Você acredita em Deus?

Recebi uma proposta da empresa onde eu trabalhava há uns anos atrás para me tornar o responsável pela nova unidade em uma cidade de Minas Gerais (não pretendo dizer o nome dessa cidade), mas para isso eu precisaria me mudar para lá. Aceitei a proposta sem pensar duas vezes, ora! Afinal, não há muita coisa a se perder em São Paulo quando se tem 25 anos e nenhuma proximidade com a família.

A cidade era bem pacata, tanto que como nascido e criado paulista, me surpreendi em poder sair tranquilamente de madrugada sem medo de ser assaltado e voltar a ver as crianças brincando na rua. Minha nova casa era pequena porém aconchegante aos meus olhos, e todo aquele clima fazia sentir-me de volta aos anos 90. Resumindo, tudo corria perfeitamente bem.
Após um dia cansativo de trabalho, um dos funcionários estava fazendo aniversário e todos resolveram comemorar em um bar da localidade. Me convidaram, e vendo como uma forma de conhece-los melhor, resolvi ir junto.

Era um lugar bem frequentado apenas pelos homens da cidade, ao que parecia, e tinha um cheiro característico de vômito e cachaça. A iluminação era quase inexistente e amarelada, mas os posteres de mulheres nuas por todos os cantos eram quase impossíveis de passarem despercebidos. Tomamos uns goles de vários tipos de bebidas e começamos a conversar sobre assuntos aleatórios. Carlos, o mais falante e o aniversariante também, se mostrava o mais disposto a se enturmar comigo. Não sou o tipo de pessoa que julga pela aparência mas o cara era realmente estranho. Era um homem baixo, sua coluna era completamente curvada e seu biotipo esquelético conseguia ressaltar todos os seus ossos, tanto a barba quanto o cabelo enormes e parecia que seu último banho tinha sido há anos atrás. Porém, o que mais me assustava eram seus olhos... Eram como se toda a maldade do mundo estivesse naqueles olhos semelhantes ao de serpente. A minha sorte era o enorme chapéu de palha que ele usava e me livrava muitas vezes de contato visual.
Ouvi piadinhas sobre eu ser o chefe e o mais novo entre todos eles, ouvi histórias sobre as esposas... Esse tipo de coisa que parecia indispensável para a ocasião. Até que o assunto se levou para religião.

— Então, patrão... O senhor acredita em Deus? –Carlos me perguntou enquanto os outros mudavam de assunto e não prestavam a atenção em nós.

— Não, mas respeito todas as religiões. –Eu respondi querendo encerrar logo a conversa. Não era meu assunto favorito e queria os olhos de Carlos longe de mim.

— Pois deveria acreditar.

Ele deu uma risada mínima debochada, pegou uma faca que todos estavam utilizando para abrir castanhas e naquele momento eu congelei. Aqueles olhos doentios estavam completamente focados em mim e não havia o mínimo de brilho, mesmo que ele olhasse para a luz. Eu podia jurar que ele estava me ameaçando só com aquilo. Me levantei em praticamente um pulo, disse para todos que tinha assuntos para resolver em casa e fui embora o mais rápido que pude. Nessa pressa toda, apenas em casa percebi ter esquecido minha jaqueta no bar.

Mas na hora não fazia mais diferença, pelo menos eu tinha saído dali. Fui tomar um banho gelado e me convencia que o acontecido tinha sido coisa da minha cabeça, quando escutei baterem na porta do banheiro. Batidas fortes e estrondosas, que conseguiam estremecer toda a porta.

Me troquei o mais rápido que pude e abri a porta em seguida, com o pensamento de "se for pra eu morrer agora não tem muito o que fazer, vou me defender com o que contra alguém armado?", mas para minha surpresa não tinha ninguém ali. Peguei uma faca na cozinha e olhei nos cômodos se não tinha ninguém mesmo, mas nem algum rastro havia. A porta principal estava trancada e as janelas intactas.

Já estava começando a duvidar da minha sanidade então fui logo dormir, coloquei a culpa na bebida e deixei a faca embaixo do travesseiro caso realmente houvesse algo. Eu tinha o hábito de dormir de barriga pra baixo mas como o sono não aparecia de jeito nenhum, resolvi me virar e ficar de frente para o teto. A visão que eu vi nunca vai sair da minha cabeça.

Um ser completamente escuro e gigantesco estava agarrado no teto com suas unhas pontiagudas me observando, e quando percebeu que eu o notei, retorceu o pescoço para me olhar nos olhos e deu um sorriso que rasgou todo seu rosto. Parecia gostar e se satisfazer de me mostrar aquelas centenas de dentes pontiagudos como os de tubarões. 

Eu não conseguia mover um músculo mesmo que tentasse com todas as minhas forças, nunca senti tanto medo em minha vida. A criatura rangia os dentes e se contorcia pelo teto, enquanto os ossos de sua coluna rasgavam aquela pele obscura e fazia pingar um líquido negro que cheirava a enxofre de seu interior.

Quando aquilo se desprendeu do teto e veio rastejando rapidamente em minha direção, pude sentir meu coração disparar ainda mais. Ela me observava quando de repente vomitou um parasita no chão, que agonizava e se contorcia. A criatura pegou em sua mão o parasita, que se parecia com uma larva com uma cabeça que suportava apenas sua boca enorme cheia de milhares de pequenos dentes.
Eu já não prestava mais atenção em muita coisa além de tentar sair dali, mas era inútil. Aquele enorme ser abriu meu estômago com sua unha enquanto eu só pude escutar o som da minha pele se rasgando e ver meus órgãos ficarem expostos. Tudo doía como se aquilo nunca tivesse fim, eu só desejava a morte.

A criatura colocou o parasita dentro dos meus órgãos e naquele momento eu acordei. Não pude acreditar que tudo aquilo foi um sonho, estava suando frio e a vontade de vomitar me consumia. Já tinha amanhecido e o Sol iluminava manchas de um líquido negro no chão.

Passou-se um tempo desde o ocorrido e meu mal-estar era constante, sempre sentia dores no estômago. Eu observava Carlos pelos corredores da empresa e só conseguia ver a criatura toda vez que ele passava, se contorcendo e as costas com ossos expostos.
Resolvi ir no médico fazer exames de rotina por conta das dores e depois de algumas semanas fui chamado para conversar. Já pressenti que algo não estava bem, no mínimo os exames detectaram algum problema no cérebro de tantos delírios que tive. Estava frente a frente com o médico e ele parecia inquieto.

— Você acredita em Deus? – Ele perguntou com uma expressão que eu descreveria como pena.

— Não. –Dessa vez eu estava convicto de minhas palavras, e se existisse algo de superior, isso só poderia ser do mal.

— ... Bem, se apegue em outras coisas, então. Tenho más notícias –Ele disse passando os dedos pelos papeis.

Câncer de estômago avançado. Era isso que ele queria me notificar e foi a única coisa na qual prestei atenção. Enquanto ele falava em quanto tempo eu poderia durar e métodos para tentar tratar, eu só conseguia pensar no que era aquela criatura. Meu cérebro me alertando sobre a doença? Delírios? Alguma coisa realmente ruim e sobrenatural?

Bem, ninguém poderia me dar respostas, no mínimo me chamariam de louco. Logo depois da consulta fui até a empresa mandar e-mails ao meu superior em São Paulo sobre o ocorrido, avisar sobre minha demissão por conta da doença. No dia seguinte ele veio se lamentar e nomear o próximo responsável pelo meu cargo.

Carlos foi nomeado depois de muita enrolação e todos fizeram praticamente uma festa, o jogando pra cima. Naquele momento apenas consegui ver o líquido negro pingando e sentir o cheiro de enxofre se tornar forte.

Autora: Lilith

Esquina

O horário que você coloca suas crianças na cama é o mesmo horário que vou trabalhar. Os primeiros raios de Sol que aparecem no horizonte indicam o momento de voltar para casa. Trabalho onde os cidadãos de bem não ousariam colocar o pé, exceto se viessem às escondidas. Sou julgada por muitos pelo meu emprego, porém eu gosto dele, contanto que ninguém saiba o que eu realmente faça.

Meu ponto preferido é uma esquina, debaixo de uma ponte. Alguns mendigos dormem por perto, mas eles não me incomodam, são apenas pessoas excluídas. A roupa curta se tornou chamativa, contudo, o salto alto me importuna em alguns casos. O frio é suportável e o som do vento é relaxante. Do outro lado rua, existem outras como eu, apenas conversando e buscando dinheiro.

Espera! Um carro branco e grande se aproxima, o motorista parece charmoso. No primeiro contato visual, ele parece um homem buscando diversão que não tem medo das consequências, ou seja, meramente um jovem. Suas roupas me dizem que ele possui muito dinheiro em sua conta bancária, logo, aceitei esse meu cliente de bom grado.

Após voltar para o meu ponto, percebi que o garoto foi uma boa distração, mas ainda não é o homem que eu procuro. De pé, durante uma hora inteira, o cansaço dominou o meu corpo – eu não posso fazer um trabalho eficaz quando estou exausta – sentei em um banco, perto dos moradores de rua e das outras mulheres. Foi neste momento que ele apareceu, o homem que eu esperava ansiosamente.

O carro preto, com vidros cobertos de insufilm estacionou ao meu lado. Levantei e sorri. O homem parecia ter cerca de trinta anos, logo, maturidade. Ele fez um sinal para que entrasse no veículo, parecia ser convidativo. Aceitei e fomos para um motel barato bem perto.

