18/11/2017

Vox e Rei Beau: O Lugar Quieto (PARTE 2)


Antes de tudo, existia o Lugar Quieto. Era muito escuro e muito quieto, e tudo lá vivia parado. O Lugar Quieto tinha um rei muito malvado que roubava respirações e odiava tudo que não estava em seu reino. Todos os seres no Lugar Quieto viviam com medo e tristes. Eles não podiam sair porque o rei os caçaria e devoraria se eles tentassem. Pior, o rei os forçava a entrar em nosso mundo e roubar coisas. Eles roubavam vozes ou memórias, coisas brilhantes e brinquedos, às vezes corações e até mesmo pessoas. Alguns dos súditos do rei gostavam disso, mas a maioria não.

Beau odiava o rei. Ele odiava se sentir triste. Ele odiava que todos tivessem medo, porque mesmo que ele próprio nunca tivesse medo de nada, isso significava que ninguém brincaria com ele ou faria nada além do que o rei quisesse. Ele decidiu que a única maneira de resolver isso seria se tornando rei.

"BV Stealing Breath", de aelur
(É nessa parte que eu começo a entender por que minha mãe queria falar com um médico sobre mim)

Beau decidiu que teria que enganar o rei. Ele roubou um pequeno garoto que era mau e sempre comia demais e nunca tinha boas maneiras. Beau se escondeu sob a cama do garoto e esperou até que ele dormisse para comer sua voz. Ele então se escondeu sob a pele do garoto e esperou até que o rei o deixasse entrar com todos os outros tesouros que os caçadores haviam encontrado.

Aparentemente Beau me mostrou como o garoto chorou e gritou, imitando sua voz perfeitamente (mesmo quando ele me contou essa história. Isso me fez chorar, e Beau precisou parar para que brincássemos de algo diferente. No entanto, ele realmente queria finalizar a história porque ele tinha orgulho dela, então mais tarde deixei que ele me contasse o resto).

Quando o rei se moveu para devorar o garoto que era agora Beau, Beau fez seu movimento. Ele se entranhou entre as mandíbulas do tirano e esticou o braço até alcançar sua garganta. Então Beau puxou todas as vozes que estavam escondidas lá dentro e as comeu sozinho. Depois de roubar esse poder, não foi difícil derrotar o rei. Ele disse que o velho rei começou a derreter e se retorcer. Ele ressecou em algumas partes e teria gritado, mas ele não tinha mais vozes sobrando. Beau o baniu para o canto mais profundo e escuro do Lugar Quieto, onde ele poderia não-gritar longe de todo mundo.

Então Beau virou rei. Mas Beau ainda não estava feliz.

Muito embora ele tivese todas as vozes do velho rei e todos tivessem que fazer o que ele mandasse agora que ele era rei, ele estava solitário. Ele se sentiu entediado. Tudo era sempre a mesma coisa no Lugar Quieto, e embora ele tivesse prometido às pessoas-sombra e todas as outras criaturas que nenhuma delas jamais teria que caçar por ele, ele estava se sentindo cada vez mais inquieto. Ele sentia todas as vozes dentro de si e se perguntou como novas vozes seriam. Então ele começou a passear por nosso mundo.

Primeiro ele só roubava pedaços de vozes de vez em quando, enquanto as pessoas dormiam. Ele se escondia sob as camas ou entrava pelas janelas se não houvesse luz da lua. As pessoas só acordavam com dores de garganta e sonhos ruins, então ninguém se machucava de verdade. Infelizmente, isso só o fez ficar mais faminto. Quanto mais tempo passava, mais infeliz ele se sentia com só um gostinho. Ele pensou em roubar vozes inteiras exatamente como o rei mau havia feito.

Foi assim que nós nos conhecemos. Uma noite eu acordei porque alguém havia dito meu nome. O quarto estava escuro e bem quieto porque ele trouxe o silêncio consigo. Ao lado de minha cama estava Beau. Ele era bem assustador, mas ele também parecia triste. Nessa época meu filme favorito era Peter Pan, e eu me lembrei de como Wendy conheceu Peter mais ou menos assim, então decidi ser o mais corajosa possível.

Eu perguntei, "Por que você está tão triste?"

"Porque eu quero comer a sua voz", ele respondeu.

Eu disse a ele que ele não podia fazer isso porque eu estava usando-a. Ele disse que saiba que eu estava. Ele me ouviu cantando para meus animais de pelúcia e ele gostou bastante. Eu disse que se ele não comesse minha voz, eu cantaria para ele também. Isso nunca havia ocorrido a ele, e decidiu pensar a respeito. Enquanto pensava, nós fizemos uma cabana com meus lençóis. Ele gostou tanto disso que decidiu deixar que eu mantivesse minha voz e me visitar para brincar.

Foi assim que nos tornamos amigos. Ele me trazia histórias de suas aventuras, e eu cantava para ele e nós brincávamos.

Então, acho que isso é um começo. Acho que posso falar sobre Beau e o Lugar Escuro. Essa história é menos "história emotiva de uma garotinha" e muito mais "eu contei para minha mãe porque eu não parava de ter pesadelos."

13/11/2017

Minha última nota de agradecimento

Hoje foi um ótimo dia e acordei do lado certo da cama, como diz o ditado. Não sou uma pessoa supersticiosa, mas não vejo porque não me aproveitar do que as pessoas caracterizam como sorte. Os romanos costumavam dizer que um bom dia começa com o pé direito, e mesmo que eu não seja romano... Ainda penso nisso quando acordo, penso nisso todos os dias, e hoje não foi diferente.

O pé direito atingiu meu tapete macio. O café da manhã foi ótimo, meu café cheirava muito bem, e o sorriso da minha mulher estava lindo demais para que meu dia fosse estragado por pouca coisa. O problema é que eu não queria que fosse bom, queria que fosse perfeito. Tudo que eu estivera trabalhando estava começando a dar frutos e a “luz no fim do túnel” finalmente começava a aparecer, só precisava ter certeza de que estaria preparado quando chegasse lá.

Foi por isso que comecei a empilhar o deque. Por dia tenho jogado moedas na água na esperança de encontrá-las, coloco meu colar com a parte da corrente quebrada para cima todas as manhãs, minha precaução para controlar minha vida, e tudo mais que possa me trazer sorte. Eu precisava que hoje fosse perfeito, e espero que você perceba isso enquanto lê por essas linhas. Se sua família estiver lendo em vez de você, sinto muito, eu realmente sinto muito. Não era minha intenção.

Com o montante de stress, o incrível desejo de fazer mais, e a pressão que vem com este trabalho, eu não tinha ideia de que acabaria assim. Nesse ponto, eu sempre dei meu melhor em tudo, nunca sequer tive uma multa por excesso de velocidade. Minha família sempre esperou o melhor de mim, para eles eu era a estrela que brilharia e seria o guia. Depois de hoje, de qualquer forma, espero que não decidam esquecer meu nome.

Tudo foi traçado e planejado, o pessoal do trabalho sabe da minha ausência e já tem um plano. Minha esposa tem acesso a tudo, em todos os lugares, e não vai nunca precisar de nada. Tenho certeza disso. Aquele sorriso, vou sentir falta dele.

Eu sei que é difícil de entender, até eu tive dificuldade. Por que você entenderia? Eu sei, e na superfície tudo parece ótimo, mas você não pode controlar muito nesse mundo. Fiz tudo o que podia para controlar as coisas, e deixei que o resto acontecesse. Posso lidar com isso, certo? Pensei que sim, e de repente não podia.

A verdade é que eu sofri, cara... ou moça? Uau, eu nem sei. Me perdoe, digo isso verdadeiramente, mas espero por Deus que não tenha que dizer pessoalmente. Quero que leia isto, quero que saiba que você não tinha escolha. Isso não sou falhando em encontrar as moedas, ou meu pé esquerdo, isso é só uma merda de decisão egoísta porque não sei mais o que fazer.

Quero que saiba que eu não poderia ser mais grato. Você me providenciou um escape. Sei que é errado, e sinto muito mesmo por isso. Minha única esperança é que você leia essas palavras quando meu carro bater contra o seu esta noite. E se ajuda, você e seu carro são a minha luz no fim do túnel.

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

12/11/2017

Somos Amigos, Não Somos?

Vamos lá, quantos de vocês acham que o mundo ainda tem bondade? Vamos parar com essa hipocrisia, todos sabem, isso é falso. Mas eu já cheguei a acreditar nisso... Sinto vergonha de mim mesmo por ser tão tolo nesse ponto.

Quando eu tinha 17 anos de idade, eu estava na época de só curtir, somente me divertir, ia fazer 18, então pra mim era: "Que se foda!"

Me lembro de ter ficado bÊ

Me lembro de ter ficado bêbado em uma festa, estava realmente louco

Meu amigo me ofereceu abrigo em sua casa, por um tempo, e aceitei. Era meu amigo! Meu melhor amigo! O que ia ter de ruim? Era algo normal. Eu só não sabia que naquela noite, por uma burrada que fiz, ia dar tudo errado, eu iria quase morrer. Ainda bem que fui salvo a tempo... Mas a custo de uma vida, uma vida realmente importante pra mim

Estava indo pra casa do meu melhor, me sentei no sofá e comecei a conversar com ele.

-Então, viu como a Luiza tava gostosa hoje na festa? - Luiza era a Crush do meu melhor amigo, estava tão louco que falei isso.

-Poxa, cara! - Ele suspirou - Vai dormir!

Eu estava indo em direção ao quarto, sem exitar, afinal, estava com sono!

Me deitei e tentei dormir um pouco

Ouço um barulho do quarto do meu amigo, eram passos fortes. Ouvi um barulho de gaveta abrindo na cozinha e algo metálico raspando em outra coisa metálica. Rapidamente pensei: "FACA!"

Meu amigo veio até meu quarto.

- Cara, tá acordado? Vou te levar pra casa. Se arruma, vou estar te esperando no carro.

Ele saiu e fechou a porta do quarto. Eu aproveitei esse momento para pular os muros até a casa mais próxima de uma amiga minha. Laila, uma velha amiga minha. Ela tinha um crush em mim, por isso não exitei em ir até lá.

Minha cabeça doía, estava infernal continuar gastando energia pulando muros, só de cueca e camisa, de noite. Além da vergonha! Mas não importava! Eu só queria me salvar daquilo. Ele ia me matar! Pela crush dele. Eu lembro de ter pegado ela!

Eu cheguei na casa de Laila, apavorado, congelando pelo frio. Ela abre a porta.

-Caio? - Ela me perguntou - O que faz aqui? - Com olhar de espanto e sem entender, olhou pra minha cueca e começou a rir.

Olha, Laila - Disse apavorado - Por favor, você tem que me ajudar! O Marcos quer me matar!

-O que? - Diz ela estranhando.

Ela olha pra um lado, pra o outro, e me chama pra entrar rápido. Conto tudo pra ela, e ela me dá um short dela. Ridículo, mas era a única coisa que tinha

Ela me disse pra não me preocupar e ir dormir. Então fui.

Ouço uma briga na sala, e então já me preparo pra correr.

