16/09/2017

Michael Surtou Durante o Expediente

O que eu vou contar nesta postagem é algo que passei muito tempo querendo esquecer, hoje com essa história um pouco superada em minha vida, posso compartilhar pra vocês um emocionante dia que vivi em meu emprego como animador de parque no ano de 2009.

Vivi muitos anos da minha vida pulando de país em país em busca de conhecimento cultural, linguagens e até mesmo conhecer pessoas novas, infelizmente, sem o apoio da minha família, minha condição financeira não condizia muito com as minhas vontades, então sempre durante minha fase de acomodação em minhas viagens, trabalhei em lanchonetes, postos de gasolina, e qualquer outro emprego que pague pouco, porém me mantinha vivo onde quer que eu estivesse.

Foi num verão de 2008 que consegui um bico em um parque de diversões em AllenTown (sem entrar em detalhes pela preservação da empresa que não teve nada haver com o acontecido). No início, eles me despacharam em uma atração infantil, que logo me tiraram para dar lugar numa bilheteria de um falso museu dentro do parque, minha relação com todos era ótima, mas eu não fazia amizades, porque saberia que logo que mudassem meu posto eu não os veria de novo e se visse, não conseguiria conversar com eles, os horários naquele lugar não faziam sentido, mas nenhum turno era igual ao outro. Passou uns meses e entramos na época de Halloween (já em 2009) e o parque abriu uma nova atração.

The House era uma atração pequena, porém bem elaborada, aonde era o falso museu, agora era uma casa decorada no estilo "abandonada" e até uma história fictícia eles inventaram, agora eu não me lembro bem, mas era algo relacionado a um assassinato dentro da casa e agora o fantasma da família assombrava o local, algo desse tipo. Eles me permaneceram na bilheteria, até que resolveram aumentar meu cargo e me colocar para trabalhar dentro do local.

Nunca tinha feito isso antes, trabalhava eu e mais umas 10 pessoas dentro daquela casa, ativamente como fantasmas.

Posso dizer que era algo bem divertido, não me lembro muito os nomes dos meus colegas de trabalho, mas sei que era algo comum tipo Rose, Sarah e Michael. Michael.

Michael era um ator antes de começar a trabalhar ali, e sempre se lamentava por isso, dizia que se lhe fosse dado a oportunidade certa não trabalharia num lixo de parque. Apesar de sua rabugice, foi merecidamente lhe dado o papel principal de "Papai", e era divertido e nos acostumamos com isso, era um bom emprego apesar de tudo. Presenciei muita coisa durante o expediente, pessoas desmaiando, tentando nos agredir, vômitos e até mesmo policiais armados, mas nada sério ocorreu e era sensacional ver todos entrando no clima da brincadeira.

Nem tudo eram flores, as vezes não estávamos num bom humor e tínhamos de ficar ali, soltando frases aleátorias de um roteiro ruim (perguntando se alguém tinha visto alguém passar por ali, se queriam brincar conosco, entre outras coisas) e ouvindo gritos e berros o tempo inteiro. Eu me encontrava na cozinha vestido de açougueiro, sei que havia o Mordomo Assassino na sala de estar as Duas Gêmeas Infelizes no quarto das crianças, a Triste Mamãe Decapitada no quarto do casal e o Papai Suicida na biblioteca, a última parte, o percurso todo era feito com os visitantes sendo acompanhados pela "empregada" que falava a história dos personagens e das salas de acordo, uns figurantes agiam enquanto os visitantes passeavam, e era tudo normal, apesar de não ser. Me acostumei muito com aquele espaço fictício e o cheiro de sangue falso e as vezes ate improvisava minhas próprias frases.

Era um dia de trabalho aleatório, os visitantes passaram pelo meu personagem e seguiram o percurso, nessa hora eu podia mexer no celular ou me sentar um pouco, enquanto esperava eles terminarem o percurso e entrarem as novas pessoas, o grupo de visitantes voltou correndo, isso já tinha acontecido uma vez, a expressão de terror no rosto deles era algo normal pra mim, eu tinha de instruí-los a voltar ou até lhe guiar até o final, umas das pessoas do percurso me perguntou se era normal os personagens ficarem agressivos daquele jeito enquanto uma parte das pessoas tentava sair pela entrada, não haviam nem metade dos visitantes ali, eu e meus colegas de trabalho saímos curiosos em busca do o que estava acontecendo ali, ao nos encontramos na biblioteca, vimos alguns visitantes escondidos atrás do cenário cenográfico enquanto Michael conversava com um corpo já morto de um deles, recitando frases de seu roteiro e se lamuriando pela família morta. Aquilo era nosso trabalho, ele devia estar louco.

Ao nos aproximarmos, percebemos que ele havia trazido sua própria arma de fogo, ele se desculpou conosco, sua "família" e saiu em busca dos outros visitantes para mata-los, nos disse que se tivesse sido um bom pai isso não teria acontecido conosco, era só nosso trabalho certo?

O ator que fazia o mordomo saiu correndo pelos fundos enquanto tiros eram disparados pelo cenário cenográfico.

Ele era um bom pai querendo proteger sua família.

Autora: Amanda Tavares

Destino

O meu destino foi traçado a muito, muito tempo. Escrito. É o que dizem. Prefiro chamar de propósito. Eu não sou nenhuma criatura celestial, fique tranquilo, estou longe disso. Eu pertenço ao outro lado. Os homens me procuraram por muito tempo, em todos os lugares, mas nem eu mesmo sei onde estou agora.

Eu estou aqui, não sei onde, muito menos porquê, mas eu estou preso? É pequeno, apertado e molhado aqui, escuro. Não entendo muito ainda. É estranho. Eu ouço coisas do mundo exterior daqui, não são nenhum pouco claras, são só sons. Mas tem uma que é tão clara que parece estar em minha cabeça. É diferente, ela responde e fala comigo com frequência, sempre diz coisas da qual eu não entendo... eu... eu ouço-a agora...

"Os homens jamais testemunharam tamanho ato, tão belo. Uns ousaram ainda duvidar de ti, estes você matará primeiro. Outros já o conheciam antes mesmo de sua existência, mas enfim você vive. Haverão ainda, durante sua jornada, muitos outros que por sua vez tentaram destrui-lo, e eles não estarão sozinhos. Mas você também não está, não é mesmo? Saúdem-no."

Hmm... Me sinto satisfeito, já era hora.

A voz... ela fala comigo com mais frequência conforme o tempo passa, se é que passou. Não sei. Continua escuro aqui, sinto um limite no recinto, é mole. Ainda não consigo ouvir muito do mundo exterior, só os mesmos barulhos de antes, mas a voz na minha cabeça me diz o que eles fazem as vezes, mas eu não entendo muita coisa. A voz... ela é minha amiga.

Tudo parece bem mais pequeno aqui agora, eu espero sair logo.

"Só mais alguns dias. Nada é demorado se perfeito. Nada é comparado a sua grandeza, saúdem-no."

Já sinto mais pessoas do lado de fora, ouço-nas. Vejo luzes em tom alaranjado bem próximas, não sei o que são, são bonitas. Estou comendo algo agora, com a boca, parece molhado e ouço berros quando mordo, mas não está doendo então vou continuar. Berros, berros e mais berros, interrompidos pela voz agora, presto mais atenção...

"Está prestes a assumir um outro plano, pequeno, algo que eu jamais consegui antes, vê? Se este for feito tu não terás limites, nem ninguém lá poderás contra ti. Ouça, mais tempo lhe será cobrado até a hora, precisas adquirir forma, porém o final disso será algo memorável, mais ainda que sua própria existência, então consideres um descanso. Viva como eles, adote teus costumes, eu sempre estareis contigo, lhe guiando, e quando chegares a hora irás me conhecer pessoalmente."
Foi isso a ultima coisa que ele me disse antes de... antes de... agora.

Eu estou sendo puxado agora, aonde vão me levar? Estou vendo-os melhor agora, o que é isso. Eu não entendo o que está acontecendo eu... eu... estou sozinho no centro, tem algo desenhado no chão e pessoas com capuz à minha volta, eu não entendo. Eu... sai daquela mulher... me ajudem. O que? Eles não me ouvem.

"Recebemos seu filho, como havia nos dito. Cuidaremos e lhe ensinaremos até que a hora chegue, saúdem-no, saúdem-no."

O que? Filho? O que? Tem alguém estranho ali próximo daquela mulher, não se parece com os outros, tem outra forma, tem pelos. Está ao lado do seu corpo sem vida, imóvel e me fitando, o que é? As luzes, olha... as luzes, tão bonitas. Estão me pegando de novo, me levando até aquela coisa... ela... ela me pegou....

