23/04/2017

David

Não parece que eles me notam, milhares de pessoas cruzam o meu caminho todos os dias, algumas param, olham e dizem “ele não é adorável?”, ou então “outra obra-prima”.

Outras pessoas só fecham os olhos e não me dão atenção alguma.

Eu tento gritar “Ajude-me!”, mas as palavras não saem pela minha boca, “Por que ninguém vai me ajudar?”

Mas elas apenas continuam com suas rotinas, olhando para mim com ar de admiração e então continuando para onde estão indo.


Quinhentos e doze anos, esse é o tempo que estou aqui em pé e ninguém pareceu perceber que quando dei minha alma ao criar essa estátua amaldiçoada, em algum lugar no meio do caminho, eu, Michelangelo, fiquei preso dentro do mármore que costumava esculpir os meus trabalhos, e agora serei eternamente conhecido como David.



21/04/2017

Creepypasta dos Fãs: Uma nota

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Sou um detetive, ou deveria ser, pois passo o dia arquivando e escrevendo relatórios, seja de assassinatos (raros), seja sobre o gato que fugiu de casa (isso é um tipo de caso mais frequente).

Onde vivo, raramente aparece algo de interessante. É um lugar pequeno e pacato, mas alguns casos são, no mínimo, estranhos. Sei que estou agindo contra a lei e por isso quero me manter no anonimato, só que sinto que preciso compartilhar esses casos com alguém e, talvez, quem sabe, me ajude a entender esses casos.

Este é o primeiro que irei apresentar: Uma nota de suicídio.

Relatório do caso

Nota de suicídio encontrada em um diário. O autor tem a idade aproximada de 16 e 17 anos.

“Para meu querido pai e minha amada mãe,

Eu sei que nunca fui o filho que vocês esperavam, nunca consegui fazer algo que vocês pudessem se orgulhar. Sou um perfeito fracasso, se é que sou perfeito em algo. Não sei ao certo se estou começando esta carta da forma certa, ou o real motivo para eu escrever isto.

Queria ter tido a oportunidade de posar para as fotos da colação de grau e ter a honra de dançar com minha mãe, ou melhor, ganhar o troféu de rei e rainha do baile, para ver meu nome e o da mãe gravados na taça, XX e XX, do baile de formatura, apesar de que você, meu pai, teria um pouco de ciúmes disso, eu acho.

Eu nunca consegui notas boas, nunca pratiquei bem um esporte, nem serei eleito como o presidente do grêmio estudantil. Sequer tive amigos. Peço desculpas por preocupar vocês, por fazer vocês chorarem.

Sinto que poderia ter me esforçado mais para me tornar alguém melhor e digno de poder chamá-los de "pai" e "mãe", entretanto não fui capaz. Queria tanto ser o orgulho de vocês, passar na melhor universidade do estado, ser um grande médio ou engenheiro, cuidar de vocês quando envelhecerem, mas nada disso pude fazer, nada disso passou de uma sonho louco e distante em meu coração.

Gostaria de ter passeado mais com vocês, ter feito mais piqueniques, ver o mar e brincar na areia da praia. Ser uma criança feliz e alegre, poder viver assim ao lado de vocês... Porém, fui incapaz disso.

Espero que vocês sejam felizes e que eu não seja o motivo para todas as suas tristezas.

Amo vocês,
de seu filho idiota"
Estas palavras foram retiradas de uma carta de suicídio de um adolescente encontrada em seu diário. Os pais do rapaz estavam limpando a garagem da casa quando encontraram o diário.

O garoto X (não revelarei seu nome para manter a privacidade de seus pais) teria escrito a carta algumas horas antes de cometer o suicídio e dedicou suas últimas palavras aos pais, que confirmaram que os nomes citados na carta são respectivamente do rapaz e sua mãe (nomes censurados para assegurar a privacidade da família), e ao longo do diário, os pais afirmaram reconhecer descrições da casa residencial e de veraneio da família, provando que
tanto a carta quanto o diário deveriam pertencer a, pelo menos, alguém da família.

Entretanto, alguns fatos tornaram toda a história um caso complexo e intrigante.

1.      Primeiro fato: o casal não possui qualquer parente na faixa etária aproximada do autor do diário, descartando a possibilidade de ser alguém além de seu filho;
2.       Segundo: a polícia recolheu pequenas amostras de sangue no diário e o teste de DNA comprova que o autor teria grandes de chances de ser filho do casal, uma vez que as amostras não foram suficientes para realizar um teste realmente conclusivo;
Terceiro e último fato (talvez o mais importante): o casal afirmou que a mulher havia engravidado anos atrás e que seu filho teria a idade próxima do autor da carta e do diário, porém ele era um natimorto, impossibilitando a execução do suicídio e existência de tais evidências.

Autor: Desconhecido                [Você é o autor? Nos avise!]
Revisão: Gabriela Prado


Creepypasta dos Fãs: 06565

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06565. Um falso DDD vindo de lugares desconhecidos pelos humanos. Um golpe de telefonia que consome todos os créditos, muitos dizem. Número de pactos, dizem outros. O correto seria "um golpe de criaturas que consomem todo o seu ser". Também não deixa de ser um número de pactos. Quem consegue atender a ligação se depara com um silêncio perturbador. Os mais sensíveis escutam uma respiração muito fraca e pesada. Quem retorna a ligação escuta uma gravação pedindo para deixar um recado. Os sortudos (ou azarados, quem sabe?) ouvirão um chiado muito agudo, que pode danificar a saúde auditiva. Aqueles mais resistentes que ficarem com o telefone no ouvido poderão ouvir três vozes de pessoas conhecidas. Geralmente são uma voz de criança, uma de adulto e uma de idoso. Elas falarão simultaneamente. Perguntarão o nome completo e data de nascimento daquele que está do outro lado da linha. Se a pessoa mentir, as consequências serão as mesmas daqueles que irem até o fim. Se a pessoa responder corretamente, presenciará o silêncio ou então a respiração ofegante. Isso pode durar segundos, minutos ou então horas. É muito relativo.

Esperando o suficiente, as vozes retornarão. Estarão surpreendentemente baixas, sendo quase impossível escutá-las. Apenas os que possuem a audição aguçada – os mesmos que conseguem ouvir a respiração ofegante – irão ouvir o que a voz diz. Essa frase muda de pessoa para pessoa, mas é comum ser uma frase marcante, que o indivíduo reconhecerá imediatamente. A maioria desliga o telefone quando escuta a frase, mas não há mais volta. Também terão o mesmo destino dos que vão até o fim, exceto que não poderão fazer um pedido. Se o sujeito repetir a frase exatamente do jeito que ela for dita, as vozes darão os parabéns por chegar até o fim, e dirão para fazer um pedido. Pode ser qualquer coisa, mas essas entidades são espertas. Digamos que a pessoa peça talento. Ela será talentosa, mas talento não é fama. Pode pedir para se casar com o amor da sua vida, mas esse casamento não será saudável. Pode pedir para ser rico, mas pode ser roubado e perder tudo. Enfim, a regra é escolher muito bem o pedido, para driblar as brechas, com quais essa entidade pode “brincar”. Pedidos divinos, como onipotência, não são válidos, e não é possível mudar o pedido ou alterar detalhes.

