10/12/2017

Um jantar de Ação de Graças para esquecer

Parecia que a minha bexiga ia explodir. Foram duas horas de viagem e meu pai se recusava a parar. Quando eu vi a cobertura da casa de tia Sheila aparecendo, por pouco não pulei e corri o resto do caminho, mas minha mãe me parou e pediu para ajudar com as malas.
Eu peguei a tigela de batata doce, empilhei uma torta em cima e fiz meu caminho até a porta da frente. Antes que meu pai pudesse tocar a campainha tia Sheila atravessou a porta com os braços estendidos e um grande sorriso no rosto, diante do amplo quadro que levava a entrada da casa.

"Feliz Dia de Ação de Graças a todos!", Gritou a tia Sheila, mas algo pareceu estranho. Ela ficou muito feliz por nos ver, mas continuou a olhar pelo ombro para dentro da casa.
Todos nós a cumprimentamos e nos abraçamos, mas ela não nos deixou entrar. Ela voltou a olhar por cima do ombro e depois voltou para nós.
Ela nos falou em um tom preocupado. "Eu preciso conversar com vocês sobre Janell. Como vocês provavelmente ouviram, seu namorado Dave morreu em um acidente de carro há alguns meses atrás. Ela não está tomando bem e tem agido de forma muito estranha ... "suas palavras continuaram, mas não consegui me concentrar. Apenas acenei com a cabeça, esperando de pé a pé tentando não molhar minhas calças. Finalmente, ela abriu a porta e nos deixou entrar.

Corri pela casa e fiz um breve ''olá'' para toda a minha família sentada na sala de estar antes de entrar no banheiro. Eu notei que Janell estava sentada no sofá com o braço em volta de um cara. Acho que ela encontrou uma maneira de superar a morte de seu namorado, afinal. Eu terminei minhas recepções e fui esvaziar. Enquanto lavava as mãos, ouvi vozes fracas vindo de trás de mim. Eu me viro e vejo um tumulto. Por curiosidade, coloco minha orelha e ouço a voz do meu pai, "o que diabos ela está fazendo?"
"Calma Mark, você sabe que Janell sempre foi um pouco diferente." Eu me perguntava sobre o que eles estavam falando. Janell era uma espécie de ovelha negra da família. Ela passou por um momento gótico que durou até a década de 20 e eu até ouvi meus pais falarem sobre feitiçaria.

"Apenas deixe Sheila lidar com isso, ela disse que tentará buscar ajuda depois dos feriados". Voltei para a sala de estar, queria conhecer este novo namorado de Janell, mas não o encontrei em lugar algum. Eles devem ter ido para o quarto dela. Não é algo que eu queira ver.
Procedi para passar pelo resto das festividades padrão de ação de graças enquanto esperava que a comida chegasse à mesa. Eu joguei futebol com meus primos, assisti ao desfile na TV, e me atualizei sobre todos que eu não consigo ver com bastante frequência.

Quando a tia Sheila nos chamou para a mesa para jantar, Janell já estava no seu lugar e finalmente consegui dar uma boa olhada no cara que ela trouxe para jantar, quando meu maxilar caiu. Eu o reconheci das fotos em suas redes sociais ao longo dos anos.
Era Dave! Seu namorado que morreu no acidente de carro. Ele sentou-se lá com um olhar vazio do seu olho restante. Onde seu outro olho deveria estar era apenas um grande buraco, que também tirou a maior parte de sua bochecha e nariz. Ele estava vestido com um terno e gravata que estava coberto de sujeira.

"Kyle, você está aqui!" Janel me chamou excitada. "Onde você esteve? Eu não acho que você conheceu o Dave. "Eu olho para o meu pai, que faz um gesto de encolher os ombros e balançar a cabeça com descrença ao mesmo tempo. Eu me levanto da minha cadeira lentamente e caminho até o casal feliz, "uhh, Hey Dave. É bom finalmente conhecê-lo.
"Fiquei tão surpreso com toda essa situação que não sabia como reagir. Janell inclinou-se sobre ele e colocou a orelha na boca dele: "Ele diz que ele está muito feliz por finalmente conhecer você também. Ele já ouviu falar muito sobre você. Desculpe, ele é bastante tímido sobre falar com pessoas novas. "
"Não há problema, eu posso entender isso." Eu disse com dificuldade enquanto voltava para o meu lugar.

Durante o jantar todos nós tentamos o nosso melhor para ignorar a situação e tratar Dave como um membro vivo da família. Minha avó tentou conversar com ele. "Então, o que você está com esses Dave?" Janell inclinou-se para fingir que ele estava sussurrando em seu ouvido
"Ele diz que tem tido problemas para encontrar trabalho desde o acidente. Ele estava trabalhando no escritório de seu tio, mas se ele quer esse emprego de volta, ele precisa trabalhar no turno do cemitério.
"Eu apenas engasgava com o meu purê de batatas tentando não rir. Eu olhei para cima e vi o meu pai fazer o mesmo", ''Provavelmente o melhor é manter suas opções abertas agora, não quer se enterrar em seu trabalho".

Minha mãe e minha avó atiraram olhares para ele, eu tentei o meu melhor para sufocar o meu próprio riso, mas então eu tive que me juntar, "Dave parece ser o achado, onde você o desenterrou?" Janell não pegou a piada e foi direto nos dizendo como eles se encontraram no colégio e foram inseparáveis ​​desde então.
Ela deu um beijo na bochecha ... bem, onde estava a bochecha.
Ao afastar-se, você conseguia ver uma corda fora do puss ou alguma outra trilha tão fluida do buraco de sua bochecha para seus lábios, e foi quando um pedaço de carne caiu logo de seu rosto no peru e nas batatas intocadas que estavam no prato frente a ele.
Foi assim que acabamos com o jantar, algumas pessoas tiveram que se desculpar ali mesmo, provavelmente para vomitar, pensei.

A maioria da família foi embora logo depois disso. Ficamos apenas eu e meus pais, tia Sheila, Janell, e claro, Dave. Todos nos sentamos na sala de estar e continuamos conversando. Janell tinha levado Dave com ela, obviamente lutando sob seu peso.
"Desde o acidente, Dave tem problemas para se locomover sozinho", justificou. Isso faz sentido, ele só tinha uma perna esquerda, afinal, e estava dobrada de maneira errada.

Ela sentou Dave no sofá e subiu no que restava do colo e colocou os braços em volta do pescoço dele. À medida que a conversa continuava, comecei a notar algo no chão sob o casal feliz, era uma espécie de montículo branco.
"Parece que você deixou cair alguma coisa", eu me levantei e me aproximei para pegá-lo para eles antes de perceber suas larvas, uma grande pilha de vermes que estava caindo do terno sujo de Dave. Isso foi o suficiente, não aguentaria mais. Eu andei até meus pais, "eu não me sinto tão bem, podemos ir para casa?"
"Você está parecendo muito pálido campeão, acho que é culpa do tempo", papai respondeu.

Reunimos os nossos pratos do jeito que trouxemos. A tia Sheila e Janell nos levaram para o carro, nos abraçaram e nos agradeceram pela visita.
"Obrigado por ter nos recebidos, tudo foi ótimo. Certifique-se de dizer a Dave adeus de nós, foi um prazer conhecê-lo."
Nesse ponto, uma voz veio da porta da frente da casa, eu olhei e vi um único olho olhando da escuridão atrás da porta.
"Foi um prazer conhecer todos vocês também!"

Produção de Sleepless Nightmare Productions

A área 51 não existe



Por muitos anos fui um ávido leitor do NoSleep mas, por conta da minha profissão, nunca tive permissão para postar nenhum tipo de conteúdo lá (ou em qualquer outro lugar). Ocasionalmente, uma história ou outra sobre a Área 51 aparecia. "Eu trabalhava na área 51" ou "Consegui entrar na área 51", etc. Essas histórias sempre me deixavam com muita vontade de falar algo, mas sempre segurei a língua, até agora. 

Usando vários proxies e várias outros bagulhos desse tipo, acho que vai ser tranquilo de fazer essa postagem. Não vou entediá-los com os meus detalhes de segurança.

Vim aqui, depois de anos só lendo, para corrigir diversos mal entendimentos e lendas sobre a mais famosa instalação militar do mundo. Estou fazendo isso agora porque, mesmo que eu seja descoberto, tenho uma politica bem útil de segurança: estou muito doente e provavelmente não vou me recuperar, e não tenho contato com nenhum familiar que possa sofrer algo com isso. Não há nada que ninguém possa fazer contra mim (hmmm, eu acho...).

