Estranho Programa de Televangelismo que Encontrei

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Meu pai tinha uma coleção de fitas VHS, desde gravações de festivais de musica até fitas gravadas
da televisão como filmes, programas de TV e também novelas que passavam de noite para minha mãe assistir no outro dia, pois ela trabalhava em um hotel no período da madrugada e quando sobrava um tempo de dia poderia assistir.

Lembro de também ter feito algumas gravações de programas como TV CRUJ pra assistir depois porque não era sempre que eu podia ver quando passava, meu pai chegava do trabalho bem no horário que era transmitido e queria assistir as noticias em outro canal, não tinha muito o que fazer e deixava gravando uma fita em um canal enquanto ele assitia outro. Recordo de gravar filmes quando criança, um que me marcou de ter gravado, foi aquele filme horrível do Batman do George Clooney pra assistir outras vezes, vai entender, criança é complicado.

Quando encontrei as fitas fiquei muito nostálgico equeria rever aquelas coisas nem que fossem somente trechos, apenas pra relembrar, eu não tinha um aparelhode VHS e eram tantas fitas que não valeria pagar pra converter em mídia digital, resolvi procurar algo na internet que funcionasse. Passaram-se alguns dias desde que encontrei um supostamente em bom estado e enfim recebi, instalei na TV de tubo que ainda tenho pra jogar em vídeo games antigos, assim a imagem não se distorce tanto como seria em um aparelho moderno.

Peguei algumas fitas e comecei a assistir, na maioria delas havia uma etiqueta dizendo o que tinha gravado, outras tive que descobrir, tinha uma gravação do meu pai na apresentação do Queen na primeira edição do Rock in Rio com uma qualidade tão ruim que parecia ter sido filmada numa calculadora, havia também filmagens de passeios com meus pais quando criança, gravações de comerciais aleatórios, até cine privê tinha e aqueles programas religiosos que passavam e ainda passam nas madrugadas na televisão.

Foi uma nostalgia muito grande rever certas coisas e ver outras que nem lembrava mais, mas uma filmagem em particular me deixou com uma grande sensação de desconforto, não de medo ou tremedeiras, quanto mais eu assistia mais eu queria assistir, me lembrava aqueles filmes found footage e entrei na atmosfera daquela gravação.

Não sei qual emissora passou pois no começo da gravação havia uma mensagem que dizia: "Esse programa é uma produção independente e de responsabilidade de seus idealizadores", como normalmente aparece até hoje em alguns programas religiosos e de televenda, por isso não sei dizer qual canal passou, pode ter sido qualquer um. Nela um pastor de televisão estilo esses que passa na Record só que se passava no começo dos anos 90, filmado com uma câmera péssima, não algo distorcido cheio de chuviscos que impedem de identificar as coisas mas sim uma imagem opaca meio esverdeada com tons de rosa alternando para as cores normais em certos momentos, grande chance de estar danificada como algumas que havia visto antes.

Era um cenário só onde o pregador com uma cara parecida com a do Jim Jones fazia orações para o pessoal que assistia pela TV e em um estilo parecido com o fala que eu te escuto, recebia ligações das pessoas ao vivo, rolava algumas ligações no decorrer do programa, alguns pedidos toscos como uma senhora que queria se casar e pedia uma oração para encontrar um marido e outra que queria aprender a cozinhar, mas numa dessas ligações alguém que supostamente se diza dominado por algo, pede uma oração que o pastor atende e enquanto ele ora, a pessoa no telefone começa a tossir gradualmente até que fica um silencio na linha, o pastor continua com a oração e quando terminada, ainda em silencio por alguns segundos, a pessoa do outro lado da linha fala alguma coisa em um idioma estranho, não uma frase tipo um encantamento, duas palavrinhas bastaram.

Ao fundo se ouve as vozes do pessoal da produção perguntando o que tinha acontecido e do nada
ouve-se um grito, no mesmo instante o pastor olha pra frente, não focando a câmera e sim para o que
estava rolando pelos bastidores. A transmissão ainda continua e o pastor pergunta o que está acontecendo. 

Outra vez se escuta as mesmas palavras que a pessoa do telefonema tinha dito e o câmera que
operava o aparelho cai, fazendo com que a imagem se desenquadre, mirando ao chão, ainda pegando
uma parte do púlpito e do peito pra baixo do pastor, que após o ocorrido corre em direção ao
câmera para tentar socorrer, ele pede pra que a transmissão seja interrompida e que chamem por
socorro medico, nesse instante alguém do fundo vai em direção ao pastor com uma postura
ofensiva e nesse instante a transmissão de imagem para de ser exibida e entra uma comunicado de
problemas técnicos, porem o áudio ainda rolava, não muito nítido mas ainda de forma que se
podia ouvir.

O pastor que pelo que parecia havia sido agredido pede em nome de jesus para que
a pessoa pare, nesse instante há silencio no áudio e o pastor começa a orar sem parar mais e
mais, escuta-se uma tosse fraca seguida de choro junto ao som quase inaudível que parecia ser uma
discussão ao fundo. As discussões param e o que se ouve também parecem choros, sem parar de orar ele continua até q nada mais se ouve a não ser a voz do pastor, passam-se alguns segundos de oração
até que se escuta um som de engasgo e então silencio novamente, também se passam alguns segundos
e ainda sem imagem mas o áudio rodando, se ouve aquelas mesmas palavras próximo ao microfone
da câmera e a transmissão encerrou por completo.

Consegui converter ela para o PC, fiz o upload no Youtube e postei no Twitter, Reddit e 4chan, não para que alguém tentasse me explicar, reconhecer ou algo similar, mesmo que obviamente eu gostaria muito de saber, publiquei mais foi pra divulgar, algo que aconteceu e que nunca vi menção nenhuma na internet e nem meu pai que gravou lembra disso. Mas enfim, se você viveu no inicio dos anos 90, viu na TV ou sei lá e lembra disso e quiser divulgar, quem sabe encontramos mais pessoas que testemunharam isso e possamos descobrir o que aconteceu de fato.

Autor: Guilmour Zeroth

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A Verdadeira História dos Humanos - Parte 1

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No inicio, bem nos primeiros anos de um universo recém-nascido, os humanos eram perfeitos.
Oh, não estou me referindo ao Edén - poupem-me dessa história. Estou me referindo há milhões de anos, quando vivíamos em harmonia.

Deixe-me contar a história dos humanos, a verdadeira história dos humanos.

Perfeitos... (Parte 1)

Em um certo planeta chamado Rahu, haviam 3 humanos; um homem, uma mulher, e uma criança. Ambos eram perfeitos, não havia ódio, apenas amor e felicidade. Claro, como humanos mesmo naquela época tais possuíam os sentimentos, afinal somos humanos e isso é o que nos torna perfeitos pois aqueles sentimentos primitivos não eram corrompidos e nem rancorosos. Até mesmo o amor hoje é corrompido. Aqueles sentimentos eram lindos! Mesmo a raiva era uma "raiva de preocupação" sem nenhum tipo de ódio por detrás disso.

Sabe, estamos tão acostumados a comparar amor, felicidade, etc. com contos de fadas que esquecemos como a humanidade foi formada antes da chegada "deles"...

Os humanos de Rahu não possuíam nomes. Era desnecessário pois chamavam-se por "adjetivos". Porém, para podermos identificá-los os nomearemos para melhor distinção.

A mulher, chamaremos de Akemi - Em japonês significa "linda luz" ou "aquela que brilha lindamente", o homem chamaremos de Kerge - Em estoniano significa "luz", e a menina, Luna - derivado do latim que significa "Lua".

Seus nomes, em particular, têm uma ligação: "Kerge era a luz de Akemi. Akemi, com seu amor, fazia a luz de Kerge brilhar lindamente, brilho esse que era refletido por Luna, a Lua daqueles dois.

Antigamente, nós humanos, tínhamos uma rotina de paz... sem preocupações com o amanhã. Essa era, e ainda é, a nossa dádiva. Dádiva essa de viver apenas o presente mesmo sabendo que um dia a morte virá. Atualmente, poucos podem desfrutar dessa dádiva.

No entanto, vamos focar na história dos primeiros humanos.

No trecho "ambos eram perfeitos" não é um mero equívoco. Eramos realmente perfeitos" perfeição tal que os deuses e os outros seres invejavam; principalmente os deuses que agiam como bem entendiam.

Akemi e Luna estavam passeando pelas planícies de Rahu. Rahu era um planeta tão exuberante que dificilmente se acharia outro igual ou que chegasse perto de sua beleza natural.