"Filho, saúdem-no." - ouço o dizer enquanto me leva até o corpo daquela mulher, sinto o cheiro, eles tiram de dentro dela algo bom. Eu estou comendo agora, é familiar, é... aquilo. Tem tom avermelhado e é mole, molhado, tiram-no inteiro de dentro dela. Eu quero. As luzes se acendem, as velas se apagam.

Estou em outro tempo agora. Entendo o que dizem, entendo o que eu sou, meu propósito. Todos aqui estão comigo, meu pai, bom eu tenho dois pais, a voz na minha cabeça é meu pai, ela ainda está comigo, gosto dele, é meu guia. A coisa com pelos também é meu pai, o chamam de Besta, ele me gerou, ele me trouxe a este mundo, ele não pode ser visto, nunca. Minha mãe, dizem que ela era uma amante do pai da minha mente, que fez o que fez de bom grado. Pela causa. E agora ele diz que ela está com ele, isso é bom. Eu vou parar de falar agora pois a hora está chegando e eu vou finalmente poder conhecer meu pai finalmente, já estão preparando tudo pra sua chegada, estou ansioso. Bom, tchau por hora, mas não se preocupe, eu vou pessoalmente vê-lo em breve, meu pai vai também... por enquanto renuncie seu Deus, rápido.

Autor: Kit

INFESTATIO


Para quem não leu ainda, segue os links :


PARTE - IV & V




Peço desculpas por ter falhado na última semana, para compensar venho lhes trazer duas partes de uma única vez.

Aproveitem.

Cruz espalhou sobre a mesa que montamos diversos boletins de ocorrência, cartazes entre outros registros de pessoas desaparecidas que de maneira alguma vieram a público qualquer tipo de informação, como se a polícia (surpreendentemente) fosse preguiçosa e não estivesse afim de fazer o seu trabalho (quem imaginaria tal situação?). Mas não era o caso, simplesmente não era prioridade de nenhuma maneira, foram instruídos a não investir nesse tipo de caso e era alarmante a quantidade de gente que não retornava aos seus lares. Dentre 70,80 faces eu mesma cheguei a reconhecer umas 9, ainda que não soubesse o nome de quatro.

Frank nos apresentou um plano de logística de uma terceirizada da Infestatio, a Contaminio, e a distribuição de mercadoria não fazia sentido algum, era como se andassem em círculos e círculos sem ter realmente um destino fixo, excluindo os grandes mercados que estocavam o veneno. Apresentava ser algo bem confuso tanto é que  se fosse para colocar no lápis a quantidade produzida era IMPOSSÍVEL de se equiparar ao que estava disponível no mercado... Digamos que para cada setecentos frascos comprados por uma grande rede de mercados produzíamos simplesmente TRÊS MIL. A conta, a distribuição, a mão-de-obra, a logística, a necessidade, não batia. Assim como produção x lucro, então qual era o propósito?

Para corroborar com os fatos, Sara, através de planilhas e cálculos do setor de estratégia mostrava que o déficit era enorme, nos últimos dezessete meses a Infestatio não lucrou um único centavo, muito pelo contrário. Apenas aumentava a produção de um produto que saía mas não estava disponível no mercado, gastava-se sem retorno... Os dados não estavam incorretos, eram sóbrios e verdadeiros. O que mais chamava a atenção era o custo em instalações que não eram usadas, não eram futuras fábricas, era algo que já exigia um certo tipo de manutenção e parecia operante mas sem localização exata, tudo muito nebuloso.

Marta sorriu e mostrou sua contribuição, um complexo e gigante mapa apontava estruturas recentemente construídas nos esgotos da cidade, aparentemente fazia alguns anos que as operações haviam começado, pouco antes da própria Companhia se instalar em nossa cidade.  Era bem feito, bem planejado, de longe bem melhor que o plano diretor de onde morávamos, era invejável, uma verdadeira fortaleza subterrânea. Parecia de certa maneira ter sido construída tendo um ponto central como base, como se quisessem proteger algo que se encontrasse nessa marcação em específico, como uma câmara impenetrável.

Nos olhávamos como se alguém entre nós possuísse qualquer tipo de opinião, especulação ou algo útil que pudesse ser trazido para a mesa de debate... Nada ocorria. 

Foi então que conectei o laptop na televisão e pedi que todos prestassem atenção.

O vídeo era curto, pouco iluminado, mas apesar do mistério que o envolvia falava por si próprio.

Um rato na verdade uma ratazana, surgiu do nada. Ficou bípede e aguardou uns 45 segundos até que uma outra sombra, bem mais baixa e contida se aproximou do ser postando-se ao seu lado direito, ergueu a parte frontal do corpo, talvez quatro de suas oito pernas, realmente parecia ser uma aranha.

Algo parecido com uma barata, com o tamanho de um pombo que residia em uma praça populada de idosos, abriu suas enormes asas e ficou ao lado esquerdo do Rato. 

Em poucos segundos a casa foi infestada, por criaturas rastejantes, vermes e asquerosas. De maneira coordenada, num consciente coletivo escancararam as portas dos armários, geladeira e reserva de remédios de Veronica (Sim os remédios também) e trabalharam operariamente para carregar suprimentos para fora de casa, apenas aqueles que iriam passar sem problemas através de buracos e vãos abertos em sua residência (especificamente para isso). 
Essa era a explicação plausível do sumiço dos alimentos nas casas de tantas famílias, estava ali, por mais improvável e ridículo que parecesse, era isso...  Como absorver? Como trazer tal informação para o racional? Era o que todos tentavam entender, mesmo assistindo aquela apresentação, exigia muito custo para realmente acreditar nela, como convencer desconhecidos ?

Decidindo ignorar o que acabara de ver nesse instante Frank começou: - São celas, obviamente seremos colocados em uma prisão subterrânea, é isso.

Cruz: - Porra... Mas que porra... Preciso tomar alguma coisa, me dá alguma coisa pra beber Veronica, por favor... Sério.- E se debulhou em lágrimas.

Sara: - Teremos tempo para nos organizarmos, transmitir um comunicado e fazer com que as pessoas entendam.

Veronica deu sua opinião: -Para que as pessoas acreditem devemos mostrar os dados que reunimos, o vídeo, trocar experiência, como vamos organizar todas essas pessoas? - Levantando para pegar e oferecer uma garrafa de Whisky ao seu colega, mas fazendo menção com que passasse a todos.

Marta matou o jogo: - Fomos e estamos sendo observados, se formos agir tem que ser já, não podemos voltar para a Infestatio... Estão nos observando!

Sara com a face distorcida completou: - Sim, a própria Kaba me procurou, ela sabe que percebemos algo, e isso se deu tão rapidamente, não podemos perder tempo.

- Você se encontrou com ela em pessoa? - Perguntou Veronica. A moça positivou a sentença.

- No dia seguinte a nossa reunião certo? Comigo foi a câmera...

Cruz e Frank se olharem e pensaram na "pesagem" e procedimentos que passaram, assentiram com a cabeça, sem precisar deixar explícito que também tiveram "experiências".

- Sim, com ela em carne e osso com toda a sua presença esmagadora...

Ela explicou como se deu o encontro e Marta questionou se havia algo de "diferente" ou "relevante" do qual pudessem se basear. Sara acessou as gravações de segurança e apresentou o encontro entre as duas. Algo chamou a atenção de todos, o leve toque dos dedos delicados de Kaba no colar que usava com o mesmo símbolo da Companhia.

Parecia algo valioso, não de maneira monetária ou sentimental, mas algo essencial, algo cabal.
Sara isolou tal símbolo e disparou de maneira geral uma busca na internet, os resultados eram um tanto quanto desencontrados mas a maioria ( e os mais precisos) apontavam para uma imagem de adoração, de cunho religioso, sem origem aparente mas praticado por diversas civilizações em diversos pontos espalhados no globo sem conexão alguma entre eles, de como foi pregado, como a informação viajou tão longe sem os devidos meios de comunicação, a participação em livros de história era de todo suprimida.

Civilizações como Maia, Khmer,Rapa Nui, Harappa, Olmecas entre outras adoravam, temiam ou cultuavam tal símbolo.  Não funcionava como nos filmes, uma simples definição do problema norteando os carentes de informação. Mas a pesquisa em si tinha uma constante... Uma constante aterrorizadora.

Todo o misticismo, toda a prática, toda a religiosidade, toda a crendice, lenda, costumes, ditados indicava o seguinte:

Deusa da Pestilência.

