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Ballet: Part.7: O Passado Presente.

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Derick começa a subir os degraus para o sótão, enquanto sobe a poeira caí suavemente como pequenas cinzas sobre sua cabeça, a madeira velha range a cada degrau subido. Tomado pela escuridão ele tenta encontrar algum interruptor, mas sua mão encosta numa cordinha e ao puxar a luz se acende revelando um lugar espaçoso, alguns móveis cobertos por lençóis brancos, um sofá velho e um colchão ao lado da parede, mas o que mais chama a atenção é uma pessoa sentada de costas perto da parede. 

Aproxima-se e então põe a mão sobre o seu ombro, mas ao fazer isso a luz se apaga trazendo a escuridão e o medo de volta; gritos são dados enquanto os móveis começam a cair. Num ato de desespero ele se joga do sótão e acaba se machucando. Passos começam a surgir, estão descendo os degraus calmamente e sem demonstrar pressa para alcançá-lo.

Como um rato em fuga e machucado ele começa a rastejar até as escadas para o andar de baixo enquanto os passos vão se aproximando. Se apoiando no corrimão a única vontade que tem é de gritar por socorro, mas pensar que Molly pode estar numa situação pior que a sua o deixa mais focado em sair dali. 

Quando finalmente chega ao último degrau encontra um bilhete que diz: Volte para a ponte e saberá da verdade. 

Ao olhar para a sala percebe que Molly já não está mais lá. Tomado por toda aquela adrenalina Derick ignora sua dor e começa a correr até a estrada. Uma leve neblina começa a surgir e tudo o que se pode ver são as luzes dos faróis do carro a alguns metros de distância. 

-Socorro! Molly grita incessantemente enquanto Alicia despeja gasolina em todo o carro. 

Seu sofrimento chegará ao fim minha querida, nunca mais terá que dançar e nem sentir aquelas dores, fique calma. Seu rosto sem expressão mostra seu estado de sanidade desequilibrado. 

Ao chegar e se deparar com a loucura de sua mãe ele a empurra e tira Molly do carro, mas seu estado não permite que ele a segure por muito tempo e então os dois caem. Alicia se levanta e joga um isqueiro no carro, as chamas se espalham rapidamente. 

-Mãe o que tá acontecendo?! Você ficou louca! Que verdade eu preciso saber?

-Eu e Denise éramos colegas de trabalho no Hospital Hills, nós não podíamos ter filhos então planejamos roubar os gêmeos de uma mulher grávida que tinha acabado de dar a luz, mas Denise me enganou e disse que o segundo bebê tinha morrido. Como uma boa amiga deixei que ela ficasse com você Molly, mas quando sua mãe sofreu o acidente e foi para o hospital me confessou que o outro bebê não havia morrido, logo depois eu a matei. Antes que você pense, Derick não é seu irmão; a mulher deu a luz a duas meninas. Derick eu roubei você, espero que possa me perdoar um dia. 

Uma faca atravessa o pescoço de Alicia em meio a neblina, seu corpo caí enquanto uma poça de sangue se forma sobre o asfalto refletindo as chamas do carro como uma espécie de espelho d’água. 

-Olá Molly, eu sou a nova Molly, fui criada para ser a substituta perfeita caso um dia você desse errado. Agora é a minha vez. 

Saindo em meio a neblina a irmã gêmea de Molly revela seu rosto incrivelmente idêntico, sua pele perfeita como porcelana e um olhar vazio dominado pela maldade que só reforça o quão louca era Denise por ter criado um monstro. A nova Molly fica na ponta dos pés e começa a se aproximar dos dois enquanto aponta a faca suja de sangue para eles, seu reflexo no sangue em meio às chamas a torna uma fênix da morte usando vestes elegantes de cor preta e um tutu de corte irregular coberto de brilho. 

Derick: - Isso precisa acabar! Molly eu vou resolver isso. 

Molly: - Não, por favor ela vai te machucar! 

Derick junta suas forças e corre na direção da assassina agarrando-a pela cintura e se jogando do alto da ponte junto com ela; os dois caem na água e Derick acaba se cortando com a faca, mas conseguindo se livrar do afogamento em meio a luta. Após exaustivos minutos de luta em baixo d’água a substituta começa a afundar lentamente em meio a água, seus olhos arregalados como o olhar de medusa é a memória mais terrível que Derick vai ter por um bom tempo. Deitou-se na margem completamente cansado, seus pulmões respiraram muita água e agora tem novamente que lutar para sobreviver. 

Molly percebe que um carro se aproxima acompanhado de uma sirene, alguém chamou o corpo de bombeiros. O bombeiro Davis prontamente envolve Molly em uma manta térmica ao ver seu estado enquanto o bombeiro Miller desce até a margem da ponte para resgatar Derick. 

Davis:- Fique calma, vamos cuidar do rapaz. Fomos chamados por um senhor que mora há algumas horas daqui, eles nos disse que viu fumaça vindo da ponte então nós viemos. Uma ambulância deve chegar a qualquer momento. 

10 anos depois.. 

Após tudo o que passaram, Derick vendeu a casa e os dois se mudaram para os Estados Unidos e lá Molly redescobriu seu amor pela dança. Os dois compraram um apartamento no Brooklyn. Molly fez anos de fisioterapia para recuperar seus movimentos e passou a trabalhar como professora de balé em uma escola para crianças.

A notícia de que Molly estava grávida era sem dúvida a melhor notícia do dia; seus corações cheios de amor pulsavam alegremente enquanto uma leve chuva começava a cair no fim da tarde. Era como se ali estivesse nascendo mais uma fase de superação em suas vidas e marcando uma nova jornada depois de tanto sofrimento. 

Meses depois foi levada ao ‘The Brooklyn Hospital Center’ onde teria o tão aguardado parto. Deitada em seu leito ela observou o médico se aproximar com o bebê nos braços.

‘’-Parabéns, você é mãe de uma menina. ’’ Disse o médico quase sussurrando.

Emocionada ela apenas a agarrou firme em seu colo e chorou.

(Meses depois)

A vida em família era como saborear uma barra de chocolate pela primeira vez, pelo menos era essa a sensação que tinha conforme os dias iam passando e novos acontecimentos iam surgindo como por exemplo: Os primeiros passos de sua filha que ganhou o nome de Zoe. Seus cabelos castanhos e lisos juntamente com algumas sardas nas bochechas que pareciam ter sido puxadas do pai, já os traços leves e delicados do rosto certamente de sua mãe.

Conforme o tempo foi passando, Zoe se mostrou ser uma menina um tanto curiosa e certo dia enquanto mexia nas coisas de sua mãe ela encontrou as antigas sapatilhas de balé. Não pensou duas vezes e as calçou mesmo não cabendo em seus pés pequenos. Enquanto andava pelo corredor e dava alguns tropeços. Molly viu a cena e apenas mão sabia como reagir. Um misto de lembranças e emoções veio a tona e então as retirou gentilmente dos pés de Zoe colocando-as de volta no armário.

‘’-Você pode cair e se machucar filha, não as calce de novo está bem?’’