O ser humano que fizer o pedido correto, por exemplo, pedir para ser sempre rico, terá seu desejo realizado. Quaisquer falhas no desejo pode acarretar em problemas. Essa entidade do número 06565 estará à espreita, a todo momento, procurando a hora certa de atacar com suas traquinagens. Brincadeiras de muito mau gosto, eu diria. Mas ela acha divertido, pois está lidando com pessoas curiosas, e, bem, como dizem, a curiosidade matou o gato. Nesse caso, literalmente. O curioso retornou a ligação desconhecida, com um DDD nunca visto antes. O ser que realizou seu pedido irá fazer de tudo para tirar todas as coisas importantes para ele, lentamente. Cada pequena coisa que tem valor emocional para o indivíduo será violentamente tomada pela entidade. Cada pessoa próxima do sujeito sofrerá de maneira tão pesada e cruel que atingirá (e muito) o curioso. Tudo isso para a diversão desse ser. Quando ele não tiver mais nada para retirar da pessoa, irá desfazer o pedido. Logo após, tentará entrar em contato por telefone. Os mesmos números iniciais. 06565. Se a pessoa não atender, sobreviverá. Se atender, ouvirá as mesmas três vozes familiares, de parentes ou amigos que agora não estão mais no mundo humano. Essas vozes perguntarão se o curioso está bem. É lógico que ele não está, mas em 90% das vezes as pessoas respondem que sim. Isso é um grande erro, principalmente para quem fez um pacto. Mas não há mais volta, não importa a resposta que seja dita. A entidade irá dizer o número do telefone e a pessoa terá que repetir. Se repetir corretamente, será transportada para junto das almas dos seus entes queridos. Se não repetir ou errar, terá um fim trágico em uma terra sem ninguém. Sua alma será enviada para um lugar chamado Ermo, onde não existe nada além de uma enorme vastidão de solo deserto, com neblina por toda parte.

Nunca é dia, nunca é noite. O Ermo possui uma luz fraca, que perdura por toda a eternidade. Não é possível ver um céu. Existe apenas neblina, poeira, terra. Os únicos sons existentes são o do vento quando passa pelos ouvidos, a voz do indivíduo e seus passos. Não existem pedras. O solo é duro, com raras partes macias de areia. A pessoa ficará vagando eternamente pelo Ermo, sem ninguém para conversar, terá frio e fome, como se ainda estivesse vivo. Também terá sede, e, às vezes, calor. Muito calor. Mas por que esse fim horrível apenas por ter uma memória ruim para números? O lugar onde estão os amigos e parentes é ainda pior. Estarão todos juntos, porém sofrerão mais. Tanto que não é possível descrever exatamente com palavras. Digamos que eles terão sua pele arrancada, depois serão jogados em água fervente, em água congelante, em lava, ou terão suas cordas vocais arrancadas, e as entranhas lentamente tiradas para depois serem forçados a engoli-las. Serão estuprados e estripados, de maneira totalmente humilhante, serão forçados a dizer coisas, a fazer coisas (até mesmo uns com os outros), a comer coisas, um verdadeiro inferno. Pois é, esse é REALMENTE o Inferno. Mas você deve estar se perguntando como eu sei de tantas coisas... Quer realmente saber? Então retorne minha ligação e vamos conversar!

Autor: CreepySweetie
Revisão: Gabriela Prado



20/04/2017

Se quer viver, olhe para baixo.

Oi, gente. Notícia meio triste, na real. O PC que eu usava para traduzir estragou, então por algum tempo não vou poder estar postando. Espero que não demore tanto para voltar, porque já estou com saudades. Esse vai ser meu último post por alguns dias, talvez semanas, mas prometo que volto em seguida com todo o gás, beleza? Não esqueci da série, vou continuar com ela! Até vou tentar arranjar outro lugar para traduzir, mas não prometo nada. 

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Sendo um funcionário de manutenção de um hotel por toda minha vida, já vi diversas coisas bizarras durante minha carreira. Não irei te entediar com detalhes sobre pessoas que quebraram vasos sanitários enquanto tentavam dar descargas em pedaços de corpos humanos, ou sobre a outra vez que tive que ligar para o hospital quando encontrei um cara muito, muito, mais muito chapado que tentava "executar" relações sexuais com uma das caldeiras do hotel. É um trabalho muito mais confuso e muito mais nojento do que as palestras no ensino médio fazem parecer. 

Ouvi dizer que aqui¹ é um lugar onde as pessoas vêm para destilar todos os tipos bizarros de coisas que tem em sua mente, e cara, tenho algo surpreendente para te contar. Posso contar o que aconteceu, mas mal consigo começar a explicar a merda que vi, e nem sei se quero. Todos os nomes e locais foram modificados para respeitar os envolvidos. 

Começou no dia 25 de fevereiro de 2016. Eu estava na sala de funcionários do Marriott, preparando uma xícara de café para me sustentar até o intervalo do almoço, quando meu rádio começou a chamar. Estava recebendo uma ligação de Mike Chappell, outro cara da manutenção, que tinha começado a trabalhar ali faziam seis meses. Funcionários iam e vinham constantemente no Marriott - em essência, nós dois éramos trabalhadores de mão-de-obra altamente qualificados. 

"O que foi agora?" Murmurei cansadamente no receptor. 

"Venha aqui na cobertura. Você precisa ver isso."

"O que?"

"Sem tempo para explicações, só venha. Nunca vi algo parecido com isso." 

Peguei o elevador para o último andar e depois subi as escadas que davam para o telhado. Para contexto, é importante saber que ninguém teria ido tão longe sem uma chave de acesso, um molhe de chaves e um conhecimento ávido de várias senhas de alarmes do prédio do Marriot. Mantenha isso em mente. 

Mike me esperava no topo da escada, com uma expressão de preocupado-pra-caralho e segurando uma chave inglesa nas mãos como se fosse usar para defesa pessoal. A porta de acesso ao telhado estava aberta ao seu lado, um vendo frio entrava por ali. 

"Qual o problema, Sr. Misterioso?" Perguntei, chegando no final da escada. 

"É... ela. Ela está aqui faz um tempo."

"Ela?"

Ele gesticulou, com a cabeça, para fora da porta. 

Me inclinando, espiei para dar uma olhada, e vi uma figura parada mais a frente. Ela tinha um emaranhado de cabelos cinza prateado, usava uma camisola branca e as mãos pingavam em vermelho. Sua cabeça estava jogada para trás, olhando diretamente para o céu, como se estivesse em um transe. 

"Há quanto tempo ela está ali?" Sussurrei. 

"Sei lá. A porta estava trancada quando cheguei aqui, então só deus sabe como foi parar aqui em cima."

"Ela fez... alguma coisa?"

"Não, acho que não. Ela está parada ali, daquele jeito, desde que comecei a observá-la." 

"E isso faz quanto tempo?"

"Pelo menos vinte minutos. Já chamei a polícia e uma ambulância. Devem estar chegando."

Quanto mais eu olhava a mulher com os punhos fechados manchados de sangue, mais inconfortável ficava. Havia algo absolutamente desagradável sobre ficar no limbo do desconhecido enquanto esperava a ajuda chegar.

"Me alcance a chave de fenda." Suspirei, esticando o braço para ele.

"Que?"

"Me dê a chave de fenda. Vou fazer umas perguntas para ela."

Mike abriu a boca para protesta, mas ao invés de falar algo, apenas acenou com a cabeça e me entregou a ferramenta sem proferir uma palavra. O cabo estava quente e suado das mãos de Mike, mas dadas as circunstancias, essa não era a maior das minhas preocupações.

Pisei no telhado, arrepios tomando conta do meu corpo. A estranha estava descalça e não vestia nada dos joelhos para baixo, suas panturrilhas e calcanhares cobertos de veias arroxeadas que se assemelhavam a teias de aranhas. Eu ainda não havia visto seu rosto, mas estava claro que era uma mulher muito velha.

"Senhora?" Falei suavemente enquanto me aproximava, segurando a chave de fenda com tanta força que poderia quebrar um tijolo, "Você não devia estar aqui em cima. Está perdida?"

Sem resposta. Cheguei um pouco mais perto.

