22/06/2017

A Coisa Embaixo da Paulista | Parte 4

Parte1
Parte2
Parte3

Não sei o que diabos aconteceu, mas eu estou deitado sobre a Avenida Paulista e os carros estão buzinando para que eu levante e libere o caminho. Como vim parar aqui?

Meu cérebro não consegue raciocinar direito. É como se nada fizesse sentido, nada mesmo. Talvez minha sanidade tenha finalmente acabado junto com todas as poucas esperanças que ainda tenho de ser feliz em algum lugar.

Corri para a calçada e agora posso observar o transito caótico. O que me espanta não são os carros lotando a avenida e sim quem está dirigindo os carros: ratos vestidos com ternos... Alguns até conversam no celular. Depois de tudo o que passei não posso simplesmente duvidar da minha sanidade, estou em um pesadelo real, é tudo real. Todos esses chiados ao mesmo tempo sufocam o meu cérebro, é o som mais irritante que já ouvi na vida.

Estão saindo do carro e vindo em minha direção e aos poucos uma roda está se formando ao meu redor. Me olham como se eu fosse um extraterrestre, até aqui me olham de forma estranha. Não posso aceitar que eu seja mais bizarro do que uma cidade paralela habitada por ratos. Aos poucos estão voltando para dentro dos carros e estou na calçada agora, observando tudo isso e me perguntando que lugar é esse.  Talvez aqui seja um bom lugar para recomeçar tudo, posso conseguir um emprego como entregador de queijo. É, acabei de fazer uma piada horrível tentando tirar um pouco desse foco surreal e não deu certo, ainda não tenho como saber se tudo isso é real.

Aquele barulho está voltando, dessa vez muito mais alto, e os carros estão acelerando como se estivessem fugindo e cientes da situação. Estão descontrolados e batendo seus carros uns nos outros. O caos surgiu de forma instantânea e não sei para onde correr. Esse barulho está cercando e vindo de todos os lados, mas agora tenho certeza de que não era só eu quem escutava, eles também escutam.  Tem uma coisa saindo das nuvens.

 É  gigantesca! Uma enorme bola preta está pairando sobre as nuvens, o céu escureceu e tudo o que posso ouvir é essa coisa gritar enquanto o raios surgem, mas isso não é uma nave...   (Continua)

Autor: Andrey D. Menezes. 
Revisão: Gabriela Prado. 


(Desculpem por ficar tanto tempo sem postar e ainda postar uma parte curta, mas realmente estou sem tempo, perdão.) 




21/06/2017

Eu herdei a conta do Facebook da minha irmã.

Quando minha irmã morreu, eu tomei conta da página do Facebook dela.

Isso soa meio estranho, agora que escrevi. Para falar a verdade, não acho que sou a pessoa mais adequada para acessar a conta dela. Logicamente, a honra devia ter sido de seu marido, Ted, se é que alguém devia ter acesso a ela. 
O problema é que ninguém sabe que eu consegui acessá-la. 

Ela me deu sua senha há... Jesus Cristo, mais de seis anos atrás. Tinha pedido para eu logar e ver uma coisa pelo meu PC. Não me lembro o que era, agora. São uma daquelas lembranças que pareciam tão indiferentes antigamente, mas agora são as coisas que eu mais sinto falta. Milhões de mini interações, palavras e sorrisos entre nós, e eu não lembrarei da maioria dessas coisas. 

Estou divagando. 

De qualquer forma, a senha. Cerca de uma semana depois de morrer, tentei a senha por bobagem. Achei que ela tinha trocado em algum momento desses seis anos, mas para minha surpresa consegui entrar. Sério mesmo, Annalise? Ela nunca foi muito boa com segurança digital. 
Sei que eu não devia ter entrado na conta dela. Entendo isso, juro. Mesmo que estivesse morta, é uma invasão de privacidade. Não só com ela, mas com todos os outros. Porém, eu acabara de perder uma das pessoas mais importantes da minha vida e estava de luto. Parecia certo na época. Parecia justificável. Além do mais, não é como se alguém tivesse que ficar sabendo - deixei o status do messenger como "offline", assim ninguém saberia que eu havia entrado. 

Passei muitas noites sem dormir olhando seu Facebook. Os grupos que ela participava, páginas que havia curtido, fotos que postara. Rapidamente se tornou um vício nada saudável. Não que eu ligasse para isso. Meu desespero era reencontrar uma conexão com ela - qualquer coisa. E havia tanta coisa de sua vida catalogada naquela rede social. Era o veneno perfeito. 

Para minha total vergonha, eventualmente comecei a olhar as mensagens. 

Se isso melhora um pouco as coisas (sei que não melhora), não havia nada absurdo ou terrível nas mensagens. Annalise preferia conversar pessoalmente do que online. A maioria eram coisas bem simplórias. Compartilhar fotos do seu cachorrinho com nosso primo, Sam. Compartilhar detalhes de alguma festa em um grupo de amigos. Planejando uma viagem de última hora para ver sua melhor amiga, Freida. 

Essa última me doeu um pouco. Estavam planejando se ver alguns dias depois da morte de Annalise. As mensagens que trocaram eram curtas e tentas, como se tivessem tido uma briga. Freida parecia bastante perturbada no funeral, chorando e falando que Annalise jamais a perdoaria. Deve ter sido muito difícil para ela, sua melhor amiga morrer e não conseguir se acertar por causa de uma discussão idiota. Imagina ficar com essa culpa para sempre. 

É engraçado como sempre achamos que temos tempo. No dia do acidente, eu estava na farmácia comprando sulfato ferroso para minha irmã. Sua anemia tinha voltado com tudo e seus braços estavam ficando com hematomas por qualquer coisa. Estava também meio triste naquela época, então fui nas prateleiras de doce, pensando em levar algum chocolatinho para animá-la - chocolate era sua coisa preferida, e eu sempre dava uma cesta cheia de vários tipos na páscoa - mas foi aí que recebi a ligação. 

