Museu

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[Oi, gente, Gabriela Prado (revisora Creepypasta dos Fãs) aqui. Esse é um continho curto que escrevi e espero o feedback de vocês para melhorias. Abraço!]

Um senhor grisalho limpava o espelho e o móvel. Eu senti um calafrio. Parecia que as paredes estavam gritando, pareciam estar desesperadas. Estavam me chamando, e eu me senti pressionada a ir atrás das vozes.

O homem grisalho estava no outro cômodo também. Ele estava agora há pouco na sala de entrada... Mas nem foquei nele, porque nesse instante, eu já estava absorvida pela história que as paredes contavam.

Mortes e arrependimento era tudo que eu sentia. Sangue escorrendo e marcas de unhas no chão. Pedidos de socorros jogados ao vento, e a sensação de estar sendo observada. Quem ou que vive nas paredes, está louco pra sair e me comer viva. A minha alma está enfraquecida. Minha aura está abalada. E o que é que queira me sugar para dentro da parede, está se mostrando pelo retorcido papel de parede. Olho pra minha pele e reconheço essa textura, esse design. Agora faço parte do museu das almas caladas. E espero você, para que eu possa sussurrar seu nome e te atrair para dentro do confortável, úmido e sangrento concreto.

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Creepypasta dos Fãs: Esconde-esconde

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Baseada em fatos reais.

Então, leitores: Imaginem 2 casas, um quintal e um corredorzinho extenso. Da casa principal, a porta dava na entrada da cozinha. Na 2ª casa, dava pra subir no telhado que, em cima dele, dava pra ver a laje do outro lado, e no corredor tinha uma janela, que se colocassem uma escada lá, daria para subir na laje.

Tendo isso em mente, vou começar. Então um dia aí qualquer, quando eu era criança, os amigos do meu irmão foram brincar de baralho lá em casa, na cozinha, até que do nada as luzes se apagaram. Eles pegaram velas e já foram acendendo-as para não interromper o jogo, até que um dos amigos falou que o baralho estava chato e propôs uma outra brincadeira, o esconde-esconde.

Estava tudo escuro no quintal, escuro mesmo. Tinham vários lugares para se esconder naquele blackout, e decidimos tirar 2 ou 1 para ver quem iria bater cara, e acabou por ser meu irmão. Ok. Eu comecei a pensar em um lugar para me esconder, até ter a brilhante ideia de ir para cima do telhado da casa 2, que dava de frente pra laje. Até aí tudo bem. De cima do telhado eu podia ver meu irmão nos procurando que nem doido, e eu só conseguia rir. E foi aí que o estranho aconteceu, porque quando eu menos percebi, me vi olhando pra laje fixamente.

Ouvi um barulho daquelas escadas de madeiras sendo colocadas para alguém subir (a escada estava no corredor), e eu permaneci olhando fixamente para a laje, e foi aí que eu vi 2 pessoas subindo a escada. Eu não conseguia enxergar direito, estava tudo muito escuro. Quando as 2 pessoas estavam em cima da laje, um pouco do brilho da lua pairou sobre eles e eu consegui enxergar.


Eram 2 idosos, um com o saco de lixo grande, que parecia pingar algum líquido dele, e o outro idoso estava só do lado, parado. Os olhos deles eram fundos e pretos. Meus olhos ainda estavam fixos neles, até que, em questão de segundos, escuto um agudo no meu ouvido. Eles, então, fazem gesto de silêncio e depois começam a rir, de uma forma distante. Pisco meus olhos e eles já não estão mais lá. A luz já tinha voltado e meu irmão e seus amigos já tinham parado de brincar de esconde-esconde, porque estavam demorando demais para me achar. Saí de cima do telhado e fui dormir. Passei a ter vários pesadelos com o que parecia ter acontecido com aquela pessoa que estava no saco de lixo.

Autor: Marcello Dalle Nogare
Revisão: Gabriela Prado 

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Creepypasta dos Fãs: Eu vejo você

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Eu vejo você.

Eu te vejo chegar no quarto e te vejo dormir de luzes acesas. Eu te vejo em desespero quando volta para casa em meio a um blackout. Eu te vejo ligar para amigos para não se sentir sozinha. Eu te observo desde o momento em que você entra até o momento em que você sai do quarto. Eu sei porque você age dessa forma. Porque mesmo que eu te veja, você não pode me ver. Mesmo que eu acaricie seus cabelos enquanto dorme, você não me vê. Mesmo quando te observo ao pé da cama, você não me vê. Mesmo que você acenda a luz e continue sem me ver, se lembre: eu ainda estarei ao seu lado ao adormecer.

Autor: Nathaliaizidio
Revisão: Gabriela Prado

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Kibe

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Atenção, essa creepy pode conter conteúdo inadequado para pessoas extremamente sensíveis. 

Todos os dias vejo pessoas comprando o famoso Kibe da cantina, é algo fora do normal, tem tantas variedades de salgados e bolos e mesmo assim insistem em só comprar o mesmo salgado todos os dias.

Devo ser o único na faculdade que ainda não comeu, prefiro a boa e velha coxinha, aquela massa crocante e o frango bem temperado são o conjunto perfeito. Minha amiga comeu 3 kibes ontem com muita maionese caseira.

Enquanto todos se deliciam, apenas observo algo estranho na mulher que vende os salgados, ela está com uma coceira feia na coxa, dá para ver um liquido viscoso escorrendo por baixo da saia. Esse liquido é esbranquiçado e parece muito com a maionese que a minha amiga botou ontem em cima do salgado.


Mas o mais estranho  é que quando o vento bate na saia dá para ver que faltam alguns pedaços de suas coxas..  

(Autor: Andrey S. Menezes)

(Desculpem pela creepy pequena, ando meio sem tempo, mas assim que der começo a escrever uma creepy mais bem trabalhada e maior rs)  

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Micropastas de SnakeTongue - PARTE 1 (+18)

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Nota do autor: Esta é uma antologia de todas as micropastas escritas por SnakeTongue237.
Nota da tradutora: Esta antologia foi dividida em três partes, sendo cada uma de três creepies cada.

