19/08/2017

As histórias de um Oficial de Resgate no Serviço Florestal dos EUA

Olá! Estou iniciando uma nova série. O nome original é: "I'm a Search and Rescue Officer for the US Forest Service, I have some stories to tell". Conversei com o pessoal aqui do site e concordamos que o título ficaria muito grande, então optamos por simplificá-lo. Ela é bem longa, tem oito partes, porém é ótima, e estou adorando traduzi-la. Espero que goste, não esqueça de deixar seu feedback!

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Eu não tinha certeza de onde mais publicar essas histórias, então pensei em compartilhá-las aqui. Sou um oficial da SAR há alguns anos e ao longo do tempo vi algumas coisas que acho que vocês ficarão interessados.


• Sou bom em encontrar pessoas desaparecidas. Na maioria das vezes, elas simplesmente vagam pelo caminho, ou deslizam em um pequeno penhasco e  não conseguem encontrar o caminho de volta. A maioria delas ouviu o velho conselho: "fique onde você está", e não vão para muito longe. Mas houve dois casos em que isso não aconteceu. Ambos os casos me incomodam muito, e os uso como motivação para procurar ainda mais nos casos de pessoas desaparecidas. O primeiro foi um garotinho que estava colhendo frutas com seus pais. Ele e sua irmã estavam juntos, e ambos se perderam ao mesmo tempo. Seus pais os perderam de vista por alguns segundos e nesse período as duas crianças se afastaram. Quando não conseguiram encontrá-los nos ligaram e fomos vasculhar a área. Encontramos a filha muito rapidamente e quando perguntamos onde estava seu irmão, ela nos disse que ele foi levado pelo "homem urso". Ela disse que ele lhe deu as frutas de seu irmão e disse a ela para ficar quieta, pois ele queria brincar com seu irmão por um tempo. A última vez que ela viu seu irmão ele estava andando nos ombros do “homem urso” e parecia calmo. Claro, nosso primeiro pensamento foi sequestro, mas nunca encontramos vestígios de outro ser humano nessa área. A menina também insistiu que não era um homem normal, que ele era alto e coberto de pelos, como um urso, e que tinha um rosto estranho. Nós investigamos essa área por semanas, foi um dos chamados mais longos em que já estive, e nunca encontramos um único vestígio desse garoto.  O outro caso era de uma jovem que caminhava com a mãe e o avô. De acordo com a mãe, sua filha subiu em uma árvore para ter uma visão melhor da floresta, e ela nunca voltou. Eles esperaram na base da árvore por horas, chamando seu nome, antes que pedissem ajuda. Mais uma vez, procuramos em todos os lugares, e nunca encontramos um sinal dela. Não tenho ideia de onde ela poderia ter ido, porque nem a mãe nem o avô a viram descer.



• Algumas vezes comecei a investigar com cães e eles tentaram me levar até penhascos retos. Não eram colinas, nem mesmo haviam pedras. Penhascos retos e soltos, sem encostos possíveis. É sempre desconcertante e nesses casos geralmente encontramos a pessoa do outro lado do penhasco, ou a quilômetros de distância de onde o cachorro nos conduziu. Tenho certeza de que há uma explicação, mas é meio estranho.



• Um caso particularmente triste envolveu o resgate de um corpo. Uma garota de nove anos caiu num aterro e foi empalada por uma árvore morta. Foi um acidente estranho. Nunca esquecerei o som que sua mãe fez quando lhe dissemos o que aconteceu. Ela viu o saco com o corpo sendo carregado em direção à ambulância e soltou o lamento mais perturbador que eu já ouvi. Era como se sua vida inteira estivesse girando e uma parte dela morreu com sua filha. Eu ouvi de outro oficial da SAR que ela se suicidou algumas semanas depois do que aconteceu. Ela não podia viver sem sua filha.



• Eu estava com outro oficial da SAR porque recebemos relatos de ursos na área. Estávamos à procura de um cara que não tinha chegado em casa de uma escalada e acabamos tendo que fazer uma escalada complicada para chegar onde achávamos que ele estaria. Nós o encontramos preso em uma fenda com uma perna quebrada. Não foi nada agradável. Ele estava lá por quase dois dias, e sua perna estava obviamente infeccionada. Nós conseguimos levá-lo de helicóptero, e eu ouvi de um dos EMTs que o cara estava absolutamente inconsolável. Contou como ele estava bem, tudo corria normalmente, até chegar ao topo. Um homem estava lá. Ele disse que o cara não tinha nenhum equipamento de escalada e estava usando uma parka e uma calça de esqui. Ele caminhou até o homem, e quando ele se virou, não havia rosto. Estava em branco. Ele se assustou e tentou sair da montanha o mais rápido possível, e é por isso que ele caiu. Ele disse que podia ouvir o cara toda a noite, descendo a montanha e soltando terríveis gritos abafados. Essa história me incomodou. Fico feliz por não estar lá para ouvir isso



