02/12/16

SETEALÉM

Olá creepers queridos do meu coração! O blog anda meio parado, eu sei, vocês já sabem que eu tô sofrendo com minha tendinite, mas estou fazendo o que posso para manter aqui atualizado. 

Então, esses dias eu estava em um grupo do Facebook quando me deparei com um relato do Luciano Milici, que é escritor e roteirista, mas desta vez ele não estava lá para escrever um conte de ficção, e sim contar uma história real que havia acontecido com ele nos anos 90. Ele contava sobre como quase foi parar em um tal lugar desconhecido chamado "Setealém". Anos depois, ele criou uma comunidade no orkut com o mesmo nome do lugar, mas sem colocar nada muito especificado, como conta em seu relato, para ver se mais pessoas haviam passado pelo mesmo que ele. E deu certo. 

Hoje eu trago o relato original de Luciano, dois relatos que ele havia salvo da comunidade do orkut e mais um de uma amiga pessoal minha. Luciano me disse que em breve ele terá acesso ao seu antigo HD para postar mais relatos que salvou no passado. Assim que tiver acesso, postarei aqui também. 

Aliás, quando você procura sobre Setealém no google, você não encontra nada a respeito, apenas alguns livros em latim com palavras similares, mas nada que fale desse lugar em especifico. Mas mesmo assim, as pessoas parecem já ter visitado ou conhecido esse lugar. Eu mesma, Divina, tenho a impressão de já ter ouvido falar desse lugar alguma vez na minha vida. 

Ok, chega de enrrolação. Se você já foi em Setealém, conhece alguém que foi ou passou por alguma situação parecida de universo paralelo, comente aqui! 

Ps: Os relatos podem ter sido levemente editados para mais fácil entendimento do leitor. 

***

RELATO DE LUCIANO MILICI.

"Estou até com medo de contar isso aqui.

Na década de 90, eu voltava da faculdade diariamente por uma avenida movimentada e sempre pegava qualquer ônibus que descesse a tal avenida. Não importava o ônibus, porque o importante era chegar perto do metrô que ficava no final da avenida.

Num certo dia, peguei um ônibus qualquer, lotado e comum, como sempre fazia na avenida e segui. O trajeto costumava levar meia hora e eu aproveitava para ler. Em dado momento, uma mulher me cutucou e disse "Você não vai para SeteAlém, vai?". Eu, confuso, não entendi nada. Ela voltou a falar "Esse ônibus vai para SeteAlém. É melhor você descer". Eu sorri para ela e olhei para os lados. Juro. Todo mundo tava me olhando.

Outra mulher falou: "É, vai desce, moço". Um cara acenou positivamente com a cabeça "Desce aí". O cobrador gritou para o motorista "Vai desceeeer!". O ônibus parou e eu, obviamente, desci sem entender nada e até meio acuado. Faltavam alguns quarteirões para o metrô e eu tive de andar. O ônibus - aparentemente idêntico aos demais - virou à direita em uma rua estreita e subiu uma ladeira de paralelepípedos. Trajeto estranho.

Nunca mais encontrei aquelas pessoas ou presenciei esse comportamento estranho num ônibus daquela avenida. Na época do Orkut, montei uma comunidadade sobre o tema, mas sem dar detalhes para não influenciar. Queria ver se meu "delírio" fazia sentido. Duas dúzias de pessoas do país todo contaram histórias muito parecidas.

Um cara disse que entrou no banheiro de um shopping e saiu - segundo ele - em um shopping diferente, localizado em SeteAlém. Disse que passeou por esse shopping e descreveu pontos muito estranhos. Depois, ele disse que retornou ao banheiro e se viu de volta ao shopping original.

Uma garota do nordeste contava que algumas pessoas da cidade dela que trabalhavam como office-boys nas ruas, se perdiam nesse "bairro chamado SeteAlém", depois voltavam e não conseguiam mais achar o local estranho.

Várias pessoas postaram testemunhos dizendo que era comum, acidentalmente, pessoas transitarem daqui para lá e de lá para cá. Diziam que isso podia explicar alguns desaparecimentos também. Não sei.

Só sei que sempre sonho com esse local, desde então. Juntei todos os relatos e apaguei a comunidade quando ela se desvirtuou em histórias genéricas de terror e ficção, porém, guardei tudo o que foi falado, bem como os contatos de quem falou."

***

RELATO DE JÚLIO, PORTO ALEGRE - RS

“Meu nome é Júlio, trabalho em uma academia em Porto Alegre. Fiquei feliz por ver essa comunidade porque esse maldito nome não me sai da cabeça.

Há seis meses, fui com a minha namorada ao cinema. Fomos comemorar dois anos de namoro. Fizemos aquele programa básico: jantamos no shopping e depois fomos assistir ao filme. Assim que saímos da sessão, caminhamos pelos corredores para olhar as vitrines. Minha namorada disse que iria comprar uma bolsa e me pediu para esperá-la próximo a uma revistaria. Desconfiei que ela queria me fazer uma surpresa de namoro, concordei e fui olhar algumas revistas da banca. Disse a ela que a aguardaria lá e ela retrucou dizendo que não demoraria.

Assim que ela se afastou, fui ao banheiro que ficava exatamente no corredor em frente à revistaria. Havia quatro ou cinco pessoas no local que é bem grande. Todos os mictórios, porém, estavam ocupados e, por isso, fui a um reservado. Jogo rápido, nem cheguei a travar a porta. Tirei meu celular do cinto e o coloquei sobre uma apara de madeira.

O mais estranho é que não fiquei nem dois minutos dentro do reservado. Ouvi risos de crianças no banheiro e conversas. Assim que terminei de urinar, saí. Não sei se consigo descrever, mas já havia algo estranho no banheiro. Não sou muito de reparar em detalhes. Minha namorada é. Ela é virginiana. Apesar disso, notei que algo havia mudado. Começando pelas luzes que estavam amareladas e não brancas. Muito amareladas, quero dizer. Uma faixa verde bem grossa cruzava a parede e os espelhos estavam menores. Não havia ninguém lá dentro. Nem as crianças que haviam gargalhado há poucos segundos.

Lavei as mãos e achei que estivesse ficando louco. Para mim, a água estava meio morna e muito, muito grossa. Nojenta, para falar a verdade. Procurei por papel e não encontrei. Saí balançando as mãos para secarem no ar.

Fora do banheiro, achei que fosse desmaiar. Achei que havia saído pela porta errada ou entrando em algum corredor novo. Bom, pelo menos, foi o que tentei acreditar.

O shopping estava parecendo, na verdade, uma galeria. Ainda era um shopping, conceitualmente, mas estava bem mais velho e desgastado. A luz era fraca e as lojas pareciam amontoados de produtos. Tudo muito feio.

Andei acelerado até uma área mais aberta e tive a certeza de que não estava mais em um lugar conhecido. Nada era parecido com o que eu já havia visto em algum lugar na minha cidade ou até na televisão. Começando por pequenos detalhes que me assustaram. Havia uns aquários do tamanho de latas de lixo espalhados em todo lugar. Dentro desses aquários, eu identifiquei uma espécie de pano, sei lá, parecia um pedaço de cobertor roxo que ficava se mexendo dentro desses aquários. As pessoas iam até esses aquários e colocavam as duas mãos em cima e começavam a rir! E eram risadas feias, como se tossissem com o peito cheio de catarro. Fiquei parado, olhando para esses aquários. As pessoas vinham em grupos de dois ou três, encostavam e riam. Mexi a cabeça para os lados rapidamente procurando minha namorada. Tudo o que eu queria era entender o que estava acontecendo e ver um rosto conhecido.

