30/07/2019

Acompanhantes

A porta deslizou. Esse maldito som. Todos sabiam o que acontecia após o som, era hora da chegada. Eles vinham, ligavam suas máquinas, faziam suas coisas inúteis e partiam. Até esse momento não podíamos fazer muita coisa, nossa presença não era desejada. Com isso, o tédio era dominante.

Pouco antes da partida, tínhamos um debate. Qual de nós iria acompanhar? Quem seria o acompanhado? Todos os dias, a mesma rotina. Como amávamos essa rotina. O prazer de acompanha-los era gigantesco, mas não era permitido que mais de um fosse acompanhado. Às vezes tínhamos êxito em burlar a regra, mas caso fossemos descobertos por nosso superior, éramos banidos. Ninguém queria sair dali, então o mais comum era seguir o procedimento. Um por vez.

Quando o acompanhado era recém-chegado, o processo era ainda mais prazeroso. Toda aquela inocência, a euforia de estar ali, de ter conseguido chegar ali. Pode não parecer, mas as pessoas ansiavam por serem inúteis. A concorrência era gigantesca, era comum ver os candidatos esperando nervosamente, entrando na sala proibida e saindo um pouco mais relaxados, como se a parte mais difícil tivesse passado.

Engraçado mencionar que havia uma sala proibida. Proibida logo para nós, quem teria esse poder, não é mesmo? Porém, segundo o superior não podíamos interferir naquela sala. Ela era parte essencial para que todo o projeto seguisse corretamente, para que não pudéssemos atrapalha ar a sequência natural da escolha dos acompanhados. Era decidido quem entrava e quem saía, tudo naquela sala gélida e sem graça.

Seria difícil escolher quem foi o meu melhor acompanhado se não fosse por ela, a acompanhada número 2506. Não era possível saber o nome de nenhum, apenas o código de registro. Era sua primeira vez, nunca havia visto tanta empolgação em um invólucro de carne. Meu trabalho foi difícil, tive que encontrar um novo meio para execução. Tive que plantar felicidade, os outros caçoaram de mim quando contei. Entretanto, eu sabia que o resultado seria positivo.

Todos nós acompanhávamos com um único objetivo, não só naquela localidade, mas em qualquer outra, o objetivo era o mesmo. Estávamos naquela há 22 anos e nenhum de nós havia sido capaz de conquistar nosso único propósito, era divertido sem a menor dúvida, mas a cobrança do superior estava nos deixando apreensivos. Era comum que muitos nunca conseguissem alcançar nosso objetivo com todos os acompanhados, mas em muitas outras localidades a taxa de sucesso era de 42%, enquanto a nossa era 0%.

Não teríamos resultado algum se não fosse por ela, ela nos forçou a melhorar. Nos primeiros acompanhamentos, muitos reclamavam dos frutos que não estavam sendo colhidos por nós sobre ela. Até que chegou minha vez. Fiz minha presença se tornar quase imperceptível, como se nada a acompanhasse. Fiz que ela tomasse decisões pensando que a faria feliz. Aos poucos ela foi afastando aquele sentimento do coração dela. Aquele que nós abominamos. Cresci sobre ela com a ambição de fazer o melhor para si. Seu relacionamento desmoronou, para o bem dela. Seus pais se afastaram, para o bem dela. Sua arrogância sucumbiu sua humildade.

Eu era alvo de piadas, me tornei o acompanhante exclusivo dela, por pura chacota. Era falado que ela estava se tornando cada vez mais um de nós e que iria me engolir. Não passava uma única sombra de preocupação sobre minha cabeça. Eles estavam esquecendo que estávamos lidando com humanos, humanos são frágeis e sentimentais.

Em menos de 3 meses, os resultados começaram a surgir. A saudade do seu verdadeiro amor, a percepção que sua família se fragmentara, a dificuldade financeira devido a separação dos pais, a arrogância refletindo em seu ambiente de trabalho.

Não vou dizer que ela foi fraca, não. Ela teve fibra, ficou 26 meses aguentando o inferno em sua vida. Foi abraçada pela Depressão, ela é a pior de nós, sabe? Não estávamos obtendo sucesso em fazê-la permanecer, mas com o meu novo processo ela perdurou, até o alcance de nosso único objetivo. Adicionamos mais uma alma ao nosso superior.

Ele era uma coleção maravilhosa de almas devastadas, que se perderam dentro de si mesmo. Desorientações caudadas por nós. O problema dos humanos é que eles sempre atribuem a culpa a própria espécie. Nós estamos em todo lugar, levamos às vezes anos para que nosso objetivo seja alcançado, mas não falhamos. Uma hora ou outra, um ser ou outro, chegam até ele.

Autor: Canton

23/07/2019

Masha é o orgulho delas

Desde pequena, Masha sempre aprendeu a valorizar suas raízes e costumes originários da sua vila de origem, no frio e pacato leste europeu. O clima gélido não tornava sua vida algo fácil de se lidar, principalmente a considerar que ela e sua família passavam muitas dificuldades financeiras. Esta era composta por sua sábia e velha avó que quase nunca saia de sua casa e seus pais, um forte homem nativo da região e uma estrangeira que pouco dominava o idioma de sua família atual. Apesar dos anos de convivência, não entendia bem gírias e dialetos locais.

Os três mais novos da casa tinham de trabalhar durante quase todo o dia em serviços braçais e de remuneração razoável que fosse suficiente apenas para sustentar a família toda, apesar de casualmente passarem dificuldades como falta de higiene básica e fome por alguns dias, o que era um grave problema principalmente no inverno, quando os mais miseráveis e fracos, como bebês, idosos ou moradores de rua, não tinham chance de sobreviver, muitas vezes, virando apenas mais corpos a serem entregues para a terra. A avó de Masha, no entanto, sempre a ensinou a forma de viver ao menos de estômago cheio em um lugar como aquele.

Apesar das dificuldades, os pais da garota sempre tentavam guardar o mínimo de dinheiro no cofre escasso e deprimente da família, além de estimular que ela fizesse o mesmo com seu curto salário, para assim, conquistar um futuro melhor. Os três se dedicavam totalmente às suas obrigações.

Foi durante anos de trabalho duro em que Masha tornou-se fiel amiga de Bohuslav, um rapaz de sua idade, com um olhar de quem vivia em função do sustento da família, assim como a moça.

Com o passar dos anos, Masha e Bohuslav prometeram-se apaixonadamente um ao outro e juraram que conseguiram construir uma vida feliz e instável longe daquela vila aonde eram tão explorados por comerciantes que, apesar de não serem de uma alta elite, já encontravam-se em posição hierárquica superior a de seus trabalhadores, tornando-os assim, presos à vidas miseráveis enquanto se mantivessem ali.

Ambos juntaram suas economias de longa data e tiveram de se preparar para se despedir de suas respectivas famílias, já que estavam rumo à Rússia. Antes de partir, a jovem calorosamente abraçou sua avó e agradeceu por todos os bons momentos e ensinamentos que tivera. Disse que voltaria para ajudá-los e vê-los, caso conseguisse obter melhorias financeiras no novo país, mas prometeu que manteria consigo aquilo de mais importante que ganhou durante toda sua vida: suas raízes.

Passaram-se os meses e o casal teve que lidar com a dura realidade do fracasso. Ambos investiram dinheiro demais em toda sua mudança de vida, mas não possuíam empregos bem remunerados e de condições justas. O inverno foi chegando e Masha lembrou das dificuldades enfrentadas pelo seu pobre povo

do vilarejo, temendo acabar igual a eles, mas apenas em um endereço diferente, desta vez. Com saudades de casa, decidiu contatar sua família.

Cerca de alguns dias depois, a mãe da moça recebeu em casa uma pequena caixa, com um envelope grudado logo acima do papel branco que a recobria. Seu marido estava fora de casa e ela não pôde conter a ansiedade para ver o quê sua filha havia lhe mandado, portanto, logo chamou sua sogra para perto da lareira e abriu o envelope.

Havia uma carta de desabafo. Masha havia escrito sobre as dificuldades financeiras, mas não quis parecer abalada em suas palavras, apesar de demonstrar sensibilidade quando expressou a saudade que sentia. Falou sobre como seu casamento estava, apesar de qualquer dificuldade, ficando cada dia melhor e, por fim, deixou apenas uma frase, que fez com que ambas as senhoras que estavam lendo a carta, ficassem rubras.

“Bem... isso que está na caixa é pra mostrar que... há um baby no forno!”

Sua mãe ficou muito animada ao ler a frase, pois lembrou-se que, em seu país de origem, dizer que um bebê estava no forno era como ter um pãozinho crescendo, ficando lindo e formado. Se emocionou ao lembrar de como tentava usar essa analogia para explicar à sua filha sobre como os bebês cresciam na barriga e logo abandonou a carta.

A mãe de Masha agarrou a caixa, rasgou o embrulho e a abriu, vendo um par de sapatinhos de bebê. Seus olhos marejaram ao imaginar sua filha gestante. Ela nem mesmo reparou em como sua sogra estava quieta, com um singelo sorriso em seu rosto. A idosa também encarou os sapatinhos, com muito orgulho de sua neta, sem conseguir evitar que um pensamento viesse à sua mente.

“Eu me sinto muito orgulhosa, minha jovem Masha, por ter lhe ensinado a nossa cultura, tão bonita e tão útil... principalmente nos dias difíceis de inverno”.

Autor: NekoG

02/07/2019

Ele me ignorou essa tarde

Eu sou uma pessoa anti-social. Sou o que você chamaria de antipática, sou tão "antipática" que só tenho um amigo em todo A minha escola...

Nós costumavamos andar juntos nos corredores da escola, sempre conversando sobre jogos ou sobre alguma música que havia chegado ao topo dos sucessos da Rádio Meridional FM. Como crianças normais, nos não costumávamos chegar atrasados na escola.

Mas uns dois dias atrás meu amigo, Matheus, chegou as 14:30 (o que não era normal vindo dele) sendo que nossa aula começava as 13:20. Naquele dia ele estava pálido,muito, muito pálido. Implorei pra professora de Ciências deixar eu ir me sentar ao lado dele, depois de muita relutância a respeito de meu pedido ela deixou. "Vá Lorena ,vá mas não o incomode. Ele tem muita matéria perdida pra copiar dessa 1h e 10 min perdidos de aula. Aproveite e dê o caderno pra ele." Ela disse no meio de uma risada rouca, forçada.

Fui pro lado dele e perguntei o que tinha acontecido "N-nada!" Ele disse isso com uma voz trêmula (a voz que ele fazia quando estava triste ) "Não. Não pode ser nada. Você está escondendo algo eu vou saber o que. De qualquer maneira." Pensei comigo mesma. Peguei meu caderno de português e indelicadamente joguei ele na mesa, peguei uma caneta e escrevi um bilhete. Como sempre assinei com meu nome seguido de uma ☆ pois pra mim as estrelas eram símbolos de veracidade. Coloquei o papel em sua mochila.

