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Minha irmã descobriu uma linguagem universal, mas ela não fala uma palavra desde 2003

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Bom dia/Boa tarde/Boa noite! Desculpem não ter postado nada semana passada, foi extremamente corrido na faculdade, mas acredito que agora as coisas vão se normalizar! :/
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Minha irmã é um gênio. Quando ela tinha cerca de treze anos, fez esse dispositivo que honestamente ainda me surpreende. Eu passei minha vida inteira estudando física e ainda não sei o que ela fez, ou como - o que provavelmente é o melhor, considerando como tudo isso acabou. Não sei como ela fez isso, mas o que eu sei é que no verão de 2003 as leis que regem a matéria e a massa atômica não pareciam afetá-la mais, ela era invisível ao olho humano, e estava falando uma linguagem universal que nunca conseguimos identificar ou reproduzir.

Antes de começarmos, você já viu Firefly?

Permita-me citar:

"Eu sou muito inteligente.

Fui à melhor faculdade de medicina de Osíris, top 3% da minha classe; terminei meu estágio em oito meses. "Abençoado" é como me descrevem.

Então, quando lhe digo que minha irmãzinha me faz parecer uma criança idiota, quero que você entenda exatamente o que quero dizer."


Isso poderia ter sido escrito sobre mim e minhas irmãs. Nós viemos de uma longa linhagem de pessoas talentosas. Meu pai é neurologista, minha mãe trabalha na SpaceX, e minha irmã mais velha é uma artista cujo trabalho é apresentado em galerias desde os doze anos. Sou uma associada de pesquisa em tempo integral de físicas de alta densidade energética em uma universidade que não posso citar sem arriscar minha carreira. E, como o Simon Tam da Firefly, eu não conto tudo isso para exibir nossa inteligência ou nos fazer parecer especiais. Eu digo isso para que você possa entender completamente o que quero dizer quando digo que Nirali fez todas nós parecermos crianças idiotas.

Em 2003 eu estava prestes a completar dezessete anos. Meus interesses não eram como a maioria das garotas adolescentes, então eu não vou te entediar com os detalhes do que eu achava mais divertido do que TV, livros ou shopping, mas na maioria das vezes eu estava ocupada com projetos pessoais de pesquisa. A primeira vez que Nirali ficou invisível, eu estava empacada no meio de uma pesquisa. Estava submersa em alguns artigos acadêmicos muito profundos quando ouvi Nirali atrás de mim.

"Eles estão errados, você sabe."

Eu gemi internamente. Nós já havíamos falado sobre bater na porta, mas ela continuava desrespeitando limites. "Nirali, o que conversamos sobre bater?"

"Ah", ela disse, parecendo genuinamente surpresa. "Eu não pensei na porta."

"O quê?" Eu fiz uma careta e girei minha cadeira para olhar para ela.

Meu quarto estava vazio.

Espere, vazio?

Olhei em volta brevemente antes de esfregar os olhos, me perguntando quando foi a última vez que dormi e já tomando a conversa como uma alucinação auditiva. Balancei a cabeça, voltaria para o meu computador, quando a ouvi rir.

Tudo bem, babaca. Cadê você?"

"Bem aqui", ela riu, sua voz vindo diretamente da minha frente.

"O que... como? Você escondeu os alto-falantes de novo?" Levantei-me, tomando um momento para realmente olhar ao redor da sala. Ela já fez uma brincadeira assim antes, escondendo um conjunto complexo de alto-falantes que ela modificou para criar uma confluência de som manipulável. Soava como se alguém estivesse em algum lugar da sala que ela especificou. Ela até fez parecer que estava se movendo ao redor. Foi realmente impressionante, especialmente pelo fato dela ter dez anos na época.

Dessa vez, porém, ou ela escondeu as caixas de som muito melhor, ou algo a mais estava acontecendo.

Ela riu novamente. "Sem truques! Só eu!"

"Ok, 'Só eu'". Mas como?" Eu cruzei os braços, olhando na direção de sua voz desencarnada.

"Isso vai ser difícil de explicar."

Era a forma gentil de Nirali dizer "Você não vai entender".

"Tente", eu disse, porque sou teimosa.

Ela explicou, no entanto, eu não peguei. Quando ela terminou, o começo de uma enxaqueca incomodava meu olho direito. Quase nada disso fazia sentido. Havia algo sobre frequências atômicas, deriva pós-dimensional, dessincronização superliminal e algo que ela apelidara de "Paralelo Supratemporal do Planck". Tudo estava bem além da minha capacidade.

"Ok", eu disse, esfregando minha têmpora enquanto tentava digerir tudo. "Mas como você chegou aqui?"

"Eu andei."

Enfurecedor.

"Quero dizer, como você chegou aqui?" Fiz um gesto amplo para a porta, que estava fechada, e as paredes ao nosso redor.

"Ah." Eu podia ouvir o encolher de ombros em sua voz. "Eu apenas andei por onde as paredes não estavam."

Eu olhei para o local que eu pensei que ela estava de pé.

"Você o que?"

Ela suspirou. Foi um suspiro especial. O tipo de suspiro que transparece que alguém muito mais inteligente que você precisava explicar algo de um jeito burro pra você entender. Um calor embaraçoso inundou minhas bochechas. Eu sabia que ela era mais inteligente do que eu - mais inteligente do que todos nós -, mas ainda assim me fazia sentir como se eu tivesse errado matemática simples na frente de Neil DeGrasse Tyson e um cachorrinho, e ambos ficaram desapontados.

"Eu passei por onde as paredes não estavam. As paredes não estão em todo lugar, Divya. De fato, na maioria dos lugares, tipo… realidades? As paredes não estão lá. Então eu apenas passei nesses lugares."

Eu queria ver provas dessa declaração, embora soubesse que ela não teria se incomodado em escrevê-las, exceto em recortes e trechos incompletos que só faziam sentido para ela. Eu também sabia que as provas não fariam mais sentido do que a sua explicação original. Mesmo assim, me incomodou que eu só entendesse o que ela queria dizer da maneira mais vaga e conceitual. Não era natural para mim. Essa abstração de pensamento lutou contra meu modo linear de pensar, tornando o entendimento real impossível e eu odiava isso.

Sana teria entendido. Seu cérebro funcionava dessa maneira. Mas não o meu.

Eu devo ter demonstrado que eu estava lutando para entender (e eu estava), porque ela continuou.

"Onde eu estou, ou tecnicamente, quando e como, tudo é um quebra-cabeças de Schrödinger de Ser e Não Ser. Tudo o que tenho a fazer é observar os lugares onde o estado de algo não é e ir até lá."

Isso não estava ajudando. Quero dizer, ajudou - entendi o conceito básico do que ela estava dizendo, mas em termos da aplicação prática da física, era uma bagunça de palavras científicas sem sentido. Nada do que ela disse tinha qualquer fundamento na ciência conhecida. Ela poderia ter me dito "Comi sorvete de cabeça para baixo e entoei 'púrpura' de trás pra frente trinta vezes e a parede virou gelatina, mas apenas enquanto olhava para ela de um ângulo de quarenta e cinco graus", e teria sido exatamente tão científico quanto o que ela realmente disse.

No entanto, era ela quem estava invisível, de modo que os limites da minha compreensão e ciência em si não tinham qualquer influência sobre sua existência corpórea.

"Você ainda tem um corpo? Quero dizer, você consegue se ver?"

"Ah sim", disse ela, sua voz aumentou com a animação. "Eu pareço com uma centena de versões minhas deitadas umas sobre as outras. Olhar para as minhas mãos e outras coisas é meio estranho, mas eu estou aqui."

Legal. Eu não tinha ideia do que fazer com essa informação.

Ela começou a rir novamente.

"E agora?"

"Eu não acredito que você ainda não tenha percebido."

"Percebido o que?" Eu não consegui evitar a ligeira irritação em minha voz. Não foi fácil aceitar a premissa de que ela conseguiu enganar a física para deixá-la passar pela matéria enquanto era imperceptível ao olho humano, mas esse foi o limite do 'quão superiora Nirali é' que eu pude aturar por um dia.

"Em que língua eu estou falando?"

Eu tive que piscar e pensar por um momento. "É inglês, não é?"

Ela riu novamente.

"Diga alguma coisa", pedi na minha voz mais autoritária de Irmã Mais Velha.

"Nunca houve alguém que ame ou busque ou deseje obter dor por si só, porque é dor, mas porque ocasionalmente ocorrem circunstâncias em que a labuta e a dor podem lhe proporcionar algum grande prazer..."

Se eu me concentrasse, conseguia dizer que as palavras que ela estava dizendo não combinavam com o que eu estava aparentemente traduzindo na minha cabeça, mas eu não conseguia ouvi-las pelo que elas eram. Exceto…

"Espera, é a tradução do lorem ipsum de De finibus bonorum et malorum?"

Ela riu novamente. "Sim! Quer que eu tente algo em hindi?"

"Sim", eu disse, um pouco atordoada e mais do que um pouco curiosa. "Vá em frente."

Que Ele em cujo colo resplandece a Filha do rei da montanha, que carrega a corrente celestial em Sua cabeça, sobre cuja fronte descansa a lua crescente, cuja garganta contém veneno e cujo peito é o suporte de uma enorme serpente, e que é adornado pelas cinzas de seu corpo, que o chefe dos deuses, o Senhor de todos, o destruidor do universo, o onipresente Śhiva, sempre me proteja."

Eu fiz uma careta, dividida entre focar nas palavras e tentar identificar o que ela estava citando. Eu comecei a murmurar algumas das palavras enquanto minha mente corria em círculos sobre elas, e fiquei boquiaberta quando o reconhecimento se estabeleceu. "Você acabou de citar a invocação de Ayodhyā Kāṇḍ de Ramcharitmanas?"

Outra risadinha.

"Mas como? Isso não soou como hindi!"

"Fascinante", disse ela. "Não parecia hindi quando eu dizia, mas estava pensando nas palavras hindi. Como soou para você?"

"Inglês, eu acho. Quer dizer, não parecia nada, mas eu te entendi em inglês."

"Isso é tão legal. Você consegue ouvir algo que não seja inglês?"

"Tipo isso. Quero dizer, quase. Se eu tentar, consigo perceber que os sons que você está fazendo não combinam com o significado das palavras que eu estou... não ouvindo, mas entendendo? Mas o significado substitui todo o resto, por isso não consigo identificar sons ou frases individuais."

"Você acha que poderia identificar a linguística física se fosse palavra por palavra? Pode ser o processamento de frases completas que impede a identificação de fonemas individuais."

"Talvez", eu disse, encolhendo os ombros, ainda presa a esse aspecto de sua descoberta. "Nós poderíamos tentar."

Ela me fez passar por alguma identificação geral de objetos para me dar uma chance de ouvir os sons que ela estava fazendo e como eles diferiam das palavras que eu conhecia - as palavras que eu estava "ouvindo" - mas eu só pegava os lapsos de divergências. Começos e fins.

Ela achou isso hilário.

Eu pensei que era mágico.

Ela começou a fazer viagens regulares para o meu quarto neste estado, geralmente depois da hora de dormir ou quando nossos pais estavam no trabalho. Eu não a culpei por fazer isso escondida. Sana não gostava muito de ciência, e se nossos pais soubessem o que nós tínhamos feito nós teríamos ficado de castigo pelo resto da vida, especialmente porque Nirali já tinha sido proibida de fazer experimentos em casa. (O último exigiu muita ajuda externa e vários milhares de dólares para limpar.) Mas alguém tinha que tentar catalogar esse léxico universal e essa era a única maneira pela qual tínhamos acesso a ele.

Uma noite, enquanto estávamos deitadas no chão, nomeando objetos (tentamos fazer sons individuais antes, mas sem a intenção de significados por trás deles, não havia divergência), Nirali congelou. Eu não conseguia vê-la, é claro, mas algo mudou. Ela parou ao ponto que eu me preocupava com a possibilidade dela ter passado pelo chão ou algo assim e me deixado sozinha. Mas de alguma forma eu ainda sentia sua presença junto com algo afiado e estranho que eu não conseguia identificar.