"Senhora, preciso pedir para que venha comigo. Essa área é área é para funcionários autorizados."

Quando finalmente fiquei em sua frente, ela não olhou para baixo ou deu sinal de que estava ciente da minha presença. Seu rosto tinha mais linhas do que um mapa rodoviário, mas - tirando sua expressão vazia - não parecia apresentar sinais de ameaça. Ela era a tia ou avó de alguém, estava apenas se comportando um pouquinho... estranha.

Abaixando a chave de fenda, estiquei a mão para acenar na frente de seu rosto, desesperadamente tentando receber uma resposta. Se seus olhos não se mexessem, achei que poderíamos estar lidando com uma mulher cega.

"Alguém te trouxe aqui, senhora?" Perguntei, minhas digitais apenas alguns centímetros de seus olhos. 

Sua mão rapidamente agarrou meu pulso como uma garra. Eu gritei abruptamente, menos do choque dela ter me agarrado, mas mais porque finalmente estava olhando suas mãos de perto.

Não havia pele em seus dedos - cada digital tinha sido arrancada para apenas músculo, veias e ossos ficarem visíveis, fazendo com que cada movimento parecesse extremamente doloroso. Era difícil de acreditar, mas de certa forma os dedos da mulher tinham sido esfolados até a juntas, de onde o sangue pingava.

Ela se inclinou em minha direção, sua respiração fedia a desidratação, seus olhos ainda fixos em um ponto invisível no céu. Seus lábios estavam cobertos em camadas de ele morta que me fazia ter vontade de vomitar.

"O Reino está vindo," sibilou entre os dentes, "Não consegue ver?"

Enquanto ela estava absorta com o céu vazio, eu estava sentindo muita dor por conta do aperto de seus dedos envolta de meu pulso. Mike, aquele maldito covarde, continuava parado perto da porta, e eu não conseguia bater com a chave de fenda na cara da senhora - assustado ou não.

"O Reino? Quando está vindo?" Eu grunhi, fingindo interesse, esperando que se eu a acalmasse, ela pararia de cortar a circulação da minha mão.

Ela afrouxou o aperto, seu braço caiu vagarosamente para o lado do corpo. Nada podia tirar sua atenção das nuvens.

"O Reino dos Céus, eu vi em um sonho. Estará aqui em breve - talvez em alguns dias." 

***
Me afastei, esfregando o pulso para fazer a dor passar. Arremanguei a camisa azul do uniforme do trabalho e descobri que hematomas vividos começavam a aparecer. Aquela mulher era bizarramente forte.

Minha especialidade é concertar coisas e não mentes ferradas, então me afastei e lancei para Mike 'Objetor de consciência' Chappell um olhar de raiva.

"Onde diabos você estava quando ela estava aplicando golpes de Kung Fu geriátrico em mim?" Perguntei, enquanto uns policiais e socorristas passava por ele.

"O que você queria que eu fizesse?" Perguntou em resposta, abrindo os braços, como se mostrasse indefeso, "Você que estava com a chave de fenda. Acho que eu ia me impor e dar um soco na cara de uma cidadã idosa?"

Dei de ombros e grunhi, descendo as escadas. Achei que era o final, mas um policial me abordou na saída do elevador.

"A mulher te disse algo estranho?" Um detetive magro e careca nos perguntou, sua caderneta e caneta pronta em mãos.

"Estranho? Que tipo de estranho?" Mike perguntou.

O detetive voltou seu olhar para mim, olhando bem meu nome em meu crachá com aqueles olhos afiados.

"Senhor... Weir?" Perguntou, sobrancelhas erguidas.

"Apenas David, por favor, detetive."

"David, certo. Você é o técnico supervisor daqui, correto?"

"Ahan."

"Posso ter uma palavrinha em particular com você?"

Mike acenou com a cabeça e se afastou de nós, começando a assoviar quando entrou no elevador. O garoto não havia visto o que eu vira. 

"Sou o Detetive Peter Romero, e não preciso dizer que o que te falarei deve ficar somente entre nós dois," disse em tons acelerados, quando teve certeza que Mike não poderia mais ouvir. "Não acredito que esse seja um caso isolado, se é que o que eu acho sobre esse caso seja verdade. Nas últimas semanas houveram 45 casos similares, pessoas se aglomerando em telhados de prédios altos, falando coisas sem sentido; pessoas que não tem conexão uma com a outra, prédios totalmente diferentes."

Enquanto o Detetive Romero dava detalhes sobre o caso, comecei a ter a sensação desagradável que estava sendo enfiado dentro de uma maldita conspiração. 

" que preciso de você, David, é que me diga as exatas palavras que ela disse. Nomes de lugares, nomes de pessoa, qualquer coisa especifica."

Toda aquela situação era muito maluca, mas no rosto de Romero pairava uma expressão mortalmente séria. 

"Ela, hm, não falou muito," Cocei a parte de trás da cabeça, "Ela parecia, no mais, catatônica, como se estivesse em um transe."

Romero anotou tudo que eu disse. Acho que não o vi piscar uma vez sequer.

"Ela mencionou alguma coisa em particular, David?"

"Sim, sim. Ela disse que 'O Reino dos Céus' estava vindo, e que estará aqui em alguns dias."

É. Parecia loucura saindo da minha boca também.

Assim que essas palavras saíram da ponta da minha língua, os olhos de Romero se levantaram. Ele enfiou a mão no bolso de sua jaqueta, pegando um cartão laminado com suas informações, e colocou na minha mão.

"Manteremos contato." Falou, enquanto ia embora andando. 

***

Tentei voltar ao trabalho depois do incidente, mas na verdade só conseguia me sentir enjoado. Meu supervisor tinha ficado sabendo do caso quando Detetive Romero explicou o acontecido, e recebi o resto do dia de folga para tentar superar a experiência que tivera. Um médico que havia sido chamado para a cena até me disse que eu poderia receber um atendimento de emergência, se necessário.

Ao invés de ir à um psiquiatra, decidi lidar com aquilo de um jeito bastante americano: dormindo. Entretanto fui tirado do meu dia inteiro de descanso com uma ligação de Mike. 

Meus olhos pesados fitaram as luzes verdes de LED do meu relógio digital: dizia que já eram 19:30. Lá se vai meu relógio biológico.

Depois de um espreguiçar longo, me estiquei e peguei o celular do criado-mudo, colocando-o contra minha orelha.

"Que foi?" Grunhi.

"Oi, é o Mike."

"Eu sei, eu tenho identificador de chamada. Qual o problema?"

"Nada. Só queria saber se você estava bem, só isso."

"Sim, estou bem, valeu. Foi um longo dia."

Houve um momento de silêncio. Uma pausa sombria. Mike tinha outro motivo para ter ligado.

"O que o Detetive disse para você?" Perguntou.

"Ah, nada demais. Só confirmando alguns detalhes do caso."

"Consegui dar uma palavrinha com os paramédicos sobre a senhora, acontece que ela escapou de um lar miserável de idosos nos subúrbios."

"Bom para ela." Falei, esfregando meus olhos sonolentos.

"Mas ainda vou te contar a coisa louca. Sabe os dedos fodidos dela, e como eu disse para você que a porta do terraço estava trancada quando eu cheguei?"

"Sim e sim." 

"Os faxineiros encontraram pele, sangue e digitais por toda extensão lateral do prédio. Ela escalou aquela porra!" 

Me sentei em um pulo em choque.

"Não, isso é impossível. Aquele prédio tem centenas de metros de altura e a mulher parecia ter centenas de anos!"

Improvável, sim. Impossível? Aparentemente não. E ela não é uma velhinha louca comum, precisaram de quatro paramédicos e dois policiais para colocá-la na ambulância."

