Ballet: Part.7: O Passado Presente.

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Derick começa a subir os degraus para o sótão, enquanto sobe a poeira caí suavemente como pequenas cinzas sobre sua cabeça, a madeira velha range a cada degrau subido. Tomado pela escuridão ele tenta encontrar algum interruptor, mas sua mão encosta numa cordinha e ao puxar a luz se acende revelando um lugar espaçoso, alguns móveis cobertos por lençóis brancos, um sofá velho e um colchão ao lado da parede, mas o que mais chama a atenção é uma pessoa sentada de costas perto da parede. 

Aproxima-se e então põe a mão sobre o seu ombro, mas ao fazer isso a luz se apaga trazendo a escuridão e o medo de volta; gritos são dados enquanto os móveis começam a cair. Num ato de desespero ele se joga do sótão e acaba se machucando. Passos começam a surgir, estão descendo os degraus calmamente e sem demonstrar pressa para alcançá-lo.

Como um rato em fuga e machucado ele começa a rastejar até as escadas para o andar de baixo enquanto os passos vão se aproximando. Se apoiando no corrimão a única vontade que tem é de gritar por socorro, mas pensar que Molly pode estar numa situação pior que a sua o deixa mais focado em sair dali. 

Quando finalmente chega ao último degrau encontra um bilhete que diz: Volte para a ponte e saberá da verdade. 

Ao olhar para a sala percebe que Molly já não está mais lá. Tomado por toda aquela adrenalina Derick ignora sua dor e começa a correr até a estrada. Uma leve neblina começa a surgir e tudo o que se pode ver são as luzes dos faróis do carro a alguns metros de distância. 

-Socorro! Molly grita incessantemente enquanto Alicia despeja gasolina em todo o carro. 

Seu sofrimento chegará ao fim minha querida, nunca mais terá que dançar e nem sentir aquelas dores, fique calma. Seu rosto sem expressão mostra seu estado de sanidade desequilibrado. 

Ao chegar e se deparar com a loucura de sua mãe ele a empurra e tira Molly do carro, mas seu estado não permite que ele a segure por muito tempo e então os dois caem. Alicia se levanta e joga um isqueiro no carro, as chamas se espalham rapidamente. 

-Mãe o que tá acontecendo?! Você ficou louca! Que verdade eu preciso saber?

-Eu e Denise éramos colegas de trabalho no Hospital Hills, nós não podíamos ter filhos então planejamos roubar os gêmeos de uma mulher grávida que tinha acabado de dar a luz, mas Denise me enganou e disse que o segundo bebê tinha morrido. Como uma boa amiga deixei que ela ficasse com você Molly, mas quando sua mãe sofreu o acidente e foi para o hospital me confessou que o outro bebê não havia morrido, logo depois eu a matei. Antes que você pense, Derick não é seu irmão; a mulher deu a luz a duas meninas. Derick eu roubei você, espero que possa me perdoar um dia. 

Uma faca atravessa o pescoço de Alicia em meio a neblina, seu corpo caí enquanto uma poça de sangue se forma sobre o asfalto refletindo as chamas do carro como uma espécie de espelho d’água. 

-Olá Molly, eu sou a nova Molly, fui criada para ser a substituta perfeita caso um dia você desse errado. Agora é a minha vez. 

Saindo em meio a neblina a irmã gêmea de Molly revela seu rosto incrivelmente idêntico, sua pele perfeita como porcelana e um olhar vazio dominado pela maldade que só reforça o quão louca era Denise por ter criado um monstro. A nova Molly fica na ponta dos pés e começa a se aproximar dos dois enquanto aponta a faca suja de sangue para eles, seu reflexo no sangue em meio às chamas a torna uma fênix da morte usando vestes elegantes de cor preta e um tutu de corte irregular coberto de brilho. 

Derick: - Isso precisa acabar! Molly eu vou resolver isso. 

Molly: - Não, por favor ela vai te machucar! 

Derick junta suas forças e corre na direção da assassina agarrando-a pela cintura e se jogando do alto da ponte junto com ela; os dois caem na água e Derick acaba se cortando com a faca, mas conseguindo se livrar do afogamento em meio a luta. Após exaustivos minutos de luta em baixo d’água a substituta começa a afundar lentamente em meio a água, seus olhos arregalados como o olhar de medusa é a memória mais terrível que Derick vai ter por um bom tempo. Deitou-se na margem completamente cansado, seus pulmões respiraram muita água e agora tem novamente que lutar para sobreviver. 

Molly percebe que um carro se aproxima acompanhado de uma sirene, alguém chamou o corpo de bombeiros. O bombeiro Davis prontamente envolve Molly em uma manta térmica ao ver seu estado enquanto o bombeiro Miller desce até a margem da ponte para resgatar Derick. 

Davis:- Fique calma, vamos cuidar do rapaz. Fomos chamados por um senhor que mora há algumas horas daqui, eles nos disse que viu fumaça vindo da ponte então nós viemos. Uma ambulância deve chegar a qualquer momento. 

10 anos depois.. 

Após tudo o que passaram, Derick vendeu a casa e os dois se mudaram para os Estados Unidos e lá Molly redescobriu seu amor pela dança. Os dois compraram um apartamento no Brooklyn. Molly fez anos de fisioterapia para recuperar seus movimentos e passou a trabalhar como professora de balé em uma escola para crianças.

A notícia de que Molly estava grávida era sem dúvida a melhor notícia do dia; seus corações cheios de amor pulsavam alegremente enquanto uma leve chuva começava a cair no fim da tarde. Era como se ali estivesse nascendo mais uma fase de superação em suas vidas e marcando uma nova jornada depois de tanto sofrimento. 

Meses depois foi levada ao ‘The Brooklyn Hospital Center’ onde teria o tão aguardado parto. Deitada em seu leito ela observou o médico se aproximar com o bebê nos braços.

‘’-Parabéns, você é mãe de uma menina. ’’ Disse o médico quase sussurrando.

Emocionada ela apenas a agarrou firme em seu colo e chorou.

(Meses depois)

A vida em família era como saborear uma barra de chocolate pela primeira vez, pelo menos era essa a sensação que tinha conforme os dias iam passando e novos acontecimentos iam surgindo como por exemplo: Os primeiros passos de sua filha que ganhou o nome de Zoe. Seus cabelos castanhos e lisos juntamente com algumas sardas nas bochechas que pareciam ter sido puxadas do pai, já os traços leves e delicados do rosto certamente de sua mãe.

Conforme o tempo foi passando, Zoe se mostrou ser uma menina um tanto curiosa e certo dia enquanto mexia nas coisas de sua mãe ela encontrou as antigas sapatilhas de balé. Não pensou duas vezes e as calçou mesmo não cabendo em seus pés pequenos. Enquanto andava pelo corredor e dava alguns tropeços. Molly viu a cena e apenas mão sabia como reagir. Um misto de lembranças e emoções veio a tona e então as retirou gentilmente dos pés de Zoe colocando-as de volta no armário.

‘’-Você pode cair e se machucar filha, não as calce de novo está bem?’’

Zoe apenas concordou com a cabeça, mas talvez carregasse no seu DNA o antigo talento de sua mãe que começava aflorar lentamente. Não queria que sua filha se interessasse por dança porque lá fundo ainda existia certo receio de que a dança trouxesse algo ruim de volta. Um sentimento um tanto contraditório já que seu trabalho era dar aulas de dança.

Foi então que, após uma longa conversa com Derick ambos decidiram atender a vontade de Zoe que já era expressa tão cedo e a inscreveram na aula de balé onde Molly dava as aulas; mãe e filha dançando juntas, a filha aprendendo com a mãe, seria perfeito se não existisse o medo. Rapidamente as aulas começaram a fazer efeito e Zoe mostrava ter um brilho a mais, se tornou destaque mirim no corpo de balé. Derick observava cada evolução com muito orgulho, mas ao mesmo tempo com muita tristeza por lembrar do pesadelo que faz parte do seu passado.