"Nirali?" Eu sussurrei, o mal-estar frio se instalando em mim como neve.

"Shh." Era ela, mas tão baixo que quase não ouvi. Senti a urgência por trás disso esperei em silêncio por ela.

Conforme os segundos passavam, uma tensão aterrorizante rastejou pela sala. Tudo começou nas bordas, onde as sombras eram mais grossas e espalhadas, manchava tudo o que tocava, inclusive eu. Meu pulso acelerou quando uma paranoia primitiva se instalou. Eu sabia que era apenas Nirali e eu, mas parecia que um predador estava oculto nas sombras, procurando por nós, e apenas nosso silêncio o impedia de investir.

Para evitar o pânico, concentrei-me nos indicadores vermelhos e quentes do relógio sobre minha mesa. Os números que mudavam lentamente eram suaves e hipnóticos. Eles entorpeceram as margens do meu medo até que, em algum momento entre a meia-noite e as 2 da manhã, eu adormeci. Eu só percebi isso quando Nirali finalmente sussurrou meu nome, me puxando de volta à realidade.

"Divya, acorde..."

"Hm?" Eu recobrei consciência lentamente, sacudindo o desconforto parcial de um sonho que eu não conseguia lembrar.

"Já se foi."

"O que se foi?" Esfreguei o sono que ainda entorpecia minha visão e pisquei para o relógio acima da minha mesa. Tão tarde ... nós realmente ficamos deitadas no chão por duas horas?

Nirali não respondeu. Por bastante tempo. Tempo o suficiente para que eu achasse que talvez ela ter me acordado fosse um sonho.

"A sombra além das paredes", ela sussurrou, cortando o silêncio como teias de aranha. Havia um peso em suas palavras que não consigo descrever que mexeu nos pontos mais primitivos do meu cérebro; Um anseio antigo me chamando, me dizendo para me esconder.

"O... o quê?" Eu resmunguei, apoiando-me nos cotovelos, mas Nirali tinha ido embora. Não ficou mais silencioso. Havia uma diferença na sala quando ela saiu, e eu sempre podia sentir isso. Mesmo se ela não dissesse que estava partindo.

Poucos minutos depois, ela estava na porta do meu quarto, na verdade, batendo. O som me assustou, dando ao meu coração um treino repentino com um pico de adrenalina. Eu andei até a porta para deixá-la entrar, muito consciente da noite ao meu redor e evitando as sombras, que repentinamente deixaram de ser confiáveis. Sem uma palavra, ela passou por mim e se arrastou para a cama, escondendo-se sob as cobertas com os joelhos contra a parede e de costas para mim. Tomei o que ofertaria como aceito e me arrastei atrás dela, oferecendo-me como proteção contra a noite.

O sono demorou a vir enquanto meu corpo liberava o instinto de sobrevivência de suas veias, mas eventualmente ele deve ter vindo, já que a próxima coisa que eu sabia era que o sol estava espreitando através das janelas e Nirali estava me observando dormir.

"Divya?" Nirali disse o meu nome como se ela estivesse testando, como se ela não esperasse ouvi-lo novamente.

"Sim?"

"Nada", disse ela, enrolando-se sob as cobertas antes de acrescentar, "obrigado".

Foi uma semana antes que ela viesse até mim através das paredes novamente.

"Eu acho que é atraída pela linguagem", ela disse, me tirando de um sonho sobre superfluido.

"O que é atraída?", eu bocejei, estranhamente confortável com a retomada de nossas conversas noturnas.

"A sombra atrás das paredes."

"O que aquilo é?"

"Eu não sei. Algo grande. Alguma coisa velha. Mais velha que o tempo, talvez."

Essa é uma fala digna da Sana. 'Mais velha que o tempo'?"

"Eu não sei, Divya, é essa a sensação."

Ela sempre foi assim, presa em algum lugar entre ciência e emoção, como o cruzamento perfeito entre eu e Sana. Acho que isso permitiu que ela pensasse abstratamente o suficiente para escapar da caixa do Conhecido para inovar, mantendo-se linear o suficiente para construir uma nova caixa para abrigar suas inovações. Mas às vezes isso significava que ela não tinha a matemática para confirmar. Às vezes, era apenas um sentimento ou um traço de noção, mas mesmo assim os instintos de Nirali estavam sempre acertados, mesmo que a ciência demorasse algumas décadas para provar.

"Tudo bem", eu disse, aceitando essa resposta.

Era estranho, percebi então, como algumas semanas de exposição ao que minha mente me dizia ser factualmente impossível me abriram para a flexibilidade Do Possível. Eu também fiquei surpresa quando percebi que meu primeiro instinto não era mais desafiá-la ou exigir provas só porque o que ela disse estava além da minha experiência ou compreensão imediata. Em vez disso, eu assentiria e aceitaria que o que ela disse - o que ela experimentou - era simplesmente verdade e as limitações do meu entendimento não mudariam isso.

"O que ele quer?"

"Eu não sei. Não acho que aquilo fale. Mas acho que escuta. E compreende."

"Isso é... inquietante", eu disse, me movendo sob as cobertas. A criança supersticiosa em mim certificou-se de que meus pés estava escondidos no centro da cama, porque as sombras ainda não eram confiáveis.

Ela cantarolou sua conclusão. "E nem é a única coisa aqui."

Um arrepio atravessou meu corpo, fazendo meu coração saltar. "O que você quer dizer?"

Quero dizer, há outras coisas. Coisas grandes. Coisas velhas. A maioria deles não pode me ver, eu acho. Eu não estou realmente onde eles estão, mesmo que eu não esteja realmente onde você está, mas eles podem me ouvir, como você."

"Você está segura?"

Nirali ficou em silêncio. Meu estômago revirou, porque eu sabia que significava que algo grande e velho, e perigoso estava perto o suficiente para representar uma ameaça. Depois de vários minutos, ela respondeu.

"As vezes…"

"Só às vezes?" Eu me sentei, olhando para o local no chão onde ela estaria sentada.

"Só as vezes."

Então por que ainda estamos fazendo isso, Nirali? Eu não teria concordado se soubesse que você estava em perigo!"

"Eu sei", ela disse calmamente. "Mas há tanto aqui. Se eu me concentrar em uma cor, posso experimentar tudo o que a cor já foi e sempre será. Se eu penso sobre algum momento, estou sentada no que costumava estar aqui ou às vezes o que estará aqui, assistindo a um borrão de atividade que não acontecerá por outro milhar de anos. Vi cidades que você nem imagina feitas de osso e vidro brilhantes. Maravilhas monolíticas para envergonhar os deuses. Ontem à noite eu estava em pé no centro de um buraco negro. Não é um holograma ou uma simulação, mas um buraco negro real. Capturado, contido, reproduzido, aproveitado, eu não sei o que, mas estava aqui e eu também, e através do buraco negro eu vi tantos outros universos, todos dispostos como espelhos no infinito."

"Nirali", eu sussurrei, tão admirada quanto aterrorizada. Ela tinha experimentado essas coisas todas as noites? Todas as horas que nós falávamos sobre nada e coisas sem sentido?

"Mas também há coisas maiores", disse ela, sua voz mergulhando na escuridão. “Coisas que se escondem no brilho da luz das estrelas no vidro. Coisas que me seguem do futuro e esperam por mim no passado. Eles rebatem como pedras na água, apenas tocando a superfície por um minuto e nunca com todo o seu corpo. Mas mesmo isso é demais. Dói olhar para eles. Eles são muitas formas ao mesmo tempo e todos eles estão com fome de maneiras que eu não entendo."

Lágrimas brotaram nos meus olhos enquanto eu a ouvia. Doeu aceitar essas coisas como verdade. Eu não conseguia entendê-los ou tocá-los ou mesmo experimentá-los, mas eu tinha que aceitar que eles eram reais, porque minha irmã era invisível. Ela podia passar pela matéria à vontade e falava uma linguagem universal para mim todas as noites. Mas aceitar tudo isso também significava aceitar que minha irmã passava todas as noites obrigada por sua própria curiosidade a voltar a esse estado perigoso de novo e de novo, apenas para ficar aterrorizada com o que aguardava No Meio.

"Fico feliz que eles não possam me ver, mas eu não acho que isso será verdade por muito mais tempo."

"O que? Por quê?"

"A sombra atrás das paredes esteve no meu quarto a semana toda. Eu posso sentir ela me seguindo por aí. Está ouvindo agora, mas eu não acho que vai entrar no seu quarto novamente."

"Nene! Você tem que parar com isso!"

"Eu não posso", disse ela, sua voz turva com lágrimas iminentes.

"Claro que você pode. Apenas volte e vamos destruir tudo o que você está usando para atravessar. Nós podemos consertar isso."

"Não" disse ela, a voz úmida e trêmula sob uma angústia que nenhum jovem de treze anos deveria passar. "Você não entende."

"O que poderia valer a pena o risco?"

Meu coração quebrou no silêncio que se estendia entre nós. Uma eternidade de dor e saudade rodou nos inundou e um último frágil suspiro atravessou as lágrimas que conteve quando ela encontrou sua voz novamente.

"Eu não sei mais falar inglês."

Eu não entendi. Como a primeira vez que ela descreveu a matemática para mim, essa afirmação desafiava o entendimento.

"O que você quer dizer com você não fala mais inglês?"

"Quero dizer que não consigo falar nada além dessa linguagem Do Meio imbecíl, Divya. Eu tentei e tentei durante toda a semana, mas tudo o que sai agora é essa bagunça feia de gorgolejos, arranhões e ruídos que eu não reconheço e estou com tanto medo. Estou com tanto medo, porque eles ainda podem me ouvir quando estou com você, e lá fora não estou invisível. E você, e Sana, e mamãe e papai não são invisíveis. E nenhum de nós está seguro quando estou por aí. E a única vez que consigo falar é quando estou aqui" - soluçou ela. "Quando estou aqui com você."

Meu coração deu cambalhotas em meu estômago. Eu deixei isso acontecer. Eu deveria tê-la parado no dia em que ela me mostrou seu estúpido truque de quebrar a ciência.

"Nene", eu sussurrei, e tudo que queria fazer era abraçá-la até que tudo estivesse certo. “Você tem que voltar. Eu não sei o que faremos para consertar isso, mas você não pode ficar aí."

"Eu sei", disse ela através de um pesado véu de lágrimas. "Eu só não queria perder você. Nos perder."

"Eu ainda estou com você!"


"Mas não quando eu estiver aí! Não assim."

Eu não tinha uma boa resposta. "Nós vamos encontrar uma maneira de consertar isso", foi tudo que eu pude dizer, e nós duas sabíamos que não era o bastante. Nós também sabíamos que tinha que ser, porque não havia escolha.

Senti sua presença desaparecer e alguns minutos depois houve uma batida na minha porta. Nirali ficou do outro lado tremendo enquanto soluços silenciosos rasgavam sua pequena silhueta. Eu a abracei, fechando a porta atrás dela, e juntas nos enrolamos no chão e choramos. Choramos até desmaiarmos de exaustão e acordarmos muito depois de o sol nascer.

Eu acordei com Nirali me observando novamente e pisquei para longe a névoa de sono manchado de lágrimas.

"Nirali?"

Ela assentiu, muda; uma tristeza pairando sobre seus ombros.

"Você pode…?"

Ela balançou a cabeça.

"Nada?"

Ela olhou para cima, olhando para mim e para o corredor quando alguém passou. Eu percebi que um milhão de pensamentos estavam passando por sua cabeça naquele momento, a maioria deles conflitantes, mas depois de um minuto ou mais uma resolução de pedra se estabeleceu em seus olhos e ela se aproximou, acenando para eu fazer o mesmo.

