02/09/2016

A casa que a Morte esqueceu

Melinda odiava dirigir à noite. Ela fez o seu melhor pra evitar isso. Viagens curtas até a loja se percebesse que acabaram os absorventes ou não tivesse nada pro jantar depois de chegar em casa -- Esse tipo de coisa acontecia as vezes. Mas ela fez o seu melhor pra para não sair depois de escurecer, ao menos que alguém estivesse vindo busca-la.

Então, naturalmente, ela encontrou-se na viagem mais longa de sua vida esta noite, sem lua, poucas estrelas, com nuvens rodopiando no céu acima, e acres de florestas nos dois lados.

Como todas as coisas desagradáveis na sua vida, essa era culpa do seu pai. Ela não o via ou falava com o idiota há 15 anos, mas essa noite, logo depois de dormir...não, isso tá errado. Seria ontem por esta hora. De repente, seu celular tocou, e a voz dele estava na outra linha.

“Eu preciso de você, Mellie. Por favor, venha agora.”

Ele disse apenas isso, e então a linha morreu.

O velho imbecil estava provavelmente bêbado, mas ele nunca ligou pra ela antes -- Não desde que ela era criança e ele ainda tentava convencer a mãe dela a aceita-lo de volta. Parecia que ela tinha sonhado -- Acordando pra ouvir a voz dele de novo depois de todos esses anos. Parece que ele estava chorando. Sua voz soou exatamente como da última vez que ela a ouviu.

Como num sonho, ela se pôs de pé, se vestiu e entrou no carro. Ela estava bem longe da cidade e na metade do caminho pra casa dele quando percebeu que não tinha como saber se ele pelo menos ainda morava lá. Ela recebeu notícias de onde ele estava pela sua mãe de tempos em tempos através dos anos. A última vez que ouviu sua mãe falar dele foi a sete anos atrás. Teria ele ficado em apenas um lugar por tanto tempo?

Não pelo que ela recordava. Ela tinha sete anos quando sua mãe finalmente se cansou e o botou pra fora. Antes disso, era uma mudança por mês. A casa que eles tinham vivido era a estadia mais longa em um lugar só, dezesseis meses completos. Se transformou em dois anos depois disso, e então a próxima casa tinha sido a que ela deixou quando se mudou por conta própria. Em todo esse
tempo, ela teve notícias dele raramente, no máximo, e finalmente decidiu que era melhor simplesmente esquecer ele.

Até esta noite.

Ela havia descoberto, depois de duas horas de viagem, que estava certa em se perguntar se ele ainda morava no mesmo lugar. Seu último endereço conhecido era um apartamento incompleto em uma área de baixa renda da cidade em que ela cresceu. Seria ele o número 24 ou o número 42? Talvez fosse o 14. Definitivamente tinha um quatro. Não importa, seu nome não estava em nenhuma das campainhas.

Desgraçado! O seu pai bêbado ligou pra ela de noite, quase exigindo que ela fosse até ele por razões que ele não considerava nem importantes o suficiente pra dize-la pelo telefone, e então simplesmente esperou que ela soubesse onde ele vive agora.

Em um turbilhão de raiva, ela se virou e marchou de volta pro cara, batendo a porta e começando a ir na direção em que veio. Ela estava tão puta que nem mesmo olhou pra onde estava indo e perdeu o caminho de volta.

A próxima coisa que ela soube, foi que estava nesse trecho solitário de estrada. Pouquíssimos carros, mas ela se confortou com o fato que passaria por um a cada meia hora mais ou menos. Seu relógio do painel mostrava 2:27 da madrugada. Ela tinha dirigido por mais de cinco horas desde que deixou sua casa. De noite.

A cada cinco minutos ou quase isso, ela checava o celular. Até perceber que estava perdida, ela tinha checado o celular e não encontrou absolutamente nenhum bar. Ela até mesmo parou em um posto de gasolina (fechado, é claro), só pra ter certeza que haveria algum serviço por aqui em algum lugar, mas nada.

“Olhe para a sua vida, Mellie”, ela pensou. “Você já passou dos trinta, odeia seu trabalho, você e sua mãe não se dão bem, você não tem visto ou falado com seu pai em pouco menos da metade da sua vida, você não tem tempo pros seus amigos ou pra um relacionamento graças ao supracitado trabalho que você odeia, e agora aqui está você, presa em uma estrada em que nunca esteve antes, de noite, e sem nem poder ligar pro serviço de assistência *¹, muito menos checar o Google Maps. Que moça esperta você é.”

Ela considerou brevemente parar e acenar pro próximo carro que passasse. Rapidamente percebeu a futilidade desse plano. Qualquer carro nessa estrada não teria nenhum serviço também. Então não havia nada que pudesse fazer. Ela teria que dirigir até ver uma casa. Se sentiria mal por acordar alguém, mas não havia escolha, ela precisava encontrar seu caminho de volta pra estrada principal.

Mas por enquanto, tudo que ela conseguia ver dos dois lados eram árvores. Quilômetro após quilômetro de árvores. Nenhuma luz brilhando através dos galhos. Nenhum sinal que alguém já tenha estado aqui antes, exceto que havia uma estrada e, obviamente, pessoas estavam dirigindo nela.

Nem mesmo havia alguma placa sem ser as marcações de quilometragem. Teria ela realmente encontrado o meio do nada? Ela estava justamente no meio desse pensamento quando seus faróis iluminaram algo na estrada, um sinal quadrado de madeira - obviamente feito por alguém que não seja o governo. Isso não era um sinal de posto/restaurante/pousada, ou uma placa de quilometragem, ou uma marcação de distância. Parecia o tipo de placa advertindo que uma empresa privada estava por perto. Ela desacelerou para ler

Estalagem da Vovó Royce 
Venha passar a noite na vovó! 
Ela tomará conta de você! 
Pensão Completa! Preços baixos! 
Próxima Saída!  

Seu coração acelerou. Ela certamente não estava interessada em passar uma noite na vovó Royce, mas todo negócio tem um telefone. Pelo menos teria um mapa ou saberia o caminho de volta pra estrada. Decidiu parar por lá.

Ela quase perdeu o caminho. A Estalagem da Vovó Royce estava oculta atrás de uma longa e suja estrada de terra, isolada em meio as árvores. Ela tinha quase passado da pequena “estrada” suja antes de perceber que estava lá. Ela derrapou em uma parada e entrou.

A casinha estava bem à frente. Eram dois andares e aparentava ter de oito a dez quartos. Grande para uma casa, mas pequena pra qualquer coisa anunciando “pensão completa”. Ela chegou mais perto e procurou por uma placa de vaga.

Nada. Não é que a placa não estava iluminada, não havia placa alguma. A luz da varanda estava acesa e a frente da construção estava iluminada por ela e por seus próprios refletores. Nenhuma placa de qualquer tipo.

Ela quase se perguntou se não estava no lugar errado, mas estava certa que não viu nenhuma outra saída entre a casa e a placa de anúncio.

Ela fez uma pausa na entrada da garagem e olhou para o celular de novo. Ainda sem serviço. Fez uma busca rápida por qualquer sinal sem fio disponível. Pra sua completa falta de surpresa, não havia nenhum. Nem mesmo um protegido.

“Não há ninguém aqui senão eu”, ela pensou.

Neste ponto, ela não estaria surpresa se encontrasse a casa vazia também. Mas a luz estava acesa e isso deveria ser uma estalagem. Alguém estaria tripulando o balcão de atendimento.

Ela saiu do carro e se dirigiu para a varanda da frente. Enquanto ela se virava pra se certificar que as luzes do carro piscaram quando apertou o botão de trancar das chaves, ela pensou ter visto um lampejo de movimento nas árvores. Algo de forma humana. Ela parou e olhou de novo. Nada.

Decidiu que foi só imaginação.

Na porta da frente, ela hesitou. Se fosse realmente uma estalagem, ela deveria estar livre para entrar, mas se fosse a casa errada? Se ela tentasse abrir a porta e simplesmente entrasse, poderia se ver presa aqui, no cu do judas. *’

Cautelosamente, ela tentou girar a maçaneta. Girou. Pressionou gentilmente a porta. Se abriu. Alívio fluiu através dela quando viu que estava em uma pequena, mas bondosamente decorada sala de estar, que obviamente tinha sido reaproveitada como área de admissão. Um balcão pitoresco com um livro de visitas (Honest-to-god) tinha sido colocado no canto direito e algumas cadeiras tinham sido postas junto com revistas em uma mesa. Ela leu os títulos brevemente - Mademoiselle, Livro Azul, A Nova Vida No Campo, Artes e Arquitetura -- antes de direcionar sua atenção ao pequeno balcão.

Não havia computador. Isso era um toque fofo. Era como se a casa fosse de uma era passada. Talvez a velha Vovó Royce realmente não gostasse de tecnologia moderna. Havia, contudo, um pequeno sino, assim como teria sido em 1929. Não era nem o tipo prateado que você bate para tocar, era uma sineta pequena de porcelana. Esse lugar estava começando a parecer muito fofo para ela.

Por favor, que ela tenha um telefone, e, por favor, que use numeração discada, não os sistemas centrais da década de 50. *²

Ela pegou o sino e deu uma balançada.

Por um tempo, nada aconteceu. Então ela viu uma luz vindo do cômodo dos fundos e a sombra de uma mulher idosa brotou na parede. A sombra se aproximou dela e, em alguns segundos, ela viu sua dona: Vovó Royce, que talvez parecesse como toda avó em todo livro de história.

“Bom, que surpresa”, ela disse. “Minhas terras. Bom dia, minha cara. Perdoe meu atraso, mas faz um bom tempo desde que tive visitas a essa hora. Posso saber seu nome, querida?”

Vovó Royce era pequena, seu cabelo cinza preso em um coque elegante atrás da cabeça, um vestido que parecia ter pertencido a um cidadão idoso nos anos vinte, e um suéter rosa desbotado. Melinda pensou que ela parecia exatamente como ela teria desejado que sua avó fosse, mas a mão de sua mãe morreu quando ela era menor, e ela nunca conheceu a mãe do seu pai. Quase dói negar o serviço desta pequena e doce mulher, mas, no entanto, ela tinha que chegar em casa.

“Na verdade, me desculpe”, ela começou. “Mas o fato é que estou perdida. Eu nem tenho certeza da direção em que estou...”

“Oh, pobrezinha, “Disse vovó Royce. “Sente-se e deixe-me te preparar um chá, ou alguma coisa. Você deve estar com frio.”

“Sério, muito obrigada, mas eu estou bem, “Melinda disse gentilmente. “Eu só preciso usar o telefone, se puder, ou se você tiver um mapa, mesmo isso seria adorável. Eu realmente vivo só a algumas horas daqui...”

Ela parou, sem saber se estava mesmo certa sobre isso. Ela facilmente poderia ter dirigido mais essas cinco horas inteiramente na direção errada.

“Oh, querida, “disse tristemente a mulherzinha. “Me desculpe, meu doce, mas as linhas telefônicas estão desligadas. E quanto ao mapa, bom...Eu costumava ter um, e se eu procurar, ainda posso encontrar, mas acho que provavelmente ele está muito desatualizado agora. A estrada mudou desde então, eu sei bem.”

O coração de Melinda apertou. Como sua sorte poderia piorar? Sem telefone, celular ou linha, e sem mapa. O que ela poderia fazer? Ela tinha que voltar pra casa. Esperava-se que ela trabalhasse as 8 da manhã do dia seguinte. E por que as linhas telefônicas estavam desligadas? O clima estava um pouco frio, mas límpido. Estariam consertando alguma linha ali por perto?

Ela disse a vovó Royce o nome de sua cidade, mas a vovó só disse “Acredite ou não, eu nunca ouvi falar desta cidade. Como você disse que era o nome?”

Ela disse de novo.

“Não, não me soa familiar. Me desculpe, mas eu não poderia dizer em que direção está. Por que você não passa a noite aqui, docinho? Eu te darei um desconto pelo seu problema.”

“Obrigada. Isso é muito gentil da sua parte, mas eu tenho que trabalhar amanhã e preciso voltar para casa. Eu não tenho nem certeza por que sai esta noite. A única razão que eu tinha não parece importar mais.”

“Querida, eu não recomendaria tentar dirigir de volta tão longe esta noite,” Vovó Royce disse. “Por que são quase três horas da manhã, e você não dormiu nem um pouco. Talvez as linhas estejam funcionando de manhã, e você pode ligar para seu trabalho avisando que chegará atrasada.”

“Isso não vai funcionar também, “Ela respondeu. “Eu sou a abridora. Ninguém estará lá. Não, me perdoe, eu realmente preciso ir. Vou me dirigir na outra direção até encontrar a estrada em que eu estava.”

