13/11/2015

Amigo Morto

Era fim de novembro. Os dias pareciam curtos e as noites, longas. Eu havia acabado de zerar Outlast. Era um jogo bem assustador, mas consegui passar das fases tranquilamente.

Depois de jogar o jogo, estranhamente comecei a gostar de jogos de terror. Liguei para meu amigo, Josh, no Skype e perguntei a ele se tinha algum outro jogo bom de terror para mim. Ele me recomendou Amnesia: The Dark Descent e um outro chamado Mortifer. Já tinha ouvido falar muito sobre esse Amnesia, então nem me dei o trabalho de comprá-lo, pois não gostei muito do tipo dele. Entretanto, aquele Mortifer parecia interessante.

Procurei por ele na Steam. Nada. Fui, então, ao meu melhor amigo, o Google. Joguei o nome lá e comecei a ficar com medo só pelas sugestões, que diziam:

Não

Não faça isso

Pare

Saia daqui


Grande erro

Era estranho pelo fato de Mortifer não se parecer nem um pouco com nenhuma das sugestões. Mas eu não apertei Enter. Fechei meu navegador, extremamente assustado.

Liguei para Josh mais uma vez através do Skype para perguntar se ele sabia que isso aconteceria, mas ele não atendeu. O que é estranho, porque ele sempre responde as mensagens. Uma semana se passou e eu não conseguia mais aguentar, estava tentado demais. Não pude evitar. Abri o Google e digitei Mortifer mais uma vez. Dessa vez, não apareceram sugestões. Comecei a pensar outras coisas. Não entendia como eu estava tão assustado com isso. Eu queria parecer um homem de verdade, então apertei Enter.

Logo que o fiz, meu navegador fechou sozinho. Apareceu um arquivo na minha área de trabalho chamado "ResistanceFailed.txt". Fiquei com medo e tentei deletá-lo, mas ele não saía de lá. Eu não queria abrí-lo. Por Deus, não. Desliguei meu computador. Sem sucesso. Desliguei pela fonte... nada. Tirei os cabos da tomada. Nem o computador nem o monitor desligavam.

Enquanto tentava desligar de novo, o arquivo se abriu sozinho.

"Haverá um arquivo em seu computador durante seis dias. Eu vou deixar você deligar seu computador. Contudo, se você não abrir o arquivo nesse tempo... Seu amigo morto te matará durante seu sono."

Merda... Josh! Não, não pode ser. Mas e se ele estiver? Meu computador desligou sozinho. Era de se esperar que sim, com todos os fios fora da tomada.

Toda noite eu tinha medo de dormir, mas eu não conseguiria me manter acordado durante 5 dias. Eu tinha que dormir. Todas as vezes que eu dormia, eu tinha o mesmo pesadelo. O rosto de Josh, com olhos vermelhos e um sorriso demoníaco em seu rosto. Me encarando. Mas o pior? Cada vez que eu dormia, aquele rosto chegava mais perto. Eu não falava com ninguém sobre isso. Eu sentia muito medo.

Era o sexto dia. Sentei na cadeira do meu quarto e fiquei olhando a tela do computador desligado. Coloquei os cabos de volta e liguei. Eu tremia. Não sabia o que ia acontecer. Depois de uns dois minutos, finalmente estava ligado. Loguei no meu usuário e havia um arquivo na área de trabalho chamado "Josh.exe". Abri. O programa pediu permissões de administrador. Cliquei "sim". O programa abriu. Nele haviam dois botões.

Morra

Morra

Não tinha as opções de fechar, maximizar e minimizar lá em cima, como outros programas costumam ter. Cliquei no primeiro botão. Ele sumiu. Cliquei no segundo botão. Este desapareceu também. Pelo que pareceram dias, o programa ficou sem nada nele, só uma tela vazia. Finalmente, ele fechou, revelando algo que me assombrará pra sempre...

Minha área de trabalho mudou para aquele rosto que havia em meus sonhos. Josh com os olhos vermelhos e aquele sorriso. Me encarando. No canto direito, lá embaixo, estava escrito "assinado: Josh", e logo abaixo havia "The Mortifer".

Assim que li as últimas duas palavras, meu PC desligou. Eu estava horrorizado. Não sabia o que fazer. Corri pro banheiro e chorei sentado no vaso sanitário. Levantei e fui até a pia para lavar meu rosto. Me olhei no espelho, que dava vista pro meu quarto.

Josh, com os olhos vermelhos e aquele sorriso puto, atrás de mim. No canto do meu quarto. Olhei pra trás e não tinha absolutamente nada. Olhei de novo no espelho, mas dessa vez... Josh estava do meu lado, respirando no meu ombro. Gritei e saí correndo de lá, corri pra longe da minha casa e fui direto à polícia para contar o que acontecera.

Eles não acreditaram em mim. Ninguém acreditou. Ninguém nunca vai acreditar. Me colocaram nesse manicômio agora. Josh está no outro canto da sala me olhando. Essa é minha última carta.

Não pesquise por Mortifer no Google se algum amigo seu te recomendar. Por favor, se salve. Agora.








P.S.: DESCULPA POR NÃO TER POSTADO AMOGOS <3 tive alguns probleminhas aí e devo postar BEEEEEM pouco por agora, mas depois volto, pessoal


bjs

11/11/2015

Crianças estranhas - Parte I

Em um verão, quando eu era criança, meus pais me mandaram para a casa de meus avós para passar as férias. No noroeste do Pacífico, uma pequena cidade no leste de Mississippi, poderia muito bem ter sido um país completamente diferente. No instante em que saí do aeroporto fiquei impressionado com a umidade opressiva, e me convenci ali de que meus pais francamente me desprezavam.

Naturalmente, a realidade era muito mais amável do que isso. Meus avós eram boa gente, e felizmente eu conheci uma menina depois de alguns dias de minha chegada, e nos tornamos grandes amigos. O nome dela era Jessie. Uma garota local com longos cabelos loiros e olhos verdes - o primeiro par que eu já tinha encontrado. Foi amor à primeira vista. Jessie era um ou dois anos mais velha que eu, mas isso não importava muito para nós.

Jessie era o motivo de eu levantar todas as manhãs - não em um sentido romântico, é claro, mas um muito literal. Claro, meus avós foram muito hospitaleiros, mas eles eram velhos e do sul, com uma visão de mundo tão diferente da minha quanto poderia ser. Eles só não tinham ideia de como me entreter, e eu acho que Jessie era tanto um alívio para eles como ela era para mim, me tirando de suas mãos durante os dias e reduzindo um pouco a minha energia jovem sem limites.

O lugar onde meus avós moravam era cerca de um quilômetro de um lugar chamado Ashbury Wood, e um quilômetro eu caminhava diariamente. Eu sempre encontrava Jessie no caminho, indo pelo mesmo caminho. Em raras ocasiões, ela já estaria na casa dos meus avós quando eu estava saindo, e eu nunca vi onde ela morava. Isso não importava muito para mim, porém, porque a floresta era nosso verdadeiro lar.

Ashbury Wood não era particularmente densa, mas ela parecia continuar para sempre. Jessie me mostrou alguns caminhos em torno dos bosques, trilhas não oficiais para lugares interessantes como clareiras, árvores ocas, ou mesmo apenas um lugar onde um arbusto de aparência engraçada estava crescendo. Nós contávamos um ao outro histórias de nossas cidades natais, imaginando como que a vida seria se um de nós vivêssemos onde o outro viveu. Sempre que fantasiava em ela vir morar comigo, percebia um tom estranho na voz dela, mas eu nunca pensei muito nisso.

Enquanto as árvores eram a nossa casa e playground, nós ainda estabelecíamos limites para nós mesmos. Se nós ficássemos muito tempo sem ver algo que Jessie reconhecesse, imediatamente voltávamos até que estávamos em território familiar novamente. Ela também estabeleceu limites, características importantes que não devíamos passar por uma razão ou outra; décadas mais tarde e o único que posso lembrar é o riacho.

O próprio riacho não havia nada para se preocupar. Era apenas um riacho de água que pode ter vindo até a minha cintura, com os bordas inclinadas em ambos os lados que eram grandes, mas não intransponíveis. A primeira vez que eu o descobri, eu imediatamente me dirigi para baixo e entrei na água, quase pronto para atravessar para o outro lado, quando Jessie gritou atrás de mim: "Pare!".

Eu me virei tão graciosamente quanto um jovem rapaz poderia e olhei para ela. Ela ficou olhando do outro lado do riacho e para a floresta do outro lado. Suas mãos estavam fechadas em punhos e mantidas em linha reta, ao lado do corpo, e eu me lembro de estar preocupado que ela poderia começar a chorar. Eu subi ao lado do riacho, chegando a seu lado.

"Qual o problema?" Perguntei.

"Precisamos voltar." A voz de Jessie era quase um sussurro. Ela parecia apavorada, e olhando lentamente das árvores para mim. "Nós temos que voltar."

Relutantemente, eu concordei, mas só porque eu podia ver como a situação a estava deixando. Como eu disse, a água em si não era tão profunda ou rápida, e não era mesmo tão longe dentro da floresta. Na caminhada de volta eu levantei estes pontos, mas Jessie ficou quieta, me levando a uma pequena clareira nas árvores que usávamos como uma espécie de base para as nossas aventuras. Me sentei e Jessie olhou para a grama por um longo momento antes de falar.

