24/03/2017

Creepypasta dos Fãs: Rotina

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6:45 – O relógio desperta. Estou soando. Mais uma noite péssima. Checo meu celular, talvez alguma boa mensagem fará com que meu dia não seja tão mal. A quem estou enganando? Nenhuma mensagem. Mais um dia. Fazer roupa de cama, alimentar os gatos, trocar areia. Tomar banho. Ir ao trabalho.

7:15 – Ponto de ônibus, não tomei café da manhã, droga. Eu odeio esse trabalho. Está quente hoje e o ônibus demora. Sinto tontura. Checo o celular.
Pessoas passam por mim, desejo um bom dia. Nem todas respondem. Não me importo.

9:10 – Atrasado pro trabalho. Ter de cumprimentar pessoas, sorrir e aparentar bom humor. Me pergunto se elas são felizes ou estão fazendo o mesmo teatro que eu. Não importa.

9:30 – Termino de abrir e limpar a loja. É um local pequeno. Já já aparece o primeiro cliente. Ouço sarcasmo vindo do patrão e outros colegas em relação a mim. Sorrio, ignoro.

9:47 – Primeiro cliente. Sorri e desejei um bom dia. Esperou que eu dissesse cada um dos produtos, levou a coisa mais barata.

9:48 – Checo meu celular. Nada, ninguém se importa. Não importa. O dia continua a ficar mais quente. Há moscas aqui. De hora em hora, ouço críticas ao meu respeito. Fico calado. Eu os odeio.

18:45 – A caminho de casa, um alívio. Mas por que um alívio? Tenho algum plano pra hoje? Não. Apenas chegar em casa. É o ponto alto do dia. Estou nervoso. Escolho ir andando pra casa e me acalmar no caminho.

18:52 – É engraçado como eu torço pra que algo aconteça. Qualquer coisa, um suspiro de emoção. Eu poderia ser assaltado agora e reagir. Eu poderia levar um tiro e morrer. Eu poderia fazer com que um carro sofresse um acidente andando alguns metros pra direção da pista. Nesse momento, eu sinto poder de mudar meu destino. É errado pensar assim? Eu não sei, me sinto mais calmo. Ainda é o ponto alto do dia.

19:13 - Chego em casa. Sinto o cheiro de fezes de gato desde a escada. Mas finalmente estou em casa e estou aliviado por isso. Por que estou aliviado? Entro em casa, coloco comida pros gatos. Eu estou desesperado, mas continuo. Troco a areia. Tomo meu banho. Como algo. Eu quero que isso acabe.

20:30 – Sento em frente ao meu computador. Meu quarto está uma bagunça. Não me importo, gostaria que o prédio inteiro desabasse. É meu momento de escapismo durante o dia. Alguém falou comigo? Não. Esqueço que estou sozinho ou torço por milagres? Patético.

20:40 – Vou até o travesseiro, coloco meu rosto nele e grito, grito o mais alto e forte que consigo, até que minha garganta doa. Me sinto menos mal. Volto pro computador. Eu quero morrer.

01:30 - Finalmente atingi o ponto em que estou cansado demais pra pensar ou fazer algo ruim a mim mesmo. Me pergunto até quando eu vou aguentar isso. Não importa, vou dormir. O relógio desperta às 6:45 e eu gostaria de não acordar.


6:45 – O relógio desperta e eu acordo. 

Autor: R
Revisão: Gabriela Prado


Creepypasta dos Fãs: Eu vejo você

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Medo. Gritos. Por que é que eles sempre gritam? Na maioria dos filmes de terror, o personagem babaca se vê perto do "monstro" e então grita "Tem alguém aí?", como se já não soubesse que está prestes a se encontrar com seu assassino. Por que eles representam assim? Todo mundo sabe que é idiota, e não faz o menor sentido. 

No mundo real, isso não passa de uma grande utopia. Quando eu era mais nova, eu via coisas. Acordava todos os dias às três da manhã gritando por minha mãe, e quando ela aparecia, me salvava dos monstros que me perseguiam mesmo depois de acordar dos pesadelos. Todo santo dia. 

