NES Godzilla - Terra e Marte

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Quando eu era uma criancinha, as duas coisas que eu mais gostava na vida eram Godzilla e os Jogos do NES. Então, naturalmente, quando Godzilla: Monstros dos monstros foi lançado, foi como um sonho tivesse se tornado realidade.

Então para melhorar, a maioria do jogo girava em torno de obter através de (repetitivos) níveis do espaço exterior enquanto destruía tanques e jatos, e então lutar contra os inimigos do Godzilla. Era tudo meio medíocre, mas eu não ligava.

Quando eu ganhei o jogo como um presente no meu décimo aniversário, eu joguei aquilo noite e dia, o máximo que pude.

Infelizmente eu troquei o jogo pelo Amagon um ano atrás, devido meu retorno quando eu lembrei do jogo que eu gostava. Recentemente, eu comprei um novo NES, e através de muitas pesquisas e perguntar para muitas pessoas, meu amigo, Billy finalmente encontrou uma cópia de Godzilla: Monstro dos Monstros.

Eu estava ansioso para jogar meu jogo de infância favorito. Nunca me ocorreu a ideia de perguntar para o Billy onde ele encontrou aquilo. Ele também me deu outros jogos como Legend of Zelda, Bomberman e uma coisa estúpida chamada Action 52, mas Godzilla tinha que vir primeiro.

Então eu iniciei o jogo e a nostalgia veio me inundando como um maremoto. A canção 8-bit preencheu perfeitamente as caixinhas de som e eu já estava sorrindo como um idiota.

Algumas pessoas riem de mim por curtir esses jogos ultrapassados, mas eu nunca tive tanta diversão com outro jogo quanto aqueles no NES. Aqueles Joguinhos 8-bit me levavam para um tempo onde as coisas era mais simples, mais... seguras. Mas depois do que aconteceu com esse jogo, Eu não tenho mais essa sensação.

Eu tinha esquecido muito rápido, a diversão que esmagar coisas como o Godzilla me proporcionava naqueles níveis. 

O jogo te bombardeia com balas e coisas quebradas, em todas as direções, e você é muito grande para desviar da maioria delas. Apesar da minha felicidade ter diminuído um pouco, essa situação não durou muito até eu ter minha primeira boss battle.

Meu primeiro oponente foi Gezora, uma lula obscura, no estilo Kaiju, que nunca esteve num filme do Godzilla.

O mais irritante em lutar contra Gezora, é que ele sempre te prendia num canto e começava a te esmagar com seu tentáculo, e você ficava impossibilitado de se mover até ele te soltar. Esse movimento não dá nenhum dano, mas você ele pode te impossibilitar até o tempo esgotar e você ter de começar a luta novamente, e ele reganhar alguma vida.

É tão irritante quanto parece. E com certeza, ele era quando eu lutei com ele. Apenas por alguma razão, isso resultou no jogo travar, pois uma vez que ele começou a me esmagar, ele nunca parava.

O timer era suposto acabar a luta em quarenta segundos, mas isso durou por aproximadamente cinco minutos. Um pouco depois, os gráficos começarem à se bagunçarem, com pequenos blocos vermelhos em todo lugar.


Foi muito estranho, mas apenas tirei o cartucho, o assoprei, e então comecei novamente. Eu não iria deixar um simples travamento ficar no meu caminho. Então comecei novamente e dessa vez derrotei Gezora e o outro boss, Moguera, sem nenhum problema.

Então, eu estava indo para o outro planeta: Marte. Eu olhei no mapa e achei algo não esperado: Onde o ícone do Varan deveria estar, havia no lugar representando o Titanossauro. Só haviam dez kaijus no jogo, e o Titanossauro não era um dele.

Ou assim eu pensava. Percebi que o Titanossauro deveria originalmente, sem dúvidas, estar no jogo, mas foi trocado com o Varan por algum motivo?


Então, comecei a me sentir muito feliz – não por que eu estava jogando meu jogo favorito, mas sim por estar jogando um protótipo ou algo do tipo com um novo monstro! Nem preciso de dizer que, eu corri pelos níveis o mais rápido que pude para poder ver o Titanossauro em ação.

Lutei com Gezora novamente e derrotei ele antes do ataque com os tentáculos, mas dessa vez o bug começou a atacar quando ele morreu. Os destroços de Gezora não mergulharam até o chão, mas ao invés disso, ele parecia ser devorado pelo bug, e seu olho começou a aparecer por toda a tela.



Eu sabia que esses bugs com o Gezora foram meu primeiro sinal de advertência que algo estava muito errado com esse jogo. Mas tolamente eu ignorei isso, e procedi na luta com Moguera, quem dessa vez tinha um bug dele mesmo:

Moguera estava duas vezes do tamanho em que ele estava anteriormente, o que me chocou. Ele era também consideravelmente mais difícil de derrotar que o normal (mas na verdade nem tanto), mas quando eu derrotei ele, e ele logo morreu, outro bug aconteceu:



Isso aconteceu tão rápido, que fui muito sortudo por tirar uma screencap disso tudo, mas o que aconteceu foi que o Moguera Gigante começou a “despedaçar” e “derreter”. Também, se você olhar no canto direito da tela, você vai perceber que parece ser um pássaro em uma gaiola. Eu ainda não tenho ideia do que isso significa.

A essa altura, eu estava prestes a lutar com o Titanossauro, e estava preocupado com que tipo de bugs iriam acontecer dessa vez. Mas para minha surpresa, Titanossauro parecia... bem. Mas todos os monstros bípedes do jogo eram da mesma altura, e o Titanossauro parecia um pouco alto. Mas o Titanossauro era maior que o Godzilla na estreia dos cinemas e eu ainda achei que isso era meio legal.



Após essa luta muito divertida com o monstro que não era suposto estar no jogo, Eu peguei a base inimiga e prossegui, não para Júpiter como o normal, mas sim, para... “Pathos”:

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Continua..?


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Pete, o Moonshiner

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Na quarta e quinta série, eu costumava passar a noite na casa do meu amigo Tom quase todo fim de semana. Tom vivia em uma casa no campo. Ele dividia o quarto com seu irmão mais velho, Walter. Nós 3 ficavamos acordados até tarde contando histórias assustadoras.

A mais assustadora era uma história verdadeira. Aqui está como Walter contou:

“ Em 1920, esta casa pertencia a uma família diferente. O vizinho mais próximo era um moonshiner chamado Pete (uma bebida alcóolica ilegal). Pete morava em um barraco no fundo da floresta e estava sempre em conflito com a lei. Os pais advertiram os filhos para NUNCA ir perto da terra de Pete.