Deusa das Pragas.

Deusa da Morte.

Doença.

Sofrimento.

Desamparo.

Deusa dos Ratos.

O ícone, em pinturas rupestres, tablaturas, estátuas, papiros era sempre de um corpo feminino esguio, no que havia de mais detalhado, uma silhueta de traços finos.  As versões eram múltiplas, montada em um rato gigante, com asas de inseto, com patas de aracnídeo, dependia da região e século.

Diversas associações e ligações históricas foram feitas como A Praga de Justiniano, A Peste Negra, A Grande Praga de Londres, Grande Peste em Marselha, Praga de Moscou, Terceira Pandemia entre outros.

A esperança era uma peça cilíndrica esperando o momento de se encaixar em um quebra-cabeça exclusivamente retangular. Tinha tanta força quanto um palito de fósforo úmido esperando o momento de incendiar um oceano inteiro.

Cinco pessoas, desnutridas, desacreditadas, desmotivadas e cansadas contra um ser sagrado, uma deidade, com todas as letras, Kaba,a Propagadora do Fim.

Cruz, já embriagado ironizou : - JÁ SEI! Vamos matar todos esses bichos e Essa Mulher com um inseticida, conheço a marca perfeita!

Todos deram ao menos um sorriso amarelo, não pela piada mas sim pela atitude do colega em desespero.

De link em link, fórum em fórum, Sara foi descendo as camadas anônimas e profundas da internet, "A internet além da internet". Chegaram a um pequeno grupo de fanáticos como aquelas pessoas que pactuam em qualquer situação a ideia do "fim do mundo" 1999/2000/2012/Vinda de um novo Papa/Asteroide/Estrela Cadente/Alinhamento planetário, parecia tão idiota quanto... 

A "Contritio".

Já que tudo estava fodido, não viram empecilhos nessa empreitada, combinaram próximo a um complexo de moradias populares que nunca foi a frente então eram abandonadas . Eles com dados relevantes, o grupo acolhedor com uma possível solução. Se prepararam e se acomodaram no carro e esperaram Marta dar a partida, encaravam as ruas melancólicas com grande pesar enquanto a imaginação borbulhava de maneira negativa. 

Exceto cruz, que estava tão alterado, mas tão alterado que a única preocupação que sua mente permitia exercer era não errar (ainda que cantada "mentalmente") a letra de Disturbed - I'm Alive.

O que seria um silêncio constrangedor, foi dominado pelo guerreiro que cantava e interpretava a música isolada em seu fone de ouvido, dando direito a guitarra imaginária, bateria flutuante, maestria com as mãos e um leve sotaque na letra...

Precisavam se mover naquele mesmíssimo dia, não haveria outra chance, provavelmente seriam "silenciados" antes que pudessem arquitetar qualquer tipo de investida ou maior comoção na vizinhança.  Seu Nêmesis estava bem adiantado, dificilmente seriam capazes de contornar uma Mulher como Kaba. Apostariam no tudo ou nada.

Dificilmente, se colocado de maneira extremamente humilde, seria impossível enganar uma Mulher como a Kaba.

A verdade é que se deparariam com algo parecido a campos de concentração, algo arcaico e carregado de péssimas memórias , exatamente como isso, algo inimaginável nos tempos modernos, algo que a muito ficou para trás...

Prisões subterrâneas para conter boa parte da raça humana, qual seria o intuito de nos encarcerar eu não sabia dizer, mas de certa maneira eu possuía um leve palpite, não queria fomentá-lo mas sabia que deveria expô-lo, algo que deveríamos nos preparar, eram elas duas suposições.

Primeira, seríamos como escravos para novas espécies ou velhas só que mutadas.

Segundo, seríamos como alimento para novas espécies ou velhas só que mutadas.

De qualquer jeito estaríamos fodidos, por completo.

Escravizada ou Devorada?

Faltando quatro quadras para o destino, Marta teve que desviar e frear por conta de uma criança que quase fora atropelada por nós. Seu corpo caiu inerte na calçada, de fato não sabíamos se havia se acidentado ou não, ela desceu desesperada para acudir o pequeno. Ao chegar bem perto cambaleou e caiu dura, assim que saímos do carro para averiguar a situação fomos impedidos por homens inteiramente trajados de preto.
 Frank derrubou dois deles usando apenas a palma de suas mãos bem direcionadas no pescoço e nuca antes de ser nocauteado, Frank dormia. 
Sara ficou dura no banco em que se encontrava.
Eu consegui morder o braço do captor que me segurava, pisar em seu pé e empurrá-lo de lado, assim que me livrei comecei a correr...

A última coisa que me lembro foi uma estocada, uma picada bruta na altura da panturrilha esquerda... Apesar de ter sido atingida na perna, caí aterrissando com o busto no chão de terra, lembro de abrir a boca pra respirar melhor e acabei tragando a poeira alaranjada do solo, incapaz de me mover e tudo ficou escuro.

Algo como uma bolsinha... Não era uma bolsa... Parecia algo escorrido e sem vida, me fez lembrar de uma toupeira e ri sozinha. Recobrei a consciência mas a visão era turva, embaçada e péssima. Tentei entender o que era aquilo...  
Eram bolas! SIM! BOLAS!

Já não bastava a situação ser ruim o suficiente acordei com um par de testículos com distância de três centímetros da minha testa... Apesar de furiosa, por conta de ser e meio que ainda se encontrar drogada uma parte de mim achou aquilo muito hilário. "ha-ha a Bela adormecida é acordada com um beijo, eu com um par de bolas, muito bom, muito engraçado ha-ha" ironicamente em minha mente.

Estávamos nós cinco pelados em uma sala sem nada em volta, apenas o chão de tapume totalmente branco.

Assim que dei por mim e me levantei a porta se destrancou, uma mulher que possuía uma franja rente as sobrancelhas veio se desculpando e me oferecendo as mudas de roupas que trajava antes de serem arrancadas de mim.

-Foi necessário, tínhamos que ter certeza de quem vocês eram, sabe?

Apesar de toda a minha indignação, eu compreendi por completo, em tão pouco tempo, a Infestatio tomou consciência que estávamos cutucando por aí, quem garantiria que não fossemos agentes da empresa para conter qualquer tipo de resistência?

- Sim, eu entendo... O Frank não vai gostar nada disso, detesta ser tocado. (Um comentário idiota proveniente de uma consciência ainda alterada).

- É assim que agem, aqueles prestes a se envolver em uma guerra. Estando você pronta ou não.
Disse uma voz distante no corredor.

Viemos a conhecer a Contritio, que talvez a luz no fim do túnel.

Poderiam não ser responsável pela solução, mas absolutamente eram responsáveis pelo último suspiro da humanidade.


14/09/2017

Chuva Pré-histórica

Isso aconteceu há muito tempo, mas todos acham que estou louco por falar sobre isso.

É por isso que estou aqui. Me isolaram neste quarto minúsculo, mas me permitiram ter um computador onde posso digitar isso.

Eles leem isso. Aparentemente, é como eles me “avaliam psicologicamente”.

Não sei o que querem dizer com isso, pois posso garantir para todos vocês que é tudo verdade. Há algo na água e isso está nos deixando loucos.

Sou um profeta. Tudo isso me veio em um sonho. Aquele-Que-Tudo-Sabe fala comigo através dos sonhos. Acho que esse é mais um dos motivos por me manterem aqui.

Querem que a humanidade permaneça cega. Não querem que eu espalhe o conhecimento Daquele-Que-Tudo-Sabe. Não querem que minhas palavras despertem o conhecimento nas mentes de suas ovelhas, mas acredito que vou driblar isso. Vou explicar...

Há muitos anos, quando a humanidade como conhecemos era jovem, uma coisa horrível choveu sobre nos, literalmente. Uma chuva grossa, grudenta e dourada. Imagine uma substancia parecida com mel, mas com uma estranha textura rugosa. Ela não possuía cheiro, e os humanos primitivos ficaram confusos com isso. A única coisa que sabiam, era que o fluído era algo mais perigoso que uma chuva incomum.

Ela se acumulou no fundo de oceanos, lagos, rios… essa substancia gosmenta endureceu transformando-se no que parecia nada além de areia e sujeira, desfragmentados. Porém, ninguém sabia que eram ovos com um período de incubação terrivelmente longo. Séculos e milênios se passaram até que tudo começou a mudar. Acredito que os efeitos causados por esses ‘ovos’ começaram nos anos 60.

Esses pequenos grãos de “areia” racharam e parasitas começaram a afetar todos que bebiam a água. Esses parasitas passaram a viver no corpo de quem os consumiu, e não são afetados por nada além de uma sede incontrolável.

