Finalmente Acordado - Final

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Parte 1 - Parte 2

Ele viu, ao lado do pé da cama do hospital, uma grande porta de madeira abrindo rapidamente, fazendo um barulho muito alto. Viu apenas uma luz, logo acima de sua cabeça, tão forte que o fez fechar seu olho restante a fim de evitar que este ficasse ruim também. O doutor dizia o nome de alguns instrumentos. Ele tentou acompanhar o que diziam, mas parecia que falavam outra língua. Ele sentiu como se fosse desmaiar. Sua fraqueza aumentava muito e seu corpo pesava, e ele sabia que estaria inconsciente em pouco tempo. No entanto, se sentiu bem com isso. Pelo menos, se dormisse, não sentiria a imensa dor que o atormentava. Abriu lentamente seu olho esquerdo. Dessa vez, pelo menos, não foi tão difícil.

Ele começou a ouvir alguns bipes frequentes, já que estava ligado a um monitor cardíaco. Ele não via a máquina, pois estava em algum lugar ao seu lado, mas conseguia imaginar o gráfico que suas batidas cardíacas faziam. Sentiu um tubo sendo enfiado em sua garganta. Aquilo arranhava, era desconfortável. Contudo, a dor que sentia em todo o resto de seu corpo ia muito além daquilo. Sentiu uma leve ânsia de vômito. O tubo já estava dentro dele antes que percebesse. O homem de óculos escuros se movia rapidamente, suas luvas de látex cheias de sangue. A enfermeira perdera sua expressão assustada, trocara por uma de determinação. Esta seguia ordens em certa velocidade logo que lhe eram dadas, assim como as outras três pessoas que haviam se juntado a eles para ajudar.

O monitor cardíaco começou a desacelerar. Suas pálpebras começaram a ficar pesadas. Ele ouviu o homem de óculos escuros:

-Me dê o desfibrilador, ele está morrendo! - gritou a um dos assistentes

Ele começou a pensar consigo mesmo. "Não! Não posso avisar minha família sobre a figura que vi enquanto ia pra casa. O que ela fez comigo? O que ela faria com ELES?"

Ele ouviu o bipe se transformar num som contínuo. Viu um rosto cruel, frio e sombrio com olhos pretos grandes e profundas rugas verticais que mais pareciam fendas. Não havia boca alguma. Ele se lembrara do rosto daquilo que o deixou do jeito que estava. 

Ele fechou o olho.

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Não O Veja

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Eu tenho pensado nele – ou nela – durante toda a semana. Não consegui dormir e muito menos comer. Larguei meu trabalho (acho que “parei de ir” ficaria mais adequado) então presumi que não esteja mais empregado lá. Meus olhos se afundam nas olheiras e eu sento em frente ao meu computador dia e noite tentando me manter entretido, e mais importante, acordado.

Se eu dormir, temo que nunca acorde. Tenho medo que ele – ou ela – vá me encontrar. Não sei o que quero dizer com “encontrar”. Não acho que esteja por aí tentando encontrar qualquer coisa ou pessoa, mas de qualquer forma, não saiu da minha mente desde aquela noite. E eu tenho medo de que não saia nunca... Medo... Não sinto medo há anos, na verdade, desde que eu era uma criança.

Café, bebidas energéticas e doces que restaram da noite de Halloween não são mais suficientes. Estou simplesmente digitando para ficar acordado agora, não sei mais o que fazer. Cada vez que eu fecho meus olhos eu vejo. Não é ameaçador, nem raivoso, mas a simples presença dele manda arrepios por toda extensão do meu corpo, tenho pensamentos correndo na minha cabeça e eu acho que o único jeito de ter algum tipo de paz é digitando eles aqui... Até porque eu não tenho nenhuma outra escolha, são quase quatro da manhã, meu apartamento está vazio, nada pode ser escutado além do ronco do motor da geladeira, e esse som é tranqüilizante.

Então, devo explicar essa experiência minha apenas para tirá-la de mim, da minha cabeça. Talvez quem estiver lendo possa entender exatamente o que aconteceu, ou apenas sentir conforto no que eu vi... Porque eu ainda não tenho certeza se o que vi foi imaginário ou real, talvez eu consiga dormir depois de contar tudo aqui.

Vivo nesse bairro desde que eu era criança e conheço tudo por aqui, depois de me formar na faculdade ano passado eu voltei para o mesmo bairro para morar com a minha mãe, ela me ofereceu um lugar para ficar até que eu conseguisse estabilizar a minha carreira ou um trabalho que pagasse um salário digno. Desde então tenho procurado por trabalho que me pagasse pelo menos um salário razoável até que eu conseguisse seguir a minha carreira, e depois de trabalhar como vendedor por algum tempo, meu carro começou a apresentar problemas devido às grandes distâncias que eu percorria, e eu percebi que precisava de um trabalho mais perto de mim, já que não poderia mais contar com o meu veículo.