"Dois anos atrás eu tinha uma amiga chamada Emma." Suas mãos estavam enroscadas em seu colo, tremendo. "Nós costumávamos brincar nestas árvores, como você e eu fazemos. E um dia, assim como você e eu, descobrimos aquele ‘rrrio’".

Eu ri; não por causa do conteúdo da história, mas porque eu nunca tinha ouvido alguém pronunciar ‘rrrio’ antes. Sua cabeça se levantou para me olhar nos olhos e eu fiquei quieto.

"Ficamos em frente do que pareciam crianças que deviam ter a nossa idade, mas... eles não estavam bem. Naquela época havia apenas duas: uma delas, com a cabeça pendurada para o lado assim” Jessie deixou a cabeça cair para a esquerda, pendurada. "A outra era realmente minúscula, e as suas mãos e a cabeça eram ainda menores, mais finas que de um bebê.”

"Agora, eu não estou orgulhosa desta parte seguinte, mas não fomos exatamente gentis e doces com eles, se você sabe o que quero dizer." Eu balancei minha cabeça negativamente. Ela suspirou. "Nós inventamos apelidos. Provocamos, você sabe, porque eram estranhas. Emma jogava galhos às vezes." A história teve uma pausa enquanto Jessie sorria para si mesma, se lembrando de sua amiga com carinho.

"Alguma vez elas responderam?", Perguntei, trazendo-a de volta à realidade.

"Não", disse ela, balançando a cabeça. "Só ficavam ali olhando para nós e fazendo esses ruídos estranhos. Emma e eu começamos chamando-as de ‘Crianças Estranhas’. Porque, você sabe, elas eram crianças e elas com certeza eram estranhas como o cão." Corei com uma linguagem tão pesada, mas Jessie não percebeu. "Mas não importava o que fizéssemos para elas, elas nunca atravessaram o riacho. Sempre só ficavam do outro lado, olhando fixamente e rangendo. Nem sempre eram duas. Havia outras diferentes, quatro ou cinco ao todo, eu acho".

"O que aconteceu com Emma?" A direção que a história estava tomando era óbvia, e eu estava ansioso para aprender.

Jessie ficou quieta por um longo tempo, olhando para o chão e distraidamente puxando a grama debaixo dela. "Então, no começo tínhamos medo, certo? As crianças estranhas não eram normais, e nós assustávamos uns aos outros contando histórias bobas de como elas comiamm pessoas e gostavam de correr nuas, apenas coisas estúpidas. Mas com o tempo passando, tívemos cada vez menos medo deles. Chegou a um ponto em que nós estávamos de pé bem do outro lado do riacho, a ponto de eles atravessarem, mas eles nunca o fizeram.

"Um dia, nós estávamos sentadas lá conversando, ignorando o estranho da cabeça como se ele fosse apenas uma outra árvore, e Emma disse algo sobre ele ser muito covarde para atravessar. Nós duas olhamos para ele, e ele apenas... saiu. Virou-se e foi mais fundo dentro da floresta, até que, finalmente, não podíamos vê-lo. E eu provoquei Emma, desafiando-a a seguí-lo, que ela era uma franguinha, se ela não fosse ".

Eu estava ouvindo com plena atenção nesse momento. Para a minha cabeça infantil, este conto-de-garotas-de-terror se assemelhava a uma história de acampamento, ainda melhor pelo fato de que ocorreu a uma pequena caminhada de onde estávamos sentados.

“Juntas, nós atravessamos o lago, porque, assim como você disse, não era tão profundo. Subimos do outro lado e fomos atrás dele. Nós andamos uns duzentos metros antes de começarmos a ouvir o rangido novamente, mas de perto não soava como um rangido. Soava como um... tremido. Eles nos cercaram mais rápido do que estávamos esperando, saindo das árvores como fantasmas. Eu estava congelada de medo. Não conseguia mover nem um músculo, apenas olhava para as crianças estranhas imaginando o que iria acontecer. Então um deles, o da cabeça mole, agarrou Emma e ela gritou e só... foi como se isso me acordasse. Eu corri de lá o mais rápido que pude, praticamente pulei o riacho num pulo só, e corri todo o caminho para casa. Meus pulmões estavam queimando no momento em que eu parei e eu estava chorando muito. As pessoas tentavam saber o que havia acontecido, mas...” A voz dela tinha sumido e eu podia ver as lágrimas brotando.

“Você...?” Eu perguntei. Ela balançou a cabeça, piscando para afastar as lágrimas.

“Me senti culpada”, admitiu. “Me senti culpada por deixá-la e continuei pensando que ela voltaria para casa, que ela estava bem atrás de mim, que choraríamos por causa disso e nunca mais chegaríamos perto daquele maldito riacho.”

“Mas ela não voltou.”

Jessie balançou a cabeça de novo. “Mas ela não voltou”, repetiu. “Ela nunca voltou. Ninguém nunca nem a procurou, porque ela era órfã.Eu não disse nada então ninguém sabia que devia procurar.”

Encarando as árvores na direção do riacho, Jessie constatou: “As crianças estranhas a pegaram. Não sei o que fizeram a ela.”

“Eu... eu sinto muito.” Tentei consolá-la, sem saber o que dizer, mas Jessie já não estava prestando atenção em mim. Ela se levantou, limpou a poeira do jeans e começou a andar em direção à cidade. Eu levantei e fui atrás dela. “ Espere! O que você está fazendo?”

“Casa.”

“Casa? Mas por quê?” A ideia parecia alien para mim – Era o meio do dia, quem gostaria de ficar dentro de casa?

“Não posso ficar na floresta. Não hoje.” Ela fez uma pausa. “Você devia ir pra casa também. Nos encontraremos amanhã de manhã.”

“Mas...”

“Mas nada.” Ela parou e virou para me encarar. “Vá para casa.” Jessie começou a virar de volta, mas uma coisa lhe ocorreu: “E nunca, jamais, atravesse aquele riacho, está me ouvindo?” Eu balancei a cabeça em silêncio e ela estendeu as mãos, agarrando meus ombros e dando um firme aperto. “Diga”, ela exigiu.

“E-eu prometo nunca atravessar o riacho.” Disse timidamente. Ela me encarou nos olhos, como se procurasse em minha alma um jeito de confirmar minha sinceridade. Encontrando ou não, ela finalmente me soltou e partiu, me deixando sozinho na floresta sem nada nas mãos, mas com tempo livre e meus próprios pensamentos. Eu olhei para trás na direção do riacho e das misteriosas árvores além. Havia mesmo algo como as crianças estranhas? Eu sabia que monstros não existiam no Oregon, mas aqui no Mississipi eu sentia como se qualquer coisa pudesse ser real. Além disso, Jessie tinha contado a história com tanta convicção que parecia desleal não acreditar.

Passei o resto do dia na floresta, vagando sem rumo. Parte de mim queria voltar para o riacho, mas real ou não, a história de Jessie me deixava arrepiado de medo. Em um certo ponto eu cheguei perto o suficiente para ver o riacho através das árvores, e eu olhava tão fixamente quanto eu podia do outro lado. Eu queria ver um par de olhos olhando para mim, ou ouvir o rangido que Jessie tinha falado - naquele momento eu teria aceitado um borrão rápido entre as árvores como evidência concreta - mas apesar da minha vontade de acreditar, nada veio para frente para se apresentar. A margem oposta era desprovida de vida, e eu não tinha a ousadia de investigar mais de perto.

Enquanto o céu escurecia, comecei com relutância a longa caminhada para casa, pela a primeira vez durante todo o verão não acompanhado. Eu pensei na história das crianças estranhas, e quase comecei a ficar um pouco irritado com Jessie. É claro que eles não existem! Ela inventou só para mexer comigo, e jogou em uma outra menina, convenientemente órfã, para levar o medo para casa. Eu balancei a cabeça e ri, pensando em como eu tinha sido bobo.

Mais tarde, no jantar, eu comi com uma ferocidade animal. Eu não tinha percebido quão faminto eu me tornaria, sozinho na floresta todo dia pensando, e o frango cozido da minha avó era a coisa mais deliciosa que eu já tinha comido. Foi apenas no meu terceiro prato que eu parei tempo suficiente para fazer-lhes uma pergunta.

"Será que vocês já ouviram falar de alguém perdido na floresta?" Perguntei entre mordidas, interrompendo o silêncio regular das refeições. Eles olharam um para o outro com curiosidade, como se procurassem em sua memória coletiva.

"Não, eu acho que não," finalmente, disse minha avó.

"Não lembro de nada," seu marido concordou. "Por que você pergunta?"

Eu balancei a cabeça, dando outra mordida para ganhar algum tempo para pensar em uma resposta. "Apenas algo que eu ouvi algumas crianças falando," Eu disse a eles. "Alguns idiotas estavam tentando assustar Jessie e me dizendo que uma menina chamada Emma desapareceu."

De repente, os olhos de minha avó se iluminaram com o reconhecimento. "Você sabe, eu não ouvi nada sobre isso, mas eu me lembro de uma menina sendo aterrorizado por essas árvores." Ela assentiu com a cabeça, pensativa sobre uma colher de milho. "Sim, foi há alguns anos que uma menina veio aos prantos da floresta como se o próprio diabo estivesse nos seus calcanhares, gritando e chorando. Eu não me intrometi por causa do pai dela pedindo que as  pessoas deixassem sua filha sozinha, mas eu ouvi que a menina não ficou bem por algumas semanas, apenas sentando em seu quarto e não falando com ninguém." Ela estalou a língua e deu outra mordida no milho. "Só Deus sabe o que aconteceu com essa menina, mas a algo assustador a chocou."

