Postagens Semanais

Segunda-Feira
Francis Divina

Terça-Feira
Gabriel Azevedo

Quarta-Feira
Francis Divina

Quinta-Feira
Gabriel Azevedo

Sexta-Feira
Talisson Bruce

Sábado
==========

Domingo
==========

Meu filho é o melhor caçador que já conheci

25 comentários
Olá, creepers! Passaram bem o Natal? Devido a época de festas, estamos a maioria de férias. Depois do ano novo voltaremos com o conteúdo semanal. Obrigada pela compreensão e feliz ano novo!

Meu filho, Jake, demonstrou sua consciência em relação à natureza quando tinha apenas dois anos de idade - apontou para algo que eu não podia ver em uma árvore e disse "piu piu" antes que três pássaros saíssem voando. Nosso cachorro adotado Toby tinha mania de fugir, mas Jake sempre conseguia encontrá-lo quando dávamos uma volta de carro. Meu instinto paterno me dizia de que era algo muito maior que apenas intuição, e queria testá-lo.

A primeira lição de caça de Jake foi matar os ratos do celeiro dos fundos. Jake não gostava muito do calibre .22 e desprezava o ato de matar, mesmo se tratando de vermes nojentos como os ratos de dois quilos que comiam todos os produtos da nossa loja. Mas fez o que precisava ser feito, e  era bom naquilo...  bom demais. Eu não conseguia entender. Jake estava marcando ratos e pulando em zigue-zague e acertando vários ratos com um único tiro, enquanto eu tinha sorte de conseguir um ou outro - se eu fosse capaz de fazer aquilo aos  dez anos de idade, teria achado que era um dos homens mais mortais do mundo; mas aparentemente meu filho era mais reservado e tinha mais tato do que eu. Em duas horas e meia enfiou trinta e dois ratos em seu saco de lixo. Eu, quatro. Jake afirmou que só restavam três ratos machos, e que dispersariam logo para procurar novas parceiras. Jake estava certo.

Jake agia como meu guia quando íamos caçar ou pescar juntos; todas as vezes meu filho me levava em direção dos maiores alces ou peixes sem hesitar. Não considerava trapaça ter Jake como meu guia de caça - considerava um feito de Deus para que tivéssemos uma pequena vantagem nas competições de caça de pais e filhos. Os prêmios eram a entrada de graça em eventos maiores, e mais tempo com meu filho. Na verdade, a mãe dele odiava nossas semanas longe no mundo selvagem, mas então conseguimos nosso maior prêmio até aquele momento por pegarmos um Marlin-preto de 138 quilos. Tive que empilhar todo o dinheiro na frente dela, só para que visse quanto dinheiro um milhão e trezentos mil dólares eram realmente antes de colocar tudo no banco. Jake havia localizado e ganhado o Marlin-preto no seu aniversário de dezesseis anos.

Depois de várias vitórias, minha esposa via o talento de Jake pelo que realmente era - um dom amolado por anos de treinamento em campo, um dom que ia além do mundo dos esportes - como por exemplo: a menina.

Estávamos voltando para casa de carro do supermercado quando Jake nos fez parar o carro - sabia que havia alguém não muito longe da estrada precisando da nossa ajuda. Nós paramos e seguimos Jake até o que parecia ser um poço seco, onde encontramos uma menina que havia caído por entre as tábuas podres lá dentro. Jake teve sua foto tirada junto com os paramédicos; apareceu na capa de dois jornais locais com o título GAROTO ENCONTRA E SALVA MENINA LOCAL DE DENTRO DE UM TANQUE DE ÁGUA ABANDONADO.

Mas minha esposa ainda não gostava de todo o tempo longe de casa, e isso eu não podia mudar... mas podia mudar nosso endereço. Então pegamos uma parte do nosso prêmio e compramos uma casa em outro estado, em um local bem arborizado, perto das maiores competições nacionais. Todas as 144 fotos e vídeos do número 127 McKean Street mostravam uma casa de dois andares muito bonita e moderna, em relação as outras casas que estavam à venda por cinquenta mil dólares - "venda por dificuldades de divórcio". O chefe de polícia da cidade era o dono e garantiu pessoalmente a boa condição. Baseado somente em fotos, nós arrumamos nossas coisas e dirigimos por dois dias direitos, 2575 quilômetros até nossa nova casa.

Apesar de 144 fotos e 19 telefonemas, comprar uma propriedade sem checá-la primeiro parecia a coisa mais estúpida a se fazer para minha esposa e eu quanto mais dirigíamos. Nossa ansiedade permaneceu conosco até que vimos a vizinhança acolhedora, o exterior imaculado e os quartos abertos parcialmente mobiliados no interior. Minha esposa amou o jardim e a vista, eu amei a garagem e o fato de que toda a fundação e estrutura da casa eram novos. Meu filho reservou um julgamento imediato. Parecia até um pouco hesitante andando pela casa. Quando desfazíamos as malas, meu filho ficou olhando apreensivamente em volta, como se estivesse esperando que algo aparecesse e o mordesse. Sua paranoia chegou ao auge quando se pendurou na sacada para tirar uma lâmpada no centro da parede abaixo. Jake pegou a lâmpada e a quebrou na rua. Fui conversar com ele, contei que confiava nele, até com a minha vida, e NUNCA havia o questionado, mas agora precisava saber por que ele quebrou aquela lâmpada. Jake olhou para a casa por um longo tempo e disse:

“Pai ... eu não rastreio esses animais pelos pequenos rastros no chão ou pelo jeito que as águas estão se movendo. É um sentido, de um órgão que provavelmente está no meu cérebro, como um nariz. Mas somente eu tenho esse tipo de nariz, do tipo que fareja onde animais - até mesmo pessoas - estão. E eu não posso descrever o cheiro para alguém que nunca teve esse nariz. Mas posso sentir o cheiro de uma maneira diferente, mesmo no escuro, mesmo se você colocar minha cabeça dentro de um bloco de gesso. E aquela lâmpada estava viva, pai. Senti-a como um pássaro vivo, como um cachorro; como você ou eu, como aquela garota no tanque de água. Aquela lâmpada era pelo menos um pedaço de algo vivo ... como um olho". Perguntei ao meu filho se a lâmpada ainda estava viva. Ele olhou para os cacos da lâmpada na rua e murmurou “não. Não como antes. Mas...” ele não terminou a frase enquanto olhava para a nossa nova casa em tons pastéis. Ele parecia estar consumido com uma preocupação sombria.

Naquele momento, minha esposa e eu estávamos exaustos de dirigir mil quilômetros enquanto dentro dos nossos últimos cem mil dólares, e a ideia de desperdiçar aquilo em um motel sujo por um período indefinido de tempo não era uma opção que eu estava disposto a aceitar. Admito que descartei as preocupações do meu filho como sendo paranoia induzida pela puberdade. Eu também descartei a percepção de quão bobo esse raciocínio era. Era uma boa casa. Era barata, ao lado de algumas grandes competições - simples assim. Eu viveria com lâmpadas sencientes. O que poderiam fazer? Desligar e ligar? Transforme minha casa em uma rave?

Nós gostávamos do fato de que a casa já tinha ótimos armários, comodas e camas ainda com plástico de fábrica, uma visão fantástica para viajantes cansados portanto apenas um colchão de ar furado. Nós só tínhamos energia suficiente para achar os lençóis nas malas e fazer a cama, desmoronando imediatamente.