As pessoas passavam por mim e me ignoravam. Eram parecidas com pessoas normais, mas ainda assim, não eram totalmente normais. Elas eram parecidas ENTRE ELAS também. Não idênticas, como gêmeos. Não sei explicar. É como quando você viaja para um país diferente onde as pessoas têm traços parecidos, mas também têm traços particulares.

Ah, e a revistaria não estava mais lá.

No local, um homem vendia peças ou algo assim. Ele tinha uma mesa grande de madeira rústica com vários objetos pretos que pareciam ser de ferro. Os objetos tinham formatos estranhos: ganchos, ferraduras e engrenagens. Cheguei perto e ele perguntou se eu ia trocar ou comprar. Eu não respondi.

Uma menina de, mais ou menos, sete anos, se aproximou e pegou uma peça de ferro que parecia uma colher negra e mostrou para a mãe dela. A mãe se aproximou e pegou uma carteira para pagar. A garota apontou a colher para mim e eu pude ver bem seu rosto. Era normal, mas também tinha algo de muito estranho. Não sei se eram as sobrancelhas ou a distância dos olhos. Senti um medo inexplicável. O olhar da menina passava uma maldade sem tamanho.

O homem respondeu para ela:

- Não, não, ele não vai comprar, pode pegar. Acho que ele nem é daqui de Setealém.

A mãe me olhou com nojo. Tomou a colher da menina, colocou de volta na mesa e puxou a filha pra longe de mim, como se eu tivesse uma doença. Comecei a ficar tonto e me sentei em um banco de madeira que era muito parecido com os bancos normais de shopping, exceto que esse era bem mais baixos e só acomodavam uma pessoa. Vi outros bancos desses naquele local.

Um som alto tocou e todo mundo parou e olhou para cima. Era um barulho alto e grave como aquelas buzinas de navio que a gente vê em filme. Depois que o som parou, todos retomaram seus caminhos.

Pensei na minha namorada e na minha mãe. Aquilo só podia ser um sonho. Levantei rápido e fiquei tão tonto que precisei me apoiar em uma vitrine que, falo de todo o meu coração, vendia pombas vivas. Pombas! Umas dez pombas andavam por lá, tentavam voar e se bicavam atrás da vitrine de vidro. Gritei.

As pessoas começaram a me olhar e a apontar para mim. Cochichavam.

Decidi ligar para minha namorada. Coloquei a mão no cinto e meu celular não estava mais preso a ele. Eu havia esquecido na apara do reservado. Voltei pelo corredor e entrei rapidamente no banheiro. Três homens estavam sentados no chão do banheiro. Um deles, debaixo da pia. Conversavam algo que eu não quis nem saber. Pulei por cima deles e entrei no reservado.

Meu celular ainda estava lá. Tranquei a porta, sentei no vaso e tentei ligar para minha namorada, mas não consegui. O aparelho estava simplesmente apagado. Apertei os botões com força, mas não adiantou. Ouvi risos de crianças novamente. Fiquei lá uns dez minutos, até que alguém bateu na porta. Era o rapaz da revistaria. Ele disse que havia me visto entrar no banheiro e que minha namorada já estava me aguardando na banca dele. Ele perguntou se eu estava passando mal ou algo do gênero.

O banheiro estava claro e o shopping estava normal. Minha namorada não acreditou em mim, mas viu que eu estava realmente muito nervoso. Foi o pior dia da minha vida. Estraguei nossa comemoração passando mal do estômago horas depois.
Não voltei ainda ao shopping e estou pensando seriamente em fazer terapia. Eu achei que tinha ficado louco até achar essa comunidade com o mesmo nome dito pelo homem daquela banca bizarra. Setealém. Deus me livre existir um lugar daquele."

***


RELATO DE ANTÔNIA, 40 ANOS, ENFERMEIRA.

“Aconteceu nessa semana, pessoal. Eu tava vendo televisão. Minha filha, Patrícia, de 7 anos, estava brincando na sala. Ela fez um risco em um papel e falou:

- Mamãe, falta isso de dias pra eu ir na festa na casa do papai!

Ela estava certa. Faltava um dia para a tal festinha. Antes que eu falasse algo, o telefone tocou. Bem na hora da novela! Atendi com raiva. Principalmente porque a extensão da sala estava quebrada e eu tive que atender no meu quarto. Era um homem com voz estranha. Muito grossa e áspera.

- Senhora Antônia? A senhora é mãe da menina Patrícia?

- Sim, sou eu. Quem quer saber?

- A senhora precisa ir até a escadaria do condomínio buscar sua filha.

- Escadaria? Que escadaria? Qual condomínio?

- Eu não sei, senhora. Ela não estava vestida com uma camiseta verde quando desapareceu? A

senhora pode ir até a escadaria do condo...

- Camiseta verde? Minha filha nem tem camiseta verde, seu maluco! Escuta aqui. Vou ligar para a polícia, tá? Minha filha tá aqui na sala comigo. A gente mora em sobrado e não em condomínio. Fica passando trote a essa hora, seu...

O homem desligou.

Corri até a sala e Patrícia estava lá, quietinha com seu caderno e um monte de giz de cera.
Ontem, mandei a Patrícia para a casa do pai dela, para a festinha. Coloquei nela uma blusinha cor de rosa e uma jaqueta por cima. Meu ex-marido me trouxe ela de volta à noite. Patrícia me agarrou muito forte quando me viu. Perguntei se tudo tinha ido bem, ele disse que antes de trazê-la, passou no prédio da nojenta da nova namorada dele e que a Patty derrubou suco na blusa e, por isso, ele precisou pegar uma camiseta emprestada da filha da namorada dele.

Isso mesmo, minha filha estava com uma camiseta verde.

Quis saber se tinha acontecido algo de estranho além disso, ele respondeu que não. Falou que Patrícia saiu da festa toda feliz, mas que na volta ficou estranha e séria. Realmente, minha filha estava muito esquisita.

Quando ele foi embora, tentei conversar com Patty, mas ela não se abriu de início. Insisti muito e ela contou que quando desceu as escadas do prédio da namorada na frente do pai, ela se perdeu e foi parar em um outro prédio chamado Setealém. Ela disse que ficou chorando alto e chamando pelo pai, até que um homem bonzinho, com olhos amarelos, pegou ela e levou pra casa dele.

- Credo, filha, que história maluca é essa? Você não se perdeu do seu pai, não. Ele te trouxe! Tá tudo bem – falei, com a nuca gelada.

- O homem bonzinho com olho amarelo telefonou pra cá, mamãe, mas você disse que pra ele que ia chamar a polícia e que eu tava aqui com você e ele desligou. Depois, ele me mandou descer a escada do prédio de novo e o papai me encontrou.

Somente agora pouco, antes de eu entrar no Orkut, é que minha filha veio me mostrar uma folha de papel com sete riscos. Perguntei o que era aquilo e ela falou:

- Foi isso de dias que eu fiquei na casa do homem, longe de você, mamãe.

Não sei o que dizer. Minha filha passou apenas algumas horas longe de mim, mas consegue contar com convicção cada um dos detalhes dos sete dias em que ficou hospedada na casa do homem bonzinho de olhos amarelos que mora em Setealém.

***
RELATO DE LAURA, 23 ANOS.

Cara, eu e minha irmã estamos surtando aqui pois temos certeza que já fomos parar nesse lugar!

No segundo semestre de 2014 eu morava em Florianópolis com ela e minha prima. Meu primo foi passar umas semanas lá e decidimos voltar de carro com ele pra São Paulo. Chegando próximo a Curitiba, o waze jogou a gente numa rota que parecia ser mais rápida, pegamos quando tava começando a anoitecer. 

