26/06/2015

Olhos na Escuridão

O voo de São Paulo a Porto Alegre levou o dobro do tempo, devido a uma forte neblina – o que pra mim foi ruim, pois ainda precisava pegar um ônibus para Pelotas.

Usei um taxi do aeroporto até a rodoviária, cruzando uma cidade adormecida pela noite fria.

Na rodoviária, comprei a última passagem. Fumei um cigarro e embarquei, dirigindo-me a poltrona "23".

Peguei o celular e liguei o rádio deixando em volume baixo, apenas para relaxar.

Havia poucos passageiros neste horário: duas senhoras bem gordas, uma adolescente nariguda, um careca engraçado, um casal feio e um jovem executivo magrelo.

(Se me vissem falando assim, poderiam acreditar que sou um baita exemplar estético, mas não... Sou nanica de pele pálida. E, como se não bastasse, minha magreza costuma me enviar diretamente ao departamento infanto-juvenil das boutiques ).

Talvez o fato de trabalhar com cirurgia plástica me induza a observar as pessoas com um olhar mais crítico.

Estávamos quase saindo quando a porta reabriu. Entrou um homem alto, vestindo um moletom preto com capuz. E, embora fosse noite, ele usava óculos escuros. Sentou no fundo do ônibus, imaginei que nunca mais fosse vê-lo.

Adormeci.

Acordei com um ruído no ouvido que me causou aflição, mas não passava do radio sem sintonia.

Já estávamos na estrada – eu não sentia o movimento do veículo – quando olhei pela janela e só via uma paisagem escura e silenciosa de muito mato.

Levantei-me e a luz de leitura da poltrona "27" acendeu: era a adolescente nariguda.

Olhei para frente, todos dormiam.

Olhei para o fundo, o banheiro estava ocupado e, sentado na poltrona ao lado, o homem de capuz.

A jovem me perguntou o motivo da parada, então comentei que eu havia dormido e não sabia.

Ela sorriu e confessou o mesmo.

Resolvi falar com o motorista, passando pelos demais passageiros que dormiam.

A cabine vazia e a porta aberta. Saí para procurá-lo. A nariguda me seguia, mas parou ao pé da porta – este era o limite de sua coragem. Gritei chamando-o de “motorista”, uma vez que nem sabia o nome dele ou como ele era – não me recordava de sua fisionomia.

Gritei mais uma vez e obtive uma resposta excêntrica: um mugido.

Rimos da cena.

Acabei deduzindo que ele poderia estar no banheiro.

Voltei e fui surpreendida por um som estranho: algo grande parecia se arrastar no mato e aquilo logo foi seguido por dezenas de mugidos. Então dei de cara com o motorista voltando do ônibus: um sujeito magro, aparência doente, com um boné azul.

Questionei se ele estava bem e ele respondeu somente com um aceno de cabeça – “Dor de barriga”, eu imaginei – Voltamos, o banheiro continuava ocupado agora o sujeito misterioso não estava mais em seu acento.

Já os demais ainda dormiam.

Ela puxou uma mochila e se aproximou do meu acento.

Perguntou, educadamente, se eu me importava, e respondi que não.

Ela se apresentou como Clara e eu lhe disse meu nome. Conversamos um pouco, enquanto o ônibus partia. Descobri que tinha quinze anos e morava com a mãe em Porto Alegre. Estava a caminho de Pelotas, passaria dez dias com o pai. Falei pouco de mim, não por antipatia, somente por não ter chance.

O ônibus dava socos e tropicar, o que não dei muita importância, sabendo da fama das estradas no Brasil.

Só que Clara, por estar mais familiarizada com a rota, imediatamente abriu a cortina e levou à mão a boca, soltando um palavrão.

Olhei: estávamos em meio ao mato.

Sentimos mais dois socos e uma freada brusca.

O motor desligou e as luzes internas se apagaram por completo – exceto pela que indicava "banheiro ocupado".

Todos se levantaram apreensivos. Uma das gordas gritou ao ver onde estávamos. Instintivamente Clara segurou minha mão e falei para ela ficar próxima a mim. O sujeito careca foi até a cabine do motorista. Mal forçara e a porta abriu vagarosamente.

Surpreso, ele retornou nos informado que o motorista não estava lá.

Então uma das gordas indagou: “Como um “negrão” daquele tamanho some assim?”.

Naquele instante minha espinha congelou e Clara apertou minha mão com força.

Eu só vira o motorista na parada que havíamos feito uma hora atrás, pois no momento do embarque eu entrara apressada, já tinha gasto muito tempo fumando.

Perguntei a Clara se ela tinha visto o motorista antes e ela respondeu que não, pois fora sua mãe quem despachara a bagagem.

O sujeito de terno nos questionou assim que percebeu nossa conversa.

Contei a todos sobre a parada, do motorista branco de boné, e comentei que achava que este estava no banheiro.

Acreditava que o sujeito esquisito de capuz e óculos escuros havia se passado pelo motorista.

Então o homem do casal me interrompeu dizendo que isso não fazia o menor sentido.

No entanto, imediatamente todos ficaram em silêncio e olharam em direção a porta do banheiro, que se mantinha ocupada

O sujeito magro de terno tomou a iniciativa e foi até a porta do banheiro. Ele a forçou, mas estava trancada. Com a ajuda dos homens a tranca finalmente se rompeu.

A porta abriu e, como por encanto, a luz do ônibus retornou para atormentar nossos olhos, protegidos pelo zelo da escuridão que nos mantivera ignorantes.

Havia um buraco grande na janela e lá estava o motorista encolhido no chão imundo. Não havia mais rosto, apenas um pedaço de cabeça, algo como uma maçã devorada pela metade em uma única e faminta dentada. O que fizera aquilo possuía uma mandíbula gigantesca.

Aqueles de estômago mais fraco, nos quais não me incluo, tiveram problemas para evitar passar mal.

Acalmei Clara na poltrona, observando a agitação de todos.

Jonatas, que era casado com Eveline – o casal feio –, tentava acalmá-la em vão, ela estava histérica.

Inutilmente, as gordas procuravam rede nos celulares em meio ao nada.

O magrelo olhava pensativo para a única porta do veículo.

Estava "armado" com um guarda-chuva, mas eu sentia que ele seria o primeiro a nos abandonar.

O senhor careca que se apresentou como o veterinário Júlio, sentou-se abatido a nossa frente.

Permanecíamos em silêncio à espera de uma explicação.

Ele sacudiu a cabeça negativamente e insisti que desse um palpite.

Olhou-me com seriedade e repetiu que não tinha ideia, mas que se fosse outro ambiente arriscaria ser um Tubarão.

Jonatas debochou e Júlio, irritado, iniciou uma discussão.

Gritei para que parassem e, até mesmo Eveline se aquietou um pouco.

Aguardamos um tempo e Miguel, o magrelo, ficou de guarda na porta.

Havíamos concordado que deveríamos procurar ajuda na estrada, mas ninguém se candidatou, mesmo porque não sabíamos para onde ir. Clara dormia e eu quase cochilei ao seu lado, quando Miguel gritou que avistara algo.

Na verdade ele ouvira algo, mas não era preciso explicar, pois agora todos ouviam.

A impressão era que algo grande, como um avião, se arrastava na escuridão, acompanhado de centenas de mugidos e um som tenebroso de lamentação, choro e sofrimento interminável. Fiquei com a impressão de ver poeira levantando da terra, como se algo se movesse a nossa volta. Miguel e Jonatas falaram em pares de olhos: diversos e de diferentes cores e tamanhos. Senti muito medo na hora e voltei para junto de Clara. Sentia-me responsável pela guria e, de todos que estavam ali, era com quem mais me familiarizara.

Miguel voltou correndo, horrorizado e pálido. Perguntei se ele avistara alguma coisa, mas, ao contrário de todos nós, ele fechava as cortinas agitado, como se tivesse visto o próprio diabo.

Insisti para que ele falasse, mas apenas o medo dava razão a sua face magra, até que Clara gritou.