Com isso, a expressão da vovó Royce, já com um tipo de preocupação, pareceu mudar de alguma forma - para o medo. Ela parou, olhando para Melinda como se quisesse dizer alguma coisa para mantê-la lá dentro. Finalmente ela disse, relutantemente, “Tudo bem, querida, se você tem certeza. Apenas seja cautelosa agora. Não fale com ninguém até que esteja de volta na estrada.”

Este último aviso pareceu meio bobo. Depois de tudo, o que era Melinda, uma garotinha? Ela agradeceu a vovó Royce por sua gentileza e seguiu de volta pro carro. Quase no meio do caminho até o carro ela lembrou pensar ter visto algo se movendo nas árvores. Seus olhos examinaram ambos os lados da pequena clareira isolada em que estava, procurando por qualquer coisa que parecesse estar se movendo por contra própria, não sendo empurrada pelo vento. Ela não viu nada. Satisfeita, se dirigiu ao carro. Todos os quatros pneus estavam furados.

Droga!

Ela se abaixou e viu longas marcas de corte em cada pneu. Alguém nesse pedacinho de mato cortou seus pneus no tempo em que ela levou pra descobrir que não tinha nenhuma forma de entrar em contato com ninguém esta noite.

“Crianças de uma fazenda local,” tem que ser, ela pensou sombriamente. “Nada pra fazer, então você poderia muito bem sair e cortar pneus.”

Ela parou e caiu na real. Não iria a lugar algum esta noite. Ela não tinha   nenhuma escolha agora, teria que passar a noite aqui até de manhã, quando, esperançosamente, as linhas telefônicas estariam ligadas e ela poderia ligar para alguém do emprego ir em seu lugar, e então para o serviço de assistência tratar dos seus pneus. Suspirou e andou de volta até a casa. Ela podia ouvir vovó Royce enquanto andava de volta para seu quarto. Ela já tinha desligado as luzes, resignado ao seu destino.

Melinda tocou a campainha de novo.

“É você, senhorita?” Ela ouviu a vovó chamando.

“Sim, sou eu” ela respondeu. “Me desculpe pelo incômodo. Meu nome é Melinda Orton. Perdão por nunca ter mencionado antes. Eu acho que vou querer um quarto pra essa noite, se a oferta ainda está de pé”.

“Oh, é claro que está, querida”, disse vovó Royce, reentrando no quarto e acendendo as luzes. “Melinda. Oh, esse é um nome bem bonito, querida. Vamos te situar. Você põe seu nome e a hora que chegou naquele livro ali e eu te darei uma chave. Todos os quartos de hóspedes estão no segundo andar, e só há alguns restando.”

“Há outras pessoas aqui?”

Isso era surpreendente. Nem mesmo um carro esteve no gramado da frente quando ela entrou.
“Oh, sim, Senhorita Melinda.” Vovó estava mexendo no quarto adjacente. “Senhor Norris, o jovem Calvin, há alguns de nós aqui.” Ela voltou com uma chave na mão. “Só por curiosidade, o que te fez mudar de ideia?”

Ela pareceu se animar enquanto fez a pergunta, como se estivesse aliviada que Melinda ficaria, afinal.
“Oh, provavelmente são apenas crianças da redondeza pregando uma peça,” Ela disse. “Mas eu encontrei meus pneus rasgados.”

Vovó parou de repente, sua face com um misto de interesse e preocupação. Então ela retomou, como se nada estivesse errado.

“Nada precisa ser feito, eu presumo”, Ela disse, com um desvio de tristeza.

“Bom, não até de manhã, de qualquer maneira,” disse Melinda. “Então as linhas estarão ligadas, esperançosamente.”

“Oh,” disse vovó Royce, distraidamente. “Sim, esperemos que sim.”

Ela levou Melinda pela escada escura até um corredor vazio, quieto. Ou talvez não tão quieto. De uma das extremidades do corredor, veio o som abafado de alguém chorando. Seja lá o que fosse, estava chorando de forma suave - não com raiva, ou petulância, ou medo, mas uma tristeza profunda.

Soava como se chorar fosse algo que essa pessoa estava acostumada, mas ainda não era capaz de parar.
“Quem é esse?” ela perguntou, apontando na direção em que o choro estava vindo.

“Oh, não dê atenção a isso, querida”, disse a vovó. “É apenas o Sr. Norris. Ele tem estado assim há algum tempo. Um homem idoso, você compreende. Não está tudo lá”. Ela deu uma batidinha de leve em sua têmpora.

“Eu entendo,” Melinda respondeu, mas perguntou-se como um homem idoso, sem muita coordenação poderia acabar em uma estalagem. “Ele está aqui há muito tempo?”

“Um bom tempo, eu diria”. Respondeu vovó. “Realmente não recordo quanto tempo, exatamente.”
Como é ele paga pelo quarto e a hospedagem?

“Eu acho que ele não dirige”, ela disse para a mulher idosa.

“Na verdade, não parece que qualquer um aqui tenha carro.”

A vovó começou assim, olhando quase com uma expressão envergonhada. “Oh, bom”, ela disse.

“Esse tipo de coisa é da conta dos hóspedes. Eu não pergunto sobre essas coisas.”

Ela girou a chave na fechadura do quarto de Melinda, e abriu a porta. Ligando a luz, ela mostrou à Melinda o pequeno quarto exótico. Melinda pensou que parecia como entrar no passado. Ela podia jurar que esse quarto teria parecido moderno no começo dos anos 50, no mínimo.

Pensando bem, poderia ser todo o resto desse lugar, ela pensou. Sem serviço de internet, sem computador, a sineta antiga. E essas revistas, elas pareciam novas, mas...

Esse pensamento foi interrompido quando a vovó pôs a chave na cabeceira e começou com as instruções.

“Agora, o banheiro está no final deste corredor. Você compartilhará com o andar inteiro, então por favor, tenha isso em mente se precisar ir. Há um esquema do chuveiro na porta também. Primeiro a chegar, primeiro a se servir. Só adicione seu nome na primeira linha disponível e essa é a ordem em que os banhos estão. Eu não me preocuparia se fosse você, todavia. Tenho certeza que será a primeira linha. Eu acordo pontualmente as 06:00 e faço o café da manhã, mas desça na hora em que estiver pronta e eu prepararei algum coisa pra você.”

“Oh, e uma última coisa, minha querida. Eu aconselharia fortemente a não sair da casa até o sol raiar. Nunca se sabe o que poderia acontecer lá fora, no escuro.”

“É claro”, ela respondeu. Eu nunca iria lá fora no escuro se não precisasse...

Ela parou com essa carreira de pensamentos bem no começo.

Depois de alguns minutos, estava sozinha. Sozinha, sem nada para vestir, e nada para tomar banho, escovar os dentes, ou pentear o cabelo de manhã. Ela sentou na cama e olhou pela janela, que dava pra frente. Seu carro permanecia onde ela o havia deixado, a única coisa em milhas de distância que parecia pertencer ao seu mundo.

E um caro e enorme peso até eu poder me comunicar com alguém, ela pensou amargamente.
Apesar do aconchego do quarto, ela se sentiu indisposta a levantar e apagar a luz. De alguma forma, o pensamento de ir dormir nesse quartinho retrógrado pareceu inconcebível. Então ao invés de dormir, continuou sentada, olhando fixamente pra fora da janela.  Uma figura em preto se destacou das sombras das árvores e fez seu caminho até o carro.

Que diabos? Ela saltou e correu até a janela.

A figura era alta, e parecia estar vestindo uma capa feita da noite. Ela viu como se seu braço estivesse estendido. Em sua mão estava um punhal longo e denteado. Ele arrastou o punhal através do lado do carro, deixando uma longa marca de corte na pintura e no metal.

“Ei!” ela gritou.

A figura continuou fincando a adaga. Ela estendeu a mão pra abrir a janela. Não se moveu. Procurou por uma fechadura, mas não conseguia ver nenhuma.

“Ei!” Ela gritou de novo.

Dessa vez a figura levantou a cabeça. Ela podia ver a cintilação de dois olhos embaixo do capuz. A figura levantou a adaga, lentamente, com determinação. Apontou diretamente para a face dela. Ela saltou da janela e correu até a porta. Um barulho do outro lado a deteve. Passos. Passos arrastados e trêmulos. E chorando. O som de uma pessoa para que a tristeza profunda e apetecível é uma forma de vida.

Sr.Norris!

Ela esperou. De alguma forma, ela simplesmente sentiu que deveria deixar o velho homem passar antes que abrisse a porta. Antes que ele chegasse bem longe, porém, ela ouviu outros passos - esses bem mais rápidos e leves - subindo a escada e parando perto da porta do seu quarto.

“Pare!” chiou vovó Royce. “Volte para o seu quarto agora! Você sabe bem. Ela não pode vê-lo ainda. Espero que ela não tenha que ver, de qualquer forma. Agora volte para lá. Você não tem nada a ser feito a esta hora.”

Mas o quê?

Como esta adorável senhora poderia falar com outro ser humano desta forma, muito menos com um idoso com uma mente obscura? Ela quase abriu a porta naquele momento, mas de alguma forma sua mão parou e esperou até que o homem, embaralhado e chorando, tivesse feito seu caminho de volta pelo corredor.  Ouviu a porta dele abrir. Ela abriu sua própria porta bem a tempo de ver seu pé, calçado em uma pantufa gasta, deslizar em seu quarto. A porta fechou suavemente atrás dele.
“Pobre homem”, ela pensou.

Mas agora ela estava determinada a descobrir o que estava acontecendo. O punk com fantasia de halloween lá fora destruindo seu carro, seguido pela vovó gritando com o idoso a fez começar a entender que nem tudo estava bem aqui. Ela desceu para a área de recepção, que estava completamente escura, exceto pela luz do luar e da varanda que entrava pela janela.

Havia, porém, uma luz acesa perto do quarto de trás, do qual vovó Royce tinha saído antes. Melinda parou para dar uma olhada do lado de fora da janela da frente. O maníaco com a adaga estava em nenhum lugar a ser visto no momento, mas estava determinada que foi ele quem ela tinha visto se movendo através das árvores.

Ele poderia ter me matado!

Ela andou a passos largos na direção da luz, vendo que era a luz da cozinha. Continuou, esperando encontrar vovó Royce ainda fazendo seja lá o que os estalajadeiros fazem durante as primeiras horas da madrugada.

Ao invés disso, ela encontrou a vovó sentada com um homem jovem, cerca de vinte anos. Ele tinha cabelo escuro e a barba do pescoço por fazer, estava usando uma camisa de veludo marrom escuro com uma calça cáqui, junto com um chapéu do tipo porkpie. Parecia pronto pra ir vender jornais em uma esquina nos anos 30. Ele esteava tomando chá discretamente enquanto a vovó o repreendia do outro lado da mesa.

“Agora isso foi uma coisa horrível de se dizer!” ela disse. “Quando eu tinha a sua idade, jovens homens moderavam suas maneiras!”

“Isso é ridículo, falando sobre a minha idade”, murmurou o jovem com um sorriso de escárnio. “E quantos anos você tem? Você pelo menos se lembra?”

“Calvin Davidson, você é um problema, jovem,” ela sibilou de volta. Nenhum dos dois tinha notado Melinda ainda. “Um dia desses você dirá algo que vai se arrepender.”

“Oh, vamos lá, vovó, o que eu poderia dizer que tornaria as coisas ficarem piores do que já são?”  Perguntou Calvin. “Quero dizer, olhe para o velho Mr.Norris lá em cima! Ambos somos ve…hm, olá, senhorita. Eu não sabia que tínhamos mais alguém aqui.” Ele tinha acabado de ver Melinda.
“Uh, olá”, ela disse.

Ela teve a sensação de que entrou em uma velha discussão que os dois tiveram muitas vezes, e que não dizia respeito a ela. Seu medo e raiva foram esquecidos no momento. Calvin estava conversando com a vovó como uma criança malhumorada, mas algo sobre o que eles estavam dizendo parecia…errado.

“Posso ajudar, Melinda?” perguntou vovó Royce. “Há algo de errado com seu quarto?”
Isso a trouxe de volta. “Não”, ela disse. “O quarto está bom. Mas nada mais está! Digo, por que diabos você tem uma estalagem aqui, onde parece que ninguém nunca para? Por que a maioria dos quartos está cheio, mesmo quando o meu carro é o único lá fora? Por que eu ouvi você falando com Mr.Norris como se ele fosse um cão? E por que você gostaria de ter certeza que eu não o vi?”
Ela não prosseguiu antes de Calvin interrompê-la.

“Céus, ela não está aqui nem por uma noite e consegue ver isso. Por que você deixou-a entrar, vovó? Por que você simplesmente não fecha a porta? Inferno, se eu pudesse derrubar aquela placa, não acha que eu teria feito até agora? Pombas!” *³

“Tá aí algo que você não ouve muitos jovens dizerem”, pensou Melinda. Ela decidiu ignorar Calvin no momento, pelo contrário.