De início estava tudo ok, mas conforme a gente foi seguindo, a estrada ficou MUITO sinuosa, cercada de mato, não tinha acostamento nenhum e nenhum carro próximo da gente. Depois de mais de uma hora só fazendo curvas e curvas e curvas, começaram a aparecer vários caminhões passando muito perto de nós. O GPS perdeu o sinal, não tinha área e a bateria de todo mundo acabou. Só a do celular ligada ao carro tava funcionando. Todo mundo começou a ficar apavorado dentro do carro porque, segundo o waze, seguiríamos 8 horas por essa rota até chegar em Sorocaba.

Depois que os caminhões sumiram, ficamos sozinhos de novo na estrada. Começamos a sentir muito cheiro de queimado, parecia que vinha de dentro do carro, mas nenhuma fumaça aparente. Chegamos em um trecho onde havia um pouco de mato cortado, decidimos parar. Quando saímos do carro, cara, sério, o céu tava uma coisa absurda, nunca vi um céu daqueles! A gente ficou muito tempo lá olhando porque parecia aquelas fotos de constelação. Só que me deu uma sensação MUITO ruim, e eu comecei a ter crise de ansiedade, pedi pra sairmos dali. 

Seguindo o caminho, passamos por um carro carbonizado, e todo mundo começou a achar que era o nosso carro e que tínhamos morrido num acidente e que a gente ia ficar presos naquela estrada para sempre. Depois desse carro, começaram a aparecer pessoas andando sozinhas pela estrada. A cada km uma ou duas pessoas vagando. E a gente tava no meio do nada! Ficávamos nos perguntando "o que essas pessoas estão fazendo vagando de madrugada nessa estrada?". Depois de quase 5 horas assim, chegamos no que parecia ser uma cidadezinha. Muito esquisita, muito escura, com muitas pessoas andando pela rua. Avistamos um bar onde haviam pessoas sentadas na frente e resolvemos parar pra usar o banheiro e nos acalmar.

Estacionamos o carro, atravessamos a rua e fomos pra esse bar. Chegando lá, todas as pessoas ficaram encarando a gente de uma maneira muito esquisita. minha irmã, minha prima e meu primo foram no banheiro, fiquei sozinha esperando, e as pessoas não paravam de me olhar! Decidi sair do bar e esperar na porta, onde tinha uma mesa com 4 pessoas, três caras e uma garota que parecia ter a minha idade. Eles começaram a falar sobre mim, me apontar, e fui ficando cada vez mais desconfortável. 

Os três voltaram do banheiro dizendo que era tudo muito esquisito, que tinham vãos imensos nas cabines e que dava pra conversar com quem tava no banheiro masculino do feminino e vice-versa. Minha irmã comprou água, energético e umas balas. O dono do bar atendeu a gente sem falar nada, de uma maneira muito seca. Voltando para o carro, contei da mesa da menina que ficou falando de mim, e eles continuaram lá, olhando pra gente daquela maneira esquisita. 

Voltamos para estrada e depois de mais uma/duas horas chegamos em Sorocaba. só lá o sinal do celular voltou, meu celular ligou e tinha quase metade da bateria, e era por volta das 21h. a gente perdeu noção total do tempo porque tínhamos certeza que era de madrugada.

No dia seguinte fui pesquisar sobre a estrada. É a estrada do ribeira, uma das piores do estado, rolam muitas mortes por lá, e só é usada por caminhões praticamente. O lugar todo é praticamente ribanceira. 

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E AÍ? Já foi parar sem querer no Setealém?


24/11/16

NOVA SÉRIE: Compilação Sobrenatural (PARTE 1)

TINHA DADO ERRO NO HTML! JÁ ARRUMEI! 

Olá Creepers! Vocês se lembram das séries de compilação de falhas no Matrix que eu fiz e as compilações de lendas urbanas que a Adriana fez? Então, estarei fazendo novas compilações de relatos sobrenaturais que estou coletando e traduzindo em fóruns estrangeiros (reddit). São histórias reais que aconteceram com pessoas reais. O post original tem mais de dez mil comentário (sim, você leu certo!), mas vou trazer aqui para o blog as mais interessantes que eu encontrar. Não sei quantas partes exatamente farei, provavelmente até vocês enjoarem, hahahah! Se algo sobrenatural já aconteceu com você, comente, assim sua história poderá aparecer na próxima compilação. Espero que gostem.
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SOBRENATURAL
(adj.)




  1. Miraculoso; só conhecido pela experiência da fé.
  2. Sobre-humano; que não se consegue alcançar, atingir naturalmente: esforço sobrenatural às questões humanitárias.
  3. Extranatural; que vai além do natural, do comum: forças sobrenaturais.
  4. Fenômeno não comprovado cientificamente.
  5. Aquilo que se expressa ou ocorre extraordinária e maravilhosamente.

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Em 2007 meu avô finalmente perdeu sua batalha de 20 anos contra a Leucemia. Minha vó não lidou bem com isso, ainda mais ficando sozinha na casa onde eles haviam morado juntos por 60 anos.
Nós transferimos a vovó para uma casa de repouso alguns meses depois, e por razões do seguro (propriedade desocupada), meus pais perguntaram para mim se eu poderia me mudar para a casa e cuidar de lá, assim também finalmente sairia da residência de meus pais. Concordei sem pensar duas vezes. 

Lembro que coisas estranhas começaram a acontecer já logo após seu falecimento. O retrato dele que tínhamos pendurado em um quadro na parede de nossa sala caiu do gancho. Porta-retratos com a foto dele caiam para frente durante a madrugada. Eu não ligava muito pois achava que minha vó que estava fazendo isso. 

Antes de me mudar, minha família conseguiu uma caçamba para podermos limpar algumas bagunças que haviam ficado para trás. Como passamos o dia inteiro faxinando e era verão, trouxemos nossa cadela para passar o dia com a gente. Meu avô amava esse cachorro com todas as forças. Mas desde o falecimento, a cadela não ia mais lá no porão, que era onde meu avô passava a maior parte de seu tempo, no escritório. Ela se recusava descer no porão de qualquer forma, e latia algumas vezes para as escadas. 

Isso era bem estranho, sendo que ela raramente latia. Foi aí que pensei pela primeira vez "ele está aqui". Me mudei para lá pouco depois. Enquanto morei lá, coisas sumiam o tempo todo. Eu havia comprado novas fechaduras para a porta dos fundos, e deixei-as em cima da mesa de café para resolver aquilo no final de semana. Alguns dias depois quando fui fazer a instalação das fechaduras, elas haviam sumido. Depois de procurar por uma semana, finalmente encontrei na traseira da caminhonete do meu tio que estava guardada na garagem (eu estava procurando no meu carro e achei por acidente). Meu avô sempre foi de fazer piadas e brincadeirinhas desse tipo, então eu já esperava esse tipo de coisa. 

Ele costumava acordar todos os dias as 05:30 para ouvir as notícias matinais no rádio da cozinha. Eu acordava alguns dias de manhã e o rádio estava ligado. Com frequência, eu ouvia barulho de digitação na máquina escrever lá no escritório do porão. Tudo isso se tornou bastante reconfortante. Comecei a falar em voz alta com ele. Ter conversas com ele. Eu sentia muita saudade. Depois de mais ou menos 6 meses, repentinamente os barulhos pararam. Nada mais sumia. O rádio não se ligava mais as 05:30. 