   Não me lembro de quanto tempo dormi, mas acordei no escuro sem ser capaz de me mover, como se a cama estivesse me segurando, como se fosse o ímã mais poderoso do mundo e eu fosse feito de puro ferro. Vi minha esposa debatendo-se levemente sob os cobertores - emitia sons fracos como se estivesse com dor -, a pior parte era que eu não conseguia nem levantar um braço para tirar o cobertor para ver o que tinha de errado com ela. 

Eu estaria morto se não fosse Jake me arrancando da cama. Eu caí flácido nos braços do meu filho - não sentia falta da energia, não estava sem fôlego, simplesmente não tinha força física para ficar de pé. Pior ainda, quando caí, meus pés descalços e mãos que tocavam o chão de madeira, e pude sentir aquela sucção magnética novamente.

Meu filho, 65 quilos, me carregando, uns 110 quilos, descendo as escadas e para fora da casa como se eu fosse sua pequena noiva, e me colocou no gramado da frente.


"Minha cama estava viva também, pai..." Jake disse enquanto me ajudava a ficar de pé com as pernas bambas, "... não me deitei nela. Eu fui no seu quarto para te acordar, mas você já estava deitado..." Cai novamente. Pedi para Jake ligar para a polícia.

Fiquei surpreso ao ver o chefe de polícia, que era dono da casa antes de nós, aparecer junto do corpo de bombeiros. Foram até o quarto e encontraram a calcinha da minha esposa na nossa cama, mas nenhuma mulher. O chefe acreditava firmemente que minha esposa estava simplesmente “confusa e perdida” e que apareceria a qualquer momento, e riu quando eu contei o que aconteceu, com o fato de estar preso à cama. Até riu quando eu disse a ele que eu tinha 110 quilos e dois metros algumas horas atrás - agora, eu tinha mais ou menos a mesma altura e pesava menos do que o meu filho. Perguntou “Você quer que eu acredite que esta casa estava de alguma forma te devorando? Que comeu sua esposa? Você é louco?" Era exatamente isso o que eu queria que ele acreditasse, e se eu não fosse tão grandalhão como era antes, teria me absorvido totalmente como aconteceu com minha esposa... até que eles a encontraram.

O chefe voltou com minha esposa enrolada em um daqueles pesados cobertores aquecidos. Ambos sorriam, sorrisos inabaláveis. Minha esposa disse “Bobinho, eu entrei em um dos closets e não sabia mais onde eu estava! Muito melhor agora!” E o chefe assentiu com satisfação. Nunca ouvi minha mulher falar daquela forma, e a mulher que conheço nunca teria entrado em um closet sem querer e se perder.


Jake, em seguida, me puxou para longe da multidão e sussurrou: "Eu não sei o que o chefe ou aquela mulher fingindo ser a mamãe são, mas eles não estão vivos."

25 comentários :

Postar um comentário

Estranho Programa de Televangelismo que Encontrei

20 comentários
Meu pai tinha uma coleção de fitas VHS, desde gravações de festivais de musica até fitas gravadas
da televisão como filmes, programas de TV e também novelas que passavam de noite para minha mãe assistir no outro dia, pois ela trabalhava em um hotel no período da madrugada e quando sobrava um tempo de dia poderia assistir.

Lembro de também ter feito algumas gravações de programas como TV CRUJ pra assistir depois porque não era sempre que eu podia ver quando passava, meu pai chegava do trabalho bem no horário que era transmitido e queria assistir as noticias em outro canal, não tinha muito o que fazer e deixava gravando uma fita em um canal enquanto ele assitia outro. Recordo de gravar filmes quando criança, um que me marcou de ter gravado, foi aquele filme horrível do Batman do George Clooney pra assistir outras vezes, vai entender, criança é complicado.

Quando encontrei as fitas fiquei muito nostálgico equeria rever aquelas coisas nem que fossem somente trechos, apenas pra relembrar, eu não tinha um aparelhode VHS e eram tantas fitas que não valeria pagar pra converter em mídia digital, resolvi procurar algo na internet que funcionasse. Passaram-se alguns dias desde que encontrei um supostamente em bom estado e enfim recebi, instalei na TV de tubo que ainda tenho pra jogar em vídeo games antigos, assim a imagem não se distorce tanto como seria em um aparelho moderno.

Peguei algumas fitas e comecei a assistir, na maioria delas havia uma etiqueta dizendo o que tinha gravado, outras tive que descobrir, tinha uma gravação do meu pai na apresentação do Queen na primeira edição do Rock in Rio com uma qualidade tão ruim que parecia ter sido filmada numa calculadora, havia também filmagens de passeios com meus pais quando criança, gravações de comerciais aleatórios, até cine privê tinha e aqueles programas religiosos que passavam e ainda passam nas madrugadas na televisão.

Foi uma nostalgia muito grande rever certas coisas e ver outras que nem lembrava mais, mas uma filmagem em particular me deixou com uma grande sensação de desconforto, não de medo ou tremedeiras, quanto mais eu assistia mais eu queria assistir, me lembrava aqueles filmes found footage e entrei na atmosfera daquela gravação.

Não sei qual emissora passou pois no começo da gravação havia uma mensagem que dizia: "Esse programa é uma produção independente e de responsabilidade de seus idealizadores", como normalmente aparece até hoje em alguns programas religiosos e de televenda, por isso não sei dizer qual canal passou, pode ter sido qualquer um. Nela um pastor de televisão estilo esses que passa na Record só que se passava no começo dos anos 90, filmado com uma câmera péssima, não algo distorcido cheio de chuviscos que impedem de identificar as coisas mas sim uma imagem opaca meio esverdeada com tons de rosa alternando para as cores normais em certos momentos, grande chance de estar danificada como algumas que havia visto antes.

Era um cenário só onde o pregador com uma cara parecida com a do Jim Jones fazia orações para o pessoal que assistia pela TV e em um estilo parecido com o fala que eu te escuto, recebia ligações das pessoas ao vivo, rolava algumas ligações no decorrer do programa, alguns pedidos toscos como uma senhora que queria se casar e pedia uma oração para encontrar um marido e outra que queria aprender a cozinhar, mas numa dessas ligações alguém que supostamente se diza dominado por algo, pede uma oração que o pastor atende e enquanto ele ora, a pessoa no telefone começa a tossir gradualmente até que fica um silencio na linha, o pastor continua com a oração e quando terminada, ainda em silencio por alguns segundos, a pessoa do outro lado da linha fala alguma coisa em um idioma estranho, não uma frase tipo um encantamento, duas palavrinhas bastaram.

Ao fundo se ouve as vozes do pessoal da produção perguntando o que tinha acontecido e do nada
ouve-se um grito, no mesmo instante o pastor olha pra frente, não focando a câmera e sim para o que
estava rolando pelos bastidores. A transmissão ainda continua e o pastor pergunta o que está acontecendo. 

Outra vez se escuta as mesmas palavras que a pessoa do telefonema tinha dito e o câmera que
operava o aparelho cai, fazendo com que a imagem se desenquadre, mirando ao chão, ainda pegando
uma parte do púlpito e do peito pra baixo do pastor, que após o ocorrido corre em direção ao
câmera para tentar socorrer, ele pede pra que a transmissão seja interrompida e que chamem por
socorro medico, nesse instante alguém do fundo vai em direção ao pastor com uma postura
ofensiva e nesse instante a transmissão de imagem para de ser exibida e entra uma comunicado de
problemas técnicos, porem o áudio ainda rolava, não muito nítido mas ainda de forma que se
podia ouvir.

