Sorriso de crocodilo

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O som do alarme fez Jack pular com um surto de adrenalina. Jack se sentia pronto para qualquer coisa que entrasse em seu caminho, mas ele precisava ser o mais silencioso possível, pois não queria acordar a sua esposa. Na ponta dos pés, ele seguiu para o guarda-roupa para pegar o seu short e a camisa de caminhada. Ele pôs os tênis e saiu de sua casa. A brisa congelante atingiu seu rosto no segundo em que ele pôs o pé fora de casa. Era uma rotina, ele queria e precisava se exercitar, então caminhava todas as manhãs às 6 a.m. Porém, hoje o dia seria um pouco estranho. Jack continuava com o seu tradicional percurso de caminhada até que passou pelo lago. Ele sempre passava pelo lago, mas dessa vez havia algo estranho. Algo se moveu dentro do lago, e parecia ser algo grande, maior que os esquilos e patos que costumavam frequentar aquele lago. De fato, não havia patos ou esquilos por ali, era como se estivessem tentando evitar aquele local.

Uma grande criatura emergiu próxima à borda do lago. Jack pôde apenas enxergar os olhos da criatura, pois o dia continuava escuro. Finalmente, Jack pode enxergar a criatura por completo e era um crocodilo. Os olhos do crocodilo estavam fixos em Jack enquanto ele se movia. O animal abriu a boca como se estivesse querendo mostrar todos os dentes afiados que ele possuía. A boca do crocodilo se alinhou para formar um grande sorriso direcionado para Jack. O frio tomou conta da pele de Jack e ele correu para casa, sem olhar para trás.

Jack irrompeu em casa e bateu a porta com um grande estrondo. Sua esposa acordou instantaneamente.

“O que aconteceu, querido?”

“Nada,” Jack murmurou enquanto o suor escorria pelo seu rosto, “tem crocodilos no lago aqui perto de casa, pois acho que acabei de ver um!”

Sua esposa sorriu, “Acho que não, que estranho. Ouvi dizer que tem jacarés, não crocodilos.”

Jack assentiu lentamente e deu um grande beijo na boca de sua esposa. Jack caiu no chuveiro e se vestiu para o trabalho. Então ele entrou em seu carro e seguiu para o trabalho. Ele fez questão de passar pelo lago para ver se o crocodilo continuava lá. Para sua surpresa, ele continuava, mas estava boiando na água, se refrescando. Jack continuou seu caminho para o trabalho.

Jack sabia que não havia com o que se preocupar, mas ele continuava nervoso. Ele sentia como se algo o estivesse observado. Ele tentou varrer tal sentimento como simples paranoia, porém, ele estava presente constantemente. Ele se sentia mais assustado e agitado.

Isso durou por semanas, e logo passou de apenas um sentimento para alucinações auditivas. Jack ouvia um sussurro a cada cinco minutos que dizia, “me alimente” ou “estou com fome”. Jack continuou a ouvi o sussurro e achou que não pudesse piorar, mas piorou. Ele passou a ver o crocodilo em todos os lugares. No shopping, no trabalho, em seu escritório, em sua casa. E o crocodilo continuava sussurrando as mesmas palavras nos ouvidos de Jack.

Um dia os sussurros, as visões, e o sentimento pararam abruptamente. Jack se sentia ótimo, ele finalmente conseguiu uma promoção e agora estaria ganhando mais. Jack não acreditava que a sua vida estava mudando para melhor. Na volta para casa, ele se certificou em não passar pelo temido lago. Ele estava ansioso para dar as notícias para a sua esposa. Jack achou que estava sendo recompensado depois de toda aquela insanidade que passou por meses.

Ele empurrou a porta com uma grande batida, gritando. “Querida, tenho ótimas notícias!”

Mas foi respondido pelo silencio. O puro silêncio que pairava em sua casa.

“Querida?”

Mais silencio.

As vozes voltaram. Mas dessa vez, estavam praticamente gritando. Logo a cabeça de Jack estava quase estourando. Jack gritou, “Cala a boca!”

Mas não paravam, continuavam aumentando rapidamente. “Estou com fome! Me alimente! Vou comer!”

