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24/06/2018

MUDANÇAS DE LAYOUT

Olá Creepers, tudo bom? Se vocês não perceberam, estamos passando por mudanças no layout! Pode ser que o site venha apresentar alguns arros nos próximos dias até conseguirmos ajeitar tudo certinho. Percebemos que já tem um erro em que os contos não estão divididos em parágrafos, mas o maravilhoso Lupoz já está trabalhando para concertar tudo o mais rápido possível para que a experiencia de vocês aqui no site fique cada vez melhor. Obrigada pela paciência. 

KEEP CREEPYING!

22/06/2018

Wade

- Olha! Esse é o soro?

- Sim! Isso irá ajudar muito os militares, mas precisamos testar...

- Já fizeram os testes nos animais?

- Já testamos em ratos e outros animais, precisamos de uma cobaia humana!

- Eu sei onde podemos achar!

-------------------------

Fui designado, junto de meu colega, Gill, para irmos ao orfanato da irmã Martha. Eu me
chamo Ben Carson, sou um jovem cientista, do melhor laboratório da cidade. Sou muito
bom naquilo que faço e sempre quero me sobressair. Afinal, eu serei o melhor cientista
que eles terão.

Estacionei próximo à uma grande construção velha. Mas devo dizer que para um orfanato,
está muito bom. Bati na porta e uma freira atendeu com um olhar confuso.

- Boa tarde, a senhora deve ser a dona Martha? Certo?! - ela balançou a cabeça em
confirmação - Ótimo... Viemos ver as crianças, podemos entrar?

Ela abriu a porta dando passagem para nós. Até aí tudo bem. Ela pediu para aguardamos
enquanto ela ia procurar as crianças. Fiquei analisando o local. Não era um local
apropriado para cuidar de órfãos, mas era melhor do que morar embaixo da ponte.

Minutos depois dona Martha retornou, seguida de vinte crianças, mais ou menos. Eram
bem risonhas e serelepes, mas não era isso que estávamos procurando. Peguei a ficha das
crianças, que dizia os requisitos delas, suas qualidades e imperfeições. Folheei as páginas
e uma me chamou total atenção.

Não tinha quase nenhuma informação, além do básico e requisitos médicos. Aquela
criança parecia ter algum problema. Olhei em meio as crianças, procurando o dono da
ficha. O encontrei no fim da fila. Estava com os cabelos em frente ao rosto, mas tinha
certeza que era a mesma pessoa. Apontei para ele e Gill entendeu que era para leva-lo ao
carro. Puxando-o pelo braço, Gill levou o garoto porta à fora, enquanto eu fiquei para
assinar os papéis.

- Quem são vocês? - perguntou dona Martha.

- Informação sigilosa! Sinto muito... Mas garanto que cuidaremos bem dele!

Antes que ela respondesse, fechei a porta e segui para o carro.

- Então? Tudo pronto para começar os testes? - perguntou Gill.

- Sim... Vamos logo!

Durante a viagem, a criança não disse uma palavra, nem deu sinal de vida. Na verdade, ele
não demonstrou nenhuma reação desde que foi levado para o carro, palavras de Gill.

- Qual o nome desse garoto?

- Wade - respondi - Só Wade! Não tem um sobrenome!

- Sério?! Escolheu ele por causa disso?

- Isso e mais um pouco... Ele não tem muita informação... Então se ele sumir, ninguém
sentirá falta...

Vi um movimento pelo retrovisor. Pude jurar que tinha visto Wade dar um pequeno
sorriso, mas achei que fosse impressão. Chegamos ao laboratório, e expliquei à criança
que ele tinha que obedecer todo mundo que ali estava. Nenhuma palavra, nem reação.

Aceitei aquilo como um "tudo bem" e o coloquei em seu quarto. Não tinha nada além de
uma maca enferrujada, com alguns lençóis jogados. Além de possuir uma pequena câmera
que não funcionava direito. Perfeito para alguém que já nem tinha muito.
Wade entrou e se sentou na maca, e pela primeira vez, ouvi sua voz.

- Qual o seu nome, doutor...?

Fiquei parado por um momento, mas respondi.

- Ben Carson, mas para você... Só doutor Carson!

Bati a porta.

Começamos os testes durante a noite, aplicando o soro em seu braço esquerdo. E fizemos
a mesma coisa por quatro anos, pois o soro não podia ser injetado todo o dia apenas um
mês sim outro não. O soro levou muito tempo para fazer efeito, mas não podíamos aplicar
uma dose tão alta, por poder haver efeitos colaterais. Além das aplicações, fizemos testes
de resistência e força. Ele se saia muito bem.

Só tinha um problema nisso tudo... Wade não gostava de ser observado. Ele feriu
gravemente várias pessoas que ficavam de vigia sobre seu comportamento no quarto.

Resolvi deixar ele com sua privacidade.

Estava ficando impaciente, as aplicações eram muito pequenas e o resultado não fazia
grande diferença. Mais quatro anos se passaram e eu não aguentei. Ficar nessa mesma
merda por oito anos foi demais. Eu mesmo apliquei o soro no Wade,

O lado esquerdo de seu corpo mudou totalmente, o tom de sua pele ficou avermelhado e
suas veias ficaram expostas, seu cabelo, que antes cobria seu rosto agora cobre apenas o
lado direito. O lado esquerdo caiu e mantém apenas alguns fios pendurados. Suas unhas
estão mais endurecidas que o normal.

Mas uma coisa que reparei também foi que Wade, não podia mais ficar sozinho. Ele cortou
o próprio pescoço. Mas eu não podia perder mais nenhum ajudante. Resolvi então, que eu
ia ficar com ele.

Com a permissão de meu superior eu fiquei de vigiar Wade durante a noite.
Na primeira noite, quando entrei no quatro... Ele estava sentado de frente para a porta.

Como se estivesse à minha espera. Seu rosto, estava com uma expressão preocupada.

- Resolveu mudar a cara, Wade?! - perguntei zombando.

- Sim... Eu preciso falar com você doutor Carson... - sua voz era baixa e rouca.