Deixei isso para lá por um tempo, mas comecei a ficar preocupado. Fui até a casa dos meus pais e peguei nossa cachorra para passar um dia lá comigo. Ela estava apreensiva no começo, mas entrou na casa. Mas havia um problema. Como dito antes, todas as vezes anteriores que ela viera aqui, se recusava a descer no porão. Mas desta vez ela desceu e foi direto para o escritório. Não havia nada diferente lá, mas ela não latia. Não caminhava para lá e para cá. Não fazia nada, na verdade. 


Foi aí que percebi que finalmente ele havia partido. Isso acabou comigo. Me senti incrivelmente sozinho. Mesmo que já fizessem mais de 8 meses do seu falecimento, foi a primeira vez que senti o peso de sua partida. 

(rcamp350)
***
Os momentos mais assustadores da minha vida aconteceram enquanto eu acampava com um amigo meu no leste do Canadá. Nós decidimos dormir neste acampamento abandonado que havíamos encontrado no meio de uma enorme floresta perto da cidade em que morávamos. Existia a tanto tempo que árvores pequenas já estavam começando a crescer por ali. Tínhamos nos deparado com aquilo enquanto explorávamos a área alguns meses antes e achamos que seria legal (e corajosíssimo de nossa parte) passar uma noite ali. Então naquele final de semana nós fomos. 

Chegamos lá depois do anoitecer pois tínhamos nos perdido enquanto tentávamos encontrar o acampamento. Nossas lanternas eram bem vagabundas, o que tornou o processo mais difícil. Quando finalmente encontramos, abrimos a porta enferrujada do alojamento e entramos. Os sons lá dentro ecoavam e ficavam bastante agudos. Haviam artigos típicos de acampamento espalhados como copos, latas vazias e livros apodrecidos. 

Já cansados, fomos para um canto do alojamento onde originalmente ficavam as camas, antes dos colchões apodrecerem até virarem nada. Um corredor se alongava até o outro lado, então podíamos ver todo o resto do lugar. 

Foi uma noite desgraçada. Haviam muitos ratos morando lá. Eu via os bichinhos nos observando das partes mastigadas do teto. Quando ventava lá fora, a estrutura balançava e gemia. Até achamos que havia um urso lá fora, circulando o local. Ainda assim, mantemos a pose e fingimos que estava sendo divertidíssimo. Mas estávamos no limite. 

Em algum momento da noite acordei do meu sono desconfortável. Me sentei para me ajeitar quando percebi uma movimentação pelo canto do meu olho. No outro lado do alojamento, onde havia uma pequena janela, vi a silhueta de um homem. Ele estava claramente olhando diretamente na minha direção. 

De primeira eu achei que poderia ser uma árvore com um formato estranho ou algo do tipo. Mas quando me movimentei para olhar melhor, a pessoa claramente percebeu e congelou no lugar. Meu coração estava disparado e acordei meu amigo imediatamente, sussurrando "tem alguém aqui" várias vezes, sem tirar meus olhos da janela. Ele acordou imediatamente e concordou enquanto olhava a janela. 
Meu amigo também o viu. Ficamos discutindo entre sussurros quem poderia ser e porque estava nos olhando. E nos dez minutos seguintes, sem brincadeira, ficamos olhando-o também. Quanto mais olhávamos, mais apavorados ficávamos. Ele se mexia ocasionalmente, mas sem tirar os olhos da gente. Em um momento eu até gritei "Hey!". Sem reação. 


Meu amigo foi mais corajoso que eu e apontou a lanterna em sua direção. Foi aí que percebemos nosso terrível equívoco. Não era uma janela que estava do outro lado do alojamento. Era um espelho. Estávamos olhando para nós mesmos desde o começo. Idiotas por completo. Ainda assim, foram os momentos mais aterrorizantes e engraçados da minha vida. Acho que foi o mais próximo que já cheguei do sobrenatural.
(hyperboledown)

***
Antes de tudo, serei o primeiro a dizer que isso tudo pode ter acontecido somente na minha cabeça... a mente humana é bizarra e pode fazer joguinhos loucos com você. Já peço desculpas por ser um relato tão longo.... Bem, quando eu ficava com medo quando era criança, meu pai costumava dizer que na vida você não devia ter medo dos mortos... são os vivos que podem te machucar de verdade. 

No final da adolescência eu ganhei uma quantia de dinheiro quando meu pai cometeu suicídio e recebi sua herança. Na época do falecimento, meu pai e minha mãe tinham uma cabana em Mount Bachelor, Oregon. A cabana foi colocada à venda, sendo que minha mãe não estava conseguindo lidar com os custos e os alugueis não eram suficientes para sustentá-la. A propriedade estava pronta para voltar ao mercado de vendas menos de um mês depois, então já estávamos fazendo os processos de papelada com advogados e com o corretor de imóvel. Então durante esse período ela não poderia ser alugada e ficaria vazia. Vi isso como uma chance de ficar sozinho por um tempo e clarear as ideias de tudo que estava acontecendo. Me demiti do meu emprego, arrumei as malas e equipamentos de snowboard, peguei meu cachorro, coloquei tudo no carro do meu pai (que agora era meu) e fui para a cabana. Esse local era da família, que meus pais alugavam durante o ano quando não estávamos usando. Eu tinha as chaves e senhas de acesso dos alarmes, então não achei que precisava passar no corretor para avisar minha estadia. Isso não tem relação alguma com a história que contarei, mas mesmo assim achei que deveria mencionar. 

Os primeiros dois dias foram normais e nada de estranho aconteceu. Passei os dias brincando com meu cachorro e surfando na neve e, durante a noite, eu ficava jogando vídeo games, ouvindo música, bebendo e fumando na varanda. Já tinha estocado comida, cigarros e licor, então eu estava bem preparado para me encostar e relaxar. Com meu cachorro como companhia e DVDs/PlayStation como entretenimento, estava bastante contente e minha cabeça começou a relaxar em relação ao drama que me preocupava.

 A cabana tinha dois andares; no debaixo ficava a sala, um quarto de hospedes e uma cozinha pequena. No de cima, haviam mais dois quartos, e uma grande varanda que ficava acoplada ao quarto suíte. Eu passava a maior parte do tempo na sala, cozinha ou na suíte. Em nenhum momento eu entrei nos outros quartos, e mantinha as portas bem fechadas (portas abertas para quartos escuros sempre foi algo amedrontador para mim). De qualquer forma, no terceiro dia comecei minha rotina normalmente brincando com meu cachorro (o nome dele era Meia-Noite, mas também já faleceu), jogando e assistindo filmes. Estava nevando fortemente naquele dia então não quis me aventurar nas montanhas. Foi aí que a bizarrice começou. Naquela área, só haviam mais duas cabanas por perto (mais ou menos uma quadra de distância cada uma). Todas cabanas além dessas ficavam a pelo menos um quilometro de distância da nossa. Em volta havia uma floresta com pinheiros muito altos (MUITO altos, lembre-se disso). Ambas cabanas estavam vazias e eu sabia que ninguém viria para ali naquela época. 

Já descrevi bastante vários detalhes, então vou pular para as coisas estranhas.... Por volta do meio dia enquanto estava do lado de fora com meu cachorro, notei algumas pegadas na neve em volta da casa. Ainda nevava, então as pegadas eram relativamente frescas como se alguém tivesse passado por ali nos últimos 20-30 minutos. Achei que talvez alguém estivesse nas cabanas adjacentes e eu não percebera... talvez estivesse lá para passar um tempo sozinho, como eu... tá bem... bem, as pegadas iam para longe da cabana e desapareciam na parte mais densa da floresta... deixando isso para lá, entrei de volta na casa.  

