Postagens Semanais

Segunda-Feira
Francis Divina

Terça-Feira
Gabriel Azevedo

Quarta-Feira
Francis Divina

Quinta-Feira
Gabriel Azevedo

Sexta-Feira
Talisson Bruce

Sábado
==========

Domingo
==========

Creepypasta dos Fãs: O que é isso na minha bolsa?

28 comentários
[Quer ver sua creepy aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com com título e nome!]

Moda foi a minha paixão desde pequena, e há algumas semanas, eu consegui o emprego que eu tanto queria. Ainda estava na faculdade de design e era somente um emprego de meio período, mas o salário era muito bom e eu iria trabalhar com o que eu mais amo: moda. Minha família não tem muitas condições de me pagar roupas de grife, mas mesmo com um orçamento pequeno, eu conseguia ter muito estilo, e isso era algo que me elogiavam sempre. Estudo em uma faculdade particular considerada de “ricos”, na qual eu entrei com uma grande bolsa de estudos. Minha turma era bem legal, com exceção de duas meninas, Kim e Jade. As duas eram as mais populares e mais ricas da faculdade. Para ter uma noção, a festa de aniversário de 15 anos da Kim foi em Barcelona. Isso, você leu direito. BARCELONA, e sem contar o presentinho que Jade ganhou quando completou 16 anos: uma bolsinha que facilmente poderia comprar o carro dos meus pais... Enfim, as duas eram melhores amigas e adoravam me zoar e de me chamar de pobretona, mas na real, eu sabia que as duas tinham inveja de mim.

Os primeiros meses de trabalho foram se passando e fui recebendo meu salário, e estava pensando... Já que eu amo tanto moda, eu deveria investir em algo que complementasse um look por inteiro, mas no que será que poderia investir? Uma joia? Um sapato? Já sei, uma bolsa! Sempre sonhei em ter bolsas de grifes famosas e já estava na hora de investir em algo do tipo. Peguei meu cartão de credito e fui à procura da minha bolsa dos sonhos. Fui para o shopping e vasculhei todas as lojas, mas não achava nada de interessante. Decidi ir embora, e no caminho para casa, passei por uma esquina onde havia um pequena loja, e em sua vitrine havia uma linda bolsa de couro preta e com detalhes em prateado, um verdadeiro sonho... Nunca tinha visto aquela loja por lá, era pequena e toda decorada em madeira. Entrei na loja, focada na bolsa, e fui direto ao balcão, onde havia uma vendedora lendo um livro, e foi quando eu perguntei:

- Boa tarde. Eu gostaria de levar aquela bolsa preta que está na vitrine, por favor.

A vendedora me olhou com uma cara de desconfiança e disse:

- Sinto muito, aquela bolsa não está à venda.

E foi quando começamos um diálogo não muito amigável...

- Me perdoe, mas aquela bolsa está na vitrine e com a etiqueta de preço do lado dela. Como assim ela não está à venda? - eu indaguei.
- A bolsa não está à venda! - Disse a vendedora, quase gritando.
Olhei surpresa para ela, e com uma raiva gigante eu disse:

- Eu não sairei daqui sem aquela bolsa, querida!

A vendedora, sem saber o que fazer, olhou para um senhor que estava nos espionando de uma porta. Parecia ser o gerente da loja, que fez um sinal de aprovação para ela. Ela então disse:

- Crédito ou débito, senhora?
- Crédito, por favor...

Saí da loja muito feliz em ter achado a minha bolsa dos sonhos, mas ao mesmo tempo, saí confusa pelo fato daquela mulher não querer me vender a bolsa. Chegando em casa, fui checar meu celular e vi que eu amigo estava organizando uma festinha e havia me convidado. Fiquei animada, pois já ia estrear minha bolsa nova com grande estilo. Passaram-se os dias, até que o dia da festa finalmente havia chegado. Na noite da festa comecei a me arrumar, coloquei um vestido preto e uma bota com salto, para combinar com minha amada bolsa. Me diverti demais naquela festa. Eu e meus amigos dançamos, bebemos e colocamos o papo em dia, até que chegou a hora de ir embora. Eu morava perto do local da festa, então decidi ir andando mesmo. A rua estava escura e vazia, e eu já estava com medo de estar sozinha quando comecei a sentir uma presença atrás de mim. Levemente virei a cabeça para olhar, mas não vi nada. Fiquei aliviada, mas quando olhei para frente novamente, vi  a figura de um homem bem na minha frente, todo de preto e usando um boné. Naquele momento eu não consegui nem respirar, o medo me deixou paralisada, o homem tinha uma arma e apontava ela para o meu rosto, foi quando ele disse:

- A bolsa ou sua vida...

