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26/04/2015

Sob o Jardim - Parte X(Final)

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Estava tudo uma bagunça.

 A grama estava morrendo, coberta por caminhos de gramado marrom, seco; as rosas estavam murchas, suas pétalas apodrecidas pelas bordas, e as raízes das flores estavam cobertas de manchas negras, como se uma terrível doença tivesse atacado cada uma das plantas pela noite.

“Isso não é possível! ” Frederick gritou como cambaleando como se estivesse bêbado, em direção dos juízes, segurando um deles pela gola da blusa e derramando um líquido detestável em seu ombro.

“Quem fez isso! Eu vou mata-lo! Eu vou mata-lo! Ciganos Bastardos e imundos! “ 

Frederick espumou pela boca, enquanto as caras dos três juízes se transformaram em puro medo e aversão, assustados com a vista repugnante de um homem claramente desgastado pela tal doença.

Descontando sua raiva nos juízes, ele os perseguiu no seu jardim que se encontrava agora apodrecido e estragado. Se ele tivesse força, ele iria simplesmente matar os três, mas a doença e a dor que estavam nela, o forçou a procurar sua cama mais uma vez.

O doutor da cidade local, Dr. Miller, visitou Frederick aquele dia, mas mesmo ele não pode dizer a natureza ou causa da doença.

 A condição de Frederick parecia estar completamente errática.

Um dia sua visão iria voltar e ele apareceria tão jovem como sempre pareceu. 

Os olhos dele iriam se normalizar e ele estaria fora da cama, reduzido a ter a força física de um homem doente devastado pela idade. Ainda recusava ir para o hospital, aterrorizado pela possibilidade de a polícia encontrar evidências de que ele matou a garota. (Dos dias em que ele lentamente substituía os papéis de parede do banheiro, tirando o melhor que pode dos traços de sua vítima mais recente.)

Uma das vizinhas de Frederick, uma mulher com o nome de O’Malley, observou para o Dr. Miller que a saúde de Frederick parecia corresponder com o bizarro fenômeno que tomava conta do jardim dele.

Nos dias que ele estivesse bem, o jardim iria retornar para sua forma gloriosa com um gramado verde e um estande floral maravilhoso. 

Ainda nos dias em que ele estivesse doente, o jardim apodreceria.

Era como se os dois estivessem conectados a um laço invisível.

Enquanto Dr. Miller não podia contar com as mudanças noturnas bizarras no jardim de Frederick, ele com certeza considerou essa observação como uma mera fofoca da cidade; supersticiosa até então.

Nos últimos dias da corte de juízes da Associação Garden, Frederick ficou ainda mais doente. 

O jardim murchava como sua saúde. 

Como se os montes de grama morta virassem um acessório permanente em seu gramado, também apareceram numerosas e dolorosas manchas gangrenosas por todo seu corpo e face; enquanto as flores morriam, o cabelo de Frederick lentamente ficava mais ralo e seus dentes começaram a cair e enquanto as manchas negras tomavam conta de cada planta em seu Jardim, a força de Frederick o abandonou.

No dia em que o jardim temático de orquídeas da Patti Rossier ganhou o prêmio de jardim do ano da cidade, Frederick estava deitado, desamparado, desabilitado de mover-se de sua própria cama. 

Frágil e desprovido de sua força, que o permitiu matar tantas vítimas inocentes.

Cego, com seus olhos nublados e inúteis.

Enquanto a noite caia, algo se moveu na adega.

Primeiramente poderia ser um delírio, mas depois de um tempo Frederick soube da verdade: Alguém estava ali embaixo. 

Com cada pisada cambaleante, ele deitou paralisado pela dor enquanto algo lentamente subia as escadas da adega.

Dessa vez, ele não tinha esperança de ver o intruso. 

Não importava que a casa estivesse escura, o mundo de Frederick estava em uma permanente noite.

Enquanto o pé cambaleante fazia seu caminho com pisos incertos da porta da adega para a beira de sua cama, ele tentava gritar, mas nenhum som era produzido, nem qualquer misericórdia foi dada.

Foi o doutor da cidade quem encontrou Frederick, e o que ele descobriu naquele dia era um mistério médico. 

