17/02/2017

Creepypasta dos Fãs: Tudo começou quando nos mudamos para uma casa no meio de uma floresta estranha

01001110 11100011 01101111 00100000 01101100 01100101 01101001 01100001
Esse é um manuscrito encontrado no quarto de um paciente.

***

Tudo começou quando nos mudamos para uma casa no meio de uma floresta estranha. Não me entenda mal, eu até que gostava dela, mas o que eu achava estranho era o modo que todos nos olhavam. Sim, todos naquela cidade nos olhavam com um olhar de pena e de medo. Ah, me desculpe. Se você está lendo isso, eu já estou morto. Mas se você é curioso, vá em frente e continue lendo. Mas não te garanto segurança a noite. E se está lendo até agora, significa que você quer realmente saber o que houve comigo e com minha família.

Estávamos de mudança quando fomos para aquela casa, naquela cidade, e naquela floresta estranha.

Eu estava retirando as caixas do caminhão, sendo ajudado pela minha esposa e minha filha de 18 anos. E quando estávamos arrumando as coisas, meu filho começou a sair correndo para fora. Então eu perguntei: “O que foi, Gabriel?”.

Ele disse: “Papai, eu acabei de ver um cara na floresta”.

Eu simplesmente pensei que fosse brincadeira de criança, afinal, meu filho só tinha 7 anos. Era normal para a idade dele ficar criando seus amigos imaginários.

Então, finalmente o sol começou a se pôr. Eu ganhava a vida sendo repórter, e eu havia mudado para aquela cidade para fazer uma reportagem completa sobre a população de lá. Mas não havia contado isso para meus pais, que sempre diziam que queriam o melhor para mim. Então eu simplesmente aceitei o emprego e fui para essa cidade.

No meio da noite, eu fiquei com sede e fui para a cozinha beber algo, mas eu acabei me deparando com meu filho parado, olhando fixamente a floresta. Cheguei perto e perguntei: “Filho, o que foi?”.

E ele simplesmente disse: “Ele não gostou de você”.

Eu paralisei na mesma hora. Meu próprio filho me disse isso, e no meio da madrugada. Eu o levei para a cama. E como eu já estava acordado, eu simplesmente fui usar meu computador, a fim de pesquisar mais sobre a população da cidade, pois eu não queria apenas saber sobre a população, mas sim sobre seus antepassados. Afinal, essa cidade não era tão amigável assim nos últimos séculos, então resolvi pesquisar um pouco sobre aquela cidade.

E após algumas horas pesquisando, eu já havia conseguido criar a reportagem sobre aquela cidade. Mas de repente, meu chat começou a piscar. Alguém havia conseguido meu e-mail, e queria conversar comigo. Eu simplesmente o abri e comecei a conversar:

- Quem é você?

Eu perguntei, e em seguida veio a resposta, que por sinal, eu não entendi nada:

"01010011 01100001 01101001 01100001 00100000 01100100 01100101 01110011 01110011 01100001 00100000 01100011 01100001 01110011 01100001 00101100 00100000 01101001 01101101 01100101 01100100 01101001 01100001 01110100 01100001 01101101 01100101 01101110 01110100 01100101".

Eu apenas achei que fosse algo bobo, e perguntei:

- Escreva, por favor.

E em seguida veio a resposta, que mais uma vez, me deixou bastante intrigado:

"01000101 01101100 01100101 00100000 01100101 01110011 01110100 11100001 00100000 01101111 01100010 01110011 01100101 01110010 01110110 01100001 01101110 01100100 01101111 00100000 01110110 01101111 01100011 11101010 00101100 00100000 01110011 01100101 01110101 00100000 01100110 01101001 01101100 01101000 01101111 00100000 01101010 11100001 00100000 01110011 01100001 01100010 01100101 00100000 01110001 01110101 01100101 01101101 00100000 01100101 01101100 01100101 00100000 11101001 00101110".

E então eu desliguei o computador e fui ver que horas eram no relógio. Era 8h da manhã. O tempo havia passado rápido. Então fui preparar um café para minha família.

Me deparei com minha filha me encarando. Eu logo perguntei o que havia acontecido. E ela me respondeu:

- Pai, eu juro que vi alguém me observando enquanto dormia.

Eu logo paralisei, não sabia o que dizer, então simplesmente dei um beijo na testa dela. Logo após isso, Gabriel acordou, e eu então o perguntei:

- Filho, quem não gosta de mim?

E ele logo apontou para a floresta. Eu não entendi bem. Mas não me importei muito, como disse, ele era uma criança. Amigos imaginários eram normais para ele. Minha esposa levou meus filhos para o colégio e eu logo fiquei sozinho em casa. Por curiosidade, decidi visitar a floresta.

Ela era diferente de todas as que eu já vi. As árvores eram finas, mas o que mais me assustou foi que a visão de longe era hipnotizante demais, e me deixava com arrepios por todo o corpo.

Pode ser loucura, mas eu jurava ter visto uma silhueta negra em meio as árvores.

Então fui logo em direção a ela. E quando cheguei, ela simplesmente desapareceu. Quando olhei para a direção ao lado da árvore, veio um frio em minha barriga.

Essa direção dava de encontro perfeito a uma visão do quarto da minha filha. Então fui de volta para minha casa, e quando entrei no meu e-mail, recebi uma mensagem nova:

"01000101 01101110 01110100 11100011 01101111 00111111 00100000 01101010 11100001 00100000 01110011 01100001 01100010 01100101 00100000 01110001 01110101 01100101 01101101 00100000 01110011 01101111 01110101 00100000 01100101 01110101 00111111".

Cansado de tudo isso, fui procurar algum tipo de tradutor online, e descobri que isso é chamado de código binário. Traduzi, e logo fiquei muito assustado com as mensagens. E fui com muita coragem e medo conversar com a pessoa no chat:

- Então, quem é você?

Não demorou muito até eu receber a ultima mensagem:

“Me encontre na praça da cidade às 14h em ponto”.

Eu até que fiquei surpreso por essa mensagem ser escrita dessa vez. E por curiosidade, fui para a praça quando o relógio deu 14h. Na praça, eu me deparei com uma senhora me chamando. Ela logo foi para uma biblioteca, e eu fui em seguida.