Sentei e esperei Wade falar.

- Eu ouvi uns comentários sobre o senhor...

- Hmm... Comentam sobre o que? Como sou competente no meu trabalho? - perguntei, me
sentindo orgulhoso de mim mesmo.

- Pelo contrário... Dizem que você é o pior cientista daqui. Que você é tão egocêntrico que
não merece esse cargo...

Ao ouvir aquelas palavras, eu me senti despedaçado por dentro. Mas não podia acreditar
nas palavras ditas por um garoto, que agora é um monstro.

- É mentira! Você está errado...

- Não diga que não repara os olhares virados... Os cochichos quando você passa...

Eu não sabia o que pensar. Vivi minha vida por aquele emprego, pela ciência... E agora...

Não estava pensando direito...

- O senhor tem que fazer alguma coisa... Eles tem que pagar...

Fiquei ouvindo Wade falar no meu ouvido. Ouvindo cada palavra, as idéias... E eu acabei
perdendo a noção do que eu estava fazendo...

No dia seguinte, eu não dormi direito. Estava com grandes olheira sob os olhos e com a
mente avoada. Passei pelo quarto do Wade e vi seu rosto pelo vidro da porta...

"Faça..." Era o que seus olhos me diziam. Eu não esquecia suas palavras de ontem...

Eu não estava no controle do meu corpo... Fui em direção à ala proibida do laboratório. Lá
eles guardam gás de veneno que fazíamos para os militares. Peguei uma máscara de gás.

Eu não tinha reparado na hora, mas tinha uma máscara faltando. Comecei a abrir as
cápsulas do veneno e as joguei pelos tubos de ventilação.

Sai da sala e continuei a abrir as cápsulas, enquanto todos fugiam desesperados. Mas não
adiantava... Uma pequena absorção do gás, e o indivíduo está morto. Vi todos se contorcer
de agonia, e respirando pesadamente pedindo por ar fresco.

Minutos depois liguei os exaustores. Olhei para os corpos sem vida e voltei a realidade.

- O que eu fiz...?

Antes que eu pudesse entrar em pânico, ouvi um pequeno cantarolar vindo do fim do
corredor. Impossível, eu tinha matado todos. Foi quando a silhueta de um jovem, magro e
alto surgiu da escuridão do corredor.

- Bom trabalho doutor... Tudo do jeitinho que planejei!

Era Wade.

- Essas máscaras servem pra alguma coisa afinal... - ele arremessou uma máscara de gás
para longe - É tão fácil conseguir as coisas nesse lugar!

- Wade? Porque...

- Hm... Você ainda não entendeu? - minha expressão o fez rir - Eu planejei isto desde o
início! Você é do tipo fácil para manipular... Então tudo que precisei fazer... Foi apelar para
o seu ego!

- Então... Você feriu os outros só para me fazer tomar conta de você?!

- Bom... Isso também! Mas tanto faz! Você cumpriu minha vingança perfeitamente!

- Vingança?

Ele começou a andar novamente.

- Você acha que é legal ser usado como rato de laboratório? Acha que eu gostei do que
você fez com a minha aparência?...

Ele parou na minha frente e levou sua mão esquerda para o meu pescoço. Estava em
choque e não consegui me mover. Mesmo sendo um pouco mais baixo, Wade conseguiu
erguer meu corpo do chão.

- Eu podia acabar com você com minhas próprias mãos! - seu olhar era frio - Posso
simplesmente arrancar a carne de seu pescoço...

O aperto de sua mão ficou mais e mais forte, fazendo sangue jorrar do meu pescoço e
escorrer pelo seu rosto. Mas ao invés de me matar... Wade me soltou.

Eu caí ofegante no chão... Tentando conter o sangue que ainda escorria. Wade ria da minha
cara, enquanto lambia meu sangue que escorria em seu rosto.

- Mas eu não vou perder meu tempo com seres inúteis como vocês! Pra que gastar minha força bruta com um saco de merda que nem você?

Ele andou em direção à saída. Eu gritei.

- Você tá ferrado na minha mão! Eu tenho dados seus e sou...

-...O assassino! - ele cortou.

Não consegui reagir.

- E eu não existo!... Agora, ou você se deixa ir preso... Ou, se preferir, morra aqui com eles! -
disse apontando para os corpos.

Ele se foi, me deixando ali jogado no chão... Levantei e fui cambaleando até a sala dos
registros... Não tinha nada sobre Wade! Nem nos computadores... Ele provavelmente
apagou tudo logo depois que eu liberei o gás...

Mas não seria possível... Tinha muitos dados... Foi quando lembrei dos dias em que Wade
não tinha ninguém para vigia-lo. Como ele abria a porta? Quando fui reparar direito... A
fechadura estava quebrada. Ele conseguiu quebrar a fechadura e eu não tinha reparado...

Não importa o quanto eu tentasse... Procurar era inútil, ele tinha pensado em tudo.

"O assassino! E eu não existo!..."

Por isso estou relatando tudo aqui. Não é uma despedida, nem um pedido de perdão... Mas
um aviso. A pessoa que está por aí a fora, é perigosa... Ele é manipulador, cruel e vingativo.

E eu não tenho motivo para viver preso na cadeia... Então minha vida termina aqui.

Cuidado.

Autora: Ana Beatriz Candeas

Nunca confie em seus vizinhos

Eu morei nesse condomínio desde os meus quatro anos de idade, meus pais estavam felizes na época (e muito bem resolvidos) em finalmente poderem sair da nossa casa velha e despedaçada pra morar nesse condomínio de 10 andares (que apesar de também ser velho, de acordo com minha mãe, seu tamanho interno era muito maior do que nossa pequena casa). Moramos no oitavo andar desde então.

Muitas das minhas amigas de escola me perguntavam se podiam passar o fim de semana lá em casa. Eu sempre perguntava a minha mãe sobre isso, afinal, eu era doida para brincar ou assistir desenhos com alguém durante minha infância e a resposta era sempre a mesma: um sonoro ‘’Não’’. Algo que mais tarde, eu entenderia o motivo.

