26/11/2017

Traição de um Coelhinho

As lágrimas escorriam pelo seu rosto, o som de seus lamentos preenchia o quarto. Ela não entendia, como ele pode fazer aquilo? Depois de tantos anos juntos, depois de todas aquelas juras de amor, depois de tudo o que ela fez por ele. No fim, era tudo uma grande mentira.

Quanto mais pensava em sua desgraça, quanto mais se lembrava daquela época mágica que passou ao lado dele, mais seu coração enchia-se de ódio.

Ele iria pagar.
Com um plano em mente, a jovem de 16 anos se dirigiu até seu armário, de lá retirou um belo vestido preto com lantejoulas (o mesmo vestido que usou no primeiro encontro que teve com o rapaz que lhe partiu o coração), aplicou uma maquiagem noturna e calçou uma sandália azul escuro de salto alto.

Saiu de casa e seguiu pela rua até a moradia dele, tocou a campainha, a porta se abre e revela uma mulher de belas feições e sorriso meigo.

-Olá querida. Nossa! Como está bonita! Alguma ocasião especial?

-De certa forma sim, Coelhinho está? Preciso falar com ele. – perguntou com um sorriso ao pronunciar o apelido que havia dado ao ex-namorado.

-Não, sinto muito.

-Posso espera-lo então?

-Claro, entre. – deu espaço para que a jovem pudesse adentrar na casa.

Ela passou pela entrada com um sorriso largo, se dirigiu para a cozinha e retirou uma faca do faqueiro.

Agora a diversão iria começar.

Uma hora depois um carro estaciona na garagem da casa, do veículo desembarca um casal de jovens, ambos estão com as roupas amassadas e os cabelos bagunçados.

O par se dirigiu até a cozinha e encontram alguns biscoitos sobre a bancada, ao lado daquelas suculentas guloseimas um bilhete da mãe do garoto manchado com um liquido carmim que supuseram ser groselha, nele estava escrito que a matriarca saíra para fazer compras e que não demoraria a voltar.

Os dois se entreolharam e sorriram, comeram alguns dos biscoitos e subiram para o quarto do jovem.

Foram entre beijos e suspiros que ele se viu nu em sua cama, deitado ao lado da parceira que em meio aos gemidos pedia cada vez mais prazer. Quando ambos já estavam perto do tão aclamado auge daquela paixão, um cansaço debilitante tomou conta dos dois corpos presentes naquele cômodo, ambos nem tiveram tempo para pensar antes de caírem em um sono profundo.



-Acorde Coelhinho. – disse uma voz doce e familiar que em questão de segundos o despertou.

Demorou para que pudesse se acostumar com a fraca luz que tentava iluminar o recinto, delongou mais alguns minutos até o cansaço o abandonar por completo.

Com um sorriso paciente estampado no rosto, a jovem observava atentamente o rapaz à sua frente.

Quando percebeu quem era aquela o fitando, se surpreende.

-O que você...?

-Vim ver o meu amorzinho. – disse com um largo sorriso.

Ele pretendia responder, dizer para ela que tudo havia acabado, que não possuía mais o direito de chama-lo daquela forma melosa, mas quando abriu a boca suas palavras não saíram. Um medo súbito tomou conta dele. Ele percebeu o líquido rubro que banhava o vestido de sua antiga namorada. Percebeu o cheiro metálico que percorria pelo cômodo.

-Hum? Isso? – disse a garota apontando para a própria vestimenta – Você demorou demais para acordar, então eu e a vadiazinha decidimos brincar um pouco. – ela saiu do campo de visão do rapaz e deu espaço para uma cena de puro terror.

A amante do rapaz, presa em uma cadeira, seu rosto completamente desfigurado por cortes de uma lâmina, os olhos que antes esbanjavam malícia e vontade de viver se encontravam sem brilho e arregalados, os cabelos – antes longos e belos – estavam cortados de forma desajeitada e se encontravam encharcados de sangue, seus seios agora se encontravam rasgados e deformados, suas pernas e braços não apresentavam mais pele, seus dedos estavam espalhados pelo chão, sua barriga cortada em “X” revelava um conjunto de órgãos que se apoiavam de forma desajeitada em suas coxas, para completar aquele cenário de horror, ainda ligado ao peito da jovem, em meio aos cortes e ao sangue, seu próprio coração enfiado na boca.

O garoto tentava ao máximo escapar, mas suas pernas e braços estavam presos por firmes amarras que o mantinham ligado à cadeira que estava sentado.

A carcereira volta para o campo de visão dele com um sorriso.

-Sabe, eu não entendo porque você preferiu ela do que a mim. O que ela tem que eu não tenho? Porque, se bem me lembro, você disse que me amava, que eu era a melhor e que nunca iria me abandonar. Mas olha só que ironia! Eu vou até um hotel de terceira por causa de uma ligação de uma pessoa qualquer e em um dos quartos encontro o MEU namorado transando com uma outra qualquer! – o sorriso paciente aos poucos se transformou em uma expressão de pura repugnância – Francamente, eu esperava mais do aluno "nota dez" da sala.

Ele não conseguia dizer uma resposta, estava com medo, em todos aqueles anos que esteve ao lado dela ele nunca tinha visto aquela face de sua ex.

-Sem resposta? Bem, dizem que uma ação vale mais que mil palavras, suas ações já me disseram muito, mas eu ainda não te disse algo, né?

Ela levantou o braço esquerdo e revelou uma faca de cozinha ensanguentada na mão.

-Vamos brincar, Coelhinho? – ela se aproxima lentamente dele.

O adolescente grita por socorro. Mas ninguém aparece para salva-lo.

A garota ria com a tentativa patética daquele traidor.

-Hahahaha, isso! Grite o quanto quiser, ninguém virá te salvar. – ela se aproxima mais e mais, chega bem perto e se senta nas pernas do rapaz em desespero – Vejamos, por onde devo começar?

A faca passeia pelo rosto dele enquanto ela cantarola uma suave melodia. Quinze segundos depois a faca é enfiada na bochecha direita dele e a lâmina é arrastada até sua boca, cortando seu rosto e enchendo-o de sangue.

Ele grita desesperadamente, o sorriso dela se alarga.

-Isso! Grite e sofra Coelhinho!

A lâmina passeia suavemente pelo corpo dele, de segundo em segundo ela enfia a faca e rasga o corpo de sua vítima. O peito, os braços, a faca descia e cortava cada canto dele.

-Foi esse o motivo de você ter me deixado, não é? – disse ela apontando para o membro exposto do rapaz – Por quê? Se cansou do que eu fazia? Se cansou do prazer que eu te dava? Se cansou dos meus gemidos? – os olhos dela brilhavam com o mais puro ódio – Bem, agora vamos ver se você terá algo para se cansar agora. – a faca é enfiada no órgão e o corta ao meio em uma linha transversal.

Os gritos são incessantes, os risos se tornam cada vez mais altos. O sangue escorre do corpo dele, tingindo o cômodo e os dois jovens.

A garota desce do colo dele, levanta o braço e enfia a faca nas coxas do rapaz, ela repete o ato varias vezes conforme os gritos chegam aos seus ouvidos. As risadas ressoam e o sangue pinta o quadro de terror.

O sorriso psicótico se torna cada vez maior. Cada corte se torna a dor na alma da jovem estampada no corpo do rapaz.

Em um determinado momento o jovem perde as forças, os gritos deixam de ressoar, ele fica preso à vida por um único fio de destino.

Os lábios da garota se contraem e formam uma expressão de decepção, a cabeça se inclina e uma voz manhosa ressoa.

-Coelhinho cansou? – mais uma vez o sorriso volta – Então está na hora do gran finale.

A faca sobe até o peito dele, a lâmina é fincada e corta a região, as mãos da jovem adentram no interior do corpo, logo depois elas são retiradas com o coração dele entre os dedos da jovem.

-Abra a boquinha. – a mão esquerda se estende e força-o a abrir a boca.

Usando a outra mão ela introduz o órgão no orifício.

O rapaz tentava se manter vivo, mas a morte se aproximava cada vez mais.

A jovem olhou-o por alguns segundos e depois se dirigiu para a porta que levava para a saída daquele cômodo. Ela abriu a porta e antes de partir se vira e diz com um sorriso:

-Boa noite, Coelhinho.

Autora: Joyce Piv


23/11/2017

Crianças-cães

Vou te contar sobre uma cidade – uma cidade onde você nunca deve ir. Para sua proteção, não vou falar o nome ou coordenadas. Mas posso falar isso: se alguma vez você perceber que possa estar nessa cidade, saia o mais rápido possível e não olhe para trás. 

Isso aconteceu há alguns anos. Eu seguia para encontrar um tio que eu nunca havia visitado – dirigindo meio perdido, tentando ler um mapa confuso – quando fiquei sem gasolina. Uma merda né? Nunca consigo entender essas coisas. Os perigos da caminhada eram desencorajadores, mas não havia escolha, então tentei não ficar nervoso e comecei a andar. 

O sol do meio-dia estava opressivo. Minha testa ardia de tanto esforço para manter os olhos apertados, e minhas roupas já estavam encharcadas com uns três litros de suor. Meus braços cansados pendiam mais e mais, assim como a minha esperança por uma carona. Mas, à distancia, tornou-se visível uma pick-up vermelha. “Por favor pare. Por favor,” Eu repetia, esticando o meu polegar o máximo que pude. Enquanto a pick-up se aproximava, eu agitava os braços ate que ela desacelerasse e parasse ao meu lado. 