O menino dormia neste mesmo quarto. Uma noite ele acordou com o som de vidro quebrado em algum lugar dentro da casa. Vivendo tão perto de Pete, o menino era muito cauteloso. E, em vez de abrir a porta, ele trancou-a. Então pressionou o ouvido na porta e ouviu.

O menino ouviu passo tropeçando pelo corredor. O barulho das botas era pesado demais para ser seu pai. Ele quase podia sentir o cheiro da bebida através da porta do quarto. "Deixe-me entrar, garoto." Era Pete ... Mas o menino não iria abrir a porta. Superando o medo, ele gritou: "Não!"

Depois de um minuto, o menino pôde ouvir as botas pesadas de Pete desaparecendo pela casa. Em um quarto distante, ouviu seu pai gritas com ódio, para Pete. Mas os gritos de raiva logo se transformaram em gritos de agonia. Durante quase uma hora, os sons se estenderam enquanto seu pai gastava suas cordas vocais em agonia enquanto gritava. O menino pensou que os gritos de agonia eram a pior coisa que ele já tinha ouvido, até que foi substituído por algo pior... Silêncio.

Pele voltou para o quarto do menino, tropeçando enquanto andava lentamente com suas botas pesadas. Ele bateu na porta de carvalho maciço. "GAROTO! Abra essa porta, ou você vai se arrepender." O garoto podia sentir o cheiro através da porta. Mais uma vez ele disse: "Não!"

E então foi a vez de sua mãe. Seus berros e gritos duraram duas horas. Quando eles pararam, as botas pesadas tropeçaram de volta para a porta. O cheiro da bebida alcoólica era esmagadora. "Garoto ! Eu disse: 'Abra essa porta.' Esta é sua última chance. "O menino estava apavorado: "Por favor, não machuque a minha irmã!" Pete estava bêbado e se divertindo. Ele riu: "Então, abra a porta rapaz." Mas o garoto sabia que não devia. E assim ele passou as próximoa três horas ouvindo os gritos de sua irmã mais nova.

Quando a polícia chegou para investigar a casa dois dias depois, eles encontraram a mãe, pai e a irmã amarrados esticados em suas suas camas. Pete tinha feito um pequeno furo em cada um de seus abdômens e puxado as entranhas de suas barrigas centímetro por centímetro, até morrerem de dor.

Eles encontraram o menino desidratado, mas vivo. Ele ainda estava fechado neste mesmo quarto. Pressionado contra esta mesma porta. Ele estava completamente catatônico. Ele passou o resto de sua vida em um sanatório, ocasionalmente, murmurando "eu deveria ter aberto a porta? ... Deveria ter aberto a porta? ...."

Pete foi finalmente capturado e executado. Seu barraco foi demolido. Mas seu fantasma ainda assombra esta casa. Às vezes, podemos sentir um pouco do doce cheiro da bebida, de manhã, e uma dor em nossas barrigas. E quando sentimos, sabemos que Pete estava aqui durante a noite, tentando puxar nossas entranhas. “

Esta história realmente me assustou. Nota 10 de 10! Eu sempre insistia para que nós três dormíssemos com a porta do quarto trancada e as luzes acesas. A imaginação de uma criança é tão forte nessa idade! Eu morria de medo de qualquer barulho na casa antes de finalmente adormecer. Sempre que eu acordava no quarto, eu podia até mesmo sentir o aroma fraco, doce, da bebida de Pete. Para ser honesto, eu podia até sentir uma dor fraca na parte de baixo da minha barriga.

Sempre que eu falava com os dois irmãos sobre isso, eles iriam rir e entravam na brincadeira. "Sim, eu também sinto o cheiro", dizia Walter. "Eu também. E meu estômago dói!" Tom entrava na conversa, fingindo estar com medo. Eles se mudaram para Utah quando Tom e eu estávamos na quinta série. Não tenho falado com eles desde então.

Avancemos para esta manhã. Estou sentado no laboratório de química no campus. Enquanto eu e meus colegas estávamos preparando um experimento, um dos produtos químicos escapou, e senti um cheiro... familiar... Cheirava exatamente à bebida de Pete, do jeito que eu lembrava. É um aroma incrivelmente diferente, penetrante, quase doce - não exatamente como o álcool ou um verdadeiro "moonshine", mas similar.

Eu não tinha sentido o cheiro desde aquelas manhãs depois de dormir de novo com Tom e Walter. Este era exatamente o mesmo cheiro. Peguei o frasco e olhei para o rótulo: ". Éter etílico"... Era éter.

Eu fiquei olhando o laboratório, em transe. Congelado. Me lembrei de trancar a porta do quarto todas as noites.

Me lembrei de acordar com um leve cheiro de éter na minha boca.

Me lembrei da leve dor dentro de minhas entranhas todas as manhãs.

E eu percebi ... Não havia nenhum "Pete, o Moonshiner".

Eles tinham me estuprado....

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Sob o Jardim - Parte X(Final)

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Estava tudo uma bagunça.

 A grama estava morrendo, coberta por caminhos de gramado marrom, seco; as rosas estavam murchas, suas pétalas apodrecidas pelas bordas, e as raízes das flores estavam cobertas de manchas negras, como se uma terrível doença tivesse atacado cada uma das plantas pela noite.

“Isso não é possível! Frederick gritou como cambaleando como se estivesse bêbado, em direção dos juízes, segurando um deles pela gola da blusa e derramando um líquido detestável em seu ombro.

“Quem fez isso! Eu vou mata-lo! Eu vou mata-lo! Ciganos Bastardos e imundos! “ 

Frederick espumou pela boca, enquanto as caras dos três juízes se transformaram em puro medo e aversão, assustados com a vista repugnante de um homem claramente desgastado pela tal doença.

Descontando sua raiva nos juízes, ele os perseguiu no seu jardim que se encontrava agora apodrecido e estragado. Se ele tivesse força, ele iria simplesmente matar os três, mas a doença e a dor que estavam nela, o forçou a procurar sua cama mais uma vez.

O doutor da cidade local, Dr. Miller, visitou Frederick aquele dia, mas mesmo ele não pode dizer a natureza ou causa da doença.

 A condição de Frederick parecia estar completamente errática.

Um dia sua visão iria voltar e ele apareceria tão jovem como sempre pareceu. 