Eu saio correndo e consigo fujir.

No dia seguinte, Laila é presa por assassinato. Ela estava tentando me salvar! Fui a favor dela no tribunal. Vencemos o caso por legítima defesa.

Eu finalmente tinha me salvado do assassino...

Eu achava isso

Meses depois foi investigado as ligações de Marcos pra entender o motivo do assassinato

Procuraram na casa, com amigos. Nunca encontraram por que ele queria me matar

Com muita dificuldade, e um aparelho de alta tecnologia, que nem eu sabia que a polícia do Brasil tinha, que capita sinais mandados para o Satélite em um período de até 7 meses, descobriram uma ligação entre Marcos e mais alguém.

Era Laila.

-Vou mata-lo! Aquele filho da puta devia ter ficado comigo! Não acha ruim ele ter ficado com a sua mina? - Perguntou Laila exaltada.

-Calma Laila - Dizia Marcos tentando acalma-la - Tem outras nesse mundo, além do mais, ele é meu melhor amigo!

-Você é um filho da puta, Marcos! Eu vou aí buscar ele na sua casa e você vai ver! - Ela continua resmungando palavras que são interrompidas por um barulho de armário abrindo, e ele desligando o celular.

Foi então que foram investigar o Whatsapp dele e viram as seguintes mensagens.

"Estou com ele, e ele já já vai morrer"

"Eu vou te pegar!"

Isso explica o por que naquele mesmo dia ele ter passado a velocidade máxima!

Era 50km/h

Ele foi em 120km/h

Por isso ele chegou lá antes dela me matar

Ela me enganou

Eu fiquei feliz pela morte do meu melhor amigo...

Autor: MrMordeafoca

O Melhor Jogador

Sou um perito da policia federal e já aviso de antemão que o que vou fazer agora é contra a lei. O último caso que tive acesso seria normal se não fosse por uma gravação encontrada em um celular na cena do crime. Irei transcrever a gravação ocultando nomes de pessoas e empresas citadas por motivos óbvios. Segue a transcrição:

"Bom dia, boa tarde ou boa noite. Não sei qual desses pois estou preso dentro de um quarto que aparentemente é completamente isolado de qualquer outra coisa pois não tem sinal de celular para fazer uma ligação ou mandar uma mensagem. Estou gravando esse audio talvez para me sentir menos sozinho ou só porque estou ficando louco mesmo.

Meu nome é Apoliom *******, meu pai pôs esse nome com significado estranho em mim em homenagem ao meu padrinho, o qual nunca vi e sequer sei o nome, mas meu pai disse que ele era o responsável pelo sucesso dele e que também seria pelo meu, mas também nunca entendi isso e não acho que seja muito relevante. Seja lá quem ouvir esse, deve conhecer esse nome pois meu pai é o dono da famosa ********. Apesar disso, nunca dependi do dinheiro do meu pai e vou explicar o por que. Desde pequeno, sempre fui muito sortudo, por assim dizer, especialmente em jogos. Impar ou par, jokenpô e em qualquer outro jogo que pudesse envolver sorte de alguma forma. Não me lembro da ultima vez que perdi em algum desses. Na verdade, não lembro se alguma vez já perdi [riso seguido de tosses]. Quando cresci, desenvolvi amor por poker, jogo do bicho e esses outros jogos de casino que envolvem muito dinheiro. Como eu disse, sou muito sortudo e nunca soube o que é perder em algum desses. Construí meu patrimônio em cima disso. Por isso nunca dependi de meu pai [mais tosses].

Eu era claramente o melhor jogador que qualquer casino ja viu, e minha sorte era desleal com qualquer um que tivesse o azar de entrar em um jogo em que eu estivesse participando. Só que como esse mundo é envolvido de mafias, não demorou muito para criar inimizades e pessoas quererem minha cabeça. Como não estou bem situado de tempo aqui dentro, mas creio que tenha sido 2 ou 3 dias atrás que saindo de casa, um grupo de homens me pôs dentro de um carro e me desacordou.
Quando acordei, já estava dentro da sala que estou agora, sentado em uma cadeira e de frente pra uma mesa com uma arma em cima dela. Não conheço armas mas tenho quase certeza que era uma Magnum, aquelas de cano longo e com um barril pra colocar as balas, porém ela parecia um pouco modificada.

Dois homens estavam diante de mim. Um deles pegou a arma da mesa, carregou com uma bala e girou o barril, em seguida o barril encaixou sozinho na arma. Ele começou a explicar que aquela arma tinha sido modificada por eles para 'pessoas como eu'. Era uma arma de roleta-russa e tinha sido modificada unicamente para isso. Ela só era capaz de disparar uma bala pois os outros buracos de recarga eram fechados e a destrava para atirar só era ativada se o barril fosse girado com determinada força. Achei bem sádico da parte dele me explicar tudo isso e ainda por cima modificar uma arma só pra isso. Loucura.

Manti a calma pois não ia dar a ele o prazer de se deliciar com meu suposto medo. Depois de toda a explicação, ele me entregou a arma e disse para apontar na minha cabeça e atirar. Era o jogo da roleta-russa então. O outro homem me ameaçava com outra arma enquanto eu direcionava a Magnum em direção ao meu crânio. Não sei se foi pelo calor do momento, a raiva ou por ser prepotente demais mas antes de apertar o gatilho eu disse: A arma não vai disparar.

Assim foi, a arma não disparou. Ele se irritou com meu comentário e acho que ainda mais o fato dela não ter disparado mesmo depois do que eu disse.

Eu tive sorte. Afinal as chances eram de 1 em 6? 8? Não sei quantos slots tem essa arma.

Ele me mandou girar o barril e apertar o gatilho de novo. Isso se repetiu 30? 40? 50 vezes?
Depois de tantas vezes não só eles, como eu também me espantara com a situação. Até onde iria tanta sorte? Acreditei que ela ja havia chegado no limite, e não sabia quando eles perderiam a paciência e atirariam em mim com a arma normal ali mesmo. Na sei lá, 61° vez, após girar o barril, rápidamente direcionei a arma para o homem armado e apertei. Ela disparou. Acertei ele bem no peito, e no espasmo da situação e a força com que foi jogado pra trás, ele também apertou o gatilho mas por muita sorte mesmo atingiu o outro cara. Assim, os dois caíram no chão.
Me levantei e rapidamente fui em direção a unica porta do quarto. Trancada. Procurei chaves nos corpos. Nada. Como entraram? Não sei. Como pretendiam sair? Sei menos ainda. Peguei a arma normal e descarreguei ela atirando em direção a tranca. Nada de novo.
Me sentei no chão e depois de algumas horas, creio que um dia inteiro, perdi as esperanças de que alguém me encontraria. Mais algumas horas depois senti meu corpo fraquejando de verdade. A garganta secando, meu estomago se consumindo. A única coisa que tem nesse quarto é ar que entra por algumas frestas no teto, e mesmo assim, por serem pequenas, é difícil respirar, com o odor dos corpos se decompondo então, pior. Encontrei uma bala solta no chão. Era uma bala reserva da arma de roleta-russa. Peguei ela e a carreguei. Era a melhor saída para esse pesadelo de tédio e dor que resultaria na minha já inevitável morte. Criei coragem, girei o barril e apertei. Não disparou. Desde então, e isso já deve fazer só um pouco menos de dois dias, estou girando esse barril e tentando fazer com que essa arma dispare na minha cabeça, mas a PORCARIA DA ARMA NÃO DISPARA. POR MAIS QUE EU GIRE ESSA PORRA MIL VEZES, NUNCA TRAVA NA BALA. [sua voz começava a soar irritada somada a soluços de choro] A esse ponto já consigo sentir meu corpo se definhando e não vou durar muito mais tempo. O simples ato de falar parece estar consumindo as forças que me restam. No fim, não estou tão triste, porque parece que o único jogo que vou perder nessa vida, é o de ficar vivo. [tosses fortes e o fim da gravação]"

Encontramos os corpos ontem e pela data da gravação, foi cerca de uma semana depois. O mais estranho, é que analisando o corpo de Apoliom, ele ainda estava entrando em estado de decomposição, o que significa que ele passou mais uma boa quantidade de dias vivo. Isso é longe de algo bom, pois significa que ele passou uma boa quantidade de dias a mais sofrendo em condições sobrehumanas. Outros peritos levantaram a hipotese dele ter tentado se alimentar dos corpos em decomposição, mas o corpo ainda está em análise e, particularmente, prefiro acreditar que não.
Enfim, precisava compartilhar isso com alguém pois achei muito curioso. Não que as coisas tenham parado por aí. O pai do garoto ao ver o corpo e ouvir a gravação, caiu aos prantos sussurando "desculpa" para o corpo do filho, como se fosse responsável por algo. Pesquisei o significado de Apoliom na Internet e tenho medo de como isso possa de alguma forma se relacionar às coisas. Enfim... Tudo muito estranho. Peço que não divulguem em outros fóruns pois confio em vocês e só por isso compartilhei aqui o caso. Se puderem opinar para me ajudar a sair dessa paranóia, agradeço.

Autor: Lucas Queiroz

11/11/2017

Vox e Rei Beau: Introdução (PARTE 1)

Acho que estou ficando insana. Ou isso ou algo muito, muito estranho está acontecendo.

Para começar, eu não tenho nenhum histórico de doenças mentais. Eu fiquei deprimida algumas vezes, mas sempre por motivos normais (fim de relacionamento, saudades de casa, etc.) Eu fumo maconha ocasionalmente e bebo socialmente, mas esse é todo o meu uso de drogas. No entanto, eu acho que estou começando a alucinar ou algo assim. Eu não sou uma pessoa que acredita em coisas paranormais, mas eu achei que vocês poderiam me ajudar.

Acho que isso começou uns cinco meses atrás. Eu ainda estava com meu ex namorado, e nós morávamos juntos. Tudo estava normal, a relação havia esfriado um pouco, mas não havia nada acontecendo que eu pudesse considerar motivo para preocupação ou algo do tipo, até que uma noite eu acordei. Eu juro que ouvi um homem dizer meu nome bem no meu ouvido. Foi tão claro que eu realmente sentei na cama e perguntei a meu ex o que ele queria. Ele não tinha dito ou ouvido qualquer coisa e parecia bem abalado. Ele estava acordado e mandando mensagens para alguém (ele disse que era seu irmão).

Eu não pensei muito sobre a voz, concluindo que fora apenas um sonho. As mensagens, por outro lado, me incomodaram. Não bastasse isso, nas semanas seguintes meu ex começou a reclamar. Ele dizia que achava que estava sendo vigiado em nossa casa. Ele estava com os nervos à flor da pele, quase me batendo quando eu o surpreendi. Naturalmente eu comecei a ficar desconfiada.