Logo, uma mão bateu no ombro de Jack, ele virou-se rapidamente e viu algo que deixaria qualquer pessoa aterrorizada. A coisa era uma mistura de humano e réptil. A coisa possuía olhos negros que rasgavam através da alma de Jack. Era tão inumano. A coisa tinha uma grande boca que se curvava em um largo sorriso com vários dentes afiados. Sua pele era viscosa e escamosa. As unhas da coisa eram longas e salientes, prontas para perfurarem qualquer coisa ou qualquer um. As vozes continuavam gritando alto. Jack chutou e derrubou a criatura, correndo para a cozinha em seguida. Ele pegou uma enorme faca e começou a apunhalar a criatura, repetidamente, o sangue verde esguichando em Jack. Finalmente a criatura estava morta...

Jack desmaiou, com um suor frio escorrendo por sua testa. Jack finalmente acordou na escuridão. Ele esteve desmaiado por muito tempo, já estava passando de 1 da manhã. Ele tropeçou pela casa à procura do interruptor. Ele ligou a luz e viu algo que o aterrorizaria mais que a própria criatura. Sua esposa... estava no chão, coberta de sangue e mutilada, com os olhos arregalados de medo. Jack começou a chorar desesperado, pois agora ele sabia o que a voz em sua cabeça queria quando repetia, “me alimente”.

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O Portador da Riqueza

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Em qualquer cidade, em qualquer país, vá para qualquer instituição mental ou casa de repouso onde você possa entrar. Quando chegar à recepção, peça para visitar alguém que se chama "O Portador da riqueza". O recepcionista levantará a sobrancelha como se intrigado. Peça uma segunda vez, o recepcionista dará de ombros e o levará até rua, onde uma mansão opulenta espera. Se você é observador por natureza, perceberá que a mansão não estava lá quando você começou a sua busca...

O recepcionista abrirá a porta, logo após o deixará só. A frente haverá uma grande escadaria, espiralando-se através do hall. As paredes estão cobertas com quadros e pinturas e uma grande estátua de mármore fica próximo das escadas. Características sobrenaturais, a imagem de um animal verdadeiramente horrível, um tanto estranha e mal. Admire o quanto quiser, mas não o toque, a menos que você deseja despertar o monstro esfomeado.

Suba a escada. Contanto que você não toque em nada, você estará seguro. Não entre em pânico. No topo das escadas, você encontrará uma pequena porta de madeira, a sua aparência simples e despretensiosa é um nítido contraste com os seus arredores decadentes. Ele irá abrir sozinha para você, desde que você não sinta medo.

Passado isso, ao entrar, você verá um homem com um cavanhaque pontudo, cabelo em pé e atrás de uma grande mesa de mogno. Seu traje é feito de ambos, carne humana e seda italiana. Ele pode falar, e longamente. Ele vai falar sobre sua belíssima casa e a bela estátua de sua concubina. Não o interrompa, e não responda a qualquer pergunta que ele possa fazer. Quando ele concluir sua fala, respire fundo, não tema e pergunte: "Posso ter o meu salário?”. 

Ele vai continuar a explicar-lhe, em grande detalhe, o valor da vida. Ele vai falar de coisas piores do que a morte, ele dirá exatamente o que ele espera que você faça. A aparência do homem se tornará ciclópico e inimaginavelmente horrível. Ele colocará a mão em um dos bolsos de seu terno, pegará uma pequena nota de banco e entregará a você.

Essa nota é o 8º objeto de 538. Seu titular está contando com você para gastá-lo.

