Postagens Semanais

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Gabriel Azevedo

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Francis Divina

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Gabriel Azevedo

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Sábado
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Domingo
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Competição de Perca de Peso

Então, com as datas festivas se aproximando, todo mundo está comentando o quão gordos e miseráveis vão se sentir depois do Ano Novo. Sabe como começa. Uma barrinha de chocolate inocente, talvez duas... ou então cinco enquanto arruma os doces do Halloween. Daí as crianças vão para os doces ou travessuras e de repente sua casa está lotada de doces estupendos que potencialmente podem conter laminas ou veneno dentro, então você PRECISA inspecionar, só pra ter certeza. "Ah, olha só... Skittles. Vou dar uma provadinha no arco iris..."



Depois vem o pré-ação de graças. Isso mesmo, eu disse 'pré'. É aquela época que todo mundo está tirando a poeira das assadeiras e logo o escritório está inundado de calda de amendoim, bolinhas doces de rum, e pé-de-moleque. Meu deus, como eu amo pé-de-moleque. 



"Só mais um pedacinho. Quebra um mini pedacinho. Ooops! Não quebrou direito e agora vou ter que comer todo esse pedaço enorme. Sou obrigado a comê-lo. A avó do Frank fez com tanto amor e carinho e ela é só uma idosinha. Pode ser que seja a última ação de graças dela, sabe. Esse pé-de-moleque não pode ser desperdiçado!" 



E então o próprio evento de ação de graças do escritório. Lotado e transbordando com todas aquelas delícias. 



"Ah, não. Acidentalmente encomendamos 72 tortas extras. Vamos deixá-las na área de descanso e com o tempo serão comidas..." E você sabe que serão mesmo. 



E então é ação de graças de verdade, e parece que voltamos a Roma antiga, com toda a família participando desse baquete que não acaba nunca, tudo sendo comido e reposto em um ciclo vicioso. 



Pré-Natal, Natal, festas de Ano Novo, Jogos de futebol. A lista segue.



E então a auto-depreciação. A miséria, o chacoalhar da barriga no espelho e a firme decisão de que você engordou e precisa entrar numa dieta... na Segunda. Coma bastante porcaria no final de semana e então tenha um novo começo. Quero dizer... hoje é quarta-feira ainda, e tipo, quem diabos consegue começar uma dieta na quarta? Ninguém. 



E lá estávamos, em Setembro, se aproximando cada vez mais das datas festivas em uma velocidade absurda. Depois de muita discussão com meus colegas decidimos adquirir vantagem e perder peso ANTES da loucura das festas começarem. Daí, se engordarmos de novo, estaríamos com o mesmo peso de antes e ficaria tudo bem. Sem culpa, sem vergonha e sem auto-depreciação. Ficaria tudo nivelado. 



Então estava certo. Era hora de começar. UMA COMPETIÇÃO DE PERCA DE PESO.



E já começamos faz algumas semanas. Sou eu (Andrea), Morgan do Departamento de Coleções, Kim da Importação e Exportação, meus vizinhos de cubículo do T.I Jim e Tanner, e Peggy do... não sei de qual departamento. Não sei bem qual é a função especifica de Peggy, mas ela senta perto o suficiente de mim que posso ouvir tudo que faz. E sabe o que Peggy parece sempre estar fazendo?



Comendo.



Essa garota está sempre enfiando algo goela abaixo. Não consigo nem dizer quantas vezes por dia ouço barulho de pacotes de salgadinho ou barulho de papel celofane sendo abertos enquanto faz incontáveis lanches. Ela é uma moça grandona, daquelas que sempre está dando risadinhas, rindo das suas próprias piadas. Aparenta passar o dia todo fazendo ligações pessoais e é grossa com qualquer pessoa que aprochega-a com assuntos de trabalho. Juro por Deus, parece que está aqui só para comer e scrollar pelo Facebook. É basicamente uma pessoa irritante para caralho, e estou ansiosa para ficar com seus 50 dólares da aposta. 



Esse é o jogo. 50 dólares de cada, e quem ganhar leva o bolão. Fazemos perca por quilo, calculando a porcentagem de peso perdida. Aqui estão os números iniciais: 



Eu: 75,5 Kg

Morgan: 84,3 Kg

Kim: 69,0 Kg

Jim: 110,6 Kg

Tanner: 87,0 Kg

Peggy: 170,5 Kg... e aumentando. Aposto que os números na balança dela nunca param de subir.



Então, eu tenho narrado toda essa aventura e algo está acontecendo. Todo mundo estava indo aos poucos, mas Peggy estava nos esmagando. Estávamos todos sendo colocados pra trás... mas agora, algo mudou. Algo deu errado. Eu mantive um registro por algumas semanas. Então, deixe-me compartilhar alguns dos destaques com você e retomaremos a situação atual.

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Diário de competição de dieta - Semana 1, 16/09/19 até 20/09/19

-Segunda-

Fizemos nossa primeira pesagem. Peggy está com 170,5 Kg. E sabia que não teria chance nenhuma dado seus hábitos alimentares. Sem chance nenhuma. Então, no fim do dia, ouvi ela conversando com alguém no telefone, dizendo que já havia perdido um quilo e trezentos. Mas que porra é essa? Eu ouvi barulhos de embalagem o dia todo e assisti enquanto ela colocava tipo meio quilo de queijo em cima das suas batatas fritas que comprou na hamburgueria do fim da rua. Só tem uma explicação para isso... deve ter dado uma cagada homérica em algum momento para fazer toda essa diferença de peso. 

-Terça-

Estou com fome. Muita fome. Todo mundo está com fome. Ouço o mastigar de saladas de couve, brócolis cru e cenoura, também o som de alguém tomando provavelmente uma sopa de baixíssima caloria. O microondas está vivo com opções de comidas congeladas saudáveis, e a máquina de refrigerantes fica em silêncio tristemente. 

O cubículo da Peggy recebeu DUAS tele-entregas de comida. A primeira foi chinesa, e algumas horas depois alguns cupcakes - meia dúzia, para ser mais exata - de uma doceria gourmet do outro lado da cidade. Uma hora depoIs, ouvi ela abrindo mais uma embalagem de salgadinho de queijo. Como eu sabia que era salgadinho de queijo? O cheiro é inconfundível e estou com MUITA fome.

-Quarta-

Subi na balança hoje. Perdi um quilo. Sei que não é muita coisa, mas pelo menos me sinto encorajada. O jeito que Peggy continua comendo... está ferrada. Morgan também perdeu um quilo, Kim meio quilo, Tanner um e trezentos e Jim engordou um quilo. Coitado do Jim... ama cerveja. 