“E além disso, há alguém lá fora! Ele é o maníaco que rasgou meus pneus e tem estado lá fora destruindo meu carro desde então! E você nem mesmo pode chamar a polícia! Vai me dizer que você nunca teve vândalos aqui antes?”

Houve uma longa pausa no quarto. Nem a vovó nem Calvin pareciam dispostos a rompe-la. Calvin coçou o pescoço. Pela primeira vez, Melinda notou um corte vermelho em sua garganta, meio escondido pelo colarinho. Parecia tanto uma cicatriz bem recente quanto uma ferida ligeiramente curada.

“Escute, senhorita, eu não sei o seu nome”, ele disse finalmente.

“Melinda”, ela disse a ele.

 “Melinda”, ele repetiu. “Melinda, eu acho que você deveria se sentar. Tenho que te dizer algo que você pode achar…preocupante.”

Melinda não gostou como ele disse isso. Ela também não gostou da forma que seu tom tinha mudado de uma criança mal-humorada para um adulto sério. Ele parecia vários anos mais novo que ela, mas estava falando como se fosse seu tio, ou seu chefe. Ele engoliu um gole de chá e suspirou.
Então ele olhou-a direto na face e disse: “A razão pela qual eu não tenho um carro lá fora é que quando eu cheguei aqui, ninguém da minha idade, ninguém no meu ramo de trabalho teria possuído um carro. Teria parecido como um sonho impossível.”

“O que...do que você está falando?” ela perguntou, hesitantemente.

“Eu trabalhava em uma fábrica têxtil”, ele disse. “A fábrica foi fechada no tempo em que cheguei aqui. A maioria dos negócios foram. Então eu me virei; um andarilho procurando qualquer emprego que pudesse achar. E eu parei aqui. Para sempre.”

“Negócios estavam sendo fechados...eu não entendo,” disse Melinda. “Nós estamos passando por tempos difíceis agora, mas as empresas estão, em sua maioria, abertas.”

“Não antes, elas não estavam,” disse Calvin, tristemente. “Eu cheguei aqui...em 1929.”

Melinda piscou. Algo tinha explodido atrás dos seus olhos.

“Esse lugar era novo antes,” disse vovó. “Meu marido e eu tínhamos acabado de abrir. E o jovem Sr.Calvin era um doce e jovem rapaz de dezesseis anos. Oferecime para contratar sua ajuda, apesar das objeções do meu marido. Bom, meu marido era um homem bem-intencionado, mas sabia como ser mão de vaca. Foi um ano depois que eu contratei Calvin que o Sr.Royce morreu. Calvin e eu temos estado aqui desde então. E a cada poucos anos, alguém se junta a nós.”

“Sim”, Calvin interrompeu. “Senhora Tillie foi a primeira, era uma mulher de má reputação que correu até aqui, grávida e com medo de que o homem que iria montar seu negócio em Nova Iorque fosse encontra-la e matá-la. Ela e aquele bebê...”

Ele cessou, agora parecendo a ponto de chorar.

“E então,” disse vovó, “Tinha o Sr. Standish. Ele era um ministro viajante.  Ele não viaja mais.”

“Sr. Norris chegou aqui em 1969, “disse Calvin. “Sua história é provavelmente a pior. Ele era um...bom, ele era um ladrão de bancos, veja. Carregava uma pistola. E ele não gostava de saber por quanto tempo nós tínhamos estado aqui.” Ele fez uma pausa, levantou-se e caminhou até a janela da cozinha. “Ele tentou sair por contra própria, entende. Não é o primeiro a tentar isso, esse foi eu, na verdade. Eu o avisei para não tentar, mas ele não quis ouvir. Mas quando chegou lá fora…e encontrou-se com ele…”

“Calvin!” Chiou vovó. “Nós não falamos sobre isso!”

“Ela tem que saber,” disse Calvin. “Não há sentido nela descobrir lentamente.”

“Ainda há uma chance para ela!” disse a vovó em um sussurro. “Tudo que ela tem que fazer é esperar até de manhã...”

“Ela não vai esperar até de manhã,” disse Calvin com algum remorso em sua voz. “Ninguém nunca espera até de manhã. O fato dela ter vindo aqui embaixo é a prova suficiente disso. Além disso, que bem ela realmente teria feito? Seu carro é inútil. Não temos telefones aqui. Não havia telefone quando este lugar cresceu e nunca haverá. Você sabe disso.”

“Okay, todo mundo, pare!” Melinda gritou. “Basta! Agora, vocês não podem me manter prisioneira aqui e eu não tenho intenção de ficar nem mais um pouco. Apenas aquele maníaco empunhando a faca lá fora está me impedindo de correr até a estrada nesse minuto! Agora, eu preciso saber o que realmente está acontecendo aqui e preciso saber disso já!”

“Nós estamos falando a você,” Calvin disse. “Vovó pode não querer que você saiba tudo, mas você precisa. Porque você não vai embora. Oh, não estamos tentando te manter prisioneira. Eu nem mesmo ligo se você correr por aquela porta bem agora. Mas você nunca vai deixar essa casa novamente mais tarde.

“O inferno que eu não vou!” gritou Melinda.

“Ouça, criança!” disse vovó, levantando do seu lugar na mesa. “Ouça, por favor! Nenhum de nós quer te machucar, minha querida, nem mesmo Sr. Norris. Há pouca coisa que ele pode fazer mais, e ele sabe disso. É por isso que ele está lá em cima, chorando o tempo todo. Mas estamos presos aqui, todos nós. Eu esperava que houvesse uma chance pela qual você correria pela manhã, mas Calvin está certo. Não há garantia que você esteja segura de manhã, de qualquer forma.”

“Mas…que...diabos...tem de errado com este lugar?”  Disse Melinda, sufocando.

Ela estava começando a desmoronar. Podia sentir as lágrimas emergindo dos olhos.

“Foi cerca de um mês depois que o Sr.Royce morreu”, disse Calvin. “Quando ele veio. Ele estava usando aquele manto preto, comprido, carregando aquela adaga ridícula. O vi quando eu estava aparando os arbustos dos fundos. Eu o disse que ele precisava sair daqui, porque não gostava da sua aparência. Ele...ele se moveu tão rápido que eu não o vi chegando. E ele me pegou, daqui...” Calvin tocou seu pescoço. “...até aqui.” Ele tocou seu abdômen inferior, do lado oposto ao corte no pescoço.

Ele começou a tirar sua camisa. Melinda quase vomitou. Sob sua camisa, estava um corte feio, longo e profundo...e ainda estava vazando sangue. Ela podia ver ossos, músculos e intestinos se contorcendo daquela ruína destroçada. “Eu morri naquela noite”, disse Calvin.

“Mas então não morri. A próxima coisa que eu sabia, foi que eu estava sendo arrastado pra dentro da casa pela vovó, e quando acordei, eu quase a matei de susto. Ela estava certa de que eu tinha partido. A questão é, eu tinha. Mas estava acordado. Eu conseguia falar, andar, fazer qualquer coisa que podia enquanto estava vivo. Bom, exceto ter prazer ou nutrição com qualquer alimento ou bebida. Eu ainda bebo este chá porque ele impede que minha pele se torne acinzentada Aprendi isso cerca de cinquenta anos atrás.”

“Ele não foi embora, porém,” Vovó interrompeu. “Eu sai para lidar com ele, carregando meu machado. Ele o tomou e enterrou nas minhas costas. Eu não vou te mostrar a ferida, querida. Calvin não deveria ter mostrado a dele, tampouco. Ninguém deveria vê-la.”.

“Mas é assim que ele trabalha, Melinda”, continuou Calvin. “Ele tem aquela faca, mas se você tentar utilizar qualquer arma contra ele, ele apenas...se move como ele faz e a tira de você. Você nunca tem uma chance. Ele usa seja lá qual arma com que você tente derrubá-lo para acabar contigo. Mr.Norris aprendeu isso na maneira difícil.”

“Isso...isso não está acontecendo!”, Melinda estava pronta a desmoronar. Ela tinha que se manter firme. Ela tinha que sair daqui, de alguma forma. Nada disso estava certo. Nada disso poderia ser real.

Era tudo um sonho; muitas coisas não faziam sentido. Seu pai ligando para ela de repente. Ela saindo para encontra-lo sem pensar duas vezes. Perder-se tão rapidamente, e de forma tão irreversível.

Nenhum serviço de celular em qualquer lugar nesta estrada. Este lugar e tudo sobre ele! Ela estava sonhando; tinha que ser isso. Mas se fosse, ela iria sobreviver a esse sonho. Ela se virou e correu para as escadas. Sua bolsa ainda estava em seu quarto, mas ela iria pega-la e partir. Já teve o suficiente.

Vozes protestantes começaram a balbuciar atrás dela, mas ela não se importava nem um pouco. Mr.Norris estava esperando no topo das escadas. Ao contrário do que vovó Royce descreveu dele, ele não era tão velho assim. Não tinha mais do que cerca de quarenta anos.

Mas ela viu instantaneamente o que a vovó quis dizer com “não está tudo lá”. A metade superior da cabeça do Sr.Norris parecia normal, como um homem razoavelmente atraente, com cabelo escuro salpicado com cinza aqui e ali. Seus olhos, de um verde claro, estavam úmidos com lágrimas frescas.

A metade inferior do seu rosto era uma ruína de fragmentos de ossos, músculos destroçados e sangue.

Muito sangue. O lado esquerdo do corpo estava igualmente destruído. Seus braço pendurado por alguns poucos tendões, o quadril estava justamente como seu rosto, uma confusão de osso e sangue.

Ele manteve sua mão boa no corrimão enquanto cambaleava na direção dela. Atrás dele estava uma jovem mulher de sutiã e calcinha. Seu estômago foi aberto, e olhando pra fora da ferida, com olhos brilhantes e inteligentes, estavam os restos mutilados de um bebê.

Melinda se virou e fugiu para a porta da frente. Sua mão tinha acabado de se fechar na maçaneta quando Calvin correu até ela, colocando suas mãos congelantes sobre a dela.

“Eles não vão te machucar”, ele disse rapidamente. “Mas ele vai. Se você pisar lá fora por mais de alguns momentos, ele vai te matar, e vai doer. E continuará doendo. Para sempre. Depois de um tempo você aprende a lidar com a dor, mas ela nunca vai embora.”

Soluçando, ela fez a pergunta que teve medo de questionar desde chegou aqui.

“Quem é ele?”

“Não sabemos”, disse vovó, por trás de Calvin. “Ele apenas...chegou aqui, e não vai embora. Ele gosta de nos observar, e fazer coisas para nos incitar a sair de novo. Assim que alguém sai, ele lhes machuca mais. Mas não importa quantas vezes ele nos mate, nós não morremos. Acredite em mim quando eu digo, todos nós desejamos que pudéssemos.

Melinda já tinha tido o suficiente disso. Ela empurrou Calvin pro lado e abriu a porta. Ele estava em pé na varanda. A adaga estava estendida bem na frente dele, no nível do rosto. Melinda correu até ele em disparada, o punhal perfurou seu olho direito e sua ponta deslizou pelo meio, saindo do outro lado. Ela só conseguiu ver o sorridente rosto branco e puro do seu assassino, antes de tudo ficar preto.

Algumas poucas horas depois, a casa irrompeu em gritos vindos do andar de cima, enquanto Melinda acordou em um mundo de dor, do tipo que ela nunca tinha conhecido.  

Escrito por: Josh Parker Conteúdo disponível sob: CC BY-AS Traduzido e adaptado por: Gabriel Michelli Disponível para leitura (inglês) em: www.creepypasta.wikia.com/wiki/The_House_That_Death_Forgot 

           ----------------------------------------Notas de rodapé -----------------------------------------  

*¹ - Do original: “can't even so much as call AMA”. AMA é o serviço de atendimento rodoviário americano. *² - Do original: “use the numberplan, not 50s exchanges.” Numberplan é o plano de numeração do telefone. Exchanges, no contexto (phone exchanges), é o sistema central (central office) que estabelece a conexão entre dois telefones individuais.  Muito comum e apenas utilizado antigamente. 

*³ - Do original: “Lord love a duck.” Uma expressão americana bem antiga que demonstra surpresa. Adaptado para uma expressão brasileira de surpresa, também antiquada: “pombas!” *’ - Do original: “Buttfuck nowhere.” Uma expressão Americana que significa “meio do nada / lugar algum”. Adaptado para uma expressão brasileira, igualmente chula: “Cu do Judas”.

29/08/2016

Não consegue dormir?

Esse é o quinto post de tradução do site yourghoststories, onde é possível encontrar relatos de experiências sobrenaturais no mundo todo. Dessa vez, escolhi alguns relatos sobre paralisia do sono.