Olhamos para ela, que mesmo em pé, aparentava ainda estar dormindo.

Miguel gritou que se afastasse da janela, mas ela parecia sonâmbula.

Aproximei-me e, antes que tocasse em seu braço, suas pálpebras se arregalaram: tinha os olhos completamente brancos e sua boca seca abriu emitindo um grunhido de crápula.

Todos, exceto eu, se afastaram.

Uma das gordas se abaixou no chão, abraçou as pernas e começou a chorar até, finalmente, desmaiar.

Tentei mais uma vez falar com clara, enquanto a outra gorda e Júlio ajudavam a desmaiada. Clara permanecia em um transe sinistro e eu não sabia o que fazer. Foi então que ela balbuciou algo em uma língua estranha e sinistra. Questionei-a sobre o que ela havia falado e ela respondeu em nosso idioma:

- Ela sente fome – o tom emitido por seus lábios era não mais alto que um sussurro.

Acredito que apenas eu podia ouvir

- Ela sempre sente. Ela comerá os seus rostos. Usará vossos olhos para vigiá-los...

- Quem é ela? - questionei-a temerosa.

- Ela é aquela que rasteja nas profundezas.

Ela há muitos séculos abandonou os oceanos.

Comendo homens e mulheres, velhos e crianças, servos e reis.

Ela aguarda o retorno daquele que não está morto e pode jazer eternamente – Clara emitiu um sorriso medonho – Ela é devota dele...

- Quem é Ele?

Clara me olhou com as órbitas brancas e sussurrou algo que, naquele momento, me pareceu sem sentido.

Ela caiu e eu a segurei.

Miguel queria saber o que ela tinha dito, mas eu não sabia dizer ou imaginava ter ouvido algo que não entendera – mas, por Deus, eu já havia entendido, só não sabia ainda.

Jonatas saiu do lado de sua esposa, que retornara a histeria, gritando que havia alguém lá fora: era o sujeito de boné que se fingira ser motorista e nos trouxera até ali.

Eufórico, ele gritava enlouquecido.

Clara acordou, seus olhos estavam lindamente azuis e tinham um brilho celeste que esbanjava simpatia e inocência.

Naturalmente, ela não se lembrava de nada.

Estivera inconsciente e despertara, agora, como um recém-nascido.

Miguel saiu enfurecido do ônibus, eu o seguira com os homens.

Seguimos para fora do ônibus e, em meio ao mato iluminado apenas pelos faróis do veículo, estava o homem que nos levara até ali. Estávamos enfurecidos, mas a atmosfera de terror causada pela morte do motorista e o recente estado inconsciente e catatônico da adolescente, tornava-nos reféns do medo.

O homem deu dois passos, olhou diretamente para mim e sorriu. Miguel, irritado, se preparou para um embate, mas mantive a razão e o contive, com um leve toque no ombro. Mesmo sendo a única mulher lá fora e, ainda que possuísse a menor estatura, adiantei-me a frente e encarei-o destemida.

- O que tu queres de nós? – iniciei o dialogo buscando calma – Tu mataste o motorista?

- Não! Não o matei – ele levou à mão a boca e tentou segurar o riso, que assim mesmo transpareceu para nós algo maroto.

Ele tinha um sotaque estranho, inicialmente imaginei que fosse lusitano, mas assim que prosseguiu me pareceu alguém que aprendera um idioma barroco e muito antigo – Eu sou apenas o arauto daquele que vos persegue em seus temores mais secretos – ele ria novamente.

- Quem é que nos persegue? – firmei a voz e cerrei os punhos.

- Ele tem muitos nomes, muitas formas e muitos séculos.

Mas apenas um objetivo – algo além do alcance das luzes grunhiu, seguido por centenas de lamentos.

- Se alimentar. Ele não morre, pois nesta era até mesmo a morte pode morrer – ele olhou para trás e, do meio do mato, pude entendê-lo.

Qualquer razão e sanidade existentes se esvaíram de minha mente.

Um vulto escuro cercou a frente do ônibus e todos correram para dentro.

Eu não queria acreditar nos meus olhos e, então, só consegui corri até Clara, chamando-a exaltada.

Ouvia Miguel gritando: - Vocês viram todos aqueles olhos? – Eu não respondia, só apressava Clara e a puxava pelo pulso: - Que era aquilo? Aquilo não pode ser de Deus! – gritara Jonatas para Eveline. – Corri para fora do ônibus arrastando Clara.

Júlio gritou para que eu voltasse. Instintivamente, ela tentava se desvencilhar de minhas mãos.

- Clara não podemos ficar aqui!

Os olhos dela se encheram de lágrimas e ela concordou com um aceno de cabeça. Corremos por trás do veículo quando ouvi as portas se cerrarem por dentro e, talvez por uma tentativa desesperada deles, as luzes se apagaram. Liguei o aplicativo de lanterna do meu celular e corremos mato adentro até encontrarmos o sujeito estranho.

Havia mais pessoas com ele, uma legião de seguidores: homens, mulheres, jovens, velhos e algumas figuras estranhas com rostos queimados e outros deformados.

- Não podem escapar.

Somos todos prometidos de sua fome – falava ele, enigmático.

Os demais gritaram palavras estranhas, semelhantes àquelas reproduzidas por Clara durante seu transe.

Puxei-a para junto de mim e corremos, mas eles não nos seguiram, foram em direção ao ônibus.

Corremos, caímos e nos arrastamos por espinhos, rochas, buracos e lama.

Tinha perdido a noção do tempo e o cansaço nos dominara.

Descemos um barranco e sentamos no chão, exauridas pela fuga.

A lua brilhava no céu e não havia uma única nuvem, apenas um manto estrelar.

Falei para Clara descansar, pois logo amanheceria e então procuraríamos a estrada com mais facilidade.

Não demorou muito para que eu pegasse no sono – o que, para mim, ainda é um mistério.

Depois daquilo que vi em frente ao ônibus, esta fora a última vez em que dormi e a única em que não deveria ter adormecido – até hoje necessito ingerir drogas para dormir e ainda assim acabo perdendo o sono após meus pesadelos.

Mas naquela noite eu dormi: e como me arrependo.

Acordei ao amanhecer.

Logo percebi que não estávamos sozinhas: à minha frente havia um corpo gigantesco, reptiliano, de comprimento abissal.

Movia-se vagarosamente frente com escamas negras levemente brilhantes e semitransparentes.

Parecia uma serpente com uma grossura gigantesca, capaz de engolir uma cabeça inteira em uma abocanhada.

Tinha divisórias largas, como gomos, que lembravam uma centopeia.

O brilho se intensificou, pude ver luzes diversas cores no corpo.

Eram irregulares, diversas e sinistras.

Um desses brilhos se voltou para mim, amontoado a pele transparente, e me encarou emitindo um mugido: eram olhos e o que sobrou do rosto de uma vaca.

Eram milhares de olhos e rostos.

E não eram apenas de vacas, havia outros animais e, enfim, vi pessoas.

Eles se deslocavam a minha frente como vagões de trem em um cruzamento.

Eu estava estática, não tinha força ou coragem para sair correndo.

O horror me dominava e o medo me mantinha imóvel.

Todos aqueles olhos cruzaram minha frente até finalmente ver um em especial: um par de olhos azuis celestes cheios de brilho e sonhos. Joviais e inocentes, num rosto narigudo e adolescente.

Eles me encaravam com desespero, sem esperança e clamando por socorro.

Tateei ao meu lado até encontrar a mão de Clara para que saíssemos dali.

Sua mão estava gélida.

Olhei novamente para os olhos celestes, que seguiram o curso dos demais, e agora os vira entrando na terra.

Percebi que aquilo não era um barranco e sim o início de uma toca colossal, a qual abrigava aquela criatura medonha.

Puxei Clara para fugirmos logo e ela não reagiu.

Olhei para ela e, no momento em que seu rosto se virou para mim, não havia rosto.

Não havia mais nada.