Levemente, peguei minha bolsa e entreguei para o homem que saiu correndo logo em seguida. Fui perambulando até minha casa sem acreditar no que havia acabado de acontecer. Fui para meu quarto e comecei a chorar desesperada. O nervosismo foi tanto que tive que ir correndo para o banheiro vomitar, voltei ao meu quarto e apaguei na minha cama de tanto chorar. Acordei e não consegui abrir os olhos. Chorei tanto que meus cílios haviam grudado um no outro, estava com muita ressaca devido a festa de ontem, esfreguei meus olhos para conseguir enxergar novamente e tive uma grande surpresa: minha bolsa , que fora roubada na noite anterior, estava na minha estante, como eu havia deixado antes de ir à festa.

Como pode a bolsa ter voltado para meu quarto sendo que ela foi roubada? Pensei que deveria ter sido só um sonho, afinal, bebi muito noite passada e não me lembro bem o que ocorreu na festa, mas o que me assusta é o fato de que aquele assalto eu consigo me lembrar muito bem... Deve ter sido somente um pesadelo que ficou na memória, pois foi muito assustador. Por via das dúvidas, chequei por dentro dela e vi que estava tudo lá, até mesmo uma pequena tira do que parecia ser um boné que estava manchado com uma tinta vermelha estranha. Deve ter sido de algum dos meninos da festa, lembro que havia gente usando boné naquela festa...

Chequei meu celular e levei um susto, pois eu estava atrasada para a faculdade. Me arrumei correndo, coloquei um caderno e uma caneta na minha bolsa e saí. Por sorte, consegui chegar a tempo. Estavam todos conversando, e Kim e Jade, atrasadas como sempre, chegaram logo depois de mim, e eu tive o azar de sentar atrás de Kim, que olhou para minha bolsa com a inveja estampada na cara, como era de costume, e disse:

- Como vai, pobretona? Bolsinha nova? Comprou onde? No brechó?

Jade, logo em seguida, riu. Não dei bola e mostrei meu dedo do meio. Kim já ia partir para cima de mim quando o sinal tocou e o professor chegou na sala de aula.

- Salva pelo gongo... - disse Kim.

O tempo foi passando quando finalmente o sinal toca, avisando a hora de irmos para casa. Eu estava extremamente apertada e saí correndo para o banheiro, e acabei esquecendo minha bolsa na minha carteira. Avistei Kim entrando na sala de aula com um sorriso suspeito em seu rosto. Após voltar do banheiro e entrar na sala de aula, vi que minha bolsa não estava mais em lugar nenhum. Desesperada, procurei em todos os lugares, mas mesmo assim, não a encontrei. Fui para a portaria da faculdade para ver se alguém havia visto minha bolsa, mas acabei vendo algo que me deixou fervendo de raiva: Kim e Jade entrando em um carro e minha bolsa nas mãos de Kim.

- Filha da puta! – Gritei enquanto via aquele carro indo embora.

O que faço? Ligo para a polícia? Droga! Meu celular estava dentro da bolsa e meu telefone fixo está com defeito... Quer saber? Amanhã vou encher a cara delas de porrada, e farei elas provarem do próprio remédio. Fui para casa morta de raiva.

No caminho, vi várias viaturas e ambulâncias, todas paradas em uma rua cheia de oficiais. Decidi ver o que era, e havia uma lona grande cobrindo o que parecia ser um corpo, e um dos policiais me parou e diz:

- Senhora, peço que se retire, o local está interditado.
- Me desculpe, mas o que aconteceu?
- Um rapaz foi morto e seu corpo mutilado, e estamos à procura do assassino.
- Um rapaz? Quando ele foi visto pela última vez?
- Ontem a noite.

Fiquei assustada, pensando que poderia ter sido um dos meu amigos.

- Você tem alguma foto da vítima? –  Perguntei ao policial.

Ele me mostrou a foto do rapaz e eu fiquei totalmente em choque. O rapaz, em questão, era o homem que havia me assaltado no meu suposto “pesadelo”, e foi quando o policial me disse:

- Esse rapaz era conhecido por assaltar pessoas nessas redondezas, e ele se vestia todo de preto e usava um boné, e ontem, na noite de sua morte, foi visto pela última vez correndo com uma bolsa em suas mãos.

Naquele momento eu fiquei totalmente sem palavras. Aquilo não era pesadelo, era realidade, mas como minha bolsa pode ter voltado para mim? Isso não faz o menor sentido...

- Peço que se retire e volte para casa, está escurecendo e pelo visto há um assassino a solta – disse o policial.

- O...Ok, Bo... Boa tarde – disse eu, chocada.

Fui correndo para casa e cheguei muito cansada, e com muita raiva de Kim. Terminei meus estudos diários e fui dormir.

Acordei com muita dor de cabeça, estava tonta e não conseguia enxergar muito bem. Balancei a cabeça e minha visão foi voltando, e no momento em que ela voltou, fiquei em choque ao ver que minha bolsa estava na minha estante novamente.