Sempre achei esse condomínio chato e grande parte da minha infância e início da minha adolescência, por incrível que pareça de todos os dez andares, nunca houve nenhuma criança que eu pudesse brincar na minha infância ou posteriormente na minha adolescência, ninguém da minha idade pra eu pelo menos conversar. Isso sempre foi um saco pra mim, afinal, uma das vantagens de se morar em um condomínio é poder conhecer ou talvez apenas coexistir com outras pessoas num mesmo ambiente. Certo?

Desde que me mudei pra cá, uma velha condômina recém-chegada a meia idade, me chamou atenção. Sempre quando era de noite, ela ligava o interruptor do corredor e deixava a luz acesa ou quando era visitada por sua filha de 30 anos, pedia duas vezes ou mais para a garota se certificar de trancar a porta quando chegava e quando saia (aparentemente, a moça jovem adulta tem uma cópia da casa). Minha mãe e meu pai nunca se deram bem com ela e sempre me pediram pra andar afastado dela e principalmente de tomar cuidado. Bah! Pura bobagem, eu passei a pensar no inicio da minha puberdade quando tomei noção das coisas e tive minha primeira menstruação. Porém, com o passar do tempo, toda a conduta daquela mulher passou a me deixar profundamente perturbada.

Em reuniões com o sindico de acordo com meu pai, ela sempre era contra colocarem uma lâmpada com sensor de presença (uma das razões de ainda não existirem no corredor estreito próximo a seu apartamento) e qualquer tipo de inovação existente (como câmeras dentro do nosso condomínio, que até essa época, inexistentes). De dia, eu nunca conseguia ouvi-la, seu condomínio era o mais silencioso de todos os outros, menos nos dias de sábado, onde as vezes, eu jurava poder ouvir gritos e barulhos de choro vindo na direção de seu apartamento. Com o passar do tempo, também passei a suspeitar que ela talvez sofresse de algum distúrbio mental como depressão, ou na pior das hipóteses, esquizofrenia. Minha mãe disse que acredita que ela seja uma viúva.

Recentemente, meus pais se separaram e acabei ficando na custódia de minha mãe (meu pai saia pra beber cedo do dia e voltava tarde da noite, quase desmaiando de bêbado).

E bem, os eventos que vou contar me aconteceram recentemente e me deixaram ainda mais chocada com toda essa situação. Foi um sábado comum durante o dia, mas tudo começou durante a noite. Mamãe já tinha ido dormir, porém eu estava um ataque de terrores noturnos, acordei e olhei pro meu celular, eram 3h da manhã exatas, eu não lembrava o motivo de ter acordado no meio da noite e estar suando daquele jeito. Descansei minha cabeça na minha almofada e olhei pro canto do meu quarto, olhei fixamente pra lá e gelei. Pude ver uma figura alta e pálida se aproximando da minha cama, parecia ser um homem, usava roupas estranhamente largas e expressava um sorriso diabólico no rosto e olhos grandes e esbugalhados, gritei forte e fechei meus olhos e pude ouvir risos profundos e contínuos vindo do meu quarto, era ele, ou sei lá oque era aquela maldita criatura no meu quarto, comecei a repetir na minha cabeça que aquilo não era real e ele não parava de gargalhar....até que parou. A luz do meu quarto estava acesa e minha mãe estava parada em frente a porta, ela veio até a mim, perguntou se estava tudo bem e eu contei tudo oque aconteceu a ela. Ela disse que estava tudo bem e que talvez tivesse sido somente um sonho ruim e que nós estávamos seguras no oitavo andar e me convidou para dormir num colchão no mesmo quarto que ela. Tentei relaxar minha mente, fui até lá e me deitei no colchão situado no chão, ‘’Está tudo bem’’ aquela voz relaxante de alguma forma ecoou na minha cabeça a noite toda, não parecia ser da minha mãe, era uma voz masculina e grossa e pude jurar que estivesse tendo um sonho dessa vez.

No dia seguinte, acordei e não consegui enxergar minha mãe na cama, era cedo da manhã, vasculhei por toda a casa e não a encontrei, tentei procurar pelo menos um bilhete e também não achei, era estranho demais pra ser verdade. Saí do meu condomínio e notei que a porta da velha senhora que era minha vizinha estava completamente aberta em pleno domingo, tudo parecia tão estranho que questionei se estava realmente num sonho ou já tinha acordado, andei pelo corredor e me dirigi a porta da casa dela.

Parecia loucura tudo aquilo que estava acontecendo, mas de algum jeito, eu precisava saber oque estava acontecendo e pensei que como dentro do nosso condomínio não haviam câmeras, não faria mal ver oque tudo isso significava, algo dentro de mim me disse pra entrar no apartamento dela e no fim-eu entrei.

A casa tinha um cheiro incontrolavelmente ruim, fui até a cozinha e pude notar uma torre de pratos e copos não lavados, o chão era sujo e o carpete da sala estava volumoso por baixo e cheio de baratas entrando e saindo por ele, um sentimento de repugnância misturado com o medo do que poderia encontrar me fez embrulhar o estômago. Decidi ficar longe do tapete e explorei o resto da sala, havia uma televisão velha preto-e-branco com interferência que eu não sabia de forma alguma como ainda estava ali, um VHS estava localizado conectado a tevê e uma variedade de fitas se encontravam numa coleção, algumas com nomes bizarros como ‘’A vida não tem sentido’’, ‘’Auto-mutilação, um ritual xamã de invocação’’ e ‘’Não existe felicidade’’. Andei pelo corredor até o último quarto (o resto dos quartos estava trancado de alguma forma) e acabei vomitando com oque vi.

Um banco estava no chão estrategicamente e a corda estava amarrada numa hélice do ventilador-de-teto, a velha mulher estava com a corda pendurada em seu pescoço e seu corpo roxo e sem vida estava suspenso sobre o ar como se fosse mera mobília de decoração do quarto. Seus olhos eram vazios e seu rosto havia uma expressão de melancolia profunda, dentro de sua boca saíram baratas que percorriam todo seu corpo e na cama...havia um bilhete anotado num papel velho.

