15/11/2017

*** ALERTA DE EMERGÊNCIA *** (SEGUNDA ATUALIZAÇÃO)


Olá, gente. Desculpa a demora. Sei que vários de vocês estão ansiosos para saber da minha situação atual, e posso dizer que talvez tenha uma ideia do que está acontecendo. Ainda tenho acesso ao sinal de rádio da polícia, mas não tinha mais conseguido sintonizar bem como na primeira vez, na verdade, nem tentei muito. Entretanto, uma hora atrás, consegui. E escrevi tudo que consegui ouvir.

- "Agente Jones? Está aí? Câmbio." - "Estou. Quem fala? Câmbio." - "Agente Sloan, senhor. Você tem alguma informação sobre HQ? Câmbio." - "Temo que não tenho. Acabei de conversar com McClellan e aquele Kowalski. Alguma notícia do seu lado? Câmbio." - "Nada desde o último contato, cerca de quarenta e cinco minutos atrás. A última coisa que ouvi foi sobre a filmagem dos destroços. Câmbio." - "Poisé. Suspeitei. Como você está com toda essa situação, Sloan? Câmbio." - "Tudo bem, na medida do possível. E você, Jones? Câmbio." - "Bem o suficiente. Mas vou te dizer, se 013 não aparecer logo... Talvez eu acabe como o pobre Agente Brown - com meus miolos espalhados pela parede. Câmbio." - Que descanse em paz. Câmbio." (Nesse momento, Joan e Sloan ficaram em silêncio por vários segundos.) - "Bem, acho melhor eu tentar contatar Kowalski. Coloquei ele para examinar as filmagens dos destroços. Me deseje sorte. Câmbio." - "Sim senhor. Câmbio." (Sloan desconectou e Jones esperou um minuto para ligar para Kowalski.) - "Kowalski. Aqui é o Jones. Câmbio." - "Jones, oi. Estou agora examinando as filmagens. Não consegui encontrar nada fora do comum ainda, mas... O tempo dirá. Câmbio." - "Certo. Olha, preciso foco de você. Essa é a parte mais estranha de toda essa loucura. Pense bem. Um policial bateria em um poste de telefone em uma rua deserta em plena luz do dia? Câmbio." - "Com todo respeito, pode ter sido apenas um erro bobo. Quero dizer... Veja bem, o dia está bem escuro, com todas as confusões que estávamos tentando prevenir com 013 vagando por aí. Câmbio." - "Olha, todos nós sabemos que 013 é uma anomalia. Nada novo sob o sol. Mas estou dizendo, ou ele encontrou ela e ela ficou em vantagem... ou... Só vamos dizer que não estou descartando a possibilidade de suicídio. Câmbio." - "Tanto faz. Ei, deixe-me voltar-" (O sinal foi cortado).

Outra coisa válida à saber: O alerta de emergência agora foi atualizado dizendo que os serviços de emergência foram suspensos indefinidamente e que quem sair de sua residência poderá ser punido pela lei. Além disso, examinei o formato da transmissão e a interface do alerta. Não me parece exatamente como algum que eu já tenha visto, mas em meu estado confuso não consigo ter certeza. Estranho, mas o que tem sido normal ultimamente?

Eu estou bem em um geral, mas continuo paranoico com qualquer som que eu ouço. Quando comecei a escrever isso aqui, o vento começou a assoviar forte, consigo ouvir a chuva caindo copiosamente no telhado, ficando mais forte a cada minuto. Parece que o aviso meteorológico não era totalmente bobagem, né?

Então, levei meus cachorros no chuveiro para eles fazerem suas necessidades, como um de vocês me recomendou. Ainda não subi de novo, mas não tenho mais nada para contar aqui, e não quero dar uma atualização meia-boca, então vou lá dar uma espiada pela janela e contar o que conseguir ver.

Acabei de subir. Acho que vou levar comigo a caixa de cookies de coco quando descer. Ah, que se dane, vou levar a caixa de cookies de coco E os cookies de menta também. Momentos drásticos pedem medidas drásticas. Como vocês devem ter percebido, eu lido com o estresse com o bom humor. Não é muito saudável, eu sei, mas que seja. É o que é.

Acabei de ir até à janela. Não vejo nada, mas a janela do vizinho continua bem quebrada. A rua está bem escura e todas as luzes estão desligadas. Entretanto, agora chove - as ruas estão quase transbordando de água, e estão começando os primeiros raios. Os trovões vieram imediatamente. A tempestade está bem em cima de nós. Em cima da nossa cidadezinha. A garota não parece mais estar lá fora, mas vou ficar de olho. Estranho, depois do primeiro relâmpago, o céu fica iluminado a cada poucos segundos. Como já disse, ninguém por aqui, eu incluso, sabe muito sobre tempestades pesadas porque estas nunca passam por aqui, mas tenho quase certeza que isso aqui não é normal.

Ok, acabei de - que porra é essa? Tá, a porta do vizinho acabou de abrir. Aquele da janela quebrada. Mas não tem ninguém lá. Deve ter sido o vento. Espero que ele tenha notado. Pensando agora, eu devia ligar para ele e ver se está bem. Afinal de contas, nós conversavamos às vezes. Seria bom falar com alguém que esteja passando pelo mesma coisa.

Espera.

Consigo vê-lo. Está deitado no chão. Ah, merda, a garota acabou de sai pela porta. Me abaixei atrás do parapeito da janela. Não acho que ela tenha me visto. Vou espiar só para ter certeza.

Não, tudo bem, ela está andando pela rua. Passou pela minha casa. Não entendo como consegue ficar andando por aí com um tempo desse. Em um cenário como esse. Vou voltar para o porão.