Luna indagou sua mãe:

- Mãe, por que este planeta tem nos agradado tanto? Nós não fizemos nada digno de sua preciosa natureza e mesmo assim este planeta tem nos aceitado de bom agrado. Eu não entendo...

Akemi respondeu-lhe:

- Ora, Luna. Rahu era um planeta vazio. Não havia ninguém que apreciasse essas lindas paisagens. Por isso, Rahu sentia-se solitário. Pelo fato de habitarmos aqui, Rahu ficou agraciado e como forma de agradecimento tem produzido ainda mais desta preciosa natureza.

- Whoaaa! Conte-me mais, mamãe!

Em seguida, a terra produziu uma grande árvore. Em seus galhos havia variedades de flores que para nós hoje em dia é totalmente desconhecida. Era Rahu homenageando a primeira família que ali habitara.

Akemi logo a batizou de "Luna". O nome de sua própria filha. Luna de felicidade, deu-lhe um sorriso tão bobo que Akemi daria sua vida para ver aquele sorriso novamente

Kerge, de longe, avistou a árvore e correndo até ela encontrou as duas brincando em volta da dela.
Cheio de saudade Kerge exclamou:

- ESPOSA!

Akemi ouvindo a voz do seu amado, correu rapidamente para abraçá-lo.

- Meu amor, bem vindo de volta. Por que demoraste tanto? Sentimos tanto sua falta!

- Esposa, em minha jornada nunca estive tão solitário. Sem vocês a minha jornada parecia em vão. 

Mas agora, pude notar que não foi em vão. Descobri um local fixo, um paraíso para ficarmos! Antes, conte-me sobre esta grande árvore.

Depois de matarem a saudade, Akemi e Luna contaram-lhe sobre a homenagem que Rahu fizera. 

Chegando o pôr do Sol, a família partiu para a cabana de folhas que construíram.

Assim eram eles, uma família com tudo a sua volta.

Até chegarem eles...

Lá de cima, alem do céu de Rahu, Havia um deus que observava aquela família. Seu nome era...

FIM DA PRIMEIRA PARTE

Autor: The Truth

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Pressa

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Eu enlouqueci hoje assim que acordei. Acordar é natural, mas são situações naturais que enlouquecem quando elas saem do nosso controle.

E quando eu acordei eu vi tudo vermelho, achei que tinha sangue nos olhos, mas ele estava nas paredes. Eles querem me internar, mas quem nunca enlouqueceu? São poucos os que percebem, só isso. Olhei o quarto mais atentamente e achei engraçado. Tão trivial, visto todos os dias. Hoje, com uma bela mancha de sangue na parede salmão. Vejo meninas da minha idade que não enlouqueceram. Ainda.

Me sinto com o triplo da minha idade apesar dos ursinhos no quarto, e não sei o porquê.

Levei a mão aos olhos e senti o enrugado. Na parede, o meu único retrato de quando era jovem. Preto e branco.

"Pra que tanta pressa com oitenta e poucos anos?"

Me internaram no caixão.

Autora: Gabrielle Dias

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Conhece a Carla? Cuidado...

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Histórias de Cascahell – A Cidade Infernal é um compilado de histórias sobrenaturais que ocorreram com as pessoas que nessa cidade vivem, desde os tempos passados até os tempos atuais. Neste compilado, você encontrará as mais inusitadas e aterrorizantes situações e acompanhará o desenrolar e o desfecho da história a qual está sendo narrada, sempre com aquele pensamento: "o que será que vai acontecer".

Mas espere, Cascahell não é apenas a cidade dos acontecimentos misteriosos, bizarros e assustadores, é também a cidade do prazer, então prepare-se para encarar diversas cenas picantes que envolvem os moradores desta metrópole caótica em construção.

Antes de ler este episódio, tenha a certeza de ter lido o anterior: “Depois da Cervejada”


Bom, acredito que pelo menos um rosto surgiu em sua mente quando citei seu nome, mas não se preocupe, não é desta Carla que estou falando... Enfim, Carla é uma jovem mulher de 22 anos, estuda, trabalha, mora sozinha em um apartamento alugado, desses de quinta-categoria, localizado tão perto de seu trabalho quanto da instituição onde faz sua graduação.

Assim como qualquer jovem mulher, Carla é cuidadosa com sua aparência, estando sempre linda, sempre arrumada e perfumada, com seus lindos longos e ruivos cabelos, com seus lábios carnudos e sedutores rosados, sardinhas em seu rosto e com seu chamativo olhar de jade. Não há homem que não se encante com tal mulher, e não há mulher que não sinta ao menos um pingo de inveja de Carla.

Como toda mulher, Carla gosta de sair, de curtir uma festa, dançar, beber e conversar. Gosta de moda, de cinema e olha só, até de games e HQs. E claro, como toda mulher, ela gosta de homem. Mas ela não tem um gosto específico, pois todos eles tem basicamente o mesmo sabor.

Se você conhece a Carla de quem estou falando, já deve tê-la visto acompanhada de algum homem cuja aparência parece não estar a sua altura, e com toda certeza, se você a viu com este homem, jamais o verá novamente. Infelizmente, a única coisa que Carla não tem em comum com uma mulher normal é sua alimentação.

De vez em quando ela gosta de carne, carne humana masculina. E, se você é homem e conhece a Carla (na verdade você acha que a conhece), tome cuidado, não chegue perto e não se envolva com ela. O pior não é ser devorado por ela, pouco a pouco, o terror para os homens na verdade é que ela começa a se alimentar pelo seu "bal-bal", nem chegando a dar o prazer ao homem de possuí-la.

Infelizmente não sei como ela faz para esconder o corpo enquanto o devora (parece que ela leva cerca de 2 semanas para o fazer), mas com certeza ela deve ter um jeito infalível e muito bem escondido, pois estive duas vezes em sua casa, e não vi nem sinal do Jorge, o rapaz com quem a vi começo da semana. Nem mesmo dos outros rapazes, o Breno, Carlos, Matheus, Felipe, Maylon, Caíque e mais alguns aí no decorrer dos anos que a conheço.

Mas, fora este pequeno detalhe, Carla é um amor de pessoa.


Claro, se você for mulher, rsrs'

Autor: Alan Cruz (Não Entre Aqui)

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Fazendeira

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Ela fazia aquela comida cinzenta e aproveitava pra dizer o quanto eu era nojento mastigando, e como ela não aguentava mais ouvir a minha respiração ali. E saía, com aquele andar torto. A vida toda eu fugi de todo o barulho que eu podia. E mesmo vivendo no meio do mato como eu sempre quis, os gritos dela não cessavam. Não quis me dar um filho, disse que não queria outro de mim por perto. Uma vez, levei um filhote de cachorro pra fazenda, pra ver se as coisas melhoravam. Ela afogou o bichinho com gosto. Ela adorava dizer que um dia ia me colocar dentro de um saco junto com o lixo, porque era isso que eu era. Jogou todos os meus discos fora. Lembro daquelas mãos brancas, gordas e engorduradas colocando tudo em um saco preto, me perguntando por que eu não ia pro inferno junto com eles.

Um dia, perto do fim do ano, a vi matando uma galinha. Aquele chinelo arrebentado, o avental sujo e o cabelo ruivo preso em um lenço de bolinhas, praticamente uma cena cinematográfica. Imaginei como seria quebrar aquele pescoço do mesmo jeito que ela fez. Aprendi com a própria, e não teve erro. Se gostava tanto de sacos de lixo, deve estar feliz agora.
Jantei galinha ensopada, sozinho. Silêncio, finalmente.

Autora: Gabrielle Dias

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Depois da Cervejada

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Histórias de Cascahell – A Cidade Infernal é um compilado de histórias sobrenaturais que ocorreram com as pessoas que nessa cidade vivem, desde os tempos passados até os tempos atuais. Neste compilado, você encontrará as mais inusitadas e aterrorizantes situações e acompanhará o desenrolar e o desfecho da história a qual está sendo narrada, sempre com aquele pensamento: "o que será que vai acontecer".



Mas espere, Cascahell não é apenas a cidade dos acontecimentos misteriosos, bizarros e assustadores, é também a cidade do prazer, então prepare-se para encarar diversas cenas picantes que envolvem os moradores desta metrópole caótica em construção.

Antes de ler este episódio, tenha a certeza de ter lido o anterior: “Cuidado com o que Deseja


Olha, não sei se minha história é realmente assustadora, nem se vocês irão publicar isso, mas sem dúvidas foi a coisa mais estranha que me aconteceu em vida.

Como sabem, a juventude é uma coisa realmente boa, ser jovem é ter tempo livre, estar livre de compromissos e poder festar, festar muito. Eu era esse tipo de jovem, tinha 19 anos na época (hoje estou com 23), estava numa cervejada numa chácara, alguns poucos quilômetros da saída da cidade onde vivo.