Zoe foi percebendo aos poucos que sua mãe não expressava tanta felicidade com sua evolução, e isso a deixava ainda mais motivada a surpreendê-la a cada aula; mas parecia que todo esforço não era o suficiente para que sua mãe a admirasse.

O tempo foi passando e logo Zoe estaria prestes há completar 15 anos. Todos os preparativos começaram, um sonho de princesa ia tomando forma a cada item de decoração posicionado.

Restavam alguns dias para a festa e Molly estava animada por se realizar na filha. Derick juntou boas economias de seu trabalho como organizador de eventos e contratou um dos melhores DJs da região. Enquanto ele cuidava da organização as duas planejavam junto com a costureira como seria o vestido, qual a cor e quais os detalhes teria.

‘’-Mãe, eu gostaria de entrar na festa com um vestido inspirado em roupa de balé.’’ Disse Zoe transbordando de animação.

‘’- Bom.. Está bem, a festa é sua.’’ Concordou sem expressar muita coisa.

(Continua..)






Autor: Andrey D. Menezes. (Direitos reservados, caso queira narrar no seu canal credite por favor, é importante.)

(Vou dar continuidade a ela na forma original como planejei antes de forçar aquele final, espero não desapontar. Me desculpem o erro. Vou demorar mais a postar as partes pra sair algo bem feito.)  



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Meu guardião

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Você acredita em “anjos guardiões”? Algo que o vigie, e o mantenha a salvo sempre que pode? Você não precisa ser religioso, mas as vezes sente alguém cuidando de você. As vezes, não é sempre o que você espera. 

Quando eu era mais jovem, Morava com meu pai e a minha avó. Eu era filha única, e meu pai era muito protetor. Minha avó, por outro lado, me odiava. No início, ela apenas gritava comigo e me empurrava enquanto meu pai estava no trabalho. Isso piorou, logo depois que ele começou a trabalhar por mais horas. Eu raramente via meu pai. 

Por quatro anos, ela fez coisas que nem mesmo consigo me fazer pensar, não o suficiente para descreve-las. Por aqueles quatro anos, rezei e rezei por libertação. Rezei e desejei que ela morresse. Para Deus, para quem estivesse ouvindo. 

Meu pai provavelmente acreditaria em mim se eu tivesse a chance de falar com ele, mas a minha avó me fez me sentir como uma abominação durante os anos em que eu não conseguia mais suportar isso. Depois que ela matou a minha gatinha e me fez enterra-la, quando eu tinha treze anos, tentei suicídio, tentando me enforcar dentro do guarda roupas. 

Aparentemente, eu não sabia que merda estava fazendo, mas a barra onde eu havia me pendurado caiu em minha cabeça e desmaiei. Depois de horas deitada, com aquela dor estonteante, me levantei e corri para o banheiro antes que a velha maldita me visse e me batesse de novo. 

Quando saí do meu quarto, captei um cheiro muito ruim, como vômito, carne queimada, e sangue, misturados. Eu conhecia esses cheiros muito bem, considerando o que a minha avó já tinha feito comigo, e pensei por um momento que pudesse ser a minha imaginação, ou que ela estivesse preparando algo nojento para que eu comesse e me torturasse mais. Eu reconhecia aqueles cheiros separados, mas juntos eram algo que nunca senti. 

Enquanto me aproximava das escadas que levavam à sala de estar, comecei a ouvir algo. Minha cabeça doía, meu coração estava acelerado, e tudo que eu ouvia era um gargarejo, algo deslizando, algo sendo rasgado... A mera ideia de ver o que acontecia me assustava tão profundamente que eu quase corri para meu quarto, mas estranhamente, acabou sendo fácil demais ir observar. 

O que vi, nunca será esquecido enquanto eu viver. 

Minha avó estava deitada no chão, uma pessoa de preto estava ajoelhada ao lado dela. Ambos estavam cobertos de sangue. A cabeça da pessoa movimentava-se em ritmo sobre suas mãos, que percebi, seguravam um dos órgãos da minha avó. A pessoa não olhou para mim, e eu estava com medo, mas em silêncio. 

Eu não sabia o que fazer. Aquela coisa comia o corpo dela, lentamente, parecendo aproveitar cada mordida, seu corpo balançava de maneira tão sobrenatural que nem parecia humano. 

Eu não conseguia parar de assistir, não conseguia fugir, o medo me impedia de gritar. Ele parou, eu congelei. Ele olhou para mim, depois do que pareceu uma eternidade, deixando cair o que estava em sua boca. Pedaços de carne e sangue cobriam a maior parte do seu rosto. 

O que eu conseguia ver daquele rosto, parecia ser masculino, muito pálido. Onde deveria estar os olhos, havia pontos negros, que pareciam dilatar, expandindo e retraindo. Ele não tinha lábios, mas sua boca se contraía, sorrindo lentamente, um sorriso se expandindo para além da capacidade humana. Vomitei e desmaiei. 

Acordei e meu pai estava em casa, preocupado comigo. O corpo da minha avó tinha sumido, assim como todo o sangue. “Onde está a vovó? Onde está?” Continuei perguntando, até que parei, ao olhar em seus olhos. Ele me contou que o coração dela estava ruim, e que ela estava no “paraíso” agora. Eu não conseguia acreditar. Era impossível. Eu tinha imaginado aquilo tudo? 

Em seu funeral, a caminho de seu local de sepultamento, eu vi aquele homem outra vez. Ele parecia mais humano, mas eu sabia que era ele. Eu lembrava daquele sorriso. Ainda sonho com ele, as vezes acho que o vejo no meio das multidões. Mesmo quando não o vejo, posso senti-lo. Ele parece estar sempre por aí, tomando conta de mim.

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Invasores

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O jantar foi interrompido com o barulho de uma garrafa caindo na cozinha e rapidamente às três garotas que estavam comendo na sala se levantaram assustadas do sofá deixando seus pratos com macarronada caírem no carpete marrom.  

‘’-É um rato!’’. Gritou uma delas enquanto ficava de pé sobre o sofá. 

As outras duas se mantiveram em silêncio e segurando as mãos umas das outras. Um rato seria o maior motivo de pânico para aquelas três adolescentes sozinhas em casa, pois seus pais estavam em uma confraternização de ex-amigos de colegial e não voltariam para casa apenas por causa de um rato faminto. 

Os barulhos continuaram pela cozinha; aquele rato parecia mesmo faminto, mas quando pratos que estavam no alto do armário começaram a cair, as garotas começam a se perguntar se aquilo era realmente um rato. Não tinha como um simples rato bagunçar a cozinha em tão pouco tempo.

‘’-Talvez seja mais de um, a porta da cozinha deve estar aberta. ’’ Disse a mais medrosa segurando um garfo na mão esquerda. 

Depois de alguns minutos tentando decidir que ia espiar por baixo da porta da cozinha uma delas criou coragem e se abaixou para olhar e foi nesse momento em que a maçaneta começou a girar. 
Quando a porta se abriu quem estava na cozinha o tempo todo eram os pais das garotas; mas por que estavam fazendo aquela bagunça toda? Era a pergunta que não queria calar. 

‘’-Se levante do chão Mary, ele está cheio de bactérias. ’’ Disse o pai. 

Foi então que as outras duas deram um passo para trás ainda mais assustadas do que antes. 

‘’-O que há de errado meninas?’’ Disse a mãe. 

‘’- Meu nome não é Mary’’.  Disse Katy enquanto observava os olhos azuis de sua mãe se tornarem totalmente negros. 

Autor: Andrey D. Menezes

(Feliz Natal gente! Um dos melhores presentes que ganhei foi estar nessa família do CPBR e aprender tanto com cada comentário que vocês fizeram, muito obrigado!) (Só vêm 2018) 

(Ps: O Final de Ballet sai hoje, mais tarde.) 

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Vox e Rei Beau: O que minha mãe pensa ter visto e por que eu posso ter começado a chorar naqueles dias (PARTE 6)

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Quando liguei para minha mãe para falar sobre Beau, ela ficou extremamente séria. Normalmente minha mãe é tão radiante quanto uma pessoa pode ser: alguém que se importa, amorosa, que faria bolinhos para todo mundo se não incendiasse a cozinha toda vez que tentasse cozinhar, e bastante racional. Ela é uma doutora brilhante, e a única exceção para sua lógica estrita é que ela é religiosa. Ela definitivamente não gosta de falar de coisas sombrias.