Algo está me acordando
postado por: Swood11

Eu sou uma menina de 16 anos. Fui passar um tempo na casa do meu irmão mais velho e ele havia me dito que a casa era assombrada. Deitei no sofá e, em seguida, fui para a cama. Eu acordei de um sono profundo em torno de 3:00 da manhã. Dormi perto da borda da cama enquanto meu irmão deitou no meio e sua namorada na outra ponta. Eu olhei para a frente e observei que a cortina estava se movendo pela porta de vidro corrediça, e não havia ventilação ou aquecedor perto dela.

Rolei e tentei pensar em coisas positivas enquanto tentava voltar a dormir. Eu pensei sobre o meu namorado, e então eu falei para mim mesma "Eu só preciso dormir." e caí em um sono tão profundo que dentro de segundos o meu corpo estava imóvel, mas a minha mente, totalmente acordada. Eu estava pirando e tive que me esforçar tão forte quanto eu podia para abrir os olhos e mover meu braço para acordar o meu irmão.

Eu pulei e acordei o meu irmão, explicando o que aconteceu e falando que estava com medo. Ele me disse que não conseguia dormir e, logo em seguida, nós dois ouvimos alguém subir as escadas da sala. Não podia ser o nosso cão pois ele estava dormindo do lado da cama. Eu peguei o controle remoto e adormecemos com televisão ligada. Essa foi a coisa mais assustadora pela qual eu passei! Alguém pode me explicar o que houve, por favor?!?!

3:00 Am. O que está acontecendo? 
postado por: jess_theturtle

Então, eu tinha 17 anos e estava morando com o meu pai. Nós realmente não temos um bom relacionamento, por isso decidi ir para a cama muito cedo, umas 8:00 da noite.

Era o final da primavera quando em uma noite eu acordei e não sabia o por quê. Durante cerca de três semanas eu iria acordar ás 3:00 em ponto. Naquele ponto, eu já achava que estava completamente louca.

Uma noite, tudo parecia diferente. Eu acordei às 3:00 da manhã como de costume (mas meu quarto estava exageradamente frio) e comecei a escutar algo.
Eu tinha uma velha cama que range e ao pé da minha cama parecia que alguém estava sentado. Neste momento o meu coração estava batendo tão rápido que eu sentia que acabaria morrendo. Eu pensei em ligar para o meu pai, mas nada aconteceu, estava imóvel.
Agora que não era a pior parte. Fosse o que fosse, estava me tocando dos pés até a cintura. Em seguida, se moveu até o caminho do pescoço. Neste ponto, comecei a sentir a sua respiração ao meu lado, sem poder fazer nada. Ele permaneceu assim durante alguns minutos. Depois de passar esse tempo, ele volta a sentar-se ao pé da minha cama. Isto continua a acontecer por alguns meses.

Agora, depois de um tempo ele não me assusta tanto, eu até contei ao meu pai (ele é muito religioso, eu não sou). Ele insistiu em abençoar o meu quarto, depois disso eu não tive mais encontros.

Alguém pode potencialmente me dizer o que esta coisa poderia ter sido?


Corpo vibrando durante um pesadelo

postado por: justjess

Alguns meses atrás eu acordei de um pesadelo e meu corpo estava vibrando como se eu tivesse um telefone celular em meu peito. Eu tinha cerca de quatro meses de gravidez e não conseguia me lembrar do sonho, exceto que um fantasma ou um espírito estava furando o meu estômago com as mãos para obter o meu bebê.

Como eu acordei ainda sonolenta, eu tinha pensado inicialmente que minha cama estava tremendo, mas depois percebi que era eu. Isso nunca aconteceu comigo antes. Eu até fui a um cardiologista após isso, com medo que tivesse acontecido apenas para eu ser informada de que o meu coração não estava bem. Além disso, mais tarde naquela noite eu acabei tendo outro pesadelo. Eu não sei por que isso aconteceu e queria saber se alguém poderia me dar algumas dicas sobre este assunto.

Minha mãe me diz que é apenas um sonho de gravidez estranho, mas eu não penso assim. Eu tenho visto pessoas de sombra desde que eu tinha quatorze anos e experimentei fenômenos estranhos ao longo dos anos, mas nunca experimentei isto antes.

Isso me assustou tanto que eu dormi com as luzes acesas até o meu marido chegar em casa de um de seus turnos noturnos no trabalho. Tenho 31 anos e não deveria ter medo do escuro, mas eu tenho, infelizmente.

Eu notei que algumas coisas estranhas foram acontecendo na minha casa ao longo de um período de um ano. Como uma noite em que a minha filha me fez uma pergunta e eu não respondi de imediato, porque estava aplicando protetor labial, e algo sussurrou a partir da janela do canto. Era baixa e ininteligível. Olhei para Maddy e disse: "Por que você respondeu a sua própria pergunta?"
E ela disse: "Mas eu pensei que você estava sussurrando?"
E nós duas sabíamos que algo estava estranho, porque a voz veio da janela do canto por trás da cortina.

Outra vez, uma tigela com leite e cereais se moveu sozinha através de minha mesa de cozinha. Em uma noite diferente, a minha filha veio até o meu quarto e disse-me que uma pessoa sombra veio de seu armário e tocou-lhe enquanto ela estava dormindo ao seu lado, ela estava em pânico absoluto. E eu acredito nela porque eu os vi também. Eu não sei o que está acontecendo!
Essas coisas só aconteceu de vez em quando, mas ainda são assustadores. Qualquer opinião seria útil. Obrigada.


Ocorrências noturnas

postado por: johnboy1964

Eu passei por algumas situações ''inexplicáveis'' durante a minha vida, principalmente durante a adolescência e faculdade, que foram assustadoras naquela época, mas esquecidas na manhã seguinte. Agora que estou muito mais velho, eu penso para trás sobre esses "eventos" e penso que sim, isso foi definitivamente assustador e inexplicável. Eu sou um grande fã de filmes de terror e costumo assistir quase todos eles - principalmente os sobrenaturais - Deixo os trash por vezes, quando estou realmente procurando por um.

Então, este em particular foi gravado no meu cérebro por mais tempo e me lembro que, no momento em que isso aconteceu, eu não estava nem um pouco assustado e não sabia nem o que eu tinha visto. Foi apenas muito mais tarde, talvez vinte anos ou mais, que eu percebi que eu não tinha uma explicação.

Nós fomos uma família de exilados que viveram no Oriente Médio, que é onde eu nasci e cresci, junto com minhas duas irmãs. Ambos os meus pais estavam trabalhando (como a maioria dos expatriados fazem) e nós vivemos em um apartamento de dois quartos. Nada extravagante, um apartamento simples e limpo.

Eu acho que um belo dia, meus pais decidiram que nosso apartamento estava na necessidade de um bom trabalho de pintura e tinham encomendado dois pintores locais para começar a trabalhar ao longo de um final de semana. Os trabalhadores também eram exilados do sexo masculino (não tenho certeza de que país, mas não é relevante). Todo nosso material estava coberto de lençóis, a maior parte da cozinha foi fechada e tivemos que, todos nós, dormir no chão da sala de estar. Como os quartos estavam com tinta fresca, nós tivemos que deixar as janelas abertas.

De qualquer forma, todos nós caímos sobre os colchões. Minhas irmãs e eu (nós éramos cerca de 4, 6 e 9 anos) dormíamos em dois colchões e meus pais no outro extremo da sala em dois outros.

Durante a noite, meio adormecido, vi um homem vestindo a roupa dos trabalhadores (um colete, retalhos de tecidos ao redor da cintura e um pano em volta da cabeça, como um suor band), sentado contra a parede (eu estava mais próximo à parede) com uma perna dobrada debaixo dele e a outra flexionada no joelho, no qual a sua mão estava descansando e ele estava me observando. Voltei a dormir, pensando que era manhã e que os trabalhadores haviam retornado. Na manhã desse mesmo dia, meus pais avisaram que os pintores tiraram o dia de folga.

Eu tive várias situações em que senti alguma força forte sentada nas minhas costas enquanto estou dormindo e eu sou incapaz de virar ou gritar. Muito assustador. Mas nada desde que eu me casei e comecei a minha família.

São os nossos poderes psíquicos mais ativos quando somos crianças? Eu não sei, tenho pensado sobre isso, é claro, mas não tenho uma resposta.

Objetivo dos relatos: mostrar que o sobrenatural pode ocorrer com qualquer um. Não é chocante ou trash como seria em uma creepy. O lado ''assustador'' dos relatos é o famoso ''baseado em fatos reais'' que vemos em muitos filmes. Espero que gostem

24/08/2016

Luzes

Esse é o quarto post de tradução do site yourghoststories, onde é possível encontrar relatos de experiências sobrenaturais no mundo todo.

Luzes
postado por: DandK

Uma noite, cerca de três anos atrás, eu acordei sozinha no meu quarto com a luz do banheiro principal piscando. Isso nunca tinha acontecido antes. O meu marido tinha ficado acordado até tarde para ler na sala de estar, de modo a não perturbar o meu sono.

Eu fui para o banheiro e tentei desligar a luz, que não respondeu. O interruptor de luz é um interruptor do tipo que não tem um interruptor móvel, mas em vez disso ele responde pelo toque. Se você tocar nele, ele liga ou desliga, dependendo da intensidade. Em outras palavras, se a luz estiver apagada e você tocar no interruptor rapidamente uma vez, a luz acende.

Para diminuir a intensidade da luz, você tem que manter o dedo no botão em vez de rapidamente removê-lo. A quantidade de tempo que você toca corresponde ao brilho da luz. A taxa na qual a luz estava piscando quando acordei foi cerca de três vezes mais rápida do que isso, uma velocidade impossível de alcançar manualmente.

Eu não conseguia regular a luz, não importa o quanto eu tentava mover o dedo ao longo da barra ou tocar no botão, por isso eu pensei que talvez nós estivéssemos tendo algum problema de energia e fui para fora do quarto investigar.

A primeira coisa que notei quando eu abri a porta do quarto foi uma luz fraca constante vindo da sala de estar. Então, eu pensei em chamar o meu marido para vir e verificar a luz do banheiro. Quando cheguei à sala de estar, eu vi que ele tinha adormecido no sofá enquanto lia. Notei também que era possível ver a luz do banheiro se espalhando pelo corredor e parecia muito mais brilhante do que eu pensava que poderia ser.

Tentei acordar o meu marido, mas ele estava realmente adormecido. As luzes ainda estavam oscilando em grande intensidade, mas foi mais rápido do que quando eu acordei. Eu podia sentir que estava começando a entrar em pânico. Balancei forte o meu marido para ele acordar e as luzes começaram a oscilar mais e mais rápido, o que me me deixou nervosa. As luzes estavam piscando tão rapidamente que era literalmente como uma luz estroboscópica. Ela estava machucando os meus olhos e fazendo um som de clique bem alto toda vez que a luz ficava brilhante. Ela estava acendendo o ciclo completo pelo menos uma vez a cada meio segundo.

Só quando meu marido estava de pé e consciente do que estava acontecendo, e deu um passo em direção ao quarto, que a luz parou e estava escuro novamente. Fomos para o banheiro e o interruptor de luz e as luzes estavam funcionando muito bem. Nenhuma das lâmpadas foram danificadas. Eu não tive problema ao ligar e desligar a luz dessa vez. A coisa mais estranha foi como a taxa e o brilho pareciam correlacionar-se com o meu nível de pânico.

Normalmente, eu não tenho medo do escuro, e na verdade prefiro total escuridão quando eu durmo, mas esta situação me deixou nervosa e eu tive que dormir o resto da noite com a minha lâmpada de cabeceira ligada.


Objetivo dos relatos: mostrar que o sobrenatural pode ocorrer com qualquer um. Não é chocante ou trash como seria em uma creepy. O lado ''assustador'' dos relatos é o famoso ''baseado em fatos reais'' que vemos em muitos filmes. Espero que gostem.

23/08/2016

O banheiro

Esse é o terceiro post de tradução do site yourghoststories, onde é possível encontrar relatos de experiências sobrenaturais no mundo todo.

O banheiro
postado por: yomomma

Eu não quero divulgar o nome da minha família neste site, mesmo assim preciso compartilhar do ocorrido. Irei chamá-los pela primeira letra de seus respectivos nomes.
E, nossa filha mais nova e Z, nosso filho mais novo, ainda viviam em casa nessa época. Nossa filha mais velha e seu marido estavam passando o final de semana e decidimos alugar alguns filmes. A namorada de Z estava lá.

Durante a metade do filme, E decidiu que iria tomar um banho e ir para a cama, porque ela precisava se levantar cedo para as aulas do dia seguinte. Ela disse que ia usar o meu chuveiro para o banho, assim o do corredor estaria disponível caso alguém precisasse usar. O resto de nós assistiu ao filme até o fim. Quando acabou, eu fui para a cozinha pegar algumas bebidas para todos.

Quando eu entrei na cozinha, ouvi um grito fraco. Ele me assustou. Pensei imediatamente em E e corri para o corredor. Olhei para o quarto dela mas ela não estava lá. Pensando que ela estaria tomando um banho longo, virei-me para o meu quarto. Quando entrei no meu quarto eu ouvi E gritar, "Mãe"!