Puta merda, Peggy e Kim acabaram de voltar da balança. Peggy perdeu mais dois quilos e setecentos gramas! Mas que PORRA é essa?!?! Como isso é possível? Talvez tenha lombrigas. Como se pega lombrigas, mesmo? Perguntando para um amigo...

-Quinta-

Peggy está me matando. Esse comportamento terá que pegá-la em breve. Acabou de devorar uma pizza grande sozinha, algumas horas depois de entregarem um café da manhã completo de panqueca e salsicha e molho. Eu nem sei onde diabos ela está colocando toda essa comida!

UAU. Apenas... uau. Literalmente neste exato momento estou ouvindo-a abrir um pacote Jumbo de Oreos. Sei que parece que estou a stalkeando, mas é que eu simplesmente amo Oreos. 

-Sexta-feira-

Isto é loucura. Peggy e sua testemunha acabaram de voltar da balança.Menos 3 quilos. São QUASE SETE QUILOS perdidos esta semana, em 4,5 dias. Não é mentira. Literalmente posso ver as roupas dela ficando mais largas. Ela está diminuindo. 

Comentário a parte, ela começou a colocar incenso em seu cubículo. Na verdade, não me importo com o cheiro, pois me lembra de um cara hippie que namorei na faculdade e ele sempre foi um amor... embora seus hábitos de higiene precisassem de um pouco mais de atenção. Enfim ... ela está queimando incenso e eu posso jurar que a estou ouvindo sussurrando, orando ou algo assim. Talvez eu esteja ficando louca. Quem sabe?



Diário de competição de dieta - Semana 2, 23/09/19 até 27/09/19

-Segunda-

Estamos na segunda semana. Aqui está como todo mundo se saiu durante o final de semana. 

Eu: -1,8 Kg.

Morgan: - 1,3 Kg.

Kim: - 1,0 Kg.

Tanner: - 1,2Kg, nenhuma mudança desde sexta. Acho que ele teve um almoço em família no sábado e jacou um pouco. 

Jim: +0,5 Kg...o que significa que ele perdeu um quilo no fim de semana, mas foi um dos quilos que ganhou depois que a competição começou. Ainda assim, progresso é progresso, certo?

Peggy: -9,5 Kg. 

Sim. NOVE QUILOS E MEIO. Não foi um erro de digitação. Ela perdeu mais 3 quilos no final de semana!

Já nem sei mais o que dizer aqui. Não tenho palavras. Estamos fofocando sobre isso por aqui. Quando Peggy foi ao anheiro, Morgan procurou na bolsa dela alguma pílula de emagrecer ou algo assim. Nada. A única coisa fora do normal são os incensos e uma boneca de pano que levemente lembra a própria Peggy. É uma coisa bolotudinha que nem a dona, mas a boneca foi amarrada na cintura com elásticos, pada apertá-la até ficar mais magra. Estranho.

-Terça-

- A investida dietosa de Peggy continua. Ela se empanturrou com um xis de um lugar aqui perto que é tão grande que você ganha uma camiseta se consegue terminar de comer. Mas não deve ter nenhuma camiseta no estoque que caiba nela. Ela até terminou as fritas e tomou todo seu milkshake. Não é possível que não vomite tudo em seu cubículo em breve. Vou aguardar esse momento. 

- Gente, não passou vinte minutos e ela já está comendo Oreos de novo! PARA ONDE VAI TODA ESSA COMIDA?

- São 14:00 e Kim e eu acabamos de voltar de nossa caminhada diária para queimar algumas calorias. Tenho certeza de que estava totalmente sobrecarregada de calorias para queimar depois de um almoço de dois palitos e meio de aipo e uma colher de sopa de manteiga de amendoim.

Enfim ... passamos por atrás do prédio, e no meio do beco estava Peggy, curvada com a bunda que diminuia a cada dia empinada para o ar e a cabeça enfiada na janela do lado do passageiro de uma caminhonete preta de aparência esfarrapada. Nós nos escondemos rapidamente e cautelosamente espiamos pela esquina do prédio para ver o que ela estava fazendo. Nós achamos que era apenas mais uma tele-entrega, mas não... ela tirou dinheiro do bolso, enfiou a mão no carro e, quando a mão voltou, havia uma lancheira de papel marrom com algum tipo de escrita em um idioma que eu não reconhecemos.

Ela voltou para o prédio quando a caminhonete sombria se arrastou lentamente pelo beco, e rapidamente terminamos nossa caminhada. Kim se escondeu atrás de Peggy e tirou algumas fotos do que ela estava tirando da sacola. Não estou brincando, era uma daquelas coisinhas que você coloca em uma tigela de água e cresce um monte. Eu costumava ter alguns quando criança, tipo um pequeno jacaré do tamanho de um carro Hot Wheels que crescia e ficava com quase quinze centímetros depois de estar submerso um tempo. Eram bem divertidos, mas isso não era um jacaré... era Peggy. Uma Peggy MUITO minúscula.

Passamos por seu cubículo depois que ela foi para  e lá estava, sentado em uma tigela de água e já começando a inchar. Isso tá ficando bem estranho.

-Quarta-

Ok, então, por volta das 10h da manhã Peggy foi até a porta da frente do escritório para encontrar o cara da tele trazendo seu brunch, então demos uma olhada na pequena Peggy da tigela. Cresceu absurdamente. Era uma tigela de vidro de tamanho grande e a coisa tinha inchado tanto que os braços e as pernas estavam pendurados nas laterais, pingando lentamente a água viscosa sobre a mesa. Como comparação, eu diria que é do tamanho da luva de um apanhador de beisebol. Vi Peggy pouco tempo depois no banheiro e ela estava jogando a tigela de água na pia. Ela olhou para mim e imediatamente baixou os olhos e correu de volta para o corredor. Definitivamente está tramando algo...

Peggy se pesou de novo essa tarde e diminuiu mais 4,5 Kg. Quatro e meio desde segunda-feira de manhã??? Então,num total, perdeu 14 Kg em dez dias. Uau.



Eu estava de folga quinta e sexta. Então as anotações dessa semana terminaram na quarta. 



Diário de competição de dieta - Semana 3, 30/09/19 até 04/10/19

-Segunda-

-Cheguei mais cedo hoje para xeretar. A boneca de pano Peggy ainda estava sobre a mesa, e estava enrolada tão apertada com elásticos que não tinha como ficar menor. Agora estava deitada de lado, como se tivesse sido descartada. A atração principal era ainda a Peggy inchada da água. Estava na mesa dela desde quarta, e nesse curso de cinco dias tinha encolhido cerca de 15%. Não lembro dos meus brinquedos demorarem tanto nesse processo de encolhimento, mas 25 anos depois a tecnologia de encolhimento de jacarés de brinquedo deve ter melhorado.

