19/02/2018

O que aconteceu com Éden

Sempre fui ateísta. Meus pais estritamente Luteranos fizeram que a Bíblia fosse meu projeto de leitura de verão quando eu tinha dez anos. Infelizmente para eles, eu era uma menina esperta, e rapidamente me afastei da religião quando dei de frente com as hipocrisias do Livro Sagrado. 

Meninas espertas, principalmente as de pele escura, não tinham muito a almejar no meio do século XX. 

Eu li todos os livros na seção permitida para pessoas de cor na biblioteca pública pelo menos uma dúzia de vezes. Quando isso não era mais suficiente para saciar minha sede de conhecimento, subornei com doces uma amigável colega branca para que retirasse livros em seu nome para mim. 

Você deve imaginar meu alívio quando acordei do meu coma e a lei Jim Crown tinha acabado. 

O acidente, felizmente, foi rápido. Raio. Não me lembro de sentir dor. Lembro de parar na rua para tirar uma pedra do meu sapato. Lembro de olhar para cima e ver luzes. Raios. Então, escuridão.

Quando minhas pálpebras se abriram momentos ou anos depois, o céu acima de mim era de um malva empoeirado, como se pétalas de rosas tivessem sido colocadas em uma banheira de leite. A luz suave era filtrada pelas folhas das árvores, mas não conseguia ver o sol. O ar estava parado. Tenso. Quieto.

Puxei um enorme e raquítica lufada de ar. Meus pulmões queimaram, gritando para que eu parasse de respirar aquele ar pervertido. Sufoquei por minutos agonizantes, arranhando minha própria garganta e arrancando o gramado em minha volta. Pontos pretos dançavam nos cantos da minha visão. 

Mãos fortes me levantaram. Fraca demais para lutar, tentei gritar, apenas para ter a boca e o nariz tapados. Minhas mãos voaram selvagemente até meu rosto, arranhando s dedos de quem me sequestrava. 

"Guarde sua respiração, irmã. Esse ar venenoso não é para você inalar." Sua voz era calmante e rítmica, como sinos de vento de madeira balançando na brisa suave. Sem ter outra opção, e percebendo que eu deveria estar na cama do hospital sonhando, obedeci. Deixei meu diafragma relaxar, e minhas mãos caíram moles no lado do corpo. Quando o ar saiu de meu corpo, a dor também se foi. "Muito bem," falou minha salvadora. "Agora irei te soltar. Pedirei para que não corra, pois existem criaturas muito piores do que eu nesse jardim." Como prometido, as mãos em volta de meu rosto afrouxaram. "Pode se levantar? Deixe-me ajudar." Gentilmente me pôs de pé e virou-se para mim. 

Tinha cerca de um metro e oitenta, com tranças cor de cobre caindo elegantemente como ondas atrás das costas. Seu rosto pálido e rosa era suave e redondo, a não ser por seus perfurantes olhos castanhos escuros e sobrancelhas anguladas. Um vestido simples branco de algodão abraçava suas curvas. Enroladas em cada bíceps estavam cobras verdes esmeralda, deslizando por seus braços sem nenhuma malícia aparente em relação à humana. 

Esfreguei os olhos. Belisquei o antebraço. Não, não estava sonhando. Isso era certo. Entretanto, isso também não era a realidade, não a que eu conhecia.

Abri a boca para falar, mas senti o gosto terrível do ar tóxico em minha língua. A mulher sorriu tristemente. "Sinto que não posso fazer nada para ajudá-la a falar, irmã. Apenas nós que moramos no jardim conseguimos tolerar esse ar, e acredite quando falo que você não gostaria de residir aqui," explicou.

Onde é aqui? Pensei, olhando para o outro lado. À minha esquerda havia um rio borbulhante fluindo com águas índigo. Além do rio havia um magnífico jardim, cheio de flores e arbustos de todos os tipos. Mesmo lindo, as folhas e pétalas estavam pausadas, não eram nada mais que sussurros das cores que um dia tinham sido. À minha direita estava a árvore onde eu acordara. Estiquei o braço e toquei o a casca da árvore. Estava morna, como se a árvore pulsasse com veias como as minhas. Espalmei a mão em seu tronco, aproveitando o calor.

"A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal," falou a mulher, respondendo a pergunta que estava presa em minha garganta. "Um presente para todos, mas escondido do mundo." Sorriu tristemente, observando as vermelhas maçãs maduras nos galhos. "Eu ofereceria a ti um fruto, mas se já não tivesse provado, não teria acordado em suas raízes, não é mesmo?" 

Árvore do Conhecimento? Olhei para a flora empoeirada, para o céu roseado. Se essa era a árvore do Conhecimento, então esse tinha que ser o Jardim do Éden, embora não era o paraíso tropical descrito em qualquer lugar que já tinha lido. O que aconteceu aqui? 

"Venha, irmã. Não temos muito tempo. Se sua alma continuar longe de seu corpo por muito tempo, temo que a conexão possa ser prejudicada para sempre," disse, esticando a mão em minha direção. Hesitei. Eu podia não ter acreditado na bíblia, mas uma coisa era comum na literatura: não confie em cobras. 

Como se lesse meus pensamentos, ofereceu a mão de novo. "Confie em mim. Que outra opção você tem?"

Com isso, escorreguei minha mão pegajosa na dela. Sorriu para mim. "Você é sábia, irmã. Obrigada por sua confiança. Nós nos vamos agora. Temos que ir para a Árvore da Vida, antes que seja tarde demais."

"Eu fui quem plantou estas Árvores," começou a mulher serpente. Seus pés descalços dançavam graciosamente pelas pedras lisas. "Cuidado com os peixes, eles mordiscam," avisou por cima do ombro. Observei cuidadosamente meus dedões enquanto atravessava o rio. 

"Meu marido era frio e cruel, e esse jardim era minha escapatória." Uma escapatória realmente era. Borboletas flutuavam preguiçosamente enquanto atravessávamos o jardim. A grama exuberante ficava confortável entre meus dedos. Tentei imaginar como as rosas costumavam se parecer, antes da cor ser varrida de suas pétalas. 

"A Árvore do Conhecimento foi a primeira. Sob a luz das estrelas eu regava a muda com minhas lágrimas. Eu cantava para ela meus segredos. Como eu amava e odiava, como eu adorava e temia meu marido. Dos meus sussurros de felicidade e tristezas a magnifica Árvore cresceu, e de seus galhos vieram os frutos."

De repente, a mulher serpente exitou em seu caminho. Se agachou e gesticulou para que eu fizesse o mesmo. "Fique parada, irmã. Talvez ele tenha sentido sua presença." Retirou uma faca dentada de uma tira em sua cintura. 

Minutos se passaram. Eu não aguentava o silêncio. "Quem?" Grunhi, estremecendo com o queimar de minha garganta. Minha companheira se virou e silvou de um jeito muito serpentino, então voltou para sua posição, os olhos de um lado para o outro, como um caçador em busca de sua presa. 

A resposta para minha pergunta veio com o vento; o primeiro desde que eu chegara. Carregava murmúrios de uma língua estrangeira, colando meus pés na terra e colocando terror em meu coração. Assisti apavorada quando o azul das violetas foi varrido com o vento, como um mosquito que bebe o sangue de sua vítima. 

Finalmente, o vento passou, a mulher serpente respondeu. "Esse, minha irmã, é Deus."