Eu culpo a casa. Desde que nos mudamos daquela casa, eu não tive mais pesadelos diários, aquilo passou. Foi um grande alívio para mim e, é claro, para minha mãe.  Mas eu ainda via coisas. Eu ainda vejo. 
Não é nada tão horrível assim, apenas uma figura feminina no final do corredor com longos cabelos pretos, pele pálida e um vestido branco. Se assemelha muito a maioria dos filmes de terror, e eu nem sei por quê. Só assisti dois em toda a minha vida, e um deles era sobre a Bloody Mary; quando eu tinha uns quatro anos, entrei no quarto onde minha irmã e meus primos estavam assistindo — eles amavam filmes de terror — e vi uma cena em que ela aparece no espelho após ser chamada. Fiquei extremamente perturbada, e sequer fui capaz de me olhar no espelho por meses. 
Até hoje eu tenho um certo receio de espelhos, mas digamos que isso passou. Essa mulher que aparece pra mim, eu não sei o que ela quer. Ela é a única que ainda permanece aqui. Eu a vejo pelo canto do olho quando estou deitada no sofá atenta ao celular, então eu meio que coloco o aparelho na frente do corredor e não a vejo mais. Quando eu tento olhar pra ela, ela some. 
Às vezes eu vejo uma criança idêntica a ela, que corria para o banheiro quando eu a olhava. Mas essa mulher está aqui, todas as noites. 
Uns anos atrás eu a temia mais do que tudo. Quando ia dormir, desligava a TV da sala e ia correndo até o quarto, atravessando o corredor o mais rápido que podia. Eu nunca a vi se não pelo canto do olho enquanto estou mexendo no celular, mas não era necessário vê-la. Eu a sentia. 
Enquanto eu corria, era como se uma respiração fria dançasse pela minha nuca. Era o suficiente para o meu corpo todo arrepiar. Quantas vezes atravessando aquele corredor eu senti alguém atrás de mim, ouvi passos... E quando tinha coragem para virar, lá estava: o grande nada. Gostaria de saber o que ela é, o que ela quer e por que ela não me deixa. Mas ela está aqui há tanto tempo, que eu já nem me incomodo mais. Eu apenas a ignoro com aquele esquema de colocar o celular tapando a visão do corredor. É bem simples. 

Por que as pessoas têm tanto medo? Ela nunca me fez nada. Os outros fizeram, eles me traumatizaram; mas sumiram. Já ela, apenas me assusta algumas vezes.  Não é tão grave assim. Ela sumiu. Eu posso ouvir a sua respiração pesada, o som de cada passo; mas ela não está mais aqui. 
Ainda sim, quando eu fecho os olhos, tudo o que eu ouço são gritos implorando por misericórdia, enquanto roda na minha mente a imagem dos cartazes pendurados nos postes, tão claros quanto sua pele jamais foi. 


Paira sobre mim uma lembrança não tão recente daquele pequeno corpo ferido sendo arrastado para o meu banheiro. E os gritos agonizantes soando como estacas furando a minha cabeça,  qualquer som que emitia me incentivava a rasgá-la cada vez mais. Eu vejo o sangue escorrendo pelo seu delicado vestido branco, seu cabelo completamente emaranhado, seus olhos piedosos
e seu choro sem fim. Eu sinto o toque de suas mãos tentando lutar, sua voz perdendo a força, seus olhos congelando, seu corpo sem reação.... Uma linda garotinha. Então eu abro os olhos e, finalmente, eu entendo porque ela sumiu. 
Ela sabia que não era o único monstro aqui. 

Autor: Mariana Marques
Revisão: Gabriela Prado


22/03/2017

Compilação de Falhas no Matrix 6 (3ª Edição Brasil)




Uma falha no Matrix é uma experiência que prova que há algo de errado no mundo ou em algum “lugar” do seu cérebro.  Aqui está o terceiro (talvez o último, talvez não) compilado de pequenas histórias ditas reais.