A noite chegou e decidi ir para a cama. Meia-Noite estava deitado na cama comigo quando notei suas orelhas levantando. Isso foi seguido por ele pulando rapidamente para fora da cama e correndo para a sala no andar debaixo. Fiquei deitado na cama e fiquei em silêncio (estava morrendo de medo) e pude ouvi-lo andando lá embaixo por todos os lados. Depois de uns cinco minutos ele subiu de novo e começou a fazer um tipo de dancinha que significava que queria fazer xixi ou ir lá na rua. Merda... tá, tudo bem. Não consigo dizer não para ele, então nós descemos. Mas ele não queria fazer xixi. 

Quando já estávamos lá na rua, ele começou a puxar a coleira me arrastando para onde queria ir. Ficava olhando constantemente para a parte mais densa da floresta, o lugar onde as pegadas de mais cedo iam. Mas ele também ficava farejando a lateral da casa e olhando em direção do telhado. Quando percebeu que eu não ia ir para lá, se sentou na neve e só ficou olhando fixamente para a escuridão... algo incomum nele, mas tudo bem, provavelmente era só algum animal que ele queria perseguir.  Mas foda-se, eu não queria mais dar chance para o asar, então arrastei Meia-Noite para dentro e subimos para o segundo andar. 

Mais ou menos uma hora e meia depois eu estava quase dormindo quando ouvi algo que pareciam cascos batendo no meu telhado. Foi apenas uma série de mais ou menos 6 passos, então coloquei na cabeça que devia ter sido apelas uma pinha que havia se desprendido dos pinheiros altos ou algum animal passeando por ali. Mas aqui está o problema, os passos pareciam ser espaçados como os de um humano. Fiquei apavorado. Meia-Noite também ouviu, então correu para a porta da varanda esperando que eu liberasse a passagem para ele. Tudo bem, quer saber? Sou um cara durão e na época eu achava que era forte o suficiente para me defender. Então peguei meu casaco e sapatos junto do maço de cigarro e uma lanterna e fui para a varanda. Foda-se, certo? Quando fui para rua, acendi o cigarro imediatamente e comecei a apontar minha lanterna para o telhado.... Não havia nada lá e a neve não parecia estar remexida. Estranho, será que era coisa da minha cabeça? Talvez eu estivesse alimentando demais minha paranoia. Comecei a me acalmar e relaxar novamente (aproposito... estou me tremendo agora e meu coração está na garganta enquanto estou prestes a escrever a próxima parte). 


Meus olhos começaram a se ajustar a escuridão e continuei a fumar enquanto observava as estrelas e as árvores perto da cabana. Foi aí que eu vi. Em uma árvore que era só um pouco mais alta que a nossa e que ficava a uns seis metros da cabana, eu vi um homem agachado entre os galhos. Estava agachado em um galho e se segurando em outro logo acima de sua cabeça. Puta que pariu... que porra era aquela? Eu não tinha certeza se realmente estava vendo aquilo e fiquei parado observado. Notei que Meia-Noite estava passeando atrás de mim e latindo baixinho as vezes. A coisa não se moveu. Apaguei meu cigarro e estava tendo um debate interno se devia ou não direcionar minha lanterna para a coisa, mas minha mente gritava loucamente que isso era uma má ideia. Então fui dando ré lentamente para dentro do quarto e puxei Meia-Noite pela coleira. Quando entrei e tranquei a porta de vidro, daí sim eu apontei minha lanterna naquela direção. Mas não havia nada lá. Fechei as cortinas e me enfiei na cama. Mais tarde na mesma noite, ouvi batidas na porta de da varanda, como se alguém estivesse gentilmente batendo com os nós dos dedos no vidro. Era um som consistente e não parou por horas. Meia-Noite ficava olhando fixamente para a porta, mas não ousou se aproximar. A parte mais estranha era a sensação que eu tinha, como se alguém estivesse me convidando para abrir a porta. Mas ao mesmo tempo eu continuava a ouvir a voz do meu pai em minha cabeça dizendo para eu continuar na cama e não abrir. Eu o ouvi e continuei onde estava. Peguei no sono eventualmente e quando acordei de manhã tudo estava normal. O resto da semana que passei lá foi bem normal e nada aconteceu. Admito que pode ter sido coisa da minha cabeça. Muitas coisas estavam acontecendo na época, mas o medo foi real. 

(primesrfr)
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Gostaram? Isso é só um gostinho dos relatos que tenho guardado aqui! Não esqueçam de comentar suas próprias experiencias sobrenaturais para talvez aparecer no próximo post. 
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Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você o ver em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

KEEP CREEPYING!

TRADUÇÃO POR: FRANCIS DIVINA


23/11/16

Viagem ao Obscuro - Creepypastas!


Boa tarde, Creepers! Tudo certo? Aqui quem fala é o Gabriel, e estou aqui para dar um comunicado: Há alguns dias atrás, tive o prazer de ser convidado pela galera do "Viagem ao Obscuro" para participar do segundo programa deles, cujo tema se trata de Creepypastas. Batemos um papo bem bacana sobre o tema e também sobre algumas curiosidades! Deem uma olhada aê e espero que gostem \o/

https://soundcloud.com/viagemaoobscuro/segundaedicao

Aproveitem e visitam a pagina deles pra conhecer mais sobre o trabalho dessa galera! Queria agradecer muito pra cada um deles, fiquei super feliz pelo convite e tive muito prazer em ter participado! Espero que tenhamos outra oportunidade para gravar novamente em breve :D

https://www.facebook.com/viagemaoobscuro/

Grande abraço, tudo de bom & Keep Creepying \o/


21/11/16

Nunca mais vou usar um banheiro público.



Antes de começar a contar essa história, tenho que dizer que sou uma jovem adulta diagnosticada com depressão psicótica e transtorno de ansiedade. Tive uma infância com muitas pedras no caminho, e meus anos de colégio foram gastos fazendo de tudo para não estar em casa.

Sou voluntária ocasional em um abrigo para pessoas sem-teto, vou quando posso. A pequena cidade em que moro não providencia muito para a população sem-teto, e eu achava que se eu não fizesse algo, não estaria fazendo nada de bom pela sociedade. Talvez isso fosse um tanto egoísta, de verdade, mas nunca me considerei uma boa pessoa.  
Algumas pessoas de lá são extremamente educadas e fáceis de lidar, charmosas até. Fiz amizade com muita gente que passou por lá, sendo testemunha da volta por cima que deram vida. Mas sempre existe AQUELA galera. Os drogados, loucos, os que viveram sozinhos dentro do bosque por muito tempo. Aquelas divagações aleatórias e os olhos que se encaixam perfeitamente no vale a estranheza. Evitar esse tipo de pessoa é minha missão pessoal.

Era uma noite de sábado em agosto, por volta das 20h. Geralmente, albergues e abrigos fecham por volta das 18h, mas durante o verão fica aberto até mais tarde para acomodar melhor os voluntários que ainda estudam. Eu estava ajudando dois colegas voluntários, um garoto da minha idade e uma menina que devia estar no primeiro ano do ensino médio, a arrumar a cozinha.

 Eu fico muito ansiosa quando tenho que usar banheiros públicos, não por causa da limpeza ou algo do tipo.... Simplesmente é algo aleatório que me desencadeia ataques de pânico. Dito isso, eu não havia ido ao banheiro desde que saíra do meu apartamento de manhã, por volta das 10h, então provavelmente você entenda meu desespero. Tentando controlar minha ansiedade, pedi licença e fui em direção do WC feminino.