- Às 9:13 da manhã, alguém passou por mim e foi ao cubículo de Peggy e começou a mexer nas coisas. Não é normal ver estranhos por aqui, então me levantei um pouco para dar uma espiada. Caramba, era Peggy! Se não estivesse colocando um exército de lanches em cima mesa, nem a teria reconhecido. Ela havia perdido ainda mais peso a tal ponto que parecia uma pessoa diferente.

Ela olhou para cima e me viu, e para que não percebesse que eu estava espionando, perguntei quanto peso ela havia perdido. Ela deu um sorrisinho malicioso, depois pulou e agarrou Kim para ser sua testemunha na balança.

E não estou zoando, ela voltou com esse número: 23,5 Kg. Ela perdeu vinte três quilos e meio desde quarta-feira. Deixe que isso entre na sua mente. Já havia perdido 14 Kg, de modo que pesava 156 Kg na quarta-feira. Então, agora, perdeu mais 23,5. Isso a coloca em 133Kg.

Ok, meu cérebro de 5ª série acabou de me enviar um bat sinal, sugerindo que eu fizesse umas continhas básicas. Peggy estava com 156,5 Kg na quarta-feira, e nós já estabelecemos que hoje ela está com menos 23,5. E isso é 15% de 156,5, basicamente. Quero dizer, não tenho certeza e nem precisa me corrigir se eu estiver errada. Sou muito ruim de matemática. 

Mas aquela coisinha gelatinosa na mesa dela estava 15% menos.

E a Peggy REAL está 15% menor desde quarta-feira.

Uhhh… Então, obviamente, isso se tornou uma corrida para o segundo lugar, mas, independentemente disso, aqui estão os resultados da pesagem no final da segunda-feira, quando começamos a terceira semana.

Eu -2,7 Kg

Morgan -3,1 Kg

Kim -1,3 Kg

Jim -1,8 Kg

Tanner -2,2 Kg

Peggy - 37,5 Kg

-Terça-

Por volta da 13h Peggy deu um grito altamente dramático. Todos corremos para ver o que tinha acontecido, mas ela parecia bem. Mas estava com a cara VERMELHA de um jeito que nunca vi. Quero dizer, muito, muito, muito brava e também aparentava estar com um pouco de medo. Mal conseguiu se acalmar para dizer o que estava acontecendo. Aparentemente o zelador tinha jogado fora a pequena Peggy encolhedora. Ela correu até a lixeira esterna mas o caminhão de lixo já tinha passado. A boneca já era. 

Peggy saiu do escritório perturbadíssima. Kim a seguiu de longe e voltou para reportar que tinha a visto no beco em uma ligação, frenética. Kim aparentemente ouviu-a dizendo "Eu preciso de outra coisa, agora mesmo!" e "Não me importo com preços!"

Pelo que conheço de Peggy, isso podia muito bem ser uma conversa com o seu entregador de tele habitual, mas acredito que dadas circunstancias, era algo bem mais interessante. Nas horas depois do incidente e de sua ligação. não ouvi Peggy comendo. Sem barulho de embalagens, sem entregas de comida chinesa... nadinha. Mas o que EU OUVI foi MUITA cantorias em baixo tom e um novo tipo de incenso sendo queimado. Talvez seja algum mantra aleatório, aqueles que prometem fazer você atingir seu sucesso. 

***OBS:***

-Jim começou a passar tempo demais no cubículo de Peggy por esses tempos. Acho que perdendo todo aquele peso (e não aparenta ter nenhuma pelanca??? Que porra é essa?), ele ficou gamadinho nela. Creio que ele quer dar uns pegas nela antes que sua auto estima fique lá no alto e comece a procurar alguém mais decente. Hahaha, ótimo plano, Jim.

-Quarta-

Na real, tudo estava bem calmo por aqui hoje. Jim ainda continua constantemente no cubículo de Peggy, dando o seu melhor. Ela parece gostar da atenção. Ainda não a ouvi comendo nada. 

-Quinta-

Fizemos mais uma pesagem hoje. Kim perdeu mais meio quilo. Eu também perdi maus meio quilo, Tanner ganhou meio quilo. Morgan e Jim perderam ambos cerca de um quilo e meio. Peggy preferiu não se pesar.... Hmmmm.....

Por volta das 13h assisti Peggy se encontrar mais uma vez com o carro bizarro no beco atrás do prédio. Tirou um bolo bem gordo de dinheiro de sua bolsa e novamente recebeu um pacote misterioso. A segui enquanto voltava para sua mesa, e de dentro do pacote tirou uma daquelas bonequinhas dançarinas de hula-hula, do tipo que geralmente se coloca no painel do carro, mas essa tinha uma pequena placa solar, para que dançasse com o poder da luz. Colocou-a cuidadosamente sobre a mesa, acendeu um incenso, cantarolou mais um pouco e ligou o abajur em cima da boneca para que começasse a dançar.

-Sexta-

-Tá, tô ficando puta sobre o desenvolvimento dessa competição. Tenho dado duro pra caralho com dietas e exercícios que nem louca, e obviamente devia estar orgulhosa dos três quilos e pouco que perdi em três semanas, né? Mas três outras pessoas estão me colocando no chinelo e sei que é um fato que não estão se esforçando como eu.

Então, hoje comecei a xeretar e espionar. Literalmente não fiz nada do trabalho que sou paga para fazer. Hoje foi uma exploração total e segui Peggy toda vez que saia de seu cubículo. Estive rolando minha cadeira o mais perto que pude de qualquer pessoa que parasse na mesa dela, e fiz concha no ouvido constantemente em um esforço incansável para reunir qualquer tipo de informação possível sobre o que diabos está acontecendo. Bem, o que está acontecendo aqui é muito mais que um concurso bobinho de perca de peso. Aqui está o que descobri...

Aparentemente Jim foi pedir concelhos para Peggy como perder mais peso. No começo, não queria contar, mas seu desejo de obter atenção de qualquer homem que fosse fez com que fizesse um acordo com ele... ela conta como perder peso, e ele teria que namorar com ela. Simples assim. Jim perderia peso só se satisfazer os desejos da Peggy por amizade, companheirismo, gestos românticos, e outras coisas as quais nem quero pensar sobre. ENTRETANTO... A ex do Jim, Sharon, trabalha no outro lado do salão. E Sharon é uma invejosa do caralho, só pra por contexto. Em dado momento, notou as visitas frequentes de Jim ao cubículo de Peggy, então tem vigiado a mulher que nem um falcão. Até chegou a ir lá para jogar verde, perguntando para Peggy sobre qual era o segredo de sua dieta, sua vida amorosa, e sobre como também tem uma das dançarininhas de hula-hula no painel de seu carro. 