- Não, não é possível... Como? Eu vi essa bolsa com a... Essa não...

Peguei minha bolsa para verificar dentro dela, e foi quando tirei um anel de dentro de um dos bolsos...

- E... Esse anel, esse anel é de Kim! Ela havia ganhado esse anel no seu aniversário de 15 anos... Eu preciso ir para a faculdade agora!

Me arrumei rápido e, ao chegar em minha sala de aula, me deparei com Jade, desesperada, chorando, e pessoas ao seu redor para tentar ajudá-la. Jade, chorando, disse:

- Ela desapareceu!!! Kim, minha melhor amiga, desapareceu!!!

Naquele momento, tudo em minha volta ficou em silêncio. Voltei para casa correndo e liguei a televisão no canal de notícias, quando vi algo que me fez gelar por completo:

- Kim Jackson, estudante da faculdade de design, foi encontrada morta em um beco. Seu corpo foi mutilado e não há nenhum indício do assassino. Kim foi vista pela ultima vez saindo de um carro, ela usava um vestido vermelho, sapatilhas e uma bolsa preta.

- Não... Não... Não! Não irei fazer parte disso! Irei dar um fim nessa loucura toda!

Peguei aquela bolsa, joguei ela na churrasqueira da minha casa, encharquei ela de álcool e, sem pensar duas vezes, coloquei fogo. Esperei ela queimar por completo. Aliviada, fui dormir um pouco mais calma, mas tudo isso durou pouco.

Tive um terrível pesadelo onde corria de algo que queria me matar. Eu não conseguia gritar e a criatura ficava cada vez mais perto de mim. Tentei acordar, mas não adiantou. Senti ela puxando a minha mão com muita força, e com isso, acordei no susto. Estava sentindo uma dor terrível na minha mão, e quando olhei, um dos meus dedos havia sido decepado e minha cama estava encharcada de sangue. Soltei um berro que, logo em seguida, foi calado, pois vi aquela bolsa do meu lado, e em seu couro havia escrito com sangue: Você não vai se livrar de mim.

Acho que já sei onde meu dedo está...

Autor: Guilherme Araújo
Revisão: Gabriela Prado


28 comentários :

Postar um comentário

A Dupla

13 comentários
Meu nome é Chucky, estou me mudando para uma casa em Connecticut nos Estados Unidos, fiquei sabendo coisas fantásticas sobre o lugar, é uma pena que não tenham muitos vizinhos por perto. Os donos vão me hospedar na casa deles por algum tempo, minha animação é tanta que estou roendo as unhas do pé haha!

Mal cheguei e já foram me colocando no quarto, aqui fede e tem bastante poeira, mas já dormi em lugares piores, não vou morrer se dormir aqui, minha cara é bem pior que tudo isso, porém não vêm ao caso nesse momento.

Não me trouxeram nada até agora, nem uma torta de maçã e muito menos um copo de Uísque; estou ficando entediado e não tem nada para fazer nessa merda.  A menininha na caixa de vidro acenou para mim, acho que vamos nos dar muito bem.. Seu nome é Annabelle.


Aviso> (Faltam somente ajustes para o final da ''A Coisa Embaixo da Paulista'', ainda estou trabalhando em ideias porque quero dar um final bem trabalhado para vocês. Mês que vêm meu tempo vai ser um pouco mais corrido e vai ser assim durante 7 meses pois vou estudar de manhã e a tarde, mas não se preocupem, nos tempos que eu tiver livre vou escrever e mesmo que demore, entregar algo que não foi feito as pressas. Ano que vêm se eu conseguir juntar uma boa grana quero lançar um livro.) (O que acham dessa mini creepy virar uma série futuramente?) 

13 comentários :