Nesta terceira edição Brasil, estou trazendo algumas falhas que aconteceram exclusivamente com pessoas Brasileiras! Todas eu peguei dos nossos maravilhosos leitores que se disponibilizaram a comentar nos outros posts de Falha no Matrix. Todos os nomes serão editados para preservar a privacidade de seus autores. Alguns relatos terão algumas edições na escrita, gramática e para não ficarem tão longas.

Espero que gostem!
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Há um tempo atrás enquanto eu estava esperando meus pais chegarem em casa e acabei dormindo deitado na cama de casal deles. Tenho certeza de ter olhado as horas, eram 22:16 quando eu desliguei meu Video Game. Acordei dentro do banheiro, no chuveiro ligado, usando roupas. Quando saí de lá, me sequei e coloquei roupas novas, o relógio marcava 21:30.

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Há cerca de um mês, eu estava lendo alguma coisa no meu celular e decidi ir me deitar na cama. O quarto estava todo escuro, mas a preguiça fez com que eu me jogasse na cama sem nem ao menos ligar a luz. Quando me atirei, estava com o celular na mão, mas quando “aterrissei” na cama, não estava na minha mão ou em nenhum lugar em minha volta. Liguei a luz e encontrei ele do lado da TV, na minha estante.

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Um caso não muito recente (cerca de três anos atrás) foi uma das situações que mais me deram dor de cabeça. Lembro que era um período de férias e a nossa família (quatro pessoas) estavam em casa. Por volta das sete e meia da manhã, minha mãe abriu a porta do quarto e perguntou para mim e para minha irmã se queríamos leite quente paro café. Respondemos que sim, sentando na cama. Ela disse que iria sair para comprar pão e que chamaria a gente quando o café estivesse pronto. Acordei quase 10h da manhã, com ela gritando e perguntando quem tinha deixado o fogão ligado, enquanto todo mundo ainda estava dormindo. Expliquei para ela que ela mesmo tinha vindo perguntar quem queria leite quente, e minha irmã confirmou. Mas minha mãe negou qualquer coisa, dizendo que havia acordada apenas agora, com o cheiro de queimado. Meu pai também afirmou que ela não tinha saído da cama até o momento.

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Eu estava sentada no sofá, mexendo no celular, quando vi minha prima entrando no meu quarto (que é uma suíte), acho que para tomar banho. Tudo bem, até porque ela estava dormindo num colchão perto da minha cama, como sempre. Então eu apenas voltei a fazer o que eu estava fazendo no celular. Depois de alguns pouquíssimos minutos, acho que nem cinco havia passado, eu vejo ela atravessando a minha frente como se ela nem tivesse entrado no quarto. Não me convenci quando disse que não tinha entrado no quarto e nem passado por mim. E mesmo que ela esteja mentindo, eu teria com certeza visto ela passar. Mesmo olhando para o celular, eu teria visto por cima do olho.

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Esses dias algo tenso aconteceu comigo e minha irmã. Vivo tendo pesadelos com um dos porões que tem na minha casa, sempre sonho que tem algo escondido ou "adormecido" lá, então na semana passada sonhei que estava lá dentro quando vi umas criaturas meio estranhas com olhos brilhantes. Não lembro tudo que aconteceu do sonho, sei que foi ruim e que agradeci ao acordar por ser só mais um pesadelo. No mesmo dia eu estava mexendo no PC quando minha irmã me disse que tinha tido um pesadelo com o porão. Já fiquei assustada e perguntei como tinha sido o sonho. Ela disse que havia sonhado que estava lá dentro e que tinha uma criatura bizarra que andava para trás e que havia mordido a cintura dela, na mesma hora ela acordou sentindo uma dor na cintura. Eu contei que também havia sonhado naquela mesma noite com o mesmo porão e ela ficou surpresa, aí eu disse que vivia sonhando com o porão e ela disse que também, e que sempre sentiu que tinha algo adormecido lá. Será que a coisa acordou?