O pastor que pelo que parecia havia sido agredido pede em nome de jesus para que
a pessoa pare, nesse instante há silencio no áudio e o pastor começa a orar sem parar mais e
mais, escuta-se uma tosse fraca seguida de choro junto ao som quase inaudível que parecia ser uma
discussão ao fundo. As discussões param e o que se ouve também parecem choros, sem parar de orar ele continua até q nada mais se ouve a não ser a voz do pastor, passam-se alguns segundos de oração
até que se escuta um som de engasgo e então silencio novamente, também se passam alguns segundos
e ainda sem imagem mas o áudio rodando, se ouve aquelas mesmas palavras próximo ao microfone
da câmera e a transmissão encerrou por completo.

Consegui converter ela para o PC, fiz o upload no Youtube e postei no Twitter, Reddit e 4chan, não para que alguém tentasse me explicar, reconhecer ou algo similar, mesmo que obviamente eu gostaria muito de saber, publiquei mais foi pra divulgar, algo que aconteceu e que nunca vi menção nenhuma na internet e nem meu pai que gravou lembra disso. Mas enfim, se você viveu no inicio dos anos 90, viu na TV ou sei lá e lembra disso e quiser divulgar, quem sabe encontramos mais pessoas que testemunharam isso e possamos descobrir o que aconteceu de fato.

Autor: Guilmour Zeroth

20 comentários :

Postar um comentário

Um demônio salvou minha vida

14 comentários


A primeira vez que conheci o demônio eu tinha dezessete anos, e naquela noite ele salvou minha vida. 

Eu estava de pé na parada do ônibus, esperando uma carona para o trabalho que tinha depois da escola. Tinha esquecido meu guarda-chuva aquele dia e, como você sabe, sempre chove quando você esquece seu guarda-chuva.

Caia geladamente e em grande quantidade, e eu tentava ignorar o fato de que já estava flutuando em meus próprios tênis. De repente, a chuva acima de mim parou, e olhei para cima e o vi - o demônio, me cobrindo com seu guarda-chuva.

Parecia ser uma pessoa construída por alguém que não fazia ideia como um ser humano se parecia. Era alto e esguio, pelo menos dois metros de altura, e seus ombros eram curvados para frente de um jeito que deixava seu perfil parecendo um enorme abutre.

Seu rosto magro, todos os cantos pontudos e com cavidades profundas, e nele estava um sorriso largo e amigável de dentes cinzentos e tortos.

"Não ficou sabendo, amigo?" perguntou. 

"Não," falei. "Sabendo de que?" 

"O ônibus não vai passar hoje," disse. "O motorista estava bêbado e se envolveu em um acidente. Todos passageiros morreram." 

O jeito que falou essa última parte - quase animadamente - fez meu estomago se revirar. 

Não sabia se devia realmente acreditar nele, mas decidi que ia embora de qualquer forma. Senti uma necessidade absurda de me distanciar o máximo possível dele. 

"Ah," respondi. "Acho que vou andando, então." 

"Sim," disse. "Você vai. Aqui, pode levar meu guarda-chuva." 

Esticou o guarda-chuva na minha direção, e sem pensar, aceitei. Meus dedos rapidamente tocaram a pele de sua mão, e um arrepio passou por todo meu corpo. 

No dia seguinte vi o acidente do ônibus no jornal - exceto que havia acontecido depois da minha parada. Assim como o homem havia declarado, todos haviam morrido. E se não fosse por ele, eu teria morrido também. 

Na outra vez que vi o demônio foi no segundo ano da faculdade. Estava me esperando no meu dormitório, curvado sobre a escrivaninha, lendo um dos meus livros. 

"Você," falei.

"Sim," respondeu. "Eu."

Calmamente fechou o licro e se virou para mim, sorrindo com seus dentes tortos. 

"Te trouxe um presente," disse. 

Meu estomago se encolheu. 

"Trouxe?" perguntei. 

"Ah, sim."

Enfiou a mão dentro do seu paletó e pegou um caderno de espiral cor de rosa. O nome 'Ellen Hartwell' estava impresso na capa. 

"Isso pertence a menina linda dos cabelos castanhos da aula de psicologia", disse. “Aquela que você está sempre olhando. Você vai dizer a ela que encontrou e depois vai convidá-la para jantar."

Ele colocou na minha mesa.

"Ah", eu disse. "Obrigado."

"Não precisa agradecer," disse o homem. "Irei te ver de novo."

Naquele momento pisquei e ele desapareceu.

A última vez que vi o demônio foi na noite em que meu filho foi concebido. Minha esposa Ellen estava esperando no quarto enquanto eu tomava um banho rápido. Eu saí nu e molhado e vi o homem em pé no meu banheiro.

"Olá de novo, amigo", disse.

"Você me assustou", respondi.

"Eu sei", disse ele. "Escute. Esta noite você vai falar com sua esposa. Ela está pronta para ter filhos, mas ela ainda não sabe. Ela vai conceber seu filho hoje à noite."

Meu coração inchou ao pensar em um filho, mas meu estômago estava menos otimista, e ele se contorceu em desconforto.

"Por que você está me ajudando?" Perguntei.

O homem sorriu largamente.

"Os fios do destino são longos", disse ele. "Muito mais longos do que uma única vida humana."

Ele estalou os dedos e desapareceu em uma névoa de fumaça azul-acinzentada.

O homem nunca mais me visitou depois disso, mas às vezes eu sentia aquela sensação desconfortável na boca do estômago que acompanhava sua presença. Anos se passaram, depois décadas e, gradualmente, me esqueci dele - até o dia em que a polícia chegou.

Eles vieram com cães farejadores e pás, e  reviraram toda a minha propriedade do avesso.

Depois de tudo, dito e feito, encontraram os restos mortais de trinta e sete mulheres e prenderam meu único filho.

Meu filho afirmou durante todo o julgamento que um demônio o forçou a cometer os assassinatos, mas a acusação não acreditou, e ele foi condenado à morte.

Mas eu reconheci o demônio dos milhares de esboços que enchiam seus cadernos.

Era um homem de rosto magro, com um sorriso largo e amigável de dentes cinzentos podres e tortos.

14 comentários :

Postar um comentário

Alguém substituiu o Independence Day por um assassinato gravado.

14 comentários
Bom dia/ Boa tarde/ Boa noite, mais uma creepy do Universo Outsider. A próxima desse universo será o fechamento do arco desenvolvido até então. Será que vem coisa boa por aí?
•••
Um dos meus filmes favoritos na infância foi Independence Day. Sei que existem filmes melhores, mas a combinação de atores e efeitos especiais fez desse o filme perfeito para meu jovem cérebro. Eu costumava deixar meus pais malucos com isso, não só por querer assistir, mas por querer que eles se deliciassem com a glória do Randy Quaid em um jato comigo, até que eles finalmente fizeram uma promessa. Nós assistiriamos o filme juntos todo 4 de Julho se eu não falasse mais nisso pelo resto do ano.

E assim fizemos. Dos meus 8 anos até os 14, nós assistimos o filme religiosamente entre os cachorros-quentes da tarde e os fogos de artifício do anoitecer todos os anos. E foi incrível. Mas conforme envelheci, meus interesses mudaram, fiquei mais ocupado, e eu só... esqueci. Desde meus 15, não lembro de termos visto o filme completo mais de uma vez, e agora tenho 29 anos.

