23/08/2017

A vida e o amor podem acabar com um bang (PARTE 1)

ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE (EROTISMO/CONTEÚDO SEXUAL).


NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 

"Gosto de trepar." 

Sua descrição em seu perfil no site de encontros eram apenas essas três palavras junto de uma foto que podia ter sido facilmente tirada quando fora presa. 

Mesmo assim, era gostosa. Não podia esconder isso nem com a falta de maquiagem, roupas largadas ou o cabelo desarrumado. 

Será que mando uma mensagem? Pensei. 

Por um lado, toda minha experiência de vida, meu intelecto e meus instintos diziam para eu deixar isso de lado. Não era possível que uma mulher tão linda como aquela tivesse criado um perfil em um site de namoro para arranjar transas. Só podia ser uma armadilha. Mas por outro lado, eu estava morrendo de tesão. 

Então mandei uma mensagem. 

Ei, é o John. Vamos ficar pelados e dançar ridiculamente e suados.

Não, não mandei exatamente isso. Quando estou mandando uma mensagem por esses sites, geralmente apago a mensagem umas 47 vezes antes de mandar uma definitiva. Mas naquela hora meu gato resolveu correr por cima do meu teclado, e a mensagem foi mandada desse jeito. Na real, vou colocar aqui em baixo a mensagem exata que mandei:

Ei, é o John. Vamos ficar pelados e dançar ridiculamente e suados aserkkjllll

Antes de fechar meu notebook enjoado, fiz uma anotação mental de matar depois aquele gato filho da puta. Prometi para mim mesmo que não olharia o site por pelo menos uma hora, deixei meu notebook de lado e fui dar um rolê até o café que ficava logo na esquina de casa. Cinco minutos depois o app de namoro estava aberto no meu celular. Achei que uma olhadinha não faria mal. Deve ser por causa dessa linha de pensamento que não consigo parar de fumar. 

Para minha surpresa, eu já havia recebido uma resposta daquela garota, Marla M. 

Ei, John, estou disposta a participar da parte de ficar suados, mas vamos deixar o ridículo de lado.  Só caso ficarmos afim de filmar. 

Eu não consigo acreditar que ela me respondera depois da mensagem que eu mandei. Todo mundo sabe que o segredo para app de namoro é não parecer tão desesperado quanto realmente está.

Fiquei encarando meu telefone, pensando em uma resposta inteligente, quando vi uma frase em itálico na parte inferior da tela do chat.

Marla está digitando...

O endereço dela apareceu na tela seguido de uma palavra só.

Ocupado?

Pensei por alguns segundos antes de mandar uma resposta. 

Como você sabe que eu não sou um serial killer haha

Marla está digitando...

Como você sabe que EU não sou?

Uma resposta justa. Pelo o que eu sabia, podia nem ser uma mulher que estava do outro lado daquela tela. Certamente não agia como uma. A coisa certa a se fazer seria verificar isso de certa forma. Entretanto, eu ainda estava explodindo de tesão. Respondi.

A caminho.

Quando cheguei na casa eu soube que não tinha como estar no endereço certo. Haviam pelo menos vinte carros estacionados no jardim. Chequei a mensagem mais umas três vezes. Sim, era o endereço certo. Mandei uma mensagem para ela no app. 

Sentimos muito, mas Marla M. está offline no momento. 

Suspirei e sai do carro. Se eu estava prestes a ser assassinado, pelo menos teriam várias testemunhas no meu caso. Caminhei e bati na porta. Uma senhora de idade usando um vestido preto atendeu.

"Uh, oi." Falei. "Marla está?"

"Claro que está." A senhora falou me olhando com um olhar suspeito. "Você é amigo da família?"

"Uh... família?" 

"Família de Henry."

"Quem é Henry?"

A senhora começou a inchar como se fosse um balão indignado. Mas ainda bem, uma voz soou lá de dentro. 

"É o John? Deixe-o entrar."

A velha estreitou os olhos mas deu espaço para que eu passasse. Todas as pessoas naquele lugar estavam vestidas de terno ou vestido, menos eu. Eu usava jeans rasgado e uma camiseta do Metallica. Havia uma vibe pesada no lugar. Marla caminhou até mim. 

