Creepypasta dos Fãs: SEM TÍTULO (autor, nos diga o título!)

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[Luigi, nos diga o título da sua creepy!]
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Acho que ele está subindo as escadas... Está chegando aqui perto... Droga, vou ter que contar rapidamente.

Bem, há alguns minutos atrás, acho que mais ou menos uns cinco minutos; não me lembro muito bem, mas enfim; eu estava sozinho em casa. Meus pais tinham saído para jantar fora. Eu queria ter ido junto, mas eles falaram para eu ficar aqui. Foi um grande erro deles. Bom, continuando... Eu já estava na cama quando ouvi passos vindos da cozinha. Eu, como uma pessoa normal, pensei que meu pai ou minha mãe tivesse esquecido de algo. Continuei na cama, quando ouvi passos na sala de estar. Eu, muito louco, quis descer para ver quem era. Peguei minha lanterna e desci para a lavanda. Depois, dei uma espiadinha na sala de estar, e... Vi ele.

Um homem segurando uma faca ensanguentada, procurando por alguém. Logo, voltei para meu quarto e fiquei lá. Liguei meu celular e fui no Whatsapp falar com meu pai. Escrevi: "Pai, tem alguém aqui em casa... Não sei quem é, mas está com uma faca". Mas, para minha surpresa, deduzi que meu pai estava com o celular desligado. Droga! Eu também não tinha o Whatsapp da minha mãe, porque ela havia trocado de usuário. Agora estou aqui. Estou escondido debaixo da cama... Ele entrou no quarto... Ele... Ele está dizendo:

"Eu sei que você está aí".

Autor: Luigi Pagano
Revisão: Gabriela Prado


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Creepypasta dos Fãs: Insano

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- Acorde, meu amado.

Essas aconchegantes palavras me acordam de um sono profundo, de sonhos caóticos, insanos. Olho ao meu redor mas não há nada para ver; tudo está na mais perfeita escuridão. Tento me basear em outros sentidos, mas de alguma maneira, eu não consigo me mover. Por algum motivo, eu simplesmente não consigo me sentir incomodado com a situação.

Já completamente desprovido da névoa abençoada do sono, tento falar com a estranha voz que havia sido tão carinhosa comigo.

- Onde eu estou?

Por algum tempo, só o silêncio responde a minha pergunta, até que o estranho fala novamente.

- Tudo no seu devido tempo, meu amado.

Tudo naquele lugar não me era familiar, até mesmo a voz, que me tratava com tanta gentileza. Por algum motivo, não entro em pânico.

- E agora é tempo de que?

Pergunto, percebendo que realmente ansiava para descobrir a resposta.

- Agora é tempo de acordar.

Fico confuso e falo:

- O que o leva a crer no fato de que ainda não acordei?

Mais uma vez, apenas o calar do ambiente responde a minha dúvida. Começo a perceber a estranheza da situação na qual estava, preso em uma cama, em um local que desconheço, com alguém que eu nunca vi o rosto tratando-me como a um amante. Logo o silêncio é quebrado pelo som de sua voz, em um tom duvidoso.

- O fato de você ainda não ter começado a gritar.

Fico divagando por longos minutos a respeito da estranha frase. Logo respondo.

- E por qual motivo eu gritaria?

Desta vez, a resposta vem logo a seguir: “A maioria grita quando acorda”.

A situação começava a fazer sentido, de uma maneira irônica.

- Mas segundo a sua própria lógica, eu ainda não acordei!

Ele logo começa a rir, uma gargalhada contagiante, que também me faz rir histericamente.

“É um bom argumento!”, diz ele, voltando a seriedade.

- Você poderia acender a luz? - Pergunto.

“Tem certeza de que quer ver o que está acontecendo?”.

Respondo sem nenhuma dúvida.

- Sim, acho que eu deveria ver o que está acontecendo.

Ele também não parece ter duvidas em sua resposta. “Não foi isso que eu te perguntei, mas sim, eu acenderei a luz”.

Uma luz fraca de um abajur antigo logo ilumina o ambiente, revelando o fato de eu estar completamente nu, com minhas partes íntimas expostas e eretas, amarrado em uma cama em um quarto de paredes acolchoadas. Este lugar faz eu me lembrar do passado.

“Eu estou louco?”, pergunto, achando estar em uma instituição psiquiátrica.

“Louco é uma palavra com sentido muito amplo, mas acho que não. Porque a pergunta?”. Ele parece realmente curioso.

Respondo, com o máximo de sinceridade possível. “Apenas supus que as paredes acolchoadas e o fato de eu estar amarrado significassem que eu estou em um hospício”.

- Acredite em mim quando digo que uma instituição para doentes mentais é bem pior do que este lugar.

E eu realmente acredito. Rebato minha própria pergunta com outra.

- E você, é louco?

- Por que a pergunta?

Penso em uma resposta apropriada para a questão elaborada.

“Você parece ter pelo menos alguma experiência com este tipo de lugar”. Finalmente paro e olho para ele, que está vestido apenas com suas roupas de baixo (que revelam um familiar volume, também ereto). Olho também para o seu rosto – um belo rosto, aliás –, e para seus olhos, que bizarramente eram de duas cores diferentes.

“Por que os seus olhos são assim?”, pergunto cauteloso, para não ofender o homem que fora tão educado comigo.

- É uma anomalia genética. Heterocromia. Eu nasci assim.