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Eu estava no quarto da minha avó, não me lembro o porquê de ter estado lá, mas sabia que tinha que pegar algo. Era de tarde, então me aproximei da estante que ficava perto da cama e vi ali uma moeda de 25 centavos, mas o estranho era que é a forma como o número 5 estava, ele estava virado como se estivesse em um espelho. Quando contei para minha tia ela me disse que o 5 normalmente fica na forma que já conhecemos e me garantiu que eu imaginei coisas, e eu até tentei provar, mas quem disse que achei a moeda? À noite, não sei se foi no mesmo dia, na estante ao lado da televisão tinha outra moeda, acredito que era de 50 centavos e novamente o cinco estava daquela forma ao contrário, mas já sabendo que ninguém acreditaria em mim eu deixei para lá.

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Eu estava no quintal, minha mãe estava pedindo para que eu entrasse em casa mas eu não queria tomar banho pra poder brincar mais, foi nesse instante que peguei uma folha com três ramificações que sempre crescia por ali no meu pátio e desejei mentalmente "espero que minha mãe não me encontre", o estranho é: eu estava do lado dela e um pouquinho mais para frente, mas a minha mãe sequer olhava pra onde eu estava e dizia que se eu não aparecesse ia me bater, ela sequer moveu a cabeça na minha direção. Fiquei super desconfiada e resolvi "aparecer" e disse “estou aqui" e ela me viu.

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À noite, eu estava fazendo nebulização no quarto com o meu pai e a minha mãe, e sem motivo aparente meus pais ficaram como estátua, não como uma pedra fisicamente, mas eles ficaram meio que congelados, parados no tempo. Só o que eu conseguia ouvir era a máquina de nebulização que continuava a fazer o seu trabalho. Eu fiquei assustada e confusa, olhei para o meu pai e depois para a minha mãe pedindo mentalmente que parassem de brincar pois estava me assustando, mas pedir mentalmente parecia ser inútil. Não sei por quanto tempo isso durou, para mim foi uma eternidade muito incomoda. Eu parecia ser a única que não fora afetada por essa situação de ficar paralisada e tudo mais. Mas felizmente eles voltaram a se mover como se nada tivesse acontecido, e eu fiquei apenas com uma expressão apavorada e aliviada por aquilo ter acabado.

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Estava eu e minha mãe, segundo ela mesma porque eu era muito pequena para me lembrar, sozinhas na casa de aluguel e não sei se estava de dia ou a noite, mas acredito que meu pai estava no trabalho. Minha mãe estava assistindo TV em pé e de costas para uma janela e uma porta que ficavam lado a lado e eu estava no colo dela e de costas. Segundo ela, eu estava muito animada, risonha e inquieta sabe, subindo pela barriga dela toda empolgada. Minha mãe ficou "o que foi querida? Calma!" Dizia isso enquanto assistia TV e tentava me acalmar, mas não adiantou muito porque eu continuei, até que ela resolveu saber o motivo do porque eu estar assim. Quando ela se virou havia uma sombra preta em forma humana brincando daquela típica brincadeira, acho que era um "cadê o bebe, achou" porque ele se apoiava na divisória da janela com a porta e ficava fazendo um movimento da esquerda para a direita toda hora, e eu apenas ria. Minha mãe quase teve um treco e só o que ela fez, saiu correndo comigo no colo até a casa da minha avó.

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Vou contar uma coisa que aconteceu comigo quando era pequena. Uma vez, estava sem nada para fazer então decidi ficar olhando diretamente para o espelho para ver se acontecia alguma coisa. Após alguns segundos comecei a me perguntar se aquilo que eu estava vendo era realmente real, se eu não era um fruto da imaginação de alguém, que não verdade eu não existia e etc. Após isso comecei a sentir uma sensação muito estranha, minha visão ficou desfocada, e eu não sentia nada. Era como se não estivesse ali, eu tocava o meu rosto e não o sentia. Parecia que eu tinha saído do meu corpo e agora estava me vendo, olhando no espelho, e tinha algo me controlando. Fiquei muito assustada mas consegui sair daquilo e nunca mais tentei. Minha avó, que estava num local próximo disse que eu fiquei uma hora olhando para o espelho, sem me mexer, mas para mim pareceu poucos segundos. Nunca mais tentei, mas tenho curiosidade para saber até onde vai. Até hoje me pergunto, eu existo? Ou sou uma mera ilusão?