Quando eu fiz 7 anos ela estava acostumada com Beau, mesmo que não tivesse certeza do que pensar dele. Todos os livros e pediatras que ela consultou garantiram que amigos imaginários eram perfeitamente normais, mesmo que esse fosse um pouco mais sombrio. Como eu era uma criança feliz e sadia, que socializava com as outras (e reais) crianças e gostava de rosa e pôneis, se Beau me ajudasse a superar algum pensamento ou medo obscuro então talvez fosse O.K. E, bem, algumas histórias, como a do monstro do closet, eu nunca contei pra ela. Acho que mesmo naqueles tempos eu sabia que não era algo bom pra se falar.

Como meu irmão era mais velho, e, portanto, "legal demais" para brincar comigo, eu constantemente era deixada sozinha e criava brincadeiras comigo mesma. Beau sempre aparecia bastante nisso. Se ele não estava por perto, eu fingia ser ele e lutava contra monstros terríveis ou ia em aventuras. Se ele estava, minha mãe me encontraria sozinha em meu quarto, falando com alguém que não estava ali ou desenhando na quietude. Conforme eu fui ficando mais velha, comecei uma brincadeira nova. Um dia minha mãe me encontrou engatinhando pela casa com um cobertor sobre mim. Ela perguntou o que eu estava fazendo. Eu disse que estava aprendendo a ser uma caçadora, assim como Beau. Ela não pensou muito sobre o assunto, mas ficou bem aborrecedor quando eu também virei uma ladra. Minha mãe encontrava coisas aleatórias escondidas em meu quarto. Às vezes coisas que ela não tinha ideia de como eu consegui apareciam em meu quarto. É claro, eu culpei Beau, e ela me disse que eu deveria falar para “Beau” parar de roubar e arranjar um novo hobby.

Honestamente, isso provavelmente não era paranormal, era só eu. Eu era tão terrível quanto qualquer criança de minha idade, e quem sabe o que eu não estava achando e coletando. Quando minha mãe ameaçou tirar minhas sobremesas até que aquilo parasse, no entanto, a brincadeira mudou. Eu comecei a ser sonâmbula.

Pela manhã, minha mãe me encontrava em lugares estranhos. Começou como algo pequeno – eu estaria no chão do meu quarto ou no térreo, deitada no sofá. Novamente, os médicos garantiram a ela que isso era normal, mas começou a ficar um pouco estranho. Ela me encontraria em lugares que eu não tinha como alcançar ou nos quais ela me ouviria chegando. Alguns desses lugares incluem os armários da cozinha, o chuveiro do banheiro de hóspedes, a mesa de meu irmão, etc. Meu irmão tem o sono muito leve. Ele deveria ter me ouvido entrar e deitar ali. O armário devia ser impossível de entrar e minha mãe quase não conseguiu me tirar dali.

O que é interessante é que eu me lembro disso. É uma de minhas memórias mais sólidas, talvez por ser mais recente. Eu sei que o sonambulismo era parte do jogo. Durante meu sonambulismo eu estava sonhando. Eu podia ver tudo ao meu redor perfeitamente na escuridão, e Beau estava me guiando. Ele estava me ensinando como espiar da mesma maneira estranha que ele fazia. Pelo menos é o que eu acho que acontecia em meus sonhos.

Uma noite minha mãe acordou de seus sonhos. Isso é o que ela diz lembrar de ter acontecido. Eu não estou dizendo que aconteceu e ela mesma admite que pode ter sonhando tudo ou que a memória esteja turva pelo tempo. Mas ela se sente confiante o bastante para me contar isso, o que me leva a crer que ela realmente viu algo estranho.

Quando ela acordou, seu quarto estava completamente quieto e silencioso. O silêncio era igual ao que eu experienciei em minha própria casa. Ela disse que parecia que tudo estava segurando a respiração e esperando por alguma coisa. Minha mãe ficou quieta, mas manteve os olhos abertos e tentou entender o que estava acontecendo. Conforme ela observava tudo, a porta se abriu. Ela abriu sem fazer qualquer ruído, e eu sei que vocês sabem que todas as portas fazem pelo menos um pouco de barulho quando são abertas.

A porta abriu devagar, e eu entrei. Ela disse que meus olhos estavam fechados e eu estava aparentemente sonâmbula, mas engatinhava em meus dedos das mãos e pés com movimentos estranhos. Silenciosamente passei pelo quarto e fui direto para o pequeno corredor que liga o banheiro ao closet. Minha mãe admitiu que ela parou por um momento porque estava incerta do que fazer e sem acreditar no que estava vendo. Sabia, no entanto, que devia ver se eu, por alguma razão, precisava de ajuda, não importava que coisa assustadora eu estivesse fazendo. Eu era sua filha, afinal de contas.

O silêncio no quarto dela havia passado, mas conforme ela se aproximava do closet as sombras e o ar pareciam mais densos. Parecia que o mundo estava sendo sufocado. Eu estava enrolada perto de seus sapatos, sussurrando alguma coisa enquanto dormia. Ela me chamou e perguntou se eu estava bem, e o que eu estava fazendo. Eu disse a ela (ainda dormindo) que estava caçando algo.

Não preciso dizer que ela ficou bastante desconcertada. Ela segurou a pequena cruz que ela sempre usa e rezou em silêncio, o que não pareceu melhorar muita coisa. Depois disso ela disse algo do tipo, “Vox, você precisa parar com isso e voltar para sua cama. Está na hora de você dormir.”

Minha resposta fez zero sentido para ela na ocasião, mas ela definitivamente se lembra. Eu virei minha cabeça do canto que eu estava encarando e olhei para ela, embora meus olhos ainda estivessem fechados. Eu disse, “Mas você não quer que eu me esconda se eles tentarem me encontrar?”

Ela não respondeu. Apenas continuou rezando em silêncio, e depois disso o silêncio em seu quarto passou. Ela ainda estava assustada, mas confortável o bastante para, depois de me observar por alguns longos minutos, me pegar no colo e carregar de volta para meu quarto.

Minha mãe nunca me contou nada disso quando eu era pequena, mas eu lembro que pouco depois disso ela começou a me forçar a ir para a igreja com ela nas manhãs de Domingo. Ela se livrou de boa parte dos meus desenhos de Beau, mas isso não pareceu me incomodar, o que a deixou confusa. Ela finalmente me perguntou, um dia, se eu ainda brincava de caçadora. Eu fiquei bastante séria e disse que não brincava mais de caçadora e não queria ser uma. Eu não elaborei meus motivos na época, mas eu acho que tenho uma memória que explica isso.

Devo alertá-los que a próxima história é desagradável.

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Encavernado

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Não pode ser visto, não pode ser sentido. Não pode ser ouvido, não pode ser cheirado. Encontra-se atrás das estrelas e sob colinas, e preenche buracos vazios. Vem primeiro e segue depois, acaba com a vida, mata a risada. - J. R. R. Tolkien 


Vimos a já enfraquecida luz desaparecer diante de nós, toneladas de rochas sólidas e frias desabando atrás de nós, mas nunca desistimos, bom, até agora. Nossa água e comida logo acabaram e a fadiga veio. A maioria dos corpos, frios e vulneráveis, dos nossos amigos estavam debaixo daquela pilha de rochas. Já tínhamos passado nossa primeira noite, não pude dormir, havia sombras naquela caverna escura, elas se moviam, se contorciam... 

Também havia aquele som de arranhar, que nunca parava, tão alto... 

No dia seguinte comecei a explorar a caverna, sem resultados. Estávamos presos, mas quando retornei ao grupo pude perceber feixes de luz infiltrando-se pelas paredes, mas o que vi, iluminado pela luz, era terrível. 

Corpos desmembrados, membros decepados, e cadáveres secos, repletos de moscas. Moscas! Se havia moscas ali, poderia haver uma saída para a superfície! 