"Uau." Falei. "Você é de matar pessoalmente."

"Logo você será de matar." Sussurrou no meu ouvido. 

A mulher balão estava me olhando com raiva. 

"John, essa é a mãe de Henry." Marla disse. "Gertrude, esse é meu novo amor, John."

"Uh, olá, eu-"

Mas a senhora se virou e saiu andando a passos duros de raiva. 

"Não ligue para ela." Marla disse. "Está mais chata ainda desde que Henry morreu."

"Ok, mas quem é Henry?" Perguntei exasperado. 

"Ele é o cara ali no caixão. Era meu marido antes de levar um tiro na cara." 

Meu estômago despencou. 

"Marla... isso aqui é um funeral?" 

"Era. Agora é uma festa, amor." Marla mordeu meu lóbulo. 

"Mas, eu não... por que você me convidou para transar no enterro do seu marido?" 

"Ah, ele gostava de me bater também." Marla disse sem rodeios. "Todos aqui fingem que não sabiam." 

"Ah... Isso é...."

“Está tudo bem." Marla me cortou, me levando por um corredor que tinha uma porta no final. "Sabe, eu contei para cada uma dessas pessoas que ele estava me batendo e nenhum deles levantou um dedo para me ajudar." 

"Ah. Você chamou a polícia?" 

"Ele era da polícia."  Marla disse, abrindo a porta. O quarto estava iluminado pelo brilho alaranjado de luz de velas, e uma cama de casal estava coberta de pétalas de rosa bem no meio. 

"Ficava repetindo todos os dias que queria uma filha, sabe? E quando eu não dava uma a ele, descontava em mim." Continuou. 

Tive a sensação de que ela estava querendo despejar aquelas palavras a muito tempo, então fiquei só ouvindo.  

"Ah, sinto muito por isso. Você não pode ter filhos?" 

"Eu podia." Marla falou. "Mas depois que eu encontrei a pasta escondida em seu computador, percebi o motivo para querer tanto uma filha. Então fiz uma histerectomia sem contar para ele." 

"...ah."

"Você pode dobrar uma mulher, Daniel, mas não quebrá-la."

"Meu nome é John, na verdaaaaa..."

Marla deslizou as mãos na minha calça. 

Vou deixar de fora o que aconteceu depois. Gosto de pensar que eu havia inexplicavelmente melhorado na cama, mas acho que Marla só estava querendo fazer muito barulho para a plateia do lado de fora. 

"Sabe com o que você se parece?" Marla falou depois que terminamos. "Um cachorrinho perdido." 

Eu não sabia o que isso significava, então só agradeci e coloquei minhas calças de novo. 

"Tenho que checar uma coisa." Ela disse. "Então depois podemos sair daqui." 

"Uh... ok?"

Marla saiu e fechou a porta, e ouvi a tranca ser fechada. Então percebi que a porta se trancava pelo lado de fora, e que estava preso até que ela voltasse. Não estava muito afim de ficar trancafiado na casa de uma estranha e, francamente, Marla parecia meio instável. Mas provavelmente estava exagerando. 

BOOM

A porta tremeu enquanto uma explosão balançava a casa. 

Mas que porra é essa? Minha mente vagou por milhares de possibilidades. 

E então ouvi os tiros e gritos, seguidos pela risada histérica de Marla, e eu soube. 

Tentei abrir a porta freneticamente; mas não tinha jeito. Me joguei de ombro contra ela, mas meu ombro sentiu muito mais que a porta. Corri através do quarto para sai pela janela e percebi que tinham instalado grades muito recentemente ali. 

BANG

Um tiro soou bem atrás de mim e me virei para ver Marla, uma espingarda na mão e chutando a porta aberta, que agora tinha um buraco enorme no lugar onde antes era a fechadura. 

"Foi mal por isso." Falou. "Perdi a chave. Pronto para ir, amor?" Jogou os cabelos. 

"Eu, uh..."

Marla me olhava esperançosamente, olhos tão arregalados que achei que cairiam de seu crânio a qualquer momento. 

"Ok?" Falei fracamente, esperando que não atirasse em mim. 