***

A área 51 não existe. Desculpa! E o fato dela ser o ovo de ouro das teorias de conspiração no mundo todo é justamente o que o governo americano quer. Estou escrevendo isso apressadamente e meus pensamentos não estão propriamente organizados, então vou direito ao ponto. 

Groom Lake / Paradise Ranch / Edwards AF Extension / Restricted Training Facility UX104

Esses são alguns dos nomes dado ao lugar que você conhece como Área 51. Não sei muito sobre sua história, mas essencialmente a intenção era que fosse um lugar secreto para a Força Aérea fazer testes de armamento durante a Guerra Fria. Possuía algumas extensões no local; uma era sobre desenvolvimento de foguetes e motores a jato, outro para treinar tropas para desastres nucleares e sobrevivência pós apocalíptica, etc. Muito parecido com o terceiro filme do Star Wars, o lugar e seu propósito começaram a ser reconhecidos ao mesmo tempo que o incidente de Roswell, e a loucura da mídia popularizou a base. No começo, o governo tentou reprimir as especulações, mas então adotou uma nova estratégia: alimentou os boatos, e simplesmente moveu a base alguns quilômetros de lá. 

Hoje, Groom Lake (Área 51) é uma pequena base e aeroporto militar funcional. Tem diversos bunkers que abrigam serviços de baixa segurança, e também são realizados testes de munição. Existem vários abrigos anti-bombas nucleares que ainda são mantidos e usados como depósitos. A instalação consume muita energia, e tudo que é possível para parecer uma base militar de segurança máxima é feito, como se diversas operações ultra secretas fossem executadas ali. 

Os funcionários realmente voam para lá todos os dias a partir de Las Vegas em jatos conspirativamente discretos marcados como "JANET", às vezes referidos como "Just Another Non-Existent Terminal (Apenas Outro Terminal Inexistente, em tradução livre para o português)". E eles querem que você perceba. E fiquem pensando sobre. Querem que você se pergunte para onde esses jatos estão indo.

E eles não querem que você passe um segundo se quer pensando de onde eles vem. 

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A verdadeira "Área 51"

Essa é a parte mais empolgante, pois pelo que posso dizer dentro das minhas pesquisas limitadas e clandestinas, ninguém nunca divulgou o segredo real antes. é muito bem guardado, e todas as pessoas que são idiotas o suficiente para divulgá-lo, são assassinadas. Assassinato nem é a palavra certa. Eles apagam a pessoa da existência. As vezes famílias inteiras. É por esse motivo que o governo surta quando descobre que alguém está em estado terminal e não tem nada a perder. É por esse motivo que, se você trabalha lá, só se consulta com os médicos particulares deles, assim sabem exatamente como está seu estado de saúde. Querem que você morra bem rápido de um ataque cardíaco súbito, para que assim você não tenha nem a chance de pensar em ir ao público e lavar a roupa-suja do governo. E as vezes induzem esses ataques cardíacos quando determinam que você é um AMES, ou "ameaça motivada por estado de saúde" (em inglês HMT, ou “health-motivated threat”).

Mas eu não precisei me consultar com um médico para saber que estava sofrendo com o mesmo tumor maligno que matou meu pai: Glioblastoma multiforme. A cada três meses temos que fazer uma avaliação médica, e a cada seis meses fazemos uma tomografia computadorizada. Eu simplesmente não falei nenhum dos meus sintomas na última avaliação e provavelmente já estarei morto antes da próxima tomografia. Eu realmente queria fazer isso antes. Talvez para ser o primeiro da história, acho. A única outra coisa que fiz com a minha vida foi arrumar computadores. 

A verdadeira base militar secreta fica no Aeroporto Internacional McCarran de Las Vegas. 

A história do aeroporto sempre circulou em volta de envolvimentos militares. Antes e durante a segunda guerra mundial, o Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos e a Força Aérea estavam construindo, armazenando, treinando e fazendo todo o tipo de coisa lá. Basicamente, o governo (e todas os complexos de corporações beneficentes da industria-militar, é claro) adquiriram total domínio do aeroporto na época em que Área 51/Groom Lake explodiu nos olhos do público. Foi um trabalho apressado, e uma solução simples. 

Para todas intenções e propósitos, McCarran é um aeroporto. Transporta cidadãos para e dentro e para fora por todo o planeta assim como qualquer outro aeroporto do mundo, mas suas operações subterrâneas são de uma verdade totalmente diferente. 


***

Primeiramente, você tem que entender a estrutura dessa base militar. 

Por funcionar aparentemente como um meio de transporte ao público, todos os aspectos da base tem dupla função. Isso é chamado de "mascarar", e foi implantado com uma eficácia exemplar no McCarran. Para dar alguns exemplos, as constantes decolagens e aterrizagens dos aviões providencia camuflagem de som para os testes de engenharia. O público ignora completamente esses sons e os julga como sendo barulhos de aviões. Alguns do jatos usados no aeroporto são inclusive equipados com tecnologias em teste, enquanto outros são usados para transportar milhares de empregados do governo vestidos como cidadãos comuns. Em qualquer momento do dia, os seis portões do McCarran são preenchidos com diversos funcionários dos mais altos escalões do governo e exército americano. Ficam sentados por lá usando seus Iphones, vestidos como universitários de pijamas ou empresários de ternos. E são pagos para parecerem comuns. 

A base inteira é protegida por soldados à paisana. Polícia militar, especialistas táticos, força antiterrorista, e todo o tipo de soldados vasculham as áreas do aeroporto vestidos como policiais normais, seguranças do aeroporto, até mesmo recepcionistas. Suas pistolas geralmente estão escondidas; as verdadeiras armas estão com os garotos esperando no subsolo. Rifles de assalto e coletes de proteção estão armazenados por todos os espaços públicos de lá. Não é difícil de fazer, porque ninguém está procurando por isso. E é claro que contratam um bom número de pessoas comuns para trabalhar na Administração para a Segurança dos Transportes e outros cargos; isso é chamado de "misturar" e é necessário. Que tipo de aeroporto nunca estaria dando vagas de emprego?

Você já assistiu mecânicos entrando e saindo de aviões ou viu suas bagagens sendo colocadas no avião enquanto embarcava? Bem, toda essa atividade de transporte de carga atua como uma cobertura para o movimento de massas de forças especiais, equipamentos de laboratório, hardware militar, materiais de construção exóticos, etc. Não é difícil. Eles conduzem esses equipamentos junto de todas as outras centenas de bagagens, e então instintivamente você não questiona o que está lá no meio. Nós até temos trocas e problemas com isso ocasionalmente, mas ninguém nunca nota. 

Você sempre é exposto a um nível de radiação quando vai voar (e, a propósito, o nível de segurança de radiação é alto por causa do McCarran), mas os excessos de radiação de testes de armas são ventilados subterraneamente para o deserto mais próximo. Ter um aeroporto para explicar a radiação é bastante efetivo até mesmo com os enxeridos portadores de Contadores Geiger. Mas a verdadeira genialidade em esconder uma base militar debaixo de um aeroporto é essa: para mascarar o consumo excessivo de energia elétrica. Claro que consome muito mais energia do que qualquer aeroporto comum, então foi construido em uma cidade que consome uma quantidade absurda de eletricidade - Las Vegas. Então a base fica escondida das vistas, até no sentido de energia. Área 51? Não muito. E isso é de propósito. 


***
Dentro da base

Então, se a Área 51 é apenas uma distração, como chamamos a verdadeira? Tem diversos nomes, mas geralmente é referida como a "NEXUS". Isso é um acrônimo, mas poucas pessoas sabem o que significa. Nem eu sei. Tudo sobre a Nexus, desde suas operações até sua estrutura, é compartimentado. Isso significa que você só sabe o que precisa saber, e virtualmente ninguém sabe muito mais do que seus próprios afazeres. Você poderia trabalhar na Nexus em um escritório fazendo algo tipo contabilidade, e nunca saberia o que a mulher da sala ao lado faz. Ou o cara do outro lado corredor. Dizem que nem mesmo o Presidente sabe exatamente o que acontece aqui, apenas poucos generais e alguns caras da CIA. 