"Mentira."

"Não tô brincando! Eu vi ela dando uma cabeçada em um dos policias que tentou fazê-la parar de olhar para cima, eu achei que o coitado não ia conseguir levantar mais." 

Naquele momento, eu sentia que era eu que tinha levado uma cabeçada. Cai de volta na cama, minhas mãos tremulas mal conseguindo segurar o telefone. Aquela senhora de aparência frágil tinha quase esmigalhado meu pulso; se havia um motivo para eu estar incrédulo, era o simples fato de não querer considerar o significado real daquilo tudo. 

"De qualquer forma, Dave, melhor eu ir agora, ou a dona vai achar que eu estou traindo. Se cuida, viu?"

"Sim, sim. Te vejo amanhã, Mikey." 

Desliguei e deixei o celular cair no chão do quarto. Não consegui mais nem um minuto de sono pelo resto da noite.

"O Reino dos Céus, eu vi em um sonho. Estará aqui em breve - talvez em alguns dias." 

No dia seguinte, Mike e eu nos encontramos na escadaria para o terraço. Nós dois parecíamos cansados, com cara de quem não dormira, e podíamos dizer, mesmo sem proferir uma palavra, que estávamos ali pelo mesmo motivo. 

"Subindo?" Perguntou, a voz falhando um pouco.

"Aonde mais?"

Nós dois chegamos no topo da escada, Mike destrancou a porta e pisamos no terraço. Eu adoraria dizer o contrário, mas na verdade, nossos maiores pesadelos viraram realidade.

Haviam três pessoas lá de pé, todos olhando diretamente para o céu.

Uma era Maria, uma faxineira espanhola do Marriott. Os outros dois pareciam mendigos: um alto e mirrado, outro baixo e impassível. Os três tinham as mãos vermelhas de sangue.

"Puta merda." Mike falou em voz alta, depois tapando a boca.

Não consegui falar nada. Não precisava. Se olhares pudessem matar, naquele momento meu rosto era uma bomba atômica

Sem pensar, fui andando rapidamente em direção de Maria. Eu a conhecia desde que tinha começado a trabalhar ali, e ela era uma das mulheres mais queridas que eu já conhecera em minha vida. Essa loucura toda não era coisa de seu feitio.

"Maria, por favor, sai dessa." Falei, passando os dedos na frente de seu rosto.

"El Reino del Cielo. Lo vi en un sueño." Falou, com uma voz rouca diferente da normal. 

"Está vindo. Amanhã, vai estar aqui." O homem alto falou, sua voz em um tom gélido e monótono.

Dei com o punho fechado no lado de minha própria cabeça, esperando que isso me acordasse de um sonho ruim que poderia estar tendo. Todas as fibras de meu corpo estavam gritando que eu tinha que ligar para Romero, que eu precisava saber mais. Mas meus pensamentos foram interrompidos.

"Hm, David..." Mike disse, com a voz de um homem que tentava desesperadamente manter a compostura, "Você vai querer ver isso... só prometa que não vai surtar, tá?"

Ele estava perto da beira do terraço, se inclinando da barreira de proteção com os olhos cheios de descrença. Assustadamente, eu espiei atrevidamente por trás dele, para ver o que estava vendo.

Era ela, a senhora idosa de ontem. Ela estava escalando o prédio comercial que ficava ao lado do nosso como se fosse uma maldita aranha, seus braços finos e pernas esqueléticas se agarrando freneticamente nas janelas de vidro e paredes de concreto. Mas não estava sozinha, haviam várias pessoas, por volta de cinquenta, fazendo a mesma coisa - escalando os prédios como uma infestação de baratas. Era algo saído diretamente de um filme de terror. 

"O que vamos fazer?" Mike perguntou.

"Não acho que tenha algo que podemos fazer."

Atrás de nós, o sem-teto baixinho murmurou, "O Reino dos Céus irá receber todos nós."

Precisei controlar cada molécula do meu ser para não o jogar lá de cima. 

***
Mais tarde naquela noite, depois que voltei para casa e as autoridades deram seu melhor para controlar aquela loucura na cidade, comecei a ligar freneticamente para o Detetive Romero. Talvez o cartão estivesse desatualizado, ou talvez estivesse ocupado demais com tudo que acontecia na cidade, mas não atendeu nenhuma de minhas ligações. Todas foram direito para caixa de mensagem. 

Mais uma noite sem dormir, minha mente continuava a circular em volta do mendigo magro. Ele havia dito que o Reino dos Céus chegaria amanhã. Amanhã, para todos os efeitos, eram dali poucas horas. 

Estamos em contagem regressiva para a chegada do Reino dos céus. 

Fui para o trabalho na manhã seguinte sentindo como se houvessem pedras nas minhas tripas; uma sensação persistente de ansiedade que, mesmo me esforçando ao máximo, sempre me puxava para baixo. 

Esperando encontrar Mike, acampei no topo da escada por quase uma hora, com uma sensação bizarra, imaginando porque ele não tinha vindo. Dei mais uma meia hora, mas como não veio, abri a porta do terraço. 

Na minha mente, rezava para Deus que eu estivesse louco. 

Quando peguei na maçaneta, percebi que já estava destrancada. Engolindo o nó na minha garganta, girei o punho e abri a porta, já tendo certeza absoluta do que estava por vir. 

O terraço estava cheio. Haviam no mínimo umas sessenta pessoas, todas olhando para o céu como zumbis, a maioria com as mãos pingando sangue. 

Exceto por Mike, é claro, ele tinha uma cópia das chaves. 

Mike estava de pé no mesmo lugar do dia anterior, sua coluna tão reta quanto um poste, sua cabeça jogada desconfortavelmente para trás, apontando o queixo para o céu. Senti meu coração cair do peito junto com as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Não podia ser verdade, não podia. 

Corri até ele e o sacudo pelos ombros, mas ele não se moveu um só centímetro. 

"Mikey, por favor, sai dessa, cara! Esse não é você!" Eu sacudi-o mais vigorosamente, tentando controlar os soluços de completo horror, "Vamos, Mikey, isso é uma loucura. Não podemos..."

Minha língua parou de funcionar quando olhei por cima do ombro de Mike. Todos os terraços que meus olhos podiam alcançar estavam como o nosso, amontoados de pessoas. Alguns ainda escalavam as paredes com suas mãos e pés sangrentos, enquanto outros milhares já olhavam para o céu infinito e suas nuvens. 

Os que ainda estavam sãos, ficavam vagando pelas ruas lá em baixo, tentando entender aquela histeria em massa. 

Peguei meu celular e digitei rapidamente o número de Romero, querendo entender o que acontecia. 

Infelizmente, obtive resposta. 

O telefone tocava audivelmente atrás de mim, virei em meus calcanhares e vi Romero na multidão, seus enormes olhos olhando um ponto invisível no céu - suas mãos magras banhadas em vermelho. 

"O Reino dos Céus," disse em um tom totalmente neutro, "Está a poucos minutos daqui."

A altitude estava me estrangulando. Gritei com todos meus pulmões, descendo as escadas e socando os botões do elevador. Eu não ligava mais, tudo que eu me importava é de manter uma distância daquela loucura que havia afetado Mikey, Romero e todos os outros. 

Eu não me senti seguro até que meus pés beijaram o asfalto. Grupos de pessoas se aglomeravam nas ruas, pulsando com um medo absurdo. A maioria dos arranha-céus estavam lotados dos maníacos do Reino do Céu. Dava para ver que estava tão lotado que as pessoas quase caiam pelas beiradas. 

Mas antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, o tempo pareceu escurecer, como um eclipse solar instantâneo. Então, o som começou. 