No entanto, o mais terrível sobre os parasitas, é que os filhos dos hospedeiros são os mais afetados. Seus níveis de inteligência são menores que os das gerações anteriores.

Elas são inseguras e esquecidas, e enquanto essa ameaça continuar em nossas águas, a raça humana como conhecemos se tornará mais ignorante e regressará para nada mais que simples símios pelados.

Então… qual seria a causa de tudo isso? Aquele-Que-Tudo-Sabe me contou que as vidas em outros planetas temem a raça humana.

Eles estavam evoluindo em uma taxa surpreendente, e enquanto os humanos estavam matando este planeta, eles temiam que logo seus próprios planetas fossem conquistados pelos sanguinários e gananciosos humanos.

Eles queriam retroceder a evolução humana para salvar seus próprios lares. Isso seria tão errado?

Pense como quiser. Pense nisso como algo vindo de alguém completamente insano, ou pense nisso como a verdade na qual acredito firmemente. Mas antes de decidir ignorar isso, ouça e observe todos ao seu redor.

Eles apresentam comportamentos primitivos? Muitas músicas atuais soam como batidas tribais? Já considerou que isso poderia ser verdade?

Qualquer um poderia ser infectado com esse parasita e estar completamente inconsciente disso.

Bom, é melhor eu sair desse computador. Está na hora de tomar meus remédios. Os médicos não gostam quando converso com Aquele-Que-Tudo-Sabe


Shinigami.Eyes

12/09/2017

Como sobreviver no Inferno: Parte 2

Olá, pessoas.

Bruce aqui trazendo pra vocês a segunda parte da série.
Para ler a primeira parte clique aqui.


ATENÇÃO: ESTA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE .

NÃO É PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 


Agora você já deve ter uma boa ideia do que esperar do Inferno. Você sabe como matar a primeira pessoa que vê assim que sair de uma placenta. Sabe encontrar roupas, ferramentas e abrigo. Sabe que, não importa o que você faça, o quão bem você faça, algum dia voltará a ser carne fresca.

Dis é a maior cidade que você pode imaginar. Tribos lutam e morrem por território e dar um passo errado é uma maldita sentença de morte. Eventualmente você terá uma ideia de onde deve ou não deve ir, desenvolverá o tipo de inteligência de rua que precisa para permanecer um residente por mais um dia.

Mesmo assim, existem lugares em Dis que você deveria conhecer. Vamos fazer um pequeno passeio pelo Inferno, talvez o aviso prévio te faça algum bem.


Rua da Pele



Permita-me falar sobre a primeira vez que eu vi a Rua da Pele. Eu deixei minha placenta na estrada, me levantei e me preparei para lutar. Ninguém estava lá. Nem sequer uma pessoa. Eu relaxei um pouco e olhei ao redor.

A maioria das ruas de Dis são uma rede de edifícios labirínticos. Você passa a maior parte da sua estadia no Inferno com a paranóia de que, ao virar a esquina seguinte, haverá alguém pronto para atacá-lo. A Rua da Pele não é assim. É uma única linha reta com apenas a chuva e a escuridão para dificultar a visibilidade.

Eu me senti mais vulnerável lá do que em qualquer outra parte de Dis. Você já entrou em um espaço largo e vazio e de repente se sentiu exposto? Sim, imagine também estar nu, desarmado e no Inferno. Ainda assim, eu sabia o que eu deveria fazer. O primeiro passo era encontrar roupas.

Foi aí que eu entendi como a Rua da Pele recebeu esse nome. Todos os edifícios, todas as luzes de rua e lâmpada de gás era cobertas por pele esfolada. Eu já estava no Inferno tempo suficiente para me assustar, mas estaria mentindo se dissesse que não me afetou. De alguma forma, me lembrou o Natal. Sabe? Pessoas pendurando coroas e luzes em suas casas, esse tipo de coisa. Me lembrei do tempo que passei com minha família... com meus filhos na manhã de Natal.

Sentimentos como esse te matam. Os empurrei de volta e tirei algumas sobras do prédio mais próximo. Se aluguém pode deixar materiais de vestimenta caídos ali, eu também posso levá-los, certo?

Eu não sabia disso no momento, mas cada passo que dava na Rua da Pele estava sendo observado. Quando o ataque veio, eu nem vi de quem era. Bang! Meu crânio rachou com o movimento suave de um taco de golfe. Quem me atingiu passou pelos meus olhos no momento em que caí. Eu estava cego e chorando como um bebê quando ele começou a retirar minha pele.

Mas é o seguinte, algumas pessoas são fodidas da cabeça até para os padrões do Inferno. Os solitários, serial killers, perseguidores e psicopatas seguem para a Rua da Pele no final. Eles deixam seus ornamentos como isca para os ignorantes, espreitando nas sombras e esperando o melhor momento para emboscar.

Se você está na Rua da Pele, terá que pensar rápido. Esqueça a roupa, basta pegar uma pedra, um pedaço de madeira ou qualquer outra coisa que você possa usar como arma. Fique longe das sombras, sempre cheque atrás de você e saia dali o mais rápido que puder.


Fazendas da Perdição



Você será perseguido no inferno, isso é inevitável. Em algum momento, você vai trombar com alguém maior do que você ou estará em menor número. Esqueça uma briga justa, se alguém pode te derrubar sem que você consiga lutar, pode apostar que é o que eles farão.

É fácil perder o foco quando se está correndo por sua vida. Você pode esquecer de prestar atenção aos seus arredores. Isso, meu amigo, é um grande erro.

Os arredores das Fazendas da Perdição estão repletos de outdoors. Eles prometem comida e segurança grátis a qualquer um que seja idiota o suficiente para acreditar neles. As tribos que lutam sobre esse território em particular gostam de conduzir pessoas das ruas para o complexo industrial que eles chamam de lar.

A boa notícia é que essas tribos não vão te matar. A má notícia é que eles são grandes fãs de levar as pessoas vivas. Eles têm um projeto da qual estão trabalhando por mais tempo do que eu consigo lembrar. Eu não poderia lhe dizer quem originalmente decidiu que o Inferno deveria ter organizado a produção de alimentos, só que a ideia ficou atrapalhada e, ao longo dos anos, inúmeras tribos resolveram tentar fazer esse sonho uma realidade.

Seja capturado por eles e você pode se preparar para um pouco de trabalho escravo.

As tribos das Fazendas da Perdição tentam fazer uso das placentas como fonte de alimento. Eles forçam seus escravos a colhê-las das paredes, triturá-las em tonéis industriais, misturá-las com sangue, partes do corpo, água da chuva e qualquer outra coisa que possa criar um caldo.

A vida de um escravo é curta, brutal e nojenta, principalmente quando esses escravos são então usados ​​como cobaias para o último preparo. Sabe, o líquido amniótico pode ser bebido se você estiver desesperado, embora beber muito é garantido para fazer você esvaziar o estômago de cada orifício disponível. A carne das placentas é uma questão diferente.

Eu não poderia te dizer exatamente o que são as placentas. Algumas pessoas dizem que são carne real, enquanto outros juram que elas são mais como um fungo. O que sei é que elas se regeneram ao longo do tempo. Coma uma parte da sua carne e, ao longo dos próximos dias, você criará uma nova placenta dentro de você. É um pequeno ato de misericórdia que você não viva o tempo suficiente para vê-lo rasgar sua pele. Você estará morto logo após o estômago explodir.

Se você tiver sorte, seus dias como escravo vão acabar quando a tribo decidir que eles querem alguma carne de verdade. Eles não são tão estúpidos para testar o próprio caldo, não quando há escravos de sobra no Inferno.

Olha, não posso forçá-lo a ficar longe das Fazendas da Perdição. Só posso dar conselhos. Na minha opinião, se você acha que está sendo conduzido até lá, é melhor pegar qualquer coisa e cortar sua própria garganta. Eu prefiro mil vezes o status de carne fresca do que passar outro dia nas fazendas.


O Jardim dos Ossos



Talvez você esteja pensando consigo mesmo: "Ei. Eu sou o tipo de louco que se juntaria a um culto. Há algo no Inferno pra mim?"

Se isso for algo do qual você pensaria, o Jardim dos Ossos cuidará disso. Há um certo tipo de fanáticos religiosos que realmente pertencem ao Inferno. Eu não estou falando sobre os queridos velhos que fazem bolos para arrecadar dinheiro para o novo telhado da igreja daqui. Estou falando dos caras que foram à guerra, porque Deus ordenou, que queimassem as mulheres por supostamente se juntarem com demônios e que não viram nada de errado com o cachorrinho estranho.