O jardim que ele tinha e cuidava com tanto orgulho estava sobrecarregado por um fungo negro raro, que sistematicamente matou cada lâmina de grama, cada flor, cada sinal de vida. 

A autópsia mostrou que o mesmo fungo, de algum modo, contaminou o corpo de Frederick.

Foi constatado também que ele pegou o fungo enquanto cuidava de seu jardim.

Isso o apodreceu por dentro, causando muito dano a seu sistema nervoso. Uma lenta, dolorosa e terrível morte.

Seja lá como for, não foi a presença desse quadro em seu cérebro que confundiu os doutores e também os médicos legistas. 

Eram os conteúdos de seu estômago que provocaram certo ultraje para o povo da cidade.

Dentro do estômago de Frederick, foi encontrado um dedo solitário, de uma garota jovem que recentemente desapareceu, com uma aparência notável, exceto por um incomum anel de ouro que ele usava em morte, assim como o fez em vida.


19/04/2015

Sob o Jardim - Parte IX

Clique aqui para ler a Parte VIII
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Frederick correu para a gaveta da mesinha e viu que ela havia sido forçada. Respirando fundo novamente, ele olhou para dentro dela e percebeu imediatamente que o dedo havia desaparecido. Um milhão de pensamentos passaram pela mente pervertida dele; por quê pegaram esse dedo? Ele seria chantageado? Alguém iria brincar com ele antes de deixar as famílias de suas vítimas avisadas?

Ele deveria esperar batidas na porta a qualquer momento.

Coincidências podem ser extremamente estressantes. Apenas como se o pensamento em sua mente era realidade, a porta da frente foi sem dúvidas batida várias vezes por outro visitante indesejado. 

Frederick desceu as escadas como um homem enlouquecido, agarrando o facão de açougueiro pronto para fazer outra vítima em seu estado de fúria.

Correndo direto para a porta, ele escondeu a faca, daquela preciosa vida, logo em suas costas. E abriu a porta. Parados ali estavam três rostos familiares.

Os rostos dos juízes do comitê da Associação Garden. Eles estavam ali para julgar seu jardim; no qual ele esteve trabalhando o ano todo para produzir, em sua opinião, o melhor estande de todos.

Os juízes estavam obviamente chocados com a aparência de Frederick (especialmente pelo seu olho branco esfumaçado) e enquanto ele começou com suas tentativas usuais de manipulação e persuasão dizendo que tudo estava bem, as ondas de náusea voltaram junto com uma lancinante dor no seu olho direito.

Ele tinha que voltar para a cama imediatamente.

Os juízes estavam com certeza mais que ansiosos para avaliar o jardim de Frederick sem sua presença e entenderam completamente que ele necessitava de descanso, dado a entender devido sua terrível aparência. Frederick mostrou um sorriso patético e ao fechar a porta, cambaleou para o seu quarto, não antes de abrir a janela para o permitir ouvir as opiniões dos juízes.

O pensamento de chamar um médico entrou em sua mente mais uma vez, mas ele apenas iria fazer isso quando seu lindo jardim fosse julgado. 

Nada poderia arruinar isso.

Seus membros começaram a se sentir pesados e a dor em seu olho direito estava mais que insuportável. Deitado em sua cama, novamente inutilizado, ouvindo intencionalmente o que o comitê dos juízes havia a dizer. Esperando uma avaliação brilhante e espetacular.

Algo estava errado.

Enquanto os juízes entraram pelo jardim frontal, Frederick caiu em horror enquanto eles pareciam não estar impressionados pelo seu esforço do ano. Um juiz exclamou “muito horrível” enquanto outro descreveu como “bagunça total”.

Frederick não estava entendendo isso. Como ousaram questionar o seu estande!

Com toda sua fúria, ele se empurrou para fora da cama, cambaleando em agonia para o hall e então fora da porta. A luz do sol feriu seu olho, e a dor pareceu crescer com intensidade enquanto ele passava pelo lado da casa e fora para o seu jardim frontal. 

O que ele viu o enojou.
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Continua...