3:21 AM

“Toda noite, às 3:21 da manhã, um homem se enforca ao pé de minha cama. Não sei quem ele é ou o que ele está fazendo em minha casa, mas isso tem me assustado. Não consigo dormir e não sei como lidar com esse problema. Não importa o que eu tente fazer, o homem está sempre lá, toda noite. Eu acordo e o vejo em pé no suporte da cama, com um nó em volta de seu pescoço. Conforme eu grito, ele pula para trás e se pendura ali. Então, às 3:22 da manhã, seu corpo desaparece. Preciso que você me ajude, só durma no meu quarto por uma noite, tenho certeza de que ele não aparecerá se houver alguém comigo."
Eu conhecia minha amiga e o vizinho Louis não poderia estar falando a verdade, isso era invenção da mente dele. Eu mandei ele sair da minha casa com algumas recomendações de bons terapeutas no nosso bairro.
Uma semana depois, fui surpreendido pela notícia de que Louis tinha se suicidado ao se enforcar no pé de sua cama. Eu compareci ao seu funeral e dei minhas condolências à família antes de sair repleto de arrependimento... talvez eu devesse tê-lo ajudado com sua tarefa boba, mesmo se isso fosse ridículo, eu deveria tê-lo impedido de se matar.
Levou muito tempo até que eu caísse no sono naquela noite, e quando consegui, acordei um pouco depois por causa de um barulho em meu quarto. Abri meus olhos preguiçosamente, e a primeira coisa que vi foi meu relógio digital, que mostrava 3:21 AM.
Eu girei minha cabeça, e Louis estava lá em pé no suporte da cama, com uma corda ao redor de seu pescoço. Dei um grito aterrorizado antes que ele caísse para trás, e ele fica pendurado ali por um minuto pela primeira vez de muitas que virão.

Ácido

Você já tomou ácido? Duvido que tenha. Estou prestes a tomar um dentro de alguns segundos pela primeira vez em minha vida.
Eu honestamente acho que tenho permissão para fazer isso depois dessa merda de vida que tenho tido. Pode me chamar do que quiser, mas essa é só a maneira que eu acho que as coisas tem que ser.
Tudo começou quando minha esposa, Claudia, divorciou-se de mim há um mês e meio. Ela era tudo para mim, e a ideia de que ela poderia até considerar me deixar era estranha em minha mente. Então descobri sobre o caso que ela tinha. Um homem que durante a escola sempre considerei meu amigo, de repente se tornou o meu pior inimigo de todos os tempos. Na verdade, eu dei um jeito de entrar em uma briga em um bar com esse cara. Mas o que isso resolveu? Absolutamente nada, e tudo o que consegui foi um nariz ensanguentado e um braço quebrado, para dificultar. E isso nem foi o pior de tudo.
O que me matou foi que ela levou as crianças. Isso foi a gota d´água que destruiu minha vida como eu a conhecia. Minhas duas preciosas crianças foram tiradas de meus braços amorosos para passarem suas vidas com uma mulher sem coração que nunca poderia as amar com eu as amo.
Eu tomo o ácido logo, antes que eu possa mudar de ideia, e então tomo um shot de Scotch para ajudar a descer.
De acordo com a internet, ingerir ácido clorídrico é uma forma muito eficaz de suicídio.

O Filme Final

Sou produtor de mais de vinte e três filmes snuff. Eu estou falando sério.
Agora que tive minha juventude roubada, sinto-me quase culpado por todas as coisas terríveis que fiz. Mas então eu me lembro do quão rentável esse negócio era, e não me arrependo de nada. Você ficaria surpreso com a quantidade de pessoas que querem as gravações que eu costumava fazer. Todos os tipos de pessoas também, jovens e velhas, belas e feias, baixas e altas, homens e mulheres. Creio que algumas pessoas tem apenas um lado animalesco que precisam alimentar.
Na maioria dos filmes, eu era o homem que cometia e atos terríveis. Eu tinha toda uma equipe para me apoiar, e na maior parte do tempo era outra pessoa que ia lentamente cortando o apêndice de uma mulher de meia idade que nós conseguimos raptar, ou cortando os testículos de um garotinho que nunca mais era visto. Mas às vezes eu não conseguia resistir em sujar minhas mãos. O processo parecia tão... interessante.
Tudo o que eu tive foi gasto rápido demais. Eu vivi uma curta porém agradável vida de drogas e prostituição antes do dinheiro esgotar. Eu era tanto um viciado em sexo quanto em heroína, e estava desesperado por fazer parte dessas atividades, até mesmo quando fiquei sem dinheiro. Hoje em dia, as únicas coisas que possuo são essa câmera e uma faca no bolso da minha jaqueta, com a qual tenho feito muitos filmes de qualidade. Eu sei que agora é hora de fazer o filme final, e, mais uma vez, eu sou a estrela.
Preparar a filmadora não leva muito tempo, basta coloca-la em uma das milhares de lixeiras deste beco, e antes que eu possa piscar já estarei olhando a mim mesmo no visor. Eu ajustei a câmera para trás, certificando-me de que serei o foco, antes de tirar a faca de meu bolso.
É uma coisa realmente muito linda. É um canivete estilete italiano com uma alça personalizada com um desenho de cervo e uma lâmina baioneta. Eu a utilizei muitas vezes antes, e hoje a usarei pela última vez. Aperto o botão de liberar, e 13 centímetros de lâmina cromada saem com um clique satisfatório.

Eu dou um passo adiante e aperto o botão vermelho pela última vez antes de enfiar a lâmina em meus pulsos.

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Estátuas Submersas

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Quando era criança, eu tinha um sonho recorrente. Talvez ele explique os motivos pelo meu medo de água? Não estou 100% certo disso, mas quando você tem o mesmo sonho tantas vezes entre os seus três e quinze anos, não pode deixar de pensar que ele signifique algo. Pode parecer besteira para alguns, mas isso foi algo que me incomodou por grande parte da minha vida. Agora vamos ao sonho; já faz muito tempo, então posso não lembrar tão perfeitamente. 

No sonho, eu andava em um caminho numa floresta com dois garotos. Tenho certeza que nesse sonho eu era um tipo de babá para eles. Eles se pareciam bastante com algumas pessoas que conheci futuramente, mas sei que nada de ruim aconteceu com eles até o momento, porém, de qualquer forma... Os dois garotos me levavam por esse caminho, contando que havia um lago onde queriam nadar. 

