23/05/2017

Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 5)

(PARTE 1) - (PARTE 2) - (PARTE 3) - (PARTE 4)

Depois de fazer uma cópia da foto, eu peguei o conteúdo da caixa que recebera e levei para a polícia. Como eu desconfiava, as digitais estavam danificadas demais para qualquer identificação. Procuram na própria caixa para tentar encontrar algum DNA, mas tinha sido muito bem limpa antes de ser entregue a mim; as únicas digitais encontradas eram dos funcionários do correio, todos foram interrogados. Falaram que deixariam a investigação em aberto, mas isso eu já tinha ouvido antes. Já tinha decidido que investigaria isso sozinho.

Falei para minha esposa que tinha que sair do estado para fazer uma pesquisa para meu atual projeto. Tenho certeza que sabia que eu estava mentindo, mas me deixou ir sem brigas. Não querendo deixar minha família sem seu principal protetor, fizemos um plano elaborado para transportar cada um de nossos filhos para lugares diferentes; minha filha foi para a casa da minha irmã em Wisconsin e meu filho para a casa dos pais de minha esposa na Califórnia. Digo que foi elaborada porque precisamos de ajuda de outras pessoas com carros iscas para cada estado e assim ter certeza que não estavam sendo seguidos. Quando senti que meus filhos estavam seguros, fiz questão de saber se minha esposa se sentia confortável em ficar sozinha em casa, mas ela assegurou que sim. Deixei nossa arma de fogo pronta e acessível para ela, só caso precisasse.

Depois de cerca de 15 horas dirigindo, cheguei na cidadezinha que abrigava o Daisy's Diner, o qual foi minha primeira parada. Estacionei no estacionamento no qual eu não visitara desde que meu carro tinha sido arrombado pela primeira vez. Era mais sujo do que me lembrava; estava coberto de vários tipos de lixo e detritos. Dessa vez, estacionei bem de frente para as grandes janelas do restaurante e a primeira pessoa que avistei foi a mesma garçonete que tinha atendido a mim e minha família, mas dessa vez eu anotei seu nome: Roberta. Haviam outras poucas pessoas no restaurante; um homem e uma mulher comendo em uma mesa e outros três homens separados comendo no balcão. Não reconheci nenhum deles. Pelo seu comportamento, deduzi que Roberta não se lembrava do nosso outro encontro. Me sentei e me perguntou o que eu queria beber. Falei que não estava ali para fazer uma refeição.

Peguei a cópia da foto da garotinha e perguntei para Roberta se, por algum milagre, fazia ideia de quem poderia ser a criança da foto. Ela observou-a pelo o que pareceu ser um longo tempo, mas acabou por me dizer que não a reconhecia.  Enquanto me devolvia a foto, um dos clientes disse em voz alta "O que diabos está acontecendo aqui?". Olhei para ele, e percebi que estava direcionando a pergunta para a rua. Me virei e vi que um homem encapuzado estava de pé do lado da porta do motorista do meu carro. Imediatamente me levantei e fui para a rua; cheguei na porta e o homem saiu correndo.

Corri atrás dele até a esquina do Daisy's Dinet e foi aí que apaguei. A última coisa que me lembro foi de uma máscara por debaixo do capuz, e alguma coisa me batendo na lateral da cabeça, me deixando inconsciente. 

Quando acordei, estava no escuro. Eu não estava amarrado ou amordaçado, mas não conseguia discernir os meus arredores. Consegui me levantar e ficar de pé e, quando fiz isso, mais ou menos 25 televisões se ligaram ao mesmo tempo. Todas estavam em estática, no último volume. Gritei "OLÁ?!" Com todo o pulmão, mas o som da minha voz sumiu entre a estática. E então, tão repentinamente que me fez pular, cada uma das telas se transformou em uma foto. Era o mesmo quarto que eu havia visto a menininha ser assassinada. O mesmo lençol branco pendurado e arrastando no chão, mas dessa vez a parte do chão estava manchada de sangue. Presumi que fosse o sangue da menina, mas não tinha como saber se ela era sua única vítima. De certa forma, eu duvidava disso.