Liguei para meu irmão mais cedo. Ele não sobe para o térreo faz um tempinho. Isso é bom. Me falou que ouviu um barulho vindo da casa de um dos vizinhos mais cedo, mas nada alto demais. Nada que pareça ser preocupante.

Estranho, enquanto escrevo isso, meus cachorros estão meio estranhos. Haha, sem eles eu já teria enlouquecido. Sem vocês também. É bom tem algo para manter a cabeça focada. Hm, talvez eles tenham que fazer suas necessidades de novo. É meio arriscado, sendo que o banheiro é lá em cima. Mas vou ir, e vou levar meu celular junto.

Acabamos de entrar no banheiro. Nada fora do comum. Tá, terminaram. Vamos voltar lá para baixo. Mas vou passar abaixado pela janela. Pensando agora, eu devia investir em umas cortinas.

CARALHO.

Acabei de entrar no porão, mas quando estava passando pela janela, eu vi ela passando pelo outro lado. Não acho que ela tenha me visto, mas puta merda. O que está fazendo vagando desse jeito? Agora já passou mil vezes pela minha cabeça que essa garota talvez seja a tal "013". E agora de perto, aqueles panos que vestia, parecendo com uma fronha de travesseiro, se assemelham muito mais a uma camisola de hospital. Porra, gente. Eu ligaria para a delegacia, mas nem sei o número de lá. Tenho que ir. Farei uma atualização em breve. Até lá, suponham que eu esteja vivo.

Atualização: Tá bom gente, eu já entendi que o 911 encaminha você para a polícia, maaaaas lembrem-se também que todos os serviços de emergências estão suspensos.

DIA 22/11/17: *** ALERTA DE EMERGÊNCIA *** (TERCEIRA ATUALIZAÇÃO)

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

FONTE


14/11/2017

A parte da Deep Web que não deveríamos ver - Parte 2 - Pelo buraco do coelho

Olá, pessoas.

Esta é a segunda parte de uma creepy já postada aqui há duas semanas, eu não sabia que viriam mais partes hahahaha, por enquanto são 4 e conforme ele for postando eu vou trazendo pra vocês aqui toda terça. Espero que gostem!

PARTE 1



Eles dizem que a curiosidade matou o gato. É engraçado. Isso quase parece um ataque pessoal à essa altura.

Não me esqueci daquela noite. Quero dizer, não é algo que você simplesmente pode parar de pensar. O que diabos foi a última coisa que eu vi? O mais estranho é que nunca nem aparece em meus pesadelos. Sempre são as outras coisas. Eu juro que posso ver aquele cara sem boca toda vez em que fecho os olhos. Mas... talvez isso não seja tão estranho. Meu cérebro não pôde compreender aquilo de primeira, então como meu subconsciente poderia produzir uma recreação? Merda. Eu não quero pensar mais nisso. Mas não consigo.

Sabe, meus problemas não estão mais na minha cabeça. Pensei que tinha acabado com essa merda depois que os homens de preto me visitaram. Eu realmente achei que tinha acabado. Em retrospectiva, foi apenas uma ilusão. Não, foi delirante. Depois do que vi? Acho que não funciona assim. Eu acho que o mundo não é tão simples. Eis o que aconteceu:


QUARTA-FEIRA



Faz três dias desde que voltei ao trabalho e acho que estou sendo seguido. Não. Tenho certeza disso. O fato é que, da primeira vez eu nem percebi. Quem quer que eles sejam, eles usaram veículos diferentes. Sempre a mesma rotina. Depois do trabalho eu entro no carro e começo a dirigir para casa. Outro veículo sempre me persegue até eu entrar na minha garagem, então eles continuam dirigindo. Tipo, se isso acontecesse uma vez, beleza. Mas três vezes? Em circunstâncias normais eu poderia chamar isso de coincidência. Mas por razões óbvias, eu não posso dizer isso agora. Eu não tenho muita certeza do que diabos eles querem. Talvez estejam tentando me monitorar. Deus, eu torço para que seja isso. Se esse for o caso, eu vou simplesmente seguir com minha rotina. Apenas dá-los o que eles querem.


QUINTA-FEIRA



Desta vez eu tentei dar uma olhada pelo retrovisor. Os vidros eram fumê. Ótimo. Mais uma vez entrei na minha garagem e ele continuaram o caminho. Eu sei que eu disse que ia apenas continuar com minha rotina, mas esse tipo de merda realmente afeta você. Eu não quero mais lidar com o que quer que isso seja. Juro que eles estão chegando cada vez mais perto.


SEXTA-FEIRA



Fiz algo diferente hoje. Peguei transporte público em vez de dirigir. Nunca precisei tanto de uma bebida na minha vida, então eu fui para o bar depois do trabalho. Acho que isso foi mais um experimento. Para ver o quão perto eles chegariam. Se eles estão incomodados em ter que esperar, que se fodam então. Ainda estou vivendo minha vida. Embora eu não conseguisse manter os olhos longe das janelas por todo o tempo em que estava lá. Depois de estar bêbado o suficiente, resolvi pegar um táxi. E surpresa, lá estavam eles, bem atrás da gente. Mas eis o que eu não estava esperando: era o mesmo carro de ontem. Parece que eles desistiram do disfarce. Não tenho certeza do que sentir sobre isso.

Droga. Outra coisa mudou. Eles não ficaram apenas dirigindo dessa vez. Depois que o táxi me deixou, me virei para ver aquele maldito carro estacionado, a meio quarteirão da minha casa. Apenas entrei em casa. O que diabos eu deveria fazer? Ligar para a polícia nem passou pela minha cabeça. Mas, pra ser sincero, não acho que isso teria ajudado.