Depois do que pareceu uma eternidade, finalmente a aula terminou e ele saiu correndo gritando como um louco "AMANHÃ É SÁBADO!" Mas a voz de Matheus ainda estava tremula... Não o segui, apenas fui pra minha casa. Se ele ler o bilhete ele vai vir me procurar...

Depois do café fui pra sacada com o meu "Caderno de Fanfics" à mão, mas a única coisa que eu consegui escrever foi um poema

"Matheus...
Seus olhos verdes me fazem delirar quando penso em você, então.
Muito mais que um amigo, tu é a minha paixão.
Amo quando me da a mão enquanto andamos...
Pelos coredores da escola.
Amo quando nos escondemos e deixamos a hora passar...
Com a certeza de que ninguém irá nos encontrar."
"Ass: Lorena ☆"

Sei que deve estar achando que eu sou algum tipo de Yandere, que mataria à todos pra poder ficar com o "Matheus-Senpai"... Mas, acredite, eu não sou.

Como o esperado ele leu o meu bilhete e ficamos conversando até tarde sobre o nosso plano.

SÁBADO:

Ele me encontrou no beco como sempre, conversamos e ele disse que estavam o machucando, perguntei quem é que estava o machucando. Ele respondeu "Minha vida. Ela está me tentando. Quero partir..." ele sussurrou a última parte. "Você quer deixar a cidade?" Perguntei tentando enganar a mim mesma. "Não. As pessoas me dissem coisas ruins, sabe? Eu finjo que não me importo... Mas dói... Dói aqui." Ele levou minha mão até seu peito, bem onde fica seu coração. Nesse ponto eu já estava vermelha, com as lágrimas caindo de meus olhos quase que sucessivamente, entre soluços eu disse "O que você vai fazer?..." depois de minutos repletos de um silêncio perturbador, ele finalmente disse "Eu não sei... Eu vou embora..." gritei ainda chorando "FICA!!! Eu te amo. Não faça o que eu acho que você vai fazer!" Ele disse se levantando "Você vai ficar melhor... Eu acho. Se cuida, tá?" E assim ele foi embora...

DOMINGO:

Me acordei só pra ter a notícia de que ele tinha se matado.

Depois disso fui pra casa dele onde eu achei a mãe dele, Thaís, chorando desalmadamente na sala. Vi ela pela janela. A porta lentamente abriu e eu entrei, comprimentei os pais dele e subi escada acima. Entrei no quarto dele... Para a minha sorte, ele tinha escrito uma lista de pessoas. Pessoas que tinham o machucado (física e mentalmente) em toda a sua vida. Peguei a lista pra mim. Sai da casa dele, decorando todos os nomes da lista.

Entrei em casa correndo, me dirigi a cozinha, agarrei o primeiro objeto que achei: Uma faca.

"APARTIR DE AGORA: Quem estiver com o nome incluso nessa lista, irá morrer pelas minhas mãos!"

Peguei algumas roupas e sai, a procura do primeiro nome:ANA CLARA.

SEGUNDA:

Depois da aula, chamei a tal ANA CLARA pra ir até um galpão abandonado nos campos. Como ela ama (ou devo dizer: Amava?) aventura foi fácil a atrair pra lá.

Agora, nesse momento estou terminando de juntar os olhos dela do chão.

NOTA:

Você que está lendo! Se seu nome estiver na lista. Bem... Prepare-se pra ir visitar o MEU galpão!

Autora: E. E.

25/06/2019

O Mendigo da Vila Boa Fé

O meu preconceito com mendigos não surgiu do nada. Se bem que, preconceito não seria a palavra certa. Eu diria... que é um medo que deu origem ao meu ódio por estes monstros que não possuem um lugar onde possam ser enterrados. As pessoas me julgam e dizem que sou um lixo humano por causa desta minha forma de pensar. O problema é que poucos tem conhecimento de mim...

Quando criança, eu era dotado de um caráter dócil e exageradamente humilde. Quem moldara a parte doce de minha personalidade foi minha mãe, uma jovem dona de casa que sentia prazer em servir o meu pai. Bem, pelo menos era impossível ela não sentir em não ser punida pelo temperamento de meu pai, atiçado pelo álcool. Meu pai possuía uma lavoura de fumo a um quilômetro da casa onde morávamos, em um local esquecido no sul de Santa Catarina. Todas as noites, o meu pai chegava do trabalho e toda a sua angustia alcoólica era descontada em minha mãe. Ele a empurrava para o quarto, fechava a porta e era possível ouvir os gritos de minha mãe. No dia seguinte, ela aparecia com hematomas bem visíveis, embora ela tentasse os esconder de algumas visitas.

O grande desafio de minha infância era uma lenda tradicional do local, que o meu pai fez questão de me dar conhecimento. A lenda popular dizia que uma encarnação do demônio Ubezeleb né forma de um homem sem teto, negro e mal vestido que se alimentava da carne de crianças que ousavam aventurar-se pelos campos depois das sete horas. A lenda era famosa na comunidade. Os sermões de todos os parentais da vila eram claros: depois das sete horas da noite, toda criança na faixa dos cinco e dez anos não deveria circular pela vila.

Certo dia, enquanto brincava com um carrinho de madeira de brinquedo que a minha mãe havia feito, acabei entrando em terreno desconhecido. Escutei uns gritos de agonia. Com medo, corri para casa, mas os meus pais não estavam em casa. Fui desesperadamente para a lavoura de fumo aonde o meu pai trabalhava, mas não o encontrei. Ouvi novamente os gritos. Pareciam ser os gritos de uma mulher, a voz era parecida com a de minha mãe. De uma hora para outra, os berros pararam. Corri o máximo que pude até o terreno desconhecido e me deparei com a cena que até hoje me assombra: a cabeça de minha mãe, com os olhos esbugalhados, cheia de sangue, jogada em uma valeta qualquer. Ao lado, havia o que parecia ser a cabeça do mesmo mendigo da lenda que meu me contara. Era a cabeça negra de um ser iluminado. Entrei em desespero e gritei alto. Corri para casa chorando de desespero. A uma certa distância, o meu pai estava voltando para casa. Eu estava tremendo e logo, acabei contando tudo à ele. Ele tentou me consolar. A notícia se espalhou pela vizinhança. O funeral foi realizado, mas o resto do corpo de meu pai nunca foi encontrado. Todos falavam que o demônio em forma de mendigo que assombrava a vila estava morto.

Uma semana depois, em um fim de tarde de segunda-feira, cheguei de mais umas aventuras pela vila e encontrei uma panela no fogão. Eu estava faminto. Rapidamente, peguei um prato e me servi. Era uma carne macia com um molho apetitoso. Enquanto comia, o meu pai chegou em casa. Curiosamente, ele não estava bêbado. Mas estava com um sorriso malicioso.

– Como está a comida que preparei? –Perguntou ele e eu apenas sorri infantilmente com os dentes sujos. –Sabe que carne é essa? Ela é especial. É uma mistura peculiar do demônio em forma de mendigo que tinha relações com a sua mãe e ela mesma. Eu guardei está carne por dias. Aproveite o rango. – Dito isto, ele se retirou da sala de jantar.

O pior é que, apesar de estar ciente de tudo, eu repeti, pois estava faminto. Naquela noite, eu tive uma congestão e regurgitei todo o peculiar jantar que o meu pai me preparara.

Autor: Gustavo Silper

18/06/2019

O Fantasma Chorão

Eu o vi nascer.

Incrível, já nasceu chorando. Eu sei que todos choram, mas ele chorou mais que o normal, acredite. Quase 30 minutos interruptos de chororô.

Então, ele cresceu. Saudável, obediente e bunda mole. É sério. Raros eram os dias que o garoto voltava da escola e não estava chorando porque alguém implicou com ele ou algo do tipo.

Cresceu mais, e logo passou a chorar pelas primeiras desilusões de amor. O primeiro fora, esse sim foi triste, eu quase chorei junto também. Mas ele superou, todos superam.

Um dia, ele conheceu uma garota e por ela se apaixonou como nunca se apaixonara por ninguém. O garoto se declarou pra ela, e quando ela disse que amava ele também, ele chorou que nem quando era um neném. Vai entender.

Anos depois eles casaram, e ele, claro, chorou.

Tiveram filhos, dois. E eu sinceramente não sabia que um ser humano podia produzir tanto líquido pelos olhos. Provavelmente foi algum tipo de recorde, nas duas vezes.

Ele nunca parou de chorar. Festas em família, aniversários, natais, todos eram grandes festivais de lágrimas. Mas era um homem bom e feliz.

Até que um dia ele pôde sair mais cedo do trabalho, quase chorou de felicidade, mas ao chegar em casa, encontrou sua mulher com outro homem no quarto. Bom, essa parte eu não vi direito. Pra ser sincero, fiquei com um pouco de vergonha alheia e não quis assistir o que poderia acontecer. Depois de algumas horas eu voltei e ele estava lá, chorando, encostado na porta do quarto, sozinho.

Eu o vi pegar uma corda.

Eu o vi pendurá-la no teto.

Eu o vi amarrá-la no pescoço.

Eu o vi morrer.

Sabe, eu teria impedido se pudesse, eu juro. Principalmente por saber que isso não livraria ele de nada.

Ele virou um fantasma, preso nesse mundo, preso naquela casa. Ao cometer aquele pecado, o garotinho chorão condenou-se a assistir por anos sua mulher e seus filhos terem uma nova vida, superarem sua perda e seguirem em frente, sem poder ser visto, sem poder ser notado.

Eu o via chorar quando ela sorria pro outro cara como quando ela sorria pra ele ao se conhecerem. O choro era ensurdecedor. Tão alto que em um momento as pessoas da casa começaram a ouvir.

A família, então, mudou-se para outra casa. Não os culpo. Quem iria querer viver em uma casa que todas as madrugadas se ouve um fantasma chorão? Deve ser horrível.

Ele ficou sozinho, por longos anos. Vez ou outra alguém comprava a casa, mas logo ia embora ao passar pelas assombrações do choro do fantasma.

Eventualmente, as almas penadas esquecem os seus problemas em vida. E ele esqueceu, e parou de chorar por um tempo. Porém, ao não entender o motivo da sua própria existência, voltou ao chororô desenfreado.

Ele não era burro. Ao perceber que era o seu choro que afastava as pessoas, tentou parar e começar a dar risadas. Não preciso dizer que a risada não deu muito certo, não é?

Um fantasma chorão, sozinho, amargurado, preso.

Ele não percebe, mas tem um ódio que está o consumindo e corrompendo, e logo logo ele vai ficar igualzinho a mim, e então vai poder sair daquela casa e descer pra cá.

Ele era um homem bom, é sério. Mas de boas intenções aqui tá cheio.

Autor: Lucas Queiroz

28/05/2019

Londres 2005

03 de Julho, Londres 2005

Olá John!

Estou te escrevendo esse e-mail, pois você e meu melhor amigo e eu preciso compartilhar isso com você!