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Compilação de Lendas Urbanas - Parte 2

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Olá, pessoal!. Aqui está a segunda parte da compilação de lendas urbanas do reddit. Se você não leu a primeira parte, clique aqui. Deixe o seu feedback :D!
Os nomes em negrito são dos usuários que enviaram a lenda urbana logo abaixo.
                                                                                                                                                                   

[deleted]:

Há muito tempo atrás, havia um homem que foi caçar na floresta. Conforme a noite caiu, ele percebeu que estava em uma parte desconhecida da floresta. Ele andou e andou, mas não conseguiu encontrar o caminho para casa. Ficou vagando sem rumo no escuro, até que chegou a uma clareira onde uma velha e desorganizada cabana se encontrava. Como estava cansado, decidiu ver se poderia ficar ali aquela noite.
Quando se aproximou da cabana, viu que a porta estava entreaberta. Bisbilhotou pela fresta da porta, e viu que a pequena cabana estava completamente vazia, mas havia uma cama e a lareira estava acesa. O caçador então entrou, se jogou na cama e decidiu dormir ali naquela noite. Se o proprietário voltasse, ele pediria permissão pela manhã.
Deitado na cama, meio sonolento, ele olhou em volta e se surpreendeu ao ver que as paredes estavam cobertas de pinturas. Elas pareciam ser retratos de família, todas emolduradas e pintadas em detalhes incríveis. Pareciam muito reais e, sem exceção, um retrato era mais feio do que o outro. Os rostos horripilantes das pinturas o fizeram se sentir extremamente desconfortável. O modo como foram pintados fizeram com que parecesse que os olhos estavam olhando diretamente para ele. Isso era extremamente irritante.
Ele decidiu que a única maneira de conseguir dormir seria ignorar os rostos horrorosos olhando para ele. Virou seu rosto para a parede, cobriu a cabeça com um cobertor e dormiu.
Pela manhã, o caçador acordou e se deparou com a cabine completamente banhada pela luz do sol. Quando ele olhou para cima, descobriu que não havia nenhum retrato de família nas paredes da cabana, apenas janelas.

Dat_Cankle:

Uma garotinha chamada Sarah tem uma grande coleção de bonecas. O pai dela se esquece de comprar a ela um presente de aniversário, avista uma boneca em uma venda de garagem e rapidamente a compra.
É uma boneca muito especial, feita de porcelana e com olhos de vidro, com um cabelo cacheado perfeito. Ela a chama de Lucy e a coloca em um armário de vidro ao fim do dia antes de subir para a cama.
Durante a noite, seus pais acordam acreditando terem ouvido Sarah brincar com a boneca. Como era o aniversário dela, deixaram para lá, mas conseguem ouvi-la durante toda a noite...
(Cantando)
Lucy está no fim da escada... tap tap tap
Lucy está no meio da escada... tap tap tap
Lucy está no topo da escada... tap tap tap
O som é irritante, mas seus pais tentam ignora-lo enquanto o som chega mais perto de sua porta.
Lucy está no corredor... tap tap tap
Lucy está na pooooorta de Sarah... tap tap tap
Achando que sua filha estava indo para cama, os pais ignoram o cantarolar.
Lucy está no final da caaaaaama de Sarah...
Lucy está no meio da caaaama de Sarah...
Lucy está no começo da caaaama de Sarah...
E agora, morta estáááá a Sarah...
tap... tap... tap...

crazy-ex:

A lenda japonesa kuchi-sake onna. Em tradução livre, seria “A Mulher com a Boca Cortada”. De acordo com a lenda, o marido dela cortou a boca dela de orelha a orelha, e o vingativo espírito dela anda por aí perguntando às pessoas se elas a acham bonita. Se você diz que não, ela te mata (não me lembro como... Acho que ela te corta em pedacinhos?), e se você diz que sim, ela corta a sua boca para que fique igual a dela.

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Compilação de Lendas Urbanas - Parte 1

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Olá, pessoal! Esta é a primeira parte da compilação de Lendas Urbanas que encontrei no reddit. Deem o feedback de vocês, porque, caso gostem, haverá mais compilações!
Os nomes em negrito são dos usuários que enviaram a lenda urbana logo abaixo.

                                                                                                                                                                   

Existentialadvisor:

Eu vivo na cidade de Yonkers, em Nova Yorque. O Filho de Sam morava aqui e foi supostamente pego em um culto de adoração ao demônio que ocorria em um parque aqui perto. Dizem que o Filho de Sam levou a culpa pelo culto que estava envolvido nos assassinatos. Diz-se que também havia políticos e policiais no culto, e eles precisavam de cobertura.