• Uma das coisas mais assustadoras que já aconteceu envolveu a busca de uma jovem que se separou do grupo de caminhadas. Nós estávamos a procurando até tarde da noite, porque os cães tinham farejado seu rastro. Quando a encontramos, ela estava enrolada debaixo de um grande tronco apodrecido. Ela perdeu seus sapatos e sua mochila e estava claramente em estado de choque. A garota não tinha nenhum ferimento e nós conseguimos fazê-la caminhar conosco de volta a base de operações. Ao longo do caminho, ela ficou olhando para trás e nos perguntava por que aquele "grande homem de olhos negros" estava nos seguindo. Nós não conseguimos ver ninguém, mas ficamos um pouco assustados. Porém, quanto mais nos aproximávamos mais agitada ficava a mulher. Ela continuou pedindo-me para dizer ao homem para parar de fazer caretas para ela. Em um ponto ela parou, virou-se e começou a gritar na floresta dizendo que queria que ele a deixasse em paz. Ela não iria com ele, ela disse, e não nos daria a ele. Finalmente conseguimos que ela continuasse andando, mas começamos a ouvir ruídos estranhos ao nosso redor. Era quase como uma tosse, porém mais rítmica e mais profunda. Era como o som de um inseto, não sei como descrever isso. Quando estávamos dentro do local da base, a mulher se virou para mim e seus olhos estavam tão abertos quanto eu imagino que um humano possa abri-los. Ela toca meu ombro e diz: "Ele disse para você acelerar. Ele não gosta de olhar a cicatriz no seu pescoço.” Eu tenho uma cicatriz muito pequena na base do meu pescoço, mas está escondida debaixo da minha gola e não tenho ideia de como essa mulher viu. Logo depois que ela disse isso ouvi essa tosse estranha no meu ouvido e dei um pulo. Eu a abracei, tentando não demonstrar como estava assustado, mas tenho que dizer que fiquei muito feliz quando saímos da área naquela noite.



• Esta é a ultima que vou contar e provavelmente é a história mais estranha que tenho. Não sei se isso acontece em todas as unidades da SAR, mas na minha é uma coisa comum. Você pode tentar perguntar para outros oficiais da SAR, mas mesmo que eles saibam do que você está falando, eles provavelmente não dirão nada sobre isso. Nossos superiores nos disseram  para não falar nada e neste momento todos estamos tão acostumados que não parece mais algo estranho. Em quase todos os casos em que estamos longe da região selvagem -estou falando de 30 ou 40 milhas- em algum momento vamos encontrar uma escada no meio da floresta. É quase como se você pegasse as escadas de sua casa, cortasse e colocasse-as no meio da floresta. Perguntei sobre isso a primeira vez que vi, e um oficial apenas me disse para não me preocupar com isso, que era normal. Todos que perguntei disseram o mesmo. Eu queria ir verificá-las, mas me disseram, enfaticamente, que nunca deveria ficar perto de nenhuma delas. Apenas as ignoro quando me deparo com uma, o que acontece com bastante frequência.


Eu tenho muitas outras histórias e se alguém estiver interessado, vou contar algumas delas amanhã. Se alguém tiver alguma teoria sobre as escadas, ou se você as viu também, me avise.





Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem céditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


Ivy

Estou começando a achar que meus pais não me amam.

Eu sei, eu sei. Você deve estar pensando o mesmo que os outros. “Eles te amam sim, Bárbara, isso acontece com todo mundo nessa fase. Se você conversar com eles, aposto que vai entender”. Mas não entendo. Eles nem sequer falam mais comigo, e acham que estou doente, pois todos os dias sou obrigada a ir ao médico.

Mas nem sempre foi assim. Meu pai, dono de uma empresa de automóveis no centro da cidade, sempre foi o meu maior herói. Sempre fomos apaixonados por carros. Tínhamos um armário inteiro de revistas sobre eles em um armário na garagem. Carros antigos, carros atuais, carros do futuro. Todos eles nos deixavam alucinados. Minha mãe também era a melhor mãe do mundo. Ela era professora na escola onde eu estudava, e sempre se importou muito com a educação, o que às vezes a torna um pouco chata, principalmente por causa do jogo de esconder. Ele funciona mais ou menos assim: toda vez que sou malvada, ela pega um de meus brinquedos favoritos e o esconde, até eu voltar a ser boazinha, o que demora um pouco, pois sempre acabo ficando bem irritada.

Mas mesmo assim éramos uma família muito feliz. Tínhamos uma bela casa, um belo cachorro quase maior que eu chamado Tobby, a cidade era linda. Tudo estava ótimo. Mas foi aí então que mamãe ficou grávida, e as coisas deixaram de ser tão legais quanto antes. Todo tempo agora era dedicado a médicos e novos quartos e novas mobílias. A vovó e o vovô nem ligavam mais para mim, e as revistas de carros começaram a ser substituídas por revistas de bebês.

Não demorou muito para que o bebê nascesse. Era uma menina, e meus pais a chamaram de Ivy. Ivy era o bebê mais irritante de todos os tempos. Chorava o dia inteiro, e atrapalhou completamente a nossa vida. Minha mãe agora estava sempre irritada, não tinha mais tempo pra mim, e quando tinha, era para ser malvada.

As noites, antes silenciosas, agora eram preenchidas por gritos de criança e luzes acesas para atendê-la. Porém, na noite de terça da semana passada, fui acordada apenas pelos gritos de minha mãe. Tobby levantou debaixo da minha cama assustado, e seus pelos ainda estavam molhados da tentativa de banho que dei a ele, pois ele havia se sujado muito em nossa última brincadeira. Mamãe ainda gritava quando escutei papai tirar o carro da garagem às pressas, e a polícia apareceu em casa alguns minutos depois. Mamãe estava muito triste, e acho que sei porquê. Ela estava sendo muito malvada.

