A Cura Para Infelicidade

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Ele me acordou dizendo que hoje é um dia especial, trouxe consigo alguns pães, com um pouco de café em nossa cama. Para ser mais romântico, ainda falou que não precisava levantar que iria deixar a casa pronta, uma vez que é o aniversário do nosso casamento.

Estávamos na cozinha. Todos os móveis são brancos, pois é a minha cor predileta, mesmo que isso incomode ele, este faz de tudo para me deixar contente.

Meu marido Gabriel está lendo os jornais enquanto eu o observo mexendo os seus lábios, e comecei a pensar... o quanto a minha vida é perfeita. Tenho o melhor marido do mundo, é aquele tipo de cara que em todo bairro é o mais bonito, e todas as mulheres ficam no pé, e ele está comigo casado e feliz.

Nós não tínhamos filhos, por mais que seja o sonho de Gabriel ter um garoto para ensinar a jogar bola, eu disse que não queria cortes no meu corpo, uma vez que a minha mãe ainda tem a cicatriz do parto do quarto filho, que é a minha irmã mais velha, e eu não suportaria a dor de um parto natural. Ele concordou com paciência para que eu pense bem, ou poderíamos adotar uma criança. Apesar da minha maneira de ser e das minhas ideias chatas, meu marido sempre está sorrindo para mim, como se eu fosse perfeita aos seus olhos.

Certa noite, acordei dizendo que estava ouvindo barulhos estranhos dentro de casa, encostei em seu corpo para que acordasse, pois é o homem da casa, este continuou roncando como uma pedra. Levantei e caminhei com os pés descalços. O som é uma coisa constante como algum tipo de gaita e parecia que era acompanhado de vozes. Fiquei confusa, não sou o tipo de mulher que tem medo de fantasmas e não gritaria igual uma garota indefesa caso algum tarado invada a nossa casa. Procurei por todo lugar e não vi nada. Quando estava voltando para o quarto, luzes saíram do lado de fora ofuscando a minha visão, e eu gritei pelo meu marido que apareceu rápido. Estava assustada, Gabriel perguntou o que aconteceu, e eu disse. Olhou pela janela e falou que não tinha nada, argumentou que poderia ser brincadeira de algumas crianças locais e me levou para a cama novamente.

Cada vez mais ele parecia tentar deixar a nossa vida perfeita, como ela já estava sendo. Comecei a reclamar dos alimentos, dizendo que estavam com um gosto estranho, o meu marido apenas respondeu que irá trocar os alimentos e começar uma nova dieta, mesmo que não adiantasse.

Não parava de imaginar como foi que nós nos conhecemos, dado que sou aquele tipo de garota mal-ajambrada, não cuidava do corpo e, muitas vezes, enjoada com quase tudo que o meu esposo fazia por nós.


Quando imagino muito sobre o nosso passado, a minha cabeça não para de latejar, e quando peço muito detalhes, Gabriel parece ficar um pouco aborrecido comigo, mesmo que respondesse educadamente.

Nós quase sempre estamos em casa, dentro e trancados. Às vezes, saímos para o jardim, onde ele faz churrasco e convidava aqueles vizinhos típicos, aquela família perfeita que sempre entrega bolo e dá "bom dia" quando você coloca apenas um dedo fora da porta.

Apesar dos anos de casados, só agora fiquei incomodada com tudo isso, com a falta de fotos do nosso passado em nossa casa, com o sorriso que ele está sempre carregando no rosto, e as várias desculpas que diz quando eu pergunto sobre o nosso passado, a minha cabeça não para de latejar. Nenhum remédio não faz efeito algum. E ao médico da família é perda de tempo, já que sempre argumenta que poderia ser por conta do meu início de miopia.

Fiz um teste ao começar a passar dos limites de esposa, parando de cozinhar, dormindo no sofá sem agradar ele e sendo grossa. Isso tudo é ignorado pelo seu sorriso e a sua forma de tentar fazer com que tudo fique perfeito novamente.