A cultura de negócios aqui é uma loucura. Tipo a Coreia do Norte. Todos sempre estão sorrindo, todo mundo está bem, todo mundo fica feliz em dizer algumas frases sobre o que fazem (quando é dada a permissão de socializar, que não é muito). Todas as linhas telefônicas são grampeadas, todas as salas tem câmeras, e ninguém sabe quem está nos assistindo/escutando. Então isso faz você pensar que ninguém aqui está me falando a verdade sobre nada. Nem mesmo o cara com quem você divido o escritório. Fico refletindo se algum de nós faz ideia do motivo de estamos aqui. Várias pessoas com quem você trabalhou por muito tempo do nada são "transferidas" para outro lugar, ou então tem uma "emergência médica" e assim você nunca mais os vê. E ninguém lembrará daquela pessoa, não importa para quantas pessoas você pergunte. 

Na verdade, fui contratado para fazer algumas programações para a Marinha quando estava no começo dos meus vinte anos, logo que saí da faculdade, e depois fui mandado para Groom Lake para fazer testes de servidores. Eles devem ter gostado do meu trabalho como programador/técnico de informática, então depois de uma série de estranhos testes psicológicos e uma montanha de contratos de sigilo junto de uma minuciosa investigação sobre toda minha vida, me ofereceram um emprego "em uma instalação perto de Las Vegas". Aliás, qui estão algumas estipulações desse emprego: É um montante fixo de U$ 1.500.000 líquidos, com acréscimo de um salário de US $ 220.000 por ano, mais moradia / carro / convênio médico - porém surtos psicóticos, ataques de ansiedade, condições graves de saúde e problemas familiares anulam o contrato. Também assino aproximadamente mais dois contratos de sigilos por semana, onde podemos encontrar na maioria a frase "penalidade de morte" em algum lugar. Os empregados não tem permissão de sair do subsolo por pelo menos 5 anos, e todos moramos aqui embaixo. O contrato de serviço é 5 anos, depois 4 em interrogatórios, onde somos permitidos de morar em Las Vegas e atender em outra facilidade quatro dias por semana. Depois somos dispensados e observados até o final de nossas vidas. Nossos passaportes são permanentemente invalidados; não podemos sair do território americano. Ouvi dizer sobre uma estatística que que cerca de 20% de ex-empregados daqui cometem suicídio. Não sei se é verdade, mas se é, não deve ser "suicídio", se é que me entende. 

A base fica no subsolo. É uma rede de enormes estruturas chamadas de colmeias, as quais formam o que chamamos de "colônia" ou a "Nexus". A propósito, fazemos várias piadas com Resident Evil. Exceto que, ao contrário do filme, o governo não tenta deixar seus funcionários confortáveis com florestas de mentira e janelas que visam paisagens de cidades digitais. É um labirinto escuro, sombrio, de estilo soviético de paredes e bunkers, repleto de várias coisas parecidas com de submarinos: escotilhas de água e ar, portas de armadilha, portas de segurança reforçada, etc. A única exceção são os "edifícios" de escritório, onde pessoas como eu trabalham. É igual qualquer outro escritório. A única diferença é que existem homens armados de guarda 24 horas por dia por todos os lados, espiando por cima de seu ombro. Ah, e o lindo brilho quase surreal dos laboratórios de ponta que ficam nos níveis mais baixos de cada edifício. Nunca estive neles, mas já passei  por lá algumas vezes.


***
Existem 4 colmeias, que eu saiba (entretanto, não ficaria surpreso se existissem mais). Eu fico na Colmeia 1. Trabalho em alguns servidores com alguns outros caras em um andar em particular (existem dezesseis andares na nossa colmeia), mas monitoramos todos os servidores da Colmeia 1, então acabamos nos movimentamos por lá um pouco. Pude observar algumas informações que vão passando, e pelo que sei, somos a Colmeia mais entediante. Compilei a lista á seguir baseado nas coisas que interceptei na nossa rede e também pelos boatos de colegas de trabalho. A Nexus tem diversas redes e todas são decentralizadas, mas existe alguns jeitos na qual se comunicam entre si, e é nessas linhas de comunicação que consegui extrair um pouco dessas informações. Aqui está o que sei:

Colmeia 1: Finanças, contabilidade, divisões de operação/organização, tropas de treinamento/acomodamento, e alguns testes de armas em pequenas escalas. 

Colmeia 2: Engenharia química, pesquisas de nanotecnologia, e "aptidão psicológica avançada" para as forças militares, seja lá o que isso signifique. Provavelmente coisas de operações secretas e como sobreviver trinta anos em confinamento solitário em uma prisão na Sibéria. Também tenho razões para acreditar que é lá onde os mandachuvas se encontram e vivem. 

Colmeia 3: Andares superiores: armamento biológico e pesquisa/testes de doenças. Se o governo tem zumbis, eles devem estar aqui. Eu gostaria de fazer tantas piadas de zumbis durante todos esses anos, mas nunca soube quais colegas de trabalho me dedurariam. Andares inferiores: Tecnologias avançadas de viagens espaciais e guerras espaciais. Engenharia de partículas e feixes de gravitação (eu acho, não tenho evidências sucintas). Coisas de ficção científica. Uma vez vi um e-mail com todos os tipos de linguagens codificadas, marcado como "A-B", a qual acredito fielmente ser referente a "astrobiologia". Isso significa vida alienígena. Talvez seja só sobre organismos unicelulares ou plantas fossilizadas de alguns meteoros, ou então algo muito mais avançado. Seja lá o que for, deve ter um motivo para não estar nos níveis acima com o resto dos outros biólogos. 

Colmeia 4: Informativo totalmente confidencial. Com criptografias e firewalls e seguranças de rede que protegem essa colmeia de um jeito que nunca vi antes, nem mesmo em projetos ultra secretos da Marinha em que já trabalhei. Estou sendo muito inespecífico na linguagem que uso para descrever nossos conjuntos e redes de servidores porque não quero revelar exatamente quem eu sou. Mas vão descobrir em algum momento. Mas existe um rumor altamente espalhado sobre a Colmeia 4: alegadamente, a coisa mais aterrorizante do mundo está naquela estrutura no 15º andar. 

Existem coisas bem estranhas sobre a Colmeia 4. Primeiramente, nem as pessoas de alta patente são liberados para entrar lá. Só tem acesso via vídeo conferências, e materiais são geralmente transportados da 4 para a 3 para análises físicas. Não entendemos porque nossos mandachuvas não entram na 4, mas talvez seja por ser perigoso demais? Teve um cara que trabalhava na 4 alguns anos atrás quando comecei aqui, que causou o primeiro confinamento geral da Nexus que vi. Ele estava sendo acompanhado por tambores (como chamamos os esquadrões de soldados de coturnos negros que dão acesso a diferentes colmeias), e começou a gritar sobre IDA's. Eu não ouvi seus gritos, mas ouvi o tiro enquanto almoçava. Atiraram contra sua cabeça antes que pudesse terminar a frase. IDA, a propósito, é referente a anomalias interdimensionais ("inter-dimensional anomalies" em inglês). Não tenho mais nenhuma informação sobre o que seria isso. 

Outra coisa que li minimamente sobre foi sobre "os gêmeos". Eu não sei quem ou o que são isso, mas estão "acima-do-ultra-secreto" da Colmeia 4. É ilegal até se corresponder sobre isso nas nossas redes de segurança, a não ser que te liberem, e apenas quatro funcionários tem essa liberdade. Vi poucas coisas à seu respeito. Um era um registro médico. Sem sinais vitais, vocalizações inusitadas que manifestam alucinações e psicose em funcionários próximos, e pele que produz náuseas violentas quando tocadas. O documento era basicamente uma especulação que sua pele era semelhante a da planta Gympie Ferrão ou a de uma água-viva venenosa. 

Li documentos sobre pessoas que trabalharam com eles, também. Na 4, uma mulher foi mandada para a ala psiquiátrica depois de ter ficado na mesma sala que eles, e um soldado que ficou do lado de fora do laboratório onde estão basicamente se matou. Especificamente, ele espiou para dentro da sala durante um acesso de rotina, depois começou a bater com sua arma na própria cabeça até os miolos saírem para fora enquanto cantava uma canção folk irlandesa. A mulher que foi internada foi mais bizarro ainda: durante o café da manhã com seus colegas, ela pegou um garfo, se levantou, saiu pelo corredor principal, tirou toda sua roupa, cegou ambos os olhos e depois deu um jeito de chegar até o primeiro andar que tem o corredor que da acesso a Coleia 3. Como ela conseguiu operar dezenas de portas que abrem apenas com leitura de cartão, senhas de acesso e leitores de retina ainda está sob investigação. O último e-mail sobre ela foi mandado em 2012, sobre como fica sentada no escuro, no chão de sua solitária no 11º andar da ala psiquiátrica com um sorriso de dever cumprido constante em seus lábios. 

