09/08/2020

Despedida


Essa foi minha primeira postagem no Creepypasta Brasil há 9 anos atrás.

É inacreditável pensar que ainda estamos por aqui. 9 anos de história, mais de 1900 histórias publicadas, mais de 20 milhões de acessos, inúmeros parceiros e amigos que conhecemos ao longo desse anos, incontáveis horas dedicadas a tradução de creepypastas do mundo inteiro e infinitos pesadelos causados em todo nosso público. Foi uma história linda, maravilhosa. Porém, todo ciclo eventualmente chega ao seu ponto final, mesmo que a gente não saiba exatamente quando.

Com a saída da Divina há alguns meses atrás, prometi para mim mesmo e para vocês que faria meu melhor para continuar com o blog, mantendo-o ativo e postando as histórias escritas por vocês. Entretanto, considerando as incontáveis mudanças na nossa vida, nossos prioridades também acabam mudando. Começamos a precisar focar no nosso trabalho, construir nosso futuro, cuidar de nossa família e de nossos entes queridos, seguir em frente, entre outras coisas. E consequentemente, acabamos não conseguindo priorizar outras coisas que gostaríamos, e eu posso afirmar que é exatamente o que tem acontecido com o blog.

Sendo bem honesto com vocês, considerando a enorme queda de acessos nos últimos meses e também pelo fato das creepypastas infelizmente não estarem mais em alta no momento, não tenho me sentido bem contribuindo dessa forma para o blog. E isso tem refletido, pois muitos de vocês também não estão satisfeitos com a fase que o blog se encontra nesse momento.

Sinceramente, meu maior desejo era voltar a traduzir como fazia antigamente. Porém, tanto por uma questão de falta de tempo quanto por problemas relacionados a direitos autorais que tivemos aqui no blog no passado, isso não é possível. E se eu não estou me dedicando como gostaria a algum projeto, sinto que estou forçando a barra e não só não agradando meu público, como não estou me agradando também. E eu acredito que por esse motivo, devo encerrar as atividades no blog permanentemente e deixa-lo descansar dessa forma e conservar toda a história que tivemos aqui.

Fiquem tranquilos, pois eu não tirarei o site do ar. O Creepypasta Brasil faz parte da minha história, então vou mante-lo ativo para sempre, sempre mantendo o domínio em dia e disponibilizando todas as creepypastas aqui no site para que todos possam reler desde o inicio até as história mais atuais escritas por fãs.

Muito obrigado de coração por todos esses anos que vocês nos acompanharam, por todo o apoio, por todas as criticas construtivas, e acima de tudo, por todos os momentos memoráveis que eu nunca vou me esquecer pelo resto da minha vida. Obrigado de todo coração para a Divina, minha parceira, minha irmã, a pessoa que mais me acompanhou durante toda essa jornada e que se manteve firme e forte até o final. Infinitos agradecimentos aos meus dois melhores amigos Alex e ao Kevin, meus brothers de coração que entraram junto comigo nesse mundo de pesadelos e me inspiraram a começar esse projeto. Agradeço imensamente também a todos os colaboradores que participaram e marcaram presença no blog com suas colaborações, traduções e histórias, e que fizeram isso com todo o amor do mundo. Vocês todos são FODAS!

Por fim, nos despedimos por aqui, meus queridos.

Por fim...

KEEP CREEPYING ❤️

08/08/2020

Um Lugar Feliz

Lembro como se fosse ontem: quando meu pai ensinou-me a brincar daquilo, ele disse apenas que nós precisávamos entrar no closet, fechar a porta e ter certeza que está escuro, fechar os olhos e pensar em um mundo completamente diferente, o contrário no qual nós estamos vivendo, um lugar que não vai ter tristeza, brigas, doenças. Basicamente, é o inverso do nosso. Papai sempre fazia isso quando dava a hora do jantar e não tinha comida na mesa, ou ele pedia para eu fazer com meu irmão mais novo, quando começava a discutir com a minha mãe.

Faz muito tempo isso, o nome do jogo era "Um Lugar Feliz". Agora, sou um adulto, casado com uma mulher um pouco mais nova. O nosso relacionamento sempre foi estável, tinha os seus altos e os seus baixos. O problema foi que, depois de muitos anos vivendo com ela, os baixos prevalecerão, deixando a nossa união uma completa desgraça. Nós não dormimos juntos mais, a única coisa que ligava o nosso casamento era o nosso filho, Daniel, que agora tem oito anos. Fomos convidados para uma festa, na casa dos vizinhos, e bebemos um pouco. No meio do efeito do álcool, dormimos juntos depois de muito tempo. Depois de uns dias, ela disse que estava grávida.

Foi uma surpresa para mim, ainda mais, sei que ela não desejava outra criança. Logo, nos primeiros exames, os médicos disseram que o nosso filho poderia ter alguns problemas de saúde. Quando ele nasceu, já tinha a certeza de que o nosso filho não duraria muito. Os médicos disseram que era um milagre ele ter nascido. Bem, foi aqui que as coisas ficaram um pouco estranhas, encontrava-me na fase de aceitação a condição do meu bebê, e as várias palavras dos médicos dizendo que ele não duraria por muito tempo. Contudo a minha esposa carregava um sorriso em seu rosto, algo naquela criança deixava a minha companheira feliz, como se ela tivesse um motivo para viver, dedicando-se cem por cento ao nosso filho.

Além dos problemas de saúde, o bebê tem que comer certos tipos de alimentos, mesmo que se alimentando bem pouco. Daniel, o meu filho mais velho, gostava muito dele. Falando dessa forma, não significa que eu despreze a minha criança, apenas é uma observação em relação a esse momento em nossas vidas. Uma das coisas que me incomodava, talvez a única, era o fato que ele não dormia... Passava a noite toda acordado, chorando, querendo atenção, e a minha mulher ficava à noite toda com ele. Carregando o nosso fruto em seus braços, passeando com aquela coisa pequena por toda a casa, a madrugada toda.

Era evidente que o nosso Daniel já não suportava mais ver aquele sofrimento. Eu tive que fazer algo para tentar confortar o meu menino mais velho: ensinei a brincadeira do Lugar Feliz. Coloquei ele dentro do closet, sentei ao seu lado, fechei a porta, disse que fechasse os olhos e pense num lugar ao contrário da nossa casa, um lugar feliz. Expliquei que deveria imaginar onde o seu irmão tem saúde, a sua mãe é feliz e não brigasse comigo. Ficamos por alguns minutos no escuro, apenas escutando a nossa respiração, quando abrir a porta, vi que o meu garoto estava sorrindo.

Parecia que tudo tinha melhorado, apenas parecia... Fui surpreendido pelos gritos da minha esposa chamando-me. Fui ao seu encontro e vi nosso filho imóvel, pálido e não respirava. Nós levamos ele ao médico, e chegando lá, disseram que, depois de muito sofrimento, finalmente morreu. A minha esposa caiu em lágrimas, e eu tentei mostrar tristeza, porém esperava por isso. Até o momento, não disse nada para o meu filho mais velho. Na hora do enterro do seu irmãozinho, foi que falei que o bebê havia morrido. Daniel ficou triste, todavia não demorou muito tempo para aceitar.