Fui com uma galera para lá, eu e mais um camarada no meu carro (um saveiro cross 2010), e mais quatro amigos noutro carro. Chegamos lá tarde da noite, quase meia-noite, e por lá ficamos curtindo. Já era 3 da manhã, e eu já tinha de ir para a casa, me despedi dos amigos e aquele que veio comigo disse que voltaria com os demais, portanto, teria eu de voltar para casa sozinho.

Na saída, indo para o estacionamento, notei que havia uma garota próxima aos carros estacionados. Ela parecia estar chorando e não parava de me fitar enquanto me aproximava do meu carro. Eu destravei o carro e notei que a garota se aproximava, mesmo assim abri a porta, pronto para entrar.

- Com licença... – falou a garota.

- Ah, oi... – eu disse.

- Você está voltando para a cidade? – disse meio que em prantos.

- Sim, estou. O que houve? – não pude deixar de perguntar.

- Nada... só estou meio chateada... pode me dar uma carona?

Fiquei meio receoso, mas ela era uma linda garota, não poderia simplesmente deixá-la aqui.

- Sim, é claro. Entra aí. – e ela entrou, assim como eu.

Estava um pouco frio, logo que entramos liguei o carro e o aquecedor. Poucos instantes e já estávamos na rodovia. Era meio difícil não olhar para suas coxas grossas e morenas, e quem dirá para seu par de peitos enormes. Eu precisava quebrar o gelo estabelecido desde aqueles minutos em que entramos no carro até agora.

- Mas então... – fiz uma pausa, ela me fitou – você parece um pouco melhor. Poderia saber o porque de uma garota tão bonita estar em prantos sozinha no estacionamento de uma puta festa?

- Isso não é algo normal? – ela riu, logo que me respondeu.

- Bom... você não seria a primeira a chorar em festas, mas certamente é a primeira a quem eu dou carona. – ela me olhou e respirou profundamente.

- Pois é... – disse com a voz meio xoxa – a festa estava ótima. Mas o rapaz que eu estava afim ficou com uma outra garota.

- Vixi... aí é foda.

- Pois é...

E o assunto continuou, estávamos a 20 minutos da cidade, e algo muito surpreendente estava acontecendo. Eu e esta garota estávamos num entrosamento incrível, o triste rosto da garota se foi e agora ela ria comigo, até que, não me pergunte como, a conversa ficou apimentada. Era notável a timidez em seu rosto e, provavelmente no meu também, até que essa timidez foi quebrada quando a garota colocou sua mão esquerda em minha coxa.

- Nossa... vai nem me beijar antes – eu falei.

- Talvez seja melhor encostar – ela falou – e foi exatamente o que fiz. Parei no acostamento e mal parei o carro e já estávamos nos beijando. Mas, qualquer um sabe, uma saveiro não é o melhor automóvel para dar uma “tchu-tchada”, e eu não cogitaria transar ao céu aberto, ainda mais próximo dessa plantação de milho, que parecia entoar o ar sombrio daquele local.

Eu apalpava como podia suas coxas, seu bumbum e também seus peitos. Estávamos os dois loucos de vontade.

- Espera – eu falei – tem um motel aqui perto, topa?

- Só se for agora, seu cachorro – ela disse.

Não pensei duas vezes, liguei o carro novamente e já estava a caminho. O motel era próximo dali, dez minutos no máximo, ainda antes de chegar na cidade. Enquanto dirigia, Amanda abriu meu zíper e colocou a mão por dentro da minha cueca, pegando no meu membro.

- Nossa, você tá mesmo pegando fogo, não é?

- Você nem imagina – ela o tirou para fora, se abaixou e começou a chupá-lo.

Eu estava em êxtase. Nem mesmo minha namorada (isso quando eu namorava) fazia isso, e essa garota que eu mal conheci estava me surpreendendo e me dando uma experiência que eu jamais havia experimentado. Toda aquela adrenalina e libido aumentavam minha ansiedade para chegar no motel e poder desfrutar da gostosa que estava a me chupar, melando-me e quase se engasgando.

E finalmente chegamos. A garota ajeitou-se em seu lugar e limpou a boca com os dedos. Seu batom estava um pouco borrado, mas ela não estava a se preocupar com isso. Fechei o meu zíper e cheguei a recepção. Pedi um quarto e entramos, estacionando no interior do local logo em seguida.

Descemos do carro e fomos ao quarto. Abri a porta com a chave que a moça da recepção havia me entregado e entramos, já nos agarrando loucamente, batendo a porta atrás de nós. Eu tirei minha camisa no mesmo instante, mas Amanda se afastou e me disse que precisaria ir ao banheiro primeiro.

- Tudo bem - eu falei.

Ela entrou no banheiro e ali ficou, cinco, dez minutos, até eu começar a estranhar. Enquanto isso, eu estava na cama, esperando a porta do banheiro abrir e louco para ter aquela gostosa, mas quase 15 minutos haviam se passado.

- Amanda? – chamei por ela.

O silêncio corria o quarto.

- Amanda?... Tá tudo bem? – chamei outra vez por ela, e novamente nada. Me levantei e cheguei na porta do banheiro. Bati levemente e chamei outra vez por ela.

- Amanda? Você tá bem?

Não houve resposta. Eu peguei a maçaneta – vou entrar, ok? – e abri a porta lentamente.

Não havia ninguém lá dentro. O banheiro estava completamente vazio.

Fiquei estranhado com a situação, mas a janela do banheiro era grande o suficiente para que ela pudesse passar por ela. Mas por que diabos essa garota faria isso? Será que ela era doida?

Vesti minha camisa e saí do quarto onde estava e me dirigi à recepção, e foi aí que a cena ficou tensa. Ao chegar, perguntei a mesma recepcionista que me atendeu na entrada se ela havia visto onde a garota que chegou comigo havia ido, e sua resposta simplesmente me deixou boquiaberto.

- Mas senhor... – a recepcionista me olhou com estranheza – você não estava acompanhado quando chegou a nosso estabelecimento.

- O que? Mas é claro que estava! A garota ao meu lado é uma morena, dos cabelos lisos e pretos, com um vestidinho preto e branco, com uns brilhantes...

- Senhor... vai ter que me desculpar... mas eu não vi ninguém contigo.

Eu comecei a ficar estressado, afinal, teria de pagar pela hora no motel e nem sequer aproveitaria. Fora isso, ainda tinha de descobrir onde Amanda havia ido.

- Moça, eu cheguei neste local acompanhado. A garota provavelmente saiu pela janela do banheiro, os muros são altos e só há uma saída. Se ela não saiu, provavelmente ainda esteja aqui. Poderia verificar para mim?

Ela demorou alguns instantes enquanto checava com o pessoal da segurança.

- Senhor, ninguém chegou a ver uma garota com as características que nos passou. – Isso não fazia sentido, não fazia sentido algum, essa recepcionista só podia estar tirando uma com minha cara e – foi quando notei uma câmera, logo a frente, onde pegava os carros que chegava na recepção.

- Espera. Eu poderia verificar a gravação da câmera de segurança?

- Olha senhor, eu não tenho autorização para lhe exibir as filmagens – eu a interrompi, pedindo que fizesse uma exceção, que eu não sabia o que estava havendo e que precisava resolver isto, e, com um pouco de insistência, ela falou com o superior que autorizou e me encaminhou até o vigia que cuidava dos monitores.

Lá, expliquei toda a situação e ele localizou as filmagens, confirmando para mim que quem estava errado era eu.

Na filmagem aparece meu carro chegando, quando se aproximou da recepção era possível me ver claramente através do para brisas, e o banco acompanhante vazio ao meu lado.

Eu voltei para casa baqueado depois daquilo. Estava pasmo e até com medo. Mas nunca mais (até agora), algo assim me aconteceu. E somente hoje foi que eu descobri:

Uma jovem garota chamada Amanda foi encontrada morta naquele motel, dois anos antes do meu ocorrido. Eu procurei na internet e encontrei uma matéria do jornal de nossa cidade, onde explicava o trágico fim da vida de Amanda.

Após uma decepção amorosa, ela pegou carona para voltar para casa. Quem a apanhou era um homem de maus escrúpulos que aproveitou de sua fragilidade emocional e a seduziu, levando-a para o motel onde foi encontrada morta, estrangulada, no banheiro.

Em fotos na matéria, era possível ver que ela vestia exatamente a mesma roupa do dia em que a encontrei.

