TAMAN SHUD - Capítulo 3

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Através dos anos havia se tornado involuntariamente um barqueiro, experiente nas tarefas de manutenção de grandes barcos, e tinha um emprego fixo no porto. Não tinha mais muitas preocupações, conseguia dinheiro para comprar sua comida e manter sua casa, não pensava em mais nada, não pensava em filhos, em esposa, em muitos amigos e nem no passado. Principalmente no passado.

Em uma manhã de segunda-feira, Agungu, um colega de trabalho de Erick apareceu em sua casa com seu pastor alemão e amigo inseparável Budi, estava ofegante, mas esboçava um grande sorriso no rosto:

- Tenho grandes novidades meu amigo – Disse Agungu quase não conseguindo concluir a frase por falta de ar – Como você deve saber, o Ourang Medan está pronto para o mar, e o Capitão me convidou para fazer parte da tripulação.

- Parabéns Agungu – respondeu Erick ainda com o que restava de sua expressão mais indiferente.

- Ah, meu caro amigo, você acha que viria aqui correndo até sua casa somente para me gabar de ter conseguido uma grana extra? O Capitão perguntou se eu conhecia mais alguém capacitado e eu indiquei você, ele pediu para te chamar, então? O que me diz? Vamos trabalhar juntos e embarcados!

- Eu recuso, obrigado pelo recado Agungu

Confuso demais para dar uma resposta de imediato, Agungu involuntariamente esperou alguns minutos em silêncio até responde-lo:

- Do que você está falando Erick? A grana é boa! O emprego é bom, qual o seu problema?

- Eu não trabalho mais embarcado

- E você chegou aqui como? Passou anos trabalhando embarcado, você sabe o que fazer. Enfim, repensa isso Erick, o que você tem a perder?

Erick permaneceu em silêncio com sua expressão de sempre. Budi se aproximou de Erick e enfiou a cabeça entre suas pernas e abanou o rabo. Erick acariciou-o e esboçou algo próximo de um sorriso.

- Budi vai conosco, repensa isso – Disse Agungu mais uma vez antes de se virar e partir.

No dia seguinte as 05:00 horas da manhã como de costume Erick estava no porto, pôde dar mais uma olhada no Ourang Medan e se imaginou embarcado mais uma vez, talvez não fosse uma ideia tão ruim, também seria bom porque não teria mais tanto tempo livre para ficar acordando fantasmas de seu passado. Na metade da manhã daquele mesmo dia confirmou sua presença na embarcação com o Capitão e avisou Agungu, que o convidou para fumar uns charutos e beber a noite. Erick recusou, iria ir para casa se organizar, partiriam em breve.

Autor: Alison Silveira Morais

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TAMAN SHUD - Capítulo 2

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Na madrugada seguinte resolveu voltar ao cemitério. Levou consigo o lampião, uma plataforma de madeira e cordas. Chegando na beira do buraco, colocou o lampião sobre a base de madeira e amarrou como um pêndulo para ir abaixando a luz pelo buraco até poder enxergar o fundo. Percebeu que o buraco tinha em torno de dez metros de profundidade, e quando a base de madeira tocou algo ele parou para observar o que mais temia. Ian estava morto, deitado com os

olhos arregalados e segurando o saco, imóvel sobre uma pilha gigantesca de ossos e crânios. Não havia mais nada a ser feito por ele. Erick içou o lampião novamente, enrolou as cordas, botou a base de madeira de baixo do braço e fez o mesmo caminho de saída do dia anterior.

Porque sentia o que estava sentindo? Não se importava com Ian, nunca tinha se importado, mas uma coisa não deixava sua mente descansar, Ian gritando “Eu morro”. Toda vez que fechava os olhos vinha o grito de desespero. Começou a sofrer com pesadelos onde ele era quem caia no buraco e os corpos dos cadáveres estavam em decomposição, infestados de peste e vermes. Imaginava ter que morrer entre corpos apodrecidos e acordava num susto. Isso estava deixando-o insano aos poucos. Acordava com arranhões profundos nos braços e barriga, às vezes com hematomas roxos nas costelas e pernas. Nunca conseguia descansar verdadeiramente, acordava durante as madrugadas com sussurros e batidas, mas quando abria os olhos não via nada e nem ninguém. Erick parou de comer e não sentia mais nada. Não conseguia pensar em roubos, em assaltos e nem riquezas. Só conseguia pensar em fugir daquele buraco infernal chamado Edimburgo o quanto antes.