Com certeza, não estou em coma em um hospital vivendo um sonho, se não, o meu corpo não doeria e não sangraria com pequenos cortes fiz em meu corpo para ter certeza que não estou dormindo. O mais bizarro de tudo, é que tudo que eu preciso está dentro de casa, e o meu marido com seu trabalho de meio expediente, consegue sustentar a nossa casa em um bairro de classe média.

Minha ansiedade estava voltando com a depressão que tive em quase minha vida toda, não estou suportando mais guardar isso tudo. Pedi para que ele sentasse no sofá para que nós começássemos a conversar, mesmo inventando desculpas, eu disse que era sério, e nós começamos. Fiz várias perguntas, que ele dava respostas como fez sem detalhes, e foi aí que as coisas ficaram estranhas.

Perguntei se ele tinha me sequestrado, e por algum motivo, estava mantendo essa vida perfeita. Sua expressão mudou, espantando aquele sorriso alegre e a sua voz também se alterou. A minha cabeça não parou de latejar. Logo, uma coisa mais surreal começou a acontecer, quando os móveis e a aparência do meu marido começou a derreter rapidamente. Espasmos musculares, flashes de luzes em meus olhos fizeram com que eu despertasse deitada em uma maca.

Minhas pernas e braços estão presos, tubos enfiados em todo canto do meu corpo. Em todos os lugares, nisso que parece ser um quarto bastante escuro, há várias coisas anotadas em uma língua que não conheço. Gritei, e alguém entrou pela porta. Na verdade, havia mais de uma pessoa. Aos poucos, fui adaptando os meus olhos com aquilo que estava diante de mim... não pode ser! O que está havendo aqui?! São monstros com os olhos grandes, cabeças desproporcionais ao corpo, a pele acinzentada, sem roupas e segurando algo que parece ser um bloco de notas. Apesar dessas coisas não serem humanos, entendo o que eles falam.

Um dos monstros, colocou uma espécie de luz amarela nos meus olhos e ficou examinando aqueles tubos que estão entrando em meu corpo. Um deles, que parecia ser o mais importante, disse:

-Teste falho, erro na cobaia número 5638. Iremos iniciar mais uma vez, com a nova... dosagem - ele disse... enquanto coloca mais um tipo de soro, com a tonalidade azul no meu corpo. Fui ficando com muito sono e observando aquelas figuras olhando para mim, enquanto cada vez mais entrego-me ao efeito daquele soro...

Sinto uma pancada no meu estômago e acordo assustado, com uma criança olhando para mim, meu filho, falando que hoje é o aniversário dele. Uma mulher, ruiva, com a pele branca, carrega um sorriso no rosto e diz que me ama, fala que essa manhã será tão especial como as outras. Acho que eu sou o homem mais feliz do mundo....

Autor: Sinistro

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TAMAN SHUD - Capítulo 4

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No dia de partirem, Erick teve um pesadelo. Acordou com um aperto no peito, ofegante e suado, em seu sonho ele via uma tripulação de um barco queimando em um grande incêndio. Não levou aquilo como um mal pressagio, nem premonição. Não acreditava nisso.

Na saída do barco do porto, alguns familiares e amigos dos tripulantes acenavam no cais, desejando uma boa viagem e um breve retorno, Erick viu que mais uma vez, não havia ninguém lá por ele. Era melhor seguirem logo para alto mar, pensou Erick e decidiu começar a fazer o que foi contratado para fazer, verificar a carga e trabalhar na manutenção, sendo assim, seguiu para a parte de baixo do navio, onde estava o grande depósito.

Erick havia conversado um bom tempo com o Capitão, sabia que estariam primeiro indo em direção as Ilhas Marshall ao leste da Indonésia e depois partiriam para o México, passando pelo canal do Panamá a fim de entregarem uma carga de alguns produtos químicos em seu destino final, Costa Rica. O problema era que Erick não sabia exatamente o que o Capitão queria dizer com “alguns produtos químicos” e por essa razão foi vasculhar o depósito.

Tinha tanta certeza que aquilo era ilegal quanto tinha certeza que não deveria abrir o bico sobre aquilo para ninguém. Era uma carga perigosa, afinal, ácido devia ser tóxico e explosivo, pensava Erick. Sabia que deveria tirar a claro o assunto com o Capitão, então antes mesmo de estarem em alto mar, foi conversar com ele na cabine principal.