Lá começamos a conversar, primeiro eu perguntei como ela conseguiu meu e-mail. Ela disse que não era difícil conseguir o e-mail de um repórter em uma cidade tão estranha como essa. E então fui direto ao ponto.

- O que você quer comigo?

Ela simplesmente me deu um livro velho, e então me disse: “Tome cuidado com ‘ele’”. Ela foi embora logo em seguida. Como eu já estava em uma biblioteca, comecei a ler o livro.
Ele parecia ter sido escrito no século passado, não me parecia ser muito atual. E então, após algumas horas de leitura, eu comecei a entender do que ele se tratava. Era apenas um livro sobre a história da cidade. Eu logo comecei a rir de tudo aquilo, e então fui para a casa, pensando que uma senhora de idade queria me ensinar o que eu já sabia, afinal, eu já havia dito isso em minha reportagem sobre a cidade.

Cheguei na minha casa, e meu filho logo me chamou animado. Eu fui até ele, e ele me deu um desenho estranho.

Era um ser meio humanizado, ao lado de varias árvores, mas por algum motivo, meu filho não havia feito as roupas desse ser, mas o que mais me chamou a atenção nele era o seu rosto. Ele tinha uma espécie de sorriso torcido.

Eu logo assemelhei a silhueta que vi na floresta à esse desenho de meu filho. Eu comecei a raciocinar... A idosa me disse para ter cuidado com ‘ele’.

Então fui direto até o computador, e em cima da mesinha ao lado, estava o livro que a senhora idosa havia me entregado.

Pesquisei sobre aquela cidade em um site de imagens, e o que eu vi era no mínimo estranho. Era uma espécie de seita, as imagens eram muito parecidas com esta que eu descrevi. Todas sem exceção estavam em conexão com a cidade e a floresta, e o que me deixou ainda mais perturbado era que minha casa estava incluída nessas imagens. Mas pareciam ser de um tempo um pouco passado, pois a tintura não era idêntica a da minha atualmente.

Fui logo pesquisar mais a respeito dessas fotos. Alguns sites diziam que elas eram de algum tipo de seita para uma criatura pagã. Mas isso era apenas uma lenda. Alguns até diziam que essas seitas foram criadas a partir do século XV e foram até meados do século XIX. O motivo para tal ato ser cessado era que alguns povoados começaram a modificar a cultura do local, e logo assim, a criatura adorada começou a ser esquecida ao decorrer dos séculos. E a casa da fotografia era uma espécie de residência temporária do sacrifício religioso, onde a vitima iria viver lá e teria seus familiares mortos brutalmente por esta criatura, mas ele pegaria algum membro dessa família.

Após ler isso, eu fui correndo até o quarto de meu filho Gabriel, e perguntei: 

- Filho, onde seu amigo mora?

Ele pegou minha mão e então caminhamos até a floresta, estava tarde e o sol começou a perder seu brilho, dando passagem para a lua. Enfim chegamos a uma espécie de caverna. Ela ficava um pouco longe da minha casa, e eu acabei entrando neste lugar, mas parei assim que vi uma pequena fotografia no chão da caverna.

Fomos direto para casa. Minha filha estava no seu notebook, e então fui dormir. Acordei em meio da madrugada ouvindo minha filha gritar. Ela me mostrou seu notebook. Ele estava com a tela rachada. Eu logo perguntei se ela não teria deixado cair, e ela simplesmente me contou que estava no Skype com seu namorado, quando a música que estava tocando em seu mp3 player do notebook começou a tocar ao contrário. Ela disse que o notebook começou a bugar totalmente, e então ele desligou. Assim que ela o ligou, ela podia jurar que os códigos de seu notebook começaram a formar uma espécie de chat.

Ela então disse “Oi?” e em seguida a criatura respondeu “01100101 01110011 01110100 11100001 00100000 01100011 01101111 01101101 00100000 01101101 01100101 01100100 01101111 00100000 01100100 01100101 00100000 01101101 01101001 01101101 00111111”.

Ela logo começou a anotar os códigos em seu diário, mas assim que terminou ela recebeu uma nova mensagem: “01100101 01110011 01110000 01100101 01110010 01101111 00100000 01110001 01110101 01100101 00100000 01110110 01101111 01100011 11101010 00100000 01110011 01100101 01101010 01100001 00100000 01100010 01101111 01100001 01111010 01101001 01101110 01101000 01100001 00100000 01100001 01101110 01110100 01100101 01110011 00100000 01100100 01100101 00100000 01101101 01101111 01110010 01110010 01100101 01110010”.

E então ela pode ver a tela do notebook quebrando, e em seguida a janela de seu quarto. Eu não conseguia acreditar no que ouvi. Eu fui até a cozinha, peguei meu telefone e liguei para meu amigo. Ele era perito nessas coisas de computador, então eu o chamei imediatamente. Após isso, desliguei o telefone, ou pelo menos achei que tinha, até ouvir o barulho dele outra vez, eu o peguei e o atendi. Mas ao colocá-lo no ouvido, eu ouvi somente um:

“Eu... Estou... Te observando...”.

O telefone desligou. A voz do outro lado era extremamente grossa e amedrontadora.

Na manhã seguinte, meu amigo me chamou para ver o notebook. Ele simplesmente me mostrou uma espécie de código binário outra vez, mas este havia em forma de imagem na galeria de minha filha, que por coincidência ou não, ela havia anotado o mesmo código. Eu logo comecei a acreditar na minha filha. Mas o que me deixou ainda mais chocado era o fato de que algo realmente quebrou a tela do notebook, mas de dentro. Era como se alguém tivesse dado um soco em uma janela, mas nesse caso, como se a janela fosse a tela do notebook.

Eu logo comecei a procurar a senhora idosa. Quando a encontrei, perguntei se foi ela a responsável por todas aquelas mensagens. Ela simplesmente disse que não. Só me disse para ter cuidado com ‘ele’ outra vez. Por algum motivo, eu coloquei todas aquelas informações na minha reportagem, que por sinal, ela daria a melhor reportagem do mundo.
A enviei para a meu chefe e recebi meu pagamento. Decidi que era hora de nos mudarmos daquela casa e comprarmos uma no estado de Kansas, e então eu avisei ao Gabriel e minha filha que eu ia minha esposa iríamos jantar fora, para aproveitar um pouco o dinheiro. Mas antes, eu decidi queimar aquele livro estranho.

