25/05/2017

Eu era Bulimica

ATENÇÃO : ESSA CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. GATILHOS SOBRE TRANSTORNOS/DISTÚRBIOS ALIMENTARES, PROBLEMAS DE AUTO IMAGEM, DEPRESSÃO E ABUSO INFANTIL. LEIA COM RESPONSABILIDADE.

Muitas mulheres, e homens, tem problemas com distúrbios alimentares. Infelizmente, eu era uma delas. Enquanto criança, eu sempre gordinha. Eu era a menina que, todos os anos no dia da avaliação em Educação Física, pesava mais do que as outras. A garota que tem apenas umas raras fotos do começo da adolescência, pois passava a maior parte do tempo escondendo meu corpo, odiando meu corpo. Meu maior obstáculo era meu amor pela comida - perder peso era impossível, pois não conseguia parar de comer. Comida me fazia feliz, comida me fazia esquecer. Eu não conseguia e desprender dela. Então quando entrei para o ensino médio, me comprometi. Enfiei uma escova na garganta e nunca mais olhei para trás.

Naquele ano, o patinho feito virou o cisne. Naquele ano perdi mais de 20 quilos, e uma parte de mim também. De repente, eu era a amiga gostosa. Todas queriam saber como eu havia feito. "Dieta e exercícios!" eu dizia com uma risadinha nervosa. Ninguém questionava minhas idas frequentes ao banheiro ou como me mantinha tão magra mesmo me empanturrando de comida todos os dias. Eu era linda e era depressiva. Não importava que me sentia miserável, vomitando duas vezes por dia, ou que minha mente estava colapsando junto do meu corpo. Bulimia era minha melhor amiga. 

E então minha irmã desapareceu. Ela estava na quarta série, mas era minha melhor amiga. Eu a protegia do mundo, e de retorno ela me dava razões para viver. Em uma noite, estávamos no sofá assistindo juntas um novo episódio de Hannah Montana. Estávamos nos deliciando em um pão de banana com nozes maravilhoso que mamãe tinha feito - era o nosso favorito. Lembro dela me encarando com seus olhos azuis enormes, enquanto eu devorava a quarta fatia, "Sissy, podemos pintar as unhas?" Eu sabia que quando eu enfiasse o dedo na garganta o gosto do esmalte seria terrível, mas falei que sim do mesmo jeito. Por ela. Então pegamos um esmalte cor-de-rosa vibrante, porque "Somos princesas, Sissy!", e pintamos as unhas. 

No dia seguinte, ela havia desaparecido.

Eu não sabia como lidar com aquilo, e na semana seguinte minha bulimia tomou conta. Eu não ia mias para a escola e comia. Comia e comia e depois enfiava os dedos na garganta. 

Surpreendentemente, perdi quatro quilos em oito dias. Eu estava magra demais, e muito doente. Mas eu não ligava. Minha irmã tinha sumido. Eu não havia nada por o que viver. Para aqueles que não conhecem muito sobre vomitar, uma prática comum é o uso de comidas "marcadora", Geralmente é algo com cor chamativa, como cenouras, que você come antes de comer compulsivamente, assim quando estiver vomitando, verá a cor das cenouras e saberá que tudo já saiu. Eu estava vomitando pela quarta vez no dia, novo dias depois do desaparecimento da minha irmã, tentando desesperadamente entre as lágrimas encontrar os M&Ms coloridos que tinha comido antes de todo o resto, quando a campainha tocou. Rapidamente me ajeitei, passando um pouco de água gelada no rosto antes de ir até a porta. Com um pouco de sorte, o vizinho que estivesse vindo dar o apoio pelo desaparecimento, não sentiria o cheiro de vômito impregnado em mim.

