26/03/2019

BLACK HOLE (Parte 1 de 12)

1. Anna Harrolds ( 28 de Março de 2016 )

-- Você não pode vir comigo Anna-- Disse o irmão mais velho. Jeffrey Harrolds, de 15 anos, não era exatamente uma pessoa apropriada para cuidar de sua irmã caçula, Anna Harrolds, de apenas 8 anos. Porém essa não foi escolha dele e sim de seus pais, como uma forma de castigo pelo que o garoto Harrolds fez na manhã de 28 de março. Jeffrey foi flagrado com Jessica Mavis ingerindo bebidas alcoólicas atras da quadra pela Professora Barbara Poompkis, de Educação fisica. A partir disso, seus planos de ir a uma festa à noite na Rua Main, que cruzava com a Farris ( que era a sua rua ) foram arruinadas pois seus pais fariam um turno a mais no BLACK HOLE HOSPITAL, aonde trabalhavam, e por isso disseram para Jeffrey cuidar de sua irmã.

-- Por quê não ? Não quero ficar sozinha aqui-- disse Anna
-- Anna, eu combinei com meus amigos que iria, e não posso recusar, além do mais, a Jessica vai ta lá.
-- A garota que você namora, não é ?

-- Essa mesma, cara de cu -- disse Jeffrey

Anna estava reciosa em ficar sozinha em casa, por dois motivos: a chuva forte que estava acontecendo naquela noite e o recente caso de assassinato que ela viu no jornal, meu deus, quem imaginaria que deixariam um garoto de 16 anos na floresta pendurado e aberto no meio ?! Ela estava com medo de que algo assim acontecesse com ela mas cedeu ao irmão pois ele disse que ela poderia assistir até tarde os programas que ela não podia ver, ate aquele desenho do dinossauro roxo que ela não lembrava o nome, mas que adorava ver ele. Se ela estivesse viva dois dias depois de 28 de março, ela se lembraria de Barney o dinossauro, pois passaria uma maratona no canal, ela era uma prodígio para alguém da idade dela.

-- Só volta rápido, ok ?
-- Pode deixar cara de cu ! Volto antes das 23 hs.
-- Vejo você em breve !

Eles deram um longo abraço, seguido de um beijo na testa de Jeffrey, o mesmo franziu um pouco a testa e saiu. Anna fechou a porta da casa, enquanto Jeffrey seguia para a festa. Ele nunca mais a viu.

Agora estava ela, aqui, sozinha em casa, correndo para ligar a Televisão e colocar o programas de culinária que sua mãe via antes de fazer algo com o seu pai que Anna não sabia exatamente, mas devia doer muito, já que mamãe sempre gritava, baixinho, mas gritava. Já perto das 22hs, Anna lembrou que tinha que arrumar seu quarto, que ficou uma bagunça por causa de uma guerra de travesseiros que Jeffrey e ela tiveram alguns minutos antes dele ir a tal festa. Ela se levantou e começou a subir as escadas e enquanto subia, ela ouviu um som que ela sempre gosta de ouvir : o som de sua porta de vidro no seu quarto, que dava na varanda, onde ano passado ela viu os fogos de artificio do Ano novo com sua Família com a bela vista do bosque, que ficava atras da casa deles. Enquanto subia os degraus um a um, Anna parou de ouvir a porta abrir, como se ela não fosse aberta totalmente. Chegando no seu quarto, não viu nada, nada alem da bagunça que ela e seu irmão fizeram algumas horas antes e... a porta de vidro da varanda entreaberta, com vento soprando na bela cortina branca que cobria toda a porta. Anna decidiu arrumar os brinquedos que estavam perto da porta da varanda, pois alguns deles poderiam emperrar a porta, fazendo mais chuva entre no piso de madeira barulhento. O que ela veria minutos depois era algo pior que seus maiores pesadelos, pior que uma prova do BLACK HOLE SCHOOL ou pior que os seus pais com raiva. Ela veria algo que acabaria com seus sonhos e esperanças, algo que a faria ter as entranhas arrancadas e devoradas lentamente.
O cheiro da "imundação" na varanda era horrível, como folhas molhas e secas, madeira velha e principalmente, um cheiro que ela não sabia de onde vinha. Tinha cheiro de chocolate, panquecas, mas cheirava também a algo podre, algo que ela não sabia descrever, e que por um momento, não tinha certeza se vinha do bosque ou da porta da varanda.

-- Você consegue.. so não respire enquanto arrume os brinquedos.

E foi isso que fez. Prendeu a respiração o máximo que pudesse, enquanto arrumava os brinquedos... um pato de borracha, uma boneca Barbie, um boné de Jeffrey... e enquanto arrumava, ela ficou percebendo que os brinquedos estavam manchados com lama, ou pelo menos, algo parecido com lama. Pensou que era por causa da forte chuva, que de tão forte, quase não conseguia ouvir sua própria voz, pensou que devia ser por que eles eram muito velhos, ela ja estava a quase 3 anos com eles. Mas se a garotinha tivesse olhado com atenção, perceberia uma marca de dedo no boné de Jeffrey, um dedo maior que o dele e com certeza maior que o dela e talvez essa tragedia pudesse ter sido evitada.

Um urso de pelúcia, o quadro de desenho e ...

( o que é isso ? )

Ela se deparou com algo que ela nunca tinha visto. Ainda coberto de alguns brinquedos, o objeto no qual se deparou parecia um braço... enorme..

( Deve ser de um urso... mas e rígido demais....... para ser de pelúcia..... )

Ela continuou a olhar aquele braço, e percebeu que as unhas daquele braço, eram amareladas com manchas avermelhadas nelas, e a vestimenta daquele braço parecia de algum terno velho.

Anna estava querendo correr, mas seu corpo se paralisou de medo quando ela viu algo similar a um rosto na brecha ente a cortina e a porta do seu quarto.

( Mamãe.... Deus.... socor.... )

Ela nem teve tempo de concluir seu pensamento. Aquele braço horrendo agarrou o dela e enquanto o vento batia nas cortinas, ela viu de relance algo que parecia um homem com uma mascara de tigre, mas branco. Um homem magro, com terno, usando uma mascara de tigre branco que enquanto segurava o braço da garota, começava a babar e rosnar, como um animal encontrando sua presa. O que ela viu foi destruiu sua sanidade e fez a garota sentir puro terror. Ele segurou o braço de Anna em um abraço grosso e serpenteante.

-- Amiguinha-- disse o homem de mascara, com uma voz rouca e rindo

Anna virou seu rosto para longe daquela visão e começou a gritar na chuva, gritando para o céu escuro e tempestuoso de 28 de março de 2016. Seus gritos eram altos e agudos, o suficiente para que todos da rua Farris pudessem ouvir, porem ninguém saiu de casa, todos ouviram, mas ninguém saiu..

Enquanto a coisa puxava Anna para varanda pelo braço, o rosto da garota bateu na porta de vidro, fazendo o vidro quebrar no rosto de Anna.

-- VENHA AQUI AMIGUINHA !-- rosnou o homem que para Anna parecia mais um animal do que um homem.

Anna consegue se segurar na porta de vidro e consegue resistir um pouco, mas a coisa gira seu braço em um movimento forte e rápido, como um golpe forte e Anna sente uma onda de dor fumegante de dor no seu braço, agora torto, e com cacos de vidro que foram quebrados com seu rosto.

VOCÊ É MINHA AGORA !! --- gritou a coisa que deslocou seu braço e feriu seu rosto com cacos da porta da varanda e Anna sente uma onda terrível e horripilante de dor e um rasgo vindo de seu pescoço.

A coisa-homem tinha arrancado uma parte do pescoço de Anna com apenas uma mordida na garota, uma mordida que fez um pedaço de osso horrivelmente branco ficar exposto e aparecer no tecido rasgado. O chão molhado da varanda estava vermelho-vivo, sangue fluía para fora da varanda pelo buraco esfarrapado aonde ficava uma parte do pescoço.

Os olhos da garota estavam direcionadas para o céu escuro e chuvoso, enquanto a coisa-homem abria a barriga da garota com os dentes e devorava as entranhas da garota, lentamente...

Você sera minha para sempre -- sussurrou a voz podre que ria..

Anna Harolds se foi, enquanto a coisa-homem descrita por ela se alimentava.

Em algum lugar embaixo da varanda, um pouco das entranhas rasgadas da garota saiu flutuando por um córrego que se formou perto da casa. Por um tempo, ele se alinhou a um rato morto que estava apodrecendo a uma semana. O rato foi levado para a esquerda aonde daria em um esgoto a 300 metros da casa dos Harolds e o pedaço da garota pararia em um lago próximo ao bosque, aonde estaria ligado a esta historia, ainda. Quando se passa vinte minutos depois da gritaria que provocou um silencio na rua Farris, e 20 minutos apos o coisa-homem ter terminado sua refeição e indo direto para o bosque, o vizinho dos Harolds, Charles perry, resolve chamar a policia relatando os gritos. Uma hora depois, com a mãe de Anna sendo sedada no hospital aonde trabalha com o marido e aonde o mesmo estava com a esposa chorando roucamente, ouvindo ao fundo, Jeffrey estava sentado silenciosamente na sala de espera pensativo.

( Eu a matei... foi minha culpa )

A pacata rotina da pequena cidade de BLACK HOLE foi abalada por esses dois últimos incidentes, mas os cidadãos da cidadezinha não imaginavam que isso era apenas o começo de um mal que so acabaria um mês e meio desde Anna Harolds.....

CONTINUA...

Autor: João Silva

19/03/2019

Pacto com o Diabo: Relato de um Homem Não Identificado

Para quem imagina que o demônio é alguma criatura assustadora ou tem uma aparência apavorante está enganado, nos trés encontros que "iludido" tive com ele pude observar e ter a falsa impressão de estar lidando com pessoas extremante educadas, elegantes e bonitas.

Nasci em uma família humilde, mas sempre tive o sonho de ter grana e me tornar milionário, quando tinha 18 anos se você não fosse um garoto bonito, dificilmente conseguiria arranjar namorada bonita, pobre seria ainda era pior, na fissura de me tornar alguém rico e importante, resolvi fazer um pacto com o diabo quando tinha 19 anos.

A meia noite criei coragem e fui até uma encruzilhada em meio a um canavial e evoquei Satanás por três vezes, esperei esperei e nada repeti novamente o ato por mais duas vezes, esperei esperei e nada, então desisti e fui embora pra casa.

Passados três dias fui a um barzinho bem conhecido aqui da cidade que não colocarei o nome para preservar o local, la estava eu com meus amigos sentados em uma mesa que dava de frente para a rua quando der-repente chega um sedã de luxo, para bem a nossa frente e dele desce um homem aparentando ter uns 30 anos, bem vestido com traje preto parecia aqueles gangsteres de filmes do Al Capone, cabelos loiros olhos azuis e muito educado sentou se ao nosso lado e ali ficou bebendo whisky até a hora em que fomos embora.

Eu trabalhava de ajudante geral em uma fábrica de baterias e no outro dia cedo logo que cheguei no trabalho, o mesmo homem da noite anterior adentrou no setor em que eu estava trabalhando e veio em minha direção, seu olhar era tão penetrante que quase me hipnotizava, chegou bem próximo e disse; olá Marcos estamos aqui ouvimos o teu clamor, fiquei sem entender nada, então perguntei nós quem ? clamor ? para minha surpresa ele deu um sorriso e colocando as mãos em meus ombros sussurrou em meu ouvido estaremos as 18hrs esperando por você, e foi se embora

Trabalhei o dia todo meio sem saber o que estava se passando até que resolvi perguntar quem era aquele homem, no entanto ninguém o tinha visto nem sabia de quem eu estava falando então caiu a fixa, lembrei do pacto, será ? pensava eu, será mesmo o demônio ?

Eu saia do trabalho sempre as 17:45 e no caminho para o ponto de ônibus o mesmo sedã da noite anterior parou do meu lado, abriu a porta lateral traseira e pude ver ao olhar para dentro do veiculo o mesmo homem que me abordara na minha seção de trabalho, homem este que ninguém conhecia ou tinha visto, mas ele estava lá, rapidamente olhei para meu relógio e eram exatamente 18hrs como ele mesmo tinha marcado, explicar o sentimento que senti naquela hora é difícil por que nem eu mesmo acreditava que aquele sujeito pudesse ser o demônio, era uma mistura de duvida, medo e curiosidade, mas como que seduzido pelo convite resolvi adentrar no carro.