"Quando a Árvore do Conhecimento deu seu primeiro fruto, comi graciosamente e eu Soube. Fui capaz de ver o Mal em meu esposo, e em mim." Estávamos nos movimentando a passos rápidos agora, acompanhadas das cobras finas como fitas que estavam na grama. "O homem não é, como Deus pretendia, perfeito. Longe disso. Carregamos em nossos corações o potencial de uma grande luz e uma terrível escuridão, todos e cada um de nós," explicou. "Pecado," riu, "não é nada mais que uma distração, feita para culpar o homem pelos erros de Deus." Outro rio. Pulamos em pedras para ir ao próximo, apressadas para alcançar nosso destino. "Ele nos esculpiu a partir do barro, segurou-nos em Suas mãos cósmicas, e soltou em nós o ar da Vida. Fazendo tudo isso, Ele cometeu um erro fatal: Ele nos criou em de Sua imagem." 

"Deus, embora Ele faça você acreditar o contrário, não é o único de Seu tipo. Não, Ele é o mais velho de sete irmãos, e o mais arrogante de todos. Os outros seis criaram reinos calmos e pacíficos, para observar e apreciar sempre." Novamente os sussurros da brisa, mais fraco agora, ainda assim malevolente. "Deus, entretanto, queria reinar um reinado. Portanto, Ele encheu esse jardim com criaturas de todos os tipos. Quando nenhuma delas se curvava diante Dele, criou o homem. Se vangloriou diante de nós, dizendo ser o nosso Divino Criador. Não éramos mais do que crianças, e o que mais sabíamos?" 

"Deus designou Adão para me dominar. E ele dominou, com uma mão firme. Deus de séculos sofrendo, eu cultivei a árvore do Conhecimento, comi de seu fruto, e abandonei Adão, cuspindo em seu rosto covarde." Agora ela corria, e eu seguia junto, as solas de meus pés batendo contra a terra macia. "Fiz essa mesma jornada de atravessar o jardim todas aquelas vidas atrás, e cheguei e cheguei em uma clareira." 

"Arrasada e exausta, tentei acabar com minha vida. Meu sangue correu para a terra e a árvore da Vida brotou, e debaixo da mesma, fiz minha nova casa. Muitos anos fiquei deitada na clareira, me tornando amiga das cobras que viviam embaixo da terra. De noite, o vento uivava, mas eu estava segura em baixo da árvore." 

Abruptamente, a mulher cobra parou. "A Árvore é logo em frente, irmã. Está a vendo?" 

E eu vi. 

Fogo cercava a enorme Árvore, um salgueiro de verdes, azuis e outras cores vibrantes que nunca havia visto antes. "Serventes de Deus," disse sobre os querubins que portavam espadas flamejantes. "Temos que tomar cuidado agora. O tempo é essencial, mas não haverá uma alma a ser salva se não tivermos precaução. Vamos descansar um pouco aqui para que eu recupere minhas forças."

O céu malva empoeirado estava mudando para um brilhante e profundo tom de ametista. Estrelas brilhantes salpicavam o céu, alfinetadas no oceano roxo acima de mim. Galáxias apareciam em ondas de rosa e azul bebê. Se eu não estivesse correndo por um jardim desfalecido, entre minha vida e morte, poderia ter achado lindo. 

A mulher serpente e eu nos deitamos atrás de alguns arbustos de rosas. Uma minuscula cobra deslizou e deitou em sua barriga. Seus dedos longos acariciavam despretensiosamente a coluna do animal enquanto falava em um tom baixo.

"Eu comi os pêssegos que cresceram na Árvore, e passei diversas décadas felizes vigiando os arredores do jardim, livre de meu marido. Então eu a vi." 

"Ela dançava entre as flores, borboletas em seus cabelos negros e magia em seu sorriso. Fui me aproximar dela, para me juntar a sua dança." Ela sorriu suavemente. "Mas lá estava Adão, perverso como sempre. Gritando com a pobre garota para parar de ser tão boba. Sua esposa." 

Um coro de de grilos começou a cantar na distância, mas harmoniosamente que na terra. Uma sinfonia crescendo na noite.

"As serpentes e eu os seguimos, até o outro lado do jardim, até a árvore do Conhecimento. Encontrei-a lá, agachada debaixo da árvore, olhando sonhadoramente para os frutos."

"O resto, acho que você sabe, irmã. Furioso que eu dei o fruto do Conhecimento para Eva, fazendo-a ver Ele pelo que realmente era, Deus expulsou os dois do jardim, me deixando sozinha aqui. O jardim... não consegui cuidar-lo. Porque criar algo lindo, se afinal de contas não terei com quem compartilhar?" Lágrimas correram por suas lágrimas. Peguei sua mão, acariciando gentilmente com meu dedão, sem conseguir dizer que sentia muito. 

"Por ter comido da Árvore da Vida, corpo e alma, estou condenada a passar a eternidade em solidão. Eva morreu faz muito tempo. Só posso esperar que esteja dançando nos céus, se é que esse lugar existe. Talvez a alma de Eva dance em outros reinos, cuidado por um Deus melhor."

"Agora passo meus dias escondida. Uma cobra em seu ninho. As vezes eu jogo um fruto lá para baixo, para sua Terra. É por isso, minha irmã, que te encontrei debaixo da árvore do Conhecimento. Você deve ter encontrado um dos meus frutos." Sorriu vagamente. "Compartilho o Conhecimento do melhor jeito que posso. E guio almas perdidas desse lugar desencantado. Não vou deixar que Ele machuque mais nenhuma irmã minha."

Ficamos deitadas juntas por uma ou duas horas, até que a mulher serpente se sentou. "Vamos agora. Criarei uma abertura na guarda. Você correrá o mais rápido que puder até a Árvore. Assim que estiveres debaixo dos galhos, você estará a salvo dos anjos. Coma a fruta, e retornará para seu corpo." 

Os querubins não são bebês angelicais com asas como imaginamos na terra. Cada um tinha quatro rostos; um leão, uma coruja, um homem e uma águia. Seus rostos estremeciam e mudavam entre as quatro criaturas, e cada transformação parecia ser mais dolorosa do que a última. 

Assisti as terríveis criaturas por ente as folhas de um arbusto descolorido de mírtilos. Minha companheira ficou posicionada quase como uma cobra, esticada e pronta para o bote. Enrolou seus dedos no meu pulso. "Não tema," sussurrou. Seus olhos castanhos escuros estavam brilhando em luto. "Seja veloz, irmã. Não olhe para trás." Seu aperto ficou mais forte. "Independente do que acontecer comigo, não olhe para trás."

Fiquei vagamente ciente do gelado que percorria meus pés. Cobras. Elas avançavam em direção dos guardas, silenciosas na grama morta. 

"Agora." 

As solas de meu pé socavam forte contra a terra, pernas voando selvagemente atrás de mim enquanto eu corria em direção da árvore. As pequenas serpentes já tinham chego no cercado de querubins; um por um, começaram a correr loucamente, guinchando atormentados. Me foquei somente em frente, ignorando os chiados de minha irmã serpentina atrás de mim.

Meus músculos gritavam em protesto. Apertei a mandíbula com os dentes, sem me atrever a respirar o ar tóxico. Um flash de verde esmeralda chegou em minha visão periférica. Ela estava duelando com uma criatura meio coruja meio águia, unhas como garras eram usadas como arma.