Minha filha estava sozinha com meu filho, que estava na sala assistindo televisão. Ela estava ouvindo música quando começou a ouvir a sua música ao contrário. Assustada, ela desceu para a sala. A televisão estava estática, e meu filho estava jogando uma bola no corredor escuro. Ela simplesmente perguntou: “Gabriel, quem está aí?”. E o meu filho disse:

- Ele quer brincar de esconde-esconde.

Ela viu a bolinha acertar a cruz na parede. Logo em seguida, ela falou para Gabriel se trancar no seu quarto. De repente, ela pegou a faca que estava na cozinha e foi em direção ao corredor, mas nada havia por lá.

Até que ela começou a ouvir passos no chão, ela olhou para todos os lados, mas não viu ninguém. Então ela olhou para cima e viu a criatura humanoide se contorcer e andar pelo teto, até que a mesma olhou para a minha filha, com um sorriso que ia de orelha a orelha. Minha filha correu para seu quarto e se escondeu no armário. Ela colocou a mão na boca para evitar fazer barulho.

Ela podia ver a criatura andando pelo corredor. Ela viu a criatura procurar lentamente por ela, por toda parte. Mas não a encontrou. Minha filha já não podia ver a criatura perambulando pelo quarto. Então decidiu sair do armário, já que ela não via a criatura. Mas de repente, ela sentiu a mesma falar em seu ouvido:

“Achei você...”.

Ela foi jogada no chão com força e começou a rezar, mas a criatura disse mais uma vez em seu ouvido:

“Deus não vai poder te salvar agora...”.

A criatura pegou os braços dela e os quebrou rapidamente. Ela estava agonizando quando disse “Deus, me ajude”. E a criatura a pegou pelo cabelo e respondeu:

“Acho que seu deus está ocupado demais para te ouvir...”.

Ele colocou as mãos no céu da boca dela e levantou seu braço com força, fazendo a boca de minha filha se abrir totalmente.

Após uma hora, eu e minha esposa chegamos em casa. Tudo estava escuro, então tentamos ligar as luzes, mas nada estava funcionando. Era como se alguém tivesse cortado nossa energia. De repente, fomos até a escadaria para procurar nossos filhos, mas algo me desmaiou.

E quando acordei, eu vi a cena mais chocante de minha vida. Minha mulher estava com os braços pregados na parede, formando uma perfeita representação de cristo, mas de forma brutal e nojenta. Seus olhos estavam para fora, sua barriga estava aberta, e ela tinha algum tipo de sorriso maníaco na face, um sorriso gigantesco.

Olhei para o lado e vi meu filho andando para a floresta. Estava tarde e no meio da madrugada. Eu tomei coragem e o segui. Até que eu cheguei exatamente na frente da caverna e vi meu filho segurando a mão da criatura humanoide que vi nos desenhos dele. A criatura simplesmente se aproximou de mim e me desmaiou outra vez.

Acordei em uma delegacia e eu fui internado em um sanatório. Eles disseram que eu havia matado minha família, mesmo depois de eu ter contado tudo a eles. Num certo dia, a velha senhora veio me visitar.

Eu apenas fiquei a ouvindo dizer. Ela disse que isso tudo não era mentira, pois ela mesma já passou por isso. Eu perguntei:

- Mas como?

Ela retirou do bolso uma fotografia, a mesma que eu tinha encontrado naquela caverna. Ela era a irmã mais nova do garoto que foi levado por esse ser. Ela disse que essa criatura na verdade é uma espécie de divindade pagã, adorada desde os últimos séculos e milênios, e que sempre eram oferecidos sacrifícios de sangue para eles a cada mês. E como isso ocorria? Era simples. O último sobrevivente iria escrever em uma espécie de livro, com tudo aquilo que ele presenciou. Assim que terminasse, ele iria entregar para o novo morador, e assim, ele estaria passando a maldição em diante. E o único meio de acabar com isso é escrevendo e mostrando para a próxima vitima, não importa a distância, a criatura sempre iria chegar até essa pessoa e iria matar seus familiares... Deixar ele vivo, pegar um familiar, e então levá-lo para a sua caverna no meio da floresta.


Ela havia me dado aquele livro, que era o grande culpado pela maldição. Mas eu o queimei. Então eu estou livre? Desculpe, mas não. Eu não estou, pois eu tenho que escrever isso, ou senão eu irei morrer também. E sinto muito, mas eu cansei de tudo isso, eu quero viver e ser feliz novamente. E queria te alertar, mas agora que você leu isso, eu me livrei dessa maldição. Ele sabe quem você é, sabe onde você mora, e não importa a distância, ele irá atrás de você. Apenas passe em diante sua experiência. Não acredita em mim? Se você ouvir algum barulho na madrugada, ou sentir medo, sentir que não está sozinho, ou quando for no banheiro e ver algum vulto no corredor, significa que ele está na sua casa, e sua hora chegou. Eu olharia debaixo das camas antes de dormir, pois eu não posso garantir sua segurança. Obrigado por ler até aqui, tenha um bom dia, boa tarde, e boa noite. Pois você vai precisar.

Autor: Desconhecido [Se essa história é sua, nos avise através do e-mail creepypastabrasil@hotmail.com]
Revisão: Gabriela Prado

11/02/2017

A Melhor Ideia

Meu nome é Louise e moro na França com a minha mãe Augustine.

Eu tinha uma irmã chamada Francine, éramos gêmeas e super unidas, fazíamos tudo juntas e nossa época favorita era o inverno. Saiamos com nossa mãe para comprar belos casacos e caminhar até a Torre Eiffel. Era incrível admirar aquela torre coberta de neve.

No nosso aniversário de 17 anos tivemos uma festa na piscina, todos os nossos amigos da escola estavam presentes, foi melhor festa que tivemos juntas, mas também foi a última.

Poucos dias após a festa ela desenvolveu uma pneumonia aguda, os médicos fizeram tudo o que podiam, mas ela não resistiu. Chorei durante dias e mal comia, minha mãe tentava ser forte, mas seus olhos sempre estavam vermelhos de tanto chorar.

A parte mais difícil foi ir ao enterro e ver a terra sendo jogada sobre o seu caixão branco, lembro-me de ter ajoelhado e gritado no momento em que a última pá de terra foi jogada.

