23/09/2017

Preciso te contar o que aconteceu com meu último casamento

Martha,

Deve ser um pouco assustador ler uma história dirigida especificamente a você, mas eu não poderia pensar em nenhuma maneira melhor de fazer isso. Eu sei que você lê histórias aqui regularmente, e espero que o título seja suficientemente interessante para chamar sua atenção. Nosso casamento é em apenas três dias Martha, e eu realmente não poderia estar mais animado. Você tem sido uma pessoa incrível na minha vida, e mal posso esperar para o nosso final feliz! Dito isto, não fui totalmente honesto com você.

Ao discutir nossos relacionamentos anteriores, ignorei um grande detalhe que abrange três anos da minha vida. De 2011 a 2014, fui casado com um homem chamado Jacob. Os amigos que temos agora não sabem da existência de Jacob - nossa relação existia inteiramente antes de eu me mudar para esse estado.

Eu nunca disse nada sobre ele por uma série de razões. Primeiramente, você é completamente heterossexual, não leve isso a mal, mas descobri que pode ser difícil para os heterossexuais entender como alguém pode passar de um relacionamento homo para um hétero com tal facilidade. Eu me preocupo com a pessoa, não com o gênero ou com o sexo. Eu amava Jacob por quem ele era, não porque ele era um homem. Eu te amo por você - não porque você é uma mulher. Eu não quero que você pense em Jacob como uma espécie de competição - ele está morto para mim. Eu realmente quero passar o resto da minha vida com você, Martha.

Eu só sinto que preciso falar sobre Jacob porque eu simplesmente não quero que aconteça com você o mesmo que aconteceu com ele. Eu quero que nosso casamento seja melhor do que o que Jacob e eu tivemos, e eu não quero que termine do mesmo jeito. 

Tudo começou bem; Jacob e eu nos conhecemos quando eu estava no Japão. Ele estava trabalhando na mesma escola de inglês que eu. Eu o tinha observado por alguns dias e me aproximei dele com a saudação japonesa mais quebrada que você poderia imaginar. Ele me interrompeu para descobrir exatamente o que eu queria, e eu rapidamente percebi que ele também era americano. Nos apaixonamos e nos mudamos juntos, iniciando uma nova vida na Califórnia. Foram ótimos dois anos até meu avô ficar com Alzheimer e, como você sabe, meus pais são falecidos, então ele veio para ficar comigo e com Jacob.

Eu prometo a você, Martha, que não cometerei esse erro novamente - meu avô arruinou o meu casamento. Sua demência
 era severa, e ele se movia pelo tempo como alguém mudando canais de TV. Uma hora ele era um jovem jogando Track And Field, e em outra ele estava tentando impedir a hemorragia de um amigo numa selva no Vietnã. Eu sabia que ter o meu avô conosco estava afetando nossa relação, mas na verdade não tinha outra escolha. Nós não tínhamos dinheiro para colocá-lo em uma boa casa de repouso, e era difícil conseguir uma ajuda externa, pois ninguém além de nós conseguia lidar com ele. 

Ele era difícil, Martha. Ele destruiu nossa casa e foi o principal causador do término de nosso casamento. Por semanas eu voltava para casa e encontrava o quintal cheio de buracos. Cada buraco tinha apenas dois ou três centímetros de profundidade, e todos os dias uma dúzia de novos buracos eram feitos. Demorou muito tempo para eu conseguir flagrar meu avô fazendo os buracos. Aparentemente sua demência não tinha m murchado seu corpo da mesma maneira que havia destruído sua mente - ele estava revivendo seus dias de glória no atletismo jogando Shotput em meu quintal. Esta não foi uma façanha simples - uma bola de Shotput pesa mais de 7 quilos e é feita de metal denso. Olhando-o do quintal, fiquei chocado ao vê-lo levantando a bola tão facilmente e a atirando a dez ou quinze pés.

Se tivesse ficado nesse nível - se ele continuasse a fazer alguns buracos no quintal e, gradualmente, caísse em senilidade, talvez Jacob e eu pudéssemos ter conseguido, mas meu avô piorou de maneira inesperada. Ele estava conosco por talvez três meses quando cheguei em casa um dia e vi Jacob chorando. Ele me disse que não podia mais aguentar, que o estresse que meu avô causava era demais. Aparentemente, meu avô estava tendo um episódio onde ele estava revivendo a guerra. Ele achava que Jacob era um Viet Cong, e começou a se tornar violento. Meu avô pensou que ele invadiu sua casa, matou sua esposa e que iria pegá-lo em seguida. Compreensivelmente, Jacob estava extremamente chateado. Conversamos por toda noite sobre o meu avô, se ele podia realmente continuar conosco. Eu me sentia terrível sobre tudo isso, e durante todo o tempo em que conversamos continuei a desejar poder colocar meu avô em algum bom lugar, mas simplesmente não havia lugar algum para ele.


Na manhã seguinte, Jacob me deu um ultimato antes de partir para o trabalho.
"É eu ou o seu avô. Eu vou ou ele vai", disse ele. Havia uma seriedade em sua voz, ele realmente estava falando sério. "Conversaremos esta noite". Costumo sair para o trabalho alguns minutos depois de Jacob, mas naquela manhã eu não queria sair do quarto. Eu simplesmente me sentei na beira da cama e pensei no que ia acontecer. Não havia nenhuma escolha fácil. Ou eu tiraria um membro da minha família... ou eu tiraria um membro da minha família. Eu realmente não sabia o que fazer. Fiquei sentado por pelo menos uma hora, pensando em diferentes possibilidades e sentindo uma culpa genuína. Eu não acho que eu poderia ter feito uma escolha se essa escolha não tivesse sido feita para mim.

Sentado, mal-humorado, ouvi um som do lado de Jacob da cama. Era o som de um celular vibrando debaixo da mesa de cabeceira de Jacob. Pelo menos parecia um telefone, mas eu sabia que não podia ser - Jacob já havia ido e ele não teria deixado seu celular para trás. Acertei em cheio - eu não tinha escutado errado. Debaixo da mesa de cabeceira havia um pequeno celular. Esperava encontrar mensagens indicando que Jacob era um traficante, mas o que encontrei foi muito mais angustiante. Era uma série de mensagens de uma mulher chamada Stacy.


Agora você sabe que sou bissexual, mas Jacob certamente não era. Pelo menos ele nunca me disse que era. Eu estava realmente fodido. É uma coisa seu parceiro enganar você com alguém com quem você pode se comparar. Se fosse um cara, eu perguntaria o que ele tem que eu não tenho, mas isso? Descobri que o homem que eu amava estava me enganando de uma forma que eu não conseguia entender. Eu estava mais do que furioso, Martha, mas algo bom saiu da leitura dessas mensagens de texto. De repente tornou-se muito fácil saber o que fazer com o meu avô.


Eu nunca disse a Jacob o que eu havia encontrado. Enviamos mensagens de texto durante todo o dia, como normalmente fazíamos. Eu disse a ele que estava no trabalho, mas que estaria em casa no momento em que ele chegasse e que eu faria o jantar. Disse que queria descobrir o que faríamos com o meu avô, mas que, finalmente, ele havia me convencido, e a decisão foi fácil.