Dr_King_Schults:

A algumas cidades da que moro, há uma Aldeia de Anões. Há um lugar na floresta com várias casas em miniatura feitas de pedra. A história é que havia um homem que enlouqueceu e matou sua família e fez todas essas casas para as vozes em sua cabeça. Também há um trono, e dizem que se você sentar nele, você morrerá em 7 anos.
As pessoas normalmente vão lá para beber, usar drogas e transar.

NoseDragon:

Os albinos de Hicks Road, San Jose, Califórnia.

Há uma comunidade de albinos que vive lá. O sol machuca a pele deles, então eles só saem durante a noite. Quando você dirige pela estrada, a luz do seu carro também machuca a pele deles, então eles se escondem atrás das árvores. Eles então perseguem o seu carro. Há sempre uma van branca estacionada na estrada, e o motorista irá tentar te chamar para ajudá-lo a consertar o carro apenas para te sequestrar, te estuprar, te matar, etc.

Mjyates:

Na vila onde cresci (nos anos 90), havia um cara estranho que costumava andar de bicicleta por lá. Pelo o que me lembro, ele tinha 30 anos e vestia calças jeans um pouco sujas e um colete de couro sobre uma camiseta suja. Ele parecia ser daqueles caras que causam problema, mas ninguém nunca o viu andando, muito menos falando com qualquer pessoa ou aprontando alguma coisa, ele estava sempre andando de bicicleta.
Ele era conhecido, tanto pelos adultos como pelas crianças, como “Herbie O Matador de Gato”, e a história era de que ele roubava seus gatos de estimação e os torturava até a morte. Ele também usava um colar no qual havia um dente de gato pendurado (essa era a evidência de que a história era “verdade”, embora eu pense que ele queria parecer mais com o estilo do Crocodilo Dundee, o dente provavelmente não era felino.)
Alguns anos depois, algo terrível aconteceu na vila e isso revelaria o verdadeiro motivo de Herbie andar de bicicleta o tempo todo. Uma garota de 16 anos que estudava em minha escola foi assassinada (foi horrível de verdade), e durante os primeiros dias da investigação, Herbie desapareceu. Naturalmente, as pessoas suspeitaram, mas logo em seguida o cara que havia cometido o assassinato foi encontrado e Herbie voltou aos seus antigos hábitos.
De qualquer forma, tudo foi revelado depois disso (polícia indiscreta + rumores da vila). Descobrimos que Herbie, na verdade, andava de bicicleta para verificar quando as famílias estavam viajando de férias. Ele avisava aos ciganos locais (havia milhares de campos ali perto), e então eles entravam nas garagens e roubavam ferramentas, motocicletas e outras coisas, dando parte dos lucros a ele.

SqoishMaloish:
Provavelmente o Triclope. Ele era um tipo de homem mutante criando em um laboratório durante a Segunda Guerra Mundial (?). O Triclope tem mais ou menos dois metros de altura, é prateado, incrivelmente forte, noturno e vive nas catacumbas. Ele come galinhas e outros animais pequenos, às vezes restos de suas refeições podem ser vistos perto de várias entradas à sua propriedade subterrânea.

Breadstick13:

Um tipo de lenda urbana de onde moro...
Lansingburgh, Nova York (O Antigo Colégio)
A lenda é que no começo dos anos 90, uma professora enlouqueceu e assassinou quantos estudantes ela podia com um machado na sala 243. A sala é mal-assombrada durante a noite pelo fantasma da professora, que grita furiosamente e agita o seu machado ensanguentado, e pelos estudantes correndo e gritando em pânico.

Sta1994:

A ilha de Hilton Head.

Há um farol abandonado em um canto da ilha. Ele foi abandonado porque há muitos anos uma escrava se enforcou lá, e após isso coisas muito estranhas começaram a acontecer. Com isso, as pessoas começaram a abandonar o farol. Se você for lá à noite, você verá a sombra de uma figura enforcada balançando na luz e também ouvirá a risada dela.