Uma vez dentro do carro o silencio tomou conta do ambiente, até que resolvi perguntar quem era ele e o que queria comigo, a resposta foi:
"Somos muitos, o que queremos ? queremos que você se junte a nós"
Eu disse; muitos ? como assim ? e como poderia me juntar a você ? e ele respondeu:
" Este corpo é apenas o intermediador entre nós e você, pois somos uma legião, eu e meus irmãos queremos que você se junte a nos na servidão de nosso querido mestre, Lúcifer, e em troca receberá todas as riquezas e gozara de todos os prazeres da terra enquanto estiver encarnado "
Fique completamente anestesiado, pois queria sim fazer um pacto em troca de dinheiro, riqueza e mulheres, mas quando vi que isso era realmente possível e que eu poderia estar negociando com uma legião de demônios minha própria alma, confesso que me deu medo, e este medo me fez perguntar a ele: e Deus ? pois se você existe obviamente que Deus também existe e se eu der minha alma a você como fico com Deus ? quando eu morrer vou realmente para o inferno queimar eternamente ? e ele me respondeu dando muitas risadas meio que achando graça da minha ignorância em relação ao que era desconhecido para mim, mais parecia que eu tinha feito uma piada, assim ele me respondeu:
"Marcos... a que Deus você se refere ? ao grande rival de nosso amado mestre LÚCIFER ? fique calmo e relaxe pois tudo não passa de um grande jogo de xadrez, Lúcifer o grande arquiteto, somente deseja o bem, a felicidade e o gozo pelo que é bom para os humanos, seu rival o outro "Deus" é quem é mal, utiliza de tragédias e miséria para conseguir seguidores, foi capaz de mutilar seu próprio filho simplesmente para angariar fieis, e quanto ao fogo eterno e o inferno não passa de mais uma tática que ele usa pra amedrontar seus rivais e inimigos"

Sem palavras apenas olhei novamente para ele e disse: o que quer que eu faça ? ele somente me olhou e me deu uma pasta preta, daquelas executivas com uns adornos amarelos brilhantes, e me disse para ir e aproveitar o resto da semana, mas pediu para que eu abrisse a pasta somente em casa, fiz como ele pediu desci do carro e fui para casa, chegando lá minha curiosidade era extrema, eu já não me continha fui correndo abrir a pasta, para minha surpresa a pasta estava completamente lotada de dinheiro e um envelope grande, dentro dele um papel grosso meio texturizado e de cor amarronzada e tinha um cheiro ruim parecia cheiro de algo estragado "carne" mas não muito forte o cheiro era sutil somente colocando próximo do nariz para sentir.

Na época se comparássemos com o dinheiro de hoje a quantidade de dinheiro que havia no interior da maleta equivalia a mais ou menos uns 500 mil reais.

Guardei o envelope com o papel estranho e fui pra balada, aquela noite eu era patrão estava cheio da grana e me sentindo o máximo, sai com meus amigos bebemos dançamos e mais tarde fomos a uma boate, fechamos a casa e a orgia rolou solta sexo bebidas e muitas mulheres, passamos a noite na gandaia.

Passados alguns dias eu já de carro novo, casa nova, vivendo uma vida de luxo, imaginando que já teria feito o pacto com o diabo, só aguardando o que mais ele iria me dar de bom, mas para minha surpresa o pacto ainda não tinha se consumado naquele dia por volta da meia noite, estava eu deitado vendo um filme em minha cama com as luzes apagadas, quando der-repente vi uma pessoa em pé, uma mulher, parada, bem na porta do meu quarto, só dava para ver as sua silhueta devido a luminosidade do aparelho de TV, tão grande foi o susto que quase tive uma parada cardíaca, tremulo de medo pelo fato de ser pego de surpresa por alguém que teria aparecido no ar como se fosse um fantasmas, criei coragem acendi a luz e olhei para a Mulher que por sinal era linda, sorridente e muito sex, mais calmo perguntei: Quem é você ? ela me respondeu com uma voz suave e muito atraente, sou a administradora do seu contrato, mas pode me chamar de EMPUSA, (estranhei o nome mas nem perguntei nada) ela me pediu para pegar o envelope com o papel de cheiro ruim que estava na pasta juntamente com o dinheiro, não pensei duas vezes, peguei o envelope e entreguei a ela, ela pegou o papel que estava dentro e colocou sobre meu criado mudo e foi se aproximando de mim, ela era alta de pele ber branca e cabelos lisos bem pretos, olhos pretos e uma cintura de dar água na boca, muitíssimo cheirosa, pernas bem torneadas e rígidas, vestia um vestido de gala "festa" longo vermelho com detalhes brilhantes, se aproximou de mim e começou a me beijar, eu quase que hipnotizado e seduzido por um desejo inexplicável e ao mesmo tempo ainda com medo, me entreguei e deixei me seduzir, fizemos coisas que jamais imaginei que fosse possível de se fazer na cama, experimentei sensações indescritíveis e aquela noite experimentei o mais extraordinário sexo e orgasmo de minha vida.

Passamos a noite juntos e logo de manhã bem cedo por volta das 6 hrs, escutei o interfone tocar e acordei, ela já estava de pé toda linda e pronta para sair mas o curioso e interessante é que com roupas totalmente diferentes das que ela veio, sem noção de onde ela havia conseguido as roupas mas curiosos procurei pelo vestido vermelho e não encontrei, ela me olhou e disse não vai atender a porta? ai eu fui ver quem estava a me acordar aquelas horas e o que queria.

Quando abri a porta um homem de uns 2 metros de altura aparentando uns 20 anos e bem vestido, logo foi adentrando casa a fora e se sentando em meu sofá, era tanta informação para meu cérebro que eu nem perguntava mais nada só esperava acontecer, e lá do quarto veio a jovem Empusa em minha direção pegou minha mão direita e começou a chupar meu dedo indicador, era bem exitante até que olhei para baixo e percebi que seus pés estavam diferentes, pareciam feitos de ouro e tinham formato do pé de um cavalo ou uma égua, me assustei mas não tive tempo para me afastar dela foi muito rápido, ela mordeu meu dedo fazendo um corte profundo com o dente, que naquele momento também tinha se transformado eram parecidos com dentes afiados de tubarões, logo o sangue começou a sair ela passou em meu peito do lado esquerdo, pois eu estava ainda sem camisa só de bermuda "Shorts", ela fez um sinal parecido com uma cruz de cabeça para baixo no meu peito com meu próprio sangue e neste momento o homem que estava sentado no sofá se levantou e o papel que eu citei anteriormente já estava com ele que veio em minha direção e me pediu para que eu escrevesse com meu próprio sangue o seguinte:

"Eu Marcos .......... , me entrego a Lúcifer, Deus eterno das coisas do mundo, senhor da alegria e dos prazeres, e renego a meu rival, deixo a minha alma e o meu ser em gloria honra e poder de Lúcifer renego a criação e as doutrinas de meu rival e tudo que vier dele, sou a partir de hoje filho amado e propriedade do meu senhor, Lúcifer e abomino tudo que for pertencente o grande inimigo e rival de Satanás"

Dei uma titubeada, mas não conseguiria mais viver sem o conforto do dinheiro e sedie a tentação. Feito isso senti no meu peito que aquele momento sim foi o momento derradeiro em que estaria entregando minha alma em um pacto com o diabo.

Assim que ele saiu pela porta eu olhei para o lado tentando ver onde estaria a Jovem Empusa que tinha passado a noite toda comigo, mas ela já não estava mais ali, tinha desaparecido como se tivesse evaporado no ar, foi então que comecei a sentir meu corpo novamente e voltar a si, percebi naquele momento que aquele homem era o próprio Satanás.

Passaram se os dias e minha vida caiu na rotina, até que um belo dia passados mais ou menos uns 40 dias depois do ocorrido, recebi um telefonema de uma multinacional onde fui convocado para uma entrevista, pelo telefone deixaram bem claro que era de meu interesse e que eu deveria comparecer, pois se tratava de um acordo que eu tinha feito recentemente e era imprescindível que eu fosse, claro que liguei os fatos e fui até la saber do que se tratava.

Quando cheguei no local "Empresa" já fui logo bem atendido pela recepcionista que me levou a uma sala de reunião onde havia uma mesa aredondada e ovalada, enorme e umas vinte cadeiras em volta dela, cada cadeira tinha um homem sentado exceto em uma que estava reservada para mim, eles se dirigiam a minha pessoa pelo meu nome e me tratavam como se me conhecessem a vários anos, no entanto eu nunca tinha visto nenhuma daquelas pessoas em toda minha vida.

O homem que estava na base da mesa se levantou e disse:
"Marcos, sente se agora você é da família e nesta família, cuidamos uns dos outros"

Me sentei e perguntei do que se tratava tudo aquilo, ai fui informado por eles através de uma longa conversa, aquela multinacional era como um hobby para eles terem motivo para se reunirem quando quisessem, esta Multinacional talvez seja uma das maiores empresas do mundo e ali estava eu leigo viajando em meio a inúmeras informações de um mundo novo mundo este que eu nem imaginava existir, todos eram muito educados e me deram um cartão de conta corrente já no meu nome e um extrato com a informação de que naquela conta tinha o equivalente a 5 milhões de reais depositados e em meu nome, meio sem entender não consegui me segurar e perguntei: isso é pagamento pelo pacto que fiz dias atras ?

Todos me olharam com ternura e responderam que sim, e que era apenas o começo, ganhei naquele dia um cargo na diretoria da mesma empresa e fui indicado a participar de uma loja Maçônica, nos dias decorrentes fui apresentado a políticos importantes e empresário famosos, participei de festas da alta sociedade e conheci vários artistas que também tinhão feito um pacto assim como eu, tinha um salário de dar inveja, comprei uma bela casa, um belo carro e tinha condições para ostentar o que eu desejasse.

O luxo fazia parte de mim e eu dele, e devido a ele conheci uma Atriz bem conhecida e famosa com quem comecei a sair e me relacionar e posteriormente namorar, mesmo escondido e não divulgando para a mídia estávamos namorando, não vou citar seu nome por motivos óbvios um dia fui levado a uma festa em Londres, lá fomos a um local ermo, bem distante da cidade em uma mansão daquelas tipo medievais, chegando lá tínhamos que colocar mascaras pretas no rosto e retirar toda a roupa para adentrar em um corredor que levava a um salão subterrâneo, eles nunca comentavam o que acontecia em suas reuniões ou festas quando estavam fora delas, e eu estava curioso aceitei e entrei no jogo, quando adentrei no salão percebi um ambiente bem luxuoso e agradável, tinha uma cama redonda no centro com uma mulher que estava de pé em cima da cama mas com um lençol negro envolvido em seu corpo da cintura para cima só dava para ver do seu umbigo para baixo, ela estava nua da cintura para baixo e envolta ao lençol negro da cintura para cima, na altura da sua cabeça um ferro prendia seus braços que estavam amarrados juntamente com o lençol, as únicas partes que podia se ver bem eram suas pernas e ginetárias, sob uma luz vermelha tipo aquelas luzes de Motel, toda a iluminação do local era avermelhada, em seu rosto a mascara escondia sua feição.

Em volta da cama tinha cinco homens fortes e malhados também nus e eretos, logo que eles perceberam minha chegada começaram a ter relação com aquela moça que estava sob a cama, fiquei olhando e fui convidado a participar mas meio que envergonhado mas ao mesmo tempo exitado vendo aquela cena entrei na brincadeira, todos penetraram ela e chegou minha vez, me aproximei e eles a soltaram e foram retirando o lençol que escondia aparte superior do seu corpo, fiquei paralisado e chocado com o que vi, aquela linda e exitante jovem era a pessoa com quem eu estava saindo a atriz que citei anteriormente, fiquei sem reação, ai ela vei e me beijou e sussurrou em meu ouvido; "não é só você que tem segredinhos", ai os caras que ali estavam começaram a ter relação com ela enquanto ela me beijava, acabou que entrei na orgia que durou a noite toda. Estou relatando este ocorrido pra vocês entenderem de como eles controlam as pessoas e o mundo.

Claro que o namoro acabou depois disso, mas não tinha motivos para eu reclamar da vida tinha tudo que queria, minha vida era regrada a sexo, luxo e poder, quando falo poder é ter condições e o PODER realmente de dar opiniões e interferir tanto em questões politicas quanto financeiras do meu pais, cujas consequências eram refletidas severamente na sociedade brasileira, eu tinha acesso a deputados, senadores e ate mesmo a presidentes da época.

Mais tarde já com meus 22 anos, cansado das orgias e da solidão causada pela futilidade das pessoas que só pensam em dinheiro, acabei conhecendo uma moça, garota de família e de princípios, diferente das pessoas que faziam parte dos meus círculos de amizade, por quem me apaixonei e me casei e tive dois filhos lindo, mas eu vivia uma vida dupla pois ela era bem religiosa e eu era um Satanista, eu escondia esta vida que eu levara, ela nem imaginava que eu pudesse ser quem eu realmente era.

Conheci ela aos 22 anos, namoramos 7 anos, quando tinha 29 nos casamos, ela sempre quis ser mãe mas não conseguia, somente 11 anos depois do meu casamento ela conseguiu engravidar do nosso primeiro filho e dois anos depois do segundo, quando meu segundo filho completou um ano, recebi uma visita de um dos líderes da organização da qual eu fazia parte, ele me trazia uma noticia derradeira e macabra, me informou que eu teria de sacrificar meu próprio filho em honra e adoração ao Demônio, pois eu deveria provar meu amor ao grande Mestre "Lúcifer", ou sofreria GRAVES CONSEQÜÊNCIAS, neste momento percebi quem eu era e quão terrível e maléfica eram as pessoas com quem eu tinha me envolvido, eu havia participado de rituais satânico mas nunca envolvendo uma criança e pior ainda meu filho que tanto eu amava.