- Erick , meu garoto, entendo que você se preocupe, mas você acima de todo mundo, por sua experiência, deveria saber que isso acontece o tempo todo – Disse o capitão Thomson com um tom bajulador - Todos carregam um extra em seus depósitos, as vezes especiarias, as vezes produtos químicos, até gente, estamos carregando cianeto de potássio e nitroglicerina, são produtos perigosos, mas eu já fiz isso muitas vezes, sou experiente com isso então não há com o que se preocupar amigo.

- Só queria tirar isso a claro, se o senhor garante que não há problema, não tenho mais nada a dizer.

- Não leva isso como um fardo, tudo bem? Você realmente não precisa dizer nada para os demais, principalmente para Agungu, ele daria com a língua nos dentes, e sei que vocês dois são amigos.

- Estou aqui para trabalhar, não para fazer amizades, passar bem Capitão, se precisar de mim, você sabe onde me encontrar.

Erick sabia que não deveria se preocupar, e tinha isso bem concreto em sua mente. Porém, não conseguiu dormir aquela noite. Porque sentia o que estava sentindo? Não se importava com a tripulação, nem com o que o Capitão decidia ou não carregar naquele depósito ou se o dinheiro daquela entrega seria dividido ou não, nunca tinha se importado, mas algo não deixava sua mente descansar. Algo do passado.

Os dias que se seguiram foram um tanto quanto tediosos, o navio estava em bom estado, o tempo estava sempre favorável, a tripulação estava animada e parecia que até Budi, que estava sempre junto de Agungu, estava enfastiado de ser tão mimado com carinho e petiscos. O ar estava sempre quente, o céu sempre azul, o mar verdejante e calmo. Porque então Erick ainda se sentia tão inquieto? Naquela noite, atormentado novamente pela insônia que o acometia quase diariamente, ele resolveu levantar, ascender um lampião e começar a escrever, queria colocar suas ideias em um papel, talvez conseguisse se organizar melhor, foi quando sentiu aquela presença de novo e percebeu o ar ficando pesado e pestilento. Todas as suas lembranças daquele maldito dia no cemitério o atravessaram com fúria. E pôs-se a escrever. Era uma carta de confissão, e ela seria mais longa do que ele imaginava.

O dia seguinte seguiu como de costume, tranquilo. Agungu percebeu que Erick estava cada vez mais distante e taciturno, sempre com uma expressão de medo e desconfiança. Sabia que ele era bastante excêntrico, mas não conseguia entender por que daquela expressão. Ele parecia exausto, mesmo sem trabalho para fazer durante o dia senão uma limpeza básica. Resolveu ir conversar com ele, mesmo sabendo que seria recebido com grosseria.

- Erick, você está bem? Vejo que você anda mais quieto que o normal. Você sabe que se tiver algum problema pode contar comigo e com o pessoal, não é? Querendo você acreditar nisso ou não, mas somos uma equipe, e tentamos nos importar uns com os outros de vez em quando.

Erick manteve o silêncio.

- Bem, imaginei que você não ía querer conversar mesmo. Sei que você não costuma aceitar meus convites também, mas vou fazer a minha parte. Hoje à noite, todos nós vamos no reunir no depósito para jogar cartas, até o capitão topou, vamos beber e fazer umas apostas. Vai ser divertido. Se quiser aparecer, você sabe onde estaremos.

Cada hora que se passava, Erick sentia uma dor em suas costas e um peso em seus joelhos, estava cansado e precisava dormir, mas não seria aquela noite. Antes de anoitecer Erick se dirigiu ao depósito número 4 com um machado, alguns minutos depois voltou e se dirigiu para o seu aposento.

Mais tarde, Erick, de sua cama conseguia ouvir as risadas e a farra dos barqueiros no depósito com suas jogatinas. Levantou-se para tentar escrever novamente, precisava adicionar sua última confissão antes de torná-la realidade, demorou-se, mas acabou escrevendo somente algumas linhas em parágrafos separados, e marcando fortemente as últimas duas palavras, assinando no final.