Em menos de uma semana eu consegui um trabalho numa loja de departamento filiada com o Shopping local a apenas alguns minutos de distância da minha casa. Varejo nunca foi um grande interesse pra mim, porque sempre fui introvertido, mas eu precisava de algum trabalho, mesmo que ganhasse pouco, enquanto isso eu vendi meu carro e comprei uma bicicleta, guardando o resto do dinheiro para qualquer outra necessidade.

Não demorou muito para que eu começasse a odiar esse trabalho, eu não pertencia ali. Meu departamento era voltado para mulheres e as pessoas que trabalhavam comigo eram mulheres de meia idade com problemas na coluna. Ninguém falava comigo ou descobriu meu nome durante os três meses e doze dias que eu trabalhei lá. Eu estava irritado com a situação, mas tentava sempre ver o lado positivo da situação: Era o trabalho mais próximo que eu já tive, e não ter que pagar pelo seguro do carro ou gasolina me fez salvar muito dinheiro, os turnos eram curtos e as horas de trabalho, poucas.

Essa noite em particular, a noite que fica se repetindo na minha cabeça, aconteceu há mais ou menos uma semana atrás. Era Sexta-Feira, e eu estava fechando a loja naquela noite, sabendo que sairia tarde. Havia muitos clientes e por essa razão nós continuamos com as lojas abertas até as 23h00min, mesmo sabendo que o Shopping fecha as 21h00min e o nosso horário de trabalho só vai até as 22h00min.

Contei o dinheiro do meu caixa e comecei a ajudar os outros empregados a organizar e limpar os departamentos; lembro-me daquele ser um momento calmo, quando a loja é fechada, a maioria da luzes são apagadas, mas a musica continua enquanto nós limpamos e organizamos.

Nessa noite, não havia música. A loja estava escura e simplesmente calma, não necessariamente misteriosa, mas manteve o mesmo tom pelo resto da noite. Eu decidi começar pela sessão masculina, já que aquela era a única parte da loja em que eu me sentia confortável (geralmente me obrigavam a embalar calcinhas femininas, um pouco estranho) e comecei a dobrar as camisetas que estavam ali, tudo estava bagunçado, como se um tornado houvesse passado lá.

Depois de organizar todo o local dei uma olhada rápida ao meu relógio e percebi que eram quase 00h00min, geralmente nós acabamos de limpar e o gerente da loja vem nos dizer que podemos ir embora, e assim o fiz, esperando calmamente perto da sessão de utensílios até que ele veio e me liberou.

Geralmente, sete ou oito empregados fecham a loja toda noite e essa noite não foi diferente. Nós todos fomos até a sala de descanso onde nosso gerente conversou rapidamente conosco até a hora exata de sairmos dali, ele falou sobre as vendas e os lucros, mas para ser sincero, eu geralmente não presto atenção nessas coisas. Apenas observei meu celular (que já estava quase morto) e me posicionei perto da porta, para que pudesse sair dali.

Quando tudo havia sido dito, nós todos saímos juntos e caminhamos até o estacionamento... Desculpe, eu me esqueci de mencionar que esse departamento está dividido em duas partes. A maioria das pessoas estaciona no segundo andar, porque lá estão os escritórios. Eu, por outro lado, acorrento minha bicicleta no primeiro andar, então, me separei deles e tomei a minha direção de sempre. Eu não consigo me encaixar nesse trabalho, então para mim é muito adequado caminhar sozinho até minha bicicleta enquanto todos os outros vão juntos por outro caminho.

Enfim, eu continuei caminhando até alcançar o estacionamento, que estava deserto e escuro, obviamente devido ao horário. Parei lá fora por um momento e fechei o zíper do meu moletom. A noite estava calma demais – e fresca – o que é normal aqui para as noites de outono. Observei a rua e notei uma pequena loja de Halloween, um banner grande dizia “Cidade de Halloween” e as janelas estavam cheias de frases intimidadoras, pinturas e máscaras de palhaços assustadoras.

Sorri enquanto alcançava minha bicicleta, me perguntando qual fantasia usaria para o Halloween desse ano, talvez eu e minha namorada pudéssemos criar algo juntos.

Pulei na bicicleta e comecei a pedalar próximo ao passeio e não demorou muito até eu perceber que minha bicicleta estava lenta. Olhei para baixo e notei que meu pneu da frente estava murcho, olhei para trás e percebi que o outro não estava diferente. Aproximei-me dos pneus e os analisei calmamente... Será que eu havia passado por cima de algum pedaço de vidro no caminho da minha casa para o trabalho? Acho que não... Também acho que não tenho o dinheiro suficiente para comprar pneus novos para uma bicicleta que comprei há apenas alguns meses atrás.