Minha irmã. Minha bobona, desajeitada, amada irmã. Não era a primeira vez que ela caía das escadas - acontecia com frequência quando era criança. Mas dessa vez foi a última, não teve sorte. 

Dessa vez, quebrou o pescoço durante a queda. Morreu na hora. 

A memória daquele momento terrível - estar de pé na farmácia, minha boca aberta em um grito que havia morrido em algum lugar dentro do meu peito - essas lembranças passavam vividamente na minha mente enquanto eu estava ali senta, lendo a mensagem de Freida de novo e de novo e de novo.

Não era justo. Não era justo!

Eu ainda estava chorando, de frente para o computador em posição fetal quando Annalise recebeu uma nova mensagem. 

Não era algo incomum Annalise receber novas mensagens no Facebook. A maioria eram de pessoas de luto - desejando que ela não tivesse ido; desejando que tivessem tido mais tempo com ela. Não li nenhuma dessas mensagens. Para falar a verdade, parecia ser invasão demais. Além do mais, só me lembrava que ela não voltaria para casa em breve. 

Mas havia algo diferente nessa. 

Era de Ted. Antes de fechar a janela, meus olhos bateram na primeira frase. 

"Por que as coisas tinham que ser assim?"

As imagens de Ted no funeral passaram pela minha mente. Estava totalmente pálido, tremulo. Como se estivesse morrendo pelo luto. Como se não tivesse ninguém para compartilhar sua dor, mesmo que tentássemos nos aproximar. 

Ignorando a voz da minha consciência, continuei lendo. 

"Por que as coisas tinham que ser assim? 

Não tinha que acontecer dessa forma. Você não pode culpar ninguém além de você mesma, e estou com tanta, tanta raiva de você! Nós podíamos ter resolvido tudo. Podíamos ter feito funcionar. Eu te amo. Mesmo nos nossos piores momentos, você sabia disso - como não poderia? Fiz tudo por ti, DEI TUDO para você. Você foi tão ingrata.

Você sabe que eu não fiz de propósito. Só estava com tanta raiva. Faz aquilo comigo, você sabe - me deixa com raiva. E me magoou também, fazer aquilo. Você não tem ideia de como me senti péssimo nos dias seguintes. Além do mais, aquela briga quase quebrou minha mão. Você não é a única que se machucou. 

Queria que você tivesse me ouvido. Queria que não tivesse corrido. Você achou que eu não descobriria dos seus planos com Freida? Achou que estaria segura com ela? Que piada. Você SABIA que ficaria mais segura comigo. Eu só perco a cabeça as vezes - quem não perde? Você devia me amar e isso significa amar TUDO sobre mim. Ou aqueles votos de casamento eram mentira? 

É sua culpa. Sua culpa de ter deixado o celular desbloqueado para que eu lesse aquelas mensagens. Sua culpa por me magoar quando sabia que eu já estava sofrendo. Sua culpa por me deixar com tanta raiva que fiz algo para te machucar de novo. 

Você não entende? É sua culpa. E você foi punida por isso."
Enquanto eu lia as mensagens, comecei a me sentir muito mal. Vagarosamente, as coisas foram se encaixando na minha cabeça, uma imagem que fez meu queixo cair de novo. 

Não. NÃO. 

Antes que eu tivesse tempo de reagir de novo, outra mensagem entrou. 

"Que porra é essa... quem está lendo?!"

Merda. Tinha esquecido que havia clicado na mensagem, e assim ele receber uma mensagem de "lido". Em pânico, desliguei meu notebook e o afastei como se fosse tóxico. 

Demorou algumas horas para conseguir processar aquilo que li. Entender. Mas quando consegui - quando percebi o que Ted tinha feito com minha irmã - soube exatamente o que tinha que fazer. 

Tirei um print da conversa e fui até a delegacia. Era por volta das três da manhã e ficaram surpresos em me ver, claro - mas ficaram muito interessados em ver o que eu tinha em mãos. 

Começaram a procura por Ted imediatamente. Obviamente, não estava em casa. Já tinha se sumido, junto com sua carteira e documentação. Foram falar com Freida também, que contou toda a história - como estavam planejando para fugir daquele homem abusivo, escondê-la até que conseguisse finalizar o divórcio. Freida queria conversar comigo, mas me recusei. Não tinha nada para falar com ela por não ter revelado isso antes. 

A polícia acha que as chances de o encontrar são grandes - é quase certo que acabe usando seus cartões de crédito no caminho, algo que facilitará encontrá-lo. 

Mas eu, eu prefiro que não o encontrem. 

Porque, se encontrarem, ele estará sob proteção da lei. E eu decidi que a lei não é justa o suficiente, ainda mais nesses casos. Se Ted for declarado culpado - e esse é um grade SE FOR - pode no máximo receber perpétua. E uma vida toda na prisão é boa demais para aquele verme. 

A polícia começou sua procura. Eu comecei a minha. E não vou parar até encontrá-lo e fazer justiça por Annalise, pela minha família. 

Não vou parar até vê-lo sufocando em seu próprio sangue.