De repente, senti um terror em meu estômago, como o sentimento que você começa assistindo uma gravação de si mesmo só para ver algo terrível pairando apenas fora de sua vista, algo que você nunca soube que estava lá. Será que isso significa que as crianças estranhas eram reais? E se estivessem me observando enquanto eu entrava no riacho?
"Então, você nunca descobriu o que aconteceu?" Eu perguntei hesitante, sem saber se eu queria a resposta. Vovó apenas balançou a cabeça, e nós três continuamos a comer em silêncio. Vovô trouxe um jogo de beisebol que tinha visto na TV mais cedo naquele dia e eu fingi interesse, o melhor que pude, mas eu não estava completamente lá. Minha mente estava de volta na floresta naquele riacho, inspecionando cada polegada quadrada de minha memória por um sinal de algo mais.

O sono não veio fácil naquela noite, e quando dormi tive pesadelos. Pensamentos das crianças estranhas rastreados pela minha mente, me trazendo de volta para o riacho. Olhando mais profundamente dentro da floresta, vi dezenas de pares de olhos olhando para mim, lentamente balançando para frente e para trás como se estivessem avançando para mim. Meu eu no sonho estava paralisado, incapaz de fazer qualquer coisa, mas ver como os monstros saíram das sombras. Aquele que Jessie havia descrito, com a cabeça mole para o lado, liderava o avanço se arrastando. Como um grupo, as crianças estranhas rastejavam para dentro do riacho, arrastando membros quebrados e carne dilacerada por trás deles, cada um deles rangendo por vez para criar uma cacofonia horrível de ruído que encheu meus ouvidos e deu à luz em minha alma, olhando fixamente os olhos famintos do líder de cabeça mole enquanto ele estendia a mão para me arrastar para baixo!

Acordei gritando. O barulho ainda tocou em meus ouvidos e, juntamente com o meu pânico, me fez debater contra meus cobertores como se eles estivessem tentando me engolir. Eu caí no chão com um baque duro. Meu avô entrou na sala e minha avó estava logo atrás dele.

"Você está bem?" ele berrou, ainda cheio de adrenalina, embora ele estivesse começando a perceber que não havia ameaça. Envergonhado, chutei os lençóis de cima de mim e me levantei.

"Sim, só um sonho ruim", eu murmurei. Quando eu recobrei meus sentidos, eu percebi que o barulho que eu tinha ouvido era o som das cigarras enchendo a sala, transmitindo as suas chamadas de acasalamento para o mundo. Rindo do excesso de zelo, meus avós me levaram lá embaixo para o café da manhã, que eu aceitei prontamente.
Naquela manhã, eu andei todo o caminho para a floresta sem Jessie. Eu ficava na beira do caminho olhando para trás na estrada, tentando ver a sua figura, mas ninguém estava lá. Suspirando, eu andei todo o caminho de volta para minha casa, em seguida, para a floresta novamente. Não havia nenhum sinal dela.

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Continua...


10/11/2015

Pedido de Desculpas e Retorno do CPBr!

Bom gente, estou aqui pra conversar com vocês em relação a um assunto "um pouco" sério: O blog.

Falo por todos que fazem parte para a contribuição deste blog quando digo o seguinte: Sentimos muito. O blog tem ficado abandonado nesses últimos meses que passaram. O layout nunca ficava 100% pronto e muitas pessoas estavam com problemas em relação ao mesmo, a frequência de postagens diminuiu exorbitantemente, e quando tinham postagens, não eram de creepypastas, que é o que todos vocês querem ler aqui, mas sim, videos. Tudo isso fez com que a qualidade e os acessos do blog caíssem de uma maneira que eu sinceramente, desde que criei o blog em 2011, nunca imaginei que poderia acontecer. Ficou tudo uma bagunça. Os comentários eram escassos, e na maioria das vezes, se tratavam de criticas dizendo como havíamos decaído em relação a qualidade.

E alguns de vocês devem estar pensando que estou citando tudo isso como base pra jogar aqui algum argumento pra tentar se defender, dizendo o quanto esses comentários são babacas e o quanto estamos certos... Mas não é. Fizemos merda mesmo, e nunca tive medo de admitir isso em todos esses anos que estamos aqui. É exatamente por isso que não tiro a razão de comentários como esses:



Sabe, esses não foram os únicos... Pra falar a verdade, isso não chega a dar nem 1 terço dos comentários que recebemos desse tipo, e olhando pra trás, não estão errados. É muito triste pra mim, pra Divina, que estamos aqui desde o começo, ver onde o blog chegou.

As vezes, é necessário cair pra se reerguer novamente.

E é exatamente por isso que decidimos dar um reviravolta nas coisas.

Primeiramente, voltamos ao layout antigo do blog. Chegamos a conclusão de que as vezes, o clássico/simples é bem mais recebido do que qualquer outra coisa. Nosso layout clássico, era um layout que funcionava. Era simples, bonito, organizado e tinha seus recursos, além de ser super fácil de consertar probleminhas técnicos ou adicionar novas funções a qualquer hora. Por isso, decidimos traze-lo de volta (juntamente com os recursos que haviam sumido, como a playlist de musicas, o numero de acessos totais do blog e o sistema de comentários, por exemplo), com alguns upgrades novos aqui e ali, como o fundo novo (desta vez, qualidade melhorada), logo novo, menu superior, entre outras coisinhas que você pode notar. Inclusive, agora, será mostrada sempre a postagem completa, e não um "preview", como era antes. Ou seja, você não precisará clicar no titulo e ser redirecionado pra outra pagina pra ler qualquer tipo de postagem em especifico.

Isso tudo que eu citei já é um ótimo recomeço pro blog, mas não significaria nada se não trouxéssemos o conteúdo adequado pra vocês. Isso mesmo, iremos voltar com as creepypastas, que sempre foi o foco desse blog em primeiro lugar. Não faremos mais postagens de vídeo por aqui. Foi exatamente por isso que criei, na aba direita do blog, um espaço dedicado especificamente a isso: CREEPY VIDEOS, MALDIÇÕES E REAÇÕES e DIGNÍSSIMO SENHOR SIMPLÓRIO. Esses são os tipos de videos que tem tudo a ver com o blog, e serão atualizados sempre que tiver um novo vídeo destes respectivos gêneros. Se você se interessa e acompanha os videos por aqui, então fique de olho por lá, pois será atualizado frequentemente, mas as postagens serão exclusivamente ao que todos estão aqui pra ver: CREEPYPASTAS! Sejam elas de Mindfuck, Video-Games, Rituais, Episódios Perdidos, Série Especificas, tudo voltará a ser como era antigamente, pois assim, você poderá acompanhar tanto pelo seu computador/notebook, quanto pelo celular, pois o sistema por celular também voltou ao padrão antigo (não esquecemos de vocês, podem ficar tranquilos).

Falando ainda sobre a aba lateral direita, temos todas as categorias e séries, divididas cuidadosamente pra que fique de fácil acesso pra todos, e o arquivo do blog, que facilita muito a navegação se você está interessado em ler alguma postagem mais antiga, por exemplo. Tudo está separado por ano e data, é só clicar na seta do lado delas pra ir expandindo e localizar o que procura.

Bom gente, por ultimo, vou falar sobre as parcerias e Creepypastas dos Fãs. Vamos voltar com esse sistema de parcerias, só precisamos ver como que vai funcionar, pois já temos o menu na aba superior contendo um link redirecionando para todos os parceiros atuais do blog, só que precisamos dar uma arrumadinha lá, pois tem muitos parceiros que não existem mais ou que estão com o banner desatualizado ou fora do ar, por exemplo. Isso veremos aos poucos, mas qualquer coisa, manda um email pra gente com seu banner e link de seu blog, que damos a resposta pra vocês assim que possível, okay? Nosso endereço de email é: creepypastabrasil@hotmail.com.

E finalmente, as Creepypastas dos Fãs... Iremos voltar a postar sim. Com que frequência, você pergunta? Bem, não sabemos. Talvez todos os domingos, ou nos dias que não tiverem postagens no blog (algo que prometemos que raramente irá acontecer aqui novamente), mas tem uma questão nisso tudo: A gramatica. Como são muitas creepypastas que mandam pra gente (centenas, praticamente), é muito difícil pra que a gente pegue uma por uma e dê um jeito em todos os erros de gramatica, erros de concordância, etc, pra que não fique, digamos, uma postagem de qualidade meio duvidosa aqui. Então, vamos chamar alguém pra ficar responsável disso: Filtrar tudo no nosso email, analisar e corrigir as creepypastas dos fãs e deixa-las prontas pra postagem, assim não teremos esse probleminha. É importante citar também que todos que mandaram suas creepypastas pra gente, terem ciência dessas alterações em suas histórias, caso ela venha a ser postada futuramente. Não se preocupe, seu nome e seus créditos continuará sendo colocado no final de cada história (até porque não faria sentido não colocarmos, além de ser muita filha da putagem), só estejam cientes de que essas coisinhas serão corrigidas, além de possivelmente algumas alterações pra que a história faça mais sentido, entre outras coisas. Só pra deixar claro, isso não acontece com todos que nos mandam suas histórias, mas acontece com uma boa parte sim.

Bem, dito isso, se estiver interessado em cuidar dessa parte e fazer parte de nossa equipe, manda um email ou uma mensagem na nossa fanpage do facebook que entramos em contato com você, okay?