As coisas ficaram conturbadas dentro da nossa casa, pois a minha esposa ficava o tempo todo se lamentando e sempre arrumando uma desculpa para brigar comigo como se eu tivesse culpa de algo. Ela mal dava carinho ao nosso filho, parecia que nunca tivesse existido. Ela, apenas, ficava pensando naquele fruto, mesmo sabendo que ele sofreu bastante esses meses em que estava vivo, mas negou essas coisas e passou a me odiar em todos os sentidos.

Não consegui dormir essa noite, a nossa última briga foi muito feia, e precisava relaxar. Lembrei do Lugar Feliz... Entrei no closet, do quarto do meu filho, quando ele estava dormindo. Fechei os meus olhos e imaginei um lugar ao avesso. Uma vida em que nós éramos felizes. Fiquei por um bom tempo e acabei cochilando. Acordei e saí do closet. Logo, notei algo diferente: a casa estava completamente estranha... As roupas do meu corpo estavam trocadas, visto que a camiseta branca e o meu short rosa ficaram com as cores inversas. A maçaneta da porta estava no lugar errado. Comecei a caminhar em nossa casa e encontrei o meu filho, este estava de costas para mim no corredor. Quando coloquei a mão em seu ombro, mandando ele se deitar...

Olhou para mim, aquilo não era o meu filho, era uma coisa horrível, o seu rosto estava desfigurado igual aquelas pessoas no filme "O Chamado". Caí, berrando e com medo. No corredor, apareceu a minha esposa e ela estava diferente, sorria para mim. Não sabia o que estava acontecendo. Voltei para o quarto do meu filho e tranquei a porta. Sabia que tinha algo estranho, algo que tem relação com a brincadeira do Lugar Feliz. Então, entrei no closet novamente e desejei que tudo fosse um sonho, e depois, voltei para o quarto, minha criança estava dormindo e tudo parecia normal, antes era como se eu tivesse entrado em um pesadelo. Após esse dia, nunca mais pensei em brincar do Lugar Feliz e disse para o meu filho que não brincasse mais.

Lembro que cheguei em casa, entrei no meu quarto e chamei o meu filho. Daniel não respondia. Fui ao seu quarto e vi quando ele saía de dentro do guarda-roupa com a minha esposa... Ela estava sorrindo. Fiquei baralhado, e Daniel também sorria, parecendo felizes. Sabia o que estava acontecendo, e parece que aquele joguinho estranho, do meu pai, funcionou com ela... As coisas pareciam boas, até que... Bem, a minha mulher ficou completamente paranóica, dizendo que eu estava no lugar errado e que precisávamos ir para o Lugar Feliz.

Ela ficava quase todo dia dentro do closet, no quarto do meu filho, e ele, muita das vezes, estava com ela, alimentando a sua loucura que criaram. Tudo por minha culpa! Algumas vezes, dava para escutar, bem baixinho, gargalhada de um bebê, e a essa altura, dava para imaginar o quanto ela havia perdido o juizo por completo ao imitar uma criança.

Estávamos jantando, quando ela começou a repetir as coisas de sempre que "nós estávamos no lugar errado"... O sangue subiu a minha cabeça, já estava entalado com tudo isso. Larguei a colher que estava comendo a sopa, o nosso filho ficou olhando para nós, foi a primeira vez que gritei com a minha mulher, falando as coisas que ela precisava saber, dizendo que deveria aceitar a porra da morte do nosso filho. Não sei o que deu em mim. Aproximei do meu filho para pedir desculpas e algo forte bateu contra minha cabeça...

A minha esposa havia amarrado os meus braços e as minhas pernas e dizendo que tudo iria ficar bem. Ela arrastou meu corpo e o do meu filho que se encontrava desacordado, com sangue saindo da sua cabeça. Aquela mulher parecia louca, bem pior do que já estava. Um cheiro de álcool ficava pareando no ar. Ela disse que iria acabar com essa realidade errada, segundo ela, a qual nós estávamos vivendo. Como uma alucinada, arrastou o corpo do meu filho para dentro do closet e me arrastou também. Tentei lutar, no entanto nada adiantava. O cheiro forte de gasolina foi ficando pior, até que ela entrou no quarto trazendo uma pilha de gasolina, então banhou o meu filho e a mim. Não pude grita por socorro porque estava com a boca amordaçada, tentei lutar, porém nada adiantava. Ela colocou gasolina em seu próprio corpo e disse que ficaria tudo bem.

Fechou a porta do closet, o cheiro de álcool estava muito forte, deixando-me embriagado. Sentada, ao lado do meu filho e eu, minha esposa acendeu o isqueiro, e uma explosão forte... Acordei um pouco atordoado e dei um grito alto, pois ainda sentia o cheiro de gasolina. Escutei a minha mulher falando na cozinha, o sorriso do meu filho, e uma coisa estranha... Dava para ouvir também a gargalhada de uma criança nova. Aproximei da cozinha e vi a minha mulher com a pele escura, os olhos cinzas parecendo um monstro com rosto deformado. O meu filho também da mesma forma, e ela segurava uma criança... O nosso filho que havia falecido! Tentei correr, mas quando coloquei a mão na maçaneta da porta, esta encontrava-se no lugar errado...

Autor: Sinistro

07/08/2020

Alguém está dentro do corpo do meu marido

Alimento o meu gato, Nicholson, com um pouco de ração e coloco água para que ele não me incomode mais tarde. Parece que vai chover, pois a moça do jornal falou sobre uma possível tempestade que irá cair essa noite. É melhor usar dois cobertores para que eu possa dormir sossegada.

Acordei com Nicholson fazendo barulhos ao pé de minha cama. Ele parece agoniado e querendo sair pela janela, mas ela é bastante alta. Tenho que levá-lo para o lado de fora. Seus olhos estão arregalados e ele está agoniado, com o corpo tenso. Está muito assustado. Fico preocupada com o meu felino, mas quero acreditar que seja apenas vontade de fazer cocô ao lado de fora de minha casa. Quando abro a porta, ele me arranha e sai em disparada, desaparecendo em meio ao quintal. Está chovendo e a chuva é fraca; talvez continue assim a noite toda.

Vou à cozinha para preparar um pouco de chocolate quente. Costumo fazer isso quando acordo, pois isso me ajuda a relaxar e dormir novamente. Estou saboreando aquele líquido quente e delicioso, a caminho de meu quarto. Quando passei perto da escadaria, que dá para o porão, vi que tinha uma luz vindo da porta de lá. Fiquei curiosa — aproximei-me e observei que a porta estava aberta. Não costumo deixá-la destrancada por segurança própria. Quando cheguei até a porta, notei pegadas de lama: as marcas de passos estavam indo para dentro de minha casa. Fiquei um pouco assustada, mas ignorei ao mesmo tempo, fechando a porta e indo rapidamente para onde fica o meu quarto.