Já faz três horas e eles ainda estão lá. Eu não fiquei os observando o tempo todo, então eu não sei se eles estão ou não no carro. Não é divertido pensar nisso. Sem chance de eu dormir esta noite.

São cerca de 2:00 da manhã agora. Acabei de receber uma mensagem de texto. Número privado. Eis o que dizia:

"Saia de sua casa. Não use a pporta da frente, eles ainda estão lá. Venha para o restaurante 24 horas a cerca de cinco quarteirões de distância. Nem pense em dirigir, eles vão saber. Seja rápido, eles entrarão em breve. Não seja seguido. Deixe as luzes acesas."

Congelei após ler aquilo. Eles vão entrar? Para quê? Quem diabos está me mandando essa mensagem? Eu não sei o que você faria numa situação dessas, mas eu segui o conselho. Estava extremamente paranóico neste ponto.

Um pouco tonto e cansado, coloquei uma jaqueta e saí pela porta dos fundos. Também peguei uma mochila com meu outro notebook. Não tenho certeza do porquê. Mas eu senti como se precisasse. Esperei alguns segundos antes de pular minha própria cerca. Quando eu tive certeza de que ninguém havia notado, segui pela rua até o restaurante. Após cerca de 40 minutos, eu finalmente cheguei. Teria sido mais rápido, mas eu basicamente me escondia nos arbustos sempre que um carro passava.

Examinei os clientes, uma mesa de jovens universitários bêbados, alguns caminhoneiros e um cara de moletom digitando em um computador mais ao fundo. Ele não parecia ameaçador. Na verdade ele era bem anoréxico. Imaginei que fosse ele. Fui até sua mesa e me sentei.

Ele olhou para mim. "Oi. O que você quer?"

"Você me mandou uma mensagem." Então teve uma pausa breve. Fiquei preocupado por um segundo. E se não for ele? Então ele quebrou o silêncio.

"Certo. Eles te seguiram?"

"Não, acho que não." Ele acenou com a cabeça. "Ótimo." E então ele riu. Como se isso fosse pra ser engraçado. "Cara, você estragou tudo, né?" Díficil discordar daquilo. "O que você estava fazendo, afinal? O que estava tentando encontrar?"

"Nada, eu juro. Estava apenas passando o tempo, eu acho." Ele apenas me encarou, descrente. "Ah, bem, que merda. Seria legal se você fosse um espião ou algo do tipo." Ele riu novamente.

"olha, quem é você? Como você sabia que eles estavam atrás de mim? Quem são eles, afinal? O enchi de perguntas.

"Tudo bem, se acomode. Eu não vou dizer quem eles são, eu também não sei. Mas eu vou re dizer que eles não têm boas intenções." Fantástico, pensei. "Certo, como você sabe sobre eles?"

Ele deu uma pausa. "Eles vieram atrás de mim. Em um segundo eu estava lendo sobre demônios na Lua, no outro, minha porta estava sendo derrubada. Isso já tem uns meses, saí da cidade.

Fiquei confuso. "Espera, como assim?"

"Eles tentaram me matar, cara." Eu não pude acreditar naquilo. "E você estava apenas olhando os links? Foi isso? Você ensina outras pessoas como entrar lá ou algo assim?" Perguntei. Ele levantou a sobrancelha. "Não. Por que a pergunta?"

Fiquei surpreso. "Eles não fizeram isso comigo." Eu disse. "Eles apenas vieram, pegaram meu notebook e me deram um aviso". Dessa vez ele ficou chocado. "Realmente..." Ele pareceu pensar em algo por um tempo.

Então ele prosseguiu me perguntando como eles eram. "Apenas homens de terno" Respondi. "O que eles te perguntaram?" foi sua próxima pergunta. E de novo, eu disse a ele. Mas então eu me lembrei da última coisa que eles me disseram. "Eles também me perguntaram quais são minhas prioridades aqui. Pergunta esquisita." A cara dele ficou branca por um segundo.

"Sim... sim, estranho, não é?" O que se seguiu foi um silêncio desconfortável. Eu finalmente perguntei a ele o que estava na minha mente desde aquela noite: "Aquela página com apenas quatro links, o que diabos aquilo deveria ser?"

Ele levantou a sobrancelha e disse que não sabia do que eu estava falando. É aí que as coisas ficaram estranhas. Depois de eu lhe dar uma explicação rápida sobre o que tinha visto, sua expressão mudou completamente. Pude perceber uma mudança brusca em sua postura.

"O que você escreveu no prompt?" Ele me perguntou. "O que também me procura." Respondi. A essa hora eu já estava completamente confuso. "Não foi isso que você também fez?"

Ele simplesmente balançou a cabeça. "Não..." Então ele fechou seu notebook e se levantou. "Ei, onde você está indo?" Perguntei. "Já estamos aqui por muito tempo. Olha, sei que você tem perguntas, mas eu não posso respondê-las para você. Vá para um motel esta noite ou algo assim." E assim ele se foi. O que eu iria fazer, pará-lo? AInda não tenho ideia de quem é aquele cara. A única coisa que consegui dele foi seu nome - Jackson. E até isso provavelmente era falso.

Cansado pra caralho e um pouco bêbado, saí do restaurante e tentei ficar escondido enquanto procurava por um motel por perto. Obviamente, isso não foi divertido.

Agora aqui estou eu, sentado em um motel básico às 4:30 da manhã. Eu mal posso manter os olhos abertos, mas também não consigo deixar de olhar por trás do ombro a cada segundo em que estou acordado. Esse é o auge de uma situação de merda. Acho que vou tentar dormir um pouco. Não posso fazer nada mais. Descobrirei pela manhã.