Passei aquele dia com meu avô, assistimos filmes, comemos e olhamos álbuns de fotos antigos. Passei aquele dia com ele como se fosse o último. Não me incomodei em começar um jantar para Jacob.
Em vez disso, preparei meu avô para lidar com meu problema e resolver o seu próprio também.

Quando chegou a hora dele tomar seu remédio, lhe dei minha receita de Adderall. Quando eu o ajudei a tomar banho me certifiquei de que ele se vestiria com suas velhas roupas de exército. E no começo da noite, quando eu costumava ligar a TV no canal de notícias, fechei as cortinas, desliguei as luzes e coloquei o filme Apocalypse Now. Por fim, me senti mal que tirei a bola de Shotput dele por causa dos buracos no quintal, então a devolvi, colocando-a sobre a mesinha.

Aguardando Jacob chegar em casa eu esperava que minha mente mudasse de opinião sobre o que eu tinha iniciado, mas nunca vacilei. Assisti meu bravo e demente avô cheio de Adderall assistindo Apocalypse Now em pânico, suando em sua roupa de exército no sofá da minha sala de estar. Quando ouvi o carro de Jacob sair pela porta da cozinha fui até o quintal. Não havia nenhuma carne, a churrasqueira não estava ligada, mas eu estava de pé atrás da porta deslizante da cozinha, fazendo parecer que eu estava fazendo um churrasco. Eu podia ver através do vidro o cintilar das luzes da televisão e a posição da luz mudando por causa da abertura da porta da frente. Escutei tudo, mas fingi que era o filme. Fiquei lá por vinte minutos, tempo suficiente para que Jacob me encontrasse se ele quisesse, mas isso nunca aconteceu.

Voltei para dentro, fui até a sala de estar e encontrei meu avô deitado sobre o corpo de Jacob. Eu realmente não sei exatamente o que aconteceu, como começou, mas em algum momento meu avô deve ter instintivamente agarrado a bola de Shotput na mesinha, batendo-a no canto superior direito da cabeça de Jacob. Quando olhei para o corpo dele, apenas metade do rosto estava reconhecível. Seu crânio tinha sido afundado, os ossos quebrados e triturados - ele estava morto. Seu cérebro tinha sido esmagado por uma bola de metal com mais de sete quilos. Todos os meus problemas foram resolvidos.

Martha, estou te contando isso por tantos motivos. Você não precisa se preocupar com meu avô. Ele foi acusado pelo homicídio -culposo- de Jacob, e enquanto ainda está sendo litigado tenho certeza de que o estado o colocará onde ele possa ter cuidados adequados. Eu contei essa história para que você saiba o que aconteceu comigo e como meu último casamento terminou. Eu não queria que Jacob se machucasse, mas você deve entender que ele me machucou primeiro. Ele estava me enganando, e tudo se agravou porque era com uma garota, que ele não podia ter se interessado - é como se ele estivesse com ela apenas para me machucar. Era óbvio que algo ruim iria acontecer. 

Espero que você considere isso como uma mensagem para que possamos ser felizes, mas isso só vai acontecer se confiarmos um no outro. Eu não posso lidar com outra infidelidade Martha, e espero que você seja tão dedicada a mim quanto eu era com Jacob. Eu nunca fiz joguinhos com ele e nunca vou fazer com você - espero que você possa entender isso.


E se você está com medo, o que eu suponho que seja compreensível, tenha em mente que eu decidi contar isso a você, mesmo que tarde. Você pode cancelar tudo, se quiser terminar comigo, mas saiba que eu vou ficar muito furioso, e é melhor você arrumar uma boa desculpa para as mais de 70 pessoas que convidamos para o nosso casamento. É melhor você apontar algo mais convincente do que uma postagem anônima - não há informações reveladoras sobre você, e quase nenhuma sobre mim.

Mas se você ainda acha que vale a pena terminar comigo, deixe-me apenas te dizer isso: eu amo você, e você nunca esquecerá isso.


-B

FONTE


O Melhor Primeiro Encontro

ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE (ABUSO SEXUAL).

NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. ~

A cama balançava. Não de uma forma tão violenta, mas carinhosa e rápida.

Em cima dela, dois corpos nus. O homem em cima, a mulher embaixo.

O rapaz a penetrava com vigor. Ia até o final, sempre com força e então voltava para repetir o processo logo em seguida. A moça se mantinha de olhos fechados e pernas fechadas em torno do corpo do homem, apenas se permitindo senti-lo. Talvez fosse a forma como o homem fazia com jeito e selvageria na medida certa que deixasse ela tão extasiada a ponto de sequer expressar algo e simplesmente a fizesse querer curtir a entrada.

Esses sites de relacionamento são incríveis, não é mesmo? Os dois haviam se conhecido duas semanas atrás. Trocaram telefones, jogaram conversas foras e então, um belo dia, o rapaz a chamou para um encontro.

Quem diria que ao final dele, daria tão certo?

O jovem beijava e lambia o pescoço da mulher sem parar. Ela era como a mais suculenta carne do banquete, e ele queria matar a fome com ela.

Ele a apalpava, a apertava e ia cada vez mais rápido à medida que ele ia chegando ao clímax.

Pouco antes de o atingir, uma das pernas dela se soltou de suas costas e então, com um gemido grave e respiração ofegante, ele a preencheu com seu tesão em forma material.

Desde o começo, ele a queria. Ele sabia o quão incrível a mulher era. Tinha um sorriso hipnotizante. Cabelos longos esvoaçantes e olhos tão profundos que pareciam conter o próprio mar dentro deles. E o melhor de tudo: Ela não era como a maioria das pessoas, que ligavam para o bem material e o interesse financeiro. Ela era humilde e enxergava a beleza em tudo e todos.

Para leva-la para a cama, ele não precisou conquista-la pagando uma conta cara em algum bistrô gourmet, não precisou vestir roupas caras e espalhafatosas e muito menos usar algum perfume importado da Europa. Longe disso

Ele só precisou de um pano e clorofórmio.

Autor: Luan Gonçalves


22/09/2017

INFESTATIO


Parte - I
Parte - II
Parte - III
Parte - IV & V

PARTE - VI









Não era exclusivamente na presença de mortais ou formas de vida, espírito e compreensão de níveis inferiores que Kaba parecia se mover de maneira pausada e dramática.

Era algo dela.

Não a mulher propriamente dita, mas sim a densa pressão de sua espiritualidade, era preciso sentir isso para que de maneira bem vaga pudesse tentar vir a compreender como sua presença "bagunçava" a dimensão em sua própria volta.

- Caput. - Chamou quase sem mover os delicados lábios, como uma experiente ventríloqua.
Em uma sala gigantesca e inteiramente branca, na posse de mobília não chamativa, exceto o assento e um amontoado que lembrava um "descanso de pés".

Deixou seu corpo recostar em uma cadeira de couro confortável, em uma mão um grosso e robusto copo de Whisky que exalava um delicioso cheiro de malte, já a outra mão foi baixada deixando a mesma estendida com o cotovelo acomodado em um dos braços da cadeira.