Escondi o bebê.

Toddy me ajudou.

Autora: Mayara Bianca

18/08/2017

INFESTATIO


Boa noite espreitadores, mais uma creepypasta de minha autoria. Vou dividi-la em partes, uma a cada sagrada sexta-feira. Quantas? Depende da repercussão, ainda não possui final, apenas um frágil esqueleto. Critiquem, se expressem, confabulem, criem teorias, ridicularizem...

 PARTE - I

Aos poucos a crise realmente mostrou a sua temida face, em minha cidade finalmente o que era apenas mostrado nos noticiários passou a acontecer de fato.

Com as grandes Companhias  caindo uma após uma, o fluxo de famílias provenientes de outros Estados foram as primeiras a saírem, estavam ali pelos empregos que não existiam mais e quase todas elas pagavam aluguel, seguido de famílias oriundas da cidade, aos poucos foram indo embora...

Minha enorme cidade, famosíssima pelos congestionamentos e longas filas em frente ao transporte público foi desafogando e perdendo a diversidade que tanto a tornava linda.

Veja bem, nunca tive oportunidade de estudar, desde os 11 anos me virava sozinha, então sempre trabalhei e lutei para me manter, no meu canto, conseguindo me alimentar e arcar com despesas básicas. Não tive tempo para livros, ensinamentos, doutrinas ou tempo de construir uma base para possuir a tal "mente pensante" ou até mesmo derrubar essa base e construí-la do nada.

Apesar de desconfiada e sempre com um pé atrás eu sou e fui manipulada pela mídia local, oras, era de lá que tirava as minhas instruções...

E diziam na TV para que quem pudesse, que estocasse comida, não fizesse dívidas em cartão de crédito, não comprasse nada em prestações etc. Apontavam que se hoje o quilo da batata gira em torno de R$ 2,50, amanhã poderia chegar a R$ 22,00.

Calculei com ajuda de um aplicativo o quanto precisaria ter de comida se ficasse desempregada nos próximos 4 ou 6 meses... E foi o que fiz. Gastei minha rescisão contratual em comida, apenas almoçava para passar o dia inteiro procurando por uma nova oportunidade de trabalho.

As ruas estavam vazias, serviços como táxi, uber, food delivery, lava carros, entre outros praticamente não existiam mais. Haviam baratas, ratos, morcegos e tudo quanto é tipo de praga à vontade por aí. A população de animais de rua caiu drasticamente assim como os moradores de rua também (não estou os colocando como "animais" que fique claro).

A criminalidade aumentou, porém dois sacos de feijão e um de arroz valiam mais que um ótimo smartphone, era precário...

Eis que no dia 1º de Outubro de 2017 tudo mudou, a solução caiu do céu!

Com os imóveis totalmente desvalorizados ficou fácil para que a Corporação Infestatio montasse sua enorme base em minha cidade, gerando milhares de novos empregos.

Minha reserva alimentícia se encontrava em pouco menos da metade do que havia comprado, me custou 7kg, mas no final as coisas se acertaram, consegui um novo emprego, assim como praticamente todos a quem eu conhecia.

A Infestatio se aproveitou das reformas instauradas pelo governo e se aproveitou também da patética situação da prole trabalhadora, passávamos praticamente 14 horas em atividade, sobrava tempo apenas para voltar pra casa, tomar um banho, comer alguma coisa, dormir pouco e enfiar a cara no trabalho novamente.

Quanto as normas de segurança, quanto a insalubridade, periculosidade e riscos... A Companhia tinha praticamente uma livre autonomia, não havia fiscalização e se houvesse uma entidade regulamentadora empenhada, provavelmente deixariam a cidade da maneira em que se encontrava a poucos meses atrás.

Eu achava "engraçado" passar tantas horas produzindo um tipo de veneno inseticida, do qual não consumia, do qual ia pouco ao mercado para vê-lo em prateleiras ou até mesmo ter tempo para contemplar esses insetos e pragas em meus dois "luxuosos" dois cômodos.

Chegamos em uma época em que a Infestatio era a maior empregadora do país, segundo a Forbes foi a empresa de toda a história que atingiu a maior ascensão em tão pouco tempo. Essa explicação se dá devido ao regime praticamente escravocrata que somos submetidas, enfim...

Adequada ao racionamento que praticava a um ano e meio atrás na época que veio a ter o nome de "Grande Escassa" somado com a longa jornada de trabalho e minha falta de apetite devido a náusea e enjoo constantes que sentia com a mistura dos produtos químicos, passei a comer bem pouco. Quando terminava meu turno e visitava o mercado eu sempre tinha o ímpeto de gastar muito em produtos  alimentícios, mesmo sem consumi-los devidamente.

Foi aí então que me dei conta... Pra onde ia toda a minha comida??? Eu não jogava fora, não doava, não consumia... Alguém entrava em casa e levava?

Passei o turno inteiro pensando nisso, na hora da pausa convidei Marta a ir ao mercado comigo após o expediente, ela topou de imediato dizendo que : " Havia muita coisa que precisava comprar pra casa". Ela também era solteira e sem filhos...

