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Toda noite, as 04:00, ouço uma mulher chorando no meu jardim.

28 comentários

Toda noite, sem falta, ouço uma mulher chorando no nosso jardim. 

A primeira vez que aconteceu, minha esposa me acordou. "Harry, tá ouvindo isso?" perguntou, eu um sussurro aterrorizado.

Essa são com certeza quatro palavras que não são boas de se ouvir no meio da madrugada. Imagens de uma invasão domiciliar correram pela minha mente - tiros sendo disparados, nossa criança e minha esposa grávida morta. Mas quando me concentrei para ouvir, tudo que ouvi era o som de alguém chorando. 

Homem ou mulher, criança ou adulto, não consegui distinguir. 

Eu só sabia de uma coisa: estava vindo bem debaixo da nossa janela. 

"Tem alguém lá fora?" Emily perguntou da cama.

"Não sei."

Apesar do dom, quando olhei lá para as sombras, não pude ver ninguém. "Vou dar uma olhada," falei, indo em direção da porta. 

"Não. Fique aqui, vamos chamar a polícia. Alguns bandidos usam gravações de bebês chorando para as pessoas saírem de casa e-"

Eu ri. "Aonde você você viu isso? Polícia 24 horas?" Abri a porta. "Primeiramente, não é um bebê. Segundo, não vou ir lá para a rua. Só vou dar uma olhada. Não consigo ver nada dessa janela aqui."

Desci as escadas, armado com nada mais que um celular. Mas quando iluminei com a lanterna pelas janelas, não encontrei nada. 

O choro, entretanto, continuava. 

Agora parecia que vinha da floresta que cercava nosso jardim. Logo depois da divisa das árvores. E, para mim, parecia o choro de uma mulher. Contido demais para ser de uma criança (digo por experiencia própria com meus filhos, sei que choram descontroladamente depois de dez segundos de controle,) e suave e agudo demais para ser de um homem. 

Abri uma janela e gritei: "Ei! Você precisa de ajuda?" 

O choro parou imediatamente. 

Mas não ouve resposta. Não ouvi mais nenhum som vindo da floresta, a não ser o vento e o farfalhar das folhas das árvores.

"Olá?!" Gritei. "Tem alguém aí?"

Silêncio.

Então começou a gritar. 

Um grito de arrepiar todos os pelos do meu corpo. Incessável. Sem som, sem pedido de ajuda. Apenas gritos. 

Isso me deixou alerta. Peguei o meu celular e liguei para a polícia. "Tem uma mulher gritando no meu jardim. Acho que está machucada ou em perigo. Ela não me responde. Meu endereço é..."

Ouvi a escada rangendo enquanto minha esposa descia. "Você ligou para a polícia?" Assenti. "Meu Deus do céu, o que será que está acontecendo?"  Ela mantinha as mãos em cima da barriga, como que para proteger nosso filho não nascido dos horrores lá de fora.

Estiquei a mão em direção da porta de vidro. E se alguém estivesse a matando? Naquele exato momento? Ou se estivesse sendo sequestrada, e já estaria longe quando a polícia chegasse?

Emily me puxo de volta para dentro. "Não, você não vai lá."

"Mas-"

Ela fechou a porta e trancou. "Você pode acabar morto!"

Por sorte, a polícia chegou um ou dois minutos depois. Quando entraram no jardim, os gritos pararam imediatamente. Procuraram com lanternas por entre as árvores. 

Vinte minutos depois, voltaram de mãos vazias. 

"Provavelmente o que ouviram eram raposas," o policial disse. "Elas tem esse grito bizarro quando estão acasalando, parece mesmo uma mulher gritando." 

"Mas eu ouvi choro-"

"Olha no youtube," disse, com um sorriso. "Também já confundi. Parece mesmo uma mulher gritando a plenos pulmões. É uma loucura." 

Quando voltamos para a cama, a luz cinzenta do amanhecer já se espalhava pelo horizonte. Quando não consegui dormir, segui o conselho do policial e procurei sons de raposa. Aparentemente, eles emitem um som que soa muito semelhante a uma mulher gritando.

Me convencendo que era só isso, dormi de novo. 

***

Mas na noite seguinte, aconteceu de novo.

Quatro horas da manhã em ponto. O choro leve vindo da floresta. Liguei para a polícia de novo, e mais uma vez, não encontraram nada. 

Também me adivertiram para não ligar de novo por causa do choro, só se as coisas visivelmente piorassem. 

E então não liguei quando aconteceu na noite seguinte. E na outra. E na outra. Eu tinha pesquisado sobre as raposas, e em todos os lugares que li, elas apenas gritavam não choravam. Mas me forcei a voltar a dormir todas as vezes.

Investimos em uma máquina de ruído branco. Compramos ventiladores também, para um efeito melhor. Ligamos tudo no máximo e, por cerca de uma semana, todos dormimos feito bebês. Felizmente, os quartos das crianças não ficavam de frente para o quintal, então eles nunca ouviam nada.

E então a noite de 24 de agosto. 


A noite começou bem. Emily e eu conseguimos que as crianças dormissem cedo, e nos abraçamos na cama por um longo tempo. "Nossa pequena Ellie", eu disse, passando a mão pela barriga dela. Apesar de estar grávida de cinco meses, a protuberância era quase  imperceptível. "Tem certeza de que está comendo o suficiente?"

"Estou bem," respondei, segurando minha mão e apertando. "Só não quero engordar demais, como das outras duas vezes." 

"Você sabe que te acho linda independente de quanto estiver pesando, né?" Perguntei. "Você não precisa fazer isso por mim." 