Não pude continuar olhando aquele massacre, então virei-me, tentando procurar por uma saída, cheio de esperança, mas atrás de mim havia figuras, sombrias, de sorrisos sangrentos, rostos sem emoção, negros, olhos vazios... 

Eles sentavam lá, imóveis, pacientes... Eles eram as coisas que tentamos repelir dormindo, a verdadeira luz... 


Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz. - Platão

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Vox e Rei Beau: Nossa aventura continua/Como Beau se apaixonou pela Lua (PARTE 5)

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Nossa aventura continua

Certo. Continuamos agora, eu acho.

Para recapitular tudo, eu comecei a ouvir e agora a ver coisas. Há silêncios estranhos em minha casa, e noite passada eu acho que vi um homem perto de minha cama e meu rádio decidiu convenientemente cometer suicídio. Minha mãe me lembrou que quando eu era criança, eu tinha um amigo imaginário assustador chamado Beau que me contou histórias estranhas e que causava silêncios como os que eu venho experienciando ultimamente. Sugiro que você leia tudo desde o começo, porque faz mais sentido que esse sumário.

Enfim, eu dormi por algumas horas no sofá noite passada, e a primeira coisa que fiz essa manhã foi ligar para minha universidade e marcar uma sessão com o terapeuta. Os serviços de saúde mental do meu campus são muito bons, e eles puderam me atender hoje de tarde, o que foi uma surpresa agradável.

A sessão foi desconfortável, e serviu principalmente para que ele obtivesse meu histórico e entendesse minhas reclamações. Tudo que eu disse foi que eu estava ouvindo vozes e que isso estava me preocupando. O terapeuta foi, na verdade, bastante acalmador. Ele disse que, comumente, as pessoas automaticamente pulam para a esquizofrenia quando se trata de ouvir vozes, mas que nem sempre é o caso. Amigos imaginários vêm das fronteiras turvas que uma criança tem entre realidade e imaginação, e eles surgem de uma necessidade de controle ou conforto. Se esse amigo imaginário voltou, pode ser um sinal de que estou tentando lidar com um trauma, algo que eu ou passei agora e não consigo notar (o que duvido) ou algo de minha infância que eventos recentes trouxeram de volta à tona. Ou isso ou eu poderia ter algo errado com meu cérebro, como um tumor ou lesões no tronco encefálico ou algo assustador do tipo. Nós começamos o processo para conseguir que meu plano de saúde aprove uma tomografia computadorizada.

A sugestão dele, por enquanto, é que eu tente dormir um pouco. Ele disse que é totalmente possível que eu esteja sofrendo de falta de sono, que isso combinado ao estresse do fim de meu relacionamento e de minha mudança pode ter causado isso. Ele também quer que eu pare de ficar tão assustada. Se eu estiver enlouquecendo, vamos lidar com isso de alguma maneira. Se há algo traumático no meu passado, uma escola de pensamento acha importante que se escute o que as vozes estão dizendo para determinar o que elas querem proteger. Talvez Beau tenha ressurgido porque ele pensa que é necessário. Qualquer que seja o caso, a voz não quer me machucar. Não está me dizendo para tacar fogo em mim mesma ou matar alguém. Eu não sou suicida nem estou deprimida, então ele disse que não havia problema em respeitar minha decisão de não tomar medicações por enquanto e de não ser trancafiada em uma cela acolchoada.

Então depois disso, eu liguei para minha mãe porque prefiro lidar com isso de frente.

Eu liguei para minha mãe para tentar obter qualquer informação ou histórias que ela pudesse me dar sobre Beau, qualquer coisa estranha que acontece enquanto eu brincava com ele, ou qualquer pista que ela pudesse me dar sobre o que pode ter acontecido para que ele viesse até mim. Eu não contei pra ela que estou ouvindo vozes e que estou agora na terapia porque não quero assustá-la, então eu só disse que eu estava escrevendo algo para um projeto de psicologia e queria a ajuda dela. Ela ficou relativamente assustada, mas aceitou me ajudar. Incidentalmente, se algum de vocês souber como dar esse tipo de notícia aos seus pais, me diga.

Aqui está meu plano: eu gostaria de contar a vocês algumas das histórias de Beau e algumas das coisas estranhas que aconteceram depois para ver se talvez vocês podem notar algo nelas que eu não posso. Eu sei que é pedir demais, mas vocês pareceram gostar das histórias ontem, e me ajudaria bastante.

Eu não sei o que estamos procurando. Eu realmente não sei. Como eu disse no último tópico, eu não sou o tipo de pessoa que acredita em coisas paranormais, ou que pensa que esse tipo de coisa acontece o tempo todo. Eu não tenho interesse em mágica, eu nunca vi um UFO, e eu sou a primeira pessoa a desmascarar tudo nesses programas de caça aos fantasmas. Ainda assim, pela primeira vez eu quero admitir que talvez tenha algo acontecendo aqui que eu não sei explicar. Talvez seja uma Tulpa ou talvez algo está mexendo com a minha mente. E se não é o caso e eu estou louca, talvez possamos descobrir o que essas histórias bizarras devem significar.

Antes de começar, deixem-me clarificar algumas coias que vi no último tópico antes de ele ter sumido. Esse background pode trazer alguma luz para algumas coisas.


  • Eu tive Beau de quando eu tinha 4 anos até os 7 ou 8.
  • Quando eu era criança eu não lidei com histórias de terror, filmes violentos nem nada do tipo. Algumas das imagens nessas histórias que eu vou contar são perturbadoras, e eu não sei como elas surgiram do meu pequeno eu de 4 anos. Eu não sou uma pessoa que gosta das trevas e eu não gosto de gore nem merda nenhuma do tipo.
  • Até onde eu sei e minha mãe se lembra, nada de ruim aconteceu quando eu era criança. Mas é claro, pode ser algo que não sabemos.
  • O motivo pelo qual, real ou não, Beau me assusta, é porque ele é um monstro comedor de vozes, e quando nós “brincávamos juntos” eu cheguei a dizer a minha mãe que ele ameaçava se irritar e comer a minha voz. Minha mãe descrevia como eu tomando conta de um tigre de estimação. Eu estava me divertindo, mas até mesmo a pequena eu parecia notar um perigo existente.
  • Ao mesmo tempo, ele nunca me machucou. Até agora, a voz não me machucou também. Ela me ajudou a pegar meu namorado me traindo no flagra e me assustou meramente por existir. Isso é tudo.
  • Você não tem que acreditar em uma palavra do que eu digo. Isso é totalmente OK, e como eu disse, não estou escrevendo para ter fama ou atenção. Fora desses tópicos, minha trip-code* não existe. Eu só quero corrigir tudo isso e ter minha vida normal e chata de volta. Se isso diverte vocês também, então ótimo.
  • Por favor não reescrevam essas histórias como se fossem suas, porque, sabe, elas vieram de mim mesmo que sejam estranhas. Mas sintam-se livres para desenhá-las. Eu não sei por que vocês pediram permissão para desenhar, mas tudo bem.

Muito bem, agora, as histórias. Eu vou contá-las como eu as lembro e com o que minha mãe colaborou, então se elas parecem estilizadas é porque estou tentando traduzir tudo em um único pensamento. E desculpem-me de novo se elas são estúpidas. Lembrem-se, eu tinha 4 anos.

Primeira história: Como Beau se apaixonou pela Lua.

*Trip-code é um recurso de imageboards, como o 4chan, que serve como uma espécie de registro.

Como Beau se apaixonou pela Lua

Um dia, perguntei a Beau se podia desenhá-lo. Rei Beau era, até onde pude notar, muito convencido, e adorava qualquer coisa que tivesse a ver com ele. Isso incluía contar histórias sobre si mesmo, brincadeiras em que ele era o herói, e, é claro, retratos. Eu contei isso a minha mãe quando ela me perguntou por que haviam tantos desenhos da mesma criatura em meu quarto na hora de brincar.