Zoe apenas concordou com a cabeça, mas talvez carregasse no seu DNA o antigo talento de sua mãe que começava aflorar lentamente. Não queria que sua filha se interessasse por dança porque lá fundo ainda existia certo receio de que a dança trouxesse algo ruim de volta. Um sentimento um tanto contraditório já que seu trabalho era dar aulas de dança.

Foi então que, após uma longa conversa com Derick ambos decidiram atender a vontade de Zoe que já era expressa tão cedo e a inscreveram na aula de balé onde Molly dava as aulas; mãe e filha dançando juntas, a filha aprendendo com a mãe, seria perfeito se não existisse o medo. Rapidamente as aulas começaram a fazer efeito e Zoe mostrava ter um brilho a mais, se tornou destaque mirim no corpo de balé. Derick observava cada evolução com muito orgulho, mas ao mesmo tempo com muita tristeza por lembrar do pesadelo que faz parte do seu passado.

Zoe foi percebendo aos poucos que sua mãe não expressava tanta felicidade com sua evolução, e isso a deixava ainda mais motivada a surpreendê-la a cada aula; mas parecia que todo esforço não era o suficiente para que sua mãe a admirasse.

O tempo foi passando e logo Zoe estaria prestes há completar 15 anos. Todos os preparativos começaram, um sonho de princesa ia tomando forma a cada item de decoração posicionado.

Restavam alguns dias para a festa e Molly estava animada por se realizar na filha. Derick juntou boas economias de seu trabalho como organizador de eventos e contratou um dos melhores DJs da região. Enquanto ele cuidava da organização as duas planejavam junto com a costureira como seria o vestido, qual a cor e quais os detalhes teria.

‘’-Mãe, eu gostaria de entrar na festa com um vestido inspirado em roupa de balé.’’ Disse Zoe transbordando de animação.

‘’- Bom.. Está bem, a festa é sua.’’ Concordou sem expressar muita coisa.

(Continua..)






Autor: Andrey D. Menezes. (Direitos reservados, caso queira narrar no seu canal credite por favor, é importante.)

(Vou dar continuidade a ela na forma original como planejei antes de forçar aquele final, espero não desapontar. Me desculpem o erro. Vou demorar mais a postar as partes pra sair algo bem feito.)  



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A Melodia de Meus Sentimentos

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Boa noite, segue um conto de minha autoria.
Todos créditos reservados a mim, a toda bebida consumida hoje bem como um maço e meio de cigarros e de alguns sinceros sentimentos que tentaram ganhar vida através dessa história.

A frase: “ O que você quer fazer para viver?” Já foi direcionada a sua pessoa?

A frase: “ O quanto você quer isso? Com certeza já foi imposta.

A frase: “ Cuidado com o que deseja” lhe soa familiar?

Aí é que está, eu nunca sonhei trabalhar, me formar ou me tornar algo em algo específico, nem ao mesmo fiquei em cima do muro, nada nunca pareceu me atrair, nada mesmo, não sei como dizer, como colocar para fora esse sentimento. Se já pensei em ser veterinária para ajudar animais com problemas, ser Juíza para trazer justiça aos necessitados, ser atriz e viver no glamour... Claro que já, todos nós já pensamos algo do tipo, isso é normal.

Mas e a gana?  A vontade ? A paixão? Realmente não consigo me fazer entender.

“Você ainda tem muito tempo para pensar no que quer...”

“Dúvidas nessa fase da vida são comuns, você não precisa decidir agora...”

“ Ah, você já pensou em fazer um teste de aptidão?”

Respondia as indagações, todas as inúmeras vezes, nunca com firmeza, nunca me expressando como eu realmente me sentia, pois as frases ainda que elaboradas não condiziam com meus sentimentos... Nunca soube me fazer entender.

O tempo passou, não escolhi nada que eu amasse ou me identificasse para seguir uma carreira, entendo que parte de não conseguir exteriorizar o que eu sinto é porque EU mesma não conseguia entender meus sentimentos. Fiz tratamento psiquiátrico para aprender mais sobre mim mesma, fiz cursos para me desinibir, usei remédios, usei “ervas religiosas e medicinais” Simplesmente, eu nunca consegui tirar de mim mesma minha própria essência, ainda que rastejasse por debaixo da minha pele.

Felizmente minha mãe é uma esteticista bem conceituada em minha cidade, faz um ótimo dinheiro, dessa maneira levamos nossas vidas com bastante tranquilidade, sem me obrigar a trabalhar e me sujeitar a situações desgastantes. Não que eu me aproveitasse dela, sou incapaz de me aproveitar de mim mesma, é frustrante... Com certeza você não entende o que eu quero dizer.

No meu aniversário de 23 anos ganhei uma viagem de uma semana em uma cidade exótica bem distante do meu berço. Minha mãe havia acatado a dica de uma amiga que estava condenada a um câncer terminal, diz ter conhecido uma senhora que a colocou no “caminho desejado” fez com que ela se encontrasse, encontrasse a paz dentro dela mesma. O nome da Senhora era Lisa, não era uma curandeira, mágica, médium nem nada parecido, era apenas uma senhora bem idosa, que passou da casa dos 100, utilizava única e exclusivamente de seu conhecimento e experiência enorme através dos muitos anos que possuía.

Tudo o que era exigido era que eu fosse completamente aberta e sincera. Esse era meu maior 
problema... Como ser sincera com alguém quando eu mesma não sabia as minhas verdades...

Me instalei na pousada, fui recebida por uma senhora quase ou tão velha quanto a que eu procurava. Era um local bem familiar e aconchegante, era a única hóspede do local, tendo em vista que a cidade não estava em temporada de turismo.

A senhora me convidou para tomar um chá , mesmo estando muito cansada e tonta das horas no avião, não queria ser indelicada com ela, que foi bem direta em sua pergunta : O que você está procurando nesse maravilhoso pedaço de terra?

Tentei dizer que procurava por Lisa, antes de completar a minha sentença fui interrompida: O que você realmente procura, o que quer?

- Quero me encontrar, quero me fazer entender, gostaria que a minha voz não fosse “silenciosa” como ela é. Queria externar meus sentimentos, todos os que já senti e sentirei, simples assim. Nunca consegui canalizar tudo isso, então é como se nunca tivesse de fato desabafado.

A senhora sorriu e disse: - Você está fazendo isso perfeitamente agora, tem certeza que isso é um problema? Ou quer dizer TODOS os seus sentimentos mesmo?

Assenti com a cabeça, era realmente o que eu queria e nada mais.

Ela tomou a minha mão direita, a que não segurava a xícara, acariciou levemente e com uma expressão que por um segundo pareceu ser maliciosa disse: Sentimentos são algo de que não podemos ter controle, você quer liberar algo que não pode conter de maneira alguma? Que diferente, geralmente as pessoas desejam controlar tudo aquilo que não podem.

Me desvencilhei e recolhi a mão pra junto de mim e ela de imediato com satisfação disse: Seu sentimento é de medo, você se comunica bem, eu não tenho problemas em entender isso.