“Era o seu carro lá atrás?” perguntou o velho camarada ao volante. 

“Sim senhor. Fiquei sem gasolina.” 

“Sobe aí. Vamos conseguir um pouco no próximo posto.” 

Cappy – era um cara legal. Ele realmente gostava de falar sobre a família, mas eram histórias divertidas. Seu filho servindo no exterior, e posso dizer que a sua gentileza era inspirada pela admiração que ele sentia pela nossa geração. Heróis, era como ele nos chamava. Mas eu nunca entraria em linha de frente – sempre fui do tipo que evitava os perigos. Mas não contei isso para Cappy – não queria desaponta-lo. 

Depois de um tempo, comecei a pensar em quando essa cidade apareceria, parecia distante demais. Isso não parecia incomodar Cappy. Acho que ele não tinha nada melhor com que se ocupar – e eu ainda não sabia para onde ele estava indo. A estrada começou a se tornar irregular, e logo tornou-se dividida com uma trilha de grama no meio. Finalmente pude ver uma cidade surgindo naquele horizonte de campos selvagens. 

Era uma típica cidadezinha do interior: casas de um azul desbotado com guarnições brancas, algumas lojas construídas com tijolos, com seus nomes pintados à mão, uma praça, uma capela branca num morro. Carros estavam estacionados em vários lugares, alguns sem pneus; embora eu não tenha visto pessoas por perto. Nada surpreendente para uma aldeia remota, mas o que me surpreendeu foi que, apesar dos celeiros, eu não via os animais. 

Não havia um posto oficial, mas encontramos uma velha garagem com uma bomba na frente. Enquanto entravamos na garagem atulhada, Cappy continuava a se desculpar por ter emprestado sua garrafa com gasolina para um vizinho. Um odor rançoso atingia minhas narinas, me deixando enjoado. “Acho melhor eu ir procurar alguém,” falei, “para que não pensem que estamos tentando roubar algo.” Na verdade, eu queria mesmo me afastar daquele cheiro. 

“Procure por algum galão de casolina, caso eu não encontre um.” 

“Entendido.” 

A cidade parecia deserta, mas eu conseguia ouvir algumas vozes ecoando de algum lugar, então resolvi segui-las. Duas crianças saíram do mato alto, brincando de pega-pega pela estrada. À distância havia um pomar com crianças correndo e jogando maças umas nas outras – algumas estavam agachadas e corriam de quatro. Enquanto me aproximava, risos e grito vinham por todos os lados. Parecia o comportamento normal de crianças, mas notei que todas usavam máscara de cachorro. 

Havia algumas crianças sentadas em uma pequena mesa de picnic, brincando com algo que parecia um bolo – elas o esmagavam com as mãos e espalhavam pelas roupas. Deduzi que, pelo bolo, as mascaras, e toda aquela diversão, estava acontecendo uma festa. Tentando parecer o mais pacífico possível, me aproximei e tentei falar com elas. 

“Tenho certeza que alguem fez esse bolo para ser comido, e não para brincarem com ele,” falei, tentando soar como um pai autoritário. As crianças pararam o que estavam fazendo e olharam para mim. Senti um arrepio – pelo modo como eles viraram as cabeças exatamente ao mesmo tempo, todos usando aquelas máscaras de cachorro. E não eram máscaras de cachorros fofinhos. O realismo nelas lhes dava características perturbadoras. 

“Desculpa, mas poderiam tirar essas máscaras por um minuto?” As crianças se olharam e logo voltaram-se para mim. Comecei a me sentir envergonhado. “Então, de quem é o aniversário?” Uma das crianças fez um barulhinho. “Ah, é você?” Outra criança imitou o barulhinho. “Então é você? Hmm? É seu aniversário?” Uma terceira criança também imitou. “Talvez seja o aniversário de todos vocês?” Eles não pareciam estar ouvindo, e continuaram a imitar cachorrinhos. 

Finalmente, comecei a me irritar. Toda aquela caminhada no calor já tinha me desgastado, e agora aquelas crianças estavam cutucando uma colmeia. “Escutem aqui. E se os seus pais souberem que estão sendo tão rudes? Por que não tiram essas mascaras e agem feito crianças normais e não como cães.” As crianças começaram a ganir e latir mais alto. “Parem com isso! Onde estão seus pais? Tenho um problema no carro e preciso de um adulto agora mesmo!” As crianças não ligaram para o meu pedido, ao invés disso, começaram a jogar bolo em meu rosto; o gosto era horrível. Não parecia ser um bolo. 

“Tudo bem. Mas quando eu encontrar seus pais eles vão saber sobre isso.” Era como se eles nem soubessem sobre o que eu estava falando. Virei-me para ir embora, mas todas as crianças que estavam brincando estavam agora de pé, lado a lado, bloqueando meu caminho. Ao invés de pedir para que se afastassem, eu simplesmente segui pela esquerda para tentar contorna-los. Mas quando eu ia para um lado, eles também acompanhavam. 

“Já chega!” Eu não queria empurra-los; eram apenas crianças. “Vou contar até três para que se afastem ou vou passar por cima de vocês!” As crianças permaneceram paradas e caladas; devia haver mais de uma dúzia delas. Olhar para eles com aquelas máscaras; era surreal. Não havia duas iguais – cada uma era uma raça diferente de cachorro, com expressões que iam do dócil ao violento. Quando comecei a contar, “Um...” algumas crianças começaram a fazer grunhidos de raiva. Continuei a contagem, “Dois...” a mais crianças se juntaram com os grunhidos. Respirei fundo, sabendo que eles não se afastariam. 

“Beleza… Um!” Todos de uma vez começaram a latir. Me assustei com o quão ferozes e raivosos eles soavam. “Parem com isso!” mandei, mas apenas latiram mais alto. Um deles atirou uma maçã em mim – e machucou. Outro o imitaram, e logo estava sendo alvejado por várias frutas podres. Comecei a gritar, “Esperem ate eu achar seus pais!” mas levei uma maçã no rosto antes que pudesse acabar de falar. Algumas crianças me empurraram enquanto eu estava distraído e perdi o equilíbrio. Todos se jogaram em mim, chutando e arranhando. 

“Chega!” Cansei daquilo. “O que diabos há com vocês?!” Gritei, empurrando cada um deles. Mas eles não se abalavam, continuavam a chutar e arranhar fazendo aqueles sons irritantes. Aquela cacofonia de grunhidos e latidos fez meu sangue ferver. Comecei a bater nelas, sem me importar com a segurança deles ou o que seus pais fariam em retaliação. Depois de derruba-las, corri para encontrar Cappy. 

As crianças me perseguiam pela cidade. Eram apenas crianças, mas eu estava assustado pra caralho. As máscaras, os sons – elas nem pararam depois que as derrubei. Encontrei a pick-up de Cappy mas não o vi por perto. As crianças estavam me alcançando quando tropecei e caí. Mais uma vez fui cercado por aqueles pirralhos violentos. Tentei levantar mas havia muitas crianças sobre mim, e meus gritos por ajuda não atraíram ninguém. 

“Tirem essas malditas mascaras!” Gritei, tentando puxar uma delas; estava bem presa. Os latidos se tornaram risos e temi que houvesse adultos observando – zombando ao invés espantarem suas proles insanas. Minha raiva já estava chegando ao limite quando as crianças pararam de atacar. Todas viraram se viraram para a mesma direção e correram juntas, latindo alegremente. Me levantei, procurando em meu corpo por arranhões e hematomas. 

“Cappy!” Gritei, olhando ao redor. Minha voz ecoava por milhas. As crianças estavam fora de vista, então corri para a pick-up esperando encontrar Cappy ainda na garagem. Primeiro passei pela loja principal, para ver se alguém poderia nos ajudar, mas não havia ninguém dentro. Eles não pareciam estar funcionando – prateleiras estavam vazias e cobertas de poeira. Chequei os fundos – ninguém lá. Então ouvi um berro vindo de fora. 

Espiei pelas janelas mas não vi ninguém, então abri a porta um pouco e tentei ouvir. Eu sabia que algo estava acontecendo com aquelas crianças. Os únicos sons na cidade inteira vinham da direção para onde tinham corrido. Parte de mim sabia que eu deveria voltar para a garagem, mas eu queria ver se as crianças estavam sendo repreendidas por seu comportamento. Segui os ecos, até que claramente ouvi um grito, gutural e angustiado. 

Os gritos continuaram enquanto eu me aproximava da porta da casa mais próxima. “Hei! Tem alguém aí? Por favor!” Sacudi a maçaneta com força – trancada. Havia outra casa próxima, então bati na porta também. Ninguém em casa; ou apenas não queriam responder. Rodeei a casa, batendo nas janelas, mas não adiantava. Tinha que tomar uma decisão. O que um herói faria? Perguntei para mim mesmo, e continuei seguindo para os sons, rodeado por incertezas. 

A comoção vinha de uma casa de fazenda no topo de um morro próximo ao pomar. Corri tão rápido que quase tropecei, porém, hesitei quando me aproximei da casa. A porta estava escancarada e havia máscaras de cachorro pelo chão. Eu precisava saber o que estava acontecendo, mas não estava preparado para descobrir. Pensei em gritar por ajuda outra vez, ou chamar o Cappy, mas eu não poderia fazer barulho. Quando o grito diminuiu um pouco, pisei lentamente varanda e espiei dentro – mas não enxerguei ninguém lá dentro. Máscaras se espalhavam pelo chão. 