Enquanto eu desenhava as figuras sombrias do Lugar Quieto e ouvia as descrições do castelo de
"Como ayer otra vez", por aelur (não consegui encontrar o link do post original)
Beau, me ocorreu perguntar a ele por que ele tinha aquela aparência. Até então, os detalhes da aparência de Beau são muito vagos para mim (assumindo que nós não estamos contando o que eu vi noite passada), mas eu vou tentar dizer o que me lembro.

Beau era a pessoa mais alta que eu já tinha visto, o que significa que ele parecia com um homem adulto. Ele vestia roupas escuras, e a esse ponto eu não sei se eram armaduras ou uma espécie de manto. Seu sorriso era muito mais largo que o de um humano e cheio de dentes afiados que ele gostava de exibir. O que era mais interessante, no entanto, era que sua pele era completamente pálida. Assim como seus olhos e cabelo. Tudo sobre ele era livre de cor.

Eu perguntei: “Rei, se o Lugar Quieto é tão escuro, por que você é tão branco?” E ele me contou essa história:

Uma vez, a Escuridão decidiu roubar a Lua. A Escuridão estava cansada da Lua cortando suas sombras e correndo para pegar o sol toda manhã, então um dia a Escuridão subiu e pegou a Lua do céu.

Isso foi muito antes de Beau se tornar Rei, e o Lugar Quieto ainda era muito triste e escuro. O Rei Mau não ligava para os problemas da escuridão, porque a luz da Lua nunca brilhava longe o bastante para preocupá-lo. Tampouco brilhava a luz do Sol. Mas se havia algo que ele queria, era ter o que todo mundo queria ter. Se a Escuridão estava tão preocupada em ter a Lua, isso significava que o Rei Mau queria a Lua duas vezes mais. Então ele chamou seu caçador mais forte e rápido e ordenou que ele trouxesse a Lua de volta. Obviamente, esse caçador era Beau.

Beau saiu tão rápido quanto podia correr, direto para a escuridão. Mesmo então ele não tinha medo, mas ele definitivamente não queria ser devorado caso falhasse.

Essa noite era muito escura porque a Lua não estava mais lá. Muitas pessoas choravam, e os caçadores do Rei estavam ocupados roubando vozes e brinquedos e pessoas perdidas porque ninguém podia ver nada. Isso ajudou Beau a invadir o reino da Escuridão. Ninguém se preocuparia com um caçador caçando, e ele era muito inteligente e jamais seria capturado.

A Escuridão prendeu a Lua no meio de seu coração. Era quase impossível passar pelo reino da Escuridão, e haviam armadilhas e truques que Beau teve que dar um jeito de escapar. Em um momento, ele foi capturado por velhas bruxas. Algumas eram corcundas e enrugadas com cabelos pontudos e dentes podres. Outras eram bonitas, mas tinha apenas vazios onde seus olhos deveriam estar e línguas bifurcadas como cobras. Elas disseram, “Pequeno caçador, nós sabemos por que você veio. Nós poderíamos dizer à Escuridão agora, e ela lhe engoliria inteiro.”

Ele respondeu, “Eu posso lhe dar algo em troca. Algo pelo seu silêncio. Então você não teria que dizer e eu poderia continuar meu caminho.”

“Há apenas uma coisa que queremos”, elas disseram. “Mas se você se importa tanto assim com sua caçada, nós a pegaremos.”

As garras ossudas e as palavras mágicas das bruxas cortaram-no. A dor era terrível, mas pela caçada, Beau deu sua Rapidez. Ele continuou, mas agora era mais devagar e complicado.

Em outra situação, Beau foi caçado por um enxame de besouros com garras afiadas. Ele sabia que eles não parariam enquanto não o devorassem até que nada sobrasse, e sem sua Rapidez, ele não tinha como ser mais rápido. Ao invés disso, ele parou e virou-se para encará-los porque ele não tinha medo. Os besouros cobriram-no. Eles escavaram seu corpo e correram sob sua carne. Eles cobriram seus olhos e tentaram forçar a entrada em sua boca. Os besouros manchavam tudo com sua nuvem escura e o ruído de suas asas era tão enlouquecedor que ele achou que fosse desmaiar. Quando ele falou com os besouros, eles tentaram, novamente, entrar em sua boca e devorá-lo por dentro.

Ele disse, “Eu posso lhe dar algo melhor que meu corpo.”

Eles pararam e perguntaram em uníssono, “O que você tem que nós podemos querer?”

Ele disse, “Eu sou o mais forte dos caçadores do Rei. Vocês podem ter minha Força. Com isso vocês podem pegar milhares de corpos, e não apenas o meu.”

Com isso, os besouros devoraram Beau até que toda sua Força tivesse sido consumida. Novamente Beau continuou, mas agora era ainda mais difícil. Ele não podia viajar muito rápido ou por muito tempo, e ele tinha que ter cuidado redobrado. Se fosse pego, ele não teria como lutar. A Escuridão o consumiria, e então não haveria nada para sempre.

Beau passou pelo reino da Escuridão, procurando por seu coração, por muito tempo. A terra era fria e solitária. Não era silenciosa como o Lugar Quieto. Haviam longos gritos e sombras se movendo por todo o lado. As árvores não tinham folhas nem flores. As únicas luzes vinham de cogumelos venenosos que cheiravam como lixo podre, e a única diferença de terra plana eram as ruínas dos castelos que as sombras haviam conquistado e deixaram ali para se decompor.

O coração da Escuridão não estava onde Beau achou que estaria, mas embora ele tivesse perdido sua Rapidez e sua Força, ele ainda tinha seus sentidos. Na única colina das planícies sem fim, havia uma torre. Era velha e podre, coberta por fungos e pronta para cair a qualquer momento. Perto da torre havia um jardim cercado, e foi aí que ele ouviu o choro dela.

A Lua estava sentada em um grande cogumelo, de costas para ele. Ela chorava, e ela queimava as sombras tanto que eles a acorrentaram. Ela era muito bonita, e ele nunca tinha visto tal luz antes.

Ele disse “Lua, eu vim para lhe buscar.”

Ela se virou para encará-lo, e foi aí que ele sentiu a mudança. Ele quase não podia olhar para ela, sua face era tão perfeita. Ele sentiu que estava derretendo por dentro, e não tinha nenhum Força para parar isso.

“Você vai me salvar?” ela perguntou.

“Não”, ele disse. Ele estava muito triste. “Eu queria que eu pudesse. Não tenho mais Rapidez nem tenho mais Força. Agora, acho que você tomou meus Pensamento também. Eu não tenho qualquer uso agora. Estou vazio.”

Ela sorriu para ele, o que o fez feliz, e ele soube então que não precisava de uma idéia porque a Lua tinha uma. Eles se abraçaram, e quando eles o fizeram ele sentiu que ela habitou seu coração. Ele pegou a Força, a Rapidez e os Pensamentos dela, que eram ainda maiores que os que ele jamais tivera. Em seu coração, ela o mudou.

Com esse novo poder, foi fácil fugir das criaturas e sombras na Escuridão. Elas os caçaram até o Lugar Quieto, mas os outros caçadores e o Rei baniram as criaturas rapidamente. O Rei estava muito animado e fez uma grande festa para honrar Beau. No entanto, quando chegou a hora do prato principal, que seria a Lua, Beau tinha um problema. Agora que ela estava em seu coração, ele jamais poderia deixar que ela fosse devorada pelo Rei Mau.

“Rei”, ele disse. “Se você comer a Lua, a Escuridão não vai mais querer ela.” "Por que não?" o Rei perguntou, incomodado. “Porque ela ainda estará desaparecida. É isso que a escuridão quer. Como ela some não importa. Mas se você a libertar, você terá sua liberdade. Isso é o que a Escuridão quer mais que qualquer coisa”, ele explicou.

O Rei ficou furioso, mas sabia que Beau estava certo. Ter a Lua não era importante, e isso a faria ter um gosto terrível. Então ele fez com que Beau a devolvesse aos céus. A Lua, tendo estado no coração de Beau, não queria partir. Ela chorou e chorou, e isso fez com que Beau ficasse triste. Então Beau manteve um pedaço da Lua em seu coração. Isso o fez rápido e forte e esperto, e fez com que seu interior brilhasse, como era o caso com ela. E ela pegou uma parte da escuridão dele. Assim, eles sempre estariam juntos.