Então quando encontrei uma caixa com filmes antigos na minha unidade de armazenamento do prédio, imagine o deleite de ver o blu-ray de Independence Day lá no topo. Havia me mudado para o apartamento seis meses atrás, e parte do contrato de locação era que cada apartamento tinha uma unidade de armazenamento no porão para guardar o excesso de coisas. Soou bem mais grandioso do que realmente era - cada "unidade" consiste de um pequeno cubículo de concreto do tamanho de um closet. Ainda assim, era conveniente se você tivesse um excesso de coisas. Eu não tinha.

Me mudei pra cidade em busca de um trabalho, e minha mobília inicialmente consistia no meu colchão e uma televisão que trouxe de casa. Nos últimos meses acumulei mobília o bastante para que eu não pareça mais um serial killer, mas ainda estava vivendo bem humildemente. Minha primeira expressão de vaidade real foi semana passada, quando comprei pra mim mesmo uma tv nova.

Estava realmente animado com isso. 4K, HDR, e obscenamente grande pra minha minúscula sala de estar. Quando ela chegou, eu imediatamente comecei a instalá-la, mas isso também queria dizer que teria que mover minha tv antiga. Tive essa tv desde que estava na faculdade. Era uma dessas pesadíssimas tvs de "tela plana" que mesmo sendo tecnicamente tela plana, também tinham uma traseira de quase meio metro que pesavam uns 50 quilos. Ela não era espetacular, mas tenho que admitir que fiquei um pouco triste quando coloquei ela desajeitadamente em cima de um pedaço de papelão e arrastei pelo corredor até o elevador. Era a primeira vez que colocava algo na unidade de armazenamento.

Quando abri a porta, imediatamente vi a caixa. Estava escrito nela "Objetos de Valor Particulares" em um rabisco de marcador preto, o que me pareceu estranho. Mas quando abri a caixa e vi o Independence Day, eu imediatamente deixei a tv lá dentro e levei de volta a caixa comigo. Sentindo a onda de nostalgia abastecida pela combinação de aposentar minha tv antiga e a antecipação de ver aliens do mal sendo exterminados com um disquete, eu tirei o blu-ray, coloquei no meu console e estava pronto para ver um clássico moderno.

O vídeo era escuro e granulado, e eu percebi que não era Independence Day. Parecia estar em algum tipo de ginásio antigo e abandonado. Pude ver o que parecia ser o piso encharcado de uma quadra de basquete no limiar da luz produzida pelos dois holofotes posicionados no perímetro da visão da câmera. No centro da luz estava um colchão fino e manchado, e lonas de plástico transparentes que cobriam a cama e o chão ao redor.

A escuridão ao redor desse círculo de luz combinada com a respiração excitada da pessoa segurando a câmera fez com que a coisa toda ficasse meio claustrofóbica, e a respiração só acelerou quando um homem grande e mascarado deixou o casal nu à vista. Eles estavam amarrados no pescoço e nos pulsos, e claramente já haviam sido espancados. Olharam para a câmera conforme a pessoa que a segurava se aproximou, e o homem soltou um terrível e abafado gemido de desespero. O lábio inferior da mulher tremeu, mas ela não disse nada enquanto lágrimas começavam a escorrer por suas bochechas.

Por um breve momento pensei que fosse algum filme de terror pirata bizarro que eu nunca tinha visto antes, mas não parecia certo. Além de não ter créditos ou alguma música, a coisa toda parecia muito real, mesmo prum filme caseiro muito bem feito. E à medida que a câmera se aproximava da luz, a imagem se tornara quase dolorosa. Eu podia ver com agonizantes detalhes como aqueles dois estavam, as emoções que sentiam. Eles estavam genuinamente apavorados.

Não vou descrever em detalhes o que aconteceu a seguir no vídeo. Não tenho palavras, sequer estômago pra transmitir adequadamente a crueldade, tortura e depravação que vi infligidas a eles pelos vinte minutos seguintes. Eu me arrependo profundamente de ter continuado assistindo, e quando saí do meu choque o suficiente para desligar, eles já estavam morrendo ou mortos.

Não sei o que fazer. Pensei em chamar a polícia, mas o que eles poderiam fazer? Pelo que sei, aquelas pessoas podem ter sido mortas em outro continente uma década atrás. Eu poderia simplesmente jogar fora, ou destruir o filme, mas e se fosse a evidência de alguma coisa? Sempre havia a possibilidade de ser realmente falso, claro. Um filme obscuro de baixo orçamento com atores fantásticos e surpreendentes efeitos especiais. Soava idiota quando pensava nisso, mas era pelo que eu esperava no fundo do meu coração.

No fim das contas, desci pro escritório da empresa proprietária do meu prédio no dia seguinte. Eles alugavam vários apartamentos por toda a cidade, e a única pessoa que eu conhecia lá, Vicki, estava mais pra uma agente imobiliária com um trabalho paralelo do que pra uma senhoria. Felizmente ela estava lá, e após alguns minutos estava sentado em seu escritório.

Não falei especificamente sobre o filme, mas contei pra ela sobre ter achado uma caixa do que eu supus serem pertences do inquilino anterior na unidade de armazenamento. Me perguntei se ela tinha qualquer informação sobre ele para que eu pudesse contatá-lo para devolver as coisas. Na verdade, eu não tinha qualquer intenção de contatá-lo, mas queria saber mais sobre ele antes de fazer minha decisão final de que ação tomaria.

Vicki, uma mulher sempre simpática em seus cinquenta e poucos anos, do cabelo loiro brilhante e um bronzeado artificial, visivelmente empalideceu quando comecei a falar. Três frases e ela já estava mexendo as mãos e balançando a cabeça.

"Não, docinho. Não se preocupe com isso. Jogue essa bagunça no lixo. Não sei dizer que porcaria ela tinha lá"

Levantei uma sobrancelha. "Então você sabe quem foi o último inquilino? Era uma mulher?"

Seus olhos arregalaram um pouco quando ela percebeu que disse mais do que pretendia, e ela se inclinou pra frente com uma carranca. "Era, mas não alguém que você queira contatar. Olhe, "ela olhou ao redor como se estivesse prestes a divulgar a localização de um descarte de corpos num filme de espionagem enquanto continuava, "essa garota era problemática. Muito problemática. Ela tinha uma família rica em outro estado que pagava seu aluguel pontualmente, e por vários anos tudo correu bem. Ela mexia com computação ou algo assim, e ficava a maior parte do tempo sozinha. Até que ela surtou e mandou uma vizinha pro hospital."

Vicki parou por um momento, como se já tivesse dito o suficiente pra me satisfazer. E quando ela viu que não tinha, ela continuou. "Ela mordeu a mulher, ok? Arrancou seu polegar fora. A vizinha se recuperou completamente... ou quase, mas se mudou logo depois, e quanto à menina louca? Até onde sei ela ainda está em algum hospício em algum lugar. De qualquer maneira, nós encerramos o contrato imediatamente e a família dela veio buscar suas coisas." Ela suspirou. "Bem, exceto essa porcaria na área de armazenamento, acho. Ainda assim, eu apenas jogaria fora se fosse você. Ela não precisa disso, o que quer que seja, e acredite em mim, é uma amiga que você não vai querer fazer."