Livre dos sapatos de salto alto acomodou ambos os pés no "descanso" logo abaixo dela.
Um borrão principalmente preto mas parte branco e parte marrom com dois pontos fixos e vermelhos atravessou o cômodo, do chão a parede, da parede ao teto, do teto com o focinho postado logo abaixo da palma acolhedora.

Era apenas um risco, silencioso e incompreensivelmente veloz ainda mais para uma criatura que parecia um animal de colo, um gato, cachorro de pequeno porte e não uma Ratazana pesando mais de 7kg.

Kaba acariciava o topo de sua cabeça, Caput mantinha seus apertados e pequenos olhos fechados, as bochechas se retorciam fazendo com que seus bigodes dançassem, suas não tão pequenas mãozinhas se esfregavam no mesmo ritmo da mão maior acima dele.

...- Finalmente. - Enquanto encarava as chamas da lareira consumir a saudável madeira.

- O que "dá" poder aos Deuses, meu amor? A própria sacralidade por ela mesma, a consciência elevada que ultrapassa a tênue linha do aqui e do além, o nativo e incontornável sentimento de superioridade impregnado na própria essência do meu ser e estar?

- Chiiiichiii. - Respondeu Caput.

Ela gargalhou brevemente.

- Concordo que o controle das massas, onde tudo é feito "Em nome de Deus", arquitetando e condicionando o comportamento , a obrigação e recompensa no temor de nossa própria palavra juntamente com a adoração de símbolos, estatuetas, locais e nas preces em si é gratificante e mero capricho, porém não fortalecedor.

- O que realmente dá forças a Deusa das Pragas, Deusa dos Ratos, Mãe da Pestilência, são seus seguidores, seus fiéis, Os Propagadores da Palavra da Propagadora do Fim, a intenção de Kaba!
Seus olhos cor de mel perderam de total a tonalidade, depois a vida e por fim se tornaram ainda mais flamejantes, vivos e quente que as próprias chamas em sua frente.

Caput desceu da cadeira e manteve uma postura bípede com certa distância de sua Mestra que após terminar o copo em delicadas goladas envolveu o objeto em suas mãos e o transformou em areia  fazendo com que os finos filetes corressem da palma de suas mãos pelos seus punhos vagarosamente como um relógio.

Em sua poderosa e antiga mente aquela ampulheta marcava o tempo(já esgotado) da humanidade no topo da pirâmide predatória.

Sem o ínfimo esforço utilizou a mão esquerda para suspender o "Descanso de pés"que pesava exatos 77 quilos e 502 gramas a 17 centímetros do chão. Com a mão direita fez um símbolo que lembrava uma "figa" só que com três dedos, deixando o mindinho e o dedão abertos. Rasgou o saco e retirou o conteúdo do seu interior. Um homem amordaçado suplicava por sua vida através do olhar desesperado e incrédulo, com a mesma mão que proveu breve liberdade ao individuo o condenou logo em seguida em um único movimento totalmente cirúrgico de cima a baixo rasgou a pobre vítima da garganta ao púbis. O corte foi tão repentino que talvez a própria estrutura fisiológica do ser tenha tido dificuldade de entender ao que fora submetida.

Caput apenas acompanhava a cena, parecia um animal empalhado.

Com demora mas sem decepcionar o jato viscoso e rubro de sangue jorrou com vontade, entrando em contato com sua amendoada pele, lambiscou os lábios sujos retirou de seu busto prendendo-o entre os dedos com muita força seu colar de ouro, embebeu em sangue fresco, deixou o sacrifício agonizante atingir o imaculado piso branco, com as duas mãos trouxe para perto de seu rosto o artefato gotejando recente sofrimento e com uma voz que nem de longe lembrava a dela, era feminina e masculina, angelical e demoníaca, poderosa, imperativa, ameaçadora, atordoadora e agressiva. Vociferou:

- IN - FES - TA - TIO !

Um leve tremor tomou início.

O colar começou a mudar de forma, se alongou como uma bengala sob a medida da usuária, a parte inferior deu lugar a uma lâmina curva exatamente como uma foice, a parte do "apoio" tornou-se uma esfera maciça.

Um preocupante terremoto ganhava corpo.

A circunferência se encolheu dando forma a um anel grosso, afinou uma primeira vez postando um círculo quase completo a esquerda de sua própria existência e fundido-se ao todo.

Uma enorme comoção iniciava-se na superfície.

Ficou fino outra vez ao liberar mais uma semiesfera voltada para cima.

E os céus foram cobertos por um enxame de criaturas aladas.

 E por fim um terceiro quase formado anel tomou o lado direito do cetro.

A eletricidade cessou, deixando todos na escuridão.

Assim que Caput terminou sua refeição, tratou de desaparecer.

Milhares e milhares de enormes e mutados Ratos assolavam a cidade, os bueiros transbordavam, de cada buraco surgia cinco aranhas, dez baratas e trinta ratos. Nas ruas não havia onde pisar, o chão era pura peste. Ainda que tal pessoa houvesse presenciado a pior faceta do mais desprezível ser humano não seria capaz de mensurar tanto ódio, tanta fúria e bestialidade quanto os Ratos de Kaba traziam, devoravam pessoas vivas por inteira, brincavam com a presa, atacavam onde mais doía, faziam com que as vítimas sofressem até o corpo entrar em colapso e por fim desligar.

Muitos caíram resistindo, com rastelo, bomba, fogo, armas entre outras coisas. Não só pelo número desanimadoramente maior das pestes em relação aos homens, mas pela força brutal, capacidade de raciocínio e elemento surpresa.

Sem contar que lutavam com um inimigo débil, desnutrido e desanimado. Tornava a própria fortaleza do cidadão (seu lar) um campo de batalha desconhecido, suprimindo qualquer tipo de vantagem.
Os roedores eram a força destrutiva arrancando pedaços, visando tendões ou qualquer parte do corpo que pudessem alcançar.

Os aracnídeos envenenavam, seja paralisando a vítima, desabilitando o diafragma ou causando dor excruciante incapacitando totalmente o picado de exercer qualquer tipo de resistência.
As baratas eram oportunistas, pousavam nos ombros para adentrar o canal do ouvido aproveitando da elasticidade da cartilagem e destruíam o inimigo de dentro para fora.

As opções eram curtas, tirar a própria vida com veneno para ratos (Fornecido pela idônea Infestatio).
Se entregar a massa destruidora.

Morrer levando o máximo de malditos roedores possível.

Na noite de 27 de Setembro, com a primeira investida de Kaba, se salvaram pessoas em situações bem específicas.  

Gilbert, fora tirar dinheiro em um caixa eletrônico e quando percebeu toda merda acontecendo se travou na porta giratória do banco que ia do teto ao solo, fora salvo mesmo pelo fato da porta ser espelhada,  não revelando então que havia alguém ali dentro.