Decido parar de fazer perguntas, e ir direto ao ponto. “Por que eu estou aqui?”.

Ele responde com uma rapidez que me leva a crer que já esperava a pergunta.

- Porque eu quero.

Considerando a resposta dele, no mínimo interessante, decido continuar a conversa.

- E o que o leva a crer no fato de que pode mandar e desmandar na vida dos outros?

Ele responde com prontidão.

- O simples fato de que você, assim como muitas pessoas antes, simplesmente está aqui sem poder ir a qualquer outro lugar.

Eu fico encabulado com uma coisa e logo rebato. “Eu posso ter entendido isto, mas digo, qual é o sentido de eu estar aqui? O que você vai fazer comigo?”, pergunto algo que eu já sei, apenas para ver a sua reação.

Ele me olha nos olhos e fala, com sinceridade: “Acredito que logo você vai ficar sabendo, de qualquer maneira”.

Ele começa a mexer em um criado mudo que estava ao lado de minha cama. Parecia concentrado, mas continuou a falar.

- É mesmo uma pena que eu tenha que começar logo, você é diferente dos outros.

E eu, intrigado, pergunto: “Diferente de que forma?”.

Ele fala logo, sem hesitação. “Pra começar, você é o único a ficar de pau duro no processo inicial todo...”.

Neste momento, ambos começamos a rir, em sincronia.

- Além do fato de que você não procurou fugir até agora.

Respiro fundo e digo: “Fugir de que?”.

E ele, começando a parecer irritado, responde brutamente.
- Sério que você ainda não percebeu?

Começo a rir e o respondo: “Perceber o que? Que você é um louco? Que provavelmente eu não vou sair daqui vivo? Você realmente acha que eu me importo?”.

Ele responde em tom sombrio, enquanto finalmente acha o objeto que estava procurando.

- Então vamos começar, meu amado...

Noto uma mudança no brilho de seu olhar, que agora parecia mais animalesco do que nunca. Ele segura uma faca comum, de cozinha, e dá um risinho.

- Acho que agora é tarde demais pra você.

E eu, sinceramente respondo: “Eu realmente tive alguma chance?”.

Ele não responde, apenas aproxima aquela faca cada vez mais perto de mim, e eu, ao invés de sentir medo, apenas fico curioso. Ele faz um corte reto longo em minha pele, logo após faz outro, e outro... Até completar um quadrado bizarramente perfeito. A dor é insuportável, mas eu não consigo parar de olhar. Olhar para o sangue saindo é quase hipnótico, tem uma cor forte familiar, vermelho vivo...

Percebo que isso o excita. Não posso culpa-lo, eu mesmo estava com um puta tesão de ver (e sentir) aquela dor maravilhosa. Ele parece um pouco decepcionado.

- Parece que eu vou ter que fazer melhor que isso para você começar a curtir, meu amado.

Ele pega outra faca, desta vez uma serrilhada, e se aproxima do meu pênis. Começa a cortar, fazendo um movimento de vai e vem. Sinto o músculo se rasgando, enquanto ele o corta fora. Logo antes de ele terminar, eu chego ao ápice do prazer e tenho um orgasmo. O esperma sai junto com sangue do pedaço de carne que um dia fora meu pênis. Ele pega o pedaço de pênis que ele retirou e come um pedaço. Por algum motivo, aquela visão me faz rir, uma risada histérica. Ele parece mais irritado do que nunca, começa a tamborilar com os dedos na superfície da cabeceira de uma maneira irritante.

- Por que você não grita?

Eu faço um sinal com a cabeça para ele se aproximar, e sussurro em seu ouvido:

- Antes de sequestrar alguém, você deveria se perguntar se essa pessoa não é louca também.

Dou uma mordida leve em sua orelha. Ele parece mais irritado do que nunca.
De repente eu percebo o quão irônica é a situação em que me encontro, e não consigo conter uma gargalhada. Ele parece surtar completamente, e grita a plenos pulmões:

- Por que você não grita?

Ele repete essa pergunta diversas vezes enquanto pega a faca de cozinha e a levanta logo acima de mim. Eu sei o que virá a seguir, e isso só me faz rir mais.
E ele o faz, a faca sobe e desce diversas vezes, penetrando minha carne. A dor é insuportável, mas eu não consigo me importar. Começo a expelir sangue pela boca entre as gargalhadas. Minha visão escurece e eu percebo que vou morrer ali, mas penso que não é um fim tão ruim. Se tudo der certo, é capaz até de eu aparecer na capa de algum jornal por aí.

Ou não.

Afinal, quem se importaria com a morte de um assassino?

Penso também na burrice do cara que me matou (bom, tecnicamente eu ainda não estou morto, mas eu chego lá), que não reconheceu minha face dos jornais. É uma grande ironia eu morrer pelas mãos de alguém tão parecido comigo.

O que será que minhas vitimas pensariam disso?

Meus pensamentos ficam confusos, e eu começo a perder a consciência. Só consigo distinguir uma última frase.

- Adeus, meu amado.

Seu rosto se aproxima do meu, e a última coisa que eu sinto é o seu beijo quente em meus lábios.

Autor: Carlos E.P.F.

Revisão: Gabriela Prado

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A Baleia Azul

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(Aviso: Estou com um bloqueio criativo então ainda não comecei a escrever a próxima parte da 'Coisa Embaixo da Paulista', me desculpem.)  