Este motel por sua vez, parecia esquecido, tinha um total de sete quartos, um ao lado do outro, mas apenas um cômodo estava com a luz acesa. Fomos para o último quarto do corredor, que tinha uma vista para rua. O local era imundo e tinha um odor que poucas pessoas poderiam reconhecer.

- Interessante, o que é tudo isso? – perguntei ao meu parceiro.

No mesmo instante, senti uma pancada extremamente forte em minha cabeça e simplesmente apaguei.

Meus olhos abriram-se devagar, a dor era parecida como um martelo no meu cérebro. Quando fui me levantar, descobri que minhas mãos e meus pés estavam amarrados em uma cadeira, eu estava completamente imóvel. Ao olhar para frente, observei o homem, sentado, com um pé de cabra na mão e seus olhos transbordavam ódio.

Voltei minha atenção para o que eu tinha achado de interessante. Havia recortes de jornais por todos os lados, sobre notícias de desaparecimentos de mendigos, ciganos e prostitutas. Armas e objetos cortantes eram visíveis. Entretanto, em uma cômoda perto da janela, encontrava-se uma foto de uma mulher, com traços idênticos aos meus.

O homem levantou-se furioso, jogou o pé de cabra na direção da janela e pegou uma faca enorme. Ele transpirava, seu rosto estava vermelho e suas mãos tremiam. De repente parou na minha frente, disse:

- Vocês destruíram a minha vida! Vocês são nojentos, imundos e se tornaram um erro na sociedade. A cidade deve ser um lugar preservado e limpo, mas vocês conseguem estragar tudo isso! Eu como pessoa ativa na comunidade, tenho o compromisso de eliminar cada um de vocês.

Eu sabia que tinha escolhido o cara certo – nunca cometi um erro – enquanto ele cuspia aquelas palavras repulsivas, tirei o canivete que estava no lado direito do meu shorts – foi difícil já que as minhas mãos estavam amarradas – como estava perto da cintura, consegui levar ele até a minha mão direita. Comecei a cortar a corda desesperadamente. Ele falava de costas, admirando os recortes colados na parede, típico de um narcisista.

Ao virar novamente, ele se deparou comigo, cortando a última corda que prendia o meu pé. Como um leão faminto, ele pulou e tentou me agarrar, entretanto caí para o lado e consegui me soltar. Fui correndo até pegar o pé de cabra, que ao me virar, atingi a cabeça dele. Seguindo minha intuição, eu o agredi inúmeras vezes, até que caísse morto na minha frente.

Imediatamente fui em direção dos jornais e arranquei todos da parede. Mesmo que ninguém se lembrasse daquelas pessoas, sinto que é o meu dever levar as manchetes para a delegacia. Vocês poderiam se impressionar com tantos homens que desejam fazer a varredura, eliminado os mais pobres, entretanto, estou aqui para impedi-los. Meu trabalho é varrer da sociedade quem faz a varredura.

Ao sair do motel, cansada, coloquei os papéis em uma bolsa que encontrei no quarto. Em seguida, voltei para a esquina que fica debaixo da ponte e entreguei a bolsa para um dos mendigos que me ajudava. Recuperei-me e fiquei ali parada, apenas esperando a minha próxima vítima.

Autora: Marina Teixeira

Battle City

O ano exato eu não lembro, mas foi nos anos 90. Meu pai, o gamer da família, comprou um Famicom original (embora na minha memória o console fosse branco e dourado, não vermelho). Já tínhamos famiclones e cartuchos, mas não sabíamos que eram os mesmos jogos, então ele trouxe um novo original da loja. Lembro até hoje de desembalarmos o plástico bolha e plugarmos a fita amarela no console.

Battle City. Meu pai e eu sentávamos na beira do sofá, com a brisa úmida que entrava pela porta aberta em dias nublados, e jogávamos o jogo do tanquinho até a mão doer!

Eu jogava bem mais, pois tinha as tardes livres quando criança. Mas, assim como o Famicom era diferente em minhas memórias, o Battle City que me lembro quando jogava de um player era bem diferente das roms que encontro hoje na internet.

As primeiras fases ainda consigo lembrar de serem iguais, ainda mais porque meus pais quando as veem nos emuladores comentam coisas que viam nos gráficos, especialmente uma que parece um cara de gorro que chamam de Gorfo (sei lá quem é). Mas lembro vagamente de coisas além.

Havia um powerup que nunca encontrei nas roms, que era uma gotinha que permitia o tanque passar na água (mais ou menos como o barquinho que tem no Tank 1990). Também lembro de ser capaz de destruir as plantas verdes quando pegava mais de três estrelinhas (não consigo isso nas roms, mas vi que tem isso no Tank 1990, o que me faz pensar que essa versão foi feita por pessoas que também viram esses powerups daquele Battle City original).

Algo que não vi em nenhuma rom foi um supertiro, apenas um destruía tudo pelo caminho até bater na parede da arena. Esse é só um dos vários powerups que não encontrei.

Outro era uma asinha, como de avião, que permitia o tanque passar sobre tudo, inclusive tijolos e pedras. Esse era perigoso, pois se passasse sobre a fênix ela morria.

Falando na fênix, lembro que em algumas fases ela parecia piscar o pixel do olho quando haviam muitos tanques ao meu redor, e então mesmo sem acertar um dos que piscavam rosa, aparecia um powerup para pegar. A fênix era muito mais inteligente e amiga nas minhas memórias.

Nessas vezes que haviam muitos inimigos na tela, o jogo parecia bugar, pois meu tanque também piscava rosa, e se tomasse um tiro, dropava um powerup aleatório que até os inimigos podiam pegar. Esse era um dos desafios mais legais do jogo, por que não existe mais?

A cada fase o negócio dificultava. Lá pela 60 (isso de madrugada, meus olhos ardendo, meu pai dormindo) os tanques ficavam mais rápidos (ou eu estava cansado?), e alguns atiravam até para trás. Mais fases depois até para os lados atiravam, e haviam outros modelos de tanques. A tela pós-arena comportava mais de quatro tipos para dar o bônus, então devia ser normal.

Nessa tela de bônus após as fases que a águia me ajudava, aparecia um THANK YOU debaixo do total. Não sabia se era ela me agradecendo ou vice-versa. Só queria jogar mais.

Mas cheguei num nível tão difícil, passava do 130, que os tanques me fechavam de um jeito… parecia um bullet hell! Haviam linhas de pedras brancas abertas só pelos cantos e outros elementos espalhados entre elas. Não tinha muito para onde correr. A fênix piscava e jogava vários powerups, mas eu estava tão encurralado que mal chegava perto deles.

Enquanto alguns tanques pesadões me fechavam e tiravam algumas das dez vidas que conquistei no jogo até ali, outros iam pelo outro lado e chegavam perto da fênix. Mesmo com o tiro mais fraco consegui abrir um caminho para pegar o powerup que criava uma barreira temporária de pedras, mas eu tinha que chegar lá embaixo antes que ela sumisse e as peruinhas matassem a fênix. Os tanques me seguiam (pareciam mais inteligentes), e a fênix me deu alguns powerups no caminho. Apesar da arena pequena de 13x13, nessa fase pareceu uma viagem e tanto. Consegui o tiro médio, podendo soltar dois por vez. Chegava perto da concentração de peruinhas e tanques quando a fênix me deu o powerup da asinha, de passar por cima de tudo. Nessa jogatina que conheci esse powerup.

Já não haviam mais tanques para aparecer, nenhum ícone na lateral direita, mas continuavam surgindo tanques. A tela estava flickando, o coitado do Famicom não suportava tantos sprites. Os tanques novos iam pelo outro lado. Não daria tempo de dar a volta. Eu achava que a asa me faria voar, então depois de destruir os tanques desse lado, quebrei com cuidado a parede do lado da fênix e passei sobre ela para chegar ao outro lado, quebrar a parede também e matar os outros tanques. Mas ao passar sobre a águia, ela explodiu. Foi diferente de um game over comum, pois a tela toda piscou, o fundo preto em vermelho, e o som da explosão foi tão alto que pulei para trás e quase puxei o console junto!

Subiu o texto GAME OVER e, após a contagem de pontos, a tela ficou preta em vez de aparecer o mesmo texto escrito com tijolos. No lugar, veio o texto WHY? com pedras brancas, sobre a fênix morta, e mesmo morta ela piscou. Após um estridente grito agudo de 8 bits, voltou para a tela de início.

Talvez não seja uma coisa grande, mas aquela madrugada eu não esperava ver tudo isso. Depois daquilo preferi jogar Rockman e Super Mario Bros mesmo. Ficou tão marcado, pelo inesperado eu acho, que ainda caço roms pela internet em busca daquela versão que joguei, mas nunca mais consegui.

O Tank 1990 não tem nem metade de tudo que vi naquele Battle City original. Se alguém tiver essa rom, manda pra mim. Valeu.

Autor: Andrew S. Leist

O final da Terceira Guerra Mundial deixou consequências graves

A noite parecia que se tornava cada vez mais silenciosa. A casa estava escura, mas com iluminação necessária para que eu não tropeçasse em nenhum móvel, e o sofá era o que eu precisava para descansar os meus pés pesados, a programação continuava falando sobre a paz e o fim da guerra. Todos estavam felizes porque já havia acontecido muitas mortes, porém, as consequências das bombas atômicas - como seus efeitos, que até hoje estão deteriorando cada país que participou ou se envolveu, não diminuiu. A angústia nos olhos dos apresentadores tenta diminuir o pavor. Então, mais uma notícia apareceu, essas que costumam chegar a cada momento do dia, tanto no rádio quanto na televisão e até nas publicações de papel, falando sobre os efeitos dos explosivos atômicos, que cada vez parecem ficar mais mordaz.