O turno dela terminava uma hora antes do meu, então decidi dar uma voltinha em torno da fábrica para dar uma observada... Não haviam mais carrinhos de cachorro-quente, pipoca, trailers, lanchonetes, algodão-doce, crepes nem nada... Haviam máquinas de snacks, salgadinhos, conservas, nada que fosse preparado na hora, pra consumo imediato.

Sentei-me no meio-fio e fiquei encarando uma barra de chocolate por extensos 7 minutos sem ter a menor vontade de abri-la. Quase dois anos atrás esse artigo poderia ser motivo suficiente para um brutal assassinato, digo sem exageros pois fui sortuda de ter sobrevivido com folga a Grande Escassa, muita gente morreu de fome ou sobreviveram em condições de extrema carência em boa parte do continente.

Subi no carro e fui observando pela janela as ruas, extremamente LIMPAS, não era nem sombra do que a cidade já foi, sem embalagens pet, restos de bolacha, pacotinhos rasgados de salgadinhos, papéis de bala... nada...

Não queria influencia-la, apenas olharia... Marta encheu seu carrinho de comida, a cada passada de mão com seus finíssimos dedos nas prateleiras ela comentava algo como "você deveria levar um também, esse é gostoso, olha que barato, não vai precisar?, está em promoção..."

Após chegarmos, descarregarmos todas a compras e nos sentarmos eu perguntei :
- Não vamos comer nada, Marta?
ela respondeu : - Olha Veronica, agora não estou com fome, você está?
Fiz que sim com a cabeça e disse : - Por favor, ligue seu laptop pra mim?

E fui até seu armário, geladeira, dispensa e lixos...

Perguntei se podia usar o cartão de crédito dela, disse que tudo bem, já me fornecendo os dados e a senha.  Comentei com ela as minhas ideias, logo de cara as refutou e me tomou como louca.
Tirei a fatura de seu cartão de crédito e me sentei ao lado dela com um marca-texto púrpura e fui "pintando" praticamente toda a folha impressa.

Ela se levantou foi até seu armário, geladeira, dispensa e lixos...

Me olhou e como uma criança de quatro anos que gostaria de entender como "uma hora" funciona, com seus sessenta minutos e seus três ponteirinhos num relógio qualquer, questionou o que eu já esperava: "Cadê a minha comida???"









16/08/2017

Ela disse que o cheiro da morte a excita

ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE (EROTISMO/CONTEÚDO SEXUAL).
NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 

Apresento para você as melhores coisas da vida:

Amor, Sexo e liberdade. 

Essa é uma história sobre a segunda coisa na minha lista, mas a primeira também aparece brevemente. 

O nome dela era Marla e parecia uma obra de arte. Não como uma estátua Grega; mais como uma boneca sexual ultrarrealista. Isso pode parecer uma ofensa, mas não é. Marla não era perfeita, mas era a versão perfeita do que era. Na vida, isso é o máximo que uma pessoa pode desejar ser.

A primeira vez que a vi, estava fumando um cigarro do lado de fora do prédio da nossa faculdade, parecendo totalmente entediada com a vida. 

"Estou sem," Anunciou para ninguém em particular quando terminou de fumar. Olhou para mim de cima a baixo como se analisasse um carro à venda. 

"Chupo seu pau por um cigarro," Falou. 

Tossi tanto que quase engoli inteiro o que eu acabara de acender. Dei um para ela, naturalmente. Mais tarde naquela noite, depois de chupar meu pau, ela enfiou a mão dentro da bolsa e pegou uma carteira cheia de cigarros. Era simplesmente assim. Nunca entendi Marla totalmente, só ficava feliz por poder acompanhá-la naquela jornada. Então quando descobri que ela nem sequer estudava naquela faculdade, não sei porque fiquei surpreso. Mas fiquei. 

"Eu não entendo." Falei. "Porque você fica por aqui?"

Ela deu de ombros. 

"Mas-" Fui interrompido quando uma unha comprida deslizou pela parte da frente das minhas calças e ela foi se ajoelhando lentamente. Quando Marla não estava afim de falar sobre algum assunto, fazia questão de ficar com a boca ocupada. E Marla não gostava muito de falar. 

Se eu passava um dia inteiro com ela, no final da noite o meu pau tinha mais batom do que nos lábios de uma adolescente insegura. 
Mas o jeito mais fácil para o coração de um homem, também é o mesmo jeito de fazê-lo perder metade de suas células cerebrais. Consequentemente, acabei perdendo muitos sinais vermelhos que devia ter notado sobre Marla. 

Por exemplo, como eu nunca vi ela comendo. Ela sempre tinha acabado de comer, ou estava se sentindo cheia. 

Ou que nunca dormia. Quando passava a noite lá em casa depois de termos trepado a tarde inteira, ficava apenas deitada na cama olhando para o teto. Eu acordava no meio da noite e a encontrava me encarando, com um olhar que se assemelhava muito com o de uma pessoa faminta. 

Me convenci que havia algo de errado com Marla no dia em que encontrei sua carteira de motorista. Deslizou para fora de sua bolsa quando a jogou com displicência na mesa da cozinha. 

Era uma foto de Marla, uma foto que parecia ter sido tirada ontem, mas a data de emissão do documento ela de 1979. Como alguém podia não envelhecer uma ruga em 30 anos?
Me pegou olhando e arrancou das minhas mãos. 

"Gostou da minha carteira falsa?" Perguntou, jogando o cabelo e passando a mão no meu peito. 

"Marla, como- oh."

