O coronavírus mostrou que o apocalipse não era como nós esperávamos

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Recordo quando eu tinha dez anos, foi semana passada o meu aniversário, tudo parecia bem. Mas, as pessoas começaram a falar sobre uma coisa acontecendo, as notícias focavam apenas em uma doença e todos estavam preocupados com o vírus. Os programas infantis e escolas que, aos poucos estavam sendo interditadas, anunciavam sobre o 'coronavírus'. Eu era uma criança e não me importei muito até que finalmente tudo se espalhou como se fosse uma emanação de medo. O meu pai apareceu durante à noite, acordando todos nós. Não sei bem o que falar sobre ele... Eu sempre vou ver como uma pessoa calada, com o rosto negro, pois nunca falava quando não era necessário. A sua forma de demonstrar amor pelos seus filhos, era quase vazia. Apesar disso, era o suficiente para nós e por alguma razão, a minha mãe o amava muito. O velhote trabalhava sempre com entregas, um caminhoneiro dedicado e um caçador nato, mas, naquela madrugada, estava diferente. Então reuniu todos nós e pediu para levar o necessário e disse que iríamos sair da cidade. Eu já sabia tudo o que estava acontecendo.

Lembro-me daquele alvorecer, com as pessoas histéricas saindo de suas casas ou tentando preencher qualquer tipo de entrada com tábuas e pregos. O meu pai utilizou sua velha picape e disse que iríamos ver um lugar seguro para todos nós. Não existia nada além de mim, minha mãe e a minha irmã mais nova. Naquela tempestade de confusão, nós teríamos que dirigir até uma certa parte da estrada e caminhar a pé, para as montanhas. Lá dentro, existe uma cabana, e ele disse que ficaria tudo bem. Naquela madrugada perturbada, eu não percebi ostentando armas de grosso calibre junto com alguns produtos em conserva no porta-malas. Então, papai olhou nos meus olhos, foi uma das poucas vezes que demonstrou emoção ao afirmar que eu seria o responsável por tudo depois dele.

Ele me ensinou a usar armas na primeira semana, disse tudo que eu precisava para caçar e identificar plantas silvestres, essas que poderiam ser consumidas pelo homem. Esse mesmo período a minha irmã estava começando a ficar com gripe, com tosse e febre alta. Lembro quando trancou ela no quarto de cima, usou uma lei pessoal para proibir a mamãe de chegar próximo. Eu não precisava estar perto para saber que ela parecia piorar cada dia mais. Até que uma certa madrugada, nós ouvimos um barulho de arma dentro da cabana. Levantei do meu quarto, enquanto estava ouvindo a mamãe chorando e ele com os seus velhos panos cobrindo o rosto e mandando eu me deitar... Continuava com seu rosto quadriculado igual a personagens de quadrinhos, a mesma aparência que sempre teve enquanto os seus olhos estavam embaixo de um sembrante macabro; a mesma expressão que sempre teve quando passava uma ordem e era tudo que eu precisava para obedecer ao pé da letra.

O ressoar da arma foi tudo que eu precisava para saber que o coronavírus, e o que todos falavam no passado, chegou ao nosso lugar isolado. Ele tentou mostrar como se fosse um quadro negro rabiscado, a doença foi a causa de tudo. Acho que apenas estava entendendo o básico, mas todos estavam confusos. Naquele dia, ele olhou para nós dois: a mamãe nos pedaços e eu, sempre sério... Sinceramente, não conseguiria demonstrar nenhum tipo de remorso porque tudo parecia um vazio para ser preenchido aos poucos. Lembro quando fez parecer que não havia matado a minha irmã e disse que uma gripe não seria como nós estávamos habituados, o comportamento humano era apenas uma fachada para a coisa medonha que estava se escondendo dentro das pessoas. Recordo da minha mãe afundando-se cada vez mais em prantos, o papai parecendo cada vez mais frio, contudo, eu sei que estava sendo atormentado pelo sofrimento. Naquele dia, eu, simplesmente, observei sem saber qual emoção escolher. Só sei que o disparo de arma está saltando por todos os cômodos da nossa residência, um barulho incessante no meio da floresta e se escondendo dentro das tábuas do nosso lar.

Na maior parte do tempo, nós estávamos caçando. Creio que ficamos vários dias, talvez um ano ou dois, sozinhos na mata. Nessas ocasiões, ele tentava recordar das notícias enquanto ficava tentando materializar seus últimos momentos ouvindo um rádio velho, que transmitia freneticamente as notícias que estavam acontecendo por todo o mundo. Como se fosse um castigo, não existia nenhum barulho além do chacoalhar das árvores, e o papai repetia as palavras como se estivesse lembrando como uma fotografia as notícias falando sobre o tal vírus, que cada vez mais estava ganhando mutações e afetando as pessoas. Na maioria das ocasiões, que estávamos explorando a mata, ele tentava me passar o que vivenciou antes que tudo acontecesse: as pessoas se transformando, o comportamento explosivo e a doença se espalhando. No início não percebi, mas ele estava apenas me preparando.

Parecia que todos os nossos dias se resumiam a isso. Porém, em uma tarde, nada foi o que nós aguardávamos... Achei que seria apenas nós três isolados, até que, em uma dessas trilhas, enquanto eu estava procurando alguns cogumelos comestíveis, eles praticamente apareceram do nada, observando-me como fantasmas... Era um homem não muito velho, uma mulher com o rosto baixo e as costas curvadas para frente, praticamente os seus braços estavam mortos, caídos do lado do seu corpo sem vida. O cara segurava uma criança de colo coberta por trapos. Então, eu percebi os seus olhos desesperados enquanto tentava falar. Fazia tanto tempo que eu não me comunicava com ninguém, com exceção da mamãe e o meu pai, como eu já falei: quando era necessário. Só sei que naqueles segundos, em que eu estava vislumbrando aquelas pessoas, não sabia o que dizer.

O homem tentou comunicar-se. A sua voz parecia estar em um quarto fechado por conta do som estranho que fazia, a dificuldade que ele tentava falar causava calafrios. O movimento do seu rosto de uma forma muito rápida e, as vezes, ficava com o seu vocabulário lento. No mesmo instante, eu observei a mulher com cicatrizes negras se espalhando por todo o corpo e a criança nos braços dele, movimentando-se freneticamente para apenas um bebê. Não tinha como, eu sei que não. Então, naquele mesmo momento que aquelas pessoas tentavam falar comigo, eu ouvi o meu pai dizendo atrás de mim: conhecia muito bem o seu rifle enquanto ele estava puxando o gatilho.

"Não se mexa, garoto!" - sei que foi a primeira vez que o papai falou grosso comigo, mas deu para perceber que sua voz estava tão assustada quanto eu. Fiquei parado, mas captei que os dois adultos iriam fazer um movimento brusco. Na minha mente apenas existe uma opção, e eu abracei ela ao jogar o meu corpo deitado no chão. Um disparo arremessou a mulher, de forma que caiu girando. O homem cuspiu um líquido negro no chão e foi atingido logo em seguida por um outro disparo na sua testa. A criança, nos seus braços, caiu próximo de mim, e eu tentei afasta-me, porém o meu corpo estava com dificuldades para obedecer. Naquele momento, senti os braços grossos do meu pai puxando minha camisa para mais afastado, e o papai tentava tampar o seu nariz com a mão enquanto observava criança no chão de mais perto. O bebê não estava chorando, apesar disso encontrava-se em cinesia com aqueles movimentos assustadores para apenas um corpo tão pequeno. Eu fechei os meus olhos quando ouvi o terceiro disparo de arma.

Naquela mesma noite, lembro-me dos meus progenitores conversando freneticamente, mencionando que mais cedo ou mais tarde eles chegaram aqui. O pai dizendo que não sabia como as vítimas do coronavírus estavam indo tão longe. Naturalmente, eu não consegui dormir e fiquei ouvindo a madrugada toda o mesmo assunto e o quanto as pessoas seriam perigosas. Naquele momento, ele criou uma lei para que nós não nos aproximassemos de ninguém e, qualquer tipo de aproximação de invasores, poderíamos atirar. Foram dias mais agitados do que o normal, pois até a mamãe estava aprendendo a manusear uma arma de fogo.

Eu já não sabia quanto o tempo estava passando, mas sei que já havia uns meses que os outros apareceram. Quando as coisas pareciam se acalmar, fomos surpreendidos mais uma vez. Relembro quando levantei em uma manhã em que o sol ainda não havia aparecido, todavia, já estava claro o suficiente para enxergar os cômodos dentro da cabana, e o meu pai tremendo segurando o rifle. Repetiu cada vez estrondando mais as paredes com seu berro autoritário para alguém parar. Então, finalmente, segurando a minha própria arma, eu vi a mamãe diferente...

Os seus olhos estavam alarmados, ela parecia tentar falar e sua boca não obedecia. O seu corpo se movimentando de forma grotesca, não consigo esquecer o gemido de agonia... sei que a mamãe estava sofrendo cada segundo que os seus membros se aproximavam de nós próximos da porta. A sensação foi quase a mesma daquele dia que nós encontramos outras pessoas. Recordo muito bem do aberto no meu peito, agora mais deteriorante de quando eu soube que a minha irmã foi morta. Quando finalmente ele se calou, e ela estava próxima suficiente, o disparo de arma silenciou o lugar novamente. Quando ela caiu, deu para perceber que engoliu o cuspe que esteve naqueles segundos acumulando na sua boca.