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Eu tenho sérios problemas com sonhos. Passei um tempo viciado em sonhos lúcidos e uma época os tinha sempre. Certa vez já tinha tomado consciência do sonho, mas tudo se passou de maneira tão real que me convenci de que era (sério, a passagem de tempo, os acontecimentos eram todos muito convincentes) acho que no sonho passou uns cinco anos. Mas tudo era muito real. Quando acordei foi muito esquisito demorei um tempo para me acostumar.

E outra vez eu tive cinco camadas de sonhos. Cada uma delas mais bizarra e estranha. O esquisito é que em todas eu sabia que estava sonhando, mas sempre que fazia algo para acordar, só acordava em outro sonho. Foi tão angustiante que quando realmente acordei passei o dia inteiro tentando me convencer de que era realidade.

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Fui em um cyber jogar videogame de tarde. Depois fui para casa. No dia seguinte peguei o ônibus para visitar o meu pai. Quando passei na frente do mesmo cyber, lá estava alguém muito parecido comigo, no mesmo lugar que eu estava e usando a mesma roupa que eu estava no dia anterior. E eu acho que a hora em que eu passei lá foi a mesma.



21/03/2017

Papai, tive um pesadelo

 - Papai, tive um pesadelo.
Você pisca os olhos e levanta os seus cotovelos. Seu relógio pisca uma luz vermelha no escuro – são 3:23 da manhã.
 - Você quer se deitar na cama e me contar mais sobre esse pesadelo?
 - Não, papai.
A estranheza da situação te acorda mais rapidamente. Você quase não consegue distinguir a forma empalidecida de sua filha no escuro de seu quarto.
 - Por que não, querida?
 - Por que no meu sonho, quando te contei sobre o sonho, a coisa que vestia a pele da mamãe se sentava.

Por um momento, você fica paralisado; você não consegue tirar os olhos de sua filha. Então, as cobertas atrás de você começam a se mexer...

Nota: Como a creepy original não tinha título, coloquei a primeira frase da história como título.



20/03/2017

Raizes da Mudança



19 de Novembro de 2016

As luzes no céu eram uma distração. Nós devíamos ter olhado para baixo. 

20 de Novembro de 2016

Em questão de dias, os seguintes termos terão significado para todos no mundo:

Aquilo que cresce em nossos calcanhares.

Aquilo que sente o gosto de nossa pele.

Aquilo que enche os nossos poros.

O que esvazia.

21 de Novembro de 2016

Laura está morta. Gus está morto. Mohammad está morto. Nes também. 


22 de Novembro de 2016

Aonde alguém pode ir quando todos os lugares são uma armadilha esperando para ser armada? Sinto como se eu estivesse andando por um campo eterno de minas terrestres, onde casa passo tem o potencial de ser o meu último. Todos estão olhando para os céus com esperança em seus olhares. Todos irão morrer. 

23 de Novembro de 2016

Nós não devíamos ter procurado por eles. 


24 de Novembro de 2016

Roger está morto. Ele está aqui em minha frente de pé. 


25 de Novembro de 2016

Aquilo que cresce dos calcanhares de Roger já chegou aos tornozelos e coxas. Seu pescoço ainda está voltado para o céu e seu sorriso ainda está em seu rosto. Sua mascara de morte é de esperança e surpresa. Seu corpo está sendo digerido enquanto de pé. 


26 de Novembro de 2016

O último do nosso grupo recebeu uma mensagem do outro lado da base. Todos ainda estão em silêncio. Eu me recuso. Mesmo que eu esteja morto quando isso for publicado, as pessoas ainda poderão dizer que receberam algum aviso. 