E é por isso que Beau era pálido e tão poderoso. Mas também é por que Beau começou a odiar o Rei Mau.

A próxima história é “O que minha mãe pensa ter visto e por que eu posso ter começado a chorar naqueles dias”, o que é um péssimo título, mas eu não sou muito original. Essa última história foi emotiva porque eu queria mostra que Beau talvez não fosse totalmente mau. Essa próxima, no entanto, me assusta.

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Um Bom Filho

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Sempre fui um bom filho e obedecia todas as ordens da minha mãe, mas depois que ela se foi resolvi ser mais independente e tomar minhas próprias decisões. Um homem de 30 anos já deveria morar sozinho, ter filhos e uma esposa; não tenho e vou ter que começar do zero, pois infelizmente a criação errada que tive me atrasou em muitas coisas. 

Agora que a minha mãe morreu não preciso mais envenenar e enterrar os corpos de seus ex-maridos no jardim. Estou livre, para cometer meus próprios assassinatos.  

Autor: Andrey D. Menezes.

(Bom, essa creepy eu acabei de criar e fiz as pressas só pra deixar um aviso sobre ''Ballet''. Meu irmão formatou o PC sem me avisar antes e a próxima parte acabou sendo excluída então vou ter que reescrever rs, desculpem.)  

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ReficuLfOtseN.com

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N.T.: Começando hoje, vou alternar os updates da Vox e Rei Beau com histórias mais curtas.

ATENÇÃO: Essa história é +18.

Em Setembro de 2008, uma série de suicídios em massa atravessou o planeta. Milhares de indivíduos entre 12 e 24 anos tragicamente encerraram suas vidas por motivos desconhecidos. A idéia de tantos jovens cometerem um ato tão terrível é estarrecedora, e a princípio não havia qualquer explicação sobre esses eventos. No entanto, devido a vazamentos de relatórios dos arquivos mais secretos do governo, é seguro assumir que o culpado pode ter sido um e-mail incomum enviado ao redor do mundo por um indivíduo cuja conta de e-mail não pôde ser rastreada pelo FBI. Evidências coletadas nas cartas de suicídio sugerem que o e-mail tinha um link para um website chamado "reficuLfOtseN.com".

A informação acumulada sobre esses eventos estranhos dizem que o background do website mostrava imagens grotescas do que aparentavam ser cadáveres de crianças, que pareciam ter sangue extremamente vermelho vazando de cavidades oculares vazias, e no centro da página, um único vídeo. Acredita-se que o vídeo muda de forma para cada pessoa que o assista, mas um fator é comum para todos os casos: ele mostra a morte violenta de quem assiste.

Ao serem interrogados, funcionários do Google disseram não ter qualquer conhecimento de qualquer site chamado reficuLfOtseN, e parece que o site estava no ar por apenas um mês antes de fechar por motivos desconhecidos. O site não apareceu no histórico de nenhum usuário, mas não se sabe se eles deletaram o registro ou não.

O que você lerá a seguir é a carta de suicídio do falecido Jason Forsyth, que tragicamente tirou sua vida em 25 de Setembro de 2008.

"Para minha família e amigos:

Eu imploro por seu perdão por esse ato egoísta que irei cometer. Eu só posso esperar que vocês encontrem em seus corações motivos para me perdoar e para entender meus motivos para esse ato. Quando eu recebi esse e-mail, eu achei que não fosse mais que o spam cansativo que costumo receber, e eu cliquei relutantemente no link que estava ali. Eu vi a porra do vídeo. Eu não devia ter feito isso, eu não devia ter clicado, mas minha curiosidade me dominou. Eu apertei play. O vídeo mostrou... Me mostrou... Meu Deus... Eu mal pude assistir aquela coisa maldita. O vídeo me mostrou. Me mostrou sentado ali. Me mostrou sentado à mesa do meu computador quando essa... essa... essa COISA apareceu atrás de mim, e o vídeo ficou vermelho como sangue. A coisa parecia um humanóide pelado sem qualquer genitália visível. A criatura não parecia ter olhos, e abriu... Abriu sua boca e me devorou. Eu gritei conforme eu era devorado. Havia muito, MUITO sangue, aquilo me deixou doente.

Sinto muito."

Algum tempo após o desaparecimento de reficuLfOtseN.com, serviços de inteligência ao redor do mundo receberam um e-mail de um endereço não identificável:

"Não se preocupe, eu voltarei em breve. :)"

Nós não sabemos se esse site irá retornar para a internet, mas apenas por precaução, faça a você mesmo um favor que pode salvar sua vida: Nunca, NUNCA entre em reficuLfOtseN.com.

Você foi avisado.

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Natureza Humana

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6:00 PM, Florida National Forest 

Deren entrou na floresta, ele havia se preparado para essa expedição há semanas. Ele havia planejado nos mínimos detalhes, e até mesmo sabia quais trilhas seguir sem que se perdesse. Derem decidiu ir só, já que não tinha muitos amigos que pareciam dispostos a acompanha-lo. Quando ele os convidou, logo ficaram com uma expressão sombria nos rostos, e acharam que ele estivesse louco. 

“A-acho que não vou,” todos disseram de um jeito apressado e assustado. Era como se soubessem de algo sombrio sobre aquela floresta que ele não soubesse. Voltando ao presente, derem entrou na floresta, já pensando onde ele poderia acampar. 

7:00 PM 

Deren jogou suas coisas no solo coberto por folhas e pegou a sacola com a tenda, limpou alegremente uma parte do local para armar a tenda. Ele usou um martelo de borracha para fixar as estacas no solo macio até se certificar que a lona não sairia do lugar. Então levantou a tenda, verificando se cada parte da estrutura estava no lugar correto. 

Quando ele acabou, o sol já descia no horizonte. Deren afastou-se para admirar seu trabalho. Como já havia montado a tenda, Deren decidiu fazer uma fogueira, enquanto ainda havia alguma luz. Enquanto vasculhava em seus pertences, ele ouviu um farfalhar nos arbustos atrás de si. 

“Olá?” Deren chamou. Não houve resposta. Pensando que fosse o vento, ele voltou-se para sua mochila e encontrou um isqueiro. Ele montou a fogueira e acendeu, sentando após um longo dia de caminhada, para relaxar. Outro farfalhar ecoou pela clareira, dessa vez Deren sacou a Beretta que trouxe para proteção, checando se estava carregada. Havia três balas. O farfalhar tornou-se mais intenso, e mesmo assim ele não conseguia descobrir sua origem. 

“Quem está ai?” Deren gritou, “Está brincando comigo?” 

8:23 PM 

Assustado, Deren atirou em um arbusto. O farfalhar parou, Deren olhou ao redor, não viu nada. Voltou-se para a fogueira e começou a cozinhar sua comida enlatada. 

9:00 PM 

Deren entrou em sua tenda, de estomago cheio, e enrolou-se em seu saco de dormir. Mesmo no conforto de sua tenda, protegido do vento, ele estava congelando. Deren achou que aquele frio era estranho. Ainda era verão, e estava tão frio? Deren deixou de lado o pensamento e enrolou-se como uma bola. Não conseguia se aquecer muito, mas já era melhor que nada. Logo caiu em um sono tranquilo. 

12:38 AM 

Deren foi despertado por um repentino estrondo e um grunhido animalesco, pelo que ele sabia da área, não havia ursos. Silenciosamente, ele saiu saiu do saco de dormir e se aproximou da porta da tenda. No momento que Deren tocou no zíper, as coisas tornaram-se quietas repentinamente. Os sons e grunhidos cessaram. 

Deren estava cansado daquilo, e já estava preparado para por um fim. Ele abriu a tenda, com a pistola em mãos, tudo ao seu redor estava completamente normal, exceto pela sua mochila. Ela estava aberta e seu conteúdo espalhado pelo chão, água, comida, e seu isqueiro estava desaparecido. Sua câmera, que trouxera para filmar aquela floresta maravilhosa, também havia desaparecido.