Sua boca estava quase contra o meu ouvido quando algo inimaginavelmente profano saiu de seus lábios.

Um tremor de repulsa ressoou através de mim ao som de cada fonema mutilado. Eu nunca estive tão enojada e aterrorizada na minha vida. Eu podia ouvir sua voz, mas estava pingando veneno cáustico, arrastando brasas quentes, enterrada no oceano mais profundo e arranhando as bordas da sanidade com garras furiosas. Estava errada. E até hoje foi a experiência mais visceral e macabra da minha vida.

As palavras, esta linguagem, nunca foram feitas para serem faladas pelo homem. A ciência não me apoiará, mas sei que essas palavras têm poder que o homem não deveria usar.

E, no entanto, apesar de minha mente se rebelar pelo mero som de sua voz distorcida em torno dessas palavras hediondas, eu ainda sabia o que ela queria dizer como se tivesse dito em inglês.

Não diga à mamãe e ao papai.
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Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

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Londres 2005

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03 de Julho, Londres 2005

Olá John!

Estou te escrevendo esse e-mail, pois você e meu melhor amigo e eu preciso compartilhar isso com você!

Tudo começou hoje cedo quando eu me deparei com um anúncio tentador enquanto me masturbava em um desses sites adultos da internet, no início pensei que fosse alguma furada como os anúncios de “Aumente seu pênis agora com este simples remédio” ou “Mulheres solteiras esperando por você!” mas ele era atrativo demais para eu deixar passar, nele dizia “Precisa de dinheiro? Ou de mulheres? Se a resposta para uma dessas perguntas for sim clique aqui e saiba como ganhar uma boa grana e ainda ter uma experiência incrível com algumas novinhas!”, eu estou desempregado e consequentemente um pouco carente de amor feminino, se é que você entende, então esse anúncio caiu como uma luva em cima dos meus problemas. Eu terminei o serviço e cliquei para ver aonde essa brincadeira iria chegar, eu tinha alguns antivírus instalados no computador então não me preocupei se o site estava infectado ou algo do tipo. Quando o link carregou, uma pagina preta apareceu no meu navegador, nela dizia: “Obrigado por se candidatar a nossa vaga! Um representante vai te enviar um e-mail com as instruções de como prosseguir. Por favor digite seu endereço de e-mail no campo abaixo.”, eu não tive dúvidas, enviei meu e-mail secundário, afinal nada demais poderia acontecer, só espero que eles não estejam tentando me vender alguma coisa.

04 de Julho

O e-mail chegou!

Te enviei um print dele, não quero perder tempo escrevendo tudo de novo.

“Apreciamos sua coragem e determinação para realizar nosso serviço! Abaixo estão suas instruções para receber sua recompensa!

- Amanhã as 08:00h você deve ir até a cafeteria mais próxima de sua casa e procurar pelo último banco a esquerda, em baixo dele você encontrará uma mochila preta com um lacre amarelo no fecho. Pegue-a e leve para sua casa, NÃO ABRA A MOCHILA EM HIPÓTESE ALGUMA!

- Mantenha a mochila escondida e não deixe que ninguém a veja, não derrube ou deixe ela perto de qualquer fonte de calor. Esse passo é fundamental!

- O último passo será enviado por e-mail nos próximos dias, então aguarde pacientemente.

- Se você cumprir exatamente como foi descrito, receberá sua parte em dinheiro e a oportunidade de desfrutar de algumas mulheres a sua espera.

-Boa sorte!”

Eu sei que parece estranho mas eu acho que não passa de um simples tráfico de alguma droga ou algum equipamento ilícito mas eu estou disposto a arriscar, afinal, o premio é tentador.

Amanhã eu te atualizo se alguma coisa acontecer.

05 de Julho

Bom… hoje cedo eu fui até a cafeteria da esquina para pegar a mochila, quando cheguei lá pedi um café para despistar e quando percebi que ninguém estava olhando peguei a mochila e a coloquei nas costas, fui até o balcão peguei meu café e sai tentando parecer o mais normal possível. Não foi tão difícil quanto eu imaginei, agora ela está guardada no armário esperando para chegar a seu destino.

Confesso que é uma tortura não poder abrir e saber o que tem lá dentro, mas a ansiedade pela recompensa é mais forte do que a curiosidade, estou tão empolgado que me já me masturbei

umas 5 vezes só hoje pensando no harém a minha espera, além claro da boa grana que eu vou receber, quem sabe com o dinheiro eu possa viajar até sua cidade para te visitar.

06 de Julho

Recebi o e-mail final hoje, acho que finalmente vou ver o desfecho dessa história.

O recado é bem simples:

“Amanhã de manhã leve a mochila até o metrô da cidade, alguém estará lá para receber a encomenda.

Espero que você tenha uma boa viajem e desfrute de sua recompensa!”

A mochila fez alguns barulhos estranhos essa noite parecido com um Bip, talvez seja um localizador, algum dispositivo sei lá, de qualquer forma não é da minha conta né? Quero terminar logo com isso para receber minha recompensa.

Amanhã nos falamos melhor. Até!

07 de Julho

Estou indo para o metrô, espero que dê tudo certo e mais tarde eu possa me deliciar com minhas 72 mulheres virgens.

Bip…Bip...Bip...

Autor: Gabriel Tupã

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Hey Daddy

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 – Conte-nos como tudo aconteceu. Do começo.

 – Do começo… Bom, vou ter que falar sobre 23 de setembro.

23 de Setembro é o aniversário de minha filha. Eu estava terminando meu turno no
trabalho – mais ou menos umas 18:30h – e precisava correr para conseguir um presente para
ela. Como eu trabalhava em uma construção no centro da cidade, tinha fé que conseguiria
achar alguma loja de brinquedos aberta para comprar uma lembrancinha.

Andei por pelo menos 30 minutos pelas lojas próximas ao metrô. Para minha surpresa,
um presente de aniversário descente custava bem acima do que um pobre homem como eu
poderia pagar. Mas, como sempre, há uma luz no fim do túnel – ou, pelo menos, era o que eu
achava –, e eu ainda sim consegui comprar um presente: uma boneca.

Próximo a uma esquina, havia um desses vendedores abulantes, dos quais as ruas
normalmente são cheias. Ele já estava desmontando sua barraca, mas ainda era possível
visualizar diversas das suas bugigangas e, dentre elas, pude observar uma linda boneca.

Mesmo não sendo um desses brinquedos supermodernos, eu imaginava que filha fosse gostar.
Era uma boneca de madeira, vestindo trajes similares aos de festas juninas ou algo do tipo.
Paguei uma pechincha por ela, R$10,00. Tinha feito um negócio perfeito.

Peguei o metrô e depois um ônibus para casa. Consegui chegar a tempo dos parabéns e
pude entregar o meu presente para minha filha. Ela adorou, muito por sinal. Eu achei estranho
ela ter gostado tanto da boneca ao ponto que, deixava outros brinquedos que ela havia
ganhado de lado. Minha esposa me disse que talvez fosse pelo fato de ter sido eu a dar o
presente e isso ter gerado algum valor sentimental sobre o mesmo.

Naquela mesma noite, antes de dormir, algo me chamou atenção. Quando coloquei
minha filha para dormir, eu percebi que a boneca fazia um barulho. Toda vez que a barriga
dela era apertada, ela dizia a frase: “Hey Daddy”. Achei engraçado e interessante –
principalmente pelo fato de ter pago tão pouco por ela. Mesmo assim, deixei isso de lado e fui
dormir.

Foi ai que os problemas começaram. Durante toda a noite eu ouvia um ruido baixo e
distante se repetindo constantemente de maneira aleatória. Prestando mais atenção, eu percebi
que o barulho vinha da boneca. Imaginei que minha filha pudesse ter dormido abraçada com
ela e que, por isso, o sensor ficava ativado. Preferi não mexer com minha filha aquela hora da
noite, imaginei que logo, logo as baterias do brinquedo fossem acabar e tudo ficaria bem. Mas
não ficou.

Pelos próximos três dias eu tive que ouvir aquele ruído durante toda a noite. Foi
quando decidi chamar a atenção de minha filha, pedindo para que ela não dormisse abraçada
com a boneca. Expliquei dizendo que não conseguia dormir por conta do barulho que ela
fazia. Minha esposa retrucou, ela disse que nunca tinha ouvido barulho algum e que eu estava
exagerando.

Mais dias se passaram, pelo menos duas semanas eu acho. E eu já não conseguia
dormir. Meu rendimento no trabalho já estava sendo afetado e eu começava a me preocupar
com isso. Agora além da noite, a boneca ficava fazendo barulho durante o dia também. Minha
filha corria a casa inteira abraçada com ela e, em todos os cômodos, eu conseguia ser
incomodado por aquele som irritante.

“Hey daddy”

“Hey daddy”

“Hey daddy”

Um pouco mais de um mês tinha se passado e eu já havia levado bronca no trabalho.
Em um dia desses eu acabei descendo cinco paradas depois da minha por ter dormido no
ônibus. Não dava mais, eu precisava agir de alguma forma ou ficaria louco.
Conversei com minha mulher para que doássemos a boneca para alguém ou somente
jogasse ela fora. Recebi uma bronca, ela disse que eu estava exagerando, que não via
problema algum com o brinquedo e que não teria coragem que de tirá-lo de minha filha já que
ela nuca desgrudava dele.

Eu estava sozinho, à ponto de enlouquecer. Não dormia a dois meses, já estava a ponto
de ser demitido, mal conseguia raciocinar direito e nem a minha própria esposa conseguia me
entender. Era angustiante, noite e dia, dia e noite, e aquele barulho infernal enfestando a
minha cabeça, como um enxame. Eu podia jurar que tinha ficado mais alto aquela altura.
Naquela semana eu recebi um dia de folga. Meu chefe achou que pudesse me ajudar.
Estava na garagem procurando alguns isoladores de som, algo que eu costumava usar em uma
antiga construção em que trabalhei. Mesmo na garagem, fora de casa, eu podia ouvir aquele
barulho. Mais alto e intenso que nunca, não aguentava mais.

“HEY DADDY”

“HEY DADDY”

“HEY DADDY”

CHEGA!

Peguei o machado que estava pendurado na parede a minha frente e, furioso, caminhei
até o quarto da minha filha. Subi as escadas rápido e firme. Sentia o suor frio passando pelos
meus braços e se acumulando em minhas mãos que seguravam agressivamente o machado.
Entrei pela porta e pude ver o cabelo loiro daquela boneca maldita. Sem pensar duas
vezes, eu cravei o machado na cabeça dela. Senti meu corpo quente, vivo e agitado, quase
como se tivesse tido um orgasmo naquele momento. Entretanto, naquele instante eu ouvi uma
voz de espanto atrás de mim; era minha filha. Tentei tirar o machado da cabeça da boneca,
mas estava preso. Coloquei mais força e, na hora que consegui tirar o machado, minha filha
veio atrás de mim e, sem querer, o machado a acertou. Acertou com tanta força que ela foi
jogada para canto do quarto.

Eu estava nervoso, não sabia o que fazer. Passei pelo menos uma hora caminhando de
um lado para o outro, observando tanto o corpo de minha filha, quanto o da boneca. Após
pensar bastante, tomei a decisão que me trouxe até aqui.

Lembrei que, no quintal de minha casa, havia uma velha casa de cachorro que nunca
havia sido usada. Era grande e normalmente servia como casinha de brinquedo para minha
filha. Fui até a garagem novamente e peguei alguns materiais. Rapidamente eu quebrei o piso
da casinha, cavei uma cova e enterrei minha filha e a boneca. Cobri de terra e depois com uma
base de cimento. Consegui deixar o máximo possível parecido como antes e segui para o
quarto de minha filha. De maneira quase incrível, o quarto não havia se sujado tanto de
sangue, mesmo com uma pancada tão violenta.

