Os meus pais estavam orgulhosos de mim, pois, quando completasse os meus treze anos, seria a minha primeira vez. Eles escolheram um homem com cinquenta e oito anos para que eu pudesse finalmente saber como é fazer aquilo. E, finalmente, esse dia chegou. Eu teria que fazer no meu aniversário, segundo os meus progenitores.
Pararam o nosso carro em uma praça onde o homem costumava ficar, este que era um galanteador local, uma pessoa que gostava de se aproveitar de garotas inocentes e, naturalmente, gostará de mim. Papai olhou para mim com sorriso de orgulho, e a mamãe disse que tudo ficaria bem, dado que eu apenas precisava fazer aquilo uma vez para poder me acostumar e não parar mais.
Me apresentei para o homem com um "bom dia", e ele ficou surpreso com a minha presença, com a minha idade e além da minha beleza juvenil. O sujeito começou a dizer o quanto tinha dinheiro, mostrou o seu carro importado e os seus relógios de ouro na mão, que era ridiculamente bizarro uma pessoa com três relógios nos braços só para mostrar que eram de luxo.
Nos levou para um bar de confiança onde vários caras como ele frequentam e ninguém ousaria abrir a boca para as coisas que presenciavam ali. Algumas vezes, ele tentou encostar em mim, no entanto eu afastava-me tentando esperar ele terminar de beber algumas garrafas de cerveja, que um dos seus subordinados trouxe. Fiquei ao seu lado mais parecendo uma filha, ou algo do tipo, diante das pessoas para que ninguém desconfiasse do que eu pretendia fazer com aquele homem.
Fiquei por horas: escutando ele dizendo o quanto eu era bonita e com as investidas indelicadas que fazia todo momento enquanto colocava copos com cerveja em sua boca. Após um certo tempo, finalmente, se cansou e não aguentava mais beber. Então disse, agarrando o meu braço, que tinha algo para me mostrar em sua casa em frente à praia. Eu acompanhei até o seu carro e vi os meus pais de longe, observando como duas corujas indiscretas.
Antes de entrar no carro importado que ainda estava com aquele cheiro de objeto novo, observei quando discretamente a mamãe acenou com a mão e com aquele olhar de boba que não tirava do rosto.
Chegamos até à casa do homem, ele nos levou até o seu quarto e começou a tirar a camisa. Pedi para ele se sentar e fechar os olhos... Quando menos esperava, enfiei um objeto pontiagudo, que tinha no meu cabelo escondido, em seu olho direito. O cara gritou, e enfiei nas suas costas, e ele me arremessou contra uma cadeira para tentar buscar ajuda, mas nada adiantava. Não tem como fugir da situação bêbado a qual encontrava-se.
O meu pai disse que a morte duraria mais tempo, pois a minha arma era tão fina quanto um alfinete, e ele antes de morrer teria múltiplas hemorragias internas por conta dos furões em seus órgãos. Estava preparada suficiente para esse cara. Quem diria que a sua casa em frente à praia, bem afastada dos olhares públicos, seria o local ideal para que ninguém escutasse os seus gritos de horror.
Além dos golpes precisos nos locais certos para que não morresse rápido e sentisse muita dor, dei golpes de lutas marciais, tudo ensinado pelos meus pais. Após uma morte extremamente cruel, dolorosa e lenta, eu fiz a minha primeira vítima. Os meus pais disseram que eu seria tão boa quanto eles ao matar minhas vítimas e tenho razão porque foi muito prazeroso saber como é ceifar uma vida.
E como eu já disse no início, "a minha primeira vez foi com um homem de cinquenta e oito anos."
Autor: Sinistro
29/10/2019
15/10/2019
A Herança Maldita
Minha avó perdeu os pais num acidente de carro, em 1956, quando tinha 13 anos. Então teve de ir morar com os ''padrinhos'', que eram os amigos mais próximos de seus pais na época, porque eles não tinham parentes aqui no país, e vieram da Holanda para cá, em 1936. Ela nasceu em 1943. Os padrinhos carniceiros deram um jeito de ficar com toda herança que seria de minha avó, onde com 14 anos casaram-na com um parente distante deles, e depois fizeram ela rumar ao interior do Rio Grande do Sul, onde vivia.
Desde a morte dos pais ela disse ter vivido uma vida conturbada, não tinha parentes mais no mundo, constantemente era espancada pelo marido bêbado, que chegava em casa e descontava toda frustração da vida cotidiana de trabalhador de fazenda em suas costas, resmungando que ela destruiu sua vida e suas chances de ''se dar bem''. Ela me disse certa vez ter perdido todo o amor pelo mundo já muito nova, que só viveu até hoje pelo fato de acreditar que após a morte, Deus e seus pais acidentados a receberiam de braços abertos e chorando por ela ter demorado tanto para ir vê-los. Ela teve 06 filhos com um homem que nunca amou. Viveu uma vida bem miserável, enquanto apanhava isoladamente e friamente por um parente de desconhecidos que lhe tiraram tudo que essa vida poderia dar.
Meus tios e tias cresceram numa família desestruturada, com constantes brigas entre seu pai espancando sua mãe e sem poderem fazer nada ao passo em que cresciam. Meu avô viu seus filhos crescer, bebendo, e espancando a mãe deles em sua frente. Meu tio mais velho cresceu com ódio, jurando matar o pai certa vez, por todo sofrimento que ele faz passar os irmãos e ele. E o fez, ele o matou. E também se matou em seguida, no quintal da casa, com um tiro de espingarda no céu da boca, que abriu um buraco enorme e vago na sua cabeça do outro lado, depois de também matar o pai com um tiro na cabeça. Creio que ele não conseguiria viver com o fato de ter matado o próprio pai. O pai dele era um lixo de gente, um animal, e ele sabia disso. Todos sabiam disso. Todos também queriam sua morte. Mas, no fim, creio que mesmo sabendo de todas essas verdades, ele ainda amava ''aquele animal'', seu pai, que desde que nasceu, o chamou de filho. São coisas da vida.
Foi minha avó quem encontrou os corpos. Quando o fez, ela pegou o corpo do meu tio nos braços e ficou ao lado dele, até meus outros tios chegarem em casa. Ela nem sequer olhou para o corpo do marido ao chão e coberto de um sangue negro e pastoso, com um buraco aberto na cabeça e acima dos dentes. Eu não era nascido ainda, mas mais tarde minha mãe me contou que não teve coragem de ver o pai e irmão mortos. Meu outro tio viu. E ele disse que aquilo não deveria nunca ter sido visto pela minha avó. Por outra pessoa, sim, mas não por ela. Não depois de tudo que ela viveu e passou nas mãos do meu avô. Não ela, dentre todos ali...
Nenhum dos irmãos gostava de admitir, mas o filho mais velho sempre foi seu preferido, o que ela sempre cortejou mais, limpando os cabelos sujos de areia, escovando os dentes, dando banho e cuidando das unhas cheias de terra e sujeira preta. Ver o filho jogado ao chão e com um buraco na cabeça destruiu qualquer traço de sanidade que ainda havia repousando a consciência dela. Ela não disse uma palavra depois do acontecido por quase um mês. E ninguém também a viu chorar pelo caso. Mas todos sabiam que, de todos ali, era ela quem mais sofreu pelo trauma.
Ela enlouqueceu, posteriormente, ao acontecido, nunca mais voltou a ser a mesma mulher. Sofre de delírios até hoje, poucas vezes possui alguns picos de lucidez e, quando sofre, logo o perde.
Ela mora comigo e minha mãe hoje em dia. Só nós três. Meus pais se separaram depois de 06 anos de casado e decidimos ir morar ao Nordeste, em Recife. Faz mais de 03 anos que não vejo meu pai e somente nos falamos por redes sociais, vez ou outra por chats de vídeo, no Whatsapp. Apesar de tudo, gosto do meu pai, mas gosto ainda mais da minha mãe e não podia deixá-la após ter decidido ir embora do Rio Grande do Sul para esquecê-lo e ainda cuidar de uma idosa enlouquecida.
Voltando ao caso, minha avó anda pela casa de madrugada e fala sozinha (isso me assusta), fala com coisas e grita pelo meu nome dizendo que estou bisbilhotando suas conversas pela casa. Dias vão, dias vem, ela diz ver um homem todos os dias e que conversa com ele. Eu sempre pergunto quem é o homem, mas ela nunca diz quem é, só diz que ''ele não tem cara'', que há um grande buraco aberto na sua cara, pingando sangue e carne velha podre, com cheiro de queimado, como se estivesse desgastada, mas ainda mais vermelha e viva que o inferno. Logicamente, eu atribuo que ela ainda tem delírios com o filho morto, meu tio, cujo qual ela presenciou a morte. Isso não me abalava, eu não sentia medo dos delírios. O que eu passei a ter medo foi quando os delírios mais pareciam possessões demoníacas que qualquer outra coisa. Até ela começa a ficar cada vez mais perto do meu quarto, até ela arranhar a porta do quarto com suas unhas enormes que nunca deixava ninguém cortar e não falar nada, até ela incessavelmente bater na minha porta de 5 em 5 segundos e nunca responder quando eu perguntava ''Quem é?''.
Algumas vezes quando eu acordava de madrugada, ela estava sentada ao pé da cama, me olhando. Olhos desconhecidos, longínquos e assustadores, como se um demônio estivesse a espreita, esperando que eu acordasse para puxar os meus pés, olhar nos meus olhos e dizer: ''Acabou, você não vai viver. Não tem mais esperanças, hoje, vamos ao inferno'', e então começar a lentamente me carregar para debaixo da cama, onde mãos negras e podres, cheirando a enxofre e morte, me arrastaria para o fogo eterno e eu viveria sendo dilacerado pelas chamas inquietantes e infernais derretendo minha pele. Aquilo me assustou demasiadamente. Fez minha alma tremer e eu quase chutei-a na hora. Não tive coragem de falar com ela. Chamei minha mãe num grito gigantesco e pedi para que ela retirasse-a dali depressa. Então minha mãe veio e a retirou. Mas seus olhos vagos e vazios não saíram de mim em nenhum momento até que ela se deixasse sair do quarto, enquanto um sorriso sombrio e arrepiante ecoava por sobre sua boca, o que me causou uma inquietação exasperante e quase me deixou sem ar. Naquela noite, pedi para minha mãe não deixar mais que ela entrasse no meu quarto. Nem quando eu estivesse dormindo e nem nunca.
Comecei a trancar o meu quarto e conversei com minha mãe sobre isso, sobre minha avó estar mais que somente louca, sobre ela estar me assustando e sobre eu não querer mais morar com ela. Mas ela não me deu atenção, disse somente para que eu parasse de incomodar minha avó louca. Como se fosse eu quem estivesse incomodando-a. Outra noite, tive que trancar o quarto porque ela queria entrar e começou a gritar. Há noites em que ela faz silêncio, outras em que ela chama meu nome.
''John, venha aqui fora, ele quer te ver'',''John, venha aqui fora, ele quer falar com você''.
Eu sempre pergunto: ''Quem quer me ver'', mas aí ela se cala e dá uma risada macabra, e isso me assusta mais que o próprio inferno.
Outra noite eu acordei e quis ir na cozinha, ela não estava no sofá, como de costume, fui até a sala de estar, a porta da casa estava aberta, ela estava na varanda, onde há uma grande janela para um terreno vazio, cochichando sozinha, no escuro e em um ruído não traduzível. Não pareceu notar minha presença ou estava concentrada demais em sua conversa (delírio) pessoal, que nem quis me dar atenção. Me aproximei mais, mas não chamei-a, apenas estendi minha mão para tocar em seu ombro, quando, de repente, ela segura minha mão sem ao menos olhar para mim, enquanto estava de costas. Meu coração disparou e minha garganta fechou. Eu não costumava imaginar isso, mas se houvesse um momento em que mais achei que poderia morrer e/ou que ela poderia ter me matado se quisesse, seria naquele momento. Sua mão esquerda, mais fria que a de um cádaver congelado, era extremamente forte, muito forte para uma senhora débil mental, com seus generosos 1,55 de altura e seus 52 quilos. Ela segurou minha mão forte o suficiente para machucar e olhou para mim com os mesmos olhos carnívoros que me olhou ao pé da cama. Ela apontou o outro braço para o nada negro do terreno e, pela primeira vez naquela noite, eu achei que havia algo ali. Uma terceira presença que eu nunca havia notado em minha vida. Eu não conseguia vê-lo, mas sentia que estava ali, no meio da vegetação alta e escura, me observando, me querendo, até mesmo me desejando. O pavor em meu rosto era notável, minha garganta seca e o rosto pálido só conseguia olhar para o escuro vazio onde ela apontava. E eu acreditava ser melhor assim, não queria olhas naqueles olhos demoníacos dela de novo. Não centrados ao meu lado, pois sabia que se eu olhasse, era o mesmo que estar olhando para o rosto e olhos do próprio diabo querendo devorar minha alma em mordidas lentas e dolorosas. Olhar o vazio negro e assustador era mais reconfortante que isso. Em meio ao meu pavor, ela aperta minha mão mais forte e diz, com uma voz grossa e amedrontadora que nunca lhe pertenceu: ''Então, consegue ver agora? Ele está aí, bem a sua frente... E ele lhe quer, John, ele quer seu sangue e sua morte. Como ele morreu, como ele teve que morrer, você também vai... E ele, comigo, irá beber seu sangue e o de sua mãe para que assim possamos viver juntos para sempre...''. Antes de permitir que aquela voz horrível continuasse proferindo qualquer tipo de absurdo insólito, soltei meu braço do repuxe dela e corri para o meu quarto, tranquei a porta e gritei o mais alto que pude pela minha mãe. Minha mãe tinha o sono pesado, mas o nível dos meus gritos estavam tão altos que eram capazes de derrubar aquela casa. A minha avó, ou o que quer que ela fosse naquele momento, me seguiu e começou a bater na porta, gritando: ''Você não vai fugir, John, você não pode. Eu já estou aqui, ele já está aqui, é só uma questão de tempo, John, você vai morrer e a vovó vai cuidar de você, e de seu corpo, das suas entranhas e, quem sabe, dos seus pulmões. Já comeu pulmões, John? Que gosto será que os seus tem?''.