“Certo pessoal, mas vocês sabem que não posso nadar,” respondi. 

“Tudo bem! Podemos ensina-la!” O mais jovem falou excitado. 

“Tudo bem. Posso apenas observar,” rejeitei educadamente. 

Assim que viu o lago, o mais novo tirou a camisa e mergulhou. Uma sensação de pavor tomou conta de mim por um momento, e eu não tive certeza do motivo. 

“Qual o problema Senhorita C?” (Vou referir a mim mesma como “Senhorita C” simplesmente para não revelar a minha identidade) O garoto provavelmente tinha visto o meu rosto empalidecer. 

“Nada, só estou preocupada com o seu irmão.” 

“Quer que eu vá ver ele?” Eu estava prestes a dizer que não precisava, mas o garoto já tinha mergulhado antes que eu pudesse falar. 

Eu esperei e esperei. O mais novo ficou nadando pela superfície do lago como se não houvesse nenhuma preocupação no mundo, e então ele mergulhou. Verifiquei meu relógio. Eles já estavam lá embaixo por muito tempo, mas eu não tinha visto bolhas ou qualquer outro sinal de afogamento. Talvez fosse um truque? Talvez existisse uma passagem ou algo assim abaixo da superfície da água e que não pudesse ser vista. No entanto, eu não voltaria sem eles. Apesar de não saber nadar, pulei no lago. 

Algo não estava certo. Eu estava lutando, mal conseguindo me manter na superfície. Eu odiava estar na água. Meu pé roçou em algo frio. Parecia uma pedra. Aquilo era uma mão? Não, estava muito rígido. Talvez fosse uma estátua que alguém jogou no lago? Mas logo percebi que não conseguia mexer meus pés. Minhas pernas se recusavam a se movimentar e ficavam insuportavelmente pesadas. 

Comecei a entrar em pânico. Não conseguia me manter na superfície, meus braços se agitavam impotentes. E logo o peso das minhas pernas começou a me fazer afundar. Enquanto procurava por ar e me afastava mais da superfície, eu vi os dois garotos, transformados em pedra, bocas escancaradas em terror, agora congelados desse jeito pela eternidade. E não eram os únicos, havia vários outros petrificados da mesma maneira. Olhando para minhas pernas, percebi que estava indo de encontro ao mesmo destino. Estava me transformando em pedra, impossibilitada de contar para alguém sobre o que aquele lago era capaz de fazer. 

Nesse ponto, eu sempre acordava. Eu odiava esse sonho, e sempre achei que ele tentava me dizer algo. Desde então, continuo com medo de água. Sempre que vejo uma estátua realística de uma criança, não consigo parar de olhar e pensar se um lago assim existe em algum lugar... 


Shinigami.Eyes

 

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Creepypasta dos Fãs: Rotina

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6:45 – O relógio desperta. Estou suando. Mais uma noite péssima. Checo meu celular, talvez alguma boa mensagem fará com que meu dia não seja tão mal. A quem estou enganando? Nenhuma mensagem. Mais um dia. Fazer roupa de cama, alimentar os gatos, trocar areia. Tomar banho. Ir ao trabalho.

7:15 – Ponto de ônibus, não tomei café da manhã, droga. Eu odeio esse trabalho. Está quente hoje e o ônibus demora. Sinto tontura. Checo o celular.
Pessoas passam por mim, desejo um bom dia. Nem todas respondem. Não me importo.

9:10 – Atrasado pro trabalho. Ter de cumprimentar pessoas, sorrir e aparentar bom humor. Me pergunto se elas são felizes ou estão fazendo o mesmo teatro que eu. Não importa.

9:30 – Termino de abrir e limpar a loja. É um local pequeno. Já já aparece o primeiro cliente. Ouço sarcasmo vindo do patrão e outros colegas em relação a mim. Sorrio, ignoro.

9:47 – Primeiro cliente. Sorri e desejei um bom dia. Esperou que eu dissesse cada um dos produtos, levou a coisa mais barata.

9:48 – Checo meu celular. Nada, ninguém se importa. Não importa. O dia continua a ficar mais quente. Há moscas aqui. De hora em hora, ouço críticas ao meu respeito. Fico calado. Eu os odeio.

18:45 – A caminho de casa, um alívio. Mas por que um alívio? Tenho algum plano pra hoje? Não. Apenas chegar em casa. É o ponto alto do dia. Estou nervoso. Escolho ir andando pra casa e me acalmar no caminho.

18:52 – É engraçado como eu torço pra que algo aconteça. Qualquer coisa, um suspiro de emoção. Eu poderia ser assaltado agora e reagir. Eu poderia levar um tiro e morrer. Eu poderia fazer com que um carro sofresse um acidente andando alguns metros pra direção da pista. Nesse momento, eu sinto poder de mudar meu destino. É errado pensar assim? Eu não sei, me sinto mais calmo. Ainda é o ponto alto do dia.

19:13 - Chego em casa. Sinto o cheiro de fezes de gato desde a escada. Mas finalmente estou em casa e estou aliviado por isso. Por que estou aliviado? Entro em casa, coloco comida pros gatos. Eu estou desesperado, mas continuo. Troco a areia. Tomo meu banho. Como algo. Eu quero que isso acabe.

20:30 – Sento em frente ao meu computador. Meu quarto está uma bagunça. Não me importo, gostaria que o prédio inteiro desabasse. É meu momento de escapismo durante o dia. Alguém falou comigo? Não. Esqueço que estou sozinho ou torço por milagres? Patético.

20:40 – Vou até o travesseiro, coloco meu rosto nele e grito, grito o mais alto e forte que consigo, até que minha garganta doa. Me sinto menos mal. Volto pro computador. Eu quero morrer.

01:30 - Finalmente atingi o ponto em que estou cansado demais pra pensar ou fazer algo ruim a mim mesmo. Me pergunto até quando eu vou aguentar isso. Não importa, vou dormir. O relógio desperta às 6:45 e eu gostaria de não acordar.


6:45 – O relógio desperta e eu acordo. 