Bom, gente. Falei demais. Espero que não tenha esquecido nada. Pedimos desculpas mais uma vez por tudo que aconteceu nesses últimos meses, e garantimos que as coisas serão bem diferentes daqui pra frente. Comentem ai o que acharam, deixem suas sugestões, criticas, opiniões, enfim, não preciso nem dizer o quanto isso é importante pra nós, pois tudo isso, toda essa reestruturação e reinicio do Creepypasta Brasil, tudo só está acontecendo graças a vocês.

Dito isso... Abração & Keep Creepying! \o/

19/10/2015

Central de Atendimento

Pensamentos sobre a comida tailandesa do restaurante perto do prédio ficam desordenando minha concentração, enquanto a hora do almoço se aproxima. Ninguém faz reservas de hotel em Dezembro. Até agora, praticamente todos os quartos já foram agendados e as melhores taxas são só uma memória de Verão.

Ainda assim, há sempre uma oportunidade para uma reserva de última hora, então eu esperei, pronto, para qualquer coisa parecida com uma chamada.

Dois toques sinalizam uma chamada recebida. Olho para o relógio. "É claro, pouco antes de eu sair," eu penso.

Colocando a minha melhor voz de atendimento, respondo a chamada.

"Obrigado por ligar para a central de reservas esta tarde. Como posso ajudá-lo?"

"Estou na recepção das Torres e eles dizem que a reserva tem um problema" a mulher explicou, com uma pitada de desespero. Esquecendo da proximidade do almoço, eu salto para a ação.

"Sinto muito pelo problema. Por favor me diga o seu nome e o local que você reservou a estadia. "

"Eu sou Sandra Henshaw e eu vou ficar na Bainbridge Torres e Resort", ela respondeu.

Incerto da localização, eu faço uma busca rápida no computador.

"Você tem certeza que o local que você esta hospedada é um dos nossos hotéis? Eu não consigo encontrá-lo no sistema."

"Eu liguei pro número fornecido pela recepção", seu tom se afia.

"Onde está localizado o hotel?" Eu consulto.

"Montserrat, é no Caribe."

Eu procuro novamente, por qualquer hotel na região, em uma tentativa de justificar o meu salário. A notícia não está ficando melhor. Neste momento, só posso esperar que ela seja misericordiosa.

"Nós não temos hotéis da região, senhora Henshaw. Como obviamente houve algum mal-entendido permita-me direcioná-la para o atendimento ao cliente, onde vamos tentar encontrar uma solução para sua estadia esta noite. "

"Você não pode estar falando sério. Fiz essa reserva ja faz..."

Agarrei os meus fones de ouvido quando um poderoso estrondo ricocheteou em meus tímpanos. O que quer que tenha causado aquele barulho interrompeu a linha deixando apenas um tom baixo de discagem constante. Eu rapidamente checo minha audição, colocando de volta meu equipamento em tempo para atender a próxima chamada.

"Obrigado por ligar para a central de reservas esta tarde, Como posso ajudá-lo?"

Minha voz parece distante enquanto eu me esforço para me concentrar na resposta do cliente.

"Isto é claramente inaceitável", começou a voz do homem cheio de intenção e autoridade, antes de continuar em detalhe. "Tenho ficado nas acomodações da sua empresa por quase duas décadas. Esta é a única vez que eu chego só para me informarem que a reserva não foi concluída corretamente. Eu voei uma grande distância e passei por várias ilhas. Você poderia por favor apenas me colocar no meu quarto ?! "

"Senhor, você está tentando fazer o check in na Bainbridge Torres e Resort?", perguntei, temendo o início de um épico trabalho burocrático.

"Sim estou. Eu vi o comercial para a abertura durante o finale de Friends no ano passado e decidi fazer essa reserva em um capricho. Minha família estava ansiosa para um refúgio de verão ", continuou ele - claramente frustrado por ter que se explicar.

"Uhm senhor, que época do ano que você disse que era?", Eu perguntei enquanto meu cérebro começou a procurar defeitos no que ele me disse.

"Hoje é 18 de julho e, em vez de relaxar à beira da piscina com os meus filhos estamos atualmente em pé no saguão de um hotel em um país estrangeiro sem lugar para ficar. Você precisa corrigir isso ", disse ele elevando lentamente a voz.

"Bem, de acordo com o meu computador eu.."

"Eu não ligo para o que o computador diz. Seja criativo e pense em alguma solu-..." o fim abrupto de sua voz foi seguido por outro rugido ensurdecedor de rolamento através do meu headset. Meus dedos vibravam enquanto eu os usava para proteger meus ouvidos, reagindo rápido o suficiente neste momento para evitar o mesmo zumbido que tocou nos meus tímpanos na última vez.

Nessa segunda ligação, eu detectei gritos angustiados de uma multidão em pânico. Era abafado, mas eu pude ouvir dezenas de vozes clamando por ajuda.

Alguém na distância estava proporcionando tranquilidade e depois o silêncio engolfou a linha.

Me esforçando o máximo para processar tudo, eu atendi a próxima chamada em instinto. Foi apenas no meio da reclamação do cliente que eu recupero o foco ao som da frase "Bainbridge Torres e Resort."

"Senho….?"

"Geraldine".

"Senhorita Geraldine, existe algum tipo de acidente ocorrendo no lobby? Qualquer coisa que soe como explosões infernais. "Eu pergunto, sabendo muito bem como o pedido de informação soa para uma pessoa racional.

"Não, e isso é algum tipo de piada?"

"Acredite em mim, senhorita Geraldine. Eu gostaria de poder dizer que eu estou brincando. Tudo o que sei é que eu tenho recebido telefonemas de vários hóspedes do hotel onde está hospedada. Nenhuma reserva está correta e a linha fica sendo desconectada devido a algo que soa quase como uma explosão no fundo. Mas, se está tudo bem, então deve ser uma falha no equip-- "

Desta vez eu ouço os gritos alguns segundos antes que o estrondo engolfe o alto-falante. Choque, terror, e preces de salvação preenchem a linha que eu escuto, impotente.

Minha dormência só é interrompida por outra voz no final da linha quando a chamada começa de novo.

"Alô? Alô? Tem alguém nesta linha? Eu estou preso no meu resort devido a um erro de reserva. Existe alguma coisa que - "

Eu interrompo o senhor idoso do outro lado da linha. "Saia das Torres Bainbridge agora. Você precisa procurar abrigo imediatamente! Algum tipo de desastre está prestes a ocorrer! "

"Onde posso ir? Eu não tenho nenhum quarto em qualquer lugar. É por isso que eu estou te chamando. Que grande abertura que vocês tem aqui,hein? Nada além de dezenas de pessoas incapazes de fazer o check-in, correndo pelo lobby atrás de qualquer telefone que possam encontrar ", disse ele.

"Não, você não entende. Eu preciso que você fuja do hotel imediatamente para sua própria segurança. Alguma coisa vai acontecer com todos. Diga a todos para sairem, agora! "eu implorei.

"Agora veja aqui, eu tenho 82 anos. Quão longe você acha que eu posso corre-..."

Mais uma vez, a linha corta em uma confusão aterrorizante. Mais uma vez, eu não posso ajudar ninguém. Mais uma vez, eu escuto as súplicas daqueles ao redor do senhor. Novamente, eu pego o telefone.

"Você está nas torres Bainbridge?"

"Não de acordo com o balcão de reservas", responde um homem mais jovem e confuso.

"Saia daí, agora. Diga à todos para fugirem e salvarem suas vidas antes do que quer que esteja acontecendo, atinja o hotel! "em desespero minha voz está exigindo a atenção do rapaz. Só depois é que eu percebo que isso vai contra a etiqueta que tenho que seguir.

"Eu não me importo com quem você pensa que é, mas eu reservei uma suíte do pacote de lua de mel e não vou tolerar esta ocasião a ser marcada por sua grosseria. Eu preciso que você - "

Eu desligo o telefone e defino o computador para parar de receber chamadas.

Eu fecho meus olhos e me pergunto quanto tempo o senhor ficou boquiaberto diante da minha insubordinação antes de ser tragado por seu destino de fogo.

Talvez sua noiva só chegasse mais tarde e ela ainda estivesse bem. Talvez, eu só esteja estressado e precise de uma pausa.

Eu saio para o almoço um pouco cedo do que o normal e imediatamente me arrependo de minhas ações quando vejo minha chefe passando.

"Eu estava querendo falar com você hoje."

Minhas veias congelam, esperando que ninguém tenha acompanhado o meu último lote de chamadas.

"Você é o novo aqui, não é?" , ela disse. "Eu esqueci de avisá-lo sobre um dos nossos casos... anuais", disse ela em tom de desculpa. "O dia 13 de dezembro é sempre cheio de chamadas das Torres Bainbridge. Eventualmente, você aprenderá a apenas colocá-los em espera e dizer-lhes que alguém está no caminho para ajudá-los.”

"Espere", tentando equilibrar alívio, medo e aborrecimento, eu perguntei: "Então, tudo isso foi apenas um trote? Quer dizer que todos estão rindo à minha custa? "

"Você não entendeu bem", disse ela. "O dia 13 de dezembro é sempre quando recebemos as chamadas de 18 de julho de 1995. Foi quando o nosso hotel em Monserrat foi perdido devido a uma explosão de um vulcão que se acreditava estar dormente. Não há nada que possamos fazer para ajudá-los, a não ser fingir que estamos direcionando-os para o serviço ao cliente. "

Sem saber se eu realmente acreditava na sua explicação, sentei-me atordoado.

"Oh, e você não tem amigos ou família em qualquer lugar chamado Nevada,não é?