Poucas semanas se passaram até que Erick decidiu partir da cidade a pé mesmo, como um andarilho amaldiçoado. Sentia uma presença seguindo-o dia e noite, como um peso extra em suas costas que deixava sua visão menos nítida e o ar rançoso, não conseguia mais respirar fundo e raciocinar logicamente, porém, prosseguiu seu caminho, pegou caronas, se infiltrou em vagões de carga, roubou cavalos e os abandonou, chegou a um porto após atravessar todo o Reino Unido e se ofereceu para trabalhar em um barco cargueiro. Partiu para o Mar Mediterrâneo. Muitos anos se passaram e as ocupações de Erick o faziam aos poucos deixar o episódio macabro de sua vida para trás e aquela presença que o perseguia foi perdendo força. Viveu alguns meses no Oriente Médio e viajou para o Kwait e Índia. Após 7 anos de viagem, partindo da Escócia, Erick havia parado finalmente em uma cidade chamada Medan, na Sumatra, um pedaço paradisíaco da Indonésia. Erick pensava ter finalmente encontrado seu lugar entre as canoas, rios e casas sobre as águas e pesca artesanal. Mas estava muito enganado.

Autor: Alison Silveira Morais

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O BLOG ESTÁ DE CARA NOVA!!!

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Finalmente, depois de muito tempo, conseguimos finalizar todas as atualizações e novidades aqui no blog! Como muitos de vocês devem ter notado, ao longo desses últimos dias, decidimos dar uma bela de uma repaginada no nosso site (mudanças de layout, conserto de bugs, etc), então pegamos firme para fazer exatamente isso junto com nosso querido Alex Lupóz (dono do site Grito de Horror) que sempre nos ajudou com essa parte do site.

Queríamos dar uma cara nova ao CPBr, mas ao mesmo tempo sem perder a essência clássica que sempre tivemos aqui, para que todos continuem familiarizados com o blog como ele sempre foi. Após muitas tentativas, ccreditamos que conseguimos atingir o resultado que tanto buscávamos. Segue agora a lista de todas as alterações feitas por aqui, para que todos possam ficar cientes de tudo:

- Temos agora um novo logo. Além de se encaixar melhor no blog, ele também inclui diversos protagonistas de creepypastas populares, para deixar o blog com um tom ainda mais macabro. Além disso, apresentamos nosso novo slogan: Keep It Creepy (ideia da Divina, deem créditos totais a ela);

- O fundo do blog também foi alterado, especificamente na tonalidade do mesmo;

- A cor de fundo dos posts e das gadgets foram alteradas, para uma leitura mais agradável;

- Diversos bugs bizarros no blog foram corrigidos, inclusive em relação as próprias gadgets;

- Os comentários continuam sendo pelo próprio Blogger, como sempre foram. Tentamos adicionar o sistema da "Disqus" para isso, porém não foi muito popular entre a galera do blog, então decidimos retomar ao sistema clássico;

- Todas as páginas importantes ("Quem Somos Nós", "Perguntas e Respostas" e "Contato") podem ser acessadas na parte superior do blog, assim como nossa Fanpage, Canal do Youtube e Home do Blog;

- Fizemos uma limpa na parte de parceiros, pois diversos blogs e canais se encontram inativos ou descontinuaram seus projetos;

- O domínio do blog (www.creepypastabrasil.com.br) foi renovado por mais um ano, então não precisam se preocupar quanto ao acesso do mesmo;

- Tudo poderá ser facilmente acessado pela barra lateral direita, pois todas as gadgets foram devidamente organizadas;

- Os textos não podem ser selecionados, para evitar quaisquer tipo de plágio de conteúdo;

- O cursor de mouse do Slenderman permanece observando todos que nos acessam;

- Para navegar entre as páginas do blog, apresentamos duas opções: Clicar nos botões no final de cada página para navegar entre as páginas anteriores (as páginas numerais estavam dando muitos problemas e bugs), ou usar a aba de "Histórico de Creepypastas" no lado direito para conseguir facilmente visualizar e escolher as histórias que desejar ler;

- Por fim, mas não menos importante, temos agora uma página oficial do "Apoia.se"! Para quem não conhece, se trata de uma plataforma onde qualquer pessoa pode contribuir financeiramente com qualquer valor para ajudar ainda mais o blog. Nossa campanha também possui diversas recompensas e metas bacanas, para incentivar a galera que tem interesse em nos ajudar ainda mais. Para acessar nossa página, você pode tanto clicar no ícone do lado direito do blog, como também nesse link: https://apoia.se/creepypastabrasil

Gostaríamos muito que vocês nos dissessem o que acharam dessas mudanças no blog aqui nos comentários, e caso tenham alguma ideia ou sugestão (especialmente para nossa página do Apoia.se), fiquem a vontade para se expressarem também! Caso tenha algum detalhe, vamos dando esses toques finais de acordo com o feedback de vocês.

Sempre fizemos esse site com muito amor para vocês, e continuaremos assim por muito tempo, proporcionando o terror aos amantes de leitura pelo Brasil afora. Muito obrigado por todo carinho ao longo de todos esses anos, e acima de tudo, Keep It Creepy! ❤

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TAMAN SHUD - Capítulo 1

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Erick e Ian estavam em frente ao portão. Estava chovendo enquanto eles fitavam os muros de pedras e tentavam acender o lampião que tinha apagado. A escuridão era asfixiante, e o frio estava longe de deixar as coisas menos ruins. Ian teve a impressão de ver alguém subindo as escadas de uma das torres, teve imediatamente a impressão que estava ficando louco de ver alguém de madrugada em um cemitério. Resolveu voltar suas atenções ao lampião e não comentar nada com Erick.