Um homem entrou na cena, mas de costas virada para mim e permaneceu assim por todo o vídeo. Ele falava comigo em um tom muito agudo, porém bastante grave ao mesmo tempo. O melhor jeito que tenho para descrever é que falava como uma criança. Falava como uma criança animada.

"Oi, papai da Katie. Estou feliz que tenha recebido meu presente. Eu não quero fazer nenhum mal para sua filha, a grande artista, eu só quero que ela seja minha amiguinha e desenhe para mim! Eu mandei de volta os que não eram meus preferidos mas fiquei comigo os que são meus favoritos e agora são meus para sempre. Tudo que eu queria era ser amigo da Katie. Katie, Katie, Katie! Ela é uma artista tão boa! [agora falando com mais raiva] Mas você não deixa eu ser amigo dela! Você está me obrigando a te tirar do caminho, mas eu não quero fazer isso porque amigos não machucam os papai dos outros amigos! Quero ser um bom amigo, não um amigo ruim! Então vou fazer isso ficar fácil. Bem facinho mesmo. Se você deixar sua filha, a grande artista, ser minha amiga, eu vou te deixar em paz. Mas se você não for legal comigo, vou ficar muito brabo. Você promete ser bonzinho?"

Eu gaguejei "Si-sim?" Sem saber se era uma gravação ou algo ao vivo, se estava sendo assistido ou não.

Houve um momento de silêncio, então ele falou de novo, mais calmo. 

"Bom. Mas sendo que você foi um bobalhão, não vou te contar como sair daí!" Então deu uma gargalhada infantil. O vídeo parou. 

Agora novamente na escuridão total, tateei pelas paredes tentando procurar algum tipo de porta. Eu podia ver entre as frestas, entre uma TV e outra, que a sala continuava até onde eu não conseguia ver. Tentei empurrar as TVs, mas algumas eram muito antigas e pesadas, nem se moviam do lugar. Então comecei a passar as mãos pelo teto, que estava logo acima da minha cabeça, e em certo ponto algo cedeu e pude ver os raios de sol entrando pela abertura.

Trancado por nada mais que um cadeado frágil, consegui sair facilmente e logo me encontrei no meio de uma enorme floresta. Havia uma mochila perto do alçapão com todos meus pertences dentro. Peguei meu celular, que tinha o mínimo de sinal possível, mas ainda assim com um pouco, e usei sua bússola embutida depois que tentei ligar para a polícia e não consegui. Depois de caminhar por uma hora e meia para o oeste (não sei porque escolhi essa direção), cheguei em uma estrada. E depois de andar mais quarenta e cinco minutos para o Norte, um caminhão parou do meu lado e perguntou para onde eu estava indo. Falei que queria chegar no Daisy's Diner.

Daquele ponto, estava a apenas trinta minutos do restaurante. Parece que, apesar de tudo, tinha tomado o caminho certo. O homem estava quieto e não me fez perguntas, o que apreciei de verdade. Me deixou no Daisy's Diner e se despediu, negando quando ofereci dinheiro para a gasolina, e foi embora. Entrei no meu carro e olhei para o espelho. Tinha um corte na minha testa, alguém tinha feito pontos e cuidado muito bem dele, mas ainda doía como um filho da puta.

Percebi que finalmente o sinal estava cheio no meu celular, então liguei para a polícia. Eles chegaram e eu os levei para onde tinha ficado preso. A primeira coisa que me disseram é que não havia nada em qualquer direção dali por diversos quilômetros. Sem lojas, casas, cabanas, nada. Vasculharam o alçapão em que eu tinha sido colocado, mas as televisões estavam todas quebradas e os fios cortados. Verificaram atrás das TVs, onde suspeitei que houvesse um túnel, mas logo fazia uma curva e acabava por ali. Como se fosse o começo de um túnel que nunca tivera sido terminado. Fizeram mais uma vez um BO, corpo delito, dizendo que eu tinha sido bem cuidado e os pontos eram decentes, não precisavam ser refeitos. No final, me largaram novamente no meu carro no estacionamento do restaurante e falaram que me ligariam com qualquer novidade, e enquanto isso investigariam a área. 