Os olhos dele iriam se normalizar e ele estaria fora da cama, reduzido a ter a força física de um homem doente devastado pela idade. Ainda recusava ir para o hospital, aterrorizado pela possibilidade de a polícia encontrar evidências de que ele matou a garota. (Dos dias em que ele lentamente substituía os papéis de parede do banheiro, tirando o melhor que pode dos traços de sua vítima mais recente.)

Uma das vizinhas de Frederick, uma mulher com o nome de O’Malley, observou para o Dr. Miller que a saúde de Frederick parecia corresponder com o bizarro fenômeno que tomava conta do jardim dele.

Nos dias que ele estivesse bem, o jardim iria retornar para sua forma gloriosa com um gramado verde e um estande floral maravilhoso. 

Ainda nos dias em que ele estivesse doente, o jardim apodreceria.

Era como se os dois estivessem conectados a um laço invisível.

Enquanto Dr. Miller não podia contar com as mudanças noturnas bizarras no jardim de Frederick, ele com certeza considerou essa observação como uma mera fofoca da cidade; supersticiosa até então.

Nos últimos dias da corte de juízes da Associação Garden, Frederick ficou ainda mais doente. 

O jardim murchava como sua saúde. 

Como se os montes de grama morta virassem um acessório permanente em seu gramado, também apareceram numerosas e dolorosas manchas gangrenosas por todo seu corpo e face; enquanto as flores morriam, o cabelo de Frederick lentamente ficava mais ralo e seus dentes começaram a cair e enquanto as manchas negras tomavam conta de cada planta em seu Jardim, a força de Frederick o abandonou.

No dia em que o jardim temático de orquídeas da Patti Rossier ganhou o prêmio de jardim do ano da cidade, Frederick estava deitado, desamparado, desabilitado de mover-se de sua própria cama. 

Frágil e desprovido de sua força, que o permitiu matar tantas vítimas inocentes.

Cego, com seus olhos nublados e inúteis.

Enquanto a noite caia, algo se moveu na adega.

Primeiramente poderia ser um delírio, mas depois de um tempo Frederick soube da verdade: Alguém estava ali embaixo. 

Com cada pisada cambaleante, ele deitou paralisado pela dor enquanto algo lentamente subia as escadas da adega.

Dessa vez, ele não tinha esperança de ver o intruso. 

Não importava que a casa estivesse escura, o mundo de Frederick estava em uma permanente noite.

Enquanto o pé cambaleante fazia seu caminho com pisos incertos da porta da adega para a beira de sua cama, ele tentava gritar, mas nenhum som era produzido, nem qualquer misericórdia foi dada.

Foi o doutor da cidade quem encontrou Frederick, e o que ele descobriu naquele dia era um mistério médico. 

O jardim que ele tinha e cuidava com tanto orgulho estava sobrecarregado por um fungo negro raro, que sistematicamente matou cada lâmina de grama, cada flor, cada sinal de vida. 

A autópsia mostrou que o mesmo fungo, de algum modo, contaminou o corpo de Frederick.

Foi constatado também que ele pegou o fungo enquanto cuidava de seu jardim.

Isso o apodreceu por dentro, causando muito dano a seu sistema nervoso. Uma lenta, dolorosa e terrível morte.

Seja lá como for, não foi a presença desse quadro em seu cérebro que confundiu os doutores e também os médicos legistas. 

Eram os conteúdos de seu estômago que provocaram certo ultraje para o povo da cidade.

Dentro do estômago de Frederick, foi encontrado um dedo solitário, de uma garota jovem que recentemente desapareceu, com uma aparência notável, exceto por um incomum anel de ouro que ele usava em morte, assim como o fez em vida.


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O Acidente

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Era uma da manhã e Nicholas Nakamura estava sentado em sua sala de estar, no escuro. Fazia mais de uma hora que ele não se movia. O acidente que aconteceu mais cedo naquela noite não parava de se repetir de novo e de novo em sua mente.

O sinal ficou vermelho, mas ele estava com pressa e acelerou. Um borrão laranja veio de seu lado direito, e em uma fração de segundo, houve um choque violento.

Em seguida, o ciclista girou no ar e caiu fora da vista, na calçada. Buzinas soaram com raiva e ele entrou em pânico, pisou no acelerador e fugiu para longe do caos dentro da escuridão, abalado e mantendo um olho retrovisor, até que ele chegou em casa.

"Por que você correu, seu idiota? "Ele nunca tinha cometido um crime antes deste e se puniu imaginando seus anos na prisão, sua carreira destruída, sua família despedaçada, e seu futuro acabado.

"Porque eu não vou pra polícia agora? Eu posso pagar um advogado".

Então, alguém bateu na porta da frente e de repente seu mundo desmoronou. "Eles me encontraram". Não havia nada que ele pudesse fazer, a não ser se entregar.

Fugir só iria piorar as coisas. Seu corpo tremia enquanto ele se levantava, foi até a porta e a abriu. Um policial estava ali, sob a luz da varanda.

"Senhor. Nakamura? ", Perguntou o oficial, sombrio. Ele soltou um suspiro derrotado.

"Sim... Só me deixa.. "

"Sinto muito, mas eu tenho uma má notícia. A bicicleta do seu filho foi atingida por um motorista esta noite. Ele morreu no local. Sinto muito pela sua perda. "

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Milhares

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Você vai para a cama ás nove. Interessante, é um pouco cedo, mas você não parece se importar. Você se mexe por alguns minutos, antes de perceber...

Alguém está te observando, você tem certeza disso, e mesmo depois de olhar ao redor e não encontrar nada, você ainda sente medo.

Mas você continua deitado, encarando o quarto, e algum tempo depois, fecha os olhos na tentativa de dormir.

Não consegue.

Você ainda pode sentir algo encarando você.

Você puxa a coberta até a cabeça e o sentimento passa, então, você relaxa e fecha os olhos novamente, mas assim que seus olhos se fecham o sentimento retorna; você sente medo de mover a coberta e finalmente encontrar o que teme.

Você está muito assustado, mas mesmo assim remove a coberta, e enquanto você o faz, seu coração começa a acelerar. Você olha ao redor do quarto, encontrando nada novamente.

O sentimento some de vez, e você mesmo se critica por estar agindo como uma criança boba, e então, depois de um momento você vira para a parede e dorme rapidamente.

Mas deixe-me perguntar uma coisa: Você sabe quantos lugares poderiam ser feitos de esconderijo no seu quarto?


Eu sei. Milhares. 

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Luz

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Eu até pediria pra você apagar todas as luzes da casa enquanto lê isso, porque eu sei que não vai acontecer muita coisa.