Abri apenas uma fresta da porta, tentando esconder minha barriga horrorosa e distendida. Era um vizinho do outro lado da rua, um cara de uns 30 anos que morava sozinho. Ele me entregou um pão de banana com nozes, oferecendo suas condolências. Agradeci e rapidamente fechei a porta para que não me visse chorando aos prantos. Sentei ali no chão, segurando o pão que era o favorito de minha irmã, e chorei. E depois fiz o que fazia de melhor: comi. Comi e comi sem nem olhar para o pão, até que havia sumido. E depois fui vomitar. Deviam haver várias nozes nesse pão, pois foi doloroso. Sentia como se pequenas pedras estivessem arranhando meu esôfago. Confusa, eu olhei para o balde. Foi aí que notei algo estranho. Notei pedaços de coisinhas cor-de-rosa vibrante.

Sendo mais nojenta do que já estava sendo, eu enfiei a mão no meu próprio vomito e peguei uma das nozes com os flocos cor-de-rosa. Lavei na pia e então vomitei para valer, sem nem precisar dos meus dedos.

Na minha mão estava a ponta de um dedo com as unhas pintadas cor-de-rosa e um dente de leite. 

Liguei para a polícia histericamente, sem nem ligar se descobrissem o que eu estava fazendo. Meus pais vieram o mais rápido possível para casa, e nos abraçamos chorando enquanto assistimos o vizinho sendo levado pela polícia. Ele encontraram seu corpo enterrado no jardim - as pontas dos dedos e os dentes removidos. No outro dia eu fui levada para uma unidade de internação e reabilitação, e ele foi mandado para a prisão perpétua pelo estupro e assassinato de minha irmã. 

Agora já estou recuperada, apenas como coisas naturais que eu mesma preparo. E nunca, nunca mesmo como nada com nozes. 


23/05/2017

Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 5)

(PARTE 1) - (PARTE 2) - (PARTE 3) - (PARTE 4)

Depois de fazer uma cópia da foto, eu peguei o conteúdo da caixa que recebera e levei para a polícia. Como eu desconfiava, as digitais estavam danificadas demais para qualquer identificação. Procuram na própria caixa para tentar encontrar algum DNA, mas tinha sido muito bem limpa antes de ser entregue a mim; as únicas digitais encontradas eram dos funcionários do correio, todos foram interrogados. Falaram que deixariam a investigação em aberto, mas isso eu já tinha ouvido antes. Já tinha decidido que investigaria isso sozinho.

Falei para minha esposa que tinha que sair do estado para fazer uma pesquisa para meu atual projeto. Tenho certeza que sabia que eu estava mentindo, mas me deixou ir sem brigas. Não querendo deixar minha família sem seu principal protetor, fizemos um plano elaborado para transportar cada um de nossos filhos para lugares diferentes; minha filha foi para a casa da minha irmã em Wisconsin e meu filho para a casa dos pais de minha esposa na Califórnia. Digo que foi elaborada porque precisamos de ajuda de outras pessoas com carros iscas para cada estado e assim ter certeza que não estavam sendo seguidos. Quando senti que meus filhos estavam seguros, fiz questão de saber se minha esposa se sentia confortável em ficar sozinha em casa, mas ela assegurou que sim. Deixei nossa arma de fogo pronta e acessível para ela, só caso precisasse.

Depois de cerca de 15 horas dirigindo, cheguei na cidadezinha que abrigava o Daisy's Diner, o qual foi minha primeira parada. Estacionei no estacionamento no qual eu não visitara desde que meu carro tinha sido arrombado pela primeira vez. Era mais sujo do que me lembrava; estava coberto de vários tipos de lixo e detritos. Dessa vez, estacionei bem de frente para as grandes janelas do restaurante e a primeira pessoa que avistei foi a mesma garçonete que tinha atendido a mim e minha família, mas dessa vez eu anotei seu nome: Roberta. Haviam outras poucas pessoas no restaurante; um homem e uma mulher comendo em uma mesa e outros três homens separados comendo no balcão. Não reconheci nenhum deles. Pelo seu comportamento, deduzi que Roberta não se lembrava do nosso outro encontro. Me sentei e me perguntou o que eu queria beber. Falei que não estava ali para fazer uma refeição.