A situação era bem desconfortável, decidi acabar com aquilo para que pudesse me acomodar e descansar de vez, então perguntei:

- Onde posso encontrar a Senhora Lisa? Quero consultá-la logo pela manhã.

- Rua Mamosa, número 23861. Um casebre, bem pequeno, a única casa da área, ela só é encontrada no local após as 3 horas da manhã, a porta sempre estará fechada, só bata se o lampião estiver aceso, do caso contrário, volte de onde veio.

- O que?- Perguntei.

- Sim, querida, você simplesmente veio da puta que te pariu para encontrar a porra de uma velha mística, não acha que no mínimo as coisas deveriam ser estranhas? – De repente agressiva.

- Eu, só queria vê-la. Err... Desculpe. Vou subir.

Conheci um pouco da cidade, andei de trem, fui até a cachoeira, vi a cultura, tomei as bebidas locais. Minha vontade de ir até a Senhora Lisa me perturbava bastante. Eu iria até uma estrada vazia, com apenas uma casa as três horas da manhã sem conhecer nada do local? Isso era ridículo...

Peguei um Uber até o endereço, ofereci ao motorista o triplo do valor da viagem para que me esperasse dentro do carro pela próxima hora e não fosse embora.

A porta estava aberta ao contrário do que foi me dito, porém não havia luz na cabana.

O motorista disse :  A luz está apagada, você não deve ir até lá.

- Eu vou mesmo assim!

- Não, não vai.

- Então me obrigue a não ir...

Assim que desci ele arrancou com o carro quebrando o nosso acordo. Eu não queria voltar atrás, estava sentindo algo... Algo borbulhar em mim... Algo que nunca havia sentido antes, cada célula do meu corpo queria conhecer melhor aquele sentimento, então eu não parei.

Realmente só havia aquela casa, em volta existia um campo de girassóis a perder de vista, quilômetros e mais quilômetros.

- Dona Lisa? Licença...

- Alguém aí? Estou entrando.

Nenhuma resposta. Decidi continuar ainda assim.

A porta se fechou gentilmente atrás de mim.

Iluminei o local com o flash do meu smartphone, parecia que ninguém morava ali havia décadas, cheiro de mofo, móveis se desfazendo, camadas e mais camadas de poeira. Foi quando me senti uma idiota, ou estava no local errado ou fui enganada, não era tarde para solicitar a Uber novamente e ser levada pelo mesmo motorista. Dei meia volta e abri a porta de entrada que para minha confusão deu para um corredor largo, muito largo. Apontei o celular na altura de meus olhos para ver o final e não consegui...

Comecei a acelerar o passo, portas e mais portas surgiam, direita, esquerda, direita, esquerda ,diversas, dezenas, centenas, milhares, todas trancadas...  Corri, gritei e chorei. O casebre era minúsculo, não poderia haver tantos quartos dentro dele.

Andei até que toda a bateria do meu celular se esgotasse... Cansada, no escuro e sozinha me sentei no corredor infinito e apoiei minhas costas na parede. Fiz uma profunda reflexão do que havia vivido e construído até então, tudo o que deixei de falar, de demonstrar, de compartilhar e de maneira clara passei a me entender, passei a compreender tudo aquilo que não conseguia. Uma completa transformação, inútil e tardia mas morreria ali em paz. Quando fechei meus olhos me entregando ao cansaço o atrito em minhas costas desapareceu, dei com a cabeça no chão e simplesmente estava dentro de um dos quartos.

Havia uma cadeira de madeira comum, em cima dela um violino novo, perfeito e impecável, apesar do tom escuro amadeirado fui capaz de contemplar meu reflexo por completo nele e não reconheci a expressão nele. Meu rosto estava mesmo com aquele semblante?

O tomei em minhas mãos, sentei-me na cadeira e sem nunca ter tido a menor afinidade por instrumentos musicais comecei a tocá-lo, tudo o que havia sentido até então ganhou vida através das cordas do instrumento.

Um lampião se acendeu.

Uma porta se abriu.

Era a saída.

Através dela pude ver, milhares de girassóis mortos, como se tivessem entrado em combustão.

Um vasto campo sem vida.

Fui andando e tocando até a cidade, caminhando na vegetação morta.

Sentei-me em uma praça e pouco a pouco as pessoas iam se aglomerando, elas demonstravam na pele o que eu sentia em meu âmago, toda a minha tristeza. Choravam e choravam, berravam sem parar, a plateia era infindável. O comportamento dos ouvintes mudavam conforme eu mudava as notas do violino, exatamente como me sentia.

Instantaneamente, virei um sucesso, minhas melodias se espalharam por todo o globo. Finalmente conseguia me expressar, através da arte, da música, as pessoas sentiam de maneira potencializada o que eu sentia em meu coração, houve um programa de televisão que reuniu um grupo de surdos, era dito que captavam a minha essência através da vibração de minhas cordas e se emocionavam mesmo sendo incapazes de ouvir as notas.

Não me deixei levar por nada, pela atenção que passei a receber após meu sucesso, neguei caminhões de dinheiro, neguei tudo o que pude, menos o que sentia. Só queria transmitir meu eu verdadeiro.

Recebi convites para performances em que cada ingresso custaria mais do que um trabalhador comum ganharia em um ano inteiro de trabalho, produções de hollywood queriam temas compostos por mim, países queriam seus próprios hinos reinventados pelas minhas notas, magnatas queriam que eu tocasse em seus casamentos, funerais ou uma simples apresentação particular.

Neguei tudo, neguei.

Não por soberba, não por achar que eu fosse superior e sim porque acreditava que não se pode por preço em um sentimento, que apenas devem ser sentidos.
A única ajuda de que aceitei foi de uma companhia que me proveu privacidade, pois multidões se juntavam na porta de minha casa, tornando impossível que eu saísse para observar meu próprio jardim e sentir a brisa do verão.

Meu desejo maior fora alcançado, ainda que não cantasse, ainda que não falasse, minha “voz” foi ouvida por todos, até mesmo por aqueles que não possuíam audição.

Todos viam através de minha existência, não havia mais nada que eu pudesse esconder pois oferecia tudo de mim, chegara então o momento da minha última peça, um último trabalho, uma melodia de encerramento, o ponto final.

Era o que eu acreditava, esse foi o único erro do qual cometi.

Palcos foram erguidos em todo o globo, estádios, arenas, teatros, cinemas foram ocupados para minha última apresentação, todos canais de televisão, todas ondas de rádio, toda internet, em todas as cidades, todas as ruas. Pessoas desconhecidas se juntaram em praças, bares, casas de parentes,
prisões, hospitais até mesmo para pacientes em coma.

Minha música era tão boa assim? Claro que não! Minha melhor composição não chegava aos pés da Moonlight Sonata, que era minha favorita.

Ainda assim, meus sentimentos alcançaram a todos os seres humanos.

Fiquei de frente com a plateia, não conseguia ver onde terminava.

Era para ser minha última, foi com o sentimento de “fim” que empenhei todo meu coração nas cordas. As pessoas não esboçaram uma única reação até o último segundo de música. Por três minutos e trinta segundos achei que havia perdido o meu dom de tocar as pessoas.