Tudo começou hoje cedo quando eu me deparei com um anúncio tentador enquanto me masturbava em um desses sites adultos da internet, no início pensei que fosse alguma furada como os anúncios de “Aumente seu pênis agora com este simples remédio” ou “Mulheres solteiras esperando por você!” mas ele era atrativo demais para eu deixar passar, nele dizia “Precisa de dinheiro? Ou de mulheres? Se a resposta para uma dessas perguntas for sim clique aqui e saiba como ganhar uma boa grana e ainda ter uma experiência incrível com algumas novinhas!”, eu estou desempregado e consequentemente um pouco carente de amor feminino, se é que você entende, então esse anúncio caiu como uma luva em cima dos meus problemas. Eu terminei o serviço e cliquei para ver aonde essa brincadeira iria chegar, eu tinha alguns antivírus instalados no computador então não me preocupei se o site estava infectado ou algo do tipo. Quando o link carregou, uma pagina preta apareceu no meu navegador, nela dizia: “Obrigado por se candidatar a nossa vaga! Um representante vai te enviar um e-mail com as instruções de como prosseguir. Por favor digite seu endereço de e-mail no campo abaixo.”, eu não tive dúvidas, enviei meu e-mail secundário, afinal nada demais poderia acontecer, só espero que eles não estejam tentando me vender alguma coisa.

04 de Julho

O e-mail chegou!

Te enviei um print dele, não quero perder tempo escrevendo tudo de novo.

“Apreciamos sua coragem e determinação para realizar nosso serviço! Abaixo estão suas instruções para receber sua recompensa!

- Amanhã as 08:00h você deve ir até a cafeteria mais próxima de sua casa e procurar pelo último banco a esquerda, em baixo dele você encontrará uma mochila preta com um lacre amarelo no fecho. Pegue-a e leve para sua casa, NÃO ABRA A MOCHILA EM HIPÓTESE ALGUMA!

- Mantenha a mochila escondida e não deixe que ninguém a veja, não derrube ou deixe ela perto de qualquer fonte de calor. Esse passo é fundamental!

- O último passo será enviado por e-mail nos próximos dias, então aguarde pacientemente.

- Se você cumprir exatamente como foi descrito, receberá sua parte em dinheiro e a oportunidade de desfrutar de algumas mulheres a sua espera.

-Boa sorte!”

Eu sei que parece estranho mas eu acho que não passa de um simples tráfico de alguma droga ou algum equipamento ilícito mas eu estou disposto a arriscar, afinal, o premio é tentador.

Amanhã eu te atualizo se alguma coisa acontecer.

05 de Julho

Bom… hoje cedo eu fui até a cafeteria da esquina para pegar a mochila, quando cheguei lá pedi um café para despistar e quando percebi que ninguém estava olhando peguei a mochila e a coloquei nas costas, fui até o balcão peguei meu café e sai tentando parecer o mais normal possível. Não foi tão difícil quanto eu imaginei, agora ela está guardada no armário esperando para chegar a seu destino.

Confesso que é uma tortura não poder abrir e saber o que tem lá dentro, mas a ansiedade pela recompensa é mais forte do que a curiosidade, estou tão empolgado que me já me masturbei

umas 5 vezes só hoje pensando no harém a minha espera, além claro da boa grana que eu vou receber, quem sabe com o dinheiro eu possa viajar até sua cidade para te visitar.

06 de Julho

Recebi o e-mail final hoje, acho que finalmente vou ver o desfecho dessa história.

O recado é bem simples:

“Amanhã de manhã leve a mochila até o metrô da cidade, alguém estará lá para receber a encomenda.

Espero que você tenha uma boa viajem e desfrute de sua recompensa!”

A mochila fez alguns barulhos estranhos essa noite parecido com um Bip, talvez seja um localizador, algum dispositivo sei lá, de qualquer forma não é da minha conta né? Quero terminar logo com isso para receber minha recompensa.

Amanhã nos falamos melhor. Até!

07 de Julho

Estou indo para o metrô, espero que dê tudo certo e mais tarde eu possa me deliciar com minhas 72 mulheres virgens.

Bip…Bip...Bip...

Autor: Gabriel Tupã

23/05/2019

Hey Daddy

 – Conte-nos como tudo aconteceu. Do começo.

 – Do começo… Bom, vou ter que falar sobre 23 de setembro.

23 de Setembro é o aniversário de minha filha. Eu estava terminando meu turno no
trabalho – mais ou menos umas 18:30h – e precisava correr para conseguir um presente para
ela. Como eu trabalhava em uma construção no centro da cidade, tinha fé que conseguiria
achar alguma loja de brinquedos aberta para comprar uma lembrancinha.

Andei por pelo menos 30 minutos pelas lojas próximas ao metrô. Para minha surpresa,
um presente de aniversário descente custava bem acima do que um pobre homem como eu
poderia pagar. Mas, como sempre, há uma luz no fim do túnel – ou, pelo menos, era o que eu
achava –, e eu ainda sim consegui comprar um presente: uma boneca.

Próximo a uma esquina, havia um desses vendedores abulantes, dos quais as ruas
normalmente são cheias. Ele já estava desmontando sua barraca, mas ainda era possível
visualizar diversas das suas bugigangas e, dentre elas, pude observar uma linda boneca.

Mesmo não sendo um desses brinquedos supermodernos, eu imaginava que filha fosse gostar.
Era uma boneca de madeira, vestindo trajes similares aos de festas juninas ou algo do tipo.
Paguei uma pechincha por ela, R$10,00. Tinha feito um negócio perfeito.

Peguei o metrô e depois um ônibus para casa. Consegui chegar a tempo dos parabéns e
pude entregar o meu presente para minha filha. Ela adorou, muito por sinal. Eu achei estranho
ela ter gostado tanto da boneca ao ponto que, deixava outros brinquedos que ela havia
ganhado de lado. Minha esposa me disse que talvez fosse pelo fato de ter sido eu a dar o
presente e isso ter gerado algum valor sentimental sobre o mesmo.

Naquela mesma noite, antes de dormir, algo me chamou atenção. Quando coloquei
minha filha para dormir, eu percebi que a boneca fazia um barulho. Toda vez que a barriga
dela era apertada, ela dizia a frase: “Hey Daddy”. Achei engraçado e interessante –
principalmente pelo fato de ter pago tão pouco por ela. Mesmo assim, deixei isso de lado e fui
dormir.

Foi ai que os problemas começaram. Durante toda a noite eu ouvia um ruido baixo e
distante se repetindo constantemente de maneira aleatória. Prestando mais atenção, eu percebi
que o barulho vinha da boneca. Imaginei que minha filha pudesse ter dormido abraçada com
ela e que, por isso, o sensor ficava ativado. Preferi não mexer com minha filha aquela hora da
noite, imaginei que logo, logo as baterias do brinquedo fossem acabar e tudo ficaria bem. Mas
não ficou.

Pelos próximos três dias eu tive que ouvir aquele ruído durante toda a noite. Foi
quando decidi chamar a atenção de minha filha, pedindo para que ela não dormisse abraçada
com a boneca. Expliquei dizendo que não conseguia dormir por conta do barulho que ela
fazia. Minha esposa retrucou, ela disse que nunca tinha ouvido barulho algum e que eu estava
exagerando.

Mais dias se passaram, pelo menos duas semanas eu acho. E eu já não conseguia
dormir. Meu rendimento no trabalho já estava sendo afetado e eu começava a me preocupar
com isso. Agora além da noite, a boneca ficava fazendo barulho durante o dia também. Minha
filha corria a casa inteira abraçada com ela e, em todos os cômodos, eu conseguia ser
incomodado por aquele som irritante.

“Hey daddy”

“Hey daddy”

“Hey daddy”

Um pouco mais de um mês tinha se passado e eu já havia levado bronca no trabalho.
Em um dia desses eu acabei descendo cinco paradas depois da minha por ter dormido no
ônibus. Não dava mais, eu precisava agir de alguma forma ou ficaria louco.
Conversei com minha mulher para que doássemos a boneca para alguém ou somente
jogasse ela fora. Recebi uma bronca, ela disse que eu estava exagerando, que não via
problema algum com o brinquedo e que não teria coragem que de tirá-lo de minha filha já que
ela nuca desgrudava dele.

Eu estava sozinho, à ponto de enlouquecer. Não dormia a dois meses, já estava a ponto
de ser demitido, mal conseguia raciocinar direito e nem a minha própria esposa conseguia me
entender. Era angustiante, noite e dia, dia e noite, e aquele barulho infernal enfestando a
minha cabeça, como um enxame. Eu podia jurar que tinha ficado mais alto aquela altura.
Naquela semana eu recebi um dia de folga. Meu chefe achou que pudesse me ajudar.
Estava na garagem procurando alguns isoladores de som, algo que eu costumava usar em uma
antiga construção em que trabalhei. Mesmo na garagem, fora de casa, eu podia ouvir aquele
barulho. Mais alto e intenso que nunca, não aguentava mais.

“HEY DADDY”

“HEY DADDY”

“HEY DADDY”

CHEGA!

Peguei o machado que estava pendurado na parede a minha frente e, furioso, caminhei
até o quarto da minha filha. Subi as escadas rápido e firme. Sentia o suor frio passando pelos
meus braços e se acumulando em minhas mãos que seguravam agressivamente o machado.
Entrei pela porta e pude ver o cabelo loiro daquela boneca maldita. Sem pensar duas
vezes, eu cravei o machado na cabeça dela. Senti meu corpo quente, vivo e agitado, quase
como se tivesse tido um orgasmo naquele momento. Entretanto, naquele instante eu ouvi uma
voz de espanto atrás de mim; era minha filha. Tentei tirar o machado da cabeça da boneca,
mas estava preso. Coloquei mais força e, na hora que consegui tirar o machado, minha filha
veio atrás de mim e, sem querer, o machado a acertou. Acertou com tanta força que ela foi
jogada para canto do quarto.

Eu estava nervoso, não sabia o que fazer. Passei pelo menos uma hora caminhando de
um lado para o outro, observando tanto o corpo de minha filha, quanto o da boneca. Após
pensar bastante, tomei a decisão que me trouxe até aqui.

Lembrei que, no quintal de minha casa, havia uma velha casa de cachorro que nunca
havia sido usada. Era grande e normalmente servia como casinha de brinquedo para minha
filha. Fui até a garagem novamente e peguei alguns materiais. Rapidamente eu quebrei o piso
da casinha, cavei uma cova e enterrei minha filha e a boneca. Cobri de terra e depois com uma
base de cimento. Consegui deixar o máximo possível parecido como antes e segui para o
quarto de minha filha. De maneira quase incrível, o quarto não havia se sujado tanto de
sangue, mesmo com uma pancada tão violenta.

Era 17:00h, foi quando minha esposa chegou em casa. Mostrei-me demasiado
preocupado, dizendo a ela que nossa filha havia sumido. Procuramos por toda a rua, nas casas
das amigas e até no bosque próximo a nossa rua. Obviamente, não encontramos nada.
Decidimos então chamar a polícia.