E você não está planeja estar nessa área em torno de Outubro de 2023 ou 2024,né ?. Essas conexões não são tão boas, então os detalhes são um pouco confusos ", disse ela com naturalidade.

"Porque? O que acontecerá nessas datas?", Perguntei, permitindo que a minha curiosidade mordesse a isca.

"Trabalhe no dia 23 de fevereiro para descobrir, ou não. Eu recomendo fortemente que não.“ Ela disse, sem olhar para trás enquanto voltava para seu escritório.

Enquanto eu vou para o restaurante de comida tailandesa, eu faço uma nota mental para usar qualquer tempo de férias que eu tiver, no dia 23 de fevereiro.

17/10/2015

Confiança

Abro meus olhos e olho para o teto. Estou preso em uma cadeira, não posso me mover. Alguma espécie de cinto está prensando minha cabeça no lugar para o encosto me forçando a olhar apenas para o teto. Eu movo meus olhos para baixo, posso ver o rosto de outro homem aqui.

A cabeça dele também esta amarrada. Seus olhos não param de se mover para esquerda e à direita, ele está lutando para tentar se libertar. Eu também tento me libertar, sabendo que seria inútil, mas continuo tentando de qualquer maneira. A cadeira esta parafusada no chão. O homem está muito perto de mim, se pudéssemos avançar, nós provavelmente poderíamos nos tocar. Eu estou com medo. Eu não tenho nenhuma idéia de como isso pode acabar.

- Hey - eu disse - você sabe o que está acontecendo aqui?

- Não! Fui dormir e acordei amarrado nessa porra de cadeira com algum babaca na minha frente, que aparentemente, na mesma merda situação

Pergunta estúpida, eu suponho - Você pode mover outra coisa além de seus olhos e boca?

– Que merda, só consigo mover meus dedos dos pés e das mãos.

- Ok, ok, Parece que estamos presos aqui até que quem fez isso decida decida explicar o que esta acontecendo. Qual é o seu nome?

-Mike.

- Eu me chamo Chuck – Eu estou curioso sobre esse homem. Por que eu e ele estamos presos aqui? Talvez ele mesmo que me prendeu nessa cadeira - Você pode pensar em qualquer motivo para você está aqui? Você machucou alguém? Roubou de alguém? Alguma coisa?

- Porra cara, eu nunca fiz nada - ele grita – Duas multas por excesso de velocidade e nada mais. Você acha que alguém iria pelo menos dizer por que eles sequestraram você?

-Eu não consigo pensar em nenhum motivo também - eu digo com sinceridade.

Eu olho para ele, para ver se reconheço ele de algum lugar. Mas nunca vi ele em minha vida. – Mike, você me reconhece de algum lugar?

- Eu acho que não.

- Somos dois desconhecidos estranhos e inocentes. Eu acho que é apenas coincidência. Mas para quê?

Eu olho em volta o tanto quanto eu posso. O teto é alto e eu não consigo ver nenhuma parede. Existe um foco de luz de alta sobre a cabeça nos iluminando. Todos os meus dedos podem sentir são as bordas do braço. Eu não posso ouvir nada além da minha própria respiração e as tentativas de movimentos de meu novo companheiro. Porquê motivos estamos aqui? É alguma espécie de tortura?

Algum psicótico nos trouxe aqui? Seja qual for a resposta, eu prevejo que isso não vai acabar bem. Espero que eu esteja errado.

Eu olho de novo para ele. Ele também está olhando para mim, em pânico, a boca aberta e ofegante.

Eu movo meus braços o máximo que eu posso.

- Parece que tiras ou algo está mantendo meu braço esquerdo e bandas de metal estão em torno de meu braço direito.

-Mas que porra? O que eles estão querendo...

Um barulho alto começou a sair das caixas de som que estava no local. E uma voz retumbante começou a falar.

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- Boa noite senhores. Eu quero jogar um jogo. Até agora, naquilo que você chamam de vida, confiar nas pessoas foi sempre um grande problema pra vocês. Mike e Chuck Vocês agora fazem parte do meu joguinho. Entre vocês dois há uma mesa. E nessa mesa há uma arma carregada. Daqui alguns minutos o dispositivo que prende o braço direito de vocês ira liberta-los. O primeiro a pegar a arma e matar o outro vai ganhar como prêmio a própria liberdade. O outro será eliminado e você nunca vai ser incomodado novamente. Se nenhum de vocês disparar a arma dentro de cinco minutos após seus braços forem livres, uma corrente elétrica letal será enviado através de suas cadeiras e ira matar os dois, muito dolorosamente na verdade. Que o jogo comece.

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Silêncio. Eu realmente não sei mais como isso pode acabar.

- Que porra é essa, Chuck?

- Eu acho que nós vamos ter que esperar. Talvez eles querem que a gente comece a conhecer o homem que temos que matar.

- Eu não quero matar ninguém! Mas eu com certeza não quero morrer!

- Bem, você prefere me matar ou morrer? Essa é a pergunta importante! A sua vida vale mais a pena que a minha? Você poderá viver sua vida, sabendo que você matou alguém pra continuar vivendo

- Não.... Eu prefiro morrer do que matar alguém, mas eu prefiro viver e sem precisar matar ninguém.

- Eu penso da mesma forma Mike, mas a menos que você acha que possamos desatar o nó em cinco minutos com apenas uma mão ...

Ele ficou em silêncio por um momento, depois começou a sussurrar.

– Não sei? E se conseguisse?

- Certo. Mas como podemos saber se teremos mesmo cinco minutos? Como eu posso confiar em você? Se quando eu estiver quase me soltando, como eu saberei que você não vai com a arma?

- Como eu disse! Eu prefiro morrer do que matar alguém. A melhor escolha que podemos fazer é tentar trabalharmos juntos para sairmos vivos juntos.

- Eu acho que é a única maneira de não nos tornarmos assassinos. - Eu sorrio, mesmo que ele não possa me ver - eu confio em você, você pode confiar em mim também.

Então, esse é o nosso plano, vamos tentar nos libertar e espero que possamos fazê-lo em tempo. Eu não vou tentar pegar a arma e acho que Mike também não ira tentar. Eu começo a bolar uma tática para me soltar. Com um braço livre com certeza será possível soltar o outro braço. E com as duas mãos livres fica mais fácil para soltar o cinto que prende minha cabeça.

- Parece que há três tiras em cada membro, uma na cabeça, um em meus ombros e uma volta da minha cintura.

-São doze tiras no total, cinco minutos é mais que o suficiente.

Vamos esperar.

- Então, você tem uma família Chuck?

- Não, não realmente meus pais estão por perto e eu vejo de vez em quando. Eu tenho apebas alguns amigos, mais nada. E você?

- Eu tenho uma namorada e um filho, e o resto da família. Eu realmente quero voltar a eles. Eu consegui um novo emprego e estou me preparando para comprar minha própria casa. As coisas estavam indo muito bem. Que merda cara! Por que isso tem que acontecer logo agora?

- Por que isso esta acontecendo com a gente? Por que as pessoas gostam tanto de morte?

A vida de alguém como eu contra alguém como ele não parece justo. Eu ainda quero viver apesar de tudo. Eu não quero matá-lo, mas eu não vou me oferecer como um sacrifício para que ele possa viver.

A única coisa que uma pessoa razoável faria é o nosso plano. Nós conversamos por um tempo. Ele me disse sobre onde ele cresceu, o que ele faz para ganhar a vida, como ele conheceu sua namorada, sobre o quão maravilhoso é seu filho. Eu falo sobre algumas coisas, a escola, os amigos, os meus planos na vida. Depois ficamos em silêncio por quase uma hora. Ainda assim, nada aconteceu.

-Ei! Vamos lá! Nós vamos ficar aqui o dia todo?

Nenhuma resposta, apenas o silêncio.

Mike está tremendo, nós dois estamos assustado com o que possa acontecer

- Eu quero ver meu filho novamente. Eu quero sair daqui.

-Mike, apenas relaxe. Pense em como você vai sair daqui, pensar em como livrar o outro braço, a cabeça, o peito, as pernas.

- Tudo bem, tudo bem. Estou bem - Ele não parece bem.

Vamos esperar mais um pouco. Toda vez que eu olho para baixo, Mike parece pior. Eu tento falar com ele, para distrai-lo, mas ele não vai falar de volta. Eu espero um pouco, imaginando nós dois ja livres desse jogo maldito. Ao olhar para ele, parece que eu estive aqui por anos, aqui sentado, olhando para esta mesa. Eventualmente, ele começa a resmungar, mas posso ouvi-lo.

- Não sei se esse plano pode dar certo.Quem nos prendeu aqui poderia estar do lado de fora pronto para nos matar assim que sairmos. Eu nem sei onde estamos. Poderíamos estar no meio do deserto ou na Antártica. Aqui esta tão escuro que poderia haver mais alguém na sala apenas observando e poderia ter escutado o tempo todo e sabem o que pretendemos fazer. Eu nem sei o que está me segurando. Alguém tem que morrer e isso com certeza não serei eu.

-Mike, Mike, Mike foco. Concentre-se em sair. Ninguém tem que morrer. Eu sei disso. Você tem que saber disso também. Doze correias, é só isso. Sairemos vivo ok?

*Clique.*

Contenção é liberada. Eu levanto o meu braço direito para o cinto que está na minha cabeça e começo a tentar me soltar.

Vejo Mike chegar do outro lado da mesa, eu sei que não posso alcança-lo

- Desculpa Chuck, eu tenho uma família. Eu tenho mais para viver do que você!