Era 17:00h, foi quando minha esposa chegou em casa. Mostrei-me demasiado
preocupado, dizendo a ela que nossa filha havia sumido. Procuramos por toda a rua, nas casas
das amigas e até no bosque próximo a nossa rua. Obviamente, não encontramos nada.
Decidimos então chamar a polícia.

As 20:45, os policiais já haviam tomado nossos depoimentos e feito algumas buscas
pela casa. Pediram fotos e disseram que começariam algumas buscas. Passaram pelo menos
mais três semanas procurando ela e nada. Foi quando suspeitaram que algo pudesse ter
acontecido dentro de nossa casa. Fizeram mais investigações na casa, mas não acharam nada
que pudesse me incriminar de fato, eu havia limpado tudo e me livrado do machado, estava
tudo indo muito bem.

Eles já haviam terminado seu trabalho e eu já tinha fé que tudo ocorreria bem dali para
frente. Eu voltaria a dormir e a trabalhar, consolaria minha esposa e possivelmente teríamos
outra filha alguns anos depois. Mas foi nesse momento, enquanto caminhávamos até o portão,
que o policial olhou para o lado e perguntou: “O que é aquilo?”.

Era a casa do cachorro. Respondi a ele e reforcei que não usávamos ela. Entretanto,
minha esposa comentou o fato de nossa filha brincar lá de vez em quando. Os policiais
decidiram dar uma olhada, para ver se achavam alguma pista. Eu ainda me mantinha calmo,
tinha feito um buraco bem fundo e um piso grosso com bastante cimento.

Eles olharam a casinha e nada. Tudo certo, já podiam ir embora. Foi quando, para a
surpresa de todos e, principalmente, para a minha desgraça. Ecoou pela velha casinha de
madeira, atravessando aquele buraco fundo, a cobertura de cimento e me dando calafrios por
todo o corpo. Aquele som maldito:

“Hey daddy!”

– Tendo em vista as provas e a confissão, condeno

Autor: le_leprechaun_

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Pequenininha

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Bom dia/Boa tarde/Boa noite! Desculpem o atraso :/
•••
ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE.  
•••
Meus médicos me pediram para contar minha história, assim outras garotas como eu poderiam ler e aprender com meus erros, já que eu morrerei em breve. Fico muito triste de pensar nisso. Não quero que outras garotas estejam doentes como eu estou. Acho que não seria exatamente como eu, porque isso seria loucura, mas talvez elas possam ler e evitar decisões ruins.

Quando eu era pequena, mamãe costumava me segurar e dizer coisas como "Oh Katie, você se encaixa tão perfeitamente no meu colo! Você é tão pequenininha!" Eu amava. Ela me aquecia e me abraçava e eu me sentia tão bem. Eu sempre ia para a mamãe se me sentisse triste ou assustada, e ela simplesmente me pegaria, dizendo "Algo errado, minha pequenina?" e eu diria a ela o que me deixava chateada e ela sempre sempre sempre fazia tudo ficar melhor.

A lembrança mais vívida que tenho foi do dia que fiz 10 anos. Não era da minha festa, da qual me lembro vagamente ser ótima, nem dos presentes, alguns dos quais eu ainda tenho, mas de quando mamãe me pegou no colo naquela noite, com lágrimas nos olhos, e disse ao papai "Katie está virando uma menina grande, hein?" Não lembro o que meu pai disse, mas não havia como negar: eu não era mais sua pequenina.

Aos 10 anos eu tinha cerca de 1,47 m, pesava quase 45 kg. Eu estava crescendo rápido. Meus pais são altos. Lembro de estar com medo. Não parei de crescer, e quando eu tinha 11 anos, já media 1,57 m, 54 kg, e meus seios começaram a crescer. Naquele momento, quando estava triste, mamãe me abraçava apertado e dizia as coisas certas, mas tudo parecia diferente. Ela deixou de me ninar. Não me colocava mais em seu colo. Senti frio e solidão. Só queria estar próxima dela como era quando eu era pequena. Então eu decidi ficar pequena novamente.

Mamãe começou a notar quando eu colocava minha comida de canto no prato, tentando empilhá-la de um lado para fazer parecer que eu comi mais do que realmente comi. "Você é uma menina em crescimento", disse ela, gentilmente mas com firmeza. "Você precisa comer." Eu não podia deixar a mesa até terminar.

Naquela noite, após o jantar, lembro de ter me deitado de costas na cama, olhando para o teto e sentindo a comida no estômago. As palavras da mamãe "você é uma garota em crescimento" ecoavam na minha cabeça, e eu me senti tão mal que corri para o banheiro e vomitei. Eu estava realmente feliz por ter meu próprio banheiro, assim eles não me ouviriam vomitando. Depois que eu terminei, me senti muito melhor. Mais leve e menor, até.

Mamãe estava tão feliz por me ver comendo normalmente outra vez. Ela se preocupou com a chance de eu estar com influenza, então me ver comendo tão bem tirou essas preocupações da cabeça dela. O que ela não não via era como eu iria para a cama depois e, enquanto a banheira enchia, eu vomitava tudo. Fiz isso todos os dias durante anos.

Uma das tristes verdades sobre vomitar suas refeições é que você não perde tanto peso. Eu na verdade ganhei mais. Claro, eu me livrava do que havia comido, mas umas duas vezes por semana eu estaria deitada na cama, bem acordada, tocando minha clavícula, ossos do quadril e costelas, e obcecada com comida. Algo dentro de mim estalava, e eu corria para a geladeira ou para os armários e comia até sentir como se estivesse explodindo. Então, exausta, eu voltava para o andar de cima e desmaiava na minha cama. Calorias por calorias, depois desses exageros duas vezes por semana eu estava consumindo mais do que eu comeria se estivesse saudável. Exceto que eu não estava nem um pouco saudável. E ninguém sabia.

Tudo isso se acumulou nos últimos meses depois que me formei no ensino médio. Eu tinha 1,80 m, 80 kg. 17 anos. Não havia absolutamente nada que eu odiasse mais do que meu corpo. Eu estava constantemente solitária e queria tentar esquecer tudo. Eu decidi conseguir um emprego. Quando disse à minha mãe que encontrei uma vaga em um lugar que reciclava equipamentos médicos antigos, ela ficou muito orgulhosa de mim, por ter tomado a iniciativa. Foi agridoce; eu sabia que ela estava começando a me ver como uma adulta. Não sua pequenina garota. Eu me senti como um completo e absoluto fracasso.

O local onde eu trabalhei desmontava grandes máquinas que os hospitais usavam e vendiam as peças. Eu era a recepcionista. Atendia ligações e ajudava a organizar as entregas. As pessoas com quem trabalhei eram muito legais, e depois de algumas semanas me deram uma chave para que eu pudesse chegar cedo, preparar o café e imprimir os pedidos. Uma noite, depois que todos foram embora, voltei lá e entrei. Ainda me sinto mal por ter quebrado a confiança deles.

Alguns dias antes, meus colegas de trabalho trouxeram uma máquina antiga. Todos usavam luvas pesadas e usavam equipamento respiratório, como mergulhadores. Quando acabaram, perguntei o que era. Aparentemente era algo que hospitais usam na radioterapia de pacientes com câncer. Eu não sabia muito sobre isso, então quando cheguei em casa fui na Wikipédia e pesquisei bastante coisa, aí surgiu minha ideia.

Quando me deixei entrar naquela noite, o lugar estava vazio. Fui direto para onde eles colocaram a máquina de radioterapia e a investiguei. A maior parte estava completamente desmantelada. O que eu procurava estava convenientemente rotulado e evidentemente marcado em um enorme contêiner de chumbo. Demorei um pouco para destampar. Chumbo é tão pesado! Mas depois disso, vi uma peça redonda de metal que parecia uma roda. A peguei e girei o mecanismo, que abriu uma pequena janela na frente. Uma fraca luz azul estava dentro. Eu a aproximei do meu olho e observei dentro. Nada além daquela luz. Pensei que provavelmente era o que eu procurava.

Trouxe o objeto para casa comigo, e tranquei a porta do meu quarto. Eu me esforcei para abrir aquilo usando uma chave de fenda como alavanca, mas parecia trancada por dentro. Eventualmente fiquei frustrada e girei a peça novamente, para abrir a janela, e enfiei minha ferramenta no material azul, tentando retirá-lo. Acabou sendo bem fácil. Um monte dele quebrou quando o cutuquei, e quando virei a peça de cabeça pra baixo, as peças caíram na minha mesa. Agora eu podia ver quão belo era. Como pedaços de argila azul brilhantes e arei. Juntei tudo o melhor que pude e guardei, exceto pelo pouco que usaria hoje à noite.

Uma das coisas que li sobre radioterapia é que isso deixava as pobres pessoas com câncer bem magras. Eles simplesmente perdiam todo o apetite. Não pude acreditar que era verdade. Sempre tive um apetite tão grande. Ficava dizendo a mim mesma que precisava ter muito cuidado quando pegasse essa coisa, porque se tomasse muita radiação eu poderia acabar com câncer. Peguei uma pitada da argila azul, coloquei na boca, e engoli com um gole de água. Foi uma sensação quente descendo, mesmo com a água gelada. Desde que cheguei em casa do trabalho, estava bem quente, na verdade. Acolhedor. Como um cachorrinho debaixo de um cobertor.

Naquela noite acordei suando mais do que suei em toda minha vida. A cama estava totalmente encharcada. Nojento. O peso da água não era o que eu queria perder realmente, mas era melhor que nada. Tomei uma ducha, troquei os lençóis e voltei para a cama. Meu estômago doeu um pouco.

Quando acordei na manhã seguinte, meu estômago doía e eu vomitei algumas vezes. Mas, eu não estava nem remotamente com fome. Só isso fez a dor na minha barriga praticamente desaparecer. Eu não precisava comer! Mamãe perguntou se eu estava levando as sobras do jantar da noite passada para o trabalho, e eu menti dizendo que compraríamos pizza. Odeio mentir pra mamãe, mas eu não queria que ela se preocupasse. Não havia necessidade de contar pra ela que eu não estava com fome. No trabalho, terminaram de desmontar a máquina e começaram a enviá-la para onde quer que enviam essas coisas. Tive muito cuidado para colocar o contêiner de volta exatamente como estava. Ninguém verificou se a pequena roda ainda estava lá.

Nada ocorreu nos próximos dias, além do meu estômago ter piorado e eu ter que vomitar uma ou duas vezes. Mal comi desde que comecei o tratamento com radiação. Sempre que ficava tonta pela falta de comida, comia uma maçã ou um iogurte sem gordura e ficava bem. Eu ainda estava suando muito. Quando chequei na balança, dizia 76.

Depois de uma semana comendo praticamente nada e seguindo fielmente meu tratamento noturno, minha dor de estômago ficou realmente, muito ruim. Parei de vomitar, mas dessa vez senti que precisava ir ao banheiro. Fui, e foi horrível. Havia muito - fiquei chocada. Aparentemente eu comi e acumulei mais do que pensava. Subi na balança depois, entretanto, e isso me ajudou a sentir muito melhor. 73.

Nos dois dias que se seguiram, uma ou duas pessoas me falaram como eu estava bonita. Eles me perguntaram se perdi peso, e eu disse sim, talvez alguns quilos. Eu estava radiante. Durante toda a minha adolescência eu não fiz nada além de ficar maior. Agora, finalmente, eu estava encolhendo e a caminho de ser pequenininha. Eu não me sentia tão bem, no entanto. Minha barriga estava constantemente me fazendo correr para o banheiro e ainda doía. Percebi que eu estava me livrando de toda a gordura extra. 71.

