24/05/2018

Eu e Meu Irmão Vimos Algo Assustador – Parte 5

Meu pai não conseguiu dormir a noite toda, ele estava nervoso e só pensando de como seria a cena. Ele acordou cedo e fez o café da manhã, a raiva estava visível em seu rosto. Depois do café, ele partiu para a casa de Tommy em passos pesados e demonstrando puro ódio.

“Merda, não posso deixar isso acontecer...”, minha mãe foi correndo atrás dele e fomos juntos.

Quando chegamos na porta, meu pai já estava na frente da porta da casa de Tommy, minha mãe o impedindo.

“John, não!”

Quando a porta abre, meu pai pegou Tommy pelo colarinho e arremessou para o gramado.

“Seu maldito”, meu pai gritava com todo ódio do mundo. Sem pensar, ele deu um soco no nariz de Tommy, minha mãe tentando separar eles. Eu e Matt estávamos na calçada olhando a cena violenta. Tommy se levantou com a mão no rosto, e pelo visto ele não gostou. Tensão tomava conta do ambiente, misturado com medo. Sorte que não tinha um pé de pessoa na rua, todos estavam dormindo. O sorriso de Tommy desapareceu por completo e deu lugar a raiva em si, queria gritar ou correr mas o meu corpo não correspondia. Tommy se aproximou de meu pai e o pegou pelo pescoço, minha mãe desesperada.

“Não faça isso, por favor...”, minha mãe tentando soltar o braço de Tommy com toda a sua força, mas ela não conseguia. Ele era forte demais para um ser humano.

“Vou te ensinar a não mexer mais comigo”, disse Tommy, sua voz mais grossa que o normal. Sem o mínimo de esforço, ele levantou o meu pai e o posicionou pelo ar, meu pai fazendo uma careta e balançando os braços para os lados. Demorou 30 segundos no ar até que Tommy abaixou o meu pai e tirou a mão no pescoço, meu pai se engasgava e cambaleava pelo gramado, pude ver uma marca em tom roxo no seu pescoço. Eu e Matt estamos sem palavras, meu corpo tremendo e perto de cair pelo gramado. Tommy chegou mais perto e vi que seus olhos começaram a brilhar intensamente.

Meu pai começou a se contorcer de um jeito tão perturbador enquanto os olhos de Tommy ficaram tão brancos com uma luz forte ao ponto de cegar qualquer um de nós, inclusive meu pai. O dia estava nublado e o sol surgiu entre as nuvens, não estava aguentando mais ver essa cena até que os olhos de Tommy parou de brilhar e voltou ao normal e correu até a sua casa e entrou. Meu pai estava desacordado no meio do gramado e minha mãe não parava de chorar. Olhei para dentro da casa e vi o telefone em cima da mesa, consegui me mover e corri, peguei e disquei o número da ambulância, minhas mãos trêmulas e meu corpo em total tremedeira. Depois de cinco minutos, a ambulância chegou e levou o meu pai. Minha mãe chamou um vizinho nosso para nos cuidarmos enquanto ela ia para o hospital. Só pode ser um pesadelo, nunca vi algo tão parecido com isso em toda a minha vida.

Mas agora eu sei de algumas coisas sobre ele. Ele não é humano.

Autora: Ely Costa


Minha Arte

Certa vez, enquanto caminhava para casa, passei em frente à uma loja de roupas. A vitrine era composta por manequins dourados que usavam blusas, calças-jeans, jaquetas, bolsas e até mesmo colares. Eram todos femininos. Os manequins eram variados. Alguns baixos, outros altos. Uns gordos, outros magros. Alguns faltavam os braços ou mesmo a cabeça. Mas não foi nada disso que me fez parar em frente ao vidro e observa-los.

As pessoas que passavam por ali não me estranhavam. “Provavelmente procurando um presente para a namorada, amiga ou esposa”, pensariam. Eu também não estava cismado com a diferença entre tamanhos e roupas dos manequins. O que eu estava pensando naquele dia era justamente a sua cor. Dourado.

Sabe, por alguma razão, tive uma ideia; daquelas que surgem sem mais nem menos, e imaginei o seguinte: qual a probabilidade de algum desses manequins ser feito de ouro?

Você provavelmente deve estar me achando um louco. Mas, naquele dia, as pessoas que me viam não me estranhavam; simplesmente pensavam que eu era apenas mais um homem, com os sapatos surrados e um cabelo mal penteado, parado em frente à vitrine de uma loja de roupas femininas. Mas não podemos perder o foco. Pare um pouco para pensar. E se, algum daqueles manequins, fosse realmente de ouro?

Vou lhe responder o que eu acho, caso fosse.

Seria como se o dono da loja estivesse escondendo um tesouro em plena vista. Talvez como alguma forma de zombaria, talvez não. Mas o que importa é que esse tesouro, por estar em uma forma diferente (a forma de um manequim vestido com roupas femininas) e por estar no meio de tantos outros manequins parecidos, era praticamente impossível que as pessoas reconhecessem o verdadeiro valor dele.

Uma outra coisa. E se apenas você e o dono do manequim soubessem daquilo? Um segredo íntimo entre ambos. Não precisariam nem se conhecer ou sequer trocar uma palavra a respeito. A certeza dele poderia ser a sua dúvida, mas haveria uma sensação

interna em você que apreciaria aquilo. Algo como: “Eles não sabem, mas eu sei. Não se preocupe, o seu segredo está guardado comigo”.

E quanto as pessoas comuns? E se todos que passassem por ali, na frente daquela vitrine todos os dias, não desconfiassem de uma coisa dessas? Elas estariam perdendo algo? Sim, sem sombra de dúvidas, mas isso era parte do jogo.

Eu sou um artista. Um artista plástico, para ser mais exato. Bem-sucedido, por incrível que pareça. A maioria das minhas obras são quadros, mas ultimamente tenho me focado mais em esculturas com significados abstratos. Eu exponho minha arte em galerias ao redor de todo o país. Estive em muitas cidades e, em cada cidade, eu não deixo de adicionar uma “peça” à minha coleção, mesmo que elas não queiram fazer parte. Parece ainda mais loucura, não? Acho que sou meio workaholic, pois trabalho compulsivamente, mas simplesmente não consigo desperdiçar uma oportunidade quando a vejo.

Enfim, eu lhe contei o episódio do manequim porque ele é a verdadeira razão do meu sucesso. Não é que o meu trabalho não fosse bom antes; é que simplesmente eu não o estava fazendo da maneira correta. Hoje o faço com amor. Com orgulho. Com prazer. Tenho uma paixão enorme por todas as minhas obras. Mas, em especial, eu amo mais aquela que lhe falei. Aquela que é, para mim, como um manequim de ouro em meio a tantos outros manequins dourados.

Então, por favor, quando minha arte for exposta em sua cidade, venha vê-la. Sei que existem muitos artistas apresentando as suas obras, e sei que existem muitas galerias, mas não posso lhe dizer qual deles eu sou ou qual delas tem a minha arte. Como eu disse, tiraria toda a graça da coisa. Apenas lhe peço o seguinte: quando for na minha galeria, e encontrar o meu “manequim de ouro”, não diga nada. Apenas sorria e aprecie. E eu saberei que você entendeu. E este será um segredo maravilho, compartilhado somente entre nós.

Autor: Drin, L. P.