Para não alongar mais ainda essa história, um dia eu estava na casa de um amigo e meu celular tocou - o número era de meu ex. Quando eu atendi, não houve qualquer som, como se o sinal houvesse caído. Achei isso estranho e liguei para ele. Ele disse que não havia telefonado para mim, mas parecia tenso. Já paranoica, eu voltei para nossa casa para tentar descobrir o que havia acontecido. Quando eu estava chegando bem perto da porta, eu ouvi novamente. A voz de um homem, a mesma voz, bem em meu ouvido, só que dessa vez estava me mandando ficar quieta. Eu parei e olhei ao meu redor. Tudo estava quieto. Muito, muito quieto. Era como se um cobertor tivesse sido jogado sobre tudo para abafar todos os sons, e essa era uma vizinhança extremamente vívida. Deveriam haver pelo menos pássaros e besouros ou cachorros latindo. Isso fez meus cabelos arrepiarem e eu hesitei entrar em casa.

Enquanto eu estava parada, eu consegui notar uma mulher saindo de fininho pela porta lateral. Eu poderia ter perdido-a de vista se não tivesse parado para olhar ao meu redor.

Isso é só o começo, no entanto.

Pouco depois disso, como você pode imaginar, eu me mudei para meu próprio apartamento. É aí que a loucura começa. De tempos em tempos, tudo fica quieto exatamente como naquela noite. Nenhum som, movimento, nada. Mesmo quando eu tento fazer barulho ligando a TV ou limpando minha garganta, tudo soa abafado até que o silêncio passe. Assustada com isso, eu mencionei esse assunto para minha mãe. Foi aí que ela me lembrou de algo.

Quando eu era criança, eu tinha um amigo imaginário chamado Beau. Eu costumava criar todo tipo de histórias sobre Beau e as aventuras que ele tinha, e eu adorava contá-las para minha mãe. Eu só me lembrava vagamente disso, mas minha mãe me contou o que sabia. Aparentemente, Beau era o Rei do Lugar Quieto. Ao ser perguntada onde ficava o Lugar Quieto, meu eu criança apenas dava de ombros. Aparentemente não era um lugar legal, muito escuro e quieto, e Beau se sentia sozinho. Então um dia ele procurou por alguém para brincar com ele, e foi assim que ele me encontrou.

Quando minha mãe me falou sobre isso, ela não riu ou brincou sobre o assunto como ela faz quando fala sobre o dinossauro imaginário de meu irmão mais velho. Beau não era apenas brincadeiras e diversão. Beau era assustador. Ela nunca guardou os desenhos que eu fazia dele, mas teve um que ela nunca pôde esquecer. Era uma imagem de Beau em seu reino. O Lugar Quieto era azul escuro e preto, com sombras mal sendo vistas. Rei Beau era pálido e tinha um grande sorriso cheio de dentes pontiagudos. A aparência do desenho era tão perturbadora que ela mostrou-o para meu pediatra e perguntou se ela deveria se preocupar. Ele a disse que era normal.

O motivo pelo qual ela me faou tudo isso é porque haviam outros detalhes estranhos. Às vezes ela entrava em meu quarto quando eu estava brincando e havia um silêncio pesado e opressivo. Algumas noites eu a acordava com as músicas que eu cantava em meu quarto "para espantar o silêncio". Eu era uma criança quieta, mas por algum tempo eu regredi bastante. Eu acordava chorando com pesadelos ou reclamando que Beau estava sussurrando para mim e não me deixava em paz. Pouco a pouco isso foi passando. Minha mãe achou que eu havia crescido e abandonado meu amigo imaginário, e assim terminou. Eu estava bem nervosa ao ouvir tudo isso.

Desculpe, é uma história bem longa. Eu só estou tentando me recompor.

Desde que falei com minha mãe, o último mês e meio tem sido cada vez mais assustador. Eu me tornei sonâmbula. Eu acordo em diferentes partes de minha casa em posições estranhas. Eu também comecei a tocar músicas constantemente para tornar o silêncio menos notável. Algumas vezes eu fui capaz de jurar ter ouvido a voz de um homem, mas sempre abafada. Finalmente, nessa noite, tudo explodiu.

Eu acordei há uma hora atrás porque ouvi alguém dizer meu nome. Eu não pulei porque isso já virou rotina. No entanto, eu abri meus olhos. No outro lado da cama, me encarando, estavam os olhos de um homem. Eu só pude ver o topo de sua cabeça, como se estivesse agachado. Meu coração parou, e ele olhou diretamente em minha direção e sorriu (vi apenas seus olhos fazerem isso). Ele era completamente pálido, como uma pessoa doente, e seus olhos eram leitosos como se ele tivesse catarata, mas eu juro que ele era tão real quanto você ou eu. Quer dizer, eu podia ver as linhas em sua testa, cada fio de cabelo em sua cabeça, até mesmo poros. Eu não sei por quanto tempo olhamos um para o outro, mas ele lentamente afundou além da borda da cama e para fora de meu campo visual.

Corri para fora do quarto como se estivesse pegando fogo. Eu saí pela porta, pegando minhas chaves, e dirigi para a casa de um amigo. Eu queria chamar a polícia, mas meu amigo me convenceu a voltar e verificar meu apartamento para o caso de ter sido apenas um sonho. Não achamos nada de anormal, mas ele reclamou que sentiu como se estivesse sendo observado.

Então agora eu estou sentada em minha cozinha. Meu amigo tem que trabalhar amanhã, mas ele vive há poucos minutos daqui e está de sobreaviso. Eu não vou voltar para meu quarto até o amanhecer. Da maneira que vejo, eu tenho duas opções. Por um lado, eu posso estar definitivamente enlouquecendo. Estou ouvindo coisas, vendo coisas, tenho problemas para dormir. Talvez isso seja uma manifestação de algum problema em meu cérebro. Se esse for o caso, então só vai piorar e eu provavelmente preciso ver um psiquiatra, o que me desespera. Eu não sei como falar para minha família que estou enlouquecendo.

Por outro lado, pode ser que Beau tenha voltado do Lugar Quieto, e ele ainda quer brincar. Eu não acredito que estou considerando essa possibilidade, mas são 1:30 da manhã, eu liguei o rádio, e eu juro que a pessoa que estava do lado da minha cama era real. Eu não estava paralisada pelo sono e não estava sonhando porque eu senti que havia despertado de terror, e eu poderia sair dali quando quisesse assim que meu coração voltasse a funcionar normalmente.

Então o que eu devo fazer? Se isso ajuda, eu posso contar as histórias sobre Beau que minha mãe me falou. Elas não são muito boas porque eu tinha uns 4 anos, então tenham paciência comigo. Isso consiste do que eu me lembro e do que minha mãe me falou. Eu realmente, realmente espero que isso não atraia algo ou alguém simplesmente por falar a respeito... Quer dizer, eu realmente estou paranóica aqui.

09/11/2017

Mantenha em segredo,certo?

Três dias atrás… matei a minha mãe. 

Me arrependo agora, mas a culpa foi dela. Ela estava psicótica, alucinando que eu mentia para ela todos os dias e tramando algo horrível. Ela gritava comigo, quebrava pratos e copos, as vezes as coisas ficavam tão ruins, que ela me atacava. Eu planejava juntar dinheiro o suficiente para me mudar e arrumar uma ajuda profissional para ela, mas eu não conseguia resistir ao stress. Derrubei-a pelas escadas uma noite quando ela me atacou, resultando em seu pescoço quebrando. Seu histórico mental foi o suficiente para os investigadores aceitarem que tudo foi um acidente. 

Hoje foi o seu funeral, e os membros da minha família ofereceram suas condolências, antes e depois da cerimônia. Eu me senti terrível, sabendo que se soubessem da verdade, suas palavras seriam cheias de ódio e ressentimento, ao invés de simpatia. Logo, fomos para o almoço na casa da minha tia Victoria. Saí para o quintal, tentando fugir da atenção sufocante que recebia da minha família. Foi então que vi a minha sobrinha de oito anos, Rebecca, sentada sozinha num banco, sussurrando, como se estivesse conversando com alguém. Me aproximei curioso, e na esperança que o seu charme ingênuo pudesse me animar. 

“Ei, Rebecca, o que você está fazendo sozinha aqui fora?” perguntei no tom suave que qualquer um poderia se dirigir à uma criança, enquanto me sentava ao lado dela no banco. Ela não me respondeu de imediato, ao invés disso, ela apenas ficou me encarando com um olhar de pena e preocupação, então suspirou e abriu a boca para falar. 

“Alex… por que machucou a tia Jane?” Meu coração afundou com aquelas palavras que ela tão inocentemente direcionou para mim. Congelei e senti meu corpo começar a suar enquanto as batidas do meu coração aceleraram. Engoli em seco e respirei fundo, antes de tentar responder . 

“O- o que a faz pensar isso, Rebecca?” perguntei, com minha voz tremida quebrando o silêncio. 

“A tia Jane me contou.” Meu queixo caiu. “Ela está sentada bem aqui,” ela anunciou de modo sombrio, apontando para o outro lado dela no banco. 

Eu a fiz prometer que não contaria para ninguém sobre a verdade da morte da minha mãe. Aquela garotinha poderia arruinar minha vida com apenas uma frase, “ Alex matou a Tia Jane”, e isso, mais que qualquer coisa, me perturba intensamente. Um dia... 

…terei que mata-la também. 

  
 NinjaPie94

05/11/2017

Ballet (PART 3/ As Dores)

PART1
PART2

Três batidas foram dadas suavemente, mesmo não sendo tão fortes ecoaram pela sala despertando curiosidade em seus ouvidos. Pensou por alguns segundos e disse: ‘’Tem uma chave embaixo do tapete. ’’ Talvez, naquele momento, poderia ser um vizinho amigável que seria a sua liberdade, seu coração palpitava enquanto a maçaneta girava, o ranger da porta trilhava o suspense.

Então a porta se abre revelando Deryck Roberts o garoto alto e calado da vizinhança, com aproximadamente 1,80 de altura, pele branca com sardas nas bochechas. Sua camisa vermelha com listras pretas lembra a camisa de ''Freddy Krueger'', e o jeans rasgado a calça de ''Jason Voorhees''. 

‘‘Olá’’- Em tom baixo, quase sussurrando Deryck parece assustado ao ver a palidez e decadência de uma menina que mesmo em tais condições expressa no rosto pura delicadeza. 

‘’Quem é você?’’ – Pergunta Molly num misto de emoções indefinidas enquanto segura a almofada. 

‘’Eu sou Deryck, nós somos vizinhos; nunca tinha visto você sem toda aquela maquiagem, é muito bonita. ’’ 

Em suas bochechas é notável a vermelhidão, sua timidez tira um leve, mas ainda triste sorriso de Molly. 

‘’Minha mãe logo vai chegar, você não pode ficar aqui, ela não deixa ninguém se aproximar muito. ’’. 

‘’Você não gosta daqui não é?’’. 

‘’Não tenho escolha e nem forças para fugir, olha o meu estado!. ’’ 

 Lagrimas começam a cair de seus olhos, gotas que lembram aquelas que escorrem no vidro em dias chuvosos.

‘’Eu volto quando sua mãe sair de novo, não sei como, mas vou te ajudar.’’ 

Outra vez a porta se fecha e a solidão retorna, pelo menos dessa vez podia ver algo novo na TV; enquanto troca de canais com a vontade de querer ver tudo ao mesmo tempo, resolve assistir ao jornal. A matéria mostra um grave acidente de carro na avenida ‘Green Path’. Dois carros colidiram e um dos motoristas havia morrido na hora. 