‘’Eu me arrependo do que fiz há anos atrás. Eu sei que não deveria ter feito, ele me avisou que quando fosse o dia certo, num sábado, ele viria aqui pra pegar tudo que restou de mim, esperei 25 anos da minha vida e sempre pedi que minha filha nunca viesse aqui num sábado e foi hoje que descobri, foi hoje que vi que ele veio, pude sentir sua presença daqui, ele disse que queria fazer um sacrifício e que se eu morresse antes do dia, ele teria que levar alguém inocente, me perdoem...’’

Pude notar marcas de lágrimas secas nessa parte da carta, oque tornava ilegível certa parte do texto (que já possuía vários garranchos por sinal), continuei a ler mesmo assim

‘’...Eu não pude evitar, preferi morrer assim do que ser levada por ele. Me perdoem.’’

Eu ainda não podia acreditar no que havia lido. Saí do quarto rapidamente e fui até a sala e me aproximei do tapete, mesmo sabendo que oque eu veria não seria bom, me deitei e olhei oque estava debaixo do carpete e vi o rosto pálido da minha mãe ali, sua boca estava preenchida por partes do seu intestino propositalmente, como se uma pessoa muito doente tivesse a matado e colocado tripas na sua boca. Não sabia se me sentia triste ou enojada. Chorei compulsivamente enquanto olhava pro seu rosto. Me levantei com meu coração ardendo de dor e novamente com vontade de vomitar. Olhei para a porta na qual entrei e vi que tinha sido arrombada. Eu estava prestes a ligar pra policia quando subitamente me lembrei de algo, algo que me fez gelar e sentir um profundo medo do que quando eu vi o homem pálido no meu quarto.

Minha mente me levou de volta pra noite anterior, quando minha mãe disse que estava tudo bem...ela parecia estranha, seus olhos pareciam olhar fixamente pra mim, mas eu não me importei. Quando ela me levou pro seu quarto e me apontou o colchão no chão, eu estava sonolenta e havia olhado pra janela (mesmo que havia demorado pra eu lembrar) e ela estava aberta, a cortina estava para o lado e a janela estava visivelmente destrancada e com o reflexo da lua refletindo sobre o quarto, criando um jogo de luzes. Eu havia me deitado no colchão e minha mãe havia se sentado do meu lado e acariciado meu cabelo e dito novamente ‘’Tudo bem’’.

Que engraçado... Sua voz parecia tão grossa e masculina quando ela repetiu aquilo nos meus ouvidos.

Autora: Daniela Barros

Eu trabalho em um hotel. Na última noite, todos do 4º andar desapareceram. [Parte 2]

"Nós a levaremos ao endereço assim que os reforços chegarem."

"Mas ela está em perigo! Ela-"

"Senhora, nossa prioridade é encontrar os hóspedes que desapareceram", disse o policial, voltando para o quarto 402.

Ah. Eles não acreditam em mim. Eu olhei para o guardanapo, amassado e suado em minha mão. Até onde eles sabem, eu escrevi este bilhete e nunca houve uma mulher loira.

Eu suspirei, dei meia-volta e caminhei rapidamente pelo corredor.

As conversas e os sons dos rádios desvaneceram-se a um zumbido baixo. Eu olhei para as portas, fechadas; até onde eu sabia, não haviam fechaduras quebradas, nem manchas de sangue, nem evidências de desaparecimentos. O rosto do homem de jaqueta de couro passou pela minha mente; seu olhar intenso, seu sorriso enquanto segurava a garota contra ele, sem consideração pelo terror dela...

Eu parei.

A porta do quarto 429 estava entreaberta.

Olhei para baixo. Uma revista enrolada estava enfiada no meio da porta, mantendo-a aberta. Além disso, o quarto estava escuro como breu.

Volte para baixo. As palavras martelavam em minha cabeça, tão firmes quanto as batidas do meu coração. Mas eu senti a irresistível curiosidade, o chamado do desconhecido.

Eu lentamente dei um passo à frente. O silêncio encheu meus ouvidos, seguido dos meus próprios passos abafados contra o carpete e o tique-taque do relógio no final do corredor.

Com uma respiração profunda, eu empurrei a porta aberta.

A luz do luar iluminava levemente o quarto escuro; aparentemente vazio. Cheguei ao interruptor e o liguei.

Meu coração se apertou.

Brinquedos estavam espalhados pelo chão - um pequeno carro azul de polpicia, um elefante de pelúcia, um chapéu de bombeiro de brinquedo.

Uma família estava aqui, com uma criança.

E agora eles se foram.

Eu entrei no quarto. No banheiro, toalhas torcidas estavam no chão. Havia escovas de dentes espalhadas pelo balcão, algumas ainda com pedaços secos de pasta. As camas estavam bagunçadas.

Dei um passo a frente.

Crrrunch

"Ai!" Eu segurei no meu pé; latejava fortemente. Havia algo pequeno no meio do tapete avermelhado.

Eu me inclinei e peguei.

Era um ursinho de pelúcia em miniatura. Não muito maior que uma moeda e muito mais pesado do que eu esperaria por ser uma coisa tão pequena.

Que brinquedo estranho.

E então eu ouvi uma voz, chamando alto no corredor:

"Anna? Estamos prontos pra ir."

O coloquei em meu bolso e fui em direção ao corredor.

---

As direções nos levaram por uma estrada de cascalho. A oficial Jingwen suspirava pesadamente, enquanto nuvens de poeira cinza se erguiam atrás de nós. "Tinha que ser uma estrada de cascalho", ela murmurou. "Não aguento aquele som esmagador. É como se alguém estivesse comendo pedras."

Mas eu não estava ouvindo. A garota loira pode estar morta agora - ou desaparecida, como o resto. Eu olhei pela janela, observando os raios alaranjados da aurora espiarem através das árvores.