FONTE: Sleepyhollow_101

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 


19/06/2017

Sou jurado de um caso muito estranho (FINAL)

Gente, por causa do feriado (fico sem PC pra traduzir), acho que trago a última parte sábado ou no mais tardar segunda-feira! Prometo! <3 


PARTE 1 - PARTE 2 - PARTE 3

A noite de ontem, antes da deliberação do júri, trouxe apenas uma coisa. Um pesadelo terrível. 
Estávamos todos sentados ao redor de uma mesa, discutindo os aspectos sobre o caso, as inconsistências da defesa principalmente. Parecia ser uma derrota relativa. Os jurados afetados pareciam estar bem, e não entramos na questão das estranhezas que nos assolavam. Então, algo vindo do teto caiu em nós. Olhamos todos para cima enquanto pó preto caia na mesa. Alguém bate na porta. A maçaneta é aberta por fora, e Anthony Mineo entra na sala, o amante da falecida Jessica Willis.

Ele dá uma volta envolta da mesa enquanto permanecemos sentados em silêncio. Logo cai de joelhos no chão e canta algo que não consigo lembrar o que era. Todo o teto sobre a mesa desaba, parecendo ser culpa da quantidade absurda de pó preto que estava em cima dele. Do pó surge a forma da entidade que vem nos assombrando na última semana. Fica maior do que jamais poderia imaginar, e fica em um lado da mesa, onde estão jurados afetados e não, e os envolve com sua capa. Quando recolhe seu braço, a revelação é grotesca. Todos que haviam sido cobertos pela capa são agora basicamente pilhas de pele e órgãos, seus ossos parecem ter sumido.

A entidade pula por cima da mesa e agarra a pessoa que está tentando correr em direção da porta, mas não teve a sorte de conseguir abri-la a tempo. Então amassa a mulher como se fosse uma bolinha de papel, sangue espirrando para todos os lados, e a joga para o lado como se não fosse nada. De repente o resto dos jurados, exceto eu, entram em combustão espontânea. Correm por todos os lados gritando, mas não há fumaça saindo de seus corpos. Seus restos mortais viram nada mais do que pó preto. A coisa novamente pula para cima da mesa e engatinha em minha direção (estou sentado na ponta da mesa, em choque). Vem se aproximando de mim e finalmente vejo seu rosto. É exatamente como Lisandra havia descrito. O mais puro mal. Ódio. Raiva. Todas as emoções negativas emaranhadas em um rosto retorcido. 

Ele se atira em minha direção; eu acordo. 

Foi sem dúvida nenhuma o pesadelo mais vívido que já tive. Liguei para Lisandra, que coincidentemente também tinha tido o mesmo sonho (logo depois descobrimos que todos os afetados o tiveram). Tudo isso tinha a ver com Anthony Mineo. Pouco depois, eu e os outros afetados nos encontramos em um restaurante 24h perto do tribunal (era por volta das quatro da manhã), e ficamos conversando até dar o horário do julgamento. Trinette tinha aparentemente perdido sua sanidade e perguntou para os outros jurados não afetados se em suas casas haviam sótão, a maioria disse que sim, então não fazemos ideia porque nós tínhamos sido os escolhidos. 
Era hora do julgamento, e entramos na sala de tribunal, nós seis fatigados com o que poderia potencialmente acontecer. Ambos os lados fizeram suas argumentações finais; a defesa basicamente já tinha desistido de tudo e só imploraram para que nós não o declarássemos culpado. John estava todo desgrenhado, tenho certeza que alguém naquele tribunal já tinha perguntado para ele se estava de ressaca. Tinha olheiras, e notei manchas pretas nas pontas dos dedos e nas palmas da mão. Estava pior que nós todos.  

Era finalmente o momento de nossa deliberação. Nenhum dos jurados afetados sentou nas cadeiras da ponta da mesa. Obviamente, nós seis declaramos John inocente, os outros seis declararam culpado. Então começamos com a longa explicação de tudo que havia acontecido conosco, e o motivo para aquela moça doida ter feito a pergunta se em suas casas tinha sótão. Olharam para nós como se fossemos loucos, e com direito. Ficamos sentados naquela sala por horas, tentando convencê-los que tinha algo a mais acontecendo, e para olharem além das armadilhas óbvias da defesa. Comentamos também que, seja lá o que isso fosse, também estava afetando o advogado da defesa. 

Então veio o momento de irmos até o juiz para falar que não tínhamos chegado a um acordo. Todos saímos da sala, e vimos o advogado da defesa abrindo sua pasta. Quando demos a notícia de que não tínhamos chegado a um veredito, o advogado de defesa pegou um revólver de dentro da pasta e alcançou para John Willis, que o colocou na boca e apertou o gatilho. Logo depois o advogado fez o mesmo. Um grito desumano tomou conta do tribunal. Mal tivemos tempo de reagir antes de sermos arrancados da corte e colocados de novo da sala de deliberação. 

Ficamos lá dentro pelo que pareceram horas, mas na verdade foram poucos minutos. Foi retirado de nós o poder de júri daquele caso, e nos informaram que a polícia chegaria em breve para recolher nossos depoimentos, e assim foi. Falamos o que vimos e fomos liberados. Voltei para o meu quarto de hotel, achando que aquela prova de fogo tinha chegado ao fim. Deus, como eu estava enganado. 

Abri a porta do meu quarto e estava coberto, e quero dizer absolutamente coberto, do chão ao teto, de uma parede a outra, em pó preto. Naturalmente, entrei para investigar... brincadeirinha. Eu corri de lá como se tivesse roubado alguma coisa. Fiz o que já devia ter feito no momento de saída do tribunal, reuni o grupo com ajuda de Marcus, outro jurado afetado, e decidi que tínhamos que ver qual era o lance com Anthony Mineo, sendo que ele aparecera nos nossos sonhos. 

Ele morava na divisa da cidade em uma pequena fazenda, e assim que chegamos lá, não nos sentimos bem-vindos. Haviam coisas estranhas pendurada nas árvores, gravetos em formas estranhas, fardos de feno em padrões que não consigo nem explicar. Fomos até a porta da residência e batemos. Ele abriu a porta, revelando-se vestido com uma túnica negra com capuz, com vários símbolos e formas pintados em seu rosto com maquiagem preta. Antes mesmo de podermos falar alguma coisa, ele falou. 