- Não faça isso! Ainda há tempo! Não volte para sua casa como um assassino!

- Foda-se.

O cinto na minha cabeça é solta, eu olho para baixo rapidamente. Sua mão esta estendia para mim apontando a arma. Então ele atira. Não há balas.

- Cinco anos - eu digo enquanto me levanto, ele fica surpreso ao ver que eu nunca estive amarrado. Eu estendo a mão para o interruptor da matança - Cinco anos com as pessoas mais diferentes possíveis! Mas todos chegam até a arma!

12/10/2015

A Garota

Essa é a história de uma garota. Porém, ela não é como as outras. Ela é, à primeira vista, a garota mais bonita e atraente que você vai conhecer. Ela tem todas as qualidades que um homem pode querer, ela tem um corpo magnífico e uma personalidade encantadora; senso de humor, um bom coração e é extremamente inteligente.

Existe apenas uma maneira de fazer essa garota ser sua, e você deve seguir os passos de forma precisa. Pode parecer simples, mas é muito mais assustador do que qualquer homem anoréxico e alto que você pode encontrar algum dia em uma floresta escura.

Não... Essa garota é diferente. Existem oito passos que você deve seguir precisamente para fazer com que ela seja sua. Tão precisamente que eu aconselho você a ter essas instruções por perto sempre.

Primeiro: Tenha certeza de que é ela. Você não vai querer ficar usando técnicas místicas que achou na internet com uma garota qualquer que era apenas “bonita”. Ela geralmente passeia calmamente nas ruas, parando em frente a floriculturas, ou lojas de bijuterias, mas apenas zombando; no fundo ela sabe que nenhuma possessão material alcançará o valor dela. Essa garota vai aparecer nas formas que citei anteriormente... Ela muda a cada homem (ou mulher) que conhece... Se adequando aos desejos e interesses de cada pessoa que a vê. Até a idade dela vai ser compatível com a sua; a própria Afrodite perderia.
Ela estará vestindo – independente da estação – uma blusa azul e um jeans preto. A roupa não tem marca, e ela também estará usando brincos de diamante e um bracelete com diversas cores estampadas nele.

Segundo: Aproxime-se dela de forma confiante, isso é crucial, e eu não quero dizer isso no sentido de “você vai morrer se não fizer essa porra direito”, mas é possível que ela te dispense.  Todas as mulheres gostam de homens confiantes (não o suficiente para se tornarem idiotas, apenas confiantes), então, ela vai simplesmente te encarar e esperar por suas primeiras palavras. Você deve dizer exatamente isso: “Eu estou atrás da parceira perfeita, você aceita minha proposta?

Se ela aceitar, ela vai apenas responder: “A proposta foi aceita. O iniciamento deve ser feito em [Local que ela escolher], 8 da noite.”

Se ela não quiser, ela vai apenas te rejeitar... E se ela te rejeitar, você nunca mais será capaz de vê-la passeando pelas ruas. Ela vai deixar sua vida completamente, porque apesar de você achar que a escolheu, ela que escolheu você. Então, você passará o resto da sua vida observando outras garotas que nunca chegariam aos pés dela, vivendo uma vida de arrependimento, depressão e autodestruição.

Terceiro (Primeiro encontro): Você deve chegar ao restaurante as 20h00min ou nunca mais irá vê-la novamente. Não se preocupe com reservas ou algo do tipo, tudo estará pronto. Quando você a encontrar, seja calmo, confiante e amigável (não dói tentar se arrumar um pouco...). Não se preocupe com os fatores místicos nesse momento, tudo correrá como se ela fosse uma garota “normal” apesar dos passos seguintes. Seja casual, engraçado e mostre alegria e charme. Se divirta e NÃO A DEIXE TRISTE!

Para mergulhar nesse assunto, apenas pergunte: “Quais elementos desse universo trazem tristeza até sua alma?

Ela vai dizer tudo que a deixa triste, com raiva, ou depressiva. Durante os próximos encontros você precisará saber essas coisas, sinta-se livre para anotá-los enquanto ela fala... É crucial que você não a deixe triste. Se você fizer/fez isso EM ALGUM MOMENTO pule para o final.

Quarto: Você deixará o segundo encontro marcado assim que o primeiro chegar ao final, se isso não aconteceu, você escolheu a garota errada. Faça a mesma coisa que fez no primeiro, se divirta! Você deve ter notado agora que ela parece nunca rir, ela pode até esboçar um sorriso, que na verdade não lembra muito um sorriso também, mas nada sobre isso deve ser dito agora. No final do encontro, ela decide tomar uma atitude, então ela dirá: “Chegou a hora. Se comprometa.” E então sairá de perto como se nada tivesse acontecido. Não a siga. Você deve voltar para onde quer que seja o lugar que você vive o mais rápido possível.

Quando você entrar no local achará um livro e um pequeno frasco com um líquido dentro. Abra o livro. Estará cheio de imagens da garota, e cada foto parece mais e mais triste. Se você olhar de perto pode ver bijuterias coloridas ao lado dela, parecidas com a que ela usava no braço quando você a viu pela primeira vez. No final do livro haverá uma imagem da garota utilizando a mesma roupa que ela usava quando te conheceu, ela não parece nem feliz, nem triste. Apenas neutra.

Abra o frasco e nessa imagem derrame uma gota do liquido no local onde o coração da garota está localizado, e então, derrame uma gota onde o seu coração está. Agora, você deve observar a forma da lua refletindo na sua janela e com um de seus dedos, usar o liquido para criar uma forma real no vidro.

Então, diga: “Eu me comprometo à perfeição, e comprometo a perfeição a mim. Deixe que o vínculo comece...”

Por um momento vai parecer que você foi atingido, fazendo com que caia para trás, e é como se a sua pele estivesse absorvendo cada parte do liquido que descansava ali. Se você olhar para a imagem novamente, perceberá que agora você está do lado dela, fazendo uma pose clichê de casal. Ela ainda vai parecer neutra, mas assim que você completar o passo nº 5, isso mudará.

Quinto: Você vai receber uma ligação em seu celular na mesma semana (se você não tinha um, ficará surpreso ao perceber que tem agora). Ela está te ligando, o contato será salvo com o nome que você quiser e achar mais atrativo, o número dela será apenas “1”. É isso. Ela vai perguntar se você quer que ela vá até sua casa para assistir um filme. Você obviamente responde “sim”.

Quando ela chega você abrirá a porta e encontrará um sorriso; sorriso esse que poderia parar o mundo, derrubar montanhas, fazer o sol desaparecer, queimar a antártica inteira, acabar com civilizações e fazer a paz mundial acontecer ao mesmo tempo. Será o sorriso mais bonito que você verá em toda a sua vida, sua alma se encherá de felicidade, fazendo com que – por um momento – você se sinta intoxicado. Você nem pode evitar o fato de que estava sorrindo de volta e você vai – colocando em termos mais simplórios – amá-la. Eventualmente essas sensações serão interrompidas por duas palavras: “Posso entrar?

Então, você se toca de que ela está lá para assistir um filme, preparando algo para comer antes de começar.

Assim que o filme acaba, ela vai levantar e ir até a porta. Antes que ela saia, pergunte: “O vínculo foi aceito?” Ela vai virar e te encarar, colocando os braços ao redor do seu pescoço e te dando o maior e mais caloroso beijo que você já presenciou ou vai presenciar. Quando ela decidir parar, ela vai partir.

(Pode surtar um pouco agora).

Sexto: Continue com os encontros, esse é o único objetivo agora. Lembre-se: NÃO A DEIXE TRISTE! Isso inclui insinuações sexuais. Até que você complete o passo nº 8, você deve sempre tomar cuidado com o que diz ou faz. Ela vai começar a parecer diferente a cada vez que você a vê; nunca repetindo roupas, nem penteados de cabelo. Ela também nunca vai ficar sem assunto, apenas vá com a maré até que o 30º dia seja completado.

Sétimo: 30º dia. Ao se aproximar do local designado para o próximo encontro, você perceberá algo. A garota que você gostava, agora está infeliz e feia, quase como um cadáver. Os olhos estão arregalados e escuros, quase saltando do rosto. A pele parece derreter em cada parte do seu corpo; ela está cinza e seu cabelo, branco – pelo menos nas partes onde ainda têm cabelo – sua forma está ossuda e ameaçadora, e você deve completar esse encontro como se nada houvesse mudado. Ame-a como se ela estivesse com a mesma aparência, se você deixá-la irritada, pule para a parte final.

Essa é a parte chamada “Verdadeiro Amor”, supere a aparência horrenda e aprecie a beleza novamente até o final do encontro, aí você ficará bem. Quando vocês saírem do local, você deve beijá-la por até três segundos. A pele dela então mudará, revelando a mesma garota que você viu no primeiro encontro, linda e te observando intensamente. Sinta-se livre para beijá-la o quanto você quiser enquanto a lua cheia brilha no céu. (A lua vai estar cheia)

Oitavo: O dia final do teste chegou! Você vai saber disso porque assim que acordar seu coração estará brilhando – literalmente brilhando – através do seu peito. Ela vai te ligar e dizer: “Chegou a hora da avaliação, você está pronto?

Nesse momento, se sua resposta for “Sim” as coisas irão prosseguir. Se sua resposta for “Não” você nunca vai ouvir sobre ela ou vê-la novamente.

Ela vai aparecer na sua casa depois de mais ou menos uma hora, ela vai entrar, e vai andar calmamente até o quarto (Antes que você pergunte, sim, isso é exatamente o que você está pensando).