Fiquei nervoso com o que Vicki havia me dito, mas ao menos explica um pouco sobre o disco e o que mais possa estar na caixa. Decidi que me sairia bem sozinho. Assim que chegasse em casa, levaria a caixa pro incinerador e expulsar o que vi da minha mente.

Exceto que quando voltei ao meu apartamento, havia um grosso envelope esperando na minha porta. Não havia nada escrito nele, e quando entrei e o abri, vi que tinha um celular, sem qualquer anotação ou explicação. Senti uma nova onda de desconforto quando olhei pro celular, avaliando se deveria explorar o telefone em busca de novas pistas ou descartá-lo imediatamente, como algo infectado. Quando de repente ele acendeu e começou a gritar, deixei escapar um grito alto. Quase deixei cair, e depois de vários segundos desastrado com o susto, eu abri e atendi a ligação que estava recebendo de um número restrito.

"Olá?"

Estava silencioso, mas eu conseguia perceber que havia alguém na linha.

"Alô? Tem alguém aí?"

"Você olhou dentro da caixa?" Era uma voz feminina, mas com um ruído estranho e rouco que dificultava adivinhar a idade ou o sotaque.

Quase derrubei o celular outra vez quando minhas mãos ficaram dormentes. "Ahn, que? Quem é?"

"Você viu algum dos filmes? Você vasculhou a caixa?"

"N-não, eu não. Não assisti nada, nem olhei na caixa. Não são minhas coisas, e eu ficaria feliz..."

"MENTIROSO." O telefone estalou ligeiramente com a palavra. "Sei que você assistiu um dos discos. Ele notificou o servidor quando você o iniciou. Por que você mente sobre isso?"

Meu cérebro estava fervendo. Servidor? Do que ela estava... Então eu me lembrei. Alguns blu-rays automaticamente conectam à internet. Geralmente é para mostrar trailers de novos filmes, mas aparentemente esse foi feito para que alguém saiba quando o disco estava sendo assistido. Isso sequer era possível? Não importava, eu precisava lidar com a maluca primeiro.

"Olha, me desculpe, eu coloquei o disco, mas assim que percebi que não era Independence Day, eu desliguei. Então não sei do que você está falando, e acho que devo desligar agora." Eu estava me aprofundando no meu apartamento agora, e minhas mãos estavam começando a tremer com a adrenalina. Pareceu uma mentira plausível, mas por que ela não respondia essa porra?

Então finalmente, "Eu não acredito em você." Ela soltou cada palavra como se espremesse uma espinha e estivesse saboreando o ato. Deu uma risada curta, sua voz estridente novamente mais alta. "Mas tudo bem, eu acho. Nós podemos trabalhar com isso... acho, né?"

Nesse ponto eu já estava dentro o bastante do meu apartamento para que algo no meu quarto chamasse minha atenção. Me virando pra olhar, vi que a cama, o chão e as paredes estavam cobertos por lonas de plástico transparentes. Dei três passos inconscientemente em direção ao quarto enquanto minha mente tentava reconciliar o que eu estava vendo com como o quarto deveria estar. Senti o zumbido estático de pânico subindo em meus ouvidos, e conforme me aproximei pude ver uma pequena câmera preta pousada sobre um tripé no canto da sala, sua luz vermelha de gravação me encarando como um olho sinistro.

Estava prestes a recuar e sair do apartamento quando ouvi dois pequenos rangidos, um do quarto, e então, meio segundo depois, outro do celular. Vi a lona de plástico no lado esquerdo do meu quarto ondular enquanto a porta do meu armário era aberta.

Larguei o telefone e corri. Não parei de correr até que estava à três quarteirões de distância e seguro sob as luzes fluorescentes de uma farmácia local. Eu tinha deixado meu próprio telefone também em algum momento, então pedi pra usar o deles e chamei a polícia. Vinte minutos depois eles chegaram, e dei a eles uma explicação, eles vieram comigo ao apartamento. Os dois oficiais entraram primeiro, e depois que confirmaram que estava tudo limpo, eles saíram. Suas expressões que inicialmente eram de interesse e alguma preocupação foram substituídas por irritação, e quando eu entrei com eles, entendi o motivo.

As lonas e a câmera sumiram, assim como o telefone misterioso. Até a caixa de filmes, que eu havia deixado próxima à tv na sala de estar, havia desaparecido. E nada da caixa de Independence Day ou do disco bizarro. Nenhum traço de que qualquer coisa havia realmente acontecido.

Os policiais não foram grosseiros, mas eles claramente pensaram que era algum tipo de pegadinha estúpida ou que eu estava usando alguma coisa. De qualquer forma, eles saíram rapidamente e eu imagino que eles não escreveriam um relatório disso. Não que eu possa culpá-los.

Fiquei a semana seguinte num motel, enquanto passava pelo processo de quebra de contrato e procurava um lugar novo no outro lado da cidade. Isso foi a um mês, e desde então, tudo estava bem. Até tedioso. A princípio eu temia toda ligação telefônica, cada visitante no trabalho, todo evento que potencialmente poderia ser ela fazendo contato novamente. Mas eu estava superando isso, e o novo apartamento era mais legal, e com uma segurança melhor, na verdade.

Então quando entrei e vi a caixa no meu sofá hoje, cheguei a ter um momento de confusão. Então vi as palavras escritas na lateral de marcador preto. "Objetos de Valor Particulares". Quase saí do apartamento na mesma hora, mas vi que era um post-it colado sobre o rabisco antigo. Quando me aproximei, pude ver que era a mesma letra, mas dessa vez escrito de caneta. Diz:

Ainda temos muito trabalho a fazer, né?
•••
FONTE  AUTOR  SEUS LIVROS
•••
Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

14 comentários :

Postar um comentário

Deu algo errado com meu transplante de coração

17 comentários

Sempre tive um coração fraco.

Não só fisicamente, sempre tive medo até da minha própria sombra. Não fiquei surpreso quando os médicos disseram que o meu sopro cardíaco não era um simples sopro cardíaco. Um ano de exames. Um ano de terapia, visitas constantes ao hospital e finalmente me disseram que não serviu de nada.

Meu pobre e fraco coração não duraria até o Natal. É algo muito esquisito ouvir que se está morrendo; não aceitei no começo. Bebi e gastei meu dinheiro. Fiz coisas idiotas e imprudentes por estar com muito medo.

Então recebi a notícia. Uma jovem chamada Laura havia sido declarada com morte cerebral e que eu, quem estava com toda a sorte do mundo, recebera o direito de ter o novo coração na semana seguinte. Dirigi até o hospital vagarosamente, cuidadosamente, me preparando para o ordálio a seguir.

Enquanto estava deitada na cama na última noite, o pensamento de Laura ficava rondando minha cabeça e não me deixava em paz. Era como se seu nome piscasse em néon na minha mente toda vez que fechava meus olhos. 

Era errado, eu sabia que era, mas precisava ver a mulher que estava me dando seu coração. Parecia errado não colocar um rosto naquela que estava salvando minha vida. Eu sabia seu nome, eu sabia qual ala ela estava - tinha ouvido duas enfermeiras falando sobre. Vaguei pelos corredores serpenteados até encontrar o que procurava, levando meu tempo, tendo certeza que não estava pulando nenhum nome. Eu tinha tempo de sobra agora.

No penúltimo quarto, ela estava deitada na cama. Uma mulher estava sentada ao lado de sua cama, segurando sua mão, e meu pobre coração tamborilava. 