Autor: Alan Cruz (Não Entre Aqui)

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Velvet

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Ele me disse o seu nome, e era Bob. Eu já sabia. Eu te amo, Bob. Desde que eu apareci sob as luzes que você me olha com esses olhos tortos. E eu fiz o meu show só pra você, meu amor. Bob, seu eterno fracassado. Como você veio parar em um lugar como esse? E olha só você, de gravata tentando me enganar com esse copo cheio de uísque, não vê que o gelo já derreteu? Eu sussurrei o meu nome mas você não escutou. Uma pena, pois me reconheceria. Você me chamou, Bob, eu ouvi de longe. Por que você não pede mais uma dose, meu amor? Bob acendeu um cigarro e me contou da saudade que tinha da família, mas disse que os negócios iam muito bem.

Depois ele chorou. Pobre Bob, toma meu ombro. Toma mais uma dose. "Vamos para a minha casa?", ele pediu. Claro, meu bem, me leva até para o nono círculo do inferno que eu vou com você. E ele tirou o meu vestido de veludo e beijou a minha carne com delicadeza. Eu te amo tanto que você não pode mais viver, porque eu preciso de você, Bob. E eu cravei as minhas garras nos seus olhos mal feitos. Minhas asas finalmente se abriram e os seus lençóis arderam em fogo e sangue. Eu beijei os seus olhos perfurados. Você me fez viver novamente, Bob. Eu te amo. Tirei os meus sapatos de solas vermelhas e caminhei pela casa na ponta dos pés. Virei todos os crucifixos de cabeça para baixo e saí pela porta.

Boa noite, meu amor, você me chamou e aqui eu estou. Eu sou a Estrela da Manhã.

Autora: Gabrielle Dias

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A Ponte

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Dia sete de setembro, estava dirigindo em direção ao casamento de uma amiga que iria acontecer numa área florestal aos arredores da cidade em que morávamos. Era um dia calmo, havia um céu claro com milhares de estrelas e uma lua minguante, o clima estava agradável, a única coisa desconfortável era aquele vestido longo cheio de pedrarias que eu fui obrigada a usar já que seria madrinha no casamento. 

Enquanto dirigia notei que o sinal de GPS do meu celular começou a dar problemas, mas como no dia anterior eu mesma havia feito o percurso com Cecília para colocar plaquinhas indicativas que auxiliariam as pessoas a encontrarem o local da celebração não tive medo. Continuei dirigindo e um pouco a frente avistei uma destas placas com uma seta que apontava para a entrada por entre a floresta, era uma estrada estreita de terra vermelha, naquele ponto não haviam postes com luzes ou qualquer outra fonte de iluminação que não fossem os faróis do carro ou aquela linda lua minguante que parecia um sorriso estampado naquela imensidão em azul marinho.

Segui pelo caminho de terra atenta a qualquer sinalização já que meu GPS havia parado de funcionar completamente, avistei ao longe luzes na cor verde e fui em direção a elas, conforme me aproximava fui notando coisas que não me recordo de ter visto como uma ponte de madeira suspensa sobre um córrego. Enquanto o carro passava eu podia ouvir o ranger da madeira velha que parecia que iria ceder a qualquer momento, depois da ponte me vi entre altas árvores, a floresta ao meu redor parecia ter ficado mais densa, no entanto continuei na direção daquelas luzes. Ao chegar onde elas estavam notei que todo o caminho a partir dali estava iluminado por elas, ao meu ver parecia parte da decoração do casamento e aquilo não me preocupou. Continuei no caminho iluminado por cerca de 10 minutos e parecia que não tinha fim, pois até o limite da minha visão eu apenas via aquelas luzes, mas não o lugar onde aconteceria o casamento, decidi seguir por mais alguns minutos e caso não encontrasse nada voltaria para casa. O Som do carro começou a falhar, havia apenas estática, em seguida foram os faróis e por fim o motor, o carro apagou e eu entrei em pânico, não conhecia aquele lugar, não havia encontrado ninguém no caminho e se eu tivesse entrado no lugar errado quanto tempo levaria até conseguir socorro? Foi neste momento que comecei a ouvir algo semelhante a passos sobre galhos secos. Podia ser qualquer coisa, desde uma pessoa a um animal, olhei em todas as direções e não avistava nada, aquilo estava além dos limites das luzes e aquilo começou a mover-se mais rápido, podia ouvir as folhas sendo arrastadas e num extinto de preservação travei as portas do carro, reclinei o banco, mas os barulhos não paravam, parecia que algo estava à espreita, mas por algum motivo não se aproximava, talvez as luzes o mantivessem longe, ainda assim era apavorante não saber o que estava ali.

Ouvi o barulho de fogos e o céu inteiro se iluminou com eles que explodiam criando um show de luzes, aquele barulho fez com que aquela coisa se afastasse, eu pude ver o vulto dela se afastando por entre os troncos, ao meu ver, parecia um cachorro de tamanho mediano, pelos escuros e longos. Arrumei o banco e tentei religar o carro que funcionou normalmente para a minha surpresa, continuei dirigindo por aquela estrada iluminada, agora um pouco mais tranquila, ao longe comecei a ver partes da estrutura da festa, senti um alívio no peito e então notei que as luzes verdes acabavam a mais ou menos 200 metros de onde aconteceria a cerimônia, confesso que ao chegar na última luz hesitei em continuar. Minhas mãos estavam suadas e tremulas, meu coração começou a acelerar e eu podia sentir um calor estranho me invadir o corpo, enquanto estava parada tentando superar aquela ponta de medo, fui surpreendida por um estrondo sobre o carro, o teto afundou um pouco e aquilo me assustou e eu dei uma ré, ao fazer isso o que havia caído sobre o carro rolou para o meu para-brisas da frente, era o corpo de um homem, seu rosto havia sido totalmente destruído e dava para ver um buraco que lhe atravessava o corpo bem na altura do coração, eu queria sair dali mas o nervosismo me impedia, toda vez que eu tentava sair com o carro ele apagava, percebi então que havia um pouco mais ao longe uma área iluminada por uma única luz verde e nos limites dessa luz estavam algumas pessoas, haviam várias outras caídas ao chão, não precisava chegar mais próxima para ter certeza de que àqueles ao chão estavam mortos. 

Eu queria recuar, queria ir embora, ser a pessoa egoísta que sobrevive a este tipo de situação por ser esperta, mas não podia deixá-los. Sai do carro, caminhei até a luz que estava mais próxima a mim e percebi que ela não era alimentada por nenhum sistema de energia e sim por fogo, a substância que estava em combustão era que deixava aquilo no tom verde. Peguei o recipiente, céus eu senti a baforada de um ser que não podia enxergar, aquilo cheirava a enxofre, eu não a via mas podia sentir aquela presença junto a mim, a cada passo que dava, sentia essa intenção de ódio por não ser capaz de me atingir diretamente se eu pudesse apostar diria que os olhos dele me encaravam fixamente como o predador que era. Comecei a caminhar na direção daquelas pessoas levando nas mãos aquele recipiente e ouvindo por todos os lados os sons dos passos daquelas criaturas, as pessoas sob aquela luz eram minhas pessoas, meus amigos queridos, tentei evitar olhar para os que estavam caídos ao chão, pois perderia o pouco de coragem que tinha. Eles pegaram a outra fonte que os mantinha em segurança e nós fizemos essa espécie de barreira, eu ia iluminando a frente e atrás o noivo de Cecília segurava a outra luz. Ouvíamos o rosnar, sentíamos medo, mas parecia estar dando certo até que ao chegar na metade do caminho uma das pessoas foi puxada para longe, sim ela saiu da área iluminada por um instante, apenas isso foi o suficiente para eles atacarem. 

Éramos muitos, cerca de 12 pessoas, e os passos deviam ser lentos e coordenados, uma eternidade até chegarmos ao caminho das luzes, ali por um pequeno momento pude pensar que estávamos em segurança, mas a luz em minha mão apagou e eu notei que todas as luzes próximas já começavam a extinguir-se. A cada luz que se apagava eles avançavam sobre nós, as pessoas junto a mim desesperadas começaram a correr por entre o caminho iluminado buscando as luzes que estivessem mais vivas, mas parecia que todas estavam fadadas a se apagarem a qualquer momento e foi então que pensei e peguei alguns galhos secos, rasguei pedaços do meu vestido abri o tanque de gasolina enfiei la esperando que o tecido embebido em gasolina pudesse nos dar algum tempo, depois peguei um dos recipientes que ainda queimava e joguei o conteúdo dele naquela tocha improvisada e para a minha surpresa, mesmo ao ser alimentado com gasolina o fogo permanecia verde, nesse momento ouvimos aqueles que haviam se antecipado gritarem tão alto e depois um silêncio tenebroso se aplacou sobre o local, as luzes vezes haviam se apagado todas ao mesmo tempo, havia apenas aquela tocha em minha mão. 