Seahollow

Eu nasci e passei minha infância em Seahollow, Texas. Você pode pesquisar essa cidade no Google; não vai encontrar nada. Era uma cidade muito bonita, praticamente no meio da Floresta Nacional de Angelina. Ao contrário do que muitos pensam sobre o Texas, Seahollow era uma cidade muito pacífica. Praticamente ninguém morria naquele lugar; e quando alguém morria, a cidade inteira sabia em menos de 24 horas. Em Seahollow havia apenas uma escola: A Albury Secondary School. Eu passei praticamente minha infância e metade da minha adolescência brincando e namorando naquela escola. Ás vezes, quando eu fecho os olhos, ainda posso ouvir o sino tocando e a correria nos corredores. Você deve estar se perguntando por que caralhos Seahollow não existe mais.

Foram eles.

Se você encontrar por aí alguém que conseguiu fugir de Seahollow, nunca use o pronome eles na frente dela, por favor. Se você perguntar quem são “eles”, provavelmente ela vai pedir para que você nunca mais pergunte isso a ela, ou, se ela for como eu, ela irá te contar toda a história do que ocorreu em Seahollow. A pequena e pacata Seahollow.

Era tarde de uma Quarta-Feira. Eu lembro como se fosse ontem. Eu estava terminando de fazer um trabalho de filosofia (Quem se importa com Nietzsche, Aristóteles ou Pitágoras?), minha mãe estava fazendo um sanduíche para meu irmão caçula, e meu pai estava trabalhando na pequena fábrica que havia na cidade. Foi quando toda a cidade ouviu.

Vinha do bosque. Uma criança vinha correndo, com a perna sangrando. Eu não lembro quem era, acho que era o pequeno Michael Willis. Como nos filmes, todos saíram de suas casas para ver o que tinha acontecido. A Sra.Willis saiu de casa e foi ao encontro do filho. Eu me lembro de Mike falando algo como “Ele me mordeu!”, bem alto. Todos ouviram. A mãe dele perguntou quem tinha o mordido e ele apenas respondeu “Ele”, apontando para algo na floresta. Quando a Sra.Willis olhou para a floresta, ela rapidamente pegou Mike e levou para o carro rapidamente, e saiu, provavelmente para o hospital. Pelo menos, foi o que eu pensei antes de olhar para a floresta e ver o que tinha mordido Mike.

Tinha a aparência de um lobo muito grande, ou um urso muito pequeno. Ele vinha cambaleando, com sangue no focinho, e posição de ataque. Todos correram para dentro de casa. Lembro-me de minha mãe me puxando para dentro de casa, quase me jogando no sofá da sala. Pela janela, pude ver que haviam mais daquelas criaturas vindo em direção à rua, saindo das sombras. Agora não cambaleavam mais; vinham determinadas a devorar tudo o que vissem pela frente.

Meu irmão soltou um grito abafado; acho que foi isso que nos denunciou. Duas das criaturas correram em direção a casa. Eu fechei a janela com força; bem na hora em que uma delas se jogava, tentando entrar. Eu tranquei as janelas, minha mãe e meu irmão trancaram todas as portas, ao mesmo tempo em que as criaturas se jogavam contra a porta da frente, tentando a qualquer custo devorar-nos.

Lembro-me de minha mãe correndo, levando meu irmão para o quarto, e eu me jogando debaixo da cama. Conseguimos nos esconder no quarto bem na hora em que uma delas conseguiu arrombar a porta lateral. Aquele grunhido de cachorro raivoso, que te faz arrepiar até a alma. Eu pude ouvir outra criatura entrar na casa. Os dois estavam farejando, isso eu pude perceber. Um deles chegou a frente à porta do quarto e parou. Começou a fungar com força, como se conseguisse cheirar nosso medo. Acho que tem a ver com nossos feromônios, ou coisa do tipo. De qualquer maneira, ele conseguia nos sentir dentro do quarto.

Ele ficou lá, parado, arranhando a porta por longos dois minutos, e depois saiu. Eu conseguia ouvir os passos. Depois de mais ou menos meia hora, os barulhos cessaram. Nós ainda esperamos quase uma hora, para só então sair do quarto.

A nossa casa estava um caos. Parecia que um furacão tinha passado por ali. Pratos jogados no chão, toda a comida da geladeira e do armário estava espalhada pelo chão, parcialmente digerida. Um cheiro de urina e fezes tomava conta do lugar inteiro. Segurei-me para não vomitar. Acho que minha mãe e meus irmãos fizeram o mesmo. Com cautela, fomos á garagem pegar nosso carro para dar o fora dali, e pegar meu pai na fábrica.

Quando ligamos o carro, uma criatura saiu da casa do vizinho e disparou na nossa direção. Minha mãe acelerou tão rápido que eu achei que fôssemos bater em algum poste de luz. Por sorte, não batemos. As criaturas estavam em todas as casas. Eu pude ouvir os gritos abafados na casa dos Farell, a uma quadra da nossa rua. Minha mãe estava tão concentrada na direção que não reparou na cidade ao seu redor. Estava tudo destruído; havia criaturas daquelas por toda a cidade.

Quando chegamos à fábrica, havia uma multidão correndo, carros virados e corpos espalhados pela rua. Minha mãe parou em frente á fábrica e gritou por meu pai. Obviamente, ninguém conseguia ouvir nada, então minha mãe buzinou bem alto. Nada acontecia. Quando meu pai apareceu, no meio da multidão que fugia loucamente da fábrica, minha mãe acelerou o carro e foi ao encontro dele. Meu pai entrou rapidamente no carro e começou a fazer perguntas. Você viu uma delas? Estão por toda a cidade? As perguntas eram tão retóricas que minha mãe ficou irritada.

“POR QUE NÃO ME DEIXA DIRIGIR EM PAZ?”, ela explodiu, enquanto disparava em direção á rodovia que nos tiraria de lá.

“Ok, Melanie, se concentra. Não vou perguntar mais.”

“Ótimo.”

Quando finalmente saímos da cidade, todos soltaram um suspiro de alívio. Mas durou pouco. No meio da rodovia, havia tanques do exército e soldados de prontidão. Minha mãe parou o carro e começou a discutir com o sargento responsável.

“Como assim não podemos sair? E aquele papo do ‘direito de ir e vir’?”

“Senhora, temos ordens de não deixar ninguém passar. Se a senhora quiser, nós podemos deixar todos vocês sob nossa proteção.”

“Ora, mais isso é um ABSURDO! Eu tenho o direito de fugir daquelas coisas!”

O sargento olhou para minha mãe com um misto de surpresa e medo.

“Coisas? São mais de uma?”

“Claro. Por que acha que todos estão fugindo desesperados?”. Minha mãe apontou para a rodovia atrás de nós. Vários carros vinham, em alta velocidade. O sargento ficou nervoso. Falou algo no seu Walkie-Talkie e olhou de volta para nós. Ele analisou todos nós, e respondeu algo no comunicador. Algo que eu entendi como “Eles têm duas crianças”. Depois ele fez uma cara de tristeza e assentiu com a cabeça.

Ele se aproximou de minha mãe e sussurrou algo. Minha mãe fez cara de assustada.