A casa surgiu à vista. Era um pouco mais que um barraco, ficava entre um gramado alto e galhos caídos. As janelas eram pretas, e a princípio achei que estivesse escuro por dentro; mas então percebi que algum tipo de papel preto havia sido colado no vidro.

"Fique no carro."

"O que?!"

"Pode ser uma situação perigosa", disse ela, sua mão segurando o coldre. "Não gostaria de ser responsável por matar uma criança na primeira semana de trabalho."

Eu retruquei: "Eu não sou uma criança. Tenho dezoito anos."

Ela encolheu os ombros. "Você não é adulta até que possa beber 10 shots seguidos. Legalmente." Ela sorriu. "Sem apagar."

Eu apenas olhei para ela.

"Ok, olha. Irei verificar se a casa está segura, e assim que eu der o sinal, você entra, tudo bem?"

Ela desapareceu pelo caminho de pedra e entrou na casa.

Eu esperei. Cinco minutos se passaram; então ela saiu pela porta e me deu um sinal de positivo.

Eu saí do carro e corri pela grama. Abri a porta; ela rangeu em um alto creeeaak.

A casa estava uma bagunça. Não, isso foi um eufemismo. A casa estava em ruínas. Garrafas vazias de cerveja, caixas de pizza encharcadas e lenços amassados estavam espalhados pelo chão.

E então havia os bonecos.

Centenas deles, cobrindo toda a superfície. Como os guerreiros em miniatura que os caras usam em jogos de estratégia - porém em vez de ogros e super-humanos, eles pareciam pessoas comuns. Eu estendi a mão para pegar um.

"Não toque em nada", disse Jingwen, começando a subir as escadas.

O boneco à minha frente era um homem - não mais que 5 centímetros de altura, olhos escuros do tamanho de um alpiste. à sua esquerda estava uma mulher morena; à sua direita, uma loira. Ambas usavam uma lingerie preta, o que tornava quase mais indecentes do que se estivessem nuas.

Dei de ombros e caminhei mais para dentro da casa. Na cozinha, o amontoado de bonecos ficou mais esparso. Alguns ficaram em uma poça rasa, perto da pia; vários estavam espalhados pelo chão. Uma família inteira estava na mesa da cozinha - o pai correndo atrás de um filho bebê, a mãe olhando para um smartphone do tamanho de um arroz. Um cachorro salsicha estava no centro, não maior que um botão.

E então eu ouvi um grito vindo do andar de cima.

Eu corri para cima. Jingwen estava de pé nas sombras cinzentas do quarto, olhando para algo além do meu campo de visão. Eu entrei, ofegante como um cão selvagem, e segui seu olhar.

De dentro das sombras do armário, a garota loira estava nos encarando. Seus olhos eram selvagens, o cabelo emaranhado e frisado, e ela estava chorando.

"Esta é a sua garota?" disse Jingwen, caminhando em direção ao armário.

Eu olhei para ela. Uma das mãos estava amarrada com uma corda grossa à porta do armário; a outra estava apertada em torno de um dos bonecos. Quando seus olhos encontraram os meus, ela desabou soluçando novamente. "Eu sinto muito", disse ela, em lágrimas.

"Não, não, está tudo bem", eu disse. "Você tem uma faca, oficial? Nós precisamos tirá-la daqui-"

"Eu sinto muito", ela continuou lamentando.

"Por que - por que você sente muito?"

"Ele dosse - ele disse que a traria de voilta", ela disse. "Desde que eu a trouxesse aqui. Me desculpe, eu não-"

A oficial Jingwen e eu nos entreolhamos. "Do que você está falando?!" ela disse, desafiadora e ao mesmo tempo com medo.

A garota balançou a cabeça, lágrimas caindo no chão.

E foi quando ouvimos-

O som de uma porta, rangendo pelo corredor.



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


20/06/2018

Minha entrevista com um assassino de crianças

ATENÇÃO: ESSE CONTO ESTÁ CLASSIFICADO COMO +18. PODE CONTER CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. CONTÉM CONTEÚDO DE ASSÉDIO INFANTIL. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS. PODE TER ACIONADORES DE GATILHOS E/OU TRAUMAS.  LEIA COM RESPONSABILIDADE. 

A música tocava mas era abafadas pelos meus pensamentos. Achei que uma música pop alegre talvez acalmasse minha ansiedade, mas não houve efeito. Minhas mãos ainda tremiam. Meu rosto já estava suado. Sentia os nervos à flor da pele. Eu já havia falado com pedófilos estupradores e assassinos antes, especialmente um que fez isso durante anos. Oito vítimas, todas com menos de dez anos. Peguei meu caderno de capa dura e puxei minha maleta do chão. Um olhar no espelho misturado com uma profunda respiração concentrou minha atenção no meu treinamento. Minha educação vai valer a pena. Meu trabalho é importante demais para ficar com medo.

Sai do meu carro e andei até a frente da prisão. A brisa gelada desarrumou meu cabelo preto que antes estava bem penteado. Meu terno cinza protegia meu corpo do vento e meus novos mocassins retraia a água das poças de perto de minhas meias. Meu traje era uma expressão física de minha educação e autoridade. 

A porta pesada rangeu enquanto eu entrava no prédio público. A sala de espera tinha diversos guardas que fixaram seus olhos em mim enquanto eu entrava. Alguns até riram do meu traje de negócios bem arrumado. Acho que as pessoas que se vestem como eu geralmente não chegam assim tão cedo. Me aproximei da janela da sala de controle que era habitada por um senhor de uniforme. A placa de acesso de visitantes estava manchada de amarelo e o vidro grosso que me separava dele era nebuloso de impressões digitais.

"Quais são seus negócios aqui, senhor?" Perguntou, sua voz revelando seu hábito de um maço por dia. 

"Avaliação psicológica de Kenneth Winston," respondi entre minha barba escura. 

"Não tem avaliações marcadas para Winston hoje." 

Coloquei meus óculos na testa pensando como esse erro acontecera. Minha secretária era meio bobinha em conversações, mas raramente esquecia de agendar meus compromissos.  