Enquanto eu tentava achar uma solução para aquele problema, percebi que os pneus estavam sem as tampas de ar. Eu as perdi? Alguém as roubou? Quem roubaria duas tampas de ar?

Independente disso, eu não ia conseguir seguir o meu trajeto inteiro naquela bicicleta. Minha casa estava a apenas 20 minutos de distância dali, a única coisa que faria essa caminhada ser desconfortável seria o vento forte da noite. Desde o momento que eu saí da loja o vento tocou meu rosto de forma não muito amistosa, rugindo como em desprazer. Subi na bicicleta novamente numa tentativa frustrada de conseguir chegar em casa mais rápido, mas depois de algumas pedaladas percebi que não iria dar certo, saindo da bicicleta novamente e terminei de fechar o zíper – por completo – e voltei ao meu trajeto, caminhando desta vez.

Continuei caminhando em uma rua que é geralmente movimentada, mas não havia sequer um carro ali. As luzes da rua estavam diferentes e nenhuma pessoa em um carro há alguns metros de distância poderiam me ver ali. Como eu mencionei anteriormente, eu cresci nesse bairro e eu o conhecia muito bem... Já que estava tão frio, decidi caminhar por outras ruas onde o vento não me fizesse sentir tão desconfortável, sem mencionar o fato de que toda vez que eu caminho numa principal me faz sentir como se eu estivesse vulnerável.

Decidi isso em voz alta – como geralmente faço quando estou sozinho – e continuei conversando até alcançar o final do quarteirão e cortar caminho por um beco que me levou para fora da área de comércio e me colocou diretamente no meu bairro.

Dois pequenos Shoppings abandonados e um banco – também fora de uso – faziam parte do beco, na verdade, todo o caminho que tomei para sair da rua principal até o meu bairro era composto por pequenos becos, e esse particularmente poderia parecer ameaçador para algumas pessoas. O chão estava partido em algumas partes e ratoeiras descansavam por quase toda extensão do mesmo, apenas quatro ou cinco lâmpadas amarelas iluminavam o caminho, fazendo com que grande parte do beco ficasse obscuro... Um prato cheio para ladrões, mas para ser honesto, minha aparência não era a mais inocente de todas e não me sentiria intimidado com pouca coisa, talvez essa atitude tenha me levado até onde eu estou agora.

Enquanto eu caminhava e continuava a conversa comigo mesmo, alcancei a esquina do próximo beco e me virei, arrastando minha bicicleta comigo e continuei caminhando no ritmo que eu já estava. Quando olhei para frente, notei uma figura a alguns metros de distância de mim, na metade do beco, e parei automaticamente – porque eu não queria intimidar a pessoa – afinal, um cara de barba com um moletom preto e capuz na cabeça andando em um beco escuro não diz necessariamente que eu sou uma boa pessoa.

Pensei em dar a volta e caminhar na direção oposta, caminhando ao redor do quarteirão, mas ao observar melhor, percebi que a figura estava de costas para mim, caminhando na mesma direção que eu. Esperei até que caminhasse embaixo de uma lâmpada para que eu pudesse analisar perfeitamente o “tipo” de pessoa que seria. Eu posso até parecer intimidante, mas talvez ele também parecesse, e se esse fosse o caso, eu daria a volta pelo quarteirão.

Melhor prevenir do que remediar.

Percebo que está caminhando lentamente, talvez caminhando não seja a palavra adequada... Acho que “mancando” seria mais apropriado... Enfim, depois do que parecem eternos minutos, ele finalmente caminha embaixo de um poste de luz e assim que a luz o alcança, algo perturbador atinge meus olhos. Eu consigo enxergar algo parecido com um cidadão idoso caminhando sem roupa nas ruas. O corpo parece entroncado e decrépito, as costas estão arqueadas e a pele franzida e esticada... Um dos braços parece estar dobrado enquanto o outro apenas se balança conforme o corpo se movimenta, e o jeito de andar... Se é que eu posso chamar aquilo de andar, parecia mais um cambalear agora. Como se cada passo estivesse o obrigando a fazer esforço demais e isso faz com que ele se mova de forma extremamente lenta.

Por alguma razão eu deduzi que fosse uma mulher idosa e a minha mente viajou para a casa de idosos que ficava a apenas alguns metros de distância dali, talvez ela houvesse escapado no meio da noite? Talvez fosse sonâmbula, isso explica o fato de ela não estar vestindo nenhuma roupa. Tirei meu celular do bolso e tentei desbloquear a tela, mas a bateria estava morta. Isso geralmente acontece com meu celular quando eu fico mais tempo que o normal no trabalho; olhei ao redor e não vi nenhuma pessoa ou veículo ali além dessa mulher e eu, então guardei meu celular novamente e continuei caminhando no beco, minha curiosidade tomando todo o lugar que deveria ser ocupado pela razão.