As 20:45, os policiais já haviam tomado nossos depoimentos e feito algumas buscas
pela casa. Pediram fotos e disseram que começariam algumas buscas. Passaram pelo menos
mais três semanas procurando ela e nada. Foi quando suspeitaram que algo pudesse ter
acontecido dentro de nossa casa. Fizeram mais investigações na casa, mas não acharam nada
que pudesse me incriminar de fato, eu havia limpado tudo e me livrado do machado, estava
tudo indo muito bem.

Eles já haviam terminado seu trabalho e eu já tinha fé que tudo ocorreria bem dali para
frente. Eu voltaria a dormir e a trabalhar, consolaria minha esposa e possivelmente teríamos
outra filha alguns anos depois. Mas foi nesse momento, enquanto caminhávamos até o portão,
que o policial olhou para o lado e perguntou: “O que é aquilo?”.

Era a casa do cachorro. Respondi a ele e reforcei que não usávamos ela. Entretanto,
minha esposa comentou o fato de nossa filha brincar lá de vez em quando. Os policiais
decidiram dar uma olhada, para ver se achavam alguma pista. Eu ainda me mantinha calmo,
tinha feito um buraco bem fundo e um piso grosso com bastante cimento.

Eles olharam a casinha e nada. Tudo certo, já podiam ir embora. Foi quando, para a
surpresa de todos e, principalmente, para a minha desgraça. Ecoou pela velha casinha de
madeira, atravessando aquele buraco fundo, a cobertura de cimento e me dando calafrios por
todo o corpo. Aquele som maldito:

“Hey daddy!”

– Tendo em vista as provas e a confissão, condeno

Autor: le_leprechaun_
Inspirado na Obra "O Gato Preto", de Edgar Alan Poe

14/05/2019

A Verdadeira História dos Humanos - Parte 2

PRIMEIRA PARTE

Coexistência ou sobrevivência?

Nos Pilares da Criação, estavam todos os seres existentes no Universo. Desde os espíritos até os poderosos deuses.

Reunidos para discutirem um decreto que sucederá a coexistência entre as espécies, visto que a maioria dos seres queriam seu próprio espaço ; sem a interferência ou ajuda dos outros.

Na reunião, estavam presentes os representantes do suposto “Deus que não aparece nas reuniões” - Apelido dado ao Deus que raramente aparecia naquelas reuniões -, o Deus Raziel, mais tarde conhecido como o Anjo dos Mistérios ou dos Conhecimentos Ocultos, e a Deusa Nike (Sim. Além de ser o nome de uma marca famosa, Nike é o nome de uma deusa grega da vitória e da glória. Chamada também pelos Romanos de Victoria. Para mais informações ou fontes deixarei os links no final do texto).

Nike não era bem uma “representante” desse Deus que não aparecia, só estava ali para acompanhar Raziel, pois era apaixonada por ele, não só pelos seus conhecimentos, mas também por ser um dos deuses que não era egocêntrico. Nike amava sua humildade pois sabia ela que Raziel era onipotente e até perguntava a si mesma como Raziel existia antes da criação de tudo. Segredo esse que nas palavras de Raziel dizia que “Se ele contasse os segredos e os conhecimentos antes da criação, qualquer deus ou espírito não suportaria tanta sabedoria e a consciência do ouvinte morreria e iria parar no Limbo das Almas”.

- Raziel, por que não participa das decisões visto que tu mesmo não concorda com o resultado delas? indagou-lhe

- Certamente seria tirania de minha parte. Não posso interferir em suas decisões mesmo que isso cause consequências catastróficas ao nosso Universo ou a eles.

- Como podes dizer isso? Não te conheço muito, mas sei muito bem que se tu fosses um tirano sua tirania seria boa para o bem de todos!

- Minha querida Nike, o bem é realmente o certo? Nem tudo o que é bom é certo e nem tudo o que é mal é errado.

- Não te entendo, sempre com essas frases um pouco melancólicas… Mas não será por isso que deixarei de amar-te.

- Mesmo com toda minha sabedoria não consigo é entender seu amor por mim, mesmo não me entendendo.

- Pelo menos a algo que eu sei que tu não sabes.

- De fato.

- E onde está o outro representante?

- Ah, ele? Está a passear pelo Universo. É um Deus jovem, não o culpo. Ele também não concorda em sermos representantes do nosso Deus e está correto. Um Subordinado não pode decidir no lugar do Deus da mesma espécie. Por isso deixo ele por aí.





Então, todos os seres por unanimidade, decidiram algo que mudaria todo o rumo do Universo... a separação dos seres para diferentes dimensões.

Raziel sabia que tais seres queriam na verdade sua própria tirania e não um “espaço”, para fazerem tudo ao seu bel prazer sem se incomodarem com outros deuses. Nike percebeu e preocupação de Raziel.

Raziel e Nike partiram para a cidade prateada, morada dos deuses alados, para reportar o que aconteceu durante a reunião e a conclusão dela.

Quando chegou ao trono, viu que estava vazio. Perguntou aos outros deuses para onde tinha ido Deus. Os deuses disseram que ele saiu para “adquirir conhecimento”.

Raziel pediu para que Nike reportasse o que aconteceu durante a reunião para os demais deuses que ele procuraria o Deus da espécie deles.

Percorreu um grande trajeto até o achar parado no céu de um planeta...

Quando o achou, ficou observando antes de o chamar…

Sentimentos estranhos vinham desse Deus, Raziel percebia um semblante diferente nele.

Não entendia como ele podia ficar tanto tempo observando apenas um planeta…

O planeta que ele observava era Rahu.

Mesmo relutante, finalmente decidiu chamá-lo.

- Finalmente o encontrei…

- …

- …

- Miguel...
Autor: The Truth

02/04/2019

Naquele Dia

Gostaria de começar falando que desde que sai de casa, aos 15 anos, por más influencias de amigos, passei a usar drogas. Usava maconha pra “relaxar e viajar”, cocaína e ecstasy em festas e sempre acompanhado de muita bebida, de preferência, as mais baratas e fortes.

Me acompanhava rotineiramente o cigarro a qual chamava de psicólogo de bolso, era sempre muito prazeroso fumar, quando acendia ao momento em que o descartava o tempo era só meu, não importa o que estava acontecendo, poderia estar chovendo canivetes, eles me faziam bem.

É óbvio que eu não me importava com a saúde, odiava estar de “cara” e tudo era motivo para me embriagar e/ou me drogar. Estava acima do peso e sempre fui um tanto quanto irresponsável com a faculdade, trabalho, enfim... Compromissos não eram minha praia.

Minha rotina era tranquila, trabalhava durante o dia em um emprego monótono, faculdade a noite, morava com minha irmã mais velha em um pequeno apartamento de dois quartos. Fugia de exercícios físicos já eu tinha algum problema que sentia enxaqueca ao fazê-los, problema este que nenhum dos diversos profissionais da saúde em que fui descobriu do que se tratava, passei até a tomar ansiolíticos para tentar amenizar este mal.

Me estressava quase sempre com tudo, de coisas bobas até coisas que mereciam tamanha atenção, tinha pavio curto e explodia constantemente, sempre fui, também, muito rancoroso.

Eu fugia um tanto quanto do padrão social aceitável de uma pessoa com quem se queira estar do lado, não pela minha personalidade forte mas por conta do uso constante de químicos. Embora escondesse este hábito de todos eu era capaz de me julgar quando em frente ao espelho.

Tive uma família maravilhosa, unida, que emanavam amor e companheirismo, não éramos ricos, mas das coisas boas que não são tangíveis tínhamos de sobra, caso esteja se perguntando o caminho que me levou a fazer o que fazia.

Naquele dia as coisas estavam diferentes, é difícil explicar detalhes, mas prometo me esforçar. A timidez do sol fez com que se escondesse durante todo o dia, o céu estava carregado de nuvens escuras, os ventos estavam numa velocidade acima do normal, se eu fosse exagerado poderia dizer que ele nos carregaria, parecia que ia chover mas não caiu uma gota de água.

As arvores se balançavam com o vento e o barulho que faziam... Elas pareciam querer dizer algo, achei engraçado e bem paranoico, na noite anterior havia abusado muito de mim mesmo ao festejar com amigos, mas, como sempre, contava com a resistência da juventude.

Não parou por ai, normalmente um sábado no bairro é bastante movimentado por conta do comércio e vizinhança mas não naquele dia, ruum deveria ter observado com mais atenção. As ruas estavam vazias como se fosse véspera de réveillon em cidade pequena do interior, poucas pessoas transitavam.

Fui para a sacada do apartamento que morava, era no terceiro andar e permitia uma visão ampla de alguns lugares, um gato preto que corria no telhado da casa da frente parou subitamente e me olhou... olhou fixadamente, ficamos naquilo por um tempo mas voltei pra ver alguma série que matasse meu tédio.

Embora eu ainda estivesse de ressaca da noite anterior não poderia fazer nada pra matar o tempo, minha mãe estava na cidade e viria me ver naquela tarde, então aguardei sóbrio a sua chegada. Minha irmã estava trabalhando e não a tinha visto já que ela saiu cedo e eu acordei tarde.

Minha mãe demorou, como de costume, mas não dei bola já a conhecia e não ia me permitir estressar algo previsível assim. Assistia TV, entrava no whatsapp mas nada de novo, nada de interessante, pelo contrário parecia tão solitário, me senti só e disse a mim mesmo:

- mas que ressaca filha da puta.

Já estava quase anoitecendo quando ela chegou, subiu as escadas reclamando, me deu um beijo, me abraçou, começamos a conversar sobre a viagem dela, ela me perguntou sobre a faculdade, enfim... colocando os papos em dias.

Na frente dela, evidentemente, eu era um bom filho, ela sentia orgulho de mim, do meu trabalho, da faculdade, por estar sempre cuidando de todos entre outras coisas. E eu não poderia deixar a peteca cair, disse:

- Mãe, veja o trabalho que eu fiz para uma apresentação de seminário, vou colocar ele na TV para que possa ver.

Ela pediu cinco minutos pois iria ao banheiro fazer xixi, era o tempo em que eu conectava o computado na televisão, puxei uma cadeira pra frente do hack da sala onde estava o notebook, sentei e conectei na TV. Comecei a repassar o material que eu havia feito.

Então minhas vistas começaram a embaçar até ai tudo bem eu usava lentes de contato que as vezes ficavam mal lubrificadas bastava fechar e abrir os olhos algumas vezes para corrigir, mas não estava dando certo então iria lava-las assim que minha mãe voltasse.

Ainda sentado senti um calafrio, um vento forte entrou pela sacada e atravessou todo o apartamento indo embora pela porta de entrada, que dava acesso as escadas, na qual minha mãe havia deixado aberta ao entrar. As cortinas balançaram e subiram com o vento, tocou em um vaso de flores que caiu no tapete e rachou mas sem fazer muito barulho.

Minha mãe ouvindo o barulho disse:

- Filho, o que houve?

Eu cerrei os dentes, minhas mãos estavam tremendo e eu só conseguia ouvir o som do meu coração, senti um sono terrível, então coloquei o braço esquerdo sobre o hack, apoiei a cabeça sobre eles e fechei os olhos por um instante.