Desafia qualquer descrição, era como se alguém pegasse uma furadeira e enfiasse no seu tímpano que acabara de ser lavado com ácido. Essas batidas ensurdecedoras que vinha de todos os lugares e de lugar nenhum ao mesmo tempo, tão poderoso que fez que todos caíssem de joelhos. Nossos olhos estão fixos no chão, tampando os ouvidos em completa agonia, sem entender que porra estava acontecendo em cima de nós. 

A única coisa que soava mais alta do que aquele som esquecido por Deus, eram os gritos. 

Eu acho que o que aconteceu foi que o "Reino dos Céus" sumiu depois de 60 segundos que chegou. A escuridão sumiu e o som cessou, nos deixando com uma luz brilhante e um silêncio perfeito. Mas o mais impressionante é que todas as pessoas dos terraços haviam sumido. 

Corri de volta para dentro do Marriott, pegando o elevador e indo para o último andar, depois voando pelas escadas. Foi uma velocidade impressionante para um homem de meia-idade como eu. Eu só precisava saber se Mikey e Romero e todos outros estavam bem. Eu preferia-os loucos do que mortos. 

Quando abri a porta do terraço, não sabia o que esperar. Não havia ninguém, nenhum corpo, nem partes de corpos. Apenas uma poça de um centímetro de sangue que cobria todo o chão de cimento.  

Fiquei em completo estado de choque, sem conseguir reagir, sem saber o que pensar. Meus olhos vagavam por toda a extensão do terraço, todo escarlate. Todos haviam sumido: Mikey, Romero, o senhor e todos os outros. Todos sumiram, nada além de sangue e a memória de seus gritos finais.  

Até hoje não sei bem o que aconteceu. Não sei porque afetou as pessoas que afeitou, porque fez com que escalassem prédios e esperassem, e muito menos o que diabos é o "Reino dos Céus". É apenas um mistério muito doloroso - e eu nem sei se quero realmente saber as verdades.  

Mas tenho certeza de duas coisas. Primeiro, aquilo era tudo, menos o Céu - pelo menos não o que conhecemos. 


Segunda? Quando o Reino dos Céus chegar até você, se quiser viver, olhe para baixo. 
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¹ O autor está se referindo ao subfórum do reddit chamado /nosleep, onde pode-se encontrar milhares de contos macabros e sobrenaturais ditos reais.


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!



15/04/2017

A ''Depressão'' do Papai

Meu nome é Eliza e sábado fui no shopping com a minha mãe Betty, ganhei dela um par de botas vermelhas da seção infantil, voltamos para casa subi até o quarto, deitei e peguei no sono, quando acordei encontrei a mamãe me olhando com os olhos molhados. 

Perguntei se ela queria um abraço e ela disse que sim com a cabeça, ela estava com um cheiro forte na boca e o cabelo parecia com o cabelo das bonecas que eu não brinco mais. Meu pai dorme o dia todo e tem a saúde muito frágil, mas sempre antes de dormir vou até o quarto dar um beijo de boa noite, acho que ajuda a melhorar, espero que o papai fique bom logo para brincar de cavalinho comigo. 

Era tão bom quando ficava mais tempo com a gente, sempre ficávamos na sala assistindo o Show do Barney enquanto minha mãe fazia torradas com queijo. 

Tudo mudou quando meu pai começou a me pegar na escola, passava muito tempo conversando com a senhorita Blun minha professora, ela sempre mexia no cabelo enquanto conversava com ele, tirei uma foto e mostrei para minha mãe, queria mostrar a amiga que o papai tinha feito, não sei porque, mas ela começou a chorar muito, perguntei o que tinha acontecido e ela me mandou ir para o quarto, disse que precisava conversar com o papai. 

Desde então as coisas mudaram, agora meu pai vive fraco e doente, mamãe disse que ele contou uma mentira e ficou tão triste que pegou uma doença chamada depressão, já pesquisei no google e é uma doença que deixa as pessoas muito tristes. 

A senhorita Blun pergunta muito sobre o meu pai, mas sempre digo que ele está viajando, minha mãe disse que a senhorita Blun é uma mulher muito má e que só deixa o meu pai ainda mais triste, mas não entendo porque ele sempre sorria quando estava perto dela.

Hoje é dia de faxina, vamos arrumar o quarto do meu pai, tem muita poeira em cima dos porta-retratos, acho que ela não gosta mais deles, semana passada jogou alguns no lixo, disse que estavam muito velhos. 

Minha mãe acabou de me chamar, papai está acordando, é hora de levar os remédios.. 

(Espero que tenham gostado, logo logo vou fazer umas maiores e desculpem por não estar respondendo os comentários, ando sem tempo.)  



14/04/2017

Creepypasta dos Fãs: Demônio da máscara branca

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Essa é uma lenda urbana pouco conhecida. O suposto demônio chama-se Rughajar. Ele é conhecido por usar roupas pretas e uma máscara branca muito sutil. Tem uma forma humana e, sem a máscara, é como se fosse um ser humano qualquer. Segundo alguns relatos, a sua máscara é o que lhe dá poder (então, se você conseguir tirar sua máscara, ele ficará um século sem aparecer).

Além disso, ele usa uma faca, com a qual ele termina de matar suas vítimas. Segundo a lenda, ele apenas se manifesta na América do Sul. Este demônio tanto pode ser invocado quanto aparecer normalmente, vagando por lugares pouco movimentados. Ele só pode ser visto por aqueles que já presenciaram acontecimentos sobrenaturais.

O último relato foi no século passado, em 1916, no Chile, por um grupo de quatro adolescentes. Mas eles não invocaram o demônio.A casa deles ficava em uma cidadezinha muito pequena (nome desconhecido), e eles haviam feito algum tipo de jogo com espíritos, há cerca de um ano antes do demônio começar a vigiar os adolescentes. Mas certo dia, eles notaram acontecimentos estranhos, e descobriram que era o Rughajar.

Uma semana depois de terem certeza de que viram algo diferente, todos estavam na casa de Crag (um dos quatro adolescentes) e viram que a porta havia se destrancado sozinha, e quando eles foram ver o que era, Rughajar apareceu e levantou a mão e, sem contato físico, empurrou com algum tipo de poder o Crag para outro quarto e fechou a porta, também com esse tal poder. Quando Crag conseguiu sair do quarto, viu seus três amigos, todos esfaqueados e mortos, além de uma máscara branca.

Essa história foi contada por Crag à polícia,no dia do assassinato, dia 14 de novembro de 1916, mas obviamente, os policiais não acreditaram e levaram Crag para uma clínica psiquiátrica. Os policiais levaram a máscara para a delegacia e guardaram em um lugar onde ficavam todos os artefatos encontrados em cenas do crime. No dia seguinte, a máscara não estava lá, e nunca mais foi encontrada.

Muitas pessoas acreditam na história de Crag e, segundo ele, a máscara foi encontrada nas mãos de seu outro amigo Carlos, o qual supostamente a arrancou do rosto do Demônio da máscara branca. Como em todas as delegacias se tiram fotos dos artefatos usados em crimes,eles conseguiram tirar uma foto da suposta máscara, antes desta ser roubada.
Crag habitou a clínica psiquiátrica até o fim de sua vida.


Este ano vai fazer exatamente cem anos do caso. Um século que a máscara foi tirada de Rughajar... Então, cuidem-se, meus amigos.

Autor: Luiz Eduardo
Revisão: Gabriela Prado


Creepypasta dos Fãs: Falha na Matrix

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Esta é uma história real.

Era um sonho vívido, com detalhes macabros e firmemente desenhados.