Apenas a siga, ela vai tirar a roupa e você também, e então, faça o que você tem que fazer.

Assim que vocês “acabarem” o brilho no coração de cada um fará com que vocês durmam, e quando você acordar estará completamente apaixonado pela garota, e ela por você. O efeito pode diminuir um pouco depois do primeiro mês, mas mesmo assim, vocês dois vão ficar para sempre na fase de “Lua de Mel”. Você agora pode dizer o que quiser e fazer o que quiser; você é dela e ela é sua, aproveite sua vida.

SE VOCÊ A DEIXOU TRISTE ANTES DO OITAVO PASSO:

Vá para casa o mais rápido que puder, se você ainda não colocou o liquido na sua pele, a única coisa que você deve fazer é queimar o livro que estará em sua mesa. Se você já usou o liquido, as coisas ficam meio difíceis... Você deve esfaquear a si mesmo no peito, literalmente atingindo seu coração fará com que o vínculo seja quebrado, você também deve queimar o livro de imagens! Mantenha a arma que você utilizar no local do ferimento para evitar que sangre até a morte e ligue para os paramédicos.
Se você não queimar o livro (ou falhar ao tentar atingir seu coração) dentro de uma hora a garota chegará a sua casa. O cabelo dela vai estar completamente negro e gigantesco, assim como suas unhas. Ela não vai usar roupas e vai começar a chorar do lado de fora da sua residência; assim que as lágrimas dela atingirem o chão, elas se tornarão pequenas “lagoas” invadindo sua casa de forma não muito discreta, logo logo as lágrimas indefesas se transformarão em um rio, fazendo com que seus pés parem de tocar o chão e invadindo não somente sua casa mas também seus pulmões. Enquanto a água te consome, seu corpo vai apenas se dissolver, e no momento que você partir por completo, toda a água vai retornar e desaparecer assim que alcançar os pés da garota.


Na próxima vez que alguém tentar encontrar essa garota, ela vai ter outra foto na coleção, e assim, na próxima vez que ele – ou ela – observar o livro de imagens antes de criar o vínculo, haverá mais uma imagem da garota triste com uma bijuteria colorida ao lado dela.

26/09/2015

O Devorador de Fotos

Dentre as culturas do Oriente e Ocidente africano, há o mito do Picha Mlaji, ou Devorador de Fotos. A lenda surgiu no final dos anos 80, nas sombrias áreas de dominação europeia no oriente africano, mas a lenda parece ter alcançado o Cairo, o Congo Belga e talvez até uma parte da índia. Apesar das muitas variações na lenda, um garoto desnutrido em uma bicicleta parece sempre ser o catalisador para uma série de acontecimentos.

A prática da fotografia estava se infiltrando lentamente no continente africano e era utilizado apenas pelos administradores das colônias, para terem uma identificação por foto de seus oficiais e ocasionalmente registrarem algum momento importante.

Geralmente, a lenda conta que o garoto surge de bicicleta em algum vilarejo africano e pergunta para alguma pessoa, se ela sabe o que é fotografia. Se a resposta for “sim”, o garoto perguntará se a pessoa tem alguma foto e se ele pode ver. Se a resposta for “não”, o garoto se afastará para perguntar a outra pessoa. Se a pessoa mostrar uma foto para o garoto (ou Picha Mlaji), ele a pegará imediatamente e fugirá de modo tão rápido que ninguém poderá para-lo.

 Algumas noites após o roubo da foto, qualquer pessoa que estiver nela, tirando a própria pessoa que mostrou a foto para o garoto se ela também estiver nela, morrerá de alguma das duas formas abaixo:

  • A primeira e a mais comum é a que a vítima desaparece por dois dias e duas noites, retornando apenas como uma pilha de ossos quebrados. Os ossos estão quebrados de maneira que o tutano pudesse ser consumido. O crânio é o único intacto; porém, ele é posto no topo da pilha de ossos quebrado com a foto presa entre os dentes. A pessoa desaparecida estará riscada ou queimada na foto. O processo continuará até que todas as pessoas na foto sejam devoradas, com uma nova cópia da foto surgindo na pilha de ossos.  
  • A segunda forma ocorreu apenas em regiões sudaneses, e é mais detalhada: o corpo da pessoa desaparecida surgirá mais rápido – apenas um dia, ou mesmo algumas horas – e mais intacto se comparado à primeira forma. Mas estará coberto por marcas de mordidas, pedaços de carne e músculos arrancados assim como os olhos. O corpo estará em avançado estado de decomposição, mesmo que estivesse desaparecido por no máximo 30 horas. A foto original estará amassada na mão da última vítima com a imagem das outras vítimas riscadas assim como na primeira foto. 

Mais perturbador que as formas como as vítimas são canibalizadas, é como o garoto continua a perseguir a pessoa de quem roubou a foto, ameaçando-a a ter o mesmo destino das outras vítimas a não ser que mais fotos lhe sejam entregues. Vilarejos inteiros desapareceram em questão de dias. O destino da pessoa que inicia tudo isso varia, algumas ficam sem fotos e são devoradas, outras são deixadas vivas para espalhar a lenda, embora não demorem muito para morrer por fraqueza ou execução como culpadas pelas mortes.

Os casos de Picha Mlaji foram gradualmente perdendo força com o passar dos séculos, mas acredita-se que a criatura tenha reaparecido durante a Primeira guerra civil na Libéria, onde várias crianças soldado foram encontradas mutiladas de maneiras similares às antigas vítimas do Picha Mlaji, com a última criança sendo encontrada com uma foto amassada na mão. A foto tinha sido tirada duas semanas antes de ser encontrada, e mostrava uma unidade de crianças soldado.

22/09/2015

A Boneca Ana

Sempre que eu estou triste e solitária, eu converso com a minha boneca, Ana. Ela sempre está com um sorriso no rosto, e toda vez que eu a vejo fico feliz, porque ela está sempre feliz também. Ela me faz sorrir tanto quanto ela. Mas quando eu mosto Ana para a mamãe, ela fica de cara fechada. Mamãe só diz:

-Não é engraçado, Dakota. Ana não sorri.

Mas Ana não só faz as pessoas sorrirem, ela também as faz gritar. Um dia, eu voltei da escola e mamãe ficou brava comigo sem motivo algum. Corri pro meu quarto chorando e contei a Ana o que havia acontecido. Ela só sorria pra mim, o que, de certa forma, me fazia sentir melhor. Abracei Ana e coloquei-a na prateleira onde sempre ficava, voltando pra cama logo depois.

Mais tarde naquela mesma noite, ouvi gritos no andar debaixo. Fiquei assustada, mas resolvi descer pra ver o que estava acontecendo. Pareciam gritos da mamãe, e estava vindo da cozinha. Entrei na cozinha e encarei com horror o que havia lá. Ana estava de pé, ao lado da mamãe, de costas pra mim. Uma faca grande e pontuda saía bem da barriga da mamãe, e havia uma poça de sangue logo abaixo dela. Cheguei perto, peguei Ana e a examinei.

O rosto de porcelana dela estava sujo de sangue. Seus olhos azuis estavam bem abertos, também sujos. Abracei Ana e a agradeci várias vezes. Então olhei pra seu rosto mais uma vez.

Em meus braços, a boneca sorria em gratidão.





P.S: boneca? sim
P.S2: continuo sem tempo, curtinha de hoje foi essa
bjs

Risos

Você acorda assustado, respirando rapidamente, enquanto se recupera de um pesadelo. É o mesmo pesadelo que têm se repetido há vários dias. Toda noite, você assiste desamparado, a mesma sequência de cenas se desenvolver diante de seus olhos.

Crianças brincando em um parquinho, uma garotinha escalando em uma daquelas barras de macaco, e você tem aquela sensação doentia de que algo está para acontecer, mas você não sabe o que. Você tenta gritar para avisá-la, mas a única coisa que escapa da sua garganta é ar. Nesse momento você percebe que é tarde demais, e faz de tudo para tapa os próprios olhos enquanto a garota cai, fazendo com que um estrondo insuportável entrasse pelos seus ouvidos. 

Você observa o corpo dela jogado no chão, juntamente com o resto das crianças que há alguns minutos atrás estavam sorrindo.

E é aí que você acorda suando frio e percebendo que é apenas o mesmo pesadelo novamente. Você não se acostumou com ele até agora, e você não acha que vai se acostumar algum dia.

Ainda com sono você encara os números digitais ao lado da cama. É 01h30min na madrugada, a mesma hora dos dias anteriores. Nesse momento você já desistiu de dormir novamente e decide descer as escadas, em busca de água na cozinha, lembrando-se de que tem trabalho durante a manhã.

Quase uma semana atrás, você começou a ajudar com um projeto de organização, que estava “desmontando” uma escola antiga, inutilizada desde os anos 60.

Foi aí que – estranhamente – os pesadelos começaram.

“Ótimo,” você fala entre um gole e outro. “Como vou funcionar propriamente com apenas quatro horas de sono?”

Horas mais tarde você chega à escola, sinais óbvios de velhice e desgaste estavam estampados no prédio; plantas crescendo nas paredes, pintura descascada e uma camada densa de poeira eram as mais visíveis.

“O que aconteceu com este lugar?” Você diz enquanto caminha até a porta principal. “Uma bagunça, né?” Mike disse, parando no último degrau da escadinha que usava, e parecia estar raspando o teto, os barulhos de brocas e pistola de pregos ecoavam na parte interior do prédio.