Autor: R
Revisão: Gabriela Prado

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Creepypasta dos Fãs: Eu vejo você

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Medo. Gritos. Por que é que eles sempre gritam? Na maioria dos filmes de terror, o personagem babaca se vê perto do "monstro" e então grita "Tem alguém aí?", como se já não soubesse que está prestes a se encontrar com seu assassino. Por que eles representam assim? Todo mundo sabe que é idiota, e não faz o menor sentido. 

No mundo real, isso não passa de uma grande utopia. Quando eu era mais nova, eu via coisas. Acordava todos os dias às três da manhã gritando por minha mãe, e quando ela aparecia, me salvava dos monstros que me perseguiam mesmo depois de acordar dos pesadelos. Todo santo dia. 

Eu culpo a casa. Desde que nos mudamos daquela casa, eu não tive mais pesadelos diários, aquilo passou. Foi um grande alívio para mim e, é claro, para minha mãe.  Mas eu ainda via coisas. Eu ainda vejo. 
Não é nada tão horrível assim, apenas uma figura feminina no final do corredor com longos cabelos pretos, pele pálida e um vestido branco. Se assemelha muito a maioria dos filmes de terror, e eu nem sei por quê. Só assisti dois em toda a minha vida, e um deles era sobre a Bloody Mary; quando eu tinha uns quatro anos, entrei no quarto onde minha irmã e meus primos estavam assistindo — eles amavam filmes de terror — e vi uma cena em que ela aparece no espelho após ser chamada. Fiquei extremamente perturbada, e sequer fui capaz de me olhar no espelho por meses. 
Até hoje eu tenho um certo receio de espelhos, mas digamos que isso passou. Essa mulher que aparece pra mim, eu não sei o que ela quer. Ela é a única que ainda permanece aqui. Eu a vejo pelo canto do olho quando estou deitada no sofá atenta ao celular, então eu meio que coloco o aparelho na frente do corredor e não a vejo mais. Quando eu tento olhar pra ela, ela some. 
Às vezes eu vejo uma criança idêntica a ela, que corria para o banheiro quando eu a olhava. Mas essa mulher está aqui, todas as noites. 
Uns anos atrás eu a temia mais do que tudo. Quando ia dormir, desligava a TV da sala e ia correndo até o quarto, atravessando o corredor o mais rápido que podia. Eu nunca a vi se não pelo canto do olho enquanto estou mexendo no celular, mas não era necessário vê-la. Eu a sentia. 
Enquanto eu corria, era como se uma respiração fria dançasse pela minha nuca. Era o suficiente para o meu corpo todo arrepiar. Quantas vezes atravessando aquele corredor eu senti alguém atrás de mim, ouvi passos... E quando tinha coragem para virar, lá estava: o grande nada. Gostaria de saber o que ela é, o que ela quer e por que ela não me deixa. Mas ela está aqui há tanto tempo, que eu já nem me incomodo mais. Eu apenas a ignoro com aquele esquema de colocar o celular tapando a visão do corredor. É bem simples. 

Por que as pessoas têm tanto medo? Ela nunca me fez nada. Os outros fizeram, eles me traumatizaram; mas sumiram. Já ela, apenas me assusta algumas vezes.  Não é tão grave assim. Ela sumiu. Eu posso ouvir a sua respiração pesada, o som de cada passo; mas ela não está mais aqui. 
Ainda sim, quando eu fecho os olhos, tudo o que eu ouço são gritos implorando por misericórdia, enquanto roda na minha mente a imagem dos cartazes pendurados nos postes, tão claros quanto sua pele jamais foi. 


Paira sobre mim uma lembrança não tão recente daquele pequeno corpo ferido sendo arrastado para o meu banheiro. E os gritos agonizantes soando como estacas furando a minha cabeça,  qualquer som que emitia me incentivava a rasgá-la cada vez mais. Eu vejo o sangue escorrendo pelo seu delicado vestido branco, seu cabelo completamente emaranhado, seus olhos piedosos
e seu choro sem fim. Eu sinto o toque de suas mãos tentando lutar, sua voz perdendo a força, seus olhos congelando, seu corpo sem reação.... Uma linda garotinha. Então eu abro os olhos e, finalmente, eu entendo porque ela sumiu. 
Ela sabia que não era o único monstro aqui. 

Autor: Mariana Marques
Revisão: Gabriela Prado

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Papai, tive um pesadelo

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 - Papai, tive um pesadelo.
Você pisca os olhos e levanta os seus cotovelos. Seu relógio pisca uma luz vermelha no escuro – são 3:23 da manhã.
 - Você quer se deitar na cama e me contar mais sobre esse pesadelo?
 - Não, papai.
A estranheza da situação te acorda mais rapidamente. Você quase não consegue distinguir a forma empalidecida de sua filha no escuro de seu quarto.
 - Por que não, querida?
 - Por que no meu sonho, quando te contei sobre o sonho, a coisa que vestia a pele da mamãe se sentava.

Por um momento, você fica paralisado; você não consegue tirar os olhos de sua filha. Então, as cobertas atrás de você começam a se mexer...

Nota: Como a creepy original não tinha título, coloquei a primeira frase da história como título.

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Creepypasta dos Fãs: Culpa

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Acho o ser humano uma coisa extremamente engraçada.. Mais pro modo “rir pra não chorar” do que pro modo “cômico”. Acho patético o jeito como reprimem seus desejos e suas vontades em nome do “bem maior”, mas quando desmoronam e acabam sucumbindo, eles culpam a mim. Sim, você sabe bem quem sou eu, você finge que eu não tenho poder sobre você, finge que eu sou fraco quando, na verdade, eu te tenho na palma da minha mão.  

Acho ridículo como pregam nas igrejas que “a culpa daquele pobre homem ter matado a esposa e os dois filhos foi do demônio, o demônio estava dentro do corpo do homem”. HAHAHAHAHAHAHA, ISSO É RIDÍCULO! Eu não coloquei a arma na mão dele e fiz com que ele puxasse o gatilho, estourando os miolos daquela mulher e daquela pobre criança loira de olhos claros que brincava com seu urso de pelúcia. Ele QUIS fazer aquilo por livre e espontânea vontade.