Quando terminei, aos 3:33. Vi a multidão, a maioria pareceu morder a própria língua, algumas pessoas pareciam ter parado de respirar simplesmente. Crianças, adultos, idosos. Coletivamente colocaram um fim em suas vidas. As pessoas se agrediam, se mordiam, arrancavam pedaços umas das outras, de maneira respeitosa, de maneira brutal, de maneira unida com suas famílias, todos...

Todos acabaram com suas próprias vidas.

 A Melodia de Encerramento foi conhecida como a Melodia da Morte.

Eram poucos os que não ouviram.

 Dizimei praticamente toda a população do planeta, não sinto prazer algum em fazer parte disso tudo.

Por algum motivo, ainda que com bilhares de corpos espalhados pelo planeta, esse evento histórico não foi registrado em livros, anotações, matérias de jornal...

 Parece um devaneio de minha própria pessoa, ou parecia ter sido apenas um sentimento, o máximo que aconteceu foi ter se tornado uma lenda urbana, uma crença ridícula.

Realmente desejei algo do qual não podia controlar...Infelizmente.

Encontro-me aqui, ainda viva, após 77 anos de todos esses acontecimentos. Os jovens dizem, acreditam que aqueles que cometem suicídio, apenas possuem a coragem para o fazer devido a uma melodia que somente eles podem escutar ou sentir.

Compus uma única música após tudo isso, com toda a minha solidão e a toco diariamente, isolada onde me encontro.

Você se sente sem ninguém? Ainda que rodeado de pessoas? Em uma multidão, entre parentes, entre amigos... Desculpe-me, de alguma maneira você foi tocado pela minha última composição e eu sempre estarei junto de você, ainda que se sinta SOZINHO(A), essa é a grande ironia.

Mas veja só...

Meus sentimentos transcenderam as barreiras, muitos de nós compartilhamos a mesma sensação, juntos, ainda que a sós.

A Melodia da Solidão, é na verdade a Melodia do Silêncio.


Escute bem...

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Meu guardião

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Você acredita em “anjos guardiões”? Algo que o vigie, e o mantenha a salvo sempre que pode? Você não precisa ser religioso, mas as vezes sente alguém cuidando de você. As vezes, não é sempre o que você espera. 

Quando eu era mais jovem, Morava com meu pai e a minha avó. Eu era filha única, e meu pai era muito protetor. Minha avó, por outro lado, me odiava. No início, ela apenas gritava comigo e me empurrava enquanto meu pai estava no trabalho. Isso piorou, logo depois que ele começou a trabalhar por mais horas. Eu raramente via meu pai. 

Por quatro anos, ela fez coisas que nem mesmo consigo me fazer pensar, não o suficiente para descreve-las. Por aqueles quatro anos, rezei e rezei por libertação. Rezei e desejei que ela morresse. Para Deus, para quem estivesse ouvindo. 

Meu pai provavelmente acreditaria em mim se eu tivesse a chance de falar com ele, mas a minha avó me fez me sentir como uma abominação durante os anos em que eu não conseguia mais suportar isso. Depois que ela matou a minha gatinha e me fez enterra-la, quando eu tinha treze anos, tentei suicídio, tentando me enforcar dentro do guarda roupas. 

Aparentemente, eu não sabia que merda estava fazendo, mas a barra onde eu havia me pendurado caiu em minha cabeça e desmaiei. Depois de horas deitada, com aquela dor estonteante, me levantei e corri para o banheiro antes que a velha maldita me visse e me batesse de novo. 

Quando saí do meu quarto, captei um cheiro muito ruim, como vômito, carne queimada, e sangue, misturados. Eu conhecia esses cheiros muito bem, considerando o que a minha avó já tinha feito comigo, e pensei por um momento que pudesse ser a minha imaginação, ou que ela estivesse preparando algo nojento para que eu comesse e me torturasse mais. Eu reconhecia aqueles cheiros separados, mas juntos eram algo que nunca senti. 

Enquanto me aproximava das escadas que levavam à sala de estar, comecei a ouvir algo. Minha cabeça doía, meu coração estava acelerado, e tudo que eu ouvia era um gargarejo, algo deslizando, algo sendo rasgado... A mera ideia de ver o que acontecia me assustava tão profundamente que eu quase corri para meu quarto, mas estranhamente, acabou sendo fácil demais ir observar. 

O que vi, nunca será esquecido enquanto eu viver. 

Minha avó estava deitada no chão, uma pessoa de preto estava ajoelhada ao lado dela. Ambos estavam cobertos de sangue. A cabeça da pessoa movimentava-se em ritmo sobre suas mãos, que percebi, seguravam um dos órgãos da minha avó. A pessoa não olhou para mim, e eu estava com medo, mas em silêncio. 

Eu não sabia o que fazer. Aquela coisa comia o corpo dela, lentamente, parecendo aproveitar cada mordida, seu corpo balançava de maneira tão sobrenatural que nem parecia humano. 

Eu não conseguia parar de assistir, não conseguia fugir, o medo me impedia de gritar. Ele parou, eu congelei. Ele olhou para mim, depois do que pareceu uma eternidade, deixando cair o que estava em sua boca. Pedaços de carne e sangue cobriam a maior parte do seu rosto. 

O que eu conseguia ver daquele rosto, parecia ser masculino, muito pálido. Onde deveria estar os olhos, havia pontos negros, que pareciam dilatar, expandindo e retraindo. Ele não tinha lábios, mas sua boca se contraía, sorrindo lentamente, um sorriso se expandindo para além da capacidade humana. Vomitei e desmaiei. 

Acordei e meu pai estava em casa, preocupado comigo. O corpo da minha avó tinha sumido, assim como todo o sangue. “Onde está a vovó? Onde está?” Continuei perguntando, até que parei, ao olhar em seus olhos. Ele me contou que o coração dela estava ruim, e que ela estava no “paraíso” agora. Eu não conseguia acreditar. Era impossível. Eu tinha imaginado aquilo tudo? 

Em seu funeral, a caminho de seu local de sepultamento, eu vi aquele homem outra vez. Ele parecia mais humano, mas eu sabia que era ele. Eu lembrava daquele sorriso. Ainda sonho com ele, as vezes acho que o vejo no meio das multidões. Mesmo quando não o vejo, posso senti-lo. Ele parece estar sempre por aí, tomando conta de mim.

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Eu nasci em uma Fazenda de Crianças

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"Não há livre arbítrio." 

Essas foram as primeiras palavras que li na vida. Acordei lendo isso todos os dias por muitos anos. Estava escrito em uma placa. A placa ficava pendurada no lado oposto dos beliches no Celeiro de Dormir. Não tenho memórias de antes da fazendo; Acredito que nasci lá.

Nenhuma das crianças lá sabiam de o porque estávamos lá ou de onde viemos... Ninguém nem sabia a quanto tempo estávamos na fazenda. Algumas crianças envelheciam. Outras não. Não lembro muito, mas é isso que acontece quando não se tem muito o que lembrar.