12/04/2015

Sob o Jardim - Parte VIII

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Sim, era isso. Uma enxaqueca. Dolorido e doente como estava, Frederick sabia que ele tinha que esperar passar. Percebeu-se que ele deveria estar melhor o suficiente para chamar o doutor na manhã, mas então ele cogitou a ideia de haver alguém na casa enquanto haviam evidencias de suas dúvidas que ainda duravam.

 Seria muito arriscado.

Outro Rangido, mas dessa vez acompanhado por um barulho subsequente; algo familiar, um barulho no qual o Frederick havia ouvido em numerosas ocasiões, mas não em nesse contexto. Era rítmico, ainda sutil e ocasionalmente seguido por outro rangido nos tacos do chão. Dois sons que pareciam preencher a escuridão.

Então ele percebeu.

O rangido era a mudança de peso, os acompanhantes do barulho eram o arrastar de pés descalços no carpete e no chão duro. Pesados, pisoes arrastados eram como se fossem as ações de um bêbado ou sonâmbulo.

Frederick estava deitado ali, inútil. Se houvesse um intruso na casa dele, era o mínimo que ele podia fazer, ele apenas esperava que fosse tudo coisa de sua cabeça. O mínimo que ele poderia fazer era levantar sua cabeça levemente e espionar a porta aberta em seu quarto, que dava em um corredor.

O barulho de arrastões continuou lentamente, isso certamente soava muito real, mas felizmente na escuridão ele podia ver nada. Com certeza! Não havia uma única luz na casa. Não havia jeito de um intruso ver algo sem uma lanterna e se ele tivesse uma, Frederick veria ele se iluminando no corredor.
Frederick deixou escapulir um suspiro de alívio.

Ele tinha guardado, o medo de que alguém ligado à uma de suas vítimas estivesse procurando vingança. Em diversas ocasiões, ele havia se deslocado para investigar uma batida ou um rangido na casa, apenas para perceber que cada um deles era um mero som de uma normal, vazia casa à noite. Ele estava certo de que sua doença era uma mera agravação de sua insegurança.

Enquanto admirava isso, Frederick ficou ciente de que as batidas balançantes haviam cessado. Percebeu que ele estava melhorando. Sim, ele não estava se sentindo nauseoso como ele estava antes, mas ale ainda se sentia muito esgotado para se mover.

Uma boa noite de sono seria uma boa pedida.

Deitado, a mente dele começou a juntar as peças do horror da situação.  Uma luzinha passou pelas persianas, luzes da rua, que lentamente deixaram o cérebro de Frederick revirado, agora fazendo sentido com as sombras e escuridão que estavam por vir.

Havia sim uma razão para as pegadas haverem parado. No corredor, no breu da noite, alguém ficou sem se mover, encarando Frederick deitado, inutilizado em sua cama. Ele tentou um suspiro de horror, mas sua voz o abandonou, sua boa estava seca e o coração batia com notoriedade.

Ele nem mesmo pode decifrar a figura nas paredes, nem mesmo pode dizer se era um homem ou uma mulher. Uma coisa ele sabia ele sabia com toda certeza: Isso estava o observando.

Os olhos da pessoa estavam quase visíveis, foscos mas aterrorizantemente presentes; um olhar frio contínuo. Ele percebeu que o intruso iria atacar a qualquer momento, bufando contra ele, mas enquanto os minutos passavam, aquilo simplesmente continuava ali, no escuro.

De repente, aquela coisa fez um sutil ruído, porém audível. Nem mesmo uma palavra mas era como se isso estivesse tentando dizer algo. Então a coisa se virou lentamente e cambaleou escada a baixo, rumo à adega.

Ele ficou deitado por mais ou menos uma hora, olhando o corredor, esperando o seu convidado voltar para cima e acabar com ele, mas nada foi ouvido, nem um som produzido ou suspiro dado. Era como se a figura tivesse feito sua casa na frieza úmida da adega.

A dor agonizante voltou no olho esquerdo de Frederick. Tão esmagadora quanto era, que o fez levantar e ganhar sua força novamente, para esperar que seu visitante cambaleante, estranho voltasse para as entranhas da casa, ele não pode resistir à fraqueza do seu corpo; ele desmaiou.

