Um Problema Muito Grande

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Era uma noite quente e sombria, as janelas estavam rangendo, ainda que não houvesse vento. Maira, nossa protagonista, sorria para a parede como se conversasse com um amigo de longa data. Eu não podia vê-lo, mas sabia que algo já não estava bem.

Os dias foram se passando, as aulas começaram e, muito embora tivesse sido uma garota popular entre amigos e funcionários de sua escola, Maira já não refletia a garota educada e prestativa que conhecíamos antes do pequeno período de férias de verão.

Não posso negar, Maira passou por grandes problemas em casa, os pais estavam se divorciando após anos de convivência pacifica, porém, sem amor ou afeto algum. Seu irmão, já distante de casa a alguns anos, era o único que mantinha Maira em sua racionalidade, comportando-se como uma garota comum de ensino médio. Entre uma folga e outra em seus atendimentos no escritório de advocacia, Marcos sempre tentava encontrar um tempo para entrar em contato com Maira, nunca com os pais, pois, como mencionei, os pais viviam juntos, mas não estavam realmente juntos, e Marcos percebia isso a muitos anos. Claro, depois de um tempo Maira já não atendia Marcos também.

Muitos problemas ocorreram na adolescência de Maira, estes comuns para qualquer pessoa normal de classe média, naquela idade, dentre eles, problemas financeiros dentro de casa, amores incompreendidos, crises existenciais, etc., entretanto, nestes milênios que passei nestas terras derrotadas que vocês chamam de Terra, pude perceber que os problemas não podem ser medidos de forma exterior, como um único problema com a sua preocupação sentida na mesma proporção para todos, sendo assim, qualquer que seja o problema, medimos de acordo com a intensidade que se sente, e assim, observamos a existência de pessoas com alto poder aquisitivo, com o que vocês chamam de “depressão”, bem como observamos pessoas de baixa renda desfrutando de cada momento de sua vida medíocre, com grande felicidade. Claro, depois de anos e anos de convivência entre vocês pude perceber que estas últimas pessoas que mencionei tendem a ter uma grande ignorância quanto ao que se passa aos seus redores. Estas são as que não enxergam o mal da humanidade, a ganância das pessoas, a inveja, etc., e também são as mais difíceis.

Como mencionei, Maira mudou drasticamente no período de férias, pude notar isso, claro, estava com ela o tempo todo. No fim de semana que precedeu a primeira semana de aula, Maira estava em seu quarto olhando para a parede novamente, sorrindo, como se conversasse com alguém.

Com o passar dos dias percebi que não havia algo lá, Maira estava vagando em seus próprios pensamentos apenas, e eu, claro, muito embora capaz de diversas coisas neste mundo humano, não podia simplesmente ouvi-los, no entanto, com a minha vasta experiência existencial, pude perceber que estava tudo indo bem.

Quando percebemos alterações comportamentais drásticas em pessoas, inicialmente tendemos a acreditar que “é uma fase”, caso perpetue, começamos a cogitar a possibilidade de uma doença neurológica, ou psíquica, como a depressão. Não levamos a sério inicialmente, e com o passar dos dias, finalmente entendemos que ela existe e pode estar ocorrendo neste exato momento.

Entretanto estas cogitações já não são relevantes para Maira, são 3h da tarde quando percebo que Maira está debruçada em sua mesa de estudos. Seu notebook aberto traz consigo uma página comum de Word, com algumas palavras escritas. Entendo isso como um convite pessoal para sanar dúvidas sobre qualquer que seja a situação que Maira se encontra. Isso é relevante para mim.

“...então, deixarei que ela tome o meu lugar. Já não posso conviver pacificamente com estas pessoas. Sinto-me maltratada, abandonada, e negligenciada a muito tempo. Sinto que aprendi a lidar com isso, que aprendi a guardas nas profundezas da alma os rancores por todos os que me machucaram.

Ela pode me proteger, sinto isso. Eu escuto ela as vezes, falando comigo, me dizendo para continuar, me dizendo que posso ser grande, que posso evoluir, mas sei que não posso, e quanto mais ela me fala isso, mas percebo que não posso de verdade.

Não consigo abandonar esta tristeza profunda, não consigo não lembrar de cada palavra e de cada pessoa que as pronunciou. Não posso esquecer... mas também não posso lembrar... não posso deixar ir, mas deixar ficar me faz mal. Ela, no entanto, é forte, perfeitamente controlada, e protetora.

Diga aos meus pais que eu os culpo, e que não os amo, e diga a ela que tome providências para que eu possa descansar em paz, de fato.”.

Ao lado de seu corpo um frasco de Nembutal, em sua frente meu reflexo. Sim, um reflexo perfeito de um corpo que me pertence agora. Meus olhos, minha boca, meus longos cabelos negros, meus sentidos.

Lembram quando eu disse que os problemas não podem ser medidos de forma exterior? Cada pessoa basicamente vê o mesmo problema de diversas formas e intensidades. Bom, eu realmente disse isso, no entanto omiti alguns pequenos detalhes, claro. Quando nascemos, os de minha espécie, fomos incumbidos de trazer o caos a humanidade. Como de nossa essência, simplesmente fazemos, sem questionar.

Dezessete anos, este foi o tempo que levei para pegar mais uma. Claro, cada um tem seu método, alguns de nós preferem desastres rápidos, ditos naturais, outros preferem a discórdia, já outros preferem observar os humanos se matando e se maltratando, entre eles mesmos, chamamos os que escolhem este metodo de "preguiçoso", porque não é preciso muito esforço para que isso ocorra... ah, o ser humano, criaturas horrivelmente fascinantes. Outros de nós optam por métodos de “acidentes”, que normalmente ocorre após algum ato de negligencia por parte de alguns de vocês.

Meus métodos são mais, digamos, saborosos. Eu implanto situações, claro, mas principalmente, implanto em minhas escolhas, como Maira, a confiança. Alguns, obviamente, acabam percebendo algo estranho, e eu não posso lutar contra a força desta pessoa em querem se livrar de um mal, ainda que ela não saiba exatamente o que é este mal. No entanto algumas dessas pessoas, como Maira, sucumbem aos meus métodos.

É de praxe: até determinado ponto de suas vidas elas se comportam como qualquer outra pessoa, mas a semente já está germinando em seu ser a muito mais tempo do que ela imagina. Há, claro, um gatilho, que pode vir de diversas formas. Uma briga, uma separação, uma traição, ou ainda, um aumento de peso, um amor não correspondido, ah, são tantas formas. E eu volto a afirmar, o segredo é sempre fazer a pessoa sentir intensamente seus próprios problemas, quando na verdade pode nem ser um problema, mas se eu não fizer ela ver e sentir as situações eventuais, ou mesmo as cotidianas, desta forma, eu deixo de existir. Quando concluído meus serviços com a pessoa de minha escolha, na medida de seus próprios limites, com o medo e a insegurança de um futuro não observado, um futuro borrado, incerto, assustador, eles mesmos procuram a forma mais fácil para o abate. Alguns, como Maira, usam de métodos incertos, outros, mais centrados, procuram armas, de fogo, ou mesmo brancas, já outros, não tão corajosos, procuram métodos que, de alguma forma doentia, os façam se sentir menos culpados quando chegarem ao outro lado, como se jogar em um trilho e acreditar que a culpa será dividida entre ele e o responsável pela locomotiva.