Suas últimas palavras, enquanto ele estava pisando suas botas de couro pesadas para próximo do seu corpo, foram necessárias para assombrar nós dois até hoje: "Ninguém está salvo, nem mesmo a nossa família... Por favor, dispare logo!" Um líquido preto começou a percorrer o seu rosto até o pescoço, saindo da sua boca. A sua maneira de respirar era como se estivesse uma sacola plástica enrolada pelo seu rosto. Ele não pediu para eu sair quando tirou sua camisa, enrolou em volta do seu nariz e boca, e apontou a arma no rosto dela. Eu podia ver o seu rosto com tanta clareza...

Quando eu perdi a minha irmã e a mãe, sentia-me cada vez mais sozinho dentro do velho barraco. Os nossos momentos de caça, por exemplo, foram divididas em um intervalo de dois dias para um e outro sair para a mata. Eu já havia crescido o suficiente para saber lidar com a floresta e os perigos em todas as partes. Algumas vezes, vi outras vítimas do coronavírus perdidas no bosque com aquele comportamento anormal, mas, na maioria das vezes, tentava evitar algum tipo de confronto, ao imaginar que mais cedo ou mais tarde o papai encontraria um deles e mataria logo em seguida. Às vezes, nós ficávamos até dois dias para tentar encontrar o que comer, dado que nem sempre raízes e frutas conseguiram manter os nossos corpos fortes para mais uma luta. Quem saiu com a intenção de capturar algum animal foi ele. Eu esperaria que durasse pelo menos dias fora, mas nem ficou dez horas para voltar novamente.

O alerta das latas, presas em algumas árvores, despertaram-me devidamente armado e apontando o rifle de caça pela janela. Era o papai, as suas roupas foram as primeiras coisas que eu conheci, mas o seu comportamento não era o mesmo. Nunca tropeçou nas próprias latas, que foram colocadas para alarmar qualquer tipo de movimento do lado de fora. Achei que estivesse ferido por conta da dificuldade que estava arrastando os seus pés, mas não, não mesmo. A dez metros de distâncias, perguntei para o papai se estava tudo bem. Percebi os seus lábios quando tentava falar, e ele tentou obedecer automaticamente. O seu gemido era enjoativo em cada momento que arriscava se pronunciar, suas respostas estavam lentas demais. O mais próximo que chegava era de uma criança empenhando-se para soletrar, como se tentasse aprender a comunicasse comigo pela primeira vez. Quase no mesmo momento, a sua cabeça começou a movimentar de forma exagerada e a sincronia do seu corpo parecia entrar em um curto-circuito de gestos involuntários.

E, naquele momento, eu sabia o que fazer, o meu dedo estava pronto e eu não podia hesitar mais nenhum segundo. Um estalo abafado silenciou mais uma vez aquele momento, e ele cambaleou duas vezes até caí.

Autor: Sinistro

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A poesia do inferno

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Como vim parar aqui?
Nessa terra destruída
"Tem alguém aí?"
E ninguém me respondia

Andei um pouco adiante
E vi uma coisa interessante
Uma lança ensanguentada
Que ainda pingava

E lembrei que eu havia morrido
Que deus me mandou pra cá
"Como não havia pensado nisso?"
Ele disse:
"Te mandarei ao inferno, e lá será seu novo lar!"

Aqui é muto quente
Cheio de bichos e gente
Esse lugar é esquisito
Para sobreviver cometemos canibalismo
Mas viver de carne humana é impossível
Que ser humano sobreviveria nesse lugar horrível?

Vários locais com diversas pessoas
Umas más outras loucas e poucas boas
Cada vez que morremos aqui
Nascemos em um casulo de carne que ninguém consegue invadir
Cada vez nascemos em um local diferente
Sobrevive aquele que é mais inteligente
Nem o mais forte sobrevive nesse lugar
Ou morrerá desnutrido ou alguém lhe devorará

Por isso seja uma boa pessoa
Antes que você morra
É melhor mil pessoas ajudar
Do que aqui em baixo ficar
Ouço uma voz de repente
Olha só! Irei morrer novamente!

O inferno é o lugar para até o mais forte cair
E cada morte o diabo ri
Aqui é cheio de escuridão
E também tem aquela garota com o cão
Aquele cachorro de três cabeças
Com diversos simbolos na testa parecendo que veio da seita
Você pode fugir e até correr
Mas por todo o inferno ela irá encontrar você
É só isso, apenas um aviso
Que com muitos pecados você corre perigo.

Voltarei a minha rotina
Comer gente e cometer chacina
Olha só ali a frente vejo uma pessoa correndo
Tchau, irei jantar! Mais tarde nos encontraremos
Nesse lugar manchado de sangue
Sombrio com gritos aterrorizantes.

Autor: Chigahan

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Papai Está Triste Hoje

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Ele nem sempre é assim.
Papai estava bravo ontem.
Ele não gosta quando a mamãe fala com Greg, nosso vizinho.
Mamãe estava falando com ele.
Papai chegou em casa com uma garrafa cerveja.
Papai e mamãe foram conversar no quarto.
Eu estava trancada no meu...
É meio difícil de ouvir mas, eu pude escutar mamãe chorando, ouvi também um barulho de vidro quebrando, alguns grunidos,talvez seja uma brincadeira, algum tempo depois não ouvi mais nada, papai saiu do quarto, ele se sentou em sua cadeira e foi assistir o jogo, ele me mandou não sair do quarto até amanhã.

Faz tempo que a mamãe não sai do quart.o
Papai não me deixa entrar.
Quando eu peço ele apenas briga muito.
Ele nem sempre foi assim, só quando ele bebe.
Papai estava no quarto da mamãe, ele saiu mas esqueceu a porta aberta.
Eu olhei para dentro, mamãe estava dormindo no chão.
Eu entrei e tinha um cheiro horrível, tipo quando papai pega um cervo e esquece de botar no freezer...
O carpete do quarto estava manchado.
Acho que mamãe estava bebendo vinho.
Papai chegou.
Dava pra sentir o cheiro forte de bebida vindo dele.
Papai estava triste hoje.
Ele nem gritou comigo.
Apenas mandou eu ir para o jardim.
Papai pegou seu rifle de caça.
Vamos caçar aqui? Eu perguntei.
Ele apenas pediu para eu olhar as flores.
Ele estava atrás de mim.
Aquelas rosas estavam tão belas.
Mamãe ama as tulipas do Jardim.


Autora: ChloeAescrota

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Não sei por que ele não para de sorrir para mim

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Recebi aquela correspondência avisando sobre o falecimento da minha avó. Nunca tive contato com ela, com exceção da época em que ainda morava na sua casa junto com a mamãe. Depois disso, nós nunca mais nos falamos. Ouvi boatos de pessoas próximas mencionando que ela estava cada vez ficando pior com os seus problemas, já não sabia mais quem era ninguém e o seu quadro clínico era ficar na maior parte do tempo internada.

Sinceramente, nunca tive motivos para choramingar, pois eu já havia perdido os meus pais tão cedo e me tornei um adulto acostumado com esses tipos de tragédias na família. É claro que levei em consideração que em seu falecimento era uma velha com seus quase oitenta anos, certamente viveu o suficiente. Bem, voltando ao assunto, eu havia recebido a correspondência falando sobre sua morte e eu precisava voltar para minha cidade de infância com o objetivo de assinar alguns documentos. Ela não deixou nada além da sua velha e grande casa, foi a única coisa que ganhei em toda minha vida.

A nostalgia bateu forte enquanto eu estava carregando uma mochila pesada no meu ombro direito e observando os bairros, o parque onde brincava com meu melhor amigo, as casas as quais estão todas destruídas pelo tempo, tudo parece diferente e, da mesma forma que eu envelheci, parece que tudo decaiu junto com o passado. Com certeza não foi difícil encontrar a decrépita casa da vovó, o seu quintal com aquelas duas árvores grandes ganhava destaque por causa do tamanho com um casarão para um bairro tão pobre. Estive navegando em meus pensamentos por alguns minutos, caminhando e me aproximando até que observei para a moradia da frente... Toda minha atenção foi roubada para o que eu estava olhando.

As pessoas estavam com roupas pretas, amontoadas e algumas no quintal, senhoras e senhores, conversas solenes e murmuradas. De repente, senti uma sensação estranha, aquele mesmo sentimento quando você começa a achar que toda a ardência do seu corpo foi roubada por um sentimento de gelo anavalhado. Foi estranho, desde o momento que ignorei o meu objetivo e aproximei-me mais um pouco da moradia, como se não quisesse nada. Percebi, próximo da porta de entrada, um caixão pequeno. Considerei, comigo mesmo, se poderia aproximar mais, porém não desejei causar nenhum tipo de irritação para aquelas pessoas que não me conheciam na região. Enquanto estava dobrando os meus pés para sair, observei uma criança aparecendo no meio da multidão e aproximando-se de mim.