Deren procurou por toda a clareira, mas não encontrou. Não havia pegadas, ou pelos, e nem evidências de qualquer coisa que tivesse passado por ali. Deren recolheu o resto dos itens espalhados e os colocou de volta na mochila, havia decidido ficar fora da tenda e esperar que o intruso retornasse. Ele sentou-se num tronco e esperou. 

1:01 AM 

Mais uma vez, Deren foi acordado pelos sons e um rosnado, mas dessa vez vinham de dentro de sua tenda. Derem correu para a tenda e atirou nela. Os sons pararam imediatamente mas o rosnado tornou-se mais alto e mais próximo. Deren afastou-se da tenda, tentou atirar mais uma vez, mas estava sem balas. Um flash veio de dentro da tenda, e o rosnado parou. 

Com cuidado, Deren se aproximou da tenda. Não parecia haver nada lá dentro. Ele a abriu e encontrou apenas sua câmera. Estava no meio da tenda, e parecia ser a única coisa fora do lugar. Ele a pegou e ligou, verificando a memória, não encontrou nada fora do normal, até chegar ao fim. 

Na última foto não havia nada além da escuridão e um rosto. Mas o rosto o assombraria para sempre. Pois era o seu próprio rosto.

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Seu trem era pontual

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ATENÇÃO: ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE.

Ela sempre me disse que 4 de dezembro era uma data importante para ela, mas nunca disse o porquê.

“Você saberá quando acontecer”, ela costumava dizer. Então ela embarcaria em alguma viagem. Se fosse um dia útil, ela tiraria folga, se fosse um aniversário, ela se desculparia por não estar lá. Uma vez ela perdeu um casamento, por causa disso. Ela fazia testes profissionais para seu trabalho, e um ano o teste caiu no dia 4 de dezembro, então ela alegou estar doente, mesmo que fosse perder uma fortuna e talvez a chance de ser promovida.

Eu não podia ir com ela, mas deixava que eu a acompanhasse até a estação de trem.

Todo ano ela acordava sem nenhum despertador e se vestia em seu próprio tempo, nunca com pressa, nunca procrastinando. Se eu não acordasse antes que ela saísse de casa, ela sairia sem mim. Às vezes ela saía cedo, às vezes quase à meia-noite.

“Meu trem é pontual”.

Isso é o que ela dizia quando eu perguntava porque não me esperara.

O trem dela sempre era pontual, foi o que pensei. Ela entrava em qualquer trem na estação e seguia nele até o fim da linha. Algumas vezes era uma viagem local para a próxima cidade. Outras era uma excruciante longa viagem para o país vizinho. O trem mais longe foi para Viena, quando ela perdeu uma semana de trabalho e quase foi demitida, por não ter avisado com antecedência. Eu estava feliz que o Transiberiano saiu de uma estação diferente, pelo menos.

Para ser honesto, nunca compreendi. Era sua peculiaridade mais bizarra. Ela não era uma pessoa louca ou aventureira, exceto por esse dia. Mas o amor sempre faz com que vejamos essas coisas como adoráveis e bonitinha, e após alguns anos se tornavam normais. Eu comecei a ficar ansioso por ouvir as histórias quando ela voltava, mesmo que normalmente fossem “passei um tempão no trem e jantei em algum lugar”.

Estávamos juntos a 12 anos quando finalmente entendi. Era um dia nevado e o Siberiano viera algumas semanas antecipado. Ela vestiu seu casaco mais pesado e suas melhores botas, parecendo uma princesa da neve.

A levei até a estação e lhe dei um beijo de despedida. O trem era apenas uma viagem amigável de 3 horas para perto do mar. Ela prometeu tirar uma foto do mar congelado e me mostrar quando voltasse. O frio estava insuportável e esperamos na plataforma como pinguins. O nariz dela estava vermelho, e ela tirou as luvas para segurar meu rosto e nos beijamos mais uma vez. Seus dedos derreteram o iceberg que eram minhas bochechas.

Quando o apito do trem apitou, ela me deixou e se apressou para entrar. O trem começou a se mover assim que ela deu o último passo, mas então ela escorregou em algum gelo no hall de entrada. Ela caiu, escorregando, e mesmo que eu tenha corrido para segurá-la pelos ombros, suas pernas foram imediatamente amputadas pelas rodas.

Ninguém sabia primeiros socorros ou como fazer adequadamente um torniquete, e quando a ambulância chegou, já era tarde. Ela perdera muito sangue para ser salva. Ela estava convulsionando e pouco consciente enquanto a segurava em meus braços, chorando por ajuda. A neve ao nosso redor estava derretendo em vermelho. Pessoas próximas estavam gritando, provavelmente, mas eu pude ouvir seu ultimo suspiro de alguma maneira:

“Meu trem é pontual.”

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

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As crianças mais felizes - Parte Um

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O homem de meia-idade estava caminhando lentamente ao redor da sala, explicando a situação e a evidência drasticamente aos seus colegas de trabalho enquanto examinava alguns pedaços de papéis.
"Este foi um incidente gravado há 6 anos."
O homem levantou os olhos de seus papéis, olhando a confusão sobre a outra pessoa na sala, sentada na mesa comprida. "Este caso era conhecido como o incidente ''Waffle.''
Envolveu um assassinato em massa em apenas uma semana nesta mesma cidade. Isso pode ser exatamente o que estamos procurando".

"Procurando o que, senhor?" Um dos homens falou, encolhendo mentalmente enquanto toda a atenção pousava sobre ele.
O homem de meia-idade deu-lhe um olhar um pouco frio. "Como?"
"Bem", o homem relutantemente levantou-se.
"Eu vi este caso flutuando nos arquivos antes. Ninguém foi confirmado como o causador do estrago. A única suspeita era uma criança que nunca foi encontrada, nem tinha um arquivo de identidade gravado pelo seu desaparecimento ".

"Houve um relatório acusando um colega de classe da criança desaparecida." Ele colocou uma pasta na mesa na frente dele, abrindo-a para tirar uma folha de papel.
"Foi um relatório no início de 2018, alguns meses após o incidente. Esta informação pode ser útil para nós. "
O chefe de trabalho havia arrancado o arquivo do homem de meia-idade, escaneando com olhos grandes para ver o próprio barulho.

-
Mt. Departamento de Polícia Airy, "Waffle"
CASO: Relatório FEB recolhido. 18, 2018.
RECLAMAÇÃO DE TESTEMUNHO: Cameron Laurie Jones, IDADE: 12, Westminster.

 INFORMAÇÕES ESCRITAS por WITNESS:

Gostaria de dizer que acho que sei quem está por trás de todos esses assassinatos. Todas as outras crianças na escola não sabiam disso, mas costumava chamá-la de "Waffle", devido a suas estranhas menções sobre eles durante as manhãs.
Eu acredito que esta é a minha amiga que desapareceu algumas semanas atrás. O nome dela é Faith. Faith Marie Reisdorf. Mas eu vou chamar ela Waffle aqui, considerando que ela gostaria disso, e há provas de que o assassino se chame assim.
Eu deveria começar com a última vez que a vi. Ela tem cabelos ondulados e grossos, com luzes douradas - o cabelo dela é muito longo.
Ela é ligeiramente bronzeada, parece um pouco ameaçadora com a forma de seus olhos em parecerem de gato, mas na verdade não me incomoda.
Os olhos são como um cinza e verde, por sinal. Ela tem um intervalo no meio do dente; você não podia ignorar. Ela sempre usa uma camisola de tamanho grande e botas.
Você vê, Waffle e eu éramos muito bons amigos, e eu estava sempre com ela. Ambos gostamos de desenhar e escrever, embora minha gramática nunca tenha sido realmente estrita.
Ela queria tentar atuar e cantar, mas ela nunca chegou a fazer isso depois que ela desapareceu. Waffle estava sempre nervosa e irritada com as mãos.
Ela estava com um humor sombrio, e sempre foi muito engraçada. Waffle ficou um pouco pervertida e juvenil. Eu sabia mesmo de suas coisas favoritas como pizza e peixes mas ela não parecia entusiasmada quando não tomava suas pílulas.

