O português horroroso mata o tesão da leitura. Erros absurdos.

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  6. Que sdds que eu tava de ler as creepys e das pessoas chatas nos comentários 🥰

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  7. Divina, sempre divina. Quem não erra? Chato pra caramba ficar corrigindo erro dos outros aff,eu leio, gosto, e tô nem aí pra erros, está bem legível e boa, parabéns Divina.

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