"Últimas notícias e novidades sobre a nova doença sem controle: tenham cuidado com todos os membros da família, esses que apresentaram algum comportamento agressivo. De acordo com as informações, o último estágio é matar os seus filhos e depois os seus companheiros." - palavras do jornal semana passada, exibido durante o período da manhã.

"Os infectados costumam reclamar que estão vendo borboletas voando e, de acordo com os exames dos corpos das vítimas e agressores, os contaminados tiveram seu sangue transformado em uma pasta doce que atrai borboletas, como se fosse alimento. Elas sempre estarão acompanhando quem está sobre esse tormento." - notícia do início da semana em rádios frenéticas com as perdas que não param e ataques frequentes.

"Jornal Nacional das sete horas da noite. De acordo com as informações, os agressores estão sentindo uma fome feroz por carne; qualquer tipo de carne, tanto animal como humana. Esse é um comportamento bem típico de infectados. Nessas circunstâncias, em caso de algo semelhante, comuniquem às autoridades o mais rápido possível e se escondam com seus filhos. O mesmo serve para as crianças que estão assistindo, se observarem algo com seus progenitores. Canibalismo está aumentando antes das mortes e depois... Desejo boa sorte para todos e que Deus esteja com vocês!" - William Bonner tenta segurar as emoções, ao falar as notícias às oito horas da noite, antes que a programação ficasse em estática.

As crianças estão brincando no water-closet, dentro da banheira, e pediram para permanecer mais um pouco. Como uma boa mãe, deixei, pois não queria que ficassem mais tristes por causa do sumiço do seu pai, o meu marido. Desliguei a televisão, já que estava começando a falar mais uma vez sobre a trégua dos Estados Unidos e Irã. Hoje o dia foi muito calmo, e a única coisa que desejo é dormir, mas sempre fico até tarde das horas aguardando ele chegar. Minha preocupação maior sempre são as crianças, faço de tudo para que fiquem felizes e não saibam das coisas que estão acontecendo pelo mundo. Não é fácil você inventar uma desculpa cada hora do dia para os seus olhos inocentes e desejando o progenitor de volta.

Estava distraída, observando que eu precisava trocar o papel de parede de casa, e fiquei navegando na internet para vislumbrar preços baixos. A maioria das pessoas não cobrariam caro por, conta das mortes, e qualquer um trabalharia de graça para ter pelo menos o que comer. Fechei o navegador e desliguei o tablet, já fiquei tempo demais na sala e precisava ver como é que as crianças estavam no banheiro. Quando cheguei, observei que o meu filho, Rain, com seus oito anos, e a, Lee, com os seus onze, estavam dando tapas na água e brincando com patinho de borracha marrom. Eles ficaram tristonhos quando me viram, e eu disse que daria mais dez minutos antes que fossem dormir.

O tempo que eu dei para eles seria o necessário para lavar as louças e preparar as suas camas confortáveis e quentes para essa noite rotineira. Os meus passos foram ficando pesados e eu não estava me sentindo muito bem, com a sensação estranha de perigo. Pois, enquanto caminhava, estava ouvindo barulhos vindo da cozinha. Caminhei mais um pouco para perceber que a porta dos fundos foi aberta. Sei muito bem disso, sem precisar chegar até lá, dado que conheço o som e a sensação de arrepio nos meus joelhos quando a porta encontra-se arreganhada - dá, também, para ouvir a brisa sendo jogada dentro do imóvel e uivando como um lobo.

Cheguei até à cozinha para observar a carne espalhada por todas as partes, vindo da geladeira, e os seus pés, desequilibrados, pisando em cima dela. Ele estava espalhando todas as gavetas, derrubando as cadeiras e procurando algo. Eu vi o meu marido depois de quase dois dias sumido, este estava evitando falar comigo, mas era evidente que já tinha notado a minha presença, quando fiquei parada, apenas o observando e sem dizer nenhuma sentença. Várias coisas ficaram na minha cabeça e eu não sabia o que fazer diante da situação. Amarrada nesta circunstância, os meus lábios se tornaram tentadores para dizer algo simples:

- Amor, onde você esteve por tanto tempo? - em cada segundo que eu juntava as palavras na minha língua, ficavam pesadas e trêmulas, ao enxergar a atmosfera tenebrosa se envolvendo diante do seu comportamento incomum.

- Cadê a droga dos meus filhos!? Que merda de borboletas são essas invadindo a minha casa? Não quero perguntar por uma segunda vez, senão terei que lhe machucar! - o seu hábito ficou mais agressivo e ele começou a puxar as gavetas jogando-as nos seus pés e destruindo o assoalho. Eu fiquei mais nervosa e os meus membros começaram a tremer. Sei que a situação aparente diz uma coisa, mas minha cabeça quer acreditar em outra.

- Sua cachorra! O que você fez com as facas? Eu preciso de uma delas e irei ver os meus filhos! É melhor você não me esconder nada! Não aguento mais essas borboletas, estão deixando-me louco! - ele estava arrancando todas as gavetas do balcão multimóveis linea, abriu a geladeira onde estava todos os alimentos. Eu sabia que o seu único objetivo era vir na minha direção e dos nossos filhos inocentes no water-closet.

- Você não vai encostar em mim, nem nos meus filhos! É melhor sair o mais rápido possível, porque eu vou chamar a polícia e não vai desejar isso, nem eu quero. Por favor, nos deixa em paz... Você não é o meu marido e nem o pai das minhas crianças! - desde que nós nos casamos, eu nunca disse que guardava uma arma na caixa de sapatos, dentro dos presentes do meu pai falecido. Ele se aproximou, pronto para me atacar, e disparei três vezes no seu peito, fazendo-o cair no chão atormentando pela histeria.

As minhas mãos permaneceram apontadas na mesma direção que eu disparei quando ele estava em pé. Eu nunca havia matado ninguém e nem brigado com meu marido desde que nós nos casamos. Larguei o ferro no chão, e o seu cano estava fumaçando por conta da pólvora e a poeira seca. Respirou por alguns segundos até se entregar aos ferimentos no peito. Antes de mais nada, fiquei preocupada com os garotos e fui ao banheiro para encontrar os dois em paz. Me ajoelhei na banheira e acariciei os seus cabelos dizendo que tudo estava bem.

Eles disseram que queriam ficar um pouco mais dentro da água, mesmo que os seus dedos estivessem muito enrugados e os seus corpos inchandos por causa do fluído plácido. Eu estava sendo apenas uma mãe boa e fiquei a maior parte do tempo na sala, assistindo televisão, enquanto estava com fome, tanta fome que eu seria capaz de fazer qualquer coisa para preencher o vazio em mim. Continuei preocupada com os lábios inchados e roxos dos meninos e coloquei um pouco de batom hidratante, os seus olhos estavam muito abertos e brancos. Apesar da diversão com consequências, eles ficaram insistindo e deixei mais um pouco. Já estavam há quase dois dias na banheira e não paravam de insistir. Eu estou com frio, mas as borboletas aquecem o meu corpo e eu tento ser uma protetora e boa mãe...

Autor: Sinistro

A Coisa

Você está em sua casa e é uma noite bastante fria. Vai ao quarto e aproxima-se da velha cama. Antes de chegar à cama, nota que algo está vindo ao seu quarto... Você sabe que mora sozinho nessa casa faz muitos anos, muitíssimos anos... Mas algo está se aproximando de você, da cama! Se esconde, o cobertor é um escudo e a falta de luz é mais um obstáculo para que aquilo não lhe pegue, mas não adianta, porque você não tem plano de fugir. Fica apenas observando enquanto aquilo passeia dentro do quarto escuro. Não há eletricidade, possivelmente é falha por conta da chuva.

Não consegue controlar o seu corpo porque sabe que está com muito medo, sempre teve medo dessas coisas, mas nunca teve coragem de enfrentá-las. Sabia que mais cedo ou mais tarde uma das coisas irá lhe ver e, o que vai acontecer depois disso, ninguém sabe... A coisa fica caminhando dentro do quarto, mas não liga uma lanterna ou acende uma vela. Aproxima-se de uma mesa e pega algo. Você não consegue se mexer e não consegue falar, apenas fica observando aquilo.

Uma adrenalina de medo e tensão começam a deixar você trêmulo, sabe que precisa fazer algo antes que seja tarde demais. Aquilo é uma das coisas que você mais teve medo desde o início da sua existência, sabe que aquilo não deveria está dentro da sua velha casa que você herdou de gerações, tem que fazer algo! Não pode deixar ser dominado pelo medo. Então, você finalmente tem coragem e vai esperar aquilo se aproximar suficiente e ficar distraído para quê faça algo.

Você saiu debaixo da cama onde esteve sempre escondido por vários meses e começa a caminhar, no escuro, despercebido como sempre foi. A coisa não percebeu a sua aproximação. Então, você caminha devagar, lentamente. A casa está escura, quando você se prepara para correr, para que possa atacar aquilo antes que seja notado: a janela do quarto abre por causa da tempestade e ilumina todo lugar. Nesse momento, a coisa olha para você e você olha para ela.

O tempo parece parar, ficando você e ele um olhando para o outro. Os olhos arregalados e a adrenalina fluindo de uma forma tão intensa que você não consegue controlar a sua própria respiração.