Peguei a cópia da foto da garotinha e perguntei para Roberta se, por algum milagre, fazia ideia de quem poderia ser a criança da foto. Ela observou-a pelo o que pareceu ser um longo tempo, mas acabou por me dizer que não a reconhecia.  Enquanto me devolvia a foto, um dos clientes disse em voz alta "O que diabos está acontecendo aqui?". Olhei para ele, e percebi que estava direcionando a pergunta para a rua. Me virei e vi que um homem encapuzado estava de pé do lado da porta do motorista do meu carro. Imediatamente me levantei e fui para a rua; cheguei na porta e o homem saiu correndo.

Corri atrás dele até a esquina do Daisy's Dinet e foi aí que apaguei. A última coisa que me lembro foi de uma máscara por debaixo do capuz, e alguma coisa me batendo na lateral da cabeça, me deixando inconsciente. 

Quando acordei, estava no escuro. Eu não estava amarrado ou amordaçado, mas não conseguia discernir os meus arredores. Consegui me levantar e ficar de pé e, quando fiz isso, mais ou menos 25 televisões se ligaram ao mesmo tempo. Todas estavam em estática, no último volume. Gritei "OLÁ?!" Com todo o pulmão, mas o som da minha voz sumiu entre a estática. E então, tão repentinamente que me fez pular, cada uma das telas se transformou em uma foto. Era o mesmo quarto que eu havia visto a menininha ser assassinada. O mesmo lençol branco pendurado e arrastando no chão, mas dessa vez a parte do chão estava manchada de sangue. Presumi que fosse o sangue da menina, mas não tinha como saber se ela era sua única vítima. De certa forma, eu duvidava disso.

Um homem entrou na cena, mas de costas virada para mim e permaneceu assim por todo o vídeo. Ele falava comigo em um tom muito agudo, porém bastante grave ao mesmo tempo. O melhor jeito que tenho para descrever é que falava como uma criança. Falava como uma criança animada.

"Oi, papai da Katie. Estou feliz que tenha recebido meu presente. Eu não quero fazer nenhum mal para sua filha, a grande artista, eu só quero que ela seja minha amiguinha e desenhe para mim! Eu mandei de volta os que não eram meus preferidos mas fiquei comigo os que são meus favoritos e agora são meus para sempre. Tudo que eu queria era ser amigo da Katie. Katie, Katie, Katie! Ela é uma artista tão boa! [agora falando com mais raiva] Mas você não deixa eu ser amigo dela! Você está me obrigando a te tirar do caminho, mas eu não quero fazer isso porque amigos não machucam os papai dos outros amigos! Quero ser um bom amigo, não um amigo ruim! Então vou fazer isso ficar fácil. Bem facinho mesmo. Se você deixar sua filha, a grande artista, ser minha amiga, eu vou te deixar em paz. Mas se você não for legal comigo, vou ficar muito brabo. Você promete ser bonzinho?"

Eu gaguejei "Si-sim?" Sem saber se era uma gravação ou algo ao vivo, se estava sendo assistido ou não.

Houve um momento de silêncio, então ele falou de novo, mais calmo. 

"Bom. Mas sendo que você foi um bobalhão, não vou te contar como sair daí!" Então deu uma gargalhada infantil. O vídeo parou. 

Agora novamente na escuridão total, tateei pelas paredes tentando procurar algum tipo de porta. Eu podia ver entre as frestas, entre uma TV e outra, que a sala continuava até onde eu não conseguia ver. Tentei empurrar as TVs, mas algumas eram muito antigas e pesadas, nem se moviam do lugar. Então comecei a passar as mãos pelo teto, que estava logo acima da minha cabeça, e em certo ponto algo cedeu e pude ver os raios de sol entrando pela abertura.