Apenas o buraco do seu crânio sem rosto ou cérebro e tudo que deveria estar ali.

Acordei sedada em uma cama de hospital em Porto Alegre.

Soube do acidente, das pessoas desaparecidas e nada mais.

E é melhor assim.

As vezes a ignorância é a única proteção para nossa sanidade.


Escrito por Survivor Horror
Narrado originalmente por LeMohamedAki

19/06/2015

Desafio #TesteSeusMedos com vários Youtubers

Boa noite Creepers, aqui é o LeMohamedAki, e  estou muito feliz em poder fazer esse post.


Sony Pictures vai me levar nesta sexta (dia 19/06) pra uma mansão assombrada do filme Sobrenatural 3 com o Gusta Stockler, Gustavo Horn, Canal Ambuplay, Assombrado.com.br, Lendas Urbanas e Histórias Reais - Acervo Maldito,Lully de Verdade, Canal do Purosso, Milho Wonka e o Sigma
 Estou ansioso pra gravar com eles, e ansioso para que vocês vejam. xD



Confiram o trailer desse filmes incrível.


15/06/2015

Privação

A primeira a ir foi minha vista.

Quando eu comecei a pensar no experimento, eu esperava que a última parte a parar de funcionar fosse a minha visão. Não tenho certeza se a droga diminuiu o funcionamento dos meus sentidos em uma ordem ou se foi aleatoriamente. Eu sabia que seria apenas temporário, mas me preparei para uma desconfortável, porém interessante parte da experiência. Eu sempre fui obcecado por privação dos sentidos desde que era mais novo, mas uma piscina cheia de cloro não iria me satisfazer. Eu queria alguma coisa que realmente fosse capaz de me privar dos meus sentidos, e consegui um sedativo experimental, ele supostamente deixava o corpo todo paralisado. Eu não costumava pesquisar muito sobre remédios que tomava antes de consumi-los, deixava apenas minha curiosidade me guiar, talvez até demais.

Minha visão não parou imediatamente, mas começou a ficar turva, foi aí que comecei a analisar as coisas. Eu descreveria minha experiência com algo similar a pessoas cegas ou que enxergam apenas sombras de cores ou somente formas. Quando minha visão sumiu completamente, as cores que eu lembrava assumiram outras formas, ás vezes formas iguais a silhuetas de pessoas. Eu pensava comigo mesmo que deveria manter a calma, todas aquelas formas e imagens pareciam querer me invadir.

A próxima coisa a parar de “funcionar” foi minha audição. O que fez minha conversa comigo mesmo ficar completamente inútil, primeiro, eu achei que minha voz estava ficando mais fraca, mas eu percebi que outros volumes de músicas e sons caseiros estavam diminuindo, tão rápido quanto minha visão. Quando eu fiquei completamente surdo consegui ouvir apenas um som, ou apenas o que eu achava que era um som.

Existe um familiar som de sinos batendo que muitas pessoas com problema de audição afirmaram ter escutado, ás vezes em períodos curtos de tempo, outras vezes por dias. Considerei isso, mas dada a condição de surdez que eu me encontrava, conclui que aqueles sons estavam sendo criados pela minha mente. O barulho se intensificou depois de um tempo e logo ficou inconsistente, aparecendo esporadicamente e outras vezes com curtos intervalos de tempo o som se tornaria algo parecido com ruído de microfone.

Então eu presumi que o próximo a “falhar” seria meu paladar, apesar de não ter consumido nenhuma comida ou bebida recentemente, eu senti uma pequena mudança. Eu realmente perdi alguma coisa na minha boca, mas isso estava sendo ofuscado pela quantidade de ilusões que eu tive devido à perda da visão e da audição. Mais figuras estranhas continuaram aparecendo na escuridão dos meus olhos e depois de várias aparições, as mesmas pareciam se mover. O barulho nos meus ouvidos continuou crescendo cada vez mais, juntamente com seus intervalos e na minha cabeça estavam quase em sintonia com as formas que eu “enxergava” na escuridão.

Enquanto meus sentidos pareciam que estavam sendo arrancados de mim, eu percebi que mais um estava sumindo, o meu olfato; no entanto, assim como meu paladar, esse passou por mim quase despercebido, eu estava distraído demais com as figuras e barulhos que minha mente estava criando. Havia apenas uma figura naquele momento, começou a se mexer calmamente enquanto o barulho insuportável dentro da minha cabeça continuava. Eu nunca saberia o que é ser surdo se esses sinos malditos continuassem! Eu comecei a passar a mão em volta de onde eu estava, gritando por ajuda que eu não seria capaz de perceber a existência nem se estivesse parada a minha frente. A forma era alta, com algumas partes do corpo maiores do que outras, as pernas dela se balançavam e enrolavam enquanto ela andava, se mexendo de forma esguia enquanto eu encontrava o que parecia ser os olhos da mesma.

O último sentido a desaparecer foi o tato, e provou para mim o significado da palavra sofrimento. Eu podia sentir meu corpo se tornando invisível, e isso me fez despencar violentamente, me batendo em alguns objetos. Quando alcancei o chão, fiz de tudo para passar as unhas e os dedos no chão, tentando desesperadamente trazer meu tato de volta.

Depois de apenas alguns segundos, sem nenhum dos meus sentidos funcionando, os barulhos insuportáveis da minha cabeça diminuíram e se tornaram pequenos e calmos sussurros. Esses, assim como os sinos, começaram a ficar mais irritantes e mais altos toda vez que a figura da minha visão começava a se aproximar de mim. A única coisa que eu podia fazer enquanto ela se aproximava, era assistir, e quando estava apenas a alguns centímetros de distancia de mim, eu vi seu rosto.

No meio do meu sofrimento psicológico, eu tive a ideia estúpida e idiota de falar com aquilo. Perguntei o que era, e o que queria.

“Eu sou o que resta quando nada mais existe. Eu sou o que fica assistindo você enquanto você está distraído, cheio de coisas e imagens ao seu redor. Eu sou o que aparece raramente pra você, quando você se encontra desocupado demais e se convence que foi apenas sua imaginação. Eu espero pacientemente, ansioso pelo momento que sua alma será exposta, sem nenhum escudo para protegê-la.”

Os sussurros me convenceram de que minha audição havia retornado, que alguém na realidade da minha existência estava sussurrando nas minhas duas orelhas enquanto eu continuava a fitar aquela criatura assombrosa nos olhos. Ele começou a aproximar sua mão esguia do meu rosto, como se estivesse pronto para me tocar enquanto eu senti minha sanidade entrar em colapso, a forma começou a desaparecer e voltar para vazio, que agora, estava claro. Os sussurros e outros barulhos sumiram rapidamente.

Como se estivesse acabado de acordar depois de um pesadelo horrível, meus sentidos rapidamente retornaram á vida. Eu estava muito cansado, como se eu tivesse corrido em círculos por horas e horas seguidas. Meu corpo estava coberto de marcas e roxos; eu suava como um porco enquanto tentava regularizar minha respiração.

Havia acabado. A pílula era realmente temporária. Olhei para o relógio, tentando lembrar à hora exata que comecei o experimento e percebi que todos os acontecimentos haviam durado apenas quatro minutos, como as pesquisas feitas sobre o medicamento haviam comprovado.

Passei as próximas horas do dia tentando me recuperar, ainda perturbado pelo que eu havia visto. Eu estava supostamente “salvo”, mas eu ainda sentia como se estivesse sendo ameaçado de alguma forma enquanto eu tentava lembrar o que havia acontecido detalhadamente. Tentei justificar tudo aquilo como se fosse obra da minha imaginação; perder os sentidos havia me deixado paranóico e eu teria imaginado uma sombra gigante que simplesmente sumiu quando a medicação  parou de fazer efeito.

No entanto, o que eu não consigo esquecer são as palavras. As palavras que ele falou. A coisa havia ido embora por que meus sentidos o haviam bloqueado? Eu só desejo nunca ter feito aquela pergunta. Queria ter ficado em silencio, eu simplesmente passaria por esse evento e me convenceria de que era culpa da minha privação, teria me convencido de que aquela coisa havia sido criada e destruída pela minha mente.