"Com licença," eu não sabia o que dizer para ela. "Eu sou a Jenna. Sou a pessoa que... Vou fazer a cirurgia amanhã e..." Quem achei ser a mãe de Laura se levantou e pude ver pelo seu olhar que sabia quem eu era. 

"Obrigada por vir visitar. Eu sei que é estranho, mas parte dela viverá em você.  E queria conhecê-la." Eu fiquei ali de pé, desamparada e sem palavras. A mãe de Laura gesticulou na minha direção.

"Por favor," disse. "Não se sinta desconfortável. É isso que ela gostaria que acontecesse." Sentei na cadeira ao lado de Laura. 

"Como ela-" Parei na metade da frase. Era algo horrível a se perguntar. A mãe de Laura sorriu levemente.

"Ela era cuidadora. Cuidava de esposas espancadas, mulheres abusadas. Mês passado conheceu um rapaz e... Bem. Creio que anos de treinamento não podem ajudar quando você se apaixona. Ela ignorou os sinais de aviso. E ele a matou. Dedicou sua vida àquelas que precisavam." A mãe de Laura olhou para baixo. Não sei porque, mas estiquei o braço e segurei a mão dela. Dei um leve aperto. 

"Sinto muito, muito mesmo. Eu tive um namorado uma vez que... Ele era assim também. Alguém como a Laura me convenceu a largá-lo." A mãe de Laura me deu mais um meio sorriso. Pude ver lágrimas em seus olhos.

Então, Laura apertou minha mão. Com força. Com tanta força que suas unhas cravaram na minha pele. Recuei, um olhar de choque em meu rosto. A mãe de Laura me olhou calmamente. 

"Ela também aperta a minha mão as vezes. Acho que os médicos chamam de espasmos musculares. De qualquer forma, não há mais nada de Laura aí dentro." Olhei para as pequenas luas crescentes de sangue que estavam começando a se formar na minha palma.

A cirurgia aconteceu perfeitamente. Fui levada até o quarto de recuperação logo após, o novo corte em meu peito coberto de curativos. Era melhor não ver mesmo, pensei. Não precisava de mais nenhum problema de coração. Passei o primeiro dia dopada com medicações para dor, comendo o mínimo e sentando umas duas vezes. Era um longo processo de recuperação, me avisaram.

A mãe de Laura veio me visitar um dia antes de eu ir embora do hospital. Sua postura calma não desaparecera, mas pude perceber que estava sofrendo. Parecia dez anos mais velha, e suas mãos tremiam quando me abraçou. 

"Quando você volta para casa?" 

"Amanhã," respondi. "Por favor, pode ir me visitar sempre que quiser," comecei a escrever meu endereço para ela quando, na minha visão periférica, vi um flash de cabelos loiros desaparecendo da entrada da porta do meu quarto. O mesmo cabelo loiro brilhante de Laura.

"Ah!" Soltei um gritinho. Senti como se alguém tivesse apertado minha mão tão forte que quase quebrara meus ossos. A mãe de Laura correu para o meu lado, um olhar preocupado em seu rosto. 

"O que houve? É seu... coração?" Ela tropeçou nas últimas palavras, percebendo o que acabara de dizer. Tentei assegurar que estava tudo bem e falei que falaria tudo para s médicos, e ela foi embora ainda com uma expressão preocupada.

Quando olhei para baixo, novas luas crescentes de marcas de unhas haviam aparecido em baixo das que Laura havia feito. Dez sorrisos sangrentos idênticos.

A viagem de táxi para casa foi curta e, antes que eu percebesse, estava de volta ao meu apartamento. Parecia estranho tentar voltar para onde eu havia parado, minha vida estava quase no fim da última vez que estive ali. Olhei para a bagunça e as caixas de papelão, os restos de uma noite em que eu tinha tentado arrumar as malas e guardar meus pertences para que meus pais não tivessem que fazê-lo quando eu morresse.

O coração de Laura batia tão forte que parecia que iria sairia do meu peito. Fazia isso o tempo todo e supus que era assim que um coração saudável deveria ser. Então, por que não conseguia deixar aquele sentimento de desconforto de lado?


Naquela noite, tive um sonho.

Laura estava em sua cama de hospital, mas sua mãe tinha ido embora. Eu podia ouvir meu coração, o coração de Laura, batendo nos meus tímpanos tão alto que era doloroso. Eu tentei cobri-los, mas minhas mãos estavam presas aos meus lados. Alguma força inexplicável me levava para a figura imóvel de Laura na cama, seus lábios eram azuis e a janela se abrira, batendo o cabelo loiro em volta do rosto.

Eu estava quase em cima dela quando seus olhos se abriram.

Eram brancos como leite, os olhos de alguém morto.


"Saia." Ela murmurou, sua voz gutural. Eu podia ouvir o batimento cardíaco cada vez mais rápido, batucando até que pensei que não aguentava mais.

Então eu acordei. O som era real. O coração de Laura era batia alto que parecia que iria romper meus tímpanos e gritei em agonia, tentando cobrir meus ouvidos. Era inútil, vinha de algum lugar profundo dentro de mim, podia senti-lo reverberando em torno das cavidades do meu peito.

Sai aos tropeços da cama, ofegando por ar,  tentei procurar meu telefone. Precisava ligar para alguém, qualquer pessoa, uma ambulância ou para minha mãe. Qualquer um que atendesse


"Saia." Um sussurro fraco sobre os batimentos martelados do coração de Laura, uma voz baixa e gutural que parecia ser de um animal, e eu me arrastei até a porta, pelo corredor, engasgada com meus gritos por ajuda. Meu vizinho abriu a porta, seus olhos arregalados ao me ver no chão segurando meu peito.

Me levou ao hospital enquanto eu chorava no banco do passageiro de seu carro.

Após cerca de cinquenta exames diferentes, os médicos me disseram que  não havia absolutamente nada de errado comigo. Disseram que meu coração estava normal, minha pressão sanguínea estava normal, e que tudo estava indo perfeitamente. Fiquei na sala de espera, constrangida e frustrada.

Aquele coração não me pertencia.


Meu telefone tocou, um número desconhecido. Ótimo. Isso era tudo que eu precisava, coisas mais inexplicáveis e assustadoras como um estranho no outro lado da linha. Minha voz soou baixa.

"Olá?"

"Bom dia, aqui é da polícia do Vale do Tamisa, nós ligamos para relatar um incidente que ocorreu em seu apartamento por volta das 01h30 da manhã." Senti uma onda de vergonha.

"Sinto muito, fiz uma cirurgia recentemente e não estava me sentindo bem. Tive que fazer o meu vizinho me levar ao hospital e acho que entrei em pânico no corredor antes de sair." Houve um pequeno silêncio do outro lado do telefone.

"Creio que é melhor você se sentar, moça." Senti o coração de Laura pulsar, forte e calmo. "Houve um incidente de arrombamento do Sr. Samuel Matthews, de acordo com nossos registros policiais, ele é seu ex-parceiro e você entrou com uma ordem judicial contra ele em setembro de 2017." Meu sangue gelou.


"Sim."

“Ele está sob custódia da polícia. Encontramos uma arma automática com ele e acreditamos que tinha a intenção de prejudicá-la. Nós temos no momento um policial estacionado do lado de fora do seu apartamento, que pode te atender dependendo de quanto tempo sua internação será ”.

Agradeci e desliguei o telefone.

Por um momento, me escorei na parede, o horror lentamente se espalhando em mim. Se eu estivesse no meu apartamento dez minutos depois daquilo, ele teria me encontrado lá.