Trancado por nada mais que um cadeado frágil, consegui sair facilmente e logo me encontrei no meio de uma enorme floresta. Havia uma mochila perto do alçapão com todos meus pertences dentro. Peguei meu celular, que tinha o mínimo de sinal possível, mas ainda assim com um pouco, e usei sua bússola embutida depois que tentei ligar para a polícia e não consegui. Depois de caminhar por uma hora e meia para o oeste (não sei porque escolhi essa direção), cheguei em uma estrada. E depois de andar mais quarenta e cinco minutos para o Norte, um caminhão parou do meu lado e perguntou para onde eu estava indo. Falei que queria chegar no Daisy's Diner.

Daquele ponto, estava a apenas trinta minutos do restaurante. Parece que, apesar de tudo, tinha tomado o caminho certo. O homem estava quieto e não me fez perguntas, o que apreciei de verdade. Me deixou no Daisy's Diner e se despediu, negando quando ofereci dinheiro para a gasolina, e foi embora. Entrei no meu carro e olhei para o espelho. Tinha um corte na minha testa, alguém tinha feito pontos e cuidado muito bem dele, mas ainda doía como um filho da puta.

Percebi que finalmente o sinal estava cheio no meu celular, então liguei para a polícia. Eles chegaram e eu os levei para onde tinha ficado preso. A primeira coisa que me disseram é que não havia nada em qualquer direção dali por diversos quilômetros. Sem lojas, casas, cabanas, nada. Vasculharam o alçapão em que eu tinha sido colocado, mas as televisões estavam todas quebradas e os fios cortados. Verificaram atrás das TVs, onde suspeitei que houvesse um túnel, mas logo fazia uma curva e acabava por ali. Como se fosse o começo de um túnel que nunca tivera sido terminado. Fizeram mais uma vez um BO, corpo delito, dizendo que eu tinha sido bem cuidado e os pontos eram decentes, não precisavam ser refeitos. No final, me largaram novamente no meu carro no estacionamento do restaurante e falaram que me ligariam com qualquer novidade, e enquanto isso investigariam a área. 

Nesse momento já estava escurecendo, minha cabeça estava me matando a um ponto que não me sentia confortável para passar horas dirigindo, então fui para o único lugar que era perto suficiente e sabia que poderia descansar por um tempo, além de talvez obter respostas. Fui direto para o hotel onde recebera a primeira foto.

Quando desci do carro, espiei pela janela da recepção e vi o mesmo homem que tinha visto anos atrás. Não posso dizer com certeza, mas pareceu para mim que quando me viu, pegou o telefone, disse algumas palavras e desligou. Na época eu achei que estava sendo só um pouco paranoico demais, pois quando entrei ele não deu sinais de que se lembrava de mim. Pareceu genuinamente curioso quando contei sobre as coisas que tinham acontecendo na minha primeira estadia em seu local de trabalho. Depois de um pouco de conversa, fiquei com um quarto para passar a noite, me acomodei e desmaiei de sono antes que pudesse fazer quaisquer medidas de segurança. Por sorte, quando acordei vi que nada tinha acontecido. Quer dizer, até sair do quarto.

Quando passei pela porta vi que todos os quatro pneus do meu carro tinham sido dilacerados. Tudo que pude fazer foi rir, sendo que aquilo era bastante patético comparado com toda a tortura psicológica que eu e minha família aguentamos durante esses anos. Chamei um mecânico local e dentro de uma hora ele já estava lá trocando meus pneus. E então logo eu já estava na estrada, fazendo minhas idas e voltas habituais para não ser seguido.  Cheguei em casa depois de 20 horas dirigindo e reuni toda a família de volta. Tinham permanecido ilesos durante minha ausência.  

Tudo ficou bem por um longo período. Quase um ano, pelo que lembro. Então, em uma noite, acordei com alguém batendo na porta de casa. Peguei a arma do cofre e me aproximei da porta, a qual soava constantemente um "toc toc... toc toc". Desliguei o alarme, abri a porta e vi que havia um pedaço de papel dobrado com uma pedrinha em cima em nosso tapete. Passei por cima da folha e corri para fora, tentando ver quem tinha estado batendo na minha porta. O tempo de demora entre a última batida e eu abrir a porta não tinha sido longo, então ele não podia ter ido longe. Olhei para todos os lados e não vi ninguém. 