Ian era o nome dado ao menino de dezesseis anos com olhos profundos demais para sua idade e muito magro. Ele não sabia seu sobrenome e nem seu verdadeiro nome, se é que um dia teve algum nome verdadeiro, havia sido abandonado pela família, viveu grande parte da vida em um orfanato, de onde conseguiu fugir há alguns meses atrás. Pensou que talvez alguém fosse atrás dele, mas isso não aconteceu, não sabia se achava isso bom ou ruim. No entanto, encontrou um amigo nas ruas, Erick.

Erick McFarlane era mais corpulento, tinha completado dezoito anos recentemente, não era muito mais alto que Ian, mas tinha costas largas, seu rosto estava sempre sério. Seus lábios nunca se curvavam, nem para cima, nem para baixo. Sua constante feição de indiferença foi muito mal interpretada durante o funeral de seu pai e irmão. Todos morreram no desastre da mina em Knockshinnoch. Sua mãe cometeu suicídio uma semana depois. Erick então foi para Edimburgo, ouvia dizer que era o único lugar da Escócia que valia a pena. Estavam todos errados. Ganhava a vida agora cometendo alguns pequenos furtos e assaltos durante as noites. Duas vidas que se encontraram no limite do desespero e miséria. E que acabaria da mesma forma.

O cemitério de Greyfriars Kirkyard era um local recorrente na mente de Erick, sabia que lá havia muita gente enterrada, muitos deles reis, gente importante da política e da igreja. O quão fácil seria invadir as tumbas subterrâneas levando em conta sua perícia? Quantos desses desgraçados haviam sido enterrados com dentes de ouro, roupas chiques com botões e brasões,

medalhas e joias. Erick havia encorajado Ian a ajuda-lo, prometendo 10% do que conseguissem. Ian estava lá. Como um fiel escudeiro e amigo.

Acenderam o lampião, arrombaram o portão e entraram. Erick havia estudado o local e sabia para onde ir. Ian somente o seguia. Sentia algum tipo de admiração por Erick e seu jeito sistemático de agir. Pensava nele talvez, como um irmão mais velho que nunca teve, mesmo que o sentimento não fosse recíproco.

- Vamos entrar, arrombar o que for preciso arrombar, abrir o que for preciso abrir e pegar o que conseguirmos carregar. Vamos embora antes do sol sair. Entendeu?

- Claro – respondeu de imediato Ian, enquanto seus níveis de adrenalina subiam a níveis que não imaginava.

Depois de algum esforço obtiveram acesso ás primeiras tumbas, o cheiro era de mofo e o ar parecia denso de tanta umidade. Erick deu um saco grande feito de pano e disse para Ian segura-lo com firmeza enquanto violava os caixões e derrubava as tampas de pedra das sepulturas. Sinceramente, as primeiras horas haviam sido uma total decepção, uma perda de tempo que deixou Erick furioso e com vontade de desistir. No entanto, havia um jazigo a frente que o chamou atenção. Seguindo até lá abriu o primeiro compartimento com um golpe de pedra e viu o esqueleto de alguém. Puxou aos pedaços o que parecia ser um homem fardado. Encontrou em seu uniforme medalhas de prata e ouro, e isso trouxe todo o combustível e vigor que precisava para continuar a aventura até o nascer do sol.

Muitas horas depois, cansados, resolveram parar, Erick então sugeriu terminar aquele complexo e voltar outro dia, pois tinha certeza que conseguiriam algum dinheiro com o que tinham roubado. Ian olhava para Erick através do vidro do lampião e sorria de canto de boca. Pensava nas duplas de histórias fantásticas que lia em quadrinhos e em seus atos heroicos, imaginava uma parceria infalível, era afinal, muito estranho se sentir tão feliz em um lugar tão horrível fazendo algo tão repulsivo. Mas sentia isso.

- Só mais um e vamos embora. Devemos ter ainda algum tempo.

- Tudo bem – concordou Ian meio a contragosto, seus pés estavam o matando e suas magras costas estavam doloridas de carregar o saco.