“Então, o que eu farei hoje?” Você pergunta.

“Bom,” Mike responde ainda concentrado no seu próprio trabalho. “Você pode começar retirando o assoalho do ginásio, depois precisaremos de você para retirar os quadros negros das salas de aula.”

Você faz que “sim” com a cabeça enquanto ele te entrega uma marreta e um pé de cabra.

Enquanto você anda pelo vestuário os barulhos começam a cessar gradativamente. É quase totalmente silencioso e o barulho das ferramentas não pode ser escutado. Você encontra um canto, e decide que vai começar por lá, arrancando o assoalho. Quando alcançou metade, sentiu uma sensação esquisita, como se alguém o observasse, como se o olhar fosse tão penetrante que pudesse atravessar sua pele.

Então você fala: “Mike?”

Não há resposta, claro. Você já esperava isso, mas também esperava que houvesse uma explicação para aquele sentimento.

Você ignora o sentimento e decide continuar com o que fazia; desde que começou o trabalho aqui, nada parecia esquisito, então você chegou a conclusão de que foi apenas o silêncio que te deixou assustado, colocando alguma música para tocar no fundo.

Mas aí, assim como anteriormente, você teve a sensação de que alguém te observava. Até a música não parecia... Certa? Enquanto ela se espalhava pelo cômodo você podia ouvir um ruído ao fundo, que parecia ir e voltar.

Tirando os fones de forma agressiva das orelhas, você observa o local novamente, achando que alguém o chama, e então percebe que o barulho – que tu tinhas definido como “ruído” – é na verdade um riso, e definitivamente não vinha dos fones de ouvido.

“Olá?” Você fala enquanto enfia os fones no seu bolso da calça. “Quem está aí?”

A risada se afasta rapidamente, como se um grupo de crianças tivesse saído correndo dali. “Têm crianças aqui?” Você murmura para si mesmo, pegando o pé de cabra do assoalho em que estava enfiada e colocando-a no chão.

“Oi? Mike?” Você diz novamente, saindo do vestuário e subindo as escadas rapidamente até alcançar uma porta dupla, abrindo-as, você percebe que se encontra em um tipo de refeitório, percebendo que esse não foi o mesmo caminho que você utilizou para alcançar o ginásio.

Primeiro você checou o lugar para ver se havia ou não crianças escondidas ali, mas tudo que estava lá eram mesas velhas e armários abertos.

Novamente, você ouve a risada no final do corredor.

Você sai do refeitório e anda rapidamente atrás das risadas, mas toda vez que você parece alcançá-las, elas somem ou se afastam novamente. Quando você se vira no corredor, percebe que encontrou um lugar com uma única porta no final. A mesma era azul, combinando com alguns detalhes decorativos que descansavam no chão. Você vai até ela, fazendo de tudo para abri-la ao perceber que estava trancada.

“Mas que diabos? Para onde eles foram?” Você murmura enquanto uma mão agarra seu ombro, fazendo com que você pulasse rapidamente, virando para trás e enxergando Mike com um olhar de duvida sobre seus olhos.

“Mas que merda, cara. Você me assustou.” Você diz e Mike responde, “É eu percebi... O que você tá’ fazendo aqui? Já terminou no ginásio? Que bom, precisamos de você–”

“Não, não terminei. Ei, você sabe se alguém trouxe crianças para cá, ou algo do tipo?”

“Que eu saiba não, mas você precisa terminar com o ginásio, precisamos de ajuda com a parte elétrica também.”

Você novamente faz que “sim” com a cabeça e o segue de volta, alcançando o ginásio e colocando os fones novamente, não demora menos de dois minutos até que você volte a escutar aquelas malditas crianças novamente.

Dessa vez, parecia que a risada deles zombava você, e mesmo assim tentou te convencer de que eles eventualmente iriam embora.

Não foram.

De fato, parecia que as risadas aumentavam e ficavam irritantes cada vez mais. “O que?” Você grita para as vozes, mas as risadas não param; você joga o pé de cabra no chão novamente, sem suportar mais esses joguinhos, mas invés de andar até o barulho, você decidiu correr até ele. Cada passo que você dá perto de um armário é equivalente a um barulho insuportável dentro do mesmo.

Você podia ouvir os próprios passos enquanto descia as escadas, ainda atrás das crianças. Nesse momento você não tem ideia de qual parte do prédio você alcançou, nem para onde está indo, a única coisa que importava era seguir as risadas e alcançá-las.

Enquanto corria, percebeu que o prédio parecia mais limpo e vibrante. A pintura não estava descascando nas paredes e os armários não eram usados. Nossa, para dizer a verdade parecia que aquele lugar havia sido pintado há poucos dias. “Achei que estivessem destruindo tudo, não refazendo...” Você pensa enquanto corre, alcançando o refeitório novamente.

Até aí você acha que correu em círculos, mas a teoria logo é derrubada pelo fato de que naquele refeitório as mesas estavam arrumadas e o chão estava limpo. Alguns lugares da mesa tinham comida e suco.

Isso não fazia sentido algum, apenas alguns minutos atrás as mesas estavam quebradas e havia armários no chão.

Você para e encara tudo ali, confuso, até que a risada o desconcentrou de deus pensamentos. Assim que você começou a correr novamente, a risada cessou. Não apenas diminuiu gradativamente, simplesmente parou. Como se todas as crianças tivessem sido atingidas por um trem, arrancando os barulhos bruscamente de suas bocas.

Assim como a risada, seus passos também cessaram enquanto você olha ao redor, tentando identificar onde está.

É aí que uma risada quase inaudível sai do banheiro a sua direita, então você sorri e pensa enquanto entra no banheiro. “Ah, agora eu os achei.”

Diferente do resto da área o banheiro não estava limpo, aliás, estava o oposto disso, uma completa bagunça. A parede estava suja e alguns azulejos estavam quebrados, ou simplesmente arrancados. Você decidiu checar cada portinha do banheiro, uma por uma, mas não havia ninguém lá.

“Que diabos?” Você diz com uma voz grave, confuso. Sabia que havia escutado uma risada vinda dessa área, como não havia crianças aqui?

Você se vira e abre uma das torneiras, resolvendo lavar o rosto numa tentativa de parar com essa atitude ridícula, mas você enxerga algo no canto do espelho que te faz sufocar na própria saliva.

Havia uma garotinha, os olhos dela encarando os seus. No entanto, ela não tinha olhos, apenas marcas brancas que pareciam grandes demais para o rosto dela.

Mas não eram só os olhos... Tudo nela parecia anormal. A pele colada nos ossos, fazendo com que as juntas dela simplesmente saltassem para fora. O cabelo parecia peruca, faltando em alguns lugares, como se fosse uma boneca velha. Ela usava um velho e rasgado vestido, sujo com terra e provavelmente sangue. Os lábios dela calmamente se abriram, revelando uma porção de dentes – pontudos – formando uma risada.

Você grita e corre do banheiro, e enquanto saia você percebe que o prédio já não parece mais limpo e bonito como parecia momentos atrás.

“Que diabos você tá’ fazendo?” Mike fala frustrado, “Essa é a segunda vez que você larga o trabalho.”

“Que merda tá’ acontecendo aqui?” Você grita, exigindo uma resposta.

“Do que você está falando? Nada está acontecendo. Olha, se você não está se sentindo bem, pode ir para casa.”

“Não, estou bem.” Eu respondo. “Eu prometo que vou terminar desta vez, agora, cadê o caminho de volta?”

Mike aponta para a escada no final do corredor novamente.

“Sobe as escadas e entra a esquerda no final do corredor. Você vai encontrar a porta dupla assim que chegar lá.”

“Ei,” você diz. “Por que esse lugar fechou? Parece que todo mundo resolveu sair um dia e nunca mais voltar.”

“Bom...” Mike começou a andar o barulho dos passos invadiu o lugar. “Uma garota, estudante... Morreu aqui. Aparentemente, foi algo triste demais para os professores e alunos aguentarem e todos ficaram depressivos... Então, na esperança de apagar tudo da mente deles, se mudaram para outra escola.”

Você sentiu um frio na espinha. “Como exatamente ela morreu?”

Enquanto você caminha até a porta dupla, Mike responde. “Ela caiu de um dos brinquedos do parquinho e quebrou o pescoço.”

Você engole em seco, observando enquanto Mike começa a sair do local. “Melhor você correr, não tem muito tempo.” Ele avisa fechando a porta na saída, deixando apenas o barulho do metal no lugar.

Decidido a terminar logo, você decide se concentrar no trabalho, assim pode ir pra casa e nunca mais voltar aqui. Colocando a música novamente e continuando o trabalho, meio que esperando ouvir as risadas, mas nada aconteceu.

Até você acabar, nada aconteceu.

Enquanto dirigia para casa você começou a se questionar se tudo isso estava só na sua cabeça ou não, ou se aquele pesadelo fez com que você ficasse louco.

Sentiu-se mal ao lembrar daquilo, mas decidiu ir para a cama assim que chegou a casa, sabendo o que viria depois. Decidiu não pensar no parquinho, ou na menina, especialmente depois de hoje.

Mas a imagem do rosto dela, aquele rosto horrível... Continuou com você.

Não existe mais razão para você ficar paranoico, acabou, ponto final. Você está aqui, e ela está lá.


“Ela provavelmente nem existe,” Você fala para si mesmo, e enquanto você fecha os olhos, esperando pelo horrível pesadelo, uma risada falha ecoa diretamente da porta do seu quarto.