Abri a porta do banheiro e imediatamente vi E sentada no chão do chuveiro. Ela estava quase histérica gritando: "Eu não consigo abrir a porta!"

Quando eu peguei na porta, senti uma espécie de sensação estática atravessando o meu braço. Foi doloroso o suficiente para me fazer pular. Mas a porta facilmente se abriu. E disse que estava lavando o cabelo quando ouviu alguém abrir a porta do banheiro. Ela disse que gritou, avisando que estava no banheiro. Ela olhou através da porta do chuveiro fosco (o melhor que podia) e viu que a porta do banheiro parecia fechada. Ela pensou ter escutado uma risada profunda e baixa. Ele assustou-se tanto que decidiu terminar seu banho logo. Ela disse que tentou abrir a porta do chuveiro, mas não conseguia. Ela empurrou e empurrou e até mesmo chutou a porta, que não se moveu.

Meu marido e eu testamos a porta do chuveiro umas quatro vezes. Batendo-a, fechando-a e suavemente tentando encontrar alguma explicação. Nós não conseguimos chegar a qualquer explicação razoável para o ocorrido.

Eu não tenho certeza se isso tem alguma coisa a ver com a ocorrência acima, no entanto, algumas semanas antes, E estava no chuveiro quando recebeu uma mensagem de texto de um "número desconhecido" dizendo "Eu estou olhando-a". Nunca descobrimos quem enviou a mensagem. Fomos até para a polícia com ela, mas eles disseram que era impossível de rastrear. Alguns dias após a experiência de E, eu tive o meu próprio momento no chuveiro.

Eu estava no chuveiro, a água corrente estava quente o suficiente para que o banheiro se tornasse nebuloso. Eu podia ver a névoa sobre a porta do chuveiro. Eu ouvi a porta do banheiro se abrir suavemente. Pensando que era meu marido entrando, eu realmente não me importei muito. Então ouvi o que soou como uma risada. Abri a porta do chuveiro e olhei para encontrar o banheiro em névoa. Bem no meio do nevoeiro havia uma ausência de luz muito densa, no contorno do que parecia ser uma figura. Tinha cerca de 3 pés de altura. Eu estive lá e pude vê-lo levantar o que parecia ser um braço. Fiquei ali, hipnotizada. Após um minuto ou assim que a sombra densa começou a espalhar-se cada vez mais com o resto do nevoeiro, eu fechei a porta do chuveiro e me forcei a terminar o meu banho. Eu continuei repetindo que era apenas a minha imaginação alterada. Poucos minutos depois, tentei abrir a porta do chuveiro, sem sucesso. O empurrei, chutei, forcei e nada. Eu não poderia abri-lo. Depois de alguns minutos eu tentei novamente, e ele se abriu. O nevoeiro estava completamente dissipado.

Quando eu estava saindo do chuveiro, eu notei que a cortina da janela tinha uma pequena abertura na mesma, apenas o suficiente para eu ver os degraus da varanda de trás do meu vizinho. Descansando no cotovelo, havia um homem calvo, magro, quase sem dentes, nu. Ele acenou. Em um piscar de olhos, ele se foi.

Eu nunca disse a ninguém sobre o cara. Nunca. Ele parecia morto. Eu não sei se foi a minha imaginação ou algum truque de luz que me levou a pensar que eu o vi. Eu só não sei. 
Na minha insistência, alguns meses depois, meu marido e meu filho mais novo demoliram o chuveiro. E ele foi totalmente remodelado.


Objetivo dos relatos: mostrar que o sobrenatural pode ocorrer com qualquer um. Não é chocante ou trash como seria em uma creepy. O lado ''assustador'' dos relatos é o famoso ''baseado em fatos reais'' que vemos em muitos filmes. Espero que gostem.
Pretendo continuar com os relatos e gostaria de saber: qual tema vocês preferem? temos assombrações, vultos, paralisia do sono, casas abandonadas, escolas e até mesmo categorias separadas por Países. Por exemplo: Alemanha, EUA, Japão... 

A boneca

Esse é o segundo post de tradução do site yourghoststories, onde é possível encontrar relatos de experiências sobrenaturais no mundo todo.  

A boneca
postado por: GinaFowler

Eu demorei para aceitar que a casa onde eu cresci era assombrada. Agora, bem mais velha, eu olho para as lembranças e percebo o que antes eu não conseguia entender. Eu nasci quatro minutos após a minha irmã gêmea. Conforme crescíamos, fazíamos tudo juntas. Com cinco anos de idade, encontramos duas bonecas na manhã de natal. A minha usava um vestido de cetim azul e a da minha irmã, um vestido vermelho. Quando você apertava as bonecas, os seus olhos fechavam e abriam, junto com um choro de bebê.

Em um sábado, resolvemos brincar na cama de nossa mãe, que era uma cama king size e parecia enorme em nossas lembranças. Nós ficávamos lá quase o tempo todo, seja desenhando ou brincando com os nossos brinquedos.

Nossa mãe estava estendendo as roupas no varal e nos deixou brincando no quarto. Um par de folhas de papel, uma caixa desgastada de lápis de cor e a boneca da minha irmã formavam o plano ideal para brincar o dia todo. Nos jogávamos na cama e pulávamos mas mesmo assim a cama continuava impecável.

Nós duas tivemos que usar o banheiro, e como fazíamos tudo juntas, fomos ao mesmo tempo. Deixamos para trás os lápis, os papéis e a boneca da minha irmã. Não ficamos por lá mais do que três ou quatro minutos, no máximo. Porém, ao voltarmos, a boneca havia sumido. Minha irmã simplesmente perguntou o que eu havia feito com a boneca mas eu lhe disse que estava o tempo todo ao seu lado. Nós olhamos na cama, no chão, no armário e ela não estava em lugar algum. Ao subir na cama, percebi que a boneca se encontrava sob os dois lençóis da cama, que estava completamente arrumada. 

Nós corremos até a nossa mãe, uma acusando a outra de ter escondido a boneca. Eu sabia que não havia feito aquilo e ela também, mas em nossas mentes, não havia outra explicação. Conforme crescíamos, nós percebemos que outra coisa escondeu a nossa boneca. E isso foi a primeira de muitas situações estranhas durante os quinze anos que vivemos por lá. 

Objetivo dos relatos: mostrar que o sobrenatural pode ocorrer com qualquer um. Não é chocante ou trash como seria em uma creepy. O lado ''assustador'' dos relatos é o famoso ''baseado em fatos reais'' que vemos em muitos filmes. Espero que gostem. 

22/08/2016

O que aconteceu com a minha namorada?

Olá, antes de tudo gostaria de informar que esse é o meu primeiro post de tradução do site yourghoststories, onde é possível encontrar relatos de experiências sobrenaturais no mundo todo. Aliás, gostaria de agradecer pelos comentários e pelas críticas construtivas no Caso da Marina Joyce.

O que aconteceu com a minha namorada?
postado por: concerned21

Eu vivo com a minha namorada, que irei chamar apenas de Ann. Durante três anos vivemos em harmonia e dividimos todos os nossos sentimentos. Costumava ser assim, até ela começar a tomar atitudes estranhas. Eu me registrei nesse site com o intuito de conseguir ajuda, mesmo que seja de alguém passando pelo mesmo problema. Desde que tudo isso aconteceu, não consigo dormir direito.
Irei contar do começo, assim posso contar tudo de forma clara.

Ann sempre gostou do sobrenatural: fantasmas, espíritos e demônios. Eu não posso dizer que dividia do mesmo entusiasmo sobre o assunto, porém eu sempre a escutei e segui de viagem ao seu lado. Nós visitamos diversas casas assombradas, mansões abandonadas e hotéis. Eu particularmente via essas viagens de uma forma romântica, vendo a diversão em viajarmos juntos.

Então, por um par de meses atrás, ela começou a falar, com muita cautela no início, sobre algum conceito de ''prazeres do satã'' e eu fiquei alarmado. Já havia lido sobre algumas seitas e pensei na possibilidade dela ser abusada ou acabar perdendo dinheiro com eles. De qualquer forma, ela me explicou que gostaria de começar a fazer experiências com alguns dos rituais que ela tinha entrado em contato através de um site na internet. Francamente, o que eu poderia fazer?

Eu lhe disse que sempre iria amá-la, qualquer que seja o feitiço ou encanto que ela traga para casa, mas que não iria participar dessa loucura. Então, em uma noite, durante o jantar, eu concordei em sair de casa por algumas horas para que o meu pensamento cético não atrapalhasse as suas tentativas. Naquela noite, por mais que estivesse preocupado, passei algumas horas em um bar para deixá-la sozinha em casa. Depois de algumas bebidas, voltei para casa bêbado e cansado, tão cansado ao ponto de ignorar o círculo de velas pretas no chão da sala antes de adormecer ao lado de Ann, que se encontrava nua.

Dias semelhantes aconteceram cerca de uma vez a cada três semanas, sempre do mesmo modo. Depois da terceira ou quarta noite, notei que o nosso sexo estava cada vez mais agressivo, algo novo vindo dela. Ela sempre teve um lado muito positivo sobre a vida, mas ultimamente anda dizendo pensamentos sombrios e piadas que deixariam qualquer um incomodado.
Mas isso pode ser natural, certo? As pessoas mudam o tempo todo.

Porém, o motivo de estar postando isso aqui é porque durante as noites eu comecei a ouvir vozes. É apenas antes de dormir, como se várias mulheres estivessem sussurrando em algum idioma estrangeiro. Eu tenho procurado explicações positivas sobre os barulhos estranhos mas não consigo encontrar alguma que faça sentido.
Perguntei se ela havia escutado algum barulho ou se estava sussurrando coisas para me assustar mas ela apenas riu. E tem mais, ela tirou todos os espelhos da sala na qual eu vi as velas pretas.
Eu estou contando tudo isso porque preciso de respostas, e realmente espero que vocês me digam que não passa de bobagem da minha cabeça.

Objetivo dos relatos: mostrar que o sobrenatural pode ocorrer com qualquer um. Não é chocante ou trash como seria em uma creepy. O lado ''assustador'' dos relatos é o famoso ''baseado em fatos reais'' que vemos em muitos filmes. Espero que gostem. 
Continuo com os relatos?

16/08/2016

O caso de Marina Joyce

Marina Joyce é uma Youtuber britânica que costuma falar sobre moda e gravar Make Up Tutorials. Em seus últimos vídeos, alguns fãs começaram a estranhar certos detalhes e atitudes, como olhares assustados e marcas roxas em seus braços. O estopim para #savemarinajoyce subir nos trendingtopics do twitter foi um vídeo no qual é possível escutar a garota sussurrando ''help me'' ao fundo. A partir desse momento, foram criadas inúmeras teorias sobre a garota, sendo uma delas a mais bizarra de todas. 

A Youtuber estaria presa em cárcere privado?



Sim, começou com ''help me'' e acabou com vários fãs procurando pistas pelos vídeos. É possível encontrar olhares assustados em quase todos os vídeos. Em um deles, a Youtuber mostra que está sem meias e é possível escutar um barulho de correntes. A partir disso, encontraram sinais nos tweets e até mesmo uma arma encostada no canto do armário. A teoria de cárcere tomou proporções absurdas e de tanto receber ligações, a polícia local acabou indo visitar a garota, que negou a teoria toda.

Ela estaria sobre o efeito de drogas?

A teoria ganhou força por causa das atitudes exageradas e descontroladas durante os vídeos. A mais aceita era de que a Youtuber estivesse fazendo uso de LSD. 

Distúrbio de personalidade?


A mudança brusca entre os vídeos antigos e os novos gerou uma nova teoria de que Marina tivesse entrado em um surto de Bipolaridade ou Esquizofrenia. Os olhares angustiados e as atitudes exageradas mais uma vez colocaram força na tese. Outra teoria era de que a Youtube estivesse em Depressão. 
Uma parte que poucas pessoas perceberam foi um vídeo em que Marina desenha a sua vida, o popular Draw My Life. Nele ela conta que em um momento da sua vida, chegou a se machucar em várias partes do corpo e até a arrancar os seus cabelos. 

Essas foram as teorias mais famosas durante a Tag #savemarinajoyce mas é possível encontrar muitas outras, sendo uma delas a de que Marina na verdade é Deus. Sim, isso mesmo.
O que vocês acham? Deus, sequestro ou apenas atenção para o seu canal?

06/08/2016

Estudos sobre a insônia

No verão de 1997, três entre cem pacientes, todos com insônia crônica, foram escolhidos aleatoriamente para participar de uma pesquisa científica, numa tentativa de ajudar a encontrar a cura para a insônia. Era um procedimento simples e inofensivo; os três pacientes passariam cinco dias e noites em um hospital de estudos do sono, onde os doutores poderiam moderar seus padrões de sono após aplicar-lhes uma droga experimental que os ajudaria a dormir, e, se a droga funcionasse, eles poderiam dormir por uma noite inteira.