Um colega meu, no qual eu confio, me contou que uma vez viu os gêmeos por uma câmera de segurança hackeada. Disse que parecem ser mulheres, aparentemente duas veze maior que um homem adulto, com algo não inidentificável crescendo e pendendo de suas cabeças (como cabelo, mas mais grosso) e basicamente flutuam a alguns centímetros do chão e arrastam seus dedões levemente enquanto se movimentam. São extremamente pálidas. Ele não viu os rostos, mas disse que parecem distorcer a realidade (ou pelo menos o vídeo da câmera de segurança) de um jeito que o espaço parece se retorcer ao redor delas. Talvez essa seja as IDAs que aquele cara gritou sobre. 

***

Isso é tudo que tenho para dizer por enquanto. Mas tenho esperanças que um dia o mundo descubra o que é abrigado aqui embaixo. Somos basicamente prisioneiros. Temos muito pouco acesso a internet, então se não ouvir falar de mim de novo, assuma que fui descoberto. 



09/12/2017

ReficuLfOtseN.com

N.T.: Começando hoje, vou alternar os updates da Vox e Rei Beau com histórias mais curtas.

ATENÇÃO: Essa história é +18.

Em Setembro de 2008, uma série de suicídios em massa atravessou o planeta. Milhares de indivíduos entre 12 e 24 anos tragicamente encerraram suas vidas por motivos desconhecidos. A idéia de tantos jovens cometerem um ato tão terrível é estarrecedora, e a princípio não havia qualquer explicação sobre esses eventos. No entanto, devido a vazamentos de relatórios dos arquivos mais secretos do governo, é seguro assumir que o culpado pode ter sido um e-mail incomum enviado ao redor do mundo por um indivíduo cuja conta de e-mail não pôde ser rastreada pelo FBI. Evidências coletadas nas cartas de suicídio sugerem que o e-mail tinha um link para um website chamado "reficuLfOtseN.com".

A informação acumulada sobre esses eventos estranhos dizem que o background do website mostrava imagens grotescas do que aparentavam ser cadáveres de crianças, que pareciam ter sangue extremamente vermelho vazando de cavidades oculares vazias, e no centro da página, um único vídeo. Acredita-se que o vídeo muda de forma para cada pessoa que o assista, mas um fator é comum para todos os casos: ele mostra a morte violenta de quem assiste.

Ao serem interrogados, funcionários do Google disseram não ter qualquer conhecimento de qualquer site chamado reficuLfOtseN, e parece que o site estava no ar por apenas um mês antes de fechar por motivos desconhecidos. O site não apareceu no histórico de nenhum usuário, mas não se sabe se eles deletaram o registro ou não.

O que você lerá a seguir é a carta de suicídio do falecido Jason Forsyth, que tragicamente tirou sua vida em 25 de Setembro de 2008.

"Para minha família e amigos:

Eu imploro por seu perdão por esse ato egoísta que irei cometer. Eu só posso esperar que vocês encontrem em seus corações motivos para me perdoar e para entender meus motivos para esse ato. Quando eu recebi esse e-mail, eu achei que não fosse mais que o spam cansativo que costumo receber, e eu cliquei relutantemente no link que estava ali. Eu vi a porra do vídeo. Eu não devia ter feito isso, eu não devia ter clicado, mas minha curiosidade me dominou. Eu apertei play. O vídeo mostrou... Me mostrou... Meu Deus... Eu mal pude assistir aquela coisa maldita. O vídeo me mostrou. Me mostrou sentado ali. Me mostrou sentado à mesa do meu computador quando essa... essa... essa COISA apareceu atrás de mim, e o vídeo ficou vermelho como sangue. A coisa parecia um humanóide pelado sem qualquer genitália visível. A criatura não parecia ter olhos, e abriu... Abriu sua boca e me devorou. Eu gritei conforme eu era devorado. Havia muito, MUITO sangue, aquilo me deixou doente.

Sinto muito."

Algum tempo após o desaparecimento de reficuLfOtseN.com, serviços de inteligência ao redor do mundo receberam um e-mail de um endereço não identificável:

"Não se preocupe, eu voltarei em breve. :)"

Nós não sabemos se esse site irá retornar para a internet, mas apenas por precaução, faça a você mesmo um favor que pode salvar sua vida: Nunca, NUNCA entre em reficuLfOtseN.com.

Você foi avisado.


07/12/2017

Natureza Humana

6:00 PM, Florida National Forest 

Deren entrou na floresta, ele havia se preparado para essa expedição há semanas. Ele havia planejado nos mínimos detalhes, e até mesmo sabia quais trilhas seguir sem que se perdesse. Derem decidiu ir só, já que não tinha muitos amigos que pareciam dispostos a acompanha-lo. Quando ele os convidou, logo ficaram com uma expressão sombria nos rostos, e acharam que ele estivesse louco. 

“A-acho que não vou,” todos disseram de um jeito apressado e assustado. Era como se soubessem de algo sombrio sobre aquela floresta que ele não soubesse. Voltando ao presente, derem entrou na floresta, já pensando onde ele poderia acampar. 

7:00 PM 

Deren jogou suas coisas no solo coberto por folhas e pegou a sacola com a tenda, limpou alegremente uma parte do local para armar a tenda. Ele usou um martelo de borracha para fixar as estacas no solo macio até se certificar que a lona não sairia do lugar. Então levantou a tenda, verificando se cada parte da estrutura estava no lugar correto. 

Quando ele acabou, o sol já descia no horizonte. Deren afastou-se para admirar seu trabalho. Como já havia montado a tenda, Deren decidiu fazer uma fogueira, enquanto ainda havia alguma luz. Enquanto vasculhava em seus pertences, ele ouviu um farfalhar nos arbustos atrás de si. 

“Olá?” Deren chamou. Não houve resposta. Pensando que fosse o vento, ele voltou-se para sua mochila e encontrou um isqueiro. Ele montou a fogueira e acendeu, sentando após um longo dia de caminhada, para relaxar. Outro farfalhar ecoou pela clareira, dessa vez Deren sacou a Beretta que trouxe para proteção, checando se estava carregada. Havia três balas. O farfalhar tornou-se mais intenso, e mesmo assim ele não conseguia descobrir sua origem. 

“Quem está ai?” Deren gritou, “Está brincando comigo?” 

8:23 PM 

Assustado, Deren atirou em um arbusto. O farfalhar parou, Deren olhou ao redor, não viu nada. Voltou-se para a fogueira e começou a cozinhar sua comida enlatada. 

9:00 PM 

Deren entrou em sua tenda, de estomago cheio, e enrolou-se em seu saco de dormir. Mesmo no conforto de sua tenda, protegido do vento, ele estava congelando. Deren achou que aquele frio era estranho. Ainda era verão, e estava tão frio? Deren deixou de lado o pensamento e enrolou-se como uma bola. Não conseguia se aquecer muito, mas já era melhor que nada. Logo caiu em um sono tranquilo. 

12:38 AM 

Deren foi despertado por um repentino estrondo e um grunhido animalesco, pelo que ele sabia da área, não havia ursos. Silenciosamente, ele saiu saiu do saco de dormir e se aproximou da porta da tenda. No momento que Deren tocou no zíper, as coisas tornaram-se quietas repentinamente. Os sons e grunhidos cessaram. 

Deren estava cansado daquilo, e já estava preparado para por um fim. Ele abriu a tenda, com a pistola em mãos, tudo ao seu redor estava completamente normal, exceto pela sua mochila. Ela estava aberta e seu conteúdo espalhado pelo chão, água, comida, e seu isqueiro estava desaparecido. Sua câmera, que trouxera para filmar aquela floresta maravilhosa, também havia desaparecido.