O vento gelado acima quase me congelou na corrida. Me forcei a ri ainda mais rápido, bombeando meus braços e pernas com o pouco de força que me restava. Deus tinha nos encontrado, Ele sabia que eu havia escapado. Com um enorme e último pulo por cima do fogo, passei pela linha de guardas e caí debaixo do salgueiro com um baque surdo.

O vento cantante não podia me atingir debaixo dos galhos, nem passar pelo fogo, nem pelos gritos da minha salvadora. Com o rosto quente pelas lágrimas, estiquei a mão em direção de um dos pêssegos maduros. Dei uma última olhada por cima do ombro para a mulher serpente. 

Ela estava congelada no campo, um tornado esmeralda empoeirado a cercando. Gritei por ela, querendo correr de volta, para salvá-la, mas sabia que não podia. 

Seu olhar lacrimejado encontrou o meu. Sorriu suavemente, suas bochechas tremendo de dor. Minhas mãos vibravam enquanto levava a fruta até a boca. Obrigada, sibilei, então cravei os dentes na carne macia do doce fruto.

Eu tinha estado em coma por quase cinco semanas, presa a um respirador e minha vida estava por um fio. Os médicos haviam dito que eu jamais andaria de novo. Quando acordei, saúde perfeita, minha mãe chorou e levantou as mãos para o céu. "Bendito seja o Senhor!", falou. "Deus seja louvado!"

Não era só o meu corpo que estava em estado perfeito de saúde. Algo sobre a fruta... me fez mudar. Impressionei os médicos novamente quando fui atropelada por um Ford Mustang, e consegui me levantar e andar para fora do hospital como se nada tivesse ocorrido. Impressionei-os de novo dez anos depois quando eu e meu marido não conseguíamos ter filhos, apesar de ambos termos sistemas reprodutivos perfeitos. E mais uma vez com quarenta anos, mas não aparentava ter um ano a mais de vida do que vinte e cinco.

A fruta não só retornou minha alma para o meu corpo e salvou minha vida. Ela me imortalizou. Não envelheço desde que cheguei ao período fértil. De algum jeito revitalizou meu corpo destruído, e então me congelou, como uma estátua. Estou assistindo meu marido se encolher e morrer enquanto continuo com meu corpo perfeito. Terei que deixá-lo em breve. Mudar meu nome, ir para o outro lado do país. E de novo em dez anos. E de novo. E de novo...

A Bíblia, a qual estudei de novo muito mais atentamente, fala sobre o Arrebatamento. Quando Deus vir para a Terra e levar Seus crentes para o Paraíso. Estou certa que verei esse dia chegar. Não não estou certa de que será um dia glorioso como os Cristãos acreditam. 

Eu sempre fui ateísta. Agora, sei que Deus existe. Sei que é real. E sei que está bravo. E sei que Ele está esperando por mim. 



18/02/2018

Trinitroxypropane

O jovem Bob caminhava pelo quarteirão com os bolsos cheios de moedas para comprar chicletes na mercearia próxima ao posto de gasolina. O senhor David era dono do estabelecimento, mas dessa vez ao chegar lá Bob encontrou um homem de semblante fechado, seus olhos pareciam sem vida como se não houvesse alegria de viver. 

Bob perguntou onde estava David e ele apenas apontou para a porta dos fundos. O menino olhava encantando com tantas opções de doces, quando estava prestes a decidir foi interrompido pelo homem até então sério que lhe deu um sorriso amarelo e se apresentou: 

- Me desculpe, hoje não é um dia muito bom na América, você é apenas um menino e só quer mascar alguns chicletes certo? 
Bob. -Sim.. 
- Meu nome é Jamel, muito prazer. Gostaria de levar os chicletes multi-sabor? 
Bob. – Que legal! Eu não sabia que existia isso aqui, quero vários por favor. 
Jamel. – Chegaram hoje, é um novo sabor que logo será mania em várias partes do mundo se crianças felizes como você comprarem. 
Bob. – Vou voltar aqui e comprar muitos outros. 
Jamel. – Haha. O homem deu um sorriso ainda mais forçado que o primeiro.  

O menino esvaziou os bolsos e colocou todas as moedas sobre o balcão, seus bolsos agora estavam cheios de chicletes e sua cabeça não parava de pensar nos vários sabores que cada um poderia ter. Enquanto atravessava a rua em meio à multidão Bob retirava a embalagem fosca do chiclete que fazia sua boca salivar. O semáforo autorizou que os carros seguissem em frente, todo aquele barulho de trânsito era ensurdecedor, mas nada comparado ao som da explosão que veio em seguida.. 

(Autor: Andrey D. Menezes.)



17/02/2018

Vox e Rei Beau: Perguntas e Respostas

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Parte 8
Parte 9

Desculpem-me por demorar tanto pra escrever ultimamente. Estou tão cansada de tudo, mas eu sinto que tenho que continuar com isso. O mínimo que posso fazer é responder perguntas agora...

Anon: Eu tenho uma pergunta. Fora toda a situação com Beau, como você descreveria sua vida como um todo agora? Você está feliz? Estressada? Há algo lhe incomodando? Como estão as coisas na faculdade/no trabalho? Seus amigos e família?

Minha vida tem sido bem normal, na verdade. Tenho um bom emprego, um apartamento decente, e já superei meu ex. Minha família e amigos são legais e estáveis. É por isso que isso vem do nada. Eu sou tão comum e normal quanto alguém pode ser.

Anon: Vox, quais são as dimensões de Beau? Suas descrições de seu sonho evocam imagens de Michael Jackson com as mãos esqueléticas, pele pálida e vestes bregas. Ele é alto? Você pode descrever sua voz? Como é o rosto dele? Suas maçãs do rosto são pontudas? Como é o seu cabelo? Ele tem dentes como os de um crocodilo ou seria mais como os de um dinossauro?

É difícil descrevê-lo corretamente porque tudo sobre ele não é exatamente humano e eu sou péssima para desenhar. Sua pele parece a de um albino. Seus dentes parecem com os de um crocodilo. São pontudos mas de tamanhos diferentes e se encaixam corretamente. Ele é alto - eu diria que ele quase tocou meu teto. Seu pescoço é longo. Seu sorriso é muito largo. Ele tem maçãs do rosto pontudas e grandes olhos. Seu cabelo é branco e penteado para trás.

Anon: Por acaso Beau se parece com aquele cara de The Nightmare Before Christmas? Jack, eu acho?

Não, e também não se parece com David Bowie ou Johnny Depp, como vocês vem conversando entre si, mas pode crer que isso não foi por falta de vontade. Ele só não parece humano. Desculpem por ser tão ruim para descrevê-lo. Eu nunca vi nada com ele. Pessoalmente não consigo superar suas mãos, mas talvez só por eu tê-las “sentido” algumas vezes.

Anon: Estou curioso – como a voz de Beau soa? É uma combinação de todas as vozes que ele coletou ou é distinta por si só?

Haviam duas. Sua voz normal, que é a que eu venho ouvindo, parece com a de um homem mas meio que distorcida. Como se passasse por alguma interferência, eu acho? Os suspiros soam como se você pegasse vinte vozes diferentes e as fizesse emitir as mesmas notas em uníssono mas em volumes diferentes e em tons diferentes. Como um coral mas abrigado em uma única garganta.

Anon: ele foi alguma vez um companheiro para alguém da maneira que ele era/é com você?