“Podem passar!”, ele falou. Minha mãe, sem hesitar, acelerou o carro e nós passamos pela barricada. Quando estávamos a uns cinquenta metros dela, ouvimos os tiros. Primeiro foram alguns, depois, os tiros triplicaram, e alguns segundos depois, ouvimos sons de metralhadora automática. “PUTA MERDA”, meu pai gritou. Minha mãe só dirigia, sem esboçar reação, mas eu juro por Deus que vi uma lágrima escorrendo pela bochecha dela.

Nós dirigimos por horas, até que chegamos em Houston. Paramos num daqueles hotéis de beira de estrada, na entrada da cidade. Meus pais fizeram o check-in, enquanto eu e meu irmão, em choque, ficamos sentados nos sofás da recepção. Já era noite, e estávamos com fome. Enquanto eu ia em direção a meus pais pedir para que fôssemos a um restaurante depois, e pude ver o que eles estavam conversando.

Meu pai perguntou a minha mãe o que o soldado disse para ela. Minha mãe, tensa, disse:

“Ele falou que recebeu ordens para matar qualquer um que aparecesse naquela rodovia. Mas ele viu que tínhamos crianças, e nos deixou passar. Ele me pediu para que nunca contasse para ninguém.”

Mais tarde, nós encontramos um outro sobrevivente de Seahollow: o Sr. Hungton. Ele estava no café da manhã, e contou para minha mãe que as criaturas tinham chegado em Craigsfeel, uma cidadezinha vizinha a Seahollow, que também desapareceu. Pode pesquisar Craigsfeel no Google; não vai achar nada. O exército simplesmente matou todo mundo e destruiu a cidade.

Anos mais tarde descobri que aquele trecho da rodovia foi desviado. Fizeram um novo trecho, contornando as ruínas, praticamente passando pelo meio da Floresta Nacional de Angelina. Eu não os culpo. Fizeram um bom trabalho abafando a história e cobrindo as evidências. Mais o que eu não entendo ainda é de onde vieram aquelas criaturas. Eu venho pesquisando, coletando informações, e nenhum caso semelhante ao de Seahollow foi registrado nos últimos sete anos. Pelo menos não até uns três dias atrás.

Provavelmente você não vai achar nada no Google, mas eu estava navegando por alguns fóruns pela internet, quando eu vi o relato de um cara com o nome de usuário seaholl122Dc5. Ele contava a história de Seahollow, e também disse que a cidade de Bellismont, Luisiana, estava sendo atacada. Eu pesquisei no Google Earth, e achei-a. Uma pequena cidade perto da fronteira com o Texas. Eu estava com muito sono, então eu resolvi dormir e verificar a história de manhã.

Porém, quando eu acordei, tinha sumido. Tudo tinha sido apagado da internet. Todas as matérias de blogs, todos os posts em fóruns, tudo. Eu pesquisei o post de Seaholl122Dc5, mas dizia que o post foi apagado. O próprio perfil da pessoa que postou não existia. Pesquisei no Google Earth, e, para minha surpresa, não deu resultados. Eu até naveguei até o local onde a cidade ficava, e não tinha nada. Em vez da cidade, tinha apenas floresta.

Por favor, se você sabe algo sobre Bellismont ou Seahollow/Craigsfeel, por favor, compartilhe. O mundo precisa saber o que aconteceu aqui.

Autor: Miguel Silveira


23/05/2018

"Vocês sabiam que uma pessoa normal carrega cerca de 5 litros e meio de sangue?"

Ele falou mais alto. "Vocês sabiam que uma pessoa normal carrega cerca de 5 litros e meio de sangue?" Uma garota em nossa mesa olhou-o com nojo, depois desviou o olhar.

Robert era um garoto bem estranho. Nenhum de nós eramos amigos dele, e não prestávamos atenção nele, então foi uma surpresa ver o seu eu seboso sentado em nossa mesa. Sua franja não lavada cobria a testa, mas uma camada grossa de acne ainda ela visível. Seus pequenos óculos meia-lua faziam seus olhos parecerem estar prestes a pular de seu crânio.

"Pode sentar em outro lugar?" Um dos meninos falou, e outro deu uma risadinha da grosseria. Robert fedia a merda. Era pior ainda por estar sentado bem na minha frente. Se levantou e deu uma risada, como se fosse um de nós. Ele não era um de nós.

Achamos que esse era o fim do problema Robert, e ninguém voltou a pensar em sua existência, até que se sentou de novo conosco no dia seguinte. "Vocês sabiam que demora entre um à três minutos para alguém morrer por uma facada?" Então apontou para uma menina no outro lado da mesa. "Você morreria mais rápido." Riu constrangedoramente e todo mundo ficou se entreolhando, confusos. "Vá se foder," um dos caras disse. "Você é tão estranho, vaza daqui." Robert só o encarou, então começou a falar de novo. "Tá com medo?" se levantou, e saiu. 

Contei para um dos guardinhas sobre o que Robert continuava a falar, e falaram que ele não faria mais almoço ali. Mas, surpresa, surpresa! Robert voltou no dia seguinte. "Você sabi-" e foi derrubado de seu banco por um dos meninos. Seu corpo arredondado caiu no chão e seus óculos quebraram com o impacto. Ninguém se levantou para ajudar Robert, nem as pessoas sentadas na outra mesa. Todos sabiam que ele era totalmente bizarro.

Robert se levantou novamente, seu nariz sangrando que nem uma torneira aberta. "Voooocê nããão pooode meee machucaaaar!" Falou engasgadamente. O cara meteu outro soco nele, empurrando para longe do banco. Ele cambaleou para trás e caiu em outra mesa. Se levantou, as roupas sujas de comida, e saiu rapidamente do refeitório. 

Não me senti mal por ele nem por um segundo, e todo mundo acho que ele voltaria comprando briga. Trocamos de mesa, indo para o fundo do refeitório, e esperamos. Robert entrou, e imediatamente começou a andar em direção da nossa nova mesa. Puta que pariu. Foi um plano idiota, mas achamos que talvez fosse funcionar. 

"Vocês sabiam que a atividade cerebral continua funcionando até dez minutos depois da morte?" disse, e então apontou novamente para uma das meninas. "Eu sorriria para você durante esses dez minutos". Um dos caras se levantou e disse, "Você sabia que eu vou te matar na porrada se você falar mais uma merda dessas?" Robert deu um passo para trás e riu. "Eu vou te matar, seu merda!" ele gritou, e o cara pulou por cima da mesa. A cara de Robert estava contra o chão dez segundos depois. 

Todos nós esperamos e rezamos para que esse fosse o fim de Robert, e felizmente foi. Uma semana depois disso, uma menina de 14 anos chamada Samantha foi retirada do rio. Todas evidências diziam que Robert era o assassino. 

A vida seguiu sem aquele ser humano bizarro indo em nossa mesa. Mas no final do dia, tínhamos que dar crédito a quem merece. 

Realmemente demorou entre um à três minutos para Samantha morrer quando nós a matamos. 



22/05/2018

O Nome Daquele Filme dos Anos 90?

Por volta de 2008, participei de uma discussão no HT Forum com o nome "Clube dos anos 80" onde algumas pessoas relembravam coisas do anos 80 e as vezes também os 90. 

Estávamos lembrando da Rede Manchete e todos os programas que passavam nela. As minisséries, telenovelas e claro, também os animes. Foi divertido ver os usuários relembrarem de como era divertido viver naquela época, estavamos em nostalgia total até um usuário perguntar sobre um filme que passava por volta de 1992, no Cinema em Casa, uma sessão de filmes exibida pelo SBT.