Nós sempre encontramos conforto na luz, desde os tempos primórdios os homens enxergavam luz e segurança como se fosse somente uma coisa; naquela época eles usavam fogo, mas até hoje, a luz tem a habilidade de fazer com que as coisas que você desconhece, apareçam.

A luz é essencial para a humanidade, não só a luz em si, que você acende e usa no seu quarto, mas a luz como é imaginada pelos religiosos, um lugar de paz, longe das trevas.

Com o tempo, nosso relacionamento com a luz mudou. Começamos a manipular as fontes de energia, primeiro o fogo e depois com a eletricidade; logo saberíamos como iluminar um cômodo todo com apenas um toque no interruptor, mas, enquanto essas mudanças aconteciam, e a luz ficava cada vez mais fácil de usar, ninguém questionou as consequências.

Sempre houve um balanceamento entre escuridão e luz (noite e dia) e sempre foi complicado porque um nunca poderia tomar totalmente o outro... Como pode agora.

O fogo, por exemplo... Quando uma fogueira é acesa a escuridão pode desaparecer de alguns lugares, mas no fim, as chamas nunca alcançam cantos e cômodos distantes, e essa fonte de luz permitia que horas noturnas passassem calmamente.

No entanto, com a eletricidade, as horas noturnas não são mais tão escuras. Em apenas um segundo, um local que se encontra escuro pode ficar claro por completo.

Para a maioria dos predadores noturnos, isso é uma inconveniência...  Para outros é uma oportunidade.

Aliás, é mais do que isso.

De vez em quando, você o vê. Se você acendeu a luz em um cômodo completamente escuro, você definitivamente já o viu. Por apenas um segundo, enquanto a luz começa a iluminar o lugar, no canto dos seus olhos, enquanto você ainda está tentando se acostumar com a luminosidade... Você o vê.

Grande, e esquisito, parecido com uma aranha gigante, parado em (geralmente) algum canto.

E então, na velocidade de um piscar de olhos, ele some.

Acontece tão rápido que você acha que é um truque da luz, ou a sombra de algum móvel.

No entanto, pode ficar calmo, assim que você perceber que ele desapareceu... Você está a salvo.

Mas não se deixe enganar pela timidez, não é a luz que o assusta, e sim o medo de ser visto, afinal, é na luz que ele ganha forma.

Ele é de certa maneira, protegido pela escuridão; Enquanto está escuro, ele pode fazer com que os pêlos do seu pescoço se arrepiem ou te dar a sensação de estar sendo observado, mas quando a luz está acesa ele não pode agir, porque é somente com a luz que sua forma aparece.

Claro que... Na maioria das vezes, quando você acende a luz, você não o vê, e por mais que isso pareça estranho, quando você não consegue enxergá-lo, é quando você mais está em perigo.

A razão para isso, é que, se você o vê, ele some rapidamente, mas mesmo assim você sabe que o viu. E quando você não o enxerga, ele não vai fugir, afinal, seu medo é ser notado; se você acender a luz (especialmente nas madrugadas ou perto do amanhecer) e não vê-lo escapando pelo canto de alguma parede, é uma oportunidade perdida, e ele ainda vai estar lá.

Por exemplo, você está em casa, apenas mais uma noite rotineira, lendo histórias de terror antes de ir dormir... Ele está silenciosamente te esperando acender a luz só para se esconder, mas dessa vez pode ser que ele não seja tão inofensivo.


Bom... Agora pode ligar a luz.

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Sob o Jardim - Parte IX

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Clique aqui para ler a Parte VIII
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Frederick correu para a gaveta da mesinha e viu que ela havia sido forçada. Respirando fundo novamente, ele olhou para dentro dela e percebeu imediatamente que o dedo havia desaparecido. Um milhão de pensamentos passaram pela mente pervertida dele; por quê pegaram esse dedo? Ele seria chantageado? Alguém iria brincar com ele antes de deixar as famílias de suas vítimas avisadas?

Ele deveria esperar batidas na porta a qualquer momento.

Coincidências podem ser extremamente estressantes. Apenas como se o pensamento em sua mente era realidade, a porta da frente foi sem dúvidas batida várias vezes por outro visitante indesejado. 

Frederick desceu as escadas como um homem enlouquecido, agarrando o facão de açougueiro pronto para fazer outra vítima em seu estado de fúria.

Correndo direto para a porta, ele escondeu a faca, daquela preciosa vida, logo em suas costas. E abriu a porta. Parados ali estavam três rostos familiares.

Os rostos dos juízes do comitê da Associação Garden. Eles estavam ali para julgar seu jardim; no qual ele esteve trabalhando o ano todo para produzir, em sua opinião, o melhor estande de todos.

Os juízes estavam obviamente chocados com a aparência de Frederick (especialmente pelo seu olho branco esfumaçado) e enquanto ele começou com suas tentativas usuais de manipulação e persuasão dizendo que tudo estava bem, as ondas de náusea voltaram junto com uma lancinante dor no seu olho direito.

Ele tinha que voltar para a cama imediatamente.

Os juízes estavam com certeza mais que ansiosos para avaliar o jardim de Frederick sem sua presença e entenderam completamente que ele necessitava de descanso, dado a entender devido sua terrível aparência. Frederick mostrou um sorriso patético e ao fechar a porta, cambaleou para o seu quarto, não antes de abrir a janela para o permitir ouvir as opiniões dos juízes.

O pensamento de chamar um médico entrou em sua mente mais uma vez, mas ele apenas iria fazer isso quando seu lindo jardim fosse julgado. 

Nada poderia arruinar isso.

Seus membros começaram a se sentir pesados e a dor em seu olho direito estava mais que insuportável. Deitado em sua cama, novamente inutilizado, ouvindo intencionalmente o que o comitê dos juízes havia a dizer. Esperando uma avaliação brilhante e espetacular.

Algo estava errado.

Enquanto os juízes entraram pelo jardim frontal, Frederick caiu em horror enquanto eles pareciam não estar impressionados pelo seu esforço do ano. Um juiz exclamou “muito horrível” enquanto outro descreveu como “bagunça total”.

Frederick não estava entendendo isso. Como ousaram questionar o seu estande!

Com toda sua fúria, ele se empurrou para fora da cama, cambaleando em agonia para o hall e então fora da porta. A luz do sol feriu seu olho, e a dor pareceu crescer com intensidade enquanto ele passava pelo lado da casa e fora para o seu jardim frontal. 

O que ele viu o enojou.
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Continua...

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Meus pais me Amavam...