Eu estava no chuveiro, cerca de 10 dias depois que comecei a tomar o remédio, e fiquei horrorizada ao ver um pouco do meu cabelo cair. Isso era ruim. Muito, muito, muito ruim. Imediatamente parei de lavá-lo e deixei apenas a água enxaguar o resto do xampu. Saí do banho e demorei uma hora secando meu cabelo porque estava assustada demais para usar uma toalha, com medo dela arrancar mais. Quando o espelho desembaçou e meu cabelo secou, verifiquei quão perceptível era. Havia um pedaço careca considerável, couro cabeludo avermelhado chamando a atenção num buraco de quase 5 cm sobre minha orelha esquerda. Empurrei o cabelo pra cobrir a falha. Mais caiu. Devia ser uma deficiência nutricional por todas as refeições que eu estava perdendo. Coloquei meu boné dos Titans e me vesti. Quando escovei os dentes notei um pouco de sangue na pia. Fiz um lembrete para comprar alguns multivitamínicos depois do trabalho.

Não tomei banho no dia seguinte porque, quando acordei naquela manhã, havia mais cabelo no meu travesseiro. Meu couro cabeludo estava ficando bem visível. Parecia irritadiço e cru, mas não doía. Já que eu não precisava ir trabalhar, fiquei em casa e pesquisei todas as deficiências nutricionais que poderiam fazer meu cabelo cair e minha gengiva sangrar. A maioria era curada pelo multivitamínico, então tripliquei a quantidade que precisava tomar, só para garantir. Tive que ir ao banheiro cinco vezes durante as 15 horas que estive acordada. Na última vez, estava incrivelmente tonta e com muita sede. Eu me pesei antes de beber a água e meu medicamento radioativo. 68. O remédio me ajudou a perder 12 quilos em menos de duas semanas.

Mamãe me abraçou na manhã seguinte antes de eu ir trabalhar. Ela passou as mãos de cima a baixo pelas minhas costas, e comentou quão magra eu havia ficado. Então, ela disse: "Lembra quando eu costumava te chamar de minha pequenininha? Sinto falta daqueles dias, mas eu amo você crescida tanto quanto antes." Então ela me deixou ir. Dor, náusea e desespero tomaram conta de mim. Sem aviso, minha tontura voltou pra se vingar e eu tropecei, caindo no chão da cozinha. Meu boné caiu. Com a cabeça girando, lembro vagamente da mamãe ofegando "Katie, o que aconteceu com seu cabelo?!" antes de eu vomitar violentamente no chão e em mim mesma. Era só sangue. Desmaiei ao som dos gritos da mamãe.

Não sei quanto tempo passou no hospital. Eu não estava completamente inconsciente, mas até o momento que usaram drogas para me acordar, tudo o que me lembro é de imagens de médicos no mesmo equipamento de mergulho que os caras no trabalho dizendo palavras sem sentido, como "césio", "descamou" e "absorvida", e eles não estavam falando de comida.

Hoje, não consigo mais me mover ou falar, e estou escrevendo isso usando um teclado legal que insere as letras usando os movimentos do meu olho restante. Como eu disse no começo, morrerei em breve. Não sou mais muito divertida de se ver. Meu cabelo se foi. E minha mandíbula inferior. E minha pele. Os médicos legais estão me dando remédios que ajudam a controlar a dor e me manter alerta. Eles me perguntaram se poderiam fazer testes e experimentos comigo para ajudar a entender o que a ingestão de radiação médica faz no corpo humano. Aparentemente, havia um japonês há alguns anos chamado Hiroshi Ouchi, que passou por um nível de exposição similar e as mesmas coisas aconteceram com ele. Eles disseram que ajudaria outras pessoas no futuro se conseguissem comparar os dois casos. Claro que eu os deixo.

Eu não posso mais comer comida. Meu esôfago cozinhou. O mesmo com meu estômago. Os médicos me mantêm hidratada por um tubo na minha bunda. Eu realmente não gosto de pensar sobre isso. O máximo de emoção que eu tenho esperando aqui é que eles me pesam de seis em seis horas para ver se consigo reter os fluidos que me dão ou se vai tudo para os lençóis. Eles me colocam em uma plataforma e uma pequena voz robótica diz um número. Esta manhã, disse 32. Na vez seguinte, 31.

Mamãe e papai precisam usar esses trajes de mergulho quando vêm visitar. Mamãe sempre está chorando, porque não tem permissão para me tocar. Papai apenas olha. Logo antes de começar a escrever isso, minha mãe se abaixou e começou a sussurrar para mim algumas das coisas que eu lembro ela dizendo quando eu era pequena. Fechei meu olho e imaginei estar acalentada e segura em seu colo. "Eu te amo, minha pequenina", ela soluçou. Eu teria sorrido se tivesse uma boca.
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Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

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Estou sendo forçado a jogar um jogo de 24 horas (23:00 - 24:00)

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Fumaça sobe dos fundos da mansão de Lazalier, e nós somos banhados pelo brilho lunar.

Heather se abaixa lentamente e pega o telefone.

"Heather... olhe pra mim... o que quer que esteja aí... você não precisa mais obedecer..."

Aperto meu peito, onde a bala atravessou meu corpo.

Ela virou para mim, prendendo a respiração enquanto encarava o telefone.

Nada aconteceu nesse longo segundo. Leio a mensagem.

XXIV. UM VENCEDOR.

Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, a mulher de apenas um braço aponta a arma que pegou do cadáver de Lazalier diretamente para mim.

"Eu te disse que não funcionaria", ela murmurou. "Assim como todos esses malditos registros nos quais você está desperdiçando o dia. Ninguém se importa, porra. O Jogo não vai parar. Nunca vai parar, caralho!" ela gritou.

"Heather, pelo amor de Deus, me escute só uma vez!!" Implorei, levantando minhas mãos defensivamente, enquanto gesticulava em direção às chamas.

"Lazalier se foi... porra... todo mundo se foi, exceto por você e exceto por mim... e... e..." Eu disse, lutando contra as lágrimas que se formavam.

"Nossas famílias... sua própria filha... eles estão seguros... todos poderemos ir pra casa", eu disse a ela.

"Não até que O Jogo acabe. E isso só vai acontecer quando você estiver fora do caminho." ela disse.

"E então o que? Você vai simplesmente sair andando disso tudo? Você sabe que não será tão fácil. O freio de emergência já era. O Jogo não vai parar agora. Nem nunca. Outras pessoas vão encontrar aqueles fóruns online assim como nós encontramos. Eles serão atraídos para algo que está muito acima deles. Você não conseguirá se impedir de jogar outra vez, para tentar salvá-los." eu devolvi.

"Não me importo com eles", ela argumentou.

"E quando você arriscou tudo para salvar Wayne quando ele teve aquela crise de alergia? Ou quando não parou Celeste enquanto ela desamarrava aqueles homens da árvore? Você pode tentar esconder, mas sei que debaixo disso tudo você tem um coração", eu insisti.

Vejo suas mãos tremerem. Ela começou a hesitar agora, realizando o sentido de minhas palavras.

"É só outro jogo mental Está fazendo a mesma coisa que fez sempre. Essa porra nunca acaba. Mas eu vou encerrar isso. Bem aqui. Bem agora", ela respondeu.

Ela recarregou a arma e murmurou, "Desculpe. Vou cuidar bem da sua família."

Fecho meus olhos, meu cansado cérebro tentando pensar em algo para dizer.

Algo que a faça acreditar na nossa vitória, mesmo que ela não perceba.

"Desafio 13!!!" gritei desesperadamente.

Heather congelou por um momento.

"O que você disse?" ela perguntou.

Abri meu olho bom e olhei para ela.

"Lembre-se... lembre-se do Desafio 13", eu disse, gentilmente.

Lentamente ela abaixa a arma. Ela está pensando sobre o que eu estou tentando dizer.

"Você quer dizer... não fazer nada", ela disse, mais calma.

"É o único jeito. O jeito de nós dois ganharmos" eu falei.

"Caralho, como isso faria qualquer sentido?" Heather sussurrou.

"Pense nisso. O dia está quase no fim. Nossas famílias estão em casa. O Jogo não tem mais nada para nos colocar uns contra os outros... exceto nós mesmos", eu expliquei.

Quase posso ver a bagunça de seus pensamentos.

"Mas se não fizermos nada... ganhamos juntos. Um vencedor. Um time." ela percebeu.

Balancei a cabeça, energicamente.

Heather olhou para a mansão, pesando minhas palavras por um bom tempo.

"Nós vencemos. Fim de jogo", ela concluiu, com uma risada.

Então ela jogou a arma longe.

"Foda-se tudo."

Deixei um suspiro de alívio lavar minha aflição enquanto ela me encarava sob a escura luz da lua.

"Então é isso aí..." Eu disse, permitindo que meu coração desacelerasse.

"Não... não por muito tempo. O freio de emergência se foi, mas apenas temporariamente. Podemos criar outro. Impedir O Jogo de ferir outros", ela disse.

Aceno solenemente, perguntando-me se ela está certa.

"Talvez seja o contrário. E se O Jogo acabar agora? Quando a contagem regressiva terminar, e se tudo desligar? O que você faria?" eu perguntei.

"Você é um concorrente bastante interessante, Daniel Stratton", Heather devolveu, voltando sua atenção para mim.

Ela talvez não quisesse aceitar o fato de que O Jogo de 24 Horas controlou-a por muito mais que um único dia.

"Sou grata que O Jogo tenha me levado até você", ela acrescentou e estendeu a mão, murmurando "Até a próxima?"

Correspondi seu cumprimento e murmurei "Espero que não haja próxima vez"

Ela esboça um leve sorriso, e olhamos para o telefone descartável.

O peguei antes que ela ficasse tentada a verificá-lo novamente.

Então, para mim, O Jogo não importa mais. Vejo um grupo de helicópteros de resgate se aproximando de nós. A equipe de Lazalier voltou?

"Parece que é sua carona", ela falou.

"Espere um pouco... e você... Você não acha que consegue voltar pra civilização sozinha, acha?" perguntei.

"Celeste alugou um AirBnB não muito distante daqui. É pra onde falei para ela ir. Não deve dar dois quilômetros voltando pelas colinas", ela disse, apontando para o sul.

"Você está ferida. Precisa de cuidados médicos", eu exclamei.

"Minha filha está segura", foi sua única resposta.

Vejo-a mergulhar na floresta enquanto o helicóptero começa a descer.

Alguns oficiais se aproximaram de mim, examinando o desastre em torno da mansão isolada, mirando suas armas em direção à onde Heather a pouco desaparecera.

"Papai!!" Michael disse animadamente enquanto corria para meus braços.

Estremeci de dor quando ele me abraçou apertado, e os policiais me disseram para embarcar no helicóptero.

Subi e vi minha esposa sentada ali também, ainda um pouco machucada pelo desafio. Eu me inclinei e a beijei gentilmente.

"Você está incrível", eu disse a ela.

"Você não parece nada mal", ela devolveu.

Então o helicóptero novamente alça voo.

"O que aconteceu? Onde está a equipe do Lazalier?" Perguntei.

"Interceptados uns cinco quilômetros daqui, todos estão sob custódia", Marcy explicou.

Fico pensando como isso aconteceu, mas novamente meu dolorido corpo mal corresponde.

Michael se agarrou a mim quando nos afastamos da mansão e entramos na nuvem. Ainda estava olhando para onde Heather fora.

Eu me pergunto se estou errado sobre o que aconteceu com Celeste. Ela vai sobreviver?

Imagino que estou seguro agora, e torço para que Heather e sua família também estejam.

"Quem era papai?" Michael perguntou.

"Hmm?"

"Aquela mulher... ela era sua amiga?" ele murmurou.

Eu sorri.

"Sim amigão. Ela é uma amiga. Uma boa amiga com quem joguei um jogo."

"Posso jogar também?" Michael perguntou.

Senti algo vibrar em meu bolso.

"Acredite em mim parceiro, esse não é um jogo que você iria querer jogar", disse a ele, enquanto pegava o último celular descartável.

Uma mensagem final apareceu na tela.

PARABÉNS. VOCÊ É UM VENCEDOR.

"O que é, Daniel?" Marcy me perguntou.

Pensei no que Heather disse, que O Jogo não estava realmente acabado. O Jogo nos salvou no fim, parando o pessoal de Lazalier? A imagem ficou preta, quando encarei a tela vazia.