Postar um comentário

A ajuda do Ceifador

22 comentários
Gente, vou entrar de férias agora sexta-feira, então provavelmente estarei postando menos nas próximas duas semanas. Mas vou tentar manter aqui atualizado com pelo menos uma por semana, ok?
***
Não há medo mais potente do que o medo do desconhecido. Nenhum rosto monstruoso descoberto ainda foi tão aterrorizante quanto o potencial infinito de horror que existe antes que a máscara seja removida.
É por isso que nós humanos, em nossa ingênua concepção sobre a ordem do universo, somos tão apegados ao medo da morte. Nós pensamos nela como a fronteira final - o maior desconhecido imaginável dos quais quem vai, não volta mais. E então nos apegamos desesperadamente até na vida mais angustiante e triste, sofrendo por qualquer mal conhecido até nossa libertação para o além.
Mas a morte não deve ser temida, porque a morte é muito bem conhecida. Nós a testemunhamos, causamos, medimos e gravamos isso até o último espasmo moribundo de cintilações neuronais. Mesmo quando eu estava deitado, morrendo, parecia bobo que eu tivesse medo do vazio que me era tão prometido.
Enquanto estava vivo, eu não experimentei a morte, então não havia motivo para ter medo agora. Quando eu estava morto, eu não seria capaz de experimentar nada, então ainda não havia razão para o medo. Esse pensamento me trouxe grande conforto ao sentir a última luta errática do meu coração contra a conclusão inevitável que se aproximava. Foi só quando eu estava finalmente caindo no sono que uma última dúvida borbulhou no meu cérebro:
E se não for a morte que tenho que temer? E se é o que está além?
E, tão perturbado, deslizei além do entendimento mortal, entrando em um mundo tão abandonado pela razão como já era em vida. Eu ainda estava no quarto do hospital, mas a agitação das enfermeiras e as máquinas de apitar perderam sua opacidade como se estivesse caindo em um entardecer atormentador. Parecia que cada som era apenas um eco do que um dia fora; toda visão um mero reflexo. Com cada momento que passa, o mundo estava se tornando menos real...
Mas todas aquelas visões e sons - tudo aquilo - não estavam simplesmente desaparecendo. Estavam se transformando em uma figura ao meu lado. Quanto menos real meu quarto se tornava, mais real era a figura era, até que existisse em uma realidade tão afiada que nada ao lado dele parecia real.
Sua capa era preta. Não na cor preta, mas em sua essência. Era como ver um tigre de verdade pela primeira vez depois de ter passado anos vendo uma ilustração de um tigre em um livro infantil pensando que aquilo era o animal real. A realidade fluía em torno da sua foice como as ondas em um mar colorido, e eu podia ver cada partícula elementar e o tempo em si espalhando-se em sua lâmina.
Claro, pensei. É por isso que nos ensinam a ter medo da morte mesmo sem precisar explicar o motivo. Eu me agarrei no cobertor da minha cama de hospital para diminuir a intensidade da presença do Ceifador, mas o algodão, uma vez suave, agora fluía como a névoa translúcida através das minhas mãos.
Eu sabia naquele momento que nada poderia me esconder do alcance do espectro, pois ele era a única coisa real neste mundo.
Você está atrasado.
Não eram palavras. A minha cabeça doeu com esse conhecimento, enquanto meu atraso ia queimado em minha consciência, transmitido como uma lei inevitável da física como a inequívoca gravidade.
Não temos tempo para o diálogo costumeiro. Apresse-se. 
Senti-me voando com o vento ao redor dele como detritos em um furacão. Antes que eu soubesse o que estava acontecendo, estávamos fora do hospital, nos movendo a um ritmo tão frenético que o mundo à minha volta estava turvo em um túnel estonteante de luzes intermitentes.
Se tiver sorte, ELE terá se entediado de ficar te esperando.
Eu tinha muitas perguntas, todas lutando por sua devida atenção dentro do meu cérebro sem conseguir fazer uma se quer. 
Você está quieto. Admiro isso. Geralmente as pessoas perguntam demais. 
"Qual o objetivo?" Perguntei. Minha voz parecia sem graça e morta comparada a sua presença estonteante. "Como posso tentar compreender algo tão além do meu conhecimento?"
Você não pode. Mas ainda é da natureza humana perguntar.
Não estávamos desacelerando. Na verdade, nossos passos ficavam mais rápidos. Eu não estava correndo, nem voando, ou nada dessa natureza. Era mais como se o resto mundo a nossa volta se movia enquanto ficávamos completamente parados. Uma vaga escuridão e um cheiro pesado e úmido me fizeram supor que tínhamos ido para o subsolo, mas não tinha como saber de certeza. 
"Uma pergunta, então," Pedi. "O que mais tem aqui além de você?"
Essa é a razão para perguntas serem sem sentido. A morte não é um lugar ou uma pessoa. É tudo que existe.
Um pensamento perturbador, mas feito mais pelo crescente uivo que começava a ecoar nas rochas à minha volta. Ainda parecíamos descer pela Terra, e o ar estava cada vez mais quente e denso. O som continuava a aumentar como se o próprio mundo estivesse sofrendo.
"Então, o que é ELE?" 
É de quem tenho que te proteger.
As rochas se separaram com um movimento rápido de sua foice, e o chão se abriu ainda mais em uma caverna dominada por um lago subterrâneo.
"Mas achei que tinha dito que você era tudo que existia."
Não. Eu disse que a morte é tudo que existe. 
Não estávamos mais em movimento. Luz brilhava da foice de uma fonte invisível e transmitia-se para o lago fluentemente. Uma vez dentro, a luz não refletia ou se dissipava, mas rodava e dançava como óleo luminescente.
"Achei que você era a morte."
A morte não é uma pessoa.
A luz estava ganhando vida própria dentro da água. A superfície parada começou a se agitar com a enigmática energia. Levou muito tempo para minha mente dispersa perceber que eu era a energia que fluía no lago. Eu ainda me sentia enredado com a figura, mas agora existimos como um feixe de luz que fervia na água.
Eu sabia que não entenderia, mas isso não me impediu de me sentir frustrado. Se a Morte é tudo o que há, então o que é ELE? Quem esperava por mim? A água fez pressão em torno de mim e não consegui falar, embora ainda pudesse respirar de alguma forma.
ELE está aqui.
Algo estava na água ao meu redor. Mãos me agarraram pelas pernas e começaram a me puxar para baixo. Fiquei impressionado ao descobrir que eu tinha membros novamente. Era tão estranho senti-los, como se aquele corpo não fosse o meu. A luz brilhou na foice - depois de novo. As mãos soltaram, e pude ouvir os uivos mais uma vez. O Ceifador estava lutando contra alguma coisa, embora eu não conseguisse entender o conceito da batalha, exceto pelo debater insano dentro d'água. 
O uivo da Terra atingiu seu crescendo, e os gritos fizeram que a água que me rodeava se convulsionasse e se contraísse como algo vivo. O Ceifador havia o cortado? Eu estava seguro? Comecei a explorar meu novo corpo na água, mas, quando pensei que estava começando a ganhar controle, as mãos me agarraram mais uma vez. Fui para baixo, lutando em vão contra seu aperto implacável.
"Quem está aqui?" Tentei gritar contra o líquido sufocante "O que está acontecendo?"
Mas eu não conseguia mais sentir a presença do Ceifador. O calor era insuportável, mas as mãos congelantes que estavam me arrastando para o fundo era ainda pior. Fiquei ciente de uma luz abaladora no fundo do lago, e apesar de ter lutado, as mãos me arrastaram inexoravelmente para lá.
Me perdoe. Não consegui vencer ELE. Parecia vir de tão, tão longe agora. Tentaremos na próxima vez. 
A pressão - o calor - o barulho - as mãos me arrastando para a luz ofuscante. Fechei os olhos e gritei. Eu estava livre da água agora, mas continuava gritando. Eu não podia suportar olhar para a ELE - aquele que me roubara. Seja lá o que a morte era, ou não era - seja lá o que o Ceifador não conseguira derrotar. 
Então as palavras foram ditas. Palavras reais e humanas de uma boca humana real. Meus sentidos estavam tão perturbados que não faziam completo sentido para mim, mas acho algo assim:
"Parabéns! É um menino saudável!" 
A maioria das pessoas não consegue lembrar do dia de sua morte, ou o dia em que nasceram. Me lembro dos dois, e sei que são os mesmos.
 Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