Talvez seja tarde demais. 


27 de Novembro de 2016

Dr. Franklin está morto. Foi levado enquanto estava no chuveiro. Fui chamado para verificar a causa de sua morte, como se fosse possível ser alguma outra coisa além do óbvio. Ele estava enraizado ao chão e continuavam a crescer pelo piso. Enquanto assistia, seus tendões de aquiles romperam e caíram por cima de seus calcanhares. Ele não caiu. O crescimento parece estar mais rápido agora. Suas pequenas línguas se remexem pela pele dele. 

28 de Novembro de 2016

Laura, Gus, Mohammad, e Nes começaram a sofrer da fase dois. Seus poros estão se esticando. Os caules estão começando a sair para fora. Podemos ver as entidades movendo por seus corpos. A quantidade de pressão que a pele humana consegue suportar é um mistério. Espero morrer antes de descobrir. 

Mohammad se conectou com Gus. Laura e Nes estão crescendo longe do grupo. Gaivotas estão morrendo. 

29 de Novembro de 2016

Roger se conectou com Dr. Franklin através de um espaço de 230 metros. Aparentemente não existe material forte o suficiente nesse planeta para bloquear a conexão depois que já se iniciou. 

Ambos Roger e Franklin entraram na fase dois, muito mais rápido que os outros. 

30 de Novembro de 2016

As erupções do solo estão alcançando os céus para capturar pássaros. Começou com alguns na vizinhança do grupo de Laura/Gus/Mohammad/Nes, mas espalhou pela ilha inteira. O ponto de ruptura mais alto parece ser de mais de um quilometro. 

1º de Dezembro de 2016

Uma de nossas embarcações descobriu uma baleia azul a 15 metros d a superfície. O animal estava enraizado. Outras investigações mostraram que uma faixa de 600 metros abaixo da baleia também tinha raízes. Alguns dos afetados atingiram a fase três.


02 de Dezembro de 2016

Todos os mortos na ilha entraram na fase três. As entidades estão esvaziando os poros e transformando o solo abaixo. Os pássaros que tinham sido enraizados durante voo estão chovendo a substância no chão e na água abaixo. A nova biologia está começando a tomar conta. Está ficando mais difícil de respirar.


03 de Dezembro de 2016

O primeiro relatório de enraizamento no continente chegou durante a noite. Não há mais nada a fazer senão esperar. Se as luzes te satisfazerem, apenas continue assistindo-as. Apenas aproveite o momento pelo tempo que puder. Eu sinto muito.
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Escito por/ Written by UnsettlingStories.com


17/03/2017

Creepypasta dos Fãs: Culpa

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Acho o ser humano uma coisa extremamente engraçada.. Mais pro modo “rir pra não chorar” do que pro modo “cômico”. Acho patético o jeito como reprimem seus desejos e suas vontades em nome do “bem maior”, mas quando desmoronam e acabam sucumbindo, eles culpam a mim. Sim, você sabe bem quem sou eu, você finge que eu não tenho poder sobre você, finge que eu sou fraco quando, na verdade, eu te tenho na palma da minha mão.  

Acho ridículo como pregam nas igrejas que “a culpa daquele pobre homem ter matado a esposa e os dois filhos foi do demônio, o demônio estava dentro do corpo do homem”. HAHAHAHAHAHAHA, ISSO É RIDÍCULO! Eu não coloquei a arma na mão dele e fiz com que ele puxasse o gatilho, estourando os miolos daquela mulher e daquela pobre criança loira de olhos claros que brincava com seu urso de pelúcia. Ele QUIS fazer aquilo por livre e espontânea vontade.

Eu digo isso porque eu conheço as suas mais profundas emoções, aquelas mais obscuras que você deseja não sentir, mas sente. Você é fraco e você se agarra em sua religião porque sabe que se não se agarrar em algo, aquelas emoções tão obscuras que você pede a deus para afastar, irão se preencher e acabar sobressaindo-se. Eu sou mal compreendido e sempre foi assim. Já parou pra pensar por que eu fui expulso? Por que fui lançado igual a escória de lá de cima? Por que eu vim parar no meio de seres tão asquerosos e patéticos que não tem coragem de admitir suas próprias vontades? Seres que mentem, roubam, matam, se destroem....