Me chamo Sam, sou uma adolescente cheia de problemas que busca refúgio em meios virtuais, já que os meus pais não tem tempo para mim. Moramos em uma cidade no interior do Texas chamada EL Paso. As pessoas são legais, mas são muito reservadas na maior parte do tempo. Não posso esperar de estranhos aquilo que os meus pais deveriam fazer. Meu cachorro morreu faz dois meses e é uma das maiores dores que eu já senti, era o meu único amigo nessa cidade.

Foi então que eu passei a ficar mais tempo na internet e buscando formas de me distrair. Algumas pessoas comentam na escola algo sobre a Deep Web. Nunca tive coragem e nem curiosidade de entrar. Achei um site de fórum onde pessoas da mesma idade que eu escreviam seus problemas como forma de desabafar. Me ajudou muito. Fiz duas amigas e contávamos tudo uma para outra, e assim a tristeza diminuía. Katy era a mais tímida, tinha que insistir muito para que ela contasse qualquer coisa sobre os problemas mais graves. De nós três, ela era a mais frágil emocionalmente.

Loren era a mais durona ou pelo menos se fazia de durona, sempre dizia que estava tudo bem, mesmo depois de escrever um textão no fórum sobre os cortes que havia feito na perna esquerda porque terminou com o namorado. Ambas com 15, e eu, a mais velha, com 17.

É engraçado porque sempre consegui resolver os problemas de todo mundo, mas nunca resolvi os meus. Nem o psicólogo do colégio conseguiu, mesmo sendo um dos melhores da cidade. Comecei a me interessar por psicologia na esperança de tentar ajudar a mim mesma e acabei me apaixonando por tudo o que a nossa mente é capaz de fazer, e também me assustando. Existem problemas maiores que os meus. É triste.

Ontem eu disse a minha mãe que gostaria de cursar psicologia, disse isso com um sorriso que há muito tempo não aparecia nos meus lábios. Ela apenas continuou fumando aquele cigarro barato enquanto mexia a panela de sopa. Em seguida, ela pediu que eu mexesse a sopa enquanto ela ia pegar o meu irmão que estava chorando no berço. Aquele bebê tirou muitas coisas de mim.

Cuspi no jantar do meu irmão. Foi uma forma de esvaziar a raiva, uma forma nojenta e repulsiva, eu sei, mas não me cobro maturidade, afinal, tenho apenas 17 anos, estou crescendo ainda. O meu pai não faz nada o dia todo, é aposentado por conta de um acidente de trabalho, minha mãe vende tortas de maçã verde.  As tortas são populares na vizinhança, dizem ter um gosto especial. Aposto que são as cinzas de cigarro que ela deixa cair na massa.

As piores dores são aquelas que machucam a alma. Acho que seria melhor torcer o pé todos os dias do que sentir isso que sinto diariamente. É horrível, mas depois de um certo tempo, você até se acostuma. As meninas bulímicas que conheci no fórum diziam sempre que a sua melhor amiga se chamava “Mia”, um jeito carinhoso de dizer que sofre de bulimia. Minha amiga se chama dor. Ninguém quer morrer, mas aposto que ninguém gostaria de morrer de uma forma que não fosse emocionante.

Meu nome é Sam e eu sou a criadora da Baleia Azul.

Você quer jogar?  

(Autor: Andrey D. Menezes.) 
(Revisão: Gabriela Prado.) 

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Pedra, papel, tesoura...

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Pedra, papel, tesoura.

Escolhi pedra. E o meu reflexo também. Suspirei aliviado.

Pedra, papel, tesoura. 

Ambos colocamos pedra outra vez. Ótimo.

Pedra, papel, tesoura. 

Ambos tesoura. 

Talvez o meu amigo estivesse apenas me zoando. Sorri vitoriosamente.

Pedra, papel, tesoura. 

Minha mão aberta, com a palma para baixo, estremeceu quando o meu reflexo esticou dois dedos 

Game over.

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A Dama de Preto

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Esse é o pesadelo que me perturba há quatro anos. 

Alguns anos atrás, sonhei que estava na casa do meu pai, visitando-o. Meu pai, meu irmão, e eu estávamos saindo para ver o meu carro (íamos consertá-lo) mas havia algo estranho. Vi uma figura no escuro, atrás de algumas árvores. 

De início, pensei que fosse um cachorro, até que a figura se levantou. Era muito alta (quase dois metros) para ser um cachorro. Quando tentei observa-la melhor, ela se agachou e correu para trás da casa. 

Tentei esquecer. Nos aproximamos do carro, e ouvi um farfalhar entre as árvores. Olhei para o meu pai para ver se ele tinha ouvido algo; não parecia que tinha ouvido, mas ele já estava se afastando com o meu irmão. Ouvi o barulho tornando-se mais alto e comecei a correr em direção a eles. 

Olhei para trás e vi uma criatura, era negra e sangrenta, usando um longo vestido negro. Ela tinha longos dentes afiados e garras, com olhos brancos e brilhantes, e ela gritava para mim, tão alto que machucava os meus ouvidos. Tentei agarrar o braço do meu irmão, mas a minha mão passou direto por ele. Ele e o meu pai pareciam normais, enquanto a criatura gritava para mim. 

Caí no chão, tentando fugir, mas ela me alcançou, envolvendo o meu pescoço com suas mãos. Senti suas garras se afundando em meu pescoço. Enquanto eu chorava, ela continuava me sufocando e gritando pelo que pareceu uma eternidade, mas foi provavelmente por apenas 30 segundos. Assim que comecei a sentir meus pulmões se enchendo com sangue, acordei. Não consegui me mover por uns 10 minutos; eu estava paralisado de medo em minha cama, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Tentei gritar mas não pude, mal conseguia respirar. 