Ela me empurrou com força e quando vi estávamos transando em cima da mesa. 

"Você é um filho da puta doente, sabia?" Sussurrou no meu ouvido, seus quadris se mexendo -se ritmicamente em círculos. 

Eu já havia esquecido sobre a carteira de motorista. 

Estávamos juntos faziam seis meses quando as coisas começaram a se revelar. 

"Marla," Comecei, enquanto ela quicava no meu colo, "Somos exclusivos?"

E então um barulho de estalo quando desgrudou a boca da minha. 

"Por que?" Perguntou. "Você quer transar com outras garotas?"

"Que? Não, eu só queria saber se eu sou o único que você está..."

"Fodendo?"

"Sim, fodendo."

"Sim." Falou enquanto deslizava os seus lábios pelo meu peito até chegar perto da minha cintura. 

"Então aonde você vai o tempo todo?" Perguntei. 

Ela parou e olhou para mim. 

"Tenho coisas para fazer." Disse secamente. 

"Que coisas?"

"Coisas." Falou monotonamente. "Você quer que eu termine ou não?"

"Ah, uh, sim."

Marla sorriu diabolicamente e sua cabeça começou a se mexer para frente e para trás com um incrível vigor. 

Eu sei que não devia ter seguido Marla, devia ter ficado feliz em estar tendo meu pau chupado com frequência. Mas as vezes a curiosidade obscurece nosso bom senso. Bem, minha curiosidade quase me matou.

O primeiro lugar no qual a segui foi ao banheiro. Ela foi em um privado para pessoas com deficiência física em um museu de arte, e ouvi a tranca ser fechada. Então, através da porta, o inconfundível som de vômito e logo depois o de descarga. Marla era bulímica? Não parecia ser algo que se encaixava na Marla que eu conhecia. 

Me escondi atrás de uma viga e depois que ela saiu, entrei no banheiro para investigar. Ela tinha conseguido acertar a maioria no vaso, mas por volta da borda haviam pequenas gotas de sangue na porcelana branca. 

Mas que porra é essa? Pensei. 

Então Marla foi para o hospital. A segui enquanto ela visitava dúzias de pacientes, a maioria em leito de morte. Depois de cada visita, encontrava um banheiro vazio e vomitava. Todas as vezes eu encontrava gotículas de sangue na tampa. Comecei a me preocupar com seu estado de saúde. Não me parecia concebível que alguém vomitasse toda aquela quantidade de sangue e continuasse vivo. 

Finalmente, segui Marla até um beco deserto. 

O que diabos ela está fazendo aqui? Pensei.

Mas ela só ficou parada lá, sem se mover. E então-

"Eu sei que você vem me seguindo." Disse. "Pode sair de trás dessa parede."

Dei um passo para o lado e ela se virou para me encarar. 

"Como descobriu?"

"Posso sentir seu cheiro, babaca." 

"Meu cheiro?"

"Ah, sim. Consigo sentir seu cheiro a quilômetros de distância. Foi assim que te encontrei. Acha mesmo que não posso senti-lo quando está atrás de mim?"

Dei uma fungada no meu sovaco. Eu não estava fedendo. 

"Do que você está falando?" Perguntei. 

"Você cheira como a morte." Falou, me encarando com olhos famintos. "Você é um filho da puta doente." 

"Você não está fazendo sentido nenhum. Sou eu mesmo o doente?"

Marla deu de ombros. 

"Consulte com um médico. Porque eu ligaria?"

"Que?" 

"Você não entendeu ainda? Estou me alimentando da sua doença. É o que eu faço."

É obvio que ela havia enlouquecido. 

Nos separamos depois disso, mas algo ainda ficou preso na minha mente. Será que eu realmente estava doente? Fui ao médico só para tirar esse peso da consciência. Quando meus exames de sangue voltaram, recebi uma ligação urgente para fazer uma nova marcação o mais rápido possível. Nesta consulta descobri que, por estimativa, eu já devia estar morto a mais de três meses. Uma ressonância magnética revelou que o câncer, um tipo raro e agressivo, havia se espalhado por todo meu corpo. Poucos dias depois eu já não conseguia andar nem me levantar. Estava por um fio. 
Liguei para Marla, apenas para me despedir. Comecei a dizer em qual hospital estava, mas ela me cortou. 

"Eu sei bem onde você está." Falou. "Posso sentir seu cheiro." 

Chegou lá cinco minutos depois, em ponto. Puxou as cortinas privativas do meu leito para o lado e foi tirando minhas calças. Fiquei feliz por seu entusiasmo em me ver, mas sabia que não havia jeito nenhum de que pudesse ficar de pau duro. Nossa, como eu estava errado; logo sua cabeça estava indo para cima e para baixo na minha virilha. Cai no sono depois, como sempre. Acordei com o barulho de vomito e de descarga, e me sentia cem por cento melhor. 

Marla voltou do banheiro e sentou no pé da minha cama, retocando o batom. 

"A maioria dos vampiros rouba vida." Explicou. "Eu roubo a doença. Mas tenho que me livrar das partes ruins. É aí que a parte do vômito entra." 

"Não consigo entender." Falei. "Você pode me manter vivo chupando... meu pau?"

"Que?" Falou em tom de surpresa. "Não, claro que não. Eu chupo a doença do seu sangue enquanto você dorme. Eu só chupo seu pau porque o cheiro da morte me deixa excitada." 