Caminhei calmamente atrás dela, mas não importa o quão devagar eu fosse, parecia me aproximar cada vez mais dela mesmo tentando manter a distância.  A mulher parecia realmente não ter notado que eu estava ali...

Quanto mais próximo eu chegava mais nitidamente podia enxergar o que estava a minha frente, eu me lembro dos detalhes... Os ombros esguios e ossudos, a espinha parecia quase sair da pele em sua posição torta. O pescoço estava numa posição quase horizontal e a cabeça lembrava vagamente a de um urubu procurando a próxima carcaça; o corpo no geral parecia estar sofrendo com algum tipo de atrito, foi nesse momento que percebi que já havia alcançado a metade do beco. Minha bicicleta fazia barulhos de “clicks” com cada passo que eu dava, e ainda assim eu parecia invisível para aquela mulher. Eu estava assustado, mas também intrigado, não me sentia intimidado por essa pessoa, aliás, a única coisa que eu conseguia sentir por ela era pena.

Continuei caminhando pelo beco e chegando cada vez mais perto dela, cada vez que eu a observava encontrava detalhes diferentes e absurdos; a pele estava marcada, coberta por manchas escuras, verrugas e veias que pareciam teias de aranha, descansando na pele dela como se fossem parte do corpo dela há muito tempo. Pelo braço que se balançava com o movimento do corpo, observei dedos longos e esguios e as unhas eram amareladas e gigantescas. A noite parecia ainda mais silenciosa, e quando me aproximei novamente pude ouvir suspiros abafados, era delicado, mas assustadoramente único. Lembrei instantaneamente dos tubos que eu costumava usar quando era criança, eles faziam um barulho específico, parecido com esse.

Enquanto eu continuava caminhando, analisei a cabeça. Em algumas partes parecia não ter cabelo, o que me fez pensar que era um homem... Afastei-me um pouco e tentei alcançá-lo – ou alcançá-la – pela lateral, tentando formar uma imagem de perfil específica, e por um momento eu quase queria que ela me notasse. Quando alcancei a posição que tanto queria avistei o que parecia uma longa e agressiva protuberância; eu associei a cabeça de um cachorro, as orelhas quase como de elfos, mas abaixadas, e a boca estava aberta, tentando – ou não – formar um sorriso forçado. Como se estivesse posicionado para uma foto de família durante mais tempo que o normal, os olhos eram negros e grandes, e pareciam posicionados na lateral da cabeça.

Depois de observar sua expressão facial e inspecionar seu corpo novamente, meu cérebro decidiu que isso não poderia ser um ser humano. Parece que eu levei tempo demais para perceber aquilo, e foi aí que a súbita sensação de medo correu por todo meu corpo. Eu estava no beco por pelo menos dois minutos, mas já parecia como uma eternidade; diminui a velocidade dos meus passos e me posicionei atrás da criatura novamente, notando que quase ao final do beco havia mais um poste de luz e percebi que estava tremendo e respirando rapidamente – e não era por causa do frio –. Estava a apenas alguns metros de distância quando pensei em correr para o lado oposto o mais rápido possível...

Eu estava preso em um beco escuro com uma criatura que não conseguia identificar e uma bicicleta incapaz de me ajudar a escapar mais rápido. Tentei pensar em uma forma de escapar dali, o mais metódica possível...

Quando de repente, a criatura parou.

Eu hesitei rapidamente, e lá ficou parada a coisa, embaixo da lâmpada. Sua forma animalesca e sua pele pálida totalmente visível pra mim, as pernas contorcidas e trêmulas, a cabeça encarando o chão, e a respiração fazendo um barulho muito mais alto.

Parecia que havia se passado horas, mas eu provavelmente me congelei por alguns segundos. Não pensei, mas precisava fazer alguma coisa, eu precisava sair dali.

Então respirei fundo e voltei a caminhar sem pensar no que estava parado ali, passando ao lado da criatura, deixei minha cabeça abaixada, mas quando eu estava à frente dele – daquilo – não pude evitar olhar com o canto dos olhos. Ficou parado lá em silêncio e eu encarei os pequenos dentes amarelos saindo da boca dela, daquele sorriso forçado... E então nossos olhos se encontraram, mas ela não podia me olhar nos olhos por mais de alguns segundos, parecia quase com vergonha de si mesma. Eu não posso dizer que não senti pena dessa... Criatura.

Assim que passei por ela tentei me convencer de que continuar caminhando normalmente seria a melhor opção, mas logo falhei no meu objetivo, correndo de forma quase devastadora até alcançar a próxima rua. Respirei fundo diversas vezes e olhei para o beco novamente, tendo certeza de que estava a uma distância razoável, e mesmo sabendo que eu estava tremendo de medo do que eu havia encontrado eu fiquei parado próximo dali por quase dez minutos esperando que a criatura saísse do beco em algum momento.