Lembro de sempre estar alucinadamente com fome. Recebíamos três refeições pequenas por dia, mas antes de cada uma delas o Diretor Ranon Xinon fazia-nos assistir ele despejar algumas gotas do liquido transparente da garrafa marrom sem rótulo na comida. Depois ele as servia por detrás de uma porta de metal, deslizando os pratos por uma janela, para você nunca saber se ia ser envenenado ou não. A maioria de nós só ficava remexendo os pratos. Ninguém estava ansioso para cair de boca, não quando já tínhamos visto dezenas de crianças ficarem azuis e morrer na nossa frente por terem pego o prato errado. Vários de nós raramente comíamos a comida. Eu NUNCA comia do meu prato. Eu já comi quatro corvos (realmente são horríveis como se comenta) e qualquer outra coisa que encontrava. Moscas, formigas, dentes-de-leão, baratas, trevos, tatus-bola, qualquer coisa viva e meio comestível. Mas eu guardava as aranhas. Tinha um lugar especial para elas.

Os 20 meninos e 30 meninas estranhas trabalhavam nos campos que forneciam toda a comida à "fazenda", um complexo de madeira em ruínas cercado por altas cercas de arame farpado e rodeada de bosques. Passando isso, a eterna vastidão. Embora não houvesse guaritas ou guardas, a fazenda era muito mais inescapável do que uma prisão.

Todas as semanas, o diretor Xinon levava os quase 100 de nós até os limites de sua fazenda, onde ele soprava um estranho apito de bronze; Pastores Alemães, emergiam do mato como se estivessem esperando seu chamado, as bocas espumantes quando vinham e mostravam seus dentes pelas frestas da cerca de arame farpado, ameaçando entrar e devorar-nos vivos enquanto o diretor sorria e falava com uma voz que soava como disparos de uma escopeta:

"Eles são velhos cães de guarda que ficaram raiva. Eu aprendi... através de um de vocês!... como treiná-los para que obedecem somente a mim, e se vocês correrem, vão matar vocês... ou pelo menos desejar que tivessem ficado aqui COMIGO."

A fazenda nunca tinha respostas. Poucas pessoas vinham, raros caminhões de entrega, um ônibus de prisão, um Ford Thunderbird de janelas com películas escurecidas, que rugia poderosamente como se seu motor fosse o de um foguete - e apenas falavam com o Diretor. A única pessoa que saia com o motorista era o Diretor.

Havia rumores de que não éramos crianças reais, que o diretor Xinon era um demônio que nos criou a partir sangue e cinzas. Nunca ousávamos falar com o diretor, e fazer uma pergunta era algo absurdo, sendo que fazer essa pergunta significaria ter que tocar sua mão dura e cruel, uma mão que transformava o ar em nossa volta em uma terrível almofada de agulhas, espetando nossa pele toda vez que éramos tocados.

Mas acima dos envenenamentos, dos trabalhos e limpezas cansativos, vasculhar por comida e nunca saber o que realmente estava acontecendo, o que mais temíamos eram as noites. Estar exaustos com os trabalhos de campo não era o suficiente para perder o medo de dormir. Quando era o momento mais escuro da noite e o ar ficava parado, ouvíamos os passos rangentes do Diretor simplesmente... aparecendo no centro do celeiro sem nenhum aviso prévio. As vezes o ouvíamos andando no telhado. Nas paredes. No teto. Ainda posso ouvir sua respiração se fechar meus olhos, a respiração ofegante e suja daquele porco doente que sugava ar para dentro e para fora em um escape gutural. Os passos e a respiração circulavam e circulavam até ele ouvir alguém chorar. Era aí que o escolhido choraria pela última vez antes de desaparecer, junto do Diretor. A criança desaparecida voltaria para a cama de manhã, cheia de novas marcas - um dedo cruel deixava os seus lados todo vermelho e roxo, as vezes marcas negras de ponta de dos cobriam o corpo todo. Nós nunca falávamos nada sobre essas marcas para ninguém; tínhamos medo que o Diretor ouvisse, e nos deixasse marcado igual também. 

As vezes ele te tocava com a palma inteira, deixando uma marca tão crua e dolorosa quanto a de ferro quente. Eu também fiquei um pouco marcado, mas me considero sortudo por serem poucas, pelo que pude perceber.

Eu era um dos 4 meninos e 5 meninas que limpavam a casa do Diretor, a casa da fazenda. Eu limpava os banheiros e esvaziava as cisternas de merda com um balde e corda. Limpando o banheiro, eventualmente, encontrei algumas tábuas do teto soltas acima do vaso sanitário enquanto esfregava o mofo, no peitoril da janela. Era bem acima do seu vaso. Comecei a pensar.

Essa foi a minha vida pelo que pareceu muitos anos - juro que pude acompanhar pelo menos 25 vezes que a neve veio, mas não havia um jeito de acompanhar o passar do tempo ou nossa idade. Juro que as vezes víamos uma criança que parecia ter 12 ou 14 anos voltar a ter metade disso. O tempo não fazia sentido na fazenda, e eu sabia que não sairia de lá esperando. Quando acordei certa manhã para encontrar uma impressionante marca de mão vermelha do Diretor Rannon Xinon no meu braço, um plano incandescente induzido pela fome emergiu do nevoeiro do meu cérebro.

Fui para o "lugar especial" perto da cisterna onde tinha mantido todas as aranhas viúvas-negras que encontrara. Eu as deixava atrás de um tijolo solto na lateral da casa da fazenda, onde um dia tinha reunido 8 delas e descobrido que viúvas-negras eram canibais quando agrupadas juntas. Apenas as mais fortes sobreviviam. Eu continuava a fazer "torneios" até que 108 aranhas foram reduzidas até as 26 viúvas-negras mais tóxicas, mais enlouquecidas, com a pior mordida, aranhas que você jamais vai querer encontrar na vida. Fui picado apenas duas vezes, e fiquei perto de uma morte agonizante ambas vezes. Eu sabia que uma picada não faria muito com Xinon. Estava pronto para realizar a última etapa do meu plano quando tudo mudou em um dia frio do começo de Dezembro, quando um helicóptero tão negro quando o Thuderbird circulou em voo baixo a fazenda algumas vezes. 

Ranon Xinon ficou louco. Envenenou metade dos pratos no dia seguinte que o helicóptero apareceu, e depois do café da manhã, nos levou para a rua para formar uma fila do lado de fora do matadouro de frango. Quando começou a levar um por um para dentro, alguns se juntaram à mim e correram. Julgando pelos gritos, deve ter pego a maioria dos fugitivos, mas não me pegou. Passei muitas noites fantasiando com aquele momento; a hora que não ouviria mais seus passos ou sua respiração.

Coloquei as viúvas negras dentro de uma antiga caixa de chocolate compartimentada, perfeita para mantê-las separadas. Subi pelas tábuas e me escondi no espaço do teto do banheiro. O Diretor podia até ficar sem dormir por causa de toda aquela paranoia, mas todos precisam ir no banheiro em algum momento, até os monstros. Afinal de contas, as cisternas não se cagavam sozinhas. 