Cliffkleven:

Há uma fazenda histórica perto de minha cidade natal, onde corre o boato de que o proprietário cometeu um assassinato. Acredita-se que ele era um homem muito respeitado que atuava como ministro local. Uma vez ele contou à congregação que era melhor ele pregar às pedras, e então colocou um punhado de pedras nos bancos e começou a pregar a elas.
Sobre o assassinato: Diz-se que ele engravidou a própria filha. Ele ficou tão bravo com isso que após o nascimento da criança, matou o bebê e sua filha no porão. Uma amiga minha jura que quando era mais nova conversou com o fantasma da garota.

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Conhecido Apenas Como "Aquilo"

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O que será citado a seguir é uma história real, incluindo o fato de que eu e meu amigo – que chamaremos de Kaskie – estamos nela.

Nós estávamos no treinamento básico da Marinha, estava quase no fim e logo nós nos mudaríamos para a frota. Como você pode imaginar as pessoas de lá geralmente ficam muito próximas, morando por tanto tempo juntas. Tão próximas que uma noite, meu amigo Kaskie decidiu contar relatos de um do encontro que ele teve com uma criatura que aparentemente não tinha nome.

Eu, Kaskie e dois outros amigos nos sentamos em uma das beliches assim que todos foram dormir. Começamos contando histórias que havíamos escutado, seja de terror ou não. Kaskie ficou em silêncio o tempo todo, parecendo incomodado.

Alguns minutos depois ele começou a nos contar da casa dele em Indiana, pequenas histórias “assustadoras” que ele jurava que eram verdadeiras. Nós continuamos a conversar assim que ele terminou, mas ele ainda parecia incomodado com algo, então, nós o instigamos a falar e depois de alguns momentos, ele o fez.

Ele começou dizendo que nunca deu um nome para a entidade, acreditando que se tivesse um nome, sua influência seria maior e ele retornaria ao ouvir o suposto nome. Por mais que aquilo parecesse loucura quando eu ouvi, ele tinha certeza do que dizia, mas chegaremos nesse ponto em breve.

Kaskie tinha apenas oito anos quando o incidente aconteceu e vivia numa casa velha e cheia de histórias por trás. Ele já havia tido alguns “encontros paranormais” pela casa, mas nada havia deixado lembranças marcantes assim, nada como aquilo. Quanto mais ele falava, mais pálido ficava e sua expressão demonstrava nervosismo, olhando para os lados de forma frenética, com medo de que aquilo voltasse para terminar o que havia começado quinze anos antes.

Como eu disse, ele tinha oito anos na época, e segundo ele, eram 02h37min da manhã. 

Provavelmente nunca esquecerá esse horário.

Ele acordou, sentindo vontade de usar o banheiro, levantou-se da cama nas pontas dos pés e caminhou no chão amadeirado até o próximo cômodo. Foi aí que ele ouviu algo na escada, que era próxima do banheiro. Aquilo se movia lentamente e parecia ter quatro patas, mas Kaskie não tinha um cachorro. Devido ao medo, ele ficou congelado ali, sem saber se deveria continuar o caminho até o banheiro ou simplesmente voltar para o seu quarto, então ele continuou lá, escutando enquanto o barulho ecoava pela escada.

Aquilo eventualmente alcançou o último degrau, e o que Kaskie viu fez com que ele sentisse um frio na espinha e todo o sangue do seu rosto sumisse.

Ele descreveu como se tivesse o corpo de um cachorro, um cachorro sem pêlo algum e gigantesco, que mesmo estando nas quatro patas, parecia ter uns dois metros de altura. A cabeça daquilo, não era de um cachorro, na verdade, lembrava a de um humano, só que na posição contrária e os dentes lembravam os de um Tamboril. Seus olhos eram apenas manchas escuras, e pareciam deixar tudo mais escuro, só de olhar pra eles – como encarar um túnel –.

O nariz eram apenas duas fendas e as unhas pareciam mais garras, arranhando a madeira enquanto se movia. Ele e a coisa se encararam por apenas alguns momentos até Kaskie decidir voltar para o quarto dele, fechando a porta rapidamente e se escondendo embaixo do cobertor.

Mas aquilo não desistiu tão facilmente.

O som da porta se abrindo foi apenas um sinal de que a coisa havia o seguido. Lentamente ele tentou espiar, ainda embaixo dos edredons, e deu de cara com aquilo sentado em sua cama, encarando-o com aqueles mesmos olhos escuros.