Eu digo isso porque eu conheço as suas mais profundas emoções, aquelas mais obscuras que você deseja não sentir, mas sente. Você é fraco e você se agarra em sua religião porque sabe que se não se agarrar em algo, aquelas emoções tão obscuras que você pede a deus para afastar, irão se preencher e acabar sobressaindo-se. Eu sou mal compreendido e sempre foi assim. Já parou pra pensar por que eu fui expulso? Por que fui lançado igual a escória de lá de cima? Por que eu vim parar no meio de seres tão asquerosos e patéticos que não tem coragem de admitir suas próprias vontades? Seres que mentem, roubam, matam, se destroem....

EU VIM PARAR AQUI POR CAUSA DE VOCÊS! PORQUE EU AMAVA DEMAIS MEU PAI E NÃO QUERIA DIVIDIR MEU AMOR COM VOCÊS, EU AVISEI DESDE O COMEÇO QUE VOCES SÓ TRARIAM DESGRAÇA, MAS ELE DISSE “NÃO, ELES TRARÃO AMOR, PAZ, SOCIEDADE, SERÃO O FUTURO MAIS GLORIOSO QUE UM PAI PODERIA QUERER”. HAHAHAHAHAHA ISSO É UMA PIADA! Será que ele já fugiu de vergonha da desgraça que ele criou? Ele tinha se orgulhado tanto do mundo que havia criado, do quão lindo e perfeito era... Será que ele ainda se orgulha de ter populado esse mundo com vermes tão nojentos como vocês?
Sabe, eu acredito que ele tenha fugido de vergonha, mas eu estou aqui, observando tudo, sentindo tudo, me deliciando com a hipocrisia de vocês. Eu nunca matei ninguém, tampouco coloquei a arma não mão de alguém para que assim o fizesse. Nunca coloquei a cocaína nas narinas daquele pobre viciado, nem nunca coloquei mulher alguma na frente do homem casado para que se deitassem ou vice e versa. O desejo já existia dentro de cada um de vocês.


Foi como no inicio dos tempos, no jardim. Eu nunca coloquei a maça na boca de Eva para que a provasse, eu apenas dei alternativas. A vontade partiu de seu interior, e ela gostou tanto do que sentiu que fez com que seu parceiro Adão a provasse também. 

O que eu faço é sentar e assistir. Eu assisto enquanto aquela esposa trai o marido, assisto enquanto aquele marido descobre e enfia uma bala na cabeça daquela esposa. Assisto enquanto o filho desse pobre casal cresce sem mãe e com um pai na cadeia, assisto enquanto cresce com ódio, enquanto seu ódio o domina por dentro... 

Eu estou lá apenas observando e mostrando os caminhos. Ele sempre teve e sempre terá o livre arbítrio. Eu assisto enquanto ele pratica a violência devido ao ódio pelos acontecimentos de sua infância, enquanto ele mata, rouba, estupra, se droga e quando ele finalmente chega ao fundo do poço sem esperança ou perspectiva de vida... E aí eu decido levantar e estender-lhe a mão para leva-lo a um lugar maravilhoso. E eu prometo, eu farei isso com cada um de vocês.

Autor: Caíque Franco
Revisão: Gabriela Prado

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Creepypasta dos Fãs: Olá

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Olá! Eu sou o Mike, Mike Smith. E bom, eu morri. Morri há um ano e meio, e para ser sincero, eu nem lembro o motivo, mas lembro da vida que eu tinha. Minha vida era basicamente acordar cedo todos os dias e tomar um leite quente, acariciar o meu gato, ainda usando minhas pantufas, e ligar para a minha mãe, que era de outra cidade. Eu amava a voz dela, era tão, tão, tão doce! Eu amava seus cabelos ruivos e, quando pequeno, amava acaricia-los.

Sabe, pelo menos aqui onde eu "vivo" agora, eu não posso ver o sofrimento cujo ela passa com minha morte, já que eu era seu único filho. E pra ser sincero, eu nem conseguiria, me daria náuseas. Mas como todos os lugares, sempre há os pontos negativos, e os daqui com certeza são o calor do fogo contra minha pele, os gritos aterrorizantes e agonizantes e as criaturas grotescas que aqui habitam. 

De uma coisa eu sei: Aqui não é o céu.

Autor: Mary Dixon
Revisão: Gabriela Prado

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Anotações (Final)

26 comentários
15 de janeiro/ 06:20  
É triste ficar sozinha nessa casa, meu amigo corvo só aparece a noite e durante o dia brinco com minhas bonecas. Mamãe está na cozinha fazendo o jantar, meus irmãos não param de chorar, ainda posso ouvi-los.

16 de janeiro/ 23:00
Mamãe sumiu outra vez, não sei como ela saiu e entrou no poço, a tampa é pesada e não tem como escalar as paredes, é impossível.
(00:00). Meus irmãos estão chorando, o corvo me disse que o poço nunca vai secar, suas lagrimas o manterão sempre cheio e assim nunca vai faltar água.

17 de janeiro/09:41
Mamãe está assistindo TV, mamãe está comendo biscoitos, mamãe está rindo, mamãe deixou o volume da TV no volume máximo, meus ouvidos doem, meus olhos doem, tudo dói.

18 de janeiro/ 02:22
O corvo quer biscoitos, preciso fazer alguns e entregar a ele; não podemos deixar que sinta fome ou sede.
(03:50). Meu amigo disse que as contas estão empilhadas, são contas muito caras, são contas que mamãe não pode pagar.

19 de janeiro/ 10:10
A vizinha veio aqui agora pouco e perguntou onde estavam os meus irmãos, a levei para visitá-los. Estão todos felizes, estão todos flutuando, a vizinha também está segura.

20 de janeiro/07:00
Cortaram a luz, cortaram a água, mas não me importo, o poço está cheio e nunca vai faltar água..

21 de janeiro/ 23:14 
O corvo comeu os restos de comida que estavam na geladeira essa noite não vai ter jantar, nem migalhas sobraram, vamos dormir com fome.

22 de janeiro/ 00:00
Mamãe está bonita, mamãe está se olhando no espelho, eu estou bonita, mamãe está bonita, eu estou bonita.