Sob pressão psicológica, mas resistindo, pois aquelas duas crianças "meus Filhos tinham mudado algo dentro de mim assim que nasceram, eu não podia fazer mal a nenhum deles, então tomei a decisão de contar tudo a minha esposa que reagiu da pior forma possível, mas muito religiosa e caridosa não me deixou e pelo contrário, disse que se eu me arrependesse de coração estaria livre daquele acordo "Pacto".

Não pensei duas vezes quebrei meu compromisso com o demônio, deixei toda a minha vida de pecado no passado e fui buscar ajuda na igreja a qual ela frequentava, com 3 semanas que eu estava indo na igreja comecei a fazer caridades com o dinheiro que tinha ganhado de forma diabólica e imaginei estar seguro ali, pelo menos foi o que senti ate receber a noticia que minha esposa tinha sido sequestrada, passaram se os dias e nenhuma noticia sobre ela, até que duas semanas depois chegou a terrível noticia de que tinham encontrado o corpo dela e segundo as informações da pericia eles haviam esquartejado o corpo e utilizado ela para fazer um ritual satânico, rituais dos quais eu já havia participado anteriormente.

Senti na pele a mesma dor que eu causara em outras famílias anteriormente, com muito medo que algo acontecesse com meu filhos, busquei ajuda em várias igrejas e nada, comecei então a receber visitas diárias de demônios com formas de sombras negras que gelavam até a alma quando passavam perto de mim, mal tinha me recuperado da perca da minha esposa meu dois filhos adoeceram e precisei leva los ao medico, no caminho um acidente de carro acabou por ceifar a vida dos dois e me deixar paralisado da cintura para baixo quebrei a coluna e perdi os movimentos da perna ficando preso em uma cadeira de rodas.

Hoje vivo em uma cadeira de rodas, sofro pela perca da minha amada, me culpo pela morte de meus filhos e sou atormentado diariamente por demônios que me fazem desejar a morte como alivio de tanta dor, perdi todo o dinheiro que tinha e sou cobrado por sussurros demoníacos que assopram em meus ouvidos:

" Você teve tudo que prometemos, dinheiro, Luxuria e poder, agora estamos cobrando nossa parte e aguardando o dia em que iremos buscar Você!"

Fonte: https://www.sobrenatural.org/cgi-sys/suspendedpage.cgi

12/03/2019

GTA San Andreas

Eu sempre fui um grande fã dos videogames eu não sou como aquelas pessoas que se criaram jogando Atari, Nintendo64, Game Cube ou qualquer outro famoso daquela época. Meu primeiro console foi um DynaVision4 (sei que não era um dos melhores, mas era o que minha família tinha condição de me dar) passei muito tempo da minha infância com aquele videogame, até que de tanto eu pedir (e meus pais economizarem) ganhei um PlayStation2.

Bom minha alegria foi muito grande quando ganhei aquela caixa grande embrulhada, não demorou muito para que eu já conectasse na televisão de tubo da sala, junto meu pai havia me dado 3 jogos, Crash TwinSanity, Need For Speed Carbon e GTA SanAndreas, os três eram jogos piratas e meu console era desbloqueado, mas como todo mundo que já teve um PS2 desbloqueado sabe que o GTA SA vendido nos camelôs sempre teve uma certa dificuldade de funcionar no console, porém esse era o jogo que eu mais gostava pois via meus tios jogarem fazendo tudo o que queriam no game, eu também queria jogar esse jogo (conhecido hoje em dia como jogo de mundo aberto) acredito que a maioria das pessoas conheçam este jogo, se não conhece, EM QUE MUNDO VOCÊ VIVE? Enfim como era de se esperar o jogo não funcionou então fui até a lojinha destrocar por outro (a lojinha permitia você destrocar o jogo se ele não tivesse funcionado desde que fosse o mesmo jogo) achei um GTA SA com a capa diferente e perguntei o porque aquele era com a capa daquela forma o vendedor da lojinha afirmou que o jogo era o mesmo porém só mudaram um pouco a capa então levei aquele mesmo pois queria mostrar aos meus amigos que o meu GTA tinha uma capa mais bonita.

Chegue em casa e imediatamente inseri o jogo no meu videogame, passou a tela com as torres azuis, e para minha alegria (ou não) a tela de PlayStation2 apareceu, fiquei imediatamente feliz, confirmei aos meus pais que o jogo havia funcionado, então eles saíram para ir ao mercado, eu recusei o convite de ir junto pois queria aproveitar ao máximo o game. A tela de carregamento estava normal, nada havia mudado, estava começando a acreditar que o vendedor estava falando a verdade, porém segundos depois após o carregamento do jogo não houve a cena de introdução do CJ no aeroporto, em vez disso ele apareceu em um lugar completamente diferente do que eu conhecia, não havia como olhar o mapa, e a cidade estava totalmente estranha, não era Los Santos disso eu tinha certeza, CJ estava com um terno preto e uma gravata vermelha, o personagem estava fortemente armado, com todas as armas do jogo, e todos sabemos que não é possível o CJ carregar todas, ele troca a arma se ela for da mesma classe, porém ele estava com tudo, até a minigun.

Pensei que fosse algo bom tipo, meu personagem tem todas as armas, vou ter maior liberdade, mas logo que dei os primeiros passos apareceu uma legenda dizendo o que eu tinha que fazer, como aparece nas missões, porém achei estranho porque eu não havia entrado em nenhuma missão, mas resolvi obedecer, o jogo era traduzido e o que dizia na legenda era:

DESTRUA O CARRO!

Estava bem desta forma, tudo maiúsculo como se fosse uma ordem imediata, no canto da tela havia um temporizador que havia começado a contar quando a legenda apareceu então me apressei para não fracassar na “primeira missão” desse jogo, o minimapa era a única coisa que me guiava, quando achei o carro ele estava andando como um NPC qualquer, eu estava com uma moto, que foi o primeiro veículo que apareceu para mim ir logo acabar com essa missão, desci da moto e me aproximei do carro, peguei o RPG que basta um tiro e os veículos explodem, mirei com todo cuidado para dar um tiro certeiro.

Quando atirei fiquei surpreso pelo que aconteceu, o carro simplesmente continuou intacto, talvez com algum dano, mas muito pequeno, pensei que poderiam ter ativado o cheat de Carro Tanque naquele carro, então não seria fácil completar essa missão, mas o que me supreendeu mais ainda foi que o carro não se apavorou, como todos sabem, basta um único tiro e todos os NPCs aos arredores saem correndo desesperadamente, mas aquele carro não, como se ele soubesse que era invulnerável.

Daí pra frente o jogo começou a ficar mais estranho do que já estava, os gritos dos NPCs eram muito altos, eu sempre jogava com o volume baixo para não atrapalhar ninguém, mas aqueles gritos eram perturbadores, mas continuei jogando mesmo assim após muitos tiros de RPG o carro explodiu e em vez de aparecer como de costume “MISSÃO CONCLUÍDA” apenas apareceu uma cutscene de um casal que estava dentro do carro, agonizando e chorando. Por uma coincidência (ou não) eles estavam com a mesma roupa que meus pais. Horas depois que meus pais haviam saído, meus avós vieram me buscar para morar com eles, dizendo para mim que meus pais haviam viajado para outro país e não voltariam tão cedo. Anos depois eu soube que o carro deles havia explodido.

Autor: Carlos

05/03/2019

Sonhos?

Bom, já gostaria de deixar claro que não sei porque diabos fazer isso me ajudaria... mas enfim, eu já não tenho muita escolha.

Não acredito que seja necessário me apresentar, afinal vocês tem acesso a praticamente tudo sobre mim não é mesmo? Mas vou aproveitar a liberdade que eu tenho ao escrever e vou me apresentar como Jack , eu sei, se você for um pouco esperto vai achar esse nome bem clichê, mas isso não interessa agora.

Eu sempre achei que era um adolescente normal (e ainda acho), mas a julgar pelo que vem acontecendo nos últimos meses acho que as pessoas ao meu redor não me enxergam da mesma forma. Minha mãe me trouxe para cá na esperança de que eu me libertasse dessa “maldição”, ela sempre foi muito religiosa sabe? Aquele tipo de pessoa que se amaldiçoa por faltar no culto de domingo ou por não conseguir contribuir com o seu dízimo no início do mês.

Tudo corria bem como todos os dias até que na madrugada do dia 16 de Setembro de 2016 eu tive meu primeiro sonho. No sonho, eu estava deitado em um solo úmido e arenoso, o lugar era muito frio e o ar era seco e pesado, ao meu redor eu não enxergava nada apenas o meu próprio corpo. Depois de alguns segundos naquela posição, na qual eu não conseguia me mover, eu consegui enxergar algo novo, um ser que eu não consigo descrever a sua forma sem parecer um maluco, ele simplesmente não parecia com nada, eu enxergava e sentia apenas sua presença ali, uma presença azulada e meio opaca, eu senti ela se mover ao meu redor e repousar logo acima dos meu olhos, onde ela ficou por alguns instantes até que eu conseguisse acordar. O mais estranho era que eu não sentia medo algum, mesmo se tratando de um daqueles sonhos lúcidos que dizem por ai, onde a pessoa tem a sensação de fazer parte do sonho, como se aquela fosse a realidade.

Já acordado, tentei entender o que era aquilo, qual o seu significado (se é que havia algum), levei a mão ao criado mudo e peguei meu celular, 02:18 mostrava na tela. Levantei, bebi um copo de água e voltei pra cama.

Na madrugada do dia 19 de setembro de 2016, uma segunda-feira, eu estava lá deitado no mesmo lugar, e a mesma presença me observava, porem dessa vez foi diferente, eu senti como se estivesse sendo observado não por uma só, mas por milhares delas ao meu redor, aquilo me causou um certo incômodo (Eu nunca gostei de estar sendo observado, principalmente se eu não soubesse o que estava me observando), e então eu acordei novamente, ainda era madrugada, 04:27, um pouco mais tarde, dessa vez eu não resolvi voltar pra cama, eu decidi ir tomar um banho e sair para correr, pra dar uma respirada.

Quando voltei, resolvi falar com minha mãe a respeito disso, ela claro, já veio com o seu papo de que isso era sinal de fraqueza espiritual e que eu deveria procurar ajuda com um dos líderes religiosos dela, eu ignorei e pensei “que bobagem”, já arrependido de tê-la contado. Esse que provavelmente foi o maior erro da minha vida.

No dia 22 de setembro de 2016 porém, eu sonhei com algo um pouco mais bizarro, eu estava sentado dentro de uma sala escura um tanto quanto bizarra, eu sabia que era uma sala pois eu podia sentir a parede fria na qual minhas costas estavam apoiadas, conseguia ouvir algumas vozes de pessoas no ambiente algo que começou a me deixar com uma certa dúvida se esse sonho era como aqueles anteriores. Infelizmente a dúvida desapareceu quando uma luz fraca se acendeu no topo da sala, eu estava em uma jaula, preso junto a mais oito pessoas, quatro homens, duas mulheres, uma criança e um bebê. Naquele momento uma sensação atravessou o meu corpo, dada as circunstâncias do ambiente, um lugar sujo com insetos por toda parte uma escuridão vinda do outro lado da grade, uma sensação de medo começou a tomar conta do meu corpo, medo esse que se confirmou válido quando um homem de cerca de um metro e oitenta de altura entrou dentro da sala, com duas algemas meio medievais nas mãos, ele agarrou a criança e uma mulher que parecia ser sua mãe, os dois saíram da jaula em prantos, e eu finalmente acordei daquele sonho.

Assustado, eu me levantei depressa, olhei as horas, eram 05:32, eu já estava atrasado para me arrumar para a escola, eu sei que parece cedo demais mas a minha escola ficava a sete quilômetros da minha casa, e a caminhada até lá levava cerca de uma hora e quinze minutos.

Passei a manhã inteira pensado no que havia sonhado, eu não esperava por aquele tipo de sonho, nunca tinha acontecido, por qual motivo eu sonharia com aquilo?

Mal sabia eu que aquele sonho era só uma amostra grátis do banquete que viria a seguir.

Na noite seguinte, eu tive outro sonho, se é que posso chamar assim. Eu estava na mesma jaula preso com as mesmas pessoas, com exceção apenas da mulher e seu filho, não demorou muito e o mesmo homem que havia levado os dois mais cedo retornar para buscar mais dois, dessa vez foram dois homens, eu estava ficando enjoado e minha mente me perturbava enquanto pensava o que estaria acontecendo com as pessoas que era levadas, e infelizmente minhas especulações foram respondidas quando a mulher e seu filho voltaram, os dois estavam em cacos, a mulher estava coberta de sangue e feridas, uma parte de seu couro cabeludo estava faltando provavelmente havia sido arrancado a força. E o garoto, eu comecei a chorar quando vi, ele estava com as duas pernas quebradas e um corte profundo nas costas, além de também estar com o seu corpo frágil coberto por sangue, ele estava desmaiado e sua mãe gastava o resto de suas forças chorando enquanto acaricia a cabeça do garoto encharcada em sangue.