Agora, uma breve explicação. Esse abrigo foi construído em dois blocos separados. Para ir até o banheiro, você tem que sair da cozinha (uma sala pequena enfiada dentro de uma sala maior), e pela porta dessa sala até o corredor. O corredor é cheio de outras portas que dão para outras salinhas, e o chamamos de “o eixo”. Então você tem que atravessar todo o eixo, até o final. O banheiro feminino é a última porta a direita, e o masculino é a última a esquerda.

Você abre a porta do feminino, e verá um corredor longo. Diretamente no final deste corredor estão duas pias sujas, dois frascos de sabonete líquido entre elas, e um espelho acima de cada pia. Ao lado, existem quatro cabines com os vasos sanitários, o último sendo o maior, destinado a pessoas com deficiência física.

Então fiz todo esse processo. O banheiro parecia estar totalmente vazio, pelo o que podia ver. Mas notei algo estranho já desde o começo. As luzes de lá se acendem por detectores de movimento, então quando você abre a porta, elas se acendem automaticamente.

Mas já estavam acesas quando entrei.

Claro, isso não era COMPLETAMENTE estranho, considerando tudo. Era um banheiro público, claro, outras pessoas poderiam estar usando-o. Tentei ignorar minha ansiedade e fui em direção dos vasos sanitários.

O maior e que ficava por último estava fechado e trancado. E, da última vez que havia checado, eu e os outros dois voluntários éramos os únicos no prédio. Nesse momento, minha ansiedade estava lentamente se transformando em medo, então entrei na cabine que ficava mais afastada dessa outra.

Mas a tranca estava quebrada.

Me mudei para o outro do lado, e adivinhe só – a tranca também estava arrombada. O único que sobrava era o que estava grudado com a cabine trancada. Eu não queria, de jeito nenhum, usar aquela maldita cabine. Mas minha bexiga estava quase estourando, então eu seria obrigada a deixar aquela idiotice de lado e mijar de uma vez.

O mais rápido que consegui, entrei na cabine e fiz o que tinha de fazer. Quando o.... hm, “jato” começou, pude jurar que havia ouvido algo. Era um som muito sutil de… algo se mexendo. Tipo barulho de tecido se remexendo.

Terminei de fazer xixi e peguei o papel higiênico. Naquele momento, meu desconforto já havia triplicado e tudo que eu queria era sair daquela maldita cabine. Por um segundo, olhei para cima para, sei lá, conferir se ninguém estava olhando por cima da divisória, e depois olhei para baixo, para me levantar e colocar as calças.

Mas havia alguém com a cabeça enfiada ali, me olhando do chão.

Era um dos loucos que vinham para o abrigo. Eu o reconheci, pois ele havia elogiado meu cabelo roxo várias vezes. Dei um grito, chutando a porta da cabine e corri para a porta que nem uma louca fugindo de uma abelha, puxando minhas calças para cima enquanto corria.
E por mais estranho que pareça, posso jurar que eu ouvi um som de... chupar. Como um cachorro bebendo água do vaso sanitário.

Não preciso nem dizer que aquele foi meu último dia como voluntária naquele abrigo. 

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você o ver em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

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TRADUÇÃO POR: FRANCIS DIVINA



18/11/16

O DVD não existia mais

Parte 1. Parte 2.