Não que eu me lembre agora. Ele amava a Lua, mas não podiam ficar juntos. Ele tolerava muitas criaturas. Nas histórias ele parecia mais preocupado com reciprocidade e pegar o que quer que ele quisesse. Eu não tenho certeza se ele era meu companheiro ou se eu era só outro prêmio. Eu sei que muitos de nossos jogos envolviam eu lhe pagando com músicas ou aventuras por não me devorar, e ele me contava histórias

Anon: Você lembra se a lua no céu tinha algum efeito em Beau?

Sim. Ele olhava para a lua, adorava o luar, etc.

Anon: Eu quero acreditar que você era mais que um prêmio para ele, mesmo que ele lhe considerasse “dele”. Parece que ele criou uma conexão muito próxima com você, ou ao menos tão próxima quanto alguém da natureza dele consegue. Acho que pode-se dizer que ele estava tentando te proteger de Fuzzy, e não apenas porque você fosse dele. O fato de que ele parecia passar tempo te contando sobre si mesmo e suas histórias poderia dizer muito, mas eu acho que pode ser interpretado de modo diferente. Podem haver um número de razões para o retorno dele. Eu não acho que você esteja louca porque há muito nesse mundo que nós não sabemos sobre e não podemos explicar, mas da maneira que as coisas estão acontecendo eu diria que a última coisa que Beau quer fazer é lhe machucar.

Anon: Eu acho que ela era só um prêmio para ele. Mas as outras histórias me fazem crer que ele não era maduro o bastante para vê-la como uma companheira. Parece muito com uma criança passando pela fase do “é meu!”

Talvez seja um meio termo. Ele parece uma criança possessiva, mas ele também passou anos me aturando. Ele poderia ter pego o que queria e ido embora.

Anon: Explicação racional (e chata): está tudo em sua cabeça.

Paranormal: Beau é um fantasma ou outro tipo de criatura paranormal. As histórias que ele lhe contou até agora são ficção. Digo, a escuridão roubou a lua mas ele a salvou e colocou de volta no céu? Você mesma disse que ele é vão. Esse fantasma/demônio provavelmente gosta de criar histórias em que ele é o herói para satisfazer seu próprio ego. Quando você o viu vomitar os vermes de alcatrão, você viu sua forma verdadeira. Se eu fosse você, tomaria cuidado de agora em diante.

Racional: Minha tomografia está marcada para a próxima quarta. Não se preocupe: não ignorei essa possibilidade.

Paranormal: É possível que ele esteja inventando tudo isso. No entanto, ele parecia sentir uma enorme dor quando começou a vomitar. Eu não sei se essa seria sua forma verdadeira quando ele passou anos sem fazer isso antes. Os besouros me lembraram daqueles da história da Lua. Talvez meu sonho tenha reciclado isso.

Digo, eu gostava de tê-lo por perto porque ele era meu amigo imaginário, mas quanto a ser uma de suas posses, isso não faz meu tipo. Eu não sei por que minha eu criança imbecil achou que uma relação abusiva com um rei demônio era uma amizade imaginária perfeita, mas isso não indica como minhas relações adultas têm sido.


14/02/2018

As estranhas cartas para meu filho (PARTE 2)

PARTE 1

É louco como você pode estar indo a favor da corrente, vivendo a vida do melhor jeito que sabe fazer, e então algo como isso acontece e tudo começa a desmoronar a sua volta. Sinceramente, acordei hoje de manhã, com Kyle dormindo entre mim e minha esposa, e parecia que todas as cores do mundo tinham sumido. Meu estômago ainda tem um nó, mas pelo menos Kyle está seguro. Agradeço pelo apoio de todos. Nunca tivemos que lidar com nada parecido com isso, e espero que nunca mais de novo, e é importante para mim saber que vocês se importam. Isso é o que aconteceu desde minha última postagem.

Detetive Carr veio aqui em casa mais ou menos umas sete da noite. Pude perceber por sua aparência que tinha tido um longo dia - seu cabelo fino estava bagunçado como se tivesse passado a mão constantemente neles e seu celular, que havia colocado em cima da mesa não parava de apitar com ligações e mensagens. Colocou seu telefone no silencioso e colocou dentro do bolso dizendo que já tinha trabalhado demais aquele dia, muito obrigada. 

Me lembrou dos policiais à paisana que tinha mandado para o endereço às 15h no dia anterior. O carro ficou estacionado na frente de uma casa que tinha uma boa visão da casa número 3 durante a tarde. Os policiais não viram ninguém, algo que não me surpreendeu muito. A rua sem saída fica de costas para uma área florestada, o que quer dizer que, seja lá quem escrevera a carta, podia entrar e sair da Orange Circle sem usar a rua. Provavelmente foi o motivo de ter escolhido-a. 

Quando ninguém apareceu, os policiais deram uma caminhada para dar uma olhada. A casa está abandonada, assim como imaginei, mas encontraram a porta dos fundos aberta. Não podiam entrar (ainda não existia mandado de busca), mas estão fazendo pedido de um hoje. 

O detetive fez diversas perguntas, e Carrie e eu respondemos do melhor jeito que conseguimos. Tínhamos feito algum inimigo recentemente? Algo acontecera na igreja? Vimos alguém diferente/estranho no jogo de Kyle? Boas perguntas sem boas respostas. Forçamos nossos cérebros, mas não conseguimos lembrar de nada que pudesse ajudar. Carr parece achar que seja alguém que conhecemos, ou pelo menos, alguém que nos conheça. Alguém inteligente, com educação superior. 

O laboratório forense está com a carta e está verificando quaisquer sinais de digitais, mas o detetive acha que esse cara é esperto demais para isso. Além do mais, digitais só são uteis que a pessoa já foi presa anteriormente. Tenho a sensação que essa pessoa nunca foi. Ele também pediu todos os relatórios do caso do desaparecimento de Suzanne Kerrington. Eles ficam com esses papéis arquivados no porão da Prefeitura e espera conseguir colocar as mãos nisso em breve. Talvez tenha alguma pista sobre o cara. 

Quando o detetive foi embora, percebi que me sentia exposto. Vulnerável. Comecei a questionar todas as palavras que já tinha dito, qualquer coisa que tivesse deixado escapar - não importava quão insignificante - todas as minhas relações. Será que Carrie ou eu tínhamos trazido isso para nós falando ou fazendo algo em específico? Era pelo jeito que tratávamos as pessoas? É uma culpa parecida com aquela que você sente quando coloca a cabeça no travesseiro para dormir, mas sabe que não fez algo importante. Você sabe que é inútil ficar pensando naquilo, mas seu cérebro não te ouve. É terrível raciocinar do motivo que algo assim acontece com você. 

Ontem a noite dormimos - se é que pode chamar aquilo de dormir - com Kyle no nosso meio. Ele ainda está indo para a escola, porque francamente é mais seguro lá. Você não pode entrar nas dependências do colégio sem passar antes pela guarita de segurança, e tem câmeras por todos os lados. Mesmo que esse doente seja um dos professores, o que duvido muito, não ousaria fazer algo com Kyle lá dentro. Esse não é o seu jogo. 

Nossas câmeras serão instaladas hoje a tarde. Os instaladores não puderam vir ontem, mas eu queria muito que tivessem. Guardei isso aqui para o fim, porque transcrever isso me deixa todo arrepiado. 

Hoje de manhã, quando saiu para buscar o jornal, Carrie encontrou um único envelope branco dentro da caixa de correio. Dentro, tinha um papel dobrado. 

Dean e Carrie,

Quanta sabedoria! 

(Eu sei o que fizeram)

Acharam mesmo que eu não iria perceber?