Eu não aguentei toda aquela cena, já estava com o rosto coberto por lágrimas, até que o homem novamente retornou, dessa vez ele pegou o bebe no colo e começou a olhar em volta como se estivesse escolhendo quem iria levar consigo, acho que vocês já devem estar imaginando que ele me escolheu.

Eu levantei, implorando para que não me machucassem e principalmente não machucassem o bebê, meus pedidos foram ignorados e eu fui levado junto ao bebê para uma outra sessão daquele lugar que parecia uma prisão. Eu vou poupar vocês do que aconteceu quando chegamos lá, mas eu devo que dizer que o bebê não sobreviveu, e eu..., eu não fiquei nada bem. Eu retornei para a cela paralisado, não sabia por que aquilo estava acontecendo comigo, eu sempre fui um garoto bom, por que eu tinha sido escolhido para aquela atrocidade, eu não merecia passar por aquilo.

Eu finalmente acordei, minha cama estava completamente molhada de suor, e minha mãe parada de pé me observando. Eu comecei a chorar desesperadamente ao lembrar do que eu tinha acabado de sonhar, chorei tanto que acabei dormindo de novo.

Quando acordei... Bem, eu estava aqui em um quarto de um hospital religioso qualquer, esperando para ser transferido para a ala de tratamento psiquiátrico.

A partir daquele dia, durante todas as noites que eu me deixo pegar no sono, eu retorno para aquela realidade maldita, na qual eu nunca consigo sair, nem sequer consigo morrer. Eu já experimentei de tudo, todas as formas de causar sofrimento a uma pessoa, já foram usadas contra mim.

EU NÃO AGUENTO MAIS!!!

Eu nem sei mais o que é real!!

Já tentei de tudo, todos os métodos espirituais e científicos. Eu não sei mais o que fazer.

Eu só quero... Só quero MORRER!!

Autor: Gabriel Tupã

02/03/2019

APLICATIVO NOVO DO CREEPYPASTA BRASIL PARA CELULARES!!!


Fala, Creepers! Estou trazendo uma novidade quentinha para vocês!

Sabemos que MUITOS leitores do blog acessam o CPBr pelo celular, e a versão mobile do mesmo eventualmente apresentava diversos bugs, o que dificultava bastante o acesso e a leitura das história.

Bem, nosso querido leitor Alan Oliveira de Quadros acabar com esse problema e carinhosamente criou um app especialmente para nosso blog! Ele está disponível no Google Play e possui uma acessibilidade muito fácil para todos que desejam ler as histórias! Vocês podem até mesmo ter uma noção das Creepypastas já lidas, favoritar suas histórias favoritas, deixarem seus comentários/opiniões, e o mais bacana, serem notificados de novas publicações de nosso site!

Confiram agora esse novo aplicativo, clicando nesse link ou procurando pelo aplicativo "Creepypasta Brasil" diretamente no Google Play. Aproveitem para avaliarem o aplicativo, pois isso é muito importante. Deixem também suas sugestões aqui nos comentários, para que melhorias possam ser implementadas no aplicativo.

Muito obrigado de coração, Alan! Vocês conseguem nos surpreender cada dia que se passa e nos motivar a continuar mantendo o blog ativo para vocês! Esperamos que gostem na novidade, boa leitura e Keep Creepying ❤

26/02/2019

Aquele que mora no escuro

Michael Travis, de 12 anos, acordou as 3hs da Madrugada, com a luz do luar batendo em sua janela. Estava tendo vários pesadelos assustadores, quase reais, que ele nunca imaginaria que teria. Seu pensamento era chamar a sua irmã mais velha, Sally, mas ele acreditava que aquele que mora no escuro levaria Michael porque ele foi um garoto malcriado com a família recentemente e que ele poderia saber que Michael tem medo do escuro. Os valentões do seu colégio inventaram essa historia para Michael, para poder assustar ele, uma forma pratica e divertida de brincar com o psicológico de uma criança que gaguejava.

"Não olhe para ele, senão ele te levará para a escuridão e arrancara sua língua para que você não grite no escuro. Mas, você não se importaria né ? pelo menos, se ele arrancasse sua língua seu merda, você gaguejaria menos ! "

Michael sabia que não devia dar ouvidos a eles, mas por um instante, acreditou que se houvesse algo que te arrastasse para uma escuridão silenciosa e gelada, que fosse aqueles valentões os infelizes que seriam levados. So de pensar na ideia de algo assim pudesse existir, já o apavorava, e muito. A casa estava escura, uma escuridão negra e arrepiante, que fazia o corpo de Michael ficar gelado, as folhas e os galhos das arvores batiam em sua janela, e ele não conseguia ver nenhuma luz vinda de nenhum poste das ruas. Era uma escuridão sem estrelas.

Ele retirou o cobertor de suas pernas, se levantou da cama e foi em direção a porta do seu quarto, que dava acesso a seu corredor. Abriu lentamente a porta do quarto, a mesma fez um som rangedor desagradável. O corredor estava completamente imersivo na escuridão daquela noite, como se não existisse luz á muito tempo lá. Michael sentia um medo que ele nunca sentiu antes, puro terror apenas por estar na escuridão.

--Sssally, você esta ai ?-- disse Michael
Tentou abrir a porta do quarto de Sally, mas estava trancada. Então decidiu seguir o corredor escuro ate o quarto de seus pais, ate que se deparou com a porta do quarto deles, entreaberta, seguido de sons de algo quebrando e rasgando.. algo que provavelmente não deveria fazer isso. O que ele viu quando abriu a porta do quarto, fez uma onda de desespero e medo extremo tomar conta do garoto.

Seu pai estava sem a cabeça, com a coluna exposta, com o corpo debaixo de uma sombra de forma monstruosa e inexplicável , enquanto a coisa segurava a boca de sua mãe e arrancava a língua dela para fora do maxilar deslocado dela. Um som de rasgo estrudante rugia por todo o quarto, sangue fluía do Maxilar quebrado, principalmente na região aonde estava um buraco enorme aonde a língua ficava. Michael, diante da carnificina da sua frente, se paralisou de pavor, um medo gelado e sombrio percorreu a sua espinha, pensando que isso iria acontecer com ele também. Os quadros do quarto estavam embaçados, no lugar dos rostos da família, a apenas rostos distorcidos que riam diante da macabra cena. De seus rostos não saiam risadas, mas gritos de terror que pareciam risadas alegres e contentes.

Mmmamãe..... Papppai...

A criatura parou de se mexer em cima dos cadáveres mortos dos pais de Michael. Ele pegou a cabeça decepada do seu pai com as suas enormes garras em formatos de anzóis e cravou elas na testa do membro desmembrado. Cada vez que via aquilo mais o psicológico de Michael era destruído, e ele não acreditava que algo assim estava acontecendo
( Ele existe, ele existe... )

Como se estivesse imitando um ventríloquo, a criatura usou a cabeça do pai de Michael para falar com a voz dele, distorcida, mas era a voz dele;

-- Quer se juntar a nós Michael ? Vamos nos divertir muito no escuro, só dê a sua linguá jovem em troca e poderemos ficar juntos como uma família;

A criatura começou a se rastejar lentamente para perto de Michael, ainda com as garras cravadas na cabeça do seu pai. Michael sentiu seu coração apertar conforme a criatura de aparência indescritível se rastejava para perto dele. Michael decidiu fechar os olhos e correr para longe daquele quarto,em direção ao seu proprio. Ele corria pelo corredor de olhos fechados enuanto atras dele ovia algo subir e correr pelas paredes, apara alcançar ele de uma forma mais rapida. Chegando ao quarto, trancou a porta e sentiu um empurro forte nela, como se quissesse arrombar a porta.

Pela janela, Michael viu varias pessoas sem as línguas, olhando para ele com os olhos prateados, sem vida, gritando e sorrindo, felizes.. a porta continuava a ser empurrada e Michael decidiu se cobrir seu corpo com o cobertor ate que ouviu a porta de seu quarto ser jogada contra a parede, seguindo de logas risadas distorcidas que vinham do lado de fora da casa e da sua frente.

Michael decidiu retirar o cobertor ate a altura dos olhos para ver o que estava acontecendo. A criatura já estava em cima da mesma cama que ele, rosnando com seus dentes horrivelmente amarelos, com cheiro de carne podre e seus olhos prateados sem vida que brilhavam no escuro. Michael fechou seus olhos, e tentou cantarolar alguma canção de ninar na sua mente, rezando para que fosse um simples pesadelo, mas não conseguia.

A criatura com suas longas garras, arranca um pedaço da Traqueia de Michael. Sangue Fluía por onde havia um buraco feito a garras e com o osso exposto. O ser, conhecido como aquilo que mora no escuro pegou o pé de Michael, enquanto desaparecia as sombras no chão, levando o corpo do garoto para dentro do escuro.

Michael acorda, apavorado, sem entender, o que tinha acontecido, estava suando de desespero e horror, mas também com uma sensação tranquila no peito, pois era tudo um sonh...

O relógio bate, 3hs da Madrugada, com a luz do luar batendo na janela.

Autor: João Silva

29/01/2019

O Sr. Levi Lilkerd

O Sr. Levi Lilkerd a Ame
Uma mágica iria mostrar.
Mas primeiro, um favor
Ela teria que realizar

Era muito simples,
Nada demais ou demorado
Ame só teria que trocar o remédio da mamãe
Por uma bala com nome engraçado

O Sr. Levi Lilkerd além de mágico
Era bom com piadas
Essa bala chamada cianeto
Faria mamãe dar muitas risadas

O Sr. Levi Lilkerd entregou as balas à Ame
Que as levou para casa
Colocou no lugar dos remédios,
Que ela jogou na privada

Depois que a mamãe descobrisse,
Iria rir até morrer.
Foi o que o Sr. Levi Lilkerd disse,
E depois a mágica ele iria fazer

Mamãe chegou em casa,
Com muita dor de cabeça.
Foi tomar seus remédios,
Que estavam em cima da mesa

Quando os colocou na boca,
Fez uma cara meio estranha.
Parecia bem amargo,
Até revirava as entranhas

Ela olhou para Ame,
Com os olhos arregalados.
Depois caiu no chão,
Deita lá, teve alguns espasmos

Ame ficou assustada,
Mas o Sr. Lilkerd disse que estava tudo bem.
A boca da mamãe fazia espuma,
E ela tremia igual a um trem

Depois de um tempo,
Ela parou de se mexer.
Mas nunca deu um sorriso,
Como o Sr. Levi disse que iria acontecer

Ame ficou com medo,
Foi correndo para fugir.
Mas o Sr. Levi Lilkerd
A agarrou, e então começou a sorrir

Era um sorriso estranho,
Que ia de orelha a orelha,
Seus dentes ficaram afiados,
Cresceu até a sobrancelha

Ame começou a chorar,
E por sua vida implorar.
Sr. Levi Lilkerd disse que logo tudo iria acabar
E começou a gargalhar.

"Eu ainda não te mostrei o meu truque",
Disse o monstro horrendo.
"Não posso te deixar ir embora,
Sem antes mostrar meu truque estupendo"

"Agora preste atenção, no que irá acontecer"
A boca do Sr. Levi Lilkerd ficou tão grande
Que poderia por tudo dentro,
Ata um elefante.

Ame chorou e gritou,
Mas ninguém a ouviria.
Sr. Levi Lilkerd disse que ainda não acabou,
A levantou e lhe deu uma mordida.

Arrancou seu braço inteiro,
Como se fosse de brinquedo.
Ame olhou aterrorizada,
Enquanto ele mastigava e lambia os dedos.

Ame chorou e gritou,
Estava cheia de dor e pavor.
Seu antebraço jorrava sangue,
E o Sr. Levi Lilkerd apreciou

"Vou acabar com seu sofrimento,
Porque você foi uma boa garota,
Fez tudo o que seu amigo imaginário mandou,
E não derramará mais uma gota"

O Sr. Levi Lilkerd a olhou,
Por uma última vez.
Ame o xingou de idiota e feio,
E foi a última coisa que fez

O Sr. Levi Lilkerd ficou satisfeito,
E deu um longo arroto.
Saiu da casa de Ame,
Para procurar por um garoto

Ele estava pensando como faria agora,
Para sua fome saciar.
Talvez iria atrás de Bryan,
Um garoto que amava brincar

Essa foi a história de hoje,
Espero que possam apreciar.
Se quiser saber o que aconteceu com Bryan, eu te conto,
Mas precisa um favor para mim realizar...

Autor: João Alves

28/01/2019

12 Minutos

ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE.


No outono de 1987,  uma estação de tv local chamada WSB-TV2, de Atlanta, Geórgia, tentava fechar a programação matinal de domingo, que tinha um horário em aberto.

Após algumas solicitações de donos de empresários locais, o canal decidiu permitir o Reverendo Marly Sachs usar a hora que estava vaga para fazer um programa religioso. O programa estreou no dia 18 de Outubro, com pouco alarde.