No dia seguinte, Frederick acordou. A náusea doentia em seu estômago e a dor em seu olho esquerdo havia desaparecido, e parecia que ele havia recuperado um pouco mais de sua força – apesar de um distante sentimento se manter ainda dentro dele.

Uma nuvem enevoada das suas memórias da última noite veio à tona e enquanto a dor havia passado, as repercussões de sua doença ainda não: Ele estava cego do olho esquerdo. Contemplando-se no espelho do banheiro, Frederick era apresentado à si mesmo, com um suspiro aterrorizante. Seu olho esquerdo estava esbranquiçado, como se a cor tivesse sido completamente removida e sua face houvesse sido notavelmente abatida. Olhando para si mesmo, como se ele tivesse envelhecido dez ou quinze anos pela noite.

Em pânico, ele precisava de ir ver um médico o mais cedo possível, e sela lá como fosse, ele deveria usar uma gaveta para colocar o dedo da garota que estava ainda trancado numa outra gaveta na adega.
Com certeza, a adega.

A memória da figura cambaleante no corredor voltou, e Frederick se encontrou relutante para ir para o andar de baixo. E se aquela coisa ainda estivesse ali? Esperando. Esperando por ele?
Após tomar um banho e se vestir (claro que com algumas dificuldades, de se acostumar com a perda da vista de um olho) ele ficou ciente das marcas no chão. 

Marcas inequívocas de terra, arrastadas pelo carpete e chão. Agora ele sabia, que a última noite não foi uma alucinação; Alguém havia entrado em sua casa. Alguém havia o assistido, deitado em doença por alguma razão desconhecida, e então se escondera na adega.

Será que ele havia sido envenenado? Aquilo explicaria tudo. Ele deveria mostrar para seja lá quem fosse que estivesse lá em baixo, que ele não era um homem de brincadeiras; mesmo com um olho só ele era mais perigoso que qualquer um.

Ficando no topo das escadas da adega, Frederick segurava uma grande faca de cozinha em uma mão e uma tocha de prata metálica na outra. Ele não era acostumado a sentir medo – outra coisa era o medo de ser pego – mas Frederick estava cheio de apreensão. Não só para o que o esperava abaixo, mas também para o que ele iria espreitar. 

Que tipo de doença ou veneno seria esse?

Respirando bem fundo, ele lentamente desceu as escadas, a luz da lanterna iluminando o chão de pedra e as paredes com tijolos acinzentados. A adega era o único lugar que poderia ser considerado bagunçado na casa de Frederick, com peças não usadas de móveis desarrumados e espalhados em volta do grande chão espaçoso. Isso era combinado com as pilhas de lixo e papéis que faziam dali o lugar perfeito para um macabro jogo de esconde-esconde.

Frederick não estava satisfeito.


Após 15 minutos de difícil exploração, ele estava finalmente satisfeito que o intruso deva ter deixado o lugar após passar por lá. Escumar os conteúdos da adega uma última vez com a luz circular amarela emanando de sua tocha, duas marcas no chão, soaram como não familiares para ele. Aproximando-se delas, rapidamente, ficou claro o que elas eram; duas pegadas enlameadas paradas em frente a uma velha e ornamentada mesa; a mesma mesa que continha o dedo apodrecido da garota cigana.
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Continua...

Sob o Jardim - Parte VII

Clique aqui para ler a Parte VI
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Para piorar os problemas, faltavam apenas poucos dias antes dos dois juízes chegarem, enviados pela Associação Garden, que poderia vir para avaliar o seu display, e era exatamente o que o Frederick não precisava.

 Ele tinha que ganhar aquele prêmio!

O dedo estava numa gaveta trancada, na adega. Logo quando a polícia tinha saído, Frederick correu pelas escadas, abrindo a gaveta e acariciando agora o dedo pálido, enrolado naquela lasca de ouro. 

Segurando o dedo em sua mão, Frederick estava surpreso pela mudança em sua aparência. Ele sabia que o corpo humano passa por uma série de mudanças enquanto apodrecia, mas era sinistro; o dedo agora parecia ser de uma mulher velha. Além do mais, o anel que teimosamente se agarrou à mão (sua antiga proprietária) agora se soltou com facilidade.