"Ah..."

"É..." Marla olhou para o teto. "Quer um cigarro?"

"Quero." 

Estou com Marla desde então, e deixamos todos os médicos de lado. Ela jamais envelheceu um dia e eu ainda não morri. Me formei na faculdade, nos casamos e nos mudamos para um pequeno apartamento perto de um hospital, onde ela faz algumas visitas para se alimentar. 

Antigamente eu achava que só existiam três melhores coisas na vida, mas acabei descobrindo que existe mais uma: Marla. 


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 


15/08/2017

Relâmpago

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Nós tínhamos acabado de nos mudar para uma casa de fazenda nos subúrbios. Um bairro digno de livro de histórias - vizinhos amigáveis, silenciosos, cercas de piquete e tudo mais. Basta dizer que isso deveria ser um novo começo para mim, um pai solteiro e meu filho de três anos. Um bom lugar para deixar o drama e estresse do ano anterior no passado.

Vi a tempestade como uma metáfora para este novo começo: um último show de teatro antes da sujeira do ano passado ser lavada. Meu filho adorou mesmo assim, mesmo tendo sido tão intensa. Foi a primeira grande tempestade que viu na vida. Flashes de relâmpagos inundaram os quartos vazios de nossa casa, transmitindo caixas descompactadas com longas sombras rastejantes nas paredes, e ele pulava e gritava quando os trovões rugiam. Já tinha passado da hora de dormir quando ele finalmente se sentiu confortável para ir pra cama.

Na manhã seguinte, encontrei-o acordado na cama e sorrindo. "Eu assisti o relâmpago da minha janela!", Anunciou com orgulho.

Algumas manhãs depois, me disse o mesmo. "Você é bobo", falei. "Não houve tempestade na noite passada, você estava sonhando!" "Oh..." Ele pareceu um tanto desanimado. Afaguei-lhe os cabelos e disse para não se preocupar, deveria haver outra tempestade em breve.

Então, tornou-se um padrão. Me contava como assistia o relâmpago ao lado da janela pelo menos duas vezes por semana, apesar de não haver tempestades. Sonhos recorrentes daquela primeira tempestade memorável, imaginei.

É fácil me odiar em retrospectiva. Todo mundo me assegura que não havia nada que eu pudesse ter feito, de jeito nenhum que eu pudesse saber. Mas eu deveria ser o protetor do meu filho, e essas são palavras inúteis de conforto. Revivo constantemente naquela manhã: fazendo meu café, despejando leite sobre meu cereal e pegando o jornal para ler sobre o pedófilo, as autoridades locais tinham acabado de prendê-lo. Era coisa de primeira página. Aparentemente, esse cara selecionava uma criança-alvo (geralmente um menino), vigiava sua casa por um tempo e tirava fotos instantâneas deles através da janela enquanto dormiam. Às vezes fazia mais. Meu estômago se embrulhou quando a conexão em minha cabeça foi feita.

Na época, era apenas algo da imaginação de uma criança. Em retrospectiva, é a coisa mais assustadora que já ouvi. Cerca de uma semana antes que o predador fosse pego, meu filho veio até mim usando seus pijamas. "Adivinha?", Perguntou ele.

"O que?"

"Não tem mais relâmpagos na minha janela!"

Eu entrei na dele. "Oh, isso é legal, ele finalmente foi embora, hein?"

"Não! Agora está no meu armário!"

Ainda não vi as fotos que a polícia coletou.

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 


14/08/2017

É só minha casa



Eu realmente não sei como começar esta história. Eu nunca fui do tipo escritor. Nunca o criativo ou artístico. Então me desculpo previamente pela minha falta de técnica. Sou um homem prático. Lógico, pragmático. De qualquer forma, eventos recentes me fizeram questionar esses fatos, e subsequentemente minha sanidade.

Apesar da minha escassez de talento literário, minha irmã é praticamente o contrário. Ela é repórter, tendo escrito para vários jornais do nosso estado natal, Ohio. Recentemente, ela conseguiu um emprego no Alasca e precisou de ajuda para transportar seus pertences para lá. Nós enchemos o porta-malas do seu Volkswagen com tudo o que pudemos e pegamos estrada. A viagem inteira pareceu surreal, tudo correu muito bem, sem nenhum problema sequer. Imagine, 4800km de estrada que passaram perfeitamente. Quando digo perfeitamente, não estou exagerando. Chegamos aqui em 4 dias. Encontramos hotéis que aceitassem gatos de imediato (trouxemos os dois gatos dela). Só vimos um policial a viagem inteira! Sem tráfego e clima agradável. Foi inacreditável.

Depois da viagem tranquila de carro e uma longa travessia de balsa, chegamos na casa dela nas primeiras horas da manhã. Como eu começo a descrever a casa? Isolada? É no meio de uma floresta nacional, sem vizinhos por quilômetros. Eu nunca tinha visto as estrelas tão claramente como vi naquela noite. É uma casa simples, um quarto e um banheiro. Tem uma pequena cozinha, uma sala de jantar e uma varanda na frente que animou minha irmã para relaxar nela. Estando tão exausta, ela decidiu ir dormir assim que chegamos. A casa estava completamente vazia, exceto por nossos computadores, um colchão de ar e comida. Minha irmã encheu o colchão em seu quarto e rapidamente adormeceu.