Acabou?

Então olhei para minha família, para o rosto sorridente do meu filho.

Eu sabia a resposta.

Joguei o telefone do helicóptero e disse,

"Não importa. Vamos pra casa."

"Foi um longo dia."


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

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A Verdadeira História dos Humanos - Parte 2

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PRIMEIRA PARTE

Coexistência ou sobrevivência?

Nos Pilares da Criação, estavam todos os seres existentes no Universo. Desde os espíritos até os poderosos deuses.

Reunidos para discutirem um decreto que sucederá a coexistência entre as espécies, visto que a maioria dos seres queriam seu próprio espaço ; sem a interferência ou ajuda dos outros.

Na reunião, estavam presentes os representantes do suposto “Deus que não aparece nas reuniões” - Apelido dado ao Deus que raramente aparecia naquelas reuniões -, o Deus Raziel, mais tarde conhecido como o Anjo dos Mistérios ou dos Conhecimentos Ocultos, e a Deusa Nike (Sim. Além de ser o nome de uma marca famosa, Nike é o nome de uma deusa grega da vitória e da glória. Chamada também pelos Romanos de Victoria. Para mais informações ou fontes deixarei os links no final do texto).

Nike não era bem uma “representante” desse Deus que não aparecia, só estava ali para acompanhar Raziel, pois era apaixonada por ele, não só pelos seus conhecimentos, mas também por ser um dos deuses que não era egocêntrico. Nike amava sua humildade pois sabia ela que Raziel era onipotente e até perguntava a si mesma como Raziel existia antes da criação de tudo. Segredo esse que nas palavras de Raziel dizia que “Se ele contasse os segredos e os conhecimentos antes da criação, qualquer deus ou espírito não suportaria tanta sabedoria e a consciência do ouvinte morreria e iria parar no Limbo das Almas”.

- Raziel, por que não participa das decisões visto que tu mesmo não concorda com o resultado delas? indagou-lhe

- Certamente seria tirania de minha parte. Não posso interferir em suas decisões mesmo que isso cause consequências catastróficas ao nosso Universo ou a eles.

- Como podes dizer isso? Não te conheço muito, mas sei muito bem que se tu fosses um tirano sua tirania seria boa para o bem de todos!

- Minha querida Nike, o bem é realmente o certo? Nem tudo o que é bom é certo e nem tudo o que é mal é errado.

- Não te entendo, sempre com essas frases um pouco melancólicas… Mas não será por isso que deixarei de amar-te.

- Mesmo com toda minha sabedoria não consigo é entender seu amor por mim, mesmo não me entendendo.

- Pelo menos a algo que eu sei que tu não sabes.

- De fato.

- E onde está o outro representante?

- Ah, ele? Está a passear pelo Universo. É um Deus jovem, não o culpo. Ele também não concorda em sermos representantes do nosso Deus e está correto. Um Subordinado não pode decidir no lugar do Deus da mesma espécie. Por isso deixo ele por aí.





Então, todos os seres por unanimidade, decidiram algo que mudaria todo o rumo do Universo... a separação dos seres para diferentes dimensões.

Raziel sabia que tais seres queriam na verdade sua própria tirania e não um “espaço”, para fazerem tudo ao seu bel prazer sem se incomodarem com outros deuses. Nike percebeu e preocupação de Raziel.

Raziel e Nike partiram para a cidade prateada, morada dos deuses alados, para reportar o que aconteceu durante a reunião e a conclusão dela.

Quando chegou ao trono, viu que estava vazio. Perguntou aos outros deuses para onde tinha ido Deus. Os deuses disseram que ele saiu para “adquirir conhecimento”.

Raziel pediu para que Nike reportasse o que aconteceu durante a reunião para os demais deuses que ele procuraria o Deus da espécie deles.

Percorreu um grande trajeto até o achar parado no céu de um planeta...

Quando o achou, ficou observando antes de o chamar…

Sentimentos estranhos vinham desse Deus, Raziel percebia um semblante diferente nele.

Não entendia como ele podia ficar tanto tempo observando apenas um planeta…

O planeta que ele observava era Rahu.

Mesmo relutante, finalmente decidiu chamá-lo.

- Finalmente o encontrei…

- …

- …

- Miguel...
Autor: The Truth

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Estou sendo forçado a jogar um jogo de 24 horas (22:00 - 23:00)

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"Celeste... leve Gloria e vá até um dos nossos pontos de encontro... Eu encontrarei vocês lá", Heather disse, enquanto encarávamos a atual situação.

Sua parceira tossiu e acenou com a cabeça, pegando sua filha adotiva e indo em direção à floresta.

"Daniel... o que está acontecendo?" Marcy me perguntou.

Antes que eu pudesse responder, ouvi o Senhor Lazalier acordar. O sacudi para que ele recobrasse consciência.

"O que... o que aconteceu..." Ele olhou para Heather.

"Senhorita Bradley... você conseguiu" ele disse.

"Não graças a você", ela respondeu, cuspindo no chão.

"Olha, podemos resolver isso mais tarde. Agora precisamos de ideias. Senhor Lazalier... Simon. Nós ainda estamos com o pendrive. Existe alguma maneira de enviarmos isso pra inteligência artificial do Jogo?" Perguntei.

Ele toma um momento para se orientar e olha para a mansão.

"Vocês... vocês estão com ele?" ele perguntou e, em seguida, gesticulou para que eu o entregasse. Estava prestes a fazê-lo quando Heather me empurrou para longe.

"Não faremos nada até que você responda a pergunta. Dá pra desligar o jogo ou não?" Ela perguntou.

Ele olhou em volta e acenou com a cabeça, enquanto enfiava a mão no bolso para tirar um celular.

"Tem um bunker aqui por perto. Ele tem todos os sistemas necessários para enviar esse vírus ao sistema OMNIVERITAS", ele disse.

Olhei para Heather, sentindo que assistia nosso naufrágio.

"Nós... nós destruímos esse bunker. Cerca de seis horas atrás", eu disse, exausto.

Senhor Lazalier começou a discar um número, mas Heather interveio, murmurando: "Espere um segundo. Como podemos sequer confiar em você? Pra quem você está ligando?"

"Minha equipe. Qualquer um além de você que esteja vivo. Eles também foram forçados a jogar, mas tomei providências para que, se alguém chegasse tão longe, fosse possível contatá-los. Conseguiremos um jeito de sair daqui", Lazalier explicou, enquanto fazia a ligação.

"Isso não parece certo", Heather disse quando se virou para mim.

"Não há mais ninguém vivo. Josh e os outros se foram, senhor", eu disse.

Como se fosse para provar que eu estava errado, um único helicóptero preto surgiu ao sul no horizonte.

Olhei para o céu sombrio, enquanto ele se aproximava, me perguntando como aquilo era possível.

Então ouvi o suave som do gatilho de uma arma, e vi Lazalier mirando em nós.

"Eles levarão sua família em segurança. Depois poderemos ir para outro local seguro." Simon disse.

O helicóptero aterrissou e vários homens armados saíram correndo, todos uniformizados. Abracei minha família e tentei manter em mente que isso era o certo a fazer.

"Simon... o que você está fazendo?" ela perguntou.

"O mesmo que fiz quando contratei aqueles idiotas para fazerem isso." Ele disse, apontando para o pendrive.

"O Jogo sempre está dez passos à frente de todos nós. Porque foi assim que o projetei, contratei homens desesperados para fazerem coisas desesperadas... tudo para conseguir isso." Ele riu.

"O Jogo precisa vencer. Ele sempre vence", ele gritou.

"Agora me entreguem o periférico", acrescentou friamente, apontando a arma diretamente para o coração dela.

"Entregue", digo a ela.

Heather jogou o pendrive para o homem louco, e ele riu.

"Vejo vocês em breve", disse à minha família. Michael soluçou, ele não queria ser levado novamente. Mas eu não tive escolha.

Eles levaram Marcy e Michael embora enquanto Heather olhava fixamente para o homem que havia orquestrado tudo isso.

Ele passou o periférico para o piloto do helicóptero e nós assistimos indefesos enquanto nossa última chance de acabar com tudo isso voava para longe.

"Não acredito que eu já quis parar O Jogo. Claro, encontramos alguns obstáculos ao longo do caminho... mas meu deus... isso acabou melhor do que eu esperava" ele disse, assistindo a aeronave sumir no horizonte.

"Você é louco", eu disse.

"Não, senhor Stratton. Sou um homem de negócios inteligente. Algo tão grande vale muito dinheiro. Mais do que qualquer prêmio supérfluo que minha empresa poderia ter oferecido aos concorrentes", disse ele, enquanto começava a falar descontroladamente.

"Pense nas diversas maneiras que isso pode ser explorado! Companhias pagariam absurdos para ter esse nível de Inteligência Artificial! As aplicações são ilimitadas! Poderíamos monitorar o mercado de ações, criar sistemas de segurança de ponta, armamento militar."

Ele começou a se mover ao redor do gramado, gesticulando freneticamente enquanto continuava.

"Percebi tudo isso quando vi até onde O Jogo estava disposto a ir para ganhar. Ele manipulou todos nós, apenas para garantir a própria sobrevivência! E agora que eu entendo, que eu manipulei você e sua equipe para providenciarem esse 'freio de emergência', posso usá-lo como a moeda de barganha definitiva. Ele me obedecerá agora."

Ele me olhava nos olhos, como se me possuísse.

"Posso controlar Deus".

Nós dois ficamos lá ouvindo seu discurso insano. Eram palavras incompreensíveis.

"Você não é maluco, é um idiota!" Heather gritou, com raiva.

"Você não pode controlá-lo, porra! Você ainda não entendeu? O Jogo está fazendo exatamente a mesma coisa que fez o tempo todo. Está fazendo você de besta!" ela resmungou.

"Não Senhorita Bradley... vocês foram os tolos. Você, Jack, Lionel... Wayne... todos que tentaram impedir a evolução dele." Lazalier argumentou.

"Nada pode impedir que isso aconteça."

Olhei para cima em choque, quando o céu de repente pareceu mais escuro. Corri em direção a Lazalier e ele me atingiu no peito quando o derrubei. Comecei a socá-lo de novo e de novo, até que ele ficasse inconsciente, ignorando a dor que estava sentindo.

"Daniel!!" Heather disse atrás de mim, enquanto eu ainda o agredia.

Ela me afastou de seu corpo ferido e murmurou "É tarde demais. Acabou. O Jogo venceu."

"Não... caralho, não!" Gritei, olhando para baixo e vendo o telefone danificado.

Ela se aproximou de Lazalier, checando sua pulsação enquanto pegava a arma de sua mão.

O homem despertou alguns momentos depois, rindo. Até que Heather descarregou a arma em seu crânio.

O silêncio cortante se torna notável, e nós estamos sozinhos ali.

Olho para o celular e vejo a mensagem final aparecer na tela.

FONTE

PRÓXIMA PARTE: 15/05/19

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

4 comentários :

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A Família Panqueca

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Bom dia/Boa tarde/Boa noite! Essa creepy aqui hein, nossa senhora ;-;
•••
ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE.  
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Tão pálido, né? Aposto que pareço um fantasma. Sinto como se tivesse perdido uns oito litros de sangue.

O que? Não. Nem um arranhão.

Desculpe por divagar. É que eu estou... qual é a palavra pra isso?

Despersonalizando.

Sensação estranha. Vi diversas vezes em campo. Acho que essa vai ser a primeira e única vez que experiencio isso. Um inferno. Sinto como se estivesse flutuando fora do meu corpo. Corte a corda e eu saio voando.

Você viu a cena do crime?

Não.

Não olhe pras fotos. Nem toque no arquivo. Você vai me agradecer.

Não consigo fazer meus joelhos pararem de tremer. É por isso que você está segurando o café assim? Estou balançando a mesa, não? Espere um segundo, vou afastar um pouco a cadeira. Pronto, assim é melhor.