Enquanto as imagens passam Molly percebe que um dos carros é idêntico ao carro de sua mãe, um Honda Civic ano 2008 com a traseira completamente amassada. Os estilhaços de vidro no asfalto lembram pequenos cristais em meio a tragédia. E então o apresentador diz o nome das vitimas e uma delas é Denise Smith. 

Fechou os olhos e uniu suas mãos tremulas contra o rosto, uma baixa oração começava em tom de muita emoção, mas seu pedido para Deus não era o mais comum a ser feito por uma filha, Molly pediu para que sua mãe estivesse morta; mas antes de terminar, o apresentador comunica que Denise foi a sobrevivente. Com as poucas forças que tem arremessa o controle remoto na parede e dessa vez sente nada além de raiva; gritar é a única coisa que pode fazer enquanto a vinheta de encerramento do jornal começa a tocar. 

Enquanto as horas passam, suas dores começam a voltar. Veias que latejam como uma ferida inflamada e aos poucos os roxos também surgem tomando conta de seus pés exaustos. Somente nessas horas Denise era necessária, pois sem os cremes a dor é quase insuportável. Os movimentos involuntários tomam força na medida em que as dores aumentam, forçando seus pés a ficarem como se fossem dançar; uma coreografia dolorosa e indesejada que fazem seus ossos estalarem sem parar. 

Autor: Andrey D. Menezes. (Caro youtuber, por favor credite na descrição do vídeo caso deseje narrar, é importante para o crescimento dos autores do CPBR.) 
(Espero que estejam gostando :) 


Creepypasta dos Fãs: Desejo da Mulher Grávida

Dizem que certo diz uma esposa grávida chegou no marido e disse:

- Amor, estou com muito desejo. Quero comer uma coisa, mas sei que você não vai concordar.
O marido fica curioso com o que possa ser o estranho desejo de sua mulher, e como um bom e gentil marido que é sabe que não medirá esforços para atender o desejo de sua amada. Ele acaricia a grande barriga grávida dela, olha em seus olhos e com um sorriso no rosto diz:

- Diga querida, você está com desejo de que? Não me diga que quer comer berinjela com bolinhas de naftalina.

- Não. - Diz sua esposa sem sorrir para ele de volta. - Jura que atenderá meu desejo?

- Claro amor. - Responde seu amado, já sem o sorriso brincalhão de antes. O que será que ela quer? 

Ele pensa de maneira um pouco preocupada.

A esposa espera um pouco antes de continuar, o que só aumenta a tensão.

- Tá bom, lembre-se que você jurou. Pois bem, eu quero um pedaço de sua batata da perna. E tem que ser assada.
- Você está louca? - Brada o marido espantado. - Deixe de brincadeira, diz o que você quer amor.
- É isso mesmo amor, eu quero um pedaço de sua batata da perna. Eu sei que é estranho mas eu to com muito desejo. Por favor, você jurou.
Basicamente essa é uma situação de canibalismo e mutilação e o marido sabia disso, bem como sua mulher, na verdade ela sabia muito bem tanto que não insistiu mais, mesmo tendo antes cobrado a jura de seu marido. Mas como um bom marido que é ele achou melhor agradá-la e atender esse bizarro desejo, e depois de conversarem ele concordou em assar um pedaço de sua batata da perna para ela comer. Sua mulher ficou bastante satisfeita. Até o dia seguinte.
- Você quer outro pedaço? Não acha que já chega? Isso não é normal sabe!
- Eu quero, você já me deu ontem, então hoje não será muito difícil.
O marido olha para a perna mutilada e mais uma vez corta um pedaço da batata e assa para sua mulher.
No terceiro dia a mulher chega em seu marido com a faca que ele usa pra cortar sua carne e pede outro pedaço, mas dessa vez ele decide dar um basta a esse bizarro desejo de canibalismo de sua amada esposa.
- Chega! Não vou mais fazer isso. Já é o bastante, aliás nem não deveria ter feito desde o começo.
- Me dê! - Brada a mulher furiosa. - Me dê logo amor!
- Você não percebe? Está louca, pare com isso!
A mulher mais furiosa que nunca avança em direção a seu marido com a faca na mão. Ele desvia rapidamente e com uma infeliz obra do destino ela cai sobre a faca que segurava, atingindo sua barriga e a matando.
O corpo da mulher foi levado ao hospital o mais rápido possível para os médicos tentarem salvar o bobê. Após o procedimento uma enfermeira chega no marido e ele diz:
- E então enfermeira, coseguiram salvar nosso bebê? Deus! A faca não atingiu o bebê não é?
- Vocês não sabiam? - Diz a enfermeira e dá uma pausa pra pensar . - Ah alguns casais preferem não saber durante a gravidêz e esperam ter a surpresa quando a mulher der a luz.
- Como assim?
- Sinto muito pela sua esposa. Os médicos não conseguiram fazer nada para salvá-la, mas os bobês estão bem.
- Bebês?
- Sim! São trigêmeos.

Autor: Weslley Hordman

Creepypasta dos Fãs: Pequena Gatinha

Em toda a minha vida simplória na cidade, eu nunca entrei em uma depressão tão forte e profunda a qual eu estou agora.

Já passei por muitas e muitas coisas. Amigos sempre diziam que ' na minha vida passada eu tinha sido uma bruxa' pois eu sempre tive o maravilhoso dom de atrair o azar para meu corpo.
Já vi entes queridos morrerem em minha frente.

Já vi meu pai bater em minha mãe.

Meu irmão caindo da estrada depois de uma longa noite no bar que tem próximo a minha antiga casa
Já vi o sobrenatural bem perto de mim.

Já passei por coisas inimaginaveis que se eu contasse para qualquer um, não acreditariam em uma palavra sequer.

Mas depois de tudo isso, depois de marchar estoicamente sobre toda essa chuva de desgraça infinita que era o decorrer de minha vida, eu não aguentava mais. 

Minha depressão era algo como silencioso e quase imperceptível aos olhos das pessoas. Apenas eu a sentia lá, parada, me consumindo cada vez mais. 

Algumas donas falavam para mim buscar a Deus...Eu nunca ouvi tanta babaquice em toda minha vida. Buscar a Deus nunca melhoraria meu estado atual, seria a mesma coisa que curar câncer lendo palavras vazias de um livro de ficção - Isso pode soar bastante polêmico sim, mas fazer o que. É o que eu acredito.

Meu estado de espírito era catastrófico, mas eu nunca colocaria um ponto final. Nunca daria esse gostinho para o que quer que seja que me observa lá de cima - ou lá de baixo - ou até mesmo aqui da terra, em outro plano. 

Mesmo com todos esses pensamentos horríveis, eu tinha minhas poucas fontes de felicidade. Ficar em um local quieto e rodeado de natureza era a maior delas. A que superava tudo eram os felinos...Aah, gatos, criaturas maravilhosas. Presente que os deuses deram para os seres humanos apreciarem e degustarem, MAS, nunca deixando ser domado. Os felinos não são como os cães. São almas indomáveis e independentes. Ele não irá lhe receber com a cauda abanando segurando uma pequena bolinha entre suas mandíbulas. Ele nunca irá lhe obedecer os comandos, não sentára se mandar, não deitará e muito menos rolará. 

Mas ele irá demonstrar seu amor nos pequenos gestos. Cabeçadas, piscadelas e lambidas afetuosas. Mostrar sua barriga rosada e ronronar para você, isso são atos simples e pequenos mas que para os gatos, são como palavras de ' eu te amo'. Não é qualquer pessoa que terá o prazer de sentir seu gato dando-lhe cabeçadinhas, ou afofando-lhe as pernas antes de deitar ali. 

Gatos são, de fato e sem dúvida alguma, criaturas maravilhosas que apenas os sábios poderão entender sua lógica e seu modo curioso e inteligente de ser.

Eu tinha três gatos. Meu amado Sebastian, um gato enorme e branco com seus belos e brilhantes olhos azuis. Meu querido e esperto Ciel, um gato negro e magro com seus olhos verdes reluzentes como duas esmeraldas...E ah, minha pequenina Arya. 

A pequena Arya era uma gatinha preta e branca, uma bela combinação dos outros dois felinos da casa. Um olho azul, outro verde. Era minuscula, cabia dentro de uma meia infantil e mais parecia um roedorzinho - rato - do que um gatinho bebê, mas ela era a minha querida e doce Arya, minha caçula.
O inverno da minha cidade é impetuoso. Até nos dias de sol faz frio, e raramente o ar irá fica seco e quente. 

Infelizmente, gatos frágeis como minha pequena e doce Arya não aguentariam tal tempo. Sebastian e Ciel são gatos fortes e grandes, com uma imunidade altíssima, eles sim passariam esses tempos muito bem, enrolados um no outro para esquentar.

Aah mas a minha pequena e frágil Arya. Ela nunca conseguiria passar o inverno sem muita fonte de calor. Os outros gatos mais velhos a esquentavam durante a noite, mas ela preferia se esgueirar nas sombras, escalar os pesados cobertores que pendiam em minha cama, e se enrolar em meu peito.
Mesmo com todos meus cuidados, a fragilidade de Arya tomou-a por completo. Teve uma rinotraqueíte fortíssima, e essa maldita doença levou minha pequena e doce Arya embora.
Aquilo foi demais para mim. Ver a minha pequenina, a minha doce, gentil e delicada Arya partindo em meus braços, com seus olhos mucosos e mesmo assim brilhantes perdendo o brilho e a cor...Aquilo foi demais para meu corpo suportar. Foi aí, que minha depressão apenas piorou.
Pessoas iriam me julgar por ficar nesse estado por causa de um animal, mas não era um qualquer animal. Arya e eu tinhamos um laço fortíssimo. Eu salvei sua vida de uma enchente, a pequenina não tinha nem três meses de vida ainda, era miúda de porte pequeno, não iria crescer muito. Era extremamente frágil e adoecia com facilidade, estava óbvio que não sobreviveria por muito tempo.
Mas eu depositei minha confiança e meu amor nela, eu acreditei e por longos dois meses e dezessete dias a pequena suportou junto a mim e seus irmãos adotivos. 

Ela apareceu em minha vida, alegrou tanto, trouxe o calor que faltava em minha alma...E então foi. Partiu. Partiu sem olhar para trás e sem se despedir de mim, isso me enchia tanto de tristeza, enchia-me tanto de pesar....

E mais uma noite fria e silenciosa se passava. Meu corpo não passava de um monte que subia e descia na escuridão. Nada mais fazia sentido ali. Eu não dormia, apenas meditava no escuro, suspirava e imaginava, refletia o quão sem sentido era minha existência ali. Se eu partisse ou ficasse, não faria diferença alguma. Já não pertencia mais a minha família, mas que família? Eles me abandonaram, eu estou sozinho para sempre. Apenas eu, e meus dois felinos de cores diferentes semelhantes ao yin yang.