Quando essas pessoas chegam ao Inferno, elas são muito estúpidas para entender o que aconteceu. Por que enfrentar a realidade quando você pode fingir que é tudo apenas uma prova de fé? Muitos têm esse mesmo pensamento no Jardim dos Ossos.

Dizem que o Jardim dos Ossos era uma catedral cercada por um cemitério que se estendia de horizonte a horizonte. Talvez seja verdade, não sei. Hoje em dia, é uma favela de templos e igrejas construídas a partir de materiais retirados das ruas.
Em qualquer lugar que você olhar, encontrará fanáticos de olhos curiosos pregando sua própria versão retorcida de redenção e gangues de homens mascarados à procura de novos convertidos.

A mortificação da carne é o principal passatempo no Jardim dos Ossos. Se você ouvir a cacofonia dos sermões, será informado de como a carne é perversa e deve ser purgada do pecado. Quão afortunados somos por receber um dever tão sagrado e quão afortunados somos por ter a oportunidade de nos redimir diante de Deus.

As pessoas do Jardim dos Ossos tiveram muito tempo e muita prática quando se trata de dominar a arte da tortura e degradação. Eu não sou uma boa pessoa. Eu matei, estuprei e pratiquei canibalismo, mas posso dizer honestamente que jamais conseguiria sonhar com algumas das merdas que acontecem no Jardim dos Ossos.

Eu passei por lá por acaso uma vez e até hoje meu cérebro não conseguiu assimilar direito o que vi. Eu vi uma mulher, nua e amarrada, forçada a se ajoelhar e violada com varas de ferro. Um pregador costurou os próprios olhos e os lábios na frente de uma multidão antes de cortar sua "masculinidade" com um pedaço de ardósia. Um menino de talvez quatorze anos foi crucificado publicamente, uma menina foi afundada em merda, um homem mais velho tinha um pedregulho afiado sob as unhas... Eu poderia enumerar cem outras atrocidades feitas em nome da redenção.

Fique longe do Jardim dos Ossos. As pessoas lá decidiram que o inferno simplesmente não é infernal o suficiente para seu gosto.

Esqueça a redenção. Esqueça de Deus. A única maneira de sair do Inferno é montando um pilar de fogo e assumindo um corpo vivo. Concentre-se nisso se quiser escapar. Os condenados não podem te oferecer salvação. Os condenados só oferecem dor.




Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

10/09/2017

Litchinks


 - Entregue-se! Vocês não têm mais escolha!

 - Eu não quero fazer isso! – ela gritava, com os pulsos e as pernas amarrados, enquanto ele a levantava pelos cabelos.

 - Não há muito o que fazer. Você é nossa agora, mas pode vir para o nosso lado da maneira menos agressiva. – ele passava a faca pela garganta dela, a ponta brilhava conforme a luz do sol batia enquanto entrava através do único buraco que havia naquele porão.

 - Peça! – ele enfiou ainda mais a ponta da faça em seu pescoço, fazendo escorrer uma gota de sangue.

 - Meus desejos não te pertencem!

 - Pertencem. Vocês não merecem mais tê-los. Servirão a nós, este planeta agora é nosso!– sussurrou ele no ouvido dela.

 - Jamais, eu irei lutar contra todos vocês! – gritava ela enquanto ele amarrava seus pulsos sob duas hastes metálicas que estavam encaixadas em duas vigas de ferro serradas até a metade.

- Absorvedores, entrem!

Aos poucos, criaturas altas e prateadas, com olhos cor de safira e enormes dedos pontiagudos, entraram na sala através da porta de aço. O homem que a segurava, que poderia ser chamado de soldado interplanetário, afastou-se da moça, e logo em seguida esses seres formaram uma roda em volta dela. Seus olhos suplicavam por liberdade, e seus gritos eram agudos. Quando o círculo perfeito se formou, agarraram cada parte de seu corpo e introduziram seus dedo pontiagudos em cada poro que ela continha. Os olhos deles estavam agora vermelho-sangue, e brilhavam cada vez mais forte conforme iam sugando. De dentro dela, saía um líquido amarelado, às vezes avermelhado e um pouco dourado.

Agora ela seria mais uma escrava dos Litchinks, mais uma a servir a ele na dominação do planeta terra.

07/09/2017

O Outro Eu

Estive sofrendo com pesadelos cada vez mais frequentes todas as noites. Os pesadelos geralmente eram partes de algum evento maior, na verdade, eram como pedaços incompletos de um único sonho. 

Sempre começavam do mesmo jeito; Eu estava no escuro, um corredor familiar, com uma escada no final. Em todos os sonhos eu avançava cada vez mais pelo corredor e subia as escadas, os sonhos sempre acabavam de repente, com alguém gritando. Na verdade, o grito soava muito como o meu próprio. 

Uma noite pude ter o sonho completo. Eu estava no familiar corredor escuro, andando lentamente para as escadas. Dessa vez, porém, algo estava diferente. Eu ouvia vozes sussurrando coisas como: Tudo ficará bem. 

Quando finalmente cheguei no topo das escadas, encontrei uma porta. Eu a abri, e dentro havia um grande quarto. Ali dentro, a única luz vinha de uma pequena janela na parede à esquerda. O quarto estava completamente vazio, exceto pelos dois berços. Alguém se curvava sobre eles; parecia ser a pessoa cuja voz eu ouvi no corredor. Quando fechei a porta, os bebes nos berços começaram a chorar, e a pessoa virou-se para me olhar. Ele era eu, um outro eu. Ele se aproximou e começou a me enforcar, sorrindo e gritando: Como você pôde viver? 

Ele se parecia exatamente como eu, exceto por uma marca de nascença em sua bochecha esquerda. 

Foi assim que o sonho acabou. Nunca mais tive o mesmo sonho. Isso foi a quase um ano. 

Há pouco mais de uma semana, fui com minha mãe, visitar a casa onde passei a minha infância. Reconheci o corredor, a escada e até o quarto. Perguntei para minha mãe o que havia naquele quarto quando marávamos ali. 

O berçário onde você ficava com o seu irmão, ela me contou. 

Eu nunca soube que tinha um irmão, e ela pôde ler a surpresa em meu rosto. Ela me contou que eu tive um irmão gêmeo que morreu quando tinha dois anos. Ela disse que ele se parecia comigo, exceto pela marca na bochecha esquerda...

05/09/2017

Como sobreviver no Inferno: Parte 1

Olá, pessoas. 

Aqui é o Bruce. Trazendo pra vocês uma nova série em 3 partes, espero que gostem!



ATENÇÃO: ESTA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE .

NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 

Acordei em uma espécie de placenta. Em pânico e sufocado pelo líquido amniótico, toquei nas paredes de carne, lutando aterrorizado com todas as minhas forças para me libertar. Com um som molhado, fui jogado pelas pedras enlameadas da rua abaixo, torcendo o tornozelo enquanto caía.

A chuva fria limpou meu corpo nu do líquido da bolsa, tentei e não consegui me levantar. A rua parecia estranha para mim, uma mistura insana de arquitetura que varia do moderno ao pré-histórico. O céu acima ferveu com nuvens de tempestade, iluminando ao redor com flashes sem parar, relâmpagos.

Um homem caminhou até mim, seu cabelo estava coberto de sujeira e a chuva encharcou suas roupas de couro. Ele não disse nada, apenas me observava contorcer no chão.

"Por favor", suspirei. "Me ajude."

Ele respondeu chutando meu rosto, quebrando meu maxilar e fazendo minha visão embaçar. Ele se moveu para meus braços, puxando até ouvir os ossos se solatrem. Aleijado, nu e gritando, não havia nada que eu pudesse fazer para me defender quando ele começou a me comer vivo.

Minha introdução ao inferno não era incomum. Poucas pessoas sobrevivem em sua primeira hora, muito menos a primeira noite. Quando eles morrem, eles passam pelo mesmo novamente, saindo de uma nova placenta em outra parte da cidade. Eventualmente, eles atacam a primeira pessoa que vêem e, se tiverem sorte, poderão matar essa pessoa.

Essa é a única regra do Inferno, o mais forte pega do mais fraco. Acostume-se com a ideia e você pode acabar com a vida após a morte.

Eu vou te ajudar. Considere este seu manual para o Inferno, um guia do Inferno. Não cometa erros, eu não estou fazendo isso por bondade do meu coração. Quando você morrer, você me deve uma. Não se preocupe em tentar me encontrar, eu garanto que nos encontraremos eventualmente. A eternidade é um tempo longo pra caralho, então é uma questão de "quando" em vez de "se".