O show era um programa religioso comum e consistia no Reverendo sentado em uma cadeira simples, de frente para a câmera, lendo passagens da Bíblia e discutindo suas interpretações e significados para o mundo contemporâneo. O programa tinha um número consistente de espectadores e manteve-se no ar ainda no início de Dezembro. Foi aí que a estação começou a receber estranhas reclamações dos espectadores de "Palavras da Luz com o Reverendo Marly Sachs".

As ligações eram de mulheres (apenas de mulheres), que descreviam vagamente estranhas sensações que tinham em intervalos específicos durante o programa. Elas diziam sentir náuseas, dor nas costas, tonteira e visão embaçada. As reclamantes, sem razão aparente, estavam convencidas que o programa que estava causando esses sintomas nelas. Depois de três semanas de reclamações intensas, foi descoberto que essas "sensações" aconteciam, estritamente, em intervalos de 12 minutos durante a exibição do programa.

A equipe de manutenção do pequeno estúdio checou todos os equipamentos, tanto de áudio quanto de vídeo, e não acharam nada defeituoso. Quando o Reverendo foi notificado dos incidentes, ele apenas encolheu os ombros e disse, enigmaticamente: "Algumas pessoas não conseguem aguentar a voz de Deus..."O diretor do estúdio, falhando em conseguir explicar a causa das reclamações, resolveu manter o show no ar.

Por volta de Fevereiro, a audiência caiu drasticamente, então foi decidido cancelar o programa. A direção do estúdio decidiu que era mais prudente gastar mais tempo da programação cobrindo a notícia que os outros estúdios se dedicavam: a epidemia de abortos espontâneos. A epidemia tinha começado por volta de Novembro. O número de grávidas saudáveis que tiveram abortos espontâneos chegou a mais de trezentos. O Centro de Controle de Doenças não conseguia achar uma explicação para esse acontecimento bizarro.

O Reverendo tomou a notícia do cancelamento do show com o que só pode ser descrito como indiferença. Quando foi notificado, ele não protestou, apenas concordou com a cabeça, quase como se soubesse. Ele deixou o estúdio depois da filmagem do último episódio sem dizer nenhuma palavra e desapareceu da face da Terra. Ninguém ouviu falar dele de novo, nem mesmo membros da congregação da igreja. O estúdio seguiu em frente, preenchendo o vazio com comerciais e continuaram a se focar na notícia dos abortos espontâneos.

Um ano e meio depois, um estagiário da WSB descobriu as fitas de "Palavras da Luz" e começou a analisá-las, na esperança de achar algo para ajudar em uma reportagem que a estação estava fazendo sobre o impacto que a religião tinha na cidade. O Incidente de Atlanta (foi como a epidemia de abortos espontâneos ficou conhecido nos jornais médicos) foi diminuindo e acabou por volta de três meses depois do programa do Reverendo Sachs tinha sido cancelado e já começava a ser esquecido pela população. Analisando as fitas, o estagiário fez uma descoberta perturbadora nas fitas.

Enquanto tentava parar a exibição em 10 minutos e 14 segundos, ele sem querer emperrou o botão de avançar a fita. Enquanto a imagem passava na tv, ele conseguiu desemperrar o botão. Quando conseguiu parar a fita, a imagem congelou em 36 minutos e 1 segundo. O estagiário caiu da cadeira quando viu a imagem congelada na televisão: a imagem de uma cabeça decepada decomposta tomava toda a tela. Depois de se recompor, ele voltou a fita e passou para frente de novo, para ter certeza que a sua mente não estava lhe pregando peças. Ele começou a ver com mais atenção o resto do filme e reparou que a imagem aparecia em intervalos de 12 minutos, por apenas um segundo.

Achando que era uma brincadeira que estavam fazendo com o cara novo, ele levou a fita para outros técnicos, preparado para ser zoado. Entretanto, os técnicos estavam tão confusos quanto ele. Ninguém tinha encostado nas fitas depois do programa ter sido cancelado. Depois do estúdio fechar, à noite, ele convenceu a um dos técnicos para ajudá-lo a ver todas as fitas de "Palavras da Luz". Eles descobriram que em todos os episódios tinha a mesma anomalia bizarra.

Um dos frames preservados do programa
Eles também descobriram que, conforme o programa avançava, a imagem ficava mais repugnante, conforme os vermes comiam os pedaços de pele e os pedaços de cabelo e carne tinham caído da cabeça. O técnico deixou claro para o estagiário que isso era, de maneira técnica, impossível, já que o filme não tinha nenhum sinal de que havia sido cortado e editado. Ele mesmo tinha estado na filmagem de todos os programas e sabia que não tinha nenhum jeito dessas imagens terem sido colocadas no filme.





Tudo isso foi mostrado para o diretor do estúdio que, temendo uma retaliação por permitir que esse tipo de imagem tenha parado no ar, ordenou que todas as fitas fossem destruídas. Ele disse para o estagiário e para o técnico que não tinha nenhum interesse em saber quem tinha feito, só o que importava era "proteger os funcionários e a emissora". Ele ordenou que nada disso fosse dito para mais ninguém.

O técnico esqueceu de tudo rapidamente, tratando o incidente como apenas uma pegadinha escrota de alguém, mas o estagiário não conseguia deixar pra lá. Ele fez a maior quantidade de cópias que conseguiu, antes que os originais fossem destruídos, e levou para ver se conseguia encontrar algo que desse uma pista de quem fez isso e do porquê.

Uma semana depois, ele tentou convencer o técnico a ajudá-lo de novo, dizendo que ele tinha descoberto algo mais perturbador que as imagens em si: quando os frames das imagens eram colocados em sequência, a boca da cabeça parecia se mexer, como se tentasse formar palavras. O técnico, com medo de perder o trabalho, disse para ele se livrar das cópias e não falar mais naquilo.

Uma semana depois, a polícia respondeu um chamado de emergência feito por uma senhora que morava no subúrbio de Atlanta, já no fim da tarde. Ela tinha escutado sons horríveis vindo da casa do vizinho, onde morava um jovem casal. Ela disse para a atendente da linha de emergência que a mulher estava grávida e que ela estava com medo de que algo terrível tenha acontecido. Quando os policiais chegaram, vinte minutos depois da ligação, eles viram luzes pela janela e saindo da porta entreaberta. Eles entraram devagar e foram em direção à sala de estar.

Lá, eles encontraram uma jovem mulher morta, com o abdômen aberto. A ferida era irregular e dava início a uma trilha de sangue que levava até o sofá, do outro lado do cômodo. Ali, sentava-se o seu marido, o estagiário do estúdio, nu, com o cadáver de seu filho, ainda não totalmente formado, em seus pés, morrendo. Nas mãos ele tinha o pedaço de metal que ele tinha usado para estripar sua esposa grávida. A televisão estava ligada, passando em loop a filmagem silenciosa de uma cabeça decepada e decomposta que sibilava palavras inteligíveis.

A história na delegacia, no outro dia, era que o estagiário continuava dizendo, em voz baixa, enquanto o levavam embora: "A luz de Deus os chama..."

Fonte

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

22/01/2019

Kaphyotos

Pretendo terminar essa carta antes que o veneno faça efeito no meu corpo. Custou a mim, tempo e dinheiro considerável, para que enfim eu finalmente conseguisse uma substância que me matasse sem dor, mas sem que eu precise causar náuseas para as enfermeiras que me acharem no meu quarto.

Na rua que nasci e passei minha infância, nos subúrbios de uma cidadezinha do Arkansas, havia um velho senhor que dizia ter lutado na primeira grande guerra, e dizia que nela perdeu tudo o que já amou; Sua mulher, seu futuro filho, e metade de sua perna. Por isso ele dizia odiar todos os alemães e seus "falsos deuses". Quando questionado sobre quem seriam os falsos deuses, ele dizia que eram os frutos do acasalamento entre morte e loucura, seus nomes já eram suficientes para levar o mais corajoso dos homens à insanidade.

Poucos anos mais tarde o velho morreu em sua cama, e alguns anos a mais fui forçado a abandonar meu lar e me sujeitar ao serviço militar. Não estávamos em tempos de guerra ou crise, porém após a derrota fascista, todos os salários subiram, e uma carreira no exército era simplesmente a mais fácil. Ou ao menos aparentava ser.

Nos primeiros meses, após uma discussão com um superior, que se certificou de infernizar a minha vida depois disso, eu fui me tornar limpa-convés no barco de uma companhia que, em troca de ter disponibilizado barcos durante a guerra, recebeu soldados como funcionários. Durante os primeiros dias, tudo ocorreu relativamente bem, senão fosse pelos enjoos e náuseas constantes de meia tripulação que nem sequer havia visto o mar, onde eu estava incluído.

Diferente do meu serviço em terra, no barco virei amigo do capitão. Ambos havíamos sidos desprezados pelo general que me colocou naquele barco, e eramos os únicos dois em todo o barco torciam para a mesma seleção futebolista, logo, nos tornamos bom companheiros. Até que após uma forte tempestade, que havia nos tirado algumas poucas milhas para longe da rota que seguíamos, avistamos um velho pesqueiro alemão, que parecia estar abandonado a pelo menos uma década.

O capitão de nossa embarcação, deduziu que pela localização do barco, assim como aparentava não ter ninguém a bordo, se tratava de um barco-espião, e que a tripulação já devia ter sido capturada ou morta a um bom tempo. Ele então pediu que metade dos guardas do barco fossem até o pesqueiro, posição que, coincidentemente, eu havia sido promovido alguns dias antes. Então eu e mais dois homens fomos até o barco alemão, armados com velhos fuzis militares.

Ao chegarmos na embarcação, a primeira coisa que notamos foi o forte cheiro de sangue e enxofre que parecia vir da sala de máquinas. Fora isso, o barco estava limpo de forma surreal. Se não fosse por termos reconhecido que era um modelo antigo, seria impossível dizer que o barco tinha mais que 10 anos, cada peça de metal brilhava como se tivesse sido feita da prata mais polida do mundo.

Tiramos na moeda para selecionar quem iria descer para descobrir a causa do mal cheiro. Obviamente, com o azar que tive durante minha vida toda, eu fui o escolhido pelo destino; Destravei a arma, e desci até a parte debaixo da embarcação, atento a cada som que eu escutasse. Naquele momento notei outra coisa, era impossível escutar o barulho de fora, ou sentir o balanço do mar; De certa forma, era como se eu estivesse parado no tempo. Ao finalmente chegar na sala de máquinas, tive uma visão que não posso descrever em palavras. Era como se todos os membros da população tivessem sido quebrados, retorcidos e esmagados, e enfim empilhados em um cubo de carne, sangue e ossos quase que perfeito.

No centro da sala, onde deveria estar um motor, havia somente uma placa de pedra coberta de algas e inscrições em letras que jamais tinha visto antes. Ao tentar ler os símbolos, uma sensação de náuseas e vertigem tomou conta de mim, como se meu cérebro estivesse sendo sugado por um canudo em minha testa. Alguns segundos depois retomei os sentidos, e tentei analisar a sala. Na parede, pintado com o que parecia ser sangue e fezes, estava uma palavra em letras normais, escrito de uma forma que as últimas letras pareciam ter sido feitas por alguém ou se contorcendo, ou em loucura.

"Kaphyotos"

Uma dor agoniante tomou conta de mim quando li. Ao me virar para a saída, vi um ser asqueroso, tinha o corpo de um lagarto, porém humanoide, e no lugar da cabeça, havia apenas uma massa negra, feita de olhos, tentáculos e bocas. O cheiro da criatura me atingiu em segundos, era uma mistura de enxofre e carniça tão forte, que me fez perder a consciência em poucos segundos. A última coisa que vi foi os tentáculos da criatura se moverem em minha direção.

Acordei, segundo o capitão, três dias depois na enfermaria do meu barco. Meus companheiros, segundo ele, impacientes com minha demora, foram para a sala de máquinas e me encontraram inconsciente em uma poça de fezes e sangue. Após verem o bolo de corpos, me tiraram de lá, e logo depois, afundaram a velha embarcação com algumas bananas de dinamite, como fora ordenado pelo exército americano.

Quando questionei sobre a placa e as inscrições na parede, eles afirmaram não ter visto nada. Acreditei de princípio, até que um dos que me resgataram tirou a própria vida colocando a cabeça em um moedor de carne. As memórias da palavra e da criatura que vi naquele dia continuaram me causar pesadelos durante toda minha vida. Sinto que aquela criatura pretende em algum momento vir me buscar, e confesso ter medo do que ela poderia fazer para mim.

Por isso eu peço que entendam minha decisão de tirar minha própria vida. Poucos segundos atrás escutei sons do lado de fora, e um forte cheiro de sangue e enxofre tomou o quarto por completo.

Sei que ele está aqui.

E nada vai o impedir.

Autor: M. Medeiros

15/01/2019

Reunião Familiar

Caiu finalmente a tempestade que tanto ameaçou a cidade naquelas horas plúmbeas precedente ao o ocaso.