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Por: Pedro Mohamed

  Eu era um dos sete filhos e eu tenho que dizer que meus pais não eram muito inteligentes, tentando nos criar com o salário de um único professor substituto. Mas eles nos amavam muito. Eu sei, porque eles falavam isso muito. Eles falavam tanto que poderia ser um tipo pontuação a tudo que falaram.
  Nos nossos aniversários,minha mãe e meu pai nos reuniam e contavam a história de como nós viramos uma família, com os filhos mais velhos que tinha ouvido um milhão de vezes, revirando os olhos.

"Você veio para o nossa família chorando e coberto com o sangue da sua mãe. E como chorou, você tem um grande par de pulmões!"

  Esse tipo de coisa.

  Nós não tínhamos muito e o que tínhamos, era compartilhado, e as roupas de segunda mão que foram usados até que eles viraram pedaços que foram então usados ??como trapos. Nada era desperdiçado. Nós mudamos muito, também. Quando fiquei mais velho eu somei dois mais dois e percebi que as mudanças eram porque nós tínhamos que sair da cidade antes que os proprietários furiosos viessem atrás de nós cobrar o aluguel.

  Então, sim, as coisas estavam apertadas, mas nós também. Minha irmã mais velha falava comigo todos os dias por telefone mesmo quando ela foi para a faculdade. Meus irmãos estavam sempre lá para mim quando as crianças do bairro me provocavam. Essas crianças eram más da maneira que apenas crianças podem ser. Muito disso tem a ver com os boatos que nós éramos todos filhos bastardos  de vário casos que minha mãe tinha tido. Eu acho que eu posso entender por que eles poderiam pensar isso; olhando bem nós realmente não parecíamos nada um com o outro. Mas meus pais estavam loucamente apaixonados, e eu sabia que eles nunca sequer pensaram em traições.

  Havia apenas mais um filho depois de mim. Mamãe não deixou transparecer que iríamos ter outro irmão até a hora chegar. Queria ter certeza sobre isso, eu acho. Fiquei surpreso que eles estavam tendo  outro - eu era um pré-adolescente na época e pensei que eu ia ser o bebê da família para sempre. O pobre garoto ia ter a mesma idade de minha sobrinha, já minha irmã teve seu primeiro bebê quando a mãe fez o anúncio.

  Um mês de espera, reclamações sobre berços e nomes do bebê. Então meus pais foram embora por alguns dias e, quando voltaram, eu tinha um irmão mais novo.

  Quando eu coloquei meus olhos sobre ele, tive um mau pressentimento na boca do estômago. Eu sabia como os recém-nascidos saudáveis eram, pelas fotos de bebê da minha irmã. Meu novo irmão não se parecia com um recém-nascido saudável.

  Se eu soubesse o que eu sei que agora, eu teria dito a alguém. Serviço para crianças, um professor talvez. Mas eu estava alegre, ignorante, e eu não fiz nada.
Eu tentei tratar meu irmãozinho como um membro da família, eu realmente tentei. Mas eu acho que foi um alívio para todos quando eu me mudei, alguns anos mais tarde. Muita tensão.
Cinco semanas antes de me formar, recebi o telefonema. “Venha para casa rápido. A mãe tem câncer”. Larguei tudo para ficar com ela. Você não faria o mesmo?

  Minha irmã virou médica, eu falei isso? Ela basicamente se mudou para cara, e virou enfermeira em tempo integral da mãe. Pela expressão dos lábios franzidos que ela me deu quando ela me cumprimentou, eu soube que era ruim. Mamãe manteve a cabeça para cima, mas depois de alguns meses, ela se foi. Lembro-me de minha irmã ficar até muito tarde, lendo a informação médica da mãe e resmungando sobre como impossível tudo era. Eu não entendia então, mas entendo agora.

  Logo após o funeral meu pai pegou seus remédios, foi para o banheiro e foi  se juntar com a sua amada. Ele nos deixou uma carta, maldito. Depois que a polícia e a ambulância terem ido embora, eu vi meu irmão mais velho ler a carta antes a atirar na lareira. Ele disse que não precisávamos saber por que o pai fez o que fez. Que todos nós tínhamos que saber o quanto ele amava nossa família e nossa mãe. Ele olhou diretamente para a minha irmã quando ele disse isso.

  A sensação de mal estar que senti, se acumulou por oito anos. Mais tarde, quando eu busquei os registros médicos de minha mãe, eu finalmente entendi esse sentimento.

  Minha mãe tinha um histórico de câncer de ovário em sua família. Merda, minha mãe tinha um péssimo histórico médico. O que deve ter sido mais devastador para ela foi a infertilidade . Não depois do meu irmão mais novo, oh não. Foi dois anos antes da minha irmã mais velha. Ela sempre me disse que queria uma família grande.

  O trabalho “comum” que meu pai trabalhava. As mudanças constantes. O jeito como todos nós parecíamos diferentes. As gravidezes não anunciadas antes do tempo. As histórias de aniversário. O suicídio. A maneira como meu irmãozinho parecia no dia em que meus pais o levaram para casa. Não era como um recém-nascido real. Como um recém-nascido da TV. Como um bebê com dois ou três meses de idade.

E, finalmente, o fato que eu procurei mais tarde, depois que ter ficado completamente bêbado:  A série de assassinatos que seguiram a trilha de minha família esse tempo todo.

Viemos todos para a família chorando e cobertos com o sangue das nossas mães. Mas não com o sangue da mulher que nos criou.

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[PÓ-PÓ-PODCAST] Episódio 3: Coisas Bizarras (ft. Core das Antigas, Montanha & Canal do Bolacha)

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Fala, meus queridos! Hoje, trago pra vocês o terceiro episódio da série que eu e o Montanha (Mont Designer) tivemos a ideia de tentar. Se trata do "Pó-Pó-Podcast (nome provisório lol)", uma série onde juntamos uma galera pra falarmos sobre diversos assuntos fodas, e nessa semana, vamos falar um pouco sobre coisas bizarras e engraçadas que aconteceram em nossas vidas (em especial, nos nossos dias de escola).

Nesta semana, os participantes foram: Gabriel (Eu mesmo), Mauricio (Toguro), Matheus (Montanha), Caio (Canal do Bolacha), e nosso queridíssimo convidado especial, Henrique (Core das Antigas).