Durante aquela época, eu estudava em um Colégio Militar do Exército, localizado em uma das capitais nordestinas e neste eu estava durante o sonhar. Caminhar por dentre a escola me trazia um prazer estranho, desprovido de qualquer noção espaço-temporal. Punha-me a passear a bel prazer até deparar-me com a sala onde estudava. 602 era sua numeração.

Não estava bem curiosa pela possibilidade de adentrar lá, já que, de onde estava, poderia muito bem continuar aproveitando.

Mas uma sensação massiva me consumiu, impelindo-me a seguir em frente. Sentados a minha frente, encontravam-se três conhecidos. Estranhei observá-los naquela posição. Estavam vidrados, mas pareciam tranquilos. Andei até um deles e acariciei suas pálidas maçãs do rosto, porém, ele não se movia. Não sei o porquê de ter feito aquilo. Era tudo simplesmente surreal.

Um dos ventiladores de teto (que contribuíam na climatização, já que não possuíamos um condicionador de ar) postou-se a girar incessante e velozmente. Eu estava relativamente calma até o momento em que as hélices do mesmo se partiram, em consequência de uma ferrugem (não, eu não sei como estava a par disto) e voaram a desfigurar violentamente os rostos dos ali presentes, exceto por mim. Não deu tempo de sentir o desespero. De supetão, acordei.

Preparei-me para ir a escola e tive um dia normal.

Até o final do recreio.


Foi quando retornei à sala e percebi uma hélice enferrujada sobre minha mesa.

Autor: Anna Beatriz Angelo
Revisão: Gabriela Prado


12/04/2017

Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 4)

(PARTE 1) - (PARTE 2) - (PARTE 3)

Era março, o mês do oitavo aniversário da minha filha. Enquanto o dia se aproximava, minha ansiedade aumentava; sentia que aquele seria uma época ideal para o doente maldito fazer alguma coisa de novo. Demos todos os presentes que Katie pediu, e íamos fazer uma festa em casa no dia, sendo que naquele ano cairia em um sábado. Fizemos todos os preparos no jardim. Era uma festa com o tema de artes e afins, o qual fiquei relutante de fazer, por motivos óbvios. Mas minha filha era a definição de artista. Inspirada, motivada, e eu tinha muito orgulho disso. Mas só eu sabia aonde alguns trabalhos dela tinham ido parar e para que estavam sendo usados, e isso partia meu coração.

Tudo ocorreu bem na festa. Todos seus amigos apareceram, todos se divertiram. Comemos e logo ela estava implorando para abrir os presentes, então deixamos. Colocamos todos sobre uma mesa no jardim.  Quanto mais presentes abria, mais feliz ficava. Então chegamos em um presente que não tinha um cartão de "DE:/PARA:". Fiquei com os olhos grudados nele. Estava embrulhado no mesmo papel de presente em que eu encontrara a fita cassete alguns meses atrás.

Finalmente ele tinha vencido. Eu não tinha como pular e arrancar o presente das mãos de minha filha sem que minha esposa percebesse. Mas também não podia deixá-la abrir aquilo. Eu não sabia o que fazer. Eu não tinha muito tempo para pensar, eu nem sequer havia pensado naquela probabilidade. Ela abriu o presente e puxou um papel dobrado de dentro. Deixei a cabeça cair para baixo. O que seria dessa vez? Então ela disse.

"É um dos meus desenhos que foi roubado!" Falou com um tom de total alegria. Ela claramente não entendia o que aquilo significava. Minha esposa olhou para mim. Apenas balancei a cabeça. Minha mulher se levantou e pegou o desenho, depois a caixa. Katie tentou questionar, mas Kimmy mandou que ela seguisse para o próximo presente, o que fez com prazer. Entramos para casa enquanto os outros pais supervisionavam o resto da abertura de presentes. Peguei a caixa das mãos de minha esposa e mandei que me desse o desenho, mas ela se recusou. Perguntou o que diabos estava acontecendo.

Contei tudo. Contei sobre o hotel, de onde Roscoe tinha vindo, o que realmente tinha acontecido com ele, a fita, os B.O na polícia, falei tudo. No final ela já estava debulhando-se em lágrimas, e eu não posso condená-la por isso. Ficou furiosa comigo por eu ter mantido tudo aquilo em segredo, e tinha razão em estar, mas eu sentia que aquilo era o certo a se fazer. Pelo menos conseguimos que nossa filha não visse o que estava dentro da caixa.

Depois de contar tudo, minha mulher abriu o desenho. Esse era uma pintura. Entenda que, quando digo que minha filha é uma grande fã de arte, não estou dizendo só de desenhos com lápis de cor, porque só isso não a satisfaz. Ela faz desenhos, pinta, usa giz de cera, giz pastel, tinta óleo, carvão, tudo. Qualquer coisa que possa virar uma imagem, ela usará. E suas artes são sobre qualquer coisa: pessoas, coisas, você fala, ela desenha. Enquanto crescia, costumava sempre dizer que queria ser uma artista e que "queria pintar o mundo". Na verdade, é muito inspirador. Mantinha tudo que fazia em seu "portfólio". E naquela noite em que o maldito roubou isso dela, roubou um pedacinho de sua alma.

O desenho era de nosso filho, Alex. A alteração era evidente. Vários arbustos foram pintados, com um homem desenhado crua mente no meio, ao lado de nosso filho. No todo da folha tinha uma mensagem escrita em vermelho.

"Eu e seu irmão çomos amigos agora. Qando noz vamos ser amigos?"

Isso fez com que um arrepio descesse pela minha espinha. Todos os tipos de cenário passaram pela minha mente. Esse homem tinha sequestrado meu filho? Minha mulher correu para fora para buscar Alex, e eu olhei dentro da caixa. Havia um conjunto de lápis de desenho. Junto, um bilhete formal.

"Nunca pare de desenhar."

Minha esposa voltou para a cozinha junto de meu filho, onde eu estava esperando, suando frio. Perguntamos para ele se algum homem ou mulher tinha falado com ele recentemente, algo que ele negou. Falamos que não ficaria encrencado caso isso tivesse acontecido, mas insistiu que não tinha falado com ninguém. Perguntamos se talvez tivesse conhecido alguém na hora do recreio, ou em algum outro lugar na escola, mas ele continuou na negativa. Acreditei nele. Era um menino esperto. Mas minha esposa não tinha tanta certeza. Educadamente, encerramos a festa logo depois que Katie abriu todos os presentes, e assim, uma por uma, as crianças foram sendo pegas por seus pais, enquanto os adultos perguntavam se estava tudo bem. Falamos que era apenas uma emergência familiar.

A polícia perguntou para meu filho a mesma coisa que já tínhamos questionado, receberam a mesma resposta. O detetive chegou a mesma conclusão que nós: que esse incidente em particular era para nos assustar, mas não que houvesse realmente acontecido. Por causa do grande espaçamento entre os acontecimentos, a polícia pediu que começarmos a questionar amigos, para ter certeza que não era apenas uma pegadinha muito bem elaborada. Eu teria rido na cara deles, se não tivesse ficado além da raiva. O homem que estava fazendo aquilo era um assassino. Eu tinha visto isso com meus próprios olhos. Eu sabia que não era uma brincadeira.

As coisas acalmaram mais uma vez por mais ou menos um mês. Todo dia minha esposa estava olhando a caixa do correio. Não sei se estava ansiosa para receber uma nova carta e descobrir quem era o desgraçado, ou apenas aliviada de não ter nada lá. Isso fez com que nosso casamento se tornasse uma ponte quebrada. Kimmy odiava o fato de eu ter mantido algo tão sério em segredo, e isso fez com que ficasse ressentida comigo. Ela nunca superou isso, mas eu não a culpo por isso.