Os batimentos cardíacos de Laura encheram meus ouvidos novamente, mas agora eram gentis, calmantes. Sua mãe havia dito que ela dedicou cada momento da sua vida para ajudar aqueles que precisavam.


Coloquei ambas as mãos no peito, oprimida pela minha própria gratidão, e ouvi Laura.

17 comentários :

Postar um comentário

A Verdadeira História dos Humanos - Parte 1

11 comentários
No inicio, bem nos primeiros anos de um universo recém-nascido, os humanos eram perfeitos.
Oh, não estou me referindo ao Edén - poupem-me dessa história. Estou me referindo há milhões de anos, quando vivíamos em harmonia.

Deixe-me contar a história dos humanos, a verdadeira história dos humanos.

Perfeitos... (Parte 1)

Em um certo planeta chamado Rahu, haviam 3 humanos; um homem, uma mulher, e uma criança. Ambos eram perfeitos, não havia ódio, apenas amor e felicidade. Claro, como humanos mesmo naquela época tais possuíam os sentimentos, afinal somos humanos e isso é o que nos torna perfeitos pois aqueles sentimentos primitivos não eram corrompidos e nem rancorosos. Até mesmo o amor hoje é corrompido. Aqueles sentimentos eram lindos! Mesmo a raiva era uma "raiva de preocupação" sem nenhum tipo de ódio por detrás disso.

Sabe, estamos tão acostumados a comparar amor, felicidade, etc. com contos de fadas que esquecemos como a humanidade foi formada antes da chegada "deles"...

Os humanos de Rahu não possuíam nomes. Era desnecessário pois chamavam-se por "adjetivos". Porém, para podermos identificá-los os nomearemos para melhor distinção.

A mulher, chamaremos de Akemi - Em japonês significa "linda luz" ou "aquela que brilha lindamente", o homem chamaremos de Kerge - Em estoniano significa "luz", e a menina, Luna - derivado do latim que significa "Lua".

Seus nomes, em particular, têm uma ligação: "Kerge era a luz de Akemi. Akemi, com seu amor, fazia a luz de Kerge brilhar lindamente, brilho esse que era refletido por Luna, a Lua daqueles dois.

Antigamente, nós humanos, tínhamos uma rotina de paz... sem preocupações com o amanhã. Essa era, e ainda é, a nossa dádiva. Dádiva essa de viver apenas o presente mesmo sabendo que um dia a morte virá. Atualmente, poucos podem desfrutar dessa dádiva.

No entanto, vamos focar na história dos primeiros humanos.

No trecho "ambos eram perfeitos" não é um mero equívoco. Eramos realmente perfeitos" perfeição tal que os deuses e os outros seres invejavam; principalmente os deuses que agiam como bem entendiam.

Akemi e Luna estavam passeando pelas planícies de Rahu. Rahu era um planeta tão exuberante que dificilmente se acharia outro igual ou que chegasse perto de sua beleza natural.

Luna indagou sua mãe:

- Mãe, por que este planeta tem nos agradado tanto? Nós não fizemos nada digno de sua preciosa natureza e mesmo assim este planeta tem nos aceitado de bom agrado. Eu não entendo...

Akemi respondeu-lhe:

- Ora, Luna. Rahu era um planeta vazio. Não havia ninguém que apreciasse essas lindas paisagens. Por isso, Rahu sentia-se solitário. Pelo fato de habitarmos aqui, Rahu ficou agraciado e como forma de agradecimento tem produzido ainda mais desta preciosa natureza.

- Whoaaa! Conte-me mais, mamãe!

Em seguida, a terra produziu uma grande árvore. Em seus galhos havia variedades de flores que para nós hoje em dia é totalmente desconhecida. Era Rahu homenageando a primeira família que ali habitara.

Akemi logo a batizou de "Luna". O nome de sua própria filha. Luna de felicidade, deu-lhe um sorriso tão bobo que Akemi daria sua vida para ver aquele sorriso novamente

Kerge, de longe, avistou a árvore e correndo até ela encontrou as duas brincando em volta da dela.
Cheio de saudade Kerge exclamou:

- ESPOSA!

Akemi ouvindo a voz do seu amado, correu rapidamente para abraçá-lo.

- Meu amor, bem vindo de volta. Por que demoraste tanto? Sentimos tanto sua falta!

- Esposa, em minha jornada nunca estive tão solitário. Sem vocês a minha jornada parecia em vão. 

Mas agora, pude notar que não foi em vão. Descobri um local fixo, um paraíso para ficarmos! Antes, conte-me sobre esta grande árvore.

Depois de matarem a saudade, Akemi e Luna contaram-lhe sobre a homenagem que Rahu fizera. 

Chegando o pôr do Sol, a família partiu para a cabana de folhas que construíram.

Assim eram eles, uma família com tudo a sua volta.

Até chegarem eles...

Lá de cima, alem do céu de Rahu, Havia um deus que observava aquela família. Seu nome era...

FIM DA PRIMEIRA PARTE

Autor: The Truth

11 comentários :

Postar um comentário

Tem uma garota morta no Snapchat: A Realização (Final?)

16 comentários
Nota do autor: Gente, obrigado por acompanharem minha história. Eu pretendo postar um ultimo update, a menos que algo terrível aconteça comigo.

A seguir, um compilado de atualizações online feitas por exwindchaser (autor da história) enquanto lidava com o espírito vingativo de sua amiga morta.

05/10/2018 - 15:45

Acabei de chegar em casa do trabalho. Tive que sair mais cedo depois do que aconteceu no escritório. Eu estava bem confuso. Era o Naveed esse tempo todo usando o telefone da Lydia? Isso explicaria bastante coisa, mas, ao mesmo tempo, não fazia sentido. Por que falar comigo, entre todo mundo? Eu não era próximo do Naveed na época. E como explicar os sonhos que eu andava tendo?

Não. Eu estava convencido que a Lydia estava, de algum jeito, me mostrando Naveed. Em um mundo onde uma mulher morta consegue se comunicar comigo através de sonhos e rede sociais, faz sentido que ela, de algum jeito, mostrasse o que o assassino dela estava fazendo.

Eu chamei a polícia no meu caminho para casa. Cara, aquela foi uma conversa divertida. Eu não sabia nem como começar a explicar as coisas que eu tinha visto, porque eu sabia que eles achariam que eu era maluco. Eu acabei deixando só uma denúncia anônima dizendo que um prisioneiro tinha escapado de uma das prisões e que, possivelmente, mataria de novo. Eu dei o nome dele e as acusações, mas eu desliguei antes que eles perguntassem como eu sabia daquelas coisas. Tomara que isso não me ferre mais pra frente.

Eu não sei o que vai acontecer daqui pra frente. Só sei que preciso tirar um cochilo.

06/10/2018 - 3:18

Lydia veio até mim de novo.

Claro que tira um cochilo à tarde me faria acordar de madrugada. E, claro, que a Lydia apareceria mais uma vez para uma de nossas pequenas conversas. Nós estávamos na loja de sorvete de novo.

O céu estava nublado. Eu não sabia se era porque era o tempo mesmo ou se estava refletindo o humor da Lydia.

Ela estava vestida toda de preto. Foi a primeira vez que eu reparei no que ela estava vestindo. Era um preto bem, bem escuro. A única área com alguma cor era um ponto carmesim onde seria o coração dela, mas, ainda assim, era tão escuro que praticamente se confundia com o preto da camisa dela.