Algumas horas depois, me lembro de estar jogado no chão da sala de estar, com alguns travesseiros e cobertores embaixo de mim por algum conforto mínimo. Lembro de estar deitado, navegando no Reddit e ocasionalmente olhei para a lua através da janela. Enquanto lia possíveis soluções para o Paradoxo de Fermi, escutei o que só posso descrever como estática. Era quase como uma rádio fora do ar, estalando por aí. Estava vindo de fora da casa, do lado esquerdo, o lado da janela. Cheio de curiosidade, me levantei e me aproximei da parede. O barulho sumiu quando cheguei. Olhei para fora e não havia nada. Silêncio. Presumi que era culpa do meu cansaço, por não ter dormido. Nós estivemos na estrada por um longo tempo.

No dia seguinte, acordamos cedo e decidimos fazer turismos. Fomos em um passeio de bote e vimos águias e baleia. Almoçamos em um restaurante local e fizemos muitas compras. Foi um dia incrível. Voltamos para a casa dela (a alguns quilômetros da cidade) de tarde e resolvemos assistir ao último episódio de Game Of Thrones. Depois de uma hora de televisão, fizemos o jantar. Acabamos por comer um espaguete pré-cozido com molho de tomate. Delícia! Depois da nossa “festa”, minha irmã resolveu desmaiar. Ela se arrastou até seu colchão de ar e dormiu quase instantaneamente, para não perder o costume.

Nem uma hora depois que ela dormiu, escutei o familiar barulho de estática vindo do exterior de novo. Muito mais alto dessa vez. Pareciam haver pequenos murmúrios nela. Eu pulei e corri até a janela, só para ouvi-la desaparecer. Determinado a encontrar a fonte do ruído, calcei meus sapatos e agarrei uma lanterna. Evitando acordar minha irmã, saí pela porta da frente o mais quieto possível.
Então lá estava eu.  No breu, com uma lanterna, andando por fora da casa no meio do nada, procurando por um inexplicável barulho de estática. Depois, talvez uns 15 minutos de procura inútil, perdi as perdi as esperanças de saciar minha curiosidade. Antes de voltar para dentro e continuar minha pesquisa na internet, resolvi fumar um pouco de maconha. É legalizada no Alasca, e como eu disse, fizemos turismo aquele dia. Parado na varanda de madeira, fumando por prazer, observando as estrelas claras como nunca... E eu ouvi.

A estática! Estava vindo do outro lado da casa! Liguei minha lanterna e corri o mais rápido que pude, permanecendo próximo às paredes. Chegando aos fundos, ouvi a estática claramente, originada na densa floresta. Desliguei a lanterna e tentei focar apenas no barulho. Enquanto eu estava atentamente escutando e focando na fileira de árvores, vi uma fraca luz vermelha. Uma pequena, pulsante luz vermelha. Não mais que 30 metros dentro da floresta. Parecia vir de perto da origem da estática. Nesse ponto, aterrorizado, eu disparei até a porta da frente, a batendo e fechando o trinco. Me atirei no quarto da minha irmã, gritando “Elana, ELANA, acorda!”. Minha irmã não ficou feliz em me ver, nem em ouvir minha história. Não dando tempo a ela pra reclamar por ter sido acordada, expliquei o que aconteceu. Ela estava muito cética. Pensou que ou estava brincando, ou tinha fumado muita maconha, ou simplesmente havia perdido a cabeça para o cansaço. Ela estava irritada e queria ir para fora ver o mesmo. Eu não deixaria.

Bom, deixe-me explicar. Eu e minha irmã somos MELHORES amigos. Ela sabe o quanto sou racional e me escuta quando digo as coisas. De qualquer forma, o jeito que ela se comportou durante o incidente foi muito peculiar. Eu esperei que ela endoidasse, ligasse para nossos pais, para a polícia, ligasse todas as luzes. Ela não fez nada disso. Abriu a porta da frente, espreitou para fora, a fechou e trancou, andou até a janela, abriu, foi buscar um copo d’água e o derramou para fora sem tomar uma gota e voltou para a cama. Assustado o suficiente, eu passei a noite inteira assistindo Netflix, alerta para barulhos estranhos. Nada mais aconteceu aquela noite, graças a Deus.

O dia seguinte aconteceu como planejado, sem ocorrências bizarras. Compramos coisas para sua casa, fomos para seu novo trabalho e conhecemos todo mundo, fizemos mais coisas de turistas, etc. Compramos uma TV para a sala. Decidimos jogar um pouco de Xbox enquanto escurecia. Eu tive pensamentos sobre a noite anterior o dia todo. É estranho. Eu estava horrorizado com a possibilidade de acontecer de novo, mas uma pequena parte de mim desejava isso. Queria descobrir, pelo meu bem. Eu esperava que Elana ouvisse também, que eu não estivesse temporariamente louco. Meu plano falhou, e depois de 2 horas jogando Call Of Duty, ela foi dormir. Em sono profundo em seu quarto; comigo, suficientemente no limite, tentando me distrair na sala.