Em um dia no meio de abril, eu peguei as crianças na escola e depois que chegamos em casa, Katie subiu para o segundo andar para guardar sua mochila e começar a fazer suas tarefas. Depois de uns dois minutos ela desceu e me encontrou na sala. Suas palavras caíram pesadamente no meu colo, doeu fisicamente.

"Papai, alguém deixou uma carta para mim"

Engoli o caroço que se formou instantaneamente na minha garganta e me levantei tão rápido que a cadeira de madeira em que eu estava sentado caiu no chão. Eu atravessei a sala correndo e peguei a carta da mão de Katie.

"Querida Katie,

Eu gostaria muinto de ser seu amigo. Não tenho muintos amigos, mas seus dezenhos me fazem felis e são muinto bons! Voce é uma artista muinto muinto boa e quero ser amigo de uma pessoa tao talentoza assim. Acho que sua mamae e papai nao iam gostar que noz ser amigos, então podia ser nosso segredo legal. Eu quero que você faça muintos e muitos e muitos dezenhos para mim para eu poder olhar todas as oras. Tomara que podemos ser amigos."

A carta não estava assinada.

Fui submerso em um tsunami de emoções. Tristeza, porque agora minha filha tinha sido colocada diretamente no meio dessa confusão. Raiva, de que esse homem continuava a assombrar nossa família apesar de todos nossos esforços para encontrá-lo. E provavelmente a emoção mais proeminente era o medo, pois parecia que eu não tinha como nos proteger daquele monstro invisível. Liguei para minha esposa no seu trabalho, que veio para casa imediatamente. Levamos a carta para a polícia e eles a guardaram como prova e para tentar achar digitais, o que não aconteceu, claro.

Eu e minha esposa tivemos uma longa conversa. Pesamos nossas opções. Decidimos manter as crinas em casa e/ou conosco todo o tempo, incluindo tirá-los da escola e todas as outras atividades extracurriculares, ou nos mudar. Escolhemos a última opção.

Colocamos nossa casa para vender e nos mudamos dentro de uma semana e meia. Depois de ficar em um apartamento em outra cidade até maio, então nos mudamos para uma casa estilo de fazenda de um piso no sul do Colorado. Matriculamos as crianças em uma escola, e minha esposa foi transferida de hospital. No geral, a mudança não foi uma transição difícil de se processar. E por uns cinco meses, parecia ter funcionado. Não havia sinal do perseguidor. Nosso verão passou sem nenhum incidente. Fizemos uma viagem tranquila de carro para Flórida, a qual as crianças adoraram. Eu e minha esposa conseguimos recuperar nosso casamento. As coisas pareciam melhorar para nossa família. Isso é, até que voltamos para casa em uma tarde no final de setembro.

Minha esposa tinha acabado de pegar a correspondência e tinha uma carta de um advogado. O conteúdo era sobre o testamento de minha mãe. Meu coração pareceu ter caído do peito como não fazia a tempos. Minha mãe não estava morta. Imediatamente eu peguei o telefone e tentei ligar para ela. Caiu direito na caixa de mensagens. Comecei a entrar em pânico, não sabia o que fazer. Liguei para minha tia, novamente ninguém atendeu. Meu mundo estava se despedaçando à minha volta. Finalmente me lembrei de ligar para o lar de idosos onde minha mãe morava, e quando falaram "já vamos transferir a ligação para o quarto", suspirei aliviado.

A linha tocou, tocou e tocou, até que finalmente alguém atendeu. Era minha mãe.

"Alô?" Ela perguntou, sua voz doce como sempre.

"Meu Deus, mãe, você está bem?"

"Bem, estou, querido. Tudo bem. Por que a pergunta?"

"Acabei de receber uma-"

Foi aí que eu entendi. Ele havia feito aquilo. Tinha descoberto onde estávamos morando e tinha feito aquela porra. Gaguejei um pouco antes de falar para minha mãe que a amava e que logo ligaria de novo para ela. Minha esposa perguntou o que eu estava pensando e contei; ela concordou, aquilo era uma brincadeira de mau gosto. Quando minha esposa olhou o resto das correspondências, tinha outro envelope, esse com o nome de Katie. Era um desenho que Katie havia feito de sua avó, só que no lugar dos olhos haviam dois X desenhados bruscamente.

Aquela imagem estará para sempre gravada na minha mente. Me deixou fisicamente doente naquela época. Chorei muito. Sentia que não tinha como proteger minha mãe, não sem deixar minha própria família vulnerável. Liguei para o detetive lá da Califórnia que cuidava do caso e contei as novidades. Ele concordou de colocar um policial disfarçado no lar de idosos pelas próximas duas semanas, algo que me deu paz de espirito por um tempo.

Nada aconteceu com minha mãe, graças a Deus. Suas brincadeiras doentias eram só isso, brincadeiras. Eu já estava no limite com toda essa situação. Sentia que aquilo nunca ia acabar. A época de calmaria seguinte foi a mais longa. Sete meses sem o perseguidor entrar em contato. Então algo aconteceu que fez com que eu desejasse mais que tudo terminar com aquilo. Recebi uma caixa com o meu nome, com o remetente sendo um ":(". Abri a caixa e encontrei uma mão decepada de criança.

Estava muito decomposta, as unhas tinham sido recentemente pintadas. As impressões digitais estavam queimas a um ponto que não tinham condições de serem identificadas. Junto com a mão estava uma foto Polaroid de uma menininha sorrindo. Era a menina da fita. Se a polícia não conseguia, eu ia tentar sozinho descobrir quem era ela. Eu estava determinado em obter respostas. 


EM BREVE: Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 5)


FONTE: NC

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


09/04/2017

A Nova Noiva

(Autor: Desconhecido.)

Durante a recepção de casamento de um jovem casal, os convidados decidiram brincar de esconde-esconde. Foi decidido que o noivo deveria contar; ele acabou encontrando a todos, menos a sua noiva. Eventualmente, o homem ficou furioso e decidiu desistir, aquilo não era mais engraçado. Com o passar das semanas, ele pensou que a garota tinha segundas inteções e decidiu seguir sua vida por conta própria.


Poucos anos depois, uma faxineira tirava o pó de uma velha arca no sótão do edifício que ocorrera a recepção. Por curiosidade, ela abriu. Dentro havia o corpo apodrecido da noiva que havia desaparecido, aparentemente trancada no lugar onde havia se escondido. Não era possível descobrir se ela havia morrido sufocada ou de fome, mas seu rosto estava congelado em um grito e havia arranhões no interior da arca; ela tentou voltar para o homem que amava.


Micropastas de SnakeTongue - PARTE 2 (+18)

Nota da tradutora: Perdão por não ter continuado a postar a antologia no domingo passado, acabou não dando, mas agora está aqui, mais três creepies! Espero que gostem! \o/
Semana que vem tem a última parte, se tudo der certo!

O Pressentimento


Continuo a ter o mesmo sonho toda noite. É um pesadelo repetitivo que eu simplesmente não consigo tirar da minha cabeça.

Mais ou menos, às quatro da manhã, eu sempre acordo banhada em suor frio. Às vezes eu acordo gritando. Mas por mais que eu tente, nunca consigo me lembrar exatamente sobre o que eu estava sonhando. Tudo o que me recordo são de pequenos detalhes. A emoção do medo, a sensação de estômago repuxado e de agarrar alguma coisa em frente a mim com firmeza no sonho antes de acordar.

Acho que pode ser algum tipo de aviso... Uma premonição de que algo terrivelmente ruim está para acontecer, mas o que? Mas o que poderia ser?

A paranoia tomou conta de minha mente e de meu corpo. Todo lugar que vou, vivo em constante medo de que alguém ou algo esteja me perseguindo. Essa tensão alcança seu pico um dia, quando estou dirigindo do trabalho.