A cada episódio que fizermos e assunto que abordarmos, convidaremos alguns youtubers pra participarem e trocar uma ideia conosco, e o Montanha ficará a cargo da edição foda do áudio \o/ Esperamos que gostem, e se tiverem mais algumas idéias (assunto, áudio, etc), deixem ai nos comentários! É nóis \o/




Canal do Core das Antigas:
Canal do Bolacha:

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Sob o Jardim - Parte VIII

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Sim, era isso. Uma enxaqueca. Dolorido e doente como estava, Frederick sabia que ele tinha que esperar passar. Percebeu-se que ele deveria estar melhor o suficiente para chamar o doutor na manhã, mas então ele cogitou a ideia de haver alguém na casa enquanto haviam evidencias de suas dúvidas que ainda duravam.

 Seria muito arriscado.

Outro Rangido, mas dessa vez acompanhado por um barulho subsequente; algo familiar, um barulho no qual o Frederick havia ouvido em numerosas ocasiões, mas não em nesse contexto. Era rítmico, ainda sutil e ocasionalmente seguido por outro rangido nos tacos do chão. Dois sons que pareciam preencher a escuridão.

Então ele percebeu.

O rangido era a mudança de peso, os acompanhantes do barulho eram o arrastar de pés descalços no carpete e no chão duro. Pesados, pisoes arrastados eram como se fossem as ações de um bêbado ou sonâmbulo.

Frederick estava deitado ali, inútil. Se houvesse um intruso na casa dele, era o mínimo que ele podia fazer, ele apenas esperava que fosse tudo coisa de sua cabeça. O mínimo que ele poderia fazer era levantar sua cabeça levemente e espionar a porta aberta em seu quarto, que dava em um corredor.

O barulho de arrastões continuou lentamente, isso certamente soava muito real, mas felizmente na escuridão ele podia ver nada. Com certeza! Não havia uma única luz na casa. Não havia jeito de um intruso ver algo sem uma lanterna e se ele tivesse uma, Frederick veria ele se iluminando no corredor.
Frederick deixou escapulir um suspiro de alívio.

Ele tinha guardado, o medo de que alguém ligado à uma de suas vítimas estivesse procurando vingança. Em diversas ocasiões, ele havia se deslocado para investigar uma batida ou um rangido na casa, apenas para perceber que cada um deles era um mero som de uma normal, vazia casa à noite. Ele estava certo de que sua doença era uma mera agravação de sua insegurança.

Enquanto admirava isso, Frederick ficou ciente de que as batidas balançantes haviam cessado. Percebeu que ele estava melhorando. Sim, ele não estava se sentindo nauseoso como ele estava antes, mas ale ainda se sentia muito esgotado para se mover.

Uma boa noite de sono seria uma boa pedida.

Deitado, a mente dele começou a juntar as peças do horror da situação.  Uma luzinha passou pelas persianas, luzes da rua, que lentamente deixaram o cérebro de Frederick revirado, agora fazendo sentido com as sombras e escuridão que estavam por vir.

Havia sim uma razão para as pegadas haverem parado. No corredor, no breu da noite, alguém ficou sem se mover, encarando Frederick deitado, inutilizado em sua cama. Ele tentou um suspiro de horror, mas sua voz o abandonou, sua boa estava seca e o coração batia com notoriedade.

Ele nem mesmo pode decifrar a figura nas paredes, nem mesmo pode dizer se era um homem ou uma mulher. Uma coisa ele sabia ele sabia com toda certeza: Isso estava o observando.

Os olhos da pessoa estavam quase visíveis, foscos mas aterrorizantemente presentes; um olhar frio contínuo. Ele percebeu que o intruso iria atacar a qualquer momento, bufando contra ele, mas enquanto os minutos passavam, aquilo simplesmente continuava ali, no escuro.

De repente, aquela coisa fez um sutil ruído, porém audível. Nem mesmo uma palavra mas era como se isso estivesse tentando dizer algo. Então a coisa se virou lentamente e cambaleou escada a baixo, rumo à adega.

Ele ficou deitado por mais ou menos uma hora, olhando o corredor, esperando o seu convidado voltar para cima e acabar com ele, mas nada foi ouvido, nem um som produzido ou suspiro dado. Era como se a figura tivesse feito sua casa na frieza úmida da adega.

A dor agonizante voltou no olho esquerdo de Frederick. Tão esmagadora quanto era, que o fez levantar e ganhar sua força novamente, para esperar que seu visitante cambaleante, estranho voltasse para as entranhas da casa, ele não pode resistir à fraqueza do seu corpo; ele desmaiou.

No dia seguinte, Frederick acordou. A náusea doentia em seu estômago e a dor em seu olho esquerdo havia desaparecido, e parecia que ele havia recuperado um pouco mais de sua força – apesar de um distante sentimento se manter ainda dentro dele.

Uma nuvem enevoada das suas memórias da última noite veio à tona e enquanto a dor havia passado, as repercussões de sua doença ainda não: Ele estava cego do olho esquerdo. Contemplando-se no espelho do banheiro, Frederick era apresentado à si mesmo, com um suspiro aterrorizante. Seu olho esquerdo estava esbranquiçado, como se a cor tivesse sido completamente removida e sua face houvesse sido notavelmente abatida. Olhando para si mesmo, como se ele tivesse envelhecido dez ou quinze anos pela noite.

Em pânico, ele precisava de ir ver um médico o mais cedo possível, e sela lá como fosse, ele deveria usar uma gaveta para colocar o dedo da garota que estava ainda trancado numa outra gaveta na adega.
Com certeza, a adega.

A memória da figura cambaleante no corredor voltou, e Frederick se encontrou relutante para ir para o andar de baixo. E se aquela coisa ainda estivesse ali? Esperando. Esperando por ele?
Após tomar um banho e se vestir (claro que com algumas dificuldades, de se acostumar com a perda da vista de um olho) ele ficou ciente das marcas no chão. 

Marcas inequívocas de terra, arrastadas pelo carpete e chão. Agora ele sabia, que a última noite não foi uma alucinação; Alguém havia entrado em sua casa. Alguém havia o assistido, deitado em doença por alguma razão desconhecida, e então se escondera na adega.

Será que ele havia sido envenenado? Aquilo explicaria tudo. Ele deveria mostrar para seja lá quem fosse que estivesse lá em baixo, que ele não era um homem de brincadeiras; mesmo com um olho só ele era mais perigoso que qualquer um.

Ficando no topo das escadas da adega, Frederick segurava uma grande faca de cozinha em uma mão e uma tocha de prata metálica na outra. Ele não era acostumado a sentir medo – outra coisa era o medo de ser pego – mas Frederick estava cheio de apreensão. Não só para o que o esperava abaixo, mas também para o que ele iria espreitar. 