Ciel e Sebastian eram meus dois filhos, mas estavam adultos e não necessitavam de meus cuidados. Eles cuidavam um do outro, e já não precisavam tanto de meu amor. Eles sempre se esfregavam em mim quando eu andava pelo corredor, sempre ronronavam quando me viam, e sempre soltavam miados gentis ao pousar minha palma aberta em suas cabeças, afagando-os suavemente. Se eu fosse, teria que abandona-los, eu não iria fazer isso - mesmo com toda a independência desses felinos.-
E então, dei-me conta que estava de madrugada. Eu não enxergava mais nada no escuro, ouvia apenas minha respiração. Não queria aguentar mais outro dia, e outro, e outro..Não queria dormir. Queria ficar na escuridão, para sempre. Mesmo com Ciel e Sebastian lá em baixo, eu não queria mais.

E foi aí que eu senti. Algo estava se movendo em meu pesado cobertor, algo o puxava e se pendurava nele. '' Sebastian está dormindo com Ciel, e mesmo se fosse um deles, em um pulo conseguiriam alcançar aqui em cima...'' 

Pensei na probabilidade de ser um rato. Os ratos aqui não são tão comuns já que tenho dois caçadores natos em casa, mas uma vez ou outra, algum roedor do esgoto aparecia aqui para dar suas saudações.
Senti um pequeno peso na cama, que subia e se aproximava cada vez mais de meu rosto.
As pequenas patas então, se sustentaram em meu ombro. Ouvi uma vibração que eu jamais poderia esquecer: Era um ronronar que, era suave, mas ao mesmo tempo alto e potente.
Senti um par de patinhas afofando meu ombro, enquanto um focinho morno se enfiava em meu pijama para absorver o cheiro doce. 

Eu reconheci aqueles movimentos. Essa sequência de atos era uma rotina noturna que apenas um felino fazia para mim: Minha doce e pequena Arya!

Ah, eu já não conseguia mais me mover. Minha Arya tinha partido já fazia quase uma semana! Eu a enterrei em meu quintal, as rosas brancas e vermelhas ainda estavam lá, em cima de seu pequeno e fúnebre túmulo! Não podia ser verdade, em momento algum, aquilo só podia ser um sonho vívivo demais.

Não, eu não estava sonhando. Belisquei-me várias e várias vezes, me arranhei e até mesmo me mordi com força, eu não estava sonhando. 

O ronronar apenas continuava, era a única coisa que se podia ouvir naquele quarto. O ronronar, e minha respiração que acelerava a cada movimento que o pequeno felino fazia ao meu lado. Eu tentei ver melhor, tentei distinguir os contornos na escuridão, mas como disse, estava tudo muito escuro. Eu não conseguia ver mais nada, apenas um pequeno e quase invísivel contorno ao meu lado que se mexia.

E se fosse realmente Arya? Aquele pensamento me fez ficar feliz. Virei minha cabeça para o lado, e relei meu nariz gelado na lateral do corpo da pequena gata, que agora apenas ronronava com mais intensidade. 

Para minha enorme surpresa, ao encostar naquele corpo quente, eu comecei a sentir-me alegre. Uma alegria imensa tomou conta de meu ser, eu não conseguia distinguir mais nada! Tudo que era triste, todos os pensamentos ruins e maldosos simplesmente sumiram da minha cabeça, eu já não podia mais sentir tristeza, só alegria e excitação, e alegria e muita alegria. Senti as lágrimas rolarem pelos meus olhos. Não eram de tirsteza, eram lágrimas que transbordavam felicidade repentina, apenas de eu tocar o pequeno corpo da gatinha. 

Eu sorri, um sorriso sincero, um sorriso que eu não sorria já fazia dias. Sequei as lágrimas que ainda transbordavam de meu rosto, e finalmente consegui adormecer em paz. Sentindo aquelas almofadinhas afofando meu ombro, aquele ronronar que as vezes cessava para dar lugar a um miadinho baixo e rouco que apenas Arya conseguia dar para me deixar tranquilo. Aquilo conseguiu fazer eu pegar no sono, um sono calmo com sonhos felizes que eu já não tinha a tempos. Minha doce e pequena Arya, minha gentil e amorosa cria voltou para se despedir. Ela não se esqueceu afinal. Eu podia sentir a gratidão da gatinha, podia sentir o calor dela. Eu quase podia ouvi-la dizer em meu ouvido:

'' Obrigada.''

Ela retornou trazendo felicidade para mim, ela não podia me ver daquela forma, não podia ver o seu salvador tão triste e deprimido, desistindo tão facilmente de viver. Ela agiu rápido, e agora, ela finalmente descansaria em paz. Um merecido descanso depois de ter que aguentar - nem - tanto tempo nesse planeta imundo de pessoas hipócritas.

Na manhã seguinte, me senti revigorado. Já estava feliz novamente, enxergava tudo de um modo sútil, diferente e belo. Conseguia ver beleza nas coisas. 

Desci de meu quarto para a sala, sorri ao ver o belo dia que se fazia lá fora, naquela maravilhosa manhâ de inverno, o sol não aparecia muito, mas todo o ar melancólico e triste tinha sumido. Aquilo era um dia lindo e maravilhoso e muito bom. 

Abracei meus gatos, Sebastian de início me estranhou, mas logo pude ouvir seu ronronar. Ciel esfregou sua cabeça em minha bochecha, e logo depois foi comer sua ração fresca que tinha acabado de colocar para ele. 

E então, me lembrei de minha doce Arya. Fui até um pequeno criado mudo que tinha no canto da sala. Em cima do suporte de vidro, um belo vaso azul-turquesa com flores delicadas e formosas que eu mesmo tinha colocado, e que trocava toda semana com flores de meu jardim. Ao lado do vaso, um pequeno quadro onde estava a imagem de minha pequena princesa Arya. Ao lado, estava escrito '' Minha eterna princesa, minha doce e frágil Arya'', e ao lado, sua coleira azulada que combinava com o vaso. Em um movimento emocionado, peguei a coleira e a apertei contra o peito. As lágrimas rolavam novamente em meus olhos, mas não eram lágrimas de tristeza. 

Em meio a isso, um sussurro escapou de meus lábios, que ecoou pela casa até o vento o levar embora.