Quando estava perto de subir as escadas, senti um calafrio. Ao mesmo tempo, a temperatura do ambiente havia caído bruscamente. O frio foi tão grande que larguei a xícara com o chocolate no chão, deixando cair a coisa que iria me deixar com sono. Droga! Precisaria voltar à cozinha para pegar algum pano. Enquanto me dirigia novamente para perto da escada, abaixei-me para limpar o chão e, neste momento, notei algo... tinha alguém dentro de casa: era uma sombra quem me observava, escondida no escuro da sala.

Estava escuro e eu não tinha coragem de acender a luz para ver quem era. Em uma fração de segundos, um relâmpago iluminou toda a sala e, neste milésimo de segundo, observei que se tratava de meu marido. Fiquei chocada, e ao mesmo tempo amedrontada porque não poderia ser ele. Era impossível, não havia como! O seu comportamento estava diferente. Antes mesmo de que fizesse qualquer movimento em meu corpo, ele correu em minha direção como um animal atrás da presa. Para tentar defender-me, subi as escadas rapidamente. Enquanto me dirigia à cozinha, subindo as escadas com a intenção de pegar uma faca, ele agarrou meu pé e eu caí ao chão. A coisa ficou em cima de mim, tentando enforcar-me, e seus olhos estavam diferentes. Aquilo não era o meu marido, mas algo semelhante a ele!

Acertei um chute em seu estômago e ele caiu; com isso, consegui correr para a cozinha. Peguei uma faca, a mais afiada de todas, e ele rapidamente vinha em minha direção. Eu o acertei no estômago, enfiando a faca em sua barriga. A coisa olhou para a faca enquanto derramava sangue e calmamente puxou o objeto de seu estômago, jogando-o ao canto da cozinha como se nada tivesse acontecido. Agarrou o meu pescoço, pressionando-me contra a parede: vou ficando sem forças. Peguei um garfo que estava na pia e enfiei-o em seu olho. Nesse momento, a coisa me largou, deu alguns passos para trás e corri, entrando no banheiro e fechando a porta.

Está escuro e não tenho mais para onde correr. Sinto-me como um animal encurralado; estou preocupada e morrendo de medo. Aquilo que está dentro do corpo de meu marido quer me matar por algum motivo! Escutei batidas na porta do banheiro — ele está arremessando seu corpo para tentar derrubar a porta. Ficou batendo várias vezes, até que parou. Abaixei a cabeça para ver por debaixo da porta e notei que estava parado como uma estátua. Saiu, demorou alguns segundos e voltou novamente.

Eu estava com as costas encostadas à porta, pressionando meu corpo a fim de tentar dar mais forças para que a porta aguentasse as pancadas. É quando, de repente, uma batida forte faz com que a ponta de um machado atravesse a madeira. Aquela coisa, agora, estava com um machado, derrubando a porta. Afastei-me, ficando assustada ao canto da parede e vendo, a cada momento, ela quebrando mais a porta. Fez um buraco suficiente para que sua cabeça entrasse e ficou me encarando. Neste momento, senti o ódio em seus olhos: aquilo não eram olhos de uma pessoa comum. Talvez fosse um demônio! Voltou a quebrar o resto da porta para que pudesse me matar.

Aquilo não poderia ser o meu marido, pois fazia três dias que eu o matei e enterrei em meu quintal...

Autor: Sinistro

06/08/2020

Espetáculo escarlate

Os dois caíram ao mesmo tempo, foi realmente uma coisa fantástica quando os dois rolaram no chão banhando-se com a água da chuva. Foi intenso, de fato excitante, quando a violência tomou conta do momento e os gritos, chutes, arranhões, tudo se resumindo nas investidas de um psicopata querendo dominar o seu brinquedinho.

A festa de sangue começou quase no mesmo momento em que a chuva se iniciou, parecendo um espetáculo de cinema quando as gotas de água tocavam no chão e fazendo aquele barulho constante que se transformou em uma aglomeração de expressões. A mulher queria fugir e o psicopata não lhe deixava escapar. Uma faca ele carregava, e as suas mãos são uma defesa que ela usava, desesperadamente em vão. Ele agarrou o seu vestido e a jogou no chão, essa conseguiu segurar suas pernas, fazendo os dois caírem mais uma vez, repetindo o mesmo passo de uma dança nociva.

O líquido do céu ficou intenso, cada vez pior, cantando como um rádio, ao aumentar o seu volume, no mesmo momento no qual o apresentador está com saliva na boca para matar, o único presente diante do público incessante de porções de água! Desesperada, a garota boba acertou a sua cabeça, querendo parar o agressor e ele continuou e desafiador, o lobo debochado. A faca entrou no jogo, mesmo já fazendo parte bem antes, e os protagonistas sabendo da sua presença, mas ela chegou de surpresa ganhando toda atenção.

Ele sabia muito bem o quanto aquele objeto deixaria a pobre menina assustada, mas brincou levantando para o alto, e os raios, quando as nuvens encontravam-se, fizeram com que a faca brilhasse como se fosse uma explosão de faíscas. O horror contaminou todo o espetáculo, no qual estava acontecendo. Os olhos dela ficaram enormes, caiu de joelhos dizendo que não iria acontecer e não deixaria com que ele matasse, precisava proteger mais do que tudo uma vida!

Os seus lábios foram preenchidos pela sua língua carnívora e ele humilhou mais de uma vez a garota, que continuava lutando querendo chegar à estrada, controlando os seus passos, como se fosse uma corrida de pânico e medo, e ele sabia que, até lá, poderia brincar com o seu brinquedinho. Ele deu três socos no estômago da pobre coitada, que não deixou e nem expulsou um berro de agonia. Dado que queria apenas controlar a situação. Sentiu-se desafiado para cortar a perna dela, enfiando a faca bem no meio da coxa e, depois, cravando no ombro da pobre e desesperada menina. Nesse momento de selvageria, ele sentiu o líquido no seu próprio corpo quente e escorrendo de forma excitante! Abrindo a sua boca com um sorriso, após ver que conseguiu penetrar o corpo dela... Tão profundo, que fez com que a chuva gargalhasse.

O temporal estava divertindo-se com tudo o que estava acontecendo, e a menina sabia disso, a pobre infeliz, que a todo momento tenta lutar contra o assassino que quer matar. Mas ele sabe humilhar e controlar, brincar, fazer tudo o que deseja com ela, dando esperanças de escapar, fugir do seu controle, mas fica excitado com o desespero dela. Com certeza esse momento de brincar com um rato, colocando em um labirinto, o deixa poderoso e enlouquecido pelo seu próprio domínio.

Escorregou na terra molhada com a chuva, todavia, não seria mais uma brincadeira horrível do destino, há algo ali que apareceu como se fosse mais um integrante do espetáculo de sangue: entre alguns gramados, encontra-se uma barra de ferro pequena, afiada, enferrujada e ele não viu, este não percebeu, ignorou de fato o momento de controle da menina, e não esperava quando ela atinge o seu corpo, penetrando o seu estômago três vezes, o fazendo cair no chão e o espetáculo escarlate, o banho de vermelho! Ganhou uma cena inesperada. A menina ficou observando que o seu ataque foi eficaz e ele não conseguiu controlar a situação. Nesse momento excitante de euforia, com os braços esticados e um sorriso louco em sua boca por não esperar por isso, fez com que gargalhadas, entrando no espetáculo doentio, deixasse a cena junto com as gotas de sangue mais intensas!