"Margaret deve ter esquecido de ligar. Senhor, dirigi quatro horas para essa reunião." 

"Creio que você deveria ter ligado antes de sair de casa. Não mudamos regras só para acomodar alguém que veste terno." 

"Eu preencho um formulário, um registo, qualquer coisa. Preciso fazer essa avaliação hoje."

"Sinto muito, senhor," disse com uma pitada de simpatia. 

"Você sabe quem é Kenneth Winston?" Perguntei em um sussurro.

O guarda relutantemente assentiu. 

"O julgamento dele está próximo. Todos os advogados, famílias das vítimas, mídia, e até o Juiz Stephens ficariam furiosos se essa avaliação não fosse feita hoje. Minha agenda está só para mês que vem, mas tenho certeza que a agenda de Kenneth está aberta hoje para mim," falei, terminando com uma risadinha.

O guarda me olhou de cima a baixo. 

"Você sabe o que ele fez. Meu trabalho é crucial para que não faça de novo. Sem essa avaliação, ele pode sair do julgamento como um homem livre." 

"Visita para Winston, avaliação psicológica," falou em seu  rádio. Com um suspiro o guarda assentiu e me entregou um formulário para ser preenchido. 

Nome: Dr. John Williams

Data: 21 de Janeiro

Motivo da Visita: Avaliação Psicológica para Keeneth Winston

"Quinze minutos," o guarda disse antes de apertar um botão que me permitia entrar em outra sala. Um guarda alto e musculoso instantaneamente me instruiu em colocar tudo que tinha comigo em uma caixa. Coloquei minhas chaves, notebook, celular, e a pasta dentro do contêiner o qual passou por um detector de metal. O guarda usou um detector de mão para meu escanear. 

"Cuidado. Esse ainda é nosso primeiro encontro," brinquei quando ele escaneou minha virilha. Ele revirou os olhos sem sorrir. 

"Vou precisar checar sua pasta," respondeu. 

"Geralmente os guardas dão risada dessa piada," Falei, aliviando a tensão. 

Ele pegou a pasta e começou a vasculhar entre minhas anotações, papéis, documentos e rascunhos. Até checou os bolsos vazios da pasta.

"Pegue seus itens da caixa e me siga pelo corredor," ordenou. Eu obedeci. 

Enquanto o corredor se estreitava, comecei a ver detentos em uma grande sala aberta. Outro guarda me encontrou e perguntou o que eu precisava para avaliação.

"Preciso de uma sala que fique o mais longe possível de outras pessoas. Em minhas experiências, descobri que outros detentos gritando profanidades fazem meu trabalho ficar mais difícil."

O guarda me levou até uma sala no canto mais distante do corredor. Na sala haviam duas cadeiras, uma de cada lado de uma mesa.

"Boa sorte, doutor. Espero que seja lá o que sua avaliação diga, faça com que Winston continue aqui," o guarda falou, "ou que leve-o para a agulha."

"Ele estará algemado?" Perguntei nervoso.

O guarda riu. "Segurança máxima, doutor. Máxima."

O guarda saiu e me deixou sentado no silêncio, sozinho com meus pensamentos. A tinta verde que cobria os blocos de cimento tinha arranhões por todos os lados. A história da sala parecia violenta. O zunido da lâmpada fluorescente furava meus ouvidos. Lembrei de meu treinamento e me foquei em minha avaliação.

Abri minha pasta e tirar algumas imagens e documentos para que eu pudesse começar assim que meu paciente entrasse. Coloquei meu notebook perto de mim caso algo dito em nossa conversa necessitasse seu uso. Tirei meu cabelo preto dos olhos e arrumei os óculos. Eu estava dando uma respirada profunda para me acalmar quando a porta foi aberta. 

A corrente entre suas pernas chacoalhava com cada passo. Os guardas, um de cada lado, colocaram o prisioneiro na cadeira de frente para mim. Ele não se sentou, foi mais jogado na cadeira. Enquanto os guardas prendiam suas algemas em uma argola que era fundida na mesa, Kenneth Winston me observava. Seus olhos verdes brilhantes beliscando cada parte do meu corpo. Não lembro de vê-lo piscar naquele momento. 

Tentei engolir a seco o mais discretamente possível, mas tenho certeza que meu nervosismo era óbvio. Os guardas apertaram as correntes para ter certeza que o detendo não moveria as mãos mais do que poucos centímetros. Quando os dois iam saindo, eu os acompanhei até o lado de fora, deixando a porta encostada.

"Com licença, qual o limite de tempo?" Perguntei.

"Sendo que essa reunião não foi agendada, Roger disse quinze minutos." 

"Senhores, minha avaliação vai determinar se o Sr. Winston pode ser julgado. Somente eu determino se ele continua na cadeia, pega pena de morte, ou sai livre em algum momento. Podemos estender trinta minutos?"

Ambos trocaram olhares e assentiram.

"Além do mais, não quero ser interrompido. Isso inclui guardas do lado de fora da porta. Podem esperar no final do corredor, preciso da total confiança do Sr. Winston. Na minha experiência, detentos não falam nada se guardas estão por perto."

Assentiram novamente. 

Um deles sussurrou em meu ouvido, "Todos nós guarda, caralho, até a maioria dos detentos, estamos torcendo que seja pena de morte." Então foi andando pelo corredor  e sumiu da minha vista.

Meu andar era ansioso enquanto adentrava a sala. Fechei a porta, sentei e olhei no rosto do monstro. 

"Eu te conheço?" Perguntou. 

"Sou o psiquiatra selecionado pela corte para fazer sua avaliação psicológica. Já nos conhecemos, sim."

"Achei que era familiar. Não lembro de sermos apresentados, mas seu rosto me é familiar."

Fiquei nervoso enquanto ele avaliava meu rosto. O que será que estava pensando? Provavelmente a mesma coisa que um leão pensa ao ver uma Zebra. 

"Não temos muito tempo. Farei uma entrevista simples. Farei algumas perguntas para te conhecer melhor. Primeiro, vamos discutir suas ações nos últimos anos. Vamos começar," falei, puxando uma pasta cheia de papéis.