A voz ainda possuía o mesmo tom demoníaco de antes, só que, ao passo em que minha mãe acordou e se aproximou da porta do seu quarto, o grave daquela voz foi perdendo força e minha avó foi parando de falar aquelas coisas horríveis, voltando ao seu tom de fala fraco e normal, somente batendo na porta quando minha mãe finalmente sai do seu quarto e diz: ''Mamãe, já não pedi para pará-lo de o assustar?'', ela então responde: ''Me desculpe minha filha, só estava com saudades do meu neto'' e se afastou. Não ouvi nada demais até o resto daquela noite e simplesmente dormi para esquecer tudo aquilo, mas vez ou outra acordei de madrugada. Com medo. O mais simples e puro medo de ela novamente estar no pé da cama pronta para me arrastar para o inferno. Mas ela não estava.
Desde aquela noite, ela passou a cantar uma música horripilante sobre um homem deformado, que espreitava e comia crianças e adolescentes. Eu tenho 11 anos. E acredite, eu estava no meu limite. O terror que morar naquela casa tinha se tornado me fez repensar toda minha leve vida até aquele momento. Se eu soubesse que minha própria avó me causaria mais medo do que o próprio diabo encarnado, eu nunca teria vindo morar aqui com ela e minha mãe. Mas, de toda forma, não posso deixar minha mãe aqui com ela. Eu amo minha mãe. E sempre que ela terminava de cantar, parava na porta do meu quarto, batia nela, e não dizia nada, mas estava lá. Se eu abrisse a porta, ela estaria ali e eu sabia disso. Eu não podia abrir a porta pelo fato de estar com mais medo da minha avó do que do próprio diabo.
Agora eu me pergunto o que há de fato: Minha avó é louca, e tem delírios mentais pelo dor remoída da perda prematura de seu primeiro e preferido filho ou ela realmente vê esse homem com a cara destruída e despedaçada, e incorpora sua existência enquanto amedronta a minha? De certo modo, eu não queria saber...
Mas sabe, já são 12:30 e eu preciso ir para a escola.
Os acontecimentos conseguintes são os mais surreais de toda a minha vida e eu simplesmente não queria tê-los visto ou vivido. O horário que eu voltava da escola era sempre 18:30, 19:00 no máximo, geralmente quando o rapaz do transporte se atrasava por algum motivo específico, seja trânsito ou quaisquer outras coisas. Hoje, foi um desses dias de atraso. Mas o trânsito estava realmente horrível. O rapaz sempre me deixava na porta de casa, então eu descia e abria o primeiro portão com minha chave e andava até minha casa, que ficava lá no fundo, do lado de um terreno vazio enorme e assustador, com gramado alto verde-escuro e entulhos, que sempre ficava preto quando era noite.
Aquele dia, em especial, foi diferente, minha avó estava perfeitamente bem pela manhã, sem dizer ou agir estranhamente, como de costume, me deu ''Bom dia'' e serviu meu café e o da minha mãe. Nos sentamos na mesa, mas no momento vocês devem se perguntar como uma mulher louca pode servir café. De fato, minha avó era louca, mas ela conseguia inexplicavelmente ter picos de sanidade vez ou outra, conversar e até servir/fazer sua própria comida. Não era sempre, mas quando ocorria, minha mãe não gostava de interromper ela e, bem ela nunca se machucou antes fazendo isso, ou machucou alguém, então não havia problema. Ao sentarmos, ela falou pela primeira vez sobre o ocorrido com seu marido e filho, meu avô e tio. E falou de uma maneira tão lúcida e genuína que vi minha mãe ficar pálida do outro lado da mesa. Ela nunca falou sobre isso nos últimos quarenta anos. Mas não falou muito, nem entrou em detalhes, disse breves dez palavras: ''Quando vi seu irmão caído no chão, eu morri junto com ele naquele dia''. E então se calou, não disse mais que uma breve palavra naquela manhã. Ninguém se atreveu a falar nada depois disso. Minha mãe estava gélida pela surpresa, mas triste pelo dito. Eu não me atreveria a dizer nada por ser pequeno e também por ter ao menos uma noção da carga emocional que isso carrega para minha mãe. E minha avó, bem, ela simplesmente não disse mais nada por motivos óbvios. Naquela manhã, terminamos nossos cafés, nossos biscoitos e nos levantamos. Lembro de ter dado as costas para mesa quando, por sobre os ombros, escutei minha avó dizer mais algumas palavras para minha mãe: ''Você sabe que dia é hoje, não é, Layla? Foi no dia de hoje que ele morreu...''
Eu não disse nada. Só escutei, mas escutei perfeitamente, e foi isso que mais me assustou durante o dia e que me assombra agora, ao olhar para esse terreno mais negro que o tecido espacial refletindo meu medo essa noite.
Vou andando em passos vagarosos até minha casa, contando mentalmente (1,2, um, dois), ao me aproximar cada vez mais, meu peito vai se fechando num medo que corrobora o motivo de tudo: eu tenho medo de morrer! Tenho medo de saber que meu tio morreu hoje e tenho medo de saber o que aquilo que minha avó disse para minha mãe hoje significa. Então, apresso os passos, ao aproximar-me da porta, notei que ela estava entre-aberta, e então escuto aquela música demoníaca que minha avó vinha cantando dias atrás para mim. Noto que ela parece ter sentindo minha presença ali e gargalhou, uma gargalhada mais oca e dolorosa, que feliz. Empurro A PORTA e entro. De olhos fechados. Entrei em casa de olhos fechados. E então, com mais medo do que já senti na vida, abro os dois olhos lentamente...
E vejo... Cristo!
Eu vejo o próprio INFERNO! O chão da sala de estar está em uma poça gigantesca de sangue, um sangue negro e pastoso, como tinta ressecada. Está no chão e escorrendo aos meus pés. É minha mãe, morta, com um tiro de espingarda na cabeça e um buraco enorme na parte de trás do couro cabeludo. Minha avó está sentada na cadeira de balanço ao lado dela, rindo e cantarolando:
''Conte os passos, abra a porta, eu quero entrar, é o mal encarnado...
''Conte os passos, abra a porta, eu quero entrar, é o mal encarnado...
''Conte os passos, abra a porta, eu quero entrar, é o mal encarnado...
Meu coração se fecha e eu não consigo respirar. Sinto meu peito e minhas pernas pesarem, como se estivesse preso, mas mesmo assim ameaço correr e a porta nas minhas costas simplesmente bate. E então minha avó levanta, com a voz num tom tão grave, que parecia uma legião de pessoas, melhor, de demônios se expressando por ela:
''Eu disse, não disse, John? Eu disse que ele existia, disse que estava aqui, mas você acreditou em mim, John? Acreditou? Não, não é? Veja sua mãe, morta no chão agora, John, consegue ver? Em? Acredita nele agora, John? Acredita em mim, John, em?'' E então sorri um riso macabro, com suas mais de 1000 vozes em uníssono. Minha espinha arrepia. E ela continua:
''Eu sempre o vi John. E, acredite, você não vai morrer, não, não vai... Eu seria boa demais se fizesse isso, ele seria bom demais. Você deve se perguntar o porquê de tudo isso, não é? Mas não há um ''porquê'', John... O mal existe e ele se favorece dos fracos, John, quando você se mata, John, você vende sua alma ao diabo e tudo que é seu, ou foi seu, pertence ao mesmo. Mas isso não acaba aqui, não, você vai viver e vai ser o próximo hospedeiro do mal, da loucura e da desgraça, John...''
Eu quero correr para o meu quarto e me trancar, mordo a língua para quebrar a transe e vejo minha avó possuída repetir: ''Pode correr!'', e então corro em direção ao quarto, só que quando vou entrar, algo invisível esbarra em mim, que, aos poucos, deixa de ser invisível, e então um homem de terno preto e com a cara destruída pelo que parece ser um tiro de espingarda aparece diante de mim e cospe sangue morto na minha cara. E então minha avó diz:
''É ele, John, tudo começou por ele. Foi ele quem se matou e vendeu sua alma ao diabo no processo''.
Nesse momento, eu não tenho mais forças para correr, eu apenas me debulho no chão em meio ao sangue da minha mãe, o espírito vingativo e horripilante do meu tio cuspindo sangue morto em mim e minha avó possuída, me dizendo: ''Bem, está na hora de acabar, mas você não vai morrer, John...''.
Eu sei o que ela vai fazer, ela vai atirar na cara, como seu filho e como assassinou minha mãe. Então me encolho no canto da parede e abaixo minha cabeça entre as pernas. NÃO QUERO VER, NÃO QUERO VER, NÃO QUERO VER. Mas ela grita:
''Não, você vai ver, John! Foi tudo para isso, é tudo por isso! Você vai ver... Pegue-o!''
E então o homem com a cara destruída me segura pelo pescoço com uma força sobre-humana, segura meus braços e puxa meu cabelo para trás, forçando minha cabeça contra minha avó possuída, que diz:
''Acabou, John, veja! Somente veja, sua mãe morta, caída na escuridão e tomada pelo mal. Pelo diabo. Ela vai apodrecer no inferno e você não irá poder seguí-la, pois você não irá morrer, você é o próximo herdeiro da escuridão, loucura e debilidade. Quando eu acabar aqui, os delírios, os demônios e os fantasmas serão seus, todos seus, para sempre... Até que você encontre outra família para continuar o ritual de destruição e loucura com outro hospedeiro. Até lá, você vive!''
Terminando de dizer o ''você vive, a avó demoníaca ajoelhou-se ao lado da filha morta, engatilhou a espingarda e apertou contra o céu da boca, que espatifou seu cérebro do outro lado e fez carne fresca e sangue virgem do seu cérebro ecoarem pela sala. O menino agora viu a legião de demônios incorporados em sua avó saírem e adentrarem no seu corpo, todas as vozes começaram a falar ao mesmo tempo em sua mente e tudo que ele tinha ao campo de visão era o do homem de terno preto e com o buraco na cara, que simplesmente o perseguia em qualquer direção que olhasse (toda a loucura agora é sua, disse sua mente). Ele não conseguia andar, então sorriu, caiu, queria dormir e ver se tudo era um sonho, mas não conseguia. As vozes na sua cabeça repetiam incessantemente coisas negativas (você vai morrer, você é louco, louco, feio, louco, lixo, lixo) e essas degradações mentais nunca acabavam. Ele então decidiu morrer. Se arrastou em dois pés com o pingo de consciência que ainda lhe restava até o corpo morto da avó, retirou a espingarda de sua boca e por algum momento achou que seu tio morto o impediria de se matar, mas não o faz. Ele então seguiu até o lado do corpo da mãe e beijou-a no rosto. E disse:
- Isso é só um sonho, vai acabar! - Disse.
E puxou o gatilho, mas não havia balas. Ele sorriu.
- Só lhe resta o seu pai! (ecoou uma das vozes em sua mente, uma que lhe parecia com sua avó).
- Verdade! - Disse ele.
Ele então retira o celular do bolso e liga para o pai! O que se sucede aqui é, que aos poucos, a essência demoníaca que se apoderou do corpo dele vai tomando sua consciência num nível que, aquilo que existia antes, já não existiria mais em pouco tempo. Só haveria loucura, morte, escuridão. E dívida. Muita dívida.
O celular chama duas vezes, e:
- Alô, John? - Disse o pai.
- Oi, pai, sou eu! - Disse ele.
- Tudo bem com você, meu filho?
- Sim, pai! (ele não disse a verdade, o mal não permitiu)
- O que quer?
- Será que (vozes na cabeça começam a assumir) eu posso ir morar com você de novo? - Disse.
- Mas é claro, meu filho! Onde está sua mãe? - Disse o pai!
- Ela não pode falar agora! (e esse foi o último resquício de consciência do garoto)
- Vou pegar um voo e ir te buscar amanhã!
- Ok, p-p-pai! Seremos uma linda família! (e na mente do garoto somente ecoou um pensamento verdadeiro: eu quero matar você, pai, você vai MORRER!)
Autor: The Nightmare
08/10/2019
Um Pai Desesperado
Já fazem 3 meses.
Para alguns esse tempo pode durar muito.
Mas para um pai desesperado... Dura uma eternidade.
Há exatos 3 meses, meu pequeno filho Urian saiu para brincar com seus amigos pela madrugada, escondido de mim.
Fui acordado aos gritos pelos garotos, todos dizendo que Urian havia ficado preso em uma casa a qual eles invadiram durante a noite para pregar uma peça.
Sem pensar duas vezes, fui voando até o suposto local. Ao chegar lá, encontrei meu pequeno garoto, assustado, como uma criança, sentado em um sofá-cama, rodeado de pessoas.