Faça o que digo e você terá uma chance melhor do que a maioria de evitar minha própria introdução desagradável à cova.


Bem-vindo ao Inferno



Algumas pessoas juram que viram uma luz no final do túnel quando morreram. Na minha opinião, essas pessoas estão alucinadas ou estão mentindo. A maioria de nós apenas acorda em uma placenta alguns minutos depois da morte. Os edifícios do inferno estão cobertos por coisas horríveis, como espinhos amarelados que crescem pelo tijolo.

Já mencionei que a primeira coisa que você precisa fazer é abrir caminho e se preparar para lutar. É aí que a fica realmente difícil, já que nem todo mundo tem a força para romper a carne da bolsa. Você fica com o mesmo corpo que você tinha antes de morrer. Então, digamos que você nasceu paralítico ou talvez tenha morrido jovem demais ou velho demais... Uma merda. Você vai passar a eternidade se afogando no líquido por não ter forças para sair.

Se você conseguir se libertar de sua bolsa, não perca tempo enrolando, perguntando o que aconteceu. Levante-se e prepare-se para se defender. As chances são altas de que a primeira pessoa que vir você terá fome. Não há plantas ou animais no inferno, então o canibalismo é a sua única opção se você não quiser morrer de fome e ter que começar de novo. Tenha a intenção de matar a primeira pessoa que você ver.

Pode levar algumas tentativas. A maioria dos habitantes do inferno tem lutado por sobrevivência muito mais do que você. Eles podem ter armaduras feitas de pele bronzeada, metal  e osso. Eles quase certamente terão uma espécie de faca, um tacape ou um machado. Tudo isso lhe será útil se você puder pegar.

A próxima coisa a fazer é encontrar abrigo. Nunca pára de chover no inferno e a pneumonia é uma maneira de merda de morrer. Por sorte, você terá uma seleção de edifícios para escolher. Já quis viver em uma mansão vitoriana degradada com metade do teto e sem móveis? Que tal uma antiga caverna de tijolos de lama egípcia? Se as pessoas o construíram, você pode encontrar uma versão em ruínas no Inferno. Escolha um prédio, mate todos os invasores que você encontrar e se mude.

As melhores casas são as que vêm com um suprimento de sucata e madeira. Não só são bons para fazer armas, como também são vitais para obter água potável. Aprendi da maneira mais difícil que a chuva do Inferno está cheia de doenças. Tem que ser fervida antes que seja segura, então fazer uma fogueira e algo para criar uma tigela é uma necessidade.

Então, matamos nosso primeiro homem e encontramos uma casa. As coisas estão indo bem. Chegue tão longe e você vai querer manter o que tem para sempre. Você não vai. Alguma coisa o matará eventualmente e você terá que começar de novo. Meu recorde é 1 ano, se quiser vencer, precisará entender o Inferno e seus habitantes.


Os Condenados



As pessoas do inferno podem ser agrupadas em duas categorias. A primeira, a carne fresca, são aqueles que acabaram de sair de uma placenta. É matar ou ser morto quando se trata de carne fresca, sempre foi. O recém-nascido quer roupas e ferramentas e vai matar para consegui-las. A segunda categoria, os moradores, vê a carne fresca como um suprimento rápido e fácil de alimentos, couro e osso.

Os residentes têm um tempo mais fácil com certeza e todos lutarão para manter o status de residente durante o tempo que puderem. Não cometer nenhum erro, porém, os moradores se vitimizam tanto quanto eles se alimentam da carne fresca. Se você é uma mulher, por exemplo, bem, é melhor você superar todos os complexos que você tem sobre estupro. As mulheres são estupradas no inferno muito mais que os homens, é apenas um fato. Se você não é um desses marombas ou lutadoras, faça a coisa inteligente e se prostitua por proteção. O auto-respeito não o mantém respirando.

Lembra como conseguiu o corpo que você tinha antes de morrer? Bem, esse fato constitui o núcleo da sociedade do inferno. A verdade é que ao longo da história, geralmente tem homens que morrem em batalha. Isso significa que no Inferno, há muitos homens com corpos jovens e fortes para a guerra. Esses são os caras que chamam os tiros. Se você não pode lutar contra eles, é melhor você fazer o que mandam.

Se você viver tempo suficiente e lutar bem o suficiente, você pode ser convidado para uma das tribos residentes. Estes são grupos de pessoas que se unem pelo bem da segurança em números. Acredite, fazer parte de um grupo torna as coisas muito mais fáceis no Inferno. No entanto, tenha em mente que você é apenas parte da tribo enquanto for residente. Seja morto e voltará a ser carne fresca.

As tribos oferecem a coisa mais próxima de uma sociedade civilizada que você encontrará no Inferno. Se você é parte de uma tribo, você tem pessoas do seu lado que provavelmente não vão matar você, a menos que as coisas fiquem difíceis.

Meu próprio recorde de sobrevivência foi graças a ter entrado em uma tribo. A vida foi boa por algum tempo. Tivemos cerca de cinquenta soldados e muitas garotas para foder. Ninguém podia nos tocar e os homens respeitavam um código de honra, então o medo comum de ser esfaqueado nas costas por seus amigos não era um problema. Eu poderia ter passado a minha eternidade com um conforto razoável, mas o inferno tem maneiras de foder com uma coisa boa.

A carne humana e a água da chuva fervida não fazem exatamente uma dieta equilibrada e, mais cedo ou mais tarde, o morador mais forte morre de desnutrição. Eu fiz bem em durar um ano, embora nos últimos meses tenham sido uma agonia. Se eu acreditasse em Deus, eu juraria que ele projetou o Inferno de tal forma que ninguém permanecia em cima da cadeia alimentar por muito tempo.


A Cidade e a Terra Perdida



A maioria dos condenados vivem em Dis, a cidade do inferno. É aí que nascem todas as carnes frescas e, considerando o tamanho do lugar, juntamente com a curta expectativa de vida, muitas pessoas passarão a eternidade sem nunca colocar o pé fora de Dis.

Siga meu conselho, não saia da cidade. As coisas são difíceis nas ruas, é verdade, mas confie em mim quando digo que isso piora muito se você tentar sair.

Dis é cercada por uma terra devastada chamada Gehenna. À primeira vista, não parece grande coisa, apenas uma extensão vazia de cinza que se estende para o infinito. Às vezes, os condenados perdem aquele fogo na alma, a vontade de sobreviver e partem vagando para Gehenna. A maioria deles nunca mais volta.

Eu fiz a caminhada uma vez, há muito tempo. Não me importo com o quão durão você acha que é, passe tempo suficiente no inferno e isso começa a acabar com você. Não vou me sentar aqui e dizer-lhe que sou uma boa pessoa que nunca mereceu isso. Ninguém pode dizer isso e não ser um mentiroso. Ainda não sou malvado... ou melhor, não era. Não até eu chegar ao Inferno.

Você assassina, estupra e tortura porque sabe que eles fariam o mesmo com você. Você é assassinado, estuprado e torturado porque sabem que você fará o mesmo com eles. Depois de um tempo você simplesmente não quer mais enfrentá-los. É aí que você começa a caminhada à Gehenna.

Os primeiros quilômetros que andei não foram nada de especial. A chuva parou depois de um tempo, o lodo debaixo dos meus pés dando lugar a cinzas, e tive meu primeiro vislumbre do céu do Inferno além das nuvens. Era um cinza plano com um sol branco, completamente desprovido de beleza ou calor. 

Ao caminhar para Gehenna, perdi qualquer desejo de comer, beber ou dormir. Meu corpo começou a perecer, mas não me importava. Mesmo quando minha pele começou a descascar e meus ossos estavam expostos, não me importava. Quanto mais eu adava, mais vazio eu me tornava em mente, corpo e alma.

Não sei o que aconteceria se eu continuasse. Francamente, não quero saber. Alguma parte de mim ainda queria viver, então eu voltei. Eu andei por dias, talvez semanas, mas quando eu me virei, Dis estava a poucos passos de distância.

Voltei para a cidade e meu corpo finalmente desmoronou. Quando eu saí da minha placenta, eu jurei nunca pisar novamente em Gehenna novamente.


Escapando do Inferno



Existem maneiras de sair do inferno. Isso deveria ser óbvio, caso contrário eu não estaria falando com você, estaria?

