18/01/2018

Uma imagem na luz

Quando vejo os relâmpagos, eles dissolvem toda a minha razão, permitindo que medos primordiais percorram por meu corpo e minha mente. As luzes já estavam apagadas, e eu estava na cama, tentando forçar a inconsciência. 

Já havia passado da fase em que acreditava que fechar os olhos, virar para o lado oposto ao da janela e cobrir minha cabeça facilitaria que o sono viesse, e eu estava indefeso, direcionando minha visão para qualquer área que não estivesse completamente escura, esperando me sentir cansado o suficiente para ignorar minha ansiedade irracional. Mas era tudo demais para a minha mente. O vento fantasmagórico, a chuva que caía impiedosamente sobre minha casa e meu gramado, os trovões que pareciam dividir o céu numa cacofonia, e o pior de tudo, os relâmpagos que vinha segundos antes dos trovões e pintavam o meu quintal com uma estranha luz. 

Fui despertado do tipo de hipnose que a tempestade havia lançado em mim por um tipo diferente de relâmpago. Em minhas paredes ele parecia flashes irregulares de uma câmera no lado de fora, e não havia trovões acompanhando. Os relâmpagos normais pareciam ter sido afastados para dar espaço a eles. Olhei pela janela para ver o que estava produzido as luzes que iluminavam as paredes do meu quarto. 

Para minha surpresa, os relâmpagos não vinham do topo das árvores ou de trás das cercas altas, mas aparentemente, vinham do centro do meu quintal, era como se os relâmpagos dos quatro cantos do céu tivessem convergido num enorme globo de luz. 

Não, eles não estavam formando um globo. Estavam sendo emanados por ele. 

O conglomerado de luz relampejava em efeitos irregulares, mantendo perfeito silêncio. Era um rosa de outro mundo, como um tipo de rosa neon. Depois de um tempo ele se apagou, ficou escuro por tanto tempo que pensei que todo aquele terrível jogo de luzes tivesse acabado. Mas depois de alguns segundo ele retornou com dois flashes brilhantes, e pude discernir no interior do globo, tão claro quanto as palavras que você lê agora, uma silhueta humana. 

Depois disso a luz se foi. Os relâmpagos normais retornaram e suas luzes provaram que não havia mais nada em meu quintal. 

Minha mente procurou uma explicação pelo que eu tinha visto, e ainda não encontrou. 

Quando vejo relâmpagos, sempre me lembro daquela noite. Meu medo ainda continua ali, mas agora há um grande mistério acima disso. Em cada relâmpago que ilumina os céus, espero encontrar uma resposta. 

E temo que um dia eu realmente encontre. 

Floyd Pinkerton 

17/01/2018

As histórias de um Oficial de Resgate no Serviço Florestal dos EUA (FINAL)

PARTE 1 PARTE 2 - PARTE 3 - PARTE 4 - PARTE 5 - PARTE 6 - PARTE 7

Essa será minha ultima atualização. 

As coisas começaram a se deteriorar aqui em um nível que eu não previ. Não sabia que escrever sobre as coisas que aconteciam aqui podiam afetar todos os aspectos da minha vida, e provavelmente foi algo estúpido a se fazer. Talvez devesse ter pensando mais seriamente sobre porém, honestamente, apenas achei estar escrevendo sobre coisas que algumas pessoas gostarias de ler. Eu não queria receber tanta atenção assim. 

As pessoas me perguntam sobre as escadas agora. Não acontece todos os dias, mas quando ocorre, não sei o que falar. Meus chefes sabem que tem alguém falando sobre isso, e sei que se eles sabem, os mandachuvas também. E posso ver que não estão contentes sobre. Fui informado formalmente de que não posso mais falar sobre isso com ninguém, e esse é um dos motivos desta ser minha última atualização. Não posso arriscar meu emprego; por mais que tenha sido maravilhoso tirar essas coisas da minha cabeça, ainda assim amo meu trabalho e preciso continuar aqui. Se não isso, meu conhecimento sobre o que realmente está acontecendo é razão suficiente para continuar. Eu posso não poder falar o que tem por aí, mas se eu ver algo, posso pelo menos colocar as pessoas em um caminho seguro. 

Por causa da quantidade de atenção que minhas histórias receberam, ouvi muitas outras histórias sendo contadas boca a boca. Ouvi tantas que nem consigo me lembrar da maioria. Mas as que lembro são aquelas que não consigo esquecer. 

Uma delas era sobre uma moça que desapareceu no norte do estado. Inicialmente, todos acharam que havia fugido. Ela não vinha de um bom lar, então não era uma surpresa de que tinha decidido ir embora de lá. Mas pessoas começaram a falar que a viram nas redondezas do parque logo depois de seu desaparecimento, então alguns patrulheiros da área foram mandados para ter certeza de que ela não tinha se enforcado em algum lugar fora das trilhas. Demorou um tempo, mas encontraram. Bem, não inteira. Apenas sua língua e um quarto de sua mandíbula. Cortes limpos, pelo que sei. Nunca encontraram o resto. 

Muitas histórias sobre crianças. Muitas delas que desapareceram e foram encontradas em cavernas profundas, ou espaços impossivelmente apertados. Diversas apareciam em picos de montanhas, ou em ravinas. Sem sapatos, sem meias, mas encontrados em perfeito estado de saúde, mesmo estando quilômetros e quilômetros de onde desapareceram. 

Muitas histórias sobre pessoas de olhos negros, vagando pelas florestas e chamando as pessoas na noite, mimetizando o som de água corrente ou o grito de um animal silvestre. Um homem em particular vai de estação de rádio em estação de rádio contando a mesma história. Ele era um caçador de cervos, estava acampado em uma área bastante remota, e acordou porque algo estava raspando contra sua barraca. Achou ser um guaxinim ou raposa até que a coisa pressionou seu rosto na porta da tenda e ele pode ver um nariz e boca humana. Deu um chute e a coisa foi para trás, e quando abriu a barraca com sua arma em punho, já havia sumido. Deu dois tiros de aviso e, quando o som se dissipou, ouviu um "creck" atrás de si. Um homem estava no limite de seu acampamento. Esse homem não estava usando roupas, mas também não parecia ter pele humana. Como o caçador descreveu, o homem era feito de uma amalgamento de carne humana e pelos. Como se alguém tivesse juntado vários animais mortos em beiras de estrada e colocado em forma de um homem. O rosto era embolotado e só se parecia vagamente com uma pessoa. A coisa abriu sua boca torta e dessa veio o som dos tiros que o caçador acabara de disparar. Fez isso duas vezes antes de imitar o barulho do zipper da barraca, depois saiu correndo para a escuridão.

Um casal de jovens, que estava fazendo um trilha na parte rochosa do parque, falaram comigo ontem que tinham visto algo estranho em um pico que conheço muito bem. Estavam dividindo um luneta e olhando a linda vista, quando o homem notou um escalador subindo por uma parte difícil da montanha. Ficaram assistindo o escalador, e nem pensaram no momento que o homem não carregava consigo equipamentos de escalada. Quando o escalador chegou ao topo, que era cerca de 8 quilômetros de onde estavam, se viraram e olharam para o rapaz. Disse que, seja quem ou o que era aquela pessoa, estava olhando diretamente para eles. O escalador acenou de forma exagerada antes de pular do penhasco. Os jovens disseram não ver onde ele foi parar. Mandei-os embora assegurando que iria verificar o que disseram. Menti. Não vou fazer um relatório sobre, porque existem mais dez outros iguais. O escalador é muito bem conhecido por aqui. Não questiono mais sobre.