Tenho que admitir que não estava pensando direito naquele momento. Mesmo com a adrenalina, ainda estava meio dormindo, então dei meia volta e voltei para a porta de casa. Peguei o papel do chão e entrei em casa. Depois de trancar a porta e religar o alarme, eu abri o papel para ver que desenho era dessa vez. 

Esse desenho em particular era um autorretrato de corpo inteiro que Katie tinha feito. A adição dessa vez era outro homenzinho perseguidor mal desenhado, segurando a mão de minha filha. Katie tinha antes escrito "EU" no topo do desenho, mas agora havia um X por cima da palavra, e ao lado em uma letra grotesca estava escrito "NÓS". Achando que era apenas mais uma tentativa de nos assustar, eu coloquei o desenho no balcão e resolvi ligar para a polícia, mas antes fui dar uma espiada em Katie. 

Subi as escadas até seu quarto e empurrei a porta que sempre ficava encostada. Senti a cor sumir do meu rosto, e aquela sensação familiar do meu coração caindo do peito. Mas dessa vez foi pior. Dessa vez parecia que nunca mais parava de cair. Katie não estava em sua cama, e sua janela estava totalmente aberta, o vento soprando, as cortinas esvoaçando para dentro do quarto. Minha filha tinha sido sequestrada. 


EM BREVE: Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (FINAL)


FONTE: NC

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


21/05/2017

A Baleia Azul

(Aviso: Estou com um bloqueio criativo então ainda não comecei a escrever a próxima parte da 'Coisa Embaixo da Paulista', me desculpem.)  


Me chamo Sam, sou uma adolescente cheia de problemas que busca refúgio em meios virtuais, já que os meus pais não tem tempo para mim. Moramos em uma cidade no interior do Texas chamada EL Paso. As pessoas são legais, mas são muito reservadas na maior parte do tempo. Não posso esperar de estranhos aquilo que os meus pais deveriam fazer. Meu cachorro morreu faz dois meses e é uma das maiores dores que eu já senti, era o meu único amigo nessa cidade.

Foi então que eu passei a ficar mais tempo na internet e buscando formas de me distrair. Algumas pessoas comentam na escola algo sobre a Deep Web. Nunca tive coragem e nem curiosidade de entrar. Achei um site de fórum onde pessoas da mesma idade que eu escreviam seus problemas como forma de desabafar. Me ajudou muito. Fiz duas amigas e contávamos tudo uma para outra, e assim a tristeza diminuía. Katy era a mais tímida, tinha que insistir muito para que ela contasse qualquer coisa sobre os problemas mais graves. De nós três, ela era a mais frágil emocionalmente.

Loren era a mais durona ou pelo menos se fazia de durona, sempre dizia que estava tudo bem, mesmo depois de escrever um textão no fórum sobre os cortes que havia feito na perna esquerda porque terminou com o namorado. Ambas com 15, e eu, a mais velha, com 17.

É engraçado porque sempre consegui resolver os problemas de todo mundo, mas nunca resolvi os meus. Nem o psicólogo do colégio conseguiu, mesmo sendo um dos melhores da cidade. Comecei a me interessar por psicologia na esperança de tentar ajudar a mim mesma e acabei me apaixonando por tudo o que a nossa mente é capaz de fazer, e também me assustando. Existem problemas maiores que os meus. É triste.

Ontem eu disse a minha mãe que gostaria de cursar psicologia, disse isso com um sorriso que há muito tempo não aparecia nos meus lábios. Ela apenas continuou fumando aquele cigarro barato enquanto mexia a panela de sopa. Em seguida, ela pediu que eu mexesse a sopa enquanto ela ia pegar o meu irmão que estava chorando no berço. Aquele bebê tirou muitas coisas de mim.