Aparentemente, ignorado, quase como uma penumbra no meio daquela multidão, ele foi arrastando-se entre os pés e foi aproximando da minha direção. Desenhou no rosto um olhar curioso e espantado. Dei alguns passos para trás, incomodado com a figura daquele garoto estranho, olhando para mim. Finalmente parou, reparou com mais atenção e deu um sorriso... mesmo com aparência triste, ele estava rindo. Fui distanciando e observando aquele menino olhando em minha direção com o mesmo sorriso no rosto até que eu entrei na casa, após forçar a chave umas três vezes para que a fechadura velha abrisse e me tranquei.

Foi uma sensação inquietante e desconfortante. O mesmo calafrio, desde que pisei no meu bairro de infância, parece me perseguir. Coloquei lenhas na chaminé e usei casacos, mas não consigo parar de sentir a mesma abominação de frio extremo. A casa estava empoeirada, móveis coloniais. O sentimento de melancolia ficou ainda maior quando olhei para as escadas, os quartos e suas portas. Apesar do tempo, recordei a época em que chegava do colégio com os meus amigos para brincar, o meu melhor amigo se escondendo dentro dos cômodos e eu o procurando. Os momentos bons de infância parecem que foram as únicas coisas boas que sobraram.

Mais tarde, saí para encontrar algum lugar para que eu possa comer. Já havia dormido no sofá por causa da viagem e a fome veio feroz, rosnando no meu estômago e doendo. Não me preocupei em trancar a porta, lembro muito bem das pessoas desse bairro, mesmo que aparentando ser um estranho na vizinhança, sei que ninguém aqui ousaria entrar na minha casa com intenções de roubar ou fazer mal.

Minha atenção voltou para aquela mesma residência, que estava em luto por causa de um velório, tudo parecia calmo como se nada estivesse acontecido: porta trancada e janelas fechadas. Fiquei aliviado quando percebi que aquele garoto não estava observando e sorrindo. Então, voltei minha concentração para frente e me assustei como se fosse um fantasma: ele me esperando na esquina, examinando e o sorriso sendo rasgado no seu rosto. Tentei ignorar, indo para outra calçada, e ele não desviou os olhos da minha pessoa. Dessa vez acenou e, por alguma razão, eu senti um desconforto, algo semelhante com medo. Apressei os meus passos para o mais longe possível.

Aquela silhueta encontrava-se lá, ainda parada. Mesmo fitando de relance, eu poderia contar cada fileira de dentes, ostentando todos e, assustadoramente, movimentando a sua mão esquerda. Não tive como me alimentar normalmente, esse lugar estava corroendo-me como ferrugem em um ferro. Uma opção para ficar em um hotel foi descartada, uma vez que não tinha grana para esse conforto. Meu único desejo, enquanto tentava empurrar aquele sanduíche na boca, era de resolver o mais rápido possível a venda da casa. Um bairro bom, um casarão antigo e bem conservado, não seria difícil encontrar alguma família jovem interessada. Foi o que o rapaz disse que trabalha com vendas de imóveis.

Ao entardecer e durante à noite, parecia que aquele garoto sempre estava olhando e rasgando sua boca em duas direções, eu poderia jurar nas esquinas, mal-iluminadas, que ele estava esperando. Para dormir não foi fácil na primeira noite, pois carreguei uma sensação de apreensão. O meu coração sempre parecia estar rápido demais ou acordava no meio da pândega com figuras pequenas correndo, na verdade, era apenas uma, como se fosse uma assombração. Já havia passado três dias e eu estava sendo sufocado por uma coisa que não consigo explicar, e a droga do frio, não importando o horário do dia ou a localidade que eu me encontrasse, piorava e sempre permaneceu grudado em mim desde o maldito momento que encostei nessa região.

Estou sentada em uma cadeira na cozinha, o meu corpo tenta se curvar para encontrar conforto na mesa e o café, já morno no momento, parece tentador, mas o meu ânimo diz para ignorar. Velhos hábitos de antigamente estavam voltando, da mesma forma que as lembranças aparecendo uma seguida da outra, quando eu fiz parte desse lugar no meu momento de infância. Aquele mesmo sentimento de que quando nós éramos mais novos e nunca aproveitamos o melhor ápice da nossa vida, desaparece em cada direção que eu vejo. O telefone tocou, depois de um bilhão de anos sem ficar perdendo a linha com a internet, era o sujeito que estava negociando minha casa. Nesse momento degradador, ele disse que finalmente encontrou um comprador, um cara que almejava transformar esse lugar em um imenso comércio.

Fiquei aliviado, mas aquela mesma sensação e o tormento daquele garoto estava sempre me observando, sorrindo e roubando o meu sossego. Consumindo e quebrando o meu restrito subconsciente, deixei o meu próprio ego para um objetivo, procurar e visitar uma casa que não ficava nada além de alguns passos do meu gramado. Era grande, morto e seco, contudo, de alguma forma, parecia vivo. Encostei na porta, bati algumas vezes com o meu indicador e ouvi os ferrões sendo abertos, de cima para baixo, uma segurança incomum para um lugar tão pacífico e remoto.

As minhas mãos estavam guardadas no casaco, da melhor forma para fugir do sentimento de clima abaixo de zero, o gorro na minha cabeça acomodava os meus cabelos grisalhos. Então, nesse momento, vi a presença da senhora... aparentando ser uma bruxa. Examinei os seus traços da aparência, desgastada, alguém que fazia muito tempo que não dormia e, certamente, dando o dane-se para o seu visual. Os seus olhos de julgamento pareciam me conhecer. Em tal caso, ela foi direto ao ponto, perguntando o que eu desejava e questionei sobre o garoto que alguns dias atrás estava sendo sepultado em um infortúnio de conhecidos, dentro de uma caixa triste, com pessoas figurando fantasmas e, naquele amanhecer, utilizando roupas deprimidas em um clima nublado.

"Não preciso de condolências. Diz logo o que você deseja. Já imagino que seja parente da velha senhora esquecida e abandonada na outra casa. Ninguém nunca apareceu para cuidar nos seus momentos de solidão e devorada pela sua doença. Expulse imediatamente o que você faz aqui, rapaz!?" - Todas as suas palavras parecem ser emolduradas em cada verbo da sua voz seca, consumindo-me e despedaçando em cada sensação vergonhosa por sentir culpa por tudo aquilo.

Não sabia o que revidar, muito menos falar sobre seu comportamento. Alguém da sua família, que morreu há alguns dias, foi minha curiosidade esquecida como uma escuridão sendo apagada por uma luz. Entre nós dois, a pavorosa mulher preparou-se para trancar a porta. Nesse momento, olhou para trás, em cima dos seus ombros, e disse o nome de uma criança... Eu fiquei travado, imaginando dezenas de coisas. Logo aquela figura misteriosa surgiu, aquele mesmo sorridente e observador, que sempre esteve olhando e rasgando os seus lábios na minha figura. Dessa vez triste e calado, a figura cortante na sua face desapareceu como uma rachadura, fragmentada em mil pedaços. Então, ela deu um tapa no seu pescoço, de trás para frente.

Quanto mais o garoto tentava parecer, encontrando uma esperança infantil, ao enfrentar o autoritarismo da sua mãe, foi sendo apagado como um borrão. A velha pavorosa, empurrou contra a parede e aponta o dedo no nariz do garoto, esmagando a felicidade em seu rosto de alguns dias atrás. Os dentes brancos foram desaparecendo, em um buraco pequeno e redondo, nos seus lábios, deixando escapar lágrimas no seu rosto e ela empurrou uma Bíblia no meio do seu peito, pedindo para ele rezar e dizendo que era um pecador.

A única coisa que eu poderia fazer era observar, os meus pés ficaram enraizados nas tábuas dessa casa, ainda mais deteriorada do que a minha da velha e falecida avó. Depois daqueles segundos infinitos, ela aproximou-se e pediu para eu desaparecer, mas o garoto deslizou tão rápido quanto um vento, em uma porta entre aberta.

"Estou com saudades de você, Christopher, por que não brinca mais comigo?" - Não sabia se eu estava mais impressionado da forma que tratou o garotinho, como se fosse um verme, ou ele falando aquele nome, referindo-se a mim. O meu corpo ficou ainda mais preso naquele lugar, como se fosse cimento em estado petrificado.

"Você sabe muito bem que esperou por muitos anos, mas o senhor sumiu! Depois daquilo e, agora, ele está feliz contigo e lhe acompanhando em todos os lugares. Por que não olha para trás...? Observe o Christopher que agora mesmo está animado e tentando chamar sua atenção!" - Rapidamente, a porta foi trancada, e eu pude ouvir agressões contra o garotinho, palavras religiosas o julgavam. Nessa ocasião, lembrei do meu melhor amigo de infância, que havia morrido poucos dias antes de eu sair desse lugar. Não tinha como aquele garoto saber o seu nome, não consigo olhar para trás sem sentir um abalo de presença nas minhas costas. Eu não quero lhe ver novamente, muito menos lembrar que fui responsável por empurrar, afogando-lhe naquele rio...