Que tipo de doença ou veneno seria esse?

Respirando bem fundo, ele lentamente desceu as escadas, a luz da lanterna iluminando o chão de pedra e as paredes com tijolos acinzentados. A adega era o único lugar que poderia ser considerado bagunçado na casa de Frederick, com peças não usadas de móveis desarrumados e espalhados em volta do grande chão espaçoso. Isso era combinado com as pilhas de lixo e papéis que faziam dali o lugar perfeito para um macabro jogo de esconde-esconde.

Frederick não estava satisfeito.


Após 15 minutos de difícil exploração, ele estava finalmente satisfeito que o intruso deva ter deixado o lugar após passar por lá. Escumar os conteúdos da adega uma última vez com a luz circular amarela emanando de sua tocha, duas marcas no chão, soaram como não familiares para ele. Aproximando-se delas, rapidamente, ficou claro o que elas eram; duas pegadas enlameadas paradas em frente a uma velha e ornamentada mesa; a mesma mesa que continha o dedo apodrecido da garota cigana.
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Continua...

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Sob o Jardim - Parte VII

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Clique aqui para ler a Parte VI
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Para piorar os problemas, faltavam apenas poucos dias antes dos dois juízes chegarem, enviados pela Associação Garden, que poderia vir para avaliar o seu display, e era exatamente o que o Frederick não precisava.

 Ele tinha que ganhar aquele prêmio!

O dedo estava numa gaveta trancada, na adega. Logo quando a polícia tinha saído, Frederick correu pelas escadas, abrindo a gaveta e acariciando agora o dedo pálido, enrolado naquela lasca de ouro. 

Segurando o dedo em sua mão, Frederick estava surpreso pela mudança em sua aparência. Ele sabia que o corpo humano passa por uma série de mudanças enquanto apodrecia, mas era sinistro; o dedo agora parecia ser de uma mulher velha. Além do mais, o anel que teimosamente se agarrou à mão (sua antiga proprietária) agora se soltou com facilidade.

Segurando em suas mãos, persuadido pelo pensamento no valor emocional para a garota, Frederick sabia além de todas as dúvidas, que ele precisava manter o anel. A casa era muito perigosa para esconder o anel, mas percebeu, apenas percebeu que enterrá-lo no jardim iria providenciar obscuridade suficiente por enquanto.

Sim! Quão agradável era pensar em seu lindo jardim, nas rosas, nos cravos, no vibrante gramado verde, sendo novamente indicado pela associação como o melhor da cidade inteira e servindo o tempo todo como moradia daquela relíquia, a mais recente conquista de Frederick.

Passeando pelo jardim, com a espátula na mão, ele respirou os aromas e prazeres entorno da sua tomada de decisão, refletindo esconder o anel entre as rosas dele. Luxuosas e vermelhas, parecia o lugar perfeito para fazer isso.

Cavando um buraco pequeno entre dois ramos, Frederick colocou o anel na terra antes de voltar para casa.

Ele havia a intenção de descartar o dedo da garota imediatamente, mas prestes a fazer o caminho para casa, Frederick sentiu uma sensação completamente desagradável. Andando pelo seu corredor, um sentimento distinto de náusea começou a impregnar seus sentidos.

Com cada passo em sua casa, o desconforto incrementou-se na intensidade, e antes do Frederick saber o que estava acontecendo com ele, ele desmaiou em sua cama, preenchido pela doença e uma dor fervente em seu olho esquerdo.

A escuridão caiu, e a doença do Frederick era agora tomado por um sentimento cercado de fraqueza.

A noite crescia pesado e apesar dele ter acordado várias vezes, ele estava impossibilitado de deixar a cama. Ele passou ali o breu da noite, paralisado pela doença. Era como se os membros dele fossem feitos de chumbo e como se ele não possuísse força suficiente para os levantar.

Adormecendo e sem consciência, Frederick começou a ponderar o pensamento aterrorizante de que ele pudesse estar morrendo. Enquanto ele descansava ali contemplando a ideia indesejável, um som veio de algum lugar na casa, tomando sua atenção. 

Um rangido, com certeza um rangido nos tacos do chão. Frederick rapidamente concluiu que ele estava delirando e que o som que encontrava seu caminho pela escuridão, era de fato uma alucinação.

Era isso certamente. Talvez uma intoxicação alimentar ou talvez uma enxaqueca espontânea.

Sim, ele havia ouvido de um garoto no seu tempo de escola, que os doutores “acreditaram” que estava morrendo, apenas para ele se recuperar em questão de dias. Os doutores estavam convencidos de que havia sido uma enxaqueca aguda espontânea, e que o seu corpo havia entrado em choque devido a dor, parcialmente desligado.
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Continua...

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Estive no inferno

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Após usar um alicate para abrir a grade, entrei lentamente no local. Várias pessoas se encontravam diante de mim. Usavam as mesmas roupas, e estavam bastante desnutridos, ao ponto de tornar-se possível ver seus ossos sob a pele. Um homem que não aparentava ter mais de vinte anos, arrastou-se em minha direção, parou em minha frente, e me abraçou – ele estava chorando. Eu não soube o que fazer. Ele repetia, “Está tudo bem.” Após uns dois minutos, ele afastou-se chorando. Continuei seguindo para uma construção subterrânea. Abri a porta e imediatamente tapei minha boca e nariz após sentir o terrível fedor que impregnava o local. Liguei minha lanterna e vi as pessoas que estavam ali dentro, todas também desnutridas.

Saí da construção, e vi o mesmo homem que havia me abraçado. Ele estava carregando o pai, ou talvez o avô, que aparentava estar pior que as outras pessoas que eu já tinha visto. Mais pessoas saiam do subterrâneo. Outras tantas estavam empilhadas pelo local, mortas. Esse inferno era contornado por uma cerca de arame farpado. Vi uma senhora com um grande buraco de bala na nuca, e também percebi que os corpos possuíam marcas em seus braços. Esse lugar é o inferno. Roupas com listas brancas e azuis, era tudo que usavam.

Logo ouvi uma voz, gritando distante. Virei-me para ouvir melhor, “Tranque logo essas pessoas, temos que mantê-las presas,” disse um homem de uniforme verde.

“Sim senhor!” respondi imediatamente.




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O Cinegrafista

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Nós três sentíamos que o paranormal era uma coisa que estava além. Gostamos de nos ver como pessoas inteligentes, e quando entravamos em discussões sobre o assunto, nos sentíamos invencíveis.