Cuspi no jantar do meu irmão. Foi uma forma de esvaziar a raiva, uma forma nojenta e repulsiva, eu sei, mas não me cobro maturidade, afinal, tenho apenas 17 anos, estou crescendo ainda. O meu pai não faz nada o dia todo, é aposentado por conta de um acidente de trabalho, minha mãe vende tortas de maçã verde.  As tortas são populares na vizinhança, dizem ter um gosto especial. Aposto que são as cinzas de cigarro que ela deixa cair na massa.

As piores dores são aquelas que machucam a alma. Acho que seria melhor torcer o pé todos os dias do que sentir isso que sinto diariamente. É horrível, mas depois de um certo tempo, você até se acostuma. As meninas bulímicas que conheci no fórum diziam sempre que a sua melhor amiga se chamava “Mia”, um jeito carinhoso de dizer que sofre de bulimia. Minha amiga se chama dor. Ninguém quer morrer, mas aposto que ninguém gostaria de morrer de uma forma que não fosse emocionante.

Meu nome é Sam e eu sou a criadora da Baleia Azul.

Você quer jogar?  

(Autor: Andrey D. Menezes.) 
(Revisão: Gabriela Prado.) 


20/05/2017

Pedra, papel, tesoura...


Pedra, papel, tesoura.

Escolhi pedra. E o meu reflexo também. Suspirei aliviado.

Pedra, papel, tesoura. 

Ambos colocamos pedra outra vez. Ótimo.

Pedra, papel, tesoura. 

Ambos tesoura. 

Talvez o meu amigo estivesse apenas me zoando. Sorri vitoriosamente.

Pedra, papel, tesoura. 

Minha mão aberta, com a palma para baixo, estremeceu quando o meu reflexo esticou dois dedos 

Game over.


A Dama de Preto



Esse é o pesadelo que me perturba há quatro anos. 

Alguns anos atrás, sonhei que estava na casa do meu pai, visitando-o. Meu pai, meu irmão, e eu estávamos saindo para ver o meu carro (íamos consertá-lo) mas havia algo estranho. Vi uma figura no escuro, atrás de algumas árvores. 

De início, pensei que fosse um cachorro, até que a figura se levantou. Era muito alta (quase dois metros) para ser um cachorro. Quando tentei observa-la melhor, ela se agachou e correu para trás da casa. 

Tentei esquecer. Nos aproximamos do carro, e ouvi um farfalhar entre as árvores. Olhei para o meu pai para ver se ele tinha ouvido algo; não parecia que tinha ouvido, mas ele já estava se afastando com o meu irmão. Ouvi o barulho tornando-se mais alto e comecei a correr em direção a eles. 

Olhei para trás e vi uma criatura, era negra e sangrenta, usando um longo vestido negro. Ela tinha longos dentes afiados e garras, com olhos brancos e brilhantes, e ela gritava para mim, tão alto que machucava os meus ouvidos. Tentei agarrar o braço do meu irmão, mas a minha mão passou direto por ele. Ele e o meu pai pareciam normais, enquanto a criatura gritava para mim. 

Caí no chão, tentando fugir, mas ela me alcançou, envolvendo o meu pescoço com suas mãos. Senti suas garras se afundando em meu pescoço. Enquanto eu chorava, ela continuava me sufocando e gritando pelo que pareceu uma eternidade, mas foi provavelmente por apenas 30 segundos. Assim que comecei a sentir meus pulmões se enchendo com sangue, acordei. Não consegui me mover por uns 10 minutos; eu estava paralisado de medo em minha cama, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Tentei gritar mas não pude, mal conseguia respirar. 

Desde então, eu a vejo em meus sonhos... 

Sempre observando... 

Esperando... 
 



19/05/2017

Creepypasta dos Fãs: SEM TÍTULO [AUTOR, NOS DIGA SEU TÍTULO]

[Carol, qual o título da sua creepy, menina?!]
[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com, com título da creepy e seu nome!]