Tentei tirá-lo dele sem que percebessem, mas logo vi que seria inútil. Se eu quisesse salvar meu filho, teria que ficar naquela casa também e assumir o lugar como pai.
Demorei um pouco para me acostumar com os costumes estranhos e as regras a se seguir ali. Mas saber que nada seria tão difícil quanto ficar sem meu filho, me dava forças para me sustentar naquele ambiente desgostoso.
Fui forçado a levar o menino à médicos, submetê-lo a diversos exames, os quais eu sabia que não resultariam em nada.
Nenhum médico poderia resolver aquilo. Não era desse mundo.
E a medida que o tempo passava, a situação piorava. O corpo de uma criança não resistiria muito tempo.
Depois de muito insistir, foi permitido que eu chamasse um sacerdote. Chamei um, depois outro, depois outro. Chamei vários, de todos os tipos.
Inúteis! Todos com seus pózinhos e líquidos mágicos que apenas fizeram o garoto se contorcer por horas e horas enquanto eu era obrigado a assistir toda aquela tortura.
Inúteis.
Fazem exatos 3 meses que Urian saiu de casa para brincar com os amigos. Eu devia tê-lo dito que ele era novo demais para brincar dessas coisas.
Eu estou desesperado.
Por favor, ALGUÉM ME AJUDE A TIRAR MEU FILHO DE DENTRO DESSA CRIANÇA!
Autor: Lucas Queiroz
01/10/2019
Infernum
“Um gosto do inferno” ou apenas “Infernum”, era o título de um livro que teria sido escrito por uma pessoa chamada Carrie Shay. Um trecho que seria parte do livro, foi publicado no Reddit em 2008. A autora em questão, comentou que planejava publicar um livro de contos, pedindo a opinião das pessoas sobre o que achavam dos seus textos e poemas. O que se sabe de Carrie, é que a mesma era uma garota esquisita, as vezes falando sobre depressão, suicídio e assuntos mais complicados como incesto, pedofilia e outras coisas que não queremos ouvir na mesa de jantar e nem em um círculo animado de amigos.
Ao ser perguntada por alguém sobre que tipo de contos ela escrevia, a mesma disse que adorava escrever coisas para chocar o leitor, se baseando em algumas histórias japonesa obscuras que você encontra nas entranhas da internet.
"Assisti vários filmes que as pessoas consideram pesados e chocantes, porém, nunca me fizeram sentir nada. A maioria era focada no Gore, forçavam tanto para chocar o telespectador que começava a ficar ridículo. Eu queria escrever algo que os deixassem desconfortáveis, acho que a leitura tem um poder bem maior para fazer isso. Quero que eles leiam e fiquem “Meu Deus!”.
Essa foi uma de suas respostas para um dos seus poucos fãs na época. Ainda assim, nem sempre os textos e poemas de Carrie tinha temas pesados, alguns eram interessantes e abertos a interpretações. Um deles, sem um título, foi postado por ela em 2007, um ano antes dela chutar o balde de vez com “Infernum”.
“Acorde e vá para de baixo da cama
Lá fora o inferno reina
O demônios tentaram quebrar as janelas
Espere o som diminuir e depois volte a dormir
Assista a Tv pela manhã
Veja as pessoas felizes em um local distante
Sorrindo para as folhas levadas pelo vento de uma tarde de outono
Nós estamos presos
Neste canto do mundo
Os demônios estão vindo
E demônios mais poderosos estão logo atrás
Aqueles que lhe dão poder
Aqueles que lhe dão liberdade
Aqueles que falam de amor
Apenas volte a dormir
O amanhecer continua belo.”
Alguém uma vez a perguntou o motivo de usar bastante a palavra “Inferno” em suas histórias, Carrie simplesmente respondeu
"Acho que vivemos um gosto do inferno neste mundo, entende? Este lugar é terrível. Vivemos em uma espécie de demonstração e devemos tirar uma lição disso, devemos ser boas pessoas. Não tem nada de bom aqui, tudo é uma merda. Mas, ainda pode piorar. Como eu disse, esse mundo é apenas uma pequena amostra, você não quer ver o que vem a seguir. Sejam boas, crianças".
Podemos perceber que ela não tem uma visão muito otimista do mundo, algo não muito sério, quer dizer, muitas pessoas tem pensamentos extremos de como o mundo é um lugar cruel e problemático, entretanto, muitas dessas pessoas tendem a ter fiéis seguidores que concordam com tudo que elas dizem.
Ela continuou postando seus contos normalmente até agosto de 2008, quando começou a agir estranhamente, não respondendo mais seus “fãs” como antes. Notando essa mudança de humor, todos começaram a perguntar o que estava se passando, se ela estava bem, se algo tinha ocorrido. Então, ela resolveu responder.
"Em algum lugar, neste momento, uma pessoa tá sendo mantida em cativeiro. Ela está sendo torturada e estuprada. Os demônios estão arrancado suas entranhas. Como conseguimos viver sabendo que isso tá acontecendo em algum canto desta merda de mundo? Não consigo ficar bem com isso, cara. Eu odeio gente como vocês, que falam em viver a vida ao máximo, viver no limite da porra toda, que coisa mais inútil. Isso tudo é um pesadelo no qual estamos presos até finalmente acordamos. Vocês sabem muito bem quando acordaremos"
Alguns dias depois ela respondeu as pessoas uma última vez, agora falando sobre o livro. Ela não falou muito do conteúdo, apenas seu título foi dito e o seguinte trecho
“Tudo parecia um sonho distante, nada mais restava, nem lembranças, nada. A única certeza em sua mente era a morte, acompanhada de seis seres grotescos ao som de um filme dos anos 90. Não sentiria mais o calor das manhãs de verão, o único calor que sentirá é aquele que a fará brilhar por toda a floresta. Não podemos esquecer também do homem de mil faces. Ele entrará em sua residência pela madrugada e devorará sua carne”
Depois disso, Carrie não postou mais nada. Muitas discussões ocorreram até alguns usuários chegarem à conclusão que uma parte do trecho batia bastante com a descrição do assassinato real de Suzanne Capper, que ocorreu em dezembro de 1992. Já a parte do homem de mil faces, poderia ser apenas outra coisa envolvendo outro assassinato brutal? Teorias foram discutidas, mas ninguém chegou a um acordo sobre o que se tratava. Pessoas apareceram dizendo conhecer Carrie, afirmando que ela cometeu suicídio depois de delirar uma noite inteira. Outras diziam que ela apenas resolveu se concentrar em seu livro. Nada foi comprovado. Anos se passaram e não se tem nenhuma notícia de um livro com tal título escrito por essa autora, o que aumentou ainda mais as crenças em um possível suicídio. Seus poucos seguidores continuam esperando uma resposta, mas a verdade é que Carrie tornou-se apenas alguém esquecida no tempo que, ainda não explicou exatamente no que estava pensando quando resolveu tocar no assunto do "Homem de mil faces". Eu apenas passei a trancar melhor as portas de casa toda noite, por precaução.
Ao ser perguntada por alguém sobre que tipo de contos ela escrevia, a mesma disse que adorava escrever coisas para chocar o leitor, se baseando em algumas histórias japonesa obscuras que você encontra nas entranhas da internet.
"Assisti vários filmes que as pessoas consideram pesados e chocantes, porém, nunca me fizeram sentir nada. A maioria era focada no Gore, forçavam tanto para chocar o telespectador que começava a ficar ridículo. Eu queria escrever algo que os deixassem desconfortáveis, acho que a leitura tem um poder bem maior para fazer isso. Quero que eles leiam e fiquem “Meu Deus!”.
Essa foi uma de suas respostas para um dos seus poucos fãs na época. Ainda assim, nem sempre os textos e poemas de Carrie tinha temas pesados, alguns eram interessantes e abertos a interpretações. Um deles, sem um título, foi postado por ela em 2007, um ano antes dela chutar o balde de vez com “Infernum”.
“Acorde e vá para de baixo da cama
Lá fora o inferno reina
O demônios tentaram quebrar as janelas
Espere o som diminuir e depois volte a dormir
Assista a Tv pela manhã
Veja as pessoas felizes em um local distante
Sorrindo para as folhas levadas pelo vento de uma tarde de outono
Nós estamos presos
Neste canto do mundo
Os demônios estão vindo
E demônios mais poderosos estão logo atrás
Aqueles que lhe dão poder
Aqueles que lhe dão liberdade
Aqueles que falam de amor
Apenas volte a dormir
O amanhecer continua belo.”
Alguém uma vez a perguntou o motivo de usar bastante a palavra “Inferno” em suas histórias, Carrie simplesmente respondeu
"Acho que vivemos um gosto do inferno neste mundo, entende? Este lugar é terrível. Vivemos em uma espécie de demonstração e devemos tirar uma lição disso, devemos ser boas pessoas. Não tem nada de bom aqui, tudo é uma merda. Mas, ainda pode piorar. Como eu disse, esse mundo é apenas uma pequena amostra, você não quer ver o que vem a seguir. Sejam boas, crianças".
Podemos perceber que ela não tem uma visão muito otimista do mundo, algo não muito sério, quer dizer, muitas pessoas tem pensamentos extremos de como o mundo é um lugar cruel e problemático, entretanto, muitas dessas pessoas tendem a ter fiéis seguidores que concordam com tudo que elas dizem.
Ela continuou postando seus contos normalmente até agosto de 2008, quando começou a agir estranhamente, não respondendo mais seus “fãs” como antes. Notando essa mudança de humor, todos começaram a perguntar o que estava se passando, se ela estava bem, se algo tinha ocorrido. Então, ela resolveu responder.
"Em algum lugar, neste momento, uma pessoa tá sendo mantida em cativeiro. Ela está sendo torturada e estuprada. Os demônios estão arrancado suas entranhas. Como conseguimos viver sabendo que isso tá acontecendo em algum canto desta merda de mundo? Não consigo ficar bem com isso, cara. Eu odeio gente como vocês, que falam em viver a vida ao máximo, viver no limite da porra toda, que coisa mais inútil. Isso tudo é um pesadelo no qual estamos presos até finalmente acordamos. Vocês sabem muito bem quando acordaremos"
Alguns dias depois ela respondeu as pessoas uma última vez, agora falando sobre o livro. Ela não falou muito do conteúdo, apenas seu título foi dito e o seguinte trecho
“Tudo parecia um sonho distante, nada mais restava, nem lembranças, nada. A única certeza em sua mente era a morte, acompanhada de seis seres grotescos ao som de um filme dos anos 90. Não sentiria mais o calor das manhãs de verão, o único calor que sentirá é aquele que a fará brilhar por toda a floresta. Não podemos esquecer também do homem de mil faces. Ele entrará em sua residência pela madrugada e devorará sua carne”
Depois disso, Carrie não postou mais nada. Muitas discussões ocorreram até alguns usuários chegarem à conclusão que uma parte do trecho batia bastante com a descrição do assassinato real de Suzanne Capper, que ocorreu em dezembro de 1992. Já a parte do homem de mil faces, poderia ser apenas outra coisa envolvendo outro assassinato brutal? Teorias foram discutidas, mas ninguém chegou a um acordo sobre o que se tratava. Pessoas apareceram dizendo conhecer Carrie, afirmando que ela cometeu suicídio depois de delirar uma noite inteira. Outras diziam que ela apenas resolveu se concentrar em seu livro. Nada foi comprovado. Anos se passaram e não se tem nenhuma notícia de um livro com tal título escrito por essa autora, o que aumentou ainda mais as crenças em um possível suicídio. Seus poucos seguidores continuam esperando uma resposta, mas a verdade é que Carrie tornou-se apenas alguém esquecida no tempo que, ainda não explicou exatamente no que estava pensando quando resolveu tocar no assunto do "Homem de mil faces". Eu apenas passei a trancar melhor as portas de casa toda noite, por precaução.
Autor: Tai
25/09/2019
O Barulho
Eu não sei quando começou exatamente, mas eu percebi há algumas noites atrás, ainda era cedo, entre 18:30 e 19:00 da noite eu estava assistindo televisão na sala e eu ouvi esse barulho, era baixo, fazia “toc....toc” tinha um intervalo de uns 3 segundos entre um “toc” e outro. Inicialmente pensei que era meu sobrinho de 3 anos quebrando alguma coisa escondido, mas o barulho vinha da entrada da casa que estava com a luz apagada, não poderia ser meu sobrinho porque ele tem medo do escuro, eu percebi que o barulho vinha de baixo do carro então o mais provável era que fosse algum animal saltante como um gafanhoto ou um sapo que estivesse em baixo do carro tentando sair se batendo contra o fundo do carro quando saltava, minha suspeita se “confirmou” quando eu liguei a luz da garagem e olhei embaixo do carro, não vi nada, mas o barulho parou do mesmo modo como grilos param de cricrilar quando a gente se aproxima deles, e voltou quando eu desliguei a luz e sai de lá. ‘Que bicho chato!’, eu pensei.
O que me restava fazer era aumentar o volume da televisão e tentar ignorar o barulho, mas, mesmo o volume da TV estando alto ao ponto de as outras pessoas da casa reclamarem da altura, eu ainda ouvia o barulho. Como uma espécie de birra eu decidi ver o filme até o final mesmo com o barulho me perturbando, depois decidi ir para o meu quarto para me distanciar mais. Funcionou por um tempo, eu li um pouco, depois fiquei no celular até sentir sono, quando o sono veio eu apaguei a luz do quarto e dormi.