Lá pelas 3 da manhã, meu navegador foi interrompido novamente pela estática. Eu imediatamente fui até o quarto da minha irmã e a acordei. Perguntei “Você está ouvindo isso? É o que eu tenho ouvido! Você consegue ouvir?”. – “Sim” ela respondeu. Eu não sei se isso deveria ter me assustado mais ou me acalmado. Me relaxou, mas também me deixou aterrorizado. Ela calmamente disse “Vamos lá fora descobrir isso”. Relutante, eu concordei. Se minha irmã está disposta a fazer algo e não está assustada, não há razão para que eu esteja. Certo? Calcei meus sapatos e peguei a lanterna. Elana pegou a lanterna da minha mão e a colocou de volta no balcão. “Não precisamos disso”, ela declarou. Confuso, a segui para a porta da frente. A destrancou, abriu lentamente e saiu por uma fresta. Assim que a porta estava completamente aberta, minha irmã havia sumido. Ela desapareceu por aquela fresta mais rápido do que eu jamais havia visto ela se mover. Descalça e de pijama, direto para a noite. Perdendo ela de vista quase imediatamente na escuridão, eu me virei e peguei a lanterna, só então a seguindo pelo quintal escuro. Me senti obrigado a correr para os fundos da casa. Eu lentamente rodeei o canto para os fundos e encontrei Elana.

Parada no breu, encarando a casa, calada e completamente imóvel. Confuso, assustado e pulsando pela adrenalina, gritei “Elana, que porra está acontecendo? QUE PORRA VOCÊ ESTÁ FAZENDO AÍ?”. Ela se voltou para mim e respondeu indiferente “Zach, relaxe, é só minha casa.” – “Que caralho você quer dizer com ‘é só sua casa’?”, eu berrei. “Não há com o que se preocupar, Zach, vamos voltar para dentro.”, sussurrou. Completamente perplexo, fiquei sem palavras. Ela andou serenamente de volta à frente da casa, comigo seguindo seus passos, girando a lanterna para todos os lados.

Assim que entramos de volta em casa, eu estava muito irritado. Eu queria ligar para a polícia. Queria ligar para nossos pais e dizer que algo estava errado. Queria sair daquela casa. Mas esse era o novo lar da minha irmã e não podíamos fazer nada disso. Elana estava dizendo que nada estava errado. Ela eventualmente me convenceu depois de uma hora conversando. Ela não mencionou nenhuma vez sequer a estática lá fora ou o que quer que tivesse sido aquilo. Para meu horror, ela decidiu ir dormir. Ela voltou para a cozinha e encheu um copo d’água. Então derrubou a água de novo, sem tomar um gole, e disse “Boa noite, Zachary”. Ela nunca havia me chamado de Zachary. Nenhuma vez.

Desnecessário dizer que ela não dormiu muito tempo. Depois de 30 minutos que ela deitou, escutei a estática. Mais alto que antes. Enlouquecido, a acordei de novo. Nós mutuamente decidimos não ir para fora. Ficamos na janela, mantendo vigilância na floresta lá fora. Minha irmã, inexplicavelmente calma, e eu, beirando o terror. Enquanto a estática oscilava entre um tom agudo e outro grave, vi a pequena luz vermelha novamente. A pequena e brilhante luz vermelha, bem entre as árvores. De repente, a estática parou e a luz virou um sólido e vermelho farol na floresta. Pareciam haver figuras se movendo em torno da luz. Eu não posso descrever com precisão o que era, porque estava muito escuro. Minha irmã estava impassível, encarando a noite. Eu me lembro de olhar para ela e ver seu olhar nulo. Até que me afundei na luz novamente.

Peguei meu celular para ligar na polícia e não tinha serviço. O que me assustou pra caralho, porque tínhamos serviço lá o tempo todo, até usamos ele para o computador. Abri a câmera para tentar filmar a luz e meu celular desligou subitamente. Estava completamente carregado. Depois do que pareceu uma hora mas pode não ter sido mais de um minuto, a luz vermelha lentamente desapareceu. Minha irmã estava muito calma sobre a situação. Logo que sumiu, ela disse “Viu? Sumiu. Não há com o que se preocupar. Vamos dormir”. Muito assustado para ficar sozinho, eu deitei com ela no colchão de ar, que adormeceu quase imediatamente. Me deitei próximo a minha adormecida irmã, tentando pensar em qualquer explicação plausível.

Nada. Não há nada que explique o que eu vi.

Antes que eu percebesse, era de manhã.

Depois dessa terrível e estressante noite, é hora de voltar pra casa hoje. Estou no aeroporto agora para minha conexão in Seattle. Estou assustado, confuso, triste, preocupado e um mix de outras emoções. Antes de deixar o Alasca, implorei que minha irmã viesse comigo. Eu aleguei “Elana, alguma coisa está errada. Você deveria vir para casa comigo, ou encontrar outro lugar para morar. Não fiquei naquela casa sozinha. Tem alguma coisa que não está certa lá”. O que ela respondeu me petrificou. Depois de horas pensando sobre aquilo, eu ainda não entendi o que Elana quis dizer. Indiferente, ela olhou para mim suavemente e respondeu “Zachary, está tudo bem. É por isso que estou lá. É só minha casa”.


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avisa! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!



13/08/2017

Marcas de nascença

Você sabia que algumas pessoas têm marcas de nascença?

Bem, essas marcas foram feitas quando Eles tentaram roubar você de seus pais e trocar você com uma das réplicas Deles.

Se você tem uma marca de nascença, significa que Eles falharam.

Se você conhece pessoas que não possuem uma, eu não confiaria Nelas.