Deus me ajude, eu não poderia fugir. Onde eu iria sem um veículo? Eu não poderia roubar o caminhão do Cappy. Eu tinha que entrar. Meus passos faziam o assoalho estalar. Uma trilha de mascaras me levou para mais perto daqueles sons nauseantes e para uma porta aberta que levava ao porão. Um mal cheiro indescritível quase me fez desmaiar. 

Apurando os ouvidos, tentei identificar o que estava acontecendo. Eram aquelas crianças, com certeza – rosnando, latindo, choramingando, babando. As vezes surgia um pequeno gemido de desespero. Eu não queria descer ali, mas eu tinha que ver com meus próprios olhos. 

Me abaixando um pouco, prossegui um passo atrás do outro. Um única lâmpada iluminava a maior parte do porão, mas não alcançava as escadas, então eu sabia que poderia me esconder na escuridão. O chão estava coberto de sujeira que se espalhava enquanto algumas crianças corriam, jogando punhados de sujeira entre si. A maioria das crianças estavam reunidas no centro, embaixo da luz. Parecia que estavam comendo alguma coisa – ou se alimentando. 

Asssiti com nojo, enquanto as crianças rasgavam a carne – sangue pingava em seus queixos e espirrava sobre seus rostos. E, meu Deus! Seus rostos! Como os dentes deles poderiam ser tão enormes?! Os narizes compridos e olhos tão afastados – era medonho! Além disso, todos tinham várias deformidades faciais que não tenho condições de descrever. Os risos eram mais terríveis que todo o resto, pois significava que estavam se divertindo. Eu falo isso, pois sabia o que estavam comendo. Eu conseguia ver o que tinha sobrado de seu rosto, e suas roupas. Eu sabia que estavam comendo o Cappy. 

Cobri minha boca e tentei não gritar; engasguei algumas vezes mas não chamei atenção. Meu corpo estava tão tenso que eu mal conseguia me mover, mas consegui subir aos poucos. Passei pela cozinha e pela sala, rezei para que aquelas crianças não me seguissem. Pensei que estivesse livre assim que alcancei a porta, porém, o cara mais sinistro que eu já tinha visto estava parado na varanda. Ele tinha uma barba horrível e um sorriso desdentado. Ele era enorme, e eu poderia sentir seu cheiro na outra quadra. De início ficamos apenas nos encarando; eu juro que ele tinha um olho de madeira. Esperava que ele me avançasse sobre mim, porém, ele apenas retirou um apito do bolso da frente de seu macacão, pressionou contra os lábios e pareceu soprar, mas não havia som. 

Chorando e tropeçando, corri de casa em casa, batendo em todas as portas. Os latidos alegres das crianças se aproximavam, então me escondi na loja. Eles corriam ao redor do local como se estivessem num jogo de esconde-esconde enquanto eu me escondia no quarto dos fundos, esperando que aqueles monstros desistissem. A porta da frente sacudiu algumas vezes, e de repente percebi que eu estava em um beco sem saída caso aquele cara grandalhão arrombasse a porta. Eu nunca soube por que ele nunca veio atrás de mim. Depois de um tempo, as vozes e passos se distanciaram e a cidade tornou-se silenciosa outra vez. 

A noite chegou, e as crianças podiam ser ouvidas à distancia. Eu me perguntava se elas sabiam onde eu estava e esperavam até que eu saísse. Pensei no pobre Cappy e no quão atencioso ele foi ao ajudar um completo estranho. Ele não mereceu morreu daquele jeito. Eu precisava mais que nunca encontrar a gasolina. Eu não apenas poderia fugir como também poderia queimar aquela casa completamente. Merda, eu queria queimar aquela maldita cidade inteira. 

Os rosnados sumiram, então saí pela porta dos fundos e me arrastei para a floresta, planejando esperar pelo amanhecer e então caminhar para a estrada principal. Não havia luzes acessas na cidade, eu temia que as crianças andassem por aí à noite, mas eu nunca encontraria meu caminho no escuro. Uma única silhueta podia ser vista se aproximando e eu pude ouvir o farfalhar do mato. Eu não poderia correr, temia que pudesse ouvir e alertar os outros. Havia algumas pedras próximas aos meus pés, então peguei uma e segurei firme. 

Fiquei ouvindo enquanto a criança agarrava algum animal que havia saltado do mato. Enquanto ela mastigava a pobre criatura, eu me movi. Ela rosnavam enquanto comia, o que ocultava os sons das folhas secas sob meus pés. Segurei a respiração, me aproximando dela e levantando a pedra lentamente sobre minha cabeça. Varias vezes bati a pedra contra a cabeça da criança. Nunca pensei que pudesse fazer isso com uma criança, mas eu tinha feito, não apenas pela minha segurança, como também para vingar Cappy. 

O sol começou a nascer e observei o corpo do garoto. Quando o vi largado no chão – crânio afundado e ensanguentado – me arrependi do que tinha feito. Claro que eu não era um maldito canibal, mas eu me sentia que tinha caído ao nível deles. Assassinei uma criança e nunca poderei desfazer isso. Algumas risadas ecoaram da cidade. Assustado, corri pelo caminho errado. 

Cansado e com fome, me arrastei por campos e fazendas até que o sol estivesse bem sobre minha cabeça. De vez em quando, eu ouvia fracos sons de motor, mas não conseguia encontrar a estrada. O peso de tudo que tinha acontecido torava difícil prosseguir, mas esse peso diminuiu um pouco quando um rancho surgiu no horizonte. Enquanto eu me aproximava, o indesejável som de crianças brincando ecoou pelo campo. Algumas galopavam pelo local, fazendo estranhos sons. Parecia o comportamento de crianças normais, mas notei que todas usavam máscaras de cavalo.


22/11/2017

A parte da Deep Web que não deveríamos ver - Parte 3 - A Caçada

Bem, aqui estou novamente.

Para os que não sabem ainda do que se trata, aqui está a PARTE 1 e aqui está a PARTE 2.

Atualmente estou em um avião indo para Scottsdale, Arizona. Na verdade não estive fora da cidade por mais de seis anos. Pensei que iria eventualmente, só... não esperava que fosse nessas circunstâncias.

De qualquer forma, vamos recapitular um pouco. Eis o que aconteceu:

Logos após eu ter descartado o notebook, ouvi a fechadura ser arrombada. Alguém estava tentando entrar. Nunca fui muito bom em agir sob pressão, então você pode imaginar como eu estava me sentindo. Mas a mente humana é uma coisa interessante. Quando você pensa que está no fim da linha, seu desejo por sobrevivência realmente aumenta.
A varanda. Pensei. A única saída disso. Sem hesitar, corri e pulei. Felizmente, eu estava no segundo andar, então não quebrei as pernas. E então veio uma decisão. Correr ou se esconder? Ambas não pareciam muito promissoras. Merda. Pensei. Estava em pânico. Foi aí que eu avistei uma salvação. - um táxi estacionado do outro lado do lote. Corri em sua direção.

Bati na janela, assustando o motorista. "Sr. Horvat?" Ele perguntou.

Bem, não era. Mas concordei com a cabeça, de qualquer forma.

"Você disse 8:40, não foi?" Ele me olhava, confuso.

Terminei cedo. Vamos lá." Havia ansiedade em minha voz, mas tentei ao máximo escondê-la. A última coisa que precisava era esse cara pensar que eu era um louco e fugir.

Entrei, disse o endereço e seguimos viagem. Assim que saímos do lote, olhei para trás. Os dois homens que eu vi saindo do carro estavam agora na varanda que eu estava há poucos minutos. Poderia dizer que havia um olhar mortífero em minha direção por trás daqueles óculos escuros. Apesar disso, o alívio tomou conta de mim. Porém, pouco tempo.

Eu relia a mensagem em minha cabeça. "Faça isso antes que a mensagem seja intercepytada." Isso significava que eu não tinha muito tempo. Se eles ainda não sabem pra onde eu estou indo, saberão em breve.

Finalmente chegamos ao lugar cerca de quinze minutos depois. Assim que entrei, corri para os vestiário. Estava na maior parte vazio. Continuei a repetir a combinação em minha cameça. Era a única coisa que eu tinha. Eu realmente nem ligava em ter respostas antes, mas... parecia que eu já não tinha mais escolha. Finalmente encontrei o armário. Não sei porquê esse cara escolheu um lugar tão grande. 12 à esquerda, 27 à direita, 33 à esquerda. Abri.

Lá dentro, havia um modelo antigo de Blackberry e um envelope. Abri e encontrei uma passagem de avião, 2000 em dinheiro e um post-it. Em uma caligrafia horrível, as palavras "CHECAR TELEFONE, SENHA: SNAKETRACKS" estavam escritas nele. Obedeci e liguei o dispositivo. Lembro de achar aquilo um pouco divertido. Sempre implorei aos meus pais um desses quando era criança. Isso era muito diferente daquilo.

Dei uma rápida olhada pelo celular. Estava na maior parte em branco. Nenhum aplicativo baixado, sem fotos, nada. Havia apenas um contato, nomeado de "ME LIGUE". Então eu liguei. Após apenas um toque, uma voz respondeu. Havia um tom hesitante em sua voz. Mas de alguma forma me soou familiar.

"Quem é?"

"Uh..." Bem, como caralhos eu deveria responder isso? Eu deveria dizer meu nome? "Recebi sua mensagem." Finalmente respondi. Houve uma breve pausa. Sua resposta me surpreendeu.