Quem viveu na época, lembra de muitos filmes impróprios ao horário, o que deixava tudo mais divertido na hora de assistir as escondidas. O usuário JackManson555 parecia desesperado para achar esse filme. Abaixo mostra uma parte da discussão que ocorreu naquele dia. Deixando claro que Wolf_1980 sou eu. 

JackManson555: Pessoal, alguém aqui assistia o Cinema em casa entre 1992 e 1994?


Lanacat01: Up 


Robertowtf49: Eu assistia bastante. Por que? 


JackManson555: Lembram de um filme que passava nesse tempo? Era sobre um garoto que sonhava em ser detetive por causa dos programas que ele assistia e então acaba tentando desvendar um mistério sobre uma casa assombrada que tem na vizinhança...Algo do tipo. 


Robertowtf49: Hm...Eu lembro de um parecido. O garoto tinha um cachorro? 


Wolf_1980: Isso não me parece estranho. Passava muitos filmes na época, talvez eu tenha me deparado com esse. 


Lanacat01: Filmes com garotos e cachorros era muito comum, tem um monte desses. 


JackManson555: Sim! Tinha um cachorro que acompanhava ele, o cachorro estava sempre com fome. 


Lanacat01: O cachorro se chamava Buck? 


Wolf_1980: Calma...Acho que também lembro disso...


JackManson555: CARACA! BUCK! Sim, era esse nome. O garoto dizia algo como "Buck, não é o momento para comer, temos que trabalhar!" 


Robertowtf49: Eu lembro das cenas do filme, mas o nome...


Wolf_1980: Lembrei! Não é aquele que o garoto sofre bully e diz que vai mostrar a todos que é um ótimo detetive?


JackManson555: Quando eu li o "Lembrei" Pensei que tinha lembrado o nome do filme Haha. Mas, sim, era esse mesmo. 


Robertowtf49: Sim, mas tem uma coisa estranha. 


Lanacat01: O que? 


Wolf_1980: Qual o problema? 


Robertowtf49: Eu não lembro o final do filme, acho que nem cheguei a ver o final. 


Lanacat01: O estranho é que lembro de ter visto esse filme, mas o final também não me vem a mente. 


JackManson555: Exatamente por isso quero acha-lo. Eu queria saber como acaba, além de recordar minha infância. 


Wolf_1980: Eu não tenho muitas lembranças desse filme, mas sei que tem uma parte onde o garoto está na casa e acontece um sons estranhos. 


Lanacat01: Essa parte me dava medo, e depois a parte onde o cachorro vem correndo com uma mão na boca, coberta de sangue, e o garoto fala "Buck, não coma isso" 


Robertowtf49: Sim kkkkk O filme era totalmente infantil até a metade, quando ele entra na casa. 


JackManson555: Alguém lembra da parte em que ele ver um assassinato? Do cara matando uma mulher. 


Lanacat01: Não me chamem de louca, eu juro que o cara tava estuprando a mulher...


Robertowtf49: Ele estava mesmo, eu lembro! 


Wolf_1980: Estupro? Eu lembro de uma mulher morta e sem roupas mesmo em alguma parte do filme. 


JackManson555: Eu recordo tudo isso, a cena do estupro também, vou lembrando até a parte onde o garoto entrava em um quarto e uma música estranha e distorcida tocava. Ele entra e a porta se fecha de uma vez e então...Não lembro mais.


Robertowtf49: Que estranho....Eu só me lembro até ai também, depois não faço ideia do que ocorreu. 


Lanacat01: Tenho algo para contar. 


Wolf_1980: Pode dizer 


Lanacat01: Eu lembro que devia ter uns 10 anos nessa época, e sobre a cena do garoto entrando no quarto e o som estranho...Depois dessa cena, foi para os comerciais. 


Robertowtf49: E depois? 


Lanacat01: Depois só lembro de ter acordado na minha cama, minha mãe me falou que eu tinha dormindo na frente da Tv. 


JackManson555: Sério mesmo, isso é muito estranho. 


Robertowtf49: Outra coisa que me deixa abismado é sobre os atores, não era nenhum ator que eu conheço. 


Lanacat01: Agora que você comentou...Acho que se eu tivesse visto um dos atores em outro filme por ai, eu teria recordado. 


Wolf_1980: Talvez seja um desses filmes de baixo orçamento, o filme parecia ter sido feito nos anos 70. 


Robertowtf49: Verdade, o filme não tinha uma imagem muito boa. 


Marcusm8485: Pessoal, me intrometendo na conversa, eu acho que o filme que estão procurando é The chosen child.


Robertowtf49: Tem certeza? Estou pesquisando aqui e não encontro nada a respeito disso. 


Lanacat01: Pra mim também não aparece nada. 


Marcusm8485: Sim, eu recordo que aparecia esse titulo quando o filme começava "The chosen child" Apenas isso, o estranho é que não falaram o titulo em português como de costume. 


Wolf_1980: O que diabos significa isso, exatamente? 


JackManson555: Algo como "A criança escolhida" ou algo do tipo. 


Robertowtf49: Criança escolhida? Nossa...Escolhida pra quê exatamente? 


Lanacat01: Marcusm8485 você viu o final desse filme? 


Marcusm8485: Não, estou na mesma que vocês. 


Wolf_1980: Acho algumas coisas com esse titulo mas não esse filme, estou começando a desistir. 


Marcusm8485: Talvez seja algo que fique só nas nossas memórias. 


JackManson555: Espera! Achei algo a respeito. 


Robertowtf49: O que?


Lanacat01: Estou curiosa sobre isso tudo...


JackManson555: Um site com um vídeo onde diz "The chosen child, Filme de horror banido" 


Marcusm8485: Uau...


Lanacat01: Por essa eu não esperava 


JackManson555: É a única coisa que diz, não fala muito a respeito. 


Robertowtf: Como poderam passar isso na tv pra todo mundo assistir? 


JackManson555: Vou ver o vídeo. 


Wolf_1980: Qual o nome do site? Quero ver também. 


Marcusm8485: Sim! diz ae. 


Lanacat01: Ele já devia ter respondido. 


Robertowtf49: Talvez tenha achado o fillme e esteja assistindo. 


Wolf_1980: O melhor é esperarmos ele responder. 


Infelizmente, o usuário JackManson555 não respondeu mais e depois de vários dias, o assunto foi deixado de lado. Continuo procurando esse filme. Tenho certeza que outras pessoas dessa época também assistiram. Espero que alguém entre em contato comigo sobre o assunto.

Autor: Tai


O Corvo

Todos os dias eu ia e vinha a pé do meu serviço, não fazia muita diferença mesmo, o mercado ficava poucas quadras da minha casa. Minha cidade não era das maiores, não tinha muito além do centro da cidade onde eu vivia, então geralmente as pessoas iam para as outras cidades quando procuravam diversão. Mas ainda sim havia uma coisa bem interessante lá, uma praça, cheia de árvores e bancos, e até os mendigos que viviam por lá eram bacanas, usavam ternos velhos e viviam alimentando os pássaros, eu sempre passava por dentro da praça, mesmo sendo o caminho mais longo, valia a pena por causa da vista deslumbrante que eu tinha.