EU AVISEI que falar

faria eu me irritar

E agora não poderão se esconder. 

Você quebrou uma promessa

(e isso é tudo que interessa)

De vocês é a responsabilidade,

eu dei uma chance fugaz, 

e nesse mar de imoralidade,

você Não irá ganhar mais. 

Lembre-se que sou aquele sem rosto,

a sombra que caça no escuro. 

Qualquer um, 

ou obviamente, nenhum,

São páreos para mim, pois eu jogo sujo. 

Uma prorrogação vou dar,

(mas vai ser curta)

antes de podermos começar. 

Se Kyle não poder ficar comigo, 

VOU COMEÇAR COM UM AMIGO. 

Ouvi Carrie gritando enquanto estava sentado na mesa tomando café da manhã. Eu juro, a sensação de pavor que correu por dentro de mim parecia uma corrente elétrica. Derrubei minha tigela de cereais da mesa e sai correndo para o portão de casa. Abri a porta enquanto ela abria ao mesmo tempo, e ela caiu em meus braços, em prantos. 

Antes ela segurava tudo por um fio, agora está destruída. Não sei o que vamos fazer. 

Acho que detetive Carr colocará algo no jornal amanhã. E terei que conversar com Kyle sobre isso, finalmente. Eu não queria assustá-lo sem motivo, mas é hora de explicar a situação. Eu queria pode simplesmente vazar aqui, mas parece impossível. Não temos nenhum dinheiro de emergência, estou com dívidas da faculdade, e temos contas a pagar. Não podemos sair de nossos empregos. Até resolvermos tudo, estamos presos aqui. 

Presos aqui e a cada vez que alguém passa por nosso caminho, ficamos pensando, será ele? 

DIA 21/02/2018: As estranhas cartas para o meu filho (PARTE 3)

FONTE


07/02/2018

As estranhas cartas para meu filho (PARTE 1)

Sim, eu leio os comentários de vocês, e como muitos pediram, aqui vai mais uma série, Creepers amados do meu coração! Ela teve uma ótima notoriedade na gringa, então resolvi trazer para nosso site. Bem, como na história tem diversos poeminhas com rimas, eu vou tentar traduzi-los da melhor forma possível trazendo rimas para vocês também, sem fazer que percam o sentido. Já traduzi no passado outro conto que continha rimas, se você não leu "O Conto de Roly Poly", sugiro que dê uma olhadinha! Lembrem-se, essa tradução é exclusiva para o site Creepypasta Brasil, se vê-la em outro local sem créditos, nos avise. Serão 6 partes. Espero que gostem! 

***

Eu e minha esposa estamos lado a lado agora. Isso é o tipo de coisa que você vê nos filmes, mas está acontecendo conosco. 

Ontem a noite, pouco depois das 18h, minha esposa e eu estávamos na cozinha fazendo o jantar quando meu filho de seis anos (quase sete), Kyle, entrou em casa vindo do pátio. Ele estava segurando um pedaço dobrado de papel e tinha uma expressão estranha em seu rosto. Meu filho está constantemente desenhando (e adora ler e escrever) então isso não é algo fora do normal, mas antes disso ele estava brincando com taco de basebol, então não fazia sentido estar segurando uma folha de papel.

Meu filho é o tipo de criança que carrega suas emoções escondidas. Quando pedi para ver o pedaço de papel, pude perceber que ele não queria me entregar, pois fez a sua típica cara de "vou ficar encrencado". Insisti, então finalmente ele me entregou. Aqui está o que dizia:

Querido Kyle, 

Sei que essa carta pode te assustar,

(seu papai não vai gostar)

mas os adultos não sabem

como amizades se fazem,

quando crianças são apenas crianças.

E você cresceu rápido, Kyle!

Cresceu como erva daninha.

Ontem a noite eu estava observando,

e você jogou tão bem,

seu time está até ganhando!

Sim, te cuido faz tempo (e faço direito).

Acho que nós dois seriamos amigos  perfeitos.

Você é uma criança, 

eu também sou, pode ter confiança

Mesmo que de faz-de-conta, existem sinais

Que o problema serão seus pais.

(Duvido que deixarão a gente brincar)

Um é um bobão,

A outra só quer saber de religião,

ir na igreja, pura, integra, devota.

Então eu tenho uma proposta,

(dá pra ver que estou nervoso?)

para nós dois passarmos juntos o tempo ocioso! 

Amanhã as três horas,

você vem me ver sem demora,

no endereço que tem aqui na carta.

Mas por favor, (por favorzinho mesmo!)

Pro seu pai não pode contar,

Ele e sua mãe só iam incomodar. 

Venha sozinho e contente,

vou estar vestido como um duende! 

Você iria gostar? 

(Kyle, tenho certeza que você vai amar!)

Podemos até dar as mãos,

Brincar que somos irmãos!

Nós vamos (ô se vamos) nos divertir de um jeito incomum!

Então te vejo as três horas, 

perto dos pés de amoras, 

Quando de dois vamos ser um! 



Havia um endereço rabiscado no final da folha. 

Orange Circle, número 3

Imediatamente percebi que não era uma piada. 

Carrie, minha esposa, é a líder do grupo jovem de nossa igreja. E Kyle realmente tinha tido um jogo de basebol na noite anterior. Orange Circle é a uma rua da nossa, e tenho quase certeza que a casa 3 é a casa na esquina da rua sem saída, que é uma casa vazia com algumas árvores de amora nos fundos 

Será que esse doente realmente etava assistindo o jogo de Kyle? O que será que teria acontecido se eu não tivesse visto a carta em sua mão? 

Chamei minha mulher para ler aquilo. Quando terminou, já estava surtando, e correu para ligar para a polícia. 

Virei a carta, e no verso tinha mais um pouco de texto. Não consegui ler no começo, mas logo percebi que estava escrito ao contrário, acredito que para Kyle não conseguir ler. Para entender, tinha que colocá-la na frente do espelho. 

E agora (por ventura)

Se seu pai estiver lendo isso,

e por acaso não for omisso,

Tenho uma história para contar

que vai deixá-lo sem estrutura. 

Se sua mãe surtar,

Ou seu pai me dedurar, 

Temo que tudo fique meio sangrento.

No dia 10 de Julho, no escuro como o breu,

era 1995, 

Uma mulher chamada Susie desapareceu.

A Susie, tente entender, 

(ao contrário de você e eu)

não foi cuidadosa com quem pretendia se envolver. 

Fiquei com ela por um tempo (mas coisas velhas me entediam!)

E logo mais eu já não tinha com o que me entreter. 

Joguei ela fora,

Mas para minha falta de sorte, 

minha fome continuava forte. 

Tentei esconder isso bem lá no fundo,

(onde tudo fica escondido do mundo). 

Mas agora me parece, 

que vejo Kyle por todo canto,

E a fome me incomoda quando me deito e quando levanto. 

Agora que sabe do que sou capaz,

(e que não vou deixá-los em paz),

Se uma palavra for falada,

a criança será despedaçada,

E jamais vai ser encontrada. 


A polícia chegou meia hora depois e mostramos a carta para eles. Falaram para ficarmos dentro de casa durante a noite e trancarmos todas as portas e janela. Obviamente, o homem tinha entrado no nosso quintal (com cerca) de trás, o que me deixou muito enjoado e com remorso de não ter instalado as câmeras de segurança que ganhara de Natal. 