Eu quero me convencer disso, mas não consigo. Toda vez que penso sobre aquilo, eu só consigo imaginar a criatura na minha frente, invisível, esperando que meu corpo morra e minha alma se torne alvo dele, virando apenas destroços.


E agora presto mais atenção nas figuras que vejo quando fecho os olhos, enquanto algumas são aleatórias e outras tomam forma familiar de distorcida figura. 

13/06/2015

Casper


-911 emergência. Você precisa de ajuda ?

-Sim, por favor , há alguém em minha casa

-Sim, senhor, eu estou comunicando à polícia , Você está em ( editado) apartamento dois ?

-Só por favor , por favor. Peça a alguém para vir pra cá ,

-Eu vou , senhor, mas eu preciso que você confirme o seu endereço primeiro.

-É ( editado) apartamento dois .

-Okey , a polícia está a caminho, mas vou precisar que voce se acalme , Você sabe se é um homem ou uma mulher ?

-Eu não sei, Eu só vi a parte de trás de sua cabeça, o couro cabeludo foi arrancado,

-Desculpe senhor?!

-A pele estava pendurada do lado fora de sua cabeça, ele começou a se virar para mim, mas ,,,

(vidro quebrando)

-Tudo, tudo....tudo apenas começou (?)

- Você é capaz de chegar a uma saída?

- Não eu estou no armário... OH meu Deus.

-Tudo bem, eu preciso que você fique calmo, Voce tem algo que possa usar para se proteger?

- Han... tem alguns cabides!

-Ok pegue um cabide e endireite-o.

- São todos de plástico!

- Ok senhor, tem mais alguma coisa?

(estrondo indeterminado)

-Vá embora!

-O que esta havendo?

-Vá embora

-Senhor?

(som metálico indeterminado)

-Eles estão do lado de fora da porta

-A policia está há alguns minutos daí. eu só preciso que você aguente um pouco mais de tempo

-Por favor, por favor.... eu estou tao assustado. Eu estou tão...

(porta abrindo)

- OI! EU SOU O CASPER!

-OH meu Deus

(estrondo indeterminado/rugido)

-Senhor, senhor, você está aí?

-OH meu Deus

(estrondo indeterminado/luta)

-Senhor?

A voz dele foi ficando mais distante, como se tivesse sendo levado pra longe, apesar de ainda estar gritando, a voz dele foi sumindo. Risadas de crianças ecoaram do outro lado da linha. A operadora deu um pulo de susto com o coração na mão. Os gritos pararam. Silencio.

- Alô? quem está ai? - perguntou ela.

Ouviu mais uma vez uma risadinha abafada ao longe.

- Quem está ai!? - quase gritando.

- Olá! - uma voz fina e feliz respondeu do outro lado. Uma voz que lhe causou frio na coluna e que vai tirar o sono dela por muitos dias.

- A policia está chegando, não tem pra onde correr.

- Eu sou Casper!

A linha fica muda antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.

***

Alguns minutos depois, a policia chegou ao local. A porta do apartamento estava aberta, mas nenhum vizinho acordado. A casa estava revirada, mas ao que parecia o intruso não buscava por algo, mas sim, destruir coisas.

No quarto, encontraram a porta derrubada e mais uma vez, tudo revirado. Houve luta ali. A porta do armário estava aberta e um rastro se sangue seguia direto para o espelho de parede, terminando nele. O lençol da cama tinha sido arrancado como se alguém tivesse se agarrado a ele. O lençol estava esticado no chão, a alguns centímetros do espelho.

Ele aponta sua lanterna para o espelho. Uma marca de mão pôde ser vista nele. Uma marca de mão do tamanho da mão de um adulto. Analisou a marca com cuidado... quase não reparou no sorriso largo e cheio de dentes que apareceu no reflexo do espelho.

"Oi!"



(História baseada em fatos reais)

10/06/2015

NES Godzilla - Entropia

No jogo original, o sexto mundo era Plutão. Ironicamente, apesar de ser o menor planeta, Plutão era o maior e mais diverso mundo no jogo. Entropia tinha um layout diferente, mas era igualmente grande e diverso.

A música do mapa era tocada por um violino, uma melodia que começava soando fúnebre e então ficava meio... Talvez eu diria “distorcida”?

Isso me fez sentir deprimido e nervoso. Não era algo que eu queria ouvir enquanto tentava dormir.

Estranhamente, nenhum dos níveis dos níveis dos mundos anteriores estavam presentes aqui, ao invés disso, haviam oito grandes novos ícones. Os chefões dessa vez eram Megalon, Battra e Mechagodzilla.


Como de costume, a primeira coisa que fiz foi ir para o nível de quiz para outra interrogação das caras. Mas quando eu cheguei lá, percebi algo diferente; Invés da música pateta de GH1D0RA, era a vez do tema de Password.

A mudança da música parecia ser intencional, pois após as duas questões no início, o quiz começou a tomar um tom obscuro.

Quiz 3
  1. Você gosta de sorvete?
    Resposta: Sim, Reação: Cara Estranha #1
  2. E de palhaços?
    Resposta: Sim, Reação: Cara Estranha #10
  3. O tempo está escorregando pelos seus dedos?
    Resposta: Sim, Reação: Cara Estranha #2
  4. Você tem algum arrependimento?
    Resposta: Sim, Reação: Dor
  5. Algumas pessoas merecem morrer?
    Resposta: Não, Reação: Cara Estranha #3
  6. É seguro sair à noite?
    Resposta: Sim, Reação: Cara Estranha #5
  7. Você acha difícil dormir à noite?
    Resposta: Sim, Reação: Cara Estranha #9
  8. Você já matou alguém?
    Resposta: Não, Reação: Cara Estranha #7
  9. Você quer matar alguém?
    Resposta: Não, Reação: Raiva
  10. Você está fazendo alguma coisa?
    Resposta: Não, Reação: Cara Estranha #4
  11. A vida tem algum sentido real?
    Resposta: Não, Reação: Amor
  12. Você gosta da Mothra?
    Resposta: Não, Reação: Maniaca

Eu sabia que essa última seria uma questão relacionada à um gameplay, mas eu não tinha ideia do que iria resultar. Eu respondi honestamente, pois como eu já disse antes, nunca gostei da Mothra.

Ninguém gostava de jogar com a Mothra nesse jogo. E tinha uma boa razão para isso, pois todas as vezes que a Mothra tomava dano, ela era atirada de volta para o canto da tela, e era uma bosta lutando por quê seus ataques eram muito fracos. O único benefício da Mothra é que ela era capaz de voar pelos obstáculos em alguns níveis.

Então eu respondi “não”, e a cara respondeu-me de volta, não apenas com a expressão maníaca, mas com o texto:

“QUE PENA! ”

Eu estava de volta à tela do mapa, e eu estava chocado ao ver que Godzilla e Anguirus haviam desaparecido do mapa, deixando apenas Mothra. As caras haviam me fodido. 

Insignificante dizer isso, eu estava bolado. Mas não havia nada que eu podia fazer, e eu estava me perguntando: “Se eu dissesse “sim”, eu estaria jogando com Mothra mesmo assim? ” As caras davam, também tomavam.


Respirei fundo e me preparei para explorar. Haviam aqui dois caminhos que eu podia tomar pelo mapa, decidi ir pelo de baixo. Isso foi uma boa escolha que eu vou mencionar momentaneamente.

O primeiro mundo em minha frente era uma floresta, então comecei por ele. Quase imediatamente, eu tive um sentimento de mistério. Havia algo sobre esse nível que parecia “estranho” para mim, até mais que os anteriores.

Percebi que tinha um fundo de cor preta. Eu sempre tive medo de estar em uma floresta à noite. Algo sobre todas aquelas árvores, que me fazia sentir cercado e vulnerável.