Eu estava aterrorizada para olhar para trás. Depois de testemunhar o horror contido nos DVDs eu temia que houvesse qualquer coisa atrás de mim. Mas eu senti algo como aranhas na minha pele. Minha cabeça se moveu sem permissão. Eu girei devagar, aterrorizada com o que eu iria ver. Eu fechei meus olhos. Talvez se eu não visse, não pudesse me ferir. Eu tentei o máximo que pude manter os olhos fechados, mas eles foram deliberadamente abertos. Meus próprios dedos que os forçaram a se abrir. Eu não havia sequer sentido meus braços se moverem.
Quando eu pude enxergar foi quase um alivio. Não havia ninguém atrás de mim. Eu tinha colocado em minha cabeça que um John completamente maluco estaria em pé atrás de mim, pronto para reencenar sua tortura comigo. Por sorte era só fantasia.
Eu parei. Era impossível não me arrepiar. Eu estava exausta. Depois de assistir esses vídeos perturbadores, eu sentia como se eu mesma tivesse passado por aquilo. Talvez uma refeição ou uma água ajudasse. Mas antes que eu pudesse ir eu notei algo diferente do normal.
Na estante atrás da mesa havia uma câmera. Estava posicionada inocentemente no meio de dois dos meus livros favoritos. Eu não me recordava de ter uma câmera. Havia uma luzinha vermelha piscando no topo. De algum lugar da minha memória eu reconheci que isso era um sinal de que ela precisava que sua bateria fosse trocada. Eu me aproximei da câmera como se ela fosse um animal selvagem. Quando eu a levantei, o peso me surpreendeu. Era preto opaco. Duramente usada e amassada. Mas funcionava. Estava perdendo bateria, mas esteve gravando. Estava posicionada perfeitamente para minhas costas, a mesa e o computador.
Eu trouxe a câmera para perto do meu peito e a bateria imediatamente morreu. A tela estava preta de um jeito que eu nunca havia visto. Eu me vi na escuridão. Eu precisava seguir em frente. Eu precisava largar a câmera e dar o fora dali. Mas eu não podia. Eu não estava pronta. Ou será que eu não era capaz?
Eu sentei de volta à mesa. Eu sabia como ejetar o cartão de memória da câmera. Ele saiu e ficou na palma da minha mão. Eu sabia então que esse era o terceiro vídeo. Eu tinha que assistir. Não era um DVD, e não havia sido verdadeiramente entregue a mim, mas isso era o que eu tinha que assistir em seguida.
Eu coloquei o cartão de memória no slot do meu computador. Abriu uma pasta na tela. Eu cliquei para abrir, mas ao invés disso abriu uma pasta estranha na minha área de trabalho. O título era “Ka. ” Havia três subpastas – “Prisioneiro, ” “Sorte ” e “Morte ” (nessa ordem). Eu tentei clicar na subpasta “Prisioneiro”, mas ela não abria. O mesmo aconteceu com “Sorte. ” A subpasta “Morte ” abriu sem problemas. Havia três arquivos de vídeo lá dentro. “O homem de preto, ” “A porta ” e “Margot não é Margot. ”
“O homem de preto ” começa com uma corrida. Margot corre por um quarto. Ela está gritando em uma voz quase inumana. A pessoa segurando a câmera está tentando pegá-la. Ele a persegue de cômodo a cômodo, chegando cada vez mais perto. Em uma cena doentia ela olha pelo ombro e a sua face é de puro terror. Essa foi a primeira vez que eu realmente vi o medo de Margot.
Por fim Margot tropeça em um tapete. A pessoa segurando a câmera cai em cima dela instantaneamente. Ela chora e luta, mas a pessoa continua a segurando. Não demora muito para a câmera cair ao lado dos dois. Como esperado, é John que está em cima dela. Ele ainda está usando sua máscara de ski e luvas.
Se torna claro que John está apenas segurando ela. Ele não tenta machucá-la ou fazer algo mais sinistro. Margot luta como se sua vida dependesse disso. Ela luta por uns três minutos. Como nos outros vídeos, eu não conseguia desviar o olhar. Era difícil de assistir, mas eu estava presa. Era como se eu tivesse meu próprio John me segurando a cadeira.
Finalmente Margot se acalma. Ela olha no rosto dele. Eles se encaram como estranhos. Então Margot começa a rir. Ela é atordoada por risadas da mesma forma que era atordoada pelos soluços minutos atrás. Seu corpo chacoalha com os sons que ela emite.
John não à solta. Ele diz, “Você esqueceu do rosto do seu pai. ”
Ela se curva para cima, empurrando seu rosto em direção ao dele. “Ele não tem rosto, John. Você sabe disso. ”
John fica claramente irritado com isso. “Ele tem um rosto. Um rosto forte. Lugar do rosto. Lugar onde o pai foi enfrentado. ”
“Me mostre então. ” Ela recua em direção ao chão. “Me mostre o rosto do meu pai John. ”
John se senta, cruzando seus braços. Ele está balbuciando palavras, mas nada faz sentido. Margot não parece surpresa pelo estranho comportamento. Talvez ele já tenha feito isso antes. Talvez ele frequentemente balbucie palavras ininteligíveis para ela como se eles estivessem tendo uma conversa.
Margot o deixa fazer isso por alguns minutos com um olhar de satisfação e raiva. Então ela nota que seus braços estão livres. John não está mais a segurando. Ela empurra uma mão para cima e agarra a máscara de ski. Antes de John entender o que está acontecendo Margot já agarrou a máscara de ski e a jogou do outro lado do quarto.
É então que eu percebi que as palavras anteriores de Margot eram verdade. John não tinha rosto.
Claro, ele tinha um rosto. Havia algo segurando seus olhos. Havia algo que se assemelhava a narinas e um buraco que se assemelha a uma boca. Mas sua cabeça inteira está coberta de horríveis queimaduras. Seu rosto é composto de um tecido de cicatrizes todo torcido e amassado como raízes vermelhas. Ele não tem sobrancelhas ou lábios. Apenas montes de nojentos de carne ao redor de seus dentes (os quais ele tinha poucos).
Em pânico, John larga Margot e corre para pegar a máscara. Margot fica em pé em segundos. Ela agarra a câmera e começa a correr. Ela corre pela casa e vai até a porta da frente. Ela tenta a maçaneta, mas ela não cede. Margot grita para a porta e se vira para tentar outro lugar. Mas de repente ali estava John, bloqueando seu caminho.
Margot deixa escapar um pequeno e aterrorizado grito e derruba a câmera. A cena fica amarela antes de terminar.
Eu queria parar. Qualquer pessoa normal chamaria a polícia, sairia da casa ou ao menos deletaria os arquivos. Mas minha alma estava afundada nesses vídeos. Eu estava inexplicavelmente presa ao sofrimento de Helen e Margot. Revoltantemente, eu também estava imersa na loucura de John. Talvez eu fosse louca também. Minha mão tocou o mouse para começar o próximo vídeo.
“A Porta ” começa com uma foto da pequena estrutura do primeiro vídeo. Ela pisca e distorce, mudando rapidamente para John falando para a câmera. Ele está na casa com Helen. O estômago de Helen está enorme, fica claro que ela está grávida. Tem algo estranho sobre sua barriga. Parece um osso de mandíbula.
John circula Helen, que encara o chão. Ela desistiu de ter esperança. A fúria e a raiva que eu vi no vídeo anterior foram substituídos por desesperança. John dá um zoom na barriga dela e na mandíbula. Os tocos de suas pernas também estão visíveis. Parece que John quer exibir Helen.
John diz, “Diga. ”
Helen lambe seus lábios. “Da-da, ” ela responde.
 “Não, diga a coisa toda. ”
Ela começa a chorar em silencio. “Da-da-chum, ” ela diz tristemente.
John emite pequenos sons felizes. “Agora levante suas garras. ”
Helen vagarosamente levanta seus braços no ar. Pela primeira vez a parte de baixo de seus braços estão visíveis. Os dois tem tatuagens idênticas de uma chave. A chave era grosseira, com uma forma de S no final. Ela mantém os braços erguidos até que John solta grunhidos. Ela deixa os braços caírem ao seu lado. Em uma voz baixa e triste ela pergunta, “Por que você não me mata? ”
John agora enquadra a cena toda. Margot está rastejando no fundo, mas nenhum dos adultos nota ela. “Eu não mato com a minha arma, ” ele responde.
 “Por favor, Johnny. Eu não posso fazer isso. ” Ela implora.
“Você apenas não seguiu em frente ainda. ” Ele responde. Ele está calmo. O desespero dela quase não tem efeitos nele.
Helen pega a mandíbula e a estuda. Então, como um relâmpago, ela golpeia seu próprio pescoço. John grita e derruba a câmera. O osso proeminente no pescoço de Helen como um fio de cabelo perdido. Ela fala cuspindo, sangue enchendo sua traqueia. John está em pânico. Ele puxa o osso o mais rápido possível. Mas isso apenas causa mais perda de sangue. Helen está sorrindo.
John chama, “Garota! Venha aqui! Ajude! ”
Eu acredito que ela estava se referindo a Margot. Mas Margot não vem. John se atrapalha por um segundo antes de chamar por ela novamente. Mesmo assim ela não chega. Relutante, John deixa Helen para achar Margot.
A tela é preenchida com Helen gradualmente sangrando. Ela se engasga no próprio sangue. Mas ela parece contente. Helen olha diretamente para a câmera. Ele tenta dizer algo. É difícil de decifrar, afinal de contas havia fluido preenchendo sua boca e garganta. Mas ela talvez tenha dito, “A piada é você. ”
Margot rasteja pelo quarto atrás de Helen. Ela toca seu cabelo brevemente. É um toque de profundo amor. O rosto de Margot está preenchido de arrependimento. Ele pega a câmera, e sussurra, “Noites Agradáveis, ” antes de deixar o quarto.