Dentro da casa era uma carnificina de ossos quebrados e sangue, e tentei não olhar muito enquanto saíamos de lá. 

"Oh, carro maneiro." Marla falou. "Posso dirigir?" 

"C-claro?"

Dei as chaves para Marla e subi no banco do passageiro. 

"Uau, a festa realmente bombou." Marla falou, rindo e acendendo um cigarro. "Você fuma?" Perguntou, me oferecendo um. 

Minha boca abriu, mas não consegui formar palavras. Silenciosamente fiz que não com a cabeça. 

"Bem que você faz," falou. "Faz muito mal."

Ela pisou no acelerador e voamos pela rodovia. 

"Hm... Marla?" Falei. 

"Sim, John?"

"Onde estamos indo?"

Marla deu uma longa tragada no cigarro. 

"Algumas pessoas não vieram ao funeral." 


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 


22/08/2017

O Perseguidor

As últimas e pálidas listras de luz desapareceram rapidamente atrás da extensão da cidade naquela noite. A rua, ainda úmida de uma chuva recente, brilhava fraca. As luzes da rua piscavam. E a rua ficava suspensa naquele momento intermitente entre o brilho e a escuridão.

Eu estava a caminho de casa depois de um difícil dia de trabalho, que me deixara exausto. Dei longos passos, minhas mãos fechadas em punhos se enfiaram fundo nos bolsos. Estavam geladas. Um frio que gelava minha espinha. Senti meu batimento cardíaco acelerar, minha respiração ficou mais rápida. Parei, fechei os olhos, e ouvi o som de um único passo atrás de mim. Então nada mais.

Alguém estava me seguindo.

Parei em uma rua vazia e virei a esquina, agora não havia dúvida. Eu certamente tinha um perseguidor. Não olhei para trás, apenas corri. Meus pés pisando forte no pavimento molhado. Nós corremos juntos, meu perseguidor e eu, uma dança maníaca e de alto risco. Através das ruas laterais, das traseiras e das latas de lixo. Finalmente chegamos à minha rua, pulei por cima da cerca, atravessando o quintal e corri para minha porta, uma briga insana com as minhas chaves. Eu sabia, se pudesse chegar ao porão antes de ser pego, estaria a salvo.

Corri para o meu porão, empurrei-o para abrir, depois desci as escadas, pulando as duas últimas etapas antes de me esconder nas sombras.

Meu perseguidor desacelerou enquanto descia os degraus do meu porão, cada pé caía descendo-o mais na escuridão sombria. Um fraco raio de luz brilhando pelas escadas do porão permitiu que eu visse a mão do meu perseguidor tateando o caminho ao longo da parede do porão frio, procurando um interruptor de luz. Ouvi cada respiração dele, irregular, pesada e molhada.

À medida que sua mão se encontrou com o interruptor da luz, ele rapidamente o acendeu.

Assisti enquanto o homem do uniforme azul estava congelado de terror quando seu olhar varreu a sala. Das paredes manchadas de sangue até o congelador sangrento no canto com o que restava do meu jantar anterior na mesa cirúrgica.

Ele não me escutou rastejando atrás dele, mas ele deve ter sentido minha respiração pesada enquanto esvaziava uma seringa cheia em seu pescoço. "Bem, oficial", eu sussurrei na orelha do policial enquanto seu corpo enfraquecia. "Parece que você solucionou este caso".


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 



21/08/2017

Você ainda está assistindo?



Eu e minha namorada sempre chegamos em casa do trabalho e esperamos o outro para ir direto na Netflix. Escolhemos um filme aleatório que nem assistimos ou qualquer série, e atualmente estamos assistindo Gossip Girl. Esta noite minha namorada chegou em casa e estava mais cansada que outras noites, então deixei que fosse dormir e assisti Gossip Girl sozinho enquanto mexia no Reddit.

Acredito que passei muito tempo lendo, pois depois de alguns episódios o pop-up “Você ainda está assistindo?” apareceu perante a inatividade. Eu estava ocupado lendo, e não me importei em continuar o episódio. Depois de um bom tempo a tela escureceu com o símbolo da Netflix. Ficou consideravelmente mais escuro no quarto devido à mudança de luz. Inicialmente fiquei alarmado por causa da escuridão, mas era normal, o celular que estava conectado a TV eventualmente desligaria. Me voltei para a Netflix afim de dar play na série, mas me deparei com algo que fez meu coração parar.