23 de janeiro/ 02:59 Meus filhos vão adorar os biscoitos que mamãe fez, vou jogar os biscoitos no poço. Eu fiz com amor..

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Anotações

35 comentários
Janeiro de 2000, Texas. 

1 de janeiro/12:15
Mamãe comprou uma casa nova, eu e meus irmãos estamos felizes, nossa casa antiga tinha muito mofo e as janelas sempre tinham que estar abertas; não gosto muito, os ventos bagunçam o meu cabelo. Nós vamos nos mudar amanhã, preciso fazer as malas e guardar as minhas bonecas na caixa que a mamãe me deu.

2 de janeiro/09:10
Finalmente chegamos, a casa parece uma casinha de boneca feita de madeira, é pequena e aconchegante, é toda branca e tem uma escadinha rosa na frente, a casa é um pouco alta, tem um assoalho antigo. Só temos dois quartos, um banheiro pequeno e uma cozinha espaçosa, também tem um gramado e uma portinha que dá embaixo do assoalho, mamãe disse para não abrirmos a porta.

3 de janeiro/19:00
É a nossa primeira noite aqui, mamãe está na cozinha fazendo biscoitos enquanto eu e meus dois irmãos estamos comendo uma tigela grande de sucrilhos, só estou dando o leite para eles. Acho melhor fechar a janela, está começando a ventar lá fora.

4 de janeiro/06:45
Mamãe saiu para ir no colégio mais próximo, gostaria de voltar a estudar o quanto antes, os meus irmãos ainda são muito pequenos para estudar, mamãe precisa de um emprego também, as contas logo vão chegar.

5 de janeiro/20:34
Ainda não tem vaga na escola, vou ter que ficar um tempo sem estudar, mas posso brincar bastante enquanto isso, ainda preciso tirar as minhas bonecas da caixa e pôr na prateleira perto da porta. Sinto cheiro de frango frito vindo da cozinha..

6 de janeiro/00:00
Tive um pesadelo, não consigo dormir, sonhei com água, estava muito escuro, mas eu sentia a água me molhando, vou fazer uma oração e tentar dormir de novo, espero que dê certo. Minha mãe já dormiu, acho melhor não ir até o quarto dela.

7 de janeiro/11:11
Mamãe estava chorando, não consegue emprego em lugar nenhum, estou com medo de não termos o que comer.

8 de janeiro/ 22:14
Mamãe disse que não vamos mais ligar a torneira e nem o chuveiro, vamos usar a água do poço que fica embaixo de assoalho. Ela disse que não devemos ir até lá, é perigoso.

9 de janeiro/ 00:00
Acordei com a voz da mamãe me chamando, mas quando fui até o quarto ela estava dormindo, acho que foi só um sonho, meus irmãos também estão dormindo no berço. Escutei de novo alguém me chamar, tem um barulho saindo do assoalho.

10 de janeiro/13:00
Mamãe está lavando a louça do almoço, a geladeira está cheia, minha mãe disse que a vizinha deu alguns alimentos para nós. Gostaria que a minha mãe tivesse um emprego.

11 de janeiro/00:30
É frio aqui embaixo, tem um corvo na tampa do poço e ele parece estar com frio; dei a ele umas migalhas de biscoitos que estavam no bolso do meu vestido, mas, ele se assustou e voou.

12 de janeiro/ 17:05
A cozinha está suja de sangue, meus irmãos não estão mais no berço e minha mãe deixou a torneira aberta.

13 de janeiro/23:50
A torneira ainda está aberta, tem água por toda parte.  Meu amigo corvo disse que a mamãe e os meus irmãos estão seguros lá e que eu não posso deixá-los sair, aqui fora não é seguro, e é por isso que essa tampa jamais vai sair daqui.

14 de janeiro/ 03:00

Estão todos flutuando, nenhum deles reclama mais do frio agora. Estão todos seguros.. 

(Autor: Andrey D. Menezes.)

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Nigel

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Hoje trazendo mais uma creepy dos fãs! :)

Espero que gostem. 

Enviado por: C. E.  Scene.

É frio aqui, escuro...  Durante a maior parte de minha vida, é aqui o lugar da minha prisão. Mas nem sempre foi assim.

Eu era feliz, “nasci” em uma fábrica com vários irmãos, era acolhedor, conversávamos, riamos e nos divertíamos. Mas todos nós sabíamos que, a qualquer hora, poderíamos ser separados, iriamos para lugares diferentes, distantes, mas não nos assustava, afinal, o que havia para temer?

Nossa casa era espaçosa e aconchegante, eu e George, um de meus incontáveis irmãos, sempre escalávamos as portas e janelas de nossa casa para olharmos o mundo lá fora, era gigantesco, devo admitir. Víamos pessoas, carros, motos, e claro, crianças, todos nós adorávamos crianças. Elas são alegres, imaginativas e nos divertem, adoramos ver seus sorrisos.

Certo dia, eu fui levado, junto com alguns de meus irmãos. Não me lembro exatamente a data... não é estranho como coisas assim simplesmente se evaporam de nossas mentes? Eu estava radiante, nosso dia finalmente havia chegado. Fomos colocados em caixas separadas, e juntos, fomos a outro local. Eu não estava preocupado, muito menos com medo, desde que eu me lembre, todos nós sabíamos que esse dia chegaria. Eu ansiava por isso.

Fomos levados a um local diferente, não tão amplo como minha antiga casa, mas ainda sim incrível. Brinquedos e mais brinquedos por todos os lados, eu ficava ao lado de meus irmãos, de frente para uma prateleira de carros, helicópteros e aviões, era mágico. Haviam várias pessoas de diferente idades durante o dia, mulheres, homens, e como era de se esperar, crianças. Muitas crianças. Nos viam e seus olhos brilhavam, aqueles belos sorrisos com dentes faltando se expandiam. Mas eu não podia tocá-las, e isso me entristecia, no entanto, eu nunca perdia a esperança, sabia que isso poderia acontecer.