Tem muitas coisas que nunca entenderei sobre meu emprego, e levarei anos para processar tudo que eu ouvi nos últimos meses. Talvez eu volte se achar que não esteja com possibilidades de ser demitido. Obrigado por todos que estiveram me acompanhando nessa jornada. 

Se você for para as florestas, por favor, fique em segurança. Leve água, comida, equipamento de sobrevivência. Informe para outras pessoas onde vai e quando vai voltar. Não vá por caminhos desconhecidos, só se souber bem o que está fazendo. 

Mas acima de tudo:

Não toque nelas. Não olhe para elas. Não suba nelas. 

FIM


Este conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


16/01/2018

Meu avô morto desfez amizade comigo no Facebook

Oi, gente. Estou meio estranho por causa de uma situação, e preciso de conselhos. 

Meu avô está morto faz dez anos, mas antes de morrer ele fez uma conta no Facebook. Eu nunca desfiz amizade com ele, porque era como se ainda tivéssemos uma conexão portanto que eu conseguisse ir até seu perfil e lesse nossas conversas antigas. Bem, algumas semanas atrás percebi que meu número de amigos tinha diminuído em duas pessoas. Nunca tive muitos amigos no Facebook, então eu sabia que devia ser algum dos meus amigos próximos ou familiares que tinha me excluído. Eventualmente percebi que devia ser minha vó ou meu avô. Pensei que talvez o próprio Facebook tinha excluído a conta de meu avô por inatividade, mas... Isso não explicava minha avó. Além do mais, eu ainda podia encontrar os dois se pesquisasse os nomes. Não sei porque, mas tentei adicionar os dois novamente. Quase imediatamente, a opção de adicionar meu avô voltou, o que significava que ele tinha ignorado meu pedido. O pedido para adicionar minha avó ficou pendente algumas horas, mas eventualmente foi negado também. 

Tudo isso é detalhe demais, muito mais do que você se importa, provavelmente, mas tenho que contar para alguém porque é muito estranho, e quero contar a história toda.

Minha avó ainda está viva. Não a visito tanto quanto deveria, algumas vezes no ano... Ela não é muito das tecnologias, mas entra no Facebook uma ou duas vezes por mês. e depois de horas dolorosas tentando ensiná-la como acessar o banco pela internet, agora até consegue pagar suas contas online. Mas além disso, Facebook é a coisa mais complicada "dessas coisas de computador" que consegue lidar.

Falei com minha mãe e ela olhou sua conta. Também tinha sido excluída. Estava prestes a ter um surto nervoso quando ligou para vovó e ela não atendeu. Moro bem perto de minha mãe, então ela me buscou e fomos de carro até a casa de minha avó. É uma hora de onde moramos. Realmente não ter desculpa para visitarmos tão pouco.

Vovó estava em casa, e feliz em nos ver. Quando minha mãe quis saber porque ela não tinha atendido o telefone, falou que tinha ido visitar o tumulo do vovô. Ela não parecia achar que minha mãe teria motivos para estar tão chateada, mas nos convidou para entrar e perguntou se gostaríamos de ficar para a janta ou um café. Decidimos ficar por algumas horas. Como já disse, realmente devíamos visitá-la com mais frequência, e toda vez que vamos lá fica claro que ela adora nos receber... Nos sentimos culpados quando estamos lá, mas a vida segue, e sempre temos outras coisas para fazer.

Minha vó tem um piano antigo. Não sou muito musical, mas é muito nostálgico para mim ouvir mamãe ou vovó tocando o piano. O que fizeram, algo que sempre fazem quando vamos visitar. Foi uma boa sensação. Parecia normal. Então falei para mim que provavelmente ela tinha apenas tinha feito essas coisas que gente velha faz, e entrado sem querer na conta de vovô. Mas eu ainda tinha uma curiosidade dentro de mim, então perguntei durante o jantar. Ela pareceu constrangida, mas disse que não queria mais usar o Facebook, então tentou deletar sua conta. Falamos que a conta ainda estava aberta, mas ela disse para deixar para lá. Terminamos de jantar, ajudamos a arrumar algumas coisas na casa. Ela estava feliz em nos ter lá e, novamente, tudo parecia normal. Depois fomos para casa.

Algumas semanas se passaram. Minha mãe e eu ligamos para vovó uma ou duas vezes, tudo parecia normal. Mas na semana passada durante uma noite tediosa, decidi procurar meus avós no Facebook de novo. As fotos do perfis tinham mudado. Minha vó mudada de vez em quando, e as novas não pareciam estranhas mas... Vovó tinha dito que tinha parado de usar o Facebook. E não tinha motivo nenhum para mudar a foto do perfil do meu avô falecido.

Comentei com a minha mãe sobre no dia seguinte, e ela ficou com a mesma sensação que eu... algo estava errado. 

Fomos visitar minha vó de novo ontem. Ficou feliz em nos ver de novo. Na verdade, parecia muito mais feliz do que a vi em anos. 

Perguntamos novamente sobre o Facebook, e novamente disse que não tinha mais o acessado. Quando mencionamos a troca de fotos do perfil, falou que talvez tivesse entrado uma ou duas vezes. Não queria falar sobre aquilo, então deixamos para lá. Ajudamos com algumas tarefas domésticas, mas... dessa vez minha curiosidade era maior, então arranjei uma desculpa para entrar em seu quarto enquanto ela estava na cozinha com minha mãe, e liguei o laptop. Sei todas as senhas dela, porque ela nunca muda, e deixa todas elas anotadas em um papelzinho perto do notebook. Foi um pedaço de lixo barato desde que compramos meia década atrás, mas ela só usa as coisas mais básicas para coisas tipo escrever sobre sua infância (Ela vivia no meio do nada, e cresceu em uma casa de de idosos na década de 30, então sabe mais sobre a área e as pessoas que moravam lá do que praticamente qualquer um). Mas ... tinha instalado o navegador Tor.

Ela não é idiota, mas sempre foi muito, muito ruim em coisas relacionadas a computador, como muitos idosos. Então isso me surpreendeu. Provavelmente nem meus pais sabem o que é ou para o que serve o navegador Tor, então minha avó não deveria saber. Inferno, nem eu sei direito! A única vez que usei foi quando fui dar uma olhada na Deep Web alguns anos atrás e foi muito breve e rasamente. 