Olhando para trás consegui ver a imagem dela ainda lá parada, mas de uma distância maior, distinta, quase uma sombra. Aquilo era suficiente, e eu queria ir para casa, mas chegando lá não consegui dormir como queria... Ainda não consigo, também não sei se aquilo realmente aconteceu, se eu realmente encontrei aquela criatura na noite de Sexta-Feira.


Uma parte de mim quer voltar ao beco só para ver se não consigo encontrá-la mais uma vez, mas isso só traria mais vergonha para a criatura... Como se só o fato de ter sido visto fosse castigo suficiente para nós dois.



credits

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Ecolocalização humana

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Sou cego desde que nasci. A história em si não é sobre isso, mas esta é uma parte crucial. Ao longo da minha vida eu tenho usado diferentes tipos de tecnologia assistencial; teclados em braille, aplicativos por comando de voz, smartphones adaptados... Recentemente, eu tentei ecolocalização humana pela primeira vez na minha vida. Para aqueles de vocês que não sabem o que é isso, é uma técnica que emula o modo como morcegos encontram suas presas no escuro. Ao fazer estalos com a boca, você é capaz de ouvir o som refletido dos objetos atingidos, e dessa forma "ver" onde os objetos estão. Uma amiga minha, vamos chamá-la de "J", tinha visto alguns vídeos sobre o assunto no Youtube, e me perguntou se eu já tinha tentado isso. Eu lhe disse que não tinha, embora eu tenha ouvido falar sobre isso.

Para encurtar a história, eu decidi testá-lo. É necessário muita concentração no início, mas depois de alguns dias eu senti que começava a pegar o jeito.

No meu seguinte encontro com J, ela parecia animada e me parabenizou quando eu disse a ela que eu estava indo muito bem. A prática leva à perfeição, e eu era capaz de evitar os principais obstáculos sem muita dificuldade. Nós fomos a um parque, e J me pediu para demonstrar o que eu podia "ver" ao nosso redor com minhas habilidades atuais. Eu ri, e disse a ela que eu não era exatamente o Demolidor, mas que eu iria lhe dar uma amostra. Depois de alguns estalos, eu lhe disse que achava que havia um pequeno muro ou construção a nossa esquerda, e uma coisa alta a nossa frente. Era um borrão, então eu imaginei que era algum tipo de arbusto. J então ficou quieta, e tinha uma pitada de preocupação em sua voz quando ela falou de novo. "Bem, você está certo sobre a parede... mas não há nada na nossa frente. Apenas... grama."

Eu congelei. Eu sabia que era novato nisso, mas o som refletiu claramente em alguma coisa. Ele era muito mais alto do que uma pessoa, e estava apenas a poucos passos a nossa frente. Eu poderia ter confundido tanto assim o que eu ouvi?

Eu decidi brincar com a J, e disse que aparentemente eu ainda não estava pronto para sair e combater o crime. Me sentindo muito desconfortável, nos tirei de lá apressadamente, e nós continuamos nossa caminhada. Quando ela me deixou em casa, parecia que ela havia esquecido sobre isso. Duvido que um dia esquecerei.

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Traduzido daqui.

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A Portadora da Canção

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Em qualquer cidade, em qualquer país, vá para qualquer instituição mental ou casa de repouso onde você possa entrar. Quando chegar a recepção, peça para visitar uma mulher que se intitula de "A Portadora da Canção". Você será guiado para uma longa escadaria em espirais mais altas do que o prédio em que se encontra. No fim das escadas há uma porta.

Quando você abrir a porta, uma súbita onda de calor percorrerá seu corpo vindo de dentro do corredor. Prossiga pelo corredor. Enquanto você anda, o ar em torno de você vai parecer cada vez mais frio. Até fazer você se sentir como se estivesse envolto em gelo, você deve estsr bem, ainda assim, permaneça em silêncio e de ouvidos atentos. Se enquanto anda pelo corredor, ouvir um choro de bêbê, vire-se e corra. Nenhum mal te acontecerá, mas o choro de bêbê irá seguí-lo aonde quer que vá. Se você ouví-lo chorando pelo resto da vida, considere-se com sorte. Se e quando ele parar, seu filho primogênito morrerá.

Se você não ouvir o choro de um bêbê, espere o corredor voltar a se aquecer e em seguida, avance. Ao final, encontrará uma porta. Entre.

Será um quarto inundado em luz verde. No seu centro, verà uma velha girar a manivela de uma caixa de música em silêncio. Ambas as suas pernas foram cortadas na altura dos joelhos. Quando você falar comela, deve olhá-la nos olhos. Ela esconde uma lança formada a partir de ossos de suas pernas, quebre o contato visual, e ela vai empalar-lo com a lança e deixá-lo-á sangrar até a morte, em uma agonia aparentemente interminável. Ela responderá somente a uma única pergunta: "Qual foi a música que eles usaram para jogar?"