"Ele vive em cima, e toma conta de baixo." 

Bem, olá para você também, Sr. Mineo. Fizemos várias perguntas para ele, sobre o que estava acontecendo conosco, sobre o que aconteceu com a família de John, e porque John e seu advogado tinham se matado. Surpreendentemente, respondeu nossas perguntas relativamente sem problema algum.

O que aconteceu com a família Willis

Anthony começou a ficar farto depois de dois anos como amante da esposa de John Willis. Anos antes, ele havia morado em Nova Orleans e se tornou um praticante de 
Hoodoo. Decidiu de livrar de John usando um feitiço para invocar uma entidade que o mataria. Mas o plano foi um tiro no próprio pé. A entidade se apaixonou por John e não queria nada mais do que o consumir e fazê-lo só seu. Aparentemente, John recusou os encantos da entidade, e como punição, matou sua esposa e sua irmã. 


Por que só nós seis fomos afetados entre os jurados?
De acordo com Anthony, essa entidade se alimenta de crenças. É bem simples, na verdade. Quanto mais a pessoa acredita e teme a entidade (que na verdade tem um nome, mas nem em mil anos eu conseguiria pronunciar corretamente, muito menos escrever), mais poderosa ela fica. Aumenta as fraquezas da pessoa afetada, deixa-as basicamente loucas, e depois leva a alma e a sanidade do afetado para o inferno de onde veio, aparentemente é lá que vive com seus eternos escravos. O motivo para termos sido afetados, é que nos víamos como vítimas. Os outros jurados não foram afetados basicamente por não acreditarem no paranormal. 

Eu achava que não acreditava nessas coisas, mas aparentemente acredito. E pelo visto, acredito ao ponto de estar dando poder para essa coisa. Ele pode estar em vários lugares ao mesmo tempo, e sempre se abriga em lugares onde possa estar sobre a pessoa que quer afetar. Se a pessoa não tem sótão, ficaria no forro do telhado da casa. Se você mora em um prédio, se abrigaria no apartamento do andar de cima, não deixando vestígios da sua presenta, a não ser pelo pó preto. 

Resumidamente, quanto mais você se envolve, mais poderoso ele fica. 
 

Por que John e seu advogado cometeram suicídio?

A resposta de Anthony para essa foi bem direta. Se mataram porque perceberam que essa assombração continuaria pelo resto de suas vidas, e solucionaram o problema da única forma que conheciam. Faz bastante sentido, se você me perguntar. 
O que podemos fazer?

Claro, perguntamos para Anthony como podíamos acabar com esse feitiço. Ele nos deu uma lista de instruções, diversos temperos, sais, plantas e direções de como usá-los. Gentilmente, nos forneceu o suficiente para distribuir para os outros jurados, enquanto se desculpava profundamente, dizendo que nunca teve a intenção que tantas pessoas assim fossem feridas e afetadas. Disse que temos que seguir suas instruções à risca, ou perderíamos a batalha e seriamos arrastados para o inferno logo, logo. Sem pressão. 

Saímos de Anthony, distribuímos os ingredientes e instruções entre todos e cada um foi para o seu lado. 

Se livrando da entidade de uma vez por todas

Segui as instruções de Anthony da forma mais precisa que pude. Primeiro, eu tinha que voltar para casa e colocar sal e os temperos perto de todas as entradas/saídas da minha casa (portas, janelas, etc.). Não manter a entidade fora, mas dentro, pois é onde já estava. Aparentemente ele gosta de ficar te caçando quando você está cansado e, de acordo com Anthony, ele só pode arrastar alguém para o inferno precisamente às 22:28 (não me pergunte o motivo disso, eu não sou o maior entusiasta sobre magia e entidades aqui). 

Depois, peguei as várias ervas que Anthony me dera e esmaguei-as o melhor que pude. Coloquei-as dentro de um círculo no meio da minha sala de estar. Daí, peguei um monte do pó preto, que Anthony me dera em uma sacolinha, e coloquei em cima das ervas para disfarçá-las do melhor jeito possível. A razão para isso é que, quando volte para o inferno, faça isso através de um portal feito com seu pó. Eu concordaria em ir com ele, e quando ele entrasse no "portal", ele ficaria preso no círculo de ervas, o qual não consegue sair de dentro de novo (Anthony explicou que a entidade pode atravessar para entrar, mas não para sair). 

Esperei até às 22:20. Nesse momento, comecei a chamar pela entidade, dizendo que tinha desistido, que queria ir para o inferno com ele. Foi só as 22:24 que ouvi as escadas do sótão caindo, e logo ouvi o barulho característico da coisa deslizando pelo corredor. Entrou na sala e ficou de frente para mim e, não vou mentir, mijei um pouco nas calças. Eu nunca tinha olhado de frente para ele. 

O corpo por debaixo da capa era duro e miúdo, sua pele escamosa de uma coloração verde escura. Já descrevi seu rosto antes. Tinha mais de dois metros de altura, tendo que se abaixar por de baixo do batente da porta para entrar no cômodo. 

Novamente falei que tinha desistido e queria me juntar a ele no inferno, se me guiasse o caminho. Andou em minha direção, e fiquei parado onde estava. Pairou sobre mim, sendo mais intimidador do que já era, soltando sua respiração quente e pútrida em mim. Quase vomitei quando senti o cheiro. Pó preto caia de seus ombros em mim. 