Cliquei no Tor, e abriu como um site de busca normal. Sem favoritos, sem histórico, nada. Considerando que ela tinha o costume de anotar todas suas contas e senhas em papéis e deixar perto do notebook, acreditei que ela nem sequer usava o Tor. Fechei, e abri o navegador padrão, abrindo no Facebook. Estava com a conta logada. Tinha excluído todos os amigos. Todos menos vovô. E isso aqui que me deixou assustado; haviam posts na timeline de ambas as contas desde o dia que excluíram todos. Alguns eram da conta dele, mas a maioria da dela. Respondiam um ao outro. Pareciam conversas. Vovó demorava minutos e as vezes horas para responder, mas as respostas de meu avô eram instantâneas. Haviam fotos antigas deles, de quando eram jovens. De antes da invenção da câmera digital. Supus que minha avó tinha aprendido a escanear fotos, ou pagou alguém para fazer isso, mas... Por que ela inventava conversas falsas com seu falecido marido? Comecei a me preocupar de que algo muito sério estava acontecendo como vovó. Tirei algumas fotos da tela com meu celular, depois fui para a cozinha. Me juntei a conversa por um tempo, depois sussurrei para minha mãe ir até o quarto enquanto eu conversava com minha vó. Mantive-a entretida por uns 20 minutos até minha mãe voltar. Estava um pouco pálida, então deve ter achado a coisa tão bizarra quanto eu achei. Mas e agora? Não sabemos o que fazer. Voltei para o quarto com a intenção de desligar o laptop antes que ela notasse que tínhamos entrado lá. Porém, quando olhei para a tela, havia uma nova mensagem esperando por ela. Uma mensagem de meu avô. Abri a janela de mensagem, e li: 

A Angie e o Charlie já foram embora? 

O nome da minha mãe é Angela, então Angie não é um apelido estranho, mas ninguém me chama de Charlie além de meus avós. Charles é meu nome do meio, e muitas pessoas nem sequer sabem que eu tenho esse nome. Então fiquei meio perturbado que alguém estavam me chamando assim usando a conta do meu avô morto. Também tirei uma foto disso, depois fechei o navegador e desliguei o notebook.

Minha mãe e eu nos despedimos e fomo embora. Tudo no comportamento da minha vó parecia normal, e estava triste em nos ver partir como sempre... Mas eu sei que obviamente ela não podia ter respondido aquela mensagem para ela mesma, sendo que estava na cozinha conversando comigo o tempo todo. 

Isso aconteceu ontem e não faço ideia do que está acontecendo. Quero dizer, sei que algo não está certo, mas não sei o que é. Como faço pra saber? Será que confronto minha avó sobre? Não sei o que fazer. Se tiver uma sugestão, eu ficarei grato. 

FONTE

Este conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


15/01/2018

CheckMate!

Cindy era uma menina de 7 anos que adorava correr pela casa usando seu vestido rosa, parecia uma princesa correndo de um lado para o outro. Seu pai Joe sempre dizia que princesas de verdade não precisavam de muitas riquezas para serem felizes. Joe era dono de algumas terras e também tinha alguns cavalos; mesmo tendo posses fazia questão de ensinar sua filha que coisas boas vêm de coisas simples, assim não cresceria valorizando somente o dinheiro. Para ele o dia era como uma semente que precisava ser regada todos os dias.

Quando sua esposa Rose faleceu, Cindy tinha apenas um ano de idade e ele sabia que uma figura feminina seria necessária na vida de sua filha. Foi durante uma visita em suas terras que ele conheceu Jessica, uma mulher muito simples que ajudava na criação de seus cavalos, educada e com um sorriso encantador que chamava a atenção de qualquer pessoa. A simpatia de Jessica conquistou Joe e em pouco tempo já estavam apaixonados um pelo outro; não demorou muito para ele convidar Jessica para morar em sua casa e ela aceitar. 

Jessica nunca teve família e sempre foi mais apegada aos bichos; sua tia a criou em meio ao 
campo e como trabalhava muito nunca teve tempo para dar atenção a ela, isso a tornou uma pessoa carente. 

Conforme o tempo foi passando se sentiu mais segura para assumir um papel de mãe na vida de Cindy, então tentava sempre agradá-la com bonecas, revistas para colorir e etc. Às vezes até encontrava os presentes na lata do lixo. Cindy não gostava de Jessica, mesmo que ela tentasse de todas as formas se aproximar mais. Todos os dias era uma tentativa nova de conquistar sua atenção, mas a menina nunca se importava e isso só causava frustração, nada parecia ser o suficiente, nenhuma ideia era boa o bastante. 

Faltavam alguns dias para Cindy completar oito anos, estava mais alegre do que nunca pulando pela casa toda. Sua madrasta parecia compartilhar de sua alegria, tanto que pediu a Joe para que a deixasse cuidar da decoração. Naquele dia passou horas na rua encomendando itens de decoração. 

 Passados alguns dias a festa estava pronta, uma decoração caprichada em detalhes com muitas cores e miniaturas de princesas da Disney. Cindy estava vivendo um sonho de princesa, as outras crianças estavam encantadas com a mesa cheia de doces e salgados, sem falar da enorme quantidade de balões cor de rosa que havia na festa; a caixa de presentes revestida com pelúcia branca ficou cheia em pouco tempo, as crianças pareciam famintas e não esperaram muito para atacar os doces. Era como estar em um clipe da Katy Perry e novamente ela estava usando seu vestido rosa favorito. 

Ao final da festa as crianças começaram a levar alguns balões para casa e Jessica parecia muito incomodada com aquilo, sua decoração estava sendo desfeita. Joe estava na saída distribuindo brindes para os convidados. Havia uma cortina de balões perto da mesa do bolo e Jessica perguntou se ela não iria estourar os balões. Jessica se deliciava com os brigadeiros em sua mesa, enquanto observava a menina caminhar em direção aos balões de gás inflamável que tinha encomendado especialmente para ela, mas na metade do caminho Cindy virou para trás e sorriu; um sorriso que conseguia ser diabólico e ao mesmo tempo angelical. Seus olhos estavam olhando fixamente para um lugar e não eram para os olhos de sua madrasta e sim para a mão esquerda dela que segurava um brigadeiro. Foi então que Jessica olhou para a mesa de doces e percebeu que os brigadeiros que estavam lá eram diferentes dos brigadeiros que estava comendo, eram mais escuros e opacos. 

Seus olhos se voltaram novamente para Cindy que dessa vez estava segurando um pequeno frasco de veneno de rato. Os balões não resistiram por muito tempo e começaram a explodir enquanto Jessica sentia sua respiração começar a falhar e a morte chegar. 

Autor: Andrey D. Menezes.

(Espero que tenham gostado, deixem comentários se for possível, a opinião sempre ajuda.) 

(Caro Youtuber credite o blog e o nome do autor caso faça uma narrativa, é importante.) 






13/01/2018

Vox e Rei Beau: Tudo ficou estranho

Tudo ficou estranho. Eu não consigo pensar em outro meio de dizer isso. Eu vou tentar descrever o que vem acontecendo da melhor maneira possível, e então vou contar mais histórias. Eu não sei mais se essas histórias são memórias que estou recuperando ou outra coisa. Toda vez que tento me lembrar, mais histórias aparecem. E, bem, podem haver muitas delas, porque nós estamos falando de uns 4 anos da minha vida, mas eu não sie mais dizer.

Enfim, acho que estou me adiantando. Deixe-me explicar o que aconteceu noite passada.