22 comentários :

Postar um comentário

Depois que meu melhor amigo morreu, comecei a ter crises convulsivas

15 comentários
Cresci com Terrance, passando longos dias pescando com ele no lago atrás da casa do seu pai nas horas que devíamos estar na escola, fumando cigarros no celeiro enquanto conversávamos sobre a nova gostosa do colégio e, eventualmente, planejando nossa vida pós escola. Além da faculdade, na verdade. A vida militar. 
Terrance veio de uma família muito mais estável que a minha. Me ajudou a passar por momentos difíceis durante a infância, quando meu pai me batia por ter tomado mais de seis das latas de cerveja que guardava em sua geladeira mofada. Sempre consegui bloquear essas memórias, mal me lembro de quando era espancado - nem lembro da minha mãe gritando que não queria que eu tivesse nascido, ou da vez que meu tio Nate me fez participar de brincadeiras que eu não queria, lá no celeiro. Essas coisas parecem ter se apagado. Mas deixaram um impacto emocional, e Terrance - bem, Terrance me ajudou a tirá-las da cabeça do melhor jeito que pode.
Não se preocupe," sempre me dizia, "Prometo que vai melhorar."
E eu acreditei.
Então fomos para o exército juntos, Terrance e eu. Acho que aprendi mais no exército do que em todo o resto da minha vida - aprendi a como respeitar os outros e a mim mesmo. Aprendi a navegar, como transmitir mensagens codificadas e como sobreviver. 
Ficamos no exterior por um bom tempo, mais do que aqui. E um dia, dirigindo por uma estrada arenosa e colorida, com nossos pneus espalhando areia no vento, algo aconteceu. 
Uma bomba caseira. 
Todo o lado direito do nosso veículo pegou fogo. E eu me lembro claramente daquele momento, a surpresa nos olhos de Terrance enquanto um pedaço de metal atravessava seu peito vindo das costas. Com meus ouvidos zunindo, lembro de me aproximar dele, gritando que que não podia me deixar. Que ele era tudo que eu tinha. 
"Não se preocupe, cara." Me falou, a vida se esvaindo de seus olhos enquanto o sangue se espalhava ao seu redor, "Eu nunca vou te deixar. E te prometo, vai melhorar." 
E então simplesmente se foi. Assim que minha jornada acabou, voltei para casa. Mas nunca mais fui o mesmo. 
Creio que consegui bloquear sua morte, mas nunca consegui bloquear o trauma. E paguei com a saúde.
Eu não conseguia mais ver um filme. Quando havia uma cena onde a tela da televisão piscava, eu me encontrava caído em posição fetal, minha boca aberta, as memórias dos últimos minutos inexistentes. Uma vez, durante uma queda de energia, minhas luzes piscaram. Eu apaguei também, rendido pela minha terrível condição. 
Remédios não funcionavam. E com o passar do tempo, minhas crises de epilepsia se tornaram piores e mais frequentes. 
Chegou ao ponto de eu ter que ligar para um outro amigo meu do exército, Jeff, e ver se ele podia morar comigo enquanto eu me recuperava. Jeff concordou, e veio. Na primeira noite eu tive uma convulsão depois que uma lâmpada começou a piscar ao meu lado, depois explodiu. Mas Jeff cuidou de mim.
Na noite seguinte, a TV oscilou quando perdeu conexão com o satélite. Mais uma vez Jeff cuidou de mim, mas quando voltei a mim, seu rosto estava franzido, me olhando. E uma parte de mim sabia que ele tinha algo para me dizer. 
A terceira vez foi quando o farol de um carro piscou durante o trafego, Jeff estacionou no acostamento e me assistiu enquanto eu me recuperava. 
"Olha, cara," falou, com a mão no meu ombro, "Eu não sei quem está fazendo isso, ou como, mas alguém está te zoando."
"Como assim?" Resmunguei, tenso, já sabendo da resposta antes que falasse. 
"Porque, toda vez que as luzes piscam, é em código Morse. E diz: Não vai melhorar."
E eu soube que naquele momento que eu não tinha epilepsia. Ao invés disso, eu estava bloqueando algo. 
Terrance. 
Terrance e sua mensagem do além. 
Não vai melhorar. 

 Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

15 comentários :

Postar um comentário

Charles Robert Olevsky

23 comentários
Se você colocar "Charles Robert Olevsky" no google, não vai achar nada. Quer dizer, provavelmente agora vai encontrar coisas relacionadas a esse texto que está lendo, mas além disso, meu nome nunca esteve antes na internet. Tenho uma vida bem monótona. Vivo a noite pelo dia. Classe-média alta. Sem família, poucos amigos. Para ser honesto, sou bem caseiro. A vida é mais fácil assim. 

Ontem à noite, em um impulso provocado pelo tédio, procurei meu nome completo no Google. Esperava encontrar o de sempre: nada. Mas não foi bem assim. Haviam milhares e milhares de novos resultados: novos artigos, páginas no Wikipédia, menções em redes sociais - até fotos. Mas não eram fotos que eu me lembrava de ter tirado. E eu parecia bem mais velho; pelo menos 20 anos. Estava cercado de homens uniformizados que carregavam armas. Em um misto de frenesi confusão e pavor, cliquei no primeiro artigo. Meu corpo gelou. 

"Charles Robert Olevsky, fundador e líder da Milicia Novo Amanhecer Branco (New White Dawn Militia, em inglês), anunciou hoje a conclusão bem-sucedida de sua campanha para eliminar a "ameaça imigrante" do sul dos Estados Unidos. Essa foi a maior campanha feita pela MNAB (NWDM, em inglês), resultando na morte de 250,000 imigrantes ou supostos imigrantes. Com o sucesso arrebatador das novas ações da MNAB e a falta de intervenções vindas do governo americano, acredita-se que Charles Robert Olevsky continuará indo do Sul até o México."

Com mãos tremulas, dei zoom em mim na foto. No meu pulso estava o relógio que sempre uso. O que meu pai me deu. Minutos se passavam enquanto eu lia mais e mais sobre as atrocidades que era acusado de cometer. Assassinatos em massa. Estupros sistemáticos como táticas de colocar terror. Tortura. Todas as vítimas eram inocentes. 

Haviam vídeos meus da época em que a MNAB começara. Vídeo propagandas. Alguém gravava enquanto eu caminhava pela rua com um rifle nas costas, intimidando e espancando qualquer um que não parecesse que pertencesse àquela área em particular. Cada vídeo me retratava praticando um tipo de violência diferente. Performava aqueles atos com uma calma absurda e falava com as vítimas como um patriarca fala com seus filhos quando está explicando o motivo de estarem apanhando. Ao passar dos vídeos, comecei a matar pessoas. Quando os familiares corriam para o corpo de seus entes queridos mortos, eu atirava neles também. 

Antes de conseguir terminar o último vídeo, minha internet caiu. Me sentia enjoado do estomago e tonto. Culpado, também. Aquele homem não podia ser eu. Quando a conexão voltou, tentei continuar o vídeo. Não funcionava. Fechei o navegador e tentei de novo. Quando digitei "Charles Robert Olevsky", não apareceu nenhum resultado. Tudo que o Google me mostrava eram pessoas que tinham ou "Charles" ou "Robert" ou "Olevsky" em seus nomes. Nada me mencionando. 