A porta do guarda-roupa lentamente começou a abrir-se. Isso é meio íntimo, mas sou uma criança quando se trata de portas de armários e guarda-roupas, sempre preciso delas fechadas. Às vezes quando as esquecemos abertas e as luzes já estão apagadas, eu paraliso de medo até que alguém as feche.

Eu fiquei em choque, tentando decidir se aquilo estava mesmo acontecendo ou se as sombras estavam brincando com minha visão. Lenta, mas com certeza a porta estava se abrindo. Mal me movi, mas fui capaz de segurar na cintura da minha namorada. Percebi que ela estava deitada de costas pelo ângulo, e ela nunca dorme assim, fala que é desconfortável e difícil de respirar. Não me toquei disso no momento, foquei confuso na porta que continuava bizarramente se arreganhando. Eu não conseguia ver nada pela abertura de 10 centímetros, mas sabia que aquilo não era um fenômeno aleatório, e que alguma coisa estava mesmo abrindo a porta e eu REALMENTE não queria descobrir o que era, só esperar que fosse um sonho.

A porta pareceu parar de se abrir quando alcançou uns 15cm, e foi aí que a Netflix voltou para “Você ainda está assistindo?”, deixando a sala mais clara. Eu não tenho certeza do porquê apareceu sozinho, já que me celular já havia sido desconectado e eu não estava nas condições de colocá-lo de volta. Quando me virei para minha namorada atrás de mim, os olhos dela estavam arregalados com um sorriso selvagem no rosto. Eu pulei atrás e gritei o nome dela, que fechou os olhos e se virou, pra depois voltar e reabri-los lentamente, perguntando se eu estava bem. Eu continuei preso pelo medo, sem saber o que dizer ou como processar que ela estava quase possuída alguns segundos atrás. Meu silêncio a fez virar-se novamente para o lado, e enquanto eu me levantava ainda em choque, ela perguntou “Você poderia desligar a TV? Não consigo dormir com a luz acesa”.

Me virei para a TV, sem dizer uma palavra, encarando a tela que me perguntava se eu ainda estava assistindo. A porta do closet estava fechada como quando deitamos na cama, e eu não tinha certeza se deveria desligar a TV agora mesmo...

“Você ainda está assistindo?”

 

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19/08/2017

As histórias de um Oficial de Resgate no Serviço Florestal dos EUA

Olá! Estou iniciando uma nova série. O nome original é: "I'm a Search and Rescue Officer for the US Forest Service, I have some stories to tell". Conversei com o pessoal aqui do site e concordamos que o título ficaria muito grande, então optamos por simplificá-lo. Ela é bem longa, tem oito partes, porém é ótima, e estou adorando traduzi-la. Espero que goste, não esqueça de deixar seu feedback!

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Eu não tinha certeza de onde mais publicar essas histórias, então pensei em compartilhá-las aqui. Sou um oficial da SAR há alguns anos e ao longo do tempo vi algumas coisas que acho que vocês ficarão interessados.