De repente, a coisa pulou, agarrando Kaskie pelas pernas e o levando para o centro do cômodo, o balançando de forma agressiva até Kaskie desmaiar.

Ele acordou na manhã seguinte com marcas profundas de mordidas nas suas pernas e lotado de arranhões e roxos espalhados pelo corpo, ele contou a sua mãe, mas ela pensou que ele havia sido atacado por algum cachorro no dia anterior, ou que outra criança havia batido nele.

Mas independentemente, ele nunca havia falado sobre isso com ninguém, com exceção de nós, claro.

Nós sentamos em silêncio por alguns momentos, antes de decidir que estávamos cansados e queríamos dormir; e isso deveria ser o final de tudo, mas não foi. Um tempo depois, decidi falar com Kaskie sobre aquilo, mas não o tratando como algo “sem nome” e sim o citando com um nome que eu havia escolhido. Ele me disse para nunca mais falar sobre o assunto e me bloqueou imediatamente para que eu não o questionasse mais... Mas não acho que aquilo iria atrás dele mesmo se ele ficasse com o nome gravado na mente para sempre, já que depois disso tudo, ele veio até MIM.

No começo eram coisas simples, vultos no escuro, caminhando pela casa; aquilo provavelmente fez a mesma coisa com Kaskie, mas ele não percebeu. Eu decidi sair de casa quando ouvi arranhões na minha porta, a qual eu havia trancado para que aquilo não entrasse.

Dirigi até a cidade da minha namorada e decidi ficar em um hotel simples. Eu achei que estaria salvo lá, achei que a distância faria algum tipo de diferença, mas uma noite, totalmente ao acaso eu olhei pela janela do quarto e aquilo estava lá fora. Não estava exatamente na minha janela, mas eu podia ver o meu carro no estacionamento, e a grande sombra de “cachorro” próxima a ele, correndo suas unhas na porta.

Continuei o encarando por um tempo, congelado pelo pânico, mas logo me afastei da janela, com medo que aquilo descobrisse o meu quarto exato. Eu até poderia achar que aquilo era um cachorro qualquer, se ele não tivesse retornado todas as noites, caminhando ao redor do meu carro e correndo as garras imensas dele pela extensão do mesmo.

Depois que retornei para minha cidade, decidi me mudar rapidamente para um apartamento, presumindo que aquilo não me acharia devido aos cheiros de outras pessoas que morariam próximas a mim.

Até agora funcionou, não vi aquela coisa dentro do meu apartamento desde que me mudei, mas toda noite, quando quase ninguém está acordado, ele retorna ao meu veículo, arranhando a porta e procurando por mim, e eu tenho medo que um dia ele consiga seguir o cheiro até o quarto andar do prédio, onde meu apartamento fica, e que ele decida me visitar, o homem que o deu poder simplesmente por causa de um nome.




creds

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Correio

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Tudo começou com uma mensagem em minha caixa de correio. Após o meu café da manhã e do cigarro matinal, decidi sair para verificar a minha caixa de correio. Comprei essa casa em um leilão por um valor muito baixo. Ficava em um povoado tranquilo. Como sou um garoto da cidade, não fazia ideia de como seria a vida no interior até que fiz alguns amigos na área. Com a compra da casa adquiri também vários acres de terras agrícolas, que no outono florescia lindamente. 

Pus meus sapatos e sai de casa, ainda levemente sonolento. Abrindo a caixa de correio encontrei um pássaro morto lá dentro; de inicio pensei que fosse outra brincadeira daquelas crianças estúpidas – na semana passada, decidiram encher meu gramado com papel higiênico. Tirei o pássaro e o joguei no chão; ele estava bem desfigurado, como se um cachorro o tivesse mastigado. 

Não havia mais nada na caixa. Comecei a achar que talvez as crianças tivessem roubado minhas cartas, mas acabei deixando para lá e prometi que acordaria mais cedo na manhã seguinte e esperaria as cartas serem entregues, então eu pegaria esses idiotas no ato. A manhã seguinte chegou e o carteiro veio como sempre. Saí e peguei minhas cartas, sem problemas. Na manhã seguinte foi a mesma coisa. 