E o fato de eu estar preso como Mothra não ajudou. Jogando os mundos anteriores como Godzilla me deu um sentimento de bravura, estando no controle do rei dos monstros, eu estaria hábil a dar cabo de qualquer coisa em meu caminho.

Mas não era assim com Mothra. Nenhum sentimento de força, ou segurança. Agora eu era só um fracote, um inseto facilmente sobrecarregado, atravessando o desconhecido.

De volta ao nível, a música tinha novos instrumentos, soando com ventos uivantes, seguidos por batidas lentas e sinos repicados. Me dava uma sensação de que eu estava entrando num lugar perigoso em que eu realmente não devia estar.

Após um pouco, encontrei os primeiros inimigos da fase. Ou ao menos eu presumi que eram inimigos. Eram estranhos, com pernas finas, criaturas realmente estranhas. Ao invés de atacar, eles apenas estavam andando pelo cenário. Tentei alcança-los e eles fugiram.


Eu pensei em atirar neles com um raio ocular para ver o que podia acontecer, mas parecia errado. Essas criaturas eram inocentes. Então eu passei por elas e continuei pelo nível.

Na metade do caminho, encontrei grupos de animais parecidos com veados, e também duas novas criaturas: Uma preguiça com um bico, subindo numa árvore, e umas bestas peludas que se assemelhavam à jacarés que estavam andando como bípedes.

Era muito surreal assistir essas criaturas interagirem. Eu não sentia como se eu tivesse jogando um jogo, mas sim como se eu estivesse passando por uma floresta em outra dimensão.

As criaturas me ignoraram pela maior parte do tempo, mas os jacarés atacavam me quando eu chegava muito perto, ou se eu as atacasse primeiramente. Eu sabia que se eu atirasse nelas eu iria ajudar uma das criaturas parecidas com veados á escapar. Fui prensado, mas o confronto era facilmente evitado voando por cima, para o topo da tela.


Após isso, eu tinha que escolher se eu queria jogar os níveis da ampulheta, ou da tela de TV. Escolhi a última. O que eu tive não foi o que eu esperava.


Quando eu apertei o botão para começar o nível da tela de TV como eu normalmente faria, essa tela com uma animação apareceu. Havia também uma música no fundo, que era a música ridícula de Gh1d0ra, que costumava tocar em níveis de Quiz.

Eu estava meio incomodado com isso pois era tudo muito estranho. Eu também achei um pouco assustador pois eu tinha uma camisa que parecia com aquela, quando eu era criança. Após começar a animação, você podia voltar para o mapa apertando qualquer botão.
Após aquilo, eu não tinha o que esperar do resto daqueles ícones. Eu fui para o próximo ícone, da ampulheta. Eu fiquei meio que aliviado quando o atual nível apareceu.

                                            

Era certamente um nível com um jeito heterodoxo. Todo marrom, com instrumentos de medida de tempo flutuando pelo ar e com gigantes relógios de pêndulo no fundo. A música era a mesma que a do mapa.

E bem cedo no nível, eu encontrei algo que eu não esperava ver: Inimigos originais do jogo!


E não era só isso, apareceu uma frota inteira deles. E os tanques amarelos que eram normalmente imóvel, podiam agora se mover. Tomei algum dano, mas não foi nada que eu não pudesse suportar. Mas a coisa mais importante sobre esse nível eram os itens de ampulhetas.

Haviam três delas:
  1. Uma ampulheta azul, que fazia o tempo ficar lento e preenchia o nível com inimigos do passado.
  2. Uma ampulheta vermelha, que fazia o tempo se acelerar e preenchia o nível com inimigos do futuro.
  3. Uma ampulheta verde, que fazia o tempo fica normal e preenchia o jogo com inimigos do jogo original.

Eu encontrei a ampulheta azul primeiro. Como dito, o jogo começou a reduzir a velocidade, e eu vi os “inimigos do passado”, que eram cinco tipos de animais pré-históricos. Eu não sabia muito sobre a pré-história, mas eu acredito que todos aqueles inimigos representavam animais reais.

O nível entrou em outro segmento, e eu encontrei a ampulheta verde, e então lutei com os inimigos originais novamente. Eram os mesmo cinco tipos, então eu não tirei screenshots. Mas no último segmento, eu encontrei a ampulheta vermelha, e os inimigos deviam ser do futuro.

Agora, talvez o jogo estivesse me mostrando renderizações 8-bits de criaturas que iriam existir centenas de anos no futuro da terra, não sei. Mas com esse pensamento em mente, eu achei esse segmento em particular muito nefasto, e era mais tenso por tudo se mover rapidamente.

Um dos inimigos do futuro tinham uma grande semelhança com algo que eu vi em um livro uma vez, chamado “Troodon Man”. Outro parecia como um tipo de espaçonave orgânica.


Então só tinha um tipo de criatura do futuro, que quando apareceu, todas as outras correram por suas vidas, deixando-me sozinho para lutar com ela.

Ela podia vor, mas seu espírito não se movia, e seu único ataque era lançar um relâmpago de sua “cara”. Então, ele era surpreendentemente poderoso, e eu conclui que ele podia ser considerado um mini-boss.


Após eu derrotar aquilo, ele deixou um power-up de vida que restaurou minha vida e energia que eu havia perdido lutando. O que era conveniente! Parecia que eu precisaria de toda ajuda do mundo se eu quisesse passar daquela fase com a Mothra.


Após o estágio anterior que eu chamei de “Time Warp”, o próximo estágio parecia um Lixão Tóxico.
 

Como você pode ver, o lugar parecia chato e inóspito. A música era um looping curto de um sintetizador de ambiente de canções. Ouvindo isso, me fez sentir como se eu tivesse farejado alguns fumos tóxicos, e bagunçou minha cabeça por todo tempo. Eu até pude sentir como se eu estivesse me asfixiando durante esse nível.


Os inimigos pareciam todos mutados em determinado ponto. Na screenshot acima, você pode ver múmias verdes com crânios de pássaros, que pulavam para fora do chorume para cuspir projéteis. Tinha também um monstro vaca-esqueleto com patas de aranha.


Na metade do caminho do nível, eu ouví um dos veados da floresta. Ele estava sozinho, e quando eu percebi, ele estava bebendo suco tóxico de um barril, com uma língua de tamanduá.

Eu estava indo para fazê-lo parar, mas então um bando de pássaros estranhos veio do nada e começaram a atacar.

O veado estava assustado e começou a correr até cair no chorume tóxico. Me senti mal por isso. Um dos pássaros me mordeu, mas reconquistei vida rapidamente, matando todos eles, que eram bem fracos.

Continuei. De todos os níveis em Entropia, esse era provavelmente o mais “normal”, pois tinha um pouco do dever de “Siga em frente, esmague coisas” da fórmula do jogo original.


Encontrei mais criaturas pelo nível, como bolhas com tentáculos, e um tipo de coisa deformada com dentes parecidos com os de um humano. Eu não senti como se estivesse provocando eles para uma luta, então continuei voando pelo topo da tela. Eu ainda tinha que lidar com ocasionais bandos de pássaros de agora em diante.


No final do nível havia um largo, azul esverdeado lago, e lá eu encontrei outro mini-boss. Algum tipo de chefe com um grande pescoço e um crânio de baleia. Atacava com um projétil bocal, e te confrontando. Podia também ir para debaixo d’água e rapidamente emergir de um lugar diferente.

Foi mais difícil de se derrotar que o chefe do Time Warp, e tinha muita vida, pois me levou três minutos para derrotá-lo. Aquilo fez um barulho realmente alto quando morreu, e então voltou para água enquanto eu deixava a tela.

Devolta ao mapa, eu viajei para o ícone de nível que eu não havia visto ainda, que era uma árvore branca. Como eu adivinhei, o nível era um tema recolorido da fase da floresta.


Mas não como na floresta regular, eu não me senti nervoso ao inciar essa fase. Eu acho que a música tinha muito a ver com isso. Era uma canção calma, gentil, quase soava romântica. Era bem acalmante, e a floresta parecia muito menos assustadora coberta em neve.