Mas o mais importante, algo que nunca conto para eles, NÃO HÁ UM OUTRO LADO, não há nada lá para eles, por isso vocês humanos são as presas perfeitas. Quando “se vão” deixam um recipiente vazio para que possamos entrar e tomar conta dele, um corpo perfeito para que continuemos a conviver entre vocês, realizando o que nos foi mandado, o que nos faz sentir alguma coisa, uma saciedade.

Maira acreditou em mim, me deu de presente seu corpo para que eu cuidasse dele, vivesse por ela, acreditando que sou forte e protetora. Claro, sou forte e protetora sim, mas para nossos interesses, não para os de vocês, uma espécie medíocre e egocêntrica, a única que observa problema em tudo, exatamente tudo o que os rodeiam.

Mas quem sou eu? Não se preocupe com isso, isso não é relevante para você no momento. Na verdade, quando o momento chegar, você perderá qualquer oportunidade de obter esta resposta, no entanto eu, graças a sua insegurança, e a sua negligencia consigo mesmo, estarei lá, à espreita esperando pacientemente a escolha que você fará sobre qual método utilizar. Basta então que você me faça este favor de continuar vivendo a sua vida exatamente da forma que você está fazendo agora, afinal, posso te garantir, estes problemas que você acredita ser grande demais para suportar, só podem realmente assim o ser...

Autora: Dan Yasuge (Insanity Pill)

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Chamado do Além

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Eu era apenas mais uma menina comum, que estava adentrando na tão temível adolescência, porém diferentemente do que se espera de uma jovem em fase de autoconhecimento eu era muito confiante e segura de si e acreditava ser muito mais inteligente e corajosa que todas as outras meninas da minha idade.

Eu costumava empinar o nariz e estufar meu peito, em todas as oportunidades, possíveis para dizer que eu era corajosa e que não tinha medo de nada. Tirava foto com os animais perigosos e peçonhentos que eu encontrava por aí nas matas, quebrava regras, arrumava briga na escola e praticava qualquer outro tipo de ato arriscado que me fizesse parecer ainda mais destemida e “descolada”.

Com o passar do tempo, os meus amigos começaram a perder o interesse pelas minhas loucas aventuras, eles pararam criar desafios mirabolantes para comprovar a minha coragem e inflar ainda mais o meu ego. Como já não estava mais recebendo toda a atenção desejada em casa e na escola, eu resolvi procurar novas emoções em outros lugares e propagar a minha verdade na internet.

Eu visitava todas as páginas da internet, perfis em redes sociais, fóruns, e vídeos no YouTube que tinham como tema o terror e o sobrenatural. Eu costumava zombar do conteúdo daquelas páginas e fazer comentários sobre o quanto aquelas histórias eram ridículas, e as pessoas que as escreviam mais ainda, por dizer - e acreditar - que coisas assim realmente existiam.

Nem mesmo eu sei dizer quantos comentários eu fiz ou o número de endereços eletrônicos que eu visitei durante esse tempo, só sei que com o tempo fui ganhando certa fama nesse meio de divulgação sobrenatural como: a “Cética” ou o “São Tomé de saía”.

Eu segui contente com o meu novo trabalho de crítica e cética da internet. Até o dia em que um desconhecido, que eu nunca havia visto no fórum, respondeu a uma de minhas postagens.

Eu abri a mensagem, julgando que se trataria apenas de mais uma dessas discussões corriqueiras que eu costumava ter com outros membros do fórum, quando por horas eu tentava convencer a todos do meu ponto de vista.

Gostava de demonstrar o quanto eu era racional e inteligente por não acreditar nessas “lendas” e “mitos” inventados enquanto boa parte do mundo era “idiota” o suficiente para acreditar que esse tipo de coisa realmente existia. Eu me sentia superior por ter uma inteligência privilegiada e fora do comum ao pensar mais racionalmente que todas as outras pessoas.

Porém, a pessoa que respondeu a minha postagem daquela vez parecia ser diferente das outras demais. Ela não parecia estar interessada em discutir ou tentar me convencer do seu ponto de vista. Ela apenas me propôs que eu cumprisse quatro desafios.

O primeiro desafio era algo simples: o anônimo me pediu para que ficasse em silêncio no meu quarto, totalmente escuro, no exato momento que o relógio marcasse três horas da manhã.

A princípio eu pensei em caçoar da “brincadeira” e dizer que aquilo era um desafio ridículo, que não provaria nada, mas como várias outras pessoas do fórum também comentaram na aba me

incentivando e me desafiando a fazer o que o anônimo dizia. Decidi aceitar o desafio, pois seria mais uma chance de provar que eu estava certa.

Então, a noite eu fiquei em trancada no meu quarto com o corpo enrolado na coberta devido ao frio e o celular em minhas mãos, pelos números do relógio digital que ficava na cômoda ao lado da cama eu pude ver que faltavam poucos minutos para as três da manhã. Apesar de eu não ter visto nenhum fantasma ou ter presenciado algum evento sobrenatural á lá poltergeist. Eu senti um sentimento nostálgico e familiar naquela hora, como se alguém passa-se a mão sobre os meus cabelos em um gesto carinhoso. Gesto que eu já não sentia a muito tempo, desde a última vez que vi o meu Tio Roberto a anos atrás.

Apesar daquele estranho acontecimento eu não me deixei abalar, liguei a luz do abajur, puxei as cobertas - que eu acreditava serem as responsáveis por aquela estranha sensação na minha cabeça, visto que, eu estava completamente coberta dos pés a cabeça naquela hora - tirei uma foto do relógio digital que marcava 3:02 AM e em seguida tirei uma selfie minha de pijama, com um sorriso convencido no rosto e um sinal de vitória nas mãos.

No dia seguinte mandei as evidências para o fórum da página, com uma mensagem presunçosa e pedi ao desconhecido para me mandar o próximo desafio.

Ele logo me enviou o segundo desafio, desta vez um pouco mais complicado que o primeiro, eu deveria acender duas velas em conjunto e colocar um objeto pessoal importante sobre uma superfície abaixo de um espelho e esperar sozinha no local com as portas e as janelas fechadas até a meia noite e então, de olhos fechados, perguntar a pessoa que havia me dado o objeto se ela estava na sala.

E assim eu o fiz, fui ao cômodo mais afastado da casa, o antigo escritório do meu pai, que estava vazio desde que ele havia saído de casa ao se divorciar da minha mãe a dois anos, e coloquei o espelho médio que havia trazido do meu quarto apoiado na antiga mesa de madeira e as velas e o objeto pessoal que eu havia trazido na frente do espelho.

Conferi o horário no meu celular, faltavam dois minutos para meia noite. Fiquei de pé de frente para espelho e fitei o objeto que eu havia trazido: uma antiga edição encadernada do livro de Alice no país das maravilhas, que eu havia ganhado do meu tio há muito tempo. Acendi as velas e fechei os olhos e então perguntei em voz alta ao meu tio se ele estava lá, não vou negar que eu me senti meio idiota ao fazer isso afinal eu estava completamente sozinha dentro da sala.