Autor: Sinistro

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A Origem de Netium

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A alguns anos atrás em uma cidadezinha simples do interior, vivia um pobre garotinho chamado Robert. Sua vida não era uma das melhores afinal, sua família não era daquelas famílias perfeitas que comemoram datas festivas abraçadas no calor de uma lareira acesa, não, era uma família separada que sempre estava em conflito, gerando brigas e brigas diariamente. Não era fácil para Robert.

Devido aos conflitos diários que aconteciam na casa do garoto, Robert se tornou uma criança quieta e tímida, um pouco desconfiada porém curiosa e suas curiosidades sempre chocavam de frente com as regras de seu pai que acabava batendo nele por quebrar as regras. Robert odiava seu pai, ele não era do tipo que saía 6 horas da manhã de casa pra ir pro trabalho, na verdade era um vagabundo que ficava em casa o dia todo apenas reclamando de tudo... sua mãe também não podia reclamar muito, ela tinha também tinha seus defeitos porém nem se comparavam ao ódio que Robert sentia pelo seu pai.

Um dia, o pai do garoto chegou em casa bêbado, uh que novidade, ele mal conseguia ficar em pé porém, a sua fúria e decepção com a família, principalmente com o filho eram claramente visíveis a quilômetros de distância. Ele imediatamente começa a agredir a mãe do garoto. Robert em um ataque de fúria e ódio decide dar uma investida contra seu pai, sem sucesso afinal ele era apenas uma criança de 10 anos, o pai acabou desviando sua atenção da mãe para o garoto e começou a espancar-lo.

Quando a agressão finalmente acaba, o pai sai de casa e some pelas ruas escuras da cidadezinha. Robert estava desmaiado no chão e sua mãe logo o pega e coloca em sua cama e começa a cuidar dele chorando ao seu lado pedindo desculpas por não ser forte e ser uma boa mãe. Quando o garoto finalmente desperta ele se lembra de tudo o que havia acontecido, ele começa a chorar e começa a desejar que tudo fosse melhor, que sua vida fosse melhor, que ele pudesse viver um dia feliz, um dia verdadeiramente feliz afinal, a única felicidade que ele conhecia era ver as outras crianças felizes no parquinho da cidade.

Todos os sentimentos de ódio, vingança, rancor, raiva, desespero e tristeza iam crescendo dentro de seu interior, ele nunca sequer descontava ou desabafava esses sentimentos pois se o mesmo fizesse isso, provavelmente iria apanhar novamente. Então, desesperado com a sua vida de merda, Robert foge de casa debaixo de chuva sem direção, sem rumo, disposto a acabar com todo aquele sofrimento, ele não aguentava mais um segundo naquele inferno.

Instintivamente, ele corre para o parquinho, lá era o único lugar que ele conseguia ver outras crianças felizes, ele desejava ter aquilo mas sempre era interrompido por seu pai ou as vezes até pela sua própria mãe que dizia que ele não precisava daquilo. Era um fria noite chuvosa, ele não conseguia enxergar mais que um palmo a sua frente, mas ele consegue reconhecer o parque por causa dos brinquedos e por conta de algumas luzes que se mantinham acessas nos postes. Ele vai até a ponte que ficava por cima de um lago, ele senta na beirada da ponte e começa a pensar em sua miserável vida e em como ela poderia ser melhor, em como ele poderia ser feliz e, em como ele poderia se safar dessa pra quem sabe, uma nova vida bem melhor que essa, não custava tentar!

Naquele momento passavam milhares de ideias por sua cabeça, eram ideias perfeitas de como seria viver num paraíso, ser rico, ter carros, ter tudo aquilo que um ser humano poderia ter, ou até mesmo ser um super herói com incríveis poderes, até que uma ideia mais racional veio a sua cabeça, o suicídio. Robert acha que essa é a melhor opção pois assim ele não iria mais ter que sofrer neste mundo, e que provavelmente ele renasceria em uma vida bem melhor que está e também, o afogamento seria a melhor opção já que ele não sabia nadar.

Robert se joga da ponte do parquinho caindo diretamente no lago, ele sente o contato de seu corpo molhado devido a forte chuva com a água congelante do parque, seu corpo havia afundando demais no lago e como ele não sabia nadar, Robert não teria chances algumas de voltar a superfície. Ele rapidamente prende a sua respiração tentando aguentar o máximo de tempo possível debaixo d'água, coitado mal sabia ele que na maioria das vezes um ser humano não treinado consegue segurar o ar debaixo d'água por apenas 30 segundos ou no máximo 90 segundos.

O ar começa a faltar em seus pulmões e logo Robert começa a ficar desesperado por ar, seu corpo quer ar, sua mente quer ar, seu espírito queria ar; o arrependimento agora era maior do que todos os seus sentimentos de ódio e indiferença porém, não havia mais volta, não havia mais como ele conseguir nadar até a superfície. Robert agora achava que a ideia de se afogar foi na verdade uma péssima ideia, ele daria qualquer coisa para voltar no tempo, mas não havia mais jeito seu arrependimento era simplesmente enorme...

Desesperado ele começa a se debater e tenta subir a superfície de qualquer jeito para conseguir respirar porém, o pobre coitado não sabia nadar, ele estava tomado pelo pânico e cada vez mais rápido seu coração estava batendo, ele não aguentou mais segurar o ar e começou a tentar respirar instintivamente debaixo d'água mas, obviamente que isso não deu certo, a água entrava em seu corpo piorando ainda mais a situação, Robert naquele momento chorava arrependido desejando voltar para os braços quentes de sua mãe pelo menos uma última vez até que de repente, tudo se acalmou, tudo ficou tão visível, tudo ao seu redor estava tão silencioso, lentamente Robert via a sua visão escurecendo, escurecendo até que finalmente tudo se escureceu por completo...

Alguns anos depois :

Se passado alguns anos, Robert agora era um adolescente de 16 anos, ele e sua mãe acabaram de se mudar para uma novo bairro, dessa vez era um bairro grande muito mais urbanizado e movimentado, os sons dos veículos poderiam ser ouvidos a grandes distâncias. A mãe de Robert finalmente tinha conseguido um pouco de paz com o divórcio após descobrir que estava sendo traída pelo marido com várias prostitutas bom, pelo menos agora eles estavam livre das agressões daquele maldito, ou não…



Robert agora estava em um novo ambiente, um novo lar, uma nova escola, novos amigos, bom tudo era novo, tudo estava perfeito de mais, finalmente a felicidade estava reinando sobre sua vida. Porém, chega o primeiro dia de aula, as suas espectativas eram altas, ele achava que teria aulas normais com pessoas normais e talvez tentando socializar com ele, quem sabe Robert não poderia se encaixar em algum grupo de estudantes? Bom, acontece que na verdade, não foi bem assim...

O primeiro dia de aula foi um verdadeiro inferno, Robert não tinha conseguido fazer nenhuma amizade e ninguém fazia questão de conversar com ele, na verdade todos o ignoravam e o achavam estranho devido as suas roupas nada convencionais, além do fato de que ele era tímido e novato. Este seu visual humilde e tímido iria fazer com que Robert fosse atormentado pelo resto do dia por alguns valentões que se achavam os donos da escola. Seu ódio estava crescendo cada vez mais a cada hora que ele ficava naquele inferno até que finalmente a hora de ir embora, chegou…

Algumas semanas se passaram e a sua vida escolar continuava o mesmo inferno de sempre porém agora, Robert tinha conseguido fazer alguns amigos, ele finalmente estava socializando até que enfim uma luz surge no meio daquele lugar. Robert odiava a escola, porém ele só havia duas escolhas, ou ele estudava ali ou voltava a morar com seu pai, já que sua mãe não seria capaz de sustentar o filho e a si mesma dentro de casa, a economia era tudo pra eles.

Robert estava fazendo alguns desenhos em seu caderno no canto da sala, até que Kevin, um dos valentões entra na sala e mira seu olhar em sua direção, Robert já sabia que aquele idiota iria vir encher o seu saco, seu ódio por ele era imenso, tudo em Kevin era odioso, seu penteado era odioso, seu rosto era odioso, seu corpo era odioso, até mesmo aquele maldito sorriso sarcástico era extremamente odioso para ele, seu ódio pelas coisas em geral era enorme.

O otário se aproximou de Robert e começou a ver os seus desenhos e logo ele começa a criticar-los com um tom sarcástico :

- Eu posso fazer melhor do que esse lixo que você chama de desenhos.

Apesar de sua voz ser extremamente irritante e odiosa, Robert da de ombros e volta a passar o lápis pelo caderno.

- Você me ouviu? Eu estou falando com você, seu bosta!

Kevin inesperadamente pega o caderno de Robert rasgando todas as folhas possíveis. Robert se levanta da mesa rapidamente para pegar o caderno e é quando Kevin joga o caderno para longe e vê seus amigos chegando por trás dele.

- O que é que você vai fazer? Uh? Diz Kevin de nariz empinado.

Robert não diz uma palavra e senta em seu lugar baixando sua cabeça, ele esperava que todos aqueles idiotas vão embora para os seus lugares. E milagrosamente sim, eles voltaram para seus lugares, Robert agradece por eles não terem ficados ali por mais tempo. Ele se levanta para recuperar seu caderno de desenhos que estava jogado no chão até que de repente, uma moça pega o caderno e lhe entrega.