Estava escuro quando ele chegou com sua vela. O som dele abaixando as calças e simultaneamente grunhindo mascaravam o barulho que eu fazia enquanto movia as tábuas acima dele para o lado e puxava a tampa da caixa dos 26 pesadelos, banhando o Diretor com minhas pequenas, raivosas e loucas gladiadoras. Minhas preciosas começaram a picá-lo assim que pousaram em sua pele. O terror da fazenda infantil, o demônio chamado Ranon Xinon estava caído em posição fetal ao lado de seu vaso sanitário, olhos inchados se fechando, a boca trancada em uma expressão de terror enquanto espasmo tomavam conta de seu corpo. Antes de seus olhos fecharem por completo, ele viu o meu pequeno rosto de sete anos de idade observando-o pelo buraco no escuro. A criança desaparecida. O Diretor começou a cacarejar. 

"Eu sabia que isso podia acontecer. Não existe livre arbítrio. Tudo bem. Eu já vivi dez mil anos. Eu vivi os SEUS verões felizes, seus casamentos maravilhosos, sucessos frutíferos. Sua vida foi linda além de qualquer comparação. É por isso que eu-" ele esmagou algumas aranhas que andavam por seu rosto, mas pude perceber que estava já desfalecendo. "...você e eu somos fantasmas agora." Essas foram suas últimas palavras antes que a respiração parasse. 

Me escondi por mais quatro horas antes de ir para a janela, o lugar mais seguro do banheiro. As aranhas tinham terminado seu serviço e sumido.

O helicóptero voltou com um batalhão de homens armados antes do por-do-sol. Eu fui o único sobrevivente da fazenda. O capitão da operação era um homem chamado Clinton Moxley, Chefe de Investigação de Campo Hermético. Me adotou, e agora levo seu último nome. Foi ele que me deu o nome de Howard.

Contei para meu pai o pouco que sabia. Me corrigiu em algumas coisas - o nome do Diretor não era Xinon, era um homem chamado Clark P. Ganes, um "individuo anômalo". O escritório que ele trabalhou rastreou o diretor até lá... meu pai era o do Thunderbird.

O velho Moxley me contou da vez que pegaram o Diretor para ser estudado em uma de seus laboratórios de campo. O sujeito agarrou o pulso de Frank Bernwiest, um dos membros mais velhos da equipe. Eles observaram o rosto de 79 anos de Frank se contorcer até que as rugas desapareceram e a pele se esticava  em seu rosto; em poucos segundos de agonia, Frank era um homem de meia idade de novo. 

Meu pai disse que pessoalmente impediu os outros membros da equipe de interagir com ele, sendo que estavam filmando provas do estranho fenômeno associado à Clark P. Ganes. Frank era conhecido por ser um lutador formidável mas não conseguia fazer nada contra o toque de Ganes. Toda vez que a mão de Ganes tocava a pele nua de Frank, Frank gritava, ficando cada vez mais jovem. Clark soltou-o apenas quando Frank tinha se tornado uma criança de novo, trajando roupas de um adulto.

"Ele escolhe vítimas que tenham tido boas vidas," meu pai me explicou enquanto me colocava na cama, "sua existência é a grande prova que o Tempo é uma dimensão física, algo que existe e que sempre existiu. Ele viveu SEUS anos em apenas alguns segundos. Frank ficou com 9 anos ruins de seus 79 anos, sem os cuidados de amigos ou família... você conhece bem essa dor, Howard. O escritório não tem recursos para cuidar de Frank... acreditamos que Clark Ganes é responsável por milhares de crianças sem-teto pelo mundo todo. Frank agora é apenas mais um deles, outra ser humano com seu tempo desgastado..."

Perguntei para o único pai que eu tive porque tinha me adotado. Ele me levou até o espelho do banheiro e mandou que eu tirasse a camiseta.

"Porque eu devo à você. Você foi um homem velho um dia, Howard. Você foi meu mentor e parceiro no escritório. Você foi sozinho para a fazenda para tentar destruí-la. Eu esperava que você lembrasse... qualquer coisa sobre seu passado, mas... Vejo que o Diretor te afetou também..." Olhei para minhas costas pela primeira vez usando o espelho, e vi várias marcas de mão. 

Isso fazem muitos anos. Como o Diretor disse, tenho sido apenas um fantasma junto dos vivos. É muito difícil dormir, especialmente agora. 

Nas últimas noites, tenho ouvido tanto os passos quando a respiração ríspida do Diretor perto da cama do meu velho. Meu pai nunca falou que encontraram o corpo do Diretor. Eu sei que ele quer sua fazenda de volta. Ele me quer e volta. Ele quer TODAS suas crianças de volta. 

FONTE

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A Mansão Escura

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Oi gente, tô aqui pra anunciar que vou voltar a traduzir a série "As histórias de um Oficial de Resgate no Serviço Florestal dos EUA". A descontinuação das traduções da série tinham acontecido porque a tradutora que era responsável pela tradução saiu da equipe, mas como eu tenho acompanhado os comentários do blog, resolvi voltar de onde tinha parado. Então em breve vou disponibilizar as partes 6, 7 e Final! 


Cerca de uma semana atrás meu amigo desapareceu. No dia seguinte recebi um e-mail dele. No corpo da mensagem tinha apenas uma linha escrita e um link. 

"Você precisa ver isso."

O link me direcionou para um site com o download de um jogo em texto chamado "A Mansão Escura." Haviam alguns Print Screens do jogo; arte old school pixelada de uma casa assustadora, alguns carinhas sem rosto usando capuzes, e uma mulher amarrada em uma mesa. 

"Salvar a garota ou salvar a si? Você que decide seu destino nesse jogo de terror em texto! Escape da mansão antes que os monges te encontrem. Seja cuidadoso, três vezes e é game over... permanentemente. Você é esperto o suficiente para fugir da mansão? Baixe 'A Mansão Escura' de GRAÇA agora."

Cliquei no link e instalei o jogo. Uma música em 8-bit começou a estourar pelas caixas de som quando abri o arquivo. Abaixei todo o som, esperando que algum vizinho começasse a socar as paredes por acordá-los tão tarde da noite. 

'Aperte ENTER para jogar' apareceu na parte de baixo da tela. Porque Teddy me mandou isso? Ele programou o e-mail para me mandar antes de desaparecer? Havia uma pista a ser encontrada dentro do jogo? 

Apertei enter. 

'Você vê uma enorme mansão em sua frente. É antiga. Assustadora. Você vai entrar?'

Sim.

'Você entra na mansão. A porta range mas a entrada está vazia. A frente tem uma escada e uma porta na esquerda, outra na direita. Para onde você vai?'

Escolhi aleatoriamente. Porta esquerda.

'Você é esmagado até a morte por uma bigorna. Jogar de novo?'

Uma poça de sangue pixelada aparecia no que pareca ser o chão da mansão. Uma escrivaninha estava no que parecia ser um quarto, com uma enorme estante de livros atrás. Havia uma pintura dos homens encapuzados na parede da esquerda, e debaixo havia um pedestal com um crânio humano em cima. Bem, uma morte já foi. Faltavam duas. 