A chuva era torrencial e com ela precipitavam-se os mais vorazes trovões e relâmpagos. Alguns dos últimos atingiam o solo assustando perversamente as testemunhas, para depois surdá-las com o ribombar do estrondo que os seguia.

Naquela noite ninguém dormiu direito. Quase toda a cidade passou em claro seu período de descanso. Uns simplesmente estavam horrorizados demais pela violência da tempestade, outros corriam freneticamente no interior de suas casas arrastando móveis e trocando bacias cheias pela água das goteiras.

Mariza fora uma das que não pregaram as pestanas por medo. Passara a noite em alerta sobressaltando-se a cada novo estalido ou trovão. Temia mortalmente as tempestades. Sobremaneira as noturnas.

Quando criança perdera ambos os pais e uma sua irmã para as águas revoltosas do rio que inundara sua casa devido ao aumento absurdo de seu volume promovido pelas águas da chuva.

A moça morava sozinha e sua casa era muito antiga. Sempre que a noite caía, ela pensava ouvir coisas ou mesmo perceber vultos furtivos com o canto dos olhos. As ripas do assoalho as vezes rangiam no escuro deixando os nervos da jovem em frangalhos.

Nesta noite em especial, Mariza havia acendido todas as lâmpadas da casa, pois temia o escuro pouco menos que as tempestades. Tinha aceso também algumas velas, como precaução para o caso de a energia faltar.

Como estivesse em claro por horas a fio e a tempestade fosse de uma força sobrenatural, mantinha-se num estado de excitação nervosa que se protraíra desde alguns minutos após o inicio da torrente chuvosa até aquela hora da madrugada em que a energia, como esperado, finalmente acabou.

Mariza levantou-se da cama imediatamente e correu em direção à vela que se desmanchava por sobre sua penteadeira. A luz fraca da chama refletia-se bruxuleante no espelho oval em que ela se maquiava antes de ir trabalhar.

Assim que alcançou a vela um raio parecido com uma ramificação vegetal atravessou o céu noturno iluminando o aposento silencioso violentamente.

Mariza estancou aterrorizada com a vela por entre os dedos: jurava ter visto refletida no espelho uma forma encarquilhada esgueirar-se pela fresta da porta entreaberta indo desaparecer num canto escuro do quarto.

Seu olho esquerdo piscou involuntariamente algumas vezes de nervoso.

A moça, mais que depressa, saltou agilmente sobre sua cama e direcionou a luz amarela da vela para o tal canto do aposento. E foi com grande surpresa e terror que viu sentada em sua cadeira de balanço uma velha senhora enrugada e macilenta de olhos cavos, profundos e cabeleira revoltosa surgida sabe-se lá de que pesadelo. A velha tamborilava seus dedos aduncos e descarnados nos braços da cadeira como se estivesse tão nervosa quanto a petrificada Mariza exibindo uma terrível careta de desaprovação para a tempestade lá fora.

Ante a visão aterradora da senhora surgida da escuridão, a vela titubeou por entre os dedos da jovem, indo cair macia nos lençóis amarrotados da cama. E nisso apagou-se no mesmo instante, deixando no lugar de sua claridade amarelada a escuridão uniforme.

Adjacente ao quarto em que se encontrava o par inusitado de mulheres havia um pequeno banheiro privativo do cômodo, ao qual se tinha acesso por meio de uma tímida porta na extremidade oposta a em que se encontrava a velha surgida das trevas da noite. Foi pra lá que a moça atirou-se desesperada de terror apertando-se portal adentro desajeitadamente.

O banheiro estava úmido por causa das goteiras e a chuva lançava-se furiosa contra o vitrô entreaberto do cubículo.

Mariza instantaneamente bateu a porta de ripas carcomidas abafando um grito com as mãos trêmulas. Não sabia o que fazer. De onde saíra o demônio que estava sentado em seu quarto?

Instintivamente a moça recuou assustada até encostar-se no canto de uma parede gelada de onde via o vitrô exíguo e a portinhola do banheiro. Um outro relâmpago ofuscante brilhou em meio à tempestade e ela divisou uma sombra negra que estivera em pé na frente da pequena janela pelo lado de dentro do cômodo.

Suas pernas fraquejaram e a pobre mulher soltou um grito de terror escorregando no chão molhado e caindo pesadamente no azulejo frio.

Tentou se levantar, mas o desespero e a umidade no chão impediram-na de lograr êxito.

A forma sombria pareceu caminhar em sua direção. Mariza debatia-se e gritava horrorizada. Seus pés escorregavam no piso molhado do banheiro. E a figura, que agora estava entre a mulher e a pequena porta, aproximava-se inexoravelmente, Outro relâmpago clareou o retângulo azulejado de modo a fazer com que a moça percebesse o corpanzil volumoso de um homem lívido com feições deformadas angulares e cavidades vazias onde deveriam estar seus olhos aproximando-se dela. A tempestade recrudesceu. A portinhola do banheiro soltou um rangido lúgubre e demorado digno dos mais medonhos pesadelos de horror e a velha adentrou o recinto com andar arrastado e rígido.Marisa, ofegante, não conseguia levantar-se e o som da tempestade abafava seus protestos de pavor. Um trovão ensurdecedor ecoou por entre as paredes apertadas do cubículo quando a tétrica mão do ser abissal atingiu a face gélida da mulher terrificada. Uma risada tenebrosamente familiar seguiu-se ao toque do ente macabro juntamente com a voz esganiçada da velha caliginosa.

Marisa, no paroxismo de seu desespero inexplicável, petrificou-se apavorada com o toque glacial do espectro. E nessa hora uma descarga elétrica partiu o céu, dessa vez imediatamente seguida do brado encolerizado da trovoada.

E foi assim que ela acordou encharcada do próprio suor e quase enforcada pela fronha que arrancara do travesseiro enquanto se debatia presa pelos horrores do mais hediondo pesadelo que jamais tivera.

Levantou-se bruscamente e com olhos arregalados de espanto perscrutou o quarto envolto na penumbra sem nada avistar de estranho. Passando alguns instantes presa nessa contemplação fatídica, a mulher finalmente deixou que sua cabeça pendesse abruptamente soltando um suspiro de alívio por perceber que tudo não passara de um sonho mal. Lá fora a chuva caía pesada sobre a cidade.

Contudo, enquanto ainda tentava se acalmar olhando pensativa para as mãos trêmulas notou uma pequena marca arredondada de bordas enegrecidas no forro da cama que lembrava muito bem uma queimadura no tecido. Lembrou-se então da vela que caíra no sonho apagando-se imediatamente. Curiosa, a moça futucou a queimadura com o indicador tremulante.

Ela ainda estava introvertida na averiguação do orifício queimado no lençol quando ouviu um som bastante peculiar e característico vindo de um canto do seu quarto. Aterrorizada com o pesadelo recente imediatamente olhou em direção à cadeira de balanço feita de vime na qual costumava repousar quando se perdia por entre os parágrafos de um livro qualquer.

A cadeira, que ficava exatamente no mesmo lugar em que estivera sentada a bruxa velha do pesadelo, movia-se lentamente fazendo o assoalho de madeira ranger, como se houvesse alguém a se embalar tranqüilo, apesar de estar completamente vazia.

A moça, de um salto, acendeu o abajur que ficava no criado-mudo ao lado de sua cama e firmou o olhar embaçado: a cadeira continuava a mover-se lentamente.

Nesse instante, vindo do banheiro que tinha sua porta fechada, um chilro sussurrado de vozes misturadas invadiu o quarto, fazendo zunir a cabeça da jovem.

Possuída pelo horror, Marisa tateou o rosto no local onde fora tocada pelo monstro do pesadelo arrepiando-se ao sentir uma chaga indelével em sua face esquerda.

Com o sussurro sobrenatural intermitente, deslocou-se até a porta do banheiro e lentamente forçou-a para dentro, fazendo com que se abrisse num ranger pavoroso.

A cena era horrível!

Dentro do cômodo retangular jazia afogada na latrina com os membros rijos e azulados uma jovem nua de cabelos negros parecidíssima com a irmã que Mariza perdera tantos anos atrás na enchente que arrasara sua família. A anciã diabólica e o homem corpulento de pele lívida e feições deformadas estavam também caídos em decúbito dorsal com os olhos esbranquiçados vidrados no teto. De suas bocas escorria uma repugnante água amarronzada típica das correntes fluviais lamacentas. O líquido espalhava-se por toda a área do banheiro em que se prostravam os três defuntos.

Eram os cadáveres de seus parentes que voltaram do outro mundo trazidos pela inundação do temporal molesto em busca do aconchego familiar perdido para as águas da tempestade maldita que anos atrás assolara o recôndito de seu lar.

Autor: Rodrigo Bispo

08/01/2019

O Veio de Prata

– Hoje posso dizer que já nem me lembro muito bem do que se passou naquela tarde de travessia pelo maldito lago. Aquilo foi há muito tempo e os fiapos de memória custam a se entrelaçarem em minha mente.

– O fato é que foi tudo muito estranho, sobretudo triste. Quantas vidas perdidas!

“Passavam das dez horas da noite quando o estranho homem de cabelos dourados como a palha do celeiro chegou ao mosteiro. Era o jovem ajudante do comissário de polícia, Alfredo. O homem, visivelmente alterado, trazia notícias não muito animadoras. Seu cavalo espumava de cansaço.

Ao que tudo indicava, um fazendeiro havia afogado toda a sua família na correnteza do riacho que borbulhava farfalhante ao pé da pequena colina onde no cume jazia sua casa. Aparentemente o assassino teria perdido a sanidade durante uma caçada em que havia se afastado demais de casa. Voltara maluco da viagem e como estivesse possuído por entidades maléficas, num acesso de inexplicável ira violenta, afogou sua esposa e dois casais de filhos, tratando de esquivar-se do peso da tragédia por atravessar os próprios miolos com uma bala de sua carabina momentos após o ocorrido.

A essa época a imagem dos vilões – como eram conhecidos os aldeões de hoje em dia – não era lá muito boa por essas bandas da cidade. E sempre que eles se envolviam em acontecimentos bizarros como o narrado pelo esbaforido Alfredo, nós do Prelado de Santo Tito éramos convidados para que, por livre e espontânea pressão, fôssemos até o local bendizê-lo e afastar as ‘malignidades’ restadas dos atos de vilania.

A verdade era que a agência de polícia inteira simplesmente paralisava-se de medo ante a mais ínfima menção a todo e qualquer fato que fosse de sua competência e tivesse sido levado a cabo naquelas regiões longínquas dos campos.

Acalmei o tal Alfredo e lhe disse que sairíamos na manhã seguinte para que não se protelassem os desígnios da tão opulenta justiça local.

Assim que o homem foi embora mandei acordar todos no mosteiro. Teríamos um dia cansativo amanhã e não queria membro algum do séquito atrasando os demais quando começasse a jornada.

Tratei de arrumar tudo antes que a madrugada caísse serena sobre o teto de palha do templo.

No plúmbeo amanhecer seguinte lá estávamos nós: dois Anciãos, eu e mais um, quatro Meados – como são chamados os ajudantes eclesiásticos daqueles –, seis guardas monges e treze Pedantes.

As Pedantes eram mulheres ditas puras por terem devotado, senão toda, pelo menos a grande maioria de suas vidas aos mistérios do antigo Culto de Tito. Essas verdadeiras andarilhas podiam caminhar por horas a fio simplesmente recitando versos litúrgicos sagrados. O que, segundo os Ensinamentos Altos, afastava o mal de qualquer espécie. Os homens do séquito que se dirigiam para os locais a serem abençoados fazendo sua guarda iam sempre a cavalo, por razões óbvias, contudo, essas mulheres iluminadas, segundo os costumes de seu credo, somente se deslocavam quando em serviço sacro a pé. E daí o nome de sua Ordem: as Pedantes de Tito.

Bem, o que interessa é que essa chusma de vinte e cinco pessoas estava pronta e preparada para a longa e infausta viagem a tal fazenda da morte.

Partimos às seis da manhã seguinte à visita estrepitosa de Alfredo. Fazia um frio tremendo e tiritávamos enquanto atravessávamos as longas planícies que perfaziam a região.

O ramerrão das Pedantes era monótono e cadenciado, de modo que marchávamos naquele compasso rígido e lúgubre.

Ao nascer do segundo dia de caminhada nos encontramos com um exíguo veio de águas prateadas que corria apertado por entre suas margens escarpadas vindo de uma cadeia de montanhas a oeste. O pequeno córrego deslizava com agilidade e profusão através de seu leito. Imaginamos logo que aquele seria o início do tal riacho onde a família pretérita fora dizimada pela asfixia e nos felicitamos com a esperança de estarmos cada vez mais perto de nosso destino.

Resolvemos então seguir o curso do riacho e nos encontramos ao cair da tarde com uma densa mata de árvores revoltas e cheias de vida. A floresta estendia-se ao sul até onde nossas vistas avermelhadas de cansaço alcançavam.