Segurando em suas mãos, persuadido pelo pensamento no valor emocional para a garota, Frederick sabia além de todas as dúvidas, que ele precisava manter o anel. A casa era muito perigosa para esconder o anel, mas percebeu, apenas percebeu que enterrá-lo no jardim iria providenciar obscuridade suficiente por enquanto.

Sim! Quão agradável era pensar em seu lindo jardim, nas rosas, nos cravos, no vibrante gramado verde, sendo novamente indicado pela associação como o melhor da cidade inteira e servindo o tempo todo como moradia daquela relíquia, a mais recente conquista de Frederick.

Passeando pelo jardim, com a espátula na mão, ele respirou os aromas e prazeres entorno da sua tomada de decisão, refletindo esconder o anel entre as rosas dele. Luxuosas e vermelhas, parecia o lugar perfeito para fazer isso.

Cavando um buraco pequeno entre dois ramos, Frederick colocou o anel na terra antes de voltar para casa.

Ele havia a intenção de descartar o dedo da garota imediatamente, mas prestes a fazer o caminho para casa, Frederick sentiu uma sensação completamente desagradável. Andando pelo seu corredor, um sentimento distinto de náusea começou a impregnar seus sentidos.

Com cada passo em sua casa, o desconforto incrementou-se na intensidade, e antes do Frederick saber o que estava acontecendo com ele, ele desmaiou em sua cama, preenchido pela doença e uma dor fervente em seu olho esquerdo.

A escuridão caiu, e a doença do Frederick era agora tomado por um sentimento cercado de fraqueza.

A noite crescia pesado e apesar dele ter acordado várias vezes, ele estava impossibilitado de deixar a cama. Ele passou ali o breu da noite, paralisado pela doença. Era como se os membros dele fossem feitos de chumbo e como se ele não possuísse força suficiente para os levantar.

Adormecendo e sem consciência, Frederick começou a ponderar o pensamento aterrorizante de que ele pudesse estar morrendo. Enquanto ele descansava ali contemplando a ideia indesejável, um som veio de algum lugar na casa, tomando sua atenção. 

Um rangido, com certeza um rangido nos tacos do chão. Frederick rapidamente concluiu que ele estava delirando e que o som que encontrava seu caminho pela escuridão, era de fato uma alucinação.

Era isso certamente. Talvez uma intoxicação alimentar ou talvez uma enxaqueca espontânea.

Sim, ele havia ouvido de um garoto no seu tempo de escola, que os doutores “acreditaram” que estava morrendo, apenas para ele se recuperar em questão de dias. Os doutores estavam convencidos de que havia sido uma enxaqueca aguda espontânea, e que o seu corpo havia entrado em choque devido a dor, parcialmente desligado.
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Continua...

05/04/2015

Sob o Jardim - Parte VI

Não leu as outras partes? 

Parte I
Parte II
Parte III
Parte IV
Parte V
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Frederick estava aterrorizado.

Então, como se fosse um farol de esperança, seu carro apareceu, apesar de parecer estar no meio do mato. Fazendo seu caminho em direção ao carro, o barulho e a luz atrás dele pareciam segui-lo, mas sua leve mudança de direção o providenciou algum tempo.

Após passar pela fileira de árvores, finalmente Frederick havia chegado no carro. Enquanto destrancava a porta, ele se atrapalhou com as chaves, que caíram no banco do motorista. A luz agora estava na estrada e ele freneticamente se jogou para fora para pegar a caixa que ele deixou do lado de fora.

 Ele teve um vislumbre do que vinha em frente. Parecia como pontos de luz das quais você espera vir da frente de um caminhão, mas uma forma por trás da luz se contorcia e movia anormalmente. Algo motivado, algo com forma, mas certamente não tinha feitos humanos.

Seus grunhidos ecoaram pelas árvores, de um jeito no qual Frederick sabia: Essa coisa estava o caçando.

Arremessando a caixa no banco de trás, ele encaixou a chave com força na ignição e começou a dar ré o mais rápido possível pela ladeira. O carro se desviou e derrapou no lodo, enquanto descia colina abaixo, muitas vezes quase saindo da estrada e caindo em uma das muitas valas.

Se isso acontecesse, seja lá o que aquilo fosse, estaria em cima dele.