Meu amigo Chris veio pra cá depois de sua paralisia do sono. Eu contei tudo pra ele. As vozes, minhas idas ao terapeuta, o rádio, ver alguém em minha casa, tudo. A resposta dele, sendo o maconheiro que ele é, foi fumar um. Ele pensou que me ajudaria a relaxar, talvez dormir um pouco. Isso é embaraçoso de admitir, mas por ter sido criada por uma boa mãe cristã que reforçou a importância de nunca usar drogas, eu só fumei maconha umas duas vezes. Mas esses últimos dias têm sido tão complicados, e meu trabalho não faz testes para drogas mesmo, então eu pensei, por que não? Não é como se eu pudesse me machucar com isso.

Então é, eu ia terminar a história mas então eu fiquei chapada.

Nós ficamos sem fazer nada por algum tempo, então assistimos a um filme, comemos sanduíches, e provavelmente ambos acabamos dormindo. A próxima coisa de que me lembro é de acordar em minha sala. A T Vestava ligada mas apenas mostrava estática, provavelmente porque nós estávamos mexendo no DVD. Chris estava dormindo na poltrona, então eu decidi levantar do sofá e ir direto para meu quarto. Eu desabei na cama e dormi novamente. Digo, aquela maconha era bem forte, mas eu acho que isso tinha mais a ver com o fato de que eu estava exausta. Depois disso, eu tive uma espécie de sonho.

Nesse sonho eu acordei porque eu senti alguém pegar minha mão. No começo eu não abri os olhos porque eu achei que era só o Chris sendo estúpido, mas lentamente eu percebi que os dedos eram gelados e ossudos e simplesmente… errados. Eu não sei como explicar. Era como se quem estivesse pegando minha mão nunca tivesse segurado uma mão antes e seus dedos estivessem segurando-a totalmente errado. Eu abri os olhos (no sonho) e lá estava ele.

Era o mesmo homem que eu tinha visto na beira da minha cama. Ele se ergueu sobre mim. Ele tinha a mesma pele albina, olhos leitosos, e cabelo branco. Ele sorriu para mim e seus lábios foram puxados para trás, mostrando linhas de dentes pontiagudos. Era como olhar para um crocodilo abrindo sua boca e simplesmente exibindo sua mandíbula. Agora eu me dou conta de por que eu não sabia se ele estava usando roupas ou armaduras. Suas vestes eram de cor preta, azul e cinza, mas feitas de estranhos troféus e prêmios completamente misturados em algo intricado e acho que quase nobre.

Eu estava assustada. Não posso mentir e dizer que não. Mas talvez a maconha ou apenas o meu estado sonolento fossem o que estava me impedindo de perder o controle. Digo, lá estava ele em toda sua glória horrível, assim como eu me lembrava. Eu nem mesmo removi minha mão da mão dele. Pensando bem, talvez parte de mim tenha se dado conta de que não importaria. Ele me possuía. Eu me lembrei, no entanto, de tudo que vocês vêm me dizendo. Eu perguntei, “Como eu posso saber que você é realmente Beau?”

Ele se curvou, embora o movimento não tenha sido humano de forma alguma. Era muito gracioso e havia uma curvatura muito suave. Ele colocou seu rosto perto do meu, olhando diretamente para mim com seus olhos leitosos, e eu juro que por um momento eu achei que ele fosse me cortar em vários pedaços ali mesmo. Mas ele se moveu para meu lado e pressionou sua cabeça contra minha têmpora direita, como um grande cachorro. Não era um movimento confortante no sentido tradicional, mas era quase afetuoso.

Ele disse, “Pequena Jeep.” Então ele emitiu mais um daqueles suspiros feitos de doze vozes diferentes.

Vocês talvez não saibam, mas os jipes SUV são nomeados por causa de um personagem do desenho do Popeye. Eugênio o Jeep Mágico era uma criatura mágica que tinha um “cérebro quadrimensional.” Ele podia atravessar paredes, teletransportar, todo tipo de coisa e ele sempre tinha que dizer a verdade. Ele também só comia orquídeas.

Aqui tem um link da Wikipédia sobre ele: https://pt.wikipedia.org/wiki/Eugênio_o_Jeep_Mágico

Quando eu era uma criança e visitava meus avós, eu assistia esses antigos desenhos do Popeye. Eugênio era meu personagem favorito de longe. Eu achava ele adorável, e eu amava todas suas habilidades especiais. Eu até mesmo corria pela casa dizendo “Jeep!” como ele fazia. Beau achava isso bizarro, mas ele tolerava e até mesmo me chamava de Pequena Jeep. Ninguém mais sabe que ele fazia isso. Até eu mesma havia me esquecido até que ele disse isso. Eu não sei se isso é suficiente para passar o teste de mais alguém, mas na hora foi bom o bastante para mim.

Eu olhei para ele e disse, “Mas você não é real. Você é apenas minha imaginação.”

Ele se ergueu novamente e continuou com seu sorriso maluco. Eu achei que ele fosse dizer algo, mas subitamente seu rosto mudou. Seus dentes continuavam à mostra, mas seus lábios se torceram em um esgar. Seus olhos viraram para trás e sua cabeça logo seguiu o mesmo caminho, com o queixo erguido como se ele estivesse olhando para o céu. Seu pescoço relaxou para o lado e seus olhos encararam a janela para nada que eu pudesse ver. O que eu vi foi o que saiu de sua boca.

Era uma espécie de alcatrão preto vazando por entre seus dentes. Não posso sequer descrever o fedor. Eu nunca senti um cheiro como aquele. Era como pura podridão e sangue velho e alface podre, mas isso nem mesmo começa a descrever. A pior parte foi quando eu percebi que estava engatinhando. A gosma começou a se separar em vermes gordos e gosmentos conforme se movia por seu queixo.

Eu disse algo estúpido, como “Quê?” ou “Beau?” porque nesse ponto eu não tinha idéia do que fazer o do que estava acontecendo. Além de nunca mais fumar maconha de novo, tudo que eu sabia era que eu estava completamente perdendo minha sanidade. Ele lentamente se virou para me encarar, e seus olhos, já arregalados, se abriram ainda mais, como se ele estivesse forçando para me ver.

“Vox.”

Quando ele falou seus lábios e boca não se moveram, mas os músculos em sua garganta ficaram tensos e a voz veio claramente dele – não de dentro da minha mente ou algo assim. Ele ia dizer algo mais, mas seu peito se contraiu em um espasmo e ele começou a vomitar os grossos vermes de alcatrão com forte, dolorosa náusea. Antes que aquela sopa pudesse tocar o chão, os vermes incharam e suas pernas cresceram. Demorei um minuto para perceber que eu estava encarando uma massa de besouros pretos. Eles zumbiam tão alto que eu pensei que meus ouvidos fossem sangrar. Eu podia ouvir meus dentes vibrando em meu crânio. Eu achei que meu cérebro fosse começar a pulsar e havia uma pressão em minha cabeça que se forçava contra meus olhos. Os besouros engatinharam por cima de Beau, mas eu comecei a ver estrelas. Eu não conseguia respirar e meu coração parecia que estava forçando com tudo para mandar sangue para meu cérebro. Não lembro de mais nada depois disso. Eu realmente apaguei.