Um certo dia não muito diferente dos outros, eu estava cruzando a praça como de costume e olhando para os galhos das árvores, admirando os raios de Sol de fim de tarde que atravessavam as folhas, quando eu avisto um corvo.

Nunca tinha visto um corvo antes, apenas na televisão, mas sei que eles não são comuns nesta região, na verdade eu não deveria ver se quer um corvo nessa parte do país. De cara fiquei espantado, mas sua beleza era tanta que apenas me deixei levar e me sentei um pouco para admirá-lo, “deve ter fugido de alguma casa” pensei, já que haviam casas de família bem antigas e um tanto ricas por perto.

Lembrei então que precisava fazer a janta que havia prometido, levantei então e fui correndo para casa, eu morava com meu irmão mais novo. Ele trabalhava na área de marketing e vendas de uma empresa, então as vezes passava alguns dias fora, e como ele ia chegar depois de quatro dias fora, decidi fazer algo para nós comermos enquanto ele me contava de sua viajem.

Depois daquela noite inteira de conversa com meu irmão, eu havia me esquecido completamente do meu encontro com o corvo na praça da cidade. De madrugada, acordei com algumas batidas na janela, mas peguei logo no sono, sem dar muita atenção. De manhã fui acordado pelo meu pontual despertador como já estava acostumado, quando abri minha cortina, encontrei uma pequena pedra do lado de fora da janela, de primeira, me perguntei quem a teria colocado ali, mas como não havia acordado direito, apenas a deixei onde estava e fui me arrumar.

Depois de mais um longo dia de trabalho eu mais uma vez atravesso minha adorada praça em direção a minha casa, e mais uma vez ele estava lá, me encarando, o corvo. Seus olhos negros pareciam me hipnotizar... de repente eu ouço um barulho estranho ao longe, mas era apenas um mendigo jogando alguns farelos para os pássaros, quando volto meus olhos para o galho a minha frente, ele havia sumido.

Na mesma noite, eu sou acordado por estranhas batidas, como se alguém estisse batendo em alguma coisa de vidro. Mas como o sono era muito, volto a

dormir. No outro dia, fico surpreso ao encontrar mais uma pedrinha na borda da minha janela, mas resolvo deixar para lá.

Quando estava indo para o serviço, me surpreendo ao ver o corvo parado no galho de um carvalho, em uma parte bem escura da copa, acabei parando para admirar seus olhos através das sombras do velho carvalho da praça.

De repente, sou surpreendido por um homem que coloca uma faca na minha barriga e pede minha mochila. Eu senti um arrepio enorme, e com um pouco de medo do assaltante tanto por eu ser mais baixo quanto por ele ser um tanto alto, acabei deixando ele levar, e por poucos segundos, vejo um pedaço do rosto dele ao me virar para entregar a mochila.

Quando volto minha atenção para o a árvore, o corvo já não estava mais lá...

Tive que ir direto a delegacia registrar uma ocorrência para poder pedir ao meu gerente mais um uniforme, o que ele não gostou muito, mas acabou me dando por obrigação.

E tudo continuou na minha nova rotina, ver o corvo na praça, acordar de madrugaga e ver a pedra na janela de manhã... estava começando a me acostumar com aquilo tudo, por mais estranho que parecesse, eu gostava dos meus encontros com o corvo, se é que se pode chamar aquilo de encontro. Eu o observava até algo me tirar a atenção e ele sumir.

De noite eu tive um sonho estranho com o corvo, ele me olhava friamente em cima da minha coberta enquanto uma batida forte de alguma coisa contra vidro ecoava pelo quarto. Acordo assustado no outro dia e vou tomar café com meu irmão que reclama do meu mau hálito,

Antes de sair para mais um dia de trabalho, recolhi o jornal da cidade que meu irmão assina, estava na porta como de costume, e por algum motivo, resolvo dar uma olhada na primeira página. Fiquei chocado e até mesmo deixando o jornal cair ao ver o que estava na capa do jornal local... o homem que havia me assaltado havia sido encontrado morto na praça com os olhos arrancados. A polícia não havia descoberto como aquilo havia acontecido, mas estava investigando se havia sido um caso de homicídio por dívida de drogas ou algo do gênero. Junto com ele estava a minha mochila roubada que fora citada como minha por causa de meus documentos e uniforme.

Antes de ir para o serviço, passo na delegacia para recuperar a minha mochila roubada e então vou para o serviço. Sou chingado por meu chefe mais uma vez por chegar atrasado, mas ele acaba relevando por não precisar fazer um uniforme novo para mim.

Na saída, questiono meu chefe sobre o pagamento de minhas várias horas extras, mas ele dizia que como gerente, só poderia me pagar quando

recebesse dinheiro da matriz, “Mas do que você está falando? Não existem filiais deste mercado!” mas ele acaba me dando as costas e entrando em seu carro. Eu estava muito furioso, pois precisava pagar as prestações do meu carro, então acabo chutando o seu carro de raiva sem pensar no que estava fazendo, só volto para o planeta terra quando ouço sua voz me de dizendo “está despedido” e seu carro arrancando do estacionamento.

Caio de joelhos no chão, com um certo desespero e derramo algumas lágrimas, estava exausto de tanto trabalhar, e agora desempregado... quando me levanto, olho diretamente para o poste que estava a poucos metros de mim, no seu topo, havia um corvo me observando. Respiro fundo e vou para casa, desta vez tomo o caminho mais curto, resolvendo não passar pela praça, queria apenas chegar em casa.

Pensei naqueles olhos negros a noite inteira... aquelas pequenas esferas negras estavam na minha cabeça e nos meus sonhos agora. Quando amanheceu, ao lado do jornal de meu irmão, estava uma pena negra. Obviamente, não resisti em ler o jornal local, e para minha surpresa, na primeira página havia um acidente de transito catastrófico, parece que a vítima ficou quase irreconhecível, mas a placa do carro pertencia ao dono de um mercado chamado “J & J Mart”... era o mercado que eu trabalhava...

Depois daquilo, as coisas pareciam melhorar... o filho do dono assumiu o mercado, comecei a ganhar o meu salário em dia, tive dinheiro para sair e tudo o mais, e todos os dias eu passava pela praça para me sentar de frente ao corvo.

Na minha casa as coisas também iam bem, meu irmão estava namorando uma garota da empresa onde ele trabalhava e começou a levar ela para casa para jantar.

A praça também ficou um pouco diferente depois da chegada de um novo mendigo, mas diferento dos outros, esse era sujo, com roupas completamente esfarrapadas e parecia estar sempre bêbado ou drogado, o que não agradou muito os outro mendigos que viviam apenas alimentando os pombos ou comendo alguma pipoca que ganhavam de uma senhora.

Algumas pessoas começaram a dar a volta na praça para não precisar cruzar com esse novo mendigo que vivia pedindo esmolas com uma garrafa de vodka vagabunda na mão e com um odor terrível de urina. Aquilo começou a me perturbar muito, já que meus encontros com o corvo estavam ficando cada vez mais curtos graças àquele maldito mendigo.

Como meu salário não estava mais atrasando e meu irmão quase não comia mais em casa, sobrava mais dinheiro para eu gastar comigo, então comecei a comprar algumas roupas de marca.