Com o passar dos dias a dor não diminuía, éramos tão ligadas e a dor era tão forte que o tempo parecia não passar. Minha mãe nunca mais foi a mesma, estava sempre no quarto chorando assim como eu. Às vezes eu ia até o sótão brincar com as bonecas velhas dela, dava para esquecer um pouco daquele momento tão difícil, mas quando voltava para o meu quarto a tristeza preenchia tudo ao meu redor; juro que tentava ser forte, mas não dava.

Minha mãe entrou numa forte depressão e eu tive que dar forças à ela mesmo sem ter nenhuma, os calmantes faziam-na dormir o dia inteiro e eu tinha que me virar, foi nessa época que aprendi a fazer todas as tarefas domésticas e ainda arranjar tempo para estudar. Eu arrumava toda a casa menos a cama da minha irmã que ficava ao lado da minha, o seu cheiro ainda estava lá junto com alguns fios de cabelo ruivo em seu travesseiro azul. 

Costumava entrar no closet, as vezes passava um sábado inteiro lá dentro, todos aqueles casacos que compramos juntas me deixavam mais perto das boas memórias, nem acendia a luz só ficava lá sentada abraçando o casaco de linho preto que ela sempre usava.

Passados alguns meses eu já estava um pouco melhor e minha mãe continuava a tomar remédios sem parar, tinha se viciado e não importava o quanto eu implorasse, sempre encontra um frasco vazio no lixo do banheiro.

Faz um mês que encontrei a minha mãe morta em cima da cama, em suas mãos havia um frasco de antidepressivo vazio, sua pele estava pálida e gelada, seus olhos borrados de maquiagem entregavam as lagrimas que tinha derramado antes de morrer. Naquele mesmo momento decidi que não ia perder a minha mãe também, não suportaria passar por mais um velório. Fui até o banheiro, peguei algodão, loção demaquilante e as maquiagens que ela guardava na bolsa e retoquei tudo, parecia viva novamente. Foi naquele momento em que tive a melhor ideia que poderia ter tido na vida.

Arrastei minha mãe até o meu quarto e a coloquei com muito esforço em cima da cama de Francine, nem sei de onde tirei tanta força, talvez minha irmã estivesse me ajudando. Peguei 15 euros em sua bolsa e fui até outro lado da rua onde existe uma loja de fantasias, comprei uma peruca ruiva com franja idêntica ao cabelo da minha irmã.

De segunda a sexta-feira eu fico com a minha irmã no quarto e visto casacos nela. Aos finais de semana é a vez de ficar com a minha mãe e sempre conversamos sobre tudo inclusive sobre o atendente gatinho da loja de fantasias, acho que ele gosta de mim.

Minha mãe guardava muito dinheiro em casa então eu não preciso trabalhar por enquanto, mas confesso que gasto bastante com aromatizador de ambientes, o corpo dela está apodrecendo cada vez mais e eu não posso deixar que os vizinhos percebam e tirem a minha família de mim. 

(Autor: Andrey D. Menezes)
Agradecimento especial a Divina que me dá muito apoio :) <3 

10/02/2017

Creepypasta dos Fãs: Vou ensinar-lhe a latir

Há anos carrego em mim uma solidão singular. Não me leve a mal, não estou reclamando. Gosto de ser sozinha e nunca me dei muito bem com pessoas. É, eu sei, sou um clichê ambulante, o que posso fazer? Afinal, tenho tudo o que preciso nessa pequena casa azul do subúrbio: silêncio, a luz do sol que invade meu rosto quando sento para ler no jardim, e minha adorável cachorrinha, Gata. HA! Apenas um trocadilho bobo.

Desde que fugi de casa há quatro anos, Gata tem sido minha única companhia. Não sei como seria minha vida se eu algum dia a perdesse. Acordar todas as manhãs e vê-la correr pela grama, animada e feliz, é o que me permite suportar os dias. A cabeça é um fardo, entende? Bem, deixe para lá. Ela está aqui agora, deitada sob a cadeira. Acho que morde alguma coisa.

Meu pai, um homem sádico e cruel, não deixava Gata sentir o vento em seus pelos. Dava comida, mas nenhum carinho. Dava brinquedos, mas nenhuma liberdade. Às vezes, quando papai já estava dormindo, eu ia até o canil e passava horas acariciando sua barriguinha, lhe dando amor, afeto. No dia em que papai se descontrolou e pegou aquela faca, eu consegui desviar e enfia-la em sua perna. Não sei se machucou, não parei para olhar, tudo o que eu queria era pegar Gata e ir embora daquele inferno para sempre. E agora está tudo bem, está tudo bem.

Estranho, ela está mordendo algo, mas não parece o brinquedo de sempre. Talvez tenha desenterrado um osso velho. Bem, continuando, acho que meu pai a achou em uma lata de lixo e... É um rato. Ela matou um rato. Quantas vezes tentei ensina-la que não é pra fazer isso com outros bichinhos! Garota má, eu digo, garota má! “Solte, solte!”. Vou até ela e, antes que eu consiga aplicar um sermão, ela olha em meus olhos e diz: Fome. Fome.

Sorrio, coloco-a em meu colo e lhe digo: Vou te dar comida, querida. Mas, da próxima vez, lembre-se: cachorros não falam. Vou ensinar-lhe a latir.

Autor: Rafaela Souza
Revisão: Gabriela Prado

Creepypasta dos Fãs: O maníaco do WhatsApp

Madson estava voltando para casa às 23h, depois de um longo dia de trabalho no escritório. Quando passava em um determinado trecho, ela não sabia se cortava caminho pelo beco escuro ou se passava pelo caminho mais longo, a rua, mas bem iluminado. Como era de se esperar, Madson resolveu passar pela rua, pois tinha medo de ser assaltada no beco.

Enquanto Madson passava pela rua, as luzes dos postes começaram a piscar, e isso lhe deu certo medo. Foi aí que resolveu escutar música. E então, pegou seu celular e colocou na sua banda preferida, ACDC, e colocou a música Back in Black.

Com 5 minutos de caminhada, a música Highway to Hell parou devido uma mensagem do WhatsApp que chegou. Então, iniciou-se uma conversa assombrosa.

“Oi Madson, você não deveria andar na rua sozinha a essa hora da noite!”

“Quem é você? Como sabe meu nome? Como descobriu meu número?”