Viajei pelo primeiro segmento curtindo a atmosfera por quatro minutos, quando eu percebi algo: Eu não havia visto uma única criatura desde que eu comecei o nível. Onde estava todos os animais? Mais tarde, eu deixei a tela, e o novo segmento começou.

No segundo segmento, eu estava ainda na floresta gelada, mas agora não tinha música. Eu estava começando a sentir uma suspeita, mas então me lembrei que haviam outros níveis vazios no jogo que eram como qualquer um desses.

Mas então... ouvi algo familiar. Eram os doze segundos de looping do “INESQUECÍVELMENTE FRIO” que havia começado. Podia sentir meu coração se afogar quando eu cruzei com essa visão terrível.


Havia um grupo inteiro de criaturas mortas, cobertas em neve. Julgando pelo tom azul escuro de suas peles, elas deveriam ter congelado até a morte. Em uma inspeção rápida, algumas partes de seus corpos estavam faltando. Agora eu estava assustado. Mas eu ainda tinha que continuar indo.

Antes de sair desse nível, eu estava esperando ver algum animal da floresta anterior em um estado vivo. E certamente, eu vi.


Era uma criatura bem parecida com a preguiça com bico, exceto por aquela coisa com pelo branco... e também parecia mais um gorila com bico. Andava bem devagar quando eu a ví, mas eu estava bem feliz por ver algo vivo. Seja lá como for, não ficou daquele jeito por muito tempo...


Um monte de jacarés, que deviam ter sentido que algo ainda estava vivo, veio correndo do lado direito da tela. O gorila bicudo não teve chance, enquanto um dos jacarés vieram e arrancaram suas patas traseiras.

Esses “Jacarés do inverno” agiram muito diferente dos seus relativos temperamentais. Enquanto os outros só atacavam enquanto caçavam a presa ou quando provocados, os jacarés do inverno pareciam ter ficado malucos. Eles atacavam tudo em seu campo de vista, um estava correndo e cravando suas garras no nada. Até os barulhos que eles faziam soavam diferente. Mais chiado e enfurecido.


Enquanto eu deixava o segundo segmento, eu vi os dois Raptors lutando até a morte. Ambos cobertos de feridas, e um deles estava cego de um olho. Tirei uma screenshot, mas eu não fiquei para ver quem ganhou a briga.

Eu apenas tinha que passar por mais um segmento antes que pudesse ir de volta para a tela do mapa. Mas nesse segmento, não havia mais a floresta nevada, mas ao invés, uma planície bem simples de grama, com uma lua cinza brilhante no céu. A música passada da primeira parte da floresta de inverno havia retornado.


E imediatamente, eu comecei a sentir pavor. Isso pode soar maluco, mas é a mais pura verdade: O jogo fez esse nível de uma das minhas memórias.

Após uma longa parte de nada, cheguei á um lago. E então a lua se moveu para baixo do céu, e começou á se partir como um ovo. Quando o fez, uma figura humanoide curvada caiu no lago enquanto a lua rapidamente de desintegrava.




Ouvi um “splash” quando aquilo atingiu a água, então um momento de silêncio. Então a tela começou à chacoalhar, e uma nova criatura emergiu da água.


E então fui apresentado para um monstro que eu chamei de “Monstro da lua”. Esse foi a única screenshot que eu tirei, enquanto estava focando toda minha concentração em ganhar a luta. E havia sido a luta mais difícil até agora. Mais forte que qualquer um dos chefes anteriores, essa criatura seria difícil de derrotar com Godzilla, mas com Mothra isso era quase impossível.

Eu acho que eu iria me considerar sortudo que a besta não desferiu alguns ataques como a serra do Gigan, pois se aquilo o fizesse, eu nunca ganharia essa batalha. Eu tinha menos que três barras de vida quando eu finalmente matei aquela abominação.

Mas o que aconteceu após isso, é o que difícilmete eu chamaria de recompensa.

Estive tentando manter minha promessa e suprimir essa memória por anos, mas parece que eu tenho que desabafar. É uma memória muito dolorosa para eu, mas o jogo já sabe sobre isso e eu penso que você também deveria. Irei dizer apenas as partes importantes, pois eu não gosto de trazer essa experiência de volta à minha cabeça à menos que eu tenha.

Quando eu estava no ensino fundamental, eu tinha uma namorada chamada Melissa. Ela sofria de algum tipo de distúrbio mental que a colocava em “episódios”.

Quando ela estava em um “episódio”, ela iria ficar em pé ou sentar perfeitamente ereta e ainda, sua face iria perder qualquer emoção que ela teve anteriormente. Ela iria falar bem claramente, sem pista alguma de emoção. Quando isso acabava, ela começava a tremer e algumas vezes mergulhava sua face em suas mãos, e ficava em silêncio por muitos minutos. Eu não posso mesmo descrever a sensação que isso me dava em palavras, e nem vou tentar. Se você pudesse ver isso em pessoa, você entenderia.

Mas fora isso, ela era uma pessoa muito boa e eu cuidava dela carinhosamente. 

Gostavamos de descansar na grama pela noite e olhar as estrelas. Mas uma noite, ela não me disse nada, ela só encarou diretamente a lua, tremendo. Tentei falar com ela, mas ela derrepente se levantou, e correu para o tráfego. Eu tentei pará-la, mas eu estava muito atrasado. Ela foi atingida por um caminhão e foi morta aquela noite. Olhei para os olhos dela após as rodas passaram pela sua garganta. Aquela visão sempre me assombrou.

Reconheci que o jogo sabia disso pois quando eu derrotei a besta da lua... isso aconteceu.


[Se mate]
[Matar Matar Matar...]


Após... ISSO, o jogo voltou para a tela do mapa. Também eu não podia me estourar de tando gritar, e minhas mãos estavam balançando tanto que eu mal podia segurar o controle.

Eu sabia que o jogo iria me testar se eu continuasse jogando. Mas eu não tinha ideia de que isso iria tão longe. Ou o que o jogo podia ser capaz de fazer o que ele fez. Eu podia sentir meu cérebro se enrolando enquanto eu me perguntava “O jogo leu minha mente? ”.

Não parecia possível. Mas que outra explicação eu tinha?

Parecia que eu não tinha como negar o que parecia óbvio: Esse jogo estava vivo. E não só isso, ele podia estabelecer uma conexão mental com o jogador.

E ainda... eu não podia me convencer a parar de jogar. Eu não sabia se era o jogo bagunçando minha mente, ou uma curiosidade estranha, mas ainda com uma revelação mais óbvia, eu realmente queria ver isso até o fim. Ainda mais que eu eu queria antes de passar de Dementia.

Aterrorizante como isso era, ainda perigoso, eu sabia que se eu parasse de jogar, eu nunca iria ser capaz de parar de pensar sobre isso. Se eu tentasse reiniciar o jogo, ele iria voltar a ser normal. Quantas pessoas já deixaram isso passar batido, algo de primeira mão, sem tirar screenshots da coisa toda?

Fodido como estava, era uma experiência de vida.

Mas também, eu não podia arriscar minha saúde. Eu tinha o controle da TV perto de mim, prestes á desligar a TV em caso de eu cair em perigo real.

E se isso não funcionasse, eu iria puxar a tomada da parede, ou correr da sala.

Certamente, isso seria suficiente.

Seja lá que poderes que “o jogo” tinha, parecia estar confinado com o que mostrava na TV e, seja lá o que a “conexão mental” podudesse fazer. O “depois” foi o que me preocupou. 

Eu ainda não sabia com o que eu estava lidando, então eu não iria subestimar.

Deu uma pausa por alguns minutos para acalmar meus nervos. E então estive de volta ao jogo.

E por falar em TV’s: Tinha um ícone de tela de TV bem embaixo da floresta que eu havia passado, e também a animação era tão bizarra que eu imaginei que eu deveria ver o que iria acontecer. Após experar a mesma animação, e atualmente saiu uma diferente:


Estranho. A música era uma do mapa de Netuno. Combinou, desde que era um homem peixe. Eu não podia fazer mais que admirar o ponto em que as coisas chegaram. Havia mais uma tela de TV, então imaginei que tinha mais uma animação dessas. Eu estava prestes a ver que o que era após eu deixar Entropia.