Segundos depois abri os olhos novamente, não entendia o que tinha acontecido, vi o jarro rachado sobre o tapete e, observando a demora da minha mãe no banheiro levantei e fui encontrar com ela. Notei que do lado de fora estava muito escuro, já estava escurecendo então só liguei a luz da sala e fui ao encontro dela.

- Mãe, que demora, vem logo ver !

Percorri o apartamento que parecia mais longo do que o normal e, para tudo isso, ainda colocava a culpa na ressaca. Quando cheguei ao banheiro a vi sentada no sanitário terminando de fazer xixi e disse:

- Mãe !

Ela continuou a fazer xixi, fingiu que eu não estava ali, pegou papel higiênico para se limpar. Eu fiquei estático, ela me ignorava sem razões, então chamei novamente impaciente com a possível brincadeira mas com medo de não ser.

- Mãe, ta me ouvindo ?

Ela continuou a ignorar, se levantou, vestiu a calça, deu descarga e foi em direção a pia. Meus olhos pareciam me enganar, me senti aterrorizado, tudo estava se encaixando e enfim estava entendo o que havia acontecido.

Em passos curtos e lentos eu dei as costas a ela e segui em direção a sala de TV, apertava minhas mãos frias e úmidas tentando não acreditar no que havia acontecido, toquei nas paredes, tudo parecia tangível, procurava me convencer do contrário até que vi, quando olhei pra trás, eu não estava projetando a minha própria sombra.

Arregalei os olhos, minhas pernas tremendo quase não obedeciam aos meus comandos, minha boca estava seca e sentia que nenhuma quantidade de água poderia saciar a minha sede.

Foi somente quando eu cheguei na sala que finalmente acreditei, lá estava eu, ainda estava sentado na cadeira, em frente ao hack, deitado sobre meu braço com os olhos arregalados e sem cor.

O vaso de flores estava intacto sobre a mesa, ele não havia caído e rachado, o gato negro estava na sacada, lambendo as próprias patas e olhando fixadamente a mim.

Ouvi sussurros, pessoas conversando, passos, não entendia o que diziam, não sabia o que fazer. Queria que estivesse somente sonhando, mas era a fria realidade meu coração havia parado.

Num instante todas as luzes se apagaram e, aos poucos, foram ligando novamente. Primeiro a da sala em que estava, a do corredor da porta de entrada, as luzes das escadarias ligaram como se o sensor tivesse detectado movimento, e assim sucessivamente, uma atrás da outra.

Eu já sabia, eu tinha que caminhar por onde as luzes indicavam, mas eu não queria descer aqueles degraus. O gato passou por mim em direção a porta de entrada e parou, olhou de volta com o mesmo olhar que havia visto mais cedo e seguiu descendo. Não me restou alternativa senão acompanha-lo.

Autor: Walter Miranda

26/03/2019

BLACK HOLE (Parte 1 de 12)

1. Anna Harrolds ( 28 de Março de 2016 )

-- Você não pode vir comigo Anna-- Disse o irmão mais velho. Jeffrey Harrolds, de 15 anos, não era exatamente uma pessoa apropriada para cuidar de sua irmã caçula, Anna Harrolds, de apenas 8 anos. Porém essa não foi escolha dele e sim de seus pais, como uma forma de castigo pelo que o garoto Harrolds fez na manhã de 28 de março. Jeffrey foi flagrado com Jessica Mavis ingerindo bebidas alcoólicas atras da quadra pela Professora Barbara Poompkis, de Educação fisica. A partir disso, seus planos de ir a uma festa à noite na Rua Main, que cruzava com a Farris ( que era a sua rua ) foram arruinadas pois seus pais fariam um turno a mais no BLACK HOLE HOSPITAL, aonde trabalhavam, e por isso disseram para Jeffrey cuidar de sua irmã.

-- Por quê não ? Não quero ficar sozinha aqui-- disse Anna
-- Anna, eu combinei com meus amigos que iria, e não posso recusar, além do mais, a Jessica vai ta lá.
-- A garota que você namora, não é ?

-- Essa mesma, cara de cu -- disse Jeffrey

Anna estava reciosa em ficar sozinha em casa, por dois motivos: a chuva forte que estava acontecendo naquela noite e o recente caso de assassinato que ela viu no jornal, meu deus, quem imaginaria que deixariam um garoto de 16 anos na floresta pendurado e aberto no meio ?! Ela estava com medo de que algo assim acontecesse com ela mas cedeu ao irmão pois ele disse que ela poderia assistir até tarde os programas que ela não podia ver, ate aquele desenho do dinossauro roxo que ela não lembrava o nome, mas que adorava ver ele. Se ela estivesse viva dois dias depois de 28 de março, ela se lembraria de Barney o dinossauro, pois passaria uma maratona no canal, ela era uma prodígio para alguém da idade dela.

-- Só volta rápido, ok ?
-- Pode deixar cara de cu ! Volto antes das 23 hs.
-- Vejo você em breve !

Eles deram um longo abraço, seguido de um beijo na testa de Jeffrey, o mesmo franziu um pouco a testa e saiu. Anna fechou a porta da casa, enquanto Jeffrey seguia para a festa. Ele nunca mais a viu.

Agora estava ela, aqui, sozinha em casa, correndo para ligar a Televisão e colocar o programas de culinária que sua mãe via antes de fazer algo com o seu pai que Anna não sabia exatamente, mas devia doer muito, já que mamãe sempre gritava, baixinho, mas gritava. Já perto das 22hs, Anna lembrou que tinha que arrumar seu quarto, que ficou uma bagunça por causa de uma guerra de travesseiros que Jeffrey e ela tiveram alguns minutos antes dele ir a tal festa. Ela se levantou e começou a subir as escadas e enquanto subia, ela ouviu um som que ela sempre gosta de ouvir : o som de sua porta de vidro no seu quarto, que dava na varanda, onde ano passado ela viu os fogos de artificio do Ano novo com sua Família com a bela vista do bosque, que ficava atras da casa deles. Enquanto subia os degraus um a um, Anna parou de ouvir a porta abrir, como se ela não fosse aberta totalmente. Chegando no seu quarto, não viu nada, nada alem da bagunça que ela e seu irmão fizeram algumas horas antes e... a porta de vidro da varanda entreaberta, com vento soprando na bela cortina branca que cobria toda a porta. Anna decidiu arrumar os brinquedos que estavam perto da porta da varanda, pois alguns deles poderiam emperrar a porta, fazendo mais chuva entre no piso de madeira barulhento. O que ela veria minutos depois era algo pior que seus maiores pesadelos, pior que uma prova do BLACK HOLE SCHOOL ou pior que os seus pais com raiva. Ela veria algo que acabaria com seus sonhos e esperanças, algo que a faria ter as entranhas arrancadas e devoradas lentamente.
O cheiro da "imundação" na varanda era horrível, como folhas molhas e secas, madeira velha e principalmente, um cheiro que ela não sabia de onde vinha. Tinha cheiro de chocolate, panquecas, mas cheirava também a algo podre, algo que ela não sabia descrever, e que por um momento, não tinha certeza se vinha do bosque ou da porta da varanda.

-- Você consegue.. so não respire enquanto arrume os brinquedos.

E foi isso que fez. Prendeu a respiração o máximo que pudesse, enquanto arrumava os brinquedos... um pato de borracha, uma boneca Barbie, um boné de Jeffrey... e enquanto arrumava, ela ficou percebendo que os brinquedos estavam manchados com lama, ou pelo menos, algo parecido com lama. Pensou que era por causa da forte chuva, que de tão forte, quase não conseguia ouvir sua própria voz, pensou que devia ser por que eles eram muito velhos, ela ja estava a quase 3 anos com eles. Mas se a garotinha tivesse olhado com atenção, perceberia uma marca de dedo no boné de Jeffrey, um dedo maior que o dele e com certeza maior que o dela e talvez essa tragedia pudesse ter sido evitada.

Um urso de pelúcia, o quadro de desenho e ...

( o que é isso ? )

Ela se deparou com algo que ela nunca tinha visto. Ainda coberto de alguns brinquedos, o objeto no qual se deparou parecia um braço... enorme..

( Deve ser de um urso... mas e rígido demais....... para ser de pelúcia..... )

Ela continuou a olhar aquele braço, e percebeu que as unhas daquele braço, eram amareladas com manchas avermelhadas nelas, e a vestimenta daquele braço parecia de algum terno velho.

Anna estava querendo correr, mas seu corpo se paralisou de medo quando ela viu algo similar a um rosto na brecha ente a cortina e a porta do seu quarto.

( Mamãe.... Deus.... socor.... )

Ela nem teve tempo de concluir seu pensamento. Aquele braço horrendo agarrou o dela e enquanto o vento batia nas cortinas, ela viu de relance algo que parecia um homem com uma mascara de tigre, mas branco. Um homem magro, com terno, usando uma mascara de tigre branco que enquanto segurava o braço da garota, começava a babar e rosnar, como um animal encontrando sua presa. O que ela viu foi destruiu sua sanidade e fez a garota sentir puro terror. Ele segurou o braço de Anna em um abraço grosso e serpenteante.

-- Amiguinha-- disse o homem de mascara, com uma voz rouca e rindo

Anna virou seu rosto para longe daquela visão e começou a gritar na chuva, gritando para o céu escuro e tempestuoso de 28 de março de 2016. Seus gritos eram altos e agudos, o suficiente para que todos da rua Farris pudessem ouvir, porem ninguém saiu de casa, todos ouviram, mas ninguém saiu..

Enquanto a coisa puxava Anna para varanda pelo braço, o rosto da garota bateu na porta de vidro, fazendo o vidro quebrar no rosto de Anna.

-- VENHA AQUI AMIGUINHA !-- rosnou o homem que para Anna parecia mais um animal do que um homem.

Anna consegue se segurar na porta de vidro e consegue resistir um pouco, mas a coisa gira seu braço em um movimento forte e rápido, como um golpe forte e Anna sente uma onda de dor fumegante de dor no seu braço, agora torto, e com cacos de vidro que foram quebrados com seu rosto.

VOCÊ É MINHA AGORA !! --- gritou a coisa que deslocou seu braço e feriu seu rosto com cacos da porta da varanda e Anna sente uma onda terrível e horripilante de dor e um rasgo vindo de seu pescoço.

A coisa-homem tinha arrancado uma parte do pescoço de Anna com apenas uma mordida na garota, uma mordida que fez um pedaço de osso horrivelmente branco ficar exposto e aparecer no tecido rasgado. O chão molhado da varanda estava vermelho-vivo, sangue fluía para fora da varanda pelo buraco esfarrapado aonde ficava uma parte do pescoço.

Os olhos da garota estavam direcionadas para o céu escuro e chuvoso, enquanto a coisa-homem abria a barriga da garota com os dentes e devorava as entranhas da garota, lentamente...

Você sera minha para sempre -- sussurrou a voz podre que ria..

Anna Harolds se foi, enquanto a coisa-homem descrita por ela se alimentava.