Às vezes, os vivos colocam em suas cabeças que querem conversar com os mortos. Eles conseguem seus painéis de cristais, incensos e tábuas ouija com a esperança de alcançar seus entes queridos. A maioria não faz nada além de se enganar pensando que eles fizeram contato. Eles sorriem ou choram, convencidos de que a amada vovó está tocando a harpa em uma nuvem em algum lugar antes de continuar suas vidas.

Alguns têm a habilidade de realmente nos alcançar. Eles podem abrir um portão entre o Inferno e o mundo dos vivos que percebemos como um pilar de fogo que se estende das nuvens. Assim que um desses pilares aparece, começa a maldita disputada de quem será o primeiro a chegar a lá.

Você não viu a verdadeira natureza do homem até ter observado milhares de malditos bandos um sobre o outro, chutando, mordendo e arranhando para ser aquele que escapa. O contato com os mortos sempre resulta em um banho de sangue. Mesmo as tribos mais civilizadas se desmoronam no instante em que fica claro que apenas um deles pode sair.

Eu saí do inferno duas vezes já, deixei meu corpo para trás e montei aquele pilar de fogo nas nuvens.

Algumas pessoas acreditam que você pode ser possuído por demônios. Deixe-me te dizer algo... os demônios não são reais. O que os vivos vêem como possessão demoníaca é apenas um dos malditos testes de seu novo corpo. Vamos encarar isso, se você lutou pelo Inferno para voltar ao mundo dos vivos, você não estará no seu melhor comportamento por muito tempo.

Mais cedo ou mais tarde, nós levamos as coisas muito longe. Nosso hospedeiro morre ou sua família recruta um exorcista, depois estamos frescos numa placenta e nas ruas novamente.

Tenho que ir agora. Quando você chegar ao Inferno, lembre-se do meu conselho e que você me deve uma. Talvez possamos formar uma tribo algum dia?

Por enquanto, quero ver o que o meu novo corpo pode fazer.


FONTE



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

03/09/2017

O Oitavo Anão

ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE (ABUSO SEXUAL).


NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 

A história da Branca de Neve conta sobre uma moça branca que se perdeu dentro da floresta negra e achou uma casinha com sete incríveis anões. Mestre, Dengoso, Atchim, Feliz, Dunga, Soneca e Zangado.

Entretanto, havia um oitavo anão antes da Branca de Neve.

Caçador, como era conhecido por não ter um nome, era marcado pelo seu comportamento maldoso. Dizem que ele é a razão pelo qual Dunga nunca fala.

Antes da Branca de Neve, tinha outra garota. O nome dela era Íris. Ela veio do mesmo lugar que a Branca de Neve, porém vários anos antes. Ela tinha apenas 14 anos e usava roupas velhas, rasgadas e remendadas. Ela fugiu do reino depois de ter sido estuprada por um homem ao colher flores a noite, e seria obrigada a casar com ele por isso.

Íris fugiu pela mesma floresta durante a noite, mas ela não achou a casa. Ela acertou uma árvore em meio a escuridão e desmaiou. No outro dia, durante o trabalho, os sete anões que trabalhavam em uma mina ali próximo acharam a menina desacordada no chão. Eles a levaram pra casa, cuidaram dela e a deixaram em uma das camas para voltarem a trabalhar. O Caçador, por sua vez, não trabalhava no minério, mas sim caçando a comida dos seus companheiros.

Ele viu a garota dormindo no quarto e se sentou ao lado dela. Ele era maldoso desde o dia que nasceu, e a inocência daquela garotinha chamou sua atenção. Ele começou a tocar as pernas dela, mexendo nas roupas, e levemente deslizou o dedo entre as pernas dela. Se sentindo muito desconfortável, Íris acordou gritando. O dedo enrugado do anão saiu ensanguentado, e ele partiu para abafar os gritos da menina.

Íris estava totalmente em panico. Ela empurrava o anão com todas as suas forças enquanto ele tentava beija-la. Eventualmente, conseguiu escapar e correr pra fora da pequena casa gritando por ajuda. O Caçador então pegou seu rifle e atirou nas costas dela pela janela.

O som do tiro fora tão alto que os outros anões ouviram lá da mina. Ele a trouxe para dentro da casa e continuou a estupra-la. Os outros anões chegaram na casa e o puxaram de cima de Íris que já estava morta na cama, seu sangue escorrendo da cama ao chão.

Caçador tentou fugir da casa, mas os outros o derrubaram do lado de fora, o amarraram em um árvore e o queimaram vivo. Apenas observaram a pele dele derretendo-se ao calor pelo que havia feito.

Eles então fizeram uma promesa ente si: Nunca mais falar sobre o Caçador novamente.

Autor: Carlos Alberto 

Drink

AVISO: Essa creepy não é indicada para menores de 18 anos. 

Eliza sempre gostou de trabalhar durante a noite, depois do trabalho na lavanderia se reunia com suas amigas em um bar que ficava do outro lado da rua. Sempre muito bem vestida ela chamava a atenção de todos os homens que ali frequentavam.

Uma mulher de cabelos castanhos e longos com uma pele rosada e olhos verdes jamais passaria despercebida por ali, se não fosse por sua beleza certamente seria pelo seu jeito de olhar. Mas Eliza tinha um jeito diferente; sempre ao sentar próxima ao balcão fazia questão de olhar diretamente para todos os homens que ali estavam.  Ela sempre saía do bar acompanhada no fim da noite.

Até o homem mais sem vergonha se tornava tímido diante de seu olhar sedutor e penetrante, mas sempre tinha algum corajoso que ia até ela passar uma cantada. Numa certa noite o bar não abriu devido a morte da filha do dono.

Enquanto suas amigas foram para casa, se sentou na calçada olhando para os carros que passavam; era por volta de 23:00 quando um táxi parou perto da calçada, o motorista que aparentava ter por volta de 54 anos sentou ao lado dela e começou a soltar cantadas nojentas que saiam de sua boca cobertas pelo bafo de cachaça.

Sem expressar qualquer emoção entrou no táxi sem dizer qualquer palavra, o motorista entrou no carro logo em seguida perguntado para onde ela desejava ir, mas Eliza permaneceu calada e imóvel.

O táxi ligado na bandeira dois começou a andar e a todo o momento o motorista a observava pelo retrovisor, carregando nos olhos o desejo de possuí-la ali mesmo.

Ao chegar na avenida Duquesa de Goiás localizada no bairro Morumbi a levou para o motel mais próximo e pediu a suíte mais barata que eles tinham, como se ela fosse uma simples vadia qualquer.

Se recusando a mover qualquer parte do corpo ele a retirou do carro e a levou paro o quarto jogando-a em cima da cama com lençóis manchados e ainda com cheiro de sexo. Nem o cheiro a deixava incomodada, era como se nada a fizesse ter reação.  O motorista tropeçou perto da cama e deixou a garrafa de cerveja cair, acabou cortando o pé, mas nem isso o impediu de abrir o zíper e se jogar em cima da cama como um porco faminto.

O cheiro de sexo e sangue estava por toda parte, sua roupa estava sendo tirada, quase que rasgada devido a tanta pressa que ele tinha de vê-la nua. Mesmo sem entender sua falta de reação continuou a se aproveitar dela e esfregar suas mãos grossas por todo seu corpo.

O motorista deitou sobre seu corpo e aproximou sua boca do ouvido dela fazendo a pergunta que jamais deveria ter feito a ela: O que você quer beber pra ficar soltinha?

Sua resposta foi dada com uma mordida voraz em seu pescoço, com os seus dentes cravados no pescoço do motorista Eliza tomou a melhor bebida da noite. O sangue de um homem aproveitador e machista que descia pela sua garganta suavemente.

Autor: Andrey D. Menezes. 
Depois de tanto tempo longe aqui estou, fiz um acordo com o gabs e vou postar somente quando der. Trabalho e facul me sugando muito e eu ainda tô me dedicando a terminar o ebook. <3 

01/09/2017

INFESTATIO

Boa noite, perdão pela demora. Segue então, a terça parte da Infestatio.



PARTE - III



O relógio apontava o horário da refeição de grande parte da fábrica e Veronica ainda não tinha chego para dar início ao seu turno, Marta pensava que devia estar de ressaca já que sua amiga nem por motivo de doença havia faltado ao compromisso uma única vez sequer.

Segurando sua bandeja, ergueu a cabeça e pôde ver a cabeça(baixa) cinzenta e raspada de Frank, Cruz usando o smartphone e Sara um tanto quanto inquieta mastigando um palito de dente no canto da boca, batia o pé repetidamente no chão e desenhava círculos imaginários no plástico que forrava a mesa.  Após as saudações, Sara foi se atropelando: - Nós precisamos adiantar aquela reunião para hoje, de verdade, é o tipo de coisa que nos deixa em desvantagem a cada precioso segundo que passa, o Cruz tem um primo na polícia o Frank conhece...- Foi interrompida pela colega.