• Sou bom em encontrar pessoas desaparecidas. Na maioria das vezes, elas simplesmente vagam pelo caminho, ou deslizam em um pequeno penhasco e  não conseguem encontrar o caminho de volta. A maioria delas ouviu o velho conselho: "fique onde você está", e não vão para muito longe. Mas houve dois casos em que isso não aconteceu. Ambos os casos me incomodam muito, e os uso como motivação para procurar ainda mais nos casos de pessoas desaparecidas. O primeiro foi um garotinho que estava colhendo frutas com seus pais. Ele e sua irmã estavam juntos, e ambos se perderam ao mesmo tempo. Seus pais os perderam de vista por alguns segundos e nesse período as duas crianças se afastaram. Quando não conseguiram encontrá-los nos ligaram e fomos vasculhar a área. Encontramos a filha muito rapidamente e quando perguntamos onde estava seu irmão, ela nos disse que ele foi levado pelo "homem urso". Ela disse que ele lhe deu as frutas de seu irmão e disse a ela para ficar quieta, pois ele queria brincar com seu irmão por um tempo. A última vez que ela viu seu irmão ele estava andando nos ombros do “homem urso” e parecia calmo. Claro, nosso primeiro pensamento foi sequestro, mas nunca encontramos vestígios de outro ser humano nessa área. A menina também insistiu que não era um homem normal, que ele era alto e coberto de pelos, como um urso, e que tinha um rosto estranho. Nós investigamos essa área por semanas, foi um dos chamados mais longos em que já estive, e nunca encontramos um único vestígio desse garoto.  O outro caso era de uma jovem que caminhava com a mãe e o avô. De acordo com a mãe, sua filha subiu em uma árvore para ter uma visão melhor da floresta, e ela nunca voltou. Eles esperaram na base da árvore por horas, chamando seu nome, antes que pedissem ajuda. Mais uma vez, procuramos em todos os lugares, e nunca encontramos um sinal dela. Não tenho ideia de onde ela poderia ter ido, porque nem a mãe nem o avô a viram descer.



• Algumas vezes comecei a investigar com cães e eles tentaram me levar até penhascos retos. Não eram colinas, nem mesmo haviam pedras. Penhascos retos e soltos, sem encostos possíveis. É sempre desconcertante e nesses casos geralmente encontramos a pessoa do outro lado do penhasco, ou a quilômetros de distância de onde o cachorro nos conduziu. Tenho certeza de que há uma explicação, mas é meio estranho.



• Um caso particularmente triste envolveu o resgate de um corpo. Uma garota de nove anos caiu num aterro e foi empalada por uma árvore morta. Foi um acidente estranho. Nunca esquecerei o som que sua mãe fez quando lhe dissemos o que aconteceu. Ela viu o saco com o corpo sendo carregado em direção à ambulância e soltou o lamento mais perturbador que eu já ouvi. Era como se sua vida inteira estivesse girando e uma parte dela morreu com sua filha. Eu ouvi de outro oficial da SAR que ela se suicidou algumas semanas depois do que aconteceu. Ela não podia viver sem sua filha.



• Eu estava com outro oficial da SAR porque recebemos relatos de ursos na área. Estávamos à procura de um cara que não tinha chegado em casa de uma escalada e acabamos tendo que fazer uma escalada complicada para chegar onde achávamos que ele estaria. Nós o encontramos preso em uma fenda com uma perna quebrada. Não foi nada agradável. Ele estava lá por quase dois dias, e sua perna estava obviamente infeccionada. Nós conseguimos levá-lo de helicóptero, e eu ouvi de um dos EMTs que o cara estava absolutamente inconsolável. Contou como ele estava bem, tudo corria normalmente, até chegar ao topo. Um homem estava lá. Ele disse que o cara não tinha nenhum equipamento de escalada e estava usando uma parka e uma calça de esqui. Ele caminhou até o homem, e quando ele se virou, não havia rosto. Estava em branco. Ele se assustou e tentou sair da montanha o mais rápido possível, e é por isso que ele caiu. Ele disse que podia ouvir o cara toda a noite, descendo a montanha e soltando terríveis gritos abafados. Essa história me incomodou. Fico feliz por não estar lá para ouvir isso