As primeiras duas noites foram um sucesso. Os três pacientes puderam dormir pelo tempo que precisavam. Os médicos e cientistas reportaram que os pacientes não estavam mais sonolentos durante o dia, como costumavam ficar. Até então, a droga parecia ter se tornado um tipo de milagre médico.

Isso é… até o dia seguinte, após a terceira noite. Dois dos três pacientes reportaram ter tido pesadelos vívidos e horríveis. Eles diziam que os pesadelos eram tão terríveis, que se recusavam a voltar a dormir, e pediam para serem liberados das pesquisas. Porém, um dos médicos pôde convencê-los a passar apenas mais uma noite.

No entanto, após a quarta noite, dois pacientes entraram em coma, permanecendo assim até o dia seguinte. Temendo uma overdose pelo medicamento, os médicos decidiram parar as pesquisas, imediatamente. Mas os responsáveis pelas pesquisas negaram a interrupção, pois queriam ver como paciente restante reagiria sob a quantidade correta do medicamento. Mas, coincidentemente, o paciente restante também se recusava a dormir, após de relatar que também tinha pesadelos. Quando os médicos lhe perguntaram pelos motivos em não querer voltar a dormir, essa foi a resposta:

“Tenho medo de acordar.”

Intrigado, um dos médicos perguntou o que ela queria dizer, lembrando-lhe de que já estava acordada. Mas a paciente apenas sacudiu a cabeça.

“Não estou acordada,” ela falou, “Eles estão.”

Por “eles”, ela se referia aos outros dois pacientes que estavam em coma. Nesse ponto, os médicos já estavam confusos.

Um dos médicos explicou-lhe sobre o estado dos outros pacientes, que estavam em coma.

“Eles estão dormindo,” ele explicou, “não podem acordar.”

A paciente apenas o encarou, por um longo momento.

“Não,” ela finalmente falou, “Você ainda acredita que está acordado agora, não é? Veja bem, todos estamos dormindo agora mesmo. A sua mente ainda não acordou. Mas a nossa já. Por que acha que recusamos a voltar a dormir? Porque esse mundo, o mundo dos sonhos, é melhor que o mundo real, o qual vocês chamam de ‘pesadelos’. Não entendeu? Os outros pacientes, os que vocês dizem estar em coma, estão bem acordados agora. Estão cientes da ilusão que a humanidade criou. Se me puserem para dormir hoje a noite, eu acordarei também. Todos vocês acordarão... um dia. É apenas uma questão de tempo,”

Os médicos, ainda sem entender completamente o que ela estava falando, perguntaram outra vez:

“O que você quer dizer com isso?”

A paciente apenas sorriu, “Quando você acredita que está acordado, está apenas sonhando, mas quando você sabe que está sonhando, está na verdade acordado. É completamente o oposto do que vocês pensavam que sabiam. Vocês acreditam que estão aqui agora? Conversando comigo? Bom, pensem de novo. Vocês estão apenas dormindo. Mas hoje a noite, quando vocês forem pra cama, vocês acordarão. Aquelas coisas que chamam de ‘sonhos’, são suas realidades. E agora que já sabem disso, vocês também acordarão por completo hoje a noite. Presos para sempre em seus ‘sonhos’.”

Os olhos da paciente começaram a se fechar enquanto ela deitava em seu travesseiro. Mas antes de cair na inconsciência, ela conseguiu falar mais uma coisa, de forma suave:

“… todos teremos que acordar em algum momento…”

05/08/2016

O Vidente de Possibilidades

Às vezes, seres sobrenaturais encontram maneiras interessantes de tentar
entrar em contato com você. Eles podem usar um tabuleiro de Ouija, ou talvez
vir até você em um sonho, ou às vezes eles falam através de outra pessoa. Cada
um tem se próprio estilo e preferência específica. Aquele que entrou em contato
com Jack falou com ele através do seu computador, ou eu acho que posso dizer
que a comunicação foi feita por uma tela. A primeira vez que isso aconteceu,
Jack estava sentado no computador jogando Paciência. Uma luz vermelha
piscando no roteador indicou que sua conexão de internet caiu de novo. Essa
era, no mínimo, uma ocorrência semanal, e Jack estava se acostumando com
esse serviço de internet irregular. Enquanto ele movia suas cartas, o jogo se
desvaneceu em uma sólida tela preta e o texto vermelho apareceu.

“Olá, Jack, preciso de um favor seu. Você é uma pessoa muito especial e eu sei
que vai me ajudar. Posso perguntar isso simplesmente a qualquer um. Eu
realmente preciso da sua ajuda.”

Jack parou por um segundo. A luz do roteador ainda estava piscando em
vermelho. “Isso é algum tipo de piada?” Ele não pode deixar de se perguntar.

Vários momentos depois a mensagem continuou, “Sim, Jack, Eu sei que isso é
estranho para você. Mas eu não quero que se preocupe. Isso é apenas um
pequeno e fácil favor que preciso. Vou me assegurar que você seja
recompensado.”

Agora, quase em pânico, Jack procurou ao redor e puxou o cabo de internet
completamente da parede.

“Ainda estou aqui, Jack. Eu não quero tomar mais do seu tempo, então vou direto
ao que preciso. Amanhã, quando você for trabalhar, preciso que mova o grande
vaso de planta que está ao lado do elevador no térreo. Tudo que você precisa
fazer é puxa-lo 3 centímetros da parede. Se fizer isso as 8:17 da manhã,
ninguém mais estará na área.”

Jack sentou-se ali, se recusando a responder, ainda tentando descobrir o que
estava acontecendo.

A escrita continuou, “Olha, Jack, eu estou te pedindo isso porque eu SEI que
você vai fazer. Você não vai me desapontar. Você é especial. Nós
conversaremos amanhã.” Jack puxou o cabo de energia da parede e o
computador desligou. “Isso realmente acabou de acontecer?” ele pensou.

Ainda abalado pela experiência, ele tomou um banho quente e se preparou pra
dormir, se convencendo que ou ele tinha tido algum sonho louco ou que isso foi
só uma piada bem elaborada. Mas quem iria fazer esse tipo de brincadeira com
ele? Ele realmente não tinha amigos, ou inimigos.

Ele acordou na manhã seguinte se sentido revigorado. O trabalho começaria as
8:30, e Jack nunca se atrasava. Chegou ao estacionamento as 8:10.

Normalmente, ele só entraria, mas as mensagem o tinha dito pra mover a planta
as 8:17. Ele realmente faria isso? Durante a noite, o medo de Jack tinha se
transformado em curiosidade. Digamos que ele mudasse a planta, não estaria
fazendo nada errado ou ilegal, certo? Na mente de Jack, o curso mais sensato
da ação era mover a planta. Ele faria isso, nada iria acontecer, e ele poderia
deixar essa loucura toda pra trás. Um minuto antes das 8:17, Jack deixou o carro
e andou em direção ao prédio. Entrou no saguão no momento exato que deveria
entrar. A mensagem estava certa, ninguém mais ao redor.

“Esquisito”, Jack pensou. O edifício ficava normalmente ocupado a essa hora da
manhã, mas esta calmaria temporária tinha sido prevista precisamente.

“Bom! Vamos ver o que acontece,” Jack murmurou para si mesmo.
Ele andou até o grande vaso de plantas colocado firmemente entre os dois
elevadores no hall de entrada do prédio de dez andares. A planta parecia ser
falsa, uma decoração pela qual as pessoas passavam todo dia sem realmente
perceber. Era mais pesado do que Jack tinha imaginado. Ele fez um esforço e
puxou a planta a 3 centímetros em sua melhor estimativa. Se pôs de pé e olhou
para a planta, então olhou ao redor pelo hall. As pessoas estavam chegando
atrás dele agora e o saguão estava começando a encher novamente. Ninguém
pareceu notar que a planta estava em um local levemente diferente, nada parecia
diferente de qualquer modo. Jack deixou passar o próximo elevador e esperou,
esperou por…alguma coisa. Mas nada aconteceu. Finalmente, Jack entrou no
elevador e foi até sua cabine no 7º andar, na hora, como sempre.

Se você pedisse aos colegas de trabalho de Jack para descrevê-lo, ouviria
palavras como: educado, quieto, respeitoso e competente. E embora essas
palavras fossem todas corretas, elas davam pouca indicação para a verdade, a
verdade de que Jack realmente não gostava da maioria das pessoas. Isso não
quer dizer que ele não gostava delas, apenas tinha pouco interesse em conhecelas
ou ser seu amigo, a salvo por uma: Allie, a garota que sentava a duas cabines
da dele, era a única pessoa de que ele queria saber mais sobre. Com seu grande
sorriso, cabelo loiro e uma bela figura, Jack estava muito interessado em saber
tudo sobre ela. Apesar de sua falta de sucesso com as mulheres no passado,
ele realmente estava fazendo um bom trabalho em conhece-la. Todas as
manhãs quando ele passava por sua cabine, parava pra uma conversa. As
conversas duravam um minuto no começo, depois dois minutos, depois vários
minutos. Jack estava surpreso que ela realmente parecesse gostar dele.
Nesta manhã em particular, a conversa diária deles durou apenas alguns
minutos. Enquanto eles trocavam suas saudações diurnas e falavam sobre a
noite selvagem de Allie, as portas do elevador se abriram atrás deles. De lá saiu
mancando James Bentley, o chefe de Jack e Allie.

A reclamação em voz alta de James podia ser ouvida em todo o escritório “Meu
maldito pé!”

“O que aconteceu, James?” vieram as perguntas murmurantes.

“É essa planta de merda que eles têm no saguão. Eu tropecei nela e torci meu
tornozelo.”

“James, você mal consegue andar. Precisa ir ao hospital”, veio a resposta
preocupada de Allie.

“Não posso agora. Tenho reuniões o dia todo. Muito importantes pra cancelar.
Eu vou ter que aguentar.”

Jack, se sentindo paralisado, deixou a cabine de Allie no meio da conversa e se
afundou em seu carro. Era culpa dele, ele estava certo disso. Como ele pôde ser
tão estúpido e descuidado? Entretanto, não tinha sentido em se preocupar com
isso agora. Um tornozelo torcido iria se curar, tudo ficaria bem.

Ao chegar em casa, Jack foi imediatamente para seu computador e o ligou.
Assim que o computador inicializou, a tela ficou preta e uma nova mensagem
surgiu.

“Como foi o seu dia, Jack?”

Ele sentou lá, contemplando a tela, sem saber como responder. A mensagem na
tela continuou, “Na verdade, eu sei como foi o seu dia, mas nunca deixe que
digam que eu não sou educada. Você está se perguntando o que está
acontecendo. Você quer saber por que James Bentley teve que torcer seu
tornozelo. Bom, Jack, esta cadeia de eventos não terminou. Eu não quero te
dizer muito tão cedo, mas tudo isso fará sentido para você em pouco tempo.
Simplesmente vá para o trabalho amanhã como você faz normalmente. Não se
preocupe com nada, Jack. Você será recompensado. Você é especial. Falo
contigo amanhã.”

Jack sentou-se de volta em sua cadeira. O que estava rolando? Quem era esse
que estava mandando mensagens? A curiosidade de Jack estava totalmente
ocupada, e ele estava quase um pouco animado pra ver o que aconteceria em
seguida.

A manhã seguinte no trabalho começou como qualquer outro dia ordinário. Jack
notou que a planta tinha sido puxada de volta totalmente contra a parede,
provavelmente pela equipe de limpeza da noite. James Bentley apareceu
brevemente depois do almoço, mancando pelo escritório com seu pé bom.

“Cara, esse pé está me matando,” Jack podia ouvi-lo dizer, mas, aparentemente,
James ainda tinha uma reunião que não queria perder. Não eram nem três horas
quando Jack o viu de novo. James, que sempre pareceu preferir Allie aos outros,
veio mancando até à cabine dela.

“Allie, você não está ocupada agora, está?”

“Hm, não. Nada que não possa esperar até amanhã, eu acho.”

“Ótimo, você poderia, por favor, me levar até meu médico? Provavelmente eu
deveria ter ido ontem, mas simplesmente não pude sair. Essa dor está
simplesmente me matando bem agora e eu não acho que consiga dirigir, mal
consegui chegar aqui essa manhã e acho que não posso nem pisar no
acelerador agora. Podemos usar meu carro, se você quiser.”

“Sim, tudo bem, James, eu não tenho problema em te levar.” Virou-se para Jack
e disse adeus, “Te vejo amanhã, Jackie.” Vestiu o casaco e seguiu James
lentamente enquanto ele se contorcia pelo corredor. Deu meia volta e encolheu
os ombros na direção de Jack com um sorrisinho enquanto caminhava. Jack se
sentiu ainda mais solitário do que o normal quando ela se foi.