Mas então era hora de outro nível. O tijolo de ouro era a coisa mais próxima que cheguei, então eu comecei em um “Labirinto de ouro”.


Minha vida e poder estavam cheias. Não sei como ou por quê, mas eu estava feliz de não estar caindo no desconhecido quase morto. Eu também percebi que o mob da Mothra estava encolhido para metade de seu tamanho original.

A música era lenta, uma calma batida de piano, com vocais femininos entrando de vez enquanto. Meio aterrorizante.

O labirinto de ouro era uma anomalia. Não sei se esse nível deveria ser jogado com Godzilla ou Anguirus, pois voar parecia necessário para passar por esse lugar.


Outra coisa que pegou minha atenção era que quando você ia para a esquerda, seu monstro virava e encarava à esquerda. Isso soa estupidamente óbvio, mas no jogo original, você era capaz de se mover apenas para a direita, então, quando você tentava mover seu monstro para a esquerda, seu monstro terminava andando/voando de costas.

Esse nível era aparentemente gigante em tamanho, pois toda vez que eu pensava que havia chegado a um fim, eu voltava aonde eu havia começado e encontrava algo totalmente novo. Coisas como barreiras de lava, novos inimigos e faces de estátuas.




E eu encontrei uma cara de uma estátua em um final sem saída, com um olhar fixo. Na noite em que Melissa morreu, ela tinha uma expressão em sua face que parecia exatamente como essa o tempo todo. Quando ela foi atingida pelo caminhão, ela ainda tinha a mesma expressão. Não pude ajudar, mas senti como se aquilo estivesse me encarando por detrás da tela, quando eu encontrei isso:


Eu realmente não queria me lembrar daquela noite mais, então deixei a estátua o mais rápido que pude. Eu precisava de encontrar a saída de qualquer modo, o que não foi uma tarefa fácil. Senti como se esse nível tivesse se esticado em todas as direções. Eu devo ter vasculhado aquele nível por mais de quinze minutos antes de finalmente ver algo.


Era uma criatura que não era de ouro. Parecia a única de sua espécie no nível.  Despido de quaisquer habilidades de agarrar como as outras criaturas, ele apenas andava para frente e para trás na plataforma.

Mas não demorou muito até que uma máquina voadora planou e a pegou, e então caiu fora com a criatura. A máquina aparentemente não tinha me visto, então eu decidi segui-la, para ver para onde ela estava levando a criatura.


A máquina parou numa sala com um grande caldeirão no centro e jogou a criatura dentro do mesmo.


A criatura foi mergulhada em um buraco de um lado do caldeirão, agora adornada da mesma cor dourada, como tudo. A máquina voou. Eu não estava certo de o que fazer com isso, então eu encontrei a saída um pouco depois.



Quando eu voltei ao mapa, percebi que os chefes não haviam se movido. Um pouco diferente, mas não me incomodou, me faz planejar minha rota por Entropia, facilmente. 

Ainda haviam dois ícones para explorar, os montes roxos e uma versão negra do labirinto.

Só havia três ícones pretos de labirinto (que estavam lotados por chefes). Então joguei os montes roxos primeiro.


Parecia muito com as montanhas verdes/azuis. Os gráficos do nível tinham o mesmo visual “rasgado”, tinha também uma recolorização das nuvens e da lua do lixão tóxico. A música, (se você podia chamar assim) era meramente um ruído de coisas rolando.

Uma das coisas interessantes que eu encontrei foram essas criaturas multicoloridas com grandes cabeças surgindo de uma caverna pequena no chão.


Eles todos faziam um som de chacoalho, e eles caminharam para a direita em um grupo após emergir de uma caverna, me ignorando.

Não havendo outra maneira de ir, eu segui elas em sua rota. Mais e mais surgiram da caverna, até o grupo ter mais ou menos cem criaturas.

Eventualmente, o caminho terminava em um penhasco. Eu estava chocado em ver que após chegar ao penhasco, todas essas criaturas começaram a pular do abismo:



Já tinha visto inimigos pular de penhascos antes, mas eu nunca tinha visto NPC’s cometerem suicídio em massa como isso. Bem incomodante para começar um nível.

Continuei voando sobre vários animais estranhos como esses daqui:


Outro grupo de multicoloridos “cabeças de bolhas” estava pulando para cima e para baixo, apenas para ser pegos por grandes pássaros, o que eu de longe acho que eram versões do Falcão Gigante de Godzilla vs. O monstro Marinho.


Eu derrotei alguns dos falcões na batalha, mas o que mais me incomodou é que esses cabeças de bolha pareciam estar propícios à morte. Se o jogo em si era vivo... acho que as criaturas nesses níveis também eram “vivas”? E tinha vidas muito infelizes, se esse comportamento era uma indicação.

Mas o que os provocava a fazer isso? De volta à minha mente, eu quase suspeitei que a lua brilhante no céu era a razão.

No final desse nível, ainda vi um grande grupo de cabeças de bolha, marchando para um monstro enorme e sendo devorados.


Estava começando a me angustiar, então agi em impulso e atirei um raio ocular no monstro e nos cabeças de bolha. Destruí a caverna.


O monstro ficou nervoso, e correu para os cabeças de bolha restantes para lutar comigo. Ainda que ele debatia e desferia ataques, aquilo era irracional. Mas não era problema para mim.

Eu estava na tela principal agora, pronto para os bosses. Meu plano era ir para Battra, depois Megalon. Antes de poder ver a última animação, eu jogaria o Labirinto Negro antes de lutar com Mechagodzilla. E ultimamente, indo para corrida com aquela besta infernal. Eu estava curioso para ver se aquilo estaria em uma nova forma novamente.

Mas o primeiro vem primeiro. Hora de derrotar Battra.

Como esperado, ele começou em sua forma Larval. A música era da batalha de Varan.


Sempre que o jogo colocava um novo Kaiju com mais de uma forma, a outra forma sempre aparecia. Para um jogo que era meio inexplicável, estava começando a ter consistência e preparação com os novos kaijus.

A luta começou bem simples. A larva de Battra lutou em um estilo similar a Maguma, carregando para frente e para trás e ocasionalmente atirando um relâmpago de seu chifre.

Durante a luta, percebi que as capacidades de luta de Mothra foram alteradas ao meu favor:

1.    O raio ocular dava duas vezes mais dano do que ele daria originalmente, agora eram fortes como os socos do Godzilla. O veneno era similarmente melhorado, e fazia uma grande coisa quando você atingia um inimigo usando isso.

2.    No jogo original, mesmo se a Mothra pudesse voar, ela era incapaz de voar sobre um oponente. Você seria rebatido de volta do mesmo jeito, que você seria como se corresse direto para ele, o que era muito, muito irritante. Mas não mais! Eu podia mudar de direção e voar em volta, o que era uma grande ajuda, pois:


Lutar com Imago Battra é muito parecido com lutar com um clone da Mothra, apesar de que Battra era diferentemente rápido e forte. Não impedia mais como Larva, Imago Battra era um oponente a se temer.


Apesar de eu ter partido o chifre do relâmpago, ela agora tinha um novo, e mais poderoso raio ocular. Battra podia mudar de direção sempre que podia, então sua batalha envolveu um monte de giros e vôos pelo cenário. Foi tudo bem divertido, para ser honesto.

Após eu derrotar Battra eu estava excitado para ver como Megalon seria. Mas a primeira vez que eu fui, foi para os picos roxos, e atirei em um monte de criaturas para power ups.


Sobre o Megalon: Sua música era o tema de Gigan. Fazia sentido, desde que Gigan era seu parceiro de batalha em todos os filmes (e de longe, foi um).

Ele era bem parecido com Moguera, mas mais rápido, e com mais armas. Ele começaria te impulsionando com suas brocas.