Ele ficou reproduzindo o som da sua boca, destruindo a orquestra de fragmentos de líquidos, na verdade, amordaçando o som da chuva enquanto a menina tropeçava em suas pernas, caindo no chão molhado por conta do fluido do céu, arrastava o seu corpo, o seu vestido banhado com sangue, aproximando-se da estrada, sabendo que logo ele voltaria... mas ainda estava eufórico! Enlouquecido, excitado pela doença feroz do destino. Ela sabe que o assassino voltaria mais intenso e violento, selvagem, com certeza dessa vez não deixaria e não daria mais oportunidades para garota de escapar e fugir do seu controle. Ela só precisava encontrar ajuda antes que fosse tarde demais, precisa avisar para o primeiro motorista desavisado o que está acontecendo.

Finalmente chegou à estrada, ainda encontrava-se segurando aquele metal nas mãos, o seu vestido estava vermelho, molhado, com o pano grudado nas suas pernas e por todo seu corpo magro e a chuva, personagem da plateia sádica, por alguns segundos por conta do último ato, a última cena do espetáculo, que prometia ser tão boa quanto o início quando o carro estava aproximando-se ficou em silêncio. Uma pessoa chegaria e mudaria tudo, um homem parou diante da situação, na qual estava observando uma garota machucada.

O sujeito parou, atrás do carro estava uma criança que começou a cantar aquele som enjoativo e constante de um verme que faz poucos meses que saiu de uma barriga após atos vulgares. O homem estava assustado, preocupado, aflito, observando ela aproximando-se, o seu corpo estava machucado, de fato, não tem como negar os cortes profundos, marcas detalhadas, em locais precisos... Ele deixou sua marca, este deixou um aviso, o lobo queria que ninguém chegasse próximo... ele sabia que eles iriam observar e desejava isso, ficava excitado, com a cena, na qual as outras pessoas observavam o quanto a garota sofreu nas suas mãos!

Aflito e preocupado, aproximou-se do carro e a chuva estava iniciando devagar e silenciosa. Dando passos leves, não querendo incomodar o último ato, aquela cena final do espetáculo, no qual deixaria o público ansioso para saber o que iria acontecer. O homem pegou o seu celular, então um golpe feroz na sua barriga, mais outros nas suas costas, foram tantos que ele não esperava por isso! Afastou-se do carro, caindo longe, observou a faca e viu ele... o assassino! Apareceu tão de surpresa que o homem não sabia o que fazer diante da situação, pensou na sua criança, mas ele foi mais rápido, cortando a garganta dela e quebrando o seu pescoço após atravessar o metal decepando aquele corpo frágil.

A mulher gritou nos últimos momentos, enquanto ele estava segurando o seu corpo dizendo suas últimas palavras, nas quais não poderia fazer nada, pois estava com a faca imobilizando-a:

- Eu sinto muito, não posso mais controlar ele... - a chuva começou quase no mesmo instante que ela deu seus últimos suspiros... suas últimas palavras, entregando o seu corpo e mente para o assassino, no qual começou a gargalhar. Estava tão enlouquecido que deixou a faca cair no chão e ficou contemplando o homem sangrando, com seus olhos gritantes, observando sua criança morta. Iria brincar, não há dúvidas, com aquele homem, se diverteria e aproveitaria o ódio por ver o seu filho... Ele sabe o quanto isso é bom, gosta disso, aprecia, sente o desespero das suas vítimas e sabe que logo aparecerá mais uma pessoa para iniciar um novo espetáculo!

Autor: Sinistro

05/08/2020

Noite perigosa

Eu estou com mau pressentimento e, além do mais, sozinha no metrô. Não é normal encontrar tão poucas pessoas, contudo deve ser o horário, está um pouco tarde. Sei que não é seguro uma garota ficar essa hora da noite aventurando-se sozinha, mas esperava encontrar alguns trabalhadores, pessoas que costumam passear à noite, etc. Sinto frio, está muito fria essa madrugada. O foda foi porque não trouxe o meu casaco. Não sei por que deu vontade de comer à essa hora da madrugada. Eu tinha que conseguir encontrar algo que não tivesse dentro da minha casa... Às vezes, tenho esse costume de sair para saciar a minha fome com algo diferente. Pode-se dizer que eu sou uma garota louca.

Daqui à uns minutos, chegarei em minha estação, estarei segura e salva em minha casa. O próximo ponto entraram apenas três pessoas: um casal, que foi para a parte da frente do saguão, e um homem estranho. Nesse momento, eu lembrei dos jornais falando sobre um possível assassino responsável por algumas mortes, a polícia alertou para que as pessoas não andassem sozinhas, trancassem as portas e que as crianças não falassem com estranhos. Aquele homem de fato é uma figura tenebrosa, no entanto o seu rosto é familiar. Estou com uma sensação estranha em relação àquele indivíduo, eu sinto uma atmosfera pesada saindo daquele sujeito... Espero que o próximo ponto logo chegue, onde irei sair para finalmente chegar à minha casa.

Finalmente, a minha parada chegou. Comecei a sair e notei que aquele homem estranho também estava saindo, andando no mesmo caminho que eu estou caminhando. Dobrei uma esquina, e ele dobrou também. Tenho certeza que estou sendo seguida por um estranho. Tive uma ideia, decidi pegar um táxi e, quando eu entrei no veículo, pedi para o cara dirigir por aproximadamente dez minutos, enquanto aquele homem segue o seu caminho na noite pretume. Após aproximadamente uns dez minutos dando voltas no quarteirão, eu pedi para o táxi parar em frente ao prédio onde moro, e então saí segurando minha sacola.

O porteiro estava dormindo, mas quando escutou o barulho da velha porta, despertou-se com os olhos fechando e deu uma bocejada de sono. No momento em que fechei a porta, o porteiro, com a voz cansada, deu boa noite, e eu ignorei subindo as escadas em razão de que eu tenho medo de lugares fechados, portanto não usei o elevador. É um trauma de criança, uma coisa que me aconteceu e deixou-me traumatizada. Estava na metade das escadas quando comecei a escutar passos pesados, tudo indicava que eram pisadas de um homem, por conta do som forte. Eu comecei a caminhar imaginando que poderia ser algum morador. No momento em que subia as escadas para finalmente chegar onde fica o meu quarto, notei que era aquele mesmo homem do metrô... Nesse momento, eu não sabia se corria ou gritava. Várias coisas ficaram passando em minha cabeça devido à tensão, uma delas é que fui seguida, ou aquele sujeito sabe onde eu moro.