O seu medo é substituído por uma sede de sangue, você se torna extremamente sedento por sangue. O seu corpo trêmulo, começa a endurecer e você trinca os dentes, fechado as mãos com vontade de esmagar aquilo. A coisa fica imóvel, sem conseguir correr e nem se mexer, mas ele também está preparado para lhe atacar. Então, você faz o primeiro movimento, indo em direção àquilo, pronto para matar e morrer. Você é mais ágil e forte. Ele dá socos em seu rosto, mas você é bem mais forte, joga-lo contra a parede e ele se levanta tentando correr. Você o agarra, novamente, apertando o seu pescoço enquanto a coisa começa a ficar fraca e vai perdendo as suas forças e arrefecendo em seus braços.

Você observa o corpo daquele homem sem vida ao chão, e sabe que ele não é o primeiro que virá morar em sua casa. Você sabe que a família é construída por 5 pessoas: dois adultos e três crianças. Sabe que na manhã seguinte, eles chegaram porque que estavam fora e terá que matar todos para que você tenha sua casa novamente para você. Então, esconde o corpo do homem dentro da própria casa e fica embaixo da cama, aguardando escurecer. Sabe que essa é a hora melhor para que possa matar os invasores.

Autor: Sinistro

Exploração

Vou contar o que aconteceu a mais ou menos 2 anos atrás comigo e meu amigo Andy.

Primeiramente, quero dizer que não estou aqui para ser julgado, acreditem, nesse tempo que passou e os traumas do que aconteceu, já são punição o suficiente.

Andy tinha 26 anos na época, sempre foi do tipo aventureiro, extrovertido, chamava a atenção por onde passava, eu, por outro lado sempre fui mais retraído e nem tão animado assim com aventuras. Talvez por isso dávamos tão certo.

Não sei dizer quando começou, mas meu amigo tinha descoberto uma nova paixão: Cavernas. E convenhamos que aqui no Arizona, isso não é problema. Basicamente o que Andy fazia era arrumar sua mochila e ir explorar cavernas, sejam elas conhecidas ou não.

Fui em algumas de suas explorações, mesmo confessando que não sou fã de lugares apertados. Já estiveram em alguma caverna antes? Por mais belas que sejam, a sensação de impotência por estar entre paredes de rochas maciça nunca me agradou muito, mas não para Andy, pelo contrário, adorava se esgueirar por buracos apertados e descobrir novas localidades.

Uma vez quando estava com ele, descobrimos uma enorme caverna, era gigantesca, eu nunca havia visto nada daquele tamanho, e por mais que não me sentisse confortável, eu conseguia entender o porquê de alguém gostar dessas explorações, na maioria das vezes a surpresa é de cair o queixo.

Na maioria das vezes.

Digo isso pois assim como lugares belos e magníficos, também encontramos lugares estranhos, paredes com pinturas mais antigas do que eu possa imaginar era um achado interessante, assim como já vimos algumas pilhas de ossos em interiores de cavernas. Normal se pensarmos que poderia ser algum predador ou algo do tipo, mas alguns lugares simplesmente não tem como predador algum chegar, então como aqueles ossos estavam lá eu não sei dizer, mas estavam.

Estou contando isso porque quero que entendam que eu era acostumado com essas descobertas e entrar em lugares não muito convidativos, principalmente quando se tinha Andy para te motivar, acreditem, ele era persuasivo, eu já não o questionava mais.

Certo dia ele veio até minha casa empolgado, estava com suas botas, shorts, uma camisa vermelha, trazia consigo sua mochila e o MP3 que sempre carregava, costumava ligá-lo ao máximo dentro das cavernas, o som amplificava de forma incrível, e eu já sabia o que Andy queria.

- John, se arruma, eu descobri um lugar e cara, você precisa ver

- Uh... Andy, são cinco da manhã

- E desde quando tem hora para ir ver algo incrível?

Não é difícil de supor que mesmo relutante, acabei topando. Subimos na minha velha pickup azul e fomos para onde seja lá que Andy queria me levar. Ele foi falando o caminho, após mais ou menos duas horas dirigindo para o que parecia ser o nada, chegamos em um local com algumas pedras, digamos que não havia nada demais nesse local, mas como já havia aprendido, a surpresa se encontra no subsolo; Chequei no meu GPS, estávamos a mais de sessenta quilômetros de qualquer civilização. Ótimo - pensei - era assim que queria passar meu sábado.

Conferi meu equipamento e entramos por um buraco de não mais um metro e meio de largura por sessenta centímetros de altura. Tivemos de rastejar, claro, não é muito agradável mas fazia parte da "diversão".

Ficamos nisso por mais ou menos quinze minutos, "vai valer a pena cara, confie em mim" dizia meu amigo, eu só pensava em que devia parar de ir em suas doidas aventuras. Após mais um tempo saímos em um local maior, pude enfim ficar de pé e esticar as costas. O local em qual saímos era uma câmara subterrânea fracamente iluminada, devia ter uns trinta metros de comprimento, vinte de largura e uns quatro metros de altura, não tinha nada de mais: rochas, estalactites e só.

- Não vejo nada aqui de tão empolgante, Andy

- Não se precipite, ainda não chegamos

No fim da câmara havia o que parecia duas entradas, uma a direita e outra à esquerda, não mediam muito mais do que o buraco pelo qual entramos, meu amigo foi na frente e entrou pelo da direita, perguntei se ele tinha ido pelo da esquerda e onde dava, ele falou que após uns oitocentos metros daria em uma câmara mais ou menos do tamanho desta em que acabamos de sair e havia uma única entrada que levava para saída, a uns quatro quilômetros de onde estava a minha pickup.

- Onde estamos indo tem saída? perguntei

- Não sei John, mas não se preocupe, nós voltamos por aqui e pegamos a outra entrada.

Seguimos mais alguns - ou muitos - metros pelo túnel até chegarmos em uma espécie de fenda. Algumas cavernas descem mais fundo do que se possa imaginar e descer com cordas setenta ou cem metros não é nenhuma surpresa, olhei para baixo daquele lugar e não conseguia ver o fim, era óbvio que era fundo. Descemos por mais ou menos oitenta metros, pegamos uma entrada, seguimos em frente alguns passos e chegamos.

Posso afirmar que nunca havia visto nada assim, era uma câmara oval, media aproximadamente cinquenta metros de comprimento por quarenta de largura, era muito alta, um único e fraco feixe de luz iluminava o lago subterrâneo de águas cristalinas, que refletia na parece rochosa, era um lugar único.

- É ou não é incrível?

- Devo admitir Andy, é surreal

- Eu te falei cara

Enquanto meu amigo foi dar um mergulho, aproveitei para olhar mais atentamente a caverna, antigas pinturas cobriam o lado posterior ao lago, elas retravam o que se vê nessas pinturas rupestres, homens caçando, famílias toscamente desenhadas, animais, lanças etc, eram pinturas bem rudimentares.

Mas algo não estava certo, algumas eram mais novas do que outras, como se tivessem sido pintadas a não muito tempo, andando mais para a lateral esquerda da câmara, notei uma abertura não muito maior que um metro de circunferência abaixo de uma rocha, não sei porque fiz isso, mas algo me dizia que eu devia entrar, eu entrei e com certeza não devia tê-lo feito.

Haviam ossos, pilhas e mais pilhas de ossos nesse lugar, isso me paralisou, não tem como esses ossos virem parar aqui, não tem como chegar aqui... e foi ai que percebi que seja lá o que for que tenha trazido esses ossos para cá, ainda estava por aqui, o que explicaria as pinturas recentes na parede.

Assustado, sai desse local gritando para meu amigo:

-Andy, vamos embora, AGORA

- O que foi cara?

- Vamos embora, não deveríamos estar aqui

- Qual é o seu problema, em?

- Não discute porra, vamos embora

Sem entender o porquê e relutante, ele aceitou e saímos, falei para ele se apressar, já não bastando tudo o que vi, ainda tinha uma sensação estranha que não deveria de modo algum estar ali.

Andy interrompeu meu pensamento.

- Que porra é essa cara? Qual seu problema?

- Andy, eu encontrei ossos nessa caverna, alguma coisa os trouxe e vive aqui, eu não estou afim de descobrir o que é

- E daí? Já vimos ossos antes e você não deu esse ataque

- De animais Andy, isso é diferente, não eram ossos de animais

- Você tem certeza?

- Eu não brincaria com isso, merda, vamos sair daqui logo

Saímos da caverna até chegar no local com a corda onde precisávamos escalar, fui na frente, Andy veio logo depois, subimos pouco menos da metade do caminho quando Andy escorregou e caiu, desci mais rápido que pude chamando seu nome, ele havia quebrado o braço, e era uma fratura exposta.

- Porra cara, o que aconteceu?

- Foi mal John, descuidei e caí

- E agora? Como vai subir essa merda?

- Não vou, você vai e pede ajuda

- Não, nem pensar, não vou deixar você aqui sozinho

- E vai fazer o que? Subir oitenta metros comigo nas suas costas?

- Não, Andy eu... Não posso deixar você aqui depois que que vi

- Ta tudo bem cara, não vai acontecer nada.

Falei para Andy se cuidar e subi o mais rápido que pude até chegar na câmara onde tinha o túnel da esquerda, como ele havia falado, ele deveria me levar a não muito longe da pickup, assim eu poderia chamar o resgate pelo rádio.

No entanto, ouvi um barulho logo atrás de mim, eram passos, fiquei surpreso achando que poderia ser mais alguém explorando a caverna e que pudesse nos ajudar, sendo assim gritei, mas não obtive resposta, decidi então começar a voltar do túnel, foi eu quando vi.