Seguindo para mais um jazigo, Erick leu “Sir George MacKenzie” e cuspiu no chão enojado com o “Sir”, logo abaixo do nome esculpido em pedra havia uma placa de madeira escrito “Taman Shud” ao qual Erick arremessou longe. Tentou violar o túmulo, porém estava tendo muita dificuldade, então pediu para que Ian lhe trouxesse um pedaço de granito pontiagudo que estava atrás dele. Quando Ian virou, sua perna fraquejou e sentiu seu pé afundando. O lampião estava com Erick então não pôde perceber quando o chão rachou e abriu um buraco bem em baixo dele. Enquanto caia, a luz se afastava e pensava que sem dúvidas iria morrer. Erick viu tudo e correu até a cratera tentando observar o fundo daquele buraco. Ouviu um baque e gritou por Ian, que logo respondeu:

- Erick, eu caí, acho que quebrei a perna, eu acho que... eu acho que eu morro, eu morro se não me ajudarem logo. Você vai descer aqui?

- Cala a boca seu bebê chorão, você está com o saco?

- Sim, está aqui, você vai chamar a cruz vermelha? Vai descer aqui?

- Eu não consigo te ver daqui. Esse buraco é enorme, como você acha que vou entrar aí dentro? Você perdeu o juízo?

- Erick, chama ajuda... eu...eu morro...se.… se...

- Como você acha que vou pedir ajuda seu imbecil? Vou dizer o que para as autoridades? Que estávamos fazendo um passeio por esse maldito lugar? Eu vou ser preso! Você vai ter que se virar, e é melhor conseguir trazer esse saco com você. Você não é mais criança.

- Seu desgraçado, seu miserável! Eu não consigo me mexer! Eu vou morrer aqui – gritou Ian com todo o ar de seus pulmões em desespero.

Erick estava sem saída. Por um lado, queria somente sair dali, mas podia fazer isso e deixar Ian desamparado? Pensou em todas as desgraças de sua vida, e percebeu que, talvez aquilo não fosse nada demais. Fechou a cara inconscientemente, levantou e se dirigiu para fora daquele lugar enquanto Ian gritava por ajuda. Erick pensava nas medalhas. Aquela noite ele não dormiu.

Autor: Alison Silveira Morais

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Mas gosto de ser sozinho livre para voar

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O sol estava tão forte quanto nos dias anteriores, mas se eu não tivesse saído com umas blusas extras estaria com os dentes batendo a essa hora. Chega a ser estranho ter mais um ano letivo começando e mais livros para comprar pra Luna. A impressão é de que nem um mês se passou desde a última vez que fiz isso. E Caramba, a Luna! Como está crescida! Fico bobo de pensar que alguns anos atrás ela não passava do meu joelho!

A livraria que frequento daqui de Andover é pouco movimentada. É moderna de certa forma por ter um daqueles sistemas de postos de combustível em que você paga o que compra sem ter interação com outra pessoa, só deixa o dinheiro lá e leva o que precisa. Não costumo ver outros clientes além de mim na loja e isso acaba por aumentar minha preferência pelo estabelecimento.

Nunca consigo lembrar dos livros que tenho de comprar pra Luna, o que me faz gastar mais tempo na livraria do que gostaria, mas de alguma maneira sempre acerto na escolha. Acho que tenho muita sorte, pois na maioria das vezes parece que só estou pegando um livro aleatório da prateleira.

O que estou levando hoje é um daqueles livros didáticos padrões de escolas públicas. Luna é fascinada por biologia, então escolhi um desse tema. Espero que não esteja avançado demais pra série dela.

No caminho de volta senti um embrulho estranho no estômago… acho que estou esquecendo de algo. Será que tinha outro livro? É melhor me apressar e perguntar a ela, não seria justo a pequenina perder aulas por erro meu.

A calçada e o asfalto agora pareciam dançar sob meus olhos que insistiam em se fechar. Definitivamente não estava bem e a sensação piorava conforme chegava perto de casa. Lutei bravamente tentando seguir adiante sabendo que não podia me atrasar. Odiaria deixar Luna sozinha à noite.

A última coisa de que me lembro é de ter desabado na sarjeta com minha cabeça pesando mais de uma tonelada, pendendo pro lado do poste enquanto a visão escurecia.

“Luna, querida…”

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Acordei tonto no chão depois de um sonho esquisito e senti a garganta fechar ao tentar engolir em seco… “Espera, foi um sonho?” Esse mal estar me deixou confuso, espero não ter apagado por muito tempo.

Sentei no assoalho de pernas cruzadas e agradeci ao perceber que estava em casa. Graças a Deus consegui voltar. Vi também que o livro estava meio aberto no chão e me senti mais aliviado ao saber que consegui trazê-lo também. Só que tinha algo errado. As páginas não estavam nele, só a capa. Os carimbos estampados lembravam aqueles de escola pública e tinham os dizeres padrões de “venda proibida”, “distribuição gratuita” e em outro mais embaixo “registros testes - necrofilia”. “QUE?”

Senti um aperto gélido no coração. O que eu estava pensando ao trazer uma coisa dessas pra Luna? E onde estão as páginas? Será que Luna as encontrou? Nunca vou me perdoar se tiver acontecido.

Percebi umas letras miúdas no canto da página que também diziam “Registros Luna - dia 1”.