Abri o meu histórico de navegação e comecei a abrir os links que havia acessado meia hora atrás. Todos davam o famoso Error 404. Não existia nada lá. Comecei a achar que estava enlouquecendo. Mas então me lembrei as fotos de mim vestido do mesmo jeito que me visto a 30 anos. Entretanto, os vídeos foram o que me deixaram mais abalado. Nada em minhas ações ali eram quem eu sou enquanto pessoa. Olhei de relance para onde minha impressora ficava. O pacote do software que eu comprara para aprender espanhol está em cima dela. Pensei nas cenas horríveis que vira nos vídeos. Comecei a chorar. Toda vez que eu falava com alguém que eu violentava - toda vez que eu zombava enquanto sangravam na sarjeta, eu falava em perfeito espanhol. 
Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

23 comentários :

Postar um comentário

Creepypasta dos Fãs: O prédio

24 comentários
[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com!]

Moro no segundo andar em um sobrado e todos os dias eu olho pela janela do meu quarto. Não é uma vista tão bonita, mas daqui de cima consigo ver parte da cidade. Se olhar à esquerda se vê casas ao longe, prédios, uma antiga igreja, veículos seguindo seus caminhos... Eu gosto mesmo é de olhar o movimento da minha rua, principalmente quando está chovendo onde as pessoas se molham mesmo usando guarda-chuva, e observo a chuva caindo e correndo pelo chão, as árvores se hidratando, os pássaros se acolhendo...

No quarteirão onde moro não há muitas casas. Do outro lado da rua há uma empresa que está fechada no momento, e, se eu olhar mais para baixo, há outra firma que faz pães, por isso há sempre um cheiro agradável quando se passa por lá. Mais em cima há algumas casas que não fazem diferença a esta história, porque olhando diretamente para frente, provavelmente há uns cinco ou mais quarteirões, me dando a vista de um prédio. Ele é um prédio antigo que tem três cores diferentes – cinza na maior parte, marrom no centro e algumas partes em vermelho.

O prédio, que eu o chamo carinhosamente de o prédio maldito, é a primeira coisa que eu olho quando vou à janela. Fico hipnotizada não pela sua beleza, pois ele não é nem de longe bonito, e nem pelas suas características. Eu fico hipnotizada pela estranha sensação e arrepios que ele me causa. Ele me observa como um predador observa sua presa, parado, quieto, a espreita, olhando cada movimento meu, mesmo quando eu não o estou vendo.

Em uma noite de lua cheia, resolvi apreciá-la na sua fase mais resplandecente. Assim que abri a janela, já de madrugada, me deparei com o prédio maldito em chamas. Ele estava completamente tomado por chamas amarelas e alaranjadas. Minha primeira reação foi de susto: meu coração acelerou, meu cérebro travou e minhas pernas bambearam. Mas essa emoção não durou muito para dar lugar à segunda reação. A reação de dúvidas e incerteza, pois reparei que não havia fumaça. Nenhum sinal de fumaça. Me questionei se havia fogo mesmo, mas as labaredas estavam ali. Como poderia não haver fumaça? Onde há fumaça, há fogo, mas quando não há fumaça existe fogo? O encarei por longos minutos para observar o movimento. Não havia movimento algum, na verdade. Eu nunca, em todos esses anos, consegui ver alguém no prédio maldito. Talvez seja porque ele está longe o suficiente para não conseguir enxergar, mas me questiono se é possível ver nenhum movimento por tanto tempo.

Ele está bem cuidado demais – apesar de aparentar ser bem antigo– para não haver moradores. Depois de perder a noção do tempo ao observar o prédio maldito, constatei que não havia fogo. No dia seguinte, assim que acordei, a primeira coisa que fiz foi me certificar que o prédio ainda estaria lá inteiro e sem evidências de que um dia já pegara fogo.  E estava. Seria uma peça pregada pela minha própria mente ou o prédio maldito querendo me enganar?

Os dias se passaram e eu continuava a minha rotina de observar o prédio. Em um dia particular, avistei o que parecia ser uma pessoa na janela. Essa pessoa me olhava fixamente e eu tinha a impressão de que ela conseguia, ao contrário de mim, infelizmente, olhar dentro dos meus olhos, apreciando a cor amarronzada deles. O prédio estava desprovido de luz, menos naquela janela específica.