Acordei com a pior boca seca que tive em toda minha vida e uma dor de cabeça pior que qualquer ressaca. Eu estava na cama, mas não havia nenhum poça de alcatrão ou evidência de que qualquer coisa tivesse acontecido. Meu amigo já tinha ido trabalhar. Quando eu tomei um pouco de Tylenol e me senti bem o bastante para funcionar como uma pessoa, eu liguei para ele e perguntei se ele notou algo estranho noite passada. Ele disse que não, que eu apenas fui para meu quarto e depois de algum tempo ele se deitou no sofá.

Depois disso meu terapeuta me ligou para dizer que meu plano havia aprovado minha tomografia e que ela está marcada para próxima quarta feira. Eu disse que isso é ótimo porque eu estou perdendo minha sanidade. Eu contei para ele sobre o sonho. Ele disse para eu não me preocupar. Essas coisas acontecem, especialmente se você for burro o bastante para usar drogas. Que isso sirva de lição para vocês. Então, é aí que estamos.

Há mais. Isso é tudo que aconteceu hoje até onde nós estamos agora. Desculpem-me, eu estou tentado dar qualquer informação relevante que eu possa ter na chance remota de que possa ser útil. Eu estou um pouco perdida agora. Esse pesadelo realmente mexeu comigo. Eu costumo ter sonhos vívidos, mas isso foi além do normal por muito.

(A propósito, no sonho Beau não disse “Vox.” Ele disse meu nome. Apenas lembrem de agora em diante que se o nome Vox for usado, é só um substituto para meu nome real.)


10/01/2018

As histórias de um Oficial de Resgate no Serviço Florestal dos EUA (PARTE 7)

(VOCÊS TEM ALGUMA SUGESTÃO DE SÉRIE PARA EU TRADUZIR?)

PARTE 1 PARTE 2 - PARTE 3 - PARTE 4 - PARTE 5 - PARTE 6


Um dos tópicos que mais me perguntam sobre, aqui e na vida real, é sobre coisas como o The Rake, Wendigo e outras criaturas lendárias do tipo. Não posso falar honestamente que sei muito sobre eles, mas baseado em algumas leituras básicas que fiz, posso dizer que ouvi histórias que parecem ser levemente relacionada à eles. Você já deve ter ouvido o antigo provérbio de que lendas desse tipo surgem de algum lugar verdadeiro, mas como vocês sabem, sempre levo essa considerações com um pouco de ceticismo. Tenho que fazer isso, aqui principalmente. Acredito que é como trabalhar em um hospital; Você pode passar o dia todo pensando em quantas pessoas já morreram lá, e como provavelmente existem fantasmas, ou sei lá como queira chamá-los, por todos os cantos, mas isso não vai te fazer bem. Só tornará seu trabalho mais difícil. Creio que muitos de nós se sente dessa forma, e por isso tentamos apenas voltar a trabalhar como se tudo estivesse bem. Uma vez que fica paranoico, não tem como voltar atrás, e muitas pessoas se demitem e ficam surtando com qualquer coisinha, simplesmente parecem não conseguir superar. Você tem que aprender a internalizar as coisas e desligá-las.

Conversei com K.D sobre suas experiências, porque eu queria saber o que pensava sobre o Wendigo. Ela não tinha nada muito especifico para falar sobre, além de que não queria pensar muito sobre, mas me falou que um amigo dela que passou por algo parecido. Contatei essa pessoa, H, pelo Skype, e ele concordou falar comigo sobe. Ele está ciente do meu trabalho e não se importa que eu escreva aqui sua história, exatamente como me contou:

"Cresci na região central de Oregon, e existe uma reserva chamada Warm Springs a cerca de duas horas e pouco de onde eu morava. Só estou citando isso porque várias pessoas na minha área tem amigos por lá, e muitas das terras pertencem à essa tribo. Quando eu era criança, costumávamos ir acampar nesse lugar. Não na reserva em si, mas na área, e conheci muitas crianças que cresceram ali. Fiquei bastante próximo de uma criança em específico, se chamava Nolan, e passávamos bastante tempo juntos quando nossas famílias estavam na reserva. As famílias se conheceram e fizeram amizade, então sempre nos comunicávamos para acampar na mesma época. Ficávamos acampado cerca de duas semanas, então era um bom tempo. [Nesse momento perguntei se acampavam de motorhome.] Sim, meu pai tinha um, então acho que não era acampar de verdade mas levávamos nossas barracas e tal e montávamos no campo na maioria das noites. Eu não gostava de dormir dentro do trailer porque eu gostava de ficar na rua. [Conversamos um pouco sobre acampar.]

Então, de qualquer forma, Nolan e eu estávamos por lá, e acho que tínhamos por volta dos doze anos. Nós queríamos sair e acampar perto do rio porque queríamos tentar pescar a noite, e creio que estávamos cerca de 500 metros dos motorhomes. Longe o suficiente para não conseguirmos ver ou ouvir mais ninguém, disso eu lembro. Ficamos a maior parte do dia só de lazer, não lembro fazendo o que especificamente, mas acabamos fazendo uma fogueira e lembro de ficar bem impressionado porque ele tinha uma espécie de pedra que acendia o fogo. Eu nunca tinha visto ninguém fazer aquilo e achei muito maneiro. Fiz com que me ensinasse como fazer fogo daquele jeito e incendiando algumas coisa, o que foi algo bem estúpido, sendo que estávamos no meio do verão e sei que as placas de perigo de incêndio estavam no amarelo ou laranja, ou seja, bem alto. Mas por sorte não acabamos botando fogo no parque inteiro, e quando escureceu começamos a conversar sobre seja lá o que crianças de doze anos conversam, não lembro. O que realmente me recordo é que, em dado momento, ele olhou por cima do meu ombro em direção do rio e perguntou se eu estava vendo algo.

Do jeito que montamos nossa barraca, estávamos cerca de três metros do rio, e estávamos na parte mais larga, então a outra margem ficava mais ou menos 6 metros de distância. Fica bem quente ali no verão, mas a água ainda é muito gelada, o que é importante.