Graças a Deus, nada aconteceu durante a noite. 

Hoje de manhã, recebi uma ligação do detetive que cuida do nosso caso. Ele havia revisado a lista de pessoas desaparecidas de 1995 e descobriu algo. 

Suzanne Kerrington desapareceu no dia 10 de Julho de 1995, assim como dizia a carta. A última pessoa a vê-la viva teria sido uma amiga que tinha a visto em uma academia 24h que frequentavam juntas. Susie disse que ia se encontrar com um novo rapaz e queria fazer um treino rápido antes de ir para o encontro. Susie nunca mais foi vista de novo e o homem não foi identificado.

E, a pior coisa, era o endereço de Suzanne.

Orange Circle, número 3

Tenho que me encontrar com o detetive hoje a noite. 

O que devemos fazer?

ATUALIZAÇÃO: O detetive acabou de me ligar. Estão mandando um carro não identificável com dois policiais à paisana para o endereço às três da tarde. Os professores de Kyle foram notificados e ele está seguro em sua escola e não sairá para o recreio hoje. Logo atualizarei vocês. 


DIA 14/02/2018: As estranhas cartas para o meu filho (PARTE 2)



06/02/2018

Não jogue o jogo do elevador. Palavras de um cético.



Essa é uma experiência realmente bizarra que eu tive recentemente e acabou completamente com meu ceticismo em relação ao paranormal. Então, soubre dessa lenda urbana estranha conhecida como "O ritual do elevador". Para aqueles que não conhecem, é só pesquisar sobre isso no Google, com certeza acharão algo a respeito.

O "outro mundo" parecia bastante intrigante então decidi fazer o ritual em uma fúnebre noite de sábado. Eu moro em um apartamento no décimo primeiro andar, e apesar dos conselhos de todos, eu decidi fazer o ritual no meu próprio prédio, usando o elevador que uso diariamente.

Saí do meu apartamento e cheguei no elevador. Algo na minha cabeça me aconselhava a não fazer o que eu estava prestes a fazer, mas meu ceticismo tomou conta e desci para o 1º andar para começar o ritual. Comecei com o passo a passo. 4-2-6-2-10-5-1.

Nada aconteceu, embora meu coração estivesse na minha boca de ansiedade e antecipação, não havia nenhuma mulher no 5º andar e o elevador não subiu para o 10º andar quando apertei o botão para o 1º. Isso era uma enorme massagem de ego para meu eu cético. Voltei ao meu apartamento usando o mesmo elevador, me sentindo vitorioso.

Entretanto... conforme a noite passava... Eu simplesmente não conseguia dormir... Eu costumo ter um dia tão agitado que estou em sono profundo às 11h30 p.m. no máximo. Mas algo estava errado naquela noite. Me mexi e me revierei na cama a noite inteira e acordei exausto e coberto de suor. Depois das minhas tarefas (visto que era domingo), saí para fazer algumas compras no mercado. Para minha surpresa, a droga do elevador estava fora de serviço. Eu imediatamente fiz uma conexão na minha mente do elevador quebrado com o meu ritual da noite passada. Fiquei bastante intrigado. Desci pelas escadas, saí para o mercado e tive um domingo bem normal.

Por volta das 10:00 p.m. eu já estava pronto para dormir quando ouvi um choro extremamente alto e agudo do lado de fora... o que era estranho porque a única outra pessoa no meu andar estava viajando. Saí para inspecionar de onde vinha o som e vi pegadas molhadas com um leve tom marrom... tipo lama mas um pouco mais vermelho, como se alguém tivesse feito um corte nos pés depois de caminhas em um terreno enlameado.

Segui as pegadas pela minha estúpida curiosidade... E para o meu choque, elas levaram ao elevador que surpreendentemente não estava mais fora de serviço. Algo em minha mente obrigou-me a entrar no elevador, ir para o térreo e verificar com o guarda de segurança quem tinha entrado para visitat o 11º andar.

E então desci. 11.. 10.. 9.. 8.. 7.. 6.. 5 ....ding... As portas do elevador se abriram mais devagar do que geralmente abrem como se fosse revelar alfo grande no quinto andar em vez do lobby que eu pretendia ir. Uma mulher com cabelos escuros, vestindo um vestido preto esfarrapado, entrou no elevador. Algo dentro de mim despertou imediatamente e eu desejei poder sair do elevador.

No entanto, em mim congelou, fiquei incapaz de me mover. Meu olhar fixou em seus pés e então entendi a origem daquelas pegadas. Pele desgastada e rasgada balançava de seus pés como se estivesse apodrecendo de dentro para fora. E o fedor... Nada consegue chegar nem perto daquilo. Era como um monte de cadáveres podres dentro de uma pessoa. Quando olhei para ela, ela tinha um sorriso em seu rosto... um sorriso maléfico, sinistro, de congelar a espinha, que tirou meu ceticismo para sempre.

Naquele momento eu sabia, a única maneira de eu sair daquele elevador vivo era completando o maldito ritual. Pressionei o botão para o 1º andar eo elevador começou a subir... 6.. 7.. 8.. 9.. 10...ding... O que eu mais queria naquele momento era chegar ao térreo e correr. Tive esse impulso de fugir assim que as portas abriram. Agora eu entendi o porque das pessoas saírem do elevador no 10º andar, apesar de ser tão arriscado. Você apenas quer ficar longe da mulher.

Enquanto eu fugia, sua voz ecoava em minha mente. "Onde você vai, Sammy?" Puta merda, corri mais ainda, apenas para me descobrir em uma total solidão no "outro mundo". Era como se o corredor fosse infinito. Eu não conseguia me afastar do elevador não importava quão longe eu corresse. Eu estava preso em algum tipo de loop. Consegui ver brevemente pelo canto do olho um céu avermelhado que eu costumava pensar ser apenas ficção ao ouvir as experiências dos outros. Havia até o lendário "+" no céu. Assim que vi, não consegui desviar o olhar, era como se estivesse em transe. A cruz estava carregada de membros e partes do corpo que pareciam ter sido arrancadas.

Projetei toda minha vontade... Olhei para longe... E pressionei o botão para chamar o elevador. Para a minha surpresa e ai contrário do que eu havia lido, o elevador abriu instantaneamente. Entrei desfiz o ritual sem nenhuma interferência de surpresa. Desci para o primeiro andar e conseguir cancelar a ascensão a tempo. Me apressei, traumatizado e aterrorizado. Peguei as escadas até o 11º andar, para o meu apartamento. E caí em minha cama, apagado.

Assim que meus olhos fecharam, eu estava de volta no "outro mundo". Desta vez minha fuga foi acompanhada por sua perseguição... e seguida de um despertar repentino. Passei meu dia tão bravamente quanto pude... temendo a noite inevitável e o sono que viria. Tentei me manter acordado o mais tarde possível... Mas não sei quando.. estava de volta novamente. Desta vez ela estava bem na minha frente... Eu não tinha escapatória. Seu longo dedo rasgado tocou meu abdômen. Eu estava completamente paralisado. Era como uma paralisia do sono.

Seu dedo passou pela minha pele e entrou no meu corpo. Senti uma onda de dor ao redor do meu abdômen e acordei com um solavanco. Eu estava queimando. Tinha uma marca vermelha escura em minha barriga. Parecia que eu estava com hemorragia interna.