Mia, que trabalhava para um pseudo rockstar da região  sempre ficava até mais tarde no estúdio ( com isolamento acústico) afinando instrumentos e tomando notas para o dia seguinte, nem ao menos sabia o que estava acontecendo.

Penélope, que fora salva por sua personalidade rasa, usou tantas drogas e bebeu tanto que pegou no sono dentro da câmara de bronzeamento artificial, sorte a dela que a energia fora cortada nesse meio tempo.

A lua era quase vermelha, refletindo o massacre que ocorria sob ela.

As vezes Marta tinha uma postura irritantemente irônica-debochada, mas não era proposital, talvez fosse parte da personalidade dela ou só um reflexo de ser a pessoa mais inteligente entre nós.

- Então vocês são um grupo de Contramedida a Infestatio, correto? - A pessoa que estava prontificada a esclarecer a situação era a mulher de franja que nos recepcionou assim que acordamos tinha o apelido de Marreta, ouvi de outras pessoas, ela ainda não havia se apresentado.

- Uhum. - Assentiu.

- Estão se protegendo, estão preparados para combater, estão seguindo os passos da Kaba...

- Sim, qual é a sua dúvida? - Perguntou sem esboçar reação.

- Algo me incomoda mas não sei explicar...

- Tipo achar que não estamos do mesmo lado? Se fossemos da Infestatio já teríamos matado todos vocês, não é? - Agora queria provocar Marta.

- Sim, teriam nos matado caso fosse conveniente, poderia nos poupar de primeiro momento apenas para saber o que descobrimos o quão longe fomos. - Marta não estava para brincadeiras.

Marreta tirou a franja de cima dos olhos e foi um pouco mais além: - Então diga logo suas deduções, sendo ou não da Infestatio, vocês estão em nossas mãos, vocês estão impotentes "grande gênio". - Fez aspas no ar com os dedos indicadores de cada mão para provocar ainda mais.

Marta manteve a calma: - Sabemos das ferramentas que eles possuem, como uma organização que se diz " Frente" ao apocalipse consegue sobreviver sem ser detectada por ela, sendo que nós achamos vocês em pouquíssimos clicks na internet? Muito fácil chegar até vocês...

Sara acenou com a cabeça em direção a amiga em gesto de aprovação.

- HAHAHAHAHAHA. - Vocês não chegaram até nós, querida. Nós chegamos até vocês. - Nesse momento, Marreta apontou em minha direção, minha melhor amiga entendeu o gesto como uma ameaça.

Marta baixou o tronco e com os braços abertos correu em direção a Marreta, para derrubá-la.
Uma violenta troca de socos começou, ambas sairiam prejudicadas.

Marta era atingida mas não parava de avançar, Marreta aguentava chute após chute sem recuar. Nossa companheira acertou um gancho em cheio na adversária, que inexplicavelmente continuou consciente.

Frank cutucou Cruz com o cotovelo amistosamente e comentou: - E você querendo pagar pay-per-view, hã?. - Arqueando as sobrancelhas.

Eu, Sara, Frank e Cruz apenas observávamos a atitude de Marta, parte de nós queria intervir, trocamos olhares para buscar "encorajamento" e tomar uma atitude, mas sem ao menos dizer uma única palavra, achamos melhor deixar o barco ser tocado. Nosso entrosamento era ótimo.
Marta havia jogado a mulher no chão, que encontrava-se de joelhos mas apesar de abatida não desistia da luta.

Por entre os dentes sujos de sangue perguntou : - Sabe porque me chamam de Marreta?

Ela continuou  parada, esperando a resposta, deu apenas com a mão sinalizando "vamos logo".

- Prego que se destaca, leva marretada. Sua face ficou distorcida, agarrou com as duas mãos ambas orelhas de Marta, mirando o queixo da adversária desferiu uma cabeçada poderosa.

Marta estava acabada no chão.

Estendeu a mão pra ela e disse: - Gostei muito de você, muito mesmo. Será uma ótima adição ao grupo! - Respondendo sua pergunta, nós não monitoramos o blog ou fórum que tem usuários redirecionados as nossas páginas. Nós monitoramos os sites que redirecionam as essas opções específicas e através daí entramos no dispositivo da pessoa. "Entramos" é maneira de dizer, não entendo nada dessas merdas...

Sara então quis reafirmar: - Então antes de chegarmos nos resultados finais, de fóruns e demais informações sobre a Contritio somos monitorados pelos passos que tomamos?

- Nesse caso foi pela Veronica, assim que os computadores apontaram, conseguimos abrir o áudio do microfone no laptop que estava acessando a internet através do endereço dela. E pelos relatos e desespero, concluímos que são apenas vítimas. Realmente, com simples clicks, nos achar na internet seria algo realmente estúpido....

Foi interrompida por um alarme estridente e juntamente com uma voz que saía do walk-talk :

"Marreta, começou. Traga todos eles para cima, urgente".
- Vocês ouviram, nós temos um trabalho a fazer.




21/09/2017

Verdadeira Felicidade

Quando eu era pequeno, tive o que todos diriam ser uma vida normal. Minhas memórias dos primeiros cinco anos da minha vida são um pouco embaçadas, mas eu lembro muito bem do meu sexto aniversário. Era um sábado. Meus pais me levaram ao parque de diversões. Eu diria que foi um dos melhores dias da minha vida. Mais tarde naquela noite, quando fui dormir, ouvi um grito, seguido por um choro, e então o silêncio... os pelos em minhas costas estavam arrepiados, e eu estava suando. Eu não queria saber o que tinha acontecido, então fechei os olhos e chorei até dormir. 

Acordei pela manhã com o café da manhã em minha cama. Minha mãe falou “Bom dia querido.” 

Com uma expressão confusa no rosto, perguntei, “Mamãe, o que aconteceu ontem à noite?” 

Então ela repetiu, “Bom dia querido.” Ela tinha um sorriso muito assustador. Pensei que fosse um sonho ruim. Tomei o café e fui dar o bom dia para o meu pai. Minha mãe falou que ele estava no escritório. Fui até lá, e ali estava o meu pai, bom... ao menos parte dele. Ali, bem na minha frente, estava a cabeça do meu pai, os braços e pernas, em uma bandeja gigante. Gritei e comecei a chorar. Então percebi uma sombra. Ela veio por trás de mim. Virei-me rapidamente para ver a coisa que parecia ser a minha mãe. Seus braços e pernas estavam cobertos com vários cortes, e seu nariz estava despelado. Ela segurava uma espingarda. Ela se aproximou de mim e sussurrou em meu ouvido, “Feliz aniversário.” Então ela atirou na própria boca, morrendo instantaneamente. Chamei a polícia e chegaram imediatamente. 

Fui posto em um manicômio. Aparentemente pensaram que eu estava por trás de tudo. Mas eu pensava em como poderiam imaginar que o criminoso por trás disso seria um garoto de seis anos? Não chegou a se passar seis anos, quando me deixaram sair. Fui mandado para morar com meu avô. Disseram que todo o resto dos meus familiares tinham desaparecido. Meu avô me deixou ficar num quarto de hóspedes. Tive dificuldades para dormir naquela primeira noite, então ele me contou uma história. “Você sabe o que aconteceu com todos da família? Eu vou te contar. Felicidade. Foi isso o que aconteceu. Eles aprenderam o que é a verdadeira felicidade, e logo você também vai aprender. Todos vão aprender, todos tem que aprender…” Então ele saiu do quarto. Pensei sobre o que ele tinha contado. Naquela noite eu ainda não tinha percebido, mas logo eu perceberia... assim como ele contou. 