Olhei por cima do meu ombro e pude ver algo adentrando no rio pela outra margem. De onde estávamos parecia ser um cervo, mas não conseguímos saber ao certo por causa da iluminação da fogueira. Me levantei para olhar melhor e vi um par de galhadas, então acreditei ser um macho. Mas achei estranho que ele estivesse entrando na água, e definitivamente estava vindo na nossa direção, e perguntei para Nolan o que deveríamos fazer. Ele estava olhando para o fogo com uma expressão esquisita e falou para eu sentar e calar a boca, e foi o que eu fiz, porque nunca tinha visto-o agindo daquela forma. Ficou sussurrando para que eu ignorasse, e só continuar conversando mas eu não conseguia pensar em nada para falar. Ele estava falando sobre um episódio de algum programa, mas eu conseguia ouvir o cervo andando pela água, então não prestei atenção, e continuei tentando olhar por cima do meu ombro, mas toda vez que eu fazia isso, Nolan me dava um tapa no braço para eu olhar para ele. Eu nem estava com medo, só meio confuso. Mas então ouvi o bicho sair da água, e pude ver mais ou menos como se parecia, e percebi que não era realmente um cervo porque seja lá o que estava vindo na nossa direção, estava andando em duas pernas. Comecei a me levantar, estava bem surtado, mas Nolan me puxou de volta para baixo e falou mais alto sobre o programa de TV, e pude perceber que ele estava tão assustado quanto eu, talvez ainda mais. Se inclinou e cutucou o fogo com um galho, e sussurrou que, seja lá o que eu fizesse, eu não podia falar com a coisa. Eu podia vê-lo se aproximando, e ficou de pé atrás das costas de Nolan. Eu estava prestes a mijar nas calças, e sei que teria corrido se estivesse sozinho, mas não queria deixar Nolan para trás, então continuei sentado e imóvel e dando olhadinhas de canto de olho para a coisa. Não era muito alto, mas o jeito que se portava era errado, como se o seu centro equilíbrio estivesse ferrado. Não consigo descrever bem, mas era como se ficasse se balançando para a frente constantemente. Só ficou lá parado atrás de Nolan por um bom tempo, e eventualmente Nolan não tinha mais o que falar e ficamos lá só sentados. A fogueira fazia barulhos, mas achei que estava ouvindo a criatura falando em uma voz bem baixa. Não consegui entender o que dizia, e me inclinei um pouquinho para frente para ouvir melhor, e realmente MIJEI nas calças quando ele também se inclinou para frente. Não consegui ver seu rosto, mas vi seus olhos.

Eram nebulosos e leitosos, e se quer saber como era, encontre aquela cena de Senhor dos Anéis onde o Frodo cai no pântano onde tem todas aquelas pessoas mortas flutuando na direção dele. Era assim que os olhos eram. Então, tudo que eu via eram esses dois olhos brancos flutuando acima da cabeça de Nolan, e também a vaga silhueta das galhadas saindo de sua cabeça. Não sei como a expressão em meu rosto era, mas eu e Nolan saímos em disparada de lá ao mesmo tempo, correndo sem parar para o acampamento de trailers. Minhas calças estavam encharcadas de mijo, então as tirei enquanto corria e as joguei em um arbusto. Nós dois paramos assim que estávamos na frente do motorhome do meu pai, e não conseguimos ver nada nos seguindo, então paramos lá para recuperar o folego. Perguntei o que era aquela coisa, mas me disse que não sabia. Só falou que seu avô tinha avisado para ele que se um dia alguma coisa viesse até ele do meio do nada no deserto, não devia falar nem ouvir nada que a criatura tinha a dizer. Perguntei se ele tinha ouvido a coisa falando também, e disse que sim, mas a única coisa que entendeu fora "ajudar você". Acho que acabamos dormindo no trailer com meus pais, e quando voltamos na manhã seguinte para pegar as coisas não tinha nada demais lá. 

Isso me lembra, em vários sentidos, a lenda do Wendigo. Tem uma frase que é usada para descrevê-lo que se encaixa perfeitamente, que é que o Wendigo é 'o espírito dos lugares solitários'. Eu sei que quando eu estou na natureza selvagem, quando que não tem mais ninguém por quilômetros e quilômetros, começo a ter essa vontade que não sei explicar. Não sei se acontece com mais alguém, mas é um desejo de consumir. Não que eu esteja desejando algo em particular, mas é essa fome estranha e distrativa que consome cada pedacinho do meu interior.

Também queria saber mais sobre o homem sem rosto, se conseguisse, e descobri algumas semelhanças. Perguntei entre meus amigos, e um me disse que estava fazendo alguns consertos em um parque de sua área, quando viu algo do tipo.

Estávamos jantando na cidade, cinco pessoas incluindo eu. Esse cara estava repintando uma cabine de informações e ouviu um homem pedir informações de onde ficava o acampamento mais próximo. Não se virou para responder porque estava pendurado na escada, mas informou para o homem que não tinha nenhum local de acampamento por perto, mas se seguisse pela estrada por mais ou menos seis quilômetros e meio, encontraria outro parque. Perguntou se poderia ajudar com mais alguma coisa, o homem disse que não, e o agradeceu. Meu amigo continuou a pintar, mas estava ouvindo, e não ouviu o homem ir embora. 

"No segundo em que veio falar comigo, os pelos da minha nuca se arrepiaram, mas eu não entendia o porquê. Só fiquei com essa sensação ruim sobre tudo aquilo, e queria terminar a pintura e vazar de lá. Achei que era por não conseguir me virar para falar com o homem, mas algo parecia estranho. Também tinha esse cheiro pelo ar antes mesmo de falar comigo, parecia sangue de menstruação velho. Tinha olhado em volta para procurar o que estava causando-o, mas não vi nada. Então esperei o cara ir embora, mas não o ouvi ir, o que me fez pensar que ele estava apenas ali de pé, me observando, então perguntei de novo se podia ajudá-lo com mais alguma coisa, mas não obtive resposta. Mas eu sabia que continuava ali, pois não ouvira o som de seus passos indo embora, então olhei para trás me virando desconfortavelmente na escada para olhar para baixo e ver o que ele estava fazendo. Bem, admito que pode ter sido apenas meu cérebro zoando comigo, Russ, mas por meio segundo eu posso jurar que o filho da mãe não tinha rosto. Tipo, sem rosto mesmo. Era quase concavo, e totalmente liso, e eu estava prestes a ter um ataque cardíaco porque não conseguia fazer com que meu cérebro entendesse o que estava vendo. Acho que comecei a falar alguma coisa mas meio que um "pop!" dentro da minha cabeça, o cara virou uma pessoa normal. Devo ter ficado com uma cara bizarra, pois me perguntou se eu estava me sentindo bem, e eu só fiquei tipo 'ahan, tudo certo'. Ele me perguntou de novo sobre o lugar de acampamento e eu novamente aponto para a direção que tem que ir, e ele fala 'eu não sou daqui, você pode me ajudar a ir até lá?' Foi aí que eu percebi que tinha algo realmente acontecendo porque, não tem como o cara ter chegado até onde estávamos e não saber onde estava. E além do mais, não tinha nenhum carro à vista, então como tinha chegado até aqui pra começo de conversa? Falei que sentia muito, mas não podia levá-lo em lugar nenhum com o carro da empresa, e ele ficou tipo 'por favor? Eu realmente não faço ideia de onde estou, pode vir comigo e me ajudar a chegar lá?' Então nesse momento eu já estava estranhando demais esse assunto, comecei a me perguntar se isso era um tipo de emboscada ou algo do tipo. Falei que podia chamar um táxi para ele, comecei a puxar meu celular do bolso e ele falou 'não' e saiu andando rapidamente. Mas ele não foi embora do parque, andou em direção da floresta e eu fui direto para o carro e sai de lá, foda-se a pintura. Olhei pelo retrovisor para ver onde ele tinha ido e estava bem na entrada da floresta perto das árvores, parado. Não sei como chegou lá tão rápido, mas dessa vez vi certamente que esse fodido não tinha rosto. Estava me observando ir embora, e logo antes de eu virar o carro ele deu um passo para dentro do bosque e meio que se dissolveu, sei lá. Talvez estivesse só escuro e ele se misturou ao breu, mas parecia mais que tinha derretido." 