Isso obviamente chamou a atenção do mendigo. Logo ele começou a me importunar pedindo esmolas e até mesmo sentando do meu lado. Aquilo já estava indo longe de mais. Será que ele não entendia que eu não queria bancar o álcool e as drogas dele?

Até que um dia, após eu sofrer um stress com uma cliente do supermercado, decidi comer uma pipoca na praça olhando para meu amigo corvo. E para a minha surpresa, o corvo não estava lá. Me sentei triste, olhando para a pipoca e me perguntando o que teria acontecido com o corvo. Será que mais alguém sentiu a sua falta? Ou pior, será que seu dono passou por aqui e o achou?

De repente escuto um grunido estranho, quando olho para trás o mendido bêbedo estava vomitando em um arbursto, a cena nojenta me fez levantar e sair dali. Mas ele me seguiu gritando “ei mauricinho, me dá uma grana!”, eu corri com medo de ele possuir uma faca ou algo do tipo.

Por incrível que pareça, apesar de bêbado, ele corria muito rápido a ponto de conseguir me alcançar, quando ele encostou em mim, dei um empurrão nele que o fez cair no chão. Me afasto do lugar, algumas pessoas vieram ver o que estava acontecendo, mas eu logo saio da praça e vou em direção à minha casa, “e seu eu matei o mendigo? E se ele caiu com a cabeça no chão? Eu não fiquei para ver a cena... bom, acho que ninguém vai ligar se aquele mendigo morrer mesmo” passei a noite pensando no ocorrido, mas é claro, sonho com o corvo e as batidas...

Apesar da minha nova rotina, eu decido não ler o jornal hoje, com medo do que eu pudesse ler. Nem se quer olha na janela se havia mais uma pedra. Vou direto para o serviço, mais um dia normal. Decido não passar pela praça, tenho medo de descobrir se o corvo havia ou não voltado e se o mendigo estava ou não vivo.

Mas na volta, esqueço e acabo passando pela praça, para meu espanto, havia policiais em volta de um corpo. Era o mendigo, dilacerado. Meu único alívio é que ele não havia morrido com meu empurrão. Mas o que poderia ter o matado daquela forma tão terrível? O cheiro podre de suas víceras impregnava a praça que estava praticamente vazia, não fosse pelos policiais e o corvo. Corpo. Corvo. Corvo? O corvo estava em cima da cabeça do homem, como os policias não toram?

Ele olhava para mim como se estivesse pronto para me matar. Aquela cabeça de penas negras e reluzentes, aqueles olhos penetrantes. Aquilo pela primeira vez me apavorava.

O corpo com a roupa rasgada e o peito aberto com as entranhas de fora, o buraco do olhos estava negro e cheio de veias saltadas para fora, a boca

estava aperta com a mandíbula quebrada e um fio de sangue seco escorrendo pelo lado e pelos comentários dos policiais, a língua também havia sumido.

Eu corri para minha casa o mais rápido possível. Meu irmão para variar não estava em casa, logo hoje que eu precisava dele.

Não consigo comer ou beber nada. Fico horas em baixo do chuveiro. Até que ouço o barulho de um porta batendo, era o meu irmão.

Me visto e vou para baixo confrontá-lo, como ele podia me deixar sozinho em uma situação como essa?

Ele me questiona como poderia saber que algo assim havia acontecido, mas é claro que eu revido dizendo que ele nunca mais havia ficado comigo em casa depois que ele arrumou aquela namorada.

“Você tá viajando cara, tá precisando de um sono” ele disse. Eu fico de cara com ele, mas vou dormir mesmo assim.

Esse sonho pareceu o mais perturbador, o corvo estava encima do corpo, comendo as víceras dele. Ele rasgou as suas roupas com as unhas e agora arranhava e bicava a barriga até abri-la, então começava a puxar seu intestino para fora e comer alguns órgãos internos.

Seus olhos já estavam arrancados e sua língua estava ao lado do rosto.

O corvo então deixa o corpo, da mesma forma que ele estava quando o encontrei, o corvo então pega a língua e voa.

Eu acordo assustado e tremendo. Levanto rápido e vou tomar banho. Precisava muito desparecer a cabeça. Mas por mais que eu tentasse fazer qualquer coisa para eu não parava de lembrar daquela cena terrível.

Deço as escadas e encontro meu irmão na cozinha. Eu estranho, já que ele geralmente passava mais tempo agora com sua namorada do que em casa.

“O que está fazendo aqui?” questiono a ele.

“Bom dia para você também irmão.”

“Bom dia, mas... o que está fazendo aqui a essa hora?”

“Hoje eu tirei o dia e folga, preciso fazer uma visita.”

“Visita?”

“Sim, eu não contei? Eu e minha namorada vamos alugar o apartamento para nós.”

“Não você não disse nada, você não conta mais nada para mim, você só que saber dela.”

“Calma maninho, você deveria estar feliz que seu irmãozinho se engajou na vida.”

“E eu como fico nessa história?”

“Ué você deveria arrumar uma garota, sair um pouco de casa, transar um pouco, vai fazer bem para você.”

Eu pego minha mochila e e vou em direção a porta. “Cara... na boa, você tá fazendo birra” bato a porta na cara do meu irmão e o deixo falando sozinho.

Eu não podia acreditar que ele ia fazer aquilo comigo. E era tudo culpa daquila maldita namorada.

O meu trabalho monótono já estava cada dia passando mais devagar, eu não aguentava mais contar as horas para sair daquele maldito inferno de uma vez. O fim da tarde era um alívio, onde eu trocava de roupa e ia para a praça ver meu único amigo. Será que ele estaria lá?

Quando chego na praça, sento no banco de costume e me sento. E lá estava ele, no galho do carvalho escuro. Como se nada houvesse acontecido. E eu fico. E eu espero. Até que percebo que a tarde está quase por ir embora, então me levando e vou embora.

Não vejo meu irmão em casa.

A noite foi tranquila, sem sonhos, apenas as batidas na janela.

Mas a semana ainda pioraria. Meu irmão comessa a encaixotar suas coisas.

Quando eu me dei conta dos dias que passaram, não havia mais uma coisa que pertencesse a ele dentro de casa. Se quer um casaco no cabide, uma coberta na cama ou uma meia no armário. Apenas nossas fotos juntos para que eu lembrasse do seu rosto continuaram mantidas nas prateleiras da sala.

Os meus dias agora seriam cada vez piores.

Eu agora não teria mais ninguém, mesmo as poucas visões que eu tinha dele no dia ainda me mantinham um pouco alegre, as poucas palavras que eu trocava com ele me animavam e sentir seu cheiro, seu calou me enriquecia.

Era meu único bem, meu irmãozinho, que se criou comigo desde sempre, o garotinho da qual as travessuras em encobria, os machucados eu tratava e as notas baixas e remediava... não fazia sentido ele me abandonar.

E naquela noite, após a mudança, o corvo em meus sonhos veio a me assombrar.

O corvo estava em cima de um poste, a noite era muito escura e garoáva e apenas aquela luz amarelada do posto iluminada aquele grande pedaço de rua.

Uma outra luz agora surgia no fim da rua, era o farol de uma moto.

A moto se aproximava cada vez mais e quando estava quase em frente ao poste o corvo levantou voo e foi em direção a moto e soltou um terrível grunido que fez com que quem pilotava a moto se perdesse e virasse-a esbarrando no meio-fio e sendo jogada para longe. A pessoa havia havia caído de maneira extremamente brusca, tanto que ao bater o capacete no chão, seu corpo não acompanho a cabeça e o pescoço dobrou.