Nesse momento já estava escurecendo, minha cabeça estava me matando a um ponto que não me sentia confortável para passar horas dirigindo, então fui para o único lugar que era perto suficiente e sabia que poderia descansar por um tempo, além de talvez obter respostas. Fui direto para o hotel onde recebera a primeira foto.

Quando desci do carro, espiei pela janela da recepção e vi o mesmo homem que tinha visto anos atrás. Não posso dizer com certeza, mas pareceu para mim que quando me viu, pegou o telefone, disse algumas palavras e desligou. Na época eu achei que estava sendo só um pouco paranoico demais, pois quando entrei ele não deu sinais de que se lembrava de mim. Pareceu genuinamente curioso quando contei sobre as coisas que tinham acontecendo na minha primeira estadia em seu local de trabalho. Depois de um pouco de conversa, fiquei com um quarto para passar a noite, me acomodei e desmaiei de sono antes que pudesse fazer quaisquer medidas de segurança. Por sorte, quando acordei vi que nada tinha acontecido. Quer dizer, até sair do quarto.

Quando passei pela porta vi que todos os quatro pneus do meu carro tinham sido dilacerados. Tudo que pude fazer foi rir, sendo que aquilo era bastante patético comparado com toda a tortura psicológica que eu e minha família aguentamos durante esses anos. Chamei um mecânico local e dentro de uma hora ele já estava lá trocando meus pneus. E então logo eu já estava na estrada, fazendo minhas idas e voltas habituais para não ser seguido.  Cheguei em casa depois de 20 horas dirigindo e reuni toda a família de volta. Tinham permanecido ilesos durante minha ausência.  

Tudo ficou bem por um longo período. Quase um ano, pelo que lembro. Então, em uma noite, acordei com alguém batendo na porta de casa. Peguei a arma do cofre e me aproximei da porta, a qual soava constantemente um "toc toc... toc toc". Desliguei o alarme, abri a porta e vi que havia um pedaço de papel dobrado com uma pedrinha em cima em nosso tapete. Passei por cima da folha e corri para fora, tentando ver quem tinha estado batendo na minha porta. O tempo de demora entre a última batida e eu abrir a porta não tinha sido longo, então ele não podia ter ido longe. Olhei para todos os lados e não vi ninguém. 

Tenho que admitir que não estava pensando direito naquele momento. Mesmo com a adrenalina, ainda estava meio dormindo, então dei meia volta e voltei para a porta de casa. Peguei o papel do chão e entrei em casa. Depois de trancar a porta e religar o alarme, eu abri o papel para ver que desenho era dessa vez. 

Esse desenho em particular era um autorretrato de corpo inteiro que Katie tinha feito. A adição dessa vez era outro homenzinho perseguidor mal desenhado, segurando a mão de minha filha. Katie tinha antes escrito "EU" no topo do desenho, mas agora havia um X por cima da palavra, e ao lado em uma letra grotesca estava escrito "NÓS". Achando que era apenas mais uma tentativa de nos assustar, eu coloquei o desenho no balcão e resolvi ligar para a polícia, mas antes fui dar uma espiada em Katie. 

Subi as escadas até seu quarto e empurrei a porta que sempre ficava encostada. Senti a cor sumir do meu rosto, e aquela sensação familiar do meu coração caindo do peito. Mas dessa vez foi pior. Dessa vez parecia que nunca mais parava de cair. Katie não estava em sua cama, e sua janela estava totalmente aberta, o vento soprando, as cortinas esvoaçando para dentro do quarto. Minha filha tinha sido sequestrada. 