OK... então eu passei a tarde observando Peggy e o que estou prestes a contar aqui é 100% verdade. Ela tinha ligado a boneca de novo e depois de algumas horas eu espiei lá para dentro e percebi que ela suava absurdamente como se estivesse no meio de um exercício intenso. Se não fosse uma coisa completamente doida de se dizer, diria que a boneca estava agindo como um exercício no corpo de Peggy. Eu tinha que saber se isso era real ou se eu estava ficando louca. Então, tentei algo...

Quando Peggy se levantou para se secar um pouco, entrei de fininho em seu cubículo e desrosquei levemente a lâmpada, fazendo-a desligar. Quando voltou, pude ouvi-la xingar baixinho enquanto ela ligava  e desligava o interruptor, depois grunhidos e arfadas enquanto ela se arrastava sob a mesa para verificar o cabo de força. Ela suspirou pesadamente e se sentou novamente. Eu a espiei várias vezes ao longo da próxima hora e estava seca como um osso. Também parecia chateada.

Quando Peggy foi ao banheiro novamente, voltei e apertei a lâmpada, e fez-se a luz. A garota hula voltou a dançar e, quando Peggy voltou à mesa, soltou um grito de alegria. Alguns minutos depois, o suor escorria dela novamente e os sons de uma embalagem de bolo de lanche preencheu o ar.

Isso é loucura. Quero dizer, literalmente, isso é tipo vudu ou santeria, porra. Estou bastante perturbada com isso, mas pelo menos agora sei como ela está nos deixando para trás. Agora sei o que fazer. Pode ser tarde demais para uma volta por cima para vencer a competição, mas se os principais jogadores não puderam continuar por algum motivo, eu ainda tinha uma chance. Peggy traidora vai ser exportada para o sol.

Está na hora da sabotagem.

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Ok, estamos agora de volta ao presente. Parei de registrar os eventos da competição depois de descobrir as bruxarias que Peggy estava usando para vencer de todo mundo.



Agora vou te contar o resto da história. 



Depois de descobrir como Peggy estava trapaceando, comecei a bolar coisas que podiam ser usadas contra ela. Se eu destruísse a dançarina de Hula, Peggy apenas compraria mais algum item místico de seja lá quem estava vendendo para ela. E também não conseguia pensar em maneiras de reverter aquele efeito. Tentei desviar todos os pedidos de tele entrega dela por alguns dias para que ficasse frustrada e desligasse a garota hula para conter sua intensa fome, mas essas pequenas jogadas não era o ideal. Eu queria colocar quilos de verdade naquela mulher e parar com todas as reverências e elogios.



Enquanto ainda avaliava minhas opções, uma discussão épica começou entre Jim e sua ex, Sharon, no outro lado do salão. Não consegui entender todos os detalhes, mas dava para perceber que Sharon estava chateada com o desenvolvimento do relacionamento dele com Peggy. Entretanto, ele parecia estar nem aí e mandou Sharon calar a boca e cuidar da própria vida. Sharon saiu enfurecida do comodo e Jim voltou para o cubículo de Peggy para contar detalhes da discussão. Tudo aos sussurros, mas de vez em quando Peggy dava risadinhas ou batia palmas baixinho quando ria, sem dúvida, saboreando sua vitória na batalha pelo amor de Jim.



Os dois pombinhos saíram para uma caminhada. Vários minutos depois, vislumbrei Sharon vindo em direção do nosso lado do salão. Fiquei sentada meio abaixada para ficar fora do seu campo de visão, e observei com muito interesse quando a vi entrando no cubículo de Peggy. Não pude ver o que estava fazendo, mas supos que estivesse escrevendo uma carta bem fervorosa para a outra que incluía coisas tipo...



"Ele é meu, vadia."

"Ele ainda me ama, vadia."

"Você é feia e gorda e ninguém nunca vai te amar, sua puta."



Você entendeu a ideia...



Então, depois que Sharon saiu, fui dar uma espiadinha. Nada estava quebrado ou mexido. Os papéis de trabalho de Peggy estavam arrumadinhos, seus salgadinhos estavam meio abertos do jeito que deixara, e assim por diante. Mas, para animar meu dia, de fato lá estava a carta. E dizia assim:



"Olha só, sua puta. Vc pode muito bem deixar Jim de lado porque ele não te ama. Está com vc só pra perder peso. Aliás, obg por deixar o MEU HOMEM mais gostoso do que já era. Ele me falou que vai fikar com vc só até perder o peso que precisa. Ñ sei qual eh a sua e essas merdas de magias que uza, mas pode continuar dando os vudus pra ele ou seja lá o que pega do carro preto. Depois vou rouba de volta para mim, puta." 



Como pode ver, a gramática de Sharon poderia ser melhor, mas essa competição estava pegando fogo! Soltei a fofoca para Kim, Morgan e Tanner, e de repente, houve uma renovada sensação de animação no ar. Não há nada melhor do que um triangulo amoroso no escritório, certo? Claro que não.



Então cerca de uma semana se passou e nada de mais aconteceu. Continuei com as couves e cenouras, Kim e Morgan fazendo caminhadas extras, Tanner tinha basicamente desistido de sua dieta, e Jim estava constantemente perdendo alguns quilos por dia com a ajuda de um pequeno vulcão de usb de vodu em sua mesa, que ficava soltando vapor o dia todo. Ele e Peggy estavam ficando sérios com a demonstração de afeto em público e me parecia que ele estava gostando dela mais do que o acordo pedia. Sharon ainda vigiava o cubículo de Peggy bem de perto, mas não ficava mais fazendo suas carrancas e olhares maliciosos da semana passada. 



Peggy estava perdendo peso... rapidamente.



Nem se importava mais em nos dizer os números que marcavam na balança, mas era claro que a perda estava cada vez mais rápido em um nível que chegava a ser ridículo, e depois de alguns dias já não sorria mais quando voltava de sua pesagem. Ela claramente tinha tido o suficiente da magia, e alguns minutos depois eu a ouvi desligar o interruptor de luz que estava alimentando a menina hula dançante, seguida por um suspiro de alívio. Mas o suor não parou. Ainda estava coberta de suor, o que eu presumi que significaria que ainda estava queimando gordura rapidamente.



Um dia depois, ela e Jim estavam discutindo a situação e ouvi ela falando que estava com medo e decidiu destruir a boneca do hula-hula. Aparentemente, a regra era que se a boneca estivesse na luz para dançar e Peggy estivesse a menos de 100 metros dela, a mágica faria sua parte, mas jogar no lixo também não ajudou. Ela tirou da lata de lixo e no caminho de casa para o trabalho, jogou-a de uma ponte a 32 quilômetros longe de casa. Mas lá estava ela na manhã seguinte... ainda suando... ainda diminuindo. Ligou para o místico que havia colocado o feitiço no bonequinha e ele disse que não tinha como continuar funcionando depois disso. Deveria já estar livre da magia e capaz de voltar à sua vida normal.