Em um piscar de olhos, eu testemunhei o que eu jamais esqueceria pelo resto dos meus dias: testemunhei aquela pessoa pulando do último andar do prédio. Fixei meus olhos àquela janela que agora já estava sem iluminação. Notei que não havia ambulância, não havia ninguém para socorrer o corpo provavelmente desfalecido e estraçalhado pela força da gravidade contra o chão. Imediatamente liguei para emergência e contei o que havia presenciado. Não demorou muito para eu escutar a sirene da ambulância passando pela minha rua e indo em direção ao prédio maldito. Desci as escadas de casa, abri o portão e corri o mais rápido que pude. Eu não queria ver o corpo, mas tinha curiosidade em saber se poderia ter sobrevivido. Cheguei alguns minutos depois do SAMU e, assim como eles, estava confusa.  Não havia nenhum corpo coberto por um lençol, não havia socorristas correndo para salvar aquela pessoa e não havia pessoa. Não havia ninguém além de mim e os paramédicos. Sem saber o que estava acontecendo, olhei o prédio de perto pela primeira vez. Ele parecia mais assustador do que antes. O ar gelado acompanhava o clima sombrio daquele lugar.

E ele me chamava.

Ouvi a voz dele dentro da minha cabeça gritando meu nome. Em transe, passei pelo portão, evitei o elevador e subi as escadas, fui até o último andar. O apartamento onde havia visto um corpo caindo da janela estava com a porta aberta, a luz acessa e a janela do quarto escancarada. Não pensei em nada naquele momento, pois meu corpo foi conduzido por aquela voz e pulei do último andar do prédio maldito. 

Autor: Tayna Stampini

Revisão: Gabriela Prado



24 comentários :

Postar um comentário

A Coisa Embaixo da Paulista | Parte 4

30 comentários
Parte1
Parte2
Parte3

Não sei o que diabos aconteceu, mas eu estou deitado sobre a Avenida Paulista e os carros estão buzinando para que eu levante e libere o caminho. Como vim parar aqui?

Meu cérebro não consegue raciocinar direito. É como se nada fizesse sentido, nada mesmo. Talvez minha sanidade tenha finalmente acabado junto com todas as poucas esperanças que ainda tenho de ser feliz em algum lugar.

Corri para a calçada e agora posso observar o transito caótico. O que me espanta não são os carros lotando a avenida e sim quem está dirigindo os carros: ratos vestidos com ternos... Alguns até conversam no celular. Depois de tudo o que passei não posso simplesmente duvidar da minha sanidade, estou em um pesadelo real, é tudo real. Todos esses chiados ao mesmo tempo sufocam o meu cérebro, é o som mais irritante que já ouvi na vida.

Estão saindo do carro e vindo em minha direção e aos poucos uma roda está se formando ao meu redor. Me olham como se eu fosse um extraterrestre, até aqui me olham de forma estranha. Não posso aceitar que eu seja mais bizarro do que uma cidade paralela habitada por ratos. Aos poucos estão voltando para dentro dos carros e estou na calçada agora, observando tudo isso e me perguntando que lugar é esse.  Talvez aqui seja um bom lugar para recomeçar tudo, posso conseguir um emprego como entregador de queijo. É, acabei de fazer uma piada horrível tentando tirar um pouco desse foco surreal e não deu certo, ainda não tenho como saber se tudo isso é real.

Aquele barulho está voltando, dessa vez muito mais alto, e os carros estão acelerando como se estivessem fugindo e cientes da situação. Estão descontrolados e batendo seus carros uns nos outros. O caos surgiu de forma instantânea e não sei para onde correr. Esse barulho está cercando e vindo de todos os lados, mas agora tenho certeza de que não era só eu quem escutava, eles também escutam.  Tem uma coisa saindo das nuvens.

 É  gigantesca! Uma enorme bola preta está pairando sobre as nuvens, o céu escureceu e tudo o que posso ouvir é essa coisa gritar enquanto o raios surgem, mas isso não é uma nave...   (Continua)

Autor: Andrey D. Menezes. 
Revisão: Gabriela Prado. 


(Desculpem por ficar tanto tempo sem postar e ainda postar uma parte curta, mas realmente estou sem tempo, perdão.) 


30 comentários :

Postar um comentário

Eu herdei a conta do Facebook da minha irmã.

17 comentários
Quando minha irmã morreu, eu tomei conta da página do Facebook dela.

Isso soa meio estranho, agora que escrevi. Para falar a verdade, não acho que sou a pessoa mais adequada para acessar a conta dela. Logicamente, a honra devia ter sido de seu marido, Ted, se é que alguém devia ter acesso a ela. 
O problema é que ninguém sabe que eu consegui acessá-la. 

Ela me deu sua senha há... Jesus Cristo, mais de seis anos atrás. Tinha pedido para eu logar e ver uma coisa pelo meu PC. Não me lembro o que era, agora. São uma daquelas lembranças que pareciam tão indiferentes antigamente, mas agora são as coisas que eu mais sinto falta. Milhões de mini interações, palavras e sorrisos entre nós, e eu não lembrarei da maioria dessas coisas. 

Estou divagando. 

De qualquer forma, a senha. Cerca de uma semana depois de morrer