Era enorme, tinha fácil mais de dois metros de altura, andava agachado, seus braços eram anormalmente grandes, unhas sujas e amareladas saíam de seus dedos nodosos, ele parou e ficou em pé, pude ver suas costelas sob sua pele fina, sua coluna marcavam suas costas visivelmente, era sem dúvida muito magro, porém eu não duvidava que poderia me estraçalhar com um simples ataque. Ele veio em minha direção, agachou seu enorme e magro corpo, ficou olhando para mim a não mais que cinco metros de distância. Seja o que fosse, era cega, seus olhos eram de um branco enevoado, como se nunca havia visto nada mais que a fraca luz que entrava por entre as frestas da rochas, era uma criatura que vivia na escuridão, sem dúvidas. Sua cabeça era oval e não tinha nariz, era um único buraco que se movia lentamente sibilando com o som pesado de sua respiração, quatro dentes pontiagudos saiam por entre seus lábios, suas orelhas se moviam tentando captar algum som, parecia ser o único sentido daquela coisa.

Fiquei imóvel, não conseguia acreditar no que estava vendo, eu não sabia o que fazer, tranquei a respiração e só pude rezar, tudo estava silencioso, até que eu ouvi um toque muito baixo vindo de longe. Eu sabia o que era, Andy tinha ligado seu MP3. A criatura rapidamente se moveu para trás e foi em direção onde meu amigo estava.

Fiquei ali assustado com o que acabara de ver, acordei de meu transe e fui para fora dali o mais rápido que pude. Sai daquele inferno e corri para minha pickup, chamei quem quer que pudesse me ajudar pelo rádio. Três horas depois o resgate apareceu, contei o que havia acontecido, falei que meu amigo havia caído e quebrado o braço, falei o que vi, mas ninguém acreditou. Fizeram buscas no local, apesar de encontrarem os ossos na caverna e não saberem como explicar como estavam ali, preferiram dizer que se tratava de algum cemitério muito antigo.

Quanto a Andy, não acharam nenhum rastro, nenhuma pista, nada, chegaram a desconfiar que eu havia vindo mesmo com alguém.

Sei que muitos irão me chamar de covarde ou me julgar, mas a verdade e que eu não sabia o que fazer, eu devia ter de alguma forma tentado ajudar meu amigo, mas agora é tarde e todo dia fico remoendo o que aconteceu, me culpando por ter abandonado meu melhor amigo para ser devorado ou seja lá o que aquilo tenha feito com ele.

As pessoas envolvidas no resgate disseram que talvez eu tenha tido alguma crise de alucinação ou algo assim, mas eu sei o que vi, e vou carregar isso comigo para o resto da minha miserável vida.

Autor: C. E. Batista

O Fim do Creepypasta Brasil?

Olá, Creepers.

Bom, como todos vocês já devem saber, recentemente tivemos um baque imenso aqui no blog. Posso afirmar com toda certeza de que essa foi a maior perda do blog até então, pois a Divina que estava com a gente praticamente desde o inicio do site decidiu se retirar devido a problemas relacionados a tradução e postagem de histórias de terceiros não creditadas aqui no blog.

Isso pegou todo mundo de surpresa, inclusive eu. Como sempre deixamos claro, não monetizamos o blog e/ou ganhamos quaisquer centavo sequer com isso, sempre fizemos esse trabalho porque amamos. Porém, os criadores das histórias estavam dentro de seu direito de se sentirem incomodados com o fato das histórias de suas autorias estarem sendo postadas aqui sem os devidos créditos a eles. Isso não é discussão, é fato.

Levantei a possibilidade da Divina continuar com suas traduções aqui no blog, porém esse ocorrido a afetou de uma forma que ela decidiu tomar a decisão de se retirar de vez e priorizar outras coisas na sua vida, como sua família por exemplo. Todo meu apoio vai pra ela, independente de sua decisão. Ela sempre foi uma das minhas melhores amigas, minha irmã, e o que for melhor pra ela, eu vou apoiar sem pensar duas vezes.

Talvez posteriormente ela decida voltar, porém infelizmente não posso confirmar nada. Inclusive, gostaria de deixar bem claro tanto para ela quanto para todos que estão lendo que as portas SEMPRE estarão abertas para seu retorno, caso deseje. Esse é o nosso bebê aqui na internet que temos cuidado há quase 10 anos, e sempre continuará sendo.

Dito isso, muitos de vocês nos perguntaram o que aconteceria daqui pra frente. Afinal de contas, isso significa o fim do Creepypasta Brasil?

Negativo.

Continuarei a manter o blog vivo por conta própria com a ajuda de vocês. Estarei postando nas terças, quintas e sábados todas as creepypastas criadas por fãs, ou seja, sempre teremos algo diferente e inesperado aqui no blog, sem contar que todas as histórias sempre foram e continuarão sendo creditadas aos próprios criadores, o que por si só já evitará quaisquer problema relacionado a isso (inclusive, às vezes eu me deparo com algum email de algum autor cuja história foi postada há anos atrás pedindo com gentileza para que a mesma seja retirada do ar, e sempre acatamos a isso sempre problema nenhum).

Quem conhece minha rotina sabe que infelizmente não tenho mais tempo para traduzir histórias da internet, como tinha em meados de 2011, 2012. Além de meu emprego atual, administro diversos outros projetos, incluindo meus dois canais do Youtube, o que impossibilita que eu tenha quaisquer tempo para isso, infelizmente. Espero que entendam e continuem com a gente nessa jornada. Eu nunca permitirei que esse blog morra, independente do que aconteça.

Muito obrigado por tudo & Keep Creepying!

AVISO

Boa tarde, 

Estou fazendo essa postagem para avisar que eu, Divina, estou parando minhas atividades como tradutora do blog Creepypasta Brasil a partir de hoje. Por descuido meu, não creditei algumas histórias que traduzi do site nosleep e vários escritores, que diga-se de passagem são absurdamente talentosos e merecem todo o crédito do mundo, ficaram chateados com essa situação. Por consequência do meu ato de não creditar, vários youtubers pegaram os contos traduzidos, fizeram vídeos narrados e por isso vários autores que monetizam esse tipo de atividade, ficaram sem receber seu dinheiro. 

Meu projeto com o Creepypasta Brasil nunca foi para ganhar dinheiro em cima das traduções, tanto que não monetizamos o blog até hoje. Mas não é justo eu continuar com esse trabalho nessas condições e sem a autorização dos autores dos contos. Peço minhas sinceras desculpas para qualquer autor que se sentiu ou foi lesado pelas minhas traduções, principalmente para a Gabie Rivera, aka /u/EaPAtbp, autora do conto "Meu Sugar Daddy me pede favores estranhos" que quando entrou em contato comigo me explicou toda a situação educadamente e me fez entender a repercussão dos meus atos para esses escritores que contribuem para a comunidade do terror. 

Então é isso. Estarei retirando todas as minhas traduções do ar a partir de hoje. 

Sinto muito a todos que prejudiquei. 

Divina. 

***

I am making this post to explain that I, Divina, are stopping my activities as a translator of the blog Creepypasta Brasil from now on. To my carelessness, I did not give the proper credits to some stories that I have translated and several writers who are absolutely talented and deserve all the credit in the world, are upset about this situation. As a result of my actions of not crediting, several youtubers took those translated stories and made narrated videos and so many authors who monetize this type of activity did not receive their money.

My project with Creepypasta Brasil has never been to gain money on translations as we did not monetized the blog. But it is not fair to continue this work under these conditions and without the permission of the original authors. I sincerely apologize to any writer who has suffered or been harmed in any way by my translations, especially to Gabie Rivera, also known as /u/EaPAtbp, author of the tale "My sugar daddy asks me for weird favors" who politely explained me the situation and I understood the repercussions of my actions on these writers who contribute so much to the terror community.

Then that's it. I will be removing all my translations from today on.

I am sorry to everyone that I caused any harm.

Divina.

SELEÇÃO DE ORIGINAIS 2020 - EDITORA MACÁRIA



A recém-criada Editora Macária, cujo objetivo é descobrir novos talentos da literatura brasileira contemporânea, está selecionando originais de poesia, romance e conto para serem publicados em 2020.



As instruções para envio dos textos são as seguintes:

Os interessados devem enviar suas obras literárias, inéditas, acabadas e prontas para edição, em formato digital (.doc ou .pdf), para o e-mail editoramacaria@gmail.com até o dia 01 de fevereiro de 2020. O anexo também deve contar com uma minibiografia do autor e dados básicos, como nome completo, contato e cidade de origem.




Pedimos, por gentileza, que quaisquer dúvidas sejam enviadas no e-mail já referido ou na caixa de mensagens da página.

Drougos

Desde 21 de abril de 2019 foi que as coisas estranhas começaram a acontecer. Começou com a vinda do meu tio que não nos visitava há muito tempo. Quando eu era pequena, eu e ele conversávamos muito quando nos víamos. Eu sempre gostei muito dele e por isso minha mãe me levava quase todos os finais de semana em sua casa. Agora que estou mais crescida, a escola e os amigos demandam praticamente todos os fins de semana o que nos obrigou a trocar mensagens, por isso estranhei sua visita naquele dia, achei que ele iria me avisar quando viesse. Nessa visita, ele me chamou para tomar sorvete.

Sempre conversamos sobre curiosidades aleatórias, como: et's, animais fofinhos, os tipos de estrelas que tem no universo, plantas toxicas exóticas, entre outras coisas, mas dessa vez ele parecia que queria me contar sobre algo importante.