Deren procurou por toda a clareira, mas não encontrou. Não havia pegadas, ou pelos, e nem evidências de qualquer coisa que tivesse passado por ali. Deren recolheu o resto dos itens espalhados e os colocou de volta na mochila, havia decidido ficar fora da tenda e esperar que o intruso retornasse. Ele sentou-se num tronco e esperou. 

1:01 AM 

Mais uma vez, Deren foi acordado pelos sons e um rosnado, mas dessa vez vinham de dentro de sua tenda. Derem correu para a tenda e atirou nela. Os sons pararam imediatamente mas o rosnado tornou-se mais alto e mais próximo. Deren afastou-se da tenda, tentou atirar mais uma vez, mas estava sem balas. Um flash veio de dentro da tenda, e o rosnado parou. 

Com cuidado, Deren se aproximou da tenda. Não parecia haver nada lá dentro. Ele a abriu e encontrou apenas sua câmera. Estava no meio da tenda, e parecia ser a única coisa fora do lugar. Ele a pegou e ligou, verificando a memória, não encontrou nada fora do normal, até chegar ao fim. 

Na última foto não havia nada além da escuridão e um rosto. Mas o rosto o assombraria para sempre. Pois era o seu próprio rosto.


06/12/2017

*** ALERTA DE EMERGÊNCIA *** (QUINTA ATUALIZAÇÃO)


Oi gente, sei que não atualizo faz um tempo, mas várias coisas aconteceram. Bem, sendo que todas esses fatos aconteceram antes dessa atualização, e como os eventos são grandes demais para uma pequeno post, decidi compilar tudo nesse aqui, pode ser? Duvido que eu faça muitos mais updates depois desse, porque sinto que isso tudo acabará logo, mas até que acabe, vocês ficarão sabendo. Já aviso que esse não é absurdamente assustador como os outros, sendo que toda essa situação foi iluminada recentemente, mas será bem interessante para aqueles que ainda estão acompanhando minha trama. Vamos dizer que tenho algumas respostas agora. 

-

Não ouvi nada vindo da rua por algumas horas, então decidi subir de novo. A casa ainda está sem energia elétrica, e as baterias não estão mais carregando o celular. Mas não acho que ficarei no porão por muito mais tempo. Até considerei soltar os cachorros na rua, mas não vou me apressar. 

Fui lá em cima e olhei pela janela. A garota que tenho visto estava agachada nos degraus da minha varanda, molhada da chuva incessante e parecia extremamente magra por desnutrição. Senti um arrepiou correndo pelo meu corpo quando a vi, mas parecia que eu não conseguia mais sentir tanto medo dela. Agora eu sabia quem era, presumindo que podia confiar nas mensagens do rádio.

Bati três vezes na minha porta. Pela parte de vidro da porta, pude vê-la se levantar e se virar. Olhou para mim, implorando silenciosamente, e fiz o que vocês tem me pedido para não fazer. Deixei que entrasse. 

Ela entrou sem falar uma palavra, passou por mim, olhando em volta. "Com fome?" Perguntei, e notei que minha voz estava seca por quase não falar nada em vários dias. Se virou para mim e fez que sim com a cabeça. 

Sabendo bem que não tinha muito o que dividir, abri a dispensa e peguei um pacote de marshmallows. Ela rasgou vorazmente a embalagem e começou a comê-los mais rápido que eu podia imaginar ser possível. Engraçado, nem gosto de marshmallows. Foi por isso que não os levei para o porão. Enchi uma xícara com água da torneira, algo que esqueci que tinha, e coloquei em sua frente - ela tomou tudo em um gole. 

"Você mudou o meu alerta de emergência?" Perguntei. 

Acenou com a cabeça. 

"Você tem ouvido o que captei no rádio?"

Fez que sim com a cabeça. "Não são policiais." Notei que sua voz era rouca - provavelmente falava raramente. 

"Foi o que pensei. Você está fugindo deles?"

"Sim."

"Tá bom," falei. Você pode ficar aqui por enquanto. Você tem uma casa?" Aliás, sou um idiota. 

"Não."

"Família?"

Fez que não com a cabeça. Fui até a porta e fechei. 

"Você matou meu vizinho?" Perguntei. 

"Ele tentou me machucar. Eu não queria. Eu falei para parar e ele tinha uma arma." 

"Então você foi lá procurar ajuda. Entendi. Faz quanto tempo que eles te prenderam?"

Ela deu de ombros. "Me pegaram em 2014."

Dois anos, puta merda. "Tá. Posso te ajudar. Não sei se essas pessoas trabalham para o governo ou não, mas... Se não, posso tentar mandar predê-los ou algo do tipo. Se são... não sei." 

"Obrigada."

"Estou quase sem comida," falei. "Vou pegar alguma coisa do vizinho. Ele não vai precisar mais depois que foi para o além." 

"Tá." 

"Sinta-se em casa ou sei lá." 

Saí de casa, mesmo depois de todos os avisos que recebi, e atravessei a rua. Abri a porta da casa do vizinho, entrei, e passei por cima de seu cadáver. Seu pescoço estava virado em um ângulo bizarro, uma arma próxima ao seu corpo. Peguei a espingarda, tirei as balas e coloquei no bolso, e decidi ficar com ela caso a fundação MEW fosse bater lá em casa. Fiz um cestinho segurando o tecido da frente do meu moletom e peguei várias comidas e sai, colocando um pano sobre o rosto dele. 

Quando voltei, 013 - quer dizer, Liz? Betty? Beth? Lizzie? Só Elizabeth? - estava desmaiada no meu sofá. Coloquei um cobertor por cima dela e coloquei algumas roupas antigas minhas ao seu lado. Depois tranquei minha porta e desci para ficar com meus cachorros. 

Liguei o rádio e esperei até conseguir o sinal da MEW. Levou apenas uns cinco minutos. 

-"Kowalski?" - "Sim? Câmbio." - "Aqui é o McClellan. Sloan e eu estamos indo para a rua [retido]. Queria checar sobre o status das interferências das ondas de rádio. Câmbio." - "Bem, estão vindo da... acho que da casa número [retido]. Câmbio." - "Interessante. Vamos fazer uma questão de visitar essa casa. Parece que isso finalmente vai acabar. Câmbio." - "Não sei. E se a fuga de 013 deu ideias aos outros? Todo o projeto [retido (nome da minha cidade)] pode estar comprometido. Câmbio." - "Eles não sabem de nada. Esses clones são idiotas, Kowalski. Exceto 013... Ela é uma exceção, mas deve ser por ser de uma pessoa diferente. Pelo menos, pelo que sei. Nunca conheci nenhum dos 14-26. Câmbio." - "Eles não são idiotas, McClellan. Apenas não receberam educação. Câmbio." - "É, se você diz. Mas e 002? E as coisas estranhas que aconteceram... hein? Aquele, cara, era o mais burro de todos. Câmbio." - "Fale como quiser. Tenho minha própria opinião sobre. Acho que os clones tem de ser tratados justamente. E 002... Foi uma infelicidade, para se dizer no mínimo. Câmbio." - "Vou dizer. 002 não, tipo, morreu? Meio que... do nada, certo?" - "McClellan... Onde você está querendo chegar com isso?" - "Nada. Câmbio." - "Hmm." - "Ei, o que aconteceu aquele dia? Se me lembro bem, você ficou inconsciente por um tempo. Câmbio." - "Eu estava trabalhando com 002. Ele veio por trás de mim e me bateu, daí tudo ficou escuro. Câmbio." - "OK. Kowalski? Por que você está aqui, cara? Você não precisa desse emprego. Câmbio." - "Fiz uma promessa para Whitfield. Não posso quebrá-la. Câmbio." - "Que tipo de promessa? Se me lembro bem, você nem queria estar aqui para começo de conversa. Câmbio." - "Irrelevante, McClellan. Câmbio e desligo." 

Depois disso, o canal ficou quieto. Voltei lá para cima e encontrei 013 acordada. "Você alguma vez conheceu McClellan, Kowalski, Sloan, Jones? Algum desses?" Perguntei.

"Todos menos Jones."

"Sabe o motivo para todos odiarem tanto Kowalski?" Perguntei.

"Por causa do experimento 002," falou. 

"Ele ferrou com tudo?" Perguntei.

Ela franziu o cenho. "Não," disse. "Bem, eles acham. Mas eu sei o que realmente aconteceu, porque roubei o arquivo mestre."

"As pessoas na rádio sabem sobre?" Perguntei?

"Só Kowalski, porque de certa forma ele é como eu."