Contei que havia construído um portal para isso e, mais uma vez, disse que queria ir para o inferno para toda a eternidade, ele só precisava me mostrar o caminho. Ficou me encarando por alguns segundos e depois se virou para o círculo que eu havia feito. Apreensivamente foi em direção do portal, inspecionando-o, olhando para mim a cada poucos segundos para ver o que eu estava fazendo. Eventualmente, ficou do lado de fora do círculo e me convidou para entrar, gesticulando com o braço. 

Pensando rápido, respondo "Sou seu servo, jamais andarei na sua frente." A coisa ficou parada por um momento, dando uma risada debochada, e entrou no círculo. Rapidamente subi em cima do sofá, pegando as folhas que Anthony tinha me dado e eu havia escondido atrás de uma almofada. Eu precisava recitar algumas palavras para banir aquela criatura para sempre da minha casa. Então, dei o meu melhor para recitar o que lia: 

”. Ti o ba ti ẹmí deruba mi ni ibi yi, Ja Omi nipa Omi ati Ina nipa ina, banish ọkàn wọn sinu nothingness ki o si yọ wọn agbara titi ti o kẹhin kakiri Jẹ ki awọn wọnyi buburu eeyan sá Nipasẹ akoko ati aaye kun. ”
De repente, ouço o mesmo grito desumano que havia ouvido no tribunal, e o círculo no chão foi tomado por chamas. A entidade então ficou me olhando sem ter olhos, e lentamente foi caindo nas labaredas. Quando ficou totalmente tapado pelo fogo, ele se apagou, e tudo que sobrou foi uma pilha de pó preto. 

Não preciso nem dizer que não conseguia acreditar em meus próprios olhos. Anthony falou que, se um dia eu me mudar, preciso realizar o mesmo feitiço na nova casa para ter certeza que ele não voltaria. Só para ter certeza, eu não vou me mudar. Nunca. Bem simples. 

Liguei para os outros, mas só tive resposta de dois (até agora). Marcus e Lisandra disseram que o feitiço ocorrera da exata mesma forma que o meu, e os dois já se sentiam seguros. Não sei bem o que aconteceu com os outros jurados afetados, mas espero que estejam bem. Irei fazer uma atualização quando souber mais deles. 

Não sei se esse era o fim que vocês estavam aguardando, ou esperando, mas isso é o fim de todas as coisas que aconteceram comigo. Não sei se já me sinto seguro, acho que o tempo dirá. Obrigado por todo o apoio e conselhos. 

Nick

ATUALIZAÇÃO:

Recebi uma ligação alguns dias depois. Os outros três jurados que não consegui contato após o ritual estão de fato mortos. Não sei os detalhes, mas ouvi por outras pessoas que faleceram. Tem toda uma investigação acontecendo por coisas estranhas que foram encontradas nas casas dos falecidos, os sais, temperos, ervas e claro, o pó preto. Alguém falou que estão achando ser suicídio ritualístico. Nós sabemos que esse não é o caso. Me sinto péssimo por saber que várias pessoas tiveram que morrer por causa de um caso amoroso. Fiquem todos bem. Fiquem seguros. 


 ***
FIM

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

FONTE: NICKBOTIC


16/06/2017

Creepypasta dos Fãs: Quando não me dão o devido valor

[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com!]

Prazer, meu nome é Stella, tenho 24 anos e sou uma cineasta aprendiz praticamente em ascensão por alguns trabalhos expostos nos últimos 7 meses, sendo três deles um divisor de águas na minha carreira ao me garantirem uma vaga no concurso de curtas da universidade. Tremi de felicidade quando me deram a notícia. Minha família, pela primeira vez, em anos, se orgulhou de mim. 

Bem, só restava uma pessoa tão importante quanto eles que precisava ser convidada para minha apresentação. Eu considerava a irmã que minha mãe não pariu. Caroline e eu éramos como almas gêmeas, do tipo amigas que não se desgrudavam por nada que acontecesse para nos separar. Sempre fomos muito fortes juntas. Ela verdadeiramente me apoiava, fazendo questão de me ajudar com o material, que era boa parte pago por ela... Ai, eu tinha tanto a retribuir! 

Mas me veio outro susto nesse dia. 

Nem sequer passava pela cabeça a possibilidade da Carol se unir ao grupo de jurados que avaliariam os candidatos ao prêmio, uma bolsa para a filial da universidade no exterior, que aumentaria a velocidade do meu aprendizado em 50%. Nos abraçamos, super animadas. Nem parecia verdade. Minha melhor amiga iria assistir meu trabalho num dos dias mais importantes e decisivos da minha vida. 

Ela me deu uma orientação simples: "Controle-se". 

Desculpa, é que eu... Digamos, tenho um espírito competitivo mais atenuado que o normal, desde um joguinho de Uno até uma ocasião como essa, na qual seu futuro profissional ganharia um degrau a mais na escada. Mas era a Carol. Com certeza me esforçaria intensamente só para agradá-la. 

Quando chegou a minha hora, ela sorriu abertamente pra mim com aplausos, tão orgulhosa. Já eu, encabulada, baixava a cabeça, sorrindo com timidez enquanto ia para o palanque apresentar o meu filme de 5 minutos e 42 segundos que narrava a história de um garoto de 10 anos que desvenda mistérios sobre o passado oculto do seu pai e sobre o qual a mãe sempre escondeu. Os atores que escalei eram os meus vizinhos que aceitaram de bom grado, sem cobrar nada. 

No momento das notas, meu suor descia quase frio. 7,0... 7,5... 8,0... 7,0... 7,0... e, por último e não menos relevante, a nota da Carol. 