Antes de me formar, trabalhava como taxista em São Paulo para ganhar um pouco de dinheiro. Na última semana de aulas, e na minha última corrida, fui abordado por uma idosa que acabou me dando um tiro na coluna, e me rendeu algumas semanas desacordado no hospital. Depois disso, decidi me mudar para uma cidade mais tranqüila, na qual poderia atuar na minha nova profissão.

Me mudei para um pequeno prédio com varandas. Ao seu lado, havia um prédio parecido, também com varandas, e uma delas coincidia com a do meu andar. Tal prédio era novo, ou seja, era comum perceber um movimento grande em alguns dos apartamentos, por conta das mudanças, até que isso aconteceu nesta varanda coincidente.

Estava trabalhando na minha varanda, que tinha uma bela vista das propagandas dos "outdoors" e da parede dos prédios vizinhos e onde costumava trabalhar, e percebi que a varanda à minha frente estava "sendo ocupada", de uma forma bastante estrondosa, mas simplesmente continuei trabalhando, afinal, era apenas mais uma mudança.

O problema é que, algum tempo depois, surgiu uma mulher desarrumada, com um pijama sujo e rasgado, maquiagem borrada, descalça, e cabelos extremamente longos e sujos, que começou a chorar. Começou chorando baixinho, mas foi aumentando, a ponto de estar basicamente esperneando e gritando.

Ninguém estava notando isso?

Estava olhando para mim.

Fiquei assustado e entrei em casa. Fechei a cortina e a porta da varanda e decidi tomar um banho depois que percebi estar ensopado de suor frio. Quando voltei do banho, fui ver televisão e percebi que já estava bem tarde, já que o céu visto da varanda estava escuro, e uma mulher idosa e arrumada, com seus longos cabelos trançados parecendo uma corda- me olhava benevolente, de um modo até hipnótico. Decidi ir até a varanda, afinal, a porta já estava aberta.

(Talvez continue)

Autor: Carolina Moravec

Revisão: Gabriela Prado


Creepypasta dos Fãs: Sorriso da Rainha

[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com, com título da creepy e seu nome!]

Voltava da casa de alguns amigos no meio da noite, já bêbado após uma social (minha primeira). Na época, devia ter o que? Uns 15 anos? Estava cambaleando dos poucos segundos que me lembro. Me sentia corajoso, e então um amigo meu, também de 15 anos, estava com o carro do pai dele, já indo pra casa, e percebeu que eu estava bêbado.

- Cara, você quer uma carona? - Perguntou ele, um pouco bêbado.

Lembro-me de ter dito algo sem sentido e dito um sim. Então foi aí: dois bêbados adolescentes num carro de um adulto. Estávamos cantando Queen enquanto nos sentíamos poderosos. Estava tudo errado, não vou negar. Foi cômico, até que sentimos uma "lombada". Percebemos que tínhamos atropelado alguém e ele aumentou a velocidade.

- Filho da puta, você está louco? - Perguntei pra ele.

- Porra, só não liga, esquece - Disse ele, assustado enquanto aumentava a velocidade do carro.

Finalmente ele me entregou em casa, e entrei como se nada tivesse acontecido. Me controlando pra não mostrar que estava bêbado, cheguei em casa e vi a luz da cozinha acesa.

- Mãe? - Perguntei.

Ela saiu da cozinha e me deu um beijo na testa, ela me deu um sorriso encantador, o sorriso que só uma rainha tinha, que só a minha mãe tinha. 

O telefone começou a tocar, e ela me pediu pra ir atender pois estava ocupada. Eu fui.

- Alô, aqui é do IML, vim lhe dar uma notícia horrível. Sua mãe foi achada atropelada na rua 15 e está morta, me desculpe. Te chamamos para vir verificar o corpo na sexta-feira.


Eu fui correndo pra cozinha e não encontrei ela, e foi aí que eu percebi que meu pior erro foi ter bebido, porque infelizmente eu perdi a mulher mais encantadora do mundo, aquela que tinha o sorriso de uma rainha. 

Autor: Jtiger
Revisão: Gabriela Prado