Não sei que hora da madrugada era quando acordei no meio da noite, eu não olhei porque não importava, eu só queria voltar a dormir pois tinha que acorda cedo de manhã para ir para o trabalho, mas antes que eu conseguisse, eu ouvi, era um barulho igual ao primeiro só que um pouco mais alto como se a fonte do som estivesse mais próxima, mas não podia ser o mesmo, não faria sentido se fosse, meu quarto ficava do lado do quintal que é o oposto da entrada. A janela do meu quarto fica próxima à torneira do quintal, então pensei que esse novo barulho era o resultado da agua batendo no fundo do balde quando a torneira pingava, tentei ignorar e voltar a dormir, mas o barulho apesar de não ser alto me desconcentrava, era irritante ao ponto de eu chegar a pular a janela para fechar direito a torneira e, para minha surpresa, ela não estava pingando. Voltei para dentro e conferi a pia da cozinha, a do banheiro, o chuveiro e até a caixa de descarga do vaso sanitário, nada estava pingando. Sem sucesso aparente, eu voltei para meu quarto, quando cheguei percebi que o barulho havia parado, pelo menos por enquanto. Eu deitei, peguei o cobertor, liguei o ventilador e no exato momento em que eu desliguei a luz o barulho voltou e dessa vez estava dentro do quarto.
Me veio à mente uma última explicação possível: O ventilador devia estar com uma engrenagem quebrada e esse barulho era o estalo da engrenagem. Quem já segurou um ventilador para ele não girar alguma vez só por curiosidade ou outro motivo, sabe que as engrenagens estalam quando se faz isso. O teste dessa hipótese foi o que me de assustou pela primeira vez. No momento que eu liguei a luz para examinar o ventilador, o barulho parou, o ventilador ainda estava ligado e não emitia nenhum som de estalo semelhante aos “Tocs” do barulho, e, alguns segundos depois que eu desliguei a luz ele voltou. O barulho só era ouvido no escuro. Eu lembrei que o barulho de baixo do carro parou quando eu acendi a luz da garagem, não tinha barulho quando eu estava lendo com a luz do quarto ligada, o barulho do quintal parou quando eu abri a janela para ver a torneira, quando eu fui conferir as torneiras da cozinha e do banheiro não tinha barulho porque a luz do quarto ficou ligada e o barulho voltou quando eu desliguei a luz.
Eu comecei a ficar paranoico, meu quarto tem um interruptor ao lado da cama então eu podia ligar e desligar a luz sem ter que levantar, eu comecei a fazer isso várias vezes e o resultado foi sempre o mesmo: o barulho parava quando a luz acendia e voltava quando a luz apagava. ‘Esse barulho é só um inseto que entrou no quarto quando eu abri a janela.’ Eu queria acreditar nisso. Era a única explicação lógica possível. Num instinto infantil de autopreservação eu cobri meu roto totalmente com cobertor dizendo a mim mesmo que estava fazendo aquilo para não ser picado pelo “inseto” e dormi com a luz ligada.
No dia seguinte não havia mais barulho, eu acordei tarde e não tive tempo de procurar pelo inseto, mas prometi mim mesmo que quando eu voltasse do trabalho aquele maldito bicho ganharia uma boa sapatada. Quando eu cheguei, para a satisfação da minha mãe, eu limpei todo o quarto com a intenção de encontrar o bicho que não me deixou dormir à noite, eu encontrei 4 baratas, 2 grilos e muitas traças, mas nada do inseto que fazia aquele barulho imaginei que ele fugiu enquanto eu estava no trabalho, pelo menos minha noite seria tranquila, eu imaginei.
O início da noite foi bem tranquilo, só por precaução eu deixei a luz da garagem ligada, não ouvi nada, até as 21:00, ainda era um pouco cedo para dormir, eu geralmente durmo às 22:30, mas senti sono cedo talvez por não ter dormido o suficiente na última noite, eu fui deitar fiquei mexendo no celular até estar totalmente sonolento minha intenção me forçar a dormir à noite toda sem acordar de madrugada de novo. Quando o sono veio, eu até considerei deixar a luz ligada, mas pensei que isso era besteira eu havia conferido o quarto todo de tarde e não havia nenhum bicho. Desliguei a luz e dormi.
O plano não deu muito certo, eu não consegui dormir por toda a anoite, eu acordei e ele estava lá, o mesmo barulho parecia estar dentro do quarto em algum lugar em cima do roupeiro. Eu liguei a luz e subi em uma cadeira para olhar em cima do roupeiro, mas não encontrei nada, quando a luz apagou o barulho estava em baixo da cama, depois embaixo da mesa e depois em atrás do ventilador, cada vez que eu ligava a luz o barulho mudava de lugar. Eu estava começando a ficar com medo, eu estava criando teorias sobre isso ser um fenômeno paranormal, eu tentava me convencer que não é um tipo de fantasma pois em relatos sobre fantasmas as pessoas sempre afirmam sentir presenças como se houvessem pessoas perto ou observando, eu não sentia isso, eu não sentia nenhuma presença, eu só ouvia o barulho.
Sem poder fazer nada decidi dormir ou pelo menos tentar, eu me cobri totalmente com o cobertor inclusive meu rosto e fechei os olhos e fiquei parado esperando o sono, como uma forma de tentar provar para mim mesmo de que não era nada demais aquele barulho eu decidi apagar a luz para dormir, o barulho voltou, e dessa vez estava bem em cima de mim, do outro lado do cobertor, isso me deixou nervoso, aquilo com certeza não era um inseto, eu tentei ficar imóvel mas o medo era mais forte eu comecei a tremer e surpreendente o barulho parou, por um instante eu achei que ia ser atacado pelo monstro imaginário que eu crie na minha mente, mas nada demais aconteceu, ele só recomeçou num ponto mais distante como se meu movimento tivesse feito ele se afastar.
Nesse momento eu percebi que não era exatamente a luz, era minha presença que fazia ele parar, ele se escondia quando eu procurava, era uma espécie de jogo de provocação. Seja o que for que estivesse fazendo o barulho só fazia quando estava a uma distância segura ou quando achava que eu estava dormindo. Eu me sentia como o guarda dorminhoco de uma comédia dos anos 90, quando eu mexia o barulho parava quando eu parava o barulho voltava, era como se fosse uma criança com medo de eu acordar e pegar ele no ato de uma travessura. Isso me deu uma certa coragem pois parecia que ele tinha medo de mim, mas também me preocupou pois finalmente eu me convenci de que o que fazia o barulho sabia o que estava fazendo.
Cheguei a consultar um médico psiquiatra com medo de estar tendo alucinações, mas os exames indicaram que minha saúde mental está perfeita. Cheguei a pesquisar rituais para expulsar fantasmas e criaturas sobrenaturais, mas nada funcionou, a situação só piorou, pois depois deles o barulho percebeu que eu sabia sobre ele, sabia que ele era um ser pensante, ele parou de se “esconder”, ele não espera mais a noite, nem que eu durma ou que a luz apague. O barulho agora me perturba o dia inteiro. Eu não tenho mais medo, mas mesmo assim o barulho me irrita, eu não consigo trabalhar ou dormir direito, onde quer que eu vá o barulho me acompanha. Não sei o que está fazendo ele se é um anjo, um demônio, um fantasma, um duende ou um ET. Eu só quero que esse maldito barulho pare!
Autor: Nemo
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Creepypasta dos Fãs
21/09/2019
Aquele momento em que a Creepypasta se torna canônica...
03/09/2019
Infernum
“Um gosto do inferno” ou apenas “Infernum”, era o título de um livro que teria sido escrito por uma pessoa chamada Carrie Shay. Um trecho que seria parte do livro, foi publicado no Reddit em 2008. A autora em questão, comentou que planejava publicar um livro de contos, pedindo a opinião das pessoas sobre o que achavam dos seus textos e poemas. O que se sabe de Carrie, é que a mesma era uma garota esquisita, as vezes falando sobre depressão, suicídio e assuntos mais complicados como incesto, pedofilia e outras coisas que não queremos ouvir na mesa de jantar e nem em um círculo animado de amigos.
Ao ser perguntada por alguém sobre que tipo de contos ela escrevia, a mesma disse que adorava escrever coisas para chocar o leitor, se baseando em algumas histórias japonesa obscuras que você encontra nas entranhas da internet.
"Assisti vários filmes que as pessoas consideram pesados e chocantes, porém, nunca me fizeram sentir nada. A maioria era focada no Gore, forçavam tanto para chocar o telespectador que começava a ficar ridículo. Eu queria escrever algo que os deixassem desconfortáveis, acho que a leitura tem um poder bem maior para fazer isso. Quero que eles leiam e fiquem “Meu Deus!”.
Essa foi uma de suas respostas para um dos seus poucos fãs na época. Ainda assim, nem sempre os textos e poemas de Carrie tinha temas pesados, alguns eram interessantes e abertos a interpretações. Um deles, sem um título, foi postado por ela em 2007, um ano antes dela chutar o balde de vez com “Infernum”.
“Acorde e vá para de baixo da cama
Lá fora o inferno reina
O demônios tentaram quebrar as janelas
Espere o som diminuir e depois volte a dormir
Assista a Tv pela manhã
Veja as pessoas felizes em um local distante
Sorrindo para as folhas levadas pelo vento de uma tarde de outono
Nós estamos presos
Neste canto do mundo
Os demônios estão vindo
E demônios mais poderosos estão logo atrás
Aqueles que lhe dão poder
Aqueles que lhe dão liberdade
Aqueles que falam de amor
Apenas volte a dormir
O amanhecer continua belo.”
Alguém uma vez a perguntou o motivo de usar bastante a palavra “Inferno” em suas histórias, Carrie simplesmente respondeu
"Acho que vivemos um gosto do inferno neste mundo, entende? Este lugar é terrível. Vivemos em uma espécie de demonstração e devemos tirar uma lição disso, devemos ser boas pessoas. Não tem nada de bom aqui, tudo é uma merda. Mas, ainda pode piorar. Como eu disse, esse mundo é apenas uma pequena amostra, você não quer ver o que vem a seguir. Sejam boas, crianças".
Podemos perceber que ela não tem uma visão muito otimista do mundo, algo não muito sério, quer dizer, muitas pessoas tem pensamentos extremos de como o mundo é um lugar cruel e problemático, entretanto, muitas dessas pessoas tendem a ter fiéis seguidores que concordam com tudo que elas dizem.
Ela continuou postando seus contos normalmente até agosto de 2008, quando começou a agir estranhamente, não respondendo mais seus “fãs” como antes. Notando essa mudança de humor, todos começaram a perguntar o que estava se passando, se ela estava bem, se algo tinha ocorrido. Então, ela resolveu responder.
"Em algum lugar, neste momento, uma pessoa tá sendo mantida em cativeiro. Ela está sendo torturada e estuprada. Os demônios estão arrancado suas entranhas. Como conseguimos viver sabendo que isso tá acontecendo em algum canto desta merda de mundo? Não consigo ficar bem com isso, cara. Eu odeio gente como vocês, que falam em viver a vida ao máximo, viver no limite da porra toda, que coisa mais inútil. Isso tudo é um pesadelo no qual estamos presos até finalmente acordamos. Vocês sabem muito bem quando acordaremos"
Alguns dias depois ela respondeu as pessoas uma última vez, agora falando sobre o livro. Ela não falou muito do conteúdo, apenas seu título foi dito e o seguinte trecho
“Tudo parecia um sonho distante, nada mais restava, nem lembranças, nada. A única certeza em sua mente era a morte, acompanhada de seis seres grotescos ao som de um filme dos anos 90. Não sentiria mais o calor das manhãs de verão, o único calor que sentirá é aquele que a fará brilhar por toda a floresta. Não podemos esquecer também do homem das mil faces. Ele entrará em sua residência pela madrugada e devorará sua carne”
Depois disso, Carrie não postou mais nada. Muitas discussões ocorreram até alguns usuários chegarem à conclusão que uma parte do trecho batia bastante com a descrição do assassinato real de Suzanne Capper, que ocorreu em dezembro de 1992. Já a parte do homem das mil faces, poderia ser apenas outra coisa envolvendo outro assassinato brutal? Teorias foram discutidas, mas ninguém chegou a um acordo sobre o que se tratava. Pessoas apareceram dizendo conhecer Carrie, afirmando que ela cometeu suicídio depois de delirar uma noite inteira. Outras diziam que ela apenas resolveu se concentrar em seu livro. Nada foi comprovado. Anos se passaram e não se tem nenhuma notícia de um livro com tal título escrito por essa autora, o que aumentou ainda mais as crenças em um possível suicídio. Seus poucos continuam esperando uma resposta, mas a verdade é que Carrie tornou-se apenas alguém esquecida no tempo que, ainda não explicou exatamente no que estava pensando quando resolveu tocar no assunto do "Homem de mil faces". Eu apenas passei a trancar melhor as portas de casa toda noite, por precaução.
Autor: Tai
Ao ser perguntada por alguém sobre que tipo de contos ela escrevia, a mesma disse que adorava escrever coisas para chocar o leitor, se baseando em algumas histórias japonesa obscuras que você encontra nas entranhas da internet.
"Assisti vários filmes que as pessoas consideram pesados e chocantes, porém, nunca me fizeram sentir nada. A maioria era focada no Gore, forçavam tanto para chocar o telespectador que começava a ficar ridículo. Eu queria escrever algo que os deixassem desconfortáveis, acho que a leitura tem um poder bem maior para fazer isso. Quero que eles leiam e fiquem “Meu Deus!”.