Na manhã seguinte, acordei e encontrei o corpo do meu avô aos pés da minha cama. Em sua cabeça havia um pequeno buraco bem do lado, e havia uma pistola ensanguentada em sua mão direita. Chamei a policia e me levaram de volta ao manicômio. Dessa vez fui posto em um quarto especial, vazio, apenas com paredes esponjosas e uma cama. Naquela noite, apertei o botão para chamar para que os seguranças viessem. Assim que um deles entrou, eu o derrubei e peguei sua arma. Eu a apontei diretamente para a minha testa e pressionei o gatilho. Caí no chão com um grande baque. Enquanto soltava o meu último suspiro, sussurrei, “Essa... é... a verdadeira... felicidade...”


20/09/2017

Bem-vindo ao Inferno! Por favor, pegue uma senha (PARTE 2)

PARTE 1

Graças ao meu outro post, parece que ficarei aqui na terra por um bom tempo. Então, se você está curioso, posso contar um pouquinho mais sobre o inferno. Também posso contar da primeira vez que conheci Satã pessoalmente. É uma parte importante de como vim parar aqui hoje, como um dos artistas de possessão mais talentosos do inferno. Além do mais, vamos ser sinceros — você deve estar querendo saber mais sobre lá embaixo. Depois de ir e vir pela mente de alguns de vocês, sinto dizer que vários que leram meu primeiro texto estarão indo diretamente para lá quando morrerem. Não é que você seja uma pessoa ruim ou algo do tipo, é só que Deus não gosta muito de pessoas que ficam acessando esse tipo de site, com contos tão macabros. Digo que, até eu, sendo um demônio, fiquei meio chocado. Inclusive, até mandei alguns links para o Satã; ele sempre fica animado em conseguir novas inspirações para os Largos do Inferno.

O que são os Largos do Inferno? Bem, são como parques de diversão, mas ao invés de alegrias contagiantes sob a luz do sol, é tormento visceral e desespero eterno. As filas são tão longas quanto, só que no inferno você vai preferir ficar três dias na fila do que no brinquedo em si. Existem sete Largos principais, cada um inspirado em um dos sete pecados capitais: Gula, Avareza, Luxúria, Ira, Inveja, Preguiça e Orgulho. Existem também Largos menores que são sobre qualquer ideia horrível que Satã possa conceber. Não vou dar certezas, mas talvez um Largo com tema de “tentáculos” abra em breve, graças a um vídeo que puxei da memória de um de vocês. Isso me direciona a falar sobre um dos Largos principais:


LUXÚRIA


Luxúria é um dos Largos mais antigos, também é o maior. Marquês de Sade está encarregado desse. Infelizmente, está em reforma desde que o livro do 50 tons de cinza foi lançado. Os gerentes do inferno querem que o parque esteja pronto para o grande fluxo de pecadores da luxúria quando a geração “tons de cinza” morra daqui a uns 50 anos.

Por enquanto, existem apenas pecados relativamente entediantes lá, como ter fantasias sexuais com seu primo. Sim, você leu certo, mas não se preocupe. É bem mais comum do que pensa. Mentira, você é um degenerado. Deixando de lado suas perversões sexuais, vou te contar sobre alguns dos brinquedos. Para a sorte da maioria, seu castigo é medido pelo seu pecado, e geralmente os pecados das pessoas em Luxúria são bem “suaves”. Porém, as coisas são um pouco piores para estupradores e pedófilos. É feita uma castração diária obrigatória, e também experienciar os abusos do ponto de vista de suas vítimas. Um dos brinquedos mais bizarros é ser reencarnado como uma daquelas camisinhas grátis que são distribuídas em asilos.

Não sei quem foi que deu essa ideia para Satã, mas quando me contou estava quase dando pulinhos de excitação. Ele ama esse tipo de coisa. Você já teve um chefe que ficava animado demais com coisas que ninguém mais se importava? Satã é esse tipo de cara. Só que você tem que fingir que está animado também, ou tiraria suas tripas para fora. Ele adora tirar as tripas dos outros para fora. O Largo da Luxúria foi o primeiro “parque” que visitei no inferno. Isso foi quando os Largos do Inferno eram bem menores, e ainda me lembro do cheiro quando passei pelos portões. O fedor de suor rançoso e esperma azedo invadindo minhas narinas e me deixou jogado na sarjeta de lado, me contorcendo. Quando vi o que me esperava lá, me virei e corri, mas me carregaram de volta para dentro. Vou poupá-los dos detalhes.

Essa foi também o dia que conheci Satã. Não foi um encontro longo e terrível, ele só me disse o quanto admirava o trabalho que eu havia feito na Terra, e engasguei no meu próprio sangue como resposta. Lembro dele rindo e saindo andando enquanto balançava a cabeça.


AVAREZA



John D. Rockfeller comanda esse Largo, mas os gerentes do Inferno estão considerando substituí-lo por alguém mais novo (estão esperando um certo proeminente político americano muito em breve). O Largo da Avareza é populado normalmente pela elite da sociedade. De qualquer forma, Satã criou esse Largo para ser o mais desafortunado o possível, até para os padrões do inferno. O brinquedo mais popular de lá é o da Garçonete. O condenado é forçado a experienciar a vida de uma garçonete onde todos os clientes são rudes, porém, você não pode se demitir, pois precisa do dinheiro. Depois desse, é o brinquedo do Trabalhador da Fábrica de Terceiro Mundo. Vários donos e CEOs de fábricas de roupas e eletrônicos são colocados nesse. Só vamos dizer que trabalhar até os dedos caírem não é só uma expressão lá.

Passei bastante tempo nesse Largo quando era um demônio jovem e a Avareza está em segundo nessa lista, pois foi lá que me encontrei pela segunda vez com Satã. Ele estava lá apenas para inspecionar um problema em um dos brinquedos, um onde você é enterrado vivo lentamente por moedas de ouro. Devido à minha ganância absurda durante a vida, eu estava nesse brinquedo quando chegou. Ficou confuso quando me viu lá.

"Pensei que você era um violador da Ira, o que está fazendo aqui?" Perguntou.

"Já estive na Ira," respondi. "Por duzentos anos."

"Duzentos anos? Jesus, o que você fez mesmo?"

"Se quiser saber, pode ir ler minha ficha técnica." Ele me olhou por alguns segundos como se estivesse com raiva, depois começou a rir.

"Poucas pessoas têm os culhões de responder assim para mim, sabe. Respeito isso." Sorriu, estendeu a mão e trocamos um cumprimento. Depois tirou minhas tripas para fora.