EM BREVE: Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (FINAL)


FONTE: NC

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


21/05/2017

A Baleia Azul

(Aviso: Estou com um bloqueio criativo então ainda não comecei a escrever a próxima parte da 'Coisa Embaixo da Paulista', me desculpem.)  


Me chamo Sam, sou uma adolescente cheia de problemas que busca refúgio em meios virtuais, já que os meus pais não tem tempo para mim. Moramos em uma cidade no interior do Texas chamada EL Paso. As pessoas são legais, mas são muito reservadas na maior parte do tempo. Não posso esperar de estranhos aquilo que os meus pais deveriam fazer. Meu cachorro morreu faz dois meses e é uma das maiores dores que eu já senti, era o meu único amigo nessa cidade.

Foi então que eu passei a ficar mais tempo na internet e buscando formas de me distrair. Algumas pessoas comentam na escola algo sobre a Deep Web. Nunca tive coragem e nem curiosidade de entrar. Achei um site de fórum onde pessoas da mesma idade que eu escreviam seus problemas como forma de desabafar. Me ajudou muito. Fiz duas amigas e contávamos tudo uma para outra, e assim a tristeza diminuía. Katy era a mais tímida, tinha que insistir muito para que ela contasse qualquer coisa sobre os problemas mais graves. De nós três, ela era a mais frágil emocionalmente.

Loren era a mais durona ou pelo menos se fazia de durona, sempre dizia que estava tudo bem, mesmo depois de escrever um textão no fórum sobre os cortes que havia feito na perna esquerda porque terminou com o namorado. Ambas com 15, e eu, a mais velha, com 17.

É engraçado porque sempre consegui resolver os problemas de todo mundo, mas nunca resolvi os meus. Nem o psicólogo do colégio conseguiu, mesmo sendo um dos melhores da cidade. Comecei a me interessar por psicologia na esperança de tentar ajudar a mim mesma e acabei me apaixonando por tudo o que a nossa mente é capaz de fazer, e também me assustando. Existem problemas maiores que os meus. É triste.

Ontem eu disse a minha mãe que gostaria de cursar psicologia, disse isso com um sorriso que há muito tempo não aparecia nos meus lábios. Ela apenas continuou fumando aquele cigarro barato enquanto mexia a panela de sopa. Em seguida, ela pediu que eu mexesse a sopa enquanto ela ia pegar o meu irmão que estava chorando no berço. Aquele bebê tirou muitas coisas de mim.

Cuspi no jantar do meu irmão. Foi uma forma de esvaziar a raiva, uma forma nojenta e repulsiva, eu sei, mas não me cobro maturidade, afinal, tenho apenas 17 anos, estou crescendo ainda. O meu pai não faz nada o dia todo, é aposentado por conta de um acidente de trabalho, minha mãe vende tortas de maçã verde.  As tortas são populares na vizinhança, dizem ter um gosto especial. Aposto que são as cinzas de cigarro que ela deixa cair na massa.

As piores dores são aquelas que machucam a alma. Acho que seria melhor torcer o pé todos os dias do que sentir isso que sinto diariamente. É horrível, mas depois de um certo tempo, você até se acostuma. As meninas bulímicas que conheci no fórum diziam sempre que a sua melhor amiga se chamava “Mia”, um jeito carinhoso de dizer que sofre de bulimia. Minha amiga se chama dor. Ninguém quer morrer, mas aposto que ninguém gostaria de morrer de uma forma que não fosse emocionante.

Meu nome é Sam e eu sou a criadora da Baleia Azul.

Você quer jogar?  

(Autor: Andrey D. Menezes.) 
(Revisão: Gabriela Prado.) 


20/05/2017

Pedra, papel, tesoura...


Pedra, papel, tesoura.

Escolhi pedra. E o meu reflexo também. Suspirei aliviado.

Pedra, papel, tesoura. 

Ambos colocamos pedra outra vez. Ótimo.

Pedra, papel, tesoura. 

Ambos tesoura. 