Arrastei meu corpo até o hospital mais próximo. Rezei a Deus pela primeira vez em meus 25 anos de vida, apenas para me manter vivo por mais uma noite. Eu não seu quando eu dormi, mas a próxima coisa de que me lembro era acordar com o som do zelador limpando. Percebi que passei a noite ileso.

Imediatamenti saí do hospital, limpei minha casa inteira. Foi uma semana sem terrores noturnos, no entanto, eu constantemente sinto uma presença me observando quando saio de casa e passo pelo elevador para pegar as escadas.

Sei que estou vivo enquanto minha fé também estiver.


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 


03/02/2018

Vox e Rei Beau: Beau e os Caçadores de Sonhos

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Parte 8

Ultimamente o assunto tem sido sonhos, então é com isso que vou continuar. Eu lembro que Beau não me visitava sempre durante as horas em que eu brincava. Eu constantemente sonhava com ele durante a noite, me unindo a ele em suas aventuras ou continuando as nossas. Talvez por isso as memórias tenham ficado tão turvas. Algumas partes são incrivelmente vívidas, como se eu as pudesse ver com o olho da mente. Outras mal fazem sentido e eu mal consigo entender o que está acontecendo nelas. Enfim, a próxima história é Beau e os Caçadores de Sonhos.

Beau observa Vox dormir, por aelur
Rei Beau gostava de me ver cair no sono. Ele apoiava seu queixo na minha cama e sorria com a boca levemente aberta, os dentes brilhando com a luz da lua. Eu falava com ele por algum tempo, mas nós tínhamos que cochichar porque se minha mãe nos ouvisse, ela entraria no quarto para reclamar.

Uma noite eu falei pra ele que esperava ter um bom sonho. Ele me garantiu que eu teria.

“Eu lhe trago sonhos”, ele disse. “Eu posso pegar qualquer sonho de que eu goste nos campos e trazer para você quando você dorme.” Eu perguntei como isso era possível, e essa foi a história que ele me contou.

Em suas caminhadas, Rei Beau não vinha apenas ao nosso mundo para roubar vozes. Haviam muitas coisas para ver por todo lugar e muitas coisas para roubar para si. Em uma jornada em particular ele se viu nos campos dos sonhos. Eles não eram campos como os que conhecemos, de grama e flores. Era um plano cheio de névoa que nunca se dissolvia. Por entre a névoa ele podia ver pequenos brilhos, como pequenos relâmpagos dentro das nuvens. Conforme ele se aproximou, os brilhos projetavam imagens na névoa, mas apenas por poucos segundos. As cenas eram clipes de pessoas voando ou animais ou lugares. Eram sonhos.

Beau não estava sozinho nos campos. Conforme ele passou pela névoa, ele encontrou estranhas criaturas. Elas sentavam nas pedras ou se deitavam no chão encarando a névoa. Elas tinham grandes canos que usavam para sugar os brilhos conforme apareciam. Eles caçavam os sonhos e os comiam.

Sonhos não são nada. Eles não tem valor ou substância. São apenas pensamentos perdidos e a sujeira da mente. Ao menos era assim que Beau os descrevia. Por isso, os corpos dos Caçadores de Sonhos estavam sempre procurando por mais, mesmo que suas mentes precisassem apenas de sonhos doces. Eles tinham tentáculos saindo de cada um dos poros de sua pele, raízes sempre procurando mais para sustentá-los. Qualquer coisa que entrasse nos campos seria atacada por seus tentáculos famintos e perfurantes.

Beau, como sempre, não estava com medo de qualquer caçador ou sonho. Ele andou pelo campo porque não havia uma rota alternativa e ele definitivamente não ia voltar depois de chegar em um lugar tão interessante. Infelizmente as raízes dos Caçadores começaram a notar sua presença, e logo até os Caçadores não podiam resistir à idéia de agarrar suas vestes e tentar arrastá-lo para o chão para si. Os caçadores não tinham dentes porque tudo que eles faziam era sugar em canos. Seus olhos eram enormes, e seus narizes pareciam mais com bicos. Beau tentou lutar contra eles, mas, contrário às faces na caverna do Monstro do Closet, os Caçadores não estavam presos ao chão. Eles o sobrecarregaram em número.

Beau roubou um dos canos e tentou mantê-los distantes, mas os tentáculos eram pequenos e entraram em sua pele. Quando as criaturas haviam quase que completamente arrastado-o para o campo, uma grande corneta tocou. Os caçadores pararam e então correram, como se Beau tivesse se tornado venenoso. Quando eles haviam saído de sua vista, ele notou um jovem guerreiro em um cavalo pálido.

“Você perturbou os Caçadores”, o guerreiro disse.

“Eles me perturbaram primeiro”, disse Beau. “Eu estava só tentando passar.”

“Você precisa conquistar o direito de passagem por meu reino”, o guerreiro respondeu. “Eu vou lhe ajudar. Posso ver que você é um amigo da Lua.”

Beau caminhou com o guerreiro pelo campo. Contanto que um ficasse perto do outro, os Caçadores os ignoravam e voltavam a sugar os sonhos. O guerreiro tinha feições jovens e uma aparência delicada. Ele parecia tão digno quanto o outro perto dele, mas Beau suspeitou que a névoa tinha algo a ver com isso. O guerreiro brilhava levemente, como se as nuvens o fizessem brilhar, e ele era feito de prata e azul pálido.

“A Lua é minha irmã”, o guerreiro disse. “Eu cuido dos sonhos. Meu povo os faz, e nós os mandamos para aqueles que dormem do outro lado.”

“Mas vocês deixam os Caçadores comê-los?” Beau perguntou.

O guerreiro apenas deu de ombros. "É a natureza deles. Não posso pará-los."

Beau sorriu porque achou que aquilo era tolo. “Eu sou o Rei do Lugar Quieto. Ninguém pode tomar o que é meu. Eu comeria a voz e vestiria a pele de quem tentasse.”

“Então você pode me ajudar”, o Rei dos Sonhos disse.

O Rei dos Sonhos levou Beau a uma grande torre feita de pedra polida tão lisa quanto gelo. Eles escalaram a torre até a câmara do Rei, onde eles ficaram observando os vastos campos. A névoa se espalhava até onde a vista alcançava. Havia mais que apenas Caçadores ali. Haviam rios profundos e estranhas criaturas em bandos. Mas ao Oeste a névoa se tornou escura. Os fragmentos de sonhos eram irritados e mais agitados. Os corpos de Caçadores estavam caídos no chão e sendo dissecados por estranhos monstros, parecidos com pássaros. Esses abutres usavam garras para rasgar e devorar os cadáveres, procurando por qualquer último pedaço.

“Observe”, o Rei dos Sonhos disse e apontou para a extremidade da terra escura e em ruínas.

Um dos pássaros estava observando um Caçador e o Caçador apenas focava em consumir outro sonho. O monstro voou, circulando o Caçador, observando a situação até que mergulhou e atacou. O pássaro arrancou os olhos do Caçador com suas garras e usou sua boca estranha para arrancar uma bochecha. O Caçador tentou usar seus tentáculos, mas por algum motivo eles não conseguiam entrar no pássaro.

“São as penas”, o Rei explicou. “Elas são muito oleosas. Os tentáculos escorregam.”

Os gritos do Caçador atraíram mais monstros. Logo a criatura não fazia mais nada além de tremer e pular conforme dúzias de pássaros arrancavam pedaços de carne. Ao redor do Caçador a terra rachou e ficou manchada com a mesma infecção que atacava o outro lado da névoa. Os outros Caçadores não fizeram nada para ajudar seu amigo morto ou salvar a si mesmos. Estavam muito ocupados com os sonhos.