Fiquei em minha caixa paciente, imóvel, aguardando ser levado por alguém, e então, foi quando conheci Emilly. Ela era linda, seus belos cabelos loiros encaracolados na altura dos ombros, acentuavam a cor de avelã de seus grandes olhos. Ela me pegou em suas mãos e sorriu, aquele sorriso doce e inocente de uma criança, e eu pude enfim desfrutar do momento que tanto aguardei, e valeu cada segundo de espera. Me despedi de meus irmãos, e fui com Emilly para meu novo e definitivo lar.

Uma casa de dois andares de madeira, ficava, eu acho, em um bairro de classe média. E isso importa? Eu não poderia estar mais feliz. Emily me apresentou seus pais, Clarice e John, eram muito simpáticos. Para que vocês entendam, Emily era apaixonada por mim, estávamos o tempo todo juntos, brincávamos em seu quintal todos os dias, ela me contava seus segredos, eu sabia os seus medos e suas vontades, fomos felizes por muitos anos, até que Emily cresceu.

Sinto muito, não me apresentei. Me chamo Nigel, é claro que esse foi um nome dado pela minha doce Emily, meu nome de verdade eu não consigo me lembrar. Sou um boneco, como já devem ter percebido. Um entre tantos iguais, mas escolhido pela menina mais linda e amável que eu poderia imaginar, mas como eu havia dito, Emily cresceu, e para minha tristeza, não se importava mais comigo. Antigamente, apesar de brincarmos muito, ela sempre teve o máximo cuidado para comigo, hoje, não sei muito o que resta de mim. Quando Emily atingiu certa idade, me colocou nesse velho, escuro e frio baú, em baixo de sua cama.

Aqui estive por anos, eu tentei chamar a atenção de Emily, sério. Conseguia sair do baú e ficava em cima de sua cama, ela apenas gritava com sua mãe, perguntando porque esse brinquedo de criança quebrado, estava ali. Isso me entristecia. Certas ocasiões eu conseguia ouvir Emily, conversando com outras meninas, dando risadas, me doía saber que não era eu mais o motivo de seus sorrisos. Eu podia ouvi-la falar de um tal de Carl e dizer que gostava dele, também podia ouvi-la chorando em seu travesseiro, por um tal de Eddie. Não o conhecia, mas o odiava por magoar minha garotinha.

Semana passada, ouvi Emily conversar com sua mãe, sobre ir estudar fora, ela disse que levaria somente o que fosse mais importante para ela, e isso fez brotar um sorriso em meu rosto de plástico, que a muito tempo não acontecia. Ela iria me levar. Eu iria com ela para a faculdade, e enfim poderíamos ficar juntos novamente. Oh, minha doce Emily, que saudades eu tinha de você!

Mas tudo mudou de uma hora para outra ontem à noite, Emily entrou em seu quarto para arrumar suas malas, eu podia ouvir a felicidade em sua voz. Senti meu baú sendo arrastado para fora, eu estava ansioso, recordei o momento em que nos encontramos na loja de brinquedos, mas, quando o baú foi aberto, era Clarice, sua mãe. Confesso que não entendi, foi então que sua mãe falou:

- Emily, e quanto a esses brinquedos?
- Oh, havia me esquecido deles. Pode dar para alguém.
- Mas querida, você gostava tanto desse – Ela me pegou em suas mãos e pude ver Emily novamente – Tem certeza que quer doá-lo?
- Sim, tenho. Não tenho mais idade para essas coisas tolas de criança.

Clarice me colocou de volta no baú, fechando-o e o arrastou de volta para baixo da cama. Meu chão sumiu, como ela podia fazer isso comigo? Eu, que sabia todos os seus segredos? Eu que estive ao seu lado quando ela tinha medo do escuro? Eu, Nigel, seu melhor amigo. Isso estava errado, eu não poderia perde-la. Então, quando Emily dormiu, consegui sair de meu baú, mas dessa vez não subi em sua cama para que ela pudesse me ver, não havia tempo. Sai de seu quarto e cruzei o corredor que dava para as escadas, desci e fui para a cozinha. Me recordava de que Clarice guardava suas facas em cima da pia, com alguma dificuldade consegui alcançar o topo do balcão, felizmente as facas estavam no mesmo lugar.

Subi as escadas novamente, mas dessa vez, parei por um momento para observar pela porta entreaberta os pais de Emily, que dormiam tranquilamente. Entrei no quarto, primeiro matei Clarice, logo em seguida John. Cobri-os com o cobertor e fechei a porta atrás de mim, caminhei de volta para o quarto de Emily, e subi em sua cama, ela dormia profundamente, seus cabelos cacheados continuavam belos.
- Olá, Emily – Eu falei.

Ela apenas se remexeu, não chegando a acordar, deslizei a ponta da faca em sua bochecha, manchando-a com o sangue fresco de seus pais, e ela lentamente abriu os olhos, aqueles lindos olhos castanhos.

- Quem... quem é você? O que está acontecendo?
Senti algo quente e forte subindo em meu corpo ao ouvir essa pergunta.
- Você não lembra de mim? De seu melhor amigo?
- Nigel? É você? Mas como? Você é um boneco!

Não aguentei, cravei a faca em seu coração, sangue jorrou por sua camisola, era vermelho, quente, me senti como nunca antes. Vi os olhos de Emily perdendo o brilho, ela conseguiu proferir uma frase entre seus lábios ensanguentados: Por quê?

- Por quê? Por quê? Porque você me esqueceu, me trancou em um baú por anos, você que me tinha como alguém especial, como seu amigo, como seu querido Nigel, me trocou.

Emily tentou dizer algo, mas não conseguiu, sua mão caiu sem vida ao lado da cama, eu então tirei a faca de seu peito e comecei a cortar seu lindo pescoço, após um tempo já havia conseguido decapitá-la.

Arrastei sua cabeça ensanguentada para dentro de meu baú, é frio aqui, escuro, mas dessa vez tenho Emily comigo.


Eu a amo e agora a tenho para sempre... eu adoro olhar em seus olhos.

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Sopa de galinha

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Papai se casou com uma nova mulher. Ela deveria ser a minha nova mamãe, mas eu não gosto muito dela, e desde que ela começou a morar aqui, eu tenho ficando doente. 

Ela é muito boa em tentar ser uma boa mãe. Ela me dá sopa fresca e chá quentinho com todo o mel que peço. Mas ela ainda não é a minha mãe. Ela nunca será a minha mãe. 