Aquela noite teria que se livrar de qualquer jeito daquele peso, daquela presença, daquela voz que conversava com seu cerne, sua alma, dentro de sua mente, o tempo inteiro como uma fome voraz e insaciável. A voz que dizia para matar, para destruir, para trair e maltratar, para mentir e enganar, para desgraçar e obliterar, somente assim seria novamente livre. No fim das contas, imaginava-se preso em um buraco escuro sem chances de sair, sentia-se sem ar. Então foi

ao depósito novamente, com um fogareiro na mão, ele ouvia as pessoas agitadas e tosses frequentes, tosses secas e profundas. A última melodia.

Autor: Alison Silveira Morais

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SAIBA COMO VOCÊ PODE ENVIAR SUAS HISTÓRIAS PARA GENTE

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Caso você queira nos enviar suas Creepypasta dos Fãs, chegou a hora de aprender como, então leia tudo com atenção antes de qualquer outra coisa!

PARA ONDE DEVO MANDAR MINHAS HISTÓRIAS?

Pode mandar para nosso email "creepypastabrasil@hotmail.com" que analisaremos os critérios e colocaremos na lista de histórias para serem postadas.

QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS PARA QUE AS MINHAS HISTÓRIAS SEJAM ACEITAS?

Essa é a parte mais importante. Primeiramente, a Creepypasta DEVE ESTAR ESCRITA DENTRO DO PRÓPRIO EMAIL. NÃO ACEITAMOS MAIS ARQUIVOS ANEXADOS EM DOC, PDF E QUALQUER OUTRO FORMATO, POIS ESTAVAM DANDO CONFLITO DE FORMATAÇÃO NA HORA DE SEREM POSTADOS.

Coloque no título do e-mail "CREEPYPASTA DOS FÃS: NOME DA HISTÓRIA" e não se esqueça de colocar no final do texto como deseja que seu nome fique no final da postagem.

Além disso, sua história deve seguir algumas pequenas regras para aparecerem aqui no blog:
  1. Não pode ter conteúdo pornográfico grave (temos muitos leitores menores de idade);
  2. Não use abreviaturas (vc, tbm, dps, agr, n, sqn...);
  3. Tem que ter uma gramática razoável, cuidado com os erros de português;
  4. Esteja ciente de que ela pode/será levemente editada;
  5. A qualidade também é algo que prezamos, não postaremos se acharmos a Creepypasta sem lógica ou sem graça.
Os emails que não respeitarem essas regras não serão aceitos.

PORQUE MINHA CREEPYPASTA AINDA NÃO FOI PUBLICADA NO BLOG?

Porque ela ainda se encontra na fila. Recebemos dezenas de Creepypastas dos Fãs no nosso e-mail, então as vezes demoramos um pouco para postarmos mesmo. Caso sua história se encaixe em todas essas regras básicas, pode ficar tranquilo que ela será postada. Caso contrário, pode ficar tranquilo para nos reenviar sua história dentro desses critérios que aceitaremos sem nenhum problema!

Ainda tem alguma dúvida? Deixe sua pergunta nos comentários e ficaremos felizes em responder!

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AS PORTAS DO INFERNO ESTÃO ABERTAS NOVAMENTE!

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O Grito de Horror volta com a 4ª edição agora em 2019 da nossa seleção anual e está abrindo vagas para as seguintes funções:

1. Criador de Conteúdo (Facebook, Instagram)
[necessário conhecimento e acesso ao Photoshop];

2. CR ("Content Researcher", pesquisador de links e referências);

3. Moderador de Conteúdo (Gerenciar a página, as redes  e acompanhar tendências);

O Projeto GRITO DE HORROR foi criado em 2009 e vem sobrevivendo ao longo dos anos, server após server caído e quer conhecer o seu trabalho

Mas UM AVISO IMPORTANTE da própria equipe:

"somos uma família de redatores, artistas e criadores comprometidos, responsáveis e pontuais. Não somos remunerados, por isso o Grito de Horror é apenas para os MAIS DESTEMIDOS, pois mesmo antes de entrar, SUA ALMA JÁ NOS PERTENCE, RECRUTA!"