“Essas são respostas que você nunca saberá!”

“O que você quer? Me deixe em paz!”

“Daqui a pouco você vai descobrir, da pior maneira possível!”

Por um momento, parou de chegar mensagem e Madson acalmou-se quando percebeu que se tratava de uma brincadeira. Mas um tempo depois, ela teve a sensação de estar sendo seguida, e isso lhe deixava cada vez mais agoniada, pois lembrava-se das mensagens e pensava que podia não se tratar de uma brincadeira.

Madson chegou em casa e sentiu-se aliviada por não ter recebido mais nenhuma mensagem daquele número estranho, e então, como já estava calma, Madson tomou banho e foi para a sala assistir TV. Foi quando chegou outra mensagem.

“É aqui que você mora? Dá pra te ver daqui.”

“Vai pro inferno! Me deixa em paz!”

Madson, assustada com a mensagem, trancou todas as portas e janelas da casa e pegou o telefone para ligar para o polícia. Foi aí que ela recebeu outra mensagem.

“Você não devia ter trancado as portas e nem ter ligado para a polícia! Agora você está trancada comigo, sozinha, sem ninguém para pedir ajuda.”


Assustada com a última mensagem, Madson correu para a cozinha, com a esperança de sair pela porta de trás. Porém, ao virar para a porta da cozinha, Madson é surpreendida com um cutelo na altura de seu pescoço. 

Autor: Batata
Revisão: Gabriela Prado

09/02/2017

RECADO IMPORTANTE!

Olá, creepers! Tudo bem com vocês?!

Sou Gabriela Prado, uma das revisoras da seção "Creepypasta dos Fãs" :)

Venho, por meio desse recadinho sangrento, pedir para que vocês mandem seus contos/histórias/desabafos no anexo do e-mail, de preferência em arquivo Word, tudo bem?! Dificulta um pouco o meu trabalho e do Andrey (revisor também) quando vocês mandam os textos no corpo do e-mail :/

É até melhor para vocês... Fica mais fácil pra acessar e manusear :D

É isso! Amanhã tem creepypasta nova! Espero que gostem!

Beijos #peideiesai

06/02/2017

O dia em que precisei me comer

Eu estava perdido no meio do Oceano Pacífico, o grande barco de pesca no qual eu me encontrava foi completamente destruído por uma tempestade viciosa e implacável.

Eu era o único membro da tripulação que havia sobrevivido, pois felizmente no meio da tempestade, consegui abrir um dos barcos infláveis.

Eu estava encalhado no meio do oceano e meu barco estava apenas seguindo a água. Se você ficar encalhado em qualquer lugar, é principalmente o tédio que te atormenta, não ter nenhum outro contato ou não manter sua mente ocupada é uma tortura. 

A fome e a sede então começaram a se pôr e a jornada pareceu apenas uma eternidade sem fim. Eu tentei gritar alto, mas isso foi estúpido já que ninguém poderia me ouvir. Para a minha sorte havia equipamentos de primeiros socorros e água potável. É definitivamente uma experiência entediante quando tudo o que lhe resta é ficar olhando os peixes no fundo do mar.

Quando comecei a ficar mais faminto, comecei a ficar igualmente louco. Ficar preso no meio do oceano é uma maneira segura de deixá-lo louco, já que nossas mentes são tão delicadas. Não importa se você é reservado e goste do silêncio, não é natural ficar nesse estado em excesso. 

Então eu comecei a pensar sobre a evolução e como os seres humanos já foram peixes no mar e como lá talvez houvesse sereias, que são apenas humanos que evoluíram para a água. Também é estranho como 95% do mar azul profundo ou do oceano não é explorado, quero dizer, podemos saber mais sobre o espaço exterior do que o nosso próprio planeta.

Enfim, quando comecei a perder a cabeça e minha fome começou a me levar, comecei a pensar em me comer. Comer-me parecia bom no momento, já que basicamente iria satisfazer a minha fome e meu desejo de morte. 

Eu comecei a comer devagar os meus dedos e eu tenho dentes fortes e duros. Conforme eu levantei o meu braço com meu sangue cobrindo o barco de vida, eu não me importava mais com a dor.

Como eu disse, eu estava naquela fase onde eu apenas havia perdido toda a minha humanidade e, em seguida, comecei a mastigar mais do que o meu braço e quebrar mais dos meus ossos, Os meus olhos começaram a ficar distorcidos. Era delicioso. 

Eu tinha um relógio e eu assisti o tempo do relógio sendo encaminhado e rebobinado tudo ao mesmo tempo. Em seguida, como eu comecei a mastigar mais de mim, eu estava de volta no barco do pescador com a minha tripulação. Eu pensei que era apenas um sonho horrível que eu tinha tido, mas ao mesmo tempo eu estava sentindo esse sentimento intenso de de ja vu. 

Então a tempestade me atingiu e eu estava de volta a ficar sozinho no meio do oceano, não me sentindo bem, e com dor. 

Apesar da dor, continuei a mastigar minha carne, vendo o tempo passar. Além disso, a luz e o dia estavam sendo confusos, como se alguém estivesse brincando com um interruptor de luz. Eu comi mais do meu braço uma segunda vez ao redor e desta vez eu tinha rebobinado o tempo novamente, porém mais para trás no tempo, pouco antes da minha tripulação ter começado a pesca, mas a tempestade me atingiu novamente.

Eu tinha uma ideia do que estava acontecendo, de que estava me comendo e era como um paradoxo de algum tipo e que confundia o próprio tempo e espaço. Eu comi mais de mim e por um momento eu fui para a frente no tempo, ao ponto onde eu estava morto, mas então de repente eu estava de volta em casa. 

Eu tinha acordado cedo, mas decidi cancelar a pesca, justo no dia em que meus amigos foram atingidos por uma tempestade.

05/02/2017

DOPPELGÄNGERS

Esse post é uma parceira com a página Cons Pirei! Clique aqui e conheça a página!


Doppelgänger, segundo lendas germânicas é um ser fantástico que pode apresentar uma cópia idêntica de uma pessoa que ele escolhe ou que passa a acompanhar, e isso poderia significar que cada pessoa tem um doppelgänger. O nome doppelgänger deriva das palavras alemãs doppel (duplo) e gänger (andante).
Hoje traremos alguns relatos retirados do site Reddit.