SÁBADO



Bem, eu acho que foi sábado por um tempo, na verdade. São 8:00 da manhã agora. Não dormi quase nada. Eu tenho essa sensação macabra de que algo não está certo. Liguei a TV. Qualquer coisa para limpar minha mente por um tempo. O que eu vi em seguida fez o oposto.

Era um noticiário. Um homem estrangulado até a morte no banheiro de um KFC. Mas a pessoa assassinada... era um dos caras que vieram até minha casa e pegaram meu computador naquela noite. Sem suspeitos. Apenas fiquei encarando a tela pelo maior tempo possível. Que porra estava acontecendo?

Meu celular de repente vibrou. Uma mensagem diferente de um número privado. Eis o que dizia:

"Vá para a piscina na Fifth Street. No vestiário masculino, vá ao armário 128. A combinação é 12-27-33. Mais instruções estarão lá. Faça isso antes que essa mensagem seja interceptada. Não traga seu celular."

Claro. Quão estúpido eu era? Meu celular ainda estava comigo. Certamente quem quer que estivesse atrás de mim teria conseguido me seguir. Isso nunca passou pela minha mente.

Por curiosidade, olhei pela janela. Como esperado, o carro que me seguiu agora estava estacionado. Felizmente para mim, pude ter um vislumbre do motorista e do passageiro saindo. Ambos estavam usando luvas e um estava segurando uma pasta. Eles estão andando em direção à entrada agora.

Depois de ter enviado isso por e-mail para mim e para um amigo, eu vou precisar pensar rápido. Já joguei meu celular na privada e vou precisar me livrar deste notebook depois. Mas as pessoas precisam saber que isso aconteceu. Se vocês ouvirem falar de mim novamente, significa que eu consegui sair dessa.

Isso daria um ótimo filme.








Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


13/11/2017

Minha última nota de agradecimento

Hoje foi um ótimo dia e acordei do lado certo da cama, como diz o ditado. Não sou uma pessoa supersticiosa, mas não vejo porque não me aproveitar do que as pessoas caracterizam como sorte. Os romanos costumavam dizer que um bom dia começa com o pé direito, e mesmo que eu não seja romano... Ainda penso nisso quando acordo, penso nisso todos os dias, e hoje não foi diferente.

O pé direito atingiu meu tapete macio. O café da manhã foi ótimo, meu café cheirava muito bem, e o sorriso da minha mulher estava lindo demais para que meu dia fosse estragado por pouca coisa. O problema é que eu não queria que fosse bom, queria que fosse perfeito. Tudo que eu estivera trabalhando estava começando a dar frutos e a “luz no fim do túnel” finalmente começava a aparecer, só precisava ter certeza de que estaria preparado quando chegasse lá.

Foi por isso que comecei a empilhar o deque. Por dia tenho jogado moedas na água na esperança de encontrá-las, coloco meu colar com a parte da corrente quebrada para cima todas as manhãs, minha precaução para controlar minha vida, e tudo mais que possa me trazer sorte. Eu precisava que hoje fosse perfeito, e espero que você perceba isso enquanto lê por essas linhas. Se sua família estiver lendo em vez de você, sinto muito, eu realmente sinto muito. Não era minha intenção.

Com o montante de stress, o incrível desejo de fazer mais, e a pressão que vem com este trabalho, eu não tinha ideia de que acabaria assim. Nesse ponto, eu sempre dei meu melhor em tudo, nunca sequer tive uma multa por excesso de velocidade. Minha família sempre esperou o melhor de mim, para eles eu era a estrela que brilharia e seria o guia. Depois de hoje, de qualquer forma, espero que não decidam esquecer meu nome.

Tudo foi traçado e planejado, o pessoal do trabalho sabe da minha ausência e já tem um plano. Minha esposa tem acesso a tudo, em todos os lugares, e não vai nunca precisar de nada. Tenho certeza disso. Aquele sorriso, vou sentir falta dele.

Eu sei que é difícil de entender, até eu tive dificuldade. Por que você entenderia? Eu sei, e na superfície tudo parece ótimo, mas você não pode controlar muito nesse mundo. Fiz tudo o que podia para controlar as coisas, e deixei que o resto acontecesse. Posso lidar com isso, certo? Pensei que sim, e de repente não podia.

A verdade é que eu sofri, cara... ou moça? Uau, eu nem sei. Me perdoe, digo isso verdadeiramente, mas espero por Deus que não tenha que dizer pessoalmente. Quero que leia isto, quero que saiba que você não tinha escolha. Isso não sou falhando em encontrar as moedas, ou meu pé esquerdo, isso é só uma merda de decisão egoísta porque não sei mais o que fazer.

Quero que saiba que eu não poderia ser mais grato. Você me providenciou um escape. Sei que é errado, e sinto muito mesmo por isso. Minha única esperança é que você leia essas palavras quando meu carro bater contra o seu esta noite. E se ajuda, você e seu carro são a minha luz no fim do túnel.

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

12/11/2017

Somos Amigos, Não Somos?

Vamos lá, quantos de vocês acham que o mundo ainda tem bondade? Vamos parar com essa hipocrisia, todos sabem, isso é falso. Mas eu já cheguei a acreditar nisso... Sinto vergonha de mim mesmo por ser tão tolo nesse ponto.

Quando eu tinha 17 anos de idade, eu estava na época de só curtir, somente me divertir, ia fazer 18, então pra mim era: "Que se foda!"