- Aqui não.-Em severo tom de advertência.

Sara fez menção de voltar a falar e foi advertida com um simples olhar de Frank.

Cruz perguntou: - Onde está a Veronica? Todos olharam ao mesmo tempo para Marta que apenas balançou a cabeça negativamente.

Marta daria carona a Cruz e Frank após o expediente, esperaria por eles, buscaria Sara em casa e iriam até a colega que faltava. Voltaram aos seus afazeres.

Pouco tempo depois de estarem na produção ambos os homens foram chamados para uma nova pesagem e atualização de "dados médicos". Sem questionar, mas já sabendo que algo estranho acontecia foram ao local determinado pela voz que vinha das gigantescas caixas de som.

Cruz pensou na hora: "Santa Maria!"

Frank pensou na hora: "Se soubesse, teria vindo trabalhar bêbado..."

Marta ficava em um local isolado, a substância que manipulava não podia ser exposta ao calor ou grandes vibrações, por isso as paredes eram acolchoadas, o informe era que a um simples movimento brusco nas pinças metálicas poderia alterar o composto químico dentro da ampola e tornar o fluído em algo inutilizável, tanto é que rádio, celulares e conversas exaltadas eram estritamente proibidas.

Ouviu um leve rugido mecânico, achou que havia feito algo de errado pois nunca ouvira aquilo antes. Ao se locomover pela sala, de canto de olho percebeu que a câmera que era postada atrás dela seguia seus movimentos incessantemente, tratou aquilo como natural sem transparecer que estava ciente ou incomodada com aquilo.

Marta pensou na hora: "Hmmm... fodeu mesmo..."

Sara antes de entrar em sua sala recebeu a notificação da visita técnica da Thitronic, com o serviço de manutenção no intuito de rodar uma completa análise em todos os servidores e sistemas para prevenção de perda/corrupção de dados.

Sara pensou na hora: "É assim que saberão o que eu sei. Não, é assim que irão saber o que eu quero descobrir. Não, são as duas coisas"- E de pronto buscou em seu bolso outro palito de dentes para ficar mordendo, como alívio de sua tensão.

 Entendendo no que aquilo poderia acarretar e sabendo exatamente ao que seria submetida, desviou seu caminho para o banheiro feminino, na companhia da bolsa que protegia seu laptop. Escolheu a cabine que ficava bem embaixo da janela espelhada e abriu o máximo que conseguia. Caso houvesse uma câmera no teto, por conta do reflexo seria incapaz de capturar as imagens dela, sentou na privada com o aparato no colo. Ficou feliz por ter gasto um extra pela tecnologia que envolvia as teclas, garantindo absoluto silêncio.

A diferença entre Sara e seu novo grupo de colegas era que de maneira aplicada, em exercício de sua função, não havia ninguém que entendesse tanto, fosse tão especialista, tivesse tanto conhecimento e pleno domínio como ela. E por hora, essa era a única vantagem que todos eles possuíam.

Com eficácia conseguiu mascarar todos os "passos virtuais" dela, Ninguém saberia o que havia descoberto ( e estava ansiosa para revelar) , não havia pista alguma que pudesse ter deixado para trás.

Recebeu um SMS de Cruz naquele momento.

Não era uma estrategista, mas concluiu que se estavam a investigando é porque de algo sabiam e algo esperavam encontrar... Pois sabiam que algo haveria... Então obrigatoriamente teria que deixar "algo errado" para trás. Estar totalmente limpa seria mais suspeito que cometer uma pequena infração. E soube exatamente o que deveria fazer.

Em nenhum momento na sua curta existência de vinte e três anos chegou tão perto de ter o rosto modelado por um sorriso tão maquiavélico, tal engenhosidade não era de seu feitio, a situação da qual se encontrava despertou algo novo em seu ser.  

A vontade de ser parte do jogo.

Pela mensagem de Cruz, soube que provavelmente todos eles estariam sendo vigiados, a solução momentânea que encontrou da maneira que todos eles pudessem ser amarrados era a seguinte: Sara deixaria transparecer que usou de sua posição para obter informações particulares de Frank (como se demonstrasse interesse em se envolver com o homem) esse que era amigo de Cruz, ambos vizinhos de Marta que com toda certeza chamaria sua melhor amiga para comparecer a uma confraternização, no caso Veronica. Marta conhecia Dra.Michelle, irmã de Sara, dessa maneira fora estabelecido o contato inicial, no intuito de "arranjar" um encontro entre Sara e Frank. Era perfeito..
.
Saiu do toilette um pouco descabelada e carregando a mão esquerda sob o ventre, como quem gostaria de passar a mensagem de que estava com problemas intestinais...

Sentou-se em sua mesa, retirou o laptop e assim que acionou o botão power recebeu a sugestão de "emprestar" o eletrônico para o técnico, e o fez sem oferecer resistência.

Enquanto esperava a inspeção, impedida de continuar a trabalhar encarava o vasto corredor que tinha o ponto de partida em sua própria porta.

Ao final dele uma figura esguia apareceu, vestido de seda azul, cabelos negros que pareciam ter mais vida que a própria essência da palavra em si. Era como se o tempo estivesse desacelerando e fosse cada vez mais difícil de respirar, como se o ar de repente havia ganhado peso, ainda que os olhares não houvessem se encontrado, era como se os olhos dela, os olhos de Kaba tivessem a capacidade de penetrar o seu mais íntimo pensamento obscuro, como se suas particularidades e segredos ganhassem uma forma física e se revelassem a um público inteiramente desconhecido de maneira que pudessem apalpá-los e que pudessem fazer o que bem entendessem. O olhar de Kaba, como duas opalas em pleno ardor das chamas desconstruía todas as defesas internas de um ser humano, era como se estivesse na presença de algo realmente divino, sacro, antigo e único.

Com toda pressão que sua presença exercia, com toda severidade que seus traços clamavam, com toda beleza opressiva de sua pele amendoada e flavescente ela se postou em uma cadeira de frente a Sara e com uma voz que transmitia uma hipnotizante calma, conforto e leve euforia seus finos lábios desenharam a sentença: - Precisamos conversar.



Veronica pensou na hora: " Que coisa asquerosa!"

No momento da filmagem, sua residência estava completamente escura, dificultando em muito a captura da movimentação, mas partindo do princípio que aquilo ali era sério, nem de longe um show de marionetes, ainda que distorcida, a informação contida ali era suficiente, mais que suficiente por assim dizer...

Eu passei as horas em claro, fingindo estar dormindo, tinha uma raquete elétrica comigo, embaixo do edredom, olhava fixamente para a entrada da cozinha, esperando toda a movimentação começar... Eu não tossi, não espirrei, não bocejei, não realizei movimentos bruscos, não bufei, apenas aguardei de maneira estática.

Ficava passando, repassando, reavaliando em minha mente as imagens que eu vi em minha própria casa e me recusava a acreditar. Sabia que passando todas essas horas em claro resultaria em minha primeira abstenção ao labor, mas valeria! Com certeza! Ligaria de tarde dizendo que estava mais uma vez sentindo enjoo matinal, provavelmente gostariam da informação achando que estivesse grávida.

Nada aconteceu.

Adormeci profundamente.

Acordei com o som de buzinas, pareciam estar dentro da minha cabeça.
Teria de receber os convidados...

A reunião que aconteceria entre nós cinco nesse dia seria "absurdamente absurda" Psiquiatras se matariam para ter acesso ao nosso encontro se o mesmo fosse registrado seja em papel, áudio, vídeo ou até mesmo pela testemunho de alguém presente. Se a minha vida fosse um seriado de televisão ou um livro bem clichê, com certeza o episódio/capítulo ganharia um nome espalhafatoso entre "A Revelação", "A Exposição", "A Verdade" ou qualquer merda do tipo.

Cruz apresentaria documentos confidenciais da polícia.

Frank apresentaria documentos de planos de logística de uma terceirizada da Infestatio.

Marta apresentaria plantas de estruturas subterrâneas ameaçadoras.

Eu apresentaria o vídeo da futura ameaça que enfrentaremos.

Sara apresentaria uma planilha de custos e planejamento.

Naquele momento ficou claro, o nosso papel foi descobrir, quanto ao papel do resto da humanidade, era apresentar medo e submissão...

...Através do diálogo, talvez poderíamos virar o jogo.

Apenas talvez.