Essa foi uma de suas respostas para um dos seus poucos fãs na época. Ainda assim, nem sempre os textos e poemas de Carrie tinha temas pesados, alguns eram interessantes e abertos a interpretações. Um deles, sem um título, foi postado por ela em 2007, um ano antes dela chutar o balde de vez com “Infernum”.
“Acorde e vá para de baixo da cama
Lá fora o inferno reina
O demônios tentaram quebrar as janelas
Espere o som diminuir e depois volte a dormir
Assista a Tv pela manhã
Veja as pessoas felizes em um local distante
Sorrindo para as folhas levadas pelo vento de uma tarde de outono
Nós estamos presos
Neste canto do mundo
Os demônios estão vindo
E demônios mais poderosos estão logo atrás
Aqueles que lhe dão poder
Aqueles que lhe dão liberdade
Aqueles que falam de amor
Apenas volte a dormir
O amanhecer continua belo.”
Alguém uma vez a perguntou o motivo de usar bastante a palavra “Inferno” em suas histórias, Carrie simplesmente respondeu
"Acho que vivemos um gosto do inferno neste mundo, entende? Este lugar é terrível. Vivemos em uma espécie de demonstração e devemos tirar uma lição disso, devemos ser boas pessoas. Não tem nada de bom aqui, tudo é uma merda. Mas, ainda pode piorar. Como eu disse, esse mundo é apenas uma pequena amostra, você não quer ver o que vem a seguir. Sejam boas, crianças".
Podemos perceber que ela não tem uma visão muito otimista do mundo, algo não muito sério, quer dizer, muitas pessoas tem pensamentos extremos de como o mundo é um lugar cruel e problemático, entretanto, muitas dessas pessoas tendem a ter fiéis seguidores que concordam com tudo que elas dizem.
Ela continuou postando seus contos normalmente até agosto de 2008, quando começou a agir estranhamente, não respondendo mais seus “fãs” como antes. Notando essa mudança de humor, todos começaram a perguntar o que estava se passando, se ela estava bem, se algo tinha ocorrido. Então, ela resolveu responder.
"Em algum lugar, neste momento, uma pessoa tá sendo mantida em cativeiro. Ela está sendo torturada e estuprada. Os demônios estão arrancado suas entranhas. Como conseguimos viver sabendo que isso tá acontecendo em algum canto desta merda de mundo? Não consigo ficar bem com isso, cara. Eu odeio gente como vocês, que falam em viver a vida ao máximo, viver no limite da porra toda, que coisa mais inútil. Isso tudo é um pesadelo no qual estamos presos até finalmente acordamos. Vocês sabem muito bem quando acordaremos"
Alguns dias depois ela respondeu as pessoas uma última vez, agora falando sobre o livro. Ela não falou muito do conteúdo, apenas seu título foi dito e o seguinte trecho
“Tudo parecia um sonho distante, nada mais restava, nem lembranças, nada. A única certeza em sua mente era a morte, acompanhada de seis seres grotescos ao som de um filme dos anos 90. Não sentiria mais o calor das manhãs de verão, o único calor que sentirá é aquele que a fará brilhar por toda a floresta. Não podemos esquecer também do homem das mil faces. Ele entrará em sua residência pela madrugada e devorará sua carne”
Depois disso, Carrie não postou mais nada. Muitas discussões ocorreram até alguns usuários chegarem à conclusão que uma parte do trecho batia bastante com a descrição do assassinato real de Suzanne Capper, que ocorreu em dezembro de 1992. Já a parte do homem das mil faces, poderia ser apenas outra coisa envolvendo outro assassinato brutal? Teorias foram discutidas, mas ninguém chegou a um acordo sobre o que se tratava. Pessoas apareceram dizendo conhecer Carrie, afirmando que ela cometeu suicídio depois de delirar uma noite inteira. Outras diziam que ela apenas resolveu se concentrar em seu livro. Nada foi comprovado. Anos se passaram e não se tem nenhuma notícia de um livro com tal título escrito por essa autora, o que aumentou ainda mais as crenças em um possível suicídio. Seus poucos continuam esperando uma resposta, mas a verdade é que Carrie tornou-se apenas alguém esquecida no tempo que, ainda não explicou exatamente no que estava pensando quando resolveu tocar no assunto do "Homem de mil faces". Eu apenas passei a trancar melhor as portas de casa toda noite, por precaução.
Autor: Tai
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Creepypasta dos Fãs
20/08/2019
A Cura Para Infelicidade
Ele me acordou dizendo que hoje é um dia especial, trouxe consigo alguns pães, com um pouco de café em nossa cama. Para ser mais romântico, ainda falou que não precisava levantar que iria deixar a casa pronta, uma vez que é o aniversário do nosso casamento.
Estávamos na cozinha. Todos os móveis são brancos, pois é a minha cor predileta, mesmo que isso incomode ele, este faz de tudo para me deixar contente.
Meu marido Gabriel está lendo os jornais enquanto eu o observo mexendo os seus lábios, e comecei a pensar... o quanto a minha vida é perfeita. Tenho o melhor marido do mundo, é aquele tipo de cara que em todo bairro é o mais bonito, e todas as mulheres ficam no pé, e ele está comigo casado e feliz.
Nós não tínhamos filhos, por mais que seja o sonho de Gabriel ter um garoto para ensinar a jogar bola, eu disse que não queria cortes no meu corpo, uma vez que a minha mãe ainda tem a cicatriz do parto do quarto filho, que é a minha irmã mais velha, e eu não suportaria a dor de um parto natural. Ele concordou com paciência para que eu pense bem, ou poderíamos adotar uma criança. Apesar da minha maneira de ser e das minhas ideias chatas, meu marido sempre está sorrindo para mim, como se eu fosse perfeita aos seus olhos.
Certa noite, acordei dizendo que estava ouvindo barulhos estranhos dentro de casa, encostei em seu corpo para que acordasse, pois é o homem da casa, este continuou roncando como uma pedra. Levantei e caminhei com os pés descalços. O som é uma coisa constante como algum tipo de gaita e parecia que era acompanhado de vozes. Fiquei confusa, não sou o tipo de mulher que tem medo de fantasmas e não gritaria igual uma garota indefesa caso algum tarado invada a nossa casa. Procurei por todo lugar e não vi nada. Quando estava voltando para o quarto, luzes saíram do lado de fora ofuscando a minha visão, e eu gritei pelo meu marido que apareceu rápido. Estava assustada, Gabriel perguntou o que aconteceu, e eu disse. Olhou pela janela e falou que não tinha nada, argumentou que poderia ser brincadeira de algumas crianças locais e me levou para a cama novamente.
Cada vez mais ele parecia tentar deixar a nossa vida perfeita, como ela já estava sendo. Comecei a reclamar dos alimentos, dizendo que estavam com um gosto estranho, o meu marido apenas respondeu que irá trocar os alimentos e começar uma nova dieta, mesmo que não adiantasse.
Não parava de imaginar como foi que nós nos conhecemos, dado que sou aquele tipo de garota mal-ajambrada, não cuidava do corpo e, muitas vezes, enjoada com quase tudo que o meu esposo fazia por nós.
Quando imagino muito sobre o nosso passado, a minha cabeça não para de latejar, e quando peço muito detalhes, Gabriel parece ficar um pouco aborrecido comigo, mesmo que respondesse educadamente.
Nós quase sempre estamos em casa, dentro e trancados. Às vezes, saímos para o jardim, onde ele faz churrasco e convidava aqueles vizinhos típicos, aquela família perfeita que sempre entrega bolo e dá "bom dia" quando você coloca apenas um dedo fora da porta.
Apesar dos anos de casados, só agora fiquei incomodada com tudo isso, com a falta de fotos do nosso passado em nossa casa, com o sorriso que ele está sempre carregando no rosto, e as várias desculpas que diz quando eu pergunto sobre o nosso passado, a minha cabeça não para de latejar. Nenhum remédio não faz efeito algum. E ao médico da família é perda de tempo, já que sempre argumenta que poderia ser por conta do meu início de miopia.
Fiz um teste ao começar a passar dos limites de esposa, parando de cozinhar, dormindo no sofá sem agradar ele e sendo grossa. Isso tudo é ignorado pelo seu sorriso e a sua forma de tentar fazer com que tudo fique perfeito novamente.
Com certeza, não estou em coma em um hospital vivendo um sonho, se não, o meu corpo não doeria e não sangraria com pequenos cortes fiz em meu corpo para ter certeza que não estou dormindo. O mais bizarro de tudo, é que tudo que eu preciso está dentro de casa, e o meu marido com seu trabalho de meio expediente, consegue sustentar a nossa casa em um bairro de classe média.
Minha ansiedade estava voltando com a depressão que tive em quase minha vida toda, não estou suportando mais guardar isso tudo. Pedi para que ele sentasse no sofá para que nós começássemos a conversar, mesmo inventando desculpas, eu disse que era sério, e nós começamos. Fiz várias perguntas, que ele dava respostas como fez sem detalhes, e foi aí que as coisas ficaram estranhas.
Perguntei se ele tinha me sequestrado, e por algum motivo, estava mantendo essa vida perfeita. Sua expressão mudou, espantando aquele sorriso alegre e a sua voz também se alterou. A minha cabeça não parou de latejar. Logo, uma coisa mais surreal começou a acontecer, quando os móveis e a aparência do meu marido começou a derreter rapidamente. Espasmos musculares, flashes de luzes em meus olhos fizeram com que eu despertasse deitada em uma maca.
Minhas pernas e braços estão presos, tubos enfiados em todo canto do meu corpo. Em todos os lugares, nisso que parece ser um quarto bastante escuro, há várias coisas anotadas em uma língua que não conheço. Gritei, e alguém entrou pela porta. Na verdade, havia mais de uma pessoa. Aos poucos, fui adaptando os meus olhos com aquilo que estava diante de mim... não pode ser! O que está havendo aqui?! São monstros com os olhos grandes, cabeças desproporcionais ao corpo, a pele acinzentada, sem roupas e segurando algo que parece ser um bloco de notas. Apesar dessas coisas não serem humanos, entendo o que eles falam.
Um dos monstros, colocou uma espécie de luz amarela nos meus olhos e ficou examinando aqueles tubos que estão entrando em meu corpo. Um deles, que parecia ser o mais importante, disse:
-Teste falho, erro na cobaia número 5638. Iremos iniciar mais uma vez, com a nova... dosagem - ele disse... enquanto coloca mais um tipo de soro, com a tonalidade azul no meu corpo. Fui ficando com muito sono e observando aquelas figuras olhando para mim, enquanto cada vez mais entrego-me ao efeito daquele soro...
Sinto uma pancada no meu estômago e acordo assustado, com uma criança olhando para mim, meu filho, falando que hoje é o aniversário dele. Uma mulher, ruiva, com a pele branca, carrega um sorriso no rosto e diz que me ama, fala que essa manhã será tão especial como as outras. Acho que eu sou o homem mais feliz do mundo....
Autor: Sinistro
Estávamos na cozinha. Todos os móveis são brancos, pois é a minha cor predileta, mesmo que isso incomode ele, este faz de tudo para me deixar contente.
Meu marido Gabriel está lendo os jornais enquanto eu o observo mexendo os seus lábios, e comecei a pensar... o quanto a minha vida é perfeita. Tenho o melhor marido do mundo, é aquele tipo de cara que em todo bairro é o mais bonito, e todas as mulheres ficam no pé, e ele está comigo casado e feliz.
Nós não tínhamos filhos, por mais que seja o sonho de Gabriel ter um garoto para ensinar a jogar bola, eu disse que não queria cortes no meu corpo, uma vez que a minha mãe ainda tem a cicatriz do parto do quarto filho, que é a minha irmã mais velha, e eu não suportaria a dor de um parto natural. Ele concordou com paciência para que eu pense bem, ou poderíamos adotar uma criança. Apesar da minha maneira de ser e das minhas ideias chatas, meu marido sempre está sorrindo para mim, como se eu fosse perfeita aos seus olhos.
Certa noite, acordei dizendo que estava ouvindo barulhos estranhos dentro de casa, encostei em seu corpo para que acordasse, pois é o homem da casa, este continuou roncando como uma pedra. Levantei e caminhei com os pés descalços. O som é uma coisa constante como algum tipo de gaita e parecia que era acompanhado de vozes. Fiquei confusa, não sou o tipo de mulher que tem medo de fantasmas e não gritaria igual uma garota indefesa caso algum tarado invada a nossa casa. Procurei por todo lugar e não vi nada. Quando estava voltando para o quarto, luzes saíram do lado de fora ofuscando a minha visão, e eu gritei pelo meu marido que apareceu rápido. Estava assustada, Gabriel perguntou o que aconteceu, e eu disse. Olhou pela janela e falou que não tinha nada, argumentou que poderia ser brincadeira de algumas crianças locais e me levou para a cama novamente.
Cada vez mais ele parecia tentar deixar a nossa vida perfeita, como ela já estava sendo. Comecei a reclamar dos alimentos, dizendo que estavam com um gosto estranho, o meu marido apenas respondeu que irá trocar os alimentos e começar uma nova dieta, mesmo que não adiantasse.
Não parava de imaginar como foi que nós nos conhecemos, dado que sou aquele tipo de garota mal-ajambrada, não cuidava do corpo e, muitas vezes, enjoada com quase tudo que o meu esposo fazia por nós.