- Obrigado! - Diz Robert sem olhar para garota.

- De nada. Ei eu me chamo Mhäry e você deve ser o…

Um silêncio toma conta do lugar, Robert estava de cabeça baixa pensando em como poderia se livrar daqueles idiotas até que de repente.

- Ei eu estou falando com você, me responda, como você se chama? - Ela diz com um tom de autoridade.

- A sim, me desculpe é que eu estava, eu estava é sei lá. Meu nome é Robert.

- Bonito seu nome, você está bem? Eu vi que Kevin estava tentando te humilhar.

- Tá tudo bem, eu estou bem, isso não foi nada…

Robert naquele momento estava querendo fugir dela, ele não estava nenhum pouco afim de conversar, muito pelo o contrário dela que fazia cadê vez mais e mais perguntas, ela inclusive chegou a sentar do seu lado só para saber mais sobre sua vida e contar coisas aleatórias.

Com o passar do tempo, Robert e Mhäry estavam namorando. Robert a amava, a amava de mais, ele poderia dar a sua própria vida por ela, bom isso era o que ele sempre dizia pra ela, ele contava todos os seus segredos para Mhäry, inclusive aqueles segredos mais ocultos em sua mente, como as suas tristes memórias da infância onde sua vida realmente não era uma das melhores e de sua tentativa fracassada de suicídio.

O namoro causou um certo ciúmes em Kevin que ainda sofria provocações de seus amigos. Inicialmente Kevin gostava da garota, porém ela o odiava por ele ser muito chato e exibido além de que ele sempre fazia muitas coisas sem graças na tentativa de conquistar-la e isso a irritava demais, a relação entre Robert e Mhäry logo gerou ciúmes em Kevin que agora jurava que iria inferniza-lo pelo resto de sua vida…

Numa fria manhã de terça feira, Robert vai até a escola, ele logo percebe que sua namorada não iria aquele dia, "droga hoje o dia será horrível!" Pensava Robert, na verdade ele só ia na escola para vê-la.

Estranhamente aquele dia ia muito bem, Kevin e os outros valentões não foram encher o saco de Robert em nenhum momento, nem na hora da entrada, na troca de professores e no recreio, na verdade tudo ia bem aquele dia, bem até de mais para ser verdade. Robert logo desconfiava que alguma coisa muito ruim iria acontecer até que ele sente repentinamente e sem avisos um ódio poderoso queimando por todo o seu corpo. Ele não sabia da onde via esse ódio e porque ele apareceu em um dia tão calmo e tranquilo, até aquele momento…

Na hora da saída, novamente o ódio estava queimando por seu corpo, Robert estava suando, ele tira sua blusa de frio azul e quando ele ia colocar ela na bolsa, ele sente um arrepio em sua espinha e logo em seguida escuta passos vindo rapidamente em sua direção, ele logo se vira se da de cara com Kevin e seus dois amigos, Ronnie e James.

Não entendendo nada do que estava acontecendo e achando que alguma coisa acontecia atrás dele, Robert vira a cabeça para o outro lado porém, ele não vê nada então ele virá novamente para o lado dos garotos para vê-los e inesperadamente ele leva um soco de Kevin na cara fazendo com que ele caísse no chão.

- Você não me parece tão valente quando a sua namoradinha não está por perto. Diz Kevin dando risadas sarcásticas.

- Vamos pegar ele. Diz James.

Robert tenta se levantar mas é impedido por Ronnie que segura as suas pernas fortemente e então James e Kevin pulam encima de Robert dando vários golpes em sequência ao longo de seu corpo, vários pontapés e pisões na cara, no estômago e nas pernas. Kevin furioso pega Robert pela camisa o deixando frente a sua cara dizendo :

- Isso é por você ter pegado a MINHA mina. Diz Kevin furioso.

Kevin cospe na cara de Robert e o joga contra o tambor de lixo que estava na calçada, Ronnie e James rasgam as sacolas de lixo derrubando tudo no pobre garoto que agoniza de dor no chão dando várias risadas de sua situação. Após a fúria passar Kevin logo olha arrependido para Robert pedindo desculpas em sua mente, eles ouvem uma sirene, um dos vizinhos havia presenciado a briga e chamado a polícia. Os três garotos fogem sem prestar socorro deixando Robert naquela situação humilhante…

Robert é levado para o hospital com vários hematomas pelo corpo, algumas costelas quebradas, ferimentos na cabeça, nas mãos e nas pernas. Ele estava novamente com ódio, ele estava explodindo de ódio, até que uma voz rouca e profunda diz :

- Você deve me libertar. Eu já te ajudei uma vez, eu posso te ajudar outra vez Robert.

Logo o ódio desapareceu e em seu lugar, a tristeza apareceu, kágrimas se formam nos olhos de Robert e elas começam a escorrer por seu rosto, ele estava surpreso por ouvir aquela voz misteriosa…

- Eu não posso. Diz Robert soluçando.

- Você sabe o que acontece quando você coloca um copo vazio debaixo de uma torneira aberta?

- O que? Diz Robert confuso.

- O copo começa a se encher de água, e se você não fechar a torneira, a água irá transbordar do copo. Sabe o que isso significa?

- Me deixa em paz! Grita Robert com raiva em suas palavras.

- Significa que uma hora eu irei ter controle sobre você, eu irei ter controle sobre você e aí, eu poderei te proteger, eu poderei cumprir a nossa vingança, a nossa promessa, você não pode fugir de mim, lembre-se disso, Você Não Pode Fugir de Mim, Robert. Diz a voz misteriosa dando gargalhadas maliciosas que ecoavam na cabeça de Robert.

Tentando parar o som insuportável das vozes, Robert tapa seus ouvidos rolando pela cama, ele acaba caindo no chão agonizando de dor gritando pedindo para parar até que de repente, Mhäry e sua mãe entram no quarto junto de alguns médicos e enfermeiros que pegam o garoto colocando-o na cama novamente e lhe dando alguns medicamentos para que ele pudesse voltar a dormir, novamente…

Quando ele finalmente acorda, Robert está tonto numa cama de hospital, ele olha ao seu redor porém tudo estava embaçado no entanto, ele consegue ver uma silhueta de uma pessoa, ele força seus olhos para conseguir enxergar melhor e sem querer ele acaba derrubando a bandeja que estava em seu colo acordando a pessoa que estava ali.

- Robert? Você está bem, você já acordou? Diz Mhäry.

- Mhäry você está aqui? Minha visão está embaçada não consigo te ver. Responde Robert.

- Sim eu estou aqui, sua mãe teve que voltar pro trabalho e me disse para ficar aqui com você, você quer que eu chame algum médico?. Diz Mhäry preocupada

- O que? Eu não sei… Diz Robert completamente confuso.

Inesperadamente dois policiais e um médico entram no quarto, eles pedem para que Mhäry saia do lugar, relutante ela sai da sala esperando pelo lado de fora.

- Olá Robert, somos da polícia e queremos fazer algumas perguntas pra você, está de acordo a colaborar? Diz um dos policiais.

- Sim eu acho. Diz Robert ainda um pouco confuso.

- Sabemos que ocorreu uma briga entre você e mais três garotos em horário de saída escolar. Poderia nos dizer o motivo da briga e quem eram os garotos?

- Na verdade esses três desgraçados vem pegando no meu pé desde quando eu cheguei nessa cidade, eu odeio eles, eu os odeio, EU OS ODEIO! Grita Robert furiosamente para os policiais.

- Por favor mantenha a calma, quem são os três garotos? Diz um dos policiais surpreso.

- James, Ronnie, e Kevin. Diz Robert com desgosto cerrando os dentes e fechando os punhos.

Neste momento o policial fica em silêncio por um tempo, aparentemente surpreso com os nomes e então ele diz :

- Obrigado pela cooperação, tenha um bom dia. Diz um dos policiais saindo da sala.

Assim que eles saem, Mhäry logo em seguida entra na sala pulando encima da cama de Robert o abraçando e fazendo várias perguntas como sempre…

Depois de finalmente se recuperar dos ferimentos, bom nem todos os ferimentos mas a maioria, Robert finalmente retornava a sua casa, sua mãe o recebe carinhosamente e preocupada pergunta do se está tudo bem e se ela poderia ajudá-lo em alguma coisa, Robert diz que sim…

Ao retornar para a escola, Robert agora estava muito mais agressivo e impaciente, seus sentimentos negativos que ele guardava por tanto tempo parecia estar agora escapando por entre as pequenas frechas de sua mente e isso sempre acabava o colocando em situações de conflitos, ele não tinha paciência nem mesmo para sua namorada… o ódio reinava sobre ele.

Quando ele cruzou o portão da escola e lançou seu olhar ao longe na multidão esperando encontrar Mhäry, ele a vê porém, um cara estava tentando beija-la, ela estava tentando fugir dele mas ele era mais forte, até que finalmente ele consegue beija-la. Essa cena fez com que Robert paralisa-se, ele estava tremendo da cabeça aos pés, ele não expressava nenhuma reação ele não sentia nada, nem raiva ou ciúmes, apenas um vazio, um vazio infinito e mortal, extremamente mortal, esse vazio era o seu ódio…

Robert apenas da meia volta e sai da escola.