E apesar de não ter visto nenhum fantasma ou evento sobrenatural novamente, devo dizer que fiquei com um pouco de medo quando escutei o barulho alto de um baque surdo, como se algo se fechasse rapidamente. Abri os olhos um pouco assustada e percebi que as velas haviam se apagado e o livro havia se fechado sozinho.

Passado o susto eu ri sozinha, puxando o celular de cima da mesa e tirando outra selfie de pijama em frente o espelho, com um sorriso convencido embora um pouco afetado e outro sinal 'V' de vitória com os dedos.

Recolhi o livro e o espelho e fui para o meu quarto dormir, acreditando que eu não havia fechado devidamente a porta e a janela do escritório e por isso o vento havia apagado as velas e fechado o livro.

Ansiosa para conseguir terminar todos os desafios o mais rápido possível, fui até o fórum no dia seguinte com as novas evidências e perguntei ao anônimo qual seria o próximo desafio. Ele me disse para que eu esperasse até o próximo fim de semana para saber o que fazer.

A semana passou bem rápido, especialmente comigo grudada nas redes sociais todos os dias para o caso de o anônimo mudar de idéia e resolver me dizer o que fazer antes do tempo, porém dessa vez ele não entrou em contato comigo e nada aconteceu.

Eu somente sai da frente da tela do computador quando ouvi o telefone fixo tocar na sala. Atendi ao telefone um pouco surpresa ao notar que aquele era o número do meu tio. Ele me ligou me convidando para visitá-lo na Argentina. Sorri lhe dizendo que iria visitá-lo em sua casa em Puerto Íguazu assim que entrasse de férias na escola.

- Você promete?

- Sim, tio eu prometo. Que assim que sair de férias na escola eu vou visitá-lo onde estiver - disse me despedindo e desligando o telefone, logo em seguida.

Esperei até o fim daquela noite de sábado e não recebi nada, tirei uma foto com um sorriso um pouco cansado mas ainda presunçoso fazendo um sinal de vitória nas mãos e fui me deitar.

O dia seguinte se passou e o anônimo não fez novo contato. Foi somente na segunda-feira que ele mandou um “oi” no privado.

- Fiquei esperando pelo seu contato o fim de semana todo - digitei - Você disse que iria me contatar para me dizer o próximo desafio...

- Você já cumpriu o próximo desafio - respondeu ele.

- Então...presumo que os desafios já estejam acabando e que todos os testes que já fiz até então tenham provado que não existem fantasmas.

- Como assim? Você fez os três testes e ainda não acredita em espíritos?

- Sim! Já estou quase vencendo a aposta! Hahahaha! - ri vitoriosa, tanto dentro quanto fora da tela.

- Bem, então acho que você já “venceu” pois eu não posso lhe passar o quarto desafio sem que você tenha entendido os outros três.

Me irritei com a sua resposta pois achei que ele só estava tentando dar uma desculpa para não admitir que estava errado e que eu já havia vencido a aposta.

- Pois então peço que me explique! Porque realmente não estou entendendo o “propósito” do seu desafio.

- Pois bem...Então vou lhe explicar tudo...Lembra-se de quando fez o primeiro teste? E você teve a sensação de uma mão lhe afagando os cabelos?

- Sim...- respondi curiosa.

- Certo - continuou o anônimo - Aquele era o espírito de uma pessoa importante para você, um espírito bom que tem muito carinho e afeição por você e por isso afagou-lhe os cabelos.

Fiquei estática! Como ele sabia daquilo?

- E lembra-se da segunda vez? As velas se apagaram e o livro se fechou sozinho, não?

- Sim... - respondi começando a ficar receosa.

- Então...Foi a alma desencarnada da pessoa a quem você chamou que fechou o livro e apagou as velas quando o seu espírito passou pela sala.

Apesar de não acreditar em fantasmas, eu comecei a ficar com medo. Como ele sabia que essas coisas haviam acontecido?

Eu não havia contado para ninguém.

- Não sei como você adivinhou todas essas coisas - digitei já começando a entrar em pânico, pensando que ele poderia ser algum stalker ou coisa assim - Mas não sei se quero fazer o terceiro desafio...

- Mas você já o fez.... - digitou o anônimo.

- Como assim? - digitei desconfiada.

- O terceiro desafio era fazer contato com um morto...e você o fez!!!

- Não, eu não fiz!!!

- Sim, você fez. O seu Tio Roberto sofreu um acidente enquanto estava sozinho em sua casa a dez dias atrás...antes de todos os desafios começarem.

- Mas não pode ser! ninguém avisou nada, ninguém soube de nada! Você está mentindo.

- Não, não estou. Ninguém comunicou nada ainda pois ainda não sabem que ele morreu, ele mora em uma parte muito afastada da cidade, você sabe...os parentes não o viam já a algum tempo e por isso não estranharam, ninguém sabe ainda que ele morreu. Pois só vão descobrir isso agora quando eles forem visitá-lo na casa dele e encontrarem o seu cadáver já em estado de decomposição.

Não pode ser! Eu já ia começar a chorar, quando a minha mãe entrou no meu quarto chorando com o telefone na mão.

Meu corpo começou a tremer e eu desabei no chão, começei a chorar pois eu sabia exatamente qual a triste notícia que ela me daria.

Assim que conseguimos nos acalmar e a minha mãe saiu do quarto, eu me dirigi ao computador e ainda chorando enviei a próxima mensagem.

- Qual o próximo desafio? - perguntei.

Eu tinha que saber! Eu precisava saber! Eu tinha que acabar logo com isso!

- Cumprir a promessa que fez ao seu tio...A alma dele estava triste e sozinha, mas depois que você começou a contata-lo e fez a sua promessa ele se sentiu mais alegre...

- Está bem...Eu lhe envio a foto daqui a dois meses.

- Obrigada - respondeu ele, antes que eu desligasse o chat e fechasse a aba do fórum.

Dois meses depois, assim que entrei de férias pedi a minha mãe para que fôssemos a Puerto Íguazu para rever a família e visitar a casa e o túmulo do meu falecido tio. Ela concordou em fazer a minha vontade e em dois dias chegamos a cidade.

Quando cheguei a cidade eu fui visitar o túmulo o mais rápido que pude, levei um livro de Alice no país das maravilhas e um buquê de flores brancas como presente e pedi perdão por não ter podido estar com ele nos seus últimos momentos. Eu rezei para que sua alma descanse em paz e sai do cemitério, já fora do solo sagrado. Eu retirei o meu celular da bolsa de mão e tirei uma foto em frente aos portões do cemitério.

E naquela noite coloquei no fórum, aquela que seria a minha última contribuição naquele site, naquele e em qualquer outro do gênero.

Eu publiquei a minha foto as portas do cemitério no fórum, eu estava vestida com um vestido preto rodado, meias escuras e saltos baixos pretos, havia algumas marcas vermelhas em meu rosto por causa do choro mas não incomodei, nem na hora e nem agora, eu estava com o meu típico sinal de vitória em uma das mãos e um sorriso no rosto.

Um sorriso diferente de todos os que eu havia me habituado a dar ultimamente. Não era um sorriso convencido, debochado ou presunçoso mas um sorriso simples, um sorriso simples e modesto de alguém que havia apreendido uma valiosa lição e estava feliz por isso.