Em algum lugar embaixo da varanda, um pouco das entranhas rasgadas da garota saiu flutuando por um córrego que se formou perto da casa. Por um tempo, ele se alinhou a um rato morto que estava apodrecendo a uma semana. O rato foi levado para a esquerda aonde daria em um esgoto a 300 metros da casa dos Harolds e o pedaço da garota pararia em um lago próximo ao bosque, aonde estaria ligado a esta historia, ainda. Quando se passa vinte minutos depois da gritaria que provocou um silencio na rua Farris, e 20 minutos apos o coisa-homem ter terminado sua refeição e indo direto para o bosque, o vizinho dos Harolds, Charles perry, resolve chamar a policia relatando os gritos. Uma hora depois, com a mãe de Anna sendo sedada no hospital aonde trabalha com o marido e aonde o mesmo estava com a esposa chorando roucamente, ouvindo ao fundo, Jeffrey estava sentado silenciosamente na sala de espera pensativo.

( Eu a matei... foi minha culpa )

A pacata rotina da pequena cidade de BLACK HOLE foi abalada por esses dois últimos incidentes, mas os cidadãos da cidadezinha não imaginavam que isso era apenas o começo de um mal que so acabaria um mês e meio desde Anna Harolds.....

CONTINUA...

Autor: João Silva

19/03/2019

Pacto com o Diabo: Relato de um Homem Não Identificado

Para quem imagina que o demônio é alguma criatura assustadora ou tem uma aparência apavorante está enganado, nos trés encontros que "iludido" tive com ele pude observar e ter a falsa impressão de estar lidando com pessoas extremante educadas, elegantes e bonitas.

Nasci em uma família humilde, mas sempre tive o sonho de ter grana e me tornar milionário, quando tinha 18 anos se você não fosse um garoto bonito, dificilmente conseguiria arranjar namorada bonita, pobre seria ainda era pior, na fissura de me tornar alguém rico e importante, resolvi fazer um pacto com o diabo quando tinha 19 anos.

A meia noite criei coragem e fui até uma encruzilhada em meio a um canavial e evoquei Satanás por três vezes, esperei esperei e nada repeti novamente o ato por mais duas vezes, esperei esperei e nada, então desisti e fui embora pra casa.

Passados três dias fui a um barzinho bem conhecido aqui da cidade que não colocarei o nome para preservar o local, la estava eu com meus amigos sentados em uma mesa que dava de frente para a rua quando der-repente chega um sedã de luxo, para bem a nossa frente e dele desce um homem aparentando ter uns 30 anos, bem vestido com traje preto parecia aqueles gangsteres de filmes do Al Capone, cabelos loiros olhos azuis e muito educado sentou se ao nosso lado e ali ficou bebendo whisky até a hora em que fomos embora.

Eu trabalhava de ajudante geral em uma fábrica de baterias e no outro dia cedo logo que cheguei no trabalho, o mesmo homem da noite anterior adentrou no setor em que eu estava trabalhando e veio em minha direção, seu olhar era tão penetrante que quase me hipnotizava, chegou bem próximo e disse; olá Marcos estamos aqui ouvimos o teu clamor, fiquei sem entender nada, então perguntei nós quem ? clamor ? para minha surpresa ele deu um sorriso e colocando as mãos em meus ombros sussurrou em meu ouvido estaremos as 18hrs esperando por você, e foi se embora

Trabalhei o dia todo meio sem saber o que estava se passando até que resolvi perguntar quem era aquele homem, no entanto ninguém o tinha visto nem sabia de quem eu estava falando então caiu a fixa, lembrei do pacto, será ? pensava eu, será mesmo o demônio ?

Eu saia do trabalho sempre as 17:45 e no caminho para o ponto de ônibus o mesmo sedã da noite anterior parou do meu lado, abriu a porta lateral traseira e pude ver ao olhar para dentro do veiculo o mesmo homem que me abordara na minha seção de trabalho, homem este que ninguém conhecia ou tinha visto, mas ele estava lá, rapidamente olhei para meu relógio e eram exatamente 18hrs como ele mesmo tinha marcado, explicar o sentimento que senti naquela hora é difícil por que nem eu mesmo acreditava que aquele sujeito pudesse ser o demônio, era uma mistura de duvida, medo e curiosidade, mas como que seduzido pelo convite resolvi adentrar no carro.

Uma vez dentro do carro o silencio tomou conta do ambiente, até que resolvi perguntar quem era ele e o que queria comigo, a resposta foi:
"Somos muitos, o que queremos ? queremos que você se junte a nós"
Eu disse; muitos ? como assim ? e como poderia me juntar a você ? e ele respondeu:
" Este corpo é apenas o intermediador entre nós e você, pois somos uma legião, eu e meus irmãos queremos que você se junte a nos na servidão de nosso querido mestre, Lúcifer, e em troca receberá todas as riquezas e gozara de todos os prazeres da terra enquanto estiver encarnado "
Fique completamente anestesiado, pois queria sim fazer um pacto em troca de dinheiro, riqueza e mulheres, mas quando vi que isso era realmente possível e que eu poderia estar negociando com uma legião de demônios minha própria alma, confesso que me deu medo, e este medo me fez perguntar a ele: e Deus ? pois se você existe obviamente que Deus também existe e se eu der minha alma a você como fico com Deus ? quando eu morrer vou realmente para o inferno queimar eternamente ? e ele me respondeu dando muitas risadas meio que achando graça da minha ignorância em relação ao que era desconhecido para mim, mais parecia que eu tinha feito uma piada, assim ele me respondeu:
"Marcos... a que Deus você se refere ? ao grande rival de nosso amado mestre LÚCIFER ? fique calmo e relaxe pois tudo não passa de um grande jogo de xadrez, Lúcifer o grande arquiteto, somente deseja o bem, a felicidade e o gozo pelo que é bom para os humanos, seu rival o outro "Deus" é quem é mal, utiliza de tragédias e miséria para conseguir seguidores, foi capaz de mutilar seu próprio filho simplesmente para angariar fieis, e quanto ao fogo eterno e o inferno não passa de mais uma tática que ele usa pra amedrontar seus rivais e inimigos"

Sem palavras apenas olhei novamente para ele e disse: o que quer que eu faça ? ele somente me olhou e me deu uma pasta preta, daquelas executivas com uns adornos amarelos brilhantes, e me disse para ir e aproveitar o resto da semana, mas pediu para que eu abrisse a pasta somente em casa, fiz como ele pediu desci do carro e fui para casa, chegando lá minha curiosidade era extrema, eu já não me continha fui correndo abrir a pasta, para minha surpresa a pasta estava completamente lotada de dinheiro e um envelope grande, dentro dele um papel grosso meio texturizado e de cor amarronzada e tinha um cheiro ruim parecia cheiro de algo estragado "carne" mas não muito forte o cheiro era sutil somente colocando próximo do nariz para sentir.

Na época se comparássemos com o dinheiro de hoje a quantidade de dinheiro que havia no interior da maleta equivalia a mais ou menos uns 500 mil reais.

Guardei o envelope com o papel estranho e fui pra balada, aquela noite eu era patrão estava cheio da grana e me sentindo o máximo, sai com meus amigos bebemos dançamos e mais tarde fomos a uma boate, fechamos a casa e a orgia rolou solta sexo bebidas e muitas mulheres, passamos a noite na gandaia.

Passados alguns dias eu já de carro novo, casa nova, vivendo uma vida de luxo, imaginando que já teria feito o pacto com o diabo, só aguardando o que mais ele iria me dar de bom, mas para minha surpresa o pacto ainda não tinha se consumado naquele dia por volta da meia noite, estava eu deitado vendo um filme em minha cama com as luzes apagadas, quando der-repente vi uma pessoa em pé, uma mulher, parada, bem na porta do meu quarto, só dava para ver as sua silhueta devido a luminosidade do aparelho de TV, tão grande foi o susto que quase tive uma parada cardíaca, tremulo de medo pelo fato de ser pego de surpresa por alguém que teria aparecido no ar como se fosse um fantasmas, criei coragem acendi a luz e olhei para a Mulher que por sinal era linda, sorridente e muito sex, mais calmo perguntei: Quem é você ? ela me respondeu com uma voz suave e muito atraente, sou a administradora do seu contrato, mas pode me chamar de EMPUSA, (estranhei o nome mas nem perguntei nada) ela me pediu para pegar o envelope com o papel de cheiro ruim que estava na pasta juntamente com o dinheiro, não pensei duas vezes, peguei o envelope e entreguei a ela, ela pegou o papel que estava dentro e colocou sobre meu criado mudo e foi se aproximando de mim, ela era alta de pele ber branca e cabelos lisos bem pretos, olhos pretos e uma cintura de dar água na boca, muitíssimo cheirosa, pernas bem torneadas e rígidas, vestia um vestido de gala "festa" longo vermelho com detalhes brilhantes, se aproximou de mim e começou a me beijar, eu quase que hipnotizado e seduzido por um desejo inexplicável e ao mesmo tempo ainda com medo, me entreguei e deixei me seduzir, fizemos coisas que jamais imaginei que fosse possível de se fazer na cama, experimentei sensações indescritíveis e aquela noite experimentei o mais extraordinário sexo e orgasmo de minha vida.

Passamos a noite juntos e logo de manhã bem cedo por volta das 6 hrs, escutei o interfone tocar e acordei, ela já estava de pé toda linda e pronta para sair mas o curioso e interessante é que com roupas totalmente diferentes das que ela veio, sem noção de onde ela havia conseguido as roupas mas curiosos procurei pelo vestido vermelho e não encontrei, ela me olhou e disse não vai atender a porta? ai eu fui ver quem estava a me acordar aquelas horas e o que queria.

Quando abri a porta um homem de uns 2 metros de altura aparentando uns 20 anos e bem vestido, logo foi adentrando casa a fora e se sentando em meu sofá, era tanta informação para meu cérebro que eu nem perguntava mais nada só esperava acontecer, e lá do quarto veio a jovem Empusa em minha direção pegou minha mão direita e começou a chupar meu dedo indicador, era bem exitante até que olhei para baixo e percebi que seus pés estavam diferentes, pareciam feitos de ouro e tinham formato do pé de um cavalo ou uma égua, me assustei mas não tive tempo para me afastar dela foi muito rápido, ela mordeu meu dedo fazendo um corte profundo com o dente, que naquele momento também tinha se transformado eram parecidos com dentes afiados de tubarões, logo o sangue começou a sair ela passou em meu peito do lado esquerdo, pois eu estava ainda sem camisa só de bermuda "Shorts", ela fez um sinal parecido com uma cruz de cabeça para baixo no meu peito com meu próprio sangue e neste momento o homem que estava sentado no sofá se levantou e o papel que eu citei anteriormente já estava com ele que veio em minha direção e me pediu para que eu escrevesse com meu próprio sangue o seguinte:

"Eu Marcos .......... , me entrego a Lúcifer, Deus eterno das coisas do mundo, senhor da alegria e dos prazeres, e renego a meu rival, deixo a minha alma e o meu ser em gloria honra e poder de Lúcifer renego a criação e as doutrinas de meu rival e tudo que vier dele, sou a partir de hoje filho amado e propriedade do meu senhor, Lúcifer e abomino tudo que for pertencente o grande inimigo e rival de Satanás"

Dei uma titubeada, mas não conseguiria mais viver sem o conforto do dinheiro e sedie a tentação. Feito isso senti no meu peito que aquele momento sim foi o momento derradeiro em que estaria entregando minha alma em um pacto com o diabo.