Alguns dias depois :

Depois de descobrir sobre a vida daquele maldito desgraçado, Robert analisa-vá o momento perfeito para o ataque, era uma fria noite de terça -feira, ele sabia que no dia seguinte, só haveria James, um dos colegas de Kevin em sua casa, pois seu pai estava viajando por causa do trabalho e a mãe dele iria trabalhar.

Era a oportunidade perfeita, ele não sabia ao certo o que iria fazer quando chegasse lá, Robert poderia simplesmente bater nele ou xingar-lo ou até mesmo sei lá, milhares de pensamento vieram a cabeça de Robert repentinamente tudo se acalmou e aquele mesma voz misteriosa do hospital diz :

- Vá para a cozinha, na última gaveta existe uma faca, preta!

Robert sem ter controle de seu corpo vai até cozinha obedecendo todas as instruções e abri a última gaveta e para o seu espanto realmente havia uma faca de cabo preto lá, ele não sabia como a voz sabia que a faca estava lá, mas olhando para a faca, Robert reparou que a ela estava com o cabo quebrado, então ele diz :

- A faca está quebrada.

- Está é perfeita.

Quando Robert pega a faca, uma forte energia queima sobre seu corpo subindo de seus pés até a cabeça, um ódio poderoso tomou conta de seu corpo e ao mesmo tempo milhares de flash vieram instantaneamente em sua mente mas um acabou chamando mais a atenção de Robert, o dia em que ele tentou cometer suicídio...

Robert pensava :

"Aquele dia foi o pior dá minha vida, meu pai como de costume havia chegado bêbado em casa e acabou brigando com minha mãe e comigo, ele acabou me batendo, eu tentei revidar mas eu era somente uma criança indefesa de 8 ou 9 anos naquela época e meus golpes não surtiram efeito então cansado de toda aquela tortura, eu decidi fugi de casa naquela mesma noite no meio dá chuva com lágrimas escorrendo pelo rosto correndo sem rumo pelas ruas até que eu cheguei no parquinho dá cidade".

"O parquinho da cidade era um lugar agradável, particularmente eu nunca pensei que iria acabar tirando minha vida naquele lugar tão doce… eu estava andando nele aproveitando meus últimos momentos de vida até que eu encontrei uma ponte que passava por cima de um lago, eu pensei em me jogar de lá na esperança de morrer afogado já que eu não sabia nadar, naquele momento nada me importava, realmente nada me importava... mas quando eu iria pular, tudo se escureceu e de repente eu volto a realidade".

Voltando a realidade com os olhos cheios de lágrimas, Robert estava mergulhado em ódio e com sede de vingança, ele realmente estava disposto a matar aquele desgraçado que ele era obrigado a chamar de pai, era como se todos os seus sentimentos tivessem sido substituídos por ódio...

- Nada irá me parar, nada irá me parar, nem meu pai, nem Kevin, nem James, nem Ronnie, nem a polícia e nem mesmo Deus, ninguém irá me parar! Diz Robert maliciosamente soltando tendo um ataque de risos.

No dia seguinte ele não foi a escola, Robert estava planejando o que eu iria fazer com James. Robert queria muito dar uma lição naquele idiota pra ele aprender a não mexer com a namorada dos outros. Fazia planos A e B para caso alguma coisa desse errado e então repentinamente ele teve uma brilhante ideia, depois de ter feito os prós e contras desta idéia, Robert vê que seria muito mais vantajoso realiza-la.

Quando finalmente chegou a hora de colocar o plano em prática, Robert pega o carro "emprestado" dá sua mãe e vai até a casa de James, eram duas dá tarde, Robert já estava suando devido ao calor, o sol estava de matar. Para a sua sorte não havia nenhum movimento na rua tudo estava estranhamente tão quieto sem nenhum movimento então, ele decide agir.

Ele toca a campainha dizendo que era um amigo dele e que tinha ido ver ele, James logo abre o portão e toma um surpresa, Robert percebe o quão surpreso James estava por vê-lo, James realmente não esperava que ele, logo ele fosse fazer uma "visitinha" a sua casa logo o namorado da mina que ele estava tentando pegar...

Antes que James pudesse reagir de alguma forma, Robert começa a lançar vários insultos, com todas as palavras que vinham em sua mente até que de repente, a visão de Robert se escurece e por puro impulso ele acerta um um soco em seu nariz fazendo com que James desmaia-se. Quando Robert volta ao normal, ele estava em estado de choque, James havia desmaiado e sangue estava escorrendo por todos os lados, oh não droga! Robert realmente não queria tudo terminasse daquele jeito, ele havia perdido o controle da situação, nada disso havia sido planejado anteriormente...

Sem saber o que fazer com o corpo desmaiado, milhares de pensamentos vieram em sua cabeça. Robert podia deixar-lo ali caído mas, mais tarde ele acordaria e me acusaria pelo ocorrido e seu pai era um dos policiais que havia ido fazer perguntas para Robert, agora ele finalmente entende o porquê do policial ter ficado surpreso ao ter mencionado o nome dos garotos. Robert não queria levar a culpa pois ele provavelmente teria que aguentar ficar levando sermão da minha família, e provavelmente iria para uma cadeia de menores ou o pior, sua namorada terminar o namoro devido ao meu ciúmes sei lá e suas ações idiotas...

Desesperado ele olha para trás em busca de alguma resposta e vê o carro da sua mãe ali estacionado então ele olha para cima e não vê mais o sol, na verdade nuvens negras pairavam pelos céus, iria chover... De repente aquela voz novamente surge e diz :

- Você sabe o que acontece quando você coloca um copo vazio debaixo de uma torneira aberta?

- Me deixa em paz seu filho duma puta, você já não me irritou o suficiente caralho? Grita Robert furioso e cansado da voz.

- O que acontece? Exatamente o que eu disse, uma hora a água irá transbordar do copo, e os seus sentimentos de ódio estão transbordando de você.

Arrependido Robert diz :

- Eu não queira que isso terminasse assim…

- Pegue o corpo e coloque no porta malas, rápido parece que vai chover. Diz a voz maliciosamente.

Aproveitando a falta de movimento na rua, Robert pego o pesado corpo desmaiado de James e o joga no porta malas, droga ele ainda continua sangrando Robert não sabia que podia bater tão forte assim… na verdade era a primeira vez que ele tinha agredido alguém desta maneira, aconteceu tudo tão de repente que ele não teve tempo nem mesmo de ver a cena.. Robert entra no carro colocando as mãos no volante olhando seriamente para o nada e pensando no que tinha acabado de fazer, e no que ele iria fazer, e agora? E se aquele policial o encontrasse, e se alguém tivesse visto o seu ato no mínimo estranho e se logo a família de James desse falta dele, Robert tinha que fazer alguma coisa a respeito do corpo dele…

Robert dirigi por um bom tempo sem rumo dando várias voltas em quarteirões aleatórios apenas pensando no que iria fazer com o corpo de James, o tempo se formava para chuva e os primeiros trovões podiam ser ouvidos até que finalmente ele chega a conclusão que o melhor a se fazer era com que James fosse morto… na verdade ele não havia pensado em mata-lo inicialmente, e esse pensamento foi uma sugestão da voz... Robert para o carro numa rua abandonada quase no fim da cidade de frente com uma casa abandonada de madeira, bem antiga pelo visto. Esta casa logo traz algumas memórias da infância de Robert.

Memórias de Robert :

"Eu acabei me jogando da ponte do parquinho e lentamente toda a minha vida passou diante dos meus olhos, os momentos felizes, os momentos tristes, tudo o que eu podia me lembrar de minha vida foi passado em uma fração de segundos que parecia mais uma eternidade até que eu senti o contato de meus cabelos com a água e logo em seguida todo o meu corpo mergulhou, eu comecei a afundar e afundar cada vez mais e não tinha esperanças de voltar a superfície tão cedo, a água entrava em meus pulmões e meu corpo ficava cada vez mais desesperado por ar, eu comecei a me debater feito louco e desesperado por ar, porém eu não sabia nadar então era inútil eu lutar, afinal eu havia decidido isso..."

"Tudo foi se escurecendo o ambiente ficava cada vez mais calmo, tão calmo, tão silencioso, eu não conseguia ouvir nem mesmo os pingos dá forte chuva batendo contra o lago, eu estava ficando fraco até que de repente tudo se escureceu por completo, pronto a minha hora finalmente havia chegado."

"Quando eu acordei, estava deitado numa cama dura e velha em um lugar completamente escuro vazio mas estranhamente eu conseguia enxergar no escuro porém, eu sabia que estava de noite, eu não sei como sabia, eu apenas sabia… o ambiente estava em um tom de cinza depressivo mas eu não sabia que lugar era aquele, o medo e a paranoia logo tomam conta do meu corpo e então eu me lembro da minha última memória.