“Eu tenho atualmente 24 anos e isto aconteceu quando eu tinha uns 7 anos, então eu não acho que foi algo que meu cérebro inventou por diversão. Assim como eu, minha mãe cresceu numa casa em que todas as mulheres da família da mãe dela pareciam possuir um sexto sentido e intuição sobre coisas e pessoas (nós chamamos de ter “más vibrações”), a avó dela era muito supersticiosa e todas as mulheres tiveram algum tipo de encontro paranormal em algum momento de suas vidas. Nós somos tipo um ímã pra coisas estranhas. Então, para ela entrar em pânico, como eu menciono na história, parece estranho para a maioria das pessoas mas não me pareceu estranho na época.
Minha mãe costumava me levar para fazer as compras numa loja de desconto chamada Big Lots quando eu era criança. Era algo semanal para nós, e nós fazíamos um dia disso e íamos almoçar, para o Big Lots e em algumas boutiques, etc. Uma tarde nós fomos para o Big Lots e eu falei para minha mãe que eu ia olhar os brinquedos e ela me disse que estaria na seção de comidas e temperos. Eu fui para o fim da loja e estava olhando os brinquedos e vi minha mãe andando com o carrinho de compras. Ela não fez contato visual comigo mas eu gritei “Ei, estou aqui!”. Ela não parou e quando eu cheguei na esquina do corredor que ela estaria virando, ela não estava lá. Não teria como ela ter virado no corredor e caminhado até o fim dele e saído antes de eu ter virado a esquina do corredor. Então como eu tenho ansiedade desde que eu tinha tipo 3 ou 4 anos, eu imediatamente pensei “Meu deus, ela foi sequestrada”. Porque minha linha de raciocínio é sempre a pior situação possível.
Eu saí correndo feito uma louca, e procurei cada corredor até que encontrei ela do outro lado da loja nos temperos, onde ela disse que estaria. Ela estava na verdade vindo da esquina de um corredor e pela cara dela ela estava P*TA DA CARA COMIGO. Então ela gritou “Porque tu correu daquele jeito?! Eu disse para tu vir aqui!”. Eu contei pra ela que vi ela do outro lado da loja e que eu gritei “Ei, estou aqui!” e que ELA não me respondeu. Segundo minha mãe, ela disse que ficou na seção de comidas o tempo inteiro, mas que ela gritou meu nome e eu respondi “Ei, estou aqui!” e desapareci na esquina do corredor, e ela gritou para eu voltar e eu não respondi. Eu disse a ela que a mesma situação aconteceu comigo no outro lado da loja.
De repente minha mãe ficou pálida e disse “Temos que ir. E nunca mencione isso de novo”. Sendo a criançona que sou, eu perguntei sobre isso várias vezes durante os anos e ela diz que não lembra de isso ter acontecido.
E sim, eu considerei que talvez eu a vi e ela não me ouviu, mas ela disse que estava do outro lado da loja enquanto eu estava nos brinquedos, e eu realmente não tenho motivo pra duvidar dela. E sim, poderia ser uma pessoa que parecia minha mãe mas, tentando não soar grosseira, nós estávamos num bairro predominantemente negro e eu e minha mãe somos brancas feito papel. Nós somos MUITO pálidas. Desse modo, minha mãe também tinha o cabelo curto e vermelho fogo e o doppelgänger tinha o cabelo no mesmo tom de vermelho e estava usando exatamente a mesma roupa que minha mãe.”

***

“Eu moro do lado dos meus pais, no mesmo terreno, então eu passo muito tempo com eles. Esses dias eu cheguei do trabalho e estava na casa deles. Minha mãe disse que, enquanto eu estava no trabalho, ela estava assistindo TV e me viu passar na sala, usando as mesmas roupas e com um rabo de cavalo igual eu estava usando naquele dia. Ela achou que era eu até que ouviu meu carro chegar e me viu entrar pela porta da frente. Então, mais tarde naquela tarde, minha tia e irmã foram lá em casa. Minha tia ouviu a gente falando sobre “meu doppelgänger” e pediu para explicarmos. Então explicamos a ela o que minha mãe viu. Mais tarde, à noite, eu estava em casa (na casa do lado) e estava tentando mandar uma mensagem pra minha mãe, mas ela não estava respondendo. Então eu fui mandar uma mensagem para minha tia, pedindo para ela dizer para minha mãe ler as mensagens dela. Quando eu abri o chat do Facebook com a minha tia eu percebi que a última mensagem que ela me mandou era de um ano atrás e dizia “talvez você tenha um doppelgänger”.”

***

“Para esclarecer, isso aconteceu com minha mãe, não comigo. Enfim, quando eu era mais jovem meus pais estavam tendo problemas no casamento. Meu pai era usuário de drogas e minha mãe estava tentando nos proporcionar uma infância o mais normal possível. Então um dia meus pais tiveram uma briga particularmente horrível e ele saiu de casa. Minha mãe surtou, e não querendo que a víssemos assim, foi para o quarto. Agora que as coisas ficam bizarras. Quando ela entra no quarto ela percebe que ela está do outro lado do quarto, olhando para ela mesma chorando. Ela ficou completamente calma e confusa. A versão triste dela levantou o rosto e viu ela lá e as duas ficaram em silêncio total por mais ou menos um minuto. Meu avô, que mora do lado e ouviu a comoção, entrou no quarto dela pra ver se ela estava bem. Quando ele fez isso, ela percebe que está de volta ao seu corpo original na entrada do quarto e que seu doppelgänger sumiu. Meu avô começou a consolá-la por causa de meu pai, mas nesse momento ela já tinha até esquecido que ele tinha saído de casa. Minha mãe não é uma pessoa sem noção e nenhuma outra situação estranha aconteceu na vida dela. Mas ela insiste que este momento foi real.”


FONTES: 1, 2, 3, 4

Este artigo foi traduzido/organizado exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião.

04/02/2017

Creepypasta dos Fãs: Silhueta

Eu e minha família nos mudamos para uma casa em Kansas. Não gostei tanto assim da rua, mas depois de uns dias, me acostumei. Foi tudo bem rápido.

Após uma semana, comecei a ouvir barulhos estranhos à noite vindos da cozinha, como panelas batendo, pratos se arrastando pela bancada e até cadeiras se movendo. Desci até lá. Precisei tomar coragem. Poderia ser uma janela aberta, pois estava ventando bastante naquela noite.