Enquanto olhava os papéis, um arrepio desceu por minha espinha. A sórdida lista que eu segurava era nada mais que uma bandeira que esse monstro balançava orgulhosamente. Eu já havia lido aquele documento dezenas de vezes, mas estar na mesma sala do autor daqueles crimes me deixava enjoado. Lutei contra o vômito. Sr. Winston sorriu vendo meu desconforto. 

"Kenneth Winston. Quarenta e dois anos. Nascido na Florida, mas criado em locais diversos. Sem convicções anteriores, explicando como você evitou a polícia por muito tempo. Oito vítimas. Variando das idades de quatro à dez. Todas do sexo feminino. Você as estuprou, espancou, e então estrangulou-as." 

"Alegadamente," me interrompeu com um sorriso. 

O comentário fez meu sangue ferver mas mantive a compostura. 

"Sr. Winston, não há câmeras aqui, não há gravação de áudio. Até fechei a porta para que você tenha certeza que os guardas não estão ouvindo nossa conversa."

Se mexeu em sua cadeira, pois isso lhe interessava.

"O que quero dizer é que nada que você diga poderá ser usado contra você no tribunal. Estou aqui apenas para aprender sobre o seu passado, seu comportamento, e o possível motivo para seus supostos crimes." 

"Você está pedindo para que eu seja honesto." 

"Sim, Sr. Winston. Honesto. Nada dito aqui dentro sairá daqui de dentro."

Não foi um sorriso completo, mas boa parte de um que ergueu suas bochechas até os olhos. Em um confinamento em uma solitária, ele não tinha ninguém com quem pudesse compartilhar suas memórias, exceto um rato ou dois. Se revirou em sua cadeira em antecipação. O olhar em seus olhos verdes era claro. Ele queria se gabar.

"Vamos dizer que eu fiz essas coisa, e daí?" Perguntou. 

"Só fale. Vamos começar por aqui," Falei, tirando uma foto da minha pasta e colocando em sua frente. 

"Angela Jhonson," sorriu, "Lembro dela."

"Explique o que aconteceu." 

"Eu estava trabalhando em Atlanta na época. Todo dia, indo pro trabalho, eu passava pelo parquinho. Ela era um anjo. Então um dia fiz dela o meu pêssego maduro." 

Ele riu da própria piada perversa. 

Peguei outra fotografia e coloquei na sua frente. 

"Ah, Lindsey, hm..... hmm." 

"Janney," eu o interrompi, lembrando-lhe o sobrenome dela.

"É. Ela gosta de lutar. Dallas é uma grande cidade. Ficou sumida por semanas. Acharam que ela tinha fugido." 

Ele abaixou a cabeça e me olhou nos olhos. "Ela não fugiu."

"E ela?" Perguntei, colocando outra foto, dessa vez uma menina de sete anos, cabelos loiros. 

"Olivia Lawson, uma das minhas favoritas." 

Não tinha percebido até então, mas minhas mãos estavam fechadas em punhos. Mesmo com todos os anos de treinamento, ele conseguia me irritar. Aproximei meu caderno de mim enquanto ele continuava. 

"Um pouco mais de um ano atrás eu tinha acabado de me mudar para Nova Orleans. Vi um grupo de crianças esperando o ônibus. Sem nenhum adulto. Bem, pelo menos nenhum que estivesse prestando atenção. Lembro do seu vestidinho amarelo... seu cabelo amarelo."

Ele parou quando eu limpei uma lágrima de meu rosto. Riu de mim. 

"Você não é muito macho, né, doutor? Nem cheguei nas partes suculentas. Primeiro, antes de eu falar qualquer coisa muito reveladora, preciso falar com quem está me representando."

"Seu advogado já foi contatado. Eu liguei para ele pessoalmente e sendo que nada dito aqui pode ser usado contra você, ele não precisa-" 

"Ele?" Winston perguntou confuso. "Minha advogada é uma mulher." 

Nossos olhos se encontraram. Ao invés de armas, apontamos um para o outro os olhares, em ponto de duelo. Seus olhos se estreitaram enquanto as engrenagens de sua cabeça giravam. Eu sabia que colocaria uma peça na outra assim que eu abrisse o caderno.

Removi um rolo de silver tape de dentro das páginas ocas no grosso caderno, e corri para trás dele. Ele apenas conseguiu dar um gemidinho antes de eu enrolar a fita quatro vezes em sua boca. O som não foi alto o suficiente para levantar suspeitas. Ele começou a se remexer em sua cadeira, balançando as correntes ruidosamente. Dei dois socos para que parasse.

E então dei mais três socos. 

Seus olhos verdes me olharam confusos até que eu removi minha peruca, óculos e barba falsa. Eu estava falando a verdade quando disse que já nos conhecíamos. Foi alguns meses atrás no tribunal, enquanto eu dava meu testemunho. Resmungou algo por trás da mordaça que não dava para entender, mas eu soube bem o que disse. 

Meu nome. 

Anthony Lawson. Oficial da Marinha aposentado. Pai de uma filha assassinada.

Ele começou a chorar quando viu as ferramentas de plástico bem afiado que consegui trazer dentro do meu caderno. Bateu as correntes contra a mesa para pedir ajuda, mas nada que mais uns socos não o fizesse parar. Eu sabia que não devia socá-lo na boca, porque se sua boca se enchesse com sangue, podia se afogar até a morte. Não podia sufocá-lo. Ainda não. Ainda tinha mais vinte minutos. 

Meu treinamento militar me ajudou. Operações secretas e disfarces me deram as habilidades necessárias para executar esse esquema. Fique calmo e pense com os pés nos chão. Conte suas mentiras com confiança. Não deixe que as emoções impeçam que você faça seu trabalho. Quando ele estava descrevendo minha filha, Olivia, quase perdi, mas lembrei do treinamento. Eu tinha que ouvir dele, antes de dar o próximo passo. Na minha humilde opinião, ele tinha acabado de confessar.