Decidi que iria continuar caminhando, em razão de que não tem como mais voltar. O sujeito estava com as suas mãos tremendo, notei que tinha algo escondido embaixo do seu casaco e tenho uma leve impressão de que é uma faca. Enquanto estou subindo as escadas, observei uma marca vermelha em sua camisa, poderia ser sangue de alguém... Quando ele passou por perto de mim, o seu corpo esbarrou no meu e uma marca vermelha manchou a minha camisa, era sangue! Agora, um está de costa para o outro, ele continua descendo, e eu fui logo correndo para o meu quarto, trancando a porta.

Na manhã seguinte, alguns policiais bateram em minha porta, e eu abri. Os homens da lei queriam fazer algumas perguntas sobre um assassinato que havia acontecido na madrugada de hoje, eu não sabia o que estava acontecendo, até que os policiais falaram que um homem havia matado a sua ex-esposa após descobrir que ela estava se relacionando com seu irmão. A ficha logo caiu, eu sabia que aquele homem fora o responsável, contudo eu não falei nada sobre ter encontrado ele, disse apenas que não escutei barulho algum para os policiais.

Após alguns minutos tediosos dando informações aos dois bófias que estavam anotando tudo em uma caderneta pequena, foram embora deixando-me em paz. Logo em seguida, tratei de preparar o meu café... Eu demorei a noite toda para encontrar uma oportunidade de arrancar o coração de um morador de rua, ninguém se importa com eles mesmo, e estava com muita vontade de comer carne humana. Talvez nessa semana eu mate mais alguém para preparar um fígado, em razão de que não tem coisa melhor do que comer um fígado antes de dormir.

Autor: Sinistro

04/08/2020

Pietro - Predador Psicopata

Pietro passeava pela praça, portando pente, projétil... puxou pistola — pá, pá, pá... pistoleiro, parâmetro preciso. Padeceu Pedro, Paulo, Patrícia pedindo por piedade, predador parou, pensou — prosseguiu. Porque pensamentos perversos primitivos prazerosos prosperavam.

Pietro possuía problemas pessoais, psicológicos, pânico, pólvora. Perito possessivo. Perdeu passado, presente, pais, parceiros, parentes. Para população parecia piada. Por períodos prolongados preferiu pó, psicodélicos. Presidia palavras, psicopatias, provérbios, poemas, profecias.

Presas — pescoço, peito, pulmões perfurados, parece pouco, porém paraplégicos, pirados, pulverizados. Pancadas, pauladas, pontapés potentes. Profano, perseguia padres, pastores, pagãos. Pelo príncipe pé-preto prezava, puro pacto, poder purificava.

Pessoas — prioridade pisotearem, parasitas. Por poucos prezado, pobre Pietro, plena palhaçada. Pressentimentos podres, putrefatos. Periculoso perambulava por parques. Preço pago, partiu paradigmas. promoveu pavor público, pautas pairavam principalmente pelas periferias.

Pêndulo parado, praga proliferada, perturbado, perigoso. Parábolas, profetas prometiam paz, pétalas, paraíso — patéticos persuasivos. Prantos, pêsames progredindo, paradoxo promissor, portanto predominou predador.

Autor: Vhulto

03/08/2020

Faz 5 horas que estou assistindo meu irmãozinho na TV

Eu sempre dividi um quarto com meu irmão mais novo. Mas desde que minha vó morreu há duas semanas atrás, o antigo quarto dela passou a ser meu. E depois de muito tempo, pude ter um pouco de privacidade. É realmente muito chato ter que dividir o quarto com alguém. Não me entenda mal, eu amava minha vó e fiquei muito triste com a sua morte, mas estava feliz por agora ter um quarto só para mim.

Todos os pertences que eram da vovó, retirei do cômodo e guardei tudo no porão, exceto uma antiga televisão. Eu não queria que nenhum pertence da vovó ficasse no meu novo quarto, isso me faria ter recordações dela e eu iria acabar ficando triste novamente. Questões à parte, acabei decidindo ficar com a tv, embora seja uma eletrônico antigo, sem muitos aparatos tecnológicos, seria legal poder assistir um pouco de tv no meu próprio quarto.

Faz dois dias desde que comecei a arrumar tudo no que agora seria minha fortaleza. Pintei as paredes, montei minha cama, meu guarda-roupa e deixe tudo do jeito que eu queria. Depois de um longo dia de empenho e trabalho duro, estava exausto. Fui jantar, tomei um banho e logo depois cai na cama. Alguns minutos se passaram eu não consegui dormir, logo fiquei entediado. E como não havia nada para se fazer aquela noite, resolvi assistir um pouco.

A velha televisão não possuía controle remoto, então eu teria que levantar e fazer tudo manualmente. Passei alguns minutos procurando algum canal sintonizado, mas tudo o que consegui encontrar foi estática. Era estranho, a vovó passava a maior parte do dia vendo novelas, documentários de animais e programas de culinária, mas agora nem esses canais estavam funcionando. Então, Desliguei a tv e voltei para a cama, e enquanto olhava para o teto esperando o sono chegar, eu senti a estranha sensação de está sendo observado por alguém ou alguma coisa de dentro da tv, mas não me importei, achei que era apenas coisa da minha cabeça. Mas alguns minutos se passaram e eu logo adormeci.

No dia seguinte, resolvi verificar o aparelho, tudo parecia em ordem; a antena, os cabos, nada parecia fora de lugar. Liguei a tv para fazer alguns testes, procurei por canais novamente, mas não obtive nenhum resultado. Então, desliguei a televisão e fui cuidar do meu irmãozinho. Hoje mais cedo nossos pais saíram em viagem para tentar esquecer um pouco a morte da vovó, e desde então, sou o responsável por ele. A perda de um famíliar é sempre muito difícil, e a mamãe foi a mais que ficou abalada com o acontecimento, já que a vovó era a mãe dela.

O dia se passou lentamente como de costume. Hoje eu estava indo pra cama um pouco mais tarde por causa das tarefas domésticas que agora eu tinha que fazer. Tomei um bom banho, jantei, coloquei meu irmãzinho para dormir e logo após fui para o meu quarto e desabei na cama. Deitado, encarei a tv por alguns segundos. Não pensei em me levantar para liga-lá, era provável que ela não funcionasse de novo. Ao invés disso, gastei o tempo olhando algumas mensagens no meu celular e logo depois adormeci.

Em algum momento da noite a tv se ligou sozinha, em seu volume máximo. Era primeira vez que isso teria acontecido. Acordei assustado e atordoado, sem saber o que estava acontecendo. Peguei meu celular para ver às horas e vi que eram 3:33 da manhã. Olhei para televisão e a tela estava totalmente escura, me levantei e cheguei mais perto, pude ver que o canal sintonizado era o 666. não sou do tipo de pessoa superticiosa, apenas pensei que fosse algum tipo defeito, já que o aparelho era antigo e velho. Pressionei o botão Power-Off e a televisão desligou. Então, voltei para a cama e como estava com muito sono, retornei a dormi rapidamente. O dia amanheceu e eu não sabia se o que aconteceu durante a madrugada foi real ou apenas um sonho. Não pensei muito no assunto, já que agora tenho muita coisa para resolver e não poderia perder tempo.