A velha vai começar a cantar em um idioma que não é deste mundo. Sua melodia será a mais bonita que você já ouviu, trazendo paz e serenidade para a sua mente, corpo e alma. Você vai vividamente imaginar um bando de crianças despreocupadas tocando e cantando, inocentes como podem ser... E em poucos minutos, a cena vai, eventualmente, dar uma volta terrivelmente sinistra. As crianças começam a lutar entre si, e o conflito vai tornar-se o mais brutal, uma violência letal, a pior que se pode imaginar. Eles vão empalar uns aos outros em postes de madeira, estripar uns aos outros com pedras afiadas, e até mesmo rasgar a carne dos ossos com as próprias mãos. Você vai testemunhar essas crianças, agora apenas farrapos de si mesmos, espalhando morte e destruição das quais você jamais poderia imaginar em seu próprio país. Você verá um menino nu, encharcado de sangue, cantando com prazer como ele funciona através de um deserto infernal, perseguido por monstros indizíveis. Eles vão ultrapassá-lo e destruí-lo completamente.

No entanto, inexplicavelmente, você vai manter a calma, mesmo enquanto assiste a essa brutalidade indescritível.

Quando estas visões horríveis acabarem, sentirá uma dor intensa, como se fosse uma facada em seu peito. Sentirá como se seu coração estivesse prestes a explodir. Não deixe que a agonia faça-o perder seu foco, não deixe de manter contato visual com a mulher velha. Se você permanecer firme em seu olhar, a dor acabará. A mulher vai se levantar(mantenha seus olhos ainda focados nos dela) e colocar a caixa de música em suas mãos.


A caixa de música, é o sexto objeto de 538. Quando sua música tocar novamente, todos eles se reunirão.

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O pesadelo

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"Papai, eu tive um pesadelo!" Você pisca os olhos e se apoia nos cotovelos. Seu relógio brilha na escuridão - são 03:23.

"Você quer subir na cama e me contar como foi?"

"Não, papai."

A estranheza da situação te acorda mais plenamente. Você mal pode identificar a forma pálida de sua filha na escuridão de seu quarto.

"Por que não, meu amor?"

"Porque no meu pesadelo, quando eu te conto sobre o sonho, a coisa vestindo a pele da mamãe se senta." Por um momento você se sente paralisado; você não pode tirar os olhos de sua filha. As cobertas atrás de você começam a mexer.

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Um estranho caso

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Em 1957, duas irmãs, Joanna (11) e Jacqueline Pollock (6), foram tragicamente mortas em um acidente de carro em Northumberland, Inglaterra. Um ano depois, a mãe delas deu à luz as gêmeas Jennifer e Gillian. O interessante, é que a gêmea mais nova, Jennifer, tinha marcas de nascença nos mesmos locais onde Jacqueline as tinha. Porém, as coincidências não param por ai. Felizmente, as outras várias coincidências não são tão terríveis quanto estas duas: 

Depois de um bom tempo, as gêmeas começaram a pedir os brinquedos que pertenciam às meninas mortas, os quais elas não sabiam que existiam, e mostravam interesse de visitar um parque onde nunca estiveram. Um respeitável psicólogo daquele tempo, Dr. Ian Stevenson, estudou a fundo o caso das gêmeas e concluiu que provavelmente as gêmeas eram reencarnações de suas falecidas irmãs. 

A STRANGE CASE
In 1957, two sisters Joanna (11) and Jacqueline Pollock (6) were tragically killed in a motor accident in Northumberland, England. One year later, their mother gave birth to twins Jennifer and Gillian. Remarkably, the younger twin, Jennifer, had birth marks on her body in exactly the same place as Jacqueline had them. The coincidences don’t stop there, either.
Thankfully, they aren’t as terrifying as these two.
Before too long the twins were requesting toys belonging to the deceased girls which they had no prior knowledge of, and desiring to visit a park they had never been to. A well-respected psychologist at the time, one Dr. Ian Stevenson, studied the case in-depth and concluded it was likely the twins were reincarnations of their departed sisters.
SOURCE AND MORE CASES OF REINCARNATION 
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A Companhia

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Nós todos sabemos o que é um porão assustador. Nós todos sabemos o tipo de sentimento que nos alcança quando desligamos as luzes antes de correr pela escada, rezando para que nada agarre nosso tornozelo até que nós alcancemos o último degrau.

Quando criança é normal ter medo de lugares escuros da sua casa, aquele lugar mais “gelado” e escondido onde ficam guardadas as decorações de natal durante todo o ano. Acho que “horripilante” não descreve... Palavras como “perturbador” e “bizarro” são mais adequadas.