"Qual é a sua afiliação religiosa?" Seu tom tinha ficado muito mais agressivo. Por que ele estava me perguntando aquilo?, pensei. Porém não tinha energia o suficiente para questioná-lo.

"Criado protestante, mas agora agnóstico... Eu acho" Foi minha resposta. Ele pareceu suspirar aliviado. Então desligou. Bem, merda. Esse cara é louco ou algo assim? Meus pensamentos foram interrompidos quando recebi uma mensagem. Ele tinha me mandado um endereço e um número de quarto. "ME ENCONTRE", foi a única coisa que ele tinha digitado. Olhei por um tempo antes de cair na real. Eu sou um idiota. Deveria ter apenas pegado as coisas e fugido.

Ouvi um barulho. A porta do vestiário estava sendo aberta. Então ouvi passos caminhando vindo até onde eu estava. Pra falar a verdade estava correndo. Fiquei desesperado. Enfiei as coisas nos bolsos e comecei a procurar por uma saída. Novamente, havia apenas uma opçãoa aqui. Corri para a entrada da piscina. Assim que comecei a correr, tiros eram disparados atrás de mim. Eu poderia dizer que eles estavam usando silenciadores, mas cara, isso não adianta muito quando você está a apenas 12 metros de distância. De repente senti uma dor no corpo. Vi uma bala acertar um armário logo a frente. Deus, por pouco não me acertou. Corri mais rápido do que jamais pensei que fosse capaz. Quase caí na piscina quando eu tropecei. O salva-vidas gritava enquanto eu fugir pela saída de ermegência.

Não poderia para aqui. Me apressei, fazendo turnos a cada minuto, olhando por trás do ombro o tempo inteiro. Era uma coisa boa eu estar no centro da cidade. Me misturava no mar de pessoas facilmente. Certo ponto eu vi um par de policiais. Eu até considerei contar a eles, de verdade. Mas o que aconteceria? Eles iriam procurar por esses dois caras, não daria em nada, monitorariam minha casa por alguns dias e então deixariam pra lá. Isso não iria resolver nada.

Finalmente entrei em um salão de cabeleireiro. Eu não podia mais fugir. O barbeiro apenas olhou para mim como se eu fosse louco. Dane-se, pensei. Poderia ao menos parecer meus reconhecível enquanto estou aqui. Pedi para que ele raspasse tudo.

Passei o resto do dia fazendo várias compras. Um notebook usado, um novo conjunto de roupas, algumas bandagens e um par de persianas - ao menos algo bom veio disso. O vôo deveria ser em algumas horas neste momento. Chamei um táxi e segui para o aeroporto.

E cá estou eu agora. Ainda tenho uma longa viagem pela frente. Vamos ver o que acontece.

Quando cheguei ao aeroporto, me impressionei com o calor. Deus, é novembro. Como alguém consegue morar aqui durante o verão? Pedi outro táxi. Cheguei ao endereço. Era uma pousada de férias. Eu ri comigo mesmo. Bem sinistro, pensei.

Subi para o quarto e bati na porta. Milhões de pensamentos estavam correndo pela minha cabeça. E se isso for uma armadilha? Na verdade pensei em apenas fugir por um segundo. Mas percebi que não adiantaria. Após cerca de um minuto, a porta abriu. Fiquei bastante surpreso. Mas em retrospectiva, era exatamente quem eu deveria estar esperando.

Era o outro cara que veio na minha casa na outra noite. O que não foi estrangulado. Entretanto ele não parecia muito bem. Tinha um olho preto e lábios rachados. E apenas parecia cansado no geral. Ele me olhou por um tempo antes de fazer o gesto para que eu entrasse, e além disso ele mancava um pouco enquanto caminhava.

"Corte de cabelo legal." Murmurou suavemente.

Ele se sentou na cama e eu me sentei no sofá de frente para ele. Houve um lonfo silêncio. O tempo todo, ele apenas encarava o chão. Pra ser honesto, eu não sabia o que dizer. Então não disse nada. Depois de um bom tempo ele finalmente falou:

"Agora eu te contarei o que está acontecendo."

Então ele prosseguiu colocando tudo pra fora:

"Cerca de 4 anos atrás, houve um incidente nas catacumbas de Paris." Senti um calafrio após ouvir aquilo.

"Quatro adolescentes decidiram quem seria uma boa ideia vagar por ali durante uma tour. Eu acho que eles se perderam ou algo do tipo porque eles nãoe estavam lá, no final. A polícia praticamente varreu todo o perímetro. Nenhum sinal deles. Eventualmente, o governo decidiu colocar câmeras por todo o lugar. Apenas para ver o que aconteceria. Um dia, uma das câmeras captou um movimento. Ninguém imaginou o que veriam a seguir. Era o Inferno manifestado. Uma abominação de membros, braços, pernas, de alguma forma presos uns aos outros, se contorcendo pela tela. Haviam quatro cabeças humanas presas no topo desta coisa. Você pode adivinhar que eles eram."

Fiquei sem palavras. Lembrei daquele vídeo das catacumbas que eu havia visto. Ainda bem que não esperei pela grande revelação. Ele continuou:

"Eles decidiram enviar forças da "elite" para lá para exterminá-la. Aparentemente, 12 homens foram perdidos antes deles acabarem com a coisa. Agora a pergunta era o que eles iriam fazer com o vídeo. Eles não poderiam apenas se livrar dele. Mas eles também não querem que ninguém veja. E isso foi na época que toda a coisa com o Snowden estava acontecendo, então eles não se sentiram confortáveis em usar os servidores do governo. Então é aí que o site que você viu entra em jogo. Eles tinham os especialistas técnicos  mais experientes para enterrar isso em alguma parte profunda na internet. E eu estou falando tão profunda quanto eles poderiam ir. Ninguém deveria saber disso, ninguém deveria encontrar isso, e ninguém deveria nem sequer saber o que procurar."

Pensei sobre aquilo. Claro, eu sabi meu caminho, mas não havia chance de eu ser tão bom quanrto esses especialistas do governo. Então como eu encontrei? Ele continuou:

"E isso funcionou bem por um tempo. Eles fizeram um pacto com o governo de todo o mundo. Qualquer coisa que fosse considerada imprópria para o conhecimento público era jogada nesse site. Mas haviam algumas precauções. Para cada coisa real ali, eles postavam quatro falsas. Para os poucos selecionados que poderiam realmente encontrar o site."

"Espera, o que?" Eu não podia acreditar naquilo. Ele simplesmente riu.

"Sim. A maiora das coisas que você viu eram mentira. A maioria. Os vídeos são mais difíceis de falsificar." Eu não sabia como me sentir sobre isso. Estava um pouco aliviado, eu acho. Apenas um pouco. Ele continuou:

"A lógica por trás disso era que uma vez que as pessoas encontrassem essas coisas, elas olhariam mais a fundo sobre aquilo. Entretanto, uma vez que foram fabricados, nada surgiria e a página seria desconsiderada. Apenas um site de piadas. Pelo menos, essa foi a ideia."

Eu sabia onde ele estava chegando. "E sobre as pessoas que comçaram a olhar a fundo sobre as coisas reais?" Ele suspirou.

"Olha, ninguém teria dado a mínima se eles começassem a falar sobre isso com os amigos ou na internet. As pessoas pensariam que eles são loucos. São as malditas pessoas que apenas vão lá e encontram provas. As que planejam divulgá-las. Sim, esses foram silenciados." Eu estava prestes a dizer algo. Acho que ele notou pois me interrompeu.

"Olha, não venha com essa droga de moralismo pra cima de mim. Elas não tinham que fazer isso. Era a escolha deles, elsas estavam cometendo um crime. Você realmente pensa que conhecimento público sobre qualquer uma dessas coisas ajudariam alguém? Não, não ajudaria. Às vezes, a ignorância é uma bênção, certo?"

Para ser honesto, eu tive que concordar. "Mas aqui é onde as coisas realmente ficam tensas." Ele prosseguiu.

"Antes, haveria talvez duas brechas por mês. E então disparou para vinte. E então cinquenta. Eles examinaram isso. Aparentemente, houve rumores clirlando sobre a Deep Web e a Dark Web. Um rumor sobre uma uma página que continha segredos que ninguém deveria ver. Eles decidiram descobrir o quão fácil era acessar este lugar apenas lendo fóruns e essas besteiras. Para os especialistas levou apenas cerca de vinte minutos para encontrar, apenas resolvendo enigmas esquisitos e então seguindo esses links ocultos que eram gerados deles. E então havia o prompt final. "O que você procura?" Você viu isso, não?" Eu assenti.

"Aparentemente, há várias respostas diferentes que poderiam funcionar. De qualquer forma, não fazia o menor sentido. Todo mundo que deveria saber disso era interrogado. Alguém tinha que fazer isso, certo? Ninguém confessou. Honestamente, todos pareciam genuinamente verdadeiros quando diziam que não haviam feito nada. Eles sabiam as consequências. Após uma investigação brutalmente aprofundada, nada foi resolvido. E então os atingiu. Em 2010, eles também haviam finalizado uma IA (n.t: inteligência artificial) experimental. Vou poupar-lhe dos detalhes, mas aquilo saiu dos trilhos. Ninguém pôde controlar. Assim que eles pensaram que poderiam encurralá-la em uma armadilha virtual, ela simplesmente desapareceu. E não voltou a aparecer. Até agora." Ele fez uma pausa após isso. Como se estivesse esperando eu ligar os pontos.

"Então, você pensa que essa IA veio à tona e agora está controlando pessoas lá?" Perguntei. Ele disse que não achava que era o caso. Ele SABIA que era. "É a única explicação plausível." Afirmou.