“Ah, é mesmo” - Pensei soltando um risinho aliviado - “Não tenho filha”.

Melhor eu me apressar, Luna pode ficar entendiada me esperando sozinha lá embaixo.

Autor: Otomai

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Garotinha

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Fiquei até mais tarde na empresa, o que significa que já está em um horário avançado.

Esta cidade é muito pequena e rural, então na voltar para casa passo por trechos cercados somente por plantações e árvores.

Lembro-me fortemente de minha primeira volta após o anoitecer nessa estrada e isso me assombra todas as vezes que passo por aqui.

Tinha acabado de ser transferido para China, ainda era muito imaturo, e nesse fatídico dia cometi o pior erro da minha vida.

Alguns quilômetros à frente há uma pequena fazenda, creio que uma das crianças da casa saiu à noite naquela ocasião, pois quando passava em frente ao local, tarde demais para qualquer reação, vi uma figura - parecia uma menina, mas não tenho certeza já que foi muito rápido - tentar atravessar a estrada correndo.

Me acharão um monstro pelo que fiz a seguir, mas é preciso saber antes de me julgar que não é um comportamento incomum na China.

Aqui, segundo as leis de trânsito, em caso atropelamento se o lesado ficar incapacitado, o atropelador deverá pagar indenização durante toda a vida da vítima. Já se ocorrer a morte, a quantia destinada a família do que partiu é significativamente menor.

Sim, passei mais uma vez com o carro para certificar-me que não sobraria uma testemunha.

Me odeio cada vez que lembro disso, era uma criança, meu deus.

Me arrependo profundamente do que fiz, mas não posso voltar no tempo e corrigir meu erro.

Balanço a cabeça para me livrar desses pensamentos e voltar a prestar atenção na estrada, buscando evitar que algo assim ocorra novamente.

Me surpreendo ao notar uma pessoa solitária caminhando no asfalto.

Ao aproximar-me percebo que é uma mulher muito bonita de longos cabelos negros, provavelmente é nativa. Ela usa um vestido de verão e não tem mais nada consigo.

Tento formar teorias do motivo para ela estaria ali, mas não chego a conclusão nenhuma, a não ser de que ela precisa de ajuda.

Parei ao seu lado e abri a janela do carro, pareceu se assustar um pouco. Era esperado, afinal ela é uma mulher sozinha no meio do nada abordada por um completo estranho.

- Senhorita, precisa de ajuda? - Pergunto, e ela me responde balançando a cabeça positivamente. - O que aconteceu? Teve problemas com o seu carro?

- Sim, senhor. - Parece muito tímida.

- Venha, entre no carro. Está indo em qual direção?

- Para Leste. Pode me deixar no próximo posto de gasolina.

- Ok. Entre. - Digo destrancando a porta.

E assim ela o faz. Penso que deve ser muito introvertida, pois sentou-se com as mãos nas coxas e de cabeça baixa. Ela não diz uma palavra por alguns minutos.

E então pude avistar a fazenda.

Quando passo por onde aconteceu o acidente estremeço com a lembrança, viro minha cabeça na direção da qual veio a criança anos atrás, olhando pela janela do carona.

- Mas o que? - me assusto ao perceber que a criatura do meu lado não é mais a bela mulher que entrou em meu carro.

- Cuidado senhor, não quero que você mate mais ninguém... além de mim.

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ESTAMOS EM MANUTENÇÃO!

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O BLOG ESTÁ EM MANUTENÇÃO NO MOMENTO. QUAISQUER PROBLEMAS NO ACESSO SERÃO DEVIDO A ESSE MOTIVO. AGRADECEMOS PELA PACIÊNCIA!

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Tempo

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E lá ia, triste como se via. João se sentia depressivo outra vez, estava garoando e ele estava com seu guarda chuva preto como sempre. Se sentia um estranho no ninho. Todos que passavam por ele pareciam vultos cinzas. Ele sequer prestava atenção ao seu redor. Estava alheio ao mundo. Lágrimas escorriam pelo seu rosto velho e cansado de trabalhador. Ele não podia conter sua tristeza. Sua filha, sua preciosa e amada filha havia partido deste mundo. Jovem, 6 para 7 anos. Vitimada por pneumonia crônica. Era mais um caso fatal diziam os legistas. Cada momento com ela, parecia ter passado em um abrir e fechar de olhos.

João, não era o homem com tanto tempo disponível. Havia tido seus tempos de glória e prosperidade. Mas a crise o botara abaixo. Ele gostaria de ter passado mais tempo com ela. Gostaria de ter tido tanto tempo disponível. Mas com a crise, e sua queda o trabalho só se intensificou. E a filha ficava em casa com a babá, esperando a chegada do pai depois de um dia de tanto trabalho para ele.

Quando ele aparecia em casa, era uma festa: “Papai! Papai!”. Geralmente acompanhado de um “Quero lhe mostrar algo novo!” ou “Vamos jantar juntos hoje!”. Ela era a luz em sua vida. E agora, nada mais restava. Tudo havia acabado.