Eu não ia deixar que Kenneth Winston se livrasse por alguma tecnicidade, ou que meu imposto pagasse pela comida que aquele demônio degustaria na prisão. A média de tempo de espera no corredor da morte é de quinze anos.

Usando meu extensivo conhecimento dos lugares mais dolorosos do corpo humano e comecei a trabalhar. Quando ele começava a fazer barulho, eu batia mais. Tirei meu terno e revelei o macacão de plástico que tinha por baixo. Os respingos de sangue caíram nele, para que meu terno continuasse limpo. O plástico não era respirável, então estava suando desde que entrei no estacionamento. Não vou entrar em detalhes sobre tudo o que fiz, mas vou dizer que depois de colocar suas genitais na mesa à sua frente, ele quase desmaiou.

Depois de terminar meu trabalho tinha ainda cinco minutos antes que os guardas voltassem. Removi o macacão de plástico e enfiei na maleta. Depois de colocar meu terno, peruca, óculos e barba rapidamente, saí da sala e me aproximei do guarda no final do corredor.

"Desculpa incomodar, esqueci uma coisa no meu carro. Não sei onde estou com a cabeça hoje. Volto rapidinho. Sob nenhuma circunstancias vocês podem interromper o Sr. Winston antes de eu retornar. Isso poderia colocar a avaliação em risco. Entendido?"

O guarda assentiu. 

Passei pela porta até a área da recepção. Expliquei para diversos guardas que tinha esquecido algo importante no carro e que já voltaria. 

Acelerei o carro e fui para casa o mais rápido que pude.

Investigadores das forças especiais chegaram mais rápido que previ. Depois que descobriram o que acontecera com Kenneth e de verem as gravações das câmeras de segurança, eu era o principal suspeito. Dentro de duas horas uma dúzia de viaturas cercaram minha casa, mas naquele momento o terno, o caderno, as ferramentas, a barba, o macacão e o resto todo já tinha virado cinzas. Ao invés de encontrar um psicopata louco coberto de sangue quando entraram na minha casa, encontraram eu e minha esposa sentados no sofá junto de mais dois casais. 

Frank e Elizabeth Johnson, pais de Angela Johnson, e Bill e Susan Janney, pais de Lindsey Janney.

Os polícias entrevistaram todos nós. Ninguém deu com a língua nos dentes. Todos mentaram a história que ensaiamos tão bem. Eu tinha estado em casa o dia todo. O cara do vídeo não podia ser eu, sendo que não tenho cabelo preto, muito menos barba e nem se quer uso óculos. Nenhuma evidência foi encontrada. Os polícias ficaram putos e até argumentaram que os guardas da prisão poderiam me identificar, mas eu sabia que isso não seria sustentado no tribunal. Eu tinha até assinado na prisão sempre usando uma assinatura e informações falas com a pior caligrafia que consegui. 

Os outros casais estavam na nossa casa para nossas reuniões mensais. Um tempo para lamentar juntos a morte de nossas filhas. Um tempo para ajudar a sarar as feridas um dos outros. Um tempo para contar histórias de bons tempo que passamos com nossos bebês. 

Um tempo para bolar um plano de como se livrar de Kenneth Winston. 



FONTE

19/06/2018

Eu e Meu Irmão Vimos Algo Assustador – Parte 7


Hoje acordei disposta a continuar minha investigação mesmo estando de castigo. Olhando a TV ligada na sala, apareceu uma notícia urgente:

“Foi encontrado o corpo do pequeno Mark de 8 anos que havia desaparecido a 18 horas. Ele desapareceu quando estava brincando em frente a sua casa por volta no final da tarde e foi encontrado sem vida dentro de um saco preto perto de um poste; seu corpo tinha hematomas e seu nariz estava quebrado, havia um pano em sua boca e estava totalmente amarrado e nu...”

Pavor me inundou como fogo em meu corpo quando vi a foto, era o menino que vi na cozinha de Tommy.

“O assassino permanece a solta”, ao ouvir isso eu caio no sofá quase desmaiando.

“Você está bem? Você está pálida”, ouço a voz de minha mãe na escada.

“Sim...”

Minha mãe me socorre e me envolve em seus braços quentes e confortantes.

Matt POV

Soube da notícia de Mark e isso me deixou bastante assustado.

Estou no meu quarto lendo gibis quando meu pai entrou. Depois daquele dia, meu pai acordou e recebeu alta, ele está bem agora.

“E aí filhão”, disse alegremente e desapontado ao mesmo tempo.

“Oi”, falo com o maior desânimo.

“Para a proteção de vocês nós não deixaremos mais saírem”

“Mas Alice disse que ia continuar a sair”

“Ela não vai mais, vamos ficar de olho”, ele sai do quarto. Alice surge depois.

Alice POV

Entro no quarto de Matt e vejo ele lendo seu gibi.

“Nós não vamos deixar isso de lado, temos que continuar sem mais nem menos”, digo em tom determinante.

“Papai disse que não podemos sair”

“Mas vamos sair assim que eles estiverem ocupados demais sem precisar da nossa atenção”

“Você é muito teimosa. NãEntro no quarto de Matt e vejo ele lendo seu gibi.

“Nós não vamos deixar isso de lado, temos que continuar sem mais nem menos”, digo em tom determinante.

“Papai disse que não podemos sair”

“Mas vamos sair assim que eles estiverem ocupados demais sem precisar da nossa atenção”

“Você é muito teimosa. Não sabe o perigo que ele pode causar? Não adianta fazer de novo Alice”, bufou com tanta raiva em sua voz. Respiro fundo e fecho os olhos.

“Eu QUERO descobrir tudo, quero saber TUDO”

“Então você vai investigar sozinha porque eu desisto”

Não aguentei ouvir as recusas de Matt e sai do quarto furiosa. Volto ao meu quarto e penso no plano. Não preciso de Matt para criar novas ideias e planos, eu faço sozinha. É, eu sou muito teimosa e descobrirei mais, custe o que custar.

Autora: Ely Costa