ORGULHO


Orgulho, vaidade ou arrogância te encaminhará para cá. Esse Largo costumava ser bem pequeno e desprezado, mas com o crescimento do Snapchat e a cultura da selfie, os infratores da vaidade estão em expansão. Arrogantes do tipo "minha opinião está certa e o resto do mundo está errado" também pararão aqui, o que significa que muitas pessoas que passam dias e dias discutindo na internet acabam tendo uma surpresa não muito boa quando chegam aqui. Para redimir seu orgulho na Terra, os condenadores têm que lamber muito saco por aqui, e não em um sentido figurado. Se você acha que pratica o pecado do orgulho, sugiro que você abaixe o tom, porque não vai querer saber qual é o gosto do saco dos demônios aqui debaixo.

Aqui as paredes e o teto são feitos de espelhos, e o reflexo que você vê depende do seu nível de orgulho em vida. Se era só um pouquinho vaidoso em vida, talvez se veja naquela época onde teve um corte de cabelo horrível ou depois de um termino de namoro. Se você era do tipo "eu me orgulho da minha aparência acima de tudo" recebe todo o tratamento de larvas rastejantes e furúnculos na sua cara. Entretanto, os ofensores mais absurdos da vaidade e do orgulho ainda não chegaram aqui. Aparentemente, nos Estados Unidos, existem algumas celebridades que todo mundo conhece, mas ninguém sabe muito bem o motivo para serem famosas. O Inferno ainda não tem um castigo apropriado para essas pessoas, mas Satã está trabalhando duro nisso momento. Vocês têm alguma ideia? Por favor, comentem se tiverem, e faça ser o mais irônico possível. Satã ama justiça poética.

De qualquer forma, você já deve ter adivinhado que esse foi o Largo onde encontre Satã pela terceira vez, e é isso mesmo. Tinha acabado de passar 20 anos como escravo quando ele veio em minha direção sorrindo.

"Jhonny, meu querido," basicamente gritou. "Que prazer em te ver! Faz quanto tempo já?"

"Fazem 82 anos, e meu nome não é Jhonny."

"Sério? Ah! Claro, desculpa, James."

"Também não é James. O que você quer, Satã?"

Ele ignorou meu tom de voz e colocou o braço em torno dos meus ombros.

"Quero que você me ajude com uma coisa, Jimmy. Um dos brinquedos no Largo da Bruxa está quebrado, e os técnicos não sabem de nada. Então pensei comigo mesmo, 'Quem eu conheço que sabe tudo sobre magia? Meu velho amigo Jimmy, é claro!"

Ele praticamente gritou a última parte no meu ouvido e sua mão cheia de garras bateu no meu ombro um pouco forte demais. Queria mandar ele se foder, mas achei que talvez fosse melhor ir do  que passar mais vinte anos sendo escravo para pessoas ricas e nojentas, então fui com ele para arrumar o brinquedo.

Vou terminar hoje por aqui, sendo que já fragmentei minha consciência em diversos corpos de vocês e gostaria de me divertir um pouco. Infelizmente, não sou talentoso o suficiente para possuir todos vocês, então da próxima vez que tiver vontade de fazer algo que sabe que não deveria, provavelmente sou eu sussurrando algo no seu ouvido, ou talvez seja algo da sua natureza humana, mesmo. Mas, até que aconteça, relaxe. Leia mais um conto por aí. Ouça um pouco de música deitado em sua cama. Não precisa se desesperar. Além do mais, a preguiça nem é um pecado tão grande.
EM BREVE: "Bem-vindo ao Inferno! Por favor, pegue uma senha (PARTE 3)"


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 


19/09/2017

Como sobreviver no Inferno: Parte 3 (Final)

Olá, pessoas.

Aqui vai a terceira e última parte da série, espero que gostem!

Leia as outras partes aqui: Parte 1 - Parte 2



ATENÇÃO: ESTA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE .

NÃO É PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 


Devo deixá-lo em breve. Se eu quiser aproveitar ao máximo a vida na Terra, receio que terei que ignorar as cidades. Eu tive tempo de sobra para me manter entretido, esse corpo simplesmente não é adequado para ter problemas com a polícia. É apenas uma questão de tempo até que algum vizinho intrometido pense em ligar para a polícia. Com a umidade nos últimos dias, mamãe e papai já estão exalando um cheiro bem incômodo.

Há algo que você precisa entender: o Inferno é um lugar grande. Eu já lhe dei um aviso até que justo, sobre alguns dos locais em que eu já estive e o que deve ser feito. Mesmo se eu escreve um livro exclusivamente dedicado a mapear os locais distintos dentro de Dis, eu ainda não conseguiria contar tudo sobre a cidade.

O que eu posso fazer em vez disso é lhe dar um pouco de informação sobre alguns dos condenados.



O Estripador




Tire um tempo pensar sobre todas as celebridades que você conhece. Quantas delas você acha que se sairiam bem em Dis? Não muitas, aposto. Talvez nenhuma. A fama e a fortuna na Terra não valem de merda nenhuma quando você está morto. Pouquíssimas pessoas são fortes o suficiente, más o suficiente, e psicóticas o suficiente para ter uma reputação no Inferno. Os poucos que têm o que é preciso são pessoas que você nunca vai conhecer.

O Estripador é uma das lendas do inferno. Um homem enorme e barbudo com dentes lixados, olhos vermelhos e espuma nos lábios. Há rumores de que no dia emm que ele emergiu de sua placenta, teve a má sorte de pousar aos pés de uma tribo escravagista. Bem, esses membros das tribos riram e prepararam seus tacos de golfe e chicotes, muito felizes em levar uma nova carne cativa.

Em um número superior de doze contra um, nua, desarmada e nova no Inferno, a maioria das pessoas não teria chance. Se você acredita nas histórias, o Estripador entortou os tacos de golfe e as chicotadas que levou mais pareciam picadas de inseto. Ele pegou o primeiro escravagista, colocou a mão na boca do homem e puxou a mandíbula para a direita de seu crânio. Partiu para outro, e depois outro, os rasgando com as mãos vazias até que os sobreviventes fugissem.

Ninguém sabe ao certo quem ele era em vida. Eu já ouvi teorias, a mais popular é que ele era o berserker de Stamford Bridge. Supostamente, um único Viking sustentava o exército inglês sozinho. Não importava que ele nunca pudesse vencer, que ele era superado em número, ou que seus inimigos tinham melhores armas e armaduras. Ele estava naquela ponte e ele lutou. Quando foi derrubado, ele matou no mínimo quarenta homens.

Eu não sei o quanto isso é verdade. Eu nunca  vi o Estripador pessoalmente e nem quero. O que posso dizer com certeza é que as pessoas não se tornam lendárias no Inferno sem uma boa razão.

Eu diria que o único que sabe a verdade é o próprio Estripador e ele não dirá nada. Desde o dia em que chegou ao Inferno, ele só falou uma vez.  Os escravagistas fugitivos ouviram quando o Estripador rasgou sua tribo. Despido, sangrento e cercado por cadáveres, o Estripador olhou para o céu e gritou uma única palavra...

"Valhalla!"



Cães do Inferno



Que tal uma pequena história?