E abaixo da foto eu coloquei a seguinte legenda: “Acredite no Inacreditável. Pois existem mais coisas entre o céu e a terra do que a nossa vã filosofia é capaz de compreender”

Depois disso. Eu saí do fórum e fui as configurações do site para excluir a minha conta naquela página, no entanto, momentos antes de excluir a minha conta, recebi uma notificação no meu perfil dizendo que o anônimo havia respondido a minha postagem.

Fui verificar a resposta. E a resposta que eu li, jamais irei esquecer.

“ ^_^ Muito obrigada Lilica, por tudo”

Jamais irei esquecer porque a única pessoa que conhecia esse antigo apelido de infância, era a mesma pessoa que o havia me dado á muito tempo atrás...O meu falecido Tio Roberto.

Autor: Aileen Rhiannon

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Reinauguração do Grito de Horror

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Fala Creepers!

Mais uma vez estamos dando uma força para nosso parceiro Grito de Horror! Eles lançaram uma promoção de reinauguração do site que irá premiar você com um exemplar físico da obra "Ed & Lorraine Warren: Demonologistas" da consagrada DarkSide Books!

Corram! A promoção irá até 1 de Julho de 2018
(As regras estão descritas na postagem)


Não esqueça de comentar a hashtag #CPBr para que eles possam saber que vieram de nosso querido blog.

"Alex Lupóz - Gostaria de agradecer imensamente o CPBr por estar conosco em todas as reinaugurações e pela humildade. Isto sim é uma aliança genuína do horror, algo que muitos bloggers hoje em dia mal sabem o quê significam."

Keep Creeping!

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Porque Os Malvados São Loucos

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Você já percebeu, não? Hitler, Stalin, Ivan o Terrível, Átila o Huno, os serial killers e a lista vai. Todos muito, muito maus. E muito, muito loucos. E claro, você já percebeu que isso não tem como ser coincidência, todas as pessoas já perceberam.

Bem, o ponto no qual quero chegar aqui é, ora, já parou para pensar, o que uma coisa teria a ver com outra? Veja, não se tem qualquer relação direta entre sanidade e ética, ou empatia. Há pessoas boas e amalucadas, assim como pessoas meio mesquinhas e babacas, mas com uma mentalidade relativamente normal, não? Mas e os tais “muito, muito maus”? Psicopatas e ditadores, vivos e mortos, todos completamente malucos, das mil formas mais originais e artísticas imagináveis!!! Paranoia, alucinações, depressão, TOC, raiva desmedida, manias, narcisismo, tudo que há de louco e mais um pouco, artes das mais belas! Ok, ok, vou parar de devanear e ser direto. Eu não entendo muito de psicologia e nem preciso, porque a resposta da questão que entitula essa história não está em nenhuma teoria de algum humanista excêntrico tirada por seus pacientes em divãs, a resposta sou eu.

Olá, prazer, eu não tenho nome. Vocês me chamam de Caos ou Loki, em minha forma personificada. Não sou exatamente um humano, um vivo, um morto, um deus ou um diabo, sou só... Algo que existe, não importa. O que importa é que estou entediado. Eu sempre estou entediado e espero que vocês me compreendam. Quero dizer, tenho milhares de anos e só fico aqui na Terra vendo vocês repetindo as mesmas merdas enquanto dizem que evoluem, é chato, vocês entendem? Por isso eu quero me divertir, e por isso eu me divirto o quanto posso, é claro. E sim, me divirto às custas de vocês, humanos.

Não me levem a mal, nem tenham medo, não vou sair por aí infernizando todo mundo, não poderia nem se eu quisesse. Sabe, as forças que regem, bem... “as coisas”, o “tudo”, elas ainda me supervisionam, são como o meu chefe, assim como o seu, também. Não posso zoar com tudo, mas posso zoar com alguma coisa, ou melhor, com alguns. As forças do Universo não se importam tanto em desajustar com entidades que já são destrutivas, é irrelevante para a ordem das coisas, é apenas caos atacando o caos. E essas entidades existem em tudo que é vivo ou não vivo e dentre vocês humanos, esses dissidentes são conhecidos como “caras maus”.

Acho que vocês já estão sacando onde eu quero chegar. Pois é, sou eu que piro esses caras, é um dos meus hobbies favoritos. E como sei que vocês amam historinhas, vim trazer uma das minhas, talvez nem a melhor, mais divertida ou mais intrigante, mas ainda interessante, acho.

Bem, o cara era um policial corrupto. Ok, isso não é tão incomum em qualquer parte do mundo, mas este, em particular, era o cão. Era abusivo com a esposa e com os filhos, bebia feito carro velho, traçava montes de prostitutas, cobrava dos comércios locais por proteção, torturava alguns adolescentes supeitos ou não, recebia algumas propinas de criminosos um pouco maiores, coisa básica. Eu já tinha conhecimento de todo esse histórico, uma vantagem em exercer essa minha função, e já sabia bem como lançar minha isca. Para começar, fui abençoado também com a habilidade de decidir minha aparência (legal, né?) e na verdade eu não tenho uma forma física original, apenas algumas que gosto mais de usar e naquele dia em particular estava com minha favorita, a de um garoto de treze anos, velho o bastante para dominar as malícias do mundo e jovem o bastante para não ter qualquer maturidade quanto a

elas, existe coisa melhor? Claro que não. Mas beleza, eu estava andando pela rua de uma cidade média, rua que eu sabia que minha presa estaria naquele momento, descendo com seu carro. E foi com um baque que eu percebi que minha isca tinha sido mordida.

— É cego, velho filho da puta? — rosnei fingindo estar com raiva, tentando me levantar com as minhas pernas quebradas pelo impacto do carro. Vi o cara sair pela porta do motorista completamente puto. Perfeito.

— Quer morrer, moleque de merda?? — rosnou minha vítima, já tentando se impor com sua autoridade com ajuda de seus um metro e noventa de altura e 120 quilos. Uma coisa que adoro em pirar os caras maus, eles sempre tentam mostrar um ego gigante quando são desafiados, só para deixar meu trabalho ainda mais fácil e mais divertido. Seguindo a dança, finalmente eu me levantava apoiando-me ao capô e fingindo um pouco de medo misturado com raiva. Resmunguei alguns xingamentos, o que o enfureceu ainda mais.

— Seu merdinha! Pula na minha frente como palhaço, sabe quem eu sou?

Calei-me enquanto ele bufava. Por mais puto que ele estivesse, sabia que ele não negaria socorro a uma criança que acabara de atropelar. Não em público.

— Entra aqui, pivete. — resmungou, tentando baixar um pouco a voz. Ainda quieto, manquei rumo à porta do carona e entrei. Enquanto partíamos, já começava a me deliciar com os resmungos do policial, modéstia à parte, fui bastante sagaz ao pegar o cara justamente em um dos seus piores dias. Claro que ele não me levaria ao hospital, paramos em um ponto mais isolado da cidade, onde ele me puxou pelo braço a um beco ainda mais isolado.

— Escuta aqui, moleque. — rosnou, já alterando a voz de novo. — Já que o viado do seu pai nunca te ensinou respeito, eu vou ensinar agora.

— Vai se foder. — respondi em tom apático.

— COMO É??? — Não se conteve e lançou um soco rumo à minha cara. Desviei facilmente, o que o irritou ainda mais.