Me lembro de ter ficado bÊ

Me lembro de ter ficado bêbado em uma festa, estava realmente louco

Meu amigo me ofereceu abrigo em sua casa, por um tempo, e aceitei. Era meu amigo! Meu melhor amigo! O que ia ter de ruim? Era algo normal. Eu só não sabia que naquela noite, por uma burrada que fiz, ia dar tudo errado, eu iria quase morrer. Ainda bem que fui salvo a tempo... Mas a custo de uma vida, uma vida realmente importante pra mim

Estava indo pra casa do meu melhor, me sentei no sofá e comecei a conversar com ele.

-Então, viu como a Luiza tava gostosa hoje na festa? - Luiza era a Crush do meu melhor amigo, estava tão louco que falei isso.

-Poxa, cara! - Ele suspirou - Vai dormir!

Eu estava indo em direção ao quarto, sem exitar, afinal, estava com sono!

Me deitei e tentei dormir um pouco

Ouço um barulho do quarto do meu amigo, eram passos fortes. Ouvi um barulho de gaveta abrindo na cozinha e algo metálico raspando em outra coisa metálica. Rapidamente pensei: "FACA!"

Meu amigo veio até meu quarto.

- Cara, tá acordado? Vou te levar pra casa. Se arruma, vou estar te esperando no carro.

Ele saiu e fechou a porta do quarto. Eu aproveitei esse momento para pular os muros até a casa mais próxima de uma amiga minha. Laila, uma velha amiga minha. Ela tinha um crush em mim, por isso não exitei em ir até lá.

Minha cabeça doía, estava infernal continuar gastando energia pulando muros, só de cueca e camisa, de noite. Além da vergonha! Mas não importava! Eu só queria me salvar daquilo. Ele ia me matar! Pela crush dele. Eu lembro de ter pegado ela!

Eu cheguei na casa de Laila, apavorado, congelando pelo frio. Ela abre a porta.

-Caio? - Ela me perguntou - O que faz aqui? - Com olhar de espanto e sem entender, olhou pra minha cueca e começou a rir.

Olha, Laila - Disse apavorado - Por favor, você tem que me ajudar! O Marcos quer me matar!

-O que? - Diz ela estranhando.

Ela olha pra um lado, pra o outro, e me chama pra entrar rápido. Conto tudo pra ela, e ela me dá um short dela. Ridículo, mas era a única coisa que tinha

Ela me disse pra não me preocupar e ir dormir. Então fui.

Ouço uma briga na sala, e então já me preparo pra correr.

Eu saio correndo e consigo fujir.

No dia seguinte, Laila é presa por assassinato. Ela estava tentando me salvar! Fui a favor dela no tribunal. Vencemos o caso por legítima defesa.

Eu finalmente tinha me salvado do assassino...

Eu achava isso

Meses depois foi investigado as ligações de Marcos pra entender o motivo do assassinato

Procuraram na casa, com amigos. Nunca encontraram por que ele queria me matar

Com muita dificuldade, e um aparelho de alta tecnologia, que nem eu sabia que a polícia do Brasil tinha, que capita sinais mandados para o Satélite em um período de até 7 meses, descobriram uma ligação entre Marcos e mais alguém.

Era Laila.

-Vou mata-lo! Aquele filho da puta devia ter ficado comigo! Não acha ruim ele ter ficado com a sua mina? - Perguntou Laila exaltada.

-Calma Laila - Dizia Marcos tentando acalma-la - Tem outras nesse mundo, além do mais, ele é meu melhor amigo!

-Você é um filho da puta, Marcos! Eu vou aí buscar ele na sua casa e você vai ver! - Ela continua resmungando palavras que são interrompidas por um barulho de armário abrindo, e ele desligando o celular.

Foi então que foram investigar o Whatsapp dele e viram as seguintes mensagens.

"Estou com ele, e ele já já vai morrer"

"Eu vou te pegar!"

Isso explica o por que naquele mesmo dia ele ter passado a velocidade máxima!

Era 50km/h

Ele foi em 120km/h

Por isso ele chegou lá antes dela me matar

Ela me enganou

Eu fiquei feliz pela morte do meu melhor amigo...

Autor: MrMordeafoca


O Melhor Jogador

Sou um perito da policia federal e já aviso de antemão que o que vou fazer agora é contra a lei. O último caso que tive acesso seria normal se não fosse por uma gravação encontrada em um celular na cena do crime. Irei transcrever a gravação ocultando nomes de pessoas e empresas citadas por motivos óbvios. Segue a transcrição:

"Bom dia, boa tarde ou boa noite. Não sei qual desses pois estou preso dentro de um quarto que aparentemente é completamente isolado de qualquer outra coisa pois não tem sinal de celular para fazer uma ligação ou mandar uma mensagem. Estou gravando esse audio talvez para me sentir menos sozinho ou só porque estou ficando louco mesmo.

Meu nome é Apoliom *******, meu pai pôs esse nome com significado estranho em mim em homenagem ao meu padrinho, o qual nunca vi e sequer sei o nome, mas meu pai disse que ele era o responsável pelo sucesso dele e que também seria pelo meu, mas também nunca entendi isso e não acho que seja muito relevante. Seja lá quem ouvir esse, deve conhecer esse nome pois meu pai é o dono da famosa ********. Apesar disso, nunca dependi do dinheiro do meu pai e vou explicar o por que. Desde pequeno, sempre fui muito sortudo, por assim dizer, especialmente em jogos. Impar ou par, jokenpô e em qualquer outro jogo que pudesse envolver sorte de alguma forma. Não me lembro da ultima vez que perdi em algum desses. Na verdade, não lembro se alguma vez já perdi [riso seguido de tosses]. Quando cresci, desenvolvi amor por poker, jogo do bicho e esses outros jogos de casino que envolvem muito dinheiro. Como eu disse, sou muito sortudo e nunca soube o que é perder em algum desses. Construí meu patrimônio em cima disso. Por isso nunca dependi de meu pai [mais tosses].