"Mas por que?"

"Eu não sei." Ele respondeu.Eu estava começando a fazer uma ideia agora. Sobre o porquê disso estar acontecendo comigo.

"Essas pessoas... elas não estão atrás de mim porque eu vi aqueles links, estão?" Ele apenas assentiu.

"É o que eu vi depois. E você acha que essa IA tem algo a ver com isso?" Assentiu novamente.

"Bem, o que eu vi?"

Ele levou um segundo antes de falar. "Eu não poderia lhe dizer. Há algumas coisas que eu nem sei a respeito. Tudo que eu posso lhe dizer é que há alguns grupos, algumas pessoa lá fora, por trás do governo que estão atrás desse tipo de coisa. Esse conhecimento proibido. E de alguma forma, eles sabem que você viu. E eles querem saber o que você sabe."

"E eles também vieram atrás de você?" Perguntei.

"Sim. Eles sabem que falamos com você."

Uma onda de culpa tomou conta de mim. Aquele cara morreu por minha causa?

Entretanto, aquela culpa rapidamente se transformou em frustração. "Bem, o que diabos eu deveria saber?! Eu não sei que merda eu vi!

Um riso seco saiu dele. "Bem, eles não ligam, ligam? Eles vão pular para qualquer coisa."

"E para quem você trabalha? Pro governo?" Finalmente perguntei. A pergunta estava em minha mente desde que eu cheguei aqui.

"Mais ou menos" Foi tudo o que ele me respondeu.

Ele levantou, pegando um par de chaves de carro. "Nós temos que descobrir isso. Temos que ir."

"Ir para onde?" Perguntei.

"Vegas."

Em qualquer outra situação, eu teria ficado em êxtase.

Nós fomos lá fora e ele me levou para um Sedan antigo e surrado. "Discreto." Ele disse com um sorriso. Eu poderia dizer que ele estava tentando aliviar o humor.

A corrida foi longa e árdua. Nós mal falamos. Meu cérebro estava a este ponto, então não me importei em fazer mais perguntas. Porém eu me lembrava de uma conversa em particular que tivemos:

"Ouça, se algo acontecer comigo, deve haver um arquivo no blackbarry chamado "contingencia". Tudo que vocÇe precisa saber estará lá."

Lembro-me de me sentir desapontado.

"O que? O que poderia acontecer com você?" Respondi.

"Eu não sei. Apenas pra garantir, eu acho. Não perca este telefone."

Na realidade, eu sabia que havia um monte de coisas que poderiam acontecer. Eu apenas não queria admitir.

Ele me acordou quando chegamos ao McCarran. Eu estava confuso.

"Você tem passagens de avião?" Perguntei.

"Não precisa delas." Ele respondeu. Então saiu do carro e eu o segui. O que aconteceu em seguida foi estranho. Ele simplesmente passou por todos. O check-in, segurança, todos. Eles nem prestaram atenção nele. Nem em mim, aliás. Foi quando eu comecei a imaginar quem diabos esse cara realmente era.


Ao atravessarmos as várias lojas e restaurantes instalados perto das partidas, ele deu uma virada brusca. Eu tropecei, mas me mantive em pé. Ele caminhou em direção a uma porta que estava no meio de duas lojas. Abriu e o segui. Caminhamos por um monte de corredores, virando de vez em quando. Diversos homens de terno passaram por nós mas pareciam não notar nossa presença. Finalmente chegamos a outra porta. Esta precisava de um cartão-chave. Ele pegou um e o escaneou.

Eu não tinha percebido quão grande aquele lugar realmente era até pensar sobre isso depois. Nós devíamos ter passado por pelo menos 15 corredores. De qualquer forma, a porta se abriu para o que parecia ser um longo lance de escadas. Nós descemos por cerca de cinco minutos antes de chegar ao que parecia ser um outro terminal. Não parecia futurístico nem nada disso. Apenas um terminal comum.

"Certamente não há aviões decolando aqui." Perguntei. Ele disse que eu estava certo. Foi quando eu reparei nos trilhos de trem.

"Agora nós esperamos." E então sentou em um banco. Bem, ótimo. Eu já tinha desistido de tentar juntar as peças na minha cabeça então nem me incomodei em perguntar o que era esse lugar. Vamos só ver o que acontece, pensei. Mas como eu logo descobriria, as coisas não seriam fáceis. Notei um banheiro nos fundos e fui até ele.

Quando estava lavando minhas mãos depois de terminar, notei o que parecia ser um cartão preso dentro ao lado do espelho. Eu arranquei e o examinei.

Era um cartão de visita em tamanho padrão. Branco com um texto preto. Mas eis o que dizia:

"De longe, procuramos por um significado,

À medida que os segundos passam, desde o tempo do desmame,

Nosso destino é selado, nós enfrentaremos o fantasma,

Nós não precisamos de esperança, pois temos nossa fé,

Não vamos parar até virarmos pó,

Tudo por Deus, em quem confiamos."

Assustador, pensei. Então o virei. Em letras grandes e em negrito, estava escrito "FDDP". Não tenho ideia do que isso deveria ser. No entanto, naquele momento eu senti como se algo apenas não estava certo. Aquela sensação aterradora de há algo estranho. Eu precisava contá-lo, quem quer que ele seja, sobre isso.

Abri a porta e ele havia sumido. Procurei pelo terminal por um tempo, mas não encontrei em nenhum lugar. Merda, não havia mais ninguém aqui. O lugar começou a tremer levemente. O trem estava chegando. Com certeza eu não entraria ali sozinho.

Olhei ao redor um pouco mais, então ouvi passos descendo as escadas. Ótimo, pensei. Ele voltou. Então eu percebi que não era apenas um par de passos. Eram vários. Em vez de ver um rosto familiar, fui recebido com quatro do que pareciam ser homens. Eu não conseguia dizer porque seus rostos estavam cobertos com um saco com apenas dois buracos para a visão. Tipo o que o Espantalho usa em Batman Begins.

A única diferença era um símbolo que parecia ter sido pintado por spray na testa. Era simples. Um semi-círculo vertical com setas angulares passando por ele. Como eu me lembro, o resto de suas roupas era normal. Apenas roupas de rua.


Eu estava congelado. Então percebi que um deles tinha um líquido escorrendo de sua luva. Um líquido escuro. Os próximos momentos foram tensos. Lembro do trem sair e os caras começarem a correr atrás de mim.

Comecei a correr atrás do trem. Era estranho. Apenas uma seção e um conjunto de portas. Acho que não vi um motorista. Assim que subi nele, as portas abriram automaticamente. Lembro-me de ter olhado um botão, mas não havia um.

Eu apenas olhei horrorizado enquanto aquelas aberrações chegavam cada vez mais perto. Quando chegaram a cerca de dez metros, fechei os olhos e apenas rezei para o melhor. Os abri quando ouvi batidas e chutes na porta. Não estava abrindo para eles. Eu vi seus olhos enlouquecidos me seguirem quando o trem começou a se mover. Eu estava seguro. Mas apenas por enquanto.

Liguei o telefone novamente e o examinei por completo. Com certeza o arquivo de texto que ele mencionou estava lá. Acho que lerei em breve. Após terminar com isso.

Agora eu não sei para onde vou, e não sei o que está me esperando lá. Minha cabeça dói. Tudo o que sei é que deveria ter ficado no google.









Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


21/11/2017

*** ALERTA DE EMERGÊNCIA *** (TERCEIRA ATUALIZAÇÃO)



Olá a todos, bem vindos de volta ao meu inferno especial.

Tem chovido muito ultimamente. Chuva e trovões. E o vento está uivando terrivelmente. Mas mesmo assim ainda estou bem. Não ouvi mais nada no estação dos policiais, que, de acordo com alguns de vocês que me informaram que policiais não usam mais canais de rádios para se comunicar entre si, talvez sejam outra coisa, como uma organização independente. Como aqueles caçadores de tempestade ou algo to tipo, mas que estão caçando uma paciente de um manicômio ao invés de furacões. 

De qualquer forma, eu e os cachorros estamos bem até agora. Nada demais aconteceu desde minha última atualização. Eu sei, eu sei. Realmente devia parar de ir lá para cima. Mas hoje, preciso mesmo. Vou tomar bastante cuidado, ok? Mas tenho que ir. Só tenho mais comida para hoje - TALVEZ conseguisse racionar até amanhã, mas honestamente prefiro só subir e resolver isso logo. Hm... as luzes acabaram de piscar. Quer dizer, certo, elas fazem isso o tempo todo nesses últimos tempos, mas dessa vez durou bastante tempo. Em todo o caso, chequei o alerta no meu celular e continua na mesma. Recentemente eu corri lá em cima para pegar umas toalhas e algumas sacolas plásticas para lidar com os cocôs de cachorro, mas não vi a garota, a quem desconfio ser 013 e a partir de agora me referirei como 013 sempre. A porta do meu vizinho estava fechada de novo, isso foi a única mudança. 

Enquanto escrevo, tô ouvindo uma sirene. De nenhum tipo que tenha ouvido antes - mais parecida com uma de polícia do que qualquer outra coisa, mas ainda assim diferente. Considerei subir para dar uma olhada, mas vocês me matariam se eu fizesse isso, certo? Espero que isso acabe logo. Só tenho, tipo, pão, miojo que não dá pra cozinhar, batata chips, bolacha água e sal, água e a merda de um molho de salada ruim pra caralho. Então, se isso continuar por mais dois ou três dias, vou ter que comer Pete ou Maybelle. 