'' Obrigado. ''

~~~~ Apenas uma pequena atualização. ~~~~

Nessa semana, o meu belo dia frio de inverno foi cortado por um miado rouco do lado de fora. Quando abri minha porta, notei em uma caixa que tinha o melhor conteúdo que já vi em toda minha vida.

Uma pequena gatinha, com a pelagem fina e rala. Coloração de branco e preto. Não era como Arya, Arya tinha a pelagem preta e branca - Para os leigos, tem sim uma grande diferença.- seus olhos eram de uma cor verde amarelado, mas ao me ver, soltou um fino miado acompanhado de um ronronar suave, porém alto e potente.

Eu a chamei de Princesa.

Minha doce e gentil princesa, eu sei muito bem quem lhe enviou. Em toda a minha vida simplória na cidade, eu nunca entrei em uma depressão tão forte e profunda a qual eu estou agora.
Já passei por muitas e muitas coisas. Amigos sempre diziam que ' na minha vida passada eu tinha sido uma bruxa' pois eu sempre tive o maravilhoso dom de atrair o azar para meu corpo.
Já vi entes queridos morrerem em minha frente
Já vi meu pai bater em minha mãe
Meu irmão caindo da estrada depois de uma longa noite no bar que tem próximo a minha antiga casa
Já vi o sobrenatural bem perto de mim.

Já passei por coisas inimagináveis que se eu contasse para qualquer um, não acreditariam em uma palavra sequer.

Mas depois de tudo isso, depois de marchar estoicamente sobre toda essa chuva de desgraça infinita que era o decorrer de minha vida, eu não aguentava mais. 

Minha depressão era algo como silencioso e quase imperceptível aos olhos das pessoas. Apenas eu a sentia lá, parada, me consumindo cada vez mais. 

Algumas donas falavam para mim buscar a Deus...Eu nunca ouvi tanta babaquice em toda minha vida. Buscar a Deus nunca melhoraria meu estado atual, seria a mesma coisa que curar câncer lendo palavras vazias de um livro de ficção - Isso pode soar bastante polêmico sim, mas fazer o que. É o que eu acredito.

Meu estado de espírito era catastrófico, mas eu nunca colocaria um ponto final. Nunca daria esse gostinho para o que quer que seja que me observa lá de cima - ou lá de baixo - ou até mesmo aqui da terra, em outro plano. 

Mesmo com todos esses pensamentos horríveis, eu tinha minhas poucas fontes de felicidade. Ficar em um local quieto e rodeado de natureza era a maior delas. A que superava tudo eram os felinos...Aah, gatos, criaturas maravilhosas. Presente que os deuses deram para os seres humanos apreciarem e degustarem, MAS, nunca deixando ser domado. Os felinos não são como os cães. São almas indomáveis e independentes. Ele não irá lhe receber com a cauda abanando segurando uma pequena bolinha entre suas mandíbulas. Ele nunca irá lhe obedecer os comandos, não sentára se mandar, não deitará e muito menos rolará. 

Mas ele irá demonstrar seu amor nos pequenos gestos. Cabeçadas, piscadelas e lambidas afetuosas. Mostrar sua barriga rosada e ronronar para você, isso são atos simples e pequenos mas que para os gatos, são como palavras de ' eu te amo'. Não é qualquer pessoa que terá o prazer de sentir seu gato dando-lhe cabeçadinhas, ou afofando-lhe as pernas antes de deitar ali. 

Gatos são, de fato e sem dúvida alguma, criaturas maravilhosas que apenas os sábios poderão entender sua lógica e seu modo curioso e inteligente de ser.

Eu tinha três gatos. Meu amado Sebastian, um gato enorme e branco com seus belos e brilhantes olhos azuis. Meu querido e esperto Ciel, um gato negro e magro com seus olhos verdes reluzentes como duas esmeraldas...E ah, minha pequenina Arya. 

A pequena Arya era uma gatinha preta e branca, uma bela combinação dos outros dois felinos da casa. Um olho azul, outro verde. Era minuscula, cabia dentro de uma meia infantil e mais parecia um roedorzinho - rato - do que um gatinho bebê, mas ela era a minha querida e doce Arya, minha caçula.
O inverno da minha cidade é impetuoso. Até nos dias de sol faz frio, e raramente o ar irá fica seco e quente. 

Infelizmente, gatos frágeis como minha pequena e doce Arya não aguentariam tal tempo. Sebastian e Ciel são gatos fortes e grandes, com uma imunidade altíssima, eles sim passariam esses tempos muito bem, enrolados um no outro para esquentar.

Aah mas a minha pequena e frágil Arya. Ela nunca conseguiria passar o inverno sem muita fonte de calor. Os outros gatos mais velhos a esquentavam durante a noite, mas ela preferia se esgueirar nas sombras, escalar os pesados cobertores que pendiam em minha cama, e se enrolar em meu peito.
Mesmo com todos meus cuidados, a fragilidade de Arya tomou-a por completo. Teve uma rinotraqueíte fortíssima, e essa maldita doença levou minha pequena e doce Arya embora.
Aquilo foi demais para mim. Ver a minha pequenina, a minha doce, gentil e delicada Arya partindo em meus braços, com seus olhos mucosos e mesmo assim brilhantes perdendo o brilho e a cor...Aquilo foi demais para meu corpo suportar. Foi aí, que minha depressão apenas piorou.
Pessoas iriam me julgar por ficar nesse estado por causa de um animal, mas não era um qualquer animal. Arya e eu tinhamos um laço fortíssimo. Eu salvei sua vida de uma enchente, a pequenina não tinha nem três meses de vida ainda, era miúda de porte pequeno, não iria crescer muito. Era extremamente frágil e adoecia com facilidade, estava óbvio que não sobreviveria por muito tempo.
Mas eu depositei minha confiança e meu amor nela, eu acreditei e por longos dois meses e dezessete dias a pequena suportou junto a mim e seus irmãos adotivos. 

Ela apareceu em minha vida, alegrou tanto, trouxe o calor que faltava em minha alma...E então foi. Partiu. Partiu sem olhar para trás e sem se despedir de mim, isso me enchia tanto de tristeza, enchia-me tanto de pesar....

E mais uma noite fria e silenciosa se passava. Meu corpo não passava de um monte que subia e descia na escuridão. Nada mais fazia sentido ali. Eu não dormia, apenas meditava no escuro, suspirava e imaginava, refletia o quão sem sentido era minha existência ali. Se eu partisse ou ficasse, não faria diferença alguma. Já não pertencia mais a minha família, mas que família? Eles me abandonaram, eu estou sozinho para sempre. Apenas eu, e meus dois felinos de cores diferentes semelhantes ao yin yang. 

Ciel e Sebastian eram meus dois filhos, mas estavam adultos e não necessitavam de meus cuidados. Eles cuidavam um do outro, e já não precisavam tanto de meu amor. Eles sempre se esfregavam em mim quando eu andava pelo corredor, sempre ronronavam quando me viam, e sempre soltavam miados gentis ao pousar minha palma aberta em suas cabeças, afagando-os suavemente. Se eu fosse, teria que abandona-los, eu não iria fazer isso - mesmo com toda a independência desses felinos.-
E então, dei-me conta que estava de madrugada. Eu não enxergava mais nada no escuro, ouvia apenas minha respiração. Não queria aguentar mais outro dia, e outro, e outro..Não queria dormir. Queria ficar na escuridão, para sempre. Mesmo com Ciel e Sebastian lá em baixo, eu não queria mais.

E foi aí que eu senti. Algo estava se movendo em meu pesado cobertor, algo o puxava e se pendurava nele. '' Sebastian está dormindo com Ciel, e mesmo se fosse um deles, em um pulo conseguiriam alcançar aqui em cima...''.

Pensei na probabilidade de ser um rato. Os ratos aqui não são tão comuns já que tenho dois caçadores natos em casa, mas uma vez ou outra, algum roedor do esgoto aparecia aqui para dar suas saudações.
Senti um pequeno peso na cama, que subia e se aproximava cada vez mais de meu rosto.
As pequenas patas então, se sustentaram em meu ombro. Ouvi uma vibração que eu jamais poderia esquecer: Era um ronronar que, era suave, mas ao mesmo tempo alto e potente.
Senti um par de patinhas afofando meu ombro, enquanto um focinho morno se enfiava em meu pijama para absorver o cheiro doce. 

Eu reconheci aqueles movimentos. Essa sequência de atos era uma rotina noturna que apenas um felino fazia para mim: Minha doce e pequena Arya!

Ah, eu já não conseguia mais me mover. Minha Arya tinha partido já fazia quase uma semana! Eu a enterrei em meu quintal, as rosas brancas e vermelhas ainda estavam lá, em cima de seu pequeno e fúnebre túmulo! Não podia ser verdade, em momento algum, aquilo só podia ser um sonho vívivo demais.

Não, eu não estava sonhando. Belisquei-me várias e várias vezes, me arranhei e até mesmo me mordi com força, eu não estava sonhando. 

O ronronar apenas continuava, era a única coisa que se podia ouvir naquele quarto. O ronronar, e minha respiração que acelerava a cada movimento que o pequeno felino fazia ao meu lado. Eu tentei ver melhor, tentei distinguir os contornos na escuridão, mas como disse, estava tudo muito escuro. Eu não conseguia ver mais nada, apenas um pequeno e quase invísivel contorno ao meu lado que se mexia.

E se fosse realmente Arya? Aquele pensamento me fez ficar feliz. Virei minha cabeça para o lado, e relei meu nariz gelado na lateral do corpo da pequena gata, que agora apenas ronronava com mais intensidade. 

Para minha enorme surpresa, ao encostar naquele corpo quente, eu comecei a sentir-me alegre. Uma alegria imensa tomou conta de meu ser, eu não conseguia distinguir mais nada! Tudo que era triste, todos os pensamentos ruins e maldosos simplesmente sumiram da minha cabeça, eu já não podia mais sentir tristeza, só alegria e excitação, e alegria e muita alegria. Senti as lágrimas rolarem pelos meus olhos. Não eram de tirsteza, eram lágrimas que transbordavam felicidade repentina, apenas de eu tocar o pequeno corpo da gatinha. 

Eu sorri, um sorriso sincero, um sorriso que eu não sorria já fazia dias. Sequei as lágrimas que ainda transbordavam de meu rosto, e finalmente consegui adormecer em paz. Sentindo aquelas almofadinhas afofando meu ombro, aquele ronronar que as vezes cessava para dar lugar a um miadinho baixo e rouco que apenas Arya conseguia dar para me deixar tranquilo. Aquilo conseguiu fazer eu pegar no sono, um sono calmo com sonhos felizes que eu já não tinha a tempos. Minha doce e pequena Arya, minha gentil e amorosa cria voltou para se despedir. Ela não se esqueceu afinal. Eu podia sentir a gratidão da gatinha, podia sentir o calor dela. Eu quase podia ouvi-la dizer em meu ouvido:

'' Obrigada.''

Ela retornou trazendo felicidade para mim, ela não podia me ver daquela forma, não podia ver o seu salvador tão triste e deprimido, desistindo tão facilmente de viver. Ela agiu rápido, e agora, ela finalmente descansaria em paz. Um merecido descanso depois de ter que aguentar - nem - tanto tempo nesse planeta imundo de pessoas hipócritas.

Na manhã seguinte, me senti revigorado. Já estava feliz novamente, enxergava tudo de um modo sútil, diferente e belo. Conseguia ver beleza nas coisas. 

Desci de meu quarto para a sala, sorri ao ver o belo dia que se fazia lá fora, naquela maravilhosa manhâ de inverno, o sol não aparecia muito, mas todo o ar melancólico e triste tinha sumido. Aquilo era um dia lindo e maravilhoso e muito bom. 

Abracei meus gatos, Sebastian de início me estranhou, mas logo pude ouvir seu ronronar. Ciel esfregou sua cabeça em minha bochecha, e logo depois foi comer sua ração fresca que tinha acabado de colocar para ele. 

E então, me lembrei de minha doce Arya. Fui até um pequeno criado mudo que tinha no canto da sala. Em cima do suporte de vidro, um belo vaso azul-turquesa com flores delicadas e formosas que eu mesmo tinha colocado, e que trocava toda semana com flores de meu jardim. Ao lado do vaso, um pequeno quadro onde estava a imagem de minha pequena princesa Arya. Ao lado, estava escrito '' Minha eterna princesa, minha doce e frágil Arya'', e ao lado, sua coleira azulada que combinava com o vaso. Em um movimento emocionado, peguei a coleira e a apertei contra o peito. As lágrimas rolavam novamente em meus olhos, mas não eram lágrimas de tristeza.

Em meio a isso, um sussurro escapou de meus lábios, que ecoou pela casa até o vento o levar embora.

'' Obrigado. ''

~~~~ Apenas uma pequena atualização. ~~~~


Nessa semana, o meu belo dia frio de inverno foi cortado por um miado rouco do lado de fora. Quando abri minha porta, notei em uma caixa que tinha o melhor conteúdo que já vi em toda minha vida.

Uma pequena gatinha, com a pelagem fina e rala. Coloração de branco e preto. Não era como Arya, Arya tinha a pelagem preta e branca - Para os leigos, tem sim uma grande diferença.- seus olhos eram de uma cor verde amarelado, mas ao me ver, soltou um fino miado acompanhado de um ronronar suave, porém alto e potente.

Eu a chamei de Princesa.

Minha doce e gentil princesa, eu sei muito bem quem lhe enviou.
Em toda a minha vida simplória na cidade, eu nunca entrei em uma depressão tão forte e profunda a qual eu estou agora. 

Já passei por muitas e muitas coisas. Amigos sempre diziam que ' na minha vida passada eu tinha sido uma bruxa' pois eu sempre tive o maravilhoso dom de atrair o azar para meu corpo. 

Já vi entes queridos morrerem em minha frente.

Já vi meu pai bater em minha mãe.

Meu irmão caindo da estrada depois de uma longa noite no bar que tem próximo a minha antiga casa
Já vi o sobrenatural bem perto de mim.

Já passei por coisas inimaginaveis que se eu contasse para qualquer um, não acreditariam em uma palavra sequer.

Mas depois de tudo isso, depois de marchar estoicamente sobre toda essa chuva de desgraça infinita que era o decorrer de minha vida, eu não aguentava mais. 

Minha depressão era algo como silencioso e quase imperceptível aos olhos das pessoas. Apenas eu a sentia lá, parada, me consumindo cada vez mais. 

Algumas donas falavam para mim buscar a Deus...Eu nunca ouvi tanta babaquice em toda minha vida. Buscar a Deus nunca melhoraria meu estado atual, seria a mesma coisa que curar câncer lendo palavras vazias de um livro de ficção - Isso pode soar bastante polêmico sim, mas fazer o que. É o que eu acredito.

Meu estado de espírito era catastrófico, mas eu nunca colocaria um ponto final. Nunca daria esse gostinho para o que quer que seja que me observa lá de cima - ou lá de baixo - ou até mesmo aqui da terra, em outro plano. 

Mesmo com todos esses pensamentos horríveis, eu tinha minhas poucas fontes de felicidade. Ficar em um local quieto e rodeado de natureza era a maior delas. A que superava tudo eram os felinos...Aah, gatos, criaturas maravilhosas. Presente que os deuses deram para os seres humanos apreciarem e degustarem, MAS, nunca deixando ser domado. Os felinos não são como os cães. São almas indomáveis e independentes. Ele não irá lhe receber com a cauda abanando segurando uma pequena bolinha entre suas mandíbulas. Ele nunca irá lhe obedecer os comandos, não sentára se mandar, não deitará e muito menos rolará. 

Mas ele irá demonstrar seu amor nos pequenos gestos. Cabeçadas, piscadelas e lambidas afetuosas. Mostrar sua barriga rosada e ronronar para você, isso são atos simples e pequenos mas que para os gatos, são como palavras de ' eu te amo'. Não é qualquer pessoa que terá o prazer de sentir seu gato dando-lhe cabeçadinhas, ou afofando-lhe as pernas antes de deitar ali. 