"Como assim?"

"Bem, olhe o arquivo. Tem o nome das pessoas usadas para o processo de clonagem."

Ela tirou uma pasta preta de dentro da bolsa e me entregou. "Aqui." Abri. Na página da frente, haviam quatro colunas. Na primeira: 001-006 Segunda: 007-012 Terceira: 013 (ela era a única não adaptada de outra pessoa) Quarta: 014-026.

No topo de cada coluna tinha um nome.

1: Michael Kowalski

2: Sean [retido]

3: Elizabeth Keller (meio tarde para censurar esse)

4: Henry [retido por respeito - esse é o menino que se afogou e foi declarado morto depois]

"Kowalski foi a pessoa usada para fazer do 001 ao 006," Elizabeth disse. 

"Foi?"

"Durante o experimento 002... Ele foi atacado por trás. 002 o matou e assumiu seu emprego, sua vida, tudo. Falou que o morto era ele - 002- e não o original. Eu falei a verdade, mas ninguém acreditou em mim, então nem liguei. Por que eu deveria? 'Kowalski' é quase tão perigoso quanto eu, mas acho que tem as mesmas opiniões... Você está bem?"

Engoli a seco. "Meu nome é Sean [retido]."

E agora, estamos aqui nervosos esperando que McClellan e Sloan cheguem, eu segurando a espingarda, Elizabeth segurando seus poderes mentais. Até a próxima, desejem-nos sorte. Presumam que estamos vivos. 

ATUALIZAÇÃO: Estudando o arquivo melhor, descobri que todos aqui na cidade estão em pendencia para serem clonados. Aparentemente aqui, devem pegar uma amostra de sangue nossa no nascimento. Todos estamos prontos para sermos clonados, mas poucos já foram. 

DIA 13/12/17 : *** ALERTA DE EMERGÊNCIA *** (SEXTA ATUALIZAÇÃO)

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

FONTE



05/12/2017

A parte da Deep Web que não deveríamos ver - Parte 5 - Final

PARTE 1 • PARTE 2 • PARTE 3 • PARTE 4


ATENÇÃO : ESTE CAPÍTULO É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE : TORTURA.

NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 


Sabe quando dizem que o tempo voa quando está se divertindo? Bem, isso também se aplica a quando se está prestes a ser assassinado.


Não demorou muito para eles derrubarem a porta. O fato é que... pular pela janela não era uma opção aqui. Tentei abrir um respiradouro no banheiro, mas eles já estavam dentro do apartamento. Lembro de ter visto Caine pegar uma pistola no armário da cozinha antes de ser derrubado por um cara gigante. Tudo isso aconteceu no que se pareceu segundos.

A última coisa que eu vi antes de desmaiar foi o cano de um rifle contra minha cabeça.

Acordei um tempo depois, em uma quarto vazio com piso empoeirado. Minha cabeça estava latejando. Eu não estava preso, mas não havia nenhum lugar para onde ir. A porta estava trancada. Virei a cabeça e vi Caine andando de um lado para o outro.

"Olha, eu não os trouxe aqui." Tentei explicar para ele. Ele parecia chateado.

"Oh, eu não duvido disso." Respondeu. "Não de propósito, pelo menos. Eles sabem que eu não posso ajudá-los. Teriam tentado antes." Soltou um suspiro. "Isso é uma merda."

Me afastei e comecei a tatear as paredes. Estava sob a ilusão de que haveria alguma saída secreta. Após minha tentativa inútil de escapar, apenas me sentem em um canto. Não haveria um bom final para isso, pensei.

Caine pareceu ler minha mente pois disse: "Você sabe que não pode contar a eles como chegar lá." Ele me olhou novamente. Desta vez, sua atitude era séria. "Você não pode deixar aquela coisa solta por aqui. Essa não é uma opção."

Inicialmente, eu estava irritado. Ele estava me pedindo para acetar o que certamente seria uma tortura e depois morte. Mas então eu pensei sobre isso. Isso era maior do que eu. Não havia como sair.

A porta de repente se abriu. Cerca de cinco pessoas entraram, todos usando aqueles malditos sacos na cabeça. Dois deles estavam armados.

"Estão acordados. Ótimo." Disse o que estava liderando. Eu instantaneamente reconheci aquela voz. Será que era ele mesmo? Ele tirou o saco da cabeça, revelando um sorriso assustador. Era Jackson.

"Não precisava ser assim, você sabe. Você poderia ter apenas me contado como chegar lá."

Pensei na conversa que tivemos no restaurante. Eu claramente havia contado a ele o que eu digitei no prompt. Aquilo não funcionou para ele? Preferi não ficar pensando naquilo. Naquele momento eu estava extremamente irritado.

"Como se isso importasse. Vocês, psicopatas, teriam arruinado o mundo, independente de qualquer coisa."

Ele apenas suspirou. "Arruinar? Olha, eu não espero que entenda. Apenas que coopere. Mas... este mundo... não está certo. Foi um erro."

"Então você apenas segue as ordens de um cara morto, né?" Caine riu. "Parece que vocês são o erro."

Um dos homens se aproximou e  bateu com a espingarda em seu rosto. Houve um terrível som de algo se partindo quando ele caiu no chão. Então ele começou a tossir sangue.

"Por que vocês apenas não me matam? Não posso ajudá-los. Nem ajudaria se pudesse." Ele murmurou enquanto se encostava na parede.

Jackson riu. "Não. Isso é algo que todos precisamos ver. Quanto mais testemunhas, melhor. É a maior salvação que alguém poderia pedir."

Neste ponto ele já estava apenas dizendo coisas sem sentido. Entretanto eu não estava a fim de argumentar. Não havia como fazê-lo mudar de ideia. No entando eu tinha perguntas.

"Como você me encontrou? Isso não faz sentido."

Ele andou até mim levou a mão por trás da minha orelha. Senti uma dor aguda na nuca quando ele puxou o que parecia um pequeno chip de computador. Então era isso. Apenas soltei um suspiro exasperado.

"Engraçado, isso não foi coisa nossa." Ele disse enquanto guardava no bolso.

"O que diabos você está falando?" Eu cospi nele. Mas então eu pensei sobre aquilo. Quando aqueles caras estavam atirando em mim no vestiário, eu juro que senti algo me atingir na nuca. Mas no momento, você simplesmente deixa pra lá.

Jackson sorriu quando viu o horror em meu rosto. "Nós podemos agradecer esses caras por isso. É uma pena que eles não estarão aqui para ver isso. Todos sempre resistem. Apenas os sortudos realmente entendem." Lembrei-me da mensagem de Ben. Muitos grupos estão atrás disso. Mas nó tememos um.


"Quem eram eles?" Eu perguntei.


"Não sei." Ele respondeu. "Nunca importou, de qualquer maneira."

Estava revivendo toda a viagem na minha cabeça nesse momento. Pensando onde eu errei.

"Como você chegou ao terminal? Precisava de um cartão-chave."

Jackson tirou um de seu bolso. -Ah sim.- Tinha esquecido. Eles mataram todos que tinham um. Eu estava completamente frustrado nesse momento. Não só com ele. Mas com toda essa maldita situação.

"Essa coisa que você quer trazer para cá. Você ao menos sabe o que é?"

Ele parou por um segundo. Um olhar de pura contemplação surgiu em seu rosto.

"Vou lhe dizer o que Blake me disse: Não é para nós sabermos. Nós não pertencemos a este lugar. E a cada secundo que permanecemos aqui, o universo se deteriora. Nós precisamos corrigir isto."

É engraçado. Esses caras realmente pensavam que estavam indo atrás de algo bom.

"Fé cega, hein?" Retruquei. "Vocês são patéticos."


Jackson não gostou daquilo. Sua expressão era de pura raiva.

"Já chega."

Ele gesticulou para os dois homens de pé ao lado dele. Eles começaram a me arrastar para fora da sala. Quando saímos, pude ouvir Craine gritando para mim. Gritando que eu não podia ceder.

Tentei jogar a espingarda longe, mas foi uma tentativa patética. Não havia nada que eu pudesse fazer. Eles me jogaram em outra sala. Desta vez era maior. Eu acho que o resto do culto também estava lá, porque havia cerca de 15 pessoas lá, alinhadas pela sala. Todos com o saco na cabeça. Também havia um computador lá no meio, fios por todo o lugar. Eles me forçaram a sentar em uma cadeira em frente ao computador e amarraram minhas pernas.