A luz agora estava a apenas poucos metros e enquanto ela se aproximava, Frederick pôde sentir um calor intenso vindo dela. O barulho, agora confirmado não ser de um motor de carro, era um ensurdecedor som de fúria e ódio, de metal sobre metal ou unhas sobre a lousa. Enquanto o furor crescia e a luz se intensificava para um estado de cegueira, Frederick começou a chorar, chorar como um bebezinho.

Mas ela já havia escapado.
O carro girou até chegar na estrada, pois, quando ele entrou, ele pisou fundo no acelerador, indo em direção à cidade o mais rápido que ele podia.
Quase delirado com o medo, Frederick correu para casa. Ele não ligava sobre dar atenção para si mesmo, ele só queria estar seguro em seu próprio lar, em seu próprio mundinho. E ele já estava lá.


Uma vez que ele arrumou um drink para si mesmo, e depois de se alto perseguir, negando a existência da luz sobrenatural no meio do mato, a sala de estar, o corredor e o banheiro trouxeram um nível de sobriedade para sua mente. Nas próximas três horas, enquanto ela alvejava o banheiro e esfregava os tapetes nas salas referidas, Frederick se tocou de que era um encontro estranho que foi inteiramente devido ao estresse da situação.

Era isso; estresse. Puro e simples estresse. Ele amaldiçoou o momento que ele passou os olhos na garota, mas enquanto condenava a existência dela em tom baixo, ele se confortou sabendo que ao menos ele possuía o anel. 

Aquele anel que ela amava, tomado à força. Amado por seu assassino. Por alguma razão o anel o mostrou isso. Ele demonstrou grande prazer em saber que ele não tinha apenas brutalmente assassinado uma garota cigana (um grupo de pessoas que ele tinha grande desdém), mas ele possuía algo que significava uma grande coisa para ela e possivelmente para família dela, e isso o fazia muito feliz. 

Ele apenas desejou que pudesse estar lá quando os pais dela ficassem sabendo que ela estava morta. Para ver suas caras; para Frederick isso seria o êxtase.

Com esse pensamento em mente, ele dormiu muito bem naquela noite.

No dia seguinte, apesar de tudo, os maiores medos de Frederick se tornaram reais. Naquela tarde, outra indesejada e inesperada batida em sua porta: Era a polícia. Eles estavam fazendo uma pesquisa interrogatória, perguntando se alguém já havia encontrado a garota, que foi vista pela última vez por um dos vizinhos de Frederick, levantando fundos na rua deles.

Ele atuou bem, apesar de tudo. Ele mostrou grande afeto pela “pobre garota” e ainda perguntou se ele poderia ter uma foto dela, para organizar a vizinhança local para ficar atenta e fazerem cópias, postando elas em volta da vizinhança.  A polícia caiu nessa.

Frederick estava se deliciando com tudo isso.

Mas esse prazer não durou muito. Dois dias depois, a polícia veio chamando novamente. Felizmente, Frederick havia substituído os tapetes e alvejado o banheiro dessa vez, então pareceu que nada havia acontecido, mas ele podia dizer que a polícia estava curiosa. Eles pediram para entrar, o qual Frederick o fez (por obrigação), e após poucas perguntas, saíram.

Percebia-se que eles queriam ver dentro da casa de todo mundo na rua como se fosse o último lugar que ela pudesse estar, mas Frederick não podia dar nenhuma pista, e uma das policiais, uma mulher chamada McClellan parecia estar muito interessada na casa dele.

Ele não tinha escolha a não ser levar seguir com seus planos e substituir a suíte e todos os outros itens que a garota chegou a ter contato. Se a polícia terminou executando uma investigação assíncrona pela casa, ele tinha de remover a possibilidade de encontrarem qualquer coisa. Mas para o desgosto de Frederick, isso certamente tinha de incluir o dedo, mas o que ele mais considerava, era que ele tinha de manter o anel com ele.

 Era com certeza uma ação perigosa, mas tinha algo mais profundo que parecia o direcionar a fazer isso. Infelizmente ele não foi capaz de separar o dedo do anel e esteve preocupado com as vendas dos velhos carpetes, tapetes e a cadeirinha de balanço. Essa preocupação o fez cobrir tudo com alvejante.