— Vai se foder, velho. — repeti. Vendo que precisaria ser mais persuasivo para me submeter, sacou sua arma do bolso e mirou em mim. Dei de ombros, agora já o deixando louco.

Sem raciocinar, apertou forte a arma em sua mão, já pouco se importando se ela iria disparar. Mas não era uma arma. Era um lenço. Ficou encarando a mão com uma expressão de “que porra é essa” e depois olhou pra mim.

— Que foi? — perguntei. Ele não respondeu, só ficou me encarando antes de mandar mais um soco que também só acertaria o ar.

— Tá com algum problema, moço? — perguntei inocentemente. Assustado, viu seu punho apontando para o nada enquanto eu contemplava sem me mecher, uns cinco metros atrás dele. Ele me olhou nos olhos, estupefato e já com algumas gotas de suor frio.

— Quer que eu te ajude com alguma coisa? — insisti. Estávamos no mesmo beco, eu era o mesmo garoto, mas minha perna não estava mais quebrada. Eu era só uma criança qualquer com um ar intrigado olhando pra ele. Ele soltou um pouco de ar, como se ganisse.

Acordou. Estava em uma cama de motel mais uma vez e a puta que tinha pegado parecia estar já tomando banho.

— Você estava gritando dormindo, sabia? — disse a moça ao sair, nua, mas ainda enxugando o rosto.

— N-não foi nada... — começou ele ao que viu a moça revelar o rosto por trás da toalha. Sim, era eu, quero dizer, o mesmo garoto que eu tinha me feito parecer. Ele berrou de novo e acordou de novo, dessa vez no tribunal, no banco dos réus.

— ...O senhor é acusado de cobrar propinas, ameaçar sete lojistas, cárcere privado, violência doméstica, tortura e um assassinato. Há alguma declaração que queira dar.

Ele olhou o juíz, o mesmo garoto. Olhou para o júri, o mesmo garoto, todos eles, conversando entre si normalmente como se nem notassem que os observava. Todos com o mesmo rosto.

— Tá com algum problema, moço? — perguntou o juíz.

Deu um berro de pânico assim que acordou por uma última vez. Estava em seu carro, na mesma rua em que teria acontecido o acidente, mas estava tudo normal, ainda não chegara ao cruzamento e não havia garoto nenhum. A única coisa da alucinação maluca que continuava era sua expressão de terror, que agora podia ver claramente em seu retrovisor. Baixou e segurou sua cabeça resmungando “merda” por alguns segundos. Até ouvir a buzina do carro de trás apressando-o. E assim ele continuou pela rua e tentou tocar sua vida como ela sempre fora. Mas o estrago já tinha sido feito e aquela lembrança teimaria em ficar no fundo de sua mente, deixando-a mais cautelosa, mais paranoica. E se eventualmente ele conseguia bloquear ou mesmo se convencer que tudo era só um devaneio tolo que tivera um dia, o mesmo garoto aparecia na rua, ao longe, sempre acenando para ele com seu mesmo sorrisinho cínico.

E essa foi nossa historinha, gostaram? Pois é, eu tenho várias outras envolvendo os mais diversos “caras maus” desse mundo, crônicas divertidas que adoraria poder compartilhar com todos vocês, mas infelizmente, isso tomaria tempo demais, então paro aqui. E você, leitor? Como vai a sua vida? Como tem se comportado? Bem?

Que pena.

Autor: Dom Jurumela

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Olhos Vazios

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Meus olhos estão fechados e ouvidos desconcentrados. Não sentia-me tão relaxado a bastante tempo. Tudo que eu faço é acordar cedo e trabalhar, minhas pausas são só para comer alguma coisa ou outra. Ouço uma voz chamar-me ao meu lado:

- Sebastian?

Abro os olhos. Estou numa viatura com meu parceiro, seu nome é Henry.

- Quando acabarmos, é melhor você ir dormir.

Eu não respondo, movo minha mão para meu bolso traseiro da calça e puxo meu celular. Vejo a hora, são 2:31. Algumas gotas de chuva começam a cair abruptamente nos vidros do carro, seus sons são quase inaudíveis graças a sirene ligada. Estamos dirigindo por pouco menos de meia hora desde que fomos chamados; nos disseram poucas informações além de que um grupo de adolescentes estão sendo atacados por alguém em um armazém abandonado. A cidade vem sofrendo com este tipo de coisas a muito tempo: um monstro pálido com braços gigantes sequestrando crianças, um cara com rosto mutilado matando famílias, um palhaço assassino, um indivíduo com fantasia de coelho. Em boa parte dos casos são as famílias que sofrem, muitas mudaram-se este fim de ano. Eu estive pensando em sair da polícia graças a estes casos assustadores, mas meu senso de justiça alimentou-me desde que resolvi entrar. Chegamos na rua que é apenas ocupada pelo armazém com o resto sendo apenas vegetação, o mesmo possui uma cerca grande ao seu redor. Eu reconheci o lugar, já não era usado desde 2009; sua única função agora é ocupar arruaceiros e animais desabrigados. Sai da viatura com meu parceiro e a chuva não havia parado, então analisamos o local brevemente. Vimos que um lado da cerca próxima ao portão fechado está aberta como por uma alicate. Henry move-se e passa pelo buraco, eu vou em seguida. Corremos até o armazém sem perder tempo, eu tento abrir a porta dupla feita de metal enquanto Henry puxa sua Glock 17 ao meu lado. A porta não abre, está trancado por alguma corrente no outro lado. Olho toda a fronte do armazém e vejo uma janela a cima da porta dupla, grande o suficiente e não muito longe de onde estamos, sendo possível acessa-la com apoio.

- Henry, preciso que você me levante até lá! – Falo alto e aponto para a janela.

Henry encosta-se em meio as portas e junta suas mãos assentindo. Eu coloco meu pé direito em meio as mãos e levanto o outro, ele ergue-me. Estou a um palmo da janela, eu coloco meu pé direito em cima do ombro de Henry, pegando impulso. Eu agarro a borda úmida da janela com as duas mãos, rapidamente subindo com esforço para não escorregar. O interior do local é iluminado pelas poucas janelas, não sendo suficiente graças a sua extensão. Eu pulo para dentro, aterrissando tranquilamente no chão. Puxo minha lanterna e miro brevemente ao redor, temos de ser rápidos pois as vítimas podem estar mortas. Dirijo-me depressa até a porta dupla, removo sua corrente e abro-a, Henry entra apressado. Vamos andando pelo meio do armazém, mirando com as lanternas e armas ao redor e meu parceiro determinado em minha frente. Meu nariz começa a coçar e sinto vontade de espirrar.

“Malditas alergias!”