Então, lá estava sua casa. Cheia de lembranças boas e ruins. Ele abriu o portão e entrou. colocou o guarda chuva ao lado de um vaso de hortênsias, e abriu a porta. Ao entrar, acariciou Pintado, o gato que sua filha havia escolhido. E foi para o quarto. Sentou-se na cama, e chorou.

Iria se juntar a Lana sua filha. Iria passar mais tempo com ela.

João olhou para o coldre preto. Parecia convidativo ante uma situação como aquela. Ele abriu o coldre. Finalmente iria recuperar o tempo perdido.

Autor: Franklin Domingos

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Eliza

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Eliza fugiu mais uma vez. 

Eu não sei porque ela faz isso, desconheço o motivo de sua ingratidão. 

Cuido dela desde a morte de seus pais. Isso já faz cinco anos, e tivemos quatro tentativas de fuga quase bem sucedidas. 

O que pensa que irá encontrar no mundo lá fora? Como espera viver sem ter a mim para protegê-la? 

Ela tem 16 anos completos a menos de um mês, não entendo essa ânsia por deixar nossa casa. 

Mas hoje, mais uma vez conseguiu sair do seu quarto na calada da noite enquanto eu dormia. 

Garota tola. 

Moramos no interior no Rio Grande do Sul, em uma pequena fazenda cercada de muitas árvores e distante da rodovia, mais ainda da cidade. 

O inverno está demasiadamente rigoroso esse ano, e ela por aí expondo-se a tantos perigos. 

Não me restam opções a não ser ir a sua procura. 

Bem, ela não se afastaria muito da trilha correndo o risco de se perder, ainda mais que a única luminosidade são as estrelas nessa noite sem lua. 

Pego meu cão de caça muito bem treinado a seguir o cheiro dela e vamos a sua procura. 

Eliza não saiu a muito, o que significa que logo a encontro. 

Ela tenta correr, mas faz tempo demais que não o faz e também sua alimentação não é das melhores, portanto não irá demorar para que canse. 

Está de pijama e uma pantufa que usava no dia que perdera os pais, agora esta pequena e parte da sola de seu pé fica exposta. Claramente não está preparada para ir embora. 

Como previ, a perseguição não demora muito. Creio que ela pisou em algo, porque cai no chão chorando e segurando o pé esquerdo. 

Quando me aproximo ela tenta se arrastar para longe, mas eu a pego. 

Vejo sangue em seu calcanhar, mas não é por isso que ela chora desesperadamente. 

Ela se debate em meu colo, tentando socar meu rosto para que eu a solte. 

Eliza grita me chamando de mostro e acusando de ter matado seus pais. Bem, isso é verdade. 

Ela diz que eu a sequestrei, que a mantenho em cativeiro na nossa casa a cinco anos, mas o que não fala é que EU escolhi poupa-la e estou cuidando dela e a sustentando desde então. 

Só por causa da MINHA dedicação e compaixão ela ainda vive. 

Garota tola... e ingrata.


Autora: Luisa Moreira

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Padrão - Capítulo 5

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Eu entrelacei meus dedos suados em meu cabelo enquanto olhava para a folha fina de papel à minha frente. Cinco letras estavam escritas sobre ela, R-C-G-E-A. Algumas vezes eu me perguntava como cheguei nelas, mas algo me diz que se estão ali, é porque significam alguma coisa.

Eu me empurrei frustrado com a cadeira para longe da mesa. Se elas significassem o que estava pensando, certamente isso me deixaria paranóico. Não tenho muito dinheiro para ir para um lugar novo, então passaria minha vida preso nesta pequena cidade, com um potencial assassino no meu calcanhar.

Pelas minhas quase infalíveis deduções, a conclusão que chegara me levava a um nome: Grace, minha ex-esposa.

Uma gota de suor frio correu pela minha testa e minhas mãos começaram a tremer. Quem quer que fosse que estivesse fazendo aquilo, possivelmente sabia algo sobre a minha vida. Eu não sabia o que o nome significava, mas tinha algo a ver comigo, disso eu tinha certeza.

Grace era minha ex-esposa, por isso o fato me deixou realmente apreensivo. Alguém estava me perseguindo? Me vigiando? Eu tinha de me mudar dali, rápido.

Mesmo com o pouco dinheiro que havia em minha conta do banco, eu fiz várias ligações para empresas de mudança. Eu tinha uma opção: morar com meu pai. Meu pai, Ralph, vive em uma casa de tamanho mediano no começo da cidade, um pouco afastada de outras residências. Ele mora sozinho desde que minha mãe morreu. Enfim, eu considero a casa grande demais para um senhor idoso que mora sozinho. Eu morei lá a minha vida inteira e o abandonei quando minha mãe morreu. Deve fazer um bom tempo que meu pai não recebe visitas. Quero dizer, eu sou um cara muito ocupado, então não tenho tempo para visitas rotineiras.