Talvez o meu amigo estivesse apenas me zoando. Sorri vitoriosamente.

Pedra, papel, tesoura. 

Minha mão aberta, com a palma para baixo, estremeceu quando o meu reflexo esticou dois dedos 

Game over.


A Dama de Preto



Esse é o pesadelo que me perturba há quatro anos. 

Alguns anos atrás, sonhei que estava na casa do meu pai, visitando-o. Meu pai, meu irmão, e eu estávamos saindo para ver o meu carro (íamos consertá-lo) mas havia algo estranho. Vi uma figura no escuro, atrás de algumas árvores. 

De início, pensei que fosse um cachorro, até que a figura se levantou. Era muito alta (quase dois metros) para ser um cachorro. Quando tentei observa-la melhor, ela se agachou e correu para trás da casa. 

Tentei esquecer. Nos aproximamos do carro, e ouvi um farfalhar entre as árvores. Olhei para o meu pai para ver se ele tinha ouvido algo; não parecia que tinha ouvido, mas ele já estava se afastando com o meu irmão. Ouvi o barulho tornando-se mais alto e comecei a correr em direção a eles. 

Olhei para trás e vi uma criatura, era negra e sangrenta, usando um longo vestido negro. Ela tinha longos dentes afiados e garras, com olhos brancos e brilhantes, e ela gritava para mim, tão alto que machucava os meus ouvidos. Tentei agarrar o braço do meu irmão, mas a minha mão passou direto por ele. Ele e o meu pai pareciam normais, enquanto a criatura gritava para mim. 

Caí no chão, tentando fugir, mas ela me alcançou, envolvendo o meu pescoço com suas mãos. Senti suas garras se afundando em meu pescoço. Enquanto eu chorava, ela continuava me sufocando e gritando pelo que pareceu uma eternidade, mas foi provavelmente por apenas 30 segundos. Assim que comecei a sentir meus pulmões se enchendo com sangue, acordei. Não consegui me mover por uns 10 minutos; eu estava paralisado de medo em minha cama, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Tentei gritar mas não pude, mal conseguia respirar. 

Desde então, eu a vejo em meus sonhos... 

Sempre observando... 

Esperando... 
 



19/05/2017

Creepypasta dos Fãs: SEM TÍTULO [AUTOR, NOS DIGA SEU TÍTULO]

[Carol, qual o título da sua creepy, menina?!]
[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com, com título da creepy e seu nome!]

Antes de me formar, trabalhava como taxista em São Paulo para ganhar um pouco de dinheiro. Na última semana de aulas, e na minha última corrida, fui abordado por uma idosa que acabou me dando um tiro na coluna, e me rendeu algumas semanas desacordado no hospital. Depois disso, decidi me mudar para uma cidade mais tranqüila, na qual poderia atuar na minha nova profissão.

Me mudei para um pequeno prédio com varandas. Ao seu lado, havia um prédio parecido, também com varandas, e uma delas coincidia com a do meu andar. Tal prédio era novo, ou seja, era comum perceber um movimento grande em alguns dos apartamentos, por conta das mudanças, até que isso aconteceu nesta varanda coincidente.

Estava trabalhando na minha varanda, que tinha uma bela vista das propagandas dos "outdoors" e da parede dos prédios vizinhos e onde costumava trabalhar, e percebi que a varanda à minha frente estava "sendo ocupada", de uma forma bastante estrondosa, mas simplesmente continuei trabalhando, afinal, era apenas mais uma mudança.

O problema é que, algum tempo depois, surgiu uma mulher desarrumada, com um pijama sujo e rasgado, maquiagem borrada, descalça, e cabelos extremamente longos e sujos, que começou a chorar. Começou chorando baixinho, mas foi aumentando, a ponto de estar basicamente esperneando e gritando.

Ninguém estava notando isso?

Estava olhando para mim.