EU VIM PARAR AQUI POR CAUSA DE VOCÊS! PORQUE EU AMAVA DEMAIS MEU PAI E NÃO QUERIA DIVIDIR MEU AMOR COM VOCÊS, EU AVISEI DESDE O COMEÇO QUE VOCES SÓ TRARIAM DESGRAÇA, MAS ELE DISSE “NÃO, ELES TRARÃO AMOR, PAZ, SOCIEDADE, SERÃO O FUTURO MAIS GLORIOSO QUE UM PAI PODERIA QUERER”. HAHAHAHAHAHA ISSO É UMA PIADA! Será que ele já fugiu de vergonha da desgraça que ele criou? Ele tinha se orgulhado tanto do mundo que havia criado, do quão lindo e perfeito era... Será que ele ainda se orgulha de ter populado esse mundo com vermes tão nojentos como vocês?
Sabe, eu acredito que ele tenha fugido de vergonha, mas eu estou aqui, observando tudo, sentindo tudo, me deliciando com a hipocrisia de vocês. Eu nunca matei ninguém, tampouco coloquei a arma não mão de alguém para que assim o fizesse. Nunca coloquei a cocaína nas narinas daquele pobre viciado, nem nunca coloquei mulher alguma na frente do homem casado para que se deitassem ou vice e versa. O desejo já existia dentro de cada um de vocês.


Foi como no inicio dos tempos, no jardim. Eu nunca coloquei a maça na boca de Eva para que a provasse, eu apenas dei alternativas. A vontade partiu de seu interior, e ela gostou tanto do que sentiu que fez com que seu parceiro Adão a provasse também. 

O que eu faço é sentar e assistir. Eu assisto enquanto aquela esposa trai o marido, assisto enquanto aquele marido descobre e enfia uma bala na cabeça daquela esposa. Assisto enquanto o filho desse pobre casal cresce sem mãe e com um pai na cadeia, assisto enquanto cresce com ódio, enquanto seu ódio o domina por dentro... 

Eu estou lá apenas observando e mostrando os caminhos. Ele sempre teve e sempre terá o livre arbítrio. Eu assisto enquanto ele pratica a violência devido ao ódio pelos acontecimentos de sua infância, enquanto ele mata, rouba, estupra, se droga e quando ele finalmente chega ao fundo do poço sem esperança ou perspectiva de vida... E aí eu decido levantar e estender-lhe a mão para leva-lo a um lugar maravilhoso. E eu prometo, eu farei isso com cada um de vocês.

Autor: Caíque Franco
Revisão: Gabriela Prado


Creepypasta dos Fãs: Olá

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Olá! Eu sou o Mike, Mike Smith. E bom, eu morri. Morri há um ano e meio, e para ser sincero, eu nem lembro o motivo, mas lembro da vida que eu tinha. Minha vida era basicamente acordar cedo todos os dias e tomar um leite quente, acariciar o meu gato, ainda usando minhas pantufas, e ligar para a minha mãe, que era de outra cidade. Eu amava a voz dela, era tão, tão, tão doce! Eu amava seus cabelos ruivos e, quando pequeno, amava acaricia-los.

Sabe, pelo menos aqui onde eu "vivo" agora, eu não posso ver o sofrimento cujo ela passa com minha morte, já que eu era seu único filho. E pra ser sincero, eu nem conseguiria, me daria náuseas. Mas como todos os lugares, sempre há os pontos negativos, e os daqui com certeza são o calor do fogo contra minha pele, os gritos aterrorizantes e agonizantes e as criaturas grotescas que aqui habitam. 

De uma coisa eu sei: Aqui não é o céu.

Autor: Mary Dixon
Revisão: Gabriela Prado