21/05/2017

A Baleia Azul

(Aviso: Estou com um bloqueio criativo então ainda não comecei a escrever a próxima parte da 'Coisa Embaixo da Paulista', me desculpem.)  


Me chamo Sam, sou uma adolescente cheia de problemas que busca refúgio em meios virtuais, já que os meus pais não tem tempo para mim. Moramos em uma cidade no interior do Texas chamada EL Paso. As pessoas são legais, mas são muito reservadas na maior parte do tempo. Não posso esperar de estranhos aquilo que os meus pais deveriam fazer. Meu cachorro morreu faz dois meses e é uma das maiores dores que eu já senti, era o meu único amigo nessa cidade.

Foi então que eu passei a ficar mais tempo na internet e buscando formas de me distrair. Algumas pessoas comentam na escola algo sobre a Deep Web. Nunca tive coragem e nem curiosidade de entrar. Achei um site de fórum onde pessoas da mesma idade que eu escreviam seus problemas como forma de desabafar. Me ajudou muito. Fiz duas amigas e contávamos tudo uma para outra, e assim a tristeza diminuía. Katy era a mais tímida, tinha que insistir muito para que ela contasse qualquer coisa sobre os problemas mais graves. De nós três, ela era a mais frágil emocionalmente.

Loren era a mais durona ou pelo menos se fazia de durona, sempre dizia que estava tudo bem, mesmo depois de escrever um textão no fórum sobre os cortes que havia feito na perna esquerda porque terminou com o namorado. Ambas com 15, e eu, a mais velha, com 17.

É engraçado porque sempre consegui resolver os problemas de todo mundo, mas nunca resolvi os meus. Nem o psicólogo do colégio conseguiu, mesmo sendo um dos melhores da cidade. Comecei a me interessar por psicologia na esperança de tentar ajudar a mim mesma e acabei me apaixonando por tudo o que a nossa mente é capaz de fazer, e também me assustando. Existem problemas maiores que os meus. É triste.

Ontem eu disse a minha mãe que gostaria de cursar psicologia, disse isso com um sorriso que há muito tempo não aparecia nos meus lábios. Ela apenas continuou fumando aquele cigarro barato enquanto mexia a panela de sopa. Em seguida, ela pediu que eu mexesse a sopa enquanto ela ia pegar o meu irmão que estava chorando no berço. Aquele bebê tirou muitas coisas de mim.

Cuspi no jantar do meu irmão. Foi uma forma de esvaziar a raiva, uma forma nojenta e repulsiva, eu sei, mas não me cobro maturidade, afinal, tenho apenas 17 anos, estou crescendo ainda. O meu pai não faz nada o dia todo, é aposentado por conta de um acidente de trabalho, minha mãe vende tortas de maçã verde.  As tortas são populares na vizinhança, dizem ter um gosto especial. Aposto que são as cinzas de cigarro que ela deixa cair na massa.

As piores dores são aquelas que machucam a alma. Acho que seria melhor torcer o pé todos os dias do que sentir isso que sinto diariamente. É horrível, mas depois de um certo tempo, você até se acostuma. As meninas bulímicas que conheci no fórum diziam sempre que a sua melhor amiga se chamava “Mia”, um jeito carinhoso de dizer que sofre de bulimia. Minha amiga se chama dor. Ninguém quer morrer, mas aposto que ninguém gostaria de morrer de uma forma que não fosse emocionante.

Meu nome é Sam e eu sou a criadora da Baleia Azul.

Você quer jogar?  

(Autor: Andrey D. Menezes.) 
(Revisão: Gabriela Prado.) 


20/05/2017

Pedra, papel, tesoura...


Pedra, papel, tesoura.

Escolhi pedra. E o meu reflexo também. Suspirei aliviado.

Pedra, papel, tesoura. 

Ambos colocamos pedra outra vez. Ótimo.

Pedra, papel, tesoura. 

Ambos tesoura. 

Talvez o meu amigo estivesse apenas me zoando. Sorri vitoriosamente.

Pedra, papel, tesoura. 

Minha mão aberta, com a palma para baixo, estremeceu quando o meu reflexo esticou dois dedos 

Game over.


A Dama de Preto



Esse é o pesadelo que me perturba há quatro anos. 

Alguns anos atrás, sonhei que estava na casa do meu pai, visitando-o. Meu pai, meu irmão, e eu estávamos saindo para ver o meu carro (íamos consertá-lo) mas havia algo estranho. Vi uma figura no escuro, atrás de algumas árvores. 

De início, pensei que fosse um cachorro, até que a figura se levantou. Era muito alta (quase dois metros) para ser um cachorro. Quando tentei observa-la melhor, ela se agachou e correu para trás da casa. 