"Mas que merda foi aquela?" eu perguntei, exasperado. Eu sabia que era um erro demonstrar tanta emoção, mas era um sonho e eu não tinha muita certeza como as coisas funcionavam por lá. Era eu mas, de algum jeito, eu conseguia ver tanto pelo meu ponto de vista quanto de cima, olhando nós dois sentados à mesa, com duas vasilhas de sorvete derretidos e dois cachorros amarrados nos nossos pulsos.

"Desculpa, mas isso é tão novo pra mim quanto é pra você." Ela disse, hesitante. "Eu não queria que você visse tudo aquilo, mas eu estava lá no seu escritório e, de repente, me lembrei onde ele estava na noite anterior. Do nada começou a aparecer no seu telefone."

"Isso é tão estranho..."

"Eu sei! Minha última memória é deu gritando para o Naveed sair do meu apartamento, ele tirando algo do seu bolso e um barulho alto..."

"Eu não sei se quero ouvir isso..." eu tremi com o vento frio que passou subitamente pelo meu corpo.

"... então eu comecei a tentar contatar as pessoas, tentando avisá-las que o Naveed estava vindo. Ninguém foi capaz de me responder. Só você. Eu não sei o porquê nem como, mas você parece ser a única pessoa que consegue fazer ele não matar de novo."

Eu segurei seus ombros, desprovidos de qualquer calor, e a sacudi gentilmente. "Onde ele está? Como eu vou conseguir pará-lo se você só me manda essas mensagens enigmáticas e esses sonhos esquisitos?"

Lydia cobriu seu rosto com as mãos e começou a chora alto. Nesse momento, começou a cair granizo do céu. "EU NÃO SEI!" Ela gritou, o mais alto que conseguiu. Eu soltei seus ombros e ela se virou para o céu, gritando essas três palavras mais alto que era humanamente possível. A tempestade piorava a cada vez que ela repetia a frase e eu me implorei para acordar. Eu estava ensopado e tremendo, me abraçando em uma tentativa desesperada de me esquentar enquanto ela declamava aos céus que ela não sabia onde o seu assassino estava e nem como pará-lo.

Nossos cachorros começaram a latir alto. Eu tinha esquecido que eles estavam ali, mas eles se fizeram notar com os latidos e com a minha cachorra puxando a coleira. Eu não conseguia tirar os olhos da Lydia enquanto ela continua gritando para os céus, mas nossos cachorros latiam furiosamente. O terror em seus latidos era evidente e eu desejei poder fazer alguma coisa para acalmá-los. Eu sabia que não podia fazer nada, então continuei olhando para a Lydia conforme o vento e a precipitação continuavam a nos castigar. Eu senti eu me levantando do banco. "Lydia! Pare!".

Ela finalmente parou, mas a tempestade não. Ela olhou para mim de um jeito frio. Uma frieza que eu não tinha visto em nenhuma outra de nossas conversas. Suas pupilas estavam brancas e sua pela cinza. Lentamente, a vida começou a sumir de seu rosto. Sua pele sedosa começou a se deteriorar em frente aos meus olhos.

"Você não vai me ver de novo," ela sussurrou "eu estraguei tudo mostrando tanta emoção. Me perdoa." Ela era, basicamente, um esqueleto nesse ponto. A chuva parou e, de algum jeito, eu estava seco, mas eu tremi, ainda assim. "Por favor, detenha-o".

Uma brisa leve soprou e ela desapareceu.

08/10/2018 - 12:17


Não aconteceu muita coisa depois que tive aquele sonho. Eu fui visitar meu irmão e a família dele. Eu não contei nada do que aconteceu, mas ele sabia que tinha alguma coisa errada e ficou me fazendo um monte de pergunta. Eu fiz o possível para desviar das perguntas e convencer ele que era apenas estresse do trabalho.

Mantendo sua palavra, a Lydia não apareceu mais nos meus sonhos e nem me mandou mais mensagem no Snapchat. Nós só conversamos por alguns dias, mas eu sentia falta dela. Toda vez que meu celular vibrava, eu olhava para ver se era ela. Sem sorte.

Eu falei com a polícia algumas vezes, mas não obtive nenhuma resposta sobre o paradeiro do Naveed ou se ele tinha matado de novo.

Jorge não me atendeu nem respondeu minhas mensagens. Isso é o que realmente me deixa assustado. Eu não tenho ideia se ele está bem. Eu consegui falar com algumas outras pessoas do grupo e tentei explicar a situação, mas eles ou achavam que eu estava maluco ou que eu estava sendo um sádico falando tais coisas. Nenhum deles soube do Jorge também.

11/10/2018 - 18:30

É meio esquisito pensar que isso tudo aconteceu somente há uma semana e meia. Os stories que eu compartilhei no Reddit se tornaram virais e todo mundo vive me pedindo por atualizações. Ainda não tive notícias do Jorge e não teve nada sobre a fuga do Naveed. Eu estou começando a achar que tudo não passou de um surto psicótico. 

23/10/2018 - 12h

Finalmente algo sobre o Naveed. Eu coloquei um alerta no Google no nome dele e recebi algo essa manhã. Não diz nada sobre sua fuga. Ele vai entrar em condicional em Fevereiro. Por que isso é notícia? Por que ninguém está falando sobre sua fuga?

Ugh.

Isso realmente aconteceu? Há 23 dias isso tudo pareceria loucura. Parece que é um pesadelo. Talvez eu esteja perdendo a cabeça.

Lydia, por favor, volte.

Me desculpa. Me desculpa por ter gritado com você. Eu queria poder ter feito mais. Eu só queria que você ficasse em paz. Eu vou ter que achá-lo sozinho, né?

Eu sinto sua falta, Lydia. De verdade. Eu era apaixonado por você. Não sei porque nunca disse nada. Não sei nem porque eu não conseguia admitir isso para mim mesmo. Você era tão linda. Seu sorriso, seu coração... Tudo em você era perfeito. Eu devia ter falado alguma coisa. Feito alguma coisa.

Talvez se eu tivesse te chamado para sair antes do Naveed, ele não teria se apaixonado por você daquele jeito. Talvez nada disso tivesse acontecido. Talvez, só talvez, ele não tivesse te matado.

Me desculpa, Lydia. Eu devia ter dito alguma coisa. Não se vá de vez, por favor. Eu sinto muito a sua falta. Eu estraguei tudo por não ter dito algo, mas eu vou consertar isso. Eu faço qualquer coisa para consertar isso. 

Eu sei o que eu tenho que fazer.

Tenho que parar o Naveed, eu mesmo.



Gente, é o seguinte, esse é a ultima postagem do autor no Reddit. Ele disse que poderia ter uma continuação, mas não teve. Eu coloquei o ponto de interrogação no título porque ainda está aberto para uma possível parte final mesmo. Eu entrei em contato com o autor, mas ele nunca me respondeu. Quando postei a primeira parte da creepy, ainda parecia que ia ter um final. Por outro lado, eu, pessoalmente, creio que essa é sim a ultima parte e que ela dá um final, se não satisfatório, mas um ponto final na história e faz sentido não ter outra atualização. Nos comentários, se alguém se interessar, eu respondo o que interpretei do final, mas acho que fica meio aberto a interpretações. Bom, é isso. Vou voltar com histórias em parte única e ano que vem começo outra série aqui. 

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


16 comentários :

Postar um comentário