Eu não era novo no Inferno. Tinha feito algumas roupas e um taco de madeira, encontrei abrigo e fiz carne assada numa fogueira. A única coisa que eu não tinha era uma tribo. A área em que eu tinha nascido parecia miserável até mesmo para Dis; todos os casebres e cabanas de barro meio abatidas. O ferro era escasso, apenas o suficiente para eu fazer uma tigela de água. Em suma, não é um bom local para uma tribo.

Meu plano era bastante simples. Eu faria uma refeição decente, criaria uma faca ou duas no caso de eu perder meu taco, então encontraria um lugar mais ou menos seco para dormir. Depois disso, partiria para procurar uma tribo. Mesmo as iniciações tribais mais suaves resultaram em algumas cicatrizes e um nariz quebrado, então eu queria estar o mais descansado possível.

Dormir no inferno é vital e perigoso. Requer uma habilidade para encontrar um lugar que seja simultaneamente protegido, escondido e com acesso a uma rota de fuga. Mesmo assim, você nunca fica mais de algumas horas de cada vez. No inferno, o menor ruído suspeito deveria te assustar.

Um rosnado baixo definitivamente conta como um ruído suspeito.

Saí do meu ninho de peles e madeira improvisado, levantei meu taco e revidei o grunhido com um meu próprio. Uma mulher tinha entrado no meu prédio e estava olhando para mim com pupilas dilatadas. Ela parecia estar mal, magrinha, nua e coberta de feridas. Seus lábios se descascados revelaram dentes quebrados e cortados.

Levou-me um segundo para avaliá-la. Ela estava viva por dias ou semanas. A julgar por suas costelas proeminentes e pelo estômago inchado, estava no caminho para morrer de fome. Então, ela estava fraca, com fome e nem sequer tinha uma arma.

"Eu já comi", falei, relaxando um pouco e balançando meu taco no ar. "Seria um disperdício deixá-la ir".

Eu dei um passo em direção a ela e ela fugiu. Simplesmente se virou e correu como se fosse um animal. Eu me atirei atrás dela, certo de que eu poderia alcançá-la. Mesmo que não houvesse muita carne nela, os ossos ainda podiam ser úteis.

Eu a persegui por algumas ruas, lutando para manter meu pé no chão lamacento. Quando finalmente cheguei perto o suficiente para usar meu taco, ela simplesmente caiu. A caída súbita me surpreendeu e eu tropecei nela, perdendo meu taco quando caí.

Ela uivou em triunfo, um som que foi seguido por inúmeros uivos.

Naquele dia, eu aprendi duas coisas sobre os Cães do Inferno, as pessoas que perdem suas mentes e se tornam pouco mais do que animais depois de durar séculos no inferno. Em primeiro lugar, eles têm a astúcia animal necessária para caçar como uma matilha. Em segundo lugar, os dentes e as unhas humanas são perfeitamente capazes de rasgar a carne do osso.



Os Cirurgiões



Médicos modernos raramente se dão bem no inferno. A academia e a dependência da tecnologia não o deixam no melhor estado para suportar a violência e a brutalidade sem fim.

No entanto, há exceções. As pessoas que aprenderam a costurar seus amigos juntos em meio ao fogo de Somme. Xamãs, necromantes e gurus que suportaram a fome e a guerra. Sobreviventes que sabiam cauterizar suas próprias feridas no meio de uma floresta. Essas são algumas das pessoas que podem ser fortes o suficiente para vender seu peixe. Afinal, o conhecimento útil da medicina básica é apenas uma daquelas coisas que estão além de um monte de cabeças ocas em Dis.

A maioria dos cirurgiões do Inferno encontram uma tribo assim que são podem. Suas ferramentas podem ser básicas, mas logo aprendem a fazer melhores. Rochas, ardósia e fragmentos de vidro servem como seus bisturis. Eles fazem fios de cabelos humanos e agulhas de lascas de ferro. Sempre que um membro da tribo tem uma ferida infectada, um cirurgião será o único a drenar o pus. Um cirurgião tribal poderia muito bem salvar sua vida... mas eles vão fazer isso sem anestesia.

Então, há os cirurgiões autônomos, as pessoas que tentam ficar sozinhas. Eles fazem um uniforme, a teoria é que os condenados os reconhecerão se todos se parecem. Isso realmente não funciona, mas você não pode esperar muita lógica de pessoas que perderam a conta de quantas vezes morreram.

Por um lado, as modas mudam ao longo do tempo. Me disseram que os autônomos usavam cocares e colares de ossos. A tendência atual é imitar os médicos da praga veneziana, colocando uma máscara bizarra e vestindo uma longa camada de pele queimada.

Autônomos são raros. Muito raros, na verdade. Você verá milhares de condenados para cada cirurgião autônomo que você encontrar. Quando você se deparar com um, tenha extremo cuidado.

Em primeiro lugar, os cirurgiões não recebem um passe livre no inferno. Os condenados são mais propensos a atacar um freelancer do que trocarem suas ferramentas, roupas ou escravos por seus serviços. Você não consegue ter certeza se o homem da máscara de pássaro e casaco preto é realmente um cirurgião ou alguém que matou um cirurgião e tomou suas roupas. Talvez eles fizessem a roupa para atrair os fracos e os feridos. A propaganda nem sempre funciona conforme pretendido em Dis.

Se o freelancer vir a ser genuíno, isso não te dá uma desculpa para abaixar a guarda. Os cirurgiões autônomos geralmente não são as pessoas mais estáveis. Em outras palavras, os autônomos são geralmente psicopatas sádicos.

Claro, eles podem apenas te dar pontos e deixá-lo livre para ir. Eles também podem decidir que seria mais interessante se eles te mandassem a outra pessoa. Eles podem pensar que pagar um braço e uma perna por seu serviço deve ser levado a sério. Eles podem vir a ser um assassino em série em seu caminho até a Rua da Pele.

Para cada autônomo tentando fazer um trabalho duro em um lugar mais difícil ainda, há uma dúzia ou mais de Mengeles que querem experimentar seus brinquedos em alguém muito ferido para lutar.

Fique com o cirurgião da sua tribo se tiver a sorte de ter um. Na falta de um, aprenda a cuidar de suas próprias feridas. Acredite em mim, se você consegue ler, você já tem uma vantagem intelectual sobre muitos moradores do Inferno. A educação universal é bastante recente.

Autônomos não valem o risco.



Cambions



Serei honesto com você aqui, não sei se os Cambions realmente existem. O que eu vou dizer é algo que alguém me disse. Depende de você decidir se é verdade ou não. Particularmente, eu espero que não.

As pessoas estupram umas as outras no Inferno. Isso é corriqueiro. Se você não for forte o suficiente, isso acontecerá muito com você. A boa notícia para as damas lá fora é o maldito "fogo" dos homens. Você quase nunca engravidará. Eu digo "quase nunca" porque, se você acredita nas histórias, há uma chance mínima de que alguns desses pequenos nadadores ainda estejam acordados procurando um óvulo.