Foram dez minutos depois que todos ouviram a batida. Foi precedida pela sirene
barulhenta de uma carreta e buzinas guinchando. A colisão em si foi um baque
feio de dois objetos largos de metal se chocando. Mesmo do sétimo andar foi
estrondoso. Os trabalhadores do escritório se engasgaram e correram para as
janelas.

“Este é o carro de James?” um deles perguntou.

“Difícil dizer daqui de cima”, alguém respondeu, “está tão amassado”
A terrível conclusão do que tinha acabado de acontecer veio a Jack
imediatamente.

“Não, não, não,” ele pensou. “Isso não pode ser verdade.”

Se agitando por todo o caminho, ele correu até o elevador e foi até o térreo, junto
com um monte de outras pessoas do escritório. Algum deles estavam chorando.

Enquanto eles se juntavam à multidão crescente ao redor da cena do acidente,
Jack conseguia ouvir o som distante de ambulâncias. Olhando para além dos
curiosos, ele conseguia ver que a carreta tinha batido no lado do carro de James,
o motorista tinha sido jogado pra fora no pavimento onde estava deitado, imóvel.

James estava sentado no banco de passageiros do seu carro, sem se mexer,
mas com um olhar surpreso em sua face ensanguentada. Jack não podia dizer
se ele estava vivo ou morto. O lado do motorista, onde Allie estava sentada,
tomou a batida. O espaço que ela ocupava tinha sido compactado para um terço
do tamanho original. A cabeça de Allie estava esmagada e aberta e seu corpo
retorcido foi quebrado e golpeado. A multidão estava paralisada. Lágrimas,
gritos, sirenes; isso era tudo que Jack conseguia ouvir. Sem voltar para o prédio,
Jack correu até seu carro e dirigiu para casa, irritado e triste.

Ele fez a jornada para casa, até o computador. Lá estava a máquina. Ele queria
liga-la, mas estava com medo do que encontraria. Foi realmente ele o
responsável pela morte de Allie? A cadeia de eventos inteira tinha começado
com ele. Sabia que era o culpado. Jack estendeu a mão até o botão de ligar,
mas puxou de volta. Finalmente, após vários minutos, ele encontrou a força
mental para liga-lo. A tela piscou e então ficou preta, e o texto familiar começou
a aparecer na tela.

“Não, Jack, não é culpa sua. Eu sei que está se culpando, mas todo mundo morre
eventualmente, alguns apenas mais cedo do que outros.”

Jack olhou para a tela.

Ele resistiu ao impulso de jogar o monitor no chão.

Após um momento, a escrita continuou, “Jack, eu vou te dizer uma coisa, e eu
realmente preciso que você considere seriamente tudo que estou prestes a dizer.
Você pensou que estava apaixonado pela Allie. A verdade é, você só queria
transar com ela. E, por gentileza, perdoe meu linguajar, de vez em quando é
melhor ser franca. Jack, ela não era a pessoa certa pra você. Ela teria feito a sua
vida se tornar miserável. Sim, você finalmente teria encontrado a coragem de
convida-la. Ela realmente estava interessada em você. Ela pensou que você
seria um bom “projeto”. Triste, sério, para ela, não para você. Eu quero que você
pense de novo em todas as coisas que ela te disse. Por que seu último namorado
terminou com ela?”

“Porque ela traiu ele”, Jack resmungou em voz baixa.

“Porque ela traiu ele, Jack. A mesma coisa que teria feito contigo. Ela te faria
feliz por cerca de 2 meses, e então miserável pelos próximos 4 anos. Saindo
por aí, rindo de você pelas costas, gastando todo o seu dinheiro. Uma vez que
você finalmente se livrasse dela, já estaria tão cansado que nunca mais
namoraria de novo. Isto é verdade, Jack. Eu vejo todas as futuras possibilidades,
aquelas que vêm para passar e aquelas que não. Você viu como ela realmente
era, Jack, mas deixou seu desejo por ela te cegar para a verdade. Juntos, você
e eu, tivemos certeza de evitar esse caminho. Só mais uma coisa, Jack, isso não
terminou. Há mais por vir.”
“Não! Vai se foder! Você a matou!” Jack gritou e então jogou o monitor da mesa.
Ele aterrissou no chão e desligou. Jack quase não dormiu naquela noite, e no
dia seguinte ele não tinha certeza se queria ir ao trabalho, mas as últimas
palavras que o tinham sido ditas despertaram sua curiosidade, e sua raiva tinha
diminuído um pouco. Nenhum trabalho foi feito no escritório naquele dia. A
empresa estava em terapia de luto, pessoas compartilham seus pensamentos,
choravam, se abraçavam. James tinha sobrevivido ao acidente, na verdade, mas
estava em coma. Os médicos pensaram que ele poderia se recuperar,
eventualmente, mas ninguém estava realmente certo.

No final daquela tarde, Jack foi abordado por Diego Salbara, o líder da divisão.
Diego foi franco e aberto, e ofereceu o cargo de James para Jack. Tecnicamente,
seria uma promoção temporária, mas James não estaria de volta tão cedo. Diego
o prometeu que a promoção seria feita permanente assim que tempo suficiente
tivesse passado.

“Vamos manter esse limite por enquanto.” Diego o disse. “Eu sei que pode
parecer rápido, mas o projeto Lancaster que James estava trabalhando não pode
ser interrompido. É muito importante para a empresa. Eu preciso de alguém
encarregado imediatamente, isso não pode esperar.”

Atordoado, Jack aceitou a promoção. Ele deixou o trabalho com uma mistura
estranha de sentimentos, sem realmente ter certeza de como se sentia sobre
qualquer coisa. No caminho para casa, ele parou na loja de eletrônicos e
comprou um novo monitor. Chegou em casa e ligou o computador. Mais uma
vez, a escrita surgiu na tela.

“Jack, eu quero ser o primeiro a te parabenizar! Estou tão orgulhoso do que você
realizou.”

Jack olhou para a tela.

“Jack, eu tenho que pedir perdão por não ter me apresentado ainda. Eu me
chamo Vidente. Como te disse antes, eu posso ver o que será, e o que pode ser.
É um dom muito poderoso que eu tenho. Mas sabe de uma coisa, Jack? Por
causa de todo o meu poder, eu não posso fazer nada corpóreo. Eu posso prever,
posso ver, e com muito esforço, posso até mesmo me comunicar. Mas eu não
tenho um corpo, isso é algo que me foi tirado a um longo, longo tempo atrás. É
por isso que eu preciso de você, Jack. Eu sou um artista mal visto, um artista da
manipulação humana. Você será meu pincel e minha tela. Eu quero você
trabalhe comigo, Jack. É tudo muito simples, basta executar tarefas simples para
mim de vez em quando.”

Jack estava ficando cada vez mais curioso.

“E, Jack, antes que você me responda, eu quero que saiba de algumas coisas.
Primeiro, eu nunca mentirei para você, segundo, eu nunca te pedirei para fazer
qualquer coisa que, por si só, é considerada errada ou ilegal. Sim, coisas ruins
vão acontecer, e as vezes pessoas morrerão, mas elas vão morrer um dia, de
qualquer forma, certo, Jack? E o mau sempre será equilibrado por alguma coisa
boa que aconteça com você.”

Jack estremeceu com esta última ideia, mas ele lutou contra a vontade de
desligar o computador. O Vidente estava certo. Todo mundo morreria um dia,
por que não deixar algo de bom acontecer? E sobre nunca mentir para ele? Se
ele soubesse no momento que Allie morreria, ele nunca teria feito o favor original.
Mas, enquanto ele pensava mais sobre isso, percebeu que o Vidente não tinha
mentido para ele, só tinha ocultado informações. Ainda assim, Jack se perguntou
se poderia confiar no Vidente.

“Trabalhe comigo, Jack, juntos nós faremos coisas incríveis acontecerem. Eu só
estou te pedindo pra realizar pequenos favores de tempos em tempos. Oh, mas
esses pequenos favores terão ótimas consequências! Eles serão bonitos, Jack,
e sempre terminarão com uma recompensa para você. Esta é a beleza da minha
arte, uma simples tarefa produz algo bom e algo ruim. Oh, uma última coisa,
Jack, eu posso ver que você está tendo problemas com isso. Se eu parasse de
falar contigo bem agora, levaria cerca de duas semanas para você decidir se
juntar a mim. Mas sabe de uma coisa, Jack, você se JUNTARIA a mim. Está
certo, você vai dizer sim. Então ao invés de esperar, por que não diz sim pra mim
agora? Vamos começar, Jack. E quando tudo isso terminar, você vai me
agradecer. Eu te prometo."

Jack considerou o que O Vidente tinha acabado de dizer. Seu sentimento inicial
de revolta estava enfraquecendo lentamente. Ele parou, e então, pela primeira
vez, pôs os dedos no teclado e respondeu diretamente ao Vidente. “O que você
quer que eu faça agora?”
_____________________________

Conforme os anos foram passando, Jack fez cada favor que o Vidente o pediu,
e como o Vidente o tinha prometido, Jack foi recompensado por suas ações cada
vez. As recompensas muitas vezes vieram de maneiras inesperadas e
interessantes. Uma das experiências mais memoráveis para Jack aconteceu
cerca de dois anos depois que ele concordou em ajudar o Vidente pela primeira
vez.

“Jack, eu preciso que você vá ao centro amanhã,” o Vidente solicitou. “Entre na
Garmin’s Liquor exatamente as 12:37. Um homem te fará uma pergunta. A
resposta que você deve lhe dar é: “vinte e sete”. Como sempre, as instruções do
Vidente eram simples e diretas, porém misteriosas. No dia seguinte, como
solicitado, Jack entrou na loja. Na frente dele, um trabalhador corpulento da
construção estava no balcão preenchendo um cartão de loteria.

“Vejamos aqui,” disse o trabalhador da construção, “Meu aniversário, que é dia
15, o da minha esposa, que é dia 24, e a idade dos meus filhos, dois, dez e
treze.”

O homem coçou a cabeça e olhou ao redor, mirando em Jack, “Ei, companheiro!

Preciso de outro número. Tu tem algum pra mim?”

Jack sorriu, “Vinte e sete.”

“Sério? Eu tava pensando em por trinta e cinco. Mas quer saber, eu fui com a
sua cara, vamos de vinte e sete!”

Com isso, o homem completou o folheto e pagou pelo seu tíquete de loteria. “Té
mais, companheiro!”, Ele disse alegremente, dando uma palmada no ombro de
Jack no caminho até a porta.

Jack tentou não pensar mais no que aconteceria a este homem. “Só deixe essas
coisas rolarem, Jack. Você nunca adivinhará como essas coisas acabarão,
apenas deixe-se ser surpreendido.” o Vidente o aconselhou. Ainda assim, era
impossível não se perguntar sobre essas coisas de vez em quando. Ele sabia,
considerando o jeito como o Vidente trabalhava, que não havia qualquer maneira
dele realmente ter ajudado este homem. Mas ter dado um número de loteria
errado? Isso era muito simples para o Vidente. E ele não conseguia imaginar
que tinha realmente dado a ele o número vencedor. Então foi assim que Jack
ficou surpreso, quando, duas semanas depois, encontrou com o mesmo homem
de novo, dessa vez no mercado.

” Ei, companheiro! É você! Eu me lembro de você! Veja só, eu ganhei!” De fato,
o homem parecia como um milionário. Vestindo roupas novas, um novo relógio
de ouro, um grande sorriso pateta, o homem caminhou até Jack.

“Eu achei que não fosse te ver nunca mais, mas estou feliz que esteja aqui. Eu
não poderia vencer sem você. Ei, deixa eu comprar essas coisas pra você. Não,
espere, não é o suficiente pra você, você é meu amuleto da sorte. Sempre devo
tratar as pessoas bem, isso que minha mãe sempre diz.”

Levando a mão até seu bolso, o homem tirou seu talão de cheques e
prontamente escreveu a Jack um cheque de dez mil dólares. “É o mínimo que
posso fazer pelo meu amuleto da sorte.”

Após agradecer ao homem, e se sentir um pouco confuso pela coisa toda, Jack
correu até em casa para seu computador. Depois de liga-lo, a escrita do Vidente
apareceu na tela. “Bom, Jack, como é se sentir dez mil dólares mais rico?”

“É bom. Mas eu não posso deixar de me perguntar, nós nunca ajudamos
ninguém antes. Por que começaremos agora?” Jack fez a pergunta com uma
pontinha de culpa. Ele nunca gostou de admitir que as pessoas estavam sendo
machucadas por suas ações, mas neste caso, sua curiosidade superou
quaisquer sentimentos ocultos de culpa.