Para participar basta enviar um email para gritodehorror.contato@gmail.com com o assunto SELEÇÃO 2019 que eles irão te orientar em um e-mail de retorno (ou outras vias anexadas)

É opcional anexar WhatsApp ou Facebook para contato posterior, mas o retorno é mais rápido.

Lembrando que a data de término da seleção ainda não foi definida!

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O Espírito de Ouija

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Shhhh, não chore criança. Eu sei que está me ouvindo, então não chore. Somos amigos, não somos? Por que está balançando a cabeça negativamente? Acaso insinua que não somos amigos? Pare de chorar. Foi você quem me chamou aqui. Não se lembra? Pois bem, eu lembro muito bem. Foi quando você e seus amigos estavam brincando daquele jogo. Como se chama mesmo? Ah, sim, Ouija. Sua amiga falou para vocês não brincarem. Mas você quis fazer isso, quis continuar. Me perguntei por que, já que você não tinha nenhum parente próximo morto com quem quisesse conversar. Mas agora eu sei, você queria saber sobre o seu futuro. Se seria rico, famoso, quando e como morreria. Essas perguntas não devem ser feitas, nunca. Até um bebê sabe que não se deve brincar disso. Não se deve fazer esse tipo de pergunta para os espíritos. Eles mentem, minha criança.

Entendo que às vezes a curiosidade fala mais alto que a razão e vocês seguiram em frente.

Vocês continuaram perguntando e não tinham nenhuma resposta em retorno até que eu resolvi aparecer. Fiz um show completo de luzes e respondi a todas as suas perguntas e mesmo assim vocês quiseram sair da brincadeira. Logo agora que eu estava gostando do jogo e decidi ficar. Não se pode fazer essa desfeita.

Fiquei então ao seu lado, não sei por que, mas gostei de você desde o começo. Senti sua excitação e seu medo crescendo a cada pergunta feita, a cada descoberta maravilhosa e a cada vez que eu movia o ponteiro. Senti quando fiquei ao seu lado e você se arrepiou com a minha presença. Você gostou disso. Não me diga o contrário. O que? Vai continuar chorando? Você já foi mais divertido que isso. Deixe-me continuar.

Fiquei tão feliz quando você olhou em minha direção e me viu ali. Você foi o único a me notar. Eu estava apenas esperando, aguardando o que aconteceria e então você quis estragar o jogo, parando por ali mesmo e se despedindo de mim. Eu não podia deixar aquela oportunidade passar e fiquei junto a você, passei para o seu plano, vim lhe fazer companhia em seu corpo. No começo você lutou, foi divertido ver você se debatendo e chorando como uma menininha enquanto eu assumia seu corpo, pegava discretamente a faca que estava na cozinha e ia em direção à sua amiga. Aquela chata que não queria brincar desde o começo. Eu ouvia você gritando, sentia você se debatendo enquanto tentava me fazer parar. Eu urrei de felicidade enquanto sua garganta era cortada e sentia aquele líquido quente escorrer pelas nossas mãos. O cheiro era maravilhoso.

Todos estavam quietos enquanto nos observavam. Acho que estavam gostando do espetáculo.

Após o transe passar, eles começaram a correr como baratas tontas, tentando abrir portas e janelas. Ficaram tão surpresos quando descobriram que trancamos tudo. Eu gargalhei, eu gritei de tanta felicidade enquanto você continuava chorando. Sempre tão entediante e monótono falando "por favor, não faça isso, meus amigos. Por favor" ah, por favor digo eu. Foi você quem começou com tudo isso e estou apenas terminando. Aonde eu parei? Lembrei, continuando.

O próximo seria o gordinho com os óculos. Ele foi o mais fácil de pegar, não conseguia correr que logo cansava. Era divertido ver aquilo. Seus amigos são estranhos... Ele pediu tanto para que você parasse e nós apenas rimos de seus pedidos idiotas e pegamos aquela faca. Ele tentou se defender, lembra que ele até urinou nas calças? Aquilo me irritou um pouco, pois sujou seus tênis novos e o cheiro foi terrível, mas mesmo assim continuamos rindo. O encarei por mais um momento enquanto ele continuava implorando e acabei com seu sofrimento, passando a faca em seu pescoço. Pode me chamar de misericordioso, já que a morte de todos eles foi rápida.