Quando imagino muito sobre o nosso passado, a minha cabeça não para de latejar, e quando peço muito detalhes, Gabriel parece ficar um pouco aborrecido comigo, mesmo que respondesse educadamente.
Nós quase sempre estamos em casa, dentro e trancados. Às vezes, saímos para o jardim, onde ele faz churrasco e convidava aqueles vizinhos típicos, aquela família perfeita que sempre entrega bolo e dá "bom dia" quando você coloca apenas um dedo fora da porta.
Apesar dos anos de casados, só agora fiquei incomodada com tudo isso, com a falta de fotos do nosso passado em nossa casa, com o sorriso que ele está sempre carregando no rosto, e as várias desculpas que diz quando eu pergunto sobre o nosso passado, a minha cabeça não para de latejar. Nenhum remédio não faz efeito algum. E ao médico da família é perda de tempo, já que sempre argumenta que poderia ser por conta do meu início de miopia.
Fiz um teste ao começar a passar dos limites de esposa, parando de cozinhar, dormindo no sofá sem agradar ele e sendo grossa. Isso tudo é ignorado pelo seu sorriso e a sua forma de tentar fazer com que tudo fique perfeito novamente.
Com certeza, não estou em coma em um hospital vivendo um sonho, se não, o meu corpo não doeria e não sangraria com pequenos cortes fiz em meu corpo para ter certeza que não estou dormindo. O mais bizarro de tudo, é que tudo que eu preciso está dentro de casa, e o meu marido com seu trabalho de meio expediente, consegue sustentar a nossa casa em um bairro de classe média.
Minha ansiedade estava voltando com a depressão que tive em quase minha vida toda, não estou suportando mais guardar isso tudo. Pedi para que ele sentasse no sofá para que nós começássemos a conversar, mesmo inventando desculpas, eu disse que era sério, e nós começamos. Fiz várias perguntas, que ele dava respostas como fez sem detalhes, e foi aí que as coisas ficaram estranhas.
Perguntei se ele tinha me sequestrado, e por algum motivo, estava mantendo essa vida perfeita. Sua expressão mudou, espantando aquele sorriso alegre e a sua voz também se alterou. A minha cabeça não parou de latejar. Logo, uma coisa mais surreal começou a acontecer, quando os móveis e a aparência do meu marido começou a derreter rapidamente. Espasmos musculares, flashes de luzes em meus olhos fizeram com que eu despertasse deitada em uma maca.
Minhas pernas e braços estão presos, tubos enfiados em todo canto do meu corpo. Em todos os lugares, nisso que parece ser um quarto bastante escuro, há várias coisas anotadas em uma língua que não conheço. Gritei, e alguém entrou pela porta. Na verdade, havia mais de uma pessoa. Aos poucos, fui adaptando os meus olhos com aquilo que estava diante de mim... não pode ser! O que está havendo aqui?! São monstros com os olhos grandes, cabeças desproporcionais ao corpo, a pele acinzentada, sem roupas e segurando algo que parece ser um bloco de notas. Apesar dessas coisas não serem humanos, entendo o que eles falam.
Um dos monstros, colocou uma espécie de luz amarela nos meus olhos e ficou examinando aqueles tubos que estão entrando em meu corpo. Um deles, que parecia ser o mais importante, disse:
-Teste falho, erro na cobaia número 5638. Iremos iniciar mais uma vez, com a nova... dosagem - ele disse... enquanto coloca mais um tipo de soro, com a tonalidade azul no meu corpo. Fui ficando com muito sono e observando aquelas figuras olhando para mim, enquanto cada vez mais entrego-me ao efeito daquele soro...
Sinto uma pancada no meu estômago e acordo assustado, com uma criança olhando para mim, meu filho, falando que hoje é o aniversário dele. Uma mulher, ruiva, com a pele branca, carrega um sorriso no rosto e diz que me ama, fala que essa manhã será tão especial como as outras. Acho que eu sou o homem mais feliz do mundo....
Autor: Sinistro
13/08/2019
TAMAN SHUD - Capítulo 4
Na saída do barco do porto, alguns familiares e amigos dos tripulantes acenavam no cais, desejando uma boa viagem e um breve retorno, Erick viu que mais uma vez, não havia ninguém lá por ele. Era melhor seguirem logo para alto mar, pensou Erick e decidiu começar a fazer o que foi contratado para fazer, verificar a carga e trabalhar na manutenção, sendo assim, seguiu para a parte de baixo do navio, onde estava o grande depósito.
Erick havia conversado um bom tempo com o Capitão, sabia que estariam primeiro indo em direção as Ilhas Marshall ao leste da Indonésia e depois partiriam para o México, passando pelo canal do Panamá a fim de entregarem uma carga de alguns produtos químicos em seu destino final, Costa Rica. O problema era que Erick não sabia exatamente o que o Capitão queria dizer com “alguns produtos químicos” e por essa razão foi vasculhar o depósito.
Tinha tanta certeza que aquilo era ilegal quanto tinha certeza que não deveria abrir o bico sobre aquilo para ninguém. Era uma carga perigosa, afinal, ácido devia ser tóxico e explosivo, pensava Erick. Sabia que deveria tirar a claro o assunto com o Capitão, então antes mesmo de estarem em alto mar, foi conversar com ele na cabine principal.
- Erick , meu garoto, entendo que você se preocupe, mas você acima de todo mundo, por sua experiência, deveria saber que isso acontece o tempo todo – Disse o capitão Thomson com um tom bajulador - Todos carregam um extra em seus depósitos, as vezes especiarias, as vezes produtos químicos, até gente, estamos carregando cianeto de potássio e nitroglicerina, são produtos perigosos, mas eu já fiz isso muitas vezes, sou experiente com isso então não há com o que se preocupar amigo.
- Só queria tirar isso a claro, se o senhor garante que não há problema, não tenho mais nada a dizer.
- Não leva isso como um fardo, tudo bem? Você realmente não precisa dizer nada para os demais, principalmente para Agungu, ele daria com a língua nos dentes, e sei que vocês dois são amigos.
- Estou aqui para trabalhar, não para fazer amizades, passar bem Capitão, se precisar de mim, você sabe onde me encontrar.
Erick sabia que não deveria se preocupar, e tinha isso bem concreto em sua mente. Porém, não conseguiu dormir aquela noite. Porque sentia o que estava sentindo? Não se importava com a tripulação, nem com o que o Capitão decidia ou não carregar naquele depósito ou se o dinheiro daquela entrega seria dividido ou não, nunca tinha se importado, mas algo não deixava sua mente descansar. Algo do passado.
Os dias que se seguiram foram um tanto quanto tediosos, o navio estava em bom estado, o tempo estava sempre favorável, a tripulação estava animada e parecia que até Budi, que estava sempre junto de Agungu, estava enfastiado de ser tão mimado com carinho e petiscos. O ar estava sempre quente, o céu sempre azul, o mar verdejante e calmo. Porque então Erick ainda se sentia tão inquieto? Naquela noite, atormentado novamente pela insônia que o acometia quase diariamente, ele resolveu levantar, ascender um lampião e começar a escrever, queria colocar suas ideias em um papel, talvez conseguisse se organizar melhor, foi quando sentiu aquela presença de novo e percebeu o ar ficando pesado e pestilento. Todas as suas lembranças daquele maldito dia no cemitério o atravessaram com fúria. E pôs-se a escrever. Era uma carta de confissão, e ela seria mais longa do que ele imaginava.
O dia seguinte seguiu como de costume, tranquilo. Agungu percebeu que Erick estava cada vez mais distante e taciturno, sempre com uma expressão de medo e desconfiança. Sabia que ele era bastante excêntrico, mas não conseguia entender por que daquela expressão. Ele parecia exausto, mesmo sem trabalho para fazer durante o dia senão uma limpeza básica. Resolveu ir conversar com ele, mesmo sabendo que seria recebido com grosseria.
- Erick, você está bem? Vejo que você anda mais quieto que o normal. Você sabe que se tiver algum problema pode contar comigo e com o pessoal, não é? Querendo você acreditar nisso ou não, mas somos uma equipe, e tentamos nos importar uns com os outros de vez em quando.
Erick manteve o silêncio.
- Bem, imaginei que você não ía querer conversar mesmo. Sei que você não costuma aceitar meus convites também, mas vou fazer a minha parte. Hoje à noite, todos nós vamos no reunir no depósito para jogar cartas, até o capitão topou, vamos beber e fazer umas apostas. Vai ser divertido. Se quiser aparecer, você sabe onde estaremos.
Cada hora que se passava, Erick sentia uma dor em suas costas e um peso em seus joelhos, estava cansado e precisava dormir, mas não seria aquela noite. Antes de anoitecer Erick se dirigiu ao depósito número 4 com um machado, alguns minutos depois voltou e se dirigiu para o seu aposento.
Mais tarde, Erick, de sua cama conseguia ouvir as risadas e a farra dos barqueiros no depósito com suas jogatinas. Levantou-se para tentar escrever novamente, precisava adicionar sua última confissão antes de torná-la realidade, demorou-se, mas acabou escrevendo somente algumas linhas em parágrafos separados, e marcando fortemente as últimas duas palavras, assinando no final.
Aquela noite teria que se livrar de qualquer jeito daquele peso, daquela presença, daquela voz que conversava com seu cerne, sua alma, dentro de sua mente, o tempo inteiro como uma fome voraz e insaciável. A voz que dizia para matar, para destruir, para trair e maltratar, para mentir e enganar, para desgraçar e obliterar, somente assim seria novamente livre. No fim das contas, imaginava-se preso em um buraco escuro sem chances de sair, sentia-se sem ar. Então foi
ao depósito novamente, com um fogareiro na mão, ele ouvia as pessoas agitadas e tosses frequentes, tosses secas e profundas. A última melodia.
Autor: Alison Silveira Morais
SAIBA COMO VOCÊ PODE ENVIAR SUAS HISTÓRIAS PARA GENTE
Caso você queira nos enviar suas Creepypasta dos Fãs, chegou a hora de aprender como, então leia tudo com atenção antes de qualquer outra coisa!
PARA ONDE DEVO MANDAR MINHAS HISTÓRIAS?
Pode mandar para nosso email "creepypastabrasil@hotmail.com" que analisaremos os critérios e colocaremos na lista de histórias para serem postadas.
QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS PARA QUE AS MINHAS HISTÓRIAS SEJAM ACEITAS?
Essa é a parte mais importante. Primeiramente, a Creepypasta DEVE ESTAR ESCRITA DENTRO DO PRÓPRIO EMAIL. NÃO ACEITAMOS MAIS ARQUIVOS ANEXADOS EM DOC, PDF E QUALQUER OUTRO FORMATO, POIS ESTAVAM DANDO CONFLITO DE FORMATAÇÃO NA HORA DE SEREM POSTADOS.
Coloque no título do e-mail "CREEPYPASTA DOS FÃS: NOME DA HISTÓRIA" e não se esqueça de colocar no final do texto como deseja que seu nome fique no final da postagem.
Além disso, sua história deve seguir algumas pequenas regras para aparecerem aqui no blog:
- Não pode ter conteúdo pornográfico grave (temos muitos leitores menores de idade);
- Não use abreviaturas (vc, tbm, dps, agr, n, sqn...);
- Tem que ter uma gramática razoável, cuidado com os erros de português;
- Esteja ciente de que ela pode/será levemente editada;
- A qualidade também é algo que prezamos, não postaremos se acharmos a Creepypasta sem lógica ou sem graça.
Os emails que não respeitarem essas regras não serão aceitos.
Porque ela ainda se encontra na fila. Recebemos dezenas de Creepypastas dos Fãs no nosso e-mail, então as vezes demoramos um pouco para postarmos mesmo. Caso sua história se encaixe em todas essas regras básicas, pode ficar tranquilo que ela será postada. Caso contrário, pode ficar tranquilo para nos reenviar sua história dentro desses critérios que aceitaremos sem nenhum problema!
Ainda tem alguma dúvida? Deixe sua pergunta nos comentários e ficaremos felizes em responder!
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10/08/2019
AS PORTAS DO INFERNO ESTÃO ABERTAS NOVAMENTE!
O Grito de Horror volta com a 4ª edição agora em 2019 da nossa seleção anual e está abrindo vagas para as seguintes funções:
1. Criador de Conteúdo (Facebook, Instagram)
[necessário conhecimento e acesso ao Photoshop];
2. CR ("Content Researcher", pesquisador de links e referências);
3. Moderador de Conteúdo (Gerenciar a página, as redes e acompanhar tendências);
O Projeto GRITO DE HORROR foi criado em 2009 e vem sobrevivendo ao longo dos anos, server após server caído e quer conhecer o seu trabalho
Mas UM AVISO IMPORTANTE da própria equipe:
"somos uma família de redatores, artistas e criadores comprometidos, responsáveis e pontuais. Não somos remunerados, por isso o Grito de Horror é apenas para os MAIS DESTEMIDOS, pois mesmo antes de entrar, SUA ALMA JÁ NOS PERTENCE, RECRUTA!"
Para participar basta enviar um email para gritodehorror.contato@gmail.com com o assunto SELEÇÃO 2019 que eles irão te orientar em um e-mail de retorno (ou outras vias anexadas)
É opcional anexar WhatsApp ou Facebook para contato posterior, mas o retorno é mais rápido.
Lembrando que a data de término da seleção ainda não foi definida!