Fiquei assustado e entrei em casa. Fechei a cortina e a porta da varanda e decidi tomar um banho depois que percebi estar ensopado de suor frio. Quando voltei do banho, fui ver televisão e percebi que já estava bem tarde, já que o céu visto da varanda estava escuro, e uma mulher idosa e arrumada, com seus longos cabelos trançados parecendo uma corda- me olhava benevolente, de um modo até hipnótico. Decidi ir até a varanda, afinal, a porta já estava aberta.

(Talvez continue)

Autor: Carolina Moravec

Revisão: Gabriela Prado


Creepypasta dos Fãs: Sorriso da Rainha

[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com, com título da creepy e seu nome!]

Voltava da casa de alguns amigos no meio da noite, já bêbado após uma social (minha primeira). Na época, devia ter o que? Uns 15 anos? Estava cambaleando dos poucos segundos que me lembro. Me sentia corajoso, e então um amigo meu, também de 15 anos, estava com o carro do pai dele, já indo pra casa, e percebeu que eu estava bêbado.

- Cara, você quer uma carona? - Perguntou ele, um pouco bêbado.

Lembro-me de ter dito algo sem sentido e dito um sim. Então foi aí: dois bêbados adolescentes num carro de um adulto. Estávamos cantando Queen enquanto nos sentíamos poderosos. Estava tudo errado, não vou negar. Foi cômico, até que sentimos uma "lombada". Percebemos que tínhamos atropelado alguém e ele aumentou a velocidade.

- Filho da puta, você está louco? - Perguntei pra ele.

- Porra, só não liga, esquece - Disse ele, assustado enquanto aumentava a velocidade do carro.

Finalmente ele me entregou em casa, e entrei como se nada tivesse acontecido. Me controlando pra não mostrar que estava bêbado, cheguei em casa e vi a luz da cozinha acesa.

- Mãe? - Perguntei.

Ela saiu da cozinha e me deu um beijo na testa, ela me deu um sorriso encantador, o sorriso que só uma rainha tinha, que só a minha mãe tinha. 

O telefone começou a tocar, e ela me pediu pra ir atender pois estava ocupada. Eu fui.

- Alô, aqui é do IML, vim lhe dar uma notícia horrível. Sua mãe foi achada atropelada na rua 15 e está morta, me desculpe. Te chamamos para vir verificar o corpo na sexta-feira.


Eu fui correndo pra cozinha e não encontrei ela, e foi aí que eu percebi que meu pior erro foi ter bebido, porque infelizmente eu perdi a mulher mais encantadora do mundo, aquela que tinha o sorriso de uma rainha. 

Autor: Jtiger
Revisão: Gabriela Prado


17/05/2017

No Drive-Thru do Starbucks

NOTA DA DIVINA: Semana que vem tem a volta da série 
"Minha família vem sendo perseguida há 4 anos" PARTE 5! 

Sou de uma cidade pequena. PEQUENA mesmo. Nada de mais acontece lá a não ser o dia do " leve ser trator para o trabalho". Eu estava no Terceirão do ensino médio em uma turma de 42 pessoas. Todos nós conhecemos desde que estávamos usando fraldas. Posso te falar o primeiro, último e até o nome do meio de todos meus colegas.

A coisa mais empolgante que aconteceu na nossa cidade foi a inauguração de um Starbucks. O único motivo para construírem a loja aqui é que passa uma rodovia no meio da nossa cidade, então as pessoas que passassem de carro por ali compensam o número pequeno de moradores. Não preciso nem dizer o quanto ficamos animados. Era uma cafeteria com não muito dentro, mas pelo menos havia um Drive-Thru.

O prédio ficava junto de um conjunto comercial, então tinha um pequeno estacionamento. Mas o drive-thru ficava colado a uma parede de tijolos. Uma vez que você entrava ali, não tinha como dar ré. Isso era irritante principalmente quando a pessoa da sua frente fazia um pedido gigantesco, pois não tinha como desistir se outro carro já estivesse atrás de você. Cabiam na fila cerca de seis carros apertadinhos. E sempre estava cheio.