Nós quatro ficamos de costas uns para os outros nos mantendo sob a luz, tudo que fazíamos era coordenado, mas não teríamos muito tempo pois a chama já começava a diminuir, tudo além daquele ponto estava escuro e além do que podíamos ver tinham predadores ávidos, prontos para extinguir nossas vidas. Precisava de mais daquele líquido das lanternas apagadas, ainda que algumas gotas, por isso Carlos segurou a tocha bem alta sobre nós enquanto eu pegava cada recipiente, conseguimos pegar apenas 2, pois se fossemos além estaríamos longe do carro e isso não fazia parte dos meus planos. Voltamos para perto do carro, ao analisar os recipientes notei que havia fluído, o que era estranho pois não explicava o motivo de todos terem se apagado praticamente no mesmo momento. Acendi as três usando o fogo da chama, em seguida peguei uma tira do vestido de Cecília e percebemos que o fogo verde desde que alimentado por qualquer fonte permanecia verde, então tive a ideia mais louca da minha vida, usando um pedaço de um galho, e tecido embebi o carro no lado externo com gasolina e em seguida Carlos ateou fogo no carro, sim, o carro inteiro virou uma fonte daquele fogo verde e tínhamos pouco tempo até que ele se extinguisse ou devorasse o devorasse todo portanto fomos rápido para dentro e eu dirigi como nunca havia feito na vida. Senti o solavanco quando os pneus passaram por cima de corpos no meio do caminho, ainda assim podia ouvir o som das criaturas correndo pela escuridão.

Dentro do carro estava um forno, havia muita fumaça, mas ao cruzar a ponte, aquela estranha ponte de madeira da qual eu não recordava os sons das criaturas desapareceu completamente, acelerei ainda mais a ponto de quase perder o controle, mal conseguia deixar os olhos abertos devido ao calor e a fumaça e o trajeto que antes havia feito em 20 a 30 minutos devo ter levado uns 10. Ao chegar na pista o fogo já havia passado para o lado interno do carro nos obrigando a abandonar o veículo. Apavorados ficamos sem saber se era seguro permanecer próximo ao carro que poderia explodir a qualquer momento ou se deveríamos nos aventurar na escuridão. Senti que era seguro então fui a primeira a deixar a área iluminada, os outros vieram em seguida e assistimos o carro ser consumido pelo fogo e explodir não muito tempo depois.

O sol se levantou e conseguimos ajuda com um caminhoneiro que passou e chamou a polícia e uma ambulância. Contamos tudo o que aconteceu, mas acabamos ficando como mentirosos pois nem mesmo um corpo foi encontrado no caminho que descrevemos, não apenas isso, as pessoas que morreram naquele lugar não morreram de fato, na verdade aqueles convidados jamais conseguiram chegar ao local da cerimônia pois perderam-se no caminho, apenas nos quatro sabemos o que aconteceu naquele lugar, mas por algum motivo acho que aquela ponte seja uma passagem para uma outra realidade, na qual durante a noite seres das trevas saem para caçar pessoas e que entramos e saímos por pura sorte, meu único desejo é que nenhum deles encontre uma passagem para o lado de cá...


Autora: Will França

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Alma Interna

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A campainha de casa toca. Meu pai que já sabia do que se tratava depois de tanto tempo de espera, já desce as escadas correndo até a porta. Passando pela cozinha ele avisa minha mãe, dizendo para reunir as crianças até a sala. Ele finalmente abre a porta na segunda campainha e encontra dois homens, ambos com certa cara de tédio e desgosto pelo trabalho. Não se conseguia ver o brilho em seus olhares, o mesmo brilho que era esbanjado no comercial do produto. Junto deles estavam uma grande e comprida caixa, lembrando uma espécie de caixão de ferro.

Meu pai os convida a entrar e logo eles entram sem dizer uma palavra. Minha mãe aguarda na sala com eu e minha irmã e logo avista- o pai guiando os empregados e o caixão até a sala. "Pode deixar aqui." Diz meu pai para os entregadores. Eles depositam a pesada caixa sobre o carpete, fazendo o chão de madeira embaixo dar uma leve rangida. Nossa casa não era velha, era até chique, de uma maneira rústica. Um lindo chão de madeira, junto detalhes feito por artesões especialmente para a casa, todos contratados pelo meu pai. Ele era uma pessoa que gostava de estar por dentro da ''moda'' atual de sua própria maneira. No fim era um homem sábio.

Ele se reúne junto da gente e nos abraça, ansioso para nos mostrar sua surpresa. Os homens começam a mexer entorno da caixa, configurando seu funcionamento. Uma luz verde brilha no topo dela e uma porta surge em sua frente, abrindo a lacrada caixa de ferro. Os homens que mexem em sua parte de trás ao perceberem a movimentação dela logo se levantam e levam uma prancheta com um papel para meu pai. Ele estava fascinado com o movimento da caixa e nem percebe o homem a sua frente. Ele agarra correndo e com dificuldade a caneta e assina o papel sem nem ver do que se tratava. Os homens vão embora pela porta, ambos sem falar nada. A caixa se abre por completo e um humanoide robótico desce dela.

Meu pai fascinado, minha mãe com uma cara de medo conforme aquilo pisa sobre o carpete, mostrando que a maioria do peso da casa vinha daquilo. Minha irmã olhava com desgosto, tédio, querendo voltar logo para seu quarto. No momento observei aquilo com certa admiração. Não sabia do que se tratava aquilo, mas me interessava a nova surpresa do pai. O Robô coloca seu outro pé no carpete e até aquele momento uma expressão viva ainda não vinha dele.

Meu pai que estava aguardando algo avança para a caixa e procura algo dentro, puxando um controle e voltando para junto da gente. Ele analisa o controle e aperta um botão nele, mirando contra o Robô. Seus olhos começam a brilhar sua cabeça se ergue, observando a família. Sua análise começa a observar as expressões de casa ser ali. Vendo por toda a sua programação, tentando entender o padrão da família que o "adotou".

"Meu nome de fábrica é SCP-1951 mas minha configuração aceita e por parte da família qualquer outro nome que seja de seu interesse." Ele vira a cabeça com uma cara sempre curiosa depois de se apresentar. "Você deve ser o dono dessa família." Diz ele se aproximando 3 passos antes que minha mãe entrasse atrás de meu pai e minha irmã ficasse tentando se mostrar enfrentando aquela coisa que para ela não passava de lata velha. Eu vou indo junto de minha mãe ainda curiosa. Ele para ao ver a movimentação repentina e encara minha mãe.

Com um severo olhar vazio. Como que uma máquina consegue dar tal sentimento a uma pessoa? Ela se vira para minha irmã e eu e nos encara profundamente. Se virando para meu pai que analisava seus comportamentos com admiração. "Seja bem-vindo" Disse meu pai. "É uma honra ter você na família a partir de agora." Diz enquanto olha com vergonha para sua filha e mulher que se escondiam de seu novo convidado. "Sou programado para executar qualquer atividade doméstica, caso queira posso iniciar automaticamente um reconhecimento local para vasculha de deveres" Interrompe a máquina, olhando para meu pai. Ele pega o controle analisando ele e olha para o Robô.

"Claro, claro, pode começar o seu... Reconhecimento." Meu pai parecia cada vez mais surpreendido por cada ação de qualquer forma mais simples que seja do novo membro. O resto da tarde parecia normal. Minha irmã em seu quarto ouvindo música. Minha mãe que não parava quieta pela casa e eu a seguindo feito uma sombra. O pai que não saia de seu escritório e que passou a tarde inteira lendo com prazer todo o manual de sua compra. Eu percebia que a mãe não se sentia bem com aquilo perambulando pela casa.

Sempre que nos encontrávamos ela colocava a mãe sobre mim e passava rápido por aquilo. Eu lembro das palavras do pai dizendo que o nosso medo não passava de baboseira e que aquilo nem nos reconhecia, só estava ali para ajudar em trabalhos definidos. Mas mesmo assim eu conseguia sentir algo vivo ali. Uma alma que observava além da lataria. Logo anoiteceu e na sala o pai pegou e por seu poderoso controle que ele carregou por todo o lugar naquele dia, repousa o até o momento convidado sem nome.

Minha mãe observava da porta da cozinha meio desconfiada se aquilo realmente iria se desligar e não ficar vagando pela casa de madrugada. Eu junto dela observava interessada naquilo tudo. Minha irmã passou com suas músicas em fones extremamente altos, dizendo quase gritando. "Essa coisa feia vai ficar aqui embaixo junto comigo?" O pai disse que não havia problema nenhum, que ele não passaria nada mais como um móvel ali.