Eu acordo atordido com a cena. Afinal o que havia acontecido? Eu já mais havia visto uma cena tão completa como essa em sono. Quem era aquela pessoa?

Eram muitas perguntas para nenhuma resposta.

Eu apenas me banho e vou para o serviço. Fico na praça até muito próximo da noite, então volto para casa.

Chegando lá eu vejo um carro, era o do meu irmão. Mas o que ele estaria fazendo ali a essa hora?

Eu abro a porta e ele está sentado, com rios de lágrimas em seus olhos. Ele se levanta e começa a gritar.

“Onde está seu telefone??”

“Eu devo ter esquecido em casa, por quê?”

Ele então corre e me abraça.

“Ela morreu... mano, ela morreu ontem! Vindo para casa.”

Meu corpo inteiro treme.

“Como... como isso aconteceu?”

“Ela estava voltando do trabalho como sempre, então ela sofreu um acidente, ninguém sabe ao certo porque, mas a pericia disse que não há indícios de batida, ela pode ter apenas dormido.”

“Batida? Ela estava de carro?”

“Não, ela vai para o trabalho de moto.”

Meu corpo congela, meu rosto agora estava tomado de pavor, eu não sabia o que dizer, eu não sabia como agir.. eu não sabia de mais nada. Aquilo simplesmente não podia estar acontecendo, não era lógico, não era normal, não podia ser verdade...

Me sento com ele e tento o consolar.

No outro dia, pesso folga e vou ao velório de minha cunhada.

Todos estão de preto, há cerca de trinta pessoas, algumas mulheres usam véu e choram na borda do caixão, típico de velório, meu irmão junto ao pai da garota cumprimentavam as pessoas e conversavam coisas do tipo “ela era uma pessoa boa, muito honesta”.

Foi muito mórbido, mas nada muito longe de um dia no meu trabalho.

Na hora de levar o caixão o pai dela falou para meu irmão que fazia questão que eu levasse uma das alças, não sei se era para aquilo parecer educado, mas eu não vejo nada de bom em carregar o peso da morte de alguém que eu esculachei até sua morte.

Quando chegamos no cemitério, aquela atmosfera apenas piorou, agora estávamos levando a namorada de meu irmão para baixo da terra... e eles jamais a veriam novamente... aquilo era muito estranho.

Enquanto o padre falava a borda do caixão prestes a ser posto abaixo do chão, meu irmão me abraçava de cabeça baixa e chorava com uma profunda tristeza no coração. Eu estava apenas acompanhando o padre, quando de repente tenho uma leve impressão de que alguém me observava.

Não poderia ser ninguém da família pois estava todos em roda a minha volta. Olho suavemente para trás, para que meu irmão não desconfiasse, já que estava com a cabeça em meu ombro. Mas não havia absolutamente nada.

Até que então eu olho para o caixão. Lá estava ele. Aquele quem me observava o tempo todo. O corvo... o corvo me fitava cruelmente com aqueles olhos negros. Por que ele estava ali?

Eu não sabia...

Depois do enterro, voltei com meu irmão para casa.

Tomamos banho e dei algo de comer para ele, apesar de negar diversas vezes, o covenci que precisava de forças.

Levei ele até o sofá para que olhassemos um pouco de televisão, eu estava sentado e ele deitado com a cabeça no meu colo, enquanto eu fazia carinhos em seus cabelos, me lembrou do tempo em que eramos menores e depois de ele apanhar dos nossos pais, eu ficava com ele nessa posição até que parasse

de chorar e finalmente pegasse no sono. Dessa vez não foi diferente, ficamos daquele jeito até que ele finalmente dorimu.

Eu queria que meu irmãozinho voltasse a morar comigo e agora não havia mesmo mais motivos para ele ficar longe de mim. Aquilo de certa forma me confortou. Eu dormi ali mesmo. Naquela noite dormi bem. Sem batidas, sem nada.

Quando eu acordei ele já havia levantado, estava sentado na mesa tomando café. Vou até ele e pergunto.

“Você vai querer ajuda com a mudança?”

“Que mudança?” ele faz uma cara de espantado.

“Ué, você não vai voltar para cá?”

“Desculpa irmão, mas eu prefiro continuar o que eu comecei, ela não gostaria de me ver acabar com tudo por causa dela, além do mais, lá estão minhas últimas lembraças com ela e...” eu o interrompo.

“Eu não acredito nisso. Eu fiz tudo por você! Te criei, cuidei de você, fiz tudo por você e agora você me abandona!”

“Irmão, você tem que entender que eu já cresci, não sou mais uma criança, você precisa aprender a viver sem mim.”

“Sai daqui agora! Saia, saia da minha casa.”

“Calma, por favor...”

“Não, saia daqui.”

Ele se levanta aturdido, e vai embora.

O que eu acabei de fazer?

Me sento no sofá e fico a manhã inteira sentado ouvindo as batidas vindo da janela do meu quarto.

Lembro que não fui trabalhar. Mas eu não ligo, eu não ligo.

Me levanto e vou para a minha cama, tomo um remédio para dormir e me deito, nem percebi quando caí no sono, mas logo estava dormindo.

Mais uma vez eu sonho... com aquele maldito corvo. Ele estava na minha rua, segurava uma corda com seu bico, então ele voa... para longe, muito longe, até a janela de um prédio.

Lá dentro havia um homem deitado, o corvo abre a janela e vai até em cima dele, colocando a corda em seu pescoço e o levantando no ar. O homem se debatia e sufocava, seu rosto agora estava roxo, suando e com a língua para fora, então, parou.

Eu acordo com o telefone tocando, já era de manhã cedo.

Me levanto e vou em direção ao telefone residencial na sala.

“Alô, você... era o cunhado da minha não era?”

“Alô? Quem está falando?”

“Sabe, eu vim visitar o seu irmão hoje de manhã, para saber como ele estava... a perda de uma filha é uma dor simplesmente incurável, mas a perda de um amor também não é nada fácil, então eu vim ver como ele estava...”

“O que o senhor quer?”

“Então, acontece que eu vim ver como ele estava se sentindo, se gostaria de passar uns dias fora para desparecer a cabeça mas...”

“Diga logo!”

“Acontece que ele não soube lidar muito bem com a morte... e resolveu abraçá-la também...”

Entro em choque no telefone.

“Do que você está falando?!”

“O seu irmão, tirou sua prórpia vida nesa madrugada, a polícia já está aqui, fazem algumas horas já que o corpo dele perdeu a vida.”

Não podia ser verdade, não era, era tudo mentira!

Eu saio correndo rua a fora, enlouquecido, meu irmão havia me deixado seu endereço caso um dia eu quisesse visitá-lo, mas eu nem se quer vi aquele bilhete.

Quando me dou conta, estou próximo a praça, resolvo sentar ali.

O corvo me observava, como em qualquer outro dia.

Ponho as mãos no rosto, incrédulo da notícia que eu acabara de receber...

Então quer dizer que aquele homem no sonho era meu irmão? Afinal quem diabos é esse corvo? Seria um... mensageiro da morte...? Agora tudo fazia sentido, esse animal diabólico, esse agouro alada era um mensageiro da morte que me perseguia

“POR QUÊ?” todos que estavam na praça olham para mim desconfiados.