Gatos são, de fato e sem dúvida alguma, criaturas maravilhosas que apenas os sábios poderão entender sua lógica e seu modo curioso e inteligente de ser.

Eu tinha três gatos. Meu amado Sebastian, um gato enorme e branco com seus belos e brilhantes olhos azuis. Meu querido e esperto Ciel, um gato negro e magro com seus olhos verdes reluzentes como duas esmeraldas...E ah, minha pequenina Arya. 

A pequena Arya era uma gatinha preta e branca, uma bela combinação dos outros dois felinos da casa. Um olho azul, outro verde. Era minuscula, cabia dentro de uma meia infantil e mais parecia um roedorzinho - rato - do que um gatinho bebê, mas ela era a minha querida e doce Arya, minha caçula.
O inverno da minha cidade é impetuoso. Até nos dias de sol faz frio, e raramente o ar irá fica seco e quente.

Infelizmente, gatos frágeis como minha pequena e doce Arya não aguentariam tal tempo. Sebastian e Ciel são gatos fortes e grandes, com uma imunidade altíssima, eles sim passariam esses tempos muito bem, enrolados um no outro para esquentar.

Aah mas a minha pequena e frágil Arya. Ela nunca conseguiria passar o inverno sem muita fonte de calor. Os outros gatos mais velhos a esquentavam durante a noite, mas ela preferia se esgueirar nas sombras, escalar os pesados cobertores que pendiam em minha cama, e se enrolar em meu peito.
Mesmo com todos meus cuidados, a fragilidade de Arya tomou-a por completo. Teve uma rinotraqueíte fortíssima, e essa maldita doença levou minha pequena e doce Arya embora.
Aquilo foi demais para mim. Ver a minha pequenina, a minha doce, gentil e delicada Arya partindo em meus braços, com seus olhos mucosos e mesmo assim brilhantes perdendo o brilho e a cor...Aquilo foi demais para meu corpo suportar. Foi aí, que minha depressão apenas piorou.
Pessoas iriam me julgar por ficar nesse estado por causa de um animal, mas não era um qualquer animal. Arya e eu tinhamos um laço fortíssimo. Eu salvei sua vida de uma enchente, a pequenina não tinha nem três meses de vida ainda, era miúda de porte pequeno, não iria crescer muito. Era extremamente frágil e adoecia com facilidade, estava óbvio que não sobreviveria por muito tempo.
Mas eu depositei minha confiança e meu amor nela, eu acreditei e por longos dois meses e dezessete dias a pequena suportou junto a mim e seus irmãos adotivos.

Ela apareceu em minha vida, alegrou tanto, trouxe o calor que faltava em minha alma...E então foi. Partiu. Partiu sem olhar para trás e sem se despedir de mim, isso me enchia tanto de tristeza, enchia-me tanto de pesar....

E mais uma noite fria e silenciosa se passava. Meu corpo não passava de um monte que subia e descia na escuridão. Nada mais fazia sentido ali. Eu não dormia, apenas meditava no escuro, suspirava e imaginava, refletia o quão sem sentido era minha existência ali. Se eu partisse ou ficasse, não faria diferença alguma. Já não pertencia mais a minha família, mas que família? Eles me abandonaram, eu estou sozinho para sempre. Apenas eu, e meus dois felinos de cores diferentes semelhantes ao yin yang. 

Ciel e Sebastian eram meus dois filhos, mas estavam adultos e não necessitavam de meus cuidados. Eles cuidavam um do outro, e já não precisavam tanto de meu amor. Eles sempre se esfregavam em mim quando eu andava pelo corredor, sempre ronronavam quando me viam, e sempre soltavam miados gentis ao pousar minha palma aberta em suas cabeças, afagando-os suavemente. Se eu fosse, teria que abandona-los, eu não iria fazer isso - mesmo com toda a independência desses felinos.-
E então, dei-me conta que estava de madrugada. Eu não enxergava mais nada no escuro, ouvia apenas minha respiração. Não queria aguentar mais outro dia, e outro, e outro..Não queria dormir. Queria ficar na escuridão, para sempre. Mesmo com Ciel e Sebastian lá em baixo, eu não queria mais.

E foi aí que eu senti. Algo estava se movendo em meu pesado cobertor, algo o puxava e se pendurava nele. '' Sebastian está dormindo com Ciel, e mesmo se fosse um deles, em um pulo conseguiriam alcançar aqui em cima...''.

Pensei na probabilidade de ser um rato. Os ratos aqui não são tão comuns já que tenho dois caçadores natos em casa, mas uma vez ou outra, algum roedor do esgoto aparecia aqui para dar suas saudações.
Senti um pequeno peso na cama, que subia e se aproximava cada vez mais de meu rosto.
As pequenas patas então, se sustentaram em meu ombro. Ouvi uma vibração que eu jamais poderia esquecer: Era um ronronar que, era suave, mas ao mesmo tempo alto e potente.
Senti um par de patinhas afofando meu ombro, enquanto um focinho morno se enfiava em meu pijama para absorver o cheiro doce. 

Eu reconheci aqueles movimentos. Essa sequência de atos era uma rotina noturna que apenas um felino fazia para mim: Minha doce e pequena Arya!

Ah, eu já não conseguia mais me mover. Minha Arya tinha partido já fazia quase uma semana! Eu a enterrei em meu quintal, as rosas brancas e vermelhas ainda estavam lá, em cima de seu pequeno e fúnebre túmulo! Não podia ser verdade, em momento algum, aquilo só podia ser um sonho vívivo demais.

Não, eu não estava sonhando. Belisquei-me várias e várias vezes, me arranhei e até mesmo me mordi com força, eu não estava sonhando. 

O ronronar apenas continuava, era a única coisa que se podia ouvir naquele quarto. O ronronar, e minha respiração que acelerava a cada movimento que o pequeno felino fazia ao meu lado. Eu tentei ver melhor, tentei distinguir os contornos na escuridão, mas como disse, estava tudo muito escuro. Eu não conseguia ver mais nada, apenas um pequeno e quase invísivel contorno ao meu lado que se mexia.

E se fosse realmente Arya? Aquele pensamento me fez ficar feliz. Virei minha cabeça para o lado, e relei meu nariz gelado na lateral do corpo da pequena gata, que agora apenas ronronava com mais intensidade. 

Para minha enorme surpresa, ao encostar naquele corpo quente, eu comecei a sentir-me alegre. Uma alegria imensa tomou conta de meu ser, eu não conseguia distinguir mais nada! Tudo que era triste, todos os pensamentos ruins e maldosos simplesmente sumiram da minha cabeça, eu já não podia mais sentir tristeza, só alegria e excitação, e alegria e muita alegria. Senti as lágrimas rolarem pelos meus olhos. Não eram de tirsteza, eram lágrimas que transbordavam felicidade repentina, apenas de eu tocar o pequeno corpo da gatinha. 

Eu sorri, um sorriso sincero, um sorriso que eu não sorria já fazia dias. Sequei as lágrimas que ainda transbordavam de meu rosto, e finalmente consegui adormecer em paz. Sentindo aquelas almofadinhas afofando meu ombro, aquele ronronar que as vezes cessava para dar lugar a um miadinho baixo e rouco que apenas Arya conseguia dar para me deixar tranquilo. Aquilo conseguiu fazer eu pegar no sono, um sono calmo com sonhos felizes que eu já não tinha a tempos. Minha doce e pequena Arya, minha gentil e amorosa cria voltou para se despedir. Ela não se esqueceu afinal. Eu podia sentir a gratidão da gatinha, podia sentir o calor dela. Eu quase podia ouvi-la dizer em meu ouvido:

'' Obrigada.''

Ela retornou trazendo felicidade para mim, ela não podia me ver daquela forma, não podia ver o seu salvador tão triste e deprimido, desistindo tão facilmente de viver. Ela agiu rápido, e agora, ela finalmente descansaria em paz. Um merecido descanso depois de ter que aguentar - nem - tanto tempo nesse planeta imundo de pessoas hipócritas.

Na manhã seguinte, me senti revigorado. Já estava feliz novamente, enxergava tudo de um modo sútil, diferente e belo. Conseguia ver beleza nas coisas. 

Desci de meu quarto para a sala, sorri ao ver o belo dia que se fazia lá fora, naquela maravilhosa manhâ de inverno, o sol não aparecia muito, mas todo o ar melancólico e triste tinha sumido. Aquilo era um dia lindo e maravilhoso e muito bom. 

Abracei meus gatos, Sebastian de início me estranhou, mas logo pude ouvir seu ronronar. Ciel esfregou sua cabeça em minha bochecha, e logo depois foi comer sua ração fresca que tinha acabado de colocar para ele. 

E então, me lembrei de minha doce Arya. Fui até um pequeno criado mudo que tinha no canto da sala. Em cima do suporte de vidro, um belo vaso azul-turquesa com flores delicadas e formosas que eu mesmo tinha colocado, e que trocava toda semana com flores de meu jardim. Ao lado do vaso, um pequeno quadro onde estava a imagem de minha pequena princesa Arya. Ao lado, estava escrito '' Minha eterna princesa, minha doce e frágil Arya'', e ao lado, sua coleira azulada que combinava com o vaso. Em um movimento emocionado, peguei a coleira e a apertei contra o peito. As lágrimas rolavam novamente em meus olhos, mas não eram lágrimas de tristeza. 

Em meio a isso, um sussurro escapou de meus lábios, que ecoou pela casa até o vento o levar embora.