Logo depois que esse cara terminou de contar essa história, outra pessoa veio conversar comigo, com outra história com um final um pouco diferente. 

"Sabe, na verdade algo estranho aconteceu comigo uma vez. Eu estava patrulhando algumas trilhas, e estava no meio do nada, tentando decidir por onde essa trilha passaria. Não tinha visto ninguém fazia umas boas duas horas, então não estava prestando muita atenção por onde ia, estava olhando para o chão boa parte do tempo. Então, do nada, subi essa pequena colina e quase bati de frente com um cara. Ele era mais velho, por volta dos sessenta anos, e comecei a me desculpar por ter colidido com ele. Daí notei seu rosto, e devo ter ficado com uma cara de panaca porque parei de falar e só fiquei olhando para ele. Demorei uns segundos para entender o que tinha de errado, mas a cara desse homem era enorme. Sei que isso soa estranho, mas é o único jeito que consigo descrever. Sua cabeça não era grande ou algo do tipo, era de tamanho normal, mas o espaço em que seu rosto era distribuído era demais. Como se você pegasse o rosto de alguém e aumentasse duas vezes. Ele não falou nada, só ficou me olhando e eu recuei, gaguejando que sentia muito, então o contornei e segui meu caminho rapidamente. O tempo todo eu ficava olhando para trás porque tava todo cagado, achando que a qualquer momento ele apareceria atrás de mim. Sei que parece ridículo, mas juro por Deus que foi a coisa mais assustadora que me aconteceu." 

Mudei de assunto para as escadas, e isso mudou o entusiasmo da conversa drasticamente. Ninguém falou a princípio; havia uma estigma sobre conversar disso, mesmo quando estávamos longe do trabalho. Mas quebrei o gelo com minha própria história e o cara que contou a história do home sem rosto contou essa outra, bem baixinho.

"Alguns anos atrás, eu estava acampando com minha namorada, e estávamos cerca de 5 quilômetros da estrada desse campo que conheço. Fomos dormir de noite, mas não conseguíamos dormir porque-" 

Alguém fez uma piadinha de mal gosto, e quase que o assunto foi mudado rapidamente, mas eu coloquei o assunto de volta nos trilhos. 

"- haha é, muito engraçado, seu fodido. Não, era porque continuávamos a ouvir esse rangido. Meu irmão costumava ranger os dentes enquanto dormia, e me lembrava aquele barulho. Minha namorada estava surtando mas eu falei para que ela apenas ignorasse porque eu já tinha ouvido aquilo antes e uma hora ia parar, vocês sabem do que estou falando."

Todos sabíamos exatamente do que estava falando. 

"Então, eventualmente consegui fazer com que ela dormisse, mas acordei cerca de duas horas depois porque algo estava estranho. Me virei e ela não estava lá, e comecei a ficar com muito medo, porque..."

Ele pensou por um segundo e então tomou um longo gole de sua bebida. 

"Bem, sai da barraca e chamei seu nome, mas não precisei ir longe. Estava na ponta do acampamento olhando para algo nas árvores e pude perceber que estava muito pálida. A fogueira estava quase apagando, mas tinha fogo suficiente para eu vê-la. Corri até lá para ver o que estava acontecendo e ela estava completamente adormecida, mas de olhos abertos. Sua expressão era como se estivesse fora de si, sabe? Então coloquei meu braço em volta de sua cintura para guiá-la de volta, mas ela não se mexia. Só falava algo bem baixinho tipo 'Tenho que ir agora, Eddie. Tenho que ir, chegou.' E eu falava tipo 'você está sonambula, vamos voltar para a cama' mas ela não vinha. Só continuava parada ali falando que tinha que ir. Então olhei para onde estava olhando, e havia a porra de uma estada certa de vinte metros de nós. Cinza, de concreto. E ela começou a andar em direção da escada e eu dei um puxão em seu braço e isso a acordou. Me olhou como se eu estivesse louco, e perguntou que porra estávamos fazendo fora da barraca. Não falei nada, só disse que ela estava sonambula. O ranger tinha parado, então voltamos para a barraca e dormimos de novo. Sei lá... não gosto de pensar muito sobre, sabe?"

Todos sabíamos. 

"Vocês se lembrar daquela criança com... não me lembro o que era, algum problema na cabeça, não Síndrome de Down, mas algo assim." Alguém falou. "Bem, eu consegui ler os depoimentos que ele deu quando o encontraram uma semana depois de seu desaparecimento e é fodido além do imaginável. Tem que levar ceticamente porque sabe-se lá o que as crianças acham ser reais ou não, mas algumas partes do que falou, não sei se podem ser inventadas."

"Tipo o que?"

"Bem, primeiro de tudo, ele falou das escadas. Disse que estava vendo seu pai fazer uma fogueira e as escadas 'apareciam para ele', e que tinha que subir nelas ou algo de ruim ia acontecer. Os policiais não conseguiam entender muito além disso porque só continuava a repetir 'tipo a fogueira' de novo e de novo. E continuava a mencionar sons, mas não sabia dizer o que eram esses sons, só que era muito alto e que tapou os ouvidos para não ouvir mais. Mas o que mais lembro é que perguntaram para onde tinha ido e ele dizia que estava bem ali. Ficava apontando para si mesmo, e disseram que achavam que isso significava que o menino achava que nunca tinha sumido. Disse que não sentiu medo porque as escadas estavam lá e conversavam com ele, mas não como as pessoas conversam. Como eu disse, era bem viajado e difícil de entender, e acredito que os policiais não anotaram tudo que ele falou.  Acabaram dizendo que a criança tinha alguma espécie de amnésia ou em estado de fuga, e que não achavam que tinha feito isso como uma espécie de brincadeira. Mas isso não explica como voltou uma semana depois perfeitamente bem sem estar nem um pouquinho sujo e estando bem alimentado, mas né, o que a polícia fala está falado."

Existem muitas perguntas que ainda quero responder. Vou continuar a perguntar por aqui e descobrir o que puder. A próxima atualização virá em breve, obrigado por serem pacientes. 


EM BREVE PARTE FINAL


Este conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


09/01/2018

Daniel, o garoto de 7 anos de idade que matou seu pai

Quando eu era jovem, eu queria me tornar um psiquiatra. Meus anos de faculdade, no entanto, provaram que eu tinha uma maior aptidão para fumar maconha e jogar videogame do que ler livros sobre medicina, e quando tentei entrar pra faculdade de medicina não consegui passar.

Fiquei na faculdade mais alguns anos, acumulando dívidas e adicionando mais um diploma para o meu currículo para que eu não tivesse que fazer pós-graduação. Eventualmente, acabei sendo um assistente social. Trabalhei com isso por sete anos antes de me tornar professor, e eu tenho algumas histórias daquela época da minha vida, algumas estranhas e outras tristes. Esta é ambas.


Eu reconstruí abaixo uma entrevista com Daniel **********, um garoto de sete anos que atirou em seu pai após o pai ter assassinado sua mãe. O caso ficou preso comigo por muitos anos, e eu gostaria de compartilhar com vocês agora.