Minha mãe vai seguindo minha irmã para o quarto. Quase fui junto dela mas parei ao ver um suspeito movimento do robô, uma virada de cabeça rápida e direta para minha irmã. Jogando algo que eu mesmo senti, somente por passar no raio de sua visão. Olho para ela e percebo que ela não se abalou em nada. Nem mesmo olhou para trás. Talvez sua música alta impediu ela de sentir aquilo. Coisa que deve ter alertado o sentido materno dela.

Logo ela voltou cansada depois de conversar e fazer ela dormir. De fato uma luta difícil fazer ela largar aqueles fones. Eu estava esperando ela no sofá, olhando o Robô que parecia estar completamente inerte em seu carregamento. Ela chega bem rápida puxando eu, enquanto olha para ele bem perturbada. Vou indo junto, subindo as escadas até meu quarto. O pai já estava na cama, lendo seu livrinho para dormir.

A mãe era a que sempre me colocava para dormir. E não foi diferente hoje, ela veio me enfiou debaixo das cobertas e foi embora, deixando somente o abajur antigo aceso. Ela parecia querer sair logo da escuridão e poder descansar em sua cama. Eu ouço seus passos até o quarto, enquanto minha visão já vai se fechando, caindo no sono. Consigo até ouvir sua porta encostando de leve. Ao longe por último depois de alguns segundos ouço uma série de rangidos e outro som de porta, como uma fechadura se trancando.

Pareço apagar por algum tempo indefinido. Quase que me perguntando onde estava. Logo identifico o que parece me acordar. Uma espécie de assobio irritante e que misturava outros sons juntos. Algo tremia junto do som. Um som horrível. Eu vou me levantando da cama, pisando com cuidado no chão e sentindo um leve arrepio de natureza ao colocar o pé tão próximo de debaixo da cama. Algo como um trama natural. Vou indo até a porta, abrindo ela e observando uma completa escuridão. No final do corredor estava a porta do quarto de meus pais.

Quase era impossível enxergar tal. Vou em direção do quarto dos pais, me chocando com a porta ao ver que ela estava completamente trancada. Me confundo e dou umas batidinhas na porta, cansada. Não ouço nada de dentro e o som lá de baixo encontra meu ouvido novamente e me viro para as escadas, vendo um pequeno brilho vindo do corredor do quarto de minha irmã. Vou indo passo por passo, dormindo em pé. Seguro no corrimão com dificuldade pela altura de tal. Chegando embaixo vejo que toda a luz sai por debaixo da porta dela. Olho intrigada. Pensando: "Hmmm, o que será que Cecília está aprontando."

Me jogo na porta abrindo ela e me deparando com aquela cena. Aquela máquina estava lá. De seus olhos e bocas saiam uma luz colorida, alternando de azul e vermelha, girando por todo o quarto. O som saia de uma maneira tão baixa para a cara que se tornava ali. Com ele de costas eu só conseguia ver uma poça líquida derramada por todo o chão. Brilhando conforme a luz passava entre ela e erguido em suas grandes mãos de lata estava minha irmã.

Fragmentada fisicamente de uma forma deprimente mas com esperança de que sua alma saia de seu sofrido casulo de carne agora aberto.

Autor: Luiz Felipe Kantovitz

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TAMAN SHUD - Capítulo 3

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Através dos anos havia se tornado involuntariamente um barqueiro, experiente nas tarefas de manutenção de grandes barcos, e tinha um emprego fixo no porto. Não tinha mais muitas preocupações, conseguia dinheiro para comprar sua comida e manter sua casa, não pensava em mais nada, não pensava em filhos, em esposa, em muitos amigos e nem no passado. Principalmente no passado.

Em uma manhã de segunda-feira, Agungu, um colega de trabalho de Erick apareceu em sua casa com seu pastor alemão e amigo inseparável Budi, estava ofegante, mas esboçava um grande sorriso no rosto:

- Tenho grandes novidades meu amigo – Disse Agungu quase não conseguindo concluir a frase por falta de ar – Como você deve saber, o Ourang Medan está pronto para o mar, e o Capitão me convidou para fazer parte da tripulação.

- Parabéns Agungu – respondeu Erick ainda com o que restava de sua expressão mais indiferente.

- Ah, meu caro amigo, você acha que viria aqui correndo até sua casa somente para me gabar de ter conseguido uma grana extra? O Capitão perguntou se eu conhecia mais alguém capacitado e eu indiquei você, ele pediu para te chamar, então? O que me diz? Vamos trabalhar juntos e embarcados!

- Eu recuso, obrigado pelo recado Agungu

Confuso demais para dar uma resposta de imediato, Agungu involuntariamente esperou alguns minutos em silêncio até responde-lo:

- Do que você está falando Erick? A grana é boa! O emprego é bom, qual o seu problema?

- Eu não trabalho mais embarcado

- E você chegou aqui como? Passou anos trabalhando embarcado, você sabe o que fazer. Enfim, repensa isso Erick, o que você tem a perder?

Erick permaneceu em silêncio com sua expressão de sempre. Budi se aproximou de Erick e enfiou a cabeça entre suas pernas e abanou o rabo. Erick acariciou-o e esboçou algo próximo de um sorriso.

- Budi vai conosco, repensa isso – Disse Agungu mais uma vez antes de se virar e partir.

No dia seguinte as 05:00 horas da manhã como de costume Erick estava no porto, pôde dar mais uma olhada no Ourang Medan e se imaginou embarcado mais uma vez, talvez não fosse uma ideia tão ruim, também seria bom porque não teria mais tanto tempo livre para ficar acordando fantasmas de seu passado. Na metade da manhã daquele mesmo dia confirmou sua presença na embarcação com o Capitão e avisou Agungu, que o convidou para fumar uns charutos e beber a noite. Erick recusou, iria ir para casa se organizar, partiriam em breve.

Autor: Alison Silveira Morais

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TAMAN SHUD - Capítulo 2

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Na madrugada seguinte resolveu voltar ao cemitério. Levou consigo o lampião, uma plataforma de madeira e cordas. Chegando na beira do buraco, colocou o lampião sobre a base de madeira e amarrou como um pêndulo para ir abaixando a luz pelo buraco até poder enxergar o fundo. Percebeu que o buraco tinha em torno de dez metros de profundidade, e quando a base de madeira tocou algo ele parou para observar o que mais temia. Ian estava morto, deitado com os

olhos arregalados e segurando o saco, imóvel sobre uma pilha gigantesca de ossos e crânios. Não havia mais nada a ser feito por ele. Erick içou o lampião novamente, enrolou as cordas, botou a base de madeira de baixo do braço e fez o mesmo caminho de saída do dia anterior.

Porque sentia o que estava sentindo? Não se importava com Ian, nunca tinha se importado, mas uma coisa não deixava sua mente descansar, Ian gritando “Eu morro”. Toda vez que fechava os olhos vinha o grito de desespero. Começou a sofrer com pesadelos onde ele era quem caia no buraco e os corpos dos cadáveres estavam em decomposição, infestados de peste e vermes. Imaginava ter que morrer entre corpos apodrecidos e acordava num susto. Isso estava deixando-o insano aos poucos. Acordava com arranhões profundos nos braços e barriga, às vezes com hematomas roxos nas costelas e pernas. Nunca conseguia descansar verdadeiramente, acordava durante as madrugadas com sussurros e batidas, mas quando abria os olhos não via nada e nem ninguém. Erick parou de comer e não sentia mais nada. Não conseguia pensar em roubos, em assaltos e nem riquezas. Só conseguia pensar em fugir daquele buraco infernal chamado Edimburgo o quanto antes.

Poucas semanas se passaram até que Erick decidiu partir da cidade a pé mesmo, como um andarilho amaldiçoado. Sentia uma presença seguindo-o dia e noite, como um peso extra em suas costas que deixava sua visão menos nítida e o ar rançoso, não conseguia mais respirar fundo e raciocinar logicamente, porém, prosseguiu seu caminho, pegou caronas, se infiltrou em vagões de carga, roubou cavalos e os abandonou, chegou a um porto após atravessar todo o Reino Unido e se ofereceu para trabalhar em um barco cargueiro. Partiu para o Mar Mediterrâneo. Muitos anos se passaram e as ocupações de Erick o faziam aos poucos deixar o episódio macabro de sua vida para trás e aquela presença que o perseguia foi perdendo força. Viveu alguns meses no Oriente Médio e viajou para o Kwait e Índia. Após 7 anos de viagem, partindo da Escócia, Erick havia parado finalmente em uma cidade chamada Medan, na Sumatra, um pedaço paradisíaco da Indonésia. Erick pensava ter finalmente encontrado seu lugar entre as canoas, rios e casas sobre as águas e pesca artesanal. Mas estava muito enganado.