Todo e qualquer vestígio de que a garota esteve ali havia de ser apagado.



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Continua...

29/03/2015

Sob o Jardim - Parte V

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O solo estava difícil de ser escavado, preso junto às raízes e ervas daninhas, mas com cada pá cheia de terra e folhas caídas, essa dificuldade já não era o problema principal de Frederick; que tinha um minucioso pensamento de ter esquecido algo importante que continuava voltando e voltando à sua mente.

Depois de mais ou menos uma hora, o buraco já estava fundo suficiente, e ele esvaziou a caixa com o torso dentro dele, seguido rapidamente pelas pernas, cabeça e braços. Encerrando seu trabalho manual, Frederick estava muito satisfeito, e enquanto sorria de canto a canto revivendo o ecstasy de matar e cortar a garota em pedaços, em sua mente, ele de repente percebeu o que ele havia esquecido.

Descartando juntamente com as várias partes do corpo, havia uma mão, e naquela mão estava o anel da garota.

Ele estava aliviado. Isso era o que estava o preocupando, ele havia esquecido algo importante, mas era apenas desejo por aquele anel. O desejo de ter algo que aquela linda garota era tão apegada. De alguma maneira aquilo o excitava. A profanação de quaisquer memórias ou sentimentos que aquele anel significava para ela; agora guardado por seu assassino.

Mas era arriscado, ele nunca havia feito isso antes. Guardar memórias era um erro, ele sabia disso. Ele sabia que inúmeros assassinos foram pegos por esse motivo, mas sentar ali naquele buraco enlameado, como se acenar para ele fosse uma joia de pequeno valor na qual ele simplesmente não poderia resistir. Em fato, a vontade de possuí-lo era quase tão boa como a vontade que ele sentiu em matá-la; era incomum, mas Frederick estranhamente dispensou essas preocupações.

O buraco brilhava sob a luz da lanterna, e ele pensou para si mesmo por um momento, que isso apareceu como se fosse novo, longe de sua desgastada e desvalorizada impressão inicial de volta a sua casa.

Ele tinha que obtê-lo.

Pulando no buraco, ele pegou o dedo e agarrou gananciosamente o anel. De novo e de novo ele girou e empurrou, mas ele não saiu. Enquanto ele puxava e apertava e contorcia e forçava com todos seus esforços para tirar o anel, algo o chocou. Era o medo de ser descoberto que foi produzido por um som familiar: Um carro estava sendo dirigido por perto.

O que soou como um grunhido contínuo de um poderoso motor, acompanhada do som de rodas no chão, estimulou Frederick a tomar uma ação. Segurando a pá em sua mão, que tinha um tom de branco sedoso, ele decepou o dedo, não o separando do anel.

Guardando o dedo com o anel ainda preso, ele cambaleou para fora do buraco e começou à o encher, cobrindo o restante da garota o mais rápido possível. O barulho de motor ficou mais alto como se parecesse vir de uma direção indecifrável; ele simplesmente não podia imaginar de onde o veículo estava vindo, talvez houvesse alguma estrada por perto na qual ele não estava ciente.

Aquele som soava como se um caminhão poderoso e feroz escavasse mais perto e mais perto, finalmente a luz vazava-se pelas árvores, iluminando os feitos suspeitos de Frederick.

Faróis!

Mais e mais perto!

Os troncos agora estavam num tom de luz branca luminosa, na qual temporariamente deixaram Frederick se sentindo cego, mas apesar da proximidade óbvia, ele ainda não podia entender de onde ela estava vindo. Era como se a luz estivesse surgindo densamente das árvores, na qual o som de galhos, arbustos e ramos, arfando e rachando como se eles dessem um jeito para o veículo ter uma invariável força bruta.

Agora ele se encontrava correndo, mas não antes de pegar os pacotes, arremessa-los e guardar a pá dentro da caixa. Seu carro agora era um disfarce. O monstruoso barulho do motor agora estava sobre ele e a luz ofuscante certamente veio de apenas poucos metros, por trás.

Era isso, ele havia sido pego.
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Continua nos próximos domingos...