"Vá em frente." A voz de Jackson ecoou por trás de mim. "Todos estão esperando."

No início eu recusei. De verdade. Mas acho que é isso que eles esperavam. Primeiro veio o afogamento simulado. Não sei se você já passou por isso, mas isso definitivamente não era agradável. No entanto, também não foi o suficiente.

Porém o que veio depois quase foi. Um dos homens pegou um canivete-borboleta e começou a cortar meu dedo mindinho. Lentamente. Ele fez isso pelo que pareceu uma hora inteira. Então veio o sal. Foi uma dor que transcendeu qualquer coisa que já senti antes. Ele finalmente finalizou cauterizando.

"Você tem mais nove." A voz de Jackson ecoava pela sala. "Você pode acabar com isso a qualquer momento. Você pide morrer da forma que deve."

Ouví-lo dizer aquilo só me deu mais motivação para mandá-lo tomar no cu. Mas vou admitir, eu estava próximo de colapsar. A próxima parte foi mais excruciante ainda, e eu não estou exagerando. Eles começaram a raspar a pele do meu ombro. Não teria sido tão ruim se não fosse pela água fervente que derramaram depois.

"Tudo bem, tudo bem!" Eu finalmente exclamei. Eles pararam e começaram a aplicar um pouco de creme na queimadura. Me senti extasiado.

Ouvi Jackson suspirar, o que soou como um suspiro de alívio.

"Cara esperto."

Aquilo foi um truque, entretanto. Eu apenas precisava de uma breve pausa. Meu plano era chegar até o prompt e depois derrubar a maldita mesa. Se eles iam me torturar até a morte, eu iria com um bang. O espírito humano é difícil de quebrar. Um bilhão de pensamentos passavam por minha cabeça conforme eu passava por todo o processo novamente. Memórias de família e amigos. Tempos melhores. Resolvi aqueles enigmas e criptografias até aquela maldita pergunta aparecer novamente. "Quid quaeris?" (N.T.: "O que procura?" em latim)

Eu estava prestes a concretizar minha onda de destruição quando notei algo. Algo pequeno, no canto do monitor. Era difícil de ler então eu tive que forçar a vista. Era um texto. Apenas duas palavras. Dessa vez em inglês.

"Não se preocupe."

Apenas encarei aquilo por um segundo. O que diabos aquilo queria dizer?  Foi então que a ficha caiu. Me lembrei do que Ben tinha dito ao Caine. Apenas Blake estava sentado em frente ao computador na base. Ele era o único assistindo. Todos que viram aquela coisa ficaram loucos e se mataram. De alguma forma, a IA também sabia disso. Eu sorri.

Senti alguém me cutucar. "Não me diga que mudou de ideia. Nós podemos convencê-lo novamente." Disse Jackson.

"Não se preocupe." Respondi.

Eu respondi a pergunta do prompt. O que também me procura. A familiar lista de links logo apareceu na minha frente. Rolei a tela, cliquei em vários links até uma pergunta familiar aparecer no canto. Cliquei em "Sim".

E simples assim, lá estavam eles. Os quatro links. Me recostei na cadeira.

"Bem, aqui está. O primeiro link é o que está procurando."

Eles se reuniram ao meu redor. "Essa é a primeira vez que irão ver?" Perguntei. Pude ver de canto de olho Jackson confirmando com a cabeça.

"Blake cometeu um erro. Ele pensou que não estávamos prontos. Nós sempre estamos prontos."

Eles me desprenderam da cadeira. Jackson colocou sua mão em meu ombro.

"Você não sabe disso, mas acaba de fazer algo bom."

"Me poupe." Respondi. "Ben ainda está vivo?" Eu precisava saber.

Jackson assentiu.

"Bem, onde ele está?"

"Por que isso importa agora?"

"Apenas quero dizer a ele para se preparar. Eu devo isso a ele, pelo menos."

Jackson suspirou. Pegou um pedaço de papel com um endereço e um código postal rabiscados e me entregou.

"Boa sorte com isso." Ele fez um gesto para alguns dos membros armados.

"Siga-o. Para o caso de ele mentir novamente."

Eles obedeceram. Eu mal pude segurar o sorriso enquanto caminhava para fora. Eles fecharam a porta sobre mim a apontaram suas espingardas em minha direção. Havia apenas uma coisa que eu poderia fazer neste momento. Esperei, ouvindo atentamente.

Houve algumas vozes abafadas antes do silêncio. Comecei a contar. Um. Dois. Três. Quatro. E então vieram os gritos.

Apesar de eu estar esperando aquilo, ainda assim me encolhi. Caine estava certo. Aqueles sons não deveriam ter saído de um ser humano. Os dois caras de guarda surtaram. Um deles correu para dentro enquanto o outro tropeçava nos próprios pés. Ele estava olhando para frente e para trás, entre mim e a sala, então eu o desarmei facilmente e atirei em seu joelho. Acho que ele bateu a cabeça forte no chão porque seu corpo ficou mole. Então tiros puderam ser ouvidos de dentro da sala. Durou cerca de dez segundos e foi seguido de um silêncio mortal.

Com uma espingarda na mão, eu entrei. Corpos estavam caídos, brutalmente espalhados pela sala. Pedaços dos sacos que eles usavam na cabeça estavam agora presos às paredes manchadas de sangue. O monitor estava caído no chão, pedaços da tela por todo lado.

Havia apenas uma figura agonizando restante – Jackson. Acho que ele realmente era dedicado à isto. Ele murmurava algo incompreensível enquanto se arrastava em direção à uma arma.

Eu pensei em terminar o trabalho por ele. Mas isso apenas acabaria com sua miséria. Em vez disso, caminhei pela sala e tirei os cartuchos de cada arma. Ele me deu um último olhar antes de eu sair. Sua pele estava mais branca que neve. Braços e pernas tremendo. Sua expressão era um misto de choque, tristeza e confusão. Parecia que ele estava implorando por algo. Apenas me afastei e fechei a porta. Era isso que ele queria, não era?

Andei até a sala onde Caine ainda estava. Eu havia pegado as chaves de um dos corpos. Neste ponto, o creme em meus ombros, assim como a adrenalina, estavam acabando. Uma onda de dor me atingiu de uma vez. Cambaleei um pouco antes de chegar até a porta e destrancá-la.

Caine deu um salto quando entrei. Ele pareceu aliviado no começo. E depois horrorizado.

"V... você?" As palavras saíam de sua boca. Apenas balancei minha cabeça. Ele respirou fundo, em consolo. Ele queria dar uma rápida examinada na sala antes de partirmos, apenas para ter certeza. Jackson ainda estava lá, se contorcendo violentamente pelos cantos.

Essa foi a última vez que o vi.

"Esta será uma grande surpresa para alguém." Caine disse antes de fechar a porta. Conseguimos saír após tudo isso. Descobrimos que estávamos no porão de alguma fábrica abandonada fora dos limites da cidade. Pegamos carona de volta para a cidade.

Voltamos para o apartamento de Caine onde ele decidiu comprar uma passagem de avião de volta para mim. "O mínimo que eu poderia fazer", afirmou.

"Então, para onde? Você disse que era de Delaware?"

Olhei para o endereço na minha mão. "Não. Preciso ir para Vegas antes."

Caine riu. "Bebendo pra esquecer toda essa experiência, hein? Compreensível." Ele começou a reservar a passagem.

"Você quer vê-lo?" Perguntei quando estava terminando. Ele levantou a sobrancelha.

"Ver quem?"

"Ben."

Ele parou, olhando para o chão por um tempo antes de responder: "Não. Na verdade não." Olhou de volta para mim. "Porém diga a ele que eu o desejo tudo de bom. Diga para ele tomar cuidado." Ele disse isso em um tom meio sombrio. Eu poderia dizer que ele só queria acabar com tudo isso. Para nunca mais pensar nisso novamente. Ver Ben não ajudaria.

Ele me deu um pouco de dinheiro para o táxi antes de nos despedirmos. Eu tinha que perguntá-lo uma última coisa antes de partir:

"Você acha que é o fim deles?"

Ele pensou sobre aquilo antes de responder:

"Tem que ser."

Segui para o aeroporto. Eu tenho que dizer, é estranho andar com um dedo faltando. Vou me acostumar com isso, suponho.