• Uma das coisas mais assustadoras que já aconteceu envolveu a busca de uma jovem que se separou do grupo de caminhadas. Nós estávamos a procurando até tarde da noite, porque os cães tinham farejado seu rastro. Quando a encontramos, ela estava enrolada debaixo de um grande tronco apodrecido. Ela perdeu seus sapatos e sua mochila e estava claramente em estado de choque. A garota não tinha nenhum ferimento e nós conseguimos fazê-la caminhar conosco de volta a base de operações. Ao longo do caminho, ela ficou olhando para trás e nos perguntava por que aquele "grande homem de olhos negros" estava nos seguindo. Nós não conseguimos ver ninguém, mas ficamos um pouco assustados. Porém, quanto mais nos aproximávamos mais agitada ficava a mulher. Ela continuou pedindo-me para dizer ao homem para parar de fazer caretas para ela. Em um ponto ela parou, virou-se e começou a gritar na floresta dizendo que queria que ele a deixasse em paz. Ela não iria com ele, ela disse, e não nos daria a ele. Finalmente conseguimos que ela continuasse andando, mas começamos a ouvir ruídos estranhos ao nosso redor. Era quase como uma tosse, porém mais rítmica e mais profunda. Era como o som de um inseto, não sei como descrever isso. Quando estávamos dentro do local da base, a mulher se virou para mim e seus olhos estavam tão abertos quanto eu imagino que um humano possa abri-los. Ela toca meu ombro e diz: "Ele disse para você acelerar. Ele não gosta de olhar a cicatriz no seu pescoço.” Eu tenho uma cicatriz muito pequena na base do meu pescoço, mas está escondida debaixo da minha gola e não tenho ideia de como essa mulher viu. Logo depois que ela disse isso ouvi essa tosse estranha no meu ouvido e dei um pulo. Eu a abracei, tentando não demonstrar como estava assustado, mas tenho que dizer que fiquei muito feliz quando saímos da área naquela noite.



• Esta é a ultima que vou contar e provavelmente é a história mais estranha que tenho. Não sei se isso acontece em todas as unidades da SAR, mas na minha é uma coisa comum. Você pode tentar perguntar para outros oficiais da SAR, mas mesmo que eles saibam do que você está falando, eles provavelmente não dirão nada sobre isso. Nossos superiores nos disseram  para não falar nada e neste momento todos estamos tão acostumados que não parece mais algo estranho. Em quase todos os casos em que estamos longe da região selvagem -estou falando de 30 ou 40 milhas- em algum momento vamos encontrar uma escada no meio da floresta. É quase como se você pegasse as escadas de sua casa, cortasse e colocasse-as no meio da floresta. Perguntei sobre isso a primeira vez que vi, e um oficial apenas me disse para não me preocupar com isso, que era normal. Todos que perguntei disseram o mesmo. Eu queria ir verificá-las, mas me disseram, enfaticamente, que nunca deveria ficar perto de nenhuma delas. Apenas as ignoro quando me deparo com uma, o que acontece com bastante frequência.


Eu tenho muitas outras histórias e se alguém estiver interessado, vou contar algumas delas amanhã. Se alguém tiver alguma teoria sobre as escadas, ou se você as viu também, me avise.





Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem céditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


Ivy

Estou começando a achar que meus pais não me amam.

Eu sei, eu sei. Você deve estar pensando o mesmo que os outros. “Eles te amam sim, Bárbara, isso acontece com todo mundo nessa fase. Se você conversar com eles, aposto que vai entender”. Mas não entendo. Eles nem sequer falam mais comigo, e acham que estou doente, pois todos os dias sou obrigada a ir ao médico.

Mas nem sempre foi assim. Meu pai, dono de uma empresa de automóveis no centro da cidade, sempre foi o meu maior herói. Sempre fomos apaixonados por carros. Tínhamos um armário inteiro de revistas sobre eles em um armário na garagem. Carros antigos, carros atuais, carros do futuro. Todos eles nos deixavam alucinados. Minha mãe também era a melhor mãe do mundo. Ela era professora na escola onde eu estudava, e sempre se importou muito com a educação, o que às vezes a torna um pouco chata, principalmente por causa do jogo de esconder. Ele funciona mais ou menos assim: toda vez que sou malvada, ela pega um de meus brinquedos favoritos e o esconde, até eu voltar a ser boazinha, o que demora um pouco, pois sempre acabo ficando bem irritada.

Mas mesmo assim éramos uma família muito feliz. Tínhamos uma bela casa, um belo cachorro quase maior que eu chamado Tobby, a cidade era linda. Tudo estava ótimo. Mas foi aí então que mamãe ficou grávida, e as coisas deixaram de ser tão legais quanto antes. Todo tempo agora era dedicado a médicos e novos quartos e novas mobílias. A vovó e o vovô nem ligavam mais para mim, e as revistas de carros começaram a ser substituídas por revistas de bebês.