ENTREVISTADOR: Temos que fazer o trabalho sério agora, Hob. Você confirma, para a gravação, que está renunciando seu direito a um advogado?

Não, ainda não estou interessado em um advogado.

Digo, sim, estou renunciando meus direitos.

Desculpe.

E estou tão são quanto sempre estive.

ENTREVISTADOR: Você tem certeza?

Sim.

ENTREVISTADOR: Que a gravação prove que o Detetive Hobson Milgate, aposentado, renunciou ao seu direito a um advogado.

Não precisarei de um advogado depois que o Promotor parar de vomitar e considerar publicar as coisas.

Eles não mostrarão isso ao júri.

ENTREVISTADOR: Você está pronto para começar?

Não, mas vou falar mesmo assim.

ENTREVISTADOR: O que te levou à cena do crime na noite em questão?

Você acreditaria se eu dissesse que estava planejando uma viagem para pescar antes disso tudo começar?

Esquece.

Espera aí, estou pensando.

É difícil organizar as coisas.

Nunca antes estive desse lado da mesa de interrogatório.

Acho que tudo começou com a repórter. Espinosa. Ela me contatou uma semana atrás por email, alegando ter novas informações sobre O Assassinato dos Driscoll. Eu era o investigador chefe. O caso não foi resolvido por vinte anos. Estava frio como gelo.

Francamente, a princípio pensei que fosse tudo mentira.

Você sabe como isso pode ser. Na maioria das vezes nem é de propósito. Todo mundo acha que sabe de algo que vai destrinchar o caso. Teorizar é fácil quando você não precisa checar evidências para tudo. O Assassinato dos Driscoll causou bastante furdúncio por lá. Muita gente interessada. Muita imprensa. Ao longo dos anos, ouvi centenas de teorias bem porcas.

Quando me aposentei, entreguei a investigação ao Detetive Caroll, mas não queria que ele se incomodasse. Sei que ele está ocupado com a recente atividade de gangues. Pensei em checar como uma cortesia. Não esperava que levasse a qualquer lugar.

Eu me encontrei com ela para almoçarmos no Café Puryear. Loira e charmosa, transparecia profissionalismo, então não se encaixava no perfil típico de um fraudador ou teórico da conspiração. Não que eu tenha muita fé em perfilar. Talvez ela também fosse uma daquelas garotas arrepiantes que se excitam com a morte. Deus sabe que já lidei com garotas assim também.

Ainda achava que ela talvez estivesse tentando me enganar, ou talvez tivesse sido enganada também, mas ela tinha um arquivo consigo. Parecia legítimo. Continha o que parecia ser uma confissão do "assassino" dos Driscoll... Bem, ele não era um assassino no fim das contas, não é?

Eu realmente queria que ele fosse, sabe?

Teria sido melhor para todos.

ENTREVISTADOR: Você pode, por favor, nos informar dos detalhes relevantes no caso Driscoll?

Vamos ver, já se passaram duas décadas. Pensar sobre todos esses anos... quero dizer, são malditos vinte anos. É muito tempo...

ENTREVISTADOR: Tome seu tempo, Hob.

Obrigado.

[Limpando a Garganta]

Os Driscoll eram uma família de seis pessoas que moravam nos subúrbios. Classe média alta. O pai era um advogado, a mãe cuidava da própria empresa, vendendo cerâmica fora de casa. Quatro crianças, todas do Ensino Médio pra baixo. Boas crianças. Um histórico honorável. Nenhum registro criminal do qual falar. O mais velho foi pego fumando maconha no colégio uma vez, mas nada além disso. Coisas normais que você encontra quando investiga as pessoas mais de perto.

Eles desapareceram no Outubro de 1994, dia 13. Nenhum vestígio dos corpos. O ar de mistério e a proximidade com o Halloween foram prováveis motivos pra imprensa ter ficado tão louca. Você ainda vê isso aparecer em alguns desses shows de mistérios não resolvidos. Uma família inteira desapareceu e ninguém viu nada. Ninguém sabia onde eles foram.

Um vizinho fez uma reclamação de barulho excessivo, foi assim que nos envolvemos. Um alarme havia disparado, e eles imaginaram talvez ser um intruso ou algo assim. Mandamos uma viatura. Quando ninguém respondeu à porta, o patrulheiro foi investigar.

Havia sinais óbvios de luta no quarto da filha mais nova. A cama estava revirada, os lençóis rasgados. O alarme era um detector de monóxido de carbono. Detectamos elevadas concentrações deste no tecido da roupa de cama de todos, menos da filha mais nova. Não olharíamos isso sem o alarme.

O vizinho informou que o alarme esteve soando por mais de um dia, e que ele não conseguiu contatar nenhum morador nesse tempo. Nós também encontramos várias latas de alumínio e algumas mangueiras em uma lixeira alguns quarteirões abaixo. Na época, assumimos que os Driscoll haviam sido asfixiados e desovados em outro lugar. Exceto, claro, a filha que acordou no fim e lutou.

A investigação não teve frutos.

Naturalmente, nosso primeiro palpite foi que o pai havia feito tudo. Nós verificamos, mas ele não tinha motivos evidentes. Sem pistas as quais seguir. O mesmo pra mãe. Avaliamos outros familiares também, limpos. O pai teve alguns clientes que poderiam ter motivos, mas os meios não batiam. Ele era um advogado de divórcio, mas não atendia pessoas que poderiam sumir com uma família inteira sem deixar provas. Havia um professor de química, que investigamos por algum tempo por causa das latas, mas ele tinha um álibi. O mesmo pro dentista que morava perto. A esposa flertou online com algum garoto na Inglaterra, mas nada adúltero, e ele nem estava no país quando o assassinato ocorreu.

Nós ficamos, infelizmente, com a possibilidade de um assassinato aleatório. Os casos mais fodidos de solucionar são quando não há um padrão assim. Devemos ter colocado dezenas de homens no caso, atrás de qualquer mínima pista. Um esforço infrutífero.

Nós até rastreamos as latas. Foram roubadas de um laboratório a uns quinze quilômetros dali. Sem filmagens de segurança. Não conseguimos encontrar pistas do ladrão. Depois de seis meses sem novos ataques, a investigação esfriou.

Os Driscoll foram desacordados e sequestrados. Como eu disse, ninguém nunca encontrou os corpos. Quem poderia negar a possibilidade de eles simplesmente terem fugido?

Ficou assim até, bem... Eu prefiro falar disso uma vez só.

ENTREVISTADOR: O que você pode nos dizer sobre como acabou a coisa da confissão com a Senhorita Espinosa?

Ela esteve acompanhando o caso por alguns anos, tanto pessoalmente quanto como repórter. Como disse, chamou a atenção de muita gente. Mesmo pessoas aparentemente normais achavam que poderiam ter sido alienígenas, fantasmas ou demônios. Senhorita Espinosa publicou uma retrospectiva sobre os assassinatos no aniversário de vinte anos do caso. Causou uma renovação no interesse geral, coisa que acontecia esporadicamente. Como de costume, eu me recusei a comentar, citando a falta de novas evidências. Lembro dela pedindo a citação exata, e por isso aceitei a reunião no almoço.

Depois da publicação desse artigo, a Senhorita Espinosa alegou ter recebido um arquivo. Ela queria me compartilhá-lo. A parte mais pertinente do arquivo era a confissão. Assegurei à Senhorita Espinosa que tais documentos falsos não são incomuns, especialmente em casos mais antigos como esse, e que eu pessoalmente já havia escutado duas dúzias de confissões do assassinato dos Driscoll. Ela foi insistente. Uma vez que senti que ela não estava tentando me enganar, nem me fazer falar do assassinato, concordei com a reunião.

Ela afirmou que a confissão havia sido enviada para ela no mesmo envelope que ela me mostrou quando nos encontramos para o almoço.

ENTREVISTADOR: Você pode descrever seu conteúdo?

Recortes de jornais velhos descrevendo o progresso da minha investigação. Eles pareciam apropriadamente amarelados, então eu imagino que eram um troféu para o criminoso. Havia também seis fotos, que alegavam ser dos membros individuais da família Driscoll, assim como várias outras fotos da... instalação para onde eles foram levados.

Olha isso.

Minhas mãos não param de tremer, viu? Estou tentando ao máximo e não consigo fazer elas pararem. Terei de pedir ao paramédico um sedativo quando terminarmos aqui. Acho que do contrário não vou conseguir dormir.

Não, por enquanto estou bem. Não quero que nada interfira com minhas lembranças para sua gravação.

Carregar isso tudo nas memórias é... Desculpe, vou manter o foco.

As fotos eram da família Driscoll, claro. Na época eu não sabia disso. As fotos tinham envelhecido mal, e poderiam ser qualquer um. Era muito difícil distinguir qualquer coisa. No entanto, dada a elaborada natureza do arquivo, percebi que merecia uma observação mais aprofundada.

Quanto à carta de confissão, bem, era breve. Dava um endereço. Foi a primeira coisa que notei. Não consegui localizar o endereço online, o que significava que tinha que ser bem antigo. A carta dizia: "Pare de imprimir mentiras. Eu nunca matei ninguém. Só demorou um pouco para prepará-los para o café da manhã." Não havia assinatura.

Acabei de lembrar de algo.

Porra.

Recebemos um cardápio de café da manhã um mês depois do desaparecimento! Alguém havia desenhado um círculo vermelho ao redor da foto de panquecas. A carta dizia: "Eles não estão mortos, estão se preparando para o café da manhã!" Nós colocamos aquilo no arquivo de pistas inúteis.

Oh Deus.

Eu... como eu poderia saber?

Nós tentamos rastrear aquele menu. Nunca conseguimos descobrir de onde veio. Não era de nenhum lugar na região. As informações que poderíamos usar para identificar foram cortadas.

Não sei o que mais poderíamos ter feito.

Eu só... meu Deus.

ENTREVISTADOR: Por que você decidiu ir pessoalmente investigar o local mencionado na carta?

Desculpe.

Queria ter certeza que não era uma farsa. Ainda não estava convencido. Por vinte anos pessoas me enviaram falsas evidências. Acho que talvez esse caso tenha ficado no meu imaginário também. Sempre pensei que algum dia eu perceberia algo que esqueci de olhar e resolveria a coisa toda. Era inacreditável que alguém simplesmente despejasse a resposta no meu colo. Precisei ir ver com meus próprios olhos.

Senhorita Espinosa havia identificado a localização pelos registros da cidade, mas nenhum de nós tinha certeza de que ainda ficava lá. Era um prédio industrial abandonado. A última correspondência válida para aquele endereço datava de quinze anos atrás. Poderia ter sido demolido, pelo que sabíamos.

Acho também que eu queria ser aquele que desvendou tudo. Despejado no meu colo ou não. Esse caso pairou sobre minha cabeça por vinte anos.

Senhorita Espinosa e eu concordamos em nos encontrar lá na manhã seguinte.

ENTREVISTADOR: Você pode descrever a cena do crime?

Sim.

Era um prédio industrial, como afirmei. Quase quarenta metros de comprimento por talvez quinze metros de largura. Uma estrutura de madeira e, a princípio, sua condição parecia coincidir com os edifícios vizinhos, no entanto, notei que a fachada tinha sido recentemente remendada em alguns pontos. Investigações posteriores também revelaram que a entrada havia sido encadeada e trancada. Até onde sei, costumava ser uma loja de chapas de metal. Pelo menos... desculpe, tem uma lata de lixo aqui?

Talvez eu vomite.

Obrigado.

Nós...

[Engasgos]

Desculpe.

Pensei que eu estava vazio.

Não, quero acabar com isso. Depois vou querer o sedativo.

Consegui sentir o cheiro de algo dentro do prédio. Muito fracamente. Imaginei que isso contaria como causa provável, não que eu precisasse de um mandato como civil, mas você nunca esquece o cheiro de um cadáver.