Fui toda feliz com a companhia, estava com muita saudade dele, mas achei muito estranho quando ele me deu de presente uma bíblia e uma pulseira de rosário. Ele nunca foi religioso e nunca tinha me dado nada de presente antes. Agradeci, e logo em seguida ele começou a contar umas coisas muito estranhas, sobre seres que ele denominava como “Drougos”. Contou que os “Drougos” estavam nos observando, querendo vir para cá e que era para mim rezar, porque coisas ruins iriam acontecer e apenas Deus podia nos ajudar.

Quando questionei quem eram esses “Drougos” ele falou que eu iria descobrir em breve, mas que não era para eu ficar falando em voz alta sobre o assunto porque eles veem e sabem de coisas alem do nosso entendimento, e sabem também que teriam algumas pessoas mais difíceis que as outras.

Meu tio insistiu para que eu fosse uma das pessoas mais difíceis, mas não disse como ou o que eu deveria fazer para ser assim, além das instruções sobre ler a bíblia. Achei que era um jeito que minha mãe encontrou para me fazer ficar mais religiosa, então preferi seguir a dica e comecei a dar uma lida na bíblia que tinha ganhado, para ver minha mãe um pouco mais satisfeita comigo.

Domingo, dia 20 de julho, aconteceu outra coisa estranha. Acordei as 8 horas da manhã com o som de uma música muito alta. Levantei correndo e fui até a janela para ver o que estava acontecendo na rua. Tinham muitas, mas muitas pessoas mesmo, dançando na rua, todos fazendo os mesmos passos, como se estivessem dançando uma coreografia ensaiada por muito tempo. Eram passos complexos de dança, ora em duplas, ora individual, todos sincronizados uns com os outros.

Chamei por minha mãe, mas não obtive resposta. Deduzi então que ela estava lá na rua dançando junto com todo mundo, apesar de ela não ter comentado sobre ensaio nenhum comigo. Troquei de roupa bem rápido e fui lá dançar junto porque achei aquilo tudo muito legal, e quase todos os meses tem alguma festa na rua aqui na cidade.

Abri a porta de casa e logo vi meu tio no quintal, olhando para toda aquela festança. Fui até ele e percebi que olhava a multidão com certa curiosidade. Olhei para as pessoas e notei que pareciam estar em uma espécie de transe, como se estivessem hipnotizadas.

Meu tio perguntou se eu lembrava da nossa conversa na sorveteria aquele dia e eu disse que sim. Ele disse para eu prestar atenção, pois aquele era o primeiro sinal do começo dos fatos que levariam ao fim da humanidade. Quando fui questionar ele sobre o que queria dizer com isso, ele disse que já tinha dito coisas demais e que não podia explicar, porque os Drougos vão escutar e descobrir sobre nós dois, e não quer que eles o vejam como uma ameaça potencial.

Fiquei preocupada. Perguntei como podíamos fazer para mudar o destino e meu tio me xingou dizendo para ficar quieta e não pensar naquilo que estava acontecendo. Disse para mim agir como as outras pessoas até ele pensar em algo que pudesse fazer a respeito.

E assim como começou, a música terminou repentinamente. As pessoas que estavam na rua ficaram olhando umas às outras, com um ar de confusão. Pelo jeito não sabiam como tinham chegado ali. Não vi sinal de minha mãe na rua, então voltei para dentro de casa. Encontrei ela lá dentro; estava no banheiro tomando banho com a porta aberta e usando ainda os pijamas. Quando me ouviu fechar a porta da frente, saiu do banheiro, tirou o pijama molhado e se enrolou na toalha como se nada de anormal estivesse acontecendo e quando toquei no assunto da dança e do banho estranho dela, ela disse que não sabia do que eu estava falando e que eu tinha uma imaginação muito fértil. Percebi que ela não se lembrava de nada do que tinha acontecido naquele dia. Mas coisas piores ainda aconteceram alguns dias depois.

Sábado dia 3 de agosto de 2019: Dessa vez, quando meu tio chegou em minha casa, me trouxe de presente um filhotinho de cachorro, todo branco coisa mais lindinha. Porém não pude deixar de notar como aquele filhote tinha algo estranho. Quando peguei ele no colo, percebi que tinha vários machucados em seu corpo e o filhote estava um pouco frio, mas estava com a energia de um filhote saudável brincando.

Meu tio tirou de dentro de seu bolso um estetoscópio e colocou o objeto em meus ouvidos, a outra ponta apertou suavemente no peito do animal e me pediu para prestar atenção. Não havia batimentos. Ele deveria tecnicamente estar morto, mas estava ali brincando como se nada tivesse acontecido. Depois de me mostrar isso, fez um corte nas costas do cachorro, que não demonstrou reação nenhuma, mas ao invés de sair sangue, saiu um líquido verde de dentro da ferida recente.

Fiquei chocada, não sabia o que dizer sobre isso. Titio me explicou que isso era um efeito do veneno que os Drougos haviam lançado em alguns alimentos, ele ainda não sabia quais, mas acreditava ser apenas na comida de animais, para enfraquece-los sem que percebamos. Disse que eles entendem nossos animais como confortos psicológicos e que atacando nos bichos, nos tornará vulneráveis.

Quarta-feira, 21 de agosto. Estou na cantina da escola e meus colegas estão estranhos. A conversa que está rolando é sobre uma tal viajem que todos vamos fazer. Só o que dizem é que vamos viajar de avião dia 25 de outubro e que vai ser muito legal. Quando eu pergunto o destino é que a coisa fica estranha. Uns dizem que é surpresa, outras pessoas falam que é um passeio em outro país e outros dizem que a escola ganhou um prêmio do governo.

Meu tio me mandou uma mensagem agora, dizendo para não comer nada derivado de carne, e voltar agora para casa que ele me explica quando eu chegar. Acho que tem algo a ver com o cachorro que ele me mostrou. Olhei para o cardápio da cantina e congelei: tudo era de carne hoje. Sorte a minha que eu não tinha comido nenhum pedaço da torta que eu tinha pego.

Saí de fininho da cantina, e passei escondida pela secretaria para ir para casa, por sorte ninguém me viu. No caminho de casa haviam vários pássaros mortos pelo chão, todos com aquela mesma cosa verde que vi no cachorro saindo pelo bico. Não parei para dar atenção a isso. Quando cheguei em casa, meu tio me esperava na sala junto com minha mãe, que parecia em transe falando também sobre a tal viajem. Aí eu saquei na hora que a coisa estava cada vez pior.

Meu tio trancou a porta da sala e fechou as cortinas, deixando-a toda escura, tirou minha mãe da sala e falou que agora estávamos seguros. Me contou que descobriu através de um fórum online que mais pessoas tinham conhecimento sobre os Drougos e que ele entrou em contato com o dono desse fórum que deu informações terríveis para ele.

O homem contou que eles são seres de energia que moram em júpiter, que tem poderes que os fazem saberem tudo do futuro e do passado, que podem ver e ouvir além da nossa compreensão e que os Drougos estavam com os dias contados no planeta, pois havia a ameaça de serem atingidos por um meteorito gigantesco. Entretanto, como sabiam do passado, sabiam da história da criação do homem e que estávamos poluindo e destruindo nosso mundo.

Eles então decidiram que não merecíamos mais nosso planeta e resolveram nos envenenar com uma erva chamada pelos povos amazônicos de Ayahuasca, que causa alucinações e deixa a pessoa em transe. Primeiro fizeram um teste nos animais, então descobriram que os efeitos da erva ficavam na carne dos animais infectados. Foi muito fácil para eles nos envenenarem e muito simples para um desses seres possuir um ser humano para implantar a ideia da viajem.

Os Drougos querem fazer todas as pessoas entrar em suas naves pensando que são aviões e transportá-los para seu planeta condenado, nos mandando direto para a extinção.

Fiquei chocada com tudo isso, e não sei o que fazer. Na escola falaram que temos menos de um mês para a viajem e meu tio disse que está procurando mais pessoas para criar um grupo e combater eles. Não faço ideia do plano que titio inventou, ele não pode nos contar nada por que sabe que os Drougos vão escutar, então estou apenas ajudando a recrutar mais gente.

Além dos poderes deles, sabemos que são covardes, pois estão nos manipulando para irmos por vontade própria para a morte iminente. Precisamos ser espertos para enganar aqueles que sabem de tudo. Estamos seguindo a filosofia de que todo o futuro é subjetivo e pode ser mudado pelo presente. Não sei como as coisas estão na sua cidade, mas se você souber de alguma coisa, por favor entre em contato, e não coma nem beba nada derivado de animais, pois eles estão contaminados. Nos deseje sorte e que Deus nos abençoe.

Autor: Pixel

Preciso apenas deixar minha nova família feliz!

Sei que não é fácil você tentar fazer uma nova família feliz, até porque nós não nos conhecemos bem. Quando estacionei naquele casarão, no meio do nada, vi que havia outros carros e imaginei que poderia ser algum tipo de pousada. Após bater a porta, deparei-me com uma mulher e uma criança, apesar dos outros veículos, eram apenas nós três que habitavam naquele lugar. No momento em que pisei naquele local, foi aí que eu tentei formar uma família feliz, apesar dos machucados, agressões e ameaças constantes.