Não demorou muito para que o bebê nascesse. Era uma menina, e meus pais a chamaram de Ivy. Ivy era o bebê mais irritante de todos os tempos. Chorava o dia inteiro, e atrapalhou completamente a nossa vida. Minha mãe agora estava sempre irritada, não tinha mais tempo pra mim, e quando tinha, era para ser malvada.

As noites, antes silenciosas, agora eram preenchidas por gritos de criança e luzes acesas para atendê-la. Porém, na noite de terça da semana passada, fui acordada apenas pelos gritos de minha mãe. Tobby levantou debaixo da minha cama assustado, e seus pelos ainda estavam molhados da tentativa de banho que dei a ele, pois ele havia se sujado muito em nossa última brincadeira. Mamãe ainda gritava quando escutei papai tirar o carro da garagem às pressas, e a polícia apareceu em casa alguns minutos depois. Mamãe estava muito triste, e acho que sei porquê. Ela estava sendo muito malvada.

Escondi o bebê.

Toddy me ajudou.

Autora: Mayara Bianca

18/08/2017

INFESTATIO


Boa noite espreitadores, mais uma creepypasta de minha autoria. Vou dividi-la em partes, uma a cada sagrada sexta-feira. Quantas? Depende da repercussão, ainda não possui final, apenas um frágil esqueleto. Critiquem, se expressem, confabulem, criem teorias, ridicularizem...

 PARTE - I

Aos poucos a crise realmente mostrou a sua temida face, em minha cidade finalmente o que era apenas mostrado nos noticiários passou a acontecer de fato.

Com as grandes Companhias  caindo uma após uma, o fluxo de famílias provenientes de outros Estados foram as primeiras a saírem, estavam ali pelos empregos que não existiam mais e quase todas elas pagavam aluguel, seguido de famílias oriundas da cidade, aos poucos foram indo embora...

Minha enorme cidade, famosíssima pelos congestionamentos e longas filas em frente ao transporte público foi desafogando e perdendo a diversidade que tanto a tornava linda.

Veja bem, nunca tive oportunidade de estudar, desde os 11 anos me virava sozinha, então sempre trabalhei e lutei para me manter, no meu canto, conseguindo me alimentar e arcar com despesas básicas. Não tive tempo para livros, ensinamentos, doutrinas ou tempo de construir uma base para possuir a tal "mente pensante" ou até mesmo derrubar essa base e construí-la do nada.

Apesar de desconfiada e sempre com um pé atrás eu sou e fui manipulada pela mídia local, oras, era de lá que tirava as minhas instruções...

E diziam na TV para que quem pudesse, que estocasse comida, não fizesse dívidas em cartão de crédito, não comprasse nada em prestações etc. Apontavam que se hoje o quilo da batata gira em torno de R$ 2,50, amanhã poderia chegar a R$ 22,00.

Calculei com ajuda de um aplicativo o quanto precisaria ter de comida se ficasse desempregada nos próximos 4 ou 6 meses... E foi o que fiz. Gastei minha rescisão contratual em comida, apenas almoçava para passar o dia inteiro procurando por uma nova oportunidade de trabalho.

As ruas estavam vazias, serviços como táxi, uber, food delivery, lava carros, entre outros praticamente não existiam mais. Haviam baratas, ratos, morcegos e tudo quanto é tipo de praga à vontade por aí. A população de animais de rua caiu drasticamente assim como os moradores de rua também (não estou os colocando como "animais" que fique claro).

A criminalidade aumentou, porém dois sacos de feijão e um de arroz valiam mais que um ótimo smartphone, era precário...

Eis que no dia 1º de Outubro de 2017 tudo mudou, a solução caiu do céu!

Com os imóveis totalmente desvalorizados ficou fácil para que a Corporação Infestatio montasse sua enorme base em minha cidade, gerando milhares de novos empregos.

Minha reserva alimentícia se encontrava em pouco menos da metade do que havia comprado, me custou 7kg, mas no final as coisas se acertaram, consegui um novo emprego, assim como praticamente todos a quem eu conhecia.

A Infestatio se aproveitou das reformas instauradas pelo governo e se aproveitou também da patética situação da prole trabalhadora, passávamos praticamente 14 horas em atividade, sobrava tempo apenas para voltar pra casa, tomar um banho, comer alguma coisa, dormir pouco e enfiar a cara no trabalho novamente.