Parece ser um comportamento padrão dos irmãos mais novos gostar de bisbilhotar as coisas dos irmãos mais velhos. E por causa disso, sempre que eu saía do meu quarto, trancava a porta. Pode parecer exagero, mas pra mim meu quarto era como um troféu e eu gostava de tudo bem arrumado.

Mais um dia se passou e a noite chegou, e com tantos deveres domésticos que eu havia feito, estava exausto. Fui colocar meu irmão para dormi em sua cama. Hoje mais cedo na hora do jantar ele me perguntou sobre a vovó, respondi que ela estava em um lugar melhor, e que ela não poderia mais ficar com a gente. A vovó e o Júnior eram bastante próximos e eu sabia que uma hora ou outra ele iria fazer esse tipo de pergunta. Esperei algum tempo até o Júnior dormir e logo em seguida desci as escadas em direção ao meu quarto. Tudo o que eu queria era dormir um pouco, e logo que coloquei minha cabeça sobre o travesseiro dormi incrívelmente rápido.

Mais uma vez na madrugada a tv havia se ligado sozinha, e dessa vez confesso que senti um pouco de medo. O canal sintonizado ainda era o 666 e a tela era a mesma escura de antes, só que dessa vez foi diferente, ao invés de barulhos de estática, eu ouvi sussurros e gritos, como se muitas pessoas estivessem sofrendo juntas. Eu me laventei e embora estivesse tremendo em medo, tentei me acalmar dizendo a mim mesmo que isso só era algum tipo de filme que estava sendo transmitido naquele momento, mas como a tv estava com defeito, não consegueria ver as imagens, apenas ouvir o som. Rapidamente puxei o fio da tomada e a televisão se apagou.

Ainda trêmulo, voltei para minha cama e sentei-me na beirada. Foi quando a tv mesmo estando fora da tomada se ligou novamente... e eu juro que vi uma mão com grandes garras negras sair da tela como se fosse algum tipo de efeito 3D. A mão em questão parecia gesticular em minha direção, realizando um gesto que me chamava. Coloquei meu cobertor sobre a minha cabeça e fechei meus olhos com muita força, esperando acordar de um pesadelo. Passaram-se alguns segundos e o barulho dos sussurros e gritos pareciam ter sido cessados. Então, tirei o cobertor da minha cabeça e vi que a tv estava desligada. fui até o guarda-roupa para pegar um velho lençou de cama desgastado por traças, joguei o lençou sobre o velho televisor e voltei para minha cama em pânico, não consegui dormir o resto da noite.

No dia seguinte eu havia decidido que iria me me livra da velha televisão. Mas nem tudo sai como planejado. Tentei levantar, puxar e empurrar, por mais que eu tentasse a tv não se movia nem por um centímetro, era como se estivesse colada no chão ou pesasse uma tonelada. Depois de muitas tentativas a única coisa que eu poderia fazer era deixá-la no lugar de sempre e joguei o velho lençou por cima novamente. Pensei que talvez pelo fato do aparelho ser antigo, aquele poderia ser o peso normal. Mas não sei, talvez meu cérebro só estivesse tentando criar algo para acreditar. Mesmo assim sai do meu quarto aquele momento intrigado.

Fui cuidar do Júnior como já era de costume. Hoje ele acabou sofrendo um acidente. Por um descuido ele tropeçou e rolou escada abaixo. Ele chorou bastante e ficou com vários ematomas por todo o corpo. Então, tive que dar maior atenção para ele. O dia escureceu e Júnior ainda estava com cara de choro perguntando por nossos pais, que foram viajar e sobre a vovó que havia falecido. Fiquei com tamanha dó de seu estado. Então, antes que fôssemos nos preparar para dormir, resolvi mostrar ao Júnior como havia ficado meu novo quarto e também permiti que ele visse alguns dos meus quadrinhos de super-heróis.

Deixei ele sobre a minha cama, ele esfoliava às revistas em quadrinhos freneticamente. Ele estava se divertindo tanto que pareceu ter esquecido a dor e os machucados. Sai do quarto e fui para cozinha para preparar um grande prato de panquecas para o jantar, meu irmão e eu adorávamos.

Enquanto eu cozinhava, Júnior parecia estar empolgando-se bastante com os quadrinhos. Ele gritava para mim na cozinha coisas como:

“Nossa, o capitão América é incrível!”

Ele estava realmente se divertindo e logo fiquei feliz por ele. Toda criança passa por uma fase de descobertas, e parece ficar curiosa com qualquer coisa.

Tudo estava indo bem aquela noite. Eu estava quase terminando de preparar as panquecas e logo chamaria o Júnior para o jantar. Até que um momento ele gritou algo que não tinha nenhuma ligação com as revistas em quadrinhos, algo sinistro que soou como:

“Eu consigo ouvir a vovó na televisão!”

Rapidamente eu lembrei do que eu havia passado durante a madrugada. Larguei tudo o que estava fazendo na cozinha e corri em direção ao meu quarto onde eu havia o deixado. E quando estava na metade do caminho ouvi um grito do meu irmãozinho.

“AAAAA——”

O seu grito havia sido cortado no meio por alguma razão.

Cheguei no quarto ofegante, e o Júnior parecia não estava lá, notei o lençou que cobria a tv jogado pelo chão, junto com uma das minhas revistas em quadrinhos. Olhei debaixo da cama e dentro do guarda-roupa esperando encontrá-lo, mas não obtive nenhum resultado. Então eu falei:

“Pode aparecer Júnior, você ganhou!”

Nessa hora a televisão se ligou sozinha novamente e eu não acreditei no que estava vendo. Enfreguei meus olhos acreditando que aquilo não era real. Me aproximei e tive a certeza... Era ele, meu irmãozinho Júnior de alguma forma estava dentro da televisão, preso como um pequeno hamster em uma gaiola.

Já se passaram cinco horas desde que o encontrei dessa forma. Ele não para de chorar e falar que alguém o puxou para dentro da televisão. Não sei o que faço para retirá-lo de lá.

A única coisa que fiz nas últimas horas, foi assistir o meu irmãozinho preso na tv.

Autor: Vhulto

02/08/2020

Minha Infância Perturbadora

A minha vida não foi uma das melhores desde criança, pois assistia quase todo dia os meus pais brigando. Muita dessas brigas, acabavam com a mamãe chamando a polícia, e o meu pai indo passar o final de semana preso. Fora os outros poblemas, tinha que ver a minha progenitora fazendo uso de substâncias erradas para tentar fugir um pouco da realidade na qual vivia: Um casamento arranjado por causa de uma gravidez indesejada, eles faziam questão de falar isso em todas às vezes que brigavam. Apesar de algumas vezes ele falar que não queria ter tido filhos, o meu velho sempre chamou a minha atenção, não por ser um bosta ou um mau exemplo de pai de família. Era o seu comportamento estranho... Muitas vezes, quando a casa já está bem escura, e ele acreditava que todos estavam dormindo, então chegava em casa com alguns volumes nos quais trazia em cima de suas costas e levavam para o sótão.