Um mísero 6,0. Os jurados estavam em consenso quanto à montagem e apenas. Já a Carol só elogiou a atuação dos personagens, argumentando que não necessitava inserir filtro preto e branco para enaltecer a atmosfera sombria da história. E daí? A trama se passava nos anos 30, droga!  Só quis casar a "paleta de cores" com a época e a trama, não tem nada de errado nisso. Filmes em preto e branco faziam os olhos dela doerem?! Era só ter dito. Deve ter odiado Casablanca quando o pai dela fez aquela sessão de cinema quando éramos crianças. 

Por causa desse maldito 6,0 fiquei com o maldito terceiro lugar. Seria humilhante ver as pessoas apontando e dizendo "Olha, aquela não é a Stella do terceiro lugar? Vamos lá dar os parabéns pelo filme mais odiado da premiação!". 

Carol e eu nos encontramos no banheiro. Se aproximou de mim enquanto eu retocava a maquiagem após os rios de lágrimas que transbordei. Eu perguntei, ao me sentar no chão do banheiro ainda arrasada, o que ela realmente achou do curta, pedindo honestidade feito mendigo pedindo esmola. 

Ela ficou rindo baixinho, lavando as mãos, dizendo que se emocionou com a história. Eu perguntei: "Sério?", quase recompondo as esperanças. E ela respondeu: "Claro. Senti uma gota escorrendo pelo meu rosto. Mas quando fui ver no espelho... Era sangue.". 

Ela riu daquilo como se tivesse contado uma piada imbatível. Só fiquei olhando pra ela em estado de choque. Era pra me fazer me sentir melhor? Eu tinha que rir daquela merda? Me levantei e, explodida de raiva, gritei mandando ela tomar naquele lugar antes de sair do banheiro fechando a porta com força. Umas duas pessoas da plateia estavam nos boxes e com certeza ouviram. 

Peguei minha bolsa e continuei andando, chorando mais uma vez o meu fracasso, tentando ignorar os olhares curiosos das pessoas. Pensei ter ouvido gritos de alguém chamando pelo meu nome desesperadamente, mas fingi ser coisa da minha cabeça. 

O lugar daquela medalha de bronze era numa lata de lixo bem fedorenta. Tomei coragem e joguei aquela porcaria depois de cuspir nela. 

Como ela pôde fazer isso comigo? Comigo! 

Só atendi uma ligação no dia seguinte em vez das inúmeras mensagens da Carol e não estava na melhor paciência pra apagar uma por uma. 

Era o meu agente de filmografia, me avisando que fui eleita finalista no "mata-mata" que ia acontecer em dez dias. Bastante tranquilizador. Os jurados iam escolher o vencedor definitivo nessa competição pensada de última hora por causa de um empate. Ao menos era um tempo fácil de ser otimizado. 

Mais aliviada, fui até a casa da Carol prestar minhas desculpas e minha compreensão. Aquele nosso abraço de reconciliação até parecia ser o nosso último antes do fim do mundo. Para demonstrar que sentia muito pela "piada" ter soado tão ofensiva, ela se demitiu do corpo de jurados e aceitou ser a atriz principal do meu novo curta. Quanta prova de amizade para um só coração que acabava de ter seus pedaços recolocados. 

Estimei a gravação do meu novo filme em apenas 24 horas. O curta-metragem com o tempo de produção mais curto da minha carreira. No dia da gravação, recebi uma ligação da mãe da Carol perguntado onde ela havia se metido e porque não voltou há horas. Expliquei tudo, dizendo que ela, por livre e espontânea vontade, resolveu dormir na minha casa pra me ajudar com o projeto da faculdade. 

No dia D, os mesmos jurados chatonildos estavam lá, sentando seus traseiros de críticos profissionais. Ao chegar minha vez, nenhum deles ousou em me lançar um sorrisinho irônico por estarem certos da minha auto-confiança bem estampada na minha cara. 

A Carol, de início, pareceu receosa com o tema que escolhi, mas a convenci de que ela tinha o calibre de uma boa atuação, ainda que amadora, mas o que valia era a intenção. Não ia vencer sozinha. 

A história de uma garota que se depara com sua amiga morta em circunstâncias misteriosas. A protagonista narra toda a história enquanto está andando por um corredor escuro, segurando uma lanterna. Fica em silêncio, entra no toalete e aponta a luz para a banheira. Lá, ela encontra sua amiga com o corpo nu estraçalhado da cabeça aos pés, em cortes profundos tornando-a quase irreconhecível e arranhões que pareciam ter sido feitos por uma fera carniceira. De seus olhos abertos jorrava sangue que se misturava ao dos cortes nas bochechas e nas laterais da boca. 

Mal posso acreditar... Mal posso conter essa emoção! 

O julgamento foi unânime. A medalha de ouro é minha e eu vou pro exterior. 

Ganhei o primeiro lugar por ter caprichado no realismo. 

Autor: Lucas Rodrigo
Revisão: Gabriela Prado




14/06/2017

Sou jurado de um caso muito estranho (PARTE 3)

Gente, por causa do feriado (fico sem PC pra traduzir), acho que trago a última parte sábado ou no mais tardar segunda-feira! Prometo! <3 

PARTE 1 - PARTE 2
Ontem depois do tribunal, vim direto para casa e escrevi tudo que aconteceu desde meu post anterior. Acho que é melhor deixar tudo datado, só em caso de algo acontecer. Pelo menos assim, vocês vão saber melhor o que está ocorrendo e talvez me aconselhar melhor. 

Bem, como já disse, voltei ontem para casa e postei as atualizações de ontem, e não muito depois disso, recebi uma ligação de Lisandra (os jurados que estavam sendo afetados trocaram números de telefone). Me contou que enquanto ia dirigindo para casa, foi seguida por algo. Não era outro carro ou pessoa, mas sim, diz ela, "algo que estava sempre somente na minha visão periférica"; como se visse sempre no canto do olho, e quando virava a cabeça, já havia sumido.