Ela caminha silenciosamente pela casa até chegar na porta da frente. Está aberta. John está na rua gritando, berrando pela garota. Ela se esgueira pela soleira da porta. Agachada, ela circula por trás da casa. Então ela dispara a correr. A câmera chacoalha enquanto ela foge. Um grito de John pode ser ouvido ao fundo.
Margot respira pesadamente. A cena é cortada entre a imagem da pequena casa e uma cena dela correndo. O sol se move no céu. Margot corre com a energia de alguém que talvez nunca mais possa correr. Finalmente a cena muda para a filmagem do primeiro vídeo, “Origem. ” Agora fica claro que é Margot que está segurando a câmera, caminhando ao redor da esturra com o altar dentro. Ela ouve um barulho de folhas trituradas sob pés e ela se esconde. Depois de alguns momentos a cena é cortada abruptamente.
O vídeo tinha terminado.
Ao invés de alivio, pânico inundou meu corpo. Eu estava tentando entender o que tinha acontecido. Margot escapou? Onde ela estava de qualquer forma? Quem eram Helen e John para ela? Como ela chegou lá? Meus dedos tremiam. Onde ela estava agora?
Eu ia descobrir assim que o próximo vídeo começasse a rodar. “Margot não é Margot ” é um vídeo completamente diferente do resto dos vídeos. Não é filmado por uma câmera manual numa casa assustadora. Ao invés, é um clipe de um talk show. Parece que foi filmado no começo dos anos 2000. O apresentador é um caloroso homem mais velho que fecha os olhos enquanto fala.
Uma rodada de aplausos começa o vídeo. O homem está sentado em uma confortável cadeira com uma cadeira bem menos confortável a sua frente. Ele sorri. Enquanto os aplausos cessam, ele se inclina para frente e coloca as mãos juntas.
“Hoje nós vamos conhecer uma garota muito especial, ” ele diz solenemente. “Uma garota que passou por muito mais coisas que qualquer outra pessoa, muito menos uma garota, nunca deveria ter que passar. Sua identidade permaneceu desconhecida por muitos anos para protege-la de seu malfeitor. Contudo, agora que ela completou 18 anos, ela quer contar o seu lado da historia. ” O homem ficou em pé. “Por favor, juntem-se a mim para receber Tabitha! ”
A audiência explode em aplausos. Vagarosamente alguém entra no palco. Ela é uma mulher pequena com cabelo curto. Ela caminha mancando um pouco. Seu vestido é simples. Se você passasse por ela, nunca a notaria. Mas com as enormes luzes iluminando seu pequeno rosto, ela está exposta. Ela vira o rosto instintivamente da câmera. Ela demora muito tempo para atravessar o set e se sentar na cadeira.
Eu levei a mão até a tela e a toquei. A mulher parecia tão familiar. Ela tinha os mesmos olhos da Margot. De fato, quanto mais eu encarava menos dúvida eu tinha. Essa era a Margot crescida. Mas havia algo a mais para reconhecer. Algo muito familiar para admitir.
O homem na tela se move para abraçar Tabitha, mas ela se encolhe. Ele se adapta rapidamente e senta em sua cadeira. Os aplausos param. Ele olha com pena para Tabitha. “Bem vida, minha querida. ”
Ela acena sua cabeça, mas não diz nada.
O homem compensa a falta de palavras “Nós estamos tão felizes em ter você aqui para compartilhar conosco sua história. Todos nós lembramos do maníaco do Indian Lake. Teve um enorme impacto não só em Wisconsin, mas no pais inteiro. O homem chamado John, identidade a qual nunca pode ser confirmada, torturou e aterrorizou você e sua mãe por anos. Nos diga – como você sobreviveu a isso? ”
Tabitha levanta sua cabeça. Sua voz não era hesitante. Soava com a voz da Maragot. “Eu me separei do que estava acontecendo ao meu redor. ”
 “O que você quer dizer com isso? ” Sonda o apresentador.
 “Eu continuava sendo eu, mas eu estava muito longe. Talvez caminhando na praia ou dormindo sob as estrelas. Mas eu sabia que meu corpo estava lá e meu cérebro de verdade estava lá. ” Ela toma folego. “Eu estava presa naquela casa, mas minha imaginação podia ir a qualquer lugar que eu quisesse. ”
“Isso é tão corajoso. ” O homem responde. Algumas pessoas na audiência começam a chorar. Outras se abraçam. Tabitha os vê, mas não parece entender seu comportamento.
O apresentador continua, “O que exatamente John fez a você? ”
Tabitha enrijece. “Por que você quer saber isso? ”
“Um... ” o homem claramente não está preparado para a mulher estranha. “Talvez uma questão melhor seria, como você escapou? ”
Tabitha sorri finalmente. “Ele a chamava de Helen. Não era seu nome real. Eu não me lembro do seu verdadeiro nome. O mundo continuou. Mas antes de continuar, nós traçamos um plano. Ela estava gravida do meu segundo irmãozinho. O primeiro John matou. Mas o segundo minha mãe matou. Ela me disse, “Quando você ouvir John gritando você se esconde. Você encontra aquele esconderijo e se esconde dele. Então quando ele abrir a porta atrás de você, você corre pela porta e foge. Continue correndo. Corra até você não ter mais pernas. ” Foi isso que ela disse. E foi isso que eu fiz. ”
O apresentador começou a falar, mas Tabitha o interrompeu. “Eu consegui chegar até a porta e corri. Eu corri até onde ele deixou Jake. Era assim que ele o chamava, Jake. Eu não lembro seu nome verdadeiro. Seu corpo não estava mais lá, mas eu podia sentir seu cheiro. Ele mudou para algo diferente. Ele estava na terra agora. Eu me escondi atrás da capela até que John fosse embora. Eu fiquei lá por dias. Um homem e uma mulher me encontraram. Eu estava quase morta, quase indo também. Quase com meu irmãozinho. Eles me disseram que eu tive sorte de eles me encontrarem. Eles me fizeram contar tudo que havia acontecido em detalhes. Eles cutucaram meu corpo nos mesmos lugares que ele. E então eles esqueceram de mim. Como eu disse, o mundo seguiu em frente. ”
O homem ficou mudo. Tabitha não se importa. “Ele me chamava de Margot. Mas eu não vou deixar que ele me dê um nome. Dar o nome a alguma coisa, dá poder a essa coisa. Eu tinha um nome antes de o mundo seguir em frente, mas aquela não sou eu também. Então eu mesma me dei um nome. Margot morreu em Indian Lake. Ela morreu assim como minha mãe, meu irmão, como Shardik o urso. E todo o resto. ”
O apresentador esperou alguns momentos para colocar um sorriso falso. Ele se vira para a câmera. “Nós já voltamos com Tabitha, a única sobrevivente do maníaco do Indian Lake. ”
A filmagem termina em um close no rosto de Tanitha. Se você olhar bem de perto, você pode ver um estranho olho tatuado em sua clavícula. O vídeo fica preto.
Eu mal podia respirar. Eu toquei minha própria clavícula. Lá, debaixo da ponta dos meus dedos, fica minha própria tatuagem. Era o mesmo estranho olho em tinta vermelha. Que veio até mim em um sonho. Ou então eu pensava assim.
Eu pisquei e me senti tonta. Eu não havia comido nada o dia todo. Isso era normal, eu estava acostumada a passar muitas horas sem comer. Mas naquele momento eu me senti perto de desmaiar. Meu pequeno apartamento encolhendo. Eu notei a confusão pela primeira vez. Meu peito doía.
Do nada o cartão de memória ativou. Havia um arquivo nele. Abriu sem que eu tocasse nele. A filmagem me fez arfar.
Era de mim. A parte de trás da minha cabeça. Eu estava fazendo algo no computador. Havia um pacote embrulhado em papel marrom perto de mim, alguma fita adesiva, e um enorme marcador preto. Depois de alguns minutos eu ejeto algo do computador. Era um DVD.  Calmamente eu retirei um pequeno urso entalhado em madeira do meu bolso, e embrulhei os dois no papel marrom. Com cuidado eu escrevi meu nome na frente TABITHA.
Eu coloquei outro DVD para gravar. Enquanto isso eu comecei a desenhar. Eu desajeitadamente criei uma rosa num pedaço de papel de construção. Quando o DVD estava pronto eu joguei os dois dentro de um saco plástico de lixo preto. Eu coloquei o saco de lixo embaixo da mesa e o pacote nos meus braços.
Eu então parei e virei para a câmera. Eu sorri para as lentes. Me inclinando para frente, lábios quase tocando, eu sussurrei, “Dias mornos e noites agradáveis. ” Então eu desliguei a câmera.
Uma estranha sensação tomou conta de mim. Eu senti como se eu tivesse visto aquela filmagem antes. A quanto tempo eu estava sentada à mesa? Meu apartamento parecia estanho. Eu queria sair dali. Mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, eu peguei a câmera e coloquei o cartão de memória de volta. Eu procurei em meus bolsos, mas não encontrei o urso, e sim algumas pilhas. Eu as coloquei na câmera, liguei, e coloquei ela de volta entre meus dois livros favoritos – Sobre a Escrita e Canção de Suzana. Eu tropecei até a porta, ansiosa por algum ar fresco. Eu tinha que sair dali. Eu corri pelo chão.
Quando eu abri a porta, havia um pequeno pacote deixado na varanda. Eu parei por um instante. Eu havia esquecido o porquê eu havia vindo até a porta em primeiro lugar. Eu peguei a caixa e trouxe para dentro.
É tão estranho abrir uma caixa na sua porta? Estava endereço a mim. Isso significa que é meu. Claro que eu iria abrir. 

Fonte

E ai, gostaram do final da história? Me contem que o acharam! Se tiverem alguma dica de história para traduzir, só deixar nos comentários. Até a próxima.