“Oh, Jack, nós não ajudamos ninguém. Sim, o homem está feliz agora, mas ele
terá perdido cada centavo em dois anos. Você viu por si só, ele simplesmente
distribui dinheiro por aí. Velhos amigos, parentes perdidos, todos eles virão
pedindo dinheiro a ele. E haverá alguns investimentos muito ruins também. O
estresse de perder tudo fará com que sua esposa o deixe. Ela vai levar as
crianças também. Ele estará sozinho e duro, um homem arruinado que estaria
muito melhor se nunca tivesse ganhado na loteria. Você não precisa se sentir
mal, Jack, é a própria estupidez e ganância do homem que farão isso a ele.”

Jack sentiu um pouco de arrependimento, mas a racionalização do Vidente, e o
foco em sua recompensa, sempre o colocavam em paz no final.

Ao passar dos anos, nenhuma tarefa era sempre igual. Às vezes os efeitos de
suas ações eram diretos e fáceis de ver, outras vezes eles causavam uma
reação em cadeia tão complexa que ele simplesmente não podia seguir.

“Vá ao edifício do administrador do estado, estacione no número 43 às 16:47”

Veio tal pedido. Jack o fez, e dois meses depois conheceu Donna, com quem se
apaixonou e acabou se casando. Ele sequer saberia que os dois eventos
estavam relacionados se não tivesse perguntado ao Vidente sobre.

“Jack, quando você estacionou naquele espaço, fez com que a pessoa que teria
estacionado lá fosse estacionar em um local diferente, mas essa pessoa bateu
o carro ao lado do dela. Não fez quase um arranhão, mas ela chamou o agente
de seguros mesmo assim, fazendo-o sair tarde do escritório. Ele perdeu o trem
pra casa, e enquanto esperava pelo último trem, foi assaltado e esfaqueado, ele
nunca irá se recuperar totalmente. Os assaltantes levaram seus cartões de
crédito e os usaram...e, Jack, eu poderia continuar com isso, mas há mais vinte
e três pessoas envolvidas. Às vezes, esses favores serão muito complicados,
mas digamos apenas que, no fim das contas, sua ação fez Donna estar no local
exato para que você a conhecesse.”

A relação de Jack com o Vidente cresceu. Embora, em sua maior parte,
permanecesse misteriosa, o Vidente divulgou informações suficientes ao longo
do tempo para que Jack obtivesse uma compressão geral da história dele. A
partir de referências histórias, Jack sabia que o Vidente tinha milhares de anos.
Quando ainda vivo, ele tinha sido um poderoso vidente e artista, que previu
acontecimentos futuros através de pinturas. Um rei tolo, que interpretou mal sua
previsão e perdeu a batalha, como resultado, condenou o Vidente à execução.
Livre de sentimentos físicos, e existindo em um vazio solitário, as habilidades do
Vidente se expandiram exponencialmente. Finalmente aprendendo a se
comunicar com os vivos, ele começou a procurar por aqueles que responderiam,
incluindo Jack. E, é claro, o Vidente sabia tudo sobre ele. Ao todo, era como a
amizade que alguém pode ter com uma pessoa morta. E Jack estava grato ao
Vidente também. Ele tinha um bom trabalho, uma boa casa, uma bela esposa, e
as pessoas o respeitavam. Estava feliz, algo que realmente nunca tinha sido
antes do Vidente ter entrado em contato com ele.

Doze anos passaram no total, doze bons anos para Jack. Tarefa após tarefa
foram concluídas, geralmente cerca de uma a cada mês. Jack, sentado no
escritório de sua grande casa rural, foi contatado pelo Vidente mais uma vez.
“Olá, Jack, eu tenho um favor a te pedir. Esse é o mais fácil até agora, você não
tem nem que levantar. Ligue para Riago’s Pizza em exatamente dois minutos,
deixe o telefone tocar três vezes, então desligue.”

Jack sorriu, bom e fácil. Ele não se perguntava mais sobre como essas tarefas
se desenrolariam. Ele confiava no Vidente e simplesmente fazia o que lhe era
dito. Jack fez a ligação, exatamente dois minutos depois.

A tranquilidade da casa foi quebrada 30 minutos depois pelo toque da
campainha. “Isso é estranho”, Jack pensou. Nem ele nem Donna estavam
esperando ninguém. Jack olhou pelo olho mágico e viu um entregador de pizza.
O logotipo em seu boné dizia “Riago’s Pizza”.

Jack abriu a porta. “Aqui está sua pizza” disse o garoto ao empurra-la nas mãos
de Jack.

“Mas eu não pedi isso” Jack argumentou.

“Olha, eu não dou a mínima se você pediu isso ou não. Sr.Riago me disse pra
traze-la aqui, então é o que estou fazendo.” O entregador falou, enquanto parecia
cada vez mais irritado, e cuspiu nos arbustos.

Jack olhou para o garoto em sua frente. Ele parecia ter dezessete anos, mas a
coisa mais notável sobre ele era seu tamanho, ele era enorme. Provavelmente
cerca de 1,84 metros de altura, e bem musculoso.

“Já está pago pelo cartão de crédito, só pegue isso, porque eu não vou entregar
de volta.” O garoto estendeu a mão para uma gorjeta.

“Eu, eu não tenho nenhum dinheiro comigo.” Jack disse a verdade.

“Que seja”, veio a resposta enojada. O garoto olhou para dentro da casa, além
de Jack, então se virou e caminhou lentamente para o carro a sua espera,
olhando por cima do ombro enquanto andava.

Jack fechou a porta e levou a pizza até a sala, onde Donna estava assistindo
TV. Após explicar o que tinha acontecido, ele deu uma desculpa para ir até seu
escritório, prometendo retornar em rapidinho.

Donna abriu a pizza e pegou um pedaço. “Volta logo, amor, esta pizza tem todos
os seus condimentos prediletos.” Donna deu uma risadinha enquanto deu uma
mordida.

Chegando até o computador, as palavras do Vidente apareceram na tela.

“Confuso, Jack? Não fique. Seu vizinho no fim da rua pediu a pizza. Sr. Riago
disse ao garoto o endereço correto, mas um telefone tocando tornou difícil ouvilo
claramente. Ainda assim, dê os créditos ao garoto, ele chegou à rua certa,
pelo menos.”

“Então minha recompensa é uma pizza?” Jack escreveu, um pouco confuso.

“Sim, Jack, sua recompensa é uma pizza, e também a chance de passar um
pouco de tempo com sua esposa. Vá lá embaixo, compartilhe a pizza, divirta-se.
Quando terminar, faça amor com Donna. Essa não é uma de suas tarefas, é só
um conselho que eu acho que você deveria seguir. Oh, a propósito, seus vizinhos
que pediram a pizza estão discutindo bem agora sobre o estúpido fato de que a
pizza não chegou. Alguma das coisas sobre a qual as pessoas discutem me
surpreendem, realmente surpreendem. A briga deles vai ficar bem mais
acalorada, mas você não precisa se preocupar com isso. Vá, aproveite sua
noite.”

Jack seguiu o conselho do Vidente, se aconchegou com Donna enquanto eles
curtiam seu lanche, então fez amor com ela no grande e confortável sofá da sala.
Donna dormiu no sofá brevemente depois das 23:00. Jack deitava lá, acordado,
seu último favor simplesmente pareceu estranho. Retirando cuidadosamente seu
braço de baixo de Donna, Jack deixou a sala de estar e subiu as escadas.

Sentado em seu computador, Jack escreveu, “Está aí?”

“Sim, Jack, na verdade, estou sempre aqui. Eu estive esperando você voltar.
Aquele entregador de pizza. Ele é bem forte, não é?"

Jack olhou com curiosidade para a tela.

O Vidente continuou, “Ele é um péssimo empregado. Foi contratado apenas a
três dias atrás e o Sr.Riago já que despedi-lo, mas com seu físico atlético, ele é
forte, rápido e MUITO observador. Por exemplo, ele notou que você não trancou
a porta da frente depois que ele entregou a pizza.”

“O que?” Jack disse alto enquanto começava a se levantar.

“Sente-se, Jack. Eu preciso te dizer algo importante, e trancar a porta agora não
mudará a situação.”

Jack sentou-se lentamente de novo no computador, olhando para trás como fez
antes.

“Veja, Jack, é verdade que eu nunca menti pra você. Tudo que eu sempre disse
a você é 100% honesto. Mas sim, eu ocultei certos fatos. Veja bem, eu te disse
que cada tarefa faz com que algo ruim e algo bom aconteça a alguém e alguma
coisa boa aconteça a você, mas há uma terceira coisa. Há um último objetivo em
que cada tarefa estava trabalhando. Lembra da Allie? Claro que lembra. O que
você provavelmente não se lembra sobre ela é que ela estava esperando seu
salário para pagar a faculdade do irmão. Quando ela morreu, ele teve que sair.
Ele seria um grande psicólogo, mas agora trabalha em uma fábrica, ao invés
disso. Isso é realmente muito ruim para o nosso entregador de pizza, ele poderia
ter sido um bom terapeuta a alguns anos atrás, mas esse bom terapeuta não
estava lá para ele, ao invés disso, ele virou só um charlatão Freudiano. E lembra
do nosso ganhador da loteria? Sim, você lembra. Ele era vizinho do nosso
entregador de pizza, depois de ter perdido todo o seu dinheiro, é claro. Ele bateu
sem consciência no garoto depois do mesmo ter saltado para a rua em frente ao
seu carro. Uma memória bem traumática para o nosso jovem rapaz. A mãe dele
não ligou para o acidente, não protegeu o menino. Ela não conseguia, não depois
de usar todas as drogas dadas a ela pelo seu namorado, que calhou de ser um
dos assaltantes que roubou o agente de seguros. Ele comprou as drogas com o
dinheiro que fez do assalto. Você entende agora o âmbito da minha arte?”

Jack sentou, deslumbrando o monitor. Ele queria levantar, para ver Donna, mas
estava com muito medo para se mover.

O Vidente continuou, “Jack, você fez mais de cem tarefas para mim, e cada uma
serviu a um propósito final, o de destruir psicologicamente este garoto,
transforma-lo em um monstro, e traze-lo aqui esta noite. Não vê, Jack? Isto
envolveu dezenas de milhares de pessoas, e bilhares de possibilidades. Se você
tivesse falhado em completar mesmo uma das tarefas, a cadeia inteira teria
desmoronado. Isto foi orquestrado por mim, e executado por você. Juntos nós
fizemos algo maravilhoso, esta é uma obra-prima da manipulação humana.
Nossa obra-prima. E tudo começa e termina com você, dois pontos perfeitos no
tempo. Hoje à noite, endereço errado, nenhuma dica, este pobre garoto
finalmente estourou. Ele está lá embaixo bem agora. Está cortando a garganta
de Donna neste exato momento.”

Jack conseguiu ouvir um grito curto, abafado vindo da sala de estar, seguido por
um ruído borbulhante.

“Não!” Jack gritou e se levantou, começando a correr lá pra baixo.

“Jack, pare!” A voz assustou Jack. Estava dentro de sua cabeça. Pela primeira
vez, o Vidente estava falando com ele diretamente. Era uma voz agradável, uma
voz feminina. “Você não pode fazer nada, ela já se foi. Ele virá até você em
breve, e você não pode pará-lo.”

“Mas por quê?” Jack chorou com lágrimas brotando de seus olhos.

“Não é uma obra de arte se não começar e terminar com você, Jack.” Sua voz
era suave. “Eu quero que você aprecie o fato de que estou falando contigo
diretamente. Isso requer toda a minha energia, e, como resultado, terei que
descansar durante vários anos antes que possa entrar em contato com alguém
novamente. É dessa forma que você é especial para mim. Por favor, não sinta-se
mal por isso, Jack. Eu quero que você pare por um momento e desfrute do
nosso feito tanto quanto eu.” A voz fez uma breve pausa, e então continuou.

“Quer saber, Jack? Se eu nunca tivesse entrado em contato contigo, você teria
vivido por oitenta e cinco anos. Oitenta e cinco anos chatos, sem sentido e
amargos. E quando morresse, ninguém estaria no seu funeral. Eu te dei doze
grandes e significativos anos. Você estava feliz, e juntos nós fizemos algo belo,
algo único.”

Jack parou por um minuto e considerou seus doze anos de felicidade, e suas
lágrimas de tristeza se misturaram à lagrimas de alegria. Ele se virou e olhou
para o computador, enquanto atrás dele, o enorme e demente do entregador de
pizza apareceu na porta com uma faca ensanguentada na mão esquerda.

Na tela, as últimas palavras do Vidente apareceram, “Não tem algo a me dizer,
Jack?”

Jack enxugou suas lágrimas e absorveu tudo que o Vidente o tinha dito.

Enquanto o hulk começava a se aproximar dele, Jack murmurou suas últimas
palavras: “Obrigado.”

Escrito por: Thomas O.
Traduzido e adaptado por: Gabriel Michelli
Disponível para leitura (inglês) em:
http://www.creepypasta.com/the-seer-of-possibilities/