A proxima, ah como eu me diverti na próxima. Ela correu tanto, se escondeu e tentou ligar para a polícia. "Desculpe, estamos muito ocupados aqui". Lembro de ter falado isso enquanto arrancava os fios da parede e ia lentamente em sua direção. Ela chorou enquanto olhava o telefone inutilizado no chão. Correu para o banheiro e tentou se trancar. Ninguém se esconde assim de mim. Como ela não sabia disso? Bem, fiquei um momento brincando com ela do outro lado da porta enquanto a ouvia procurar algo para se defender. Como se houvesse algo, que boba, não é mesmo? Depois de um tempo, tudo lá dentro ficou quieto e nós entramos. Ela estava ao lado da pia com um bastão em mãos. Como ela arrumou aquilo? De repente ela estava correndo em nossa direção, tentando nos acertar inutilmente. A derrubei e ela ficou quieta, esperando nosso próximo passo. Era esperta, admito. Por que eles não desistem logo? Decidi fazer tudo de um modo diferente. Decidi fazer você vir à luz. Instantaneamente você voltou e começamos a chorar, foi maçante

assistir tudo isso, mas fiquei quieto. Ouvi você repetindo várias e várias vezes que não foi você, que algo tinha tomado seu corpo e que estava fazendo isso contra sua vontade. Você acreditou que fui embora. Você a fez acreditar que eu fui embora. Ela acreditou. Bati palmas internamente enquanto vocês conversavam sobre um jeito de sair dali, de pedir ajuda. Foi então que eu apareci novamente e segurei seu lindo pescoço. Vi seu olhar assustado se transformando em horror. Surpresa. Sorri novamente, como era boa a sensação de ouvir seus pedidos para que parasse, seu ar se perdendo aos poucos, o som dos ossos se quebrando nas nossas mãos. Fiquei tão eufórico que quando acabou, nos sentimos vazios por um momento. Mas nós lembramos que ainda tinha mais uma pessoa. Onde ela estava?

Fomos a sua procura, em cada quarto era uma nova decepção, mas continuamos procurando, era divertido procurar. Fomos assobiando uma música que você gostava de ouvir quando ainda era criança. Dava um pouco de sono, mas até que era legal.

Ouvimos movimentos no quarto da frente e andamos até lá. Ela estava quieta perto da cama, com nossa faca nas mãos, nos esperando. O que ela pensava que estava fazendo? Facas podiam matar. Avisamos isso a ela e ela apenas nos encarou e continuou calada, esperando nossos próximos movimentos. Comecei a andar, nos aproximando lentamente dela, a deixando sem saída. Ela então investiu contra nós e acertou a faca em suas costelas. Sentimos a dor, logo após veio o sangue, mas não ligamos para isso. Tiramos a faca de suas mãos facilmente e a esfaqueamos no coração. Seu olhar logo foi perdendo a vida e então ela caiu na cama, inerte.

Sorrimos e fomos ao hospital. Precisávamos de um tratamento para aquela ferida, eu poderia fazer parar de sangrar, mas precisava parecer humano para que acreditassem.

Os policiais logo vieram e começamos com nossa encenação. Choramos tanto e falamos que uma de nossas amigas estava brincando com Ouija e começou a agir estranho. Ela assassinou todos os nossos amigos e eu tive que mata-la para sobreviver. Eles então foram para a casa encontraram nossa obra espalhada pelos quartos. Seus olhares de surpresa, acho que eles também gostaram do que viram.

Então ficamos ali, naquela cama esperando pela lenta recuperação. Vendo nos noticiários o que sua amiga fez, ouvindo todos lamentando por nós, os únicos sobreviventes. Nos desejando melhoras e que conseguíssemos seguir em frente depois "desse terrível massacre".

E agora, depois de tudo o que passamos juntos, te dou alguns minutos de lucidez e você me aparece com uma lâmina e simplesmente corta os pulsos? Que droga pensa que está fazendo? Pare de chorar agora, seu maldito. Sei que está me ouvindo muito bem enquanto perde os sentidos lentamente nessa droga de banheiro de hospital. Você não vai morrer agora.

Autora: Kaah Felipe

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