Sim, digitei. 

Eu estava na frente da mansão novamente. 

'Você vê uma enorme mansão em sua frente. É antiga. Assustadora. Você vai entrar?'

Yes.

'Você entra na mansão. A porta range mas a entrada ainda está vazia. A frente tem uma escada e uma porta na esquerda, outra na direita. Para onde você vai?'

Bem, eu sabia para onde não ir dessa vez. Escadas. 

'Você vai para o andar de cima. Há uma porta vermelha, uma porta azul, e uma porta amarela. Qual porta você passará?'

Fiquei pensando se a morte iminente estava me esperando atrás de alguma dessas portas em particular. O texto que eu lera no site apareceu na minha mente, 'morra três vezes e é game over, permanentemente". O jogo pararia de funcionar depois disso? Eu já havia morrido uma vez, isso significava que eu tinha mais duas tentativas. Duas tentativas e três portas. 

Amarela.

Vermelha parecia levar a morte, além do mais, eu gostava mais de amarelo do que de azul. 

Raios começaram a clarear lá fora, fazendo eu levar um susto e me remexer na minha cadeira. O vento veio logo e a chuva começou a cair. Cinco minutos atrás o céu estava limpo, sem sinal nenhum de chuva... 

'Raios clareiam os arredores e você vê uma figura encapuzada na distância. Está vindo em sua direção. O que você faz?'

Raios continuavam a aparecer nas janelas do jogo. Como dizia, uma figura encapuzada estava parado nas montanhas que eram visíveis pela janela. Era meio bizarro. Também era a primeira vez que eu ganhava liberdade de escolher o que fazer. 

Abrir escrivaninha. 

'Não há nada dentro.'

Usar telefone. 

'O telefone não funciona.'

Atirar na figura encapuzada. 

'Você não tem uma arma.' 

Pegar arma.

'Não existe arma.'

Suspirei. O quarto parecia ser um beco sem saída. Aproximei o rosto da tela e tentei achar algo, alguma pista do que fazer no quarto. Nada que eu digitava funcionava. Recostei em minha cadeira e comecei a digitar de novo quando notei. A figura encapuzada... estava mais perto. Não era apenas um gif de tela de fundo. A figura realmente estava se aproximando. 

"Merda." Sair do quarto. 

'Você sai do quarto. Há uma porta vermelha, uma porta azul, e uma porta amarela. Qual porta você passará?'

Azul.

'Você está em um corredor. As portas estão marcadas 1-13. Qual vai escolher?'

Era um corredor escuro que ia longe. As portas diminuíam mas eu podia ver os números nas mais próximas. 1, 2, 3, 4, de frente uma para outra em pequenos intervalos. 

A chuva batia contra a minha janela quando de repente ouvi um grito. Não era do jogo; parecia ter vindo lá de fora. Sai da cadeira e corri para a janela mas tudo estava muito escuro. Não consegui ver nada. Um raio clareou brevemente a rua lá em baixo. Não havia ninguém. 

Talvez tenha vindo do jogo mesmo? 

Voltei para o computador. 

'Você ouve o grito de uma mulher. As portas estão marcadas 1-13. Qual vai escolher?'

Tá bom, pensei. Eles provavelmente não esperavam que alguém escolheria a porta 13 de primeira, então digitei 13. 

E lá estava de novo. Agora parecia bem mais próximo que antes. Olhei para as caixas de som e me lembrei... Eu havia abaixado todo o volume. 

Não era no jogo.

Sentei e esperei, prestando atenção. Meu quarto estava todo escuro, iluminado só pela tela do computador. A chuva batia mais forte na janela. 

Tudo estava silencioso tirando a água que batia no vidro. 

Me virei novamente para a tela. 

'Você vê sangue nas paredes e ouve os gritos de uma mulher vindo diretamente debaixo de você. O que você faz?'

Uma sensação de presságio tomou conta de mim. O quarto em si estava vazio, quatro paredes de madeira e o chão também de madeira, todo respigado de sangue pixelado. Havia uma única janela na parede oposta. Dessa vez havia uma floresta ao longe. 

Um raio iluminou a janela. A figura encapuzada estava bem na janela. 

Gritei. 

Sair do quarto.

'A porta está trancada.' 

Claro que estava. 

Se esconder. 

'Não há onde se esconder.'

Claro que não. 

Ouvi batidinhas na minha janela.  Pulei de novo. Como poderia haver batidinhas na minha janela? Eu moro no quarto andar... Tinha que ser o vento. Ou um galho de árvore. Então porque eu estava com tanto medo de ir olhar? 

O texto na tela começou a mudar. 

'A janela quebra. A figura encapuzada entra no quarto. Se aproxima de você lentamente. O que você faz?'

Tinha um limite de tempo para fazer as coisas nesse jogo? Nunca foi dito que a história ia continuar acontecendo que eu não fizesse nada. 

"Uhhhh..." Dar um soco na figura encapuzada. Eu não sabia o que fazer além disso. Era um quarto vazio sem nada que eu pudesse usar. 

'Você soca a figura encapuzada mas ele te esfaqueia na garganta. Você está morto. Vai tentar de novo?'

Suspirei. Eu estava rapidamente perdendo interesse no jogo, mas tinha mais uma tentativa. Poderia usá-la. 

Sim.

'Você vê uma enorme mansão que atormenta seus sonhos. É velha. Escura. Assustadora. Uma figura te espia da janela. Vai entrar?'

Bem, isso era novo. E bem tenso. Havia uma figura encapuzada me olhando de uma janela do terceiro andar. Um raio clareio o cenário e pude ver outro se aproximando das montanhas. Era o mesmo da minha outra tentativa. Eu precisava entrar. 

Sim.

Ignorei a porta da esquerda, subi as escadas, fui direto para a porta azul e fiquei no corredor debatendo em que porta eu devia entrar. 13 era um beco sem saída, mas ainda tinha que escolher entre 1 e 12. Números demais para escolher aleatoriamente e esperar pela sorte. 

Tinha dito antes que o grito da mulher vinha diretamente debaixo do quarto 13. Talvez a porta 11 tinha um jeito de descer de andar? Mas e se não tivesse? E se fosse uma porta aleatória? Eu tinha só uma chance de acertar antes que o jogo terminasse. Permanentemente.

'Você ouve passos.'

O texto passou na tela. As figuras encapuzadas já estavam lá? Era cedo demais!

Me preparei para escrever "11" quando parei. Não, a porta vermelha. Tinha que ser a pota vermelha. Eu tinha pensado a mesma coisa sobre número infortúnio 13 e não tinha me dado muito bem. Eu sabia que era a porta vermelha. 

Sair do quarto.

Há uma porta vermelha, uma porta azul, e uma porta amarela. Qual porta você passará?'

Vermelha.

'Você está em um banheiro. O que vai fazer?'

Devia ter uma porta secreta escondida em algum lugar daquele quarto. Eu tinha que encontrar antes que as figuras me encontrassem. 