Tentei esquecer. Nos aproximamos do carro, e ouvi um farfalhar entre as árvores. Olhei para o meu pai para ver se ele tinha ouvido algo; não parecia que tinha ouvido, mas ele já estava se afastando com o meu irmão. Ouvi o barulho tornando-se mais alto e comecei a correr em direção a eles. 

Olhei para trás e vi uma criatura, era negra e sangrenta, usando um longo vestido negro. Ela tinha longos dentes afiados e garras, com olhos brancos e brilhantes, e ela gritava para mim, tão alto que machucava os meus ouvidos. Tentei agarrar o braço do meu irmão, mas a minha mão passou direto por ele. Ele e o meu pai pareciam normais, enquanto a criatura gritava para mim. 

Caí no chão, tentando fugir, mas ela me alcançou, envolvendo o meu pescoço com suas mãos. Senti suas garras se afundando em meu pescoço. Enquanto eu chorava, ela continuava me sufocando e gritando pelo que pareceu uma eternidade, mas foi provavelmente por apenas 30 segundos. Assim que comecei a sentir meus pulmões se enchendo com sangue, acordei. Não consegui me mover por uns 10 minutos; eu estava paralisado de medo em minha cama, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Tentei gritar mas não pude, mal conseguia respirar. 

Desde então, eu a vejo em meus sonhos... 

Sempre observando... 

Esperando... 
 



19/05/2017

Creepypasta dos Fãs: SEM TÍTULO [AUTOR, NOS DIGA SEU TÍTULO]

[Carol, qual o título da sua creepy, menina?!]
[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com, com título da creepy e seu nome!]

Antes de me formar, trabalhava como taxista em São Paulo para ganhar um pouco de dinheiro. Na última semana de aulas, e na minha última corrida, fui abordado por uma idosa que acabou me dando um tiro na coluna, e me rendeu algumas semanas desacordado no hospital. Depois disso, decidi me mudar para uma cidade mais tranqüila, na qual poderia atuar na minha nova profissão.

Me mudei para um pequeno prédio com varandas. Ao seu lado, havia um prédio parecido, também com varandas, e uma delas coincidia com a do meu andar. Tal prédio era novo, ou seja, era comum perceber um movimento grande em alguns dos apartamentos, por conta das mudanças, até que isso aconteceu nesta varanda coincidente.

Estava trabalhando na minha varanda, que tinha uma bela vista das propagandas dos "outdoors" e da parede dos prédios vizinhos e onde costumava trabalhar, e percebi que a varanda à minha frente estava "sendo ocupada", de uma forma bastante estrondosa, mas simplesmente continuei trabalhando, afinal, era apenas mais uma mudança.

O problema é que, algum tempo depois, surgiu uma mulher desarrumada, com um pijama sujo e rasgado, maquiagem borrada, descalça, e cabelos extremamente longos e sujos, que começou a chorar. Começou chorando baixinho, mas foi aumentando, a ponto de estar basicamente esperneando e gritando.

Ninguém estava notando isso?

Estava olhando para mim.

Fiquei assustado e entrei em casa. Fechei a cortina e a porta da varanda e decidi tomar um banho depois que percebi estar ensopado de suor frio. Quando voltei do banho, fui ver televisão e percebi que já estava bem tarde, já que o céu visto da varanda estava escuro, e uma mulher idosa e arrumada, com seus longos cabelos trançados parecendo uma corda- me olhava benevolente, de um modo até hipnótico. Decidi ir até a varanda, afinal, a porta já estava aberta.

(Talvez continue)

Autor: Carolina Moravec

Revisão: Gabriela Prado


Creepypasta dos Fãs: Sorriso da Rainha

[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com, com título da creepy e seu nome!]

Voltava da casa de alguns amigos no meio da noite, já bêbado após uma social (minha primeira). Na época, devia ter o que? Uns 15 anos? Estava cambaleando dos poucos segundos que me lembro. Me sentia corajoso, e então um amigo meu, também de 15 anos, estava com o carro do pai dele, já indo pra casa, e percebeu que eu estava bêbado.

- Cara, você quer uma carona? - Perguntou ele, um pouco bêbado.

Lembro-me de ter dito algo sem sentido e dito um sim. Então foi aí: dois bêbados adolescentes num carro de um adulto. Estávamos cantando Queen enquanto nos sentíamos poderosos. Estava tudo errado, não vou negar. Foi cômico, até que sentimos uma "lombada". Percebemos que tínhamos atropelado alguém e ele aumentou a velocidade.

- Filho da puta, você está louco? - Perguntei pra ele.

- Porra, só não liga, esquece - Disse ele, assustado enquanto aumentava a velocidade do carro.