No inicio da semana seguinte eu saí para checar o meu correio como sempre. Mas dessa vez, fiquei horrorizado com o que vi; a minha caixa que era branca agora estava completamente suja com sangue. Eu a abri cuidadosamente. Dentro havia um gato mutilado. Engasguei e cobri minha boca, sufocando rapidamente o vomito que já subia pela minha garganta. Corri para minha garagem, pus minhas luvas, e tirei o pobre animal dali. Colado nele havia uma nota, quase ilegível, porém bruta. Na nota havia um simples rosto sorridente. Fiquei enojado com isso; quem fez isso achou divertido. Dei ao gato um enterro apropriado e segui normalmente com o meu dia. 

Na manhã seguinte, acordei as 5:00 AM, saí e verifiquei o meu correio à procura de algo errado. O gato que eu tinha enterrado no meu quintal estava outra vez enfiado na caixa de correio, dessa vez com outra nota. Nessa nota tinha o desenho de um rosto zangado, e logo abaixo dele havia escrito, “Não gosta do meu presente?” 

Enfurecido e finalmente cheio dessa palhaçada, decidi enterrar o gato outra vez e ficar acordado a noite inteira vigiando a minha caixa de correio para tentar descobrir quem estava fazendo isso. O tempo passava – 12:00 AM, 1:00 AM, 2:00 AM, nada acontecia... então, as 3:00 AM, finalmente vi movimento do outro lado da estrada, e do milharal saiu uma figura, seguindo para a minha varanda. Eu a observei ate que ela finalmente chegasse abaixo da minha luz de segurança que ficava no meio da varanda. O que vi, nem sei como posso começar e descrever. Era um homem... ou pelo menos eu acho que era. Estava curvado como um velho, com longos braços retorcidos que se moviam de modo anormal. Sua cabeça estava inclinada para baixo como se estivesse procurando por algo que havia deixado cair. 

O homem parecia frágil, mas se movia com grande velocidade. Rapidamente e em silencio, segui para a janela dos fundos e o observei desenterrar o gato e segura-lo em seus braços; ele acariciava o gato como se o animal ainda estivesse vivo e logo o homem correu para a frente da minha casa. Voltei para a janela da frente e o observei seguindo para a minha caixa de correio e colocando o gato lá dentro, para depois desaparecer na escuridão. Naquele dia eu não saí de casa; estava tão chocado com o que tinha visto. Dormi um pouco e resolvi sair para comprar algumas coisas; quando voltei retirei o gato da caixa outra vez e resolvi enterra-lo em outro local, então me preparei para passar outra noite acordado, esperando para ver o que aconteceria. 

Com uma lanterna em mãos e outra vez observando pela janela da frente, vi o estranho e veloz homem saindo do campo e entrando em minha varanda, seguindo para o novo local onde eu havia enterrado o gato e cavando com as próprias mãos. Abri a porta deslizante de vidro e saí, mirei a lanterna no homem, e gritei “O que diabos está fazendo?!” O homem virou-se para me encarar, e foi quando eu o observei de perto pela primeira vez. Seu corpo parecia ter sido mastigado por um urso – roupas rasgadas, pele apodrecida, dentes completamente expostos e irregulares, e olhos fundos. Corri rapidamente para dentro de casa no momento em que ele soltou um grito agudo e correu em minha direção. 

Fechei a porta deslizante, tranquei, e corri para pegar a pistola que eu havia comprado para a minha segurança e a tinha escondido sob o sofá. Pondo uma bala na câmara, mirei a luz da lanterna para a porta e fiquei esperando, sentado no sofá. Acabei atirando acidentalmente quando me assustei com algo que bateu contra o vidro da porta e deslizou para o chão. Me aproximei da porta e usei a luz da lanterna para ver o que era: entranhas estavam espalhadas pelo chão, e sangue manchava vidro. Enjoado, engoli o vomito que subia pela garganta. 