Deixo escapar um espirro não muito barulhento, minha mão que segura a lanterna abaixa-se aos pés de Henry. Recupero minha postura e vejo que ele olha alguma coisa aos seus pés: gotas e pequenas poças de sangue formam-se uma atrás da outra como uma trilha. Entramos com tanta pressa que não examinamos o chão, agora estamos ainda mais aflitos. Passamos a

seguir a trilha, ela nos leva até uma porta de ferro no final do armazém que possui um desenho de uma escada e uma escritura:

“Armazenamento inferior”

Abro e desço primeiro, miro para baixo e vejo uma curva para a direita, continuamos descendo até o fim da escadaria. Chegamos em outro deposito igual ao de cima, porém este está repleto de caixas de madeira e papelão, como se estivesse em uso. Continuamos seguindo a trilha e percebemos poças de sangue formando-se através de algumas caixas empilhadas, ouço Henry murmurar alguma coisa mas continuo acelerando o passo. A trilha para em mais uma porta de ferro, ao aproximar-se ouço barulho de goteiras. Abro a porta cautelosamente apontando lanterna e arma. Este cômodo é menor e nele vejo vários corpos pendurados de cabeça para baixo, estão presos por cordas amarradas em barras no teto, seu sangue é derramado em baldes com alguns transbordando. O cheiro é insuportável, mesmo com minhas alergias consigo sentir a podridão; Henry tampa seu nariz com a manga da blusa e continuamos a andar lentamente em meio aos cadáveres. Ouço um barulho atrás de mim, viro-me e vejo que Henry escorregou numa poça de sangue e segura-se em um corpo com uma expressão apavorada. Antes que eu volte a andar, uma lâmina atravessa o peito do cadáver que Henry está segurando e atinge seu rosto. Meu parceiro cai no chão, um buraco de lâmina em sua testa; sua lanterna cai junto e vejo um par de pernas cobertas por uma calça e coturno pretos atrás do cadáver. 

Pasmo, minha única reação foi mirar nas pernas e atirar, dei um disparo mas o indivíduo correu numa velocidade surpreendente. Fui andando depressa entre os corpos atrás dele, uma mão me segurou pelo antebraço antes que pudesse tentar a sorte e atirar nele ainda correndo. Olho para trás mirando com a lanterna e vejo uma garota de aproximadamente dezesseis anos pendurada, ela está apavorada com lágrimas e sangue cobrindo seu rosto, ela tenta gritar mas sua boca está costurada lábio com lábio. Eu fico ainda mais aflito, tenho de tira-la dali mas aquele sádico ainda está solto. Vejo que ela está presa por uma corda firme amarrada em suas pernas, seguro a garota com um braço, ponho a arma no coldre e movo minha mão por meus bolsos procurando meu canivete. Corto a corda e a garota cai em meus braços. Está frio mas eu começo a suar de pavor; olho ao redor paranoicamente, meu parceiro morto, um maníaco solto e uma garota ferida em meus braços. O cômodo fica ainda mais escuro: as portas foram fechadas e a única luz vem de minha lanterna. Vejo apenas silhueta dos corpos balançando-se devagar, coloco delicadamente a garota no chão, guardo o canivete e puxo minha arma, mirando ao redor junto da lanterna. Vejo os corpos balançar e um vulto passando rapidamente nas sombras. Eu estou ofegante, tremendo aos poucos, seja lá o que for aquela coisa eu não quero morrer. A garota começa a grunhir tentando gritar para alertar-me de alguma coisa, vejo ela com olhos esbugalhados em uma direção e viro-me para onde ela está olhando. Ao mirar minha lanterna, aquela coisa corre ensandecida em minha direção, antes de eu reagir uma lâmina corta meu pescoço. Eu largo a lanterna e pressiono o corte virando-me para a criatura, não consigo ver seu corpo, apenas seu rosto que parece uma máscara azul, seus olhos são inexistentes e um fluído negro sai das órbitas. Minha cabeça fica leve, acabo tonteando e apago.

Eu acordo, sinto estar de cabeça para baixo mas surpreso por estar vivo. Minha vista está embaçada, mas posso ver algumas silhuetas em meio a escuridão e sentir o cheiro podre. Tento mexer-me, meu pescoço e meu corpo doem como se esfaqueado várias vezes. Passo minha mão pelo meu pescoço e sinto uma bandagem no corte, passo a mão nos meus bolsos e coldre mas foi tudo retirado.

“Preciso sair daqui!”

Meus olhos estão adaptando-se a escuridão aos poucos, posso ver que estava pendurado no mesmo lugar de antes junto dos outros corpos. Ouvi o barulho de uma porta abrir atrás, porém não conseguia ouvir passos, eu sabia que aquela criatura era silenciosa. Em um instante ele está em frente ao corpo à minha esquerda, posso ver sua máscara azul e seus olhos negros; passo a controlar minha respiração para que ele não perceba que eu estou acordado. Ele tem garras negras, com elas começou a abrir a barriga do corpo ao meu lado, deslizando a garra calmamente como se pintasse um quadro. Uma dor em minha barriga aumentava cada vez mais, parecia que reconhecia a sensação. Um grito feminino veio de outro cômodo, ele parou de cortar o corpo e enfiou sua mão dentro do mesmo, em poucos segundos ele retirou alguma coisa que a princípio não conseguia reconhecer. Ele andou um pouco mais perto de mim com aquilo em sua mão, reconheci ser um rim.

O que eu vi me aterrorizou. Ele levantou sua máscara, revelando sua pele pálida e mutilada, boca e dentes negros. Em seguida levou o rim até sua boca, mordendo e mastigando o mesmo até não sobrar mais. Após terminar ele abaixou sua mascará, dirigiu-se até mim até ficarmos frente-a-frente e ergueu sua garra. Um grito da mesma voz vem do outro cômodo novamente. Ele enfia sua garra no abdômen do corpo em minha direita, eu fico muito aliviado mas não menos aterrorizado. Ele some de minha vista depressa e ouço a porta fechar-se atrás de mim. Eu olho para a lâmina presa no abdômen do corpo e tento balançar-me para pega-la, pego tanto impulso que acabo esbarrando em um corpo atrás de mim. Na segunda tentativa eu consigo puxar a lâmina: uma faca militar preta, uma parte para corte e a outra para serrar, no escuro pensei ser uma garra. Flexiono meu abdômen tentando ignorar a dor e seguro-me na corda que prende minhas pernas, começo a serra-la com a traseira da faca e em um instante caio de costas no chão frio molhado de sangue. Levanto-me e ando depressa até a porta pela qual entrei com Henry, porém ouço aquele grito e choro feminino novamente.

“Será aquela garota de antes?”

Eu estava apavorado demais para ir salva-la, mas eu sou um policial e esse é meu dever. Sigo a direção do grito, passando entre os corpos pendurados, a dor no pescoço e abdômen continuam. Chego na porta e tento escutar o que pode ter além dela, eu a abro cautelosamente com olhos e ouvidos atentos. Estou em um pequeno corredor com mais algumas portas de ferro, ouço o choro novamente e sigo até ficar frente-a-frente com a porta de onde ele vem. Abro a porta quase completamente, mas paro quando vejo a silhueta da criatura olhando para a garota; ele vira a cabeça em minha direção. Sem pensar duas vezes eu corro para a outra porta e a fecho pressionando contra o outro lado. Ele chuta e bate na porta, no meu estado físico não irei aguentar pressiona-la por muito tempo. Olho ao redor e vejo silhuetas de caixas grandes ao meu lado, tento puxar uma delas com minha mão esquerda e sinto que é pesada; rapidamente puxo ela com as duas mãos e saio da porta, a caixa agora bloqueia a entrada. Ainda ouço as batidas abruptas dele, não tenho onde esconder-me e não estou em condições de lutar.