Percebi que o carro atrás de mim fez a mesma curva que eu. Inicialmente, achei que estivéssemos indo na mesma direção, e não fiz nada. Então, fizemos a mesma curva novamente, e novamente. Senti o medo vindo de dentro de mim e comecei a acelerar. Quando fizemos a mesma curva mais uma vez, comecei a correr de 17 a 33 km por hora acima do limite de velocidade, olhando constantemente para trás e para o espelho retrovisor.

Era tarde demais para ver a criança na bicicleta enquanto ele desviava em frente o meu carro.

Quando bati nos freios, senti meu estômago se repuxar e minha mão agarrar a coluna de direção com firmeza, enquanto o corpo da criança batia em meu carro e passava pelo primeiro conjunto de pneus.


A cama de John

John não queria comprar uma cama nova. Porque ele faria isso, quando tinha uma cama novinha em folha escondida no depósito?

O cheiro de mofo era quase insuportável, mas isso foi rapidamente consertado. O que realmente fez John se sentir desconfortável foi o fato de que sua mãe havia morrido naquele colchão. Ele sentiu um arrepio subir por sua espinha, mas ele sorriu, apesar de tudo. Sua mãe estava provavelmente se revirando na cova nesse exato momento, considerando que suas últimas palavras foram "Apodreça no inferno, seu pedaço de merda".

A primeira noite que ele se deitou naquela cama, sentiu algo em sua perna, pouco antes de cair no sono. Era uma leve sensação de formigamento, como se alguém estivesse passando os dedos por ela enquanto dormia. Ele se desviou levemente antes de cair em um sono profundo.

Ao acordar no dia seguinte, John se sentia extremamente doente. Ele cogitou a hipótese de que poderia ter pego uma gripe e passou o dia inteiro em casa, sentindo-se extremamente deplorável.

Na próxima noite, a mesma coisa aconteceu como na noite passada. Ele conseguia momentaneamente sentir algo tocando sua perna. Quando isso aconteceu, ele começou a acordar. Ao acender a luz, ele descobriu que não havia ninguém no quarto. Ao imaginar que poderia ser o fantasma de sua mãe vindo assombrá-lo, sentiu um calafrio percorrer seu corpo. Como estava muito doente, optou por descansar a investigar, e voltou a dormir.

Na noite seguinte, seus sintomas só tinham piorado, e então ele decidiu que iria ligar para um médico após mais um dia de descanso. Ele desabou na cama, exausto devido a gripe, e em alguns minutos começou a roncar.

Foi nesse momento que milhares de aranhas rastejaram para fora do buraco no colchão onde moravam.  Seus corpos grandes e peludos rastejaram por todo o corpo de John. Algumas delas deslizaram suavemente para dentro de sua boca, onde estava quente e molhado. Logo ele estaria morto. Elas estavam mordendo ele durante o sono há dias, e o veneno delas potente e rápido. Quando ele morresse, elas teriam um banquete para se deliciarem, e seus corpos ficariam ainda mais gordos.


Cachorro Perdido

Há alguns dias, eu perdi o meu cachorro, e nem consigo pensar no que acontecerá se eu jamais o vir novamente.

Era uma bela manhã de domingo, e eu estava no parque treinando o Rocco. Ele sempre foi um bom cachorro. Não me importo com quantas pessoas me olham e riem quando estou treinando ele. Quando acabamos, ele lambeu o meu rosto, excitado, e riu antes de se sentar brevemente em um banco e tomar alguns goles refrescantes de água gelada.

Quando olhei novamente, ele tinha sumido.

Tenho que admitir, eu o perdi. Assim que notei que ele não estava perto de mim, levantei-me rapidamente com o coração disparado. Chamei por ele desesperadamente, mas não obtive resposta. Fui até pessoas que nunca tinha visto na vida e perguntei se haviam visto Rocco. Eles só me olharam sem saber o que fazer e sacudiram suas cabeças, com pena em seus olhos.

Ao chegar em casa, fui até a impressora e comecei a fazer cartazes de busca de cachorro perdido repleto de fotos recentes dele e um número de telefone. Em seguida, passei o resto do dia colando os cartazes por toda a cidade. Agora o que me resta é sentar e esperar o telefone tocar. Tive três ligações desde domingo, mas todas eram ligações de negócio de um homem solitário, e não tinham nada a ver com Rocco.

Enquanto estava lendo em minha sala de estar, o celular toca. Eu deslizo a tela e aceito a ligação. A voz de uma pessoas velha do outro lado diz:

- Alô? Tem alguém aí?

Com os dedos tremendo, respondo:

- Sim, estou aqui.

Posso ouvi-lo pigarrear antes de continuar a falar.

- Madame, acho que encontrei o seu cachorro.

Sinto uma onda de alívio e digo:

- Oh, meu Deus, obrigada! Traga-me ele agora, por favor.

Há uma breve pausa.

- Você gostaria que eu o alimentasse antes ou...?

- Não! -  Eu praticamente grito – Só me traga ele agora mesmo... Por favor. Disse a ele o meu endereço e ele concordou em me encontrar dentro de quinze minutos.

 Quando ele chegou, um senhor de mais ou menos setenta anos, com cabelos grisalhos cujo nome era Garraty, agradeci-o profundamente antes de conduzi-lo até a porta. Então me viro para Rocco, minha mistura de pitbull e boxer mais fiel.

Levo ele até o porão e ligo a luz. O homem amarrado do outro lado da sala começa a gritar através do pano em sua boca. Isso não vai fazer nada, as paredes são todas à prova de som. É isso que ele terá por cobiçar uma mulher que é muito mais jovem do que ele.

Eu libero a coleira de Rocco e ele avança e ataca o homem, assim como treinei-o para fazer. Enquanto o sangue e a carne voam, começo a subir as escadas, indo buscar a pá que guardo na estante da cozinha.

 Se Force a Acordar

 Tudo é terrivelmente surreal. Eu não conseguiria contar exatamente o que estava acontecendo se eu tentasse. Minha cabeça está confusa, e provavelmente não está funcionando plenamente.

Eu ouço vozes abafadas de homens, mas não consigo distinguir uma só palavra. Abro meus olhos com muito esforço para inspecionar meus arredores sombrios. Em frente a mim, dois homens parecem estar discutindo alguma coisa em frente a uma grande van branca. Tento chama-los, mas minha língua parece uma lesma gigante.

Isso deve ser um sonho. Isso tem todas as qualidades estranhas de um. Disso tenho certeza.

O homem à direita se vira e abre a van antes de começar a arrastar uma mulher para fora. Ela olha em volta desesperadamente. O homem à esquerda está tirando um objeto preto do cinto. Decidi que não gosto muito desse sonho, mas espero que tudo mude em alguns instantes, assim como acontece em todos os sonhos sem sentido. Em um momento você está no meio de uma reunião importante, no outro você está correndo nu no meio de uma estação de metrô lotada.

Mas nada muda. O homem aponta o objeto preto na direção da mulher, e em um instante ela está deitada no chão, com uma poça de sangue ao redor de sua cabeça.

Nesse ponto estou tentando me forçar a acordar. Não gosto de nada disso... É um sonho assustador demais. Está mais para um pesadelo aterrorizante. O único barulho que consigo fazer, no entanto, é pigarrear.

Um desses homens está vindo até mim, e estou tentando desesperadamente gritar, com a minha mente girando com uma sensação de terror. Grite! Grite agora e grita o mais alto que você puder, que porra! Acorde a merda da vizinhança toda se for necessário! Só grite!

O homem me chuta com força no estômago e tudo fica claro. As memórias inundam minha mente em um piscar de olhos... O sequestro aconteceu, e eu fui a vítima.

Não foi um sonho. Era só o efeito das drogas passando.