“Meu irmão fez um pacto com a Escuridão. Ele quer infectar os sonhos e mandar a Escuridão para aqueles que dormem. Seus pesadelos vão destruir meus campos. Eu não tenho um exército meu. Não posso pará-lo enquanto ele controlar as minhocas.”

“Essas não são minhocas”, Beau respondeu.

“Não eles”, o Rei disse. “Eles se alimentam das minhocas.”

Quando ele entrou no campo dos sonhos, Beau achou que seria fácil de passar. O problema do Rei dos Sonhos não o importava, mesmo que a Escuridão jamais tivesse sido uma aliada do Lugar Quieto. No entanto, uma parte da Lua ainda estava em seu coração, e essa pequena parte nunca permitiria que Beau simplesmente deixasse aquele lugar para que a Escuridão a engolisse. Então ele concordou em ajudar o Rei.

Beau era muito espero, e sabia muito sobre minhocas. “Só há uma minhoca, mesmo que hajam muitas”, ele disse ao Rei. “Nós vamos matar a minhoca.”

Embora Beau não temesse nada, ele também não era tolo. Viajar pela névoa faria dele comida para os monstros alados que viajavam em bando procurando por comida. Sem falar que os Caçadores certamente tentariam devorá-lo. Sendo esperto como ele era, ele decidiu duas coisas.

Primeiro, o Rei dos Sonhos iria com ele porque isso era tudo culpa dele. Segundo, eles viajariam atrás da Minhoca pelos túneis de minhoca. Fazia sentido. O Rei dos Sonhos não ficou nada feliz com essas duas idéias e fez um escândalo com a possibilidade de sujar suas roupas finas. Beau não se importou nem um pouco.

O Rei dos Sonhos levou-o para um grande buraco no chão onde as rachaduras da terra infectada se uniam. Ao redor do buraco haviam muitos esqueletos de Caçadores e seus canos esquecidos, mas os pássaros haviam abandonado aquela área em busca de terras férteis para caçar. Com o arco do Rei e as facas, vozes, rapidez, força e muitas outras habilidades de Beau, eles se armaram e foram em frente.

A rede de túneis era confusa e frequentemente eles tinham que engatinhar por espaços apertados ou partes que haviam cedido. O Rei usou luz emprestada de sua irmã, a Lua, para guiar o caminho. Ela refletia nas paredes do túnel e queimavam quaisquer pequenas minhocas que poderiam causar problemas. Finalmente, eles chegaram em uma câmara cavernosa. Era iluminada com chamas escuras e coberta com a mesma pedra polida que a torre do Rei. Dentro dela estava um jovem guerreiro que parecia muito com o Rei dos Sonhos, mas suas características eram douradas e escuras. Enrolada e grossa com um rosto sem visão estava a Minhoca. Ela era gosmenta e pulsava, e conforme os dois observaram o guerreiro pegou uma faca e cortou dois pedaços dela. Os pedaços caíram no chão e pulsaram. Em sua vista, duas outras pequenas minhocas foram criadas.

“Você vê, Rei”, disse Beau. “Há apenas uma Minhoca.”

Tendo dito isso, ele atacou.

É claro que o Rei dos Pesadelos não ia deixar Beau simplesmente matar sua criatura preciosa. Ele berrou, e as duas minhocas pequenas foram direto para Beau. Em sua corrida, elas deixaram uma trilha de gosma venenosa que borbulhou e corroeu a pedra polida. Suas bocas abriram bastante e atacaram os dois Reis. O Rei dos Sonhos foi rápido e perfurou uma delas com uma flecha, prendendo-a e queimando sua pele com a fumaça. Beau desviou da outra e soltou uma de suas vozes mais penetrantes, que congelou a pequena minhoca no mesmo lugar e fez com que ela encolhesse em uma esfera que se dissolveu.

O Rei dos Sonhos preparou outra flecha e atacou a Grande Minhoca. O monstro se ergueu e tentou se enrolar ao redor do Rei, silvando conforme as flechas escavavam sua carne mas sem fazê-la perder a força para lutar. Enquanto o Rei estava concentrado em salvar seu reino, Beau prestou mais atenção no que importava, e o que importava para o Rei dos Pesadelos era proteger uma pedra pendurada em seu pescoço. Beau sabia disso porque ele era um grande caçador e caçadores podem ver com alguém protege um prêmio. Isso, Beau decidiu, era seu alvo. Enquanto o Rei dos Sonhos mantinha a Minhoca ocupada, Beau foi atrás do Rei dos Pesadelos.

“Não me importa por que você ajuda a Escuridão,” Beau disse conforme as facas brilhavam contra a espada do Rei dos Pesadelos. “Não me importa que você também é irmão da Lua. Essa pedra é minha. Eu a obterei.”

O Rei dos Pesadelos era um grande guerreiro, muito rápido, mesmo que fosse pequeno. Mas o desespero fez com que ele hesitasse e alterasse seus movimentos para poder proteger a pedra, e isso era algo que Beau sabia bem. Ele soltou duas vozes nos ouvidos do seu adversário, confundindo-o e prejudicando seu equilíbrio. Com essa oportunidade, Beau roubou a pedra.

A Grande Minhoca congelou, o que foi bom porque o Rei dos Sonhos já estava quase sem flechas. As armas de prata cobriam a pele da minhoca, queimando-a de maneira que deveria enlouquecê-la, mas Minhocas não são criaturas inteligentes e raramente se importam com a dor. Ela congelou e encarou Beau que percebeu que havia vencido.

“Eu posso fazer a Minhoca comer seu irmão”, Beau disse ao Rei dos Sonhos.

O Rei dos Pesadelos, percebendo que havia perdido, não conseguiria escapar e não tentou.

“Não”, suspirou o Rei dos Sonhos. “É a natureza dele.”,

Normalmente Beau teria feito isso de qualquer forma, mas, novamente, a parte da lua que ainda vivia em seu coração fez com que ele mandasse a Grande Minhoca para longe, de volta para sua terra natal, sem que nunca retornasse aos campos dos sonhos. Beau manteve o coração da Minhoca para si e o Rei dos Pesadelos retornou para sua torre, derrotado ao menos por algum tempo.

No entanto, Beau não havia terminado. O irritava que o Rei dos Sonhos e os Caçadores não fizessem nada para se defender. Ele odiava o fato dos Caçadores tomarem o que quisessem sem pagar suas dívidas. Então ele subiu no topo da torre do Rei dos Sonhos e rugiu em uma voz tão poderosa que até a névoa tremeu e os sonhos silenciaram por algum tempo.

“ESCUTEM-ME”, ele rosnou.

Os Caçadores escutaram.

“VOCÊS NÃO PODEM APENAS PEGAR ESSES SONHOS. VOCÊS PRECISAM TER UM PROPÓSITO. OLHEM.”

Ele apontou para um dos monstros alados, circulando a névoa procurando por alguma minhoca que houvesse sobrado e observando os caçadores.

“LUTEM”, Beau ordenou.

E um dos Caçadores arremessou seu cano para cima. Ele atravessou o coração do monstro pássaro e o que escorreu dele era tão doce quanto o sonho. Daquele dia em diante, o Rei dos Sonhos tinha um exército e Beau podia pegar quaisquer sonhos que quisesse como pagamento por sua ajuda.

E é por isso que eu tenho sonhos bons.