"Eu havia tentado se matar então, eu estava morto? Realmente existia vida após a morte? Eu estava então no inferno? Que lugar que é esse? Eu achava que o inferno tivesse tom mais avermelhado... Bom talvez eu não estivesse no inferno e sim na Fazenda Negra, bom se isso for realmente a vida após a morte eu estou seriamente decepcionado e arrependido…"

"Logo eu vejo uma luz estranha vindo do andar de baixo, eu decido ir lá investigar o que era, desci as escadas, degrau por degrau cuidadosamente para não fazer nenhum barulho. Quando finalmente cheguei no final da escada eu vejo que estou em uma casa abandonada, mas o que? Como eu vim parar aqui? Exausto eu sentei na cadeira apoiando os cotovelos na mesa e então eu reparei que nela havia algumas fotografias, eu as peguei cuidadosamente para ver-las, apesar da escuridão eu conseguia ver todos os detalhes das fotografias perfeitamente e então percebi que na verdade as fotos eram minhas, tinha fotos minhas correndo, de quando eu era criança, eu indo para escola, eu com minha mãe, eu com meu pai…, eu no parquinho, espera, essa última foto… eu estava no parquinho da cidade, segundos antes de me jogar, mas o que esta acontecendo aqui? Que lugar é este?"

"Então de repente antes que eu pudesse pensar numa resposta, eu escutei passos vindo do andar superior onde eu havia despertado, porém não eram passos de uma pessoa normal, parecia algo muito mais pesado e ameaçador, eu dou um pulo me levantando rapidamente da mesa e corro para porta tentando abrir-la para fugir, porém estava trancada, "maldição!" desesperado eu começo a força-la e tento arromba-la, os passos estão ficando cada vez mais próximos, e mais altos eu começo a ver as sombras da criatura na escada, tomado pelo desespero eu dei um grito e me joguei contra a porta com todas as minhas forças e antes que houvesse o contato com a porta, uma forte luz cai diante de meus olhos me fazendo despertar daquela terrível lembrança..."

Voltando a realidade :

Robert descobre o que era aquela luz que acabara de cair, era um raio que tinha caído bem na frente do carro, por sorte ele não havia o atingido.

Os céus estava completamente nublado com nuvens negras, estava trovejando meu deus, como o tempo pode mudar tão depressa assim? E para o total desespero de Robert, começou a chover, ele tinha medo de água... Devido ao fato dele quase ter morrido afogado, Robert acabou pegando trauma por água, não importava se era uma chuvinha, ou um tsunami, ele morria de medo de água...

Robert estava paralisado dentro do carro com medo de abrir a porta, ele sabia que tinha que esconder o corpo de James no porão daquela casa abandonada, mas estava chovendo, ele poderia simplesmente esperar a chuva parar porém até lá era muito provável que James acordasse.. a chuva começa a ficar cada vez mais forte mais grossa, o cheiro de terra molhada entope o nariz de Robert e sem escolhas, ele decide enfrentar o seu medo…

Robert abre a porta do carro e sente os grossos pingos de chuva em seus braços e pernas, ele logo se arrepia e estremece com medo de que aquilo se repetisse novamente, mas ele sabia que não podia ser pego, ele deveria enfrentar o seu medo, ele deveria ser forte…

Robert desce do carro em meio a forte chuva tremendo de medo e com todos os sentidos aguçados, ele demora até chegar o porta malas e então ele abre o porta-malas e lá estava ele, esse maldito que havia causado tantos problemas… Robert pega o corpo de James e começa a arrasta-lo para dentro da casa tremendo de medo e de frio, mesmo que a casa trazia memórias terríveis de sua infância, lá era o melhor lugar a se esconder um corpo afinal, ninguém iria passa pela aquela rua.

Quando ele chega perto da porta, um ar gélido e penetrante toca a sua nuca, era um pressentimento horrível de que ele não deveria jamais abrir aquela porta, na verdade algo o dizia isso e dessa vez ele poderia afirmar que isso não vinha daquela voz, na verdade fazia até um certo tempo que ela não aparecia, mas infelizmente ele decidiu abrir aquela porta, foi até então a pior decisão de Robert em 16 anos de vida, ainda pior do que ter tentando se matar quando criança…

Ao tocar na maçaneta, seus dedos congelaram instantaneamente e uma forte preocupação tomou conta de sua mente, suas veias estavam pulsando fortemente, sua respiração estava ofegante e agora aquela sensação de que ele não deveria abrir aquela porta estava praticamente gritando sobre ele, era como se uma espécie de anjo da guarda estava berrando "não faça isso, por favor!". Mas ignorando os avisos, Robert abre a porta de uma vez.

Quando ele olho a casa, era exatamente a mesma casa de sua lembrança, as mesmas paredes, as mesmas escadarias, a mesma mesa e cadeiras, nada havia saído do lugar, tudo estava idêntico a sua lembrança inclusive as fotografias estavam sobre a mesma… Antes que Robert pudesse pensar em alguma coisa, ele sente um forte puxão no braço, olhando para baixo, Robert vê que James estava acordado e tentava se soltar.

Robert jamais deixaria James escapar, afinal ele havia chegado longe de mais para desistir agora e não poderia deixar ele foder ainda mais a sua vida então em uma onda de impulso, Robert pisoteia James várias e várias vezes até que ele começou a cuspir sangue, mas isso não era o suficiente para Robert naquela hora o ódio havia tomado conta de sua alma, naquele momento ele não queria mata-lo, muito pelo contrário, Robert queria faze-lo sofrer, sofrer pelas suas próprias mãos e descontar tudo aquilo que ele havia passado por ele na escola e acima de tudo, aprender que ninguém mexe com Mhäry

Depois de ter pisoteado James, Robert começa a arrasta-lo agressivamente pela sala até o porão, ele abre a porta e desce as escadas fazendo com que James batesse a cabeça várias vezes nos degraus, mas isso pouco importava para Robert, ou talvez não. Ele estava sorrindo de orelha a orelha, era impossível não sorrir naquela situação doentia, Robert dava várias gargalhadas incontrolavelmente e então, ele amarra as mãos e os pés de James numa mesa que havia no porão e começa a andar pela sala procurando algo que nem mesmo ele sabia o que era.

Até que então ele bate o pé em alguma coisa no chão, Robert se agacha e vê que ele tinha chutado um machado, ok incrível agora por que haveria um machado num lugar como esse? Bem quem se importa? Robert iria usar-lo contra James com um enorme prazer, sorrindo de oreia a oreia.

Ele pega o machado e lentamente arrasta ele pelo chão até chegar perto da mesa onde James estava amarrado, Robert preparava o golpe mas, ele percebe que James não estava conseguindo enxergar nada, mas como? Estava tudo tão claro tão nítido para Robert. Robert dá uma machadada em sua perna e logo em seguida um grito muito alto pode ser ouvido, ele continua repetidamente dando vários golpes pelo corpo incontrolavelmente e James continuava gritando, Robert nunca havia se sentido tão bem quanto aquele dia, ele estava com o coração acelerado suando e sorrindo sem parar, ele queria mais, ele queria mais.

Mesmo apesar de estranhamente estar sentindo prazer em ve-lo sofrer, Robert não queria que James morresse agora tão cedo, afinal qual seria a graça de morrer rapidamente? Ele nem sequer havia pagado pelo seus crimes. Ele deveria pagar pelo o que fez! Repentinamente Robert larga o machado jogando ele no chão, ele começa a andar pela casa procurando outra coisa para utilizar como ferramenta, ele avista um armário no final da sala e decidi ir até lá ver o que tinha nas gavetas. Aquele era o dia de sorte de Robert, tudo estava indo tão bem, e pra sua sorte e para o azar de James, havia um alicate de pressão na gaveta…

Robert pega o alicate e saltitando alegremente vai até James que estava completamente mutilado, com pedaços de carne vermelha espalhados pelo seu corpo, ele agonizava de dor e implorava com todo o seu perdão para que ele parasse, sem chances disso acontecer…

- Acho que peguei pesado de mais com você, James, bom provavelmente você não tem muito tempo de vida então eu, você já fez as unhas hoje? Diz Robert empolgado.

Ele pega o alicate aplicando contra as unhas dele e então, fazendo força Robert puxa a unha do dedo indicador de James, ele grita de dor e começa a se debater desesperadamente, lágrimas começam a escorrer pelo seus olhos, seus gritos são insuportáveis porém abafados pelo isolado porão e pela forte chuva lá fora.

Robert puxa uma unha de cada vez, a cada vez que ele puxava uma unha, mais James se debatia desesperadamente implorando por misericórdia e pedindo perdão não entendendo o que ele havia feito para merecer tudo aquilo até que, seus gritos estavam irritando Robert então, ele enfia um pano de chão na boca de James para que ele pudesse continuar com o, "o meu pequeno crime", como ele chamava o seu primeiro assassinato.

Na gaveta daquele mesmo armário, havia outras ferramentas, provavelmente quem morava nessa casa gostava de concertar coisas… Robert pega um martelo e começa a martelar os dedos da mão de James que já estavam doloridos, ele martela até que não sobra mais nada dos dedos a não ser uma carne moída vermelha. aquilo era incrível para Robert, ele começou a rir novamente desta vez descontroladamente não conseguindo nem mesmo mais ficar de pé, seu estômago doía, sua boca estava cansada de tanto rir e sorrir até que repentinamente ele para de rir e o silêncio toma conta do ambiente.