Quanto as normas de segurança, quanto a insalubridade, periculosidade e riscos... A Companhia tinha praticamente uma livre autonomia, não havia fiscalização e se houvesse uma entidade regulamentadora empenhada, provavelmente deixariam a cidade da maneira em que se encontrava a poucos meses atrás.

Eu achava "engraçado" passar tantas horas produzindo um tipo de veneno inseticida, do qual não consumia, do qual ia pouco ao mercado para vê-lo em prateleiras ou até mesmo ter tempo para contemplar esses insetos e pragas em meus dois "luxuosos" dois cômodos.

Chegamos em uma época em que a Infestatio era a maior empregadora do país, segundo a Forbes foi a empresa de toda a história que atingiu a maior ascensão em tão pouco tempo. Essa explicação se dá devido ao regime praticamente escravocrata que somos submetidas, enfim...

Adequada ao racionamento que praticava a um ano e meio atrás na época que veio a ter o nome de "Grande Escassa" somado com a longa jornada de trabalho e minha falta de apetite devido a náusea e enjoo constantes que sentia com a mistura dos produtos químicos, passei a comer bem pouco. Quando terminava meu turno e visitava o mercado eu sempre tinha o ímpeto de gastar muito em produtos  alimentícios, mesmo sem consumi-los devidamente.

Foi aí então que me dei conta... Pra onde ia toda a minha comida??? Eu não jogava fora, não doava, não consumia... Alguém entrava em casa e levava?

Passei o turno inteiro pensando nisso, na hora da pausa convidei Marta a ir ao mercado comigo após o expediente, ela topou de imediato dizendo que : " Havia muita coisa que precisava comprar pra casa". Ela também era solteira e sem filhos...

O turno dela terminava uma hora antes do meu, então decidi dar uma voltinha em torno da fábrica para dar uma observada... Não haviam mais carrinhos de cachorro-quente, pipoca, trailers, lanchonetes, algodão-doce, crepes nem nada... Haviam máquinas de snacks, salgadinhos, conservas, nada que fosse preparado na hora, pra consumo imediato.

Sentei-me no meio-fio e fiquei encarando uma barra de chocolate por extensos 7 minutos sem ter a menor vontade de abri-la. Quase dois anos atrás esse artigo poderia ser motivo suficiente para um brutal assassinato, digo sem exageros pois fui sortuda de ter sobrevivido com folga a Grande Escassa, muita gente morreu de fome ou sobreviveram em condições de extrema carência em boa parte do continente.

Subi no carro e fui observando pela janela as ruas, extremamente LIMPAS, não era nem sombra do que a cidade já foi, sem embalagens pet, restos de bolacha, pacotinhos rasgados de salgadinhos, papéis de bala... nada...

Não queria influencia-la, apenas olharia... Marta encheu seu carrinho de comida, a cada passada de mão com seus finíssimos dedos nas prateleiras ela comentava algo como "você deveria levar um também, esse é gostoso, olha que barato, não vai precisar?, está em promoção..."

Após chegarmos, descarregarmos todas a compras e nos sentarmos eu perguntei :
- Não vamos comer nada, Marta?
ela respondeu : - Olha Veronica, agora não estou com fome, você está?
Fiz que sim com a cabeça e disse : - Por favor, ligue seu laptop pra mim?

E fui até seu armário, geladeira, dispensa e lixos...

Perguntei se podia usar o cartão de crédito dela, disse que tudo bem, já me fornecendo os dados e a senha.  Comentei com ela as minhas ideias, logo de cara as refutou e me tomou como louca.
Tirei a fatura de seu cartão de crédito e me sentei ao lado dela com um marca-texto púrpura e fui "pintando" praticamente toda a folha impressa.

Ela se levantou foi até seu armário, geladeira, dispensa e lixos...

Me olhou e como uma criança de quatro anos que gostaria de entender como "uma hora" funciona, com seus sessenta minutos e seus três ponteirinhos num relógio qualquer, questionou o que eu já esperava: "Cadê a minha comida???"