Eu era claramente o melhor jogador que qualquer casino ja viu, e minha sorte era desleal com qualquer um que tivesse o azar de entrar em um jogo em que eu estivesse participando. Só que como esse mundo é envolvido de mafias, não demorou muito para criar inimizades e pessoas quererem minha cabeça. Como não estou bem situado de tempo aqui dentro, mas creio que tenha sido 2 ou 3 dias atrás que saindo de casa, um grupo de homens me pôs dentro de um carro e me desacordou.
Quando acordei, já estava dentro da sala que estou agora, sentado em uma cadeira e de frente pra uma mesa com uma arma em cima dela. Não conheço armas mas tenho quase certeza que era uma Magnum, aquelas de cano longo e com um barril pra colocar as balas, porém ela parecia um pouco modificada.

Dois homens estavam diante de mim. Um deles pegou a arma da mesa, carregou com uma bala e girou o barril, em seguida o barril encaixou sozinho na arma. Ele começou a explicar que aquela arma tinha sido modificada por eles para 'pessoas como eu'. Era uma arma de roleta-russa e tinha sido modificada unicamente para isso. Ela só era capaz de disparar uma bala pois os outros buracos de recarga eram fechados e a destrava para atirar só era ativada se o barril fosse girado com determinada força. Achei bem sádico da parte dele me explicar tudo isso e ainda por cima modificar uma arma só pra isso. Loucura.

Manti a calma pois não ia dar a ele o prazer de se deliciar com meu suposto medo. Depois de toda a explicação, ele me entregou a arma e disse para apontar na minha cabeça e atirar. Era o jogo da roleta-russa então. O outro homem me ameaçava com outra arma enquanto eu direcionava a Magnum em direção ao meu crânio. Não sei se foi pelo calor do momento, a raiva ou por ser prepotente demais mas antes de apertar o gatilho eu disse: A arma não vai disparar.

Assim foi, a arma não disparou. Ele se irritou com meu comentário e acho que ainda mais o fato dela não ter disparado mesmo depois do que eu disse.

Eu tive sorte. Afinal as chances eram de 1 em 6? 8? Não sei quantos slots tem essa arma.

Ele me mandou girar o barril e apertar o gatilho de novo. Isso se repetiu 30? 40? 50 vezes?
Depois de tantas vezes não só eles, como eu também me espantara com a situação. Até onde iria tanta sorte? Acreditei que ela ja havia chegado no limite, e não sabia quando eles perderiam a paciência e atirariam em mim com a arma normal ali mesmo. Na sei lá, 61° vez, após girar o barril, rápidamente direcionei a arma para o homem armado e apertei. Ela disparou. Acertei ele bem no peito, e no espasmo da situação e a força com que foi jogado pra trás, ele também apertou o gatilho mas por muita sorte mesmo atingiu o outro cara. Assim, os dois caíram no chão.
Me levantei e rapidamente fui em direção a unica porta do quarto. Trancada. Procurei chaves nos corpos. Nada. Como entraram? Não sei. Como pretendiam sair? Sei menos ainda. Peguei a arma normal e descarreguei ela atirando em direção a tranca. Nada de novo.
Me sentei no chão e depois de algumas horas, creio que um dia inteiro, perdi as esperanças de que alguém me encontraria. Mais algumas horas depois senti meu corpo fraquejando de verdade. A garganta secando, meu estomago se consumindo. A única coisa que tem nesse quarto é ar que entra por algumas frestas no teto, e mesmo assim, por serem pequenas, é difícil respirar, com o odor dos corpos se decompondo então, pior. Encontrei uma bala solta no chão. Era uma bala reserva da arma de roleta-russa. Peguei ela e a carreguei. Era a melhor saída para esse pesadelo de tédio e dor que resultaria na minha já inevitável morte. Criei coragem, girei o barril e apertei. Não disparou. Desde então, e isso já deve fazer só um pouco menos de dois dias, estou girando esse barril e tentando fazer com que essa arma dispare na minha cabeça, mas a PORCARIA DA ARMA NÃO DISPARA. POR MAIS QUE EU GIRE ESSA PORRA MIL VEZES, NUNCA TRAVA NA BALA. [sua voz começava a soar irritada somada a soluços de choro] A esse ponto já consigo sentir meu corpo se definhando e não vou durar muito mais tempo. O simples ato de falar parece estar consumindo as forças que me restam. No fim, não estou tão triste, porque parece que o único jogo que vou perder nessa vida, é o de ficar vivo. [tosses fortes e o fim da gravação]"

Encontramos os corpos ontem e pela data da gravação, foi cerca de uma semana depois. O mais estranho, é que analisando o corpo de Apoliom, ele ainda estava entrando em estado de decomposição, o que significa que ele passou mais uma boa quantidade de dias vivo. Isso é longe de algo bom, pois significa que ele passou uma boa quantidade de dias a mais sofrendo em condições sobrehumanas. Outros peritos levantaram a hipotese dele ter tentado se alimentar dos corpos em decomposição, mas o corpo ainda está em análise e, particularmente, prefiro acreditar que não.
Enfim, precisava compartilhar isso com alguém pois achei muito curioso. Não que as coisas tenham parado por aí. O pai do garoto ao ver o corpo e ouvir a gravação, caiu aos prantos sussurando "desculpa" para o corpo do filho, como se fosse responsável por algo. Pesquisei o significado de Apoliom na Internet e tenho medo de como isso possa de alguma forma se relacionar às coisas. Enfim... Tudo muito estranho. Peço que não divulguem em outros fóruns pois confio em vocês e só por isso compartilhei aqui o caso. Se puderem opinar para me ajudar a sair dessa paranóia, agradeço.