Recentemente, Martin insistiu que deveríamos fuçar o notebook do irmão obeso dele, cheios de documentos e pastas ocultas (e quando ele prometeu algo relacionado á “melhor baseado”), nós três resolvemos nos encontrar com ele no porão da casa de Jon.

Depois de algumas tragadas nós tentamos nos focar no monitor do notebook, clicando em coisas nomeadas de “Demônios”, “Rituais”, “Como fazer rituais”, “Pragas” e “Sonhar acordado”.

Cada pasta era lotada de fotos de figuras pálidas com caras borradas e triangulares e dedos parecidos com asas. Havia também alguns textos e comentários, alguns continham outro tipo de linguagem e símbolos, incluindo símbolos usados em rituais de sacrifício.

Aquilo era bem interessante para três adolescentes chapados.

Nós achamos alguns projetos em uma das pastas, nomeada de “Evocação”; tinha um monte de figuras nela, e diagramas, que diziam chamar coisas diretamente do inferno, ou outras dimensões.

Pelo menos foi isso que eu deduzi quando li “outros”.

Depois de vários minutos rindo nós decidimos escolher um deles e tentar fazer.

O diagrama não exigia muitas coisas; precisaríamos apenas de incensos e algumas palavras ditas, todas em uma linguagem que nenhum de nós havia escutado antes. A entidade que o diagrama descrevia na imagem vivia “sob a parede” (o que não foi muito fácil de ler, pois havia rabiscos vermelhos na foto, e por cima das letras).

Tinha uma explicação de como lidar com a entidade, seus poderes, e algumas histórias sobre as vidas que ela já havia destruído (incluindo uma bem assustadora sobre uma menina que foi encontrada com os órgãos retirados, e outra sobre figuras sem olhos vagando pelo lugar da evocação). A coisa era curiosa, mas impaciente. Gostava de stalkear humanos, analisar, tudo isso antes de ficar mais maliciosa e começar a realmente nos perseguir, experimentar conosco, e até mesmo nos influenciar a fazer coisas para saber aonde chegaríamos.

Nós preparamos tudo e Jon se voluntariou pra ler as palavras, e deixe-me dizer, assistir Jon enquanto ele dizia aquela linguagem estranha foi o ponto alto da noite até o momento. Nós rimos durante todo o processo; Jon tropeçava nas palavras e outras foram completamente ignoradas por causa da risada do mesmo. Até quando o Martin ficou pedindo para que nós ficássemos quietos, as palavras de Jon nos fariam rir de novo.

Foi nesse momento que decidi pegar minha câmera; era uma tradição nossa filmar as sessões do porão, (e quem sabe um dia Jon pudesse concorrer ao Oscar).

Nós meio que ignoramos o notebook assim que comecei a filmar; estávamos ficando entediados e Jon não conseguia pronunciar mais nenhuma palavra. Eventualmente, nós começamos a filmar as paredes e ao redor do porão, falando com a entidade diretamente, meio que fazendo aquela rotação que tinha no The 70’s Show, sabe?

Nós dizíamos algo “inteligente”, “relevante”, ou “engraçado” e então passaríamos a câmera para o próximo. Era interessante documentar as coisas desse jeito, e as risadas no dia seguinte já estariam garantidas...

A noite passou rápido demais depois disso. Eu me lembro de ligar a TV e em algum momento Martin e eu pegamos o notebook e subimos a escada novamente, nem percebemos quando Jon dormiu no sofá...


Na manhã seguinte achei meu celular cheio de ligações e mensagens, todas de Jon. A maioria delas dizia “Traz sua bunda pra cá agora,” e as mensagens de voz, que eu não esperava que fossem diferentes, foram. Uma grande parte estava interrompida ou com chiado, e se por algum momento pensei que ele estivesse chapado, não pensava mais.

Ele dizia: “achei lá embaixo... diversão, você sabe, era pra ser... eu só achei que... eu achei... na câmera... para ver... você precisa ver... era pra ser engraçado... apenas aqui... venha aqui...” Ele soava estranho, praticamente sem vida e fraco, e isso foi algo que fez com que eu me alarmasse.

Então fui atrás do Martin, que também havia recebido várias mensagens de Jon e depois de algum tempo, resolvemos ir até a casa dele.

Nós o encontramos no andar de cima, na sala de TV. Eu esqueci minha câmera lá e ele resolveu olhar o que nós tínhamos gravado, pausando e vendo novamente, parando aqui e ali para olhar mais atentamente. Martin e eu entramos no quarto e sentamos próximo a ele no sofá, não queríamos interromper.

A filmagem estava aberta em uma parte que eu lembrava perfeitamente, e eu assisti enquanto Jon falava as palavras do ritual. Vindo da boca dele, elas pareciam completamente falsas e inventadas, como poemas de outros países. No vídeo, nós estávamos rindo e os sons das nossas risadas abafadas enchiam o quarto. Eu olhei para Martin e depois para Jon.

O quão chapado Jon estava e o quão risonho Martin estava... A sensação de que eu estava vendo algo que não lembrava de ter gravado me atingiu, e me fez pensar que isso era provavelmente algo perdido de ontem á noite.

Eu finalmente perguntei á Jon o que havia acontecido, por que ele havia nos ligado, e quis saber o motivo pelo qual ele parecia tão cansado, e ele me deu uma resposta fria: “Continue assistindo”.

E nós continuamos.

A noite se passava na TV, fazendo-me lembrar de coisas que eu havia esquecido mesmo depois de tão pouco tempo. Chegou um momento em que começamos a falar com a câmera e passar para o próximo, Jon nos encarava como se estivesse pronto para nos estapear a qualquer momento, então, eu não me atrevi a tirar os olhos da TV ou perguntar o que nós estávamos procurando.

Finalmente, no vídeo, o momento de passar a câmera se foi e outro começou, e foi aí que Jon deu pause.

“Viu? Viu? E aí?” Jon disse, alternando o olhar entre mim e Martin, quase acusadamente enquanto nós dois encarávamos a TV.

Por um momento olhei para Martin e ele fez que “não” com a cabeça, na TV, nós estávamos todos sentados no sofá de Jon, ouvindo música alta e balançando as cabeças loucamente, obviamente chapados e ignorando a câmera.

Eu encarei a imagem por alguns segundos sem entender, mas quando percebi, me atingiu como um trem. Eu soube o porquê de Jon ter nos chamado, e me fez ficar enjoado.

Jon disse antes que eu pudesse falar algo: “Quem diabos está segurando a câmera?”



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