Desde então, eu a vejo em meus sonhos... 

Sempre observando... 

Esperando... 
 

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Creepypasta dos Fãs: SEM TÍTULO [AUTOR, NOS DIGA SEU TÍTULO]

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[Carol, qual o título da sua creepy, menina?!]
[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com, com título da creepy e seu nome!]

Antes de me formar, trabalhava como taxista em São Paulo para ganhar um pouco de dinheiro. Na última semana de aulas, e na minha última corrida, fui abordado por uma idosa que acabou me dando um tiro na coluna, e me rendeu algumas semanas desacordado no hospital. Depois disso, decidi me mudar para uma cidade mais tranqüila, na qual poderia atuar na minha nova profissão.

Me mudei para um pequeno prédio com varandas. Ao seu lado, havia um prédio parecido, também com varandas, e uma delas coincidia com a do meu andar. Tal prédio era novo, ou seja, era comum perceber um movimento grande em alguns dos apartamentos, por conta das mudanças, até que isso aconteceu nesta varanda coincidente.

Estava trabalhando na minha varanda, que tinha uma bela vista das propagandas dos "outdoors" e da parede dos prédios vizinhos e onde costumava trabalhar, e percebi que a varanda à minha frente estava "sendo ocupada", de uma forma bastante estrondosa, mas simplesmente continuei trabalhando, afinal, era apenas mais uma mudança.

O problema é que, algum tempo depois, surgiu uma mulher desarrumada, com um pijama sujo e rasgado, maquiagem borrada, descalça, e cabelos extremamente longos e sujos, que começou a chorar. Começou chorando baixinho, mas foi aumentando, a ponto de estar basicamente esperneando e gritando.

Ninguém estava notando isso?

Estava olhando para mim.

Fiquei assustado e entrei em casa. Fechei a cortina e a porta da varanda e decidi tomar um banho depois que percebi estar ensopado de suor frio. Quando voltei do banho, fui ver televisão e percebi que já estava bem tarde, já que o céu visto da varanda estava escuro, e uma mulher idosa e arrumada, com seus longos cabelos trançados parecendo uma corda- me olhava benevolente, de um modo até hipnótico. Decidi ir até a varanda, afinal, a porta já estava aberta.

(Talvez continue)

Autor: Carolina Moravec

Revisão: Gabriela Prado

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Creepypasta dos Fãs: Sorriso da Rainha

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Voltava da casa de alguns amigos no meio da noite, já bêbado após uma social (minha primeira). Na época, devia ter o que? Uns 15 anos? Estava cambaleando dos poucos segundos que me lembro. Me sentia corajoso, e então um amigo meu, também de 15 anos, estava com o carro do pai dele, já indo pra casa, e percebeu que eu estava bêbado.

- Cara, você quer uma carona? - Perguntou ele, um pouco bêbado.

Lembro-me de ter dito algo sem sentido e dito um sim. Então foi aí: dois bêbados adolescentes num carro de um adulto. Estávamos cantando Queen enquanto nos sentíamos poderosos. Estava tudo errado, não vou negar. Foi cômico, até que sentimos uma "lombada". Percebemos que tínhamos atropelado alguém e ele aumentou a velocidade.

- Filho da puta, você está louco? - Perguntei pra ele.

- Porra, só não liga, esquece - Disse ele, assustado enquanto aumentava a velocidade do carro.

Finalmente ele me entregou em casa, e entrei como se nada tivesse acontecido. Me controlando pra não mostrar que estava bêbado, cheguei em casa e vi a luz da cozinha acesa.

- Mãe? - Perguntei.

Ela saiu da cozinha e me deu um beijo na testa, ela me deu um sorriso encantador, o sorriso que só uma rainha tinha, que só a minha mãe tinha. 

O telefone começou a tocar, e ela me pediu pra ir atender pois estava ocupada. Eu fui.

- Alô, aqui é do IML, vim lhe dar uma notícia horrível. Sua mãe foi achada atropelada na rua 15 e está morta, me desculpe. Te chamamos para vir verificar o corpo na sexta-feira.


Eu fui correndo pra cozinha e não encontrei ela, e foi aí que eu percebi que meu pior erro foi ter bebido, porque infelizmente eu perdi a mulher mais encantadora do mundo, aquela que tinha o sorriso de uma rainha. 

Autor: Jtiger
Revisão: Gabriela Prado

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A Coisa Embaixo da Paulista (parte 3)

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Não estou mais nos canos, a água me trouxe a uma espécie de galeria. É enorme aqui, as colunas são muito antigas e chegam a lembrar as colunas da Grécia. As poucas luzes que tem aqui iluminam especificamente um único ponto no chão, um buraco onde tem uma escada enferrujada.

Me guio em direção a ele e ouço o som da tubulação, mas dessa vez não está alto e parece estar longe, então não devo me preocupar. Descer por essas escadas é como mergulhar num buraco negro. A luz da minha lanterna é fraca demais para tanta escuridão.  Ainda bem que segurei firme a lanterna quando a corrente me levou, mas infelizmente, os insetos se foram e não tenho o que comer. Talvez tenha algo lá embaixo, mas me revira o estomago só de pensar na podridão que pode ter lá.