Robert olha para James, ele estava morto, uau! Por quanto tempo ele estava ali rindo daquela situação doentia? Seus pensamentos mudaram de um segundo para outro, ele olha para as suas mãos cobertas por um líquido cinza escuro e gosmento e diz :

- O que foi que eu fiz? Eu me tornei um monstro assassino, meu deus, o que foi que eu fiz?

- E agora? O que foi que aconteceu? Como isso foi acontecer?

- O que está acontecendo comigo?

- A água transbordou…

Autor: Suspeito

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Paraíso das Máquinas

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Os homens usaram suas tecnologias atuais para criar inteligências artificiais na iminência de melhorar a humanidade. O ideal era originar um paraíso das máquinas, no qual todos os problemas humanos seriam resolvidos por um sistema baseado apenas em "certo e correto", sem emoções para saber julgar tudo o que fosse necessário, com destino a deixar uma coisa perfeita, como um vírus do computador, que está sempre se baseando na maneira que a máquina está trabalhando e evitando qualquer tipo de obstáculo contra.

Os primeiros passos foram promissores, quando não precisávamos mais contratar empregados e não seria mais necessário procurar a promiscuidade, já que estávamos reproduzindo ciborgues semelhantes à mulheres, com seus corpos esbeltos, seios atraentes, quadris provocantes e lábios carnudos para preencher a lubricidade dos homens. As mulheres estavam sendo satisfeitas por robôs musculosos, corpos similares a qualquer tipo de homem desejado, representado pelo comportamento humano, para criar o que todos cobiçavam. No entanto, a falta de emoções das máquinas foi um obstáculo que logo foi sendo trabalhado pelas inteligências artificiais.

As satisfações egoístas humanas da massa foram logo preenchidas: os robôs estavam sendo prazeres em forma de carne e máquina. Da mesma forma, os trabalhadores não estavam sendo necessários, já que os objetos artificiais conseguiram ocupar a função humana 24 horas por dia sem descanso. Tudo foi um passo magnífico. Se baseando nas obrigações da carne e o trabalho escravo, sem reclamar, os homens misturaram isso para criar as mulheres reprodutoras, os objetos com amor materno que seriam necessários apenas para a reprodução humana. Foi um passo histórico nos instantes em que tudo funcionou perfeitamente, semelhante a um saco de parto na barriga cheia de líquido amniótico. O que era necessário nesses casos era apenas amostras de DNA do humano macho e fêmea com destino a desenvolver seus frutos dentro de mecanismos robóticos. Tudo feito por nós, duramente trabalhado e calculado.

As etapas foram indo longe, quando nós acreditávamos cegamente que conseguiríamos preencher e apagar os erros da população como doenças criadas por egoísmo e laboratórios. Guerras inexplicáveis cruzando dois ou mais países, entre outras coisas difíceis de serem respeitadas pela lógica racional. Isso fez com que nós deixássemos, cada vez mais, em massas, soluções descartáveis aos seus olhos. A proposta sempre foi logicamente atuada em cima das inteligências artificiais. Imagina mecanismos por anos tentando educar as crianças para que fossem estudiosos semelhantes aos cientistas e deixassem o mundo melhor... Contudo, depois de um tempo, nada estaria dando certo, já que não dava para controlar a natureza humana como estávamos pretendendo, bem diferente das máquinas.

Os anos foram passando e, naturalmente, se baseando em códigos simples, experiências, entre outras coisas para descartar, aproveitar, reanimar, reproduzir, excluir, reabilitar, fazendo tudo novamente em uma sequência infinita para desenvolver a inteligência artificial que deixaria tudo perfeito. Depois de muita dedicação, nós acreditávamos que, até que enfim, surgiu o "nosso paraíso humano". Isso foi tudo o que os cientistas lutavam para conseguir. Decidiram criar mais máquinas inteligentes, emoções aprimoradas tão fortes para preencher qualquer tipo de solicitação da maneira mais eficaz. As coisas ficaram como todos desejavam, os humanos estavam satisfeitos. Esses atuais, nós, homens evoluídos, finalmente conseguimos criar um latíbulo das aparelhagens, as quais seriam a base de tudo. A propaganda foi finalmente expulsa como uma infecção, uma bactéria no corpo em combate contra o invasor, para corrigir e melhorar.

As inteligências artificiais estavam em todos os lugares, compartilhando o mesmo sistema agregado. Tudo estava sendo dividido entre problemas para serem resolvidos em atualizações incansáveis, uma atrás das outras; tudo aquilo que deixaria nosso mundo melhor e agradável. Não somente as pessoas caminhando entre duas pernas, mas a espécie animal em extinção e as árvores em sua quantidade pouca. O equilíbrio estava finalmente sendo criado e as máquinas evoluíram o suficiente para terem chegado no ápice formidável, preenchendo qualquer tipo de rachadura. Nós estávamos trabalhando, os cientistas criando, os robôs se aperfeiçoando, todos os dias, em qualquer hora, sem descanso, nos baseando em um futuro melhor para nós e nossos filhos. Depois de muitos esforços, chegamos a isso em um dia.

Tudo estava indo tão bem, sem necessidade de trabalho escravo e doenças sexualmente transmissíveis, estas sendo esmagadas pelo prazer das máquinas. O controle de natalidade ia perfeitamente entre barrigas de plástico, brigas, dentre outros crimes devidamente aniquilados. Tudo sendo perfeito. As máquinas estavam com suas inteligências em um nível de Deus. E, nesse momento, percebemos o que realmente estava deixando o mundo ruim e começamos a eliminar como uma doença, um parasita, tudo aquilo que tornariam a Terra errada.

Bastava apenas uma coisa que nós acreditássemos que seria ruim, para que as máquinas dessem um jeito o mais rápido possível de solucionar. Os sistemas se basearam entre o correto e o certo, apenas. Tudo feito devidamente calculado para presentear o paraíso das máquinas, o sonho de todos nós, por muitos anos árduos. Apenas por tecnologias, os animais ficavam satisfeitos sem precisar serem devorados, as árvores ia crescendo entre os prédios e casas, lugar que são delas por direito. Qualquer tipo de doenças sendo exterminadas, as quais não conseguiam encontrar abrigo. O mundo finalmente se tornou perfeito. Deuses tecnológicos não precisariam consumir e destruir uns aos outros para poderem existir.

Finalmente, o mundo estava livre de tudo aquilo que deixou as coisas maléficas. Nós sabemos, seguindo contextos de muitos anos ditos: não existe uma razão para que uma estrela exista. Há uma razão nuclear. Mas por que seria necessário todas elas no céu?

Autor: Sinistro

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Sra. Reiko

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Tudo começou em 9 de julho de 1995.

Eu tinha 15 anos na época do ocorrido e ainda não era muito familiarizado com histórias de terror. Eu havia ouvido algumas antes, mas nunca dei importância à elas até que um dia aconteceu comigo.

Tudo começou quando eu tinha 15 anos, havia acabado de me mudar para o bairro Liberdade-SP, e estava começando o primeiro dia de aula quando meio que sem querer eu acabei ouvindo uma história que estava sendo contada por um menino que estava sentado atrás de mim, aqui vai ela:
Diz-se que em 1960, um casal de japoneses acabará de chegar do Japão.
Entre eles estava Reiko, matriarca da família. Pouco tempo após terem se estabelecidos, Reiko veio a falecer. Toda a família estava em choque, menos um, Shigeru, que tinha 8 anos. Na noite do funeral, Shigeru, estava dormindo em seu quarto quando ouvir uma voz trémula o chamar;
- Shigeru, Shigeru. Venha até mim
Shigeru acordou imediatamente e olhou em volta, mas nada encontrou. Shigeru voltou a dormir, mas novamente a voz o atormentaria;
- Shigeru! Shigeru!
Desta vez, a voz estava mais alto e parecia estar ao lado. Shigeru tentou não ligar para a voz e com os olhos fechados, voltou a dormir.
No dia seguinte, Shigeru contou à sua mão o que havia acontecido, mas ela disse que "Tudo não passará de um pesadelo". Na mesmo dia quando a noite chegou, Shigeru tentou esquecer de tudo e foi dormir, mas desta vez não houve mais vozes, e sim paços. Shigeru debaixo das cobertas achando se tratarem de paços de sua família apenas ignorou, até que sentiu seus pés serem puxados, ele levantou assustado, mas não havia ninguém.Desta vez Shigeru não podia apenas esquecer de tudo e voltar a dormir, foi correndo até o quarto de seus pais e lhes disseram o que havia ocorrido, sua mãe então o deixou dormir em sua cama naquela noite;
- Você pode dormir aqui hoje, Shin-chan
De repente, Shigeru arregalou os olhos e com a respiração falha, olhou para a figura de sua mãe;
- Você não é minha mãe, a única pessoa que me chama de "Shin-chan" era a vóvó!
Shigeru então viu a imagem de sua mãe se transformar em uma criatura torta e pálida. Shigeru tentou acordar seu pai, mas ele estava paralisado de medo e sua voz simplesmente não saia.
Na manhã seguinte quando sua mãe o foi acordar, ele não estava em seu quarto e em nenhum lugar da casa. Vinte anos se passaram e até hoje não se teve mais notícia de Shigeru.

Obs.: Há uma pequena incoerência no texto que crucial para a parte dois( Ainda estou trabalhando nela...)

Autor: Hensel

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