Chegando em Vegas, peguei outro táxi para o endereço. Era uma casa acabada no meio de uma vizinhança comum. Me apressei e comecei a procurar.

Eu devo ter examinado todo o liugar antes de ouvir um gemido no porão. Desci e comecei a gritar o nome de Ben. O gemido ficou mais alto. Estava vindo de uma sala nos fundos. Tentei abrir a porta. Trancada. Eventualmente acabei derrubando a porta aos chutes. Poeira caiu no meu rosto enquanto entrava.

Ben estava deitado ali, num colchão sujo no meio da sala. Ele tinha hematomas em todo o rosto e parecia que não comia há dias. Havia pacotes de lámen instantâneo espalhados por todo o chão. Ele se virou para me olhar e sorriu.

"Sabia que você ppodia fazer isso." Ele disse. Olhei ao redor. Havia uma pequena TV, esmagada no chão.

"Sim, eles queriam que eu assistisse as notícias." Ele sorriu novamente. "Pro inferno que eu iria."

O peguei e levei para fora dali. "Está tudo bem, estou bem." Ele disse enquanto se estabilizava. Quando chegamos lá fora, ele respirou fundo. "Deus, eu nem quero pensar sobre o que peguei naquele quarto empoeirado."

Eu ri. Essa merda finalmente havia acabado, pensei. Ben foi examinado e medicado. Também examinei meus ombros. Nós terminamos nas máquinas caça-niqueis, indo para um buffet de frutos do mar e um bar karaokê depois. Foi uns dos melhores momentos que eu já tive em um bom tempo.

Estava me preparando para partir na manhã seguinte. Ben disse que ele tinha um trabalho para retornar. Verdade seja dita, eu também tinha. Quero dizer, não é como se meu emprego estivesse me esperando quando eu voltar.

"Você na verdade nunca me disse pra quem você trabalhava e o que você faz." Eu disse a ele quando estávamos nos preparando para sair do hotel. Ele riu.

"Sim. Isso foi de propósito."

"Ah, vamos, depois de tudo isso você ainda vai guardar segredo?" Eu dei um empurrão casual.

"Depois de tudo isso, você ainda quer saber mais?" Ele me empurrou de volta.

Foi minha vez de rir. Touché. A viagem de táxi até McCarran foi quieta. Assim como minha caminhada até o terminal. Eu estava voltando para Delaware e ele estava indo para a Coréia do Sul. Ele finalmente disse cerca de dois minutos antes de sua chamada de embarque.

"Eu gostaria de pensar que faço o meu melhor  para tentar proteger o mundo daquela merda estranha que habita dentro dele. Para manter seguro as coisas que a humanidade nunca deve ver. Para colocá-los em contenção para sempre."

Ele deu um tapinha em minhas costas e se levantou para partir. "Mantenha contato, hein? Você sabe como me encontrar." E assim ele se foi. Eu aguardei por mais trinta minutos antes do meu avião estra pronto para decolar.

Dormi como um bebê durante o vôo inteiro. Quando eu finalmente cheguei em casa, havia uma fita policial em torno dela. Eu bati na porta da minha vizinha para perguntá-la o que tinha acontecido. Quero dizer, eu jpa sabia. Mas eu tinha que fingir algum tipo de ignorância. Ela pareceu surpresa quando abriu a porta para mim. Aparentemente ela viu dois homens entrando na minha casa e chamou a polícia na noite em que eu fui ao restaurante.

"Todo mundo esteve procurando por você. Pra onde você foi?"

"Uh... viajando." Respondi. "Eles o pegaram?"

"Não." Ela respondeu. "Mas eles acharam esses cartões estranhos pela sua casa. Dizia FDDP atrás ou algo assim. Quem diabos eram aqueles malucos?"

Eu ri levemente e a agradeci. Após explicar a situação aos policiais e dar uma declaração, eu estava finalmente de volta à estaca zero - normalidade. Arranjei um novo emprego logo após voltar à rotina. Havia acabado, hein?

Mas...

Embora eu tente não pensar mais nisso, parece uma tarefa assustadora. Às vezes eu deito na cama, apenas olhando para o teto e tentando visualizar o que vi em minha cabeça. Eu ainda tinha muitas perguntas. Haviam outros três links, não haviam? O que será que eles continham? Eu tentei me convencer de que não me importava. Mas era mentira.

Eu penso no que Caine me disse naquele dia. "Você e Blake são exceções. Talvez isto signifique algo." Talvez isto realmente significasse algo.

Eu sinto aquele site me chamando constantemente. Eu sei que isso soa estranho, mas eu posso sentir isso. Aqueles links estão apenas esperando para serem vistos por alguém. Por mim. A IA também continua tentando se comunicar. Tenho recebido pequenas mensagens no canto da minha tela mesmo quando navego na internet surface agora. "Está satisfeito?" Era o que dizia.

Boa pergunta. Eu estou?











Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


04/12/2017

Seu trem era pontual

ATENÇÃO: ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE.

Ela sempre me disse que 4 de dezembro era uma data importante para ela, mas nunca disse o porquê.

“Você saberá quando acontecer”, ela costumava dizer. Então ela embarcaria em alguma viagem. Se fosse um dia útil, ela tiraria folga, se fosse um aniversário, ela se desculparia por não estar lá. Uma vez ela perdeu um casamento, por causa disso. Ela fazia testes profissionais para seu trabalho, e um ano o teste caiu no dia 4 de dezembro, então ela alegou estar doente, mesmo que fosse perder uma fortuna e talvez a chance de ser promovida.

Eu não podia ir com ela, mas deixava que eu a acompanhasse até a estação de trem.

Todo ano ela acordava sem nenhum despertador e se vestia em seu próprio tempo, nunca com pressa, nunca procrastinando. Se eu não acordasse antes que ela saísse de casa, ela sairia sem mim. Às vezes ela saía cedo, às vezes quase à meia-noite.

“Meu trem é pontual”.

Isso é o que ela dizia quando eu perguntava porque não me esperara.

O trem dela sempre era pontual, foi o que pensei. Ela entrava em qualquer trem na estação e seguia nele até o fim da linha. Algumas vezes era uma viagem local para a próxima cidade. Outras era uma excruciante longa viagem para o país vizinho. O trem mais longe foi para Viena, quando ela perdeu uma semana de trabalho e quase foi demitida, por não ter avisado com antecedência. Eu estava feliz que o Transiberiano saiu de uma estação diferente, pelo menos.

Para ser honesto, nunca compreendi. Era sua peculiaridade mais bizarra. Ela não era uma pessoa louca ou aventureira, exceto por esse dia. Mas o amor sempre faz com que vejamos essas coisas como adoráveis e bonitinha, e após alguns anos se tornavam normais. Eu comecei a ficar ansioso por ouvir as histórias quando ela voltava, mesmo que normalmente fossem “passei um tempão no trem e jantei em algum lugar”.

Estávamos juntos a 12 anos quando finalmente entendi. Era um dia nevado e o Siberiano viera algumas semanas antecipado. Ela vestiu seu casaco mais pesado e suas melhores botas, parecendo uma princesa da neve.

A levei até a estação e lhe dei um beijo de despedida. O trem era apenas uma viagem amigável de 3 horas para perto do mar. Ela prometeu tirar uma foto do mar congelado e me mostrar quando voltasse. O frio estava insuportável e esperamos na plataforma como pinguins. O nariz dela estava vermelho, e ela tirou as luvas para segurar meu rosto e nos beijamos mais uma vez. Seus dedos derreteram o iceberg que eram minhas bochechas.

Quando o apito do trem apitou, ela me deixou e se apressou para entrar. O trem começou a se mover assim que ela deu o último passo, mas então ela escorregou em algum gelo no hall de entrada. Ela caiu, escorregando, e mesmo que eu tenha corrido para segurá-la pelos ombros, suas pernas foram imediatamente amputadas pelas rodas.

Ninguém sabia primeiros socorros ou como fazer adequadamente um torniquete, e quando a ambulância chegou, já era tarde. Ela perdera muito sangue para ser salva. Ela estava convulsionando e pouco consciente enquanto a segurava em meus braços, chorando por ajuda. A neve ao nosso redor estava derretendo em vermelho. Pessoas próximas estavam gritando, provavelmente, mas eu pude ouvir seu ultimo suspiro de alguma maneira:

“Meu trem é pontual.”

FONTE

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