Mas ainda assim, diminuía. Ainda, parecia cada vez pior. Pálida doentio, com bochechas concavas e ombros ossudos. Suas roupas ficavam absurdamente largas em seu corpo, como se alguém tivesse jogado um lençol por cima de uma cadeira. E todo o comer... toda a mastigação, devoração, bebidas, comidas, doces, salgadinhos do mundo não estavam mudando sua situação. Uma semana atrás ela parecia estar com menos de 45 Kg. 



Essa foi a última vez que vi Peggy. 



Jim a levou para a emergência algumas noites atrás, quando contaram em total desespero a história da magia, da boneca, da coisa que encolhia, e da hula-hula. É claro que o hospital e a polícia acharam que isso era uma mentira para encobrir uma outra coisa mais cabulosa. Drogas, doença, envenenamento, ou talvez efeito colateral de usar muito óleos essenciais. Quem sabe?



E hoje ela está internada na UTI, por um fio de vida. Os tubos de alimentação, como você pode prever, não estão fazendo muito. A transpiração continua, o peso diminuindo, e está literalmente desaparecendo da face da terra.



Jim criou uma página de arrecadações para ajudar nos custos médicos. Todos nós fizemos o que podemos e compartilhamos em todas as plataformas de redes social. Sharon chegou a ajudar. Acho que o amor dela por Jim é forte o suficiente para colocar suas necessidades em primeiro lugar, e sua necessidade agora é cuidar de Peggy.


Acho que é assim que a nossa competição termina. Peggy, de longe, a vencedora.



O prêmio em dinheiro já foi enviado diretamente para a página de arrecadações de fundos. O dinheiro que ganhou ao perder peso está voltando para ajudar a salvá-la dos efeitos da perda de peso. Que ironia horrível.



Enquanto termino de escrever esta pequena crônica, estou com a página de arrecadação no outro monitor. Tem uma foto antiga de Peggy , segurando um pequeno prato escondido por um pedaço grande e gordo de bolo. Sua boca está em um sorriso desajeitado e aberto, enquanto era interrompida pela câmera ao estar próxima de enfiar um pedaço da delicia açucarada na boca. 


Logo abaixo dessa foto, há uma foto menor de Jim e Sharon, os fortes e dedicados organizadores dessa arrecadação de caridade que, sem dúvida, irradia positividade e esperança para Peggy. Apesar disso, seus rostos mostram aquele sorriso constrangedor de simpatia, onde a boca está trabalhando duro para distrair o espectador da tristeza por trás dos olhos.


Os dois estão em pé na frente do hospital, de costas para o quarto de Peggy. Eu sei disso porque na janela tem pôsteres de "Melhoras, Peggy!" E "Peggy é forte!". Enquanto digito isso, vi mais alguma coisa na janela... é o reflexo do carro de Sharon. E ainda mais uma coisinha... pequenininha. O que é aquilo?? Usando o zoom, consegui descobrir o que era.


Uma bonequinha de hula-hula.



Acho que mencionei que Sharon havia dito há algumas semanas que tinha uma igual à de Peggy. Caralho... será que ela trocou? Isso explicaria tudo. Sempre  estacionou perto do prédio no trabalho, bem dentro da faixa de 100 metros que a magia pedia. Além disso, está estacionando do lado de fora do quarto de Peggy no hospital.

Pelo amor de Deus, Sharon mora no mesmo complexo de apartamentos que Peggy! Se essa é a boneca de Peggy, ela está trabalhando 24 horas por dia! Sharon seria capaz de fazer algo assim? Acho que tenho que contar para alguém... mas quem? Quem acreditaria nessa loucura? Talvez eu possa tirar a boneca do carro de Sharon. Se estiver trancado, eu quebro o vidro. Não ligo para as consequências, preciso fazer isso! 

Meu Deus. Acabei de receber uma mensagem de Kim. É tarde demais. Peggy faleceu há 15 minutos.

Não sei mais o que dizer aqui. Se for de orar, ore por essa pobre alma. E, por favor, não visite um bruxo ou algo do tipo quando precisar de ajuda para emagrecer. Faça da maneira clássica.

Dieta e exercícios. 

Preciso apenas deixar minha nova família feliz!

Sei que não é fácil você tentar fazer uma nova família feliz, até porque nós não nos conhecemos bem. Quando estacionei naquele casarão, no meio do nada, vi que havia outros carros e imaginei que poderia ser algum tipo de pousada. Após bater a porta, deparei-me com uma mulher e uma criança, apesar dos outros veículos, eram apenas nós três que habitavam naquele lugar. No momento em que pisei naquele local, foi aí que eu tentei formar uma família feliz, apesar dos machucados, agressões e ameaças constantes.


O meu objetivo é fazer com que todos estejam bem, essa é a minha missão aqui e não é tão fácil, dado que, a criança, aquela menina que tem nove anos, tenta sempre escapar, é agressiva e diz que eu não sou seu pai. A mulher, minha nova esposa, tem os seus momentos pacíficos, fica observando tudo como se fosse alguém aturdida assistindo um espetáculo de terror em uma platéia. Sei que eu posso manter o equilíbrio do momento e fazer com que ela continue nesse momento estável e, mesmo que eu não tenha sido pai, tentarei fazer com que a garotinha aceite de uma só vez o que está acontecendo.

Ninguém pode escapar, visto que as armadilhas estão em pontos estratégicos, não tem como você conseguir chegar até a estrada, encontrar ajuda, antes de ser capturado e levado de volta para o casarão. Dentro da floresta, ainda com os animais selvagens, você pode muito bem perder um membro do seu corpo por conta da violência daquelas máquinas. É tudo um plano que eu preciso seguir para fazer com que tenha um final feliz, preciso apenas manter aquela família equilibrada. Com todos esses acontecimentos, nos meus últimos dias, eu estou sabendo confrontar tudo da melhor forma possível. Não obstante, às vezes, saímos do nosso controle pessoal.

Já irá fazer quase três semanas que outras pessoas aparecem na mansão. Normalmente, são no máximo três indivíduos, amigos e famílias em viagem, precisando de ajuda, perdidos na região, mas eles não conseguem seguir as regras, pois tentam lutar, fugir e até a matar para sobreviver, contudo não conseguem superar o amor brutal da nossa moradia. Lembro da minha mulher dirigindo o carro e, quando ela morreu, eu tentei e estou tentando construir uma família feliz. A felicidade parece horrível quando você pensa nela muito, no entanto, faz parte desse convívio sangrento e mortal. Sei que eu pareço um monstro frio, ao descrever tudo que está acontecendo, no entanto, desde criança, eu fui criado para aprender a adaptar-me em certas situações e fazer com que tudo fique bem, mesmo dentro de uma jaula com tigres ao meu redor.