Tô zoando, preferido comer minha própria panturrilha. Aliás, googleei minha cidade. Não tinha notícia nenhuma sobre qualquer coisa, o que é bem estranho, sendo que nossa cidade não estava TOTALMENTE fora do mapa. Liguei para alguns dos meus vizinho ontem a noite. Nenhum atendeu. Dois foram direto para a caixa de mensagem. Conversei com meu irmão. A situação lá não está muito melhor. 

Não consigo mais aguentar. Vou subir para pegar outras comidas. Vou levar meu celular comigo. 

Acabei de colocar umas comidas em uma sacola. Rastejei na frente da janela, claro. Quando subi, a chuva começou a piorar ainda mais. Pude ouvir as portas de alguns dos vizinhos abrindo e fechado e batendo. Minhas persianas estavam totalmente abertas. Acho que, se 013 quisesse, poderia ver o que quisesse aqui dentro mas, foda-se, não vou arrumar isso agora. 

Tá bem, estou aqui em baixo de novo. Vou tentar contatar os "policiais" de novo. 

Tá, até agora não consegui sinal nenhum. 

Hmmm... tá, sem sorte hoje. Espera um pouco. Estou conseguindo algo, mas muito fraco. 

-"Vou... checar a rua [retido]..." (Essa é a minha rua) - "Ok... cuidado.... pronto... o tempo todo..." - Ok.... me avise.... quando... Câmbio." 

Essas foram as únicas frases entendíveis que consegui ouvir antes de perder o sinal, mas  agora eu sei que alguém está vindo para a minha rua. 

Aliás, vocês me falaram que policiais não falam "câmbio" no final de cada frase. Tenho duas teorias, uma é que eles realmente são policiais e não sabem que não se diz câmbio, e a outra é que estão tentando parecer ser policiais para que, se alguém não autorizado descobrir a sintonização (ooops), vão achar que estão ouvindo a polícia. 

Não sei se essas pessoas são confiáveis, ou se devia estar preocupado que um deles está vindo para minha rua, mas até agora nenhum deles entrou nas casas, então mesmo que sejam algum tipo de demônio sobrenatural nazista espião, acho que devo ficar bem. 

Honestamente, não acho que 013 tenha intuitos maliciosos - ela não parece ser o tipo de cobaia que vive em um quarto cinco estrelas, então creio que esteja só procurando abrigo e segurança, mas tenho noção que ela é inegavelmente, irrefutavelmente perigosa. 

Outra coisa: muitos de vocês estão imaginando essa menina como a Eleven de Stranger Things. Entretanto, quando eu falei que ela era uma "adolescente", não quis dizer entre os 12-13 anos, quis falar algo entre os 16 e 20. E por cabelo curto, não quis dizer raspado, mas um cabelo curto bagunçado e com franja (não franja tipo emo, mas cortada irregularmente). 

Até agora, não parece que nada vai acontecer hoje, mas ainda tenho um pouco de tempo então vou só contar sobre como tenho passado o temp

Que porra é essa. O radio acabou de lgar sozinho. Puta erda que porr é essa. Gente, ta falando, falou:

"Abra a porta." 

Gente, eu não sei. Isso tá ficando estranho pra caralho. Acabou de ligar. Não sei se é a policia ou 013 ou outra pessoa e eu to com medo pra caralho. Estavam falando comigo mesmo? Meus cachorros tão olhando pro rádio agora. Falou de novo! É um tom de voz tão calmo. Que inferno é esse. Porra. 

Meus cachorros estão latindo. 

Tá, gente. Isso aqui é cinco minutos depois de antes. Consegui fazer meus cachorros parar de latir, mas continuam rosnando. A barulheira foi alta o suficiente para alguém ouvir, tenho certeza, mesmo com a chuva. Estou um pouco mais calmo e composto agora, mas tô agarrado a uma faca enorme de cozinha, só se precisar. Essa porra dessa garota louca e com poderes vai entrar aqui e eu vou morrer, gente, pelo amor de deus.

Tá bom, tá bom. Se passaram duas horas. Ela não entrou, então acho que TALVEZ eu fique bem. Quase quebrei o rádio para ela parar de usá-lo, mas não fiz nada. Vou precisar ficar atento com o que os "policiais" estão fazendo. Mas agora estou sem luz. Só consigo usar minha lanterna para iluminar o quarto. Estou usando minha 3G, e não vou subir. Sem chance nenhuma. Meu celular não vai durar muito usando apenas os carregadores portáteis. Gente, é isso. Talvez dessa vez eu realmente esteja fodido. Se eu morrer hoje a noite, bem, meus amigos sabem aqui meu user do reddit. Pelo menos alguns. Se você for alguém que me conhece na vida real, por favor, falem para minha família que eu amo muito todo mundo e que eu tentei. Vou tentar fazer uma atualização em breve. Até lá, suponham que eu esteja vivo. Não sei como isso vai acabar. OK.  Me deseje sorte, vou precisar.


N.T: Os erros de digitação nesse textos são propositais para se assimilar com o o texto original. 


DIA 29/11/17: *** ALERTA DE EMERGÊNCIA *** (QUARTA ATUALIZAÇÃO)

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FONTE


20/11/2017

Roubei a vida do meu irmão

ATENÇÃO: ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE.

Você já ouviu falar de cucos? Eles não são especiais, pássaros cinzas que podem ser confundidos com pombas. Têm um segredo travesso: deixam seus ovos no ninho de outras aves, e quando o pequeno cuco nasce, ele empurra seus “irmãos” para fora. Se apropria do lugar dos verdadeiros filhos, e a mãe sequer percebe.

Eu tenho me visto nesse exemplo desde que era uma criança.

É difícil ser o gêmeo que é menos. Meu irmão sempre foi Alan, o garoto que todos que todos queriam conhecer. Eu tenho sido apenas “o irmão estranho do Alan”. Alan era o inteligente, o engraçado, o sociável. Eu não. Por toda minha vida, senti que algo havia sido roubado de mim, alguma parte de minha essência que eu nunca poderia ter de volta. Não sou uma pessoa inteira.

Tem tanto poder em um nome. Me custou anos, uma porra de infância inteira, para descobrir. Duas sílabas me separam de Alan. Nós temos o mesmo rosto, a mesma voz, as mesmas marcas de nascença. Nós somos a mesma pessoa, mas ele é o Alan, eu não. Todo o poder estava naquele nome. Eu o queria. EU PRECISAVA DELE.

Ele iria apenas me deixar nessa cidade pacata, o precoce Alanzinho saindo para conquistar seus maiores e melhores sonhos. O bastardo havia ingressado em uma Ivy, e eu nem sequer havia passado na faculdade local, que estúpido. Mamãe e Papai estavam tão animados por ele que esqueceram de me convidar para o jantar de comemoração. Eu não existia, né? Tudo bem.

Eles não sentiriam minha falta quando eu me fosse.

Me escondi debaixo do banco do carro dele naquela noite, enquanto ele finalmente parava de falar sobre seu brilhante e repulsivo futuro. Esperei que estivéssemos completamente sozinhos antes de atacar. Ele não notou as sombras se movendo atrás dele antes que fosse tarde demais. Eu o estrangulei com uma linha de pesca, tremendo junto a ele que se envergava com uma cobra, cuspindo e tossindo. Puxei mais e mais forte, até que seu corpo relaxasse. As mãos dele escorregaram pelo volante, e eu me abracei com o carro deslizando e batendo contra a lateral da via, seguindo por uma plantação de milho em seguida. Gritei de êxtase o tempo todo.

Quando finalmente paramos, o arrastei para fora do banco do motorista. Ele ainda respirava. Muito bom. Poderia me divertir com ele depois. O deixei nu, vesti suas roupas. Procurando na minha bolsa, encontrei uma faca. Levou alguns segundos para que a extremidade da lâmina atravessasse sua língua. Saliva e sangue escorreram pelo canto de sua boca, e eu pressionei sua roupas íntimas contra a boca para estacar o sangramento. Tinha que ter certeza de que ele não gritaria por socorro. Amarrando-o como o porco que ele era, simplesmente o abandonei na base de uma árvore.

Me mudei para seu dormitório. É tão libertador, me reinventar dessa maneira.

Alan estar a apenas alguns minutos de viagem, trancado em um velho depósito na parte industrial da cidade. De vez em quando eu o visito, e ele tenta gritar comigo, mas tudo que consegue é sangue pingando no chão. Algumas vezes ele até tenta me atacar, rosnando como um animal, mas a corda apertada contra seu tornozelo sempre o mantém preso.

Eu o espanco com um chicote sempre que vou lá. É hilário como ele tenta gritar de dor e tudo que sai é um ganido. Sempre que o acerto, o couro deixa marcar em sua pele, sangue gotejando da carne. Nos últimos dias tenho o levado um agrado. O que seria? Um desentupidor com ácido sulfúrico. Tenho derramado devagar, sensualmente, sobre as marcas em sus costas. Se ele ganir baixo o suficiente, posso ouvir sua pele borbulhando, o ácido se espalhando pelo seu corpo. Se eu pudesse ao menos conseguir algo mais forte.

Gosto do novo “ele”. Gosto da formo como sua figura é cheia de marcas e arranhões por dormir nu no concreto. Gosto das feridas que não se fecham. Gosto da forma como ele olha para mim, cheio de ódio, tentando me matar com o pensamento. Gosto como ele decaiu, do garoto perfeito para um animal que caga e mija em si mesmo, implora por comida e água uma vez na semana.