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a gravação começa


EU: É bom te ver de novo, Daniel.


Neste ponto da entrevista, Daniel está olhando para o chão.


EU: Você sabe o motivo de eu estar aqui?


DANIEL: ...


EU: Eu quero falar sobre o que aconteceu com seu pai. Você se recorda da história que contou aos detetives?


DANIEL: Sim, senhor.


Pude ouvir um farfalhar no áudio da gravação enquanto mexia nos bolsos para pegar uma bala, entrego para Daniel.


DANIEL: Obrigado, senhor.


EU: De nada, Daniel. Você é um jovem muito educado.


Daniel olha pra cima por um momento antes de olhar para o chão novamente.


DANIEL: Você acha que eu sou bom, senhor?


EU: Sim, Daniel. Eu acho que você é bom.


DANIEL: Eu não acho que eu seja bom.


EU: Por que acha isso? DANIEL: Se eu fosse bom, papai não teria me batido. EU: Eu não acho que ele tinha te batido porque você é ruim, Daniel. DANIEL: Talvez você esteja certo. Ele batia na minha mãe também, e ela não era ruim. EU: Pode me dizer o que aconteceu naquela noite, Daniel? DANIEL: Meu pai veio pra casa depois do bar. Ele estava gritando. EU: Como você sabe que ele estava no bar? DANIEL: Por causa do cheiro dele. Pude ouvir eu rabiscando notas em meu bloco. EU: E então o que aconteceu? DANIEL: Ele... EU: Está tudo bem, Daniel. Apenas respire fundo. Esta será a última vez que terá que falar sobre isso. Seus ombros caíram, e ele enfiou os pés debaixo do carpete. DANIEL: Ele começou a bater na minha mãe. EU: E então? DANIEL: Então ele parou. Minha mãe estava chorando, então eu dei a ela o Jocel. EU: Quem é Jocel? DANIEL: Ele é meu ursinho. Ele sempre faz eu me sentir melhor quando estou chorando. Pensei que ele faria minha mãe se sentir melhor também. EU: Ele a fez se sentir melhor? Daniel balançou um pouco a cabeça.

DANIEL: Eu acho que sim. Ela sorriu, mas... era o tipo triste de sorriso. Ouvi minha caneta rabiscando o bloco de notas novamente. Fazia careta enquanto ouvia. Essa era a parte que eu não gostava de ouvir. EU: O que aconteceu depois, Daniel? Houve uma longa pausa enquanto Daniel encarava o chão. Ele não queria dizer, e eu não o culpo. Eu ouço minha voz novamente, calma, convincente, e eu sinto um sentimento de culpa por fazê-lo reviver aqueles momentos. EU: Está tudo bem, Daniel. É a última vez, eu prometo. A voz de Daniel soava fraca e hesitante conforme ele falava. DANIEL: Ele pegou a arma. EU: E então? DANIEL: Ele... ele atirou na minha mãe. EU: E após aquilo, você correu para seu quarto? DANIEL: Não. EU: Não? DANIEL: Quer dizer, sim. Mas primeiro eu tinha que pegar o Jocel. EU: Você teve que pegar seu ursinho? DANIEL: Sim. Eu não queria deixá-lo sozinho com meu pai. Ele ficaria assustado. Limpei minha garganta. EU: Entendo... E depois? DANIEL: Corri para meu quarto e tranquei a porta. Meu pai tentou entrar. Ele batia na porta muito forte. O barulho era muito alto, e Jocel estava muito assustado. EU: Como ele entrou? DANIEL: Ele quebrou a porta. Foi muito barulhento. EU: E depois? DANIEL: Ele apontou a arma para mim. EU: E? DANIEL: Eu o pedi para não atirar em Jocel, mas eu acho que ele não me ouviu. EU: Por quê?

DANIEL: Porque mesmo assim ele puxou o gatilho. EU: Mas ele não atirou em você. DANIEL: Não. A arma não funcionou. Ele a jogou no chão. EU: E então? DANIEL: Ele tentou me pegar. Mas caiu. Ele esmagou o nariz. Ouvi o farfalhar novamente enquanto continuava. EU: O que aconteceu com a arma, Daniel? DANIEL: Começou a flutuar. EU: Voocê tem certeza? DANIEL: Sim. EU: E o que aconteceu depois? DANIEL: Ouvi minha mãe sussurar em meu ouvido. Ela me disse para fechar os olhos. EU: E você fechou? DANIEL: Sim. EU: E? DANIEL: A arma disparou. EU: Você viu o que aconteceu com seu pai? DANIEL: Não. Fiquei com os olhos fechados. EU: Mais alguma coisa aconteceu? DANIEL: Não. A polícia veio e colocou um cobertor em meus ombros e me levou para algum lugar. Eu não me lembro muito bem dessa parte. EU: Você tem certeza de que foi isso que aconteceu? DANIEL: Sim. EU: Obrigado pelo seu tempo, Daniel. Prometo que essa é a última vez que terá que contar essa história. DANIEL: Obrigado. Eu não gosto muito dessa história. EU: Preciso ir fazer meu relatório agora; Vou deixá-lo aqui com seus tios, está bem? DANIEL: Ok. Houve o som de uma cadeira sendo empurrada para trás enquanto me levantava para ir. DANIEL: Sr. Robbins? EU: Sim, Daniel? DANIEL: Eu penso muito nisso. Antes de dormir. EU: Bem, podemos providenciar um conselheiro para conversar-- DANIEL: Está tudo bem. Quando eu não consigo dormir minha mãe sussurra em meu ouvido para eu fechar os olhos. Eu sempre caio no sono logo depois. EU: Isso é bom, Daniel. Diga a ela que eu disse oi. DANIEL: Eu direi.


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A gravação termina ali. Nós providenciamos um conselheiro para Daniel, é claro. Até onde eu sei, ele nunca mudou seu testemunho.

Nunca houve uma pergunta real sobre quem atirou no pai de Daniel. As declarações dos vizinhos que ouviram o conflito indicavam claramente uma série de tiros seguidos pelo silêncio da mãe, uma série de estrondos quando o pai derrubou a porta, e finalmente, mais três tiros, o qual correspondia à morte do pai. Ninguém mais estava na casa, e a balística mostrou que os tiros formam disparados a dois metros de distância. Daniel era a única escolha, e oficialmente, foi ele quem atirou em seu pai.

No entanto, fiquei acordado por muito tempo naquela noite, me perguntando se Daniel tinha razão. Na verdade eu não acreditava que sua mãe tinha voltado como um fantasma para salvá-lo. Mas na versão de Daniel da realidade, sua mãe não era apenas uma mulher maltratada que teve uma morte sem sentido e violenta, ela era uma heroína que desafiou a morte para salvar seu filho. Na versão de Daniel, ele não estava assustado, ele estava protegendo seu ursinho, Jocel. Eu acho que ele merecia lembrar da história desse jeito.

Naquela noite, quando eu já tinha pensado o suficiente, decidi ir dormir, o sono não vinha. Estava prestes a desistir de acordar cedo e começaria o dia seguinte, quando ouvi um sussurro suave em meu ouvido, me dizendo para fechar os olhos.

Eu dormi bem naquela noite.










Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!