Tenho que tomar cuidado. Se eu não for cuidadoso e me cortar no metal, posso acabar pegando uma infecção e morreria rapidamente, levando em conta as condições óbvias em que me encontro agora. A medida em que desço os degraus, a escuridão fica maior. A luz da lanterna está enfraquecendo, e penso que se eu joga-la, posso ver até onde ela vai... Espero que a descida não seja muito longa.

Joguei minha única fonte de luz na escuridão. Enquanto ela caía e girava, podia perceber o quão fundo é esse lugar, mas  vou continuar descendo mesmo com o medo do que posso encontrar lá embaixo. Minha vida não faz mais sentido. Toda a solidão presente em mim é a anestesia que eu preciso para morrer. Já não me importo tanto com a possibilidade de morrer. Antigamente sim, mas agora, tanto faz.

Depois de 15 minutos descendo a escada, finalmente estou nesse buraco escuro. O chão é liso e as paredes são geladas; não dá para ver muita coisa, a lanterna não ilumina bem, tem outro buraco no chão com mais uma escada.

-Que diabos é esse lugar?

Estou há bastante tempo sem beber nada. Vou tomar um pouco da minha própria urina. É bem melhor do que tomar essa gosma do chão; aqui não tem insetos, acho que consigo segurar a fome mais um pouco. Não posso pensar nisso agora.

O silencio é perturbador, é como se algo fosse acontecer a qualquer momento, é como ser uma criança que escuta um barulho embaixo da cama e sente seu sangue gelar. Nem mesmo os ratos conseguiriam dormir nesse lugar.

Estou descendo; essa escada está bem nova, não tem ferrugem em nenhuma parte, mas isso seria impossível ao levar em consideração as condições de umidade aqui. Talvez esteja enlouquecendo ou algo do tipo, mas posso jurar que escutei ruídos de rato lá embaixo... Deve ser coisa da minha cabeça mesmo. Meus braços e pernas estão cansados... Falta pouco... Estou descendo o mais rápido que posso, gastando todas as minhas energias. Se eu sair daqui vivo, prometo para mim mesmo sair do esgoto e fugir para bem longe, mesmo sabendo que as pessoas viriam atrás de mim em busca de respostas sobre a minha aparência.

Eu poderia ser um herói anônimo que salva mocinhas nas ruas de São Paulo, mas elas sempre me veriam como um monstro, assim como todos os outros que olhassem para mim.

Autor: Andrey D. Menezes.
Revisão: Gabriela Prado <3 

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Creepypasta dos Fãs: A Maid com máscara de gás

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Era uma noite fria nos arredores de Chernobyl, e como sempre, nada era permitido neste lugar. Quem não se lembra daquele desastre? Foi a maior tragédia da história da humanidade! Porém, segundo relatos da polícia, no ano passado um grupo de adolescentes visitou o lugar para se divertir e apenas uma menina sobreviveu. O nome dela é Alexia Bergünth, uma alemã de 19 anos, e sua história chocou os policiais.

Alexia disse que foi com um grupo de amigos a Chernobyl, para fazer um famoso teste de coragem de sua universidade. Eles passaram pela grande floresta vermelha e escutaram vários barulhos e gritos, porém, não se incomodaram; pensaram que eram apenas animais da floresta. Quando chegaram ao local, os jovens esconderam o carro e prosseguiram a pé. Como esse incidente ocorreu no dia 24 de dezembro de 2015, não havia vigilantes no local, apenas os adolescentes e a escuridão da cidade.

Alexia deu o seguinte depoimento à polícia: "Nunca houve problema antes. Outros já foram e vieram. Não achávamos que ia dar problema". O interrogatório foi então cancelado por motivos de estresse intenso da vítima.

Agora, alguns meses depois, Alexia voltou à delegacia, no dia 12 de fevereiro 2016, e contou seu depoimento. As palavras a seguir foram ditas por Alexia e só foram reveladas há alguns dias atrás, pelo governo alemão, para que sirvam de aviso para todos:

 “Nós estacionamos o carro e colocamos galhos em cima dele. Não teríamos problemas com os seguranças, mas Heines, o veterano do grupo, preferia ser precavido. O teste era simples: cada um tinha uma lanterna e um celular... Era só chegar perto da usina e tirar uma selfie, para provar que estivemos em Chernobyl.

De início, tudo correu bem, porém, à medida que fomos avançando, barulhos começaram a surgir. Eu já tinha escutado a Lenda de Mutantes na cidade, mas nunca havia prestado atenção, afinal, parecia apenas uma bobagem da internet. Fomos pelo caminho da excursão, pois era o caminho menos radioativo. Minha amiga Rosa estava assustada e queria ir embora, mas foi tranquilizada por Heines e por Vitor, um menino de nossa turma.

Quando estávamos próximos à usina, Heines notou algo diferente... Me arrependo de não tê-lo impedido quando tive chance... Vimos uma casinha ainda intacta, o que era raro. Ela estava um pouco distante da trilha, mas o que chamou atenção não foi o fato de ela estar intacta, e sim luzes estarem acesas no primeiro andar...

Como eu disse, na hora, a curiosidade foi mais forte. Acabamos que nos aventuramos até ali e vimos que realmente havia luzes no primeiro andar da casa. A porta estava aberta, entramos e não nos deparamos com nada no momento...