Eu choro e choro pedindo ao meu papai que a mande embora mas ele me pede para esquecer. Ele me fala que ela está fazendo o melhor que pode. Que ela se preocupa com minha saúde, e que eu deveria lhe dar uma chance. 

E quanto mais ela cuida de mim, mais doente eu fico. Fiquei tão doente, que acabei parando no hospital! Os médicos me curaram, e me mandaram para casa em poucos dias. 

Então eu fiquei doente outra vez. 

E isso aconteceu de novo e de novo e de novo, até que as enfermeiras já estivessem acostumadas comigo. Os médicos costumavam fazer muitas perguntas sobre a minha mãe. Um estranho de terno e com um sorriso legal também me perguntou sobre ela.

E agora estou tão feliz. Papai disse que a minha falsa mãe vai embora, e nunca mais a verei. Ele parece tão furioso, mas eu sei que não é comigo. 

Ele não sabe que era eu que derramava alvejante na sopa que ela costumava preparar para mim. 

betteroffdeader

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Creepypasta dos Fãs: Minha aluna de matemática

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[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a pelo e-mail creepypastabrasil@hotmail.com]

Olá, me chamo Debórah. Sou uma professora de matemática e escrevo isso do hospital. Os médicos me disseram que eu vou morrer a qualquer momento, então eu preciso escrever isso enquanto tenho tempo. Se alguém ler isto, por favor, passe para um site onde muitas pessoas tenham acesso. Eu preciso que saibam o que aconteceu, já que aquela escola não me deixa revelar isso pela sua droga de reputação. Aliás, não faz diferença se a culpa disso ocorrer for minha...

Tudo começou no início da aulas, alunos novos... Percebi uma aluna destacada entre os demais. Ela era perfeita, bonita e jovem. Não quis aparentar me importar com isso, afinal, eu era vaidosa e orgulhosa demais, não suportava alguém mais bonita que eu. Com o passar dos dias, ela ficava mais linda e isso aumentava minha fúria e inveja, mas ela não se importava com isso. Eu queria que ela me odiasse, queria com todas as forças que ela fosse expulsa ou queria simplesmente não vê-la nunca mais e esquecer aquele belo rostinho.

Eu comecei a demonstrar mais minha raiva por aquela garota e ela havia percebido, começando assim a tentar disfarçar a indignação por eu querer dificultar seu aprendizado. Eu a humilhava na frente de toda a classe, fazia os alunos rirem dela, gritava com ela na frente de todos... Cheguei ao ponto de cuspir no rosto dela, mas eu queria mais. Queria destruir completamente seu belo rosto.

Um dia, ela estava mais quieta que uma estátua, parecia não respirar, não falava, apenas olhava fixamente para mim... Eu percebi uma lágrima de sangue escorrer pelo seu rosto e brotar nela um sorriso estranho, um sorriso de morte... Eu fui até sua cadeira e comecei a gritar com ela. Eu queria que ela parasse com aquilo. Eu puxei seus cabelos e ela sussurrou algo, mas não pude ouvi-la. Eu gritei mais alto e a sala toda se virou para nós. Eu dei um tapa em seu rosto e nada. Nenhuma reação. E então eu voltei para minha mesa e depois a chamei. Ela veio com aquele sorriso e, desta vez, seus olhos estavam completamente negros e sem vida. Ela estava pálida...

Quando eu comecei a falar, eu senti uma dor forte na garganta, seguida de um líquido quente e espesso sair em jatos. Seu sorriso, mais aberto, mostrando uma expressão de felicidade profunda. E as paredes respingadas de sangue...


Autor: Nyahh Cat

Revisão: Gabriela Prado

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O Velho e o Camponês

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Certo dia enquanto apanhava maçãs na floresta, um jovem camponês encontrou com um velho barbudo e maltrapilho que segurava com grande esforço um saco de terra nas costas; prontamente se ofereceu para ajudar o pobre senhor. Com felicidade nos olhos, aceitou de bom grado a ajuda do camponês e seguiram pela floresta, de longe se via uma cabana com teto de palha e um moinho.

Com o passar do tempo o jovem começava a se cansar e teve uma ideia muito esperta de fazer um furo no saco, assim a terra cairia aos poucos e o peso ficaria menor. Era apenas o suficiente para que suas costas aliviassem, mas ao chegar no meio do caminho a terra parou de cair e então aproveitando o momento de distração do velho, enfiou a mão na abertura do saco afim de retirar alguma pedra que impedisse a terra de cair, mas para seu espanto sua mão agarrou o que parecia ser um pé humano. 

Imediatamente largou o saco no chão e perguntou agressivamente o que tinha dentro. 

O velho disse que estava carregando o corpo do filho que acabará de falecer e por não ter dinheiro iria enterrá-lo nos fundos de sua cabana. Comovido, pôs o saco de volta nas costas e seguiu pelo caminho. O corpo começava a exalar um odor podre, mas faltava alguns metros até a cabana.

Após algum tempo chegaram onde o velho morava. O senhor pegou uma pá e começou a cavar enquanto camponês observava aquela triste cena de um pai cavando uma cova rasa para seu próprio filho, mas algo lhe chamou a atenção; o corpo que tirava do saco naquele momento era o corpo de uma menina e não de um menino, o homem havia falado "filho". 

- Mas você me disse que era o corpo de um filho e não de uma filha, como explica isso? - perguntou com a voz tremula.

O velho abriu o saco e retirou mais um corpo, dessa vez o corpo de um recém-nascido.

- Aqui está estás o meu filho.

Ainda mais confuso questionou quem era a menina.

O velho franziu a testa e respondeu:

 -Ela não quis ser a minha filha.

O jovem correu desesperadamente de volta ao vilarejo e contou a história para todos que cruzaram seu caminho; logo a história tornou-se popular e se arrastou pelas épocas.

Nunca se teve notícia alguma sobre a tal cabana e o velho jamais foi visto outra vez na região.

Assim surgiu a lenda que é contada até hoje sobre o Velho do Saco. 


(Espero que tenham gostado, fui inspirado a fazer essa ceepy depois de ler alguns contos dos Irmãos Grimm.)

Autor: Andrey D. Menezes. 

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