Eu gostava de voar para frente e para trás dele, o que realmente parecia o irritar. Após alguns segundos, ele foi para um canto, se virou, e começou a cuspir granadas. Era chato para caralho, pois elas quicavam quando elas atingiam o chão.


Ultimamente, ele começou atirando seu raio do trovão. Então, começou indo para frente, e então foi fácil de me “esconder” embaixo do raio e atirar nele com os raios oculares.


Apesar de tudo, vou descrever ele como forte, persistente, mas idiota.

Eu estava agora chegando ao fim da Entropia. Eu já havia derrotado Megalon, e comecei a assistir a última tela da TV, para ver o que eu teria dessa vez.

O resultado foi desanimador:


A música para essa cena nojenta, era o tema de Password.

Eu não podia imaginar o por quê dessa animação ser tão sinistra e violenta, comparada ás outras duas. O jogo inteiro parecia estar ficando mais malévolo.

Como eu estava terminando Entropia, eu comecei a me sentir... exausto. Era difícil de descrever. Como se eu derrepente tivesse ficado cansado, como eu nunca estive antes. Mas precisamente, era como se toda aquela tensão de tudo que aconteceu nesse jogo estivesse me pegando, mas... sei lá.


O último tipo de nível foi o que eu chamei de “Labirinto Sombrio”. O cenário estava recolorido, de ouro para preto. A música estava de um ambiente mal, parecido com o loop do ESQUECIVELMENTE FRIO, mas distintamente diferente.

A música era meu primeiro sinal de que esse nível estava sendo estressante. Eu viajei pelo labirinto por mais de um minuto, e percebi que não tinha nenhuma criatura andando em volta. Era uma transição estranha do labirinto de ouro, que estava cheio de criaturas. Esse nível não tinha nada. Mas então, talvez, isso devesse ser uma coisa boa. Talvez, não houvessem obstáculo algum e eu pudesse passar por esse nível com facilidade.

Então a tela ficou escura.


[Olhe Atentamente a imagem acima. Olhe bem. ]

E imediatamente, eu foquei fora do meu “alvo” por alguns segundos.

Tudo havia escurecido, então a última coisa que eu pude ver foi a Mothra. Eu não podia dizer aonde eu iria e eu acabei ironicamente correndo pelas paredes. Ouvi um barulho, um som de um corvo correndo pelo corredor.

E junto com a correria, vieram rugidos. Rugidos muito altos, que eu descreveria como um cão coelho do tamanho de um elefante, gritando em fúria. E eu podia dizer que seja-lá o que estivesse fazendo aquele barulho, tinha muitos daquilo.

Eu sabia que havia algo ali, mas não estava até eu fazer uma edição da screencap, que eu tive que tirar para ver com o que meus perseguidores se pareciam:


Mas ainda eu não podia ver onde eles estavam ou para onde eu estava indo. Eu estava literalmente cego, e esses mobs bestas consequentemente me pegaram. Tudo o que pude pensar foi “Não! ”e eu vi minha barrinha de vida rapidamente declinando. Os monstros haviam tomado metade da minha vida, enquanto eu havia salvo. A luz voltou, mas os ataques não.


Então o desafio do nível foi revelado: Encontrar a saída antes das luzes se esvaírem e um monte de monstros querendo sua morte!

Eu estava em modo de pânico agora, movendo o mais rápido que eu podia, enquanto tentava cada caminho que eu podia encontrar como maneira de escapar. Enquanto eu jogava o nível, as luzes se foram num total de três vezes. Na segunda vez, eu seria carne morta se não fosse por uma das estátuas dos olhos esbugalhados:


Enquanto eu estava perto dela, os monstros pareciam desviar-se de mim enquanto a luz voltava. A estátua os espantou, de algum modo. Eu estava seguro enquanto eu ficava perto da estátua, mas do mesmo jeito, eu tinha que encontrar a saída.

O labirinto sombrio foi muito menor que o labirinto de ouro, e apenas levou seis minutos para navegar até o fim. Mas antes da saída, havia um monte de salas guiando para baixo que eram sem saída. Você tinha também a saída dos monstros te pegarem, mas você morreria.

Apenas mais um boss, Mechagodzilla. Eu comecei a batalha, e então tive algo inesperado.


Não apenas minha vida voltou para 100% novamente (parecia acontecer isso aleatoriamente), mas ao invés dos bosses substitutos, eu estava lutando com Godzilla.

Mas qualquer fã de Godzilla entenderia isso. Mecha-Godzilla começava na história como um clone lutador do Godzilla, mas seu disfarce queimava após apenas três barras de vida. 

Normalmente, a transformação apenas aconteceu no ponto exato.


A esse ponto era como lutar com Mecha-Godzilla no jogo normal. Me sinti meio bem por jogar com um dos inimigos originais do jogo. Ainda assim, ele não era assim tão normal. 

Ele tinha também um raio arco-íris e mísseis de dedo. Aquilo não me deixou fazer o velho truque de ficar atrás dele no canto e atirar com raios oculares em um lugar que ele não podia me atingir, mas sempre foi um truque barato, de qualquer modo.


Mas após enfrenta-lo até metade de sua vida, algo estranho começou a acontecer. Seu modelo começou a bugar e, do mesmo jeito que havia acontecido com Gezora naquele primeiro mundo. Após alguns segundos, os glitches começaram a formar uma nova coisa...


E então o jogo havia criado um “Não-Mecha-Godzilla”, e Eu descobri que o bug visual tinha algo relacionado ao jogo criar coisas. A face humana dava um olhar muito estranho.

Era um dos monstros substitutos mais fortes e um dos que tinha mais poder de fogo. Aqui está uma foto de seu raio de boca, no qual eu fui pego.


Ele era mais forte, porém mais fraco que sua contraparte original e não podia pular muto. Ganhei a luta por atirar constantemente fora de sua linha de fogo, bombardeando a máquina com Pólvora venenosa enquanto voava sobre... aquilo.

Mais uma coisa para fazer: A fuga da besta infernal. Ai meu Deus. “Vamos fazer logo isso” foi o que eu pensei:


A caçada final de Entropia terminou sendo exatamente o que eu estava com medo de ser: Um nível de labirinto. Todas as outras corridas, apesar de difíceis, eram exatamente “apenas para frente”. Você apenas tinha que correr para a direita e não ser pego.

Mas esse tirou toda a simplicidade. Nada me dizia o quão grande esse labirinto seria, ou onde a saída estava. E agora eu tinha que também voltar atrás constantemente para encontrar minha saída. Eu também tinha que evitar tomar um, apenas um. SEQUER UM, hit do monstro vermelho.

E naqueles primeiros segundos... Ele não havia aparecido. Mas eu sabia que ele iria quebrar a paz, até que confirmei, quando ouvir um som de batidas altas.

 
E ali ele estava, em uma forma “voadora”. Voava com asas de morcego e era rápido e mais ativo que nunca. Por razões óbvias, escolhi que essa seria provavelmente uma das mais desafiantes de todas as “Fugas finais”, e eu deveria manter o foco no jogo e não tirar screencaps.

Seja lá como for, eu peguei o monstro vermelho fazendo algo que eu achava muito interessante.

Eu ia perder isso indo por um caminho diferente do experado, e isso o bloqueou de me atacar por uma das paredes orgânicas do labirinto vermelho. Ou assim eu pensei.


Tentei me agarrar pela parede por um segundo antes dele abrir sua boca e quebrar a parede toda com garras intestinais.

Mas por um breve milissegundo, o monstro tinha me dado a saída para fugir do complexo. Mas pelo o que eu me lembro, eu subi, e virei para a esquerda. Não estava certo de que caminho escolher. Só havia um, e na cagada, prossegui.

Eu soava intensamente, mas minha sorte me salvou novamente. Eu esperava que isso não acontecesse após eu acabar o jogo. Haviam apenas mais dois mundos para prosseguir. O próximo era o penúltimo mundo. “Extus”:

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Continua...