Bem, quando entramos, notamos pelas fotos que ainda sobraram que era a casa de um senhor velho e de sua filha. Ao julgar pela roupa dela, ela era empregada do próprio pai. Eu achei aquilo bem bonito, mas isso não explicava o porquê das luzes estarem acesas. Escutamos um pequeno rangido vindo da sala. Rosa segurava forte meu braço e eu também suava frio. Quando chegamos, vimos que uma cadeira de balanço estava se mexendo.

De início, eu achei que era o vento, mas quando nos aproximamos, vimos uma coisa horrenda... Uma criatura que antes havia sido um humano... Coberto de deformações e com apenas um olho à mostra. É difícil descrever sem que isso me dê náuseas. Nesse momento, Rosa deu um grito e Victor a segurou firme. Eu observei que aquilo ainda estava vivo. Era uma cena horrenda e eu não sabia o que fazer... Foi então que Rosa sentiu falta de alguém. Heines havia sumido.

Escutamos em seguida um barulho alto de gritos e som metálico, como de marteladas. Corremos, obviamente, o mais rápido o possível dali e quando chegamos à porta de saída, olhei pelo canto do olho e vi uma coisa assustadora.

Uma pessoa vestida de empregada e com uma máscara de gás. Suas roupas estavam cobertas de sangue, ela tinha um cutelo em sua cintura e estava segurando uma serra. Óbvio que corremos, mas o pior: ela veio atrás de nós!

Confesso nunca ter sentido tanto medo. Quando estávamos voltando para o carro, uma espécie de cão ou algo assim esbarrou em Victor, e ele caiu. Rosa não foi o acudir e saiu correndo junto comigo... Escutamos gritos momentos depois.

Estávamos perdidas e com medo. Quando chegamos ao carro, ele havia sido destruído. Marcas de pancadas e pneus serrados. Rosa tentou ligar o carro. Ela estava histérica e eu tentava a acalmar, porém, tudo ficou vermelho por um segundo... Não entendi o que estava acontecendo, mas quando vi, uma serra havia decepado o pescoço de Rosa. Eu corri... Eu estava cansada e com medo, gritei por socorro e felizmente fui atendida. Eu vi uma lanterna ao longe e corri em sua direção... Eram os seguranças do local. Gritei pra irmos embora e eles me colocaram na viatura e desaparecemos. Quando eu olhei para trás, eu vi ela... Ela estava parada... As lentes vermelhas da máscara me olhavam, eu sei que me olhavam! Ela apenas se virou e foi embora...”

Após esse relato, um grupo de busca foi enviado ao local para verificar os corpos e realmente acharam o corpo de Rosa. Nada mais foi dito ou encontrado, e o caso permanece um mistério até hoje.

Autor: Kuro
Revisão: Gabriela Prado

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Creepypasta dos Fãs: A Face da Morte

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Era noite. Muito tarde. Estava eu voltando de uma boa festa com um grupo de amigos. Eis que ficamos cansados e decidimos nos apoiar na parede e na calçada para descansar um pouco. O lugar era desconhecido (sinistro, aliás), mas não nos importamos muito (estávamos exaustos mesmo). Até que um dos nossos amigos decide se levantar e ir embora, na frente. Disse ele ter que acordar bastante cedo e que, por algum motivo, não poderia mais ficar vagabundando até amanhecer conosco. Nos despedimos dele e ele partiu. 
 Cerca de uma hora depois, também decidimos partir, afinal, todos nós teríamos suas respectivas responsabilidades pela manhã e não poderíamos perder mais tempo ali. Ao total, havia seis pessoas conosco (sete com nosso amigo que partiu mais cedo). Cada vez mais que nos locomovíamos pela redondeza, eu notava o quanto aquilo era tenebroso. A temperatura caiu e fiquei com muito frio. Fui caminhando cada vez mais devagar e por não entender direito, mas estava com medo de algo, repreensivo. 

 
“Será o frio?”, pensei. 
 
Continuamos a andar, até que Ana, que estava mais na frente que todo mundo, grita desnorteada:  
 
- Meu Deus, o que é isso? Christian, por quê?! 
 
Christian é o nome do nosso amigo que saiu sozinho na frente antes de nós. Fico sem entender. O medo fica maior, mais forte. Corro para tentar consolá-la, o mais próximo dela. Até que chego em seu campo de visão e fico completamente gelado. Não conseguia reagir, minhas pernas estavam bambas e meu suor, frio. Tiro Ana dali o mais rápido possível. Peço para os meus amigos se acalmarem. Todos estão nervosos.  
 
Encontramos nosso amigo completamente ensanguentado, sem duas pernas e um braço, falando em voz deveras baixa e nos ignorando.  
- “Christian’’,“Christian’’... - nós gritávamos, mas nada de ele responder... 
 
Ele devorava uma de suas pernas enquanto falava coisas sem sentido e de difícil compreensão. Eu não suportei ficar olhando aquilo. Tirei Ana dali o mais rápido possível, até que uma voz rouca e forte grita: 
- Aonde pensa que vai, Isaac? Volte aqui, há algo que tenho a lhe dizer...  
 
Minhas pernas gelam, não quero voltar. Minha coluna se endurece. A última coisa que quero fazer é voltar ali. Ele me chama novamente: 
 
- O que temes, Isaac? Ande, olhe-me novamente... 
 
Ana segura meu braço e diz: 
 
- Por favor, não volte ali. 
 