Cheguei na cozinha e os barulhos haviam parado. As janelas estavam fechadas, então pensei que estava tudo bem e decidi voltar ao meu quarto.

Quando me virei novamente, passando pela sala, me assustei.

Do outro lado da porta principal (feita de material translúcido), havia a silhueta de uma mulher com um vestido bem longo. A sua imagem estava completamente escura, e ela não se movia, apenas olhava fixamente para a porta.

Corri o mais rápido que pude para o meu quarto, tranquei a porta muito assustado, e então, espiei pela janela para verificar se aquela mulher ainda estava lá embaixo. Não havia mais ninguém, e eu fiquei acordado por muito tempo até pegar no sono.

No dia seguinte, preferi não contar para os meus pais o que tinha acontecido, apenas refleti o dia todo sobre aquilo, porque talvez eu pudesse estar imaginando coisas. Dormi com a porta trancada apenas por segurança, mas o problema aconteceu quando, de madrugada, eu acordei no chão da cozinha.


Novamente fiquei assustado e, fazendo o caminho de volta para o meu quarto, percebi que a porta da sala estava aberta.

Autor: Batata com Queijo
Revisão: Gabriela Prado

Creepypasta dos Fãs: Nico está online

Eu nunca tive muitos amigos na vida real. Eu era uma pessoa que não se enturmava, mas um fato sobre mim é que eu vivia na internet. Eu não ficava só nas redes sociais, como também jogava vários jogos estilo MMO e MMORPG, inclusive, os únicos amigos que eu tinha eram desse universo, e eu só conversava com eles por Skype, porque eles não moravam no meu estado e alguns até em países diferentes. Mas eram meus únicos amigos, e eu os amava.

Eu tinha mais relação com um deles. Seu nome era Nicolau, mas eu o chamava de Nico. Eu era apaixonada por ele, mas ele não sabia, até porque eu nunca tive coragem para contar isso a ele, pois eu era muito insegura. E por causa dessa minha insegurança, eu demorei muito e ele acabou arrumando uma namorada na vida real. Eu fiquei extremamente chateada e fiquei me culpando por ter deixado isso acontecer, e cada vez que ele falava de sua namorada, o ódio por essa garota ia crescendo dentro de mim.
Teve uma época que Nico passou muito tempo sem entrar no Skype e sem ficar online nos jogos, e eu fiquei muito preocupada. E se a namorada dele não quer que ele fale comigo, ou jogue comigo? A única coisa que eu podia fazer era esperar.


● Nico

Nico está online agora.

Na hora que eu vi isso, eu fui correndo no chat para conversa com Nico. Eu nem me dei conta que eu estava no meio de uma partida, eu não me importava, eu só queria saber do Nico. Quando eu perguntei pra ele porque ele passou todo esse tempo fora, ele disse que não tinha nenhuma “explicação exata”, eu perguntei se isso era coisa da namorada dele, mas ele disse que não era, porque os dois já haviam terminado há uma semana. Nesse momento, além de aliviada por finalmente poder conversar com o Nico, eu fiquei feliz pelo término do seu namoro e, também, que eu tinha uma nova chance para declarar meus sentimentos.

Passaram-se dois meses desde que conversamos pela última vez. Ele disse que não gosta mais de jogar MMO e também estava muito desanimado e não tinha entusiasmo algum. Por um momento, eu pensei que fosse porque ele estava sentido falta de sua namorada. Quando pensei nisso, vi que não tinha muita esperança, mas eu não podia esperar mais tempo para ele supera-la, então eu resolvi abrir o jogo de uma vez. Pensei que, se ele tentasse seguir em frente comigo, podia esquecer a sua namorada.


● Nico

Nico está online agora.

Então, no dia seguinte, eu fui toda confiante me declarar para Nico. Eu o chamei no Skype e disse que era super importante, e então eu disse a ele, disse tudo! Disse que eu sempre sonhei com ele, que eu o queria, que eu queria poder visita-lo todos os dias, que meu coração pulsava forte quando ele vinha conversar comigo, que eu fiquei super triste quando ele começou a namorar, que ele era meu primeiro pensamento de manhã e meu último pensamento a noite... Eu falei que o amava.

Eu não sabia qual seria a reação dele. Ele ficou dez minutos sem dizer nada, e eu fiquei preocupada, pois pensei que eu tinha feito tudo errado, que eu ia acabar com a nossa amizade. Então, ele abriu a webcam. Estava tudo escuro, até que uma luz se acendeu onde ele estava, mas ele não estava na câmera. A única coisa que eu via era um lugar cheio de ferramentas, feito de madeira, como se fosse um galpão. Eu fiquei mais assustada quando vi sangue em algumas ferramentas que estavam na parede. Eu o chamei, mas a única visão que eu tinha era a do galpão. Até que, depois de quinze minutos, algo aconteceu. Eu conseguia ver a cabeça do Nico no canto da câmera. Eu não conseguia ver a cabeça inteira, mas ele não parecia bem, e então eu comecei a gritar com ele, para ver se ele reagia. Pedi desculpas e disse que não me importava se fossemos só amigos, mas ele não fazia nada.

-NICO! ME DÊ UMA RESPOSTA!   
       
Depois que eu disse isso, eu só pude ver através da webcam, o corpo mutilado do Nico caindo no chão. Quando o corpo dele caiu, ele derrubou a câmera, e eu pude ver seu corpo todo ensanguentado e seu rosto cheio de marcas roxas e cabeça sangrando. Nesse momento, eu comecei a gritar... Eu gritava e chorava. Eu estava sem controle, e então joguei o notebook no chão e comecei a gritar mais alto. Minha mãe e meu pai ouviram e foram lá para me acalmar. Eu estava tão histérica que comecei a ter um ataque de pânico. Depois disso, minha mãe chamou uma ambulância para me socorrer.

No dia seguinte, eu estava na sala, ainda em choque, e foi quando minha mãe ligou a TV no jornal, e eu me espantei com o que vi na reportagem. “Depois de quatro meses, finalmente encontraram o corpo de Nicolau Gomes, o garoto que foi morto pela própria namorada. O corpo foi encontrado em um galpão longe do centro e perto da floresta, e conseguiram rastreá-lo pela câmera de seu notebook, que também foi encontrado no local. O paradeiro da namorada do garoto ainda é desconhecido, voltamos já já com mais notícias desse caso. Boa noite.” Eu fiquei aterrorizada quando vi essa notícia... Com o que ou quem eu estava falando naquele tempo todo?! Nesse exato momento, eu recebo uma mensagem de Nico no Skype, então eu abri o Skype no meu celular com muito medo, e na mensagem dizia:

-Eu também te amava.