Autor: Alison Silveira Morais

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O BLOG ESTÁ DE CARA NOVA!!!

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Finalmente, depois de muito tempo, conseguimos finalizar todas as atualizações e novidades aqui no blog! Como muitos de vocês devem ter notado, ao longo desses últimos dias, decidimos dar uma bela de uma repaginada no nosso site (mudanças de layout, conserto de bugs, etc), então pegamos firme para fazer exatamente isso junto com nosso querido Alex Lupóz (dono do site Grito de Horror) que sempre nos ajudou com essa parte do site.

Queríamos dar uma cara nova ao CPBr, mas ao mesmo tempo sem perder a essência clássica que sempre tivemos aqui, para que todos continuem familiarizados com o blog como ele sempre foi. Após muitas tentativas, ccreditamos que conseguimos atingir o resultado que tanto buscávamos. Segue agora a lista de todas as alterações feitas por aqui, para que todos possam ficar cientes de tudo:

- Temos agora um novo logo. Além de se encaixar melhor no blog, ele também inclui diversos protagonistas de creepypastas populares, para deixar o blog com um tom ainda mais macabro. Além disso, apresentamos nosso novo slogan: Keep It Creepy (ideia da Divina, deem créditos totais a ela);

- O fundo do blog também foi alterado, especificamente na tonalidade do mesmo;

- A cor de fundo dos posts e das gadgets foram alteradas, para uma leitura mais agradável;

- Diversos bugs bizarros no blog foram corrigidos, inclusive em relação as próprias gadgets;

- Os comentários continuam sendo pelo próprio Blogger, como sempre foram. Tentamos adicionar o sistema da "Disqus" para isso, porém não foi muito popular entre a galera do blog, então decidimos retomar ao sistema clássico;

- Todas as páginas importantes ("Quem Somos Nós", "Perguntas e Respostas" e "Contato") podem ser acessadas na parte superior do blog, assim como nossa Fanpage, Canal do Youtube e Home do Blog;

- Fizemos uma limpa na parte de parceiros, pois diversos blogs e canais se encontram inativos ou descontinuaram seus projetos;

- O domínio do blog (www.creepypastabrasil.com.br) foi renovado por mais um ano, então não precisam se preocupar quanto ao acesso do mesmo;

- Tudo poderá ser facilmente acessado pela barra lateral direita, pois todas as gadgets foram devidamente organizadas;

- Os textos não podem ser selecionados, para evitar quaisquer tipo de plágio de conteúdo;

- O cursor de mouse do Slenderman permanece observando todos que nos acessam;

- Para navegar entre as páginas do blog, apresentamos duas opções: Clicar nos botões no final de cada página para navegar entre as páginas anteriores (as páginas numerais estavam dando muitos problemas e bugs), ou usar a aba de "Histórico de Creepypastas" no lado direito para conseguir facilmente visualizar e escolher as histórias que desejar ler;

- Por fim, mas não menos importante, temos agora uma página oficial do "Apoia.se"! Para quem não conhece, se trata de uma plataforma onde qualquer pessoa pode contribuir financeiramente com qualquer valor para ajudar ainda mais o blog. Nossa campanha também possui diversas recompensas e metas bacanas, para incentivar a galera que tem interesse em nos ajudar ainda mais. Para acessar nossa página, você pode tanto clicar no ícone do lado direito do blog, como também nesse link: https://apoia.se/creepypastabrasil

Gostaríamos muito que vocês nos dissessem o que acharam dessas mudanças no blog aqui nos comentários, e caso tenham alguma ideia ou sugestão (especialmente para nossa página do Apoia.se), fiquem a vontade para se expressarem também! Caso tenha algum detalhe, vamos dando esses toques finais de acordo com o feedback de vocês.

Sempre fizemos esse site com muito amor para vocês, e continuaremos assim por muito tempo, proporcionando o terror aos amantes de leitura pelo Brasil afora. Muito obrigado por todo carinho ao longo de todos esses anos, e acima de tudo, Keep It Creepy! ❤

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TAMAN SHUD - Capítulo 1

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Erick e Ian estavam em frente ao portão. Estava chovendo enquanto eles fitavam os muros de pedras e tentavam acender o lampião que tinha apagado. A escuridão era asfixiante, e o frio estava longe de deixar as coisas menos ruins. Ian teve a impressão de ver alguém subindo as escadas de uma das torres, teve imediatamente a impressão que estava ficando louco de ver alguém de madrugada em um cemitério. Resolveu voltar suas atenções ao lampião e não comentar nada com Erick.

Ian era o nome dado ao menino de dezesseis anos com olhos profundos demais para sua idade e muito magro. Ele não sabia seu sobrenome e nem seu verdadeiro nome, se é que um dia teve algum nome verdadeiro, havia sido abandonado pela família, viveu grande parte da vida em um orfanato, de onde conseguiu fugir há alguns meses atrás. Pensou que talvez alguém fosse atrás dele, mas isso não aconteceu, não sabia se achava isso bom ou ruim. No entanto, encontrou um amigo nas ruas, Erick.

Erick McFarlane era mais corpulento, tinha completado dezoito anos recentemente, não era muito mais alto que Ian, mas tinha costas largas, seu rosto estava sempre sério. Seus lábios nunca se curvavam, nem para cima, nem para baixo. Sua constante feição de indiferença foi muito mal interpretada durante o funeral de seu pai e irmão. Todos morreram no desastre da mina em Knockshinnoch. Sua mãe cometeu suicídio uma semana depois. Erick então foi para Edimburgo, ouvia dizer que era o único lugar da Escócia que valia a pena. Estavam todos errados. Ganhava a vida agora cometendo alguns pequenos furtos e assaltos durante as noites. Duas vidas que se encontraram no limite do desespero e miséria. E que acabaria da mesma forma.

O cemitério de Greyfriars Kirkyard era um local recorrente na mente de Erick, sabia que lá havia muita gente enterrada, muitos deles reis, gente importante da política e da igreja. O quão fácil seria invadir as tumbas subterrâneas levando em conta sua perícia? Quantos desses desgraçados haviam sido enterrados com dentes de ouro, roupas chiques com botões e brasões,

medalhas e joias. Erick havia encorajado Ian a ajuda-lo, prometendo 10% do que conseguissem. Ian estava lá. Como um fiel escudeiro e amigo.

Acenderam o lampião, arrombaram o portão e entraram. Erick havia estudado o local e sabia para onde ir. Ian somente o seguia. Sentia algum tipo de admiração por Erick e seu jeito sistemático de agir. Pensava nele talvez, como um irmão mais velho que nunca teve, mesmo que o sentimento não fosse recíproco.

- Vamos entrar, arrombar o que for preciso arrombar, abrir o que for preciso abrir e pegar o que conseguirmos carregar. Vamos embora antes do sol sair. Entendeu?

- Claro – respondeu de imediato Ian, enquanto seus níveis de adrenalina subiam a níveis que não imaginava.

Depois de algum esforço obtiveram acesso ás primeiras tumbas, o cheiro era de mofo e o ar parecia denso de tanta umidade. Erick deu um saco grande feito de pano e disse para Ian segura-lo com firmeza enquanto violava os caixões e derrubava as tampas de pedra das sepulturas. Sinceramente, as primeiras horas haviam sido uma total decepção, uma perda de tempo que deixou Erick furioso e com vontade de desistir. No entanto, havia um jazigo a frente que o chamou atenção. Seguindo até lá abriu o primeiro compartimento com um golpe de pedra e viu o esqueleto de alguém. Puxou aos pedaços o que parecia ser um homem fardado. Encontrou em seu uniforme medalhas de prata e ouro, e isso trouxe todo o combustível e vigor que precisava para continuar a aventura até o nascer do sol.

Muitas horas depois, cansados, resolveram parar, Erick então sugeriu terminar aquele complexo e voltar outro dia, pois tinha certeza que conseguiriam algum dinheiro com o que tinham roubado. Ian olhava para Erick através do vidro do lampião e sorria de canto de boca. Pensava nas duplas de histórias fantásticas que lia em quadrinhos e em seus atos heroicos, imaginava uma parceria infalível, era afinal, muito estranho se sentir tão feliz em um lugar tão horrível fazendo algo tão repulsivo. Mas sentia isso.

- Só mais um e vamos embora. Devemos ter ainda algum tempo.