Meus olhos varrem cada lugar neste cômodo, até encontrar um buraco na parede onde deveria ser uma saída de ar grande o suficiente para eu passar. Eu vou depressa para cima de uma caixa próxima ao buraco e passo meu corpo através dele até chegar na sala ao lado; no mesmo instante ouço o barulho da porta de ferro batendo e a caixa quebrando no outro cômodo. Eu afasto-me do buraco e continuo em silencio, caminho até a porta de ferro e vejo um par de chaves com uma dentro da fechadura; giro a chave destrancando a porta. Eu posso ouvir ele procurando por mim no outro cômodo, haviam seis chaves naquele par, uma delas deveria trancar aquela porta. Sai para o corredor até a porta do cômodo onde ele está; rapidamente fechei a porta segurando a maçaneta, tentei uma chave mas não encaixava, ele tentava puxar a porta quase abrindo, forcei a porta em minha direção e

continuei tentando outra chave que não funcionou. Ele agora estava ainda mais ensandecido, conseguiu puxar com tanta força que agora eu podia ver sua máscara, ele tentou me esfaquear pela fresta da porta; estiquei-me para trás tentando desviar. Botei as chaves no bolso e puxei minha faca, atacando seu braço que estava para fora. Um fluído preto saiu dele e recuou fazendo eu conseguir fechar a porta, troquei a faca pelas chaves e tentei a próxima que finalmente funcionou. Ele agora estava trancado do outro lado, rapidamente fui para o cômodo onde a garota está, com a porta ainda aberta eu vou até ela. A garota está jogada no chão de costas, ela levanta a cabeça devagar em minha direção, sua boca não está mais costurada mas sangra muito. Eu vejo se ela está em condições de andar, olhando para seus pés vejo que o tendão de seu pé esquerdo foi cortado. Ela tenta falar algo mas só murmura; puxo seu braço direito e contorno o mesmo ao redor de meu pescoço, depois pego-a em meu colo.

A criatura parou de bater na porta, pergunto-me se ele descobriu o buraco na parede; antes de descobrir começo a correr com a garota em meu colo para onde lembro-me ser a saída. Corro através do cômodo repleto de corpos tentando desviar o máximo que conseguir, mantendo os passos firmes para não escorregar no sangue. Chego na porta encostada e a abro o mais rápido que posso pois ouço os corpos atrás de mim movimentar-se. Corro pelo deposito repleto de caixas que sangram, vejo pelas janelas que a luz do sol entra por elas. As próximas portas estão abertas facilitando a fuga, vejo as portas duplas do jeito que eu e Henry deixamos e passo através delas. A viatura ainda está lá, corro até a cerca quebrada e esforço-me para passar junto da garota. Corro até o carro, abro a porta de trás e deito ela no assento, sinto-a respirando devagar. Dou alguns olhares para o armazém mas nem sinal do mascarado, eu estou tendo um mal presságio junto de um frio na espinha. Vou para a porta da frente do carro e abro-a, Henry deixou as chaves no espelho dobrável do carro e eu ligo o mesmo, dirigindo para fora do lugar.

Dois dias passaram desde o ocorrido. Eu descobri quando cheguei na delegacia que havia uma cicatriz grande em meu abdómen: meu rim fora removido. Também fiquei com problemas para falar graças ao corte no pescoço.

Estou de folgas merecidas em minha casa. São 2:31 da manhã e eu levanto para ir usar o banheiro; saio do quarto, passo pelo corredor e chego ao meu destino. Após usá-lo, saio e sinto uma presença desconfortável, a mesma que senti naquele dia: aquele cheiro podre e sensação de desconforto. Eu olho para o fim do corredor e vejo aquela silhueta, aquela máscara, aquelas órbitas vazias escorrendo o fluído negro. Ele segura alguma coisa em sua mão esquerda, rapidamente joga aquilo em minha direção: era meu rim comido pela metade. O silencio é quebrado quando ouço ele sussurrar:

- Vim buscar o outro.

Autor: Andrew Fermiano (Nux)

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Wade

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- Olha! Esse é o soro?

- Sim! Isso irá ajudar muito os militares, mas precisamos testar...

- Já fizeram os testes nos animais?

- Já testamos em ratos e outros animais, precisamos de uma cobaia humana!

- Eu sei onde podemos achar!

-------------------------

Fui designado, junto de meu colega, Gill, para irmos ao orfanato da irmã Martha. Eu me chamo Ben Carson, sou um jovem cientista, do melhor laboratório da cidade. Sou muito bom naquilo que faço e sempre quero me sobressair. Afinal, eu serei o melhor cientista que eles terão.

Estacionei próximo à uma grande construção velha. Mas devo dizer que para um orfanato, está muito bom. Bati na porta e uma freira atendeu com um olhar confuso.

- Boa tarde, a senhora deve ser a dona Martha? Certo?! - ela balançou a cabeça em confirmação - Ótimo... Viemos ver as crianças, podemos entrar?

Ela abriu a porta dando passagem para nós. Até aí tudo bem. Ela pediu para aguardamos enquanto ela ia procurar as crianças. Fiquei analisando o local. Não era um local apropriado para cuidar de órfãos, mas era melhor do que morar embaixo da ponte.

Minutos depois dona Martha retornou, seguida de vinte crianças, mais ou menos. Eram bem risonhas e serelepes, mas não era isso que estávamos procurando. Peguei a ficha das crianças, que dizia os requisitos delas, suas qualidades e imperfeições. Folheei as páginas e uma me chamou total atenção.

Não tinha quase nenhuma informação, além do básico e requisitos médicos. Aquela criança parecia ter algum problema. Olhei em meio as crianças, procurando o dono da ficha. O encontrei no fim da fila. Estava com os cabelos em frente ao rosto, mas tinha certeza que era a mesma pessoa. Apontei para ele e Gill entendeu que era para leva-lo ao carro. Puxando-o pelo braço, Gill levou o garoto porta à fora, enquanto eu fiquei para assinar os papéis.

- Quem são vocês? - perguntou dona Martha.

- Informação sigilosa! Sinto muito... Mas garanto que cuidaremos bem dele!

Antes que ela respondesse, fechei a porta e segui para o carro.

- Então? Tudo pronto para começar os testes? - perguntou Gill.

- Sim... Vamos logo!

Durante a viagem, a criança não disse uma palavra, nem deu sinal de vida. Na verdade, ele não demonstrou nenhuma reação desde que foi levado para o carro, palavras de Gill.

- Qual o nome desse garoto?

- Wade - respondi - Só Wade! Não tem um sobrenome!

- Sério?! Escolheu ele por causa disso?

- Isso e mais um pouco... Ele não tem muita informação... Então se ele sumir, ninguém sentirá falta...

Vi um movimento pelo retrovisor. Pude jurar que tinha visto Wade dar um pequeno sorriso, mas achei que fosse impressão. Chegamos ao laboratório, e expliquei à criança que ele tinha que obedecer todo mundo que ali estava. Nenhuma palavra, nem reação.

Aceitei aquilo como um "tudo bem" e o coloquei em seu quarto. Não tinha nada além de uma maca enferrujada, com alguns lençóis jogados. Além de possuir uma pequena câmera que não funcionava direito. Perfeito para alguém que já nem tinha muito. Wade entrou e se sentou na maca, e pela primeira vez, ouvi sua voz.