O meu objetivo é fazer com que todos estejam bem, essa é a minha missão aqui e não é tão fácil, dado que, a criança, aquela menina que tem nove anos, tenta sempre escapar, é agressiva e diz que eu não sou seu pai. A mulher, minha nova esposa, tem os seus momentos pacíficos, fica observando tudo como se fosse alguém aturdida assistindo um espetáculo de terror em uma platéia. Sei que eu posso manter o equilíbrio do momento e fazer com que ela continue nesse momento estável e, mesmo que eu não tenha sido pai, tentarei fazer com que a garotinha aceite de uma só vez o que está acontecendo.

Ninguém pode escapar, visto que as armadilhas estão em pontos estratégicos, não tem como você conseguir chegar até a estrada, encontrar ajuda, antes de ser capturado e levado de volta para o casarão. Dentro da floresta, ainda com os animais selvagens, você pode muito bem perder um membro do seu corpo por conta da violência daquelas máquinas. É tudo um plano que eu preciso seguir para fazer com que tenha um final feliz, preciso apenas manter aquela família equilibrada. Com todos esses acontecimentos, nos meus últimos dias, eu estou sabendo confrontar tudo da melhor forma possível. Não obstante, às vezes, saímos do nosso controle pessoal.

Já irá fazer quase três semanas que outras pessoas aparecem na mansão. Normalmente, são no máximo três indivíduos, amigos e famílias em viagem, precisando de ajuda, perdidos na região, mas eles não conseguem seguir as regras, pois tentam lutar, fugir e até a matar para sobreviver, contudo não conseguem superar o amor brutal da nossa moradia. Lembro da minha mulher dirigindo o carro e, quando ela morreu, eu tentei e estou tentando construir uma família feliz. A felicidade parece horrível quando você pensa nela muito, no entanto, faz parte desse convívio sangrento e mortal. Sei que eu pareço um monstro frio, ao descrever tudo que está acontecendo, no entanto, desde criança, eu fui criado para aprender a adaptar-me em certas situações e fazer com que tudo fique bem, mesmo dentro de uma jaula com tigres ao meu redor.

No início, não foi fácil me acostumar com a aparência daquela mulher, quando ela abriu a porta, e eu a vi. Sabia muito bem que não estava cuidando da sua fisionomia, mas não é apenas isso que lhe deixa um pouco assustadora: a sua cabeça é um pouco grande e o seu corpo é magro, apesar de carregar uma força grande, isso dificulta muito quando nós nos desentendemos e precisamos usar a força bruta. A parte que mais me incomoda é que ela não dorme, se dorme é por poucos minutos. A não ser que fique em pé, nas escadas, na porta, observando o meu quarto, olhando para a criança. Eu imagino que seja uma forma de proteger a menina ou impedir que ela escape, assim, evitar castigos severos e desnecessários. A Insônia Familiar Fatal deixa-me acordado também, e eu fico ouvindo os barulhos de lamentação da minha nova esposa e a sua respiração ofegante, mas tento não lhe arranjar mais uma forma de se sentir infeliz... As punições não são o que eu desejo.

Mesmo após quase dois meses, a menina tenta escapar, contínua dizendo que eu não sou seu pai e a sua última punição foi algo que passou dos limites até para mim, visto que ficou dois dias desacordada e recebendo tratamentos da sua mãe por conta dos ferimentos. Apesar disso, quando ela recordou, parecia mais calma e cooperativa. Eu me aproximei da cama, o meu braço esquerdo amputado já estava quase cicatrizado, e tentei carregar uma panela grande com alimentos, quase fraco. A garotinha murmurou bem baixinho no meu ouvido, que a mulher dormia. Faz muito tempo que a menina está aqui e sabe que quando a dona da casa está muito cansada acaba dormindo por poucos minutos.

Desde o momento que eu parei o meu carro aqui, precisando de ajuda porque estava perdido, foi quando o meu inferno começou. A minha esposa foi assassinada por aquela mulher, e eu tentei lutar para escapar da sua força descomunal e da sua aparência grotesca. No primeiro dia, acabei perdendo o braço em uma das armadilhas e estou aqui tentando me manter vivo e, ao menos, salvar a garotinha que não colaborava até o momento. Irei aproveitar, tentarei observar e aguardar o momento em que aquele monstro dormir porque irei esmagar o seu crânio com o martelo. Estou cansado das agressões, ameaças e ver o quanto a pobre criança sofre. O pior mesmo é você tentar carregar um sorriso no rosto, o tempo todo, e não parecer apavorado com aquele ser espectral nos observando.

Ela está na porta do quarto respirando sua respiração apavorante. Diferente dos outros dias, está mais cansada e caminha cada vez mais devagar nas madrugadas macabras e observadores. Esperarei até que apague, deixando de lado a sua guarda infernal, e pretendo destruir o seu crânio com apenas uma martelada precisa. Até que isso não aconteça, preciso apenas que minha família nova seja feliz seguindo as ordens da mulher. Tenho que me vingar por tudo que aquela criatura cruel fez comigo! De acordo com o que eu estou observando, ela não pode ficar por muito tempo segurando o sono...

Autor: Sinistro

Abissais

Tento correr.

Olho para trás e as faces famintas dos inquisidores se acendem em fúria – carregam tochas e arpões, e gritam palavras que profanariam até mesmo os santos. Reúno o fôlego enquanto adentro a selva densa e corro; corro rasgando os braços em espinhos e fustigando meus pés nos pedregulhos pungentes. Abro caminho em meio aos arbustos e contorno as árvores que me serviram de refúgio e lar em tempos de outrora.

Clamo aos meus ancestrais para que uma vez mais me libertem da perseguição, e que olhem com bons olhos para mim – sei que não sou a criatura imponente que deveria ser, e que meus olhos não são agudos como os da água, e que minhas pernas não me lançam às copas das árvores num único voo majestoso. Sou frágil, mas o espírito dentro de mim se acende com fogo milenar, e a floresta não reconhece em mim a chama mística que um dia a iluminou.

Eles se aproximam e seus braços se balançam ostensivamente com suas armas improvisadas e seus gritos de ódio; o penhasco detrás de mim balança com as ondas retumbantes que o acertam. O dia já está escurecendo e o mar tem a cor escura de uma noite recém-chegada, vibrando com a energia salina da transformação e da fluidez.

Os olhos dos homens se inflamam e os seus dentes se escancaram em risos funestos quando me pressionam contra o abismo, e ao recuar, hesitante, sinto uma brisa sulfídrica me encher os pulmões ao ouvir a água gemer com vida própria – à minha frente, saídos do mar, materializam-se criaturas das profundezas abissais com pele azulada e sussurros silvosos só entendidos pela própria água; seus olhos eram negros e seus dentes serrilhados e inúmeros – as criaturas se lançam vorazes aos corpos frágeis dos perseguidores, e as suas mordidas rasgam os pescoços pulsantes e abrem buracos em suas faces contorcidas pelo medo.

Tudo cheira a sangue e enxofre e os corpos se empilham desfigurados no chão, com músculos retorcidos e espasmos borbulhantes; as entidades se arrastam em minha direção, movendo-se como as ondas em movimentos ordenados e altivos – suas mãos me tocam a testa e me sinto queimar de dentro para fora, como o núcleo de uma estrela em erupção; meus olhos se fecham, e me sinto balançar com o mar em uma dança frenética e ancestral.

Quando acordo, meu corpo está jogado nos rochedos, estraçalhado pela queda – o que me chama atenção, entretanto, é o pequeno círculo gravado em minha testa como uma ferida há muito cicatrizada. Olho para o meu corpo nas pedras e então olho para as minhas próprias mãos enquanto flutuo no mar – sou translúcido como uma miragem e meus dedos se contorcem em ângulos indizíveis; as águas infindas se abrem ao meu redor, e se movem em ressonância com os meus pensamentos. Grito, em uma voz retumbante como o eco dos abismos oceânicos, um suspiro eruptivo de um vulcão há muito soterrado pela água fria – do horizonte até o litoral, manifestam-se as criaturas abissais, curvando-se perante o novo rei.

Autor: Ceruno

Noite perigosa

Eu estou com mau pressentimento e, além do mais, sozinha no metrô. Não é normal encontrar tão poucas pessoas, contudo deve ser o horário, está um pouco tarde. Sei que não é seguro uma garota ficar essa hora da noite aventurando-se sozinha, mas esperava encontrar alguns trabalhadores, pessoas que costumam passear à noite, etc. Sinto frio, está muito fria essa madrugada. O foda foi porque não trouxe o meu casaco. Não sei por que deu vontade de comer à essa hora da madrugada. Eu tinha que conseguir encontrar algo que não tivesse dentro da minha casa... Às vezes, tenho esse costume de sair para saciar a minha fome com algo diferente. Pode-se dizer que eu sou uma garota louca.

Daqui à uns minutos, chegarei em minha estação, estarei segura e salva em minha casa. O próximo ponto entraram apenas três pessoas: um casal, que foi para a parte da frente do saguão, e um homem estranho. Nesse momento, eu lembrei dos jornais falando sobre um possível assassino responsável por algumas mortes, a polícia alertou para que as pessoas não andassem sozinhas, trancassem as portas e que as crianças não falassem com estranhos. Aquele homem de fato é uma figura tenebrosa, no entanto o seu rosto é familiar. Estou com uma sensação estranha em relação àquele indivíduo, eu sinto uma atmosfera pesada saindo daquele sujeito... Espero que o próximo ponto logo chegue, onde irei sair para finalmente chegar à minha casa.