Um único caminhão de mudança foi necessário para carregar todas as minhas coisas. O dono cobrou um preço razoável, o que não pesou muito na minha carteira.

Eu pisei na sacada da casa marrom e levei o dedo indicador à campainha. A tinta estava desbotada e a madeira dos pilares apresentava sinais de envelhecimento. Espantei um inseto do meu braço enquanto esperava meu pai atender a porta, sentado em uma caixa pesada e com várias outras no quintal da frente.

- Entre filho! Há quanto tempo! - Sua animação era contagiante quando ele abriu a porta. Meu pai sempre foi um homem muito otimista e animado, é isso o que eu mais admiro nele. - Vou te ajudar a levar essas caixas para o seu quarto. - Disse e se dirigiu à floresta de caixas no quintal. Mesmo em seus 56 anos, meu pai ainda está em boa forma. Ele é um homem robusto e se manteve assim, mesmo com o passar dos anos levando sua juventude e a cor de seus fios de cabelo, que agora ostentavam uma cor acinzentada.

- Eu fiz seu prato favorito. Você vai ficar aqui até quando?

- Provavelmente sim... eu realmente não sei. Mesmo que o assassino seja pego, eu não tenho dinheiro para comprar outro apartamento.

- Você precisa ficar o máximo possível dentro de casa. Já falou com o delegado? - Ele indagou enquanto carregava uma caixa pesada entre os braços e subia as escadas, que faziam um barulho a cada vez que pisava em um novo degrau.

- Ainda não, vou falar com ele amanhã. Preciso de alguma proteção policial, esse louco está na minha cola. Ele provavelmente sabe da minha vida. Você sabe... pessoa afogada em banheira de café e o nome "Grace".

- Hum, eu sei. Talvez ele realmente esteja te perseguindo, mas não sabemos disso. - Me falou com uma estranha calma, sem lançar um único olhar para mim.

Eu subi as escadas com uma caixa leve em minhas mãos. Meu pai passou do meu lado e voltou ao amontoado de caixas. A porta aberta no fim do corredor era aonde ficava meu quarto de infância. Entrei para me deparar com uma bagunça de caixas espalhadas e minhas antigas coisas. Minha cama ainda estava lá, junto com a poltrona azul que minha mãe sentava algumas vezes para me contar histórias para dormir, isso quando arranjava algum tempo em sua agenda lotada. No chão, meu tapete verde com bolinhas brancas. Minha cômoda branca também continuava lá. Alguns bonecos de dinossauro e carrinhos permaneciam perfeitamente arrumados sobre ela, minhas gavetas estavam todas vazias.

- Última caixa. - Meu pai avisou, em seguida pôs uma caixa grande aos meus pés. - Lembra do seu quarto? - Perguntou e limpou com a mão uma pequena quantidade de pó sobre a cômoda. - Você ficava o dia todo aqui brincado, sozinho... - Disse fazendo uma pequena pausa entre as duas últimas palavras.

- É. Bons tempos.

-Você sabe que não tínhamos tempo por que queríamos que você tivesse uma vida boa, não é?

- Sim, eu sei disso.

Ele me deu um tapinha nas costas e saiu do quarto.

Me abaixei lentamente e comecei a guardar as coisas enquanto pensava nas últimas palavras que meu pai me dissera antes de sair.

"Só queríamos que você tivesse uma vida boa. Nunca demos importância para os seus sentimentos, por isso você viveu sua infância inteira sozinho com bichos de pelúcia." - Fiquei remoendo a última parte em minha mente até a noite.

Ainda havia sobrado algumas caixas cheias de coisas que não poderiam ser colocadas no meu quarto, então minha idéia foi deixá-las no porão. Eu raramente entrava lá, por isso fiquei meio tenso com o fato de ter que descer as escadas no escuro e puxar aquela cordinha para acender a luz.

Eu deixei a última caixa sobre o chão de madeira velho e estava pronto para subir de novo as escadas, até que vi uma estante com uma quantidade enorme de pastas, ficheiros cheios de folhas e linhas.

Minha curiosidade de detetive falou mais alto, então eu toquei um envelope marrom e o abri:

"Data da sessão: 21/10/1995.

Sessão n° 5

Nome completo: Peter Collins
Idade: 8 anos

Psiquiatra responsável: Phillip Schmidt

O paciente relata dores fortes de cabeça. Familiares dizem que o mesmo sofre de perda de memória recente, além de curtos surtos de raiva. Durante estes momentos, o paciente costuma ficar agressivo. Os pais, Ralph Collins e Elizabeth Collins, relataram terem ouvido o mesmo conversar sozinho, além de relatar a existência de "montros" e afirmar com convicção que os viu. Peter também sofre de alucinações e costuma criar amigos imaginários, novamente afirmando com convicção que os mesmo existem."