No início, não foi fácil me acostumar com a aparência daquela mulher, quando ela abriu a porta, e eu a vi. Sabia muito bem que não estava cuidando da sua fisionomia, mas não é apenas isso que lhe deixa um pouco assustadora: a sua cabeça é um pouco grande e o seu corpo é magro, apesar de carregar uma força grande, isso dificulta muito quando nós nos desentendemos e precisamos usar a força bruta. A parte que mais me incomoda é que ela não dorme, se dorme é por poucos minutos. A não ser que fique em pé, nas escadas, na porta, observando o meu quarto, olhando para a criança. Eu imagino que seja uma forma de proteger a menina ou impedir que ela escape, assim, evitar castigos severos e desnecessários. A Insônia Familiar Fatal deixa-me acordado também, e eu fico ouvindo os barulhos de lamentação da minha nova esposa e a sua respiração ofegante, mas tento não lhe arranjar mais uma forma de se sentir infeliz... As punições não são o que eu desejo.

Mesmo após quase dois meses, a menina tenta escapar, contínua dizendo que eu não sou seu pai e a sua última punição foi algo que passou dos limites até para mim, visto que ficou dois dias desacordada e recebendo tratamentos da sua mãe por conta dos ferimentos. Apesar disso, quando ela recordou, parecia mais calma e cooperativa. Eu me aproximei da cama, o meu braço esquerdo amputado já estava quase cicatrizado, e tentei carregar uma panela grande com alimentos, quase fraco. A garotinha murmurou bem baixinho no meu ouvido, que a mulher dormia. Faz muito tempo que a menina está aqui e sabe que quando a dona da casa está muito cansada acaba dormindo por poucos minutos.

Desde o momento que eu parei o meu carro aqui, precisando de ajuda porque estava perdido, foi quando o meu inferno começou. A minha esposa foi assassinada por aquela mulher, e eu tentei lutar para escapar da sua força descomunal e da sua aparência grotesca. No primeiro dia, acabei perdendo o braço em uma das armadilhas e estou aqui tentando me manter vivo e, ao menos, salvar a garotinha que não colaborava até o momento. Irei aproveitar, tentarei observar e aguardar o momento em que aquele monstro dormir porque irei esmagar o seu crânio com o martelo. Estou cansado das agressões, ameaças e ver o quanto a pobre criança sofre. O pior mesmo é você tentar carregar um sorriso no rosto, o tempo todo, e não parecer apavorado com aquele ser espectral nos observando.

Ela está na porta do quarto respirando sua respiração apavorante. Diferente dos outros dias, está mais cansada e caminha cada vez mais devagar nas madrugadas macabras e observadores. Esperarei até que apague, deixando de lado a sua guarda infernal, e pretendo destruir o seu crânio com apenas uma martelada precisa. Até que isso não aconteça, preciso apenas que minha família nova seja feliz seguindo as ordens da mulher. Tenho que me vingar por tudo que aquela criatura cruel fez comigo! De acordo com o que eu estou observando, ela não pode ficar por muito tempo segurando o sono...

Autor: Sinistro

O pior casamento que já fotografei




Fotografar casamentos é meu trabalho há dez anos e achei que já tinha visto de tudo. Vulgar, bonito, trágico, hilário, ou só bizarro mesmo. Tenho muitas histórias. Tenho a clássica do noivo sendo pego em flagrante com a madrinha de honra, famílias brigando, noiva tendo uma overdose no banheiro, casal gay que ninguém foi ao casamento (ou pior, familiares homofóbicos não convidados invadindo a festa só para serem um bando de pau no cu). Esses tipos de histórias. Mas não estamos aqui para relatos comuns. Se estivéssemos, você ficaria lendo esse post o dia todo. Estamos aqui para a história do casamento do Outubro passado. 



Casamentos no outono provavelmente são meus preferidos, se um dia me casar, provavelmente marcarei a data em um dia de outono. Foram os pais da noiva que entraram em contato comigo, querendo me contratar para um casamento que seria dali duas semanas. O fotografo original tinha cancelado com eles em cima da hora e estavam desesperados para imortalizar o casamento de sua amada filha em formato de fotos. 



Para sua sorte, eu tinha vaga no dia. Cobrei uma taxa extra por ser em cima da hora, mas julgando pelo Rolex que o pai usava, isso não era problema. Uma coisa fácil para eu adivinhar é a condição financeira da família. E mais uma vez, acertei - os Seawrights rolavam em dinheiro. 



Não que eu gostasse muito deles, para falar a verdade. Não tenho obrigação de gostar dos meus clientes, embora isso torne as coisas mais calmas. Harold Seawright ficava me olhando presunçosamente toda vez que achava que eu não estava percebendo e Carol era claramente uma esposa troféu. Nunca vi um ser humano parecer tanto ser feita de plástico como ela. Nada contra cirurgia plástica ou botox, mas tudo tem limite.



Acho que eu devia ter desconfiado um pouco sobre o fato que os pais vieram me contratar e não a noiva, mas achei que a noiva só estava ocupada com os outros planejamentos da festa e não pensei muito sobre. 



O dia chegou e... só então percebi que tinha me metido em algo que não queria fazer parte de maneira alguma. 



Na primeira vez que vi a noiva, Tanya, tive um breve momento de 'não faço ideia quantos anos tem essa menina'. Podia ter dezesseis, como podia ter acabado de fazer dezoito. Definitivamente não mais que vinte. Já tinha visto casamentos de jovens por paixões repentinas, mas então conheci o noivo. Marcel Wingate. Que definitivamente não tinha menos de trinta. E Marcel era... tinha algo estranho nele. Primeiramente, era um gigante, chegava a fazer sombra em mim, quem dirá em Tanya. Com seu rosto longo, pálido, com os olhos afundados podia muito bem ser o mordomo Lurch da Família Addams.



Quando apertou minha mão e se apresentou, tive que segurar um arrepio. Mas anos de profissão me ajudaram a manter a compostura e sorrir como se nada estranho estivesse acontecendo ali. 