Olhar banheira. 

'Não há nada em especial.'

Olhar armário.

'Alguns pílula sem identificação e uma escova de dentes.'

É provável que seja melhor não tocar nas pílulas. Não tinha mais nada no banheiro, então só significava que...

Olhar vaso sanitário.

'Você coloca sua mão dentro do vaso sanitário. Tem algo lá. Você quer puxar?'

Ugh. Sim.

'Você puxa e ouve um clique. Um único azulejo se move no meio do cômodo. O que você faz?'

E eu tinha opção? 

Pressionar azulejo.

'Você pressiona o azulejo. Uma parte da parede se abre. Você vai atravessá-la?'

Sim.

Ouço de novo. Dessa vez muito mais alto e claro. No andar de baixo. Uma mulher no andar de baixo estava gritando. 

'Você entra em um quarto secreto. Os gritos estão mais altos. Você ouve passos se aproximando. Tem duas portas. Qual vai entrar?'

O texto aparecia na tela enquanto a tempestade uivava lá mora. Esperei e escutei. Sem mais gritos. Nada além do som do vento e da pesada chuva nas janelas. 

Não. Não era só o vento e a chuva. Estava lá. Um barulho suave. Passos. De botas enormes e pesadas, como solas de aço contra concreto. Ouvi alguém batendo em uma porta em algum outro apartamento. Olhei para o relógio. Uma da manhã. Quem estava batendo em portas a essa hora?

'Você ouve alguém batendo em uma porta próxima. Que porta você vai entrar?'

O texto mudou de novo. Estava começando a parecer muito mais que meras coincidências. Meu coração começou a acelerar. Quando disse que a terceira morte seria permanente não queria dizer que... ou será que sim?

Esquerda.

Meu coração pulou quando me lembrei que a última vez que digitei esquerda fui direcionado para uma morte imediata. 

'Você entra em um laboratório. Parece que um experimento foi feito aqui recentemente. Sangue mancha a mesa de operação. O que você vai fazer?'

Lá fora tudo estava silencioso. Será que atenderam a porta? Talvez fosse apenas um amigo ou parente chegando tarde, alguém que esqueceu as chaves. 

Olhar escrivaninha. 

'Há um relatório. Você quer ler o relatório?'

Sim.

'Relatório: 1º de Outubro de 2017. Cobaia reclama de dores de estômago. Estômago removido. Sem mais reclamações. Necessita-se de nova cobaia. 

Relatório: 2 de Outubro de 2017. Novo convidado chegou hoje. Inteligência abaixo do normal, mas será suficiente. Cérebro removido. Transplante para novo dono será feito logo.

Relatório: 3 de Outubro de 2017. O transplante foi um sucesso. 

Relatório: 6 de Outubro de 2017. Cobaia reclama de dores nos membros inferiores. Membros serão removidos. Necessita-se de mais estudos.'

Fiquei olhando para a tela do computador. Eu não queria mais jogar. Não fazia ideia do que estava acontecendo mas estava me apavorando e nada fazia sentido.

Clank. Clank. Clank.

Os passos lá fora estavam chegando mais perto. Eram vagarosos, metódicos. Outra batida na porta. Parecia ser a umas 3 portas de distância. 

"O que você..." Não ouvi o resto da frase. Engoli a seco e me virei para a tela do computador, meu coração batendo mais forte do que nunca. 

'Os passos se aproximam. Você precisa fazer uma escolha. Você vai achar a garota ou vai fugir?' 

Fugir. 

Digitei sem pensar. Eu só queria que acabasse logo. 

'Você tem que encontrar a saída.'

Sair do quarto. 

'A porta está trancada.' 

Claro que está. Só tinha uma porta à frente. 

Abrir porta.

'Você abre a porta. Um corredor com uma única porta no fim. Duas janelas. O que você faz?'

Se eu tentar pular a janela, o personagem provavelmente iria morrer, estava no segundo andar, afinal de contas. Relâmpagos iluminaram as janelas e meu coração parou. Havia uma floresta cheia de árvores de pixel lá fora, mas ao longe na floresta havia inúmeras figuras encapuzadas, todos ali, de pé. Me assistindo. Esperando. Com cada relâmpago, eles pareciam crescer em número.

Abrir porta.

'Você não está próximo o suficiente.'

Correr até a porta.

'Você corre até a porta. Uma mulher grita em um quarto próximo.'

Várias figuras encapuzadas se aproximavam. Outros continuavam no mesmo lugar, como em vigília. 

Abrir porta. 

'Você entra em uma estufa. Está escura e sem luz. O que você vai fazer?'

Ligar luz.

'Não consegue encontrar o interruptor.'

Acender fósforo.

'Você não tem fósforos.'

Andar para frente.

'Você não consegue ver nada.'

Eu batia o pé furiosamente no chão enquanto meu cérebro pensava em um comando que funcionasse. Os relâmpagos no jogo continuava a brilhar esporadicamente. Todas as paredes da estufa eram de vidro com a floresta de fundo. Cada vez que a tela se iluminada, vários encapuzados se aproximavam cada vez mais. 

Então entendi.

Digitei andar para frente e esperei. Quando um raio iluminou o jogo, apertei enter. 

'Você anda para frente. Uma fileira de prateleiras bloqueia seu caminho.'

Digitei virar a esquerda e andar para frente, esperei, quando outro raio fez a estufa aparecer, dei enter. Os encapuzados estavam quase chegando no vidro. Meu coração acelerou.

Mais batidas no corredor. Dessa vez no apartamento do lado. 

Havia uma porta bem na minha frente. Chegaria nela no próximo relâmpago. Digitei correr para a porta e esperei.

E esperei. 

A tela continuava escura. Um texto branco apareceu na tela.

'Tem certeza que quer deixar a garota para trás?'

Sim.

'Tem certeza mesmo? Essa ação não poderá ser desfeita.'

Sim. 

Raios iluminaram o jogo. As figuras encapuzadas estavam do outro lado do vidro. 

Ouvi uma batida na porta do meu apartamento. 

Correr para a porta. 

Apertei enter. A tela ficou toda preta. Esperei. O vento e a chuva pareciam com raiva lá fora. Fiquei tenso, meu coração na garganta enquanto esperava por mais uma batida na porta. 

Mas nada aconteceu. 

'Enquanto você corre para fora da mansão, ouve gritos vindos lá de dentro. As figuras encapuzadas te observam, mas não te seguem. Conseguiram o sacrifício dessa noite, mas você conseguiu escapar.'

A tela ficou toda preta e logo apareceu 'PARABÉNS' em letras grandes piscando na tela em várias cores diferentes. Não ouvi mais nenhuma batida na porta. 

Desliguei o computador e fui para a cama. Fiquei lá deitado ouvindo o som da tempestade até o raiar do dia. 

Enquanto eu saia do meu prédio na manhã seguinte, vi carros da polícia circulando pela rua e na entrada. Aparentemente uma mulher tinha sido encontrada morta. Suas pernas tinham sido amputadas e não foram encontradas. 

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

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