Quem era Peter Collins? - Essa era pergunta que agora estava rodando em minha mente. No mesmo envelope, havia uma fita cassete preta enrolada em um papel. Eu a desmbrulhei e vi algumas coisas escritas no mesmo.

Eu pus a fita na entrada do walkman que meu pai deixava guardado em uma caixa com coisas antigas no porão. Ele sempre se recusou a se livrar dele, e agora eu agradecia por isso.

Um zumbido soou quando coloquei os fones nos ouvidos, então ficou mudo. Eu estava prestes a tirar a fita quando ouvi uma voz que nunca tinua escutado antes, mas me era familiar.

- Boa tarde Peter, como você está? Por favor, sente-se.

Um barulho de cadeira sendo arrastada pôde ser ouvido, no fundo, um choro fraco de criança e algumas fungadas.

- O que você anda sentindo ou vendo desde a nossa última consulta?

Por um momento tudo ficou em silêncio, até que uma voz infantil irrompeu no momento.

- Tem aquelas... coisas. Eu não gosto delas, elas me assustam.

- Que coisas, Peter? Você pode descrevê-las para mim?

- Elas são finas e escuras, e ficam no meu armário. Seus olhos são esbugalhados e pequenos, que nem as bocas deles, elas são do tamanho de tampas de garrafa. Suas unhas são gigantescas.

- Quando eles aparecem, Peter, pode me dizer?

- Por que você está anotando enquanto eu falo?

- Apenas responda Peter, por favor.

- Eu fico com dor de cabeça. Muita dor, tanto que eu choro. Depois elas aparecem, mas a dor não. Parece que alguém está socando minha cabeça.

- Essas coisas, elas também falam?

- Falam. Elas não mexem a boca para falar, mas eu as ouço. Dizem coisas que eu não entendo, é alguma coisa "matar" ou "pegue".

Em seguida, houve um silêncio.

- Você se lembra do que fez ontem, Peter?

- Não. Eu só lembro que estava no quarto, conversando com o Senhor Waffles, depois apareci no quintal. Tinha alguma coisa vermelha nos meus dedos, mas eu não sabia o que era. Minha mãe ficava dizendo que eu matei o gato da vizinha, mas eu não fiz isso!

- Tudo bem Peter, nós sabemos que você não fez isso.

O choro ficou mais intenso e Peter começou a repetir a frase "Eu não matei ele!" várias e várias vezes. A gravação parou nesse momento.

Eu peguei o outro documento que estava junto à fita e comecei a ler.

"Data da sessão: 28/10/1995

Nome do paciente: Peter Collins
Idade: 8 anos

Psiquiatra responsável: Phillip Schmidt

Sessão n° 6

O surto de Peter foi mais forte dessa vez, o garoto teve de ser amarrado por seus pais. O colocamos em uma sala de contenção e iremos aplicar um método não recomendado.

Peter foi sedado e levado à uma maca, onde aplicamos a terapia dea choque no mesmo."

Eu levei a mão à boca e desejei que aquilo fosse apenas uma brincadeira. Tirei o terceiro documento do envelope.

"Data da sessão: 12/08/1996

Nome do paciente: Peter Collins
Idade: 9 anos
Diagnóstico: Transtorno Dissociativo de Identidade

Psiquiatra responsável: Phillip Schmidt

Sessão n° 32

Os testes foram um sucesso e conseguimos reprimir a personalidade psicótica de Peter, além de aliviar temporariamente os sintomas. Não sabemos se é definitivo, mas o problema foi reprimido. Até então, 3 personalidades foram registradas, mas podem haver mais. Peter não existe mais e a personalidade agora dominante se chama "Adam". Os sintomas pararam, nos levando à conclusão de que os testes foram um sucesso. Há sim uma cura para este problema. Mais testes serão realizados em breve."

Neste momento eu senti o suor escorrer pelas têmporas em grossas gotas geladas. Meu coração acelerou tanto que eu pensei que ele fosse pular pela minha boca. Meu nome é Adam, mas eu já fui Peter?

Me esforcei para lembrar o máximo possível de minha infância, mas não obtive informação realmente utilizável. Algumas partes de minha memória era como borrões, como se alguém arrancasse uma parte delas. Eu sempre tive perda de memória, desde pequeno, mas nunca achei que este fosse o verdadeiro motivo. Quando eu fico fora, quem realmente toma conta de mim? Quantas personalidades eu tenho? Meu pai realmente acha que isso acabou? Lembro-me bem de que houve uma parte boa na minha infância onde as perdas de memória foram se extinguindo aos poucos e eu comecei a fazer algumas poucas amizades, mas nada realmente duradouro.

Eu não faço a mínima ideia do que pensar sobre isso. Minhas pesquisas não acabarão por aqui e finalizarei este caso de vez, mantendo intacta minha sanidade.

Autora: Sofia NAQ

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