Essa é a parte interessante... Eu passei a minha infância, até a adolescência, logo antes de completar dezoito anos e morar com os meus tios, acreditando que meu pai fosse um psicopata. Você pode se perguntar: "Como é que uma criança pode ter essas coisas na cabeça, achando que o próprio criador é algo tão horrível?". Bem, desde criança, sempre tive acesso à internet e gostava muito de assistir e ler conteúdo sobre assassinos em série. Aquilo me fascinava e deixava-me excitado para alguém tão jovem. De acordo com alguns perfis, o meu pai se enquadrava em alguns, estes: um sujeito com indícios de problemas mentais graves, sofreu abusos dos próprios pais, o cheiro de podridão que vinha do sótão, e isso sempre foi ignorado por minha mãe, e além do mais, escondendo o rosto com aquilo e levando quase todas as semanas, coisas para o sótão as quais deixavam um odor terrível em nossa casa.

Outros fatos merecem mais atenção sobre o meu papai, estes que eram bem exóticos... Eu imagino que qualquer outra criança ficaria com medo se estivessem na minha pele naquela época, por exemplo: O meu pai costumava colocar uma máscara de palhaço todas as noites nas quais aparecia com aquelas coisas dentro de casa. É isso que fechava a minha ideia de que ele era um assassino em série, criando um personagem, ou usando aquela face assustadora para não ser identificado. Algumas vezes, o meu pai quando queria agredir a minha mãe, usava aquela máscara, deixando a minha progenitora ainda mais à beira da loucura. Citando mais uma vez, ele nunca me agrediu, nunca me tocou e nem fez nada comigo, contudo olhava para mim... Em seus olhos, talvez sentindo o mesmo que eu sentia: Um vazio. O velho sempre notou que eu não tinha medo, apenas aceitava a situação na qual estava vivendo. É, isso foi o que passei quando morava em minha velha casa.

Estou quase terminando à Faculdade de Educação Física, e os meus tios falaram-me que o meu pai morreu de causas desconhecidas. Acho que faz mais ou menos dois anos que a mamãe faleceu. Com a morte do meu velho, eu fiquei um pouco triste, em razão de que, apesar de tudo, o meu pai nunca foi agressivo comigo, além de maltratar a minha mãe como se ela fosse uma mulher qualquer. O mistério estava em minha cabeça: O que o meu pai guardava todo esse tempo no sótão? Lembro que alguns conhecidos e até os meus amigos de infância desapareceram quando ainda morava com os meus pais. Não pretendia falar sobre esse detalhe peculiar, no entanto faz parte da minha história.

Nessa época, eu pedi para ficar no porão, já que não dava para escutar minha mãe chorando, e nem o meu pai fazendo barulhos estranhos no sótão todas as semanas. Sei que você está querendo saber sobre os desaparecimentos, não é mesmo? Bom, primeira pessoa que lembro foi o meu melhor amigo, este tinha um comportamento estranho... Um pouco afeminado. Meu pai não aprovava nossa amizade achando que eu iria virar uma garotinha, em poucos dias ele sumiu. A minha professora também desapareceu, esta que pegava no meu pé por conta de meio ponto e reprovando-me em algumas matérias. A vizinha, barulhenta, a senhora Yasmin costumava escutar à televisão alta e não me deixava dormir. Isso também foi o motivo para desaparecer? A última pessoa, se eu não estiver enganado, que desapareceu: Foi a ex-namorada do meu pai. Esta que traiu ele, e sempre quando o velho estava agredindo a minha mãe, tratava ela como se fosse a sua velha namorada, chamando a minha progenitora pelo nome da sua ex.

Quando perguntava o que o meu pai achava dos desaparecimentos misteriosos, ele sorria e constantemente dizia que eram coisas bobas, que ninguém iria sentir falta deles. Eu apenas concordava, com sorriso no rosto e olhando para o meu velho pai, com a mesma aparência abatida olhando para mim. Como eu disse, faz pouco tempo que o meu pai havia morrido, e todo esse tempo, eu nunca entrei no sótão para saber o que ele fazia lá. Cheguei até a minha velha casa e fui em direção ao sótão, o qual estava trancado. Peguei as chaves e entrei, deparei com um lugar bizarro: estava cheio de corpos de animais, cachorros, viados e até filhotes de vacas... Eu reconheci todos os esqueletos. Tinha um velho computador daqueles antigos no local. Achava que o cheiro de podridão seriam de corpos de vítimas do meu possível pai serial killer, mas não.

O computador não tinha segredo para abrir, encontrei vários arquivos os quais envolviam necrofilia e zoofilia. O meu pai gravava vídeos nos quais compartilhavam na internet, violando aqueles corpos, que levava para o sótão. Esse era o segredo do velhote, é um pouco frustrante... Eu acharia que conseguiria me identificar com meu pai de alguma forma, porém, aquela figura cheia de ministérios não passava de um tarado com gostos bizarros.

Não pretendia ficar na minha casa por muito tempo quando cheguei aqui, a minha intenção era matar a curiosidade e a nostalgia do lugar, apesar da minha infância perturbadora. Decidi voltar onde dormia: No porão... Bateu uma melancolia forte quando cheguei lá, a minha cama estava no mesmo local, o travesseiro e o urso de pelúcia, o guarda-roupa e as revistas de mulheres nuas, entre outras coisas de um adolescente com minha idade na época. Quando pisei no chão, senti aquela terra fofa e observei em cada lugar no qual eu enterrei as pessoas que matei: O meu melhor amigo, no canto à direita. A minha professora, próxima da minha cama. Minha vizinha, a garotinha da casa um pouco mais distante, enterrada embaixo do tapete o qual eu fazia os deveres da escola. Eu dormia todos os dias olhando para aquelas covas rasas, sentindo-me especial e poderoso.

Pensando melhor, acho que ficarei em minha velha casa, e também, acredito que vários outros corpos deixaram o meu quarto mais aconchegante como já foi em minha infância...

Autor: Sinistro

01/08/2020

Papai sempre começa a rezar quando está irritado

" Está na hora de dormir, pois já faz muito tempo que eu não apareço, e você disse que se recebesse atenção dele, iria cochilar mais cedo." - a voz ficou acolhedora, tentando falar com Arthur enquanto ele brincava com o urso de pelúcia em suas mãos. O objeto caindo aos pedaços, apenas restos de panos e um botão de camisa substituindo a órbita ocular esquerda. Todavia, aquela figura infantil causava o conforto e o sentimento especial por ter sido presenteado pelo seu pai.

" Sabe, eu não consigo... Principalmente quando a mamãe fica gritando o dia todo. Eu já havia me acostumado com os barulhos da mulher estranha do outro lado da parede, mas, no outro mês, fiquei sabendo que ela é a minha verdadeira mãe e que é uma pessoa muito especial. Isso lembrou as poucas vezes que o papai deixou a televisão aqui, e eu vi alguém falando sobre pessoas especiais." - conseguiu ouvir uma respiração impaciente, que foi logo se acalmando novamente e aparecia, nos olhos de Arthur, a mesma coisa que o seu pai fazia quando ficava irritado com alguma coisa.