Assim que ele saiu pela porta eu olhei para o lado tentando ver onde estaria a Jovem Empusa que tinha passado a noite toda comigo, mas ela já não estava mais ali, tinha desaparecido como se tivesse evaporado no ar, foi então que comecei a sentir meu corpo novamente e voltar a si, percebi naquele momento que aquele homem era o próprio Satanás.

Passaram se os dias e minha vida caiu na rotina, até que um belo dia passados mais ou menos uns 40 dias depois do ocorrido, recebi um telefonema de uma multinacional onde fui convocado para uma entrevista, pelo telefone deixaram bem claro que era de meu interesse e que eu deveria comparecer, pois se tratava de um acordo que eu tinha feito recentemente e era imprescindível que eu fosse, claro que liguei os fatos e fui até la saber do que se tratava.

Quando cheguei no local "Empresa" já fui logo bem atendido pela recepcionista que me levou a uma sala de reunião onde havia uma mesa aredondada e ovalada, enorme e umas vinte cadeiras em volta dela, cada cadeira tinha um homem sentado exceto em uma que estava reservada para mim, eles se dirigiam a minha pessoa pelo meu nome e me tratavam como se me conhecessem a vários anos, no entanto eu nunca tinha visto nenhuma daquelas pessoas em toda minha vida.

O homem que estava na base da mesa se levantou e disse:
"Marcos, sente se agora você é da família e nesta família, cuidamos uns dos outros"

Me sentei e perguntei do que se tratava tudo aquilo, ai fui informado por eles através de uma longa conversa, aquela multinacional era como um hobby para eles terem motivo para se reunirem quando quisessem, esta Multinacional talvez seja uma das maiores empresas do mundo e ali estava eu leigo viajando em meio a inúmeras informações de um mundo novo mundo este que eu nem imaginava existir, todos eram muito educados e me deram um cartão de conta corrente já no meu nome e um extrato com a informação de que naquela conta tinha o equivalente a 5 milhões de reais depositados e em meu nome, meio sem entender não consegui me segurar e perguntei: isso é pagamento pelo pacto que fiz dias atras ?

Todos me olharam com ternura e responderam que sim, e que era apenas o começo, ganhei naquele dia um cargo na diretoria da mesma empresa e fui indicado a participar de uma loja Maçônica, nos dias decorrentes fui apresentado a políticos importantes e empresário famosos, participei de festas da alta sociedade e conheci vários artistas que também tinhão feito um pacto assim como eu, tinha um salário de dar inveja, comprei uma bela casa, um belo carro e tinha condições para ostentar o que eu desejasse.

O luxo fazia parte de mim e eu dele, e devido a ele conheci uma Atriz bem conhecida e famosa com quem comecei a sair e me relacionar e posteriormente namorar, mesmo escondido e não divulgando para a mídia estávamos namorando, não vou citar seu nome por motivos óbvios um dia fui levado a uma festa em Londres, lá fomos a um local ermo, bem distante da cidade em uma mansão daquelas tipo medievais, chegando lá tínhamos que colocar mascaras pretas no rosto e retirar toda a roupa para adentrar em um corredor que levava a um salão subterrâneo, eles nunca comentavam o que acontecia em suas reuniões ou festas quando estavam fora delas, e eu estava curioso aceitei e entrei no jogo, quando adentrei no salão percebi um ambiente bem luxuoso e agradável, tinha uma cama redonda no centro com uma mulher que estava de pé em cima da cama mas com um lençol negro envolvido em seu corpo da cintura para cima só dava para ver do seu umbigo para baixo, ela estava nua da cintura para baixo e envolta ao lençol negro da cintura para cima, na altura da sua cabeça um ferro prendia seus braços que estavam amarrados juntamente com o lençol, as únicas partes que podia se ver bem eram suas pernas e ginetárias, sob uma luz vermelha tipo aquelas luzes de Motel, toda a iluminação do local era avermelhada, em seu rosto a mascara escondia sua feição.

Em volta da cama tinha cinco homens fortes e malhados também nus e eretos, logo que eles perceberam minha chegada começaram a ter relação com aquela moça que estava sob a cama, fiquei olhando e fui convidado a participar mas meio que envergonhado mas ao mesmo tempo exitado vendo aquela cena entrei na brincadeira, todos penetraram ela e chegou minha vez, me aproximei e eles a soltaram e foram retirando o lençol que escondia aparte superior do seu corpo, fiquei paralisado e chocado com o que vi, aquela linda e exitante jovem era a pessoa com quem eu estava saindo a atriz que citei anteriormente, fiquei sem reação, ai ela vei e me beijou e sussurrou em meu ouvido; "não é só você que tem segredinhos", ai os caras que ali estavam começaram a ter relação com ela enquanto ela me beijava, acabou que entrei na orgia que durou a noite toda. Estou relatando este ocorrido pra vocês entenderem de como eles controlam as pessoas e o mundo.

Claro que o namoro acabou depois disso, mas não tinha motivos para eu reclamar da vida tinha tudo que queria, minha vida era regrada a sexo, luxo e poder, quando falo poder é ter condições e o PODER realmente de dar opiniões e interferir tanto em questões politicas quanto financeiras do meu pais, cujas consequências eram refletidas severamente na sociedade brasileira, eu tinha acesso a deputados, senadores e ate mesmo a presidentes da época.

Mais tarde já com meus 22 anos, cansado das orgias e da solidão causada pela futilidade das pessoas que só pensam em dinheiro, acabei conhecendo uma moça, garota de família e de princípios, diferente das pessoas que faziam parte dos meus círculos de amizade, por quem me apaixonei e me casei e tive dois filhos lindo, mas eu vivia uma vida dupla pois ela era bem religiosa e eu era um Satanista, eu escondia esta vida que eu levara, ela nem imaginava que eu pudesse ser quem eu realmente era.

Conheci ela aos 22 anos, namoramos 7 anos, quando tinha 29 nos casamos, ela sempre quis ser mãe mas não conseguia, somente 11 anos depois do meu casamento ela conseguiu engravidar do nosso primeiro filho e dois anos depois do segundo, quando meu segundo filho completou um ano, recebi uma visita de um dos líderes da organização da qual eu fazia parte, ele me trazia uma noticia derradeira e macabra, me informou que eu teria de sacrificar meu próprio filho em honra e adoração ao Demônio, pois eu deveria provar meu amor ao grande Mestre "Lúcifer", ou sofreria GRAVES CONSEQÜÊNCIAS, neste momento percebi quem eu era e quão terrível e maléfica eram as pessoas com quem eu tinha me envolvido, eu havia participado de rituais satânico mas nunca envolvendo uma criança e pior ainda meu filho que tanto eu amava.

Sob pressão psicológica, mas resistindo, pois aquelas duas crianças "meus Filhos tinham mudado algo dentro de mim assim que nasceram, eu não podia fazer mal a nenhum deles, então tomei a decisão de contar tudo a minha esposa que reagiu da pior forma possível, mas muito religiosa e caridosa não me deixou e pelo contrário, disse que se eu me arrependesse de coração estaria livre daquele acordo "Pacto".

Não pensei duas vezes quebrei meu compromisso com o demônio, deixei toda a minha vida de pecado no passado e fui buscar ajuda na igreja a qual ela frequentava, com 3 semanas que eu estava indo na igreja comecei a fazer caridades com o dinheiro que tinha ganhado de forma diabólica e imaginei estar seguro ali, pelo menos foi o que senti ate receber a noticia que minha esposa tinha sido sequestrada, passaram se os dias e nenhuma noticia sobre ela, até que duas semanas depois chegou a terrível noticia de que tinham encontrado o corpo dela e segundo as informações da pericia eles haviam esquartejado o corpo e utilizado ela para fazer um ritual satânico, rituais dos quais eu já havia participado anteriormente.

Senti na pele a mesma dor que eu causara em outras famílias anteriormente, com muito medo que algo acontecesse com meu filhos, busquei ajuda em várias igrejas e nada, comecei então a receber visitas diárias de demônios com formas de sombras negras que gelavam até a alma quando passavam perto de mim, mal tinha me recuperado da perca da minha esposa meu dois filhos adoeceram e precisei leva los ao medico, no caminho um acidente de carro acabou por ceifar a vida dos dois e me deixar paralisado da cintura para baixo quebrei a coluna e perdi os movimentos da perna ficando preso em uma cadeira de rodas.

Hoje vivo em uma cadeira de rodas, sofro pela perca da minha amada, me culpo pela morte de meus filhos e sou atormentado diariamente por demônios que me fazem desejar a morte como alivio de tanta dor, perdi todo o dinheiro que tinha e sou cobrado por sussurros demoníacos que assopram em meus ouvidos:

" Você teve tudo que prometemos, dinheiro, Luxuria e poder, agora estamos cobrando nossa parte e aguardando o dia em que iremos buscar Você!"

Fonte: https://www.sobrenatural.org/cgi-sys/suspendedpage.cgi

12/03/2019

GTA San Andreas

Eu sempre fui um grande fã dos videogames eu não sou como aquelas pessoas que se criaram jogando Atari, Nintendo64, Game Cube ou qualquer outro famoso daquela época. Meu primeiro console foi um DynaVision4 (sei que não era um dos melhores, mas era o que minha família tinha condição de me dar) passei muito tempo da minha infância com aquele videogame, até que de tanto eu pedir (e meus pais economizarem) ganhei um PlayStation2.

Bom minha alegria foi muito grande quando ganhei aquela caixa grande embrulhada, não demorou muito para que eu já conectasse na televisão de tubo da sala, junto meu pai havia me dado 3 jogos, Crash TwinSanity, Need For Speed Carbon e GTA SanAndreas, os três eram jogos piratas e meu console era desbloqueado, mas como todo mundo que já teve um PS2 desbloqueado sabe que o GTA SA vendido nos camelôs sempre teve uma certa dificuldade de funcionar no console, porém esse era o jogo que eu mais gostava pois via meus tios jogarem fazendo tudo o que queriam no game, eu também queria jogar esse jogo (conhecido hoje em dia como jogo de mundo aberto) acredito que a maioria das pessoas conheçam este jogo, se não conhece, EM QUE MUNDO VOCÊ VIVE? Enfim como era de se esperar o jogo não funcionou então fui até a lojinha destrocar por outro (a lojinha permitia você destrocar o jogo se ele não tivesse funcionado desde que fosse o mesmo jogo) achei um GTA SA com a capa diferente e perguntei o porque aquele era com a capa daquela forma o vendedor da lojinha afirmou que o jogo era o mesmo porém só mudaram um pouco a capa então levei aquele mesmo pois queria mostrar aos meus amigos que o meu GTA tinha uma capa mais bonita.