Ela teve uma vida perfeitamente normal quando mudou-se do Colorado até aqui para a 5ª série. Ela tinha alguns amigos íntimos e um estranho e secreto relacionamento maternal com uma garotinha de 8 anos na família Williams.
Sua vida foi temperada com suas competições de arte vencedoras e algumas questões familiares, como a metade de sua família aqui em Maryland e a outra metade na Califórnia.
O que a atingiu foi quando ela ouviu que a garota Williams estava morta e um de seus outros amigos próximos também faleceu.
Talvez seja por isso que ela tenha começado a tomar as pílulas. Waffle tinha essas pílulas amarelas e ouro que ela pegou, e eu sabia que era suposto fazer com que ela se sentisse mais brilhante e isso funcionou. Na verdade, ela parecia ser o maior raio de sol que andava na Terra.

No entanto, há apenas 2 meses ela começou a agir estranha, REALMENTE estranha. Talvez tenha sido algo que aconteceu quando ela visitou sua mãe para o Natal, ou quando ela desmaiou no Ano Novo, mas tenho a sensação de que era por causa dessas pílulas.
Alguns dias após o Ano Novo, Faith estava babando depois de tomar as pílulas, e seus olhos pareciam enlouquecidos. Ela sempre tremia um pouco, e perguntei ao professor se eu poderia trazê-la para a enfermeira. Nós dois estávamos na mesma classe de matemática para a 7ª série, o que às vezes é útil.
Eu estava empurrando-a quando percebi que ela enfiou o braço rapidamente sob o outro braço, cobrindo-o.  Ela teve que ir para casa cedo e não chegou nos próximos dias. Eu pensei que ela estava doente ou algo parecido com isso. Ela voltou mais tarde, e cada vez que recebeu as malditas pílulas, ela injetou-se com este líquido verde misterioso que eu acho que a acalmou para qualquer coisa que fosse babar.
Ela estava me ignorando por semanas e isso realmente me marcou. Ela ignorou todos, na verdade. Eu mesmo entrei em contato com sua avó mas ela me disse que não estava se sentindo bem no momento.
O último dia em que a vi foi o que realmente me fez acreditar que esse assassino é ela, além do nome que vocês encontraram escrito ao lado da cena do crime. Não se preocupe, eu vejo as notícias também.
Eu estava bastante atrasado para a escola naquele dia e eu acabei tarde também.
Eu terminei meu trabalho e me preparava para sair quando ouvi esse grunhido estranho.
Você poderia quase adivinhar que era um cachorro, mas o tom era tão baixo, mas tão alto ao mesmo tempo. O ruído veio do outro salão, e um súbito e inumano grito de angústia tocou, ecoando.
Me aterrorizou e, rapidamente e silenciosamente, arrastei o canto do olho ao redor do corredor, lançando uma rápida olhada antes de correr.
A criatura - essa coisa - tinha a forma de um cachorro grande marrom e fofo, apenas um pouco maior, amortecedor e com garras aterrorizantes. Virou-se para mim dentro desse curto segundo, quando eu virava para correr.
Os dois olhos eram grandes - os mesmos olhos verdes e cinza e a mesma forma dos olhos. A coisa tinha dois chifres negros que cresciam da boca, curvando-se para cima. As pernas eram delgadas, longas. Tinha duas filas de dentes um tanto afiados, mas contundentes. A coisa é: eu acredito que essa coisa era minha amiga. Minha Waffle.

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Ballet (Part:6 O Sótão Aberto)

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PART1
PART2
PART3
PART4
PART5

O som do carro ligando chama sua atenção, imediatamente corre até o andar de baixo e então vê o carro de sua mãe se afastando da casa. A sua bicicleta está quebrada, então sem pensar duas vezes corre o mais rápido possível entre as árvores para não ser visto. Seus batimentos cardíacos são rápidos como os de um bebê, o suor começa a escorrer em sua testa. 

Alicia para o carro perto da ponte Red Crystal que atravessa um enorme lago. Os ventos leves sopram as folhas das árvores tornando a paisagem um verdadeiro cartão postal, mas com um silêncio sombrio e angustiante; Molly está feliz por sair de casa, mas pensativa sobre o que está por vir. Derick observa sua mãe sair do carro e retirar Molly do banco de trás, a passos curtos elas se aproximam da beira da ponte, Alicia está olhando para o horizonte enquanto se aproxima mais e mais da beirada. 

-Não é lindo aqui minha querida?  
-Muito. Eu estou começando a sentir dores, será que podemos ir agora?
-Você nunca mais vai sentir essas dores.. 
-E por que não?
-Porquê você vai ter o seu descanso, e ele vai ser eterno. 

Molly é empurrada da ponte e caí no lago enquanto Alicia observa cada movimento seu de desespero e agonia, a água entrando em sua boca e abafando seus gritos. Derick pula na água e nada para socorrê-la, sua mãe liga o carro saindo em alta velocidade, deixando marcas de pneu no asfalto. 

Já quase sem energias Molly consegue ser resgatada. Derick a traz para a margem e então começa a lutar para salva-la; cada pressão exercida sobre o peito de Molly parece inútil, seus sinais vitais já não aparecem mais. Num ato de impulso Derick desfere um soco em seu peito fazendo com que ela cuspa toda a água de uma vez; aos poucos sua consciência vai voltando e a primeira visão de seus olhos é o rosto cansado de seu salvador, a única pessoa que a fez conhecer o sentimento tão distante e ao mesmo tempo tão próximo ali chamado amor. 

-Eu tenho que tirar você daqui, nós vamos até sua casa por uma roupa seca e depois vamos até a policia, minha mãe está completamente louca. Tenta ser forte, por mim. 
-Estou sendo forte a muito tempo. 

Derick está exausto, mas ainda tem forças para carregar Molly nos braços, cada passo se torna mais pesado e a fadiga só aumenta, mas seu sentimento é maior que qualquer limitação física, é nítido e admirável seu esforço. Alguns metros depois eles chegam até a casa de Molly e novamente o carro de Alicia está lá, mas o que ela pretende ali? É a pergunta que ambos se fazem. 

Ao entrarem na casa notam que tudo está revirado e mais desorganizado que o normal, Molly é colocada novamente em cima de sua velha poltrona e Derick sobe as escadas, com um aperto no peito a cada degrau subido. O que sua mãe poderia estar fazendo ali depois de tudo o que tinha feito na ponte? 

A luz no fim do corredor está acesa e a porta do sótão aberta. O cadeado jogado no chão ao lado dos sapatos verdes de Alicia, nada daquilo faz sentido, não teria como ela abrir sem o alicate que ainda está no mesmo lugar em que ele havia deixado, a não ser que ela tivesse a chave. 

‘’- Se a minha mãe abriu a porta é porque tem a chave, mas por qual motivo?’’ – ‘’O que tem naquela merda de sótão?.’’

Seus passos úmidos seguem em direção ao fim do corredor, a curiosidade já não é tão presente como antes e agora o medo começa a chegar. Um medo que só aumenta com o passar dos segundos. Derick sempre foi corajoso, era o homem da casa, porém em sua mente não era possível acreditar que a sua própria mãe seria um terror em sua vida. Seu pai morreu quando ele ainda era criança, caiu da escada depois de ter uma queda de pressão e naquele dia Alicia disse que ele seria o novo homem da casa. A responsabilidade colocada em cima dele era enorme, mesmo não tendo irmãos ele queria ser o exemplo de alguém e sempre fazia questão de demonstrar força em momentos tristes para que sua mãe não ficasse tão ruim. 

(Continua..) 

Autor: Andrey D. Menezes. (Senhor Youtuber não esqueça de creditar na descrição.<3) 

(Espero que estejam gostando, estou me dedicando tanto a essa creepy, vocês não tem noção! É a segunda maior creepy que faço eu acho e estou fazendo tudo com muita calma.. Espero que estejam gostando, falta pouco pro fim :) 

( Já estou pensando na próxima creepy kk e em 2018 quero compartilhar com vocês um projeto que está sendo feito :) 

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