No entanto, para mim, havia um local mais assustador do que todos os outros: nosso mais novo banheiro – se localizando no porão – que a meu ver guardava apenas pedaços de parede arrancados, um odor de sujeira que parecia se agarrar a qualquer pessoa que entrasse lá e aranhas do tamanho de ratos em cada canto, e às vezes, se enfiando nas suas meias.

Eu tinha que descer uma escada que rangia demais, coberta com um carpete que não seria visto em toda extensão, já que a maioria dela não era alcançada pela luz, até chegar ao banheiro. Lá, eu tomaria banho todas às manhãs; , eu me protegeria com a porta fechada, o único resquício do banheiro antigo que ainda estava lá.

Naturalmente, a porta seria a última parte a ser substituída... A parte do banheiro que não era como as outras, e teria que ser substituída – meus pais disseram que “seria apenas por um dia” – o que significava uma noite, uma manhã e um banho onde eu não teria a porta para me proteger. Ela seria retirada e eu teria que esperar até que uma nova porta chegasse.

Eu não perderia esse dia... Só de pensar nele me faz querer dormir mais cedo, ou talvez nem dormir.

Eu abri o chuveiro, permitindo que o primeiro jato de água gelada saísse e alguns segundos depois, apenas água quente e relaxante saia dali. O chuveiro é igual todos os outros – era o que eu dizia para mim mesmo – entrando no Box e o fechando em seguida.

Observei os objetos que agora descansam do outro lado do vidro, completamente distorcidos, e sem a porta do banheiro no devido lugar, consigo quase que nitidamente ver a lavanderia. Eu me movo, ainda observando as coisas pelo vidro e tudo que pareço enxergar são criaturas pequenas contorcendo-se umas com as outras, sabendo que aquela era a hora de atacar.

Existe um tipo específico de sentimento que parece tomar todo o corpo de uma determinada pessoa assim que uma presença distinta é notada; você tenta não chamar atenção, como ficar congelado em uma determinada posição, mas o “gelo” parece querer quebrar, então você tenta não se mover, tenta não respirar.

Eu estava assim naquele momento.

Eu entro de forma determinada embaixo do chuveiro, me arrepio enquanto meu corpo se mantém quente na água e estremeço quando percebo o quão gelado meus dedos do pé estavam.

Derramo um pouco de Shampoo em uma das mãos e o aplico no meu cabelo, rapidamente me enfiando embaixo do chuveiro novamente e abrindo meus olhos o mais rápido possível, só para ter certeza de que as coisas do outro lado do vidro ainda são as mesmas... Mas fechar os olhos é inevitável, e eu repito a ação, ainda lavando meu cabelo furiosamente para poder abri-los novamente.

Com apenas quatro sentidos trabalhando, eu começo a entrar em pânico, e é nesse momento que a água – que até aquele momento estava deliciosamente quente – fica gelada. Afasto-me rapidamente da mesma, e minha boca se abre automaticamente enquanto eu solto um pequeno suspiro. Viro-me de novo, colocando uma das mãos embaixo d’água e esperando que ela voltasse à temperatura normal.

Ainda estou esperando, e ainda está gelada.

Eu até teria desligado o chuveiro e ligado novamente, ou esperaria mais um pouco para ser recompensado com um jato de água quente.

Isso teria acontecido se já não houvesse uma mão no puxador.

Abri meus olhos imediatamente enquanto parecia que cada músculo do meu corpo tentava atravessar minha pele, logo depois veio o ardor e tão de repente quanto ele, raios de luz pareciam alcançar meus olhos e meu rosto. Eu precisava abrir os olhos, mas não conseguia.

Existe um tipo específico de sentimento que te atinge quando você percebe que está em perigo, mas não pode usar seus sentidos.

Parece com o sentimento que te acompanha quando você acorda no meio da noite depois de ouvir um barulho e não consegue achar o interruptor da lâmpada no escuro; você se arrasta pra fora da cama e caminha nas pontas dos dedos em total escuridão, acender a luz é seu único pensamento, mas por algum motivo o interruptor parece te enganar... Sua mão procura freneticamente nas paredes, seu coração bate tão forte que parece te ensurdecer enquanto você caminha pelo lugar em círculos.

Atualmente, esse sou eu.

Isso tudo é demais pra minha mente, estou tremendo enquanto me encolho no chão do banheiro, aquela sensação... Como se aranhas caminhassem em toda extensão do meu corpo enquanto eu espero que alguém toque minha pele molhada. Meus olhos ainda queimam e eu tento pegar um pouco de água gelada que ainda saia do chuveiro, jogando-as em meus olhos, tentando abri-los ao mesmo tempo. Pisco algumas vezes com meu rosto virado para baixo e tento capturar toda coragem possível para fixar meus olhos no puxador, e enquanto a água gelada ainda me atingia percebi que a mão não estava mais ali.