Chegue em casa e imediatamente inseri o jogo no meu videogame, passou a tela com as torres azuis, e para minha alegria (ou não) a tela de PlayStation2 apareceu, fiquei imediatamente feliz, confirmei aos meus pais que o jogo havia funcionado, então eles saíram para ir ao mercado, eu recusei o convite de ir junto pois queria aproveitar ao máximo o game. A tela de carregamento estava normal, nada havia mudado, estava começando a acreditar que o vendedor estava falando a verdade, porém segundos depois após o carregamento do jogo não houve a cena de introdução do CJ no aeroporto, em vez disso ele apareceu em um lugar completamente diferente do que eu conhecia, não havia como olhar o mapa, e a cidade estava totalmente estranha, não era Los Santos disso eu tinha certeza, CJ estava com um terno preto e uma gravata vermelha, o personagem estava fortemente armado, com todas as armas do jogo, e todos sabemos que não é possível o CJ carregar todas, ele troca a arma se ela for da mesma classe, porém ele estava com tudo, até a minigun.

Pensei que fosse algo bom tipo, meu personagem tem todas as armas, vou ter maior liberdade, mas logo que dei os primeiros passos apareceu uma legenda dizendo o que eu tinha que fazer, como aparece nas missões, porém achei estranho porque eu não havia entrado em nenhuma missão, mas resolvi obedecer, o jogo era traduzido e o que dizia na legenda era:

DESTRUA O CARRO!

Estava bem desta forma, tudo maiúsculo como se fosse uma ordem imediata, no canto da tela havia um temporizador que havia começado a contar quando a legenda apareceu então me apressei para não fracassar na “primeira missão” desse jogo, o minimapa era a única coisa que me guiava, quando achei o carro ele estava andando como um NPC qualquer, eu estava com uma moto, que foi o primeiro veículo que apareceu para mim ir logo acabar com essa missão, desci da moto e me aproximei do carro, peguei o RPG que basta um tiro e os veículos explodem, mirei com todo cuidado para dar um tiro certeiro.

Quando atirei fiquei surpreso pelo que aconteceu, o carro simplesmente continuou intacto, talvez com algum dano, mas muito pequeno, pensei que poderiam ter ativado o cheat de Carro Tanque naquele carro, então não seria fácil completar essa missão, mas o que me supreendeu mais ainda foi que o carro não se apavorou, como todos sabem, basta um único tiro e todos os NPCs aos arredores saem correndo desesperadamente, mas aquele carro não, como se ele soubesse que era invulnerável.

Daí pra frente o jogo começou a ficar mais estranho do que já estava, os gritos dos NPCs eram muito altos, eu sempre jogava com o volume baixo para não atrapalhar ninguém, mas aqueles gritos eram perturbadores, mas continuei jogando mesmo assim após muitos tiros de RPG o carro explodiu e em vez de aparecer como de costume “MISSÃO CONCLUÍDA” apenas apareceu uma cutscene de um casal que estava dentro do carro, agonizando e chorando. Por uma coincidência (ou não) eles estavam com a mesma roupa que meus pais. Horas depois que meus pais haviam saído, meus avós vieram me buscar para morar com eles, dizendo para mim que meus pais haviam viajado para outro país e não voltariam tão cedo. Anos depois eu soube que o carro deles havia explodido.

Autor: Carlos

05/03/2019

Sonhos?

Bom, já gostaria de deixar claro que não sei porque diabos fazer isso me ajudaria... mas enfim, eu já não tenho muita escolha.

Não acredito que seja necessário me apresentar, afinal vocês tem acesso a praticamente tudo sobre mim não é mesmo? Mas vou aproveitar a liberdade que eu tenho ao escrever e vou me apresentar como Jack , eu sei, se você for um pouco esperto vai achar esse nome bem clichê, mas isso não interessa agora.

Eu sempre achei que era um adolescente normal (e ainda acho), mas a julgar pelo que vem acontecendo nos últimos meses acho que as pessoas ao meu redor não me enxergam da mesma forma. Minha mãe me trouxe para cá na esperança de que eu me libertasse dessa “maldição”, ela sempre foi muito religiosa sabe? Aquele tipo de pessoa que se amaldiçoa por faltar no culto de domingo ou por não conseguir contribuir com o seu dízimo no início do mês.

Tudo corria bem como todos os dias até que na madrugada do dia 16 de Setembro de 2016 eu tive meu primeiro sonho. No sonho, eu estava deitado em um solo úmido e arenoso, o lugar era muito frio e o ar era seco e pesado, ao meu redor eu não enxergava nada apenas o meu próprio corpo. Depois de alguns segundos naquela posição, na qual eu não conseguia me mover, eu consegui enxergar algo novo, um ser que eu não consigo descrever a sua forma sem parecer um maluco, ele simplesmente não parecia com nada, eu enxergava e sentia apenas sua presença ali, uma presença azulada e meio opaca, eu senti ela se mover ao meu redor e repousar logo acima dos meu olhos, onde ela ficou por alguns instantes até que eu conseguisse acordar. O mais estranho era que eu não sentia medo algum, mesmo se tratando de um daqueles sonhos lúcidos que dizem por ai, onde a pessoa tem a sensação de fazer parte do sonho, como se aquela fosse a realidade.

Já acordado, tentei entender o que era aquilo, qual o seu significado (se é que havia algum), levei a mão ao criado mudo e peguei meu celular, 02:18 mostrava na tela. Levantei, bebi um copo de água e voltei pra cama.

Na madrugada do dia 19 de setembro de 2016, uma segunda-feira, eu estava lá deitado no mesmo lugar, e a mesma presença me observava, porem dessa vez foi diferente, eu senti como se estivesse sendo observado não por uma só, mas por milhares delas ao meu redor, aquilo me causou um certo incômodo (Eu nunca gostei de estar sendo observado, principalmente se eu não soubesse o que estava me observando), e então eu acordei novamente, ainda era madrugada, 04:27, um pouco mais tarde, dessa vez eu não resolvi voltar pra cama, eu decidi ir tomar um banho e sair para correr, pra dar uma respirada.

Quando voltei, resolvi falar com minha mãe a respeito disso, ela claro, já veio com o seu papo de que isso era sinal de fraqueza espiritual e que eu deveria procurar ajuda com um dos líderes religiosos dela, eu ignorei e pensei “que bobagem”, já arrependido de tê-la contado. Esse que provavelmente foi o maior erro da minha vida.

No dia 22 de setembro de 2016 porém, eu sonhei com algo um pouco mais bizarro, eu estava sentado dentro de uma sala escura um tanto quanto bizarra, eu sabia que era uma sala pois eu podia sentir a parede fria na qual minhas costas estavam apoiadas, conseguia ouvir algumas vozes de pessoas no ambiente algo que começou a me deixar com uma certa dúvida se esse sonho era como aqueles anteriores. Infelizmente a dúvida desapareceu quando uma luz fraca se acendeu no topo da sala, eu estava em uma jaula, preso junto a mais oito pessoas, quatro homens, duas mulheres, uma criança e um bebê. Naquele momento uma sensação atravessou o meu corpo, dada as circunstâncias do ambiente, um lugar sujo com insetos por toda parte uma escuridão vinda do outro lado da grade, uma sensação de medo começou a tomar conta do meu corpo, medo esse que se confirmou válido quando um homem de cerca de um metro e oitenta de altura entrou dentro da sala, com duas algemas meio medievais nas mãos, ele agarrou a criança e uma mulher que parecia ser sua mãe, os dois saíram da jaula em prantos, e eu finalmente acordei daquele sonho.

Assustado, eu me levantei depressa, olhei as horas, eram 05:32, eu já estava atrasado para me arrumar para a escola, eu sei que parece cedo demais mas a minha escola ficava a sete quilômetros da minha casa, e a caminhada até lá levava cerca de uma hora e quinze minutos.

Passei a manhã inteira pensado no que havia sonhado, eu não esperava por aquele tipo de sonho, nunca tinha acontecido, por qual motivo eu sonharia com aquilo?

Mal sabia eu que aquele sonho era só uma amostra grátis do banquete que viria a seguir.

Na noite seguinte, eu tive outro sonho, se é que posso chamar assim. Eu estava na mesma jaula preso com as mesmas pessoas, com exceção apenas da mulher e seu filho, não demorou muito e o mesmo homem que havia levado os dois mais cedo retornar para buscar mais dois, dessa vez foram dois homens, eu estava ficando enjoado e minha mente me perturbava enquanto pensava o que estaria acontecendo com as pessoas que era levadas, e infelizmente minhas especulações foram respondidas quando a mulher e seu filho voltaram, os dois estavam em cacos, a mulher estava coberta de sangue e feridas, uma parte de seu couro cabeludo estava faltando provavelmente havia sido arrancado a força. E o garoto, eu comecei a chorar quando vi, ele estava com as duas pernas quebradas e um corte profundo nas costas, além de também estar com o seu corpo frágil coberto por sangue, ele estava desmaiado e sua mãe gastava o resto de suas forças chorando enquanto acaricia a cabeça do garoto encharcada em sangue.

Eu não aguentei toda aquela cena, já estava com o rosto coberto por lágrimas, até que o homem novamente retornou, dessa vez ele pegou o bebe no colo e começou a olhar em volta como se estivesse escolhendo quem iria levar consigo, acho que vocês já devem estar imaginando que ele me escolheu.

Eu levantei, implorando para que não me machucassem e principalmente não machucassem o bebê, meus pedidos foram ignorados e eu fui levado junto ao bebê para uma outra sessão daquele lugar que parecia uma prisão. Eu vou poupar vocês do que aconteceu quando chegamos lá, mas eu devo que dizer que o bebê não sobreviveu, e eu..., eu não fiquei nada bem. Eu retornei para a cela paralisado, não sabia por que aquilo estava acontecendo comigo, eu sempre fui um garoto bom, por que eu tinha sido escolhido para aquela atrocidade, eu não merecia passar por aquilo.

Eu finalmente acordei, minha cama estava completamente molhada de suor, e minha mãe parada de pé me observando. Eu comecei a chorar desesperadamente ao lembrar do que eu tinha acabado de sonhar, chorei tanto que acabei dormindo de novo.

Quando acordei... Bem, eu estava aqui em um quarto de um hospital religioso qualquer, esperando para ser transferido para a ala de tratamento psiquiátrico.

A partir daquele dia, durante todas as noites que eu me deixo pegar no sono, eu retorno para aquela realidade maldita, na qual eu nunca consigo sair, nem sequer consigo morrer. Eu já experimentei de tudo, todas as formas de causar sofrimento a uma pessoa, já foram usadas contra mim.

EU NÃO AGUENTO MAIS!!!

Eu nem sei mais o que é real!!

Já tentei de tudo, todos os métodos espirituais e científicos. Eu não sei mais o que fazer.

Eu só quero... Só quero MORRER!!

Autor: Gabriel Tupã