Mas o corvo continuava ali, imóvel. O que ele queria de mim?

Ponho a mão no meu bolso para pegar o celular e um papel cai no chão. Eu o junto, era o endereço de meu irmão, sem pensar duas vezes levanto e corro para seu apartamento. Quando chego lá está cheio de policiais, explico que sou seu irmão, então ele me deixam ver seu corpo, estava com uma aparência terrível.

Não ouso descrevê-la.

Até mesmo porque não aguentei muito tempo a observando.

Não aguento se quer ficar muito tempo na cena, sou obrigado a deixá-lo ali e sair correndo para casa para não desmaiar.

Quando eu chego em casa, tranco a porta e fecho todas as janelas e cortinas. Precisava beber algo. Me sirvo de whisky, e paro próximo a mesinha do telefone, escorado na parede. Eu olho fixamente para o telefone, tiro o papel do meu bolso. O telefone do meu irmão estava atrás do endereço.

Espera aí... esse papel, com o número do meu irmão... estava ao lado do telefone o tempo todo. Como foi parar no meu bolso?

Deixo o papel cair e vou em direção ao meu quarto com o whisky na mão.

Abro a cortina depois de muito tempo. Haviam apenas quatro seixos. Mas as batidas estavam lá toda noite. Por que só teriam quatro seixos?

Me sento na cama e continuo a beber. Precisava beber para esquecer. De repente tudo começou a girar a minha volta. Devia ser o alto teor alcoólico do whisky. Tiro meus tênis e me deito. Precisava mais do que nunca dormir.

Eu sonho novamente. Eu estava observando o banco da praça. O mesmo banco que eu sentava todos os dias. Então eu vou até um buraco de esquilos no carvalho e cato algo lá dentro, era uma coisa seca e estranha. Parecia até... uma lígua.

Eu a coloco dentro de um saco preto de pano, dentro dele havia mais alguma coisa de metal brilhante que eu não soube reconhecer. Então eu fecho o saco e o levo, levo até o cemitério, atrás da cova do meu antigo chefe. Mas que diabos eu estava fazendo.

Depois daquilo eu volto para a minha casa, bato na janela várias vezes, então deposito mais um seixo junto aos outros quatro.

Eu tento olhar para dentro do meu quarto, geralmente a cortina ficava fechada, mas hoje não, na tentativa de ver o interior do meu quarto acabo olhando meu

próprio reflexo no vidro da janela, então me acordo com o berro grunido e esganiçado do corvo. Eu era o corvo.

Me levanto rápido da cama. Minha cabeça ainda estava pesada por causa da bebida, mas eu precisava tirar aquela história a limpo.

Coloco meus tênis e um casaco e vou até o cemitério. Encontro a sepultura do antigo dono do mercado. Atrás de sua lápide estava... um saco preto. Dentro havia uma língua já seca e uma faca suja de sangue.

Eu olho em volta, em busca do corvo. Nada.

Corro até a praça, nada.

Volto para minha casa, olho pela janela, tentando enxergar o interior do meu quarto. Cinco seixos na janela. Pego um dele e bato na janela, o som é familiar. Na tentativa de tentar ver mais, enxergo meu reflexo, meus olhos são negros como a noite.

Eu sou o corvo.

O meu chefe precisava morrer.

É parado pelo corvo.

O mendigo precisava morrer.

É comido pelo corvo.

A minha cunhada precisava morrer.

Desvia do corvo...

Meu irmão não podia mais morrer...

Foi abençoado pelo corvo...

E agora.

Quem mais está a minha volta?

Eu não preciso de mais nada.

Eu não tenho mais ninguém.

Eu engulo os cinco seixos de uma só vez.

E sufoco.

Criatura imunda é, o corvo, ele precisa morrer, ele é um mau agouro.

Eu. Sou. O. Corvo.

Autor: Guilherme Vaz Antunes


"Papai, tem um homem atrás de você."

Neste momento, estou em um hotel em Nova York. E permita-me ser direto: Eu odeio isso aqui. Há uma sirene a cada cinco minutos, um cachorro latindo ao lado e um cara na calçada reclamando sobre os insetos.

É por isso que eu decidi conversar por Skype com minha família hoje à noite. Depois de digitar errado a senha do WiFi mais de cem vezes e arrumar a cama novamente depois de checar se não tinha nenhum inseto (sim, aquele cara entrou na minha cabeça), eu finalmente liguei pra eles.

Imediatamente eu me senti melhor. Ouvi todos os sons de casa: nosso terrier latindo, Samantha gritando de alegria e o bebê Theo balbuciando alguma coisa. O barulho deles abafou os sons malucos e irritantes da cidade, e eu sorri.

"Ei, deixa eu chamar a Samantha", minha esposa, Gina, disse. "Ela sente muito a sua falta."

Ela saiu da tela e a cabeça de Samantha surgiu sobre a mesa. "Papai! Papai!"

"Oi, querida" Wu diz uma cara triste. "Pobre papei tem que ficar sozinho em um hotel hoje à noite para o trabalho."

"Papai bobo, você não está sozinho", disse Samantha, me dando um de seus grande sorrisos. "Há um homem parado atrás de você!"

Eu congelei. "O que você disse?"

"Tem um homem atrás de você!"

Eu me virei. Mas o quarto estava vazio - tudo o que vi foi uma lâmpada brilhante, a poltrona vazia e o edredom amassado.

"Ele está escondido agora", ela riu.

"Samantha, do que você está falando?"

Mas ela apenas riu e sorriu. "Você está sendo bobo, papai!"

"Coloque sua mãe  de volta."

Gina correu de volta para a tela, com a camisa toda manchada. "Danny, eu estou tentando dar comida para o Theo", disse ela. "O que é tão importante que-"

"Samantha disse que viu alguém atrás de mim."

"Oh, Deus." Samantha balançou a cabeça, enquanto colocava Theo em seu colo. "Desculpe, eu esqueci de te contar. Ela vem falando sobre um amigo imaginário recentemente. Eu já perguntei à Dra. Marks sobre isso; ela diz que é totalmente normal, só uma fase..."

Meu coração começou a desacelerar. "Ela me assustou por um momento!" Eu disse, começando a rir.

"Ah, eu sei. Ela me assusta o tempo todo com isso. Fala sozinha na sala de jogos, conta a Theo sobre ele... é uma loucura." Ela suspirou. "Você já pensou que crianças seriam assim, tão... estranhas?"

"Não, não mesmo."

"Tudo bem, eu tenho que voltar. Falo com você amanhã?"

"Claro."

Fechei o laptop com um clique. Pela janela, carros buzinavam, faixas de vermelho e branco contra o azul do crepúsculo. Olhei em volta pelo quarto vazio, do tapete bege às cortinas puxadas; finalmente pareceu convidativo, agora que eu estava mais tranquilo.

Me levantei e caminhei em direção à cama. O edredom estava amassado, amontoado no canto da cama, e os lençóis estavam enrugados e bagunçados. Que bagunça, pensei, pegando o edredom.

Eu congelei.

Espere.

Depois de checar se havia algum inseto...

Eu arrumei a cama novamente.

Dei um passo para trás.

E foi aí que eu notei - saindo da borda do edredom -

A ponta brilhante de um sapato preto.



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!