Eles estavam... ruins o bastante para terem o mesmo cheiro.

Eu não havia esquecido como arrombar um cadeado, então me deixei entrar.

Sabe, eu realmente gostaria que fossem cadáveres. Eu realmente gostaria que fosse um serial killer. De verdade.

Por favor, diga que acredita em mim.

ENTREVISTADOR: Eu acredito. Você pode descrever o interior do edifício?

Estou tentando me concentrar nisso. Estou mesmo. Desculpe, é só que eu gostaria de dormir por muito tempo depois disso.

O paramédico está aqui? O sedativo está pronto?

Obrigado, Senhor.

O armazém não havia sido tão abandonado quanto nós fomos levados a acreditar. O interior tinha um corredor com seis cômodos. A construção era antiga, mas visivelmente mais nova que o resto do prédio. As paredes entre cada sala eram insonorizadas. Não havia janelas para o exterior ou portas entre as próprias salas. O único acesso era pelo corredor.

Naquele momento eu tentei fazer a Senhorita Espinosa sair.

Sabe... o cheiro era mais forte, por dentro.

Você conseguia sentir, o cheiro. Como se poeira ficasse presa ao seu nariz. Como grãos de areia por toda a pele.

As salas, hum, as salas continham prensas. Prensas hidráulicas. Prensas personalizadas de um metro e meio de comprimento por dois metros e meio. Não percebi o que eram a princípio, porque estavam pairando sobre o que pareciam ser camas de hospital. Havia bolsas de soro em cada quarto, além de outros equipamentos médicos.

Foi assim que ele os manteve vivos por tanto tempo, é claro.

Acho que talvez eu posso estar vendo pontos negros.

ENTREVISTADOR: Você precisa fazer uma pausa?

A ideia de ter que recomeçar é pior que a de terminar.

ENTREVISTADOR: Então por favor descreva suas próximas ações.

O edifício era obviamente uma cena ativa de crime. Neste momento eu já não tinha mais dúvidas. Estava no covil do que eu acreditava ser um serial killer.

Tentei dizer à Senhorita Espinosa diversas vezes para sair. Ela se recusou, alegando que não seria certo me deixar sozinho. Não havia muito tempo para debatermos isso. Minha opinião sobre ela era que ela era um pouco intrometida, mas basicamente não havia problema, e eu não achava que faria diferença se ela ficasse fora do caminho. Tive que fazer um julgamento para decidir se deveria ou não continuar por mim mesmo, no caso da família, de alguma forma miraculosa, ainda estar viva e talvez em perigo, ou se eu deveria ir embora e pedir ajuda.

Havia dito à minha esposa anteriormente onde eu estava indo, então sabia que minha ausência seria notada e relatada se o pior acontecesse. Nenhum de nós tinha sinal no celular.

Desculpe, estou divagando.

Foi então que ouvi... não chegou a ser um suspiro. Era como um suspiro, mas não exatamente. Não quero descrever além disso.

Houve um som. Isso chamou mais ainda minha atenção. Tive que agir. É o que importa.

Havia algumas escadas no extremo do depósito que levavam para um porão. Disse à Senhorita Espinosa para que ficasse para trás e puxei meu revólver de serviço. Também tinha uma lanterna, que liguei quando desci ao porão.

O porão fora escavado a mão. Talvez ao longo dos vinte anos de desaparecimento. Não sei. O chão era de terra, e havia um túnel que ia longe o bastante para que precisasse ser suportado com colunas em intervalos regulares. Quando minha lanterna iluminou, pela primeira vez, a... pilha...

Eu gostaria que eles estivessem mortos.

Eu gostaria que ele fosse um serial killer.

ENTREVISTADOR: Por favor, faça uma pausa.

Depois que... depois que me recuperei, meu primeiro pensamento foi: "Graças a Deus, eles estão todos mortos."

[Engasgos]

Pelo amor de Deus, tenho sessenta e quatro anos. Não sou mais um jovem capaz de esquecer das coisas. Quando se é jovem, você tem a sensação de ser invencível e que nunca morrerá. Não tenho mais isso para me proteger.

Olhe pra mim choramingando, quando ele fez aquilo com eles.

É minha culpa. Eu deveria tê-los encontrado. Salvado-os, de algum modo.

ENTREVISTADOR: Desculpe, Hob, tenho que perguntar. Você pode descrever a cena?

Sim-

[Engasgos]

Posso.

Eu não sabia, a princípio, para o que eu estava olhando. Caralho, eu ainda não entendo. Era... bem, era uma pilha. Uns sessenta centímetros de espessura, talvez. Pelo cheiro e coloração, era obviamente feita de carne. Eu pensei que talvez ele tivesse os destroçado e empilhado os pedaços. Isso teria sido ruim o bastante. A primeira coisa que me alertou para a verdade foi o globo ocular. No topo da pilha havia um globo ocular perfeitamente redondo no centro de uma cavidade que fora distorcida ao tamanho de um pires. Foi quando percebi pro que estava olhando.

Vinte malditos anos de tortura, basicamente.

Ele manteve toda a família Driscoll sob essas prensas durante vinte anos, mantendo-os vivos por um gotejamento intravenoso, aumentando a pressão sobre eles tão lentamente que seus corpos conseguiram se adaptar, até que foram achatados como... bem, como panquecas. Ele os esmagou por pouco mais de meio centímetro ao ano, por vinte anos. E então os tirou de lá, quando estavam tão quebrados e miseráveis que não se moveriam, sem quaisquer chances de recuperação, e os empilhou uns sobre os outros. Eu não tenho ideia do pra quê. Não quero saber.

E eu ainda estava pensando "Graças a Deus, eles estão todos mortos", até que o que estava no topo começou a ofegar novamente.

ENTREVISTADOR: O que eles disseram?

No começo, nada. Não conseguiam falar sem ajuda. Acho que... era Avery Driscoll. Não que eu pudesse dizer muito sobre o gênero ou a idade. Mas o cabelo era loiro, onde havia cabelo. A cabeça estava uma bagunça de cicatrizes. Acho que o filho da puta que fez isso deve ter removido partes de seus crânios. Não tenho ideia de como suas cabeças ficaram tão planas, do contrário. Não tão planas quanto o resto do corpo, mas planas. Caralho, quem imaginaria como seus cérebros lidaram com aquilo. Seus lábios foram perfurados por dentes por toda parte, depois que as prensas achataram seus narizes, acho.

Avery tinha quatorze anos quando ele desapareceu.

Eu parei de tremer.

Porra, é estranho o modo como nossos corpos trabalham, não é?

O que mais?

Havia uma máquina. Uma espécie de bomba. Eu segui uma mangueira com minha lanterna, e percebi que todos na pilha estavam conectados à bomba. Acho que eles não conseguiam respirar por conta própria, sabe? Não depois de algum tempo. Simplesmente não havia volume suficiente para os pulmões inflarem. Havia algum tipo de incisão diretamente no peito de cada um. Havia um interruptor na bomba. Não sei por que o pressionei. Eu estava em pânico. Eu queria fazer alguma coisa. Talvez uma parte idiota de mim tenha pensado que ligando a máquina eles fossem inflar e ficar bem.

Liguei. O volume de ar da mangueira superior aumentou. Pude ouvir a bomba trabalhando mais.

Foi quando Avery Driscoll começou a gritar.

Ele me implorou para matá-lo. Ele disse outras coisas também. Ele não fazia muito sentido. Continuou gritando "Esposa" repetidas vezes. Algo sobre a "Família" também. Não entendi. Ele estava sofrendo, e imagino que ele tenha enlouquecido vários anos antes.

ENTREVISTADOR: Meu Deus.

Exatamente o que pensei.

Não soube o que fazer. Ele não parava de gritar. Acho que ele estava convencido de que eu era seu torturador. Um olhar mais atento em seu olho revelou que era majoritariamente uma bagunçar de tecido cicatricial branco. Ele estava tão cego quanto um morcego.

Sabe, já falei com vítimas de queimaduras uma vez. Eles me disseram que conseguiram encontrar um sentido e propósito pra vida novamente, depois de algum tempo. Não sei como qualquer um da família Driscoll conseguiria fazer isso.

Falei meu nome, disse a ele que era um detetive. Disse a ele que estava ali para ajudar. Repeti de novo e de novo, sabendo, claro, que ninguém poderia fazer qualquer coisa para ajudar.

Senhorita Espinosa chegou, atraída pelo barulho. Antes de ver a pilha, ela me disse que eu havia gritado e que veio ajudar, mas eu não lembro de tê-lo feito. De qualquer modo, ela chegou. Então ela viu a pilha e gritou, mas eu estava atento à Avery Driscoll. Ele conseguiu ouvir. Ele ficou lúcido por alguns instantes. Foi quase impossível entender o que ele disse, mas eu nunca irei conseguir esquecer.

"Por favor me mate. Dói. Não quero ser um monstro. Por favor me mate. Diga à minha família que morri há muito tempo. Não sei se ainda procuram por mim. Não deixe que saibam o que aconteceu comigo. Por favor me mate."

Ele ainda conseguia chorar e o fez, embora seus canais lacrimais estivessem deformados demais para percebermos as lágrimas.

Eu deveria ter forçado a Senhorita Espinosa a sair. Essa é a única ação que lamento mais do que falhar em resolver o caso vinte anos atrás. Não só por ela mesma, mas pelo que ela fez em seguida. Não acho que ela poderia tê-los ferido mais profundamente mesmo se tentasse. Ela arrancou deles o último conforto que qualquer um naquela pilha poderia ter.

Sabe, eles não foram capazes de falar uns com os outros por vinte longos anos.

Ela disse, "São todos, não é? Essa é toda a família Driscoll. Eles todos estiveram vivos aqui. Toda a família."

Por vinte anos, cada membro da família Driscoll desconheceu que seus companheiros eram os outros membros da família. Todos tinham esperanças de que a família estivesse bem. Todos sonhavam que alguém lá fora os amava e que não estava sofrendo.

Você sabe como soam os gritos de seis pessoas que foram torturadas por duas décadas, esmagadas para uma largura de dez centímetros, e empilhadas umas sobre as outras?

Soam como se as portas do inferno tivessem se aberto.

ENTREVISTADOR: Acho que é o bastante, Detetive Milgate.

Ainda não.

Foi um erro meu. Eu deveria ter tentado mais. Rastreado essa pista. Talvez estivessem dizendo isso, gritando isso. Foi meu erro, então era minha responsabilidade.

Eu atirei neles. Foi difícil, mas eu devia misericórdia à eles. Eu fui quem falhou em salvá-los.

Apenas uma bala foi o suficiente para atingir todos. Eu esvaziei meu revólver, no entanto. Para me certificar que eles não sofreriam mais. Para dar um suspiro de paz à eles.

Era toda a bondade que podia lhes fornecer.

Saímos e pedimos reforço depois disso. Nem a Senhorita Espinosa nem eu queríamos ficar com os corpos. Eu decidi não seguir os investigadores da cena do crime de volta ao porão. Perguntei se poderia fazer minha declaração e sair, e depois que um deles viu o que eu tinha visto, eles concordaram.

Agora posso ter aquele sedativo?

ENTREVISTADOR: Sim... sim, claro.

Obrigado.

Por favor, chame o paramédico. Vou enrolar minha manga. Minha esposa tem diabetes, então estou bem ciente do procedimento. Ah, e por favor, certifique-se de disponibilizar a mesma cortesia para a Senhorita Espinosa. Ela parecia estar pior que eu. Pobre mulher, sequer conseguiu vomitar ou chorar.

ENTREVISTADOR: Claro. Você sabe onde ela está agora? Ela disse à equipe na cena do crime que estava indo pra casa, mas não conseguimos contatá-la.

Você tentou o jornal?

ENTREVISTADOR: Qual jornal?

O Daily World.

ENTREVISTADOR: Você tem certeza? Ninguém com o sobrenome Espinosa trabalha pro Daily World.
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Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

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