Preferimos estancar a caminhada na entrada dessa mata e aproveitar a luz solene do ocaso de maneira a facilitar nosso começo de noite na orla do denso florestal.

Passamos uma noite rápida e mais quente que de costume devido à massa verde que guardava de maneira bastante eficaz o calor do astro rei para alimentar as vidas que a compunha.

Por volta das duas da tarde daquele fatídico dia o nosso guia aquoso havia se transformado num caudaloso riacho que se alargara quase instantaneamente tomando toda a extensão do terreno a frente.

Aquilo atrapalhava tudo.

Não havia sequer indício longínquo de que existisse por ali fazenda alguma. Logo, teríamos de dar a volta para alcançar a planície dourada pelas plantações de trigo do outro lado da agora gigantesca massa d’água.

Dei ordem para que prosseguissem e as Pedantes, mecanicamente, sem nem ao menos modificarem o tom de sua antífona, puseram-se a chapinhar nas terras inundadas em torno da lagoa. Aquelas mulheres eram mesmo disciplinadas.

Caminhamos sob o sol escaldante e o mormaço infestado de mosquitos daquele brejo. Nossas sandálias afundavam na lama ribeirinha e acabamos por nos cansar como se estivéssemos a caminhar nas areias do Saara e tanto mais depressa.

Instei a comitiva a parar para matar a sede nas águas cristalinas do riacho e banhar suas faces no líquido fresco de modo a reavivar as forças exauridas pela caminhada extenuante.

Os guardas, que estiveram todo o percurso a cavalo contentaram-se em apenas completarem suas botas d’água. As Pedantes por seu turno ajoelharam-se na terra fofa e alagada e levavam as mãos à água lavando os rostos vermelhos do sol e

matando sua sede. Bebemos todos e nos refizemos um pouco com a frescura da água boa do lago.

O problema é que não tardamos a nos arrepender do tal ato.

Por motivo a nós não revelado, parecia que aquelas águas tão belas e doces tinham-nos envenenado. Minutos após termos retomado a caminhada e enquanto ainda recitava suas preces infinitas uma das Pedantes simplesmente despencou por sobre suas companheiras que em sua frente seguiam.

Ao ver que uma delas havia tombado as outras preladas automaticamente interromperam sua ária sorumbática e voltaram-se todas no mesmo instante para a mulher togada que fremia e virava as vistas espojando na lama como que possuída por mil demônios.

As mulheres agiram tão rapidamente quanto os monges que nos faziam a guarda e num intervalo curtíssimo de tempo a moribunda estava sendo retirada da lama por um punhado de mãos caridosas que lhe dominavam o estertor doentio.

Colocamos a mulher, que agora desfalecera completamente, deitada sob a sombra de uma árvore a certa distância da margem do lago que acompanhávamos. Ocorre que segundos após termos aninhado a Pedante desacordada sob a umbrela do arvoredo, uma outra freira arremessou-se contra o chão coberto de palha vomitando e gemendo de forma terrível. Seus olhos viravam diabolicamente nas órbitas. A ela seguiu-se outra e mais outra, até que em instantes toda a nossa caravana rugia e embolava-se por entre as folhas como um bando de cachorros que rolassem na carniça. Só eu permanecia senhor de mim.

Imediatamente juntei as mãos crispadas tocando o nariz com a ponta dos dedos médios e submergi meu desespero em orações. No vale verdejante e vívido a luz oblíqua do sol poente esvaía-se em raios tépidos e rutilantes. Enquanto que nas sombras daquelas árvores éramos obliterados um a um por aquela força estranha.

De repente senti que me fora arrebatada a capacidade respiratória. Minhas veias incendiaram-se e meus nervos se retesaram completamente. Minha coluna hirta infeccionou-se de imediato e caí sob o arroubo da morte evidente que me convulsionava os movimentos de forma involuntária.

Sofri os rigores destes sintomas por alguns minutos e então finalmente libertei-me das garras da dor e estanquei retorcido e morto sob a sombra dos galhos que ocultavam o céu escarlate.

Até aí as coisas correram dentro de seus limites naturais. Fomos envenenados por alguma substancia oculta na água do lago maldito e em virtude disso falecemos todos. Temos uma situação triste e incomum, mas natural.

O estranho mesmo foi quando abri de repente os olhos sob o luar amarelado que se erguia refletido nas águas turvas e imóveis do lago.

Divaguei por uns momentos com a mente dormente e os pensamentos convulsionados. Um inseto que caminhava em meu rosto atravessou-me a face esquerda causando um formigamento estranho enquanto andava. A sensação me despertou imediatamente.

Joguei o animal pra longe com um gesto rápido e me levantei com dificuldade. Apoiei-me no tronco da árvore sob a qual jazi não sei por quanto tempo. Uma coruja piava.

Olhei em volta desnorteado e pensei divisar ao longe uma das Pedantes caminhando tropegamente a alguns metros de mim por entre a folhagem agreste.

Chamei-a mas minha voz não saiu. Então, como se imitasse a figura titubeante que caminhava tesa em minha frente, dirigi-me com dificuldade na direção dela. Porém, antes que alcançasse a silhueta trôpega, tropecei em algo e me projetei para frente com tal impulso que espatifei-me fragorosamente na camada seca de folhas que cobria o chão úmido.

Com o tombo percebi que estivera até então surdo, pois mina audição voltara. E com ela o alarido da estranha canção diabólica que ecoava por entre troncos sombrios e lembrava nitidamente as preces outrora entoadas pelas Pedantes durante a viagem.

Saltei de lado ao reconhecer o rosto deteriorado de uma Pedante que, caída meio apoiada numa árvore, me fitava com olhos vítreos de boneca. A pobre mulher

estava apoiada no tronco pela base do pescoço torcido em contato com a madeira escura. Sua boca, retesada num movimento obsceno, jazia escancarada e ressequida.

Reconhecendo com dificuldade a fisionomia da irmã deformada, chamei por seu nome e estendi a mão trêmula na tentativa de tocar-lhe as faces acinzentadas. Ao que o cadáver – se posso chamá-lo assim – rigidamente moveu o escalavrado maxilar que escorria a secreção dos vários ferimentos ostentados e num urro grotesco e abissal aparentemente respondeu com voz soturna ao chamado.

Recolhi imediatamente a mão estendida e me afastei daquela figura hedionda instintivamente. Foi quando senti meus dedos tocarem algo úmido e esponjoso. Recuei aterrorizado e percebi que tinha enfiado a mão na goela esfacelada de um dos Meados que seguira comigo desde aquela manhã gelada em que partimos do mosteiro. O homem estava caído de bruços com o pescoço retorcido, de modo que sua cabeça jazia virada ao contrário, tendo pela frente o que antes foram suas costas. Sua cabeça e garganta estavam dilaceradas e sangrentas, mas seus olhos moviam-se sem parar nas órbitas, como se procurassem incessantemente por algo perdido no ar.

Levantei transido de horror e disparei em direção às águas escuras do lago que refletiam serenamente o luar doentio sobre o vale infausto.

Corri noite adentro enlouquecido pelo terror das diabólicas cenas e perseguido pelo odioso hino mortuário que ressoava intermitente. Não sei de onde parti e nem onde havia chegado quando desmaiei de exaustão.

Sei contudo que acordei dias depois no quarto de uma ermida que ficava na encosta da montanha de onde descia o modesto córrego anteriormente citado. O abade disse que me havia encontrado dias antes meio-morto delirante e balbuciando frases desconexas caído por entre os arbusto que crescem nos arredores do poço que guarnece a abadia na encosta.

Contei a ele minha desfortuna. O homem riu-se da história e me deu um livro de orações e um rosário, além de me aconselhar repouso e reflexão. Acatei os conselhos do anacoreta e caminhava pelo pomar artificial que crescia na encosta durante o dia todo orando como uma Pedante. Fazia isso todos os dias. Mas naqueles

tempos estava completamente louco e achava que tinha mais de uma sombra quando saía à luz do sol ou mais de um reflexo quando me olhava no espelho.

Além disso, durante as noites em que a lua era cheia, ouvia a perversa ária distorcida das Pedantes ecoando nos corredores da ermida vinda das trevas externas ao meu quarto. Tinha suores noturnos e ouvia coisas. Algumas vezes cheguei mesmo a ver imagens trôpegas a caminhar no pátio da capela com seus movimentos rígidos dignos da monstruosidade que avistei naquele dia fatídico há meses passado.

Certa manhã porém, enquanto caminhava pelo pomar recitando minhas orações, divisei uma criatura furtiva que se movia por entre as árvores com movimentos mecanizados como os de um pássaro. Uma não, duas.

Meu coração disparou no peito e me escondi atrás de uma árvore próxima. O que significava aquilo? Será que uma daquelas bestas havia encontrado o baluarte da ermida e me seguira pelas veredas do pomar?

Esperei que as aberrações se aproximassem, e quando isso aconteceu, gadanhei um toco seco que estivera caído ao meu lado e avancei no momento em que passavam com seus movimentos demoníacos ao meu lado. Na fúria cega do horror desferi dezenas de golpes até que seus corpos inertes estivessem completamente destroçados. E ai, como ainda me reprovo por tal feito!

Quando dei por mim e larguei do porrete com que esmagara o crânio dos malditos demônios, percebi que eles não eram ninguém menos do que o abade da igrejinha e seu Meado que caminhavam tranquilamente por entre o arvoredo. Dominado pelo desespero e tomado de um arrependimento monstruoso pelo que havia feito, caminhei friamente em minha loucura até o poço onde outrora fui encontrado e sem cerimônias me atirei buraco abaixo.

Isto aconteceu um dia e meio antes da chegada dos agentes de polícia que vieram inspecionar os chamados recebidos em face das lamentações noturnas de que se queixavam moradores das fazendas próximas ao tal riacho onde houvera fenecido toda a minha comitiva.

Como o poço em que me jogara não continha água suficiente para que me afogasse, simplesmente dilacerei-me por completo, quebrei uma perna e um braço e

fiquei como morto naquela água gélida pela totalidade das horas que se seguiram até que a polícia chegasse.

Fui resgatado pelos homens do comissário que me trouxeram de volta para a cidade. E percebendo minha total ausência de razão, internaram-me naquele maldito hospício doentio, morbidamente perplexo e lânguido.

Demorei a me recuperar dos ferimentos que sofrera por causa da queda no poço. E minha mente jamais foi a mesma. Os demônios que se vestiram dos corpos de minha comitiva ainda me atormentam e posso ouvi-los rastejando no corredor entre as celas durante as noites soturnas que passo aninhado nesse cubículo nefasto a que me encontro preso. São criaturas infernais nascidas do pesadelo para assombrar a vivência dos homens. O cântico funesto que se repetia no interior do vale ainda molesta meus dias e noites.

Contudo, em que pese o grande intervalo de tempo, voltei a concatenar frases de modo lógico novamente e hoje consigo exprimir meus pensamentos de maneira compreensível. Por isso na semana passada esteve aqui um homem de cabelos cor-de-palha que dizia ser comissário de polícia querendo me fazer algumas perguntas. Seu nome era Alfredo. E por um breve momento pensei que também o conhecesse, mas me enganei.”

– Por isso estou aqui lhe dando este depoimento, senhor magistrado. E por tudo o que acabo de lhe contar, hoje chamam aquela passagem na floresta de cancela das lamentações.

Autor: Rodrigo Bispo

01/01/2019

A Charneca

Morávamos numa fazenda bem afastada da cidade mais próxima. A gleba fora nosso lar desde que me lembro, tendo nascido lá tanto eu quanto minha irmã Ana. Meus pais eram camponeses e extraíamos a quase totalidade de nossa subsistência da propriedade. Meu pai, homem forte e severo, falecera já havia alguns anos. Fora tolhido do mundo dos vivos por uma febre que levou consigo grande parte dos moradores daquela região no ano negro que marcou sua passagem.

Vivíamos uma vida mansa e sossegada.

Ocorre que um dia minha mãe foi acometida por dores lancinantes que lhe tomaram as forças e enfraqueceram seu corpo antigo. E a isso seguiu-se um acesso de febre fortíssimo que mandou-lhe de vez para o leito de seu quarto escuro.

Desesperado, temendo que a tal “calentura”, como ficou conhecida a febre que ceifara tantas vidas anos atrás, houvesse mais uma vez lançado seus tentáculos soturnos sobre nossa casa, tratei de selar um bom cavalo e, na companhia de nossos dois criados, rumei para a cidade deixando minha mãe aos cuidados de minha querida e frágil irmã.

A estrada para a cidade consistia num caminho pedregulhento e sinuoso que singrava as terras de várias famílias antes de fazer uma curva fechada para sudeste a cerca de duas léguas distante de minha casa, curva esta que ficava bem no dorso de um morro levemente íngreme.

No topo desse morro e em volta da parte da estrada que atravessava a elevação, havia uma pequena floresta de árvores empretecidas que guardava em seu coração uma charneca estéril e fedorenta que embaçava a vista com suas emanações de fumo esbranquiçado e gélido.