Autor: Lucas Queiroz


11/11/2017

Vox e Rei Beau: Introdução

Acho que estou ficando insana. Ou isso ou algo muito, muito estranho está acontecendo.

Para começar, eu não tenho nenhum histórico de doenças mentais. Eu fiquei deprimida algumas vezes, mas sempre por motivos normais (fim de relacionamento, saudades de casa, etc.) Eu fumo maconha ocasionalmente e bebo socialmente, mas esse é todo o meu uso de drogas. No entanto, eu acho que estou começando a alucinar ou algo assim. Eu não sou uma pessoa que acredita em coisas paranormais, mas eu achei que vocês poderiam me ajudar.

Acho que isso começou uns cinco meses atrás. Eu ainda estava com meu ex namorado, e nós morávamos juntos. Tudo estava normal, a relação havia esfriado um pouco, mas não havia nada acontecendo que eu pudesse considerar motivo para preocupação ou algo do tipo, até que uma noite eu acordei. Eu juro que ouvi um homem dizer meu nome bem no meu ouvido. Foi tão claro que eu realmente sentei na cama e perguntei a meu ex o que ele queria. Ele não tinha dito ou ouvido qualquer coisa e parecia bem abalado. Ele estava acordado e mandando mensagens para alguém (ele disse que era seu irmão).

Eu não pensei muito sobre a voz, concluindo que fora apenas um sonho. As mensagens, por outro lado, me incomodaram. Não bastasse isso, nas semanas seguintes meu ex começou a reclamar. Ele dizia que achava que estava sendo vigiado em nossa casa. Ele estava com os nervos à flor da pele, quase me batendo quando eu o surpreendi. Naturalmente eu comecei a ficar desconfiada.

Para não alongar mais ainda essa história, um dia eu estava na casa de um amigo e meu celular tocou - o número era de meu ex. Quando eu atendi, não houve qualquer som, como se o sinal houvesse caído. Achei isso estranho e liguei para ele. Ele disse que não havia telefonado para mim, mas parecia tenso. Já paranóica, eu voltei para nossa casa para tentar descobrir o que havia acontecido. Quando eu estava chegando bem perto da porta, eu ouvi novamente. A voz de um homem, a mesma voz, bem em meu ouvido, só que dessa vez estava me mandando ficar quieta. Eu parei e olhei ao meu redor. Tudo estava quieto. Muito, muito quieto. Era como se um cobertor tivesse sido jogado sobre tudo para abafar todos os sons, e essa era uma vizinhança extremamente vívida. Deveriam haver pelo menos pássaros e besouros ou cachorros latindo. Isso fez meus cabelos arrepiarem e eu hesitei entrar em casa.

Enquanto eu estava parada, eu consegui notar uma mulher saindo de fininho pela porta lateral. Eu poderia ter perdido-a de vista se não tivesse parado para olhar ao meu redor.

Isso é só o começo, no entanto.

Pouco depois disso, como você pode imaginar, eu me mudei para meu próprio apartamento. É aí que a loucura começa. De tempos em tempos, tudo fica quieto exatamente como naquela noite. Nenhum som, movimento, nada. Mesmo quando eu tento fazer barulho ligando a TV ou limpando minha garganta, tudo soa abafado até que o silêncio passe. Assustada com isso, eu mencionei esse assunto para minha mãe. Foi aí que ela me lembrou de algo.

Quando eu era criança, eu tinha um amigo imaginário chamado Beau. Eu costumava criar todo tipo de histórias sobre Beau e as aventuras que ele tinha, e eu adorava contá-las para minha mãe. Eu só me lembrava vagamente disso, mas minha mãe me contou o que sabia. Aparentemente, Beau era o Rei do Lugar Quieto. Ao ser perguntada onde ficava o Lugar Quieto, meu eu criança apenas deu de ombros. Aparentemente não era um lugar legal, muito escuro e quieto, e Beau se sentia sozinho. Então um dia ele procurou por alguém para brincar com ele, e foi assim que ele me encontrou.

Quando minha mãe me falou sobre isso, ela não riu ou brincou sobre o assunto como ela faz quando fala sobre o dinossauro imaginário de meu irmão mais velho. Beau não era apenas brincadeiras e diversão. Beau era assustador. Ela nunca guardou os desenhos que eu fazia dele, mas teve um que ela nunca pôde esquecer. Era uma imagem de Beau em seu reino. O Lugar Quieto era azul escuro e preto, com sombras mal sendo vistas. Rei Beau era pálido e tinha um grande sorriso cheio de dentes pontiagudos. A aparência do desenho era tão pertubadora que ela mostrou-o para meu pediatra e perguntou se ela deveria se preocupar. Ele a disse que era normal.

O motivo pelo qual ela me faou tudo isso é porque haviam outros detalhes estranhos. Às vezes ela entrava em meu quarto quando eu estava brincando e havia um silêncio pesado e opressivo. Algumas noites eu a acordava com as músicas que eu cantava em meu quarto "para espantar o silêncio". Eu era uma criança quieta, mas por algum tempoe eu regredi bastante. Eu acordava chorando com pesadelos ou reclamando que Beau estava sussurrando para mim e não me deixava em paz. Pouco a pouco isso foi passando. Minha mãe achou que eu havia crescido e abandonado meu amigo imaginário, e assim terminou. Eu estava bem nervosa ao ouvir tudo isso.

Desculpe, é uma história bem longa. Eu só estou tentando me recompor.