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06/08/2019
O Espírito de Ouija
Shhhh, não chore criança. Eu sei que está me ouvindo, então não chore. Somos amigos, não somos? Por que está balançando a cabeça negativamente? Acaso insinua que não somos amigos? Pare de chorar. Foi você quem me chamou aqui. Não se lembra? Pois bem, eu lembro muito bem. Foi quando você e seus amigos estavam brincando daquele jogo. Como se chama mesmo? Ah, sim, Ouija. Sua amiga falou para vocês não brincarem. Mas você quis fazer isso, quis continuar. Me perguntei por que, já que você não tinha nenhum parente próximo morto com quem quisesse conversar. Mas agora eu sei, você queria saber sobre o seu futuro. Se seria rico, famoso, quando e como morreria. Essas perguntas não devem ser feitas, nunca. Até um bebê sabe que não se deve brincar disso. Não se deve fazer esse tipo de pergunta para os espíritos. Eles mentem, minha criança.
Entendo que às vezes a curiosidade fala mais alto que a razão e vocês seguiram em frente.
Vocês continuaram perguntando e não tinham nenhuma resposta em retorno até que eu resolvi aparecer. Fiz um show completo de luzes e respondi a todas as suas perguntas e mesmo assim vocês quiseram sair da brincadeira. Logo agora que eu estava gostando do jogo e decidi ficar. Não se pode fazer essa desfeita.
Fiquei então ao seu lado, não sei por que, mas gostei de você desde o começo. Senti sua excitação e seu medo crescendo a cada pergunta feita, a cada descoberta maravilhosa e a cada vez que eu movia o ponteiro. Senti quando fiquei ao seu lado e você se arrepiou com a minha presença. Você gostou disso. Não me diga o contrário. O que? Vai continuar chorando? Você já foi mais divertido que isso. Deixe-me continuar.
Fiquei tão feliz quando você olhou em minha direção e me viu ali. Você foi o único a me notar. Eu estava apenas esperando, aguardando o que aconteceria e então você quis estragar o jogo, parando por ali mesmo e se despedindo de mim. Eu não podia deixar aquela oportunidade passar e fiquei junto a você, passei para o seu plano, vim lhe fazer companhia em seu corpo. No começo você lutou, foi divertido ver você se debatendo e chorando como uma menininha enquanto eu assumia seu corpo, pegava discretamente a faca que estava na cozinha e ia em direção à sua amiga. Aquela chata que não queria brincar desde o começo. Eu ouvia você gritando, sentia você se debatendo enquanto tentava me fazer parar. Eu urrei de felicidade enquanto sua garganta era cortada e sentia aquele líquido quente escorrer pelas nossas mãos. O cheiro era maravilhoso.
Todos estavam quietos enquanto nos observavam. Acho que estavam gostando do espetáculo.
Após o transe passar, eles começaram a correr como baratas tontas, tentando abrir portas e janelas. Ficaram tão surpresos quando descobriram que trancamos tudo. Eu gargalhei, eu gritei de tanta felicidade enquanto você continuava chorando. Sempre tão entediante e monótono falando "por favor, não faça isso, meus amigos. Por favor" ah, por favor digo eu. Foi você quem começou com tudo isso e estou apenas terminando. Aonde eu parei? Lembrei, continuando.
O próximo seria o gordinho com os óculos. Ele foi o mais fácil de pegar, não conseguia correr que logo cansava. Era divertido ver aquilo. Seus amigos são estranhos... Ele pediu tanto para que você parasse e nós apenas rimos de seus pedidos idiotas e pegamos aquela faca. Ele tentou se defender, lembra que ele até urinou nas calças? Aquilo me irritou um pouco, pois sujou seus tênis novos e o cheiro foi terrível, mas mesmo assim continuamos rindo. O encarei por mais um momento enquanto ele continuava implorando e acabei com seu sofrimento, passando a faca em seu pescoço. Pode me chamar de misericordioso, já que a morte de todos eles foi rápida.
A proxima, ah como eu me diverti na próxima. Ela correu tanto, se escondeu e tentou ligar para a polícia. "Desculpe, estamos muito ocupados aqui". Lembro de ter falado isso enquanto arrancava os fios da parede e ia lentamente em sua direção. Ela chorou enquanto olhava o telefone inutilizado no chão. Correu para o banheiro e tentou se trancar. Ninguém se esconde assim de mim. Como ela não sabia disso? Bem, fiquei um momento brincando com ela do outro lado da porta enquanto a ouvia procurar algo para se defender. Como se houvesse algo, que boba, não é mesmo? Depois de um tempo, tudo lá dentro ficou quieto e nós entramos. Ela estava ao lado da pia com um bastão em mãos. Como ela arrumou aquilo? De repente ela estava correndo em nossa direção, tentando nos acertar inutilmente. A derrubei e ela ficou quieta, esperando nosso próximo passo. Era esperta, admito. Por que eles não desistem logo? Decidi fazer tudo de um modo diferente. Decidi fazer você vir à luz. Instantaneamente você voltou e começamos a chorar, foi maçante
assistir tudo isso, mas fiquei quieto. Ouvi você repetindo várias e várias vezes que não foi você, que algo tinha tomado seu corpo e que estava fazendo isso contra sua vontade. Você acreditou que fui embora. Você a fez acreditar que eu fui embora. Ela acreditou. Bati palmas internamente enquanto vocês conversavam sobre um jeito de sair dali, de pedir ajuda. Foi então que eu apareci novamente e segurei seu lindo pescoço. Vi seu olhar assustado se transformando em horror. Surpresa. Sorri novamente, como era boa a sensação de ouvir seus pedidos para que parasse, seu ar se perdendo aos poucos, o som dos ossos se quebrando nas nossas mãos. Fiquei tão eufórico que quando acabou, nos sentimos vazios por um momento. Mas nós lembramos que ainda tinha mais uma pessoa. Onde ela estava?
Fomos a sua procura, em cada quarto era uma nova decepção, mas continuamos procurando, era divertido procurar. Fomos assobiando uma música que você gostava de ouvir quando ainda era criança. Dava um pouco de sono, mas até que era legal.
Ouvimos movimentos no quarto da frente e andamos até lá. Ela estava quieta perto da cama, com nossa faca nas mãos, nos esperando. O que ela pensava que estava fazendo? Facas podiam matar. Avisamos isso a ela e ela apenas nos encarou e continuou calada, esperando nossos próximos movimentos. Comecei a andar, nos aproximando lentamente dela, a deixando sem saída. Ela então investiu contra nós e acertou a faca em suas costelas. Sentimos a dor, logo após veio o sangue, mas não ligamos para isso. Tiramos a faca de suas mãos facilmente e a esfaqueamos no coração. Seu olhar logo foi perdendo a vida e então ela caiu na cama, inerte.
Sorrimos e fomos ao hospital. Precisávamos de um tratamento para aquela ferida, eu poderia fazer parar de sangrar, mas precisava parecer humano para que acreditassem.
Os policiais logo vieram e começamos com nossa encenação. Choramos tanto e falamos que uma de nossas amigas estava brincando com Ouija e começou a agir estranho. Ela assassinou todos os nossos amigos e eu tive que mata-la para sobreviver. Eles então foram para a casa encontraram nossa obra espalhada pelos quartos. Seus olhares de surpresa, acho que eles também gostaram do que viram.
Então ficamos ali, naquela cama esperando pela lenta recuperação. Vendo nos noticiários o que sua amiga fez, ouvindo todos lamentando por nós, os únicos sobreviventes. Nos desejando melhoras e que conseguíssemos seguir em frente depois "desse terrível massacre".
E agora, depois de tudo o que passamos juntos, te dou alguns minutos de lucidez e você me aparece com uma lâmina e simplesmente corta os pulsos? Que droga pensa que está fazendo? Pare de chorar agora, seu maldito. Sei que está me ouvindo muito bem enquanto perde os sentidos lentamente nessa droga de banheiro de hospital. Você não vai morrer agora.
Autora: Kaah Felipe
30/07/2019
Acompanhantes
A porta deslizou. Esse maldito som. Todos sabiam o que acontecia após o som, era hora da chegada. Eles vinham, ligavam suas máquinas, faziam suas coisas inúteis e partiam. Até esse momento não podíamos fazer muita coisa, nossa presença não era desejada. Com isso, o tédio era dominante.
Pouco antes da partida, tínhamos um debate. Qual de nós iria acompanhar? Quem seria o acompanhado? Todos os dias, a mesma rotina. Como amávamos essa rotina. O prazer de acompanha-los era gigantesco, mas não era permitido que mais de um fosse acompanhado. Às vezes tínhamos êxito em burlar a regra, mas caso fossemos descobertos por nosso superior, éramos banidos. Ninguém queria sair dali, então o mais comum era seguir o procedimento. Um por vez.
Quando o acompanhado era recém-chegado, o processo era ainda mais prazeroso. Toda aquela inocência, a euforia de estar ali, de ter conseguido chegar ali. Pode não parecer, mas as pessoas ansiavam por serem inúteis. A concorrência era gigantesca, era comum ver os candidatos esperando nervosamente, entrando na sala proibida e saindo um pouco mais relaxados, como se a parte mais difícil tivesse passado.
Engraçado mencionar que havia uma sala proibida. Proibida logo para nós, quem teria esse poder, não é mesmo? Porém, segundo o superior não podíamos interferir naquela sala. Ela era parte essencial para que todo o projeto seguisse corretamente, para que não pudéssemos atrapalha ar a sequência natural da escolha dos acompanhados. Era decidido quem entrava e quem saía, tudo naquela sala gélida e sem graça.
Seria difícil escolher quem foi o meu melhor acompanhado se não fosse por ela, a acompanhada número 2506. Não era possível saber o nome de nenhum, apenas o código de registro. Era sua primeira vez, nunca havia visto tanta empolgação em um invólucro de carne. Meu trabalho foi difícil, tive que encontrar um novo meio para execução. Tive que plantar felicidade, os outros caçoaram de mim quando contei. Entretanto, eu sabia que o resultado seria positivo.
Todos nós acompanhávamos com um único objetivo, não só naquela localidade, mas em qualquer outra, o objetivo era o mesmo. Estávamos naquela há 22 anos e nenhum de nós havia sido capaz de conquistar nosso único propósito, era divertido sem a menor dúvida, mas a cobrança do superior estava nos deixando apreensivos. Era comum que muitos nunca conseguissem alcançar nosso objetivo com todos os acompanhados, mas em muitas outras localidades a taxa de sucesso era de 42%, enquanto a nossa era 0%.
Não teríamos resultado algum se não fosse por ela, ela nos forçou a melhorar. Nos primeiros acompanhamentos, muitos reclamavam dos frutos que não estavam sendo colhidos por nós sobre ela. Até que chegou minha vez. Fiz minha presença se tornar quase imperceptível, como se nada a acompanhasse. Fiz que ela tomasse decisões pensando que a faria feliz. Aos poucos ela foi afastando aquele sentimento do coração dela. Aquele que nós abominamos. Cresci sobre ela com a ambição de fazer o melhor para si. Seu relacionamento desmoronou, para o bem dela. Seus pais se afastaram, para o bem dela. Sua arrogância sucumbiu sua humildade.
Eu era alvo de piadas, me tornei o acompanhante exclusivo dela, por pura chacota. Era falado que ela estava se tornando cada vez mais um de nós e que iria me engolir. Não passava uma única sombra de preocupação sobre minha cabeça. Eles estavam esquecendo que estávamos lidando com humanos, humanos são frágeis e sentimentais.
Em menos de 3 meses, os resultados começaram a surgir. A saudade do seu verdadeiro amor, a percepção que sua família se fragmentara, a dificuldade financeira devido a separação dos pais, a arrogância refletindo em seu ambiente de trabalho.
Não vou dizer que ela foi fraca, não. Ela teve fibra, ficou 26 meses aguentando o inferno em sua vida. Foi abraçada pela Depressão, ela é a pior de nós, sabe? Não estávamos obtendo sucesso em fazê-la permanecer, mas com o meu novo processo ela perdurou, até o alcance de nosso único objetivo. Adicionamos mais uma alma ao nosso superior.
Ele era uma coleção maravilhosa de almas devastadas, que se perderam dentro de si mesmo. Desorientações caudadas por nós. O problema dos humanos é que eles sempre atribuem a culpa a própria espécie. Nós estamos em todo lugar, levamos às vezes anos para que nosso objetivo seja alcançado, mas não falhamos. Uma hora ou outra, um ser ou outro, chegam até ele.
Autor: Canton
23/07/2019
Masha é o orgulho delas
Desde pequena, Masha sempre aprendeu a valorizar suas raízes e costumes originários da sua vila de origem, no frio e pacato leste europeu. O clima gélido não tornava sua vida algo fácil de se lidar, principalmente a considerar que ela e sua família passavam muitas dificuldades financeiras. Esta era composta por sua sábia e velha avó que quase nunca saia de sua casa e seus pais, um forte homem nativo da região e uma estrangeira que pouco dominava o idioma de sua família atual. Apesar dos anos de convivência, não entendia bem gírias e dialetos locais.
Os três mais novos da casa tinham de trabalhar durante quase todo o dia em serviços braçais e de remuneração razoável que fosse suficiente apenas para sustentar a família toda, apesar de casualmente passarem dificuldades como falta de higiene básica e fome por alguns dias, o que era um grave problema principalmente no inverno, quando os mais miseráveis e fracos, como bebês, idosos ou moradores de rua, não tinham chance de sobreviver, muitas vezes, virando apenas mais corpos a serem entregues para a terra. A avó de Masha, no entanto, sempre a ensinou a forma de viver ao menos de estômago cheio em um lugar como aquele.
Apesar das dificuldades, os pais da garota sempre tentavam guardar o mínimo de dinheiro no cofre escasso e deprimente da família, além de estimular que ela fizesse o mesmo com seu curto salário, para assim, conquistar um futuro melhor. Os três se dedicavam totalmente às suas obrigações.
Foi durante anos de trabalho duro em que Masha tornou-se fiel amiga de Bohuslav, um rapaz de sua idade, com um olhar de quem vivia em função do sustento da família, assim como a moça.
Com o passar dos anos, Masha e Bohuslav prometeram-se apaixonadamente um ao outro e juraram que conseguiram construir uma vida feliz e instável longe daquela vila aonde eram tão explorados por comerciantes que, apesar de não serem de uma alta elite, já encontravam-se em posição hierárquica superior a de seus trabalhadores, tornando-os assim, presos à vidas miseráveis enquanto se mantivessem ali.
Ambos juntaram suas economias de longa data e tiveram de se preparar para se despedir de suas respectivas famílias, já que estavam rumo à Rússia. Antes de partir, a jovem calorosamente abraçou sua avó e agradeceu por todos os bons momentos e ensinamentos que tivera. Disse que voltaria para ajudá-los e vê-los, caso conseguisse obter melhorias financeiras no novo país, mas prometeu que manteria consigo aquilo de mais importante que ganhou durante toda sua vida: suas raízes.
Passaram-se os meses e o casal teve que lidar com a dura realidade do fracasso. Ambos investiram dinheiro demais em toda sua mudança de vida, mas não possuíam empregos bem remunerados e de condições justas. O inverno foi chegando e Masha lembrou das dificuldades enfrentadas pelo seu pobre povo
do vilarejo, temendo acabar igual a eles, mas apenas em um endereço diferente, desta vez. Com saudades de casa, decidiu contatar sua família.
Cerca de alguns dias depois, a mãe da moça recebeu em casa uma pequena caixa, com um envelope grudado logo acima do papel branco que a recobria. Seu marido estava fora de casa e ela não pôde conter a ansiedade para ver o quê sua filha havia lhe mandado, portanto, logo chamou sua sogra para perto da lareira e abriu o envelope.
Havia uma carta de desabafo. Masha havia escrito sobre as dificuldades financeiras, mas não quis parecer abalada em suas palavras, apesar de demonstrar sensibilidade quando expressou a saudade que sentia. Falou sobre como seu casamento estava, apesar de qualquer dificuldade, ficando cada dia melhor e, por fim, deixou apenas uma frase, que fez com que ambas as senhoras que estavam lendo a carta, ficassem rubras.
“Bem... isso que está na caixa é pra mostrar que... há um baby no forno!”
Sua mãe ficou muito animada ao ler a frase, pois lembrou-se que, em seu país de origem, dizer que um bebê estava no forno era como ter um pãozinho crescendo, ficando lindo e formado. Se emocionou ao lembrar de como tentava usar essa analogia para explicar à sua filha sobre como os bebês cresciam na barriga e logo abandonou a carta.
A mãe de Masha agarrou a caixa, rasgou o embrulho e a abriu, vendo um par de sapatinhos de bebê. Seus olhos marejaram ao imaginar sua filha gestante. Ela nem mesmo reparou em como sua sogra estava quieta, com um singelo sorriso em seu rosto. A idosa também encarou os sapatinhos, com muito orgulho de sua neta, sem conseguir evitar que um pensamento viesse à sua mente.
“Eu me sinto muito orgulhosa, minha jovem Masha, por ter lhe ensinado a nossa cultura, tão bonita e tão útil... principalmente nos dias difíceis de inverno”.
Autor: NekoG
02/07/2019
Ele me ignorou essa tarde
Eu sou uma pessoa anti-social. Sou o que você chamaria de antipática, sou tão "antipática" que só tenho um amigo em todo A minha escola...
Nós costumavamos andar juntos nos corredores da escola, sempre conversando sobre jogos ou sobre alguma música que havia chegado ao topo dos sucessos da Rádio Meridional FM. Como crianças normais, nos não costumávamos chegar atrasados na escola.
Mas uns dois dias atrás meu amigo, Matheus, chegou as 14:30 (o que não era normal vindo dele) sendo que nossa aula começava as 13:20. Naquele dia ele estava pálido,muito, muito pálido. Implorei pra professora de Ciências deixar eu ir me sentar ao lado dele, depois de muita relutância a respeito de meu pedido ela deixou. "Vá Lorena ,vá mas não o incomode. Ele tem muita matéria perdida pra copiar dessa 1h e 10 min perdidos de aula. Aproveite e dê o caderno pra ele." Ela disse no meio de uma risada rouca, forçada.
Fui pro lado dele e perguntei o que tinha acontecido "N-nada!" Ele disse isso com uma voz trêmula (a voz que ele fazia quando estava triste ) "Não. Não pode ser nada. Você está escondendo algo eu vou saber o que. De qualquer maneira." Pensei comigo mesma. Peguei meu caderno de português e indelicadamente joguei ele na mesa, peguei uma caneta e escrevi um bilhete. Como sempre assinei com meu nome seguido de uma ☆ pois pra mim as estrelas eram símbolos de veracidade. Coloquei o papel em sua mochila.
Depois do que pareceu uma eternidade, finalmente a aula terminou e ele saiu correndo gritando como um louco "AMANHÃ É SÁBADO!" Mas a voz de Matheus ainda estava tremula... Não o segui, apenas fui pra minha casa. Se ele ler o bilhete ele vai vir me procurar...
Depois do café fui pra sacada com o meu "Caderno de Fanfics" à mão, mas a única coisa que eu consegui escrever foi um poema
"Matheus...
Seus olhos verdes me fazem delirar quando penso em você, então.
Muito mais que um amigo, tu é a minha paixão.
Amo quando me da a mão enquanto andamos...
Pelos coredores da escola.
Amo quando nos escondemos e deixamos a hora passar...
Com a certeza de que ninguém irá nos encontrar."
"Ass: Lorena ☆"
Sei que deve estar achando que eu sou algum tipo de Yandere, que mataria à todos pra poder ficar com o "Matheus-Senpai"... Mas, acredite, eu não sou.
Como o esperado ele leu o meu bilhete e ficamos conversando até tarde sobre o nosso plano.
SÁBADO:
Ele me encontrou no beco como sempre, conversamos e ele disse que estavam o machucando, perguntei quem é que estava o machucando. Ele respondeu "Minha vida. Ela está me tentando. Quero partir..." ele sussurrou a última parte. "Você quer deixar a cidade?" Perguntei tentando enganar a mim mesma. "Não. As pessoas me dissem coisas ruins, sabe? Eu finjo que não me importo... Mas dói... Dói aqui." Ele levou minha mão até seu peito, bem onde fica seu coração. Nesse ponto eu já estava vermelha, com as lágrimas caindo de meus olhos quase que sucessivamente, entre soluços eu disse "O que você vai fazer?..." depois de minutos repletos de um silêncio perturbador, ele finalmente disse "Eu não sei... Eu vou embora..." gritei ainda chorando "FICA!!! Eu te amo. Não faça o que eu acho que você vai fazer!" Ele disse se levantando "Você vai ficar melhor... Eu acho. Se cuida, tá?" E assim ele foi embora...
DOMINGO:
Me acordei só pra ter a notícia de que ele tinha se matado.
Depois disso fui pra casa dele onde eu achei a mãe dele, Thaís, chorando desalmadamente na sala. Vi ela pela janela. A porta lentamente abriu e eu entrei, comprimentei os pais dele e subi escada acima. Entrei no quarto dele... Para a minha sorte, ele tinha escrito uma lista de pessoas. Pessoas que tinham o machucado (física e mentalmente) em toda a sua vida. Peguei a lista pra mim. Sai da casa dele, decorando todos os nomes da lista.
Entrei em casa correndo, me dirigi a cozinha, agarrei o primeiro objeto que achei: Uma faca.
"APARTIR DE AGORA: Quem estiver com o nome incluso nessa lista, irá morrer pelas minhas mãos!"
Peguei algumas roupas e sai, a procura do primeiro nome:ANA CLARA.
SEGUNDA:
Depois da aula, chamei a tal ANA CLARA pra ir até um galpão abandonado nos campos. Como ela ama (ou devo dizer: Amava?) aventura foi fácil a atrair pra lá.
Agora, nesse momento estou terminando de juntar os olhos dela do chão.
NOTA:
Você que está lendo! Se seu nome estiver na lista. Bem... Prepare-se pra ir visitar o MEU galpão!
Autora: E. E.
Nós costumavamos andar juntos nos corredores da escola, sempre conversando sobre jogos ou sobre alguma música que havia chegado ao topo dos sucessos da Rádio Meridional FM. Como crianças normais, nos não costumávamos chegar atrasados na escola.
Mas uns dois dias atrás meu amigo, Matheus, chegou as 14:30 (o que não era normal vindo dele) sendo que nossa aula começava as 13:20. Naquele dia ele estava pálido,muito, muito pálido. Implorei pra professora de Ciências deixar eu ir me sentar ao lado dele, depois de muita relutância a respeito de meu pedido ela deixou. "Vá Lorena ,vá mas não o incomode. Ele tem muita matéria perdida pra copiar dessa 1h e 10 min perdidos de aula. Aproveite e dê o caderno pra ele." Ela disse no meio de uma risada rouca, forçada.
Fui pro lado dele e perguntei o que tinha acontecido "N-nada!" Ele disse isso com uma voz trêmula (a voz que ele fazia quando estava triste ) "Não. Não pode ser nada. Você está escondendo algo eu vou saber o que. De qualquer maneira." Pensei comigo mesma. Peguei meu caderno de português e indelicadamente joguei ele na mesa, peguei uma caneta e escrevi um bilhete. Como sempre assinei com meu nome seguido de uma ☆ pois pra mim as estrelas eram símbolos de veracidade. Coloquei o papel em sua mochila.
Depois do que pareceu uma eternidade, finalmente a aula terminou e ele saiu correndo gritando como um louco "AMANHÃ É SÁBADO!" Mas a voz de Matheus ainda estava tremula... Não o segui, apenas fui pra minha casa. Se ele ler o bilhete ele vai vir me procurar...
Depois do café fui pra sacada com o meu "Caderno de Fanfics" à mão, mas a única coisa que eu consegui escrever foi um poema
"Matheus...
Seus olhos verdes me fazem delirar quando penso em você, então.
Muito mais que um amigo, tu é a minha paixão.
Amo quando me da a mão enquanto andamos...
Pelos coredores da escola.
Amo quando nos escondemos e deixamos a hora passar...
Com a certeza de que ninguém irá nos encontrar."
"Ass: Lorena ☆"
Sei que deve estar achando que eu sou algum tipo de Yandere, que mataria à todos pra poder ficar com o "Matheus-Senpai"... Mas, acredite, eu não sou.
Como o esperado ele leu o meu bilhete e ficamos conversando até tarde sobre o nosso plano.
SÁBADO:
Ele me encontrou no beco como sempre, conversamos e ele disse que estavam o machucando, perguntei quem é que estava o machucando. Ele respondeu "Minha vida. Ela está me tentando. Quero partir..." ele sussurrou a última parte. "Você quer deixar a cidade?" Perguntei tentando enganar a mim mesma. "Não. As pessoas me dissem coisas ruins, sabe? Eu finjo que não me importo... Mas dói... Dói aqui." Ele levou minha mão até seu peito, bem onde fica seu coração. Nesse ponto eu já estava vermelha, com as lágrimas caindo de meus olhos quase que sucessivamente, entre soluços eu disse "O que você vai fazer?..." depois de minutos repletos de um silêncio perturbador, ele finalmente disse "Eu não sei... Eu vou embora..." gritei ainda chorando "FICA!!! Eu te amo. Não faça o que eu acho que você vai fazer!" Ele disse se levantando "Você vai ficar melhor... Eu acho. Se cuida, tá?" E assim ele foi embora...
DOMINGO:
Me acordei só pra ter a notícia de que ele tinha se matado.
Depois disso fui pra casa dele onde eu achei a mãe dele, Thaís, chorando desalmadamente na sala. Vi ela pela janela. A porta lentamente abriu e eu entrei, comprimentei os pais dele e subi escada acima. Entrei no quarto dele... Para a minha sorte, ele tinha escrito uma lista de pessoas. Pessoas que tinham o machucado (física e mentalmente) em toda a sua vida. Peguei a lista pra mim. Sai da casa dele, decorando todos os nomes da lista.
Entrei em casa correndo, me dirigi a cozinha, agarrei o primeiro objeto que achei: Uma faca.
"APARTIR DE AGORA: Quem estiver com o nome incluso nessa lista, irá morrer pelas minhas mãos!"
Peguei algumas roupas e sai, a procura do primeiro nome:ANA CLARA.
SEGUNDA:
Depois da aula, chamei a tal ANA CLARA pra ir até um galpão abandonado nos campos. Como ela ama (ou devo dizer: Amava?) aventura foi fácil a atrair pra lá.
Agora, nesse momento estou terminando de juntar os olhos dela do chão.
NOTA:
Você que está lendo! Se seu nome estiver na lista. Bem... Prepare-se pra ir visitar o MEU galpão!
Autora: E. E.
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