Eu olho em seus olhos apavorados e digo: 
 
- Eu realmente não quero voltar... Não quero vê-lo nesse estado novamente... 
Christian sorri:  
 
- Não queres me ver assim? Hahaha. Isaac, não foi você quem há de me ter desejado isso? Isaac, aquilo que você mais desejava era minha morte... 
  
Todos olham para mim, inclusive Ana, que larga minha mão. Christian volta a repetir: 
 
- Não foi, seu traidor? Olhe para mim, veja culminar em mim o seu podre desejo, veja em mim sua mais doentia aspiração de vontade... Hahahahaha - Christian continua a dizer: 
 
- Isaac, hoje eu conheci algo sublime, você me apresentou isso. Me apresentou o ódio, a dor e o remorso. E melhor, me apresentou “aquilo”. Me espere, Isaac, eu voltarei, lembre de minhas palavras. Isaac, quando eu voltar, você verá a face da morte, você verá meu rosto... 
 
Após expressar essas últimas palavras, Christian voltou a falar baixo e, aos poucos, morreu por hemorragia.  
 
Depois de tal incidente, minha relação com meus colegas meio que culminou ali. Eu decidi mudar de cidade. Fui para longe, do outro lado do país. Eu me formei e me tornei advogado. A única com quem mantive determinado contato foi Ana. Cinco anos se passaram após a fatídica morte de Christian. Meus amigos e eu prometemos nunca mais tocar naquele assunto, decidimos tornar Christian parte do passado e esquecê-lo de uma vez por toda.            
 
“O passado está para trás”, pensei. 
 
Mas ele nunca está, não é mesmo?  
Recebo uma ligação de uma amiga que não vejo  bastante tempo, da minha velha cidade. Era a Ana... 
Ana me ligou para contar que um de nossos velhos amigos morreu: o Arthur. Ele morreu de hemorragia após ser encontrado com braços e pernas mutilados cerca de cinco dias atrás. Deixou escrito com sangue:  
 
“Não há o que se fazer, o passado não PODE ser enterrado. Eu voltarei.” 
Incipt: A face da morte. 
 
Imediatamente eu começei a soar frio. Além de mim, Ana e Arthur, mais três colegas testemunharam a morte de Christian outrora e ficaram cientes de suas palavras. São eles: Débora, Milena e Eduardo (Debóra e Eduardo eram namorados na época). 
 
- Eu voltarei!”, ele disse... 
- “Você verá a face da morte!”. Não há como ser coincidência, é o Isaac! 
 
Ana pede que eu volte a minha velha cidade, diz estar com medo. Fico apreensivo, também estou com medo. Mas depois do que presenciamos juntos, me sinto responsável pelo acontecido. Devo isso a ela. Cancelo todos os meus afazeres. Pego o avião e volto ainda hoje. Instalei-me numa pequena república de esquina. Marquei com Ana de nos encontrarmos numa antiga cantina que frequentávamos quando mais jovens. Espero-a atencioso, há muito tempo não a vejo. Eis que ela me cutuca pelas costas e profere: 
 
 
- Olá, senhor advogado! Quanto tempo... - disse Ana. 
 
Respondo: 
 
- Sim, Ana, quanto tempo! - Ela estava linda, pensei.   
- O que tens feito, minha linda? – digo.  
- Ah, nada demais... Não há muito o que se fazer em cidade pequena, sabe... Eu não tive sua sorte. – diz Ana, sorrindo. 
 
Decido desconversar: 
 
- Não diga isso, sempre soubemos que você foi brilhante... 
 
Ela, acuada, concorda: 

- É... 

O papo esfria, eis que tenho que tocar no assunto que mais temo: 
 
- Ana, você presenciou a morte do Arthur? 
 
Ela segura fortemente a minha mão, dizendo: 
 
- Sim, eu presenciei, Isaac! Na verdade, eu comecei a namorar o Arthur a cerca de um ano e estava com ele em seu quarto quando ele morreu... 
 
Eu fico pasmo, em choque!  
 
- Ana, conte-me, o que houve?  
 
- Eu não sei, Isaac! - ela diz - Estávamos bem, passávamos todos os dias juntos e transávamos durante a noite. Eu saí por um instante para tomar banho e quando voltei, o encontrei já morto. Após isso gritei pelos seus pais, pois estávamos na casa deles, e eles chamaram a polícia. Já te contei sobre a mensagem, não é?  
 
- Sim, já contastes... – digo. 
Entro em reflexão profunda. Afinal, isso é medonho! Como pode tal cena se repetir após cinco anos e novamente em nosso meio?! Ana interrompe meu devaneio... 
 
- Isaac, lembra daquela banda, Incipt? – diz Ana. 
 
- Claro que lembro, Ana, éramos fanáticos – digo. 
 
- Isaac, eu sei que nós nunca fomos, aquele grupo em específico, religiosos, mas nós sabíamos da fama da Incipt quando ao fato de serem feiticeiros, satânicos que transmitiam magia, ocultismo e bruxaria por meio de suas músicas... Isaac, quando nós ficamos bêbados, naquele dia, no show da Incipt, eu lembro que o Mr. Crowley, vocalista da banda, nos cumprimentou e nos deu de sua própria bebida. A todos nós, incluindo Christian. Após aquilo, lembro-me apenas de fatidicamente estarmos todos nós, cansados, caminhando por ruas escuras e frias, que nunca havíamos visto antes... Isaac, você se lembra?  
 
- Isaaac... Isaaccc... Isaaaaaaaaaaaaaac... 
- Ana, o que nós fizemos? – eu disse. 
 