Me lembra de que ele nunca foi melhor do que eu.

Apenas um de nós podia sobreviver nesse mundo. Simplesmente não havia espaço para os dois. Um dos dois precisava deixar o ninho. E eu sou o cuco, a perfeita imitação, empurrando o fraco para fora e pegando seu lugar. Amanhã, os policiais encontrarão meu doente, torturado corpo amarrado no chão em um depósito.

Amanhã, um novo Alan virá ao mundo.


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

(N/T: Oi pessoal! Vim me desculpar pelas creepys curtas que tenho postado, dificilmente elas se desenvolvem muito e eu sei disso, mas FINALMENTE acabaram os vestibulares desse ano e posso me dedicar mais a vocês. Vou procurar trazer creepys melhores e mais profundas. Beijos!)


19/11/2017

Memento Mori

Minha profissão não é daquelas que você pode pensar que vá te meter em problemas. Eu sou um fotógrafo honesto de mortos. Faço o que posso por pucos centavos por semana, e vivo honestamente. Vivendo em uma pequena cidade nos arredores do escuro deserto Americano. Eu nunca pensei muito em mim mesmo. No meu comércio, sempre tive clientes, mas, na virada do novo século tudo se encerrou. Descobri que a maioria das pessoas não gostavam de fotos de seus familiares mortos. Isso significa pra mim que, apesar da grande quantidade de mortos e moribundos na cidade de Durham, a maioria das vezes eu lutava pra seguir em frente no comércio.

Isso foi até Mary Masters falar comigo.

Mary Masters, também conhecida como Mary Ludendorff, tornou-se a dona de casa mais rica em Durham, aos 13 anos. Mary se casou com Thomas Masters, um homem com vinte e tantos anos, quando eu apenas era um garotinho tentando chamar sua atenção.

Os dois eram sempre a conversa da cidade.

Mary e eu já fomos grandes amigos, mas com o tempo nossa amizade diminiu pra quase nada.

Mesmo quando eu ainda amava Mary profundamente, muitas vezes achava que ela havia esquecido quem eu era. Bem, isso até eu receber um recado de que sua filha, Cynthia Masters, morreu na noite anterior, e ela precisa de um Memento Mori. Eu rápidamente coloquei minha grande câmera no meu humilde tripé de madeira, ajeitei ele na parte de trás da minha carruagem, e subi até a parte rica da cidade.

Cynthia morreu de alguma doença na noite passada, eu realmente sinto muito por ela, ela sequer passou da idade dos 8.

Nunca havia falado com ela antes. Já havia visto ela antes, e fiquei de certa forma um pouco ciumento quando a ví. Ela parecia a Mary que eu amava. No entanto, seu nariz e olhos eram de seu pai, o homem que tirou Mary de mim. Porém, passado é passado, certo?

Eu resolvi seguir em frente e me tornar um solteiro de vinte e um anos, o que, sem dúvida, não vai mudar até minha morte. Vejam bem, não odeio Thomas, apenas o invejava. Olha, ele tinha uma família perfeita, vivendo sempre feliz. E eu? Bem, eu tinha os mortos pra me fazer companhia.

A mansão dos Masters ficava em uma grande colina, no extremo norte da cidade. As árvores ainda estavam "nuas" desde o último Outono, e o ar gélido e rápido do Invérno que vem arrepiava minha espinha enquanto chegava perto da casa. Fui recebido por um de seus empregados, que me levaram até um quarto acima das escadas, na parte traseira da casa.

Perguntei onde estavam os pais da jovem, mas um dos empregados estrangeiros não entendeu que eu não o entendia. Por um momento tive a singela esperança de que Mary me chamou para me ver, além de pagar as fotos, mas não tinha certeza. Ainda assim, fiz meu trabalho, já que as mulheres amam um homem que pode cumprir suas tarefas, mesmo que sejam um pouco mórbidas.

Quando chegamos ao quarto da falecida, um dos empregados me observou montando o meu grande aparelho fotográfico. O quarto estava totalmente vazio, tirando por uma cadeira alta e ornamentada no centro do quarto. Sobre ela, estava preso um véu escuro que cobria algo na cadeira. Perguntei a um dos empregados.

- Cynthia está aí?

Ele assentiu com a cabeça.

- Por favor, remova o véu, não consigo fotografar o que não vejo.

O empregado moveu o véu para a porta, então eu entrei no véu da minha câmera para ajeitar a lente. Percebi como a garota estava. Ela parecia uma boneca. Ela estava com a mão no colo e pernas cruzadas, na sua cabeça estava um chapéu bastante grande, que era tão branco quanto o vestido desbotado que ela usava, e suas mãos, cobertas por luvas de veludo. Seu rosto porém, que encarou a lente de minha câmera sem nenhuma expressão, era a coisa mais pálida, mais branca que havia nela.

Eu não conseguia olhar. Quando vi o olho de seu pai, porém com o rosto de sua mãe, não consegui olhar. Eu sinto muito pelos Masters. Eu sei, eu invejava o Thomas, mas nunca eu desejaria algo tão ruim pra ele. Eu nunca gostei de ver crianças mortas, mesmo que isso significasse pagamento a mais.

Saí de baixo do véu da minha câmera e fiquei passeando por ela como um louco que nunca tinha visto uma câmera na vida.

Um dos empregados me perguntou.

- Está tudo bem?

- Tudo sim. - Respondi roendo as unhas. - Ela parece muito com seus pais.

- Os Masters estão muito chateados - Me disse o empregado.

Eu assenti com a cabeça.

- Posso imaginar.

- A Senhorita Masters me falou sobre você - O empregado me disse - Ela disse que fazia um bom trabalho, mas agora olhando pra você, me pergunto se já viu algum cadáver na sua vida antes.

- Quer me dizer que sou um mal profissional?

Ele sacudiu a cabeça.

- De modo algum. Apenas digo que é estranho.

- Eu sou um homem estranho.

- De fato - Assentiu o empregado.

- Se você me desculpar - Disse ao empregado - Gostaria de tirar fotos, sem distrações. Me espere na porta.

Ele assentiu com a cabeça e saiu do quarto. A porta bateu na cara deles.


Fiquei sozinho com o corpo de Cynthia no quarto, que pela minha vida, nunca pude ver ela viva. Ajeitei a câmera, me enfiei por baixo do véu, e de cabeça baixa, estava preparado pra tirar a foto. Não podia ver. Foi quando ouvi uma voz suave e infantil, de uma criança, me perguntando.

- Por que você não quer me ver?

Olhei pra cima, pra o véu escurecido que me cobriu, assustado com o que ouvi. Nunca, em todos os meus dias, em toda a minha vida fotografando mortos, ouvi algo assim. Olhei pra fora do véu, tentei ver se o empregado estava na porta. Quem sabe pregando uma peça? A porta estava fechada.

- Senhor Fotógrafo, por que não olha pra mim?

Virei-me pra o corpo de Cynthia, meus olhos focando em seu olhar frio e morto, fiquei apreensivo.

Não podia acreditar no que ouvi. Mas ela me falou, de novo. Seu corpo e rosto não se moveram.

- Lá vai você. Por que não quer me ver? Está surpreso com minha forma sem vida?

- Eu... - Eu hesitei - Bem, eu... Eu... Você está falando comigo?

- Responda a pergunta, Fotógrafo!

- Você se parece muito com sua mãe, Mary. É difícil encarar seu rosto.

- Quem é essa Mary de que fala, Fotógrafo?

- Sua mãe - Disse estranhando.

Achei estranho, mas não tanto quanto um solitário falando com uma garota morta.

- Ah, sim! Como se ela se lembrasse.

Me movi de volta pra câmera, como se nada tivesse acontecido. Meu coração bateu mais rápido e minha mente "correu". Eu limpava continuadamente o suór de meu rosto, enquanto olhava o corpo nem morto nem vivo de Cynthia.

Cynthia falou novamente, dessa vez uma pergunta.

- Me fará um favor, amigo?

Balancei minha cabeça e menti.

- Só vou tirar sua foto. Tenho compromissos e em breve devo ir.

- Nem pra a filha de sua amada? - Ela perguntou novamente.

- O que disse? - Perguntei nervoso.

- Você ama a mamãe, não?

- Tudo bem, eu faço - Cedi.

- Posso fazer ela te enxergar.

- Como? - Perguntei confuso.

- Toda a sua vida ela nunca te viu como um futuro marido, Senhor Fotógrafo. Ela nunca deu o crédito que você merece.

Senti como se ela pudesse ver através de mim, como se ela soubesse o que sinto. Seus olhos descem, olhando pra o chão, com aquele olhar frio e morto. Balancei minha cabeça.

- Devo estar doente.

- Você não está doente, amigo. Ouça meu pedido.

Não respondi, apenas fiquei de costas pra a menina morta.

- Fique de costas se isso te ajuda a ouvir.

- Por que fala assim? - Perguntei.

A voz ficou mais intensa, era como se eu tivesse atingido ela.

- ESCUTE! Amigo, ela vai te enxergar! Só me ajude. Eles vão me enterrar hoje. Você precisa vir e me retirar do túmulo.

- Não. - Afirmei colocando minha mão na câmera preparado pra tirar a foto.

Tinha que ser coisa da minha cabeça, não podia estar lá.

- Vou te ensinar como reviver os mortos.

Eu olhei pra a garota com o rosto sem vida, olhar paralisado. Não podia ser verdade.