A estrada, infelizmente, passava em meio ao tal pântano e a vegetação que o circundava era tão crespa e fechada que não havia hipótese de travessia por outra parte que não as poças de líquido azeviche e borbulhante do charco mal cheiroso.

Devido aos supostos lamentos que se dizia ecoar dos arredores daquela mata durante a noite, o local ficou conhecido como cancela das lamentações pelos moradores da região. Sua fama a precedia e não faltavam histórias, as mais tétricas, sobre toda sorte de

malefícios ocorridos aos infames viajantes que por ali passassem quando em viagem para as urbes.

Meus criados protestaram para que tomássemos outro caminho que levasse à cidade, informando-me que na direção oposta havia outra passagem, mais distante dos medicamentos que salvariam minha pobre mãe, contudo, mais segura.

Recusei liminarmente seus augúrios e lhes disse que poderiam eles mesmos voltarem para casa e se colocarem a fazer algo de utilidade pela minha mãe, em vez de choramingarem feito crianças medrosas em momento tão impróprio. E percebendo minha ira desesperada, apesar de relutantes, não seguiram o conselho.

Sendo assim, prosseguimos os três em nosso caminho.

Adentrando a floresta escura por volta das quatro da tarde, alcançamos a charneca lamacenta pelas dezoito horas daquele dia agourento. E a julgar pela luz escassa que conseguia atravessar a copa das árvores, parecia mesmo que eram dez horas da noite.

Estávamos todos muito assustados com as formas ominosas e sinistras da vegetação que cercava o local. Por vezes meus criados chamaram-me a atenção para os supostos vultos a que se moviam por entre aquela ramagem doentia. Eu lhes censurava os sentidos afirmando que viam coisas na bruma densa que ocupava os espaços exíguos entre as árvores. Mas interiormente guardava certo horror daqueles movimentos diabólicos e apesar da vontade de evadir-me dali o mais rapidamente possível, prossegui estrada à frente afastando o medo e colocando a imagem de minhas amadas parentas em seu lugar.

Desde que falecera meu pai, avoquei-me a responsabilidade pelo bem-estar do que sobrara de minha família, pois era o único filho homem. Chegando mesmo a desistir do casório com a filha do vizinho lindeiro para que pudesse velar pela minha idosa mãe e adorada irmã. E aquele não era o momento mais apropriado para que fraquejasse em meus desígnios.

A visão do pântano era bem mais terrífica que as histórias a seu respeito. E pude sentir nos ossos a gélida sensação de solitude daquele maldito lugar. Era um lamaçal imenso entrecortado por moitas espinhosas que exsudavam fogos-fátuos num aparente padrão bizarro. Havia um cheiro de morte e podridão por toda a orla do alagadiço. Um silêncio aziago somente interrompido pelo gemido de animais desconhecidos imperava naquele ermo.

Corriam historias assustadoras de que um bando de freiras desaparecera no interior da floresta enquanto marchavam em procissão vindas da igreja da cidade. Desde então dizia-se que era possível ouvir as mulheres malditas gemendo suas desgraças quando a noite se amortalhava por sobre as árvores pitorescas.

Sendo-nos impossível seguir caminho devido ao avanço das horas e evidentes dificuldades e cansaço das cavalgaduras, tivemos de parar à entrada das terras úmidas. Os criados arengaram e mais uma vez lhes aconselhei voltar. Contudo, covardes que eram, contentaram-se em resmungar entre si e rezar enquanto montávamos nosso insólito acampamento.

Comemos as provisões trazidas em nossos alforges, encorajamo-nos mutuamente, fizemos uma prece conjunta e nos deitamos em nossos colchões de viagem sob o sereno da noite eterna que nos circundava.

O silêncio era fatal e perturbador. Algumas vezes um fogo-fátuo saltava fugazmente por entre as moitas de modo a quase nos matar de susto com aquela luminosidade doentia amarelo-azulada. Contudo, após algum tempo de vigília involuntária, acabamos sendo derrotados pelo cansaço crescente e adormecemos um após o outro, caindo num sono pesado e merecido.

Acontece que no meio da noite fui acordado por um ruído que lembrava o choro de uma criança ao longe. O lamento ecoava no vazio enegrecido do vale.

Estando mesmo horrorizado pelo som aterrador, levantei-me de um salto e procurei instintivamente pelos criados para acordá-los e me certificar de não estar ficando louco ouvindo sons inexistentes no meio do nada. E qual não foi minha surpresa ao perceber que os desgraçados haviam-me abandonado, tomando rumo desconhecido enquanto eu estava entregue aos caprichos do sono.

Praguejei em voz alta. Gritei pelo nome de um dos serviçais desaparecidos. Não houve resposta. Pelo contrário. Mais uma vez ouvi a voz infantil lamentando e chorando na escuridão.

Atravessado pela compaixão e clemência à miserável alma infante perdida em tão funesto lugar, acendi o lampião que trazia a tiracolo e arqueei a mão por detrás da orelha esquerda aprumando o ouvido. Escutei então novamente o choro que agora parecia vir de uma certa direção ao sul de onde estava. Apanhei a arma que trazia na bolsa do cavalo,

conferi a munição, calcei minhas botas e fui em direção ao som escabroso, sempre atento ao caminho para que não me perdesse em meio àquele inferno alagado.

Caminhei por cerca de meia hora atravessando o charco e ficando atolado algumas vezes, até que cheguei numa espécie de clareira onde jazia uma tapera em ruínas feita de estuque. A casinha estava totalmente às escuras e o som do choro parecia nitidamente vir de seu interior.

Fiquei meio atônito perante a visão perturbadora e enquanto piscava sem entender que sorte de lugar era aquele, me pareceu que uma figura esfumaçada esgueirou-se por sobre o telhado precário da velha tapera, indo introduzir-se na cavidade quadrada da chaminé que se erguia pouco mais de meio metro acima da superfície das telhas.

Persignei-me e toquei o punho da arma em minha cintura, esperando pelo pior. Nesse instante uma claridade bruxuleante surgiu timidamente pelas aberturas nas paredes do aposento e agora sim a voz da criança soou rouca, vindo certamente do interior da cabana. Como que acordado de repente dum sonho aterrador, joguei o medo de lado e pensando na fragilidade da alma que pudesse estar presa naquele lugar nefando, corri em direção à porta da tapera. Chutei-a e ela obedientemente voou para longe emitindo um ruído seco. Então vi sentada no meio do cômodo único uma bela menininha de olhos e cabelos negros segurando uma vela por entre mãos trêmulas.

Seus olhos escuros estavam arregalados e inchados. Lágrimas copiosas brotavam deles inundando sua face branca de expressão inocente e amedrontada.

Aproximei-me rapidamente da criança e percebi, não sem estranhamento, que ela estava muito limpa e asseada, com os belos cachos de seus cabelos amarrados por uma fita amarela na base da nuca. Bem como sua roupa, que estava limpa e alva. Aquilo tudo contrastava muito com a imundície bizarra do local.

Ante minha presença, a garotinha largou a vela que se apagou ao cair no chão e levantou seus pequenos braços em minha direção, como se urgisse por ser retirada dali.

A visão atacou meu coração preocupado e imediatamente peguei a menina nos braços limpando-lhe as lágrimas com a mão livre e perguntando-lhe o nome. Ao que a criança se resumiu a me responder esta frase:

-- A mamãe... a mamãe está morta, moço!

Sua vozinha fraquejava enquanto pronunciava as sílabas e ao término da fala enterrou sua face em meu peito caindo num pranto dolorido.

Eu não sabia o que fazer e estando emocionado com todo o ocorrido, virei-me e tomei o caminho de volta ao acampamento com a pequena pessoa no colo.

Enquanto caminhava inquiri insistentemente a menina sobre quem ela era e como havia chegado onde a encontrei. No entanto, não recebi qualquer resposta às minhas perguntas. Parecia mesmo que a pequena criança não sabia dizer nada além daquela frase exordial.

Chegando ao que antes fora meu acampamento, como chovesse um pouco, arriei o cavalo, juntei minhas coisas e mais que depressa, com o coração apertado de terror e pena, pus-me a cavalgar por entre os charcos do pântano, esporeando desesperadamente o cavalo. Ele que me perdoasse, mas tinha que nos tirar daquele lugar.

Cerca de umas três horas mais tarde havia saído da orla ominosa daquela floresta maldita e estava em direção à cidade novamente. A menininha dormia calmamente encostada ao meu abdome enquanto era sacudida pelo passo monótono e ritmado do cavalo. Agora, com a luz da alvorada refletida em sua tez pálida, pude perceber o quanto suas feições se aproximavam das de minha querida irmã quando mais nova. E por isso senti mais pena ainda da pobre garotinha, como se algo nela me despertasse os sentimentos paternais mais profundos.

Pra que se encurte o relato, basta dizer que cheguei à cidade dois ou três dias depois da aparição noturna no meio da charneca. Lá tratei de adquirir a medicação que motivara toda a minha viagem por meio de um comerciante cego de pupilas esbranquiçadas e cabelo grisalho desgrenhado. O tal vendedor disse-me que conhecia a menina quando ouviu o relato de como eu a havia encontrado. Assumiu um tom grave e afirmou ser a criança um arauto do outro mundo que trazia a mensagem da morte. Refutei as afirmações do homem visivelmente louco e me resignei a lhe perguntar pelo caminho de volta à minha região que fosse diferente daquele que cortava a floresta. O estranho homem silenciou-se por um momento e depois me respondeu calmamente por onde deveria me guiar para que evitasse os perigos da “cancela das lamentações”. Agradeci ao comerciante e lhe dei algumas moedas pela informação. O homem agradeceu e me aconselhou que passasse na igreja antes de seguir viagem e pedisse a bênção da Providência, pois iria precisar.

Esporeei o cavalo e fui embora sem seguir o conselho do louco. Não havia tempo para aquilo. Minha mãe doente aguardava meu retorno, bem como minha querida irmã.

O caminho diferente era bem mais extenso e passada uma semana de viagem avistei os contornos de minha morada ao longe. Trazia a criança encontrada no pântano comigo, pois alimentei grande apreço por sua companhia nesses dias solitários e aviltantes que passamos juntos. Mormente por suas nítidas semelhanças de comportamento com os trejeitos de minha amada irmã quando em idade tão tenra.

Cheguei em casa ao anoitecer. Apeei do cavalo apressadamente e corri em direção à entrada, quando de repente assomou minha mãe ao portal com expressão terrífica e desesperada. Seus cabelos esvoaçados. Suas feições tensas, apesar da saúde que parecia lhe ter voltado.

Ao me avistar a meio caminho da casa correu ao meu encontro segurando as pregas do vestido para que não se lhe enlameassem as bordas. E antes de me alcançar lançou os braços para o alto largando o vestido e vociferando desesperadamente:

-- Oh meu filho! Meu filho querido! Tão feliz está essa mãe em ver-te que por um momento senti meu coração desapertar no peito em virtude da perda recente que se abateu sobre essa família.

Colocando a menina que trazia no colo por sobre a relva molhada, e franzindo o cenho sem que entendesse como podia estar minha mãe tão bem de saúde não havendo tomado medicação alguma, perguntei-lhe aturdido:

-- Ora, minha amada mãe, o que se passa com teu espírito, vez que estais tão bem fisicamente? Eu mesmo já me julgava atrasado em minhas diligências pensando haver ocorrido o pior por causa de minha demora.

Neste instante minha mãe, que agora me alcançara, abraçou-me fortemente e por entre lamentos me informou:

-- Pois é porque tu não sabes que tua irmã feneceu um dia depois de tua partida, vítima da febre. E eu, amortalhada que estava, nada pude fazer que evitasse tamanha desgraça! Os criados que contigo foram jamais voltaram e vejo que contigo não estão. Guardei minhas forças para que pudesse te dar a notícia eu mesma, pois devi minha vida até agora à memória de minha filha falecida.

“Quando despertei e a encontrei morta ao meu lado, roguei aos céus para que tu voltasses a tempo de salvar nós duas e pedi ao espírito de Ana que te avisasse da tragédia, pois eu mesmo não podia fazê-lo.”

“Contudo, vendo que não fui ouvida em minhas orações, suportei o fardo da morte até que novamente te encontrasse e pudesse contar o que se passou.”

“Lamenta-te. Veste-te de luto. Tua amada irmã está morta e jaz desde o dia de sua passagem ao lado de meu leito exatamente como ficara no momento de tua partida!”

E eis que enquanto dizia essas palavras, o fôlego de minha mãe pareceu se diminuir e seu amplexo se arrefeceu em torno de mim, de modo que ao pronunciar a ultima palavra da sentença funérea, esfriaram-se de uma vez suas mãos e caiu morta em meus braços com a rigidez lívida dos cadáveres amanhecidos.

Como estivesse em choque e não pudesse sequer mover um músculo após a seqüência de fatos narrados, fui arrancado, extirpado de minha petrificação sepulcral pela estridente voz infantil que chorava e puxava a barra de minha calça, lamentando a morte de minha família.

Era o agouro daquela menininha tão parecida com a minha finada irmã, a qual encontrei na maldita charneca.

Autor: Rodrigo Bispo