"Não estou." Sorriu, fechando os olhos. "Eu te amo, Harry."

"Também amo você."

Dormimos abraçadinhos. 

Mas acordamos algumas horas depois com o choro. 

Era mais alto. Muito mais alto. Tão alto que podíamos ouvir mesmo com o ruído branco ligado. Enquanto eu me virava e era arrancado do meu sono profundo, levantando da cama, entendi o motivo. 

O chor não vinha de fora.

Vinha de dentro do nosso closet. 

Imediatamente desliguei o ruído branco e levantei. "Quem está aí?" Gritei, minha mão segurando o celular firmemente. Pronto para ligar para a polícia. 

Nenhuma resposta. Apenas mais choros, respirações curtas, fungadas suaves. 

"O que está acontecendo?" Emily perguntou, sonolenta.

"Tem alguém dentro do closet."

Liguei a lanterna do meu celular. A luz brilhava na escuridão, batendo na maçaneta de metal. "Emily, chame a polícia", eu disse, avançando em direção à porta.

Ouvi os sons suaves do tom de discagem atrás de mim - então a voz apressada de Emily.

"Estamos ligando para polícia", anunciei. "Me diga quem você é!"

Mais soluços.


Fui até a porta. Peguei na maçaneta. Com uma respiração profunda, girei e puxei.

Uma mulher apavorada olhou para mim.

Era Emily.

Os olhos dela estavam vermelhos e inchados. Seu rosto estava molhado com um fluxo interminável de lágrimas. Mas, sem dúvida, era a minha esposa.

Ela soluçava, repetidamente, enquanto olhava para mim. Como se ela não estivesse reconhecendo quem eu era.

Então olhei para baixo e meu sangue gelou.

As mãos dela repousavam sobre a barriga. Uma barriga redonda e saliente.

Ela estava visivelmente grávida.

ORIGINAL

28 comentários :

  1. Não sei se entendi, tem continuação?

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  2. Era até meio previsível que era a esposa dele no closet, mas eu não entendi esse final kk ;-;

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  3. Pra Quem não entendeu:
    A esposa De verdade dele tava trancada no closet esse tempo todo. A que tava com ele era uma impostora, por isso a barriga dela não cresceu, por que ela não estava grávida. Foi isso q eu entendi, Entenderam?

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    1. Mas o que não deu pra entender é por que que ela só chorava/gritava às 4hrs da manhã? Como ela tava sobrevivendo trancada esse tempo todo no closet etc...

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    2. NÃO MEU CHAPA. TU SÓ PIOROU AGORA

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    3. Sim mas o problema é o que aconteceu com a bendita lá, que tava com ele na cama, ou então até a que tava no closet.

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    4. Acho que a outra dopava ela, e só deixava viva pra pegar a criança depois

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    5. a resposta é simples, ela só não queria que a outra matasse o marido dela esse também é o motivo pelo qual ela só gritou quando ele estava longe do quarto.

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  4. Respostas
    1. Pelo pouco de sei sobre doppelgangers, eles nao são palpáveis. Sao espíritos não palpáveis. O cara dormia com a the monia, beijava e tudo.... Não era uma dublê

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    2. Tambem nao conheço muito bem os doppelgangers. Pensei que poderia ser uma entidade que tomou uma parte do periodo de vida dela, o da gravidez, entende? Mas nao faria sentido, minha segunda opção foi um doppelganger

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  5. ENTENDI FOI É NADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

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  6. Pelo o que eu entendi, a esposa de verdade dele tava no closet, e a do lado dele era a impostora, a outra não engordava e a barriga não crescia

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  7. O que mais me assustou foi o cara ter pesquisado vídeos de raposas acasalando. Kkkkk
    Mas a creepy é muito boa.

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  8. Acho que a esposa no closet não era a esposa dele porque ela não reconheceu ele. O que eu imaginei foi que ela é de outra realidade onde eles não são casados, e chegou na realidade deles por anomalia espaço temporal ela estava chorando porque estava perdida. Ela olhava para a casa e via a casa dela mas sabia que não era a casa dela então ela chorava e se escondia, um dia ela entrou na casa por algum motivo e eles chegaram antes de ela sair, ela se desesperou e se escondeu no closet.

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    1. Taí uma explicação mais interessante

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    2. você só esqueceu que ela estava gravida, logo a mulher do que chorava era a verdadeira, e o motivo para ela não ir falar diretamente com o seu marido era para que a irma gemia dela não o matasse, foi assim que eu interpretei.

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    3. bah velho
      na boa, irmã GEMIA?????

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  9. PRGDL02022

    Sensacional!!! Muito boa.

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  10. ficou meio confuso pois... a esposa dele ñ estava atras dele? na cama*?

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Uma história incrível, com um enredo maravilhoso. Ficou otimo, parabéns 1/10

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  13. Gente esse final me pegou, não gosto de final que vc tem que imaginar o que aconteceu, pq a pesar da imaginação ser grande vc nunca tem certeza. Mas a creepy eh boa, parece que ia ser fantasma depois se revela uma coisa que já não parece mais ser fantasma.

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  14. o que deixa confuso o final é se n ler direito, pq há uma parte que ele comenta sobre a barriga da esposa dele e tals de não ta grande como a de uma gravida e tals

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  15. Vai que a mulher dele tinha uma gêmea desconhecida e que apareceu na vida dela e PLAU, tomou a vida dela e ficou mantendo ela trancada e dopada só esperando a hora do neném nascer, assim mataria ela depois e continuaria a vida...

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