Finalmente, a minha parada chegou. Comecei a sair e notei que aquele homem estranho também estava saindo, andando no mesmo caminho que eu estou caminhando. Dobrei uma esquina, e ele dobrou também. Tenho certeza que estou sendo seguida por um estranho. Tive uma ideia, decidi pegar um táxi e, quando eu entrei no veículo, pedi para o cara dirigir por aproximadamente dez minutos, enquanto aquele homem segue o seu caminho na noite pretume. Após aproximadamente uns dez minutos dando voltas no quarteirão, eu pedi para o táxi parar em frente ao prédio onde moro, e então saí segurando minha sacola.

O porteiro estava dormindo, mas quando escutou o barulho da velha porta, despertou-se com os olhos fechando e deu uma bocejada de sono. No momento em que fechei a porta, o porteiro, com a voz cansada, deu boa noite, e eu ignorei subindo as escadas em razão de que eu tenho medo de lugares fechados, portanto não usei o elevador. É um trauma de criança, uma coisa que me aconteceu e deixou-me traumatizada. Estava na metade das escadas quando comecei a escutar passos pesados, tudo indicava que eram pisadas de um homem, por conta do som forte. Eu comecei a caminhar imaginando que poderia ser algum morador. No momento em que subia as escadas para finalmente chegar onde fica o meu quarto, notei que era aquele mesmo homem do metrô... Nesse momento, eu não sabia se corria ou gritava. Várias coisas ficaram passando em minha cabeça devido à tensão, uma delas é que fui seguida, ou aquele sujeito sabe onde eu moro.

Decidi que iria continuar caminhando, em razão de que não tem como mais voltar. O sujeito estava com as suas mãos tremendo, notei que tinha algo escondido embaixo do seu casaco e tenho uma leve impressão de que é uma faca. Enquanto estou subindo as escadas, observei uma marca vermelha em sua camisa, poderia ser sangue de alguém... Quando ele passou por perto de mim, o seu corpo esbarrou no meu e uma marca vermelha manchou a minha camisa, era sangue! Agora, um está de costa para o outro, ele continua descendo, e eu fui logo correndo para o meu quarto, trancando a porta.

Na manhã seguinte, alguns policiais bateram em minha porta, e eu abri. Os homens da lei queriam fazer algumas perguntas sobre um assassinato que havia acontecido na madrugada de hoje, eu não sabia o que estava acontecendo, até que os policiais falaram que um homem havia matado a sua ex-esposa após descobrir que ela estava se relacionando com seu irmão. A ficha logo caiu, eu sabia que aquele homem fora o responsável, contudo eu não falei nada sobre ter encontrado ele, disse apenas que não escutei barulho algum para os policiais.

Após alguns minutos tediosos dando informações aos dois bófias que estavam anotando tudo em uma caderneta pequena, foram embora deixando-me em paz. Logo em seguida, tratei de preparar o meu café... Eu demorei a noite toda para encontrar uma oportunidade de arrancar o coração de um morador de rua, ninguém se importa com eles mesmo, e estava com muita vontade de comer carne humana. Talvez nessa semana eu mate mais alguém para preparar um fígado, em razão de que não tem coisa melhor do que comer um fígado antes de dormir.

Autor: Sinistro

Abissais

Tento correr.

Olho para trás e as faces famintas dos inquisidores se acendem em fúria – carregam tochas e arpões, e gritam palavras que profanariam até mesmo os santos. Reúno o fôlego enquanto adentro a selva densa e corro; corro rasgando os braços em espinhos e fustigando meus pés nos pedregulhos pungentes. Abro caminho em meio aos arbustos e contorno as árvores que me serviram de refúgio e lar em tempos de outrora.

Clamo aos meus ancestrais para que uma vez mais me libertem da perseguição, e que olhem com bons olhos para mim – sei que não sou a criatura imponente que deveria ser, e que meus olhos não são agudos como os da água, e que minhas pernas não me lançam às copas das árvores num único voo majestoso. Sou frágil, mas o espírito dentro de mim se acende com fogo milenar, e a floresta não reconhece em mim a chama mística que um dia a iluminou.

Eles se aproximam e seus braços se balançam ostensivamente com suas armas improvisadas e seus gritos de ódio; o penhasco detrás de mim balança com as ondas retumbantes que o acertam. O dia já está escurecendo e o mar tem a cor escura de uma noite recém-chegada, vibrando com a energia salina da transformação e da fluidez.

Os olhos dos homens se inflamam e os seus dentes se escancaram em risos funestos quando me pressionam contra o abismo, e ao recuar, hesitante, sinto uma brisa sulfídrica me encher os pulmões ao ouvir a água gemer com vida própria – à minha frente, saídos do mar, materializam-se criaturas das profundezas abissais com pele azulada e sussurros silvosos só entendidos pela própria água; seus olhos eram negros e seus dentes serrilhados e inúmeros – as criaturas se lançam vorazes aos corpos frágeis dos perseguidores, e as suas mordidas rasgam os pescoços pulsantes e abrem buracos em suas faces contorcidas pelo medo.

Tudo cheira a sangue e enxofre e os corpos se empilham desfigurados no chão, com músculos retorcidos e espasmos borbulhantes; as entidades se arrastam em minha direção, movendo-se como as ondas em movimentos ordenados e altivos – suas mãos me tocam a testa e me sinto queimar de dentro para fora, como o núcleo de uma estrela em erupção; meus olhos se fecham, e me sinto balançar com o mar em uma dança frenética e ancestral.

Quando acordo, meu corpo está jogado nos rochedos, estraçalhado pela queda – o que me chama atenção, entretanto, é o pequeno círculo gravado em minha testa como uma ferida há muito cicatrizada. Olho para o meu corpo nas pedras e então olho para as minhas próprias mãos enquanto flutuo no mar – sou translúcido como uma miragem e meus dedos se contorcem em ângulos indizíveis; as águas infindas se abrem ao meu redor, e se movem em ressonância com os meus pensamentos. Grito, em uma voz retumbante como o eco dos abismos oceânicos, um suspiro eruptivo de um vulcão há muito soterrado pela água fria – do horizonte até o litoral, manifestam-se as criaturas abissais, curvando-se perante o novo rei.

Autor: Ceruno

A minha primeira vez foi com um homem de cinquenta e oito anos

Os meus pais estavam orgulhosos de mim, pois, quando completasse os meus treze anos, seria a minha primeira vez. Eles escolheram um homem com cinquenta e oito anos para que eu pudesse finalmente saber como é fazer aquilo. E, finalmente, esse dia chegou. Eu teria que fazer no meu aniversário, segundo os meus progenitores.

Pararam o nosso carro em uma praça onde o homem costumava ficar, este que era um galanteador local, uma pessoa que gostava de se aproveitar de garotas inocentes e, naturalmente, gostará de mim. Papai olhou para mim com sorriso de orgulho, e a mamãe disse que tudo ficaria bem, dado que eu apenas precisava fazer aquilo uma vez para poder me acostumar e não parar mais.

Me apresentei para o homem com um "bom dia", e ele ficou surpreso com a minha presença, com a minha idade e além da minha beleza juvenil. O sujeito começou a dizer o quanto tinha dinheiro, mostrou o seu carro importado e os seus relógios de ouro na mão, que era ridiculamente bizarro uma pessoa com três relógios nos braços só para mostrar que eram de luxo.

Nos levou para um bar de confiança onde vários caras como ele frequentam e ninguém ousaria abrir a boca para as coisas que presenciavam ali. Algumas vezes, ele tentou encostar em mim, no entanto eu afastava-me tentando esperar ele terminar de beber algumas garrafas de cerveja, que um dos seus subordinados trouxe. Fiquei ao seu lado mais parecendo uma filha, ou algo do tipo, diante das pessoas para que ninguém desconfiasse do que eu pretendia fazer com aquele homem.

Fiquei por horas: escutando ele dizendo o quanto eu era bonita e com as investidas indelicadas que fazia todo momento enquanto colocava copos com cerveja em sua boca. Após um certo tempo, finalmente, se cansou e não aguentava mais beber. Então disse, agarrando o meu braço, que tinha algo para me mostrar em sua casa em frente à praia. Eu acompanhei até o seu carro e vi os meus pais de longe, observando como duas corujas indiscretas.

Antes de entrar no carro importado que ainda estava com aquele cheiro de objeto novo, observei quando discretamente a mamãe acenou com a mão e com aquele olhar de boba que não tirava do rosto.

Chegamos até à casa do homem, ele nos levou até o seu quarto e começou a tirar a camisa. Pedi para ele se sentar e fechar os olhos... Quando menos esperava, enfiei um objeto pontiagudo, que tinha no meu cabelo escondido, em seu olho direito. O cara gritou, e enfiei nas suas costas, e ele me arremessou contra uma cadeira para tentar buscar ajuda, mas nada adiantava. Não tem como fugir da situação bêbado a qual encontrava-se.

O meu pai disse que a morte duraria mais tempo, pois a minha arma era tão fina quanto um alfinete, e ele antes de morrer teria múltiplas hemorragias internas por conta dos furões em seus órgãos. Estava preparada suficiente para esse cara. Quem diria que a sua casa em frente à praia, bem afastada dos olhares públicos, seria o local ideal para que ninguém escutasse os seus gritos de horror.

Além dos golpes precisos nos locais certos para que não morresse rápido e sentisse muita dor, dei golpes de lutas marciais, tudo ensinado pelos meus pais. Após uma morte extremamente cruel, dolorosa e lenta, eu fiz a minha primeira vítima. Os meus pais disseram que eu seria tão boa quanto eles ao matar minhas vítimas e tenho razão porque foi muito prazeroso saber como é ceifar uma vida.

E como eu já disse no início, "a minha primeira vez foi com um homem de cinquenta e oito anos."

Autor: Sinistro