- Pode não parecer, mas isso é real, amigo. Por favor, tire meu corpo do meu túmulo! Me leve pra sua casa! Só vai precisar de um espelho e doze velas.

- Velas? - Zombei - Isso é um sonho! Estou só dormindo.

- Isso você já é. - Disse a menina insinuando que eu era um sonho pra Mary - Me ajude e sua vontade vai "acordar". Você vai "despertar" Mary. Entende?

Assenti com a cabeça.

- Acho que sim.

- Ela vai ouvir cada palavra sua, e você as dela. Me entendeu, amigo?

- Tudo bem, eu farei.

Eu não queria ajuda-la. Eu não queria fazer. No entanto, passou pela minha cabeça: "E se isso ajudar Mary? E se isso ajudar Thomas? Se isso trouxer a garota de volta? Talvez pudessem ser felizes de volta. Talvez me invejariam pelo meu dom, o dom da vida". Eu podia me tornar algo mais.

- Pegue sua câmera e vá embora, não olhe pra foto até que chegue a hora. Também não fale isso pra ninguém! - Ela exclamou.

Esperei nervosamente até anoitecer. Eles enterraram Cinthya perto da mansão Masters, longe do outro lado da colina, perto da floresta. Esperei entre as árvores, me escondendo na espessa escuridão da noite. Eu assisti de longe enquanto Mary chorava nos braços de Thomas. O reverendo da cidade falou algumas palavras da Bíblia Sagrada, enquanto o empregado colocava o corpo de Cynthia no túmulo. Mary com seus cabelos prateados voando com o vento, também parecia um fantasma.

Ela já não era mais a jovem que conheci. Somente o sofrimento e a dor preencheram sua alma, e isso me entristeceu. Me machucou. Porém, eu só podia esperar que o que eu havia planejado fazer ajudasse. Rever sua filha de volta a restauraria.

Mesmo que isso significasse que ela não voltaria a falar comigo, como se eu fosse um necromante, vê-la feliz ajudaria.

Porém, a criança disse que ela voltaria. Não só isso, ela me enxergaria novamente. Essa foi uma oferta que eu não podia recusar.

Esperei que a família partisse do enterro. O coveiro local voltou logo depois, tentou arrumar seu corpo no caixão, mas não conseguiu. Sendo assim, enterrou ela de qualquer maneira. Não fiquei lá por muito tempo, pois uma leve chuva começou a cair.

Levei a garota pra o meu apartamento e, envolvi ela em um lençol, pra parecer que segurava uma criança pequena, cobrindo-a da chuva. Ninguém me notou. Era uma benção entre as maldições que eu vivia frequentemente. Eu temia somente que eles ouvissem a menina sussurrando instruções pra enquanto eu fazia o "ritual", pois enquanto íamos pra minha casa, ela ia dizendo o que eu devia fazer ao chegar lá. Quando chegamos no meu apartamento, sentei a garota em uma cadeira, como ela havia
instruído.

Não era um lugar tão bonito quanto os que ela já viveu, mas já era o suficiente pra cumprir o "ritual". Peguei as velas, todas as doze. Eu só tinha uma pra iluminar meu candelabro, enquanto me movia pelo apartamento ansiosamente pra cumprir o que ela havia exigído. Eu alinhei cada vela em uma linha diagonal de cada perna da cadeira, formando uma espécie de X na minha sala. Eu não os acendi, como pedido foi. Coloquei minha câmera na frente dela e...

O ESPELHO!

Quase ia esquecendo, até me assustei.

Tirei o único espelho que tinha, estava no meu quarto. Era grande, isso significava que eu podia me ver vestido, mas nunca tive nenhuma roupa boa pra me ver como um gentleman, só o espelho. Eu amo ele. Coloquei ele atrás da garota, certificando de não descansa-lo contra a cadeira. Então, fui até a câmera, me pus entre o véu, olhando pra a garota morta e perguntei.

- É isso?

A escuridão da noite encheu a minha sala, com apenas algumas luzes de vela iluminando a garota, ouvi uma voz suave, quase como um suspiro.

- É, amigo.

Enquanto ela falava, um relâmpago clareou toda a minha sala, me deixando cego por alguns segundos. Fiquei assustado.

Então eu me recuperei. Enquanto as faíscas de raio saiam lá fora, eu ainda não estava acreditando no que vi. Eu queria falar, mas meu coração batia tão rápido que não deixava.

- Tire a foto, mas não me olhe pela lente. Não devo ser vista.

Já ia saindo do véu, mas a menina me interrompeu.

- Por me ajudar, o que quer que eu faça primeiro?

- Veja a sua mãe - Disse á ela - Diga á ela que te trouxe a vida, e sinto falta dela.

Ouve um estranho silêncio antes dela falar.

- Então será isso.

Entrei no véu de novo, abaixei minha cabeça preparado pra tirar a foto. Me escondi do escuro da sala no escuro do véu e fui tirar a foto da menina morta. Me perguntei: "Funcionará? Mary vai gostar disso? E se ela não gostar?". Comecei a ficar nervoso e entrar em pânico.

- Tire!

Foi pelo nervosismo, e pela demanda da garota, que tirei a foto. A lâmpada quebrou, seus cacos caíram no chão da sala.

Olhei pra cima, evitando olhar pela lente a garota morta, como ela me instruiu. Quando retirei o véu, segurei meu candelabro, tentando iluminar o corpo da garota pra ver se ela se movia. No entanto, para meu espanto, a garota já não estava mais sentada na cadeira. As velas estavam apagadas, jogando suas fumaças pra cima pra desaparecerem no ar.

A cadeira estava vazia, e o único reflexo no espelho era o meu próprio reflexo, encarando o espelho em choque. Ouvi a porta de meu apartamento se abrir. A chuva forte estava voando em meu rosto com um vento tão áspero, junto com folhas mortas. Deixei meu candelabro e saí correndo pra porta ver se eu poderia apreciar a "morta-viva".

Pra minha desgraça, só vi a silhueta da menina enquanto ela corria pelas ruas. Seu corpo se moveu tão naturalmente, como se suas pernas estivessem mais longas e ela pudesse correr mais. Seu tronco se arrastava, como se fosse papel correndo contra a tempestade. Seus cabelos voavam no vento, e quando uma luz ofuscou o lugar por onde ela tinha ido, a garota desapareceu.

Eu desmaiei com um colapso nervoso, e só acordei algumas horas depois. Estava encharcado, desmaiei na porta mesmo.

Cambaleei pela minha casa, fechando a porta atrás de mim. Meu apartamento estava uma completa escuridão, e o vento da noite me deixava arrepiado da cabeça aos pés. Então, peguei meu castiçal e acendi-o. Removi o filme da câmera, o negativo, segurei-o por baixo da luz. Eu não conseguia ver, estava muito escuro, mas ainda conseguia ver uma coisa.

Parecia ter algo sobre a foto. Não era a menina. Eu rapidamente corri pra meu banheiro, fazer o trabalho de revelar a foto. Eu tinha que ver se meus olhos mentiam pra mim. Eu tinha que ver a verdade no negativo. Não sei por quanto tempo durou a revelação, mas a primeira vez que vi, meu coração disparou. A menina sentada na cadeira, o flash da luz quase me cegando no espelho.
Parecia que a garota tinha um halo nela, uma coroa brilhante. Porém, por trás de tudo isso, algo se sobrepôs.

Havia uma mão longa e não natural sobre seu ombro, garras finas e afiadas cravavam a carne morta. A pele, era quase como se fosse uma mistureba, mas ainda possuía resquícios de pele humana. Atrás do rosto de Cinthya, eu podia ver um focinho, longo e grunhindo. Havia um olho espiando por trás de sua orelha. Era como se eu tivesse tirado a foto assim, como a besta queria.

Mary.

Ninguém sabia como Mary tinha morrido, exceto eu. Dizem que ela morreu de tristeza, mas não. Eu podia imaginar como devia ser o horror de achar que sua filha voltou pra casa, mas não era ela. Essa criatura a levou de mim. Thomas ficou triste, quase louco. Eu podia ouvir seus gritos e choros de noite pelas ruas da cidade. Eu lamento. Eu tentei ajudar, mas só acabei piorando. Eu arruinei a sua vida tentando beneficiar a minha própria.

Como eu odiava isso! Como eu me odiava!

Cynthia nunca foi encontrada. A maioria ainda achava que ela esta no túmulo. Porém, a idéia dela ainda vagar pela terra me partia o coração. Tanto medo, tanta culpa. Eu não sabia se eu ainda conseguia continuar. Eu dizia a mim mesmo: "Também morrerei..." e esperava que alguma criatura não preenchesse meu corpo nesse dia. Esqueci os pensamentos, uma reflexão sobre a morte não podia ser preenchida com tais males. Voltei ao mesmo quarto do lar dos Masters. Thomas havia me chamado pra tirar uma foto de Mary. Não podia recusar, visto que sua morte era minha culpa. O mesmo empregado ficou na mesma porta enquanto eu montava a minha câmera.

Mary parecia diferente, era como se sua alma tivesse sido devorada antes dela morrer.

Não consigo descrever direito, é só algo que senti. Pensei o quão terrível eu fui em desejar mais do que devia naquele dia. Fiquei em pé atrás da câmera, preparado pra tirar a última foto de minha amada, quando ouvi sua voz suave e doce.

- Eu vejo você... Eu ouço você...

- Mary? - Perguntei horrorizado.

- Você me faria um favor, amigo?

Eu não poderia recusar...

Tradução: Jhonatas Cavalcante