Tanya nunca falou uma palavra enquanto era arrumada para seu grande dia. Apenas Carol falava, chilreava e piava sobre 'que tal deixar o cabelo dela mais volumoso' ou 'faça os olhos dela se destacarem, ela tem cílios maravilhosos'. Por sorte, Carol tinha necessidade de fazer uma pausa para fumar a cada quinze minutos, assim a equipe de maquiagem e cabelo conseguia um tempo para trabalhar de verdade. Quando terminaram tudo, Tanya estava perfeita. Seu vestido era basicamente um vestido de baile de princesa branco, com uma tiara colocada em seus cabelos ruivos claro, as bochechas coradas em um rosa perfeito. Mas ao contrário das noivas convencionais, ainda não tinha proferido uma palavra e tenho certeza que não eram lágrimas de felicidade que estava contendo. 



Tenho certeza que você já deve ter ouvido falar nas fotos de 'primeiro olhar' tão comuns em casamentos. Eu acho sensacional conseguir aquela expressão perfeita do noivo quando vê a noiva arrumada para o casamento pela primeira vez. Geralmente é um momento fofo. Mas essa foi a primeira vez que tirei uma foto onde parecia que na verdade era a primeira vez que o noivo e a noiva se viam na vida. 



Marcel realmente pareceu perder o fôlego ao ver sua amável futura esposa, mas a expressão dela era o contrário de animada enquanto ele segurava-a pela mão e tava um aperto forte. Meu estomago se revirou quando ele se inclinou para beijá-la no rosto e ela claramente esquivou.



É hora de colocar um ponto final no mito que casamentos arranjados só acontecem em países estrangeiros, e apenas pessoas de certas culturas fazer isso. Acontece nos EUA o tempo todo, e é bem como ser daquele tipo 'homem velho procurando esposa virgem' e por virgem quero dizer 'ainda no ensino médio'. Não é a primeira vez que fecho contrato para fotografar casamentos assim. 



Consegui encontrar Tanya sozinha no quarto onde havia se arrumado, sentada perto da janela aberta e girando um cigarro não acesso entre os dedos."Precisa de isqueiro?" Ofereci ao entrar. 



"Não, obrigada. Não fumo, mas dizem que faz a gente se sentir melhor, né?" Disse, olhando para mim com aqueles olhos azuis de boneca. 



"Na verdade, te dá câncer de garganta e pulmão." Peguei o cigarro da mão dela e acendi. "Mas eu sou um mal exemplo, então faça o que eu digo, não faça o que eu faço."



Consegui arrancar um sorriso dela, mesmo que por poucos segundos. "Você fuma com que frequência?" Me perguntou. 



"Depende do dia. Geralmente fumo dois ou três. Num dia ruim, pode dobrar a conta." Abaixei o cigarro e dei uma olhada nela. "Quantos anos você tem, Tanya?" 



"Dezenove. Vinte em algumas semanas. Tenho cara de bebê." Cutucou as próprias bochechas. "Porque se importa?"



Olhei para a porta para ter certeza que Carol não entraria ali. "Tanya, você está de acordo com isso? Com o casamento?" Perguntei baixinho. 



Os olhos de Tanya se arregalaram. "Caraca, você sabe da coisa," disse olhando para a porta, "... Harold, meu padrasto, arranjou tudo isso. Se fosse do jeito que ele queria, já teria acontecido quando eu tinha quinze anos, mas Marcel ficava atrasando tudo. Negócios, creio eu. Na verdade tentou adiantar mais um ano, mas meu padrasto deu a entender que tinha outras ofertas." Estremeceu e abraçou a si mesma. "Se eu dissesse não, Harold me chutaria e me cortaria da família, congelando minha conta bancária. Não teria nada, nem ninguém e... Eu não sei o que fazer se isso acontecesse."



Peguei um cartão de negócios na minha bolsa. "No verso desse cartão tem o telefone de um abrigo de mulheres - são especializadas em ajudar mulheres a fugir de situações familiares de perigo. Eles as escondem, ajudam a começar a vida em uma nova cidade, se preciso. Em baixo, tem meu número pessoal, caso você precise conversar com alguém, ok?" 



Tanya pegou o cartão e dobrou bem antes de colocar dentro do sutiã. "Provavelmente você é a pessoa mais legal que já conheci," murmurou. 



Apertei seu ombro. "Eu tento," disse antes de apagar o cigarro no peitoral da janela.  "Se precisar fugir hoje, só me peça ajuda para ir até o banheiro. Podemos fazer todo um lance de noiva em fuga," brinquei. 



Isso tirou mais uma risada dela, bem a tempo de sua mãe aparecer no quarto. "Pra que tanta demora? Rápido, o casamento começa em quinze minutos, e eu não quero que você chore e fique com a cara toda inchada e borrada!" Resmungou.



A felicidade de Tanya sumiu repentinamente e me deu mais um olhar triste antes de sair com sua mãe. 



A cerimonia seria muito mais bonita se eu não soubesse do segredinho sujo por debaixo dos panos. Tanya não sorriu nenhuma vez. Acho que nem uma madrinha sequer era amiga dela de verdade, ou pelo menos não uma amiga de verdade. Quando o padre disse 'pode beijar a noiva', Tanya deixou escapar uma lágrima quando Marcel se inclinou para beijá-la. 



Considerei seriamente em chamar a polícia, mas o que fariam? Tanya provavelmente ficaria com medo e diria que não tinha nada de errado, e por nao ser menor de idade, não poderiam classificar Marcel como um pedófilo ou o padrasto como um traficante de crianças. Mas isso não tornava a situação menos bosta. Tudo que estava ao meu alcance era tirar fotos do pior dia da vida de Tanya.



Na recepção meu calvário foi Carol constantemente enchendo meu saco sobre que tipo de foto tirar, ou de que angulo pegar as imagens e tudo que eu queria era pegá-la pelos cabelos, mas notei algo diferente na primeira dança dos noivos. 



Tanya no começo estava dura como uma tábua, relutante até de tocar Marcel, mas ele se inclinou e sussurrou algo em seu ouvido. Todo seu comportamento mudou em um passe de mágica e pude até ler seus lábios - 'sério?' - e Marcel assentindo. Foi ali que consegui tirar a primeira foto de Tanya sorrindo desde que disse 'Sim'. No final da dança, ela já estava gostando da coisa, recostando a cabeça no peito dele ao som de 'A Thousand Years.' 



Foi da água para o vinho, Tanya agora era uma das noivas mais felizes, e arrisco a dizer que mais afetuosa que eu já vira. Até se inclinou para beijá-lo no rosto quando se sentaram, algo que pegou até Marcel de surpresa pelo jeito que corou. 



Comecei até questionar se Marcel tinha colocado algo na bebida dela para agir de uma forma tão feliz quando Carol começou a me incomodar de novo perguntando se eu sabia onde estava seu marido. Era do tipo de mãe que esquecia que aquele era o casamento da filha e não o próprio, e queria fotos dele com o 'Haaaarold'. Para que me deixasse em paz, falei que iria procurá-lo. Ele tinha ido com tudo no open bar naquela noite, então supus que devia estar no banheiro ou vomitando, ou traindo a esposa. Só podia ser ou um ou outro.