- Tudo bem – concordou Ian meio a contragosto, seus pés estavam o matando e suas magras costas estavam doloridas de carregar o saco.

Seguindo para mais um jazigo, Erick leu “Sir George MacKenzie” e cuspiu no chão enojado com o “Sir”, logo abaixo do nome esculpido em pedra havia uma placa de madeira escrito “Taman Shud” ao qual Erick arremessou longe. Tentou violar o túmulo, porém estava tendo muita dificuldade, então pediu para que Ian lhe trouxesse um pedaço de granito pontiagudo que estava atrás dele. Quando Ian virou, sua perna fraquejou e sentiu seu pé afundando. O lampião estava com Erick então não pôde perceber quando o chão rachou e abriu um buraco bem em baixo dele. Enquanto caia, a luz se afastava e pensava que sem dúvidas iria morrer. Erick viu tudo e correu até a cratera tentando observar o fundo daquele buraco. Ouviu um baque e gritou por Ian, que logo respondeu:

- Erick, eu caí, acho que quebrei a perna, eu acho que... eu acho que eu morro, eu morro se não me ajudarem logo. Você vai descer aqui?

- Cala a boca seu bebê chorão, você está com o saco?

- Sim, está aqui, você vai chamar a cruz vermelha? Vai descer aqui?

- Eu não consigo te ver daqui. Esse buraco é enorme, como você acha que vou entrar aí dentro? Você perdeu o juízo?

- Erick, chama ajuda... eu...eu morro...se.… se...

- Como você acha que vou pedir ajuda seu imbecil? Vou dizer o que para as autoridades? Que estávamos fazendo um passeio por esse maldito lugar? Eu vou ser preso! Você vai ter que se virar, e é melhor conseguir trazer esse saco com você. Você não é mais criança.

- Seu desgraçado, seu miserável! Eu não consigo me mexer! Eu vou morrer aqui – gritou Ian com todo o ar de seus pulmões em desespero.

Erick estava sem saída. Por um lado, queria somente sair dali, mas podia fazer isso e deixar Ian desamparado? Pensou em todas as desgraças de sua vida, e percebeu que, talvez aquilo não fosse nada demais. Fechou a cara inconscientemente, levantou e se dirigiu para fora daquele lugar enquanto Ian gritava por ajuda. Erick pensava nas medalhas. Aquela noite ele não dormiu.

Autor: Alison Silveira Morais

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Mas gosto de ser sozinho livre para voar

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O sol estava tão forte quanto nos dias anteriores, mas se eu não tivesse saído com umas blusas extras estaria com os dentes batendo a essa hora. Chega a ser estranho ter mais um ano letivo começando e mais livros para comprar pra Luna. A impressão é de que nem um mês se passou desde a última vez que fiz isso. E Caramba, a Luna! Como está crescida! Fico bobo de pensar que alguns anos atrás ela não passava do meu joelho!

A livraria que frequento daqui de Andover é pouco movimentada. É moderna de certa forma por ter um daqueles sistemas de postos de combustível em que você paga o que compra sem ter interação com outra pessoa, só deixa o dinheiro lá e leva o que precisa. Não costumo ver outros clientes além de mim na loja e isso acaba por aumentar minha preferência pelo estabelecimento.

Nunca consigo lembrar dos livros que tenho de comprar pra Luna, o que me faz gastar mais tempo na livraria do que gostaria, mas de alguma maneira sempre acerto na escolha. Acho que tenho muita sorte, pois na maioria das vezes parece que só estou pegando um livro aleatório da prateleira.

O que estou levando hoje é um daqueles livros didáticos padrões de escolas públicas. Luna é fascinada por biologia, então escolhi um desse tema. Espero que não esteja avançado demais pra série dela.

No caminho de volta senti um embrulho estranho no estômago… acho que estou esquecendo de algo. Será que tinha outro livro? É melhor me apressar e perguntar a ela, não seria justo a pequenina perder aulas por erro meu.

A calçada e o asfalto agora pareciam dançar sob meus olhos que insistiam em se fechar. Definitivamente não estava bem e a sensação piorava conforme chegava perto de casa. Lutei bravamente tentando seguir adiante sabendo que não podia me atrasar. Odiaria deixar Luna sozinha à noite.

A última coisa de que me lembro é de ter desabado na sarjeta com minha cabeça pesando mais de uma tonelada, pendendo pro lado do poste enquanto a visão escurecia.

“Luna, querida…”

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Acordei tonto no chão depois de um sonho esquisito e senti a garganta fechar ao tentar engolir em seco… “Espera, foi um sonho?” Esse mal estar me deixou confuso, espero não ter apagado por muito tempo.

Sentei no assoalho de pernas cruzadas e agradeci ao perceber que estava em casa. Graças a Deus consegui voltar. Vi também que o livro estava meio aberto no chão e me senti mais aliviado ao saber que consegui trazê-lo também. Só que tinha algo errado. As páginas não estavam nele, só a capa. Os carimbos estampados lembravam aqueles de escola pública e tinham os dizeres padrões de “venda proibida”, “distribuição gratuita” e em outro mais embaixo “registros testes - necrofilia”. “QUE?”

Senti um aperto gélido no coração. O que eu estava pensando ao trazer uma coisa dessas pra Luna? E onde estão as páginas? Será que Luna as encontrou? Nunca vou me perdoar se tiver acontecido.

Percebi umas letras miúdas no canto da página que também diziam “Registros Luna - dia 1”.

“Ah, é mesmo” - Pensei soltando um risinho aliviado - “Não tenho filha”.

Melhor eu me apressar, Luna pode ficar entendiada me esperando sozinha lá embaixo.

Autor: Otomai

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Garotinha

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Fiquei até mais tarde na empresa, o que significa que já está em um horário avançado.

Esta cidade é muito pequena e rural, então na voltar para casa passo por trechos cercados somente por plantações e árvores.

Lembro-me fortemente de minha primeira volta após o anoitecer nessa estrada e isso me assombra todas as vezes que passo por aqui.

Tinha acabado de ser transferido para China, ainda era muito imaturo, e nesse fatídico dia cometi o pior erro da minha vida.

Alguns quilômetros à frente há uma pequena fazenda, creio que uma das crianças da casa saiu à noite naquela ocasião, pois quando passava em frente ao local, tarde demais para qualquer reação, vi uma figura - parecia uma menina, mas não tenho certeza já que foi muito rápido - tentar atravessar a estrada correndo.

Me acharão um monstro pelo que fiz a seguir, mas é preciso saber antes de me julgar que não é um comportamento incomum na China.

Aqui, segundo as leis de trânsito, em caso atropelamento se o lesado ficar incapacitado, o atropelador deverá pagar indenização durante toda a vida da vítima. Já se ocorrer a morte, a quantia destinada a família do que partiu é significativamente menor.

Sim, passei mais uma vez com o carro para certificar-me que não sobraria uma testemunha.

Me odeio cada vez que lembro disso, era uma criança, meu deus.

Me arrependo profundamente do que fiz, mas não posso voltar no tempo e corrigir meu erro.

Balanço a cabeça para me livrar desses pensamentos e voltar a prestar atenção na estrada, buscando evitar que algo assim ocorra novamente.

Me surpreendo ao notar uma pessoa solitária caminhando no asfalto.

Ao aproximar-me percebo que é uma mulher muito bonita de longos cabelos negros, provavelmente é nativa. Ela usa um vestido de verão e não tem mais nada consigo.

Tento formar teorias do motivo para ela estaria ali, mas não chego a conclusão nenhuma, a não ser de que ela precisa de ajuda.

Parei ao seu lado e abri a janela do carro, pareceu se assustar um pouco. Era esperado, afinal ela é uma mulher sozinha no meio do nada abordada por um completo estranho.

- Senhorita, precisa de ajuda? - Pergunto, e ela me responde balançando a cabeça positivamente. - O que aconteceu? Teve problemas com o seu carro?

- Sim, senhor. - Parece muito tímida.

- Venha, entre no carro. Está indo em qual direção?

- Para Leste. Pode me deixar no próximo posto de gasolina.

- Ok. Entre. - Digo destrancando a porta.

E assim ela o faz. Penso que deve ser muito introvertida, pois sentou-se com as mãos nas coxas e de cabeça baixa. Ela não diz uma palavra por alguns minutos.

E então pude avistar a fazenda.

Quando passo por onde aconteceu o acidente estremeço com a lembrança, viro minha cabeça na direção da qual veio a criança anos atrás, olhando pela janela do carona.

- Mas o que? - me assusto ao perceber que a criatura do meu lado não é mais a bela mulher que entrou em meu carro.

- Cuidado senhor, não quero que você mate mais ninguém... além de mim.

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