'' Obrigado. ''

~~~~ Apenas uma pequena atualização. ~~~~


Nessa semana, o meu belo dia frio de inverno foi cortado por um miado rouco do lado de fora. Quando abri minha porta, notei em uma caixa que tinha o melhor conteúdo que já vi em toda minha vida.

Uma pequena gatinha, com a pelagem fina e rala. Coloração de branco e preto. Não era como Arya, Arya tinha a pelagem preta e branca - Para os leigos, tem sim uma grande diferença.- seus olhos eram de uma cor verde amarelado, mas ao me ver, soltou um fino miado acompanhado de um ronronar suave, porém alto e potente.

Eu a chamei de Princesa.

Minha doce e gentil princesa, eu sei muito bem quem lhe enviou.

Autora: Ana Júlia dos Santos Souza

04/11/2017

A arte de Jacob Emory

Histórias de fantasmas? Nah, não temos nada do tipo por aqui. Bem, nós TEMOS a história de Jacob, mas isso é o mais perto de uma história de terror que nós temos.

... Você realmente quer saber?... Bem, eu não deveria te contar, mas tudo bem, apenas não me interrompa. Eu não tenho paciência para isso.

Como descrever Jacob Emory... Bem, eu acho que se pode dizer que ele era o tipo de pessoa que nunca se notaria. Não quero dizer que ele era uma má pessoa, em qualquer sentido - muitas pessoas nessa cidade pensavam que ele fosse a melhor pessoa para um serviço aleatório em todo o estado - mas ele não era bom o bastante em nada. Ele era a prova viva da frase "faz de tudo um pouco, mas nada direito." Muito disso foi por culpa de sua falta de vontade.

Ele se meteu em praticamente tuo que a cidade poderia oferecer a ele: carros, operação de rádio, genenciamento de lojas, tudo que fosse possível, mas ele nunca ficava em coisa alguma. Seus amigos e colegas de trabalho o procuraram algumas vezes, mas todo mundo recebeu a mesma resposta: "Simplesmente não foi o bastante." Não preciso dizer que os poucos amigos que ele tinha ou eram muito pacientes ou não falavam sobre o assunto.

Foi inevitável, então, que Jacob decidisse viajar. Não me lembro aonde ele foi, mas acho que Gertrude sabia antes de morrer - você vai ter que procurar alguma outra pessoa se tiver curiosidade. De toda forma, ninguém tentou pará-lo. Todos pensaram que uma pequena viagem iria lhe dar um pouco de ambição, ou pelo menos alimentá-la até que não fosse mais um problema. Diabos, nós chegamos mesmo a lhe dar uma festa de despedida, o que eu acho que foi muito legal de todo mundo.

Então, ele se foi por... seis, sete anos? Não lembro. Você vai precisar procurar outra pessoa para saber, também. Enfim, ele voltou eventualmente, e havia mudado. Estava amigável, energético, todo sorrisos o tempo todo, e logo descobrimos por que. Ele nos mostrou um souvenir que ele trouxe da viagem - um bastão preto, do tamanho de um lápis, mas na textura de giz. Nós nos perguntamos por que diabos algo tão simples poderia causar tamanha mudança, até que ele nos deu uma demonstração. Ele pegou um pedaço de papel, e com esse bastão - Deus, deve haver um termo melhor pra isso - com esse bastão ele... desenhou um círculo.

O desenho caiu, e descansou na parte inferior do papel, como uma pedra. Não saiu do papel, mas agia nele, como uma espécie de projetor em uma tela.

Filho, eu sei o quão maluco isso soa, e se você quer bancar o cético, então pode deixar um velho homem sozinho com sua loucura, mas eu sei o que eu vi, mesmo que todos estejam tentando silenciar o que há para ser dito, e aquela pedra que ele desenhou caiu. Jake chegou a passar o papel por todas as mãos, e conforme ele era passado, a pedra rolou pela folha conforme ela era inclinada. Nenhum de nós sabia o que dizer - diabos, o que poderia ser dito? - mas ele continuou desenhando demonstração após demonstração para nós, bonecos palito em desfiles e peças fazendo de tudo, desde lutando até formando perfeitas pirâmides "humanas", e todos achamos isso incrível.

Isso foi tudo que Jacob precisou - ele anunciou que planejava fazer shows para pagar o aluguel e a comida, e nesses shows ele desenharia o que a platéria quisesse. ISSO nós falamos sobre por algum tempo, e ele eventualmente nos convenceu que seria seguro, seus desenhos totalmente éticos, a prática totalmente lucrativa e única, e a atenção nunca sairia das fronteiras da cidade.

Pobre Jacob. Se não fosse por meu deslumbramento, eu teria lido os sinais ali mesmo, e salvado aquele pobre filho da puta quebrando o bastão terrível ao meio. Mas eu era jovem, nós todos éramos, e nós não vimos problema em encorajá-lo com o que vimos como uma incrível experiência para compartilhar com todos. Enfim, ele não tinha conexões com rádio e TV, você sabe, e a internet não existiria por pelo menos outra década, então ele fez o que as pessoas em um orçamento apertado fazem - ele fez propagandas de seu show em folhetos.

Folhetos podem não significar muito para vocês da cidade grande, mas em uma pequena cidade, eles ganham atenção de tempos em tempos, e ainda por cima, Jacob conseguiu se destacar colocando pequenos bonecos palitos pulando e tudo mais para atrair a atenção das pessoas. Seu primeiro show deve ter conseguido aproximadamente sessenta pessoas, talvez mais que isso.

E seus shows eram fantásticos. Alguém pediria uma cena de uma peça ou uma cena de comédia, e a mão de Jake voaria por uma parede branca como um pássaro. Ele estava se contendo quando fez aquela pedra, pode ter certeza. Suas ilustrações eram perfeitas, e ele podia fazer uma figura humana incrível em minutos. Na verdade, não me lembro de qualquer ilustração dele levando mais que dez minutos para ficar pronta.

Elas eram cenas bem feitas, também - você não via apenas um cavaleiro contra o castelo, Jake também desenhava o interior do castelo, como um bolo de casamento cortado ao meio, assim você via o cavaleiro escalar as paredes, lutar através de partes da masmorra, lutar para sair do castelo com a princesa, e saltar para fora do castelo e caindo em seu cavalo em completo silêncio. Não de forma realística, não, mas era parte do charme - nenhum de nós esperava algo totalmente real. Quando uma cena ou rascunho era finalizado, ou os personagens saíam da parede ou ele pintava a parede com tinta branca. Isso era bom, de certa forma - isso dava um limite de tempo ao show, então quando ele terminava todas as 4 paredes, todo mundo sabia que o show havia terminado até que a tinta secasse.

Jake, por outro lado, estava mudando para pior. Eu mencionei que ao retornar, ele estava energético. Bem, essa energia, essa vitalidade ou fervor ou seja lá como você queira chamar, ela nunca o deixou. Não por um instante. Bem longe disso, parecia haver crescido, e ele adorava isso mais do que o normal. Seus olhos cresceram, ele dormia cada vez menos, suas opniões eram mais radicais e animadas, e mesmo que ele nunca tenha forçado, ele estava começando a fazer com que as pessoas ficassem nervosas em sua companhia.

Um mês ou dois passaram, e a audiência de Jake cresceu como fogo. Praticamente toda cidade pagou para ver a arte dele em ação, e ele teve que alugar ambientes cada vez maiores para que todos se acomodassem. Agora ele não parava após uma cena - ele movia diretamente para a próxima, usando o próximo espaço vazio na parede, às vezes causando o efeito de fazer com que as cenas se misturassem, o que a platéia adorava. Os temas ficaram mais selvagens e imorais, os monstros mais bizarros e criativos, os lutadores usavam armas mais impossíveis, tudo para manter o interesse da platéia. Jake ficou mais interesseiro, e todos nós concluímos que isso era por causa do dinheiro. Ele se tornou um bêbado e um Don Juan (e nenhum desses dois o fez perder a vitalidade, por sinal.) Algumas dessas mulheres dizem ter acordado no meio da noite para vê-lo desenhando com aquele bastão em um bloco de esboço, um sorriso enorme em sua face, e muito embora muitas delas tenham dito que achavam que ele estava desenhando-as nuas, há rumores de que uma ou duas delas conseguiram olhar para o caderno. Essas poucas anônimas dizem que esses desenhos não eram nus artísticos, mas nenhuma delas, quem quer que sejam, jamais disseram o que havia ali. Não tente procurar os cadernos ou folhetos, no entanto, todos eles sumiram. Estou saindo do assunto: o importante é, ele estava bebendo muito, e isso é importante, porque foi a bebida que arruinou tudo eventualemente.

Na noite de uma de suas performances, quando ele apareceu na frente da platéia animada, foi imediatamente óbvio que ele estava completamente bêbado. Eu estava na fila da frente, e eu podia sentir o cheiro de bourbon há dez pés de distância. O show começou, ele fez um monte de desenhos e paisagens que a platéia sugeria, até que no fim, alguém disse para que ele desenhasse a si mesmo. Todo mundo adorou a idéia, acho que eles queriam saber o que suas criações pensavam dele, e ele eventualmente concordou.

Não muito depois que Jake terminou de conectar as duas linhas finais de seu casaco, todos os personagens, ao longo da grande, expansiva parede, pararam e olharam para a ilustração. Amantes pararam de se beijar, palhaços pararam de rir, robôs pararam de lutar contra piratas, todos pararam e encararam o Jacob desenhado. A platéia se calou imediatamente - eu lembro da face de Jake naquele momento, completamente pálida, cheia da terrível compreensão de seu erro, e procurando desesperadamente as latas de tinta branca que ele esqueceu de colocar no palco antes do show. Todos os outros? Eles encararam o falso Jacob.

Esse Jacob colocou a mão no bolso da jaqueta, puxou um bastão preto próprio, e conforme todos olhávamos, desenhou uma porta. Ele empurrou-a, e a porta se abriu, permitindo que ele andasse pelo chão do auditório.

O resto foi um pandemônio infernal. Pessoas gritavam e corriam para as saídas enquanto os personagens de Jacob, tanto os que estavam na parede no momento como os que haviam saído antes de serem cobertos, correram por suas próprias saídas, jogando tortas, soltando lasers, cuspindo fogo e o impossível. Eu estava perto da saída, e dei uma última olhada para trás. O que eu vi vai me aterrorizar para sempre.

Jacob Emory estava sendo arrastado por suas criações para dentro da porta que sua cópia fizera, enquanto gritava e se debatia.

O auditório queimou, obviamente, mas eu não faço idéia de quantos personagens escaparam, o que aconteceu ao falso Emory, ou quantas pessoas morreram. O fogo trouxe o corpo de bombeiros das cidades num raio de 100 milhas - eles, por sua vez, trouxeram a polícia, que trouxe o governo, que silenciou tudo. Eles confiscaram os folhetos e toda arte que Jake fizera, e fez com que jurássemos silêncio, ou então lidaríamos com prisão perpétua. O fogo foi culpado por um cigarro no lixo durante um jogo de basquete, e nós eventualmente voltamos para nossas vidas. Jacob foi basicamente apagado da história.

Em retrospecto, eu entendo tudo. Jacob não estava criando ilustrações. Ilustrações não se movem, muito menos agem ou atacam - elas são apenas imagens que as pessoas vêem, sombras feitas para parecer com o produto real. Jacob estava criando vida - coisas reais em uma dimensão alternativa, usando poderes que nunca deveriam cair em mãos humanas. Ele ficou bêbado com seu poder. Sua punição foi provavelmente merecida.

Incidentalmente, o governo cometeu dois erros. Eles fizeram um bom trabalho em silenciar a todos, mas ainda há provas. As ruínas ainda estão lá, você sabe. As ruínas do auditório. Ouvi dizer que vão começar a reconstruir em breve, o que apagará quaisquer evidências que alguém ainda possa ver, mas eu fui lá uma vez, vários anos após o fogo - só uma vez. Entre as ruínas, coberta por cinzas, eu vi algo. Eu olhei mais de perto. Era a mão de Jacob Emory na parede. Exatamente como havia sido três anos antes, mas estava constantemente agitada, como se o corpo em que estava supostamente grudada ainda queimasse em chamas.

Esse foi o erro número um. O número dois foram as criações.

Como te disse, não sei quantas escaparam, nem quantas foram encontradas e capturadas pelos agentes do governo, mas vou te dizer isso - aqueles prados com grama alta nos limites da cidade? Não vá até eles. Nunca. Você me perguntou sobre essas figuras brancas que você viu a noite, não é?

Essa cidade não tem histórias de fantasmas.