Depois que voltou para casa, onde havia pedido para seu marido parafusar a porta do sótão, e se sentou na sala. Quando a coisa voltou para sua visão periférica, ela não virou a cabeça para fitá-lo, apenas continuou olhando para frente. Falou que a coisa foi se aproximando de cabeça baixa aos poucos no curso de dois minutos. Ficou muito próximo de seu rosto, tipo uns 20 centímetros, e olhou para cima. Vou usar as exatas palavras que Lisandra me disse, pois estas ficaram comigo para o resto da minha (esperamos que longa e sossegada) vida:

"Era o rosto do puro mal. Era a raiva, o ódio e a malícia encarnada."

De acordo com Lisandra, haviam buracos onde os olhos deviam estar, e uma pele apodrecida que caia aos pedaços de seu rosto. Tinha dentes que pareciam ir em várias fileiras até sua garganta, não afiados, mas quebrados, como quando você parte uma madeira ao meio e fica com várias pontas dentadas. Enquanto ele se aproximava, um pavor a consumiu. Quando não conseguia mais aguentar, se virou para olhá-lo, e já tinha sumido.

Decidi levar em conta o conselho de várias pessoas que comentaram no fórum onde postei anteriormente e fui passar a noite em um hotel. Arrumei minhas coisas em uma mochila e sai de casa. Enquanto trancava a porta, ouvi algo se arrastando lá dentro. Andei até a janela e espiei. O pó preto estava POR TUDO. Não estava lá no segundo anterior; mas agora estava por toda a sala, em cima da televisão, nas partes da mesa de jantar que eu conseguia ver, no chão do corredor também, nas paredes e até no teto. Entrei no meu carro e vazei de lá. 





O pesadelo

No hotel, na verdade, foi tudo bem. Nada aconteceu fisicamente comigo, mas tive o pesadelo mais aterrorizante e vívido da minha vida. 

No sonho, estou em casa, e vou para o sótão. Sinto que não quero ir, mas algo está me obrigando a fazer isso. Abro a porta e olho para cima; posso ouvir uma respiração vindo lá. Estico o braço e solto a escada, fazendo com que um pó preto caia no chão do corredor. Olho novamente lá para cima, na escuridão do meu sótão, vejo duas manchas que são ainda mais escuras do que só a não-iluminação, se é que isso faz sentido. Encaro esses pontos negros naquele breu total e começo a subir. 

De repente, algo me agarra por trás e estou sendo balançado como um pêndulo na horizontal da escada até a parede do corredor, que no caso está com as madeiras quebradas. Sou empalado, mas fico vivo. Depois, algo que não consigo ver me tira da parede, começa a quebrar todos os meus ossos um por um e logo me coloca dentro de uma maleta. Então, ouço as palavras "vá, suba", e me acordo de um sobressalto. 

Bem, todos sabemos o significado desse sonho. É uma reconstituição do assassinato do qual sou júri. E tenho quase certeza do que o "vá, suba" possa significar. Provavelmente é para eu ir no sótão. Como um grande otário. Não, muito obrigado. 



Fui para a corte hoje de manhã, e quando estava indo embora, andando pelo corredor, notei um pequeno amontoado de pó preto na frente de um armário de serviço. Não parei para descobrir o motivo de estar lá. 
Hoje de manhã, Trinette e Lisandra foram até o juiz e contaram sobre as coisas que estão acontecendo conosco. Disseram que o juiz meio que jogou tudo para baixo do tapete, dizendo que a conexão entre o pó e o caso era provavelmente irrelevante, mas que poderíamos falar mais sobre isso no final do dia. 

Bom, deixe-me falar um pouco sobre o tribunal. Hoje os detetives testemunharam, assim como os policiais que foram os primeiros a chegar na cena do crime e depois o médico legista. E, finalmente, o próprio John Willis. 

Detetive Allen Potts

Detetive Potts foi atribuído a esse caso, e testemunhou que não conseguia ver outra explicação além de que John Willis era o assassino. Ligando o fato de que sua esposa estava o traindo, e que sua irmã iria dar notícias potencialmente tristes, havia motivo e oportunidade. Disse que parecia um crime passional, tirando as ripas de madeira quebradas no corredor. Não tinham como provar quando aquilo tinha sido feito. 

Mas haviam duas coisas que não faziam sentido para ele. Um era o pó preto espalhado por toda a residência. A outra é que John era um homem pequeno e mirrado. Não parece com alguém que teria a capacidade de quebrar todos os ossos da esposa tão precisamente que a faria caber dentro de uma maleta, e também não teria o conhecimento médico de como fazer aquilo. Entretanto, dito isso, aparências podem enganar, e não podemos provar que ele não tenha esse conhecimento. Mas seguindo essa linha de pensamento, também não parecia com alguém que pudesse levantar a própria irmã a quase dois metros de altura e empala-la. 

Falou que, apesar destas inconsistências, acreditava fielmente que John Willis era o culpado. 

Policial Joanna Presley

A policial Presley e seu parceiro Nathaniel Danwright foram os responsáveis pelo chamado de Willis. Ela relatou que chegou na cena do crime e viu John sentado na frente de casa, com sangue em suas roupas. Não totalmente coberto de sangue, mas uma quantia significativa. Parecia extremamente perturbado, seu comportamento não coincidia com o de alguém que havia acabado de cometer um duplo assassinato. 