Desde que falei com minha mãe, o último mês e meio tem sido cada vez mais assustador. Eu me tornei sonâmbula. Eu acordo em diferentes partes de minha casa em posições estranhas. Eu também comecei a tocar músicas constantemente para tornar o silêncio menos notável. Algumas vezes eu fui capaz de jurar ter ouvido a voz de um homem, mas sempre abafada. Finalmente, nessa noite, tudo explodiu.

Eu acordei há uma hora atrás porque ouvi alguém dizer meu nome. Eu não pulei porque isso já virou rotina. No entanto, eu abri meus olhos. No outro lado da cama, me encarando, estavam os olhos de um homem. Eu só pude ver o topo de sua cabeça, como se estivesse agachado. Meu coração parou, e ele olhou diretamente em minha direção e sorriu (vi apenas seus olhos fazerem isso). Ele era completamente pálido, como uma pessoa doente, e seus olhos eram leitosos como se ele tivesse catarata, mas eu juro que ele era tão real quanto você ou eu. Quer dizer, eu podia ver as linhas em sua testa, cada fio de cabelo em sua cabeça, até mesmo poros. Eu não sei por quanto tempo olhamos um para o outro, mas ele lentamente afundou além da borda da cama e para fora de meu campo visual.

Corri para fora do quarto como se estivesse pegando fogo. Eu saí pela porta, pegando minhas chaves, e dirigi para a casa de um amigo. Eu queria chamar a polícia, mas meu amigo me convenceu a voltar e verificar meu apartamento para o caso de ter sido apenas um sonho. Não achamos nada de anormal, mas ele reclamou que sentiu como se estivesse sendo observado.

Então agora eu estou sentada em minha cozinha. Meu amigo tem que trabalhar amanhã, mas ele vive há poucos minutos daqui e está de sobreaviso. Eu não vou voltar para meu quarto até o amanhecer. Da maneira que vejo, eu tenho duas opções. Por um lado, eu posso estar definitivamente enlouquecendo. Estou ouvindo coisas, vendo coisas, tenho problemas para dormir. Talvez isso seja uma manifestação de algum problema em meu cérebro. Se esse for o caso, então só vai piorar e eu provavelmente preciso ver um psiquiatra, o que me desespera. Eu não sei como falar para minha família que estou enlouquecendo.

Por outro lado, pode ser que Beau tenha voltado do Lugar Quieto, e ele ainda quer brincar. Eu não acredito que estou considerando essa possibilidade, mas são 1:30 da manhã, eu liguei o rádio, e eu juro que a pessoa que estava do lado da minha cama era real. Eu não estava paralisada pelo sono e não estava sonhando porque eu senti que havia despertado de terror, e eu poderia sair dali quando quisesse assim que meu coração voltasse a funcionar normalmente.

Então o que eu devo fazer? Se isso ajuda, eu posso contar as histórias sobre Beau que minha mãe me falou. Elas não são muito boas porque eu tinha uns 4 anos, então tenham paciência comigo. Isso consiste do que eu me lembro e do que minha mãe me falou. Eu realmente, realmente espero que isso não atraia algo ou alguém simplesmente por falar a respeito... Quer dizer, eu realmente estou paranóica aqui.


09/11/2017

Mantenha em segredo,certo?

Três dias atrás… matei a minha mãe. 

Me arrependo agora, mas a culpa foi dela. Ela estava psicótica, alucinando que eu mentia para ela todos os dias e tramando algo horrível. Ela gritava comigo, quebrava pratos e copos, as vezes as coisas ficavam tão ruins, que ela me atacava. Eu planejava juntar dinheiro o suficiente para me mudar e arrumar uma ajuda profissional para ela, mas eu não conseguia resistir ao stress. Derrubei-a pelas escadas uma noite quando ela me atacou, resultando em seu pescoço quebrando. Seu histórico mental foi o suficiente para os investigadores aceitarem que tudo foi um acidente. 

Hoje foi o seu funeral, e os membros da minha família ofereceram suas condolências, antes e depois da cerimônia. Eu me senti terrível, sabendo que se soubessem da verdade, suas palavras seriam cheias de ódio e ressentimento, ao invés de simpatia. Logo, fomos para o almoço na casa da minha tia Victoria. Saí para o quintal, tentando fugir da atenção sufocante que recebia da minha família. Foi então que vi a minha sobrinha de oito anos, Rebecca, sentada sozinha num banco, sussurrando, como se estivesse conversando com alguém. Me aproximei curioso, e na esperança que o seu charme ingênuo pudesse me animar. 

“Ei, Rebecca, o que você está fazendo sozinha aqui fora?” perguntei no tom suave que qualquer um poderia se dirigir à uma criança, enquanto me sentava ao lado dela no banco. Ela não me respondeu de imediato, ao invés disso, ela apenas ficou me encarando com um olhar de pena e preocupação, então suspirou e abriu a boca para falar. 

“Alex… por que machucou a tia Jane?” Meu coração afundou com aquelas palavras que ela tão inocentemente direcionou para mim. Congelei e senti meu corpo começar a suar enquanto as batidas do meu coração aceleraram. Engoli em seco e respirei fundo, antes de tentar responder . 

“O- o que a faz pensar isso, Rebecca?” perguntei, com minha voz tremida quebrando o silêncio. 

“A tia Jane me contou.” Meu queixo caiu. “Ela está sentada bem aqui,” ela anunciou de modo sombrio, apontando para o outro lado dela no banco. 

Eu a fiz prometer que não contaria para ninguém sobre a verdade da morte da minha mãe. Aquela garotinha poderia arruinar minha vida com apenas uma frase, “ Alex matou a Tia Jane”, e isso, mais que qualquer coisa, me perturba intensamente. Um dia... 

…terei que mata-la também. 

  
 NinjaPie94