" Acho que nós já falamos sobre a sua mãe e sua situação atual.... Por que ele nunca tirou você de dentro desse quarto, não recorda, além da televisão, o Sol e as pessoas livres e alegres? A luz é a única coisa que você enxerga, é tudo aquilo que as lâmpadas iluminam. O seu pai não é uma boa pessoa, e sua mãe não quer ficar e nunca desejou, desde criança, permanecer trancafiada e vítima de abusos em seu quarto. Está na hora de dormir. Sei que gosta muito quando ele aparece, não apenas para lhe dar comida e desaparecer, mas ficar contigo. Mesmo muito irritado, você fica contente quando ele começa a rezar, certo?" - Arthur começou a abraçar o urso de pelúcia e as suas pernas estavam doendo, pois as cordas não foram tiradas delas.

- Não sei não... ele parece triste. Nas outras vezes que chegava aqui e durava mais tempo chorando na cadeira e pedindo desculpas, era apenas de angústia, agora é infelicidade, com rancor. Não entendo por que ele fica com raiva quando eu o chamo de "pai". Mais de uma vez, já falou que eu era o seu filho. Foi um erro a mamãe e tudo que fez nos últimos anos... Fico triste quando ele está com cheiro forte e falando de forma estranha, sempre repetindo as mesmas declarações, quando fica cambaleando e se senta na cadeira e diz: "Eu irei pagar no abismo por tudo que fiz". Eu gosto do papai. Só fico tristonho quando ele se aborrece na ocasião em que eu o chamo de "papai". Nós temos os mesmos cabelos vermelhos." - o garoto ficou pensativo, olhando para a parede limpa e lembrando-se de coisas do passado, tudo aquilo que se resume à sua vida preso em um local com quatro paredes e uma porta.

Arthur fez amizade de forma rápida com um homem que apareceu no seu quarto, este não era como as pessoas na televisão, muito menos como seu pai ou a sua mãe, a linda e bela mulher presa em correntes e que se comporta de maneiras esquisitas para sua própria realidade. O homem sempre tentou ser legal com o garoto, disse que veio depois de anos de sofrimento e que o papai precisava padecer, em vida, antes de ir para o "Inferno", segundo suas próprias palavras, pelo crime asqueroso que fez, contrariando os versos que gosta de ler em certas noites sobre ser uma boa pessoa, e se tornando um monstro.

"Eu estou ficando com sono. Você promete que vai fazer o papai ficar mais tempo aqui comigo, rezando e cuidando de mim, enquanto eu durmo? Fico triste quando ele queima o seu corpo com água quente, machuca os seus olhos com coisas estranhas e continua falando aquelas coisas, torturando você. No entanto, pelo menos papai vai ficar aqui cuidando de mim enquanto eu estou repousando." - o garoto começou a deitar a cabeça em uma almofada velha. O colchão estava tão duro, que o seu corpo atrofiado conseguia encontrar conforto depois de anos deitado no mesmo lugar, e o homem diferente ficou feliz, muito empolgado quando ele chegou no local.

Bastou apenas o garoto dormir para os tremores começarem. Todos os móveis do local estavam caindo e as luzes explodindo uma atrás da outra, a cama ficou se movimentando como se fosse um cavalo galopando. Os gritos desafiadores do homem, o estranho que agora estava presente, começaram a se espalhar por toda a residência, cada vez mais altos e distantes. Então, nessas circunstâncias, ele apareceu.... As hesitações, tão covardes quanto aquilo que segurava nas mãos, a sua longa roupa preta e os seus cabelos brancos se resumiam na experiência de desonra. Os seus olhos observando o corpo do garoto dormindo, representavam a perversidade do que fez com a outra criança, que agora é uma mulher e gerou fruto de atos doentios contra quem nunca quis ter desejos carnais, ainda mais com problemas cognitivos.

"Eu vim aqui para tirar você desse lugar e deixar a criança em paz, sua criatura maléfica. Irei lutar pelo nome de Deus, para que você nos deixe livres do seu tormento maligno!" - o homem apontou sua arma de prata, escolheu cada versículo de escritas rabiscadas, tentou segurar aquele líquido inflamável para o corpo do homem, que olhava com seus deboches desafiadores e cortando uma gargalhada na sua boca.

"Olá, Padre Gibson! Quando você tenta falar sobre "criaturas malignas", parece uma piada para o monstro que você é de verdade, se escondendo atrás de batinas. O que vai dizer? "Que eu sou contra Deus", "um pecador", "uma coisa asquerosa para as pregações do Salvador!?". Veja você mesmo.... e diga-me, como vai conseguir me arrebatar, se o senhor é tão repugnante quanto a minha figura é para tudo que é divino!?" - o homem levantou, tirando o conforto do corpo do garoto, que está dormindo e jogando o urso de pelúcia. E, no mesmo momento, o seu corpo, se contorcendo, quebrando todos os ossos e gargalhando ao pronunciar blasfêmias.

"O Espírito de Deus flutuava sobre as águas e soprou sobre a cabeça dos homens, seja Michael meu guia e, sob meu servo, na luz e pela luz." - as mãos trêmulas do padre tentavam abrir o potinho com água benta, e a cruz cada vez ficava mais pesada nos seus membros, o medo estava dançando em seu rosto em cada movimento dos músculos faciais. Nessa ocasião, ele clamou todo ódio para o demônio. Mas, a sensação era a mesma: sabia todo julgamento e o que ele iria passar, como se todo fogo e eternidade do pecado humano estivesse lhe aguardando no segundo passo que desce.

"Na Terra, é apenas o começo que você vai encontrar após a morte. É melhor se esforçar, bem mais do que isso, se possuir fé... pelo menos uma vez na vida, sem ser esse político imundo, que apenas tenta enganar os outros! O seu pecado está atrás das paredes desse lugar, e o fruto dele permanece inocentemente, dormindo aqui. Entre nós dois, eu sou mais digno de vencer essa batalha. Então, se esforce o máximo que puder, porque o que vai acontecer lá em baixo, será tão impiedoso, mas exatamente o que você merece, Padre Gibson!"

"Seja o verbo meu alento e comentarei a estes espíritos do ar a barrar as forças somente com a vontade do meu coração e os pensamentos de minha mente, portanto te conjuro, criatura do ar, pelo Pentagrammaton e em nome do tetragrammaton, nos quais está a vontade firme e a fé reta. Amém...". -ele continuava rezando e rasgando a Bíblia em cada palavra e as suas mãos pulavam para a segunda página

- Deboche em todo momento. "Gibson, é tudo isso que você faz? Apenas fala, profere e expressa. Você precisa acreditar!" - sacrilégio se espalhando por uma eternidade em um lugar, tão apodrecidas quanto o tempo.

A criança está tão feliz por conta do período que o seu pai está presente no buraco em que adormece, apenas ouvindo os seus julgamentos, mesmo que esteja irritado, mas, pelo menos, está rezando. A sua mãe batendo a cabeça na parede em todo momento e gritando, berrando e rugindo sem parar...

Autor: Sinistro