Era como se a vida houvesse retornado ao meu corpo.

Eu estava quase convencido de que havia imaginado tudo, eu teria levantado e terminado meu banho no – agora – jato de água quente que saia dali e com todos os meus sentidos funcionando.

Isso teria acontecido se um vento frio não houvesse entrado no Box e alcançado minha pele, fazendo com que um frio imenso percorresse toda minha espinha e meus braços.


Eu teria me convencido de que havia imaginado tudo se aquela coisa tivesse se lembrado de fechar a porta do Box. 




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Algas

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Minha avó cresceu num bairro pobre da era-proibida de Chicago. Sua família vivia em uma pequena casa perto do porto, e uma de suas primeiras lembranças era de um verão particularmente quente quando, procurando refúgio do calor, ela e sua irmã descobriram uma seção raramente usada de calçada à beira-mar perto de um armazém abandonado. Todas as noites, durante várias semanas, as duas meninas fariam o seu caminho até as docas e se sentariam juntas na beira do cais, enquanto o sol se punha. Minha avó vividamente, e por um tempo carinhosamente, recordava da sensação de algas entre os dedos dos pés enquanto ela e sua irmã balançavam seus pés na água turva.

Isso até anos depois quando ela voltou para o cais e descobriu que o armazém tinha sido demolido. Curiosa, ela fez uma pesquisa no Departamento de Planejamento e Desenvolvimento. Aparentemente, por um tempo o armazém tinha sido propriedade da máfia, que estava usando-o como uma base de operações para uma rede de prostituição local. Isso só tinha sido descoberto quando um associado começou "eliminar" prostitutas rivais, calçando-as com sapatos de concreto e despejando-as no porto. Agentes de investigação tinham recuperado quase duas dúzias de corpos das águas de um cais isolado perto dali.

Como os corpos tinham sido descobertos? Um pescador avistou um pouco do cabelo das vítimas flutuando perto da superfície da água, como algas.
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Traduzido daqui.

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Preguiçosa noite de sábado

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Aqui estou eu, todo aconchegado na cama, aquecido e satisfeito debaixo das cobertas de seda macia, assistindo algum documentário estúpido na TV que eu nunca tinha ouvido falar. Eu ia desligar a TV, mas o pote de sorvete de cookies não me deixou usar mãos para outra coisa senão colocar o deleite congelado em minha boca. Noites como esta são raras, não é sempre que todos estão fora de casa, menos eu, para que eu deixe de saboreá las. Na verdade eu não estava esperando que ninguém voltasse até a manhã. Isso que fez o som da porta abrindo no andar de baixo ser tão alarmante.

O pânico me atinge como um trem a vapor, eu silenciosamente pulo para fora das cobertas, derramando o sorvete por todo o tapete branco imaculado no chão, e abro o armário ao lado da cama rangindo. Ouço passos, pesados e indiscretos, como se eles quisessem que eu saiba que eles estão aqui. Eu ofego e pego a colher que eu estava usando para desfrutar de uma noite relaxante. Os passos ficam mais altos, eu me forço para o espaço minúsculo restante no guarda-roupa, e fecho a porta,bem quando o estranho abre a porta do quarto, não deixando nenhum segundo de silêncio.

Espio através do espaço, seu rosto parece familiar, mas não sei bem dizer de onde eu o conheço. Ele localiza o sorvete derramado, e vira a cabeça por toda a vasta extensão do quarto.

"Olá?", Ele chama, não soa cruel, mas eu cometi esse erro antes. Nunca, sob quaisquer circunstâncias, acredite na simpatia de uma voz.

Ele olha debaixo da cama. Oh merda, ele está à procura de alguém. Eu seguro um gemido, e começo a curvar a ponta da colher para trás, esperando quebrá-la e criar alguma forma de me defender. Ela se quebra, mas cria um clique metálico, o homem vira a cabeça, e vem em direção ao guarda-roupa, eu estou tremendo agora. Por favor, não abra, por favor, não abra, por favor, não abra!

A porta se abre, e ele me vê, nós gritamos simultaneamente com medo e surpresa. Sem hesitar, eu salto para o homem, e começo a cavar em qualquer pedaço de carne que consigo com a borda afiada da ponta da colher, ele grita de dor, mas eu não vou parar, eu apunhalo profundamente em seu peito e pescoço, mais e mais, até que ele fica imóvel. Eu já o matei.

Eu choro de desgosto, e disparo até o térreo e para longe da casa, eu corro pela estrada até que eu sinto que estou longe o suficiente. Sento-me por um momento, e expiro fortemente antes de recuperar a compostura. Pegando meu celular, eu abro o Twitter e pesquiso "#festa", esperançoso que desta vez, eu encontre um morador que não esteja mentindo quando disser que vai estar fora durante toda a noite.
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Traduzido daqui.


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