Corri de volta para o sofá e fiquei ali sentado, com meus olhos fixos na porta de vidro, e com a lanterna apagada. Eu conseguia ver o luar passando através da terrível mistura de sangue e entranhas grudada no vidro. Vi a figura se aproximar da porta e começar a tocar no sangue, espalhando-o com as mãos. Eu estava paralisado de medo, esperando que ele quebrasse o vidro e tentasse arrancar a vida de mim. 

Depois de espalhar o sangue, ele virou-se e foi embora. Juro que pude ouvir um fraco riso, como o riso de um fumante com os pulmões estragados, só que mais rouco. Fiquei sentado no sofá sem reação; não sei por quanto tempo esperei, mas logo a sala foi se iluminado com o nascer do sol. Passei os olhos pela casa – tudo parecia tão quieto – então fixei meus olhos na porta e lá estava no vidro; marcas de mãos com dedos anormalmente longos e um sorriso, o mesmo que estava na nota grudada no gato. Suspirei e tentei me acalmar, mas, ainda permanecendo em alerta, deitei e fechei os olhos. Algumas horas depois, despertei de um pesadelo e me levantei do sofá. 

Eu estava muito estressado, e com o medo crescendo a cada segundo que pensava na coisa que estava lá fora. Limpei as entranhas e o sangue na porta e reuni coragem para sair e checar a caixa de correio, quando encontrei uma simples carta. Curioso, a abri e senti um arrepio percorrer o meu corpo. 

Não havia palavras na carta – apenas um sorriso, o mesmo sorriso cru que estava na nota grudada no gato e em minha porta de vidro. 

Rapidamente amassei a carta e a joguei no chão. Saí naquela noite; fui ficar com os meus pais na cidade por algumas semanas. Sem explicar a minha situação para eles, simplesmente falei que estava cansado da vida no interior e precisava de uma mudança por algumas semanas. Eles concordaram alegremente. Quando retornei para a minha casa três semanas depois, o horror desabou sobre mim, pois a minha casa não estava como eu a havia deixado. Assim que entrei, o fedor de podre atingiu o meu nariz e vomitei no chão. Tapando o meu nariz com a camisa, prossegui para ligar a luz. 

Porém, ligar a luz me fez gritar em desespero. Havia entranhas e corpos de animais espalhados por toda a sala; alguns estavam encostados como se fossem humanos em meu sofá, e todos me encaravam enquanto eu estava paralisado de medo na entrada. Por toda a parede branca havia rostos sorridentes e a mesma frase escrita várias e várias vezes, “Estou com muita raiva de você,” em sangue. Levantei o sofá procurando pela minha pistola, mas ela tinha sumido. 

Vi algo se movendo no corredor, onde a luz da sala não iluminava, algo estava vindo para a sala. Saindo do corredor, iluminado pela luz da sala, estava a criatura que quase me matou na noite em que fugi da casa. Ele virou os olhos para mim, e sua boca se abriu em um sorriso doentio. Num pulo, ele começou a vir em minha direção. Me virei rapidamente e corri para fora, batendo a porta atrás de mim. Entrei no meu carro, dei a partida, e saí do estacionamento para a estrada o mais rápido que pude. Atrás de mim, vi pelo retrovisor a figura correndo para o meu carro; ela bateu os braços no porta malas e tentou pular para cima do carro. 

Pisei fundo no acelerador e consegui me afastar daquela coisa terrível. Dirigi a noite inteira, o mais longe que pude, da casa, daqueles animais mortos, daquela coisa. Logo eu já estava nos limites da cidade, decidi parar num posto e encher o tanque mais um pouco, já que estava quase vazio. Estacionei no posto e saí do carro. Meus olhos se arregalaram quando vi que o porta-malas estava completamente amassado. Abasteci rapidamente e segui para a casa dos meus pais. 

Quatro meses depois, eu já estava morando em um apartamento, lidando com pesadelos ocasionais, mas estava muito feliz por ter saído daquela casa e me afastado do monstro que rondava por lá. 

Porém… 

Eu tinha checado o meu correio pela manhã e havia uma carta sem remetente. Dentro, em um papel amassado, havia o desenho de um sorriso e as palavras, “Você não pode se esconder,” rabiscadas abaixo do sorriso.

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