● Nico

Nico está off-line agora.

Autor: Lucas Freire Duarte
Revisão: Gabriela Prado

Apenas uma picada de inseto

A minha mãe disse ter sido picada por algo há uma semana 

Ela queixou-se da dificuldade para respirar e disse que não conseguia sentir seu lado esquerdo, do meio para baixo. Para provar, ela nos mostrou a sua coxa esquerda. E claro, havia uma grande parte inflamada. Parecia consequência de uma picada de mosquito, só que estava muito maior. 

Pensamos que uma aranha pudesse tê-la mordido enquanto dormia, mas, como quase uma semana já havia se passado, e não éramos exatamente ricos, decidimos não atender aos pedidos dela para irmos ao hospital. Não poderíamos gastar com algo que provavelmente desapareceria em alguns dias. Estávamos certos de que desapareceria, afinal, era apenas uma picada de inseto... 

Esse foi o nosso erro. 

Quando acordamos hoje, a minha mãe estava chorando. Ela disse que a sensação de dormência tinha sido substituída por uma ardência torturante. Ela também estava com dificuldades para respirar. Inspecionamos sua coxa e nos assustamos ao descobrir que a grande picada de inseto estava aberta. A única parte inflamada havia se transformado em vários caroços inflamados que soltavam pus. Ela disse que queimavam. E certamente acreditamos nela. 

Era hora de irmos ao hospital. Meu pai disse que a levaria para a clínica mais próxima. Eu, por minha vez, fui para minhas aulas de verão. A condição assustadora da minha mãe dançava em algum lugar da minha mente, mas não dei muita atenção para isso. Minhas aulas estavam acabando, os exames finais se aproximavam, meus amigos planejavam uma viagem para a praia, e uma pequena dor em meus pulmões me incomodava. Esperava não estar ficando resfriado. 

Eu estava dirigindo para casa quando recebi a ligação. 

Era o meu pai. Ele estava histérico. Aparentemente, o médico que examinou a minha mãe, ordenou para que ela fosse levada para a emergência. Então meus pais seguiram para a emergência e esperaram, esperaram, e esperaram um pouco mais. Finalmente, minha mãe pôde ver o médico. Foi quando tudo desandou. Ele deu uma olhada em minha mãe, e saiu. Meus pais foram deixados na sala, confusos, quando as enfermeiras entraram. 

Algumas coletaram sangue da minha mãe, outras tiraram o meu pai da sala, ignorando suas perguntas e mandando-o aguardar na sala de espera. Ele aguardou, mas enquanto estava lá, teve tempo de ver uma dúzia de policiais entrarem no hospital, passarem pela sala de espera, e seguirem na direção da sala onde mantinham a minha mãe. Ele me contou essa última parte com um soluço sufocado: ele ouviu tiros. 

Foi quando o ouvi gritar. 

Isso me fez pular no assento do carro, minhas mãos tensas e brancas agarradas ao volante e meus olhos arregalados. Percebi que não estava respirando. No outro lado da linha, pude ouvir algo caindo. Provavelmente o celular caindo no chão. Então ouvi vozes discutindo, gritando autoritárias. Havia uma voz chorosa: meu pai. Era a primeira vez que eu o ouvia desse jeito – chorando por algo. Serei honesto… eu estava enojado. Não estava acostumado com um pai tão fraco. Eu costumava ser um homem de aço com um pai que me inspirava. Acho que eu estava confuso. 

Quando ouvi os tiros, pensei que não fossem reais. 

Desliguei o celular e continuei dirigindo para casa. Eu estava aturdido, confuso e descrente. Cheguei em casa... mas já não era mais o meu lar. A rua estava lacrada. Carros da policia bloqueavam as entradas da rua. Pessoas em uniformes hazmat entravam e saíam da minha casa. Em meu estado confuso, pensei que aquela situação se assemelhava bastante aos filmes REC ou Quarentena. Para ser honesto, eu achava aquela situação muito interessante... até que os vi retirando um corpo coberto por uma lona e percebi, pelo sapato que estava exposto, que aquele era o corpo do meu irmão caçula. 

Então eu dirigi. 

Dirigi até sair da cidade, para bem longe da cidade. Então percebi que seria estupidez continuar dirigindo. Seja o que for que estava acontecendo, eu consegui fugir por pura sorte. Tentaram por uma rede ao nosso redor, mas apenas eu escapei graças às minhas aulas. 

Então, o que estava acontecendo? Já tinha visto muitos filmes de terror para adivinhar. Estou infectado, mas quem diabos sabe com o que estou infectado? Meus pulmões ardem e tem um estranho caroço em minhas costas. Ainda não olhei, mas aposto que tem uma marca vermelha – uma marca vermelha que se assemelha com uma grande picada de mosquito. O que é isso? Vou morrer? Bom, era serio o bastante para terem executado os meus pais, e até o meu irmãozinho. Seja o que for que eu tenha, deve ser uma merda séria. Me pergunto, como isso pode ser transmitido... tosse? Toque? Mordida? 

Descobrirei amanhã. 

Andei até conseguir uma carona, então andei um pouco mais. Parei em um motel, tentei dormir, mas não consegui. Continuava vendo o sapato do meu irmão saindo de baixo daquela lona... o sapato... então abri o notebook e decidi digitar isso. 

Eles tiraram tudo de mim. Eu... vou morrer. Eles não precisavam ter feito o que fizeram. Eles poderiam avisar que éramos um perigo para os outros. Não precisavam atirar em minha mãe... em meu pai… eu vou levar o máximo comigo antes de partir. Amanhã, passarei o dia apertando mãos. Irei ao Mercado e tocarei em todas as comidas – talvez tossir nelas. Irei babar nos bebedouros públicos. Farei o que puder para traze-los comigo. Então, amanhã… por favor. Aperte a minha mão. 

Se alguém te morder, não se preocupe. Não será nada comparado a picada de um inseto.