Bem, já digo que o Starbucks não durou muito. Depois de oito meses aberto, foi fechado.

E eu tive a oportunidade de ver o porquê.

Aconteceu durante as férias de primavera. Minha mãe e eu estávamos no conjunto comercial, que ficava a quase uma hora de onde morávamos. Estava calor. Fui eu que sugeri que passássemos no Starbucks antes de voltarmos para casa. Minha mãe não queria, disse que era desperdício de dinheiro. Mas eu enchi o saco até ela ceder.

Nós fomos para o drive-thru e tinham quatro carros na nossa frente. Minha mãe suspirou, mas entramos na fila. Mais três carros estacionaram atrás de nós. Estávamos todos preses como ervilhas em uma vagem, suando pelo calor do dia.

"Quero algo gelado," resmunguei para minha mãe.

Ela revirou os olhos. "Morango com creme?"

"Sim, por favor!" Peguei meu celular do bolso e tirei algumas fotos para o snapchat. 'Tomando café gelado com a mamãe!' Escrevi em uma foto nossa. Minha mãe deu risada.

De repente ouvimos um estalido alto. Olhamos uma para a outra, surpresas. "Parece um tiro," falei em tom baixo.

"Não pode ser," respondeu, sacudindo os ombros. "Deve ter sido barulho de alguma moto."

Ficamos sentadas em silêncio por alguns momentos. Acho que ambas sentimos uma mudança nos ares.

Então ouvimos o grito. Era de homem. Instintivamente, coloquei minha cabeça para fora da janela para ver o que estava acontecendo. Por conta de estarmos tão espremidas contra a parede, não tinha como abrir as portas do carro. Mas eu sou pequena, então consegui tirar metade do meu corpo para fora e ver o que estava acontecendo.

Havia uma pessoa de pé no capô de um carro. Estava a uns quatro carros na nossa frente. Ele estava usando uma máscara de gorila. Tinha uma arma na mão. Ele apontava-a para o para-brisas. Alguém dentro do carro estava gritando, implorando por ajuda. Minha mãe me puxou para dentro do carro antes de eu ouvir o estouro que preenchera o silêncio. O para-brisas estourou e deixou todos nós cobertos de medo.

"Temos que sair daqui” minha mãe falou em um sussurro. Ela olhou em volta loucamente, sabendo que estávamos bloqueadas. Os carros de trás não estavam se mexendo e, obviamente, os da frente também não.

"Mas que porra," eu resmunguei.

"Vai ficar tudo bem," Minha mãe colocou o carro em marcha ré e pisou no pedal. Não estávamos nos mexendo, não tinha espaço suficiente. Ela bateu no carro de trás, que não se moveu, depois fez a mesma coisa com o carro da frente. O pânico só crescia. Podíamos ver as pessoas nos outros carros também apavorados, a mulher no banco carona da frente batia a porta freneticamente contra a parede de tijolos, conseguiu ficar metade do corpo para fora, mas depois ficou emperrada.

O cara com a máscara calmamente escalou por cima do carro que havia acabado de atirar e ia para o seguinte. Eu observei em absoluto terror enquanto ele batia contra o para-brisas deles. Havia um casal lá, e eu podia ver que estavam abraçados um no outro por suas vidas.

"Abaixe o vidro," o homem de máscara falou alto.

Poucos segundos se passaram. As pessoas do carro estavam gritando. Minha mãe e eu ficamos quietas

"Abaixe o vidro AGORA!"

O vidro do motorista abaixou lentamente. Podíamos ouvir a voz do homem lá dentro. "Por favor, temos crianças no carro. Não nos machuque. Somos boas pessoas, por favor!"

O homem se inclinou em direção da janela e atirou no casal duas vezes. Sangue se espalhou pela parte interna dos vidros. As janelas estavam pintadas de vermelho. Agora podíamos ouvir os gritos das crianças. Minha mãe segurou minha mão. Ela engoliu a seco.

"Se abaixe," ela disse.