Até aquele momento, eu realmente não lembrava-me de nada do que proferido por Ana. Talvez tenha eu me tornado tão ressentido com aquele ocorrido, que decidi apagar de minha memória cada traço que me remetesse aquele dia, que me remetesse à culpa pela morte do Isaac. Ana realmente tem razão: nós bebemos do copo do Crowley. Logo após, todos nós cantamos “A face da morte”, a música mais famosa da Incipt. A amaldiçoada música que jurava fazer com que todos os seus desejos podres se realizassem. E eu desejei, desejei mais que do que minha própria morte naquela noite, desejei a morte de todos os seis, TODOS OS MALDITOS SEIS QUE SEMPRE ME HUMILHARAM. Sim, eu me lembro agora:  
 
“A face da morte 
 
Vamos, basta pedir, a morte acalenta o suspiro do sofrimento. 
Não tenha medo, rápido, peça... A morte aguarda o suspiro que cessa. 
Acaricie sua chance, abrace teu desejo, conheça na morte o mais doce desejo. 
Se coragem é o que te falta, deixe com ela toda avidez covarde, dê para ela o que tanto suplica, imprime nela vontade. Dá a ela a mais sublime vontade, vontade de vida, característica inerente à morte. Não há morte, sem vida. 
Mas muito bem, esteja ciente, o desejante é também pendente.  
Fara com que uns conheçam o fim ao pedir, mas é o rosto daqueles que pediu, que verás no fim." 
 
Eu não sou um monstro, mas não estava mais disposto a ser somente capacho. Sim, eu pedi com todas as minhas forças a morte dos seis, mais fortemente ainda a do Christian, aquele maldito. Eu sempre fui o excluído do grupo, aliás, eu nem fazia mesmo parte dele. Eu era um incluso sem graça que somente servia de capacho. Porém, eu sempre aguentei os insultos e exclusão pela Ana. Eu sempre amei a Ana, apesar de nunca ter tido coragem de dizê-la. E não poderia mesmo, não depois daquele incidente. Eu contei ao Christian, momentos antes de ir ao show, que a amava e, mesmo assim, durante o show, ele beija-a e sorri para mim. Coincidentemente toca: “A face da morte” e num culminar de raiva eu desejo a morte de todos.” 
 
Logo após recuperar todas as lembranças, sou novamente indagado por Ana: 
- Isaac, você se lembra? 
 
Respondo-a: 
 
- Sim, eu lembro! 
 
Ana diz: 

- Ótimo! 
Posteriormente, fui acertado na cabeça pelas costas, desmaiando. Acordo desnorteado, num quarto abandonado que desconheço. Tento recuperar um pouco de minha visão, que estava embaraçada. Na minha frente, encontrava-se somente uma TV fora do ar e um sonzinho que tocava uma música familiar. Escuto passos bem fortes vindos de fora do quarto, a porta estava trancada. Eis que uma voz macabra ecoa de debaixo do meu colchão, eu não posso me mexer, estou amarrado pelos braços e pernas. A voz fica mais alta e rouca, me assusto, tenho medo, fecho meus olhos. A voz ordena-me:  

 
- Psiiiiu! Abra teus olhos... 
 
- Não! – digo. 
  
A voz sorri: 
 
- Hahahaha. O que temes? – pergunta, e fica mais forte - Vamos, abra! Veja o resultado do teu pedido, veja, olhe para mim, o consumar de sua vontade... Abra os olhos, covarde! 
 
Eu abro... Era a Ana... Após vê-la em tal estado, meu ímpeto se quebrou por completo. Digo, eu já sabia que iria morrer ali. Ela anunciava-me o meu desejo, como eu amaldiçoei todos naquela noite enquanto cuspia sangue e mais sangue. Os passos ficam mais rápidos. Alguém bate na porta. A TV dá sinal; era uma câmera. Há cinco pessoas do lado de fora do quarto. Ana pronuncia-se: 
- Oh, eles chegaram, Isaac?! 
 
- “ELES”, quem? – pergunto. 
 
Ana sorri, dizendo: 
  
- Andem, respondam a ele quem são vocês! 
 
Tudo fica em silêncio por um instante. Até que vozes trêmulas e roucas se anunciam aos poucos, profanando nomes: 

- Débora! 
- Milena! 
- Arthur! 
- Eduardo 
- CHRISTIANNN! 
- E eu, Anna! 
- Cá estamos nós, Isaac, os amaldiçoados por você. Todos nós pagamos pelo seu insolente pedido e alimentamos os malditos bruxos da Incipt. Mas sabe, Isaac, podes me dizer qual a parte boa, apesar de tudo? Lembra-se da letra da fatídica “Face da morte”? Relembremos um trecho e, uma vez mais, juntos, cantemos. O volume do som aumenta:  

“Mas muito bem, esteja ciente, o desejante é também pendente.  
Fara com que uns conheçam o fim ao pedir, mas é o rosto daqueles que pediu, que verás no fim.”  
 
Todas as vozes demoníacas expressaram o trecho num onírico coro, avisando-me da morte eminente. Quando terminaram, Ana, ensanguentada, disse: 
 
- Vamos agora, entrem! O desejante é também pendente! Fará com que uns conheçam o fim ao pedir, mas é o rosto daqueles que pediu, que verás no FIM...

Autor: Uraharaki Suki
Revisão: Gabriela Prado

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