Quando cheguei perto do banheiro masculino, ouvi algo que soava como gargarejos e sons úmidos nojentos. Ew, eu sei, mas fiquei feliz na esperança de arruinar o dia daquela vadia se o marido dela realmente estivesse a traindo, então abri a porta do banheiro com a câmera pronta para fotografar. 



Fiz contato visual com Harold. 



Ou melhor, fiz contato visual com a cabeça de Harold. 



Estava em cima da pia, a expressão contorcida em absoluto terror. O cômodo estava coberto de sangue, partes do corpo desmembradas pelo chão. Enquanto isso, Marcel tinha tirado seu terno e estava no momento engolindo o braço de Harold. Inteiro. 



Agora eu estava achando que quem tinha tomado champanhe batizada era eu. Humanos não conseguem abrir suas mandíbulas daquele jeito, cada segundo o braço de Harold descendo mais fundo na garganta de Marcel. Vi as pontas dos dedos do velho desaparecerem como um gesto de adeus final... e então deixei minha câmera cair. 



Sim, ouvi algo quebrando, não, eu não liguei. Eu tinha acabado de ver o noivo comendo o pai da noiva. Literalmente. A cabeça de Marcel se levantou e seus olhos, antes eram cinzas pálidos, mas agora estavam manchados de marrom e vermelho com pupilas cortadas. Fiquei sem conseguir me mover com aqueles olhos presos em mim. 



"Ah, eu sinto muitíssimo, um momento, por favor." 



Marcel se virou para a pia que estava livre da cabeça do homem e vomitou, o som de coisas batendo contra a porcelana soou, e então ele pegou seja lá o que fosse e começou a lavá-los. Com um pigarro constrangido, andou até mim e me puxou para dentro do banheiro. 



Achei que era meu momento de partir, mas ao invés disso, Marcel colocou vários diamantes na palma da minha mão. "Pela câmera, não quis te assustar." 



"Ahan..." consegui murmurar enquanto observava minha mão cheia de diamantes. Aquilo pagaria por muito mais que minha camera. "Porque você-"



"Devorei Harold? Ah, faz anos que eu queria fazer isso," Marcel riu enquanto pegava alguns papéis toalha para limpar o queixo, como se isso eliminasse o fato que todo seu corpo nu estivesse coberto de sangue na minha frente. "Pessoas horríveis tem um gosto maravilhoso. Você deve ter um péssimo gosto. Seria como engolir pregos. Entretanto, um homem que oferece sua filha como um cordeiro de sacrifício para algo que ele sabe que devora humanos, ah, sim, ele tem o gosto melhor do que o mais caro dos cortes de açougue do mundo, assado e temperado no ponto perfeito." 



Jesus Cristo, aquela situação horrível tinha acabado de subir mil níveis na escada de fodido. "Pera aí, ele realmente-"



"Ah, sim." Marcel riu, "E faria de novo, só pelo fato de saber o que meu estômago faz quando processa ossos humanos."



Olhei para os diamantes de novo. "... Então você não vai machucar Tanya?" Perguntei. 



Marcel sacudiu sua cabeça vigorosamente em negação. "Meu Deus, não! Eu ficava atrasando o casamento na esperança que ela conseguisse sair dessa situação, mas acho que Harold estava começando a ficar entediado com meu pé frio. Existem muitas outras pessoas que pagariam uma boa quantia para ficar com ela, mesmo que meu pagamento fosse o triplo de qualquer oferta." 



Deus, eu estava começando a sentir tonturas. Ali estava eu, falando com um devorador de humanos. Olhei para a porta e uma ideia horrível passou pela minha cabeça. Um que ajudaria Marcel e Tanya. "... E se eu falasse para Carol ir encontrar seu marido no banheiro masculino?" Perguntei. 



Marcel pareceu intrigado por um segundo mas pegou rápido. Assentindo, pegou a cabeça e jogou em um dos box do banheiro. Ouvi o barulho de água da privada respingando e quase comecei a rir, eu devia estar em um processo de histeria. "Pode ir, ficarei no aguardo," disse enquanto chutava outros membros longe da vista. 



Eu tinha quase saindo quando não me contive e perguntei.



"O que diabos você é?"

Marcel inclinou a cabeça para o lado antes de mudar, apenas por um segundo. Em um momento era um homem ensopado de sangue, absolutamente horrível, mas normal, no outro era uma cobra... mais ou menos. Seu corpo tinha sumido, substituído pelo corpo de uma anaconda, mas sua cabeça ainda era a mesma, menos o movimento de uma língua fina e bifurcada da boca. Então voltou ao 'normal'. Ele respondeu com um encolher de ombros.



"Por mais engraçado que seja, eu esperava que você me dissesse. Eu não faço ideia." 



Sai do banheiro e esbarrei em Carol quase que imediatamente no corredor. "Bem, onde ele está?" Exigiu saber. 



Apenas apontei com o dedão em direção do banheiro. "Acho que ele não está se sentindo bem," disse antes de quase ser derrubada por aquela vadia mal humorada. 



Fiquei assistindo o suficiente para vê-la abrindo a porta, uma cauda escamosa se envolver em seu braço e puxá-la para dentro do cômodo. Voltei para o casamento. 



O problema pareceu se resolver sozinho naquela noite. Marcel voltou, havia trancado o banheiro masculino depois de alguém passar muito mal lá dentro. Tanya não precisava mais se comportar de certa forma para agradar sua mãe e acho que aproveitou bem sua noite. Usei minha câmera reserva para tirar várias fotos dela sorrindo. Carol e Harold desapareceram do nada, nunca mais ouviram falar ou viram o casal. E aqueles diamantes pagaram por uma câmera muito boa. 



Como eu disse, com toda certeza não esqueci aquele casamento, mas o que me fez compartilhar essa história foi quando recebi um convite de amizade de Tanya no Facebook. Geralmente não aceito ex-clientes no meu perfil pessoas, mas nesse caso resolvi fazer uma exceção. Ela parece muito melhor agora, está fazendo faculdade, faz esculturas e pinta quadros, regularmente participa como voluntária no abrigo de mulheres que tinha a direcionado quando nos conhecemos, e toda sexta-feita participa de encontro de amigos em um bar Arcade local com alguns dos amigos de Marcel que também viraram seus amigos. Aparentemente Marcel é ótimo em jogos de dança, mas péssimo em jogos de tiro. 



A foto mais recente em seu perfil era dela e Marcel abraçados. Ela segurava uma ecografia obstétrica.