Ele se recusava a entrar novamente na casa, e repetia várias vezes para que não entrassem no sótão, falou isso várias e várias vezes. Também falou "Está observando-o e conseguiu o que queria" diversas vezes. Em seu depoimento inicial, John relatava que "ele desceu do sótão. Assim como eu sabia que faria. Quebrou minhas paredes de uma vez só e jogou minha irmã lá. Então enrolou sua capa ao redor de minha esposa e quando retirou, ela era apenas uma pilha do que um dia fora um ser humano. Havia uma maleta ali perto já, então ele a enfiou lá dentro e fechou." 

Mais tarde ele voltou atrás no seu depoimento, dizendo que não tinha realmente visto o que acontecera com ela, e que foi por isso que não contou para os policiais sobre a maleta, deixando-os encontrá-la sozinha. Bem clichê, eu sei. 

Médico Patologista Chefe Glenn Louf

Glenn Louf fez as autópsias dos corpos. Apesar das aparências, as vítimas não morreram como achavam que haviam morrido. As duas sufocaram. Isso significa que Erica ainda ficou viva um tempo enquanto empalada na parede, e Jessica durante o processo de ter todos seus ossos quebrados. 

O pó preto coletado na cena do crime também se encontrava nos pulmões de ambas, e o resto de seus órgãos vitais mostravam sinais de queimado, algo que ele nunca havia visto fora de um caso de morte causada por fogo. 

O pó preto foi testado, e nenhuma combinação achada. Não tem qualidades terrestres. Os cientistas que foram envolvidos no caso nunca haviam visto nada parecido com aquilo em todas suas carreiras. Muito menos eu. 

E então, finalmente, a única pessoa que sabe realmente o que aconteceu, o próprio John Willis. 


Testemunho do Réu John Willis

John Willis começou seu depoimento dizendo que não era louco. Insistiu dizendo que o que estava prestes a contar era a verdade de Deus. 

Por pelo menos dois meses antes dos assassinatos, ele estava tendo experiências estranhas em sua casa. As vezes tudo ficava estranhamente gelado em momentos estranhos, as coisas mudavam de lugar, encontrava um pó preto espalhado em todo canto e estava convencido que alguém estava morando em seu sótão. Tentou ajuda com um investigador paranormal, mas não conseguiu que um fosse lá em tempo. 

Disse que uma criatura veio em seus sonhos e disse que o queria. Que era só o que ele queria, pois John era especial. Ele não podia simplesmente levá-lo. Precisava oferecer-se, ou levaria alguém que John amava. Disse que nunca se ofereceu, e por isso a coisa pegou sua esposa. Ele acha que a coisa pegou sua irmã por ser oportunista; ela nunca fora um alvo. 
Falou que sua esposa tinha planos de ir embora naquela noite, pois tinham tido uma briga pesada sobre o relacionamento dela com outro homem, então pegou uma maleta do sótão, quase tropeçando e caindo enquanto descia as escadas, dando um gritinho. Contou que nesse momento estava sentado na sala de estar, conversando com sua irmã sobre seus problemas com Jessica, quando Erica se levantou para ver o que tinha acontecido. John a seguiu, e foi aí que tudo aconteceu. 

A coisa desceu do sótão; enquanto descendia as escadas, o gesso ia se desprendendo das paredes e as madeiras iam se dobrando para baixo e quebrando em cima. Se virou e esticou o braço, pegando Erica do chão e a atirando impetuosamente contra as madeiras. Então, se virou em direção de Jessica, envolvendo-a com sua capa. Ficou com ela lá por uns dez segundos, então a soltou e ela era apelas uma pilha de pele e ossos quebrados. Então deslizou até a maleta, abriu, colocou Jessica perfeitamente lá dentro, fechou o quase todo o zíper. Depois disso, voltou para o sótão. 

John falou que amava sua esposa não importava o que fosse e ainda não tinha recebido as novidades de sua irmã, então não tinha absolutamente nenhuma razão para machucá-las. 



O tribunal foi encerrado para voltar amanhã, onde ouviremos os argumentos e encerramentos e faremos nossa deliberação. Os jurados afetados foram até o juiz juntos, e depois foram até a sala de café para conversar. 

O juiz disse que iria pensar sobe todas as informações que apresentamos a ele e conversaria conosco pela manhã, então temos que chegar mais cedo no tribunal amanhã. Como disse, fomos para a sala do café e tivemos uma discussão sobre o assunto entre nós. 

Aparentemente, todos nós tivemos o mesmo sonho. Nós seis tivemos o sonho igual em todos os detalhes. Ficamos nos perguntando porque isso estava acontecendo só conosco e não com os outros jurados. E parece que eu me safei ontem à noite. 

Trinette disse que seus filhos abriram a porta do sótão porque acharam ter ouvido algum bicho lá em cima, e quando fizeram, uma luz muito forte iluminou o corredor e parecia que a temperatura havia baixando uns 15ºC na casa até que ela conseguisse fechar o sótão. 
Mike entrou em casa e viu algo engatinhando pela sua sala, deixando um rastro de pó atrás de si. Disse que tentou correr atrás, mas quando virou uma esquina no corredor, desapareceu. Mais tarde naquela noite, Mike vomitou uma gosma preta. 

Um de nossos jurados que ainda não citei, Marcus Hightower, disse que estacionou na frente de casa e viu um rosto na janela do quarto no segundo andar, e que era, "a pior coisa que eu já pus os olhos. Sentia o ódio dele por mim e todo o resto do mundo também." 

Esses três jurados e suas famílias passaram a noite em hotéis ontem. 




Hoje é a última noite antes do julgamento final. E eu sei que, seja lá o que seja essa coisa, hoje não será a noite em que ele nos poupará de seus joguinhos. E tenho uma teoria dobre o que é isso. Vou revelar no próximo post, só porque não quero parecer idiota hoje. 

***
EM BREVE: "Sou jurado de um caso muito estranho (FINAL)"

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

FONTE: NICKBOTIC