- Qual o seu nome, doutor...?

Fiquei parado por um momento, mas respondi.

- Ben Carson, mas para você... Só doutor Carson!

Bati a porta.

Começamos os testes durante a noite, aplicando o soro em seu braço esquerdo. E fizemos a mesma coisa por quatro anos, pois o soro não podia ser injetado todo o dia apenas um mês sim outro não. O soro levou muito tempo para fazer efeito, mas não podíamos aplicar uma dose tão alta, por poder haver efeitos colaterais. Além das aplicações, fizemos testes de resistência e força. Ele se saia muito bem.

Só tinha um problema nisso tudo... Wade não gostava de ser observado. Ele feriu gravemente várias pessoas que ficavam de vigia sobre seu comportamento no quarto.

Resolvi deixar ele com sua privacidade.

Estava ficando impaciente, as aplicações eram muito pequenas e o resultado não fazia grande diferença. Mais quatro anos se passaram e eu não aguentei. Ficar nessa mesma merda por oito anos foi demais. Eu mesmo apliquei o soro no Wade.

O lado esquerdo de seu corpo mudou totalmente, o tom de sua pele ficou avermelhado e suas veias ficaram expostas, seu cabelo, que antes cobria seu rosto agora cobre apenas o lado direito. O lado esquerdo caiu e mantém apenas alguns fios pendurados. Suas unhas estão mais endurecidas que o normal.

Mas uma coisa que reparei também foi que Wade, não podia mais ficar sozinho. Ele cortou o próprio pescoço. Mas eu não podia perder mais nenhum ajudante. Resolvi então, que eu ia ficar com ele.

Com a permissão de meu superior eu fiquei de vigiar Wade durante a noite. Na primeira noite, quando entrei no quatro... Ele estava sentado de frente para a porta.

Como se estivesse à minha espera. Seu rosto, estava com uma expressão preocupada.

- Resolveu mudar a cara, Wade?! - perguntei zombando.

- Sim... Eu preciso falar com você doutor Carson... - sua voz era baixa e rouca.

Sentei e esperei Wade falar.

- Eu ouvi uns comentários sobre o senhor...

- Hmm... Comentam sobre o que? Como sou competente no meu trabalho? - perguntei, me sentindo orgulhoso de mim mesmo.

- Pelo contrário... Dizem que você é o pior cientista daqui. Que você é tão egocêntrico que não merece esse cargo...

Ao ouvir aquelas palavras, eu me senti despedaçado por dentro. Mas não podia acreditar nas palavras ditas por um garoto, que agora é um monstro.

- É mentira! Você está errado...

- Não diga que não repara os olhares virados... Os cochichos quando você passa...

Eu não sabia o que pensar. Vivi minha vida por aquele emprego, pela ciência... E agora...

Não estava pensando direito...

- O senhor tem que fazer alguma coisa... Eles tem que pagar...

Fiquei ouvindo Wade falar no meu ouvido. Ouvindo cada palavra, as idéias... E eu acabei perdendo a noção do que eu estava fazendo...

No dia seguinte, eu não dormi direito. Estava com grandes olheira sob os olhos e com a mente avoada. Passei pelo quarto do Wade e vi seu rosto pelo vidro da porta...

"Faça..." Era o que seus olhos me diziam. Eu não esquecia suas palavras de ontem...

Eu não estava no controle do meu corpo... Fui em direção à ala proibida do laboratório. Lá eles guardam gás de veneno que fazíamos para os militares. Peguei uma máscara de gás.

Eu não tinha reparado na hora, mas tinha uma máscara faltando. Comecei a abrir as cápsulas do veneno e as joguei pelos tubos de ventilação.

Sai da sala e continuei a abrir as cápsulas, enquanto todos fugiam desesperados. Mas não adiantava... Uma pequena absorção do gás, e o indivíduo está morto. Vi todos se contorcer de agonia, e respirando pesadamente pedindo por ar fresco.

Minutos depois liguei os exaustores. Olhei para os corpos sem vida e voltei a realidade.

- O que eu fiz...?

Antes que eu pudesse entrar em pânico, ouvi um pequeno cantarolar vindo do fim do corredor. Impossível, eu tinha matado todos. Foi quando a silhueta de um jovem, magro e alto surgiu da escuridão do corredor.

- Bom trabalho doutor... Tudo do jeitinho que planejei!

Era Wade.

- Essas máscaras servem pra alguma coisa afinal... - ele arremessou uma máscara de gás para longe - É tão fácil conseguir as coisas nesse lugar!

- Wade? Porque...

- Hm... Você ainda não entendeu? - minha expressão o fez rir - Eu planejei isto desde o início! Você é do tipo fácil para manipular... Então tudo que precisei fazer... Foi apelar para o seu ego!

- Então... Você feriu os outros só para me fazer tomar conta de você?!

- Bom... Isso também! Mas tanto faz! Você cumpriu minha vingança perfeitamente!

- Vingança?

Ele começou a andar novamente.

- Você acha que é legal ser usado como rato de laboratório? Acha que eu gostei do que você fez com a minha aparência?...

Ele parou na minha frente e levou sua mão esquerda para o meu pescoço. Estava em choque e não consegui me mover. Mesmo sendo um pouco mais baixo, Wade conseguiu erguer meu corpo do chão.

- Eu podia acabar com você com minhas próprias mãos! - seu olhar era frio - Posso simplesmente arrancar a carne de seu pescoço...

O aperto de sua mão ficou mais e mais forte, fazendo sangue jorrar do meu pescoço e escorrer pelo seu rosto. Mas ao invés de me matar... Wade me soltou.

Eu caí ofegante no chão... Tentando conter o sangue que ainda escorria. Wade ria da minha cara, enquanto lambia meu sangue que escorria em seu rosto.

- Mas eu não vou perder meu tempo com seres inúteis como vocês! Pra que gastar minha força bruta com um saco de merda que nem você?

Ele andou em direção à saída. Eu gritei.

- Você tá ferrado na minha mão! Eu tenho dados seus e sou...

-...O assassino! - ele cortou.

Não consegui reagir.

- E eu não existo!... Agora, ou você se deixa ir preso... Ou, se preferir, morra aqui com eles! - disse apontando para os corpos.

Ele se foi, me deixando ali jogado no chão... Levantei e fui cambaleando até a sala dos registros... Não tinha nada sobre Wade! Nem nos computadores... Ele provavelmente apagou tudo logo depois que eu liberei o gás...

Mas não seria possível... Tinha muitos dados... Foi quando lembrei dos dias em que Wade não tinha ninguém para vigia-lo. Como ele abria a porta? Quando fui reparar direito... A fechadura estava quebrada. Ele conseguiu quebrar a fechadura e eu não tinha reparado...

Não importa o quanto eu tentasse... Procurar era inútil, ele tinha pensado em tudo.

"O assassino! E eu não existo!..."

Por isso estou relatando tudo aqui. Não é uma despedida, nem um pedido de perdão... Mas um aviso. A pessoa que está por aí a fora, é perigosa... Ele é manipulador, cruel e vingativo.

E eu não tenho motivo para viver preso na cadeia... Então minha vida termina aqui.

Cuidado.

Autora: Ana Beatriz Candeas

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