"Que?" Eu mal conseguia entender o que estava acontecendo.

"Se abaixe o máximo que puder. Talvez ele não te veja."

"Mas mãe-"

Minha frase foi interrompida por vários tiros. Os gritos das crianças foram calados.

Sem mais nenhum pio, eu me dobrei no espaço debaixo do porta-luvas. Fiquei o mais encolhida o possível. Minha mãe colocou a bolsa por cima de mim, conseguindo me cobrir quase que por inteira. Ela respirava pesadamente.

A voz de uma mulher irradiava pelo Drive-Thru. "Por que você está fazendo isso?"

Imaginei que provavelmente era a mulher que estava tentando sair do carro. Ela tinha ficado presa entre a parede e o carro. Fechei meus olhos, tentando não imaginá-la presa ali, apenas esperando para levar um tiro. Até minha mãe virou o rosto quando o tiro foi dado. Sangue se espalhou por todos os lados.

Minha mãe se preparou ali, atrás do volante. Ela olhou para frente como se estivesse em um transe. Eu chorava silenciosamente. Pude sentir o homem pulando em nosso capô. Olhei em direção da minha mãe. Ela não olhou para mim.

A máscara de gorila estava aparecendo pela janela do motorista. A arma apontada na têmpora dela. Eu não podia ver o rosto dele, mas sabia que estava sorrindo.

Minha mãe, com um movimento muito rápido, pegou a arma. Quase bati a cabeça no porta-luvas de surpresa. O homem deve ter se surpreendido também, pois a arma saiu com bastante facilidade de sua mão. Ela apontou e apertou o gatilho. Atirou diversas vezes até que as balas acabaram. Havia sangue em seu rosto e em sua roupa. A máscara do homem estava cheia de furos. Ela continuava a apertar o gatilho mesmo quando não disparava mais.

Deixei um suspiro aliviado sair. Não conseguia acreditar que minha mãe acabara de fazer aquilo. Uma mãe, dona de casa de uma cidade pequena, acabara de matar um assassino.

Mas antes que eu pudesse sair de meu esconderijo, houve outro estouro. Vinha do lado do carona. Observei apavorada a cabeça de minha mãe explodindo. Ela caiu para frente do volante, cabeça na buzina.

Virei minha cabeça lentamente para o meu lado do carro, onde uma pessoa com máscara da Barbie olhando para baixo. Ela virou a cabeça para o lado, observando seu trabalho. Ela não deve ter me visto, pois desapareceu da minha vista. Senti o peso dela sair do nosso carro e ir para o outro. Eu não conseguia respirar.

Fiquei naquela posição por mais de uma hora. A polícia chegou depois de 20 minutos do primeiro tiro, mas eu não conseguia me mexer. Eles só me encontraram depois que cortaram o topo do carro com ferramentas para retirar o corpo da minha mãe. Quando a policial me viu, seu rosto se contorceu. Ela podia ver o medo que ficara marcado para sempre em mim.

Eu fui a sobrevivente do Drive-Thru. No total, trinta pessoas foram assassinadas, incluindo três crianças com menos de dez anos.

O homem com máscara de gorila foi posteriormente identificado com um eco terrorista radical. Eles planejaram aquele "evento" para protestar contra o impacto do Starbucks no meio ambiente. Apesar de suas intenções, nenhum funcionário ficou ferido. Só as pessoas que estavam na fila de carros.

Eles nunca encontraram a outra pessoa com a máscara da Barbie.

Minha mãe morreu bravamente e eu me agarro a essa ideia. Nunca em minha vida eu esperava que ela tiraria a arma da mão de um assassino louco. Ela fez aquilo por mim. Para me salvar.

Mas tem uma coisa que eu fico pensando todos os dias. Apesar de suas ações terríveis, todas as mortes e as vidas destruídas que aqueles assassinos causaram, o "evento" acabou funcionando. Pelo menos para mim. Eu sei que nunca mais em minha vida tomarei algo do Starbucks. 

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!