Apenas para colocar isso em perspectiva, estamos falando de níveis de improbabilidade de gêmeos siamêses, e isso é apenas uma concepção. As chances de uma mulher grávida sobreviver aos nove meses no Inferno são completamente improváveis, embora possível. Estamos falando do pior cenário possível, vencer completamente as chances de improbabilidade... mas isso é eternidade. Até um macaco que esmaga aleatoriamente as chaves de uma máquina de escrever vai acabar  produzindo as obras completas de Shakespeare se ele passar um tempo na eternidade.

O resultado dessa improbabilidade, daqueles macados com suas máquinas de escrever, é um Cambion. Uma criança concebida e nascida no Inferno.

Não estou dizendo que eles existem, ok? Estou dizendo que conheci alguém que jura que é verdade e que viu um Cambion pessoalmente.

Você vê bebês em seus suas placentas de vez em quando. Normalmente é apenas um corpo, ocasionalmente você vê um afogamento. A maioria dos condenados os ignora. Eles não sobreviveriam um dia nas ruas, mesmo que você pudesse dedicar toda sua atenção a eles. É melhor deixá-los.

São apenas as pessoas realmente fodidas da cabeça que cortam as bolsas e... Sim, não vou terminar esse pensamento.

Estou perdendo o foco.

Então, esse Cambion que pode ou não ter existido, parecia uma criança normal. Ele chorava, cagava e sugava o leite de sua mãe como um bebê normal. A mãe fazia parte de uma tribo e eles conseguiam protegê-la durante toda a gravidez. Não saberia te dizer o porquê. Curiosidade, talvez?

Quando nasceu, toda a tribo se reuniu para dar uma olhada. Entre eles estava o homem que me contou essa história, alguém que eu conheci anos mais tarde e eventualmente mataria. Este homem cortou o cordão do bebê e ergueu-o até o rosto. Todos os homens da tribo haviam estuprado a mãe em um ponto ou outro e queria ver se a criança tinha alguma semelhança com algum deles.

O cambion parecia uma criança normal em todos os sentidos, exceto um. Seus olhos eram mortos. Sem vida, como uma boneca. Claro, o garoto estava vivo. Ele se contorcia e chorava como um bebê normal. Contudo, seus olhos estavam bem abertos, não pequenos como os olhos de um recém-nascido. Amplamente abertos, vazios, olhos de boneca.

Se essa história é verdadeira, não culpo a tribo por ter matado a criança. Algo assim não deveria existir.



Certo, acabei. Tenho que ir.

Este é o ponto onde as pessoas gostam de ler um final feliz. Alguns dragões morreram, algumas donzelas foram salvas. Pelo menos, você poderia esperar algum tipo de lição de moral para pensar.

Eu acho que, neste caso, esse tipo de coisa não faz diferença. Não há dragões para matar, sem moral da história. Nós não vivemos felizes para sempre. Não há uma grande revelação, nenhuma reviravolta inteligente, nenhum propósito, nenhuma redenção, nenhuma esperança.



Só há a eternidade de nossa própria espécie.



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18/09/2017

Apenas Um Quarto



Duas cadeiras separadas por uma mesa de metal. Sem janelas. Deprimentes paredes beges. Apenas um quarto.

A garota caminha pelo quarto com suas mãos rigidamente empunhadas ao seu lado. Ocasionalmente ela para, encara o canto do quarto e continua a caminhar em círculos. Uma noite gelada nas ruas imprevisíveis a fizeram descalça e desnorteada. Alguma coisa aconteceu.

Ela pergunta suavemente "onde estou?".

"Venha aqui Alley, sente-se." A segunda voz é mais alta, rude.                       

"Como você sabe meu nome?".

"Oh, eu sei de tudo, Alley".

Duas cadeiras separadas por uma mesa de metal. Sem janelas. Deprimentes paredes beges. Apenas um quarto. Um quarto que se tornou insuportavelmente frio.

A garota faz mais um círculo cético ao redor da mesa e então senta-se na cadeira. Ela olha rapidamente para o canto onde a luz fracamente ilumina e dirige seus olhos para baixo. Ela está tremendo e quase pode sentir sua respiração no ar, uma vez que respira pesado. Parece que ela correu na chuva. Seus pés doem, as batidas de seu coração estão rápidas e seu cabelo goteja. Ela não consegue se lembrar do que aconteceu.

Ping.

Ping.

Ping.

Ela se esforça para encontrar sua voz. "Que lugar é esse?".

"É apenas um quarto".

"Eu tenho permissão para sair?".

"Não".

Duas cadeiras separadas por uma mesa de metal. Sem janela. Deprimentes paredes beges. Apenas um quarto. Um quarto que se tornou insuportavelmente frio. Sem porta.

A garota se levanta da cadeira e começa a se jogar contra as paredes. Pânico enche a sala no lugar do ar. Ela identifica um cheiro forte, ferro. Não, sangue. Ela olha de relance para baixo e vê suas roupas rasgadas cobertas de sangue. Está em seus braços e pernas, em seu cabelo, em todos os lugares. O sangue deve significar que algo indescritível aconteceu.

"Por que não posso sair? Quem é você?".

"Ah, agora, Alley, você pergunta coisas das quais sabe as respostas".

"Não sei nada".

"Certamente você deve saber que está sendo punida".

Duas cadeiras separadas por uma mesa de metal. Sem janela. Deprimentes paredes beges. Apenas um quarto. Um quarto que se tornou insuportavelmente frio. Sem porta. Sem luz.

Ela fecha seus olhos e procura profundamente pela sua mente por uma memória para o motivo de estar no quarto. Nada. ela abre seus olhos mas a luz fraca no quarto apenas diminuiu. O canto é agora completamente negro. Ela fecha seus olhos de novo. Ela se encontra com uma memória. Ela não tem certeza de que foi aquilo que aconteceu.

"Eu... Eu não fiz... Eu não poderia ter feito".

"Oh, mas você fez".

"Então esse sangue...?".

"Certamente não é seu".

Duas cadeiras separadas por uma mesa de metal. Sem janela. Deprimentes paredes beges. Apenas um quarto. Um quarto que se tornou insuportavelmente frio. Sem porta. Sem luz. Duas vozes.

A garota se afunda novamente no chão, suas costas contra a parede, encarando diretamente o canto. Ela sustenta uma expressão impassível enquanto aceita a verdade. Ela é incapaz de se sentir culpada ou triste. Ela só lida com o nulo. Ela sabe que não é possível mudar essa situação. Não pode deixar o quarto, mas pelo menos agora se lembra. Ela foi o que aconteceu. O que aconteceu com todas aquelas pessoas inocentes.

"Não posso dizer que é bom encontrá-lo".

"Então você tem consciência de quem eu sou?".

"Eu imaginei esse lugar bem diferente".

"Então voce sabe onde estamos?".

"Sim. Você é o demônio dentro de mim. E esse é o inferno".

Duas cadeiras separadas por uma mesa de metal. Sem janela. Deprimentes paredes beges. Apenas um quarto. Um quarto que se tornou insuportavelmente frio. Sem porta. Sem luz. Duas vozes. Uma garota.



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!