Finalmente ele me entregou em casa, e entrei como se nada tivesse acontecido. Me controlando pra não mostrar que estava bêbado, cheguei em casa e vi a luz da cozinha acesa.

- Mãe? - Perguntei.

Ela saiu da cozinha e me deu um beijo na testa, ela me deu um sorriso encantador, o sorriso que só uma rainha tinha, que só a minha mãe tinha. 

O telefone começou a tocar, e ela me pediu pra ir atender pois estava ocupada. Eu fui.

- Alô, aqui é do IML, vim lhe dar uma notícia horrível. Sua mãe foi achada atropelada na rua 15 e está morta, me desculpe. Te chamamos para vir verificar o corpo na sexta-feira.


Eu fui correndo pra cozinha e não encontrei ela, e foi aí que eu percebi que meu pior erro foi ter bebido, porque infelizmente eu perdi a mulher mais encantadora do mundo, aquela que tinha o sorriso de uma rainha. 

Autor: Jtiger
Revisão: Gabriela Prado


17/05/2017

No Drive-Thru do Starbucks

NOTA DA DIVINA: Semana que vem tem a volta da série 
"Minha família vem sendo perseguida há 4 anos" PARTE 5! 

Sou de uma cidade pequena. PEQUENA mesmo. Nada de mais acontece lá a não ser o dia do " leve ser trator para o trabalho". Eu estava no Terceirão do ensino médio em uma turma de 42 pessoas. Todos nós conhecemos desde que estávamos usando fraldas. Posso te falar o primeiro, último e até o nome do meio de todos meus colegas.

A coisa mais empolgante que aconteceu na nossa cidade foi a inauguração de um Starbucks. O único motivo para construírem a loja aqui é que passa uma rodovia no meio da nossa cidade, então as pessoas que passassem de carro por ali compensam o número pequeno de moradores. Não preciso nem dizer o quanto ficamos animados. Era uma cafeteria com não muito dentro, mas pelo menos havia um Drive-Thru.

O prédio ficava junto de um conjunto comercial, então tinha um pequeno estacionamento. Mas o drive-thru ficava colado a uma parede de tijolos. Uma vez que você entrava ali, não tinha como dar ré. Isso era irritante principalmente quando a pessoa da sua frente fazia um pedido gigantesco, pois não tinha como desistir se outro carro já estivesse atrás de você. Cabiam na fila cerca de seis carros apertadinhos. E sempre estava cheio.

Bem, já digo que o Starbucks não durou muito. Depois de oito meses aberto, foi fechado.

E eu tive a oportunidade de ver o porquê.

Aconteceu durante as férias de primavera. Minha mãe e eu estávamos no conjunto comercial, que ficava a quase uma hora de onde morávamos. Estava calor. Fui eu que sugeri que passássemos no Starbucks antes de voltarmos para casa. Minha mãe não queria, disse que era desperdício de dinheiro. Mas eu enchi o saco até ela ceder.

Nós fomos para o drive-thru e tinham quatro carros na nossa frente. Minha mãe suspirou, mas entramos na fila. Mais três carros estacionaram atrás de nós. Estávamos todos preses como ervilhas em uma vagem, suando pelo calor do dia.

"Quero algo gelado," resmunguei para minha mãe.

Ela revirou os olhos. "Morango com creme?"

"Sim, por favor!" Peguei meu celular do bolso e tirei algumas fotos para o snapchat. 'Tomando café gelado com a mamãe!' Escrevi em uma foto nossa. Minha mãe deu risada.

De repente ouvimos um estalido alto. Olhamos uma para a outra, surpresas. "Parece um tiro," falei em tom baixo.

"Não pode ser," respondeu, sacudindo os ombros. "Deve ter sido barulho de alguma moto."

Ficamos sentadas em silêncio por alguns momentos. Acho que ambas sentimos uma mudança nos ares.

Então ouvimos o grito. Era de homem. Instintivamente, coloquei minha cabeça para fora da janela para ver o que estava acontecendo. Por conta de estarmos tão espremidas contra a parede, não tinha como abrir as portas do carro. Mas eu sou pequena, então consegui tirar metade do meu corpo para fora e ver o que estava acontecendo.

Havia uma pessoa de pé no capô de um carro. Estava a uns quatro carros na nossa frente. Ele estava usando uma máscara de gorila. Tinha uma arma na mão. Ele apontava-a para o para-brisas. Alguém dentro do carro estava gritando, implorando por ajuda. Minha mãe me puxou para dentro do carro antes de eu ouvir o estouro que preenchera o silêncio. O para-brisas estourou e deixou todos nós cobertos de medo.

"Temos que sair daqui” minha mãe falou em um sussurro. Ela olhou em volta loucamente, sabendo que estávamos bloqueadas. Os carros de trás não estavam se mexendo e, obviamente, os da frente também não.

"Mas que porra," eu resmunguei.

"Vai ficar tudo bem," Minha mãe colocou o carro em marcha ré e pisou no pedal. Não estávamos nos mexendo, não tinha espaço suficiente. Ela bateu no carro de trás, que não se moveu, depois fez a mesma coisa com o carro da frente. O pânico só crescia. Podíamos ver as pessoas nos outros carros também apavorados, a mulher no banco carona da frente batia a porta freneticamente contra a parede de tijolos, conseguiu ficar metade do corpo para fora, mas depois ficou emperrada.

O cara com a máscara calmamente escalou por cima do carro que havia acabado de atirar e ia para o seguinte. Eu observei em absoluto terror enquanto ele batia contra o para-brisas deles. Havia um casal lá, e eu podia ver que estavam abraçados um no outro por suas vidas.

"Abaixe o vidro," o homem de máscara falou alto.

Poucos segundos se passaram. As pessoas do carro estavam gritando. Minha mãe e eu ficamos quietas

"Abaixe o vidro AGORA!"

O vidro do motorista abaixou lentamente. Podíamos ouvir a voz do homem lá dentro. "Por favor, temos crianças no carro. Não nos machuque. Somos boas pessoas, por favor!"

O homem se inclinou em direção da janela e atirou no casal duas vezes. Sangue se espalhou pela parte interna dos vidros. As janelas estavam pintadas de vermelho. Agora podíamos ouvir os gritos das crianças. Minha mãe segurou minha mão. Ela engoliu a seco.

"Se abaixe," ela disse.

"Que?" Eu mal conseguia entender o que estava acontecendo.

"Se abaixe o máximo que puder. Talvez ele não te veja."

"Mas mãe-"

Minha frase foi interrompida por vários tiros. Os gritos das crianças foram calados.

Sem mais nenhum pio, eu me dobrei no espaço debaixo do porta-luvas. Fiquei o mais encolhida o possível. Minha mãe colocou a bolsa por cima de mim, conseguindo me cobrir quase que por inteira. Ela respirava pesadamente.

A voz de uma mulher irradiava pelo Drive-Thru. "Por que você está fazendo isso?"

Imaginei que provavelmente era a mulher que estava tentando sair do carro. Ela tinha ficado presa entre a parede e o carro. Fechei meus olhos, tentando não imaginá-la presa ali, apenas esperando para levar um tiro. Até minha mãe virou o rosto quando o tiro foi dado. Sangue se espalhou por todos os lados.

Minha mãe se preparou ali, atrás do volante. Ela olhou para frente como se estivesse em um transe. Eu chorava silenciosamente. Pude sentir o homem pulando em nosso capô. Olhei em direção da minha mãe. Ela não olhou para mim.

A máscara de gorila estava aparecendo pela janela do motorista. A arma apontada na têmpora dela. Eu não podia ver o rosto dele, mas sabia que estava sorrindo.

Minha mãe, com um movimento muito rápido, pegou a arma. Quase bati a cabeça no porta-luvas de surpresa. O homem deve ter se surpreendido também, pois a arma saiu com bastante facilidade de sua mão. Ela apontou e apertou o gatilho. Atirou diversas vezes até que as balas acabaram. Havia sangue em seu rosto e em sua roupa. A máscara do homem estava cheia de furos. Ela continuava a apertar o gatilho mesmo quando não disparava mais.

Deixei um suspiro aliviado sair. Não conseguia acreditar que minha mãe acabara de fazer aquilo. Uma mãe, dona de casa de uma cidade pequena, acabara de matar um assassino.

Mas antes que eu pudesse sair de meu esconderijo, houve outro estouro. Vinha do lado do carona. Observei apavorada a cabeça de minha mãe explodindo. Ela caiu para frente do volante, cabeça na buzina.

Virei minha cabeça lentamente para o meu lado do carro, onde uma pessoa com máscara da Barbie olhando para baixo. Ela virou a cabeça para o lado, observando seu trabalho. Ela não deve ter me visto, pois desapareceu da minha vista. Senti o peso dela sair do nosso carro e ir para o outro. Eu não conseguia respirar.

Fiquei naquela posição por mais de uma hora. A polícia chegou depois de 20 minutos do primeiro tiro, mas eu não conseguia me mexer. Eles só me encontraram depois que cortaram o topo do carro com ferramentas para retirar o corpo da minha mãe. Quando a policial me viu, seu rosto se contorceu. Ela podia ver o medo que ficara marcado para sempre em mim.

Eu fui a sobrevivente do Drive-Thru. No total, trinta pessoas foram assassinadas, incluindo três crianças com menos de dez anos.

O homem com máscara de gorila foi posteriormente identificado com um eco terrorista radical. Eles planejaram aquele "evento" para protestar contra o impacto do Starbucks no meio ambiente. Apesar de suas intenções, nenhum funcionário ficou ferido. Só as pessoas que estavam na fila de carros.

Eles nunca encontraram a outra pessoa com a máscara da Barbie.

Minha mãe morreu bravamente e eu me agarro a essa ideia. Nunca em minha vida eu esperava que ela tiraria a arma da mão de um assassino louco. Ela fez aquilo por mim. Para me salvar.

Mas tem uma coisa que eu fico pensando todos os dias. Apesar de suas ações terríveis, todas as mortes e as vidas destruídas que aqueles assassinos causaram, o "evento" acabou funcionando. Pelo menos para mim. Eu sei que nunca mais em minha vida tomarei algo do Starbucks. 

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


[CREEPY BÔNUS] Creepypasta dos Fãs: O Último Trem

CREEPY BÔNUS PRA VOCÊS, EEEEBAAA!

[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com, com o título da creepy e seu nome!]

Já era tarde da noite. Estava com muita pressa para chegar na estação. O último trem partiria em dez minutos e eu não poderia perdê-lo de forma alguma. Estava exausto. Meu trabalho normalmente é extremamente monótono, porém aquele dia em especial havia sido diferente. Tive uma papelada enorme para preencher e arquivar, e por causa disso tive que ficar algumas horas a mais no escritório. E é justamente por esse motivo que eu não podia perder o último trem de forma alguma.

“Droga” – Cinco minutos para o trem partir.

Andava rápido, praticamente correndo. A essa hora da noite não é muito comum outras pessoas estarem andando nessa região, mas escutei alguns passos atrás de mim. Achando que a exaustão que sentia já estava me fazendo delirar, ignorei completamente, e continuei acelerado até a estação. Não estava calor, mas suava. Suava frio. Quando estava me aproximando da estação, para o meu azar, escutei o som do trem partindo.

Havia perdido o último trem e agora teria de esperar até o dia seguinte nas redondezas daquela maldita estação. Que dia de merda aquele. Mas que escolha eu tinha? Morava muito distante para tentar uma caminhada. Na verdade, havia me mudado recentemente e mal sabia o caminho para casa.

Bom, não tinha outra opção, e então decidi seguir para a estação. Com certeza seria melhor esperar pela manhã lá do que ficar vagando sem rumo pelas ruas desse bairro decadente. Além disso, poderia finalmente descansar um pouco. E foi o que eu fiz.

A estação já estava fechada e tive que pular o portão, o que não é nada difícil. Finalmente estava dentro, e caminhei em direção a um assento. Uso a bolsa como encosto, me deito e fecho meus olhos. Quando finalmente estou para pegar no sono, escuto um forte estrondo, como se algo tivesse caído e se partido em vários pedaços no chão. Tomo um susto indescritível. Levanto a cabeça e olho para os lados rapidamente, mas não vejo nada de anormal. Após dar mais uma olhada, desisto de procurar de onde veio o barulho e me conformo com a ideia de que foi apenas algo que caiu de um dos vagões. É uma estação velha, não me surpreenderia.

Conformado com o fato de que não iria conseguir dormir de maneira alguma naquele lugar, procuro algo com que possa passar o tempo. Deito no banco novamente e olho para o céu. “Faz muito tempo que não faço isso”, pensei. Estava estrelado como nunca havia visto antes. Maravilhado com a imensa beleza, resolvi contar as constelações que conhecia. Sinto dizer, mas não vale a pena cita-las, não foram muitas. Fiquei um bom tempo apenas contemplando as estrelas. Devia ter passado algumas horas desde que cheguei, e eu continuava sem conseguir pegar no sono. Na verdade, já havia desistido. Nunca dormi rápido, e com certeza não dormiria ali.

Totalmente entediado, resolvo conhecer um pouco mais da estação. E, é claro, que eu passava ali todos os dias desde que cheguei na cidade, porém na rotina do dia-a-dia nunca paramos para observar realmente os lugares em que nos encontramos. Estamos fisicamente em um lugar, mas mentalmente em outro. E é assim que vivemos dia após dia.

Está tudo muito escuro. Mas alguns fechos de luz orientam bem o meu caminho, então eu sei exatamente para cada lugar que vou. Após uma caminhada de trinta minutos pela estação, acredito que já havia visto tudo que ela me reservava, porém quando estou voltando para o mesmo banco em que estava, vejo um clarão de luz piscando à minha esquerda. Bastante estranho, eu confesso, mas realmente eu não dava a mínima. Era um lugar velho, como já disse, e estava tão entediado que qualquer outra coisa que pudesse fazer além de ficar deitado naquele banco sujo seria imensamente mais interessante naquele momento.

Após a luz piscar mais algumas vezes conforme me aproximava, ela finalmente se estabilizou acesa. Confesso que aquele barulho de lâmpada velha me incomodou bastante, mas não havia nada que eu pudesse fazer, então eu segui em frente. A luz amarelada que emergia da lâmpada mostrava muito bem o caminho e para a minha surpresa havia uma escada logo a minha frente, uma escada que, sem dúvida, eu jamais havia visto por lá. Não estranhei, aliás, como já disse, boa parte das coisas que estão presentes na nossa rotina nos passam completamente despercebidas. Segui adiante por mera curiosidade. A escada rangia bastante conforme eu a descia.

Estranhamente essa parte era consideravelmente iluminada, ao contrário do resto da estação, onde apenas as luzes vindas do céu mostravam o caminho. Segui adiante, mas o céu já não era mais tão brilhante. Já não estranhava praticamente mais nada aquela noite. Era o que achava, quando de repente, ao me virar para a direita, vejo alguém do outro lado dos trilhos. Senti um frio na espinha e confesso que fiquei imóvel por alguns segundos. Disse, há pouco, que nada mais me parecia estranho, porém aquilo, de fato, era muito estranho. Quem mais poderia estar na estação àquela altura? Já era madrugada.

Finalmente tento olhar fixamente para o que está a minha frente, mas a luz novamente começa a piscar. Maldita estação. Logo percebo que tamanho terror que senti era extremamente exagerado. Deveria ser apenas alguém que como eu, que perdeu o último trem e agora deveria esperar algumas horas até o que o próximo chegasse. Esperar. Esperar. É tudo que se pode fazer aqui. Os minutos nesse lugar se tornam horas. E o tempo não passa. Mas que angustia horrível! Ingênuo e egoísta, fico feliz que não seja o único a estar passando por isso e que mais alguém está lá nessa mesma situação desagradável. A luz acende novamente, mas já não há mais ninguém lá.

A curiosidade é mais forte e procuro uma forma de passar para o outro lado além dos trilhos. Depois de alguns minutos, finalmente consigo encontrar uma maneira de atravessar. Porém nada é como antes. Tudo está mais escuro e mal consigo enxergar o caminho a minha frente, exceto por uma luz velha e barulhenta que pisca freneticamente. Logo me dou conta que era a mesma luz que vi anteriormente quando estava no outro lado do trilho, aquela que iluminava a pessoa que a pouco vi, mas agora ela estava piscando com muito mais frequência, o que realmente estava me causando um certo incômodo. Sem hesitar, sigo adiante, mal conseguindo enxergar o caminho em minha frente, e acabo me debatendo contra obstáculos duas ou três vezes. De repente, escuto um barulho e vejo que pisei em algo. Cacos de vidro. Sinto eles perfurarem meu sapato e consequentemente meu pé. Que dor horrível. Me pergunto se está sangrando muito, quando de repente escuto passos em minha direção percorrendo os mesmos cacos de vidro. E, pela primeira vez naquela noite, me senti amedrontado de verdade.

Não consigo enxergar nada e começo a suar frio. Apesar da dor que sinto, tento me afastar. Erro terrível. O vidro se adentra mais em meu pé e agora mal consigo andar. Quando me dou conta, o barulho dos passos já se foram e agora está tudo em um silêncio absoluto. O que não é menos perturbador. Me encosto em uma parede que encontro em meio a escuridão e descanso por alguns segundos. Logo percebo que não tenho outra opção a não ser procurar seguir o feixe de luz e tentar eu mesmo retirar o vidro do meu pé. Com muito esforço, consigo me aproximar finalmente da luz. Vejo um banco e me sento. A ferida era maior do que havia imaginado e para piorar, não estava com minha bolsa para procurar um curativo. Como fui estúpido. Havia deixado minha bolsa no outro lado da estação e agora não poderia busca-la tão cedo. Não sem antes conseguir descansar um pouco e esperar até essa dor passar.

“Droga”.

A luz começa a piscar novamente. Pego uma pequena pedra que encontro no chão e tento acerta-la para, quem sabe, parar de piscar. Outra ideia estúpida. Acertei e ela parou de funcionar de vez. Me encontro de novo na escuridão. Dessa vez já não me importo mais. A dor que sinto já me distrai muito para que eu possa sentir medo. É o que eu penso.

Após cerca de 20 minutos, a dor finalmente diminui um pouco e começo a ficar ansioso para me levantar, ir buscar minha bolsa e esperar o nascer do sol próximo da linha do meu trem, de onde nem sequer deveria ter saído. Resolvo esperar mais um pouco para a dor diminuir. Grande Erro. Fecho meus olhos na esperança de que o tempo passe mais rápido enquanto tento me entreter com pensamentos e lembranças idiotas. Nada adianta. Parece uma eternidade. E nessa eternidade, escuto a respiração de alguém ao meu lado. Era uma respiração suave. Não escutaria normalmente, se não fosse o silêncio absoluto do lugar. Era amena e arrisco dizer até reconfortante. Porém a situação não era menos aterrorizante por isso. Resolvo dizer alguma coisa.

“Olá?”, falo, desengonçado.

Não obtenho resposta. Estranhando a situação, procuro outra pedra, e a atiro na lâmpada. Nada. Não desisto e procuro novamente. A respiração continua lá. Finalmente encontro. Me concentro e a arremesso contra a maldita lâmpada. Ela faz aquele odioso barulho de lâmpada velha, pisca uma vez e apaga. Já estou conformado na realidade. Tento achar uma resposta e me convenço fielmente que a pessoa está dormindo e por isso não me respondeu. Quando finalmente me convenço disso e fico mais tranquilo, a maldita lâmpada começa a piscar freneticamente e a fazer um barulho infernal. Me assusto e tento me levantar, mas apoio no chão primeiro o meu pé cortado e acabo sentindo muita dor novamente. Sinto que ele volta a sangrar.

“Que burrice”, eu penso.

Aquela luz maldita piscando sem parar já estava me dando tonturas. Quando finalmente me viro para o lado, vejo alguém sentado no outro banco. No entanto, a lâmpada pisca tão rapidamente que não consigo ver praticamente nada. Começo a olhar fixamente para a pessoa. Vejo que é uma mulher, não está dormindo como pensei, está sentada, de perfil, e possui longos cabelos negros. Ignora completamente o fato incomodo da lâmpada piscar sem parar e está totalmente imóvel como se estivesse em outro lugar. Eu tento chama-la uma, duas, três vezes. Mas ela me ignora completamente. Aumento um pouco o tom de voz na tentativa frustrada de obter uma resposta, mas nada. Resolvo deixar pra lá.  “Não aguento mais ficar nesse lugar”. Tento apoiar meu pé machucado para ver seu estado. O mínimo de força que faço já me causa uma dor horrível, então vejo que não tenho outra opção a não ser ficar mais um tempo ali. Dez minutos. Dez minutos serão suficientes e se não fossem, eu não ficaria ali nem mais um minuto que seja. A essa altura já estava com muito ódio de tudo. Maldito o meu chefe que me pediu para ficar até mais tarde. Maldito trem. Maldita estação. Maldita lâmpada. Maldita mulher. E enquanto praguejava meu ódio contra tudo e todos, a lâmpada se apaga mais uma vez. Para ser honesto, eu já não me importava mais se era uma mulher ou não. Eu estava, sem dúvida, me cagando de medo.

A respiração voltou mais intensa. Começo a achar que ela está propositalmente querendo me assustar fazendo isso. Ignoro o quanto posso, mas de saco cheio, a mando grosseiramente fazer silêncio. E para minha surpresa, ela o faz. Fico tranquilo por um tempo até que escuto uma voz. Fico realmente surpreso. Ainda mais surpreso com o que ela diz.

 - Me desculpe – Disse ela.

- Tudo... Tudo bem – Respondo desorientado - Por que me ignorou agora pouco?

- Eu... Eu estava muito assustada – Diz ela.

- Assustada? Com o que? – Pergunto.

- Eu não estou me sentindo muito bem – Responde ela.

- O que você está sentindo? Você está machucada? – Pergunto curioso.

- Estavam atrás de mim – Diz ela, com uma voz fraca

- Quem estava? – Pergunto, realmente curioso.

- Eles tentaram me machucar – Sua voz praticamente desaparecia no ar.

- O que eles fizeram? – Pergunto preocupado.

- Eu não me lembro – Diz ela - Estou com muito medo.

- Tudo bem. Não precisa mais sentir medo agora – Tento reconforta-la.
 - Você não entende – Ela diz, de forma misteriosa.
- Então me explique – Mas arrependido, digo - Não precisa falar sobre isso se não quiser. Está tudo bem agora.

A lâmpada faz um barulho e pisca novamente, acendendo por um estante, me fazendo ver seu rosto. Está machucado, com um pouco de sangue e com lágrimas, mas sem dúvida, ela é uma linda mulher. A luz se apaga novamente.

- Você quer que eu chame alguém? Deixei meu celular na minha bolsa. Está no outro lado da estação. Mas eu posso buscar – Digo, querendo ajuda-la
 - Não. Tudo bem. Só... Só não saia daqui – Diz, com a voz trêmula.
- Não sairei – Digo.
- Obrigada – Ela agradece.

Começo a pensar o quão estranho era aquilo, mas não me importava mais. Só queria saber o que tinha acontecido e se ela ficaria bem. Já não faltava muito tempo para amanhecer e logo tudo estaria resolvido. Então apenas descansei um pouco.

- Não durma, por favor – Ela me pediu.

Eu fiquei sem saber o que falar. Ela estava tão aflita.

- Tudo bem – Eu disse.

Logo ela ficou em silêncio novamente. Procurei conversar sobre algumas coisas. Mas ela realmente não estava interessada em ter uma conversa. Deveria ter imaginado pelo estado em que ela se encontrava. Quem iria querer conversas banais naquela situação? Tudo que ela queria era silêncio.

- Você tem certeza que não quer que eu busque minha bolsa? Tenho curativos - Insisti.

- Curativos? Você está machucado? – Ela disse, preocupada.

Será que ela não sabe que está machucada de verdade? E que não só apenas tentaram a machucar?

- É.. Sim. Eu pisei em um caco de vidro – Respondi confuso.

- Deve estar doendo – Disse ela, preocupada.

- Um pouco – Respondi.

- Não quero que vá buscar curativos – disse, com voz de manha.

- Tudo bem. Não é nada tão grave – Respondi tranquilamente.

- Obrigada –  disse.

Ficamos um tempo em silêncio. Tinha quase certeza agora que, em menos de duas horas, o sol nasceria. E estava bastante ansioso para isso. Enquanto pensava, ela me cortou.

- Acho que vou dormir um pouco. Tudo bem? – Disse.

- Sim, claro – Respondi com ternura.

- Você deve estar cansado – Disse, preocupada.

- Sim. De fato. Não foi um dia nada [...]” – Ela me corta novamente.

- Então descanse também – Respondeu agora sem hesitar.
Achei estranho por de repente ela não se importar mais.

- Mas você tem cer... – Fui cortado novamente

- Só uma coisa – Disse ela rapidamente.

- O que? – Respondo curioso.

- Tudo bem se eu for aí com você? – Diz, afetuosamente.

Fico sem jeito, mas tento responder.

- É, sim. Tudo... Tudo bem. Pode vir – Falo mais parecendo um gago.

Ela se levanta e se dirige em minha direção. Isso é tão estranho, eu penso. Mas já não me importo mais. Eu realmente estou bastante curioso sobre essa garota. Ela se senta no meu lado.

- Obrigado por estar aqui – Diz ela em um tom meio triste.

Eu não sei o que responder, então não digo nada. Ela deita em meu ombro. As luzes das estrelas iluminam levemente seu rosto e consigo ver seu sorriso. Está com os olhos fechados e confia em mim como se me conhecesse há anos. Me sinto bem como não me sentia há muito tempo. A abraço e fecho meus olhos. Ela diz uma última coisa.

- Logo o meu trem vai chegar, e pela primeira vez, eu desejo que o tempo pare.

- É, eu também – Digo confuso, mas fiel às minhas palavras.

Eu consigo dormir finalmente.

Quando desperto pela manhã, ela já não está mais lá. Faço o caminho de volta até onde deixei minha bolsa, mas antes a procuro desesperado. Mas nada. Ela desapareceu. Estranhamente não vejo nenhum trem, o que não é normal naquele horário. Já deveriam estar aqui, juntos as multidões desesperadas lutando pelos assentos do trem.

Finalmente chego até minha bolsa, mas nada de trem ou pessoas. Não dei muita importância, apesar de estranho, tudo que tinha em minha mente era aquela mulher. E o quão estranho e fascinante fora isso. E se a veria novamente. De repente escuto um barulho do portão se abrindo. Me viro com esperança de ser a mulher misteriosa, porém me frustro. Era apenas um guarda. Mas com certeza éramos os únicos na estação naquele momento. Ele se aproxima e me chama.

E o que ele diz me faz passar mal. Me sinto zonzo e se ele não me segurasse eu com certeza cairia no chão.

- Você está bem, rapaz? – Ele pergunta preocupado.

- Sim, sim. Eu estou... Eu acho – Digo atordoado.

- Se cuida – Diz ele educadamente.
- Obrigado – Eu respondo abalado e me dirijo até a saída.

A estação estava fechada desde ontem. Sem trens. Sem pessoas. Sem ninguém. Foi o que ele me disse. Mas eu queria saber o motivo. E tive que perguntar. A resposta me perturba até hoje.

Uma mulher foi estuprada e assassinada em um dos vagões por um grupo. Tivemos que fechar a estação por alguns dias. A bagunça foi tanta que ainda terão que fazer uma boa limpeza por aqui. Há sangue, sinais de luta, vidros quebrados e até uma velha escada de madeira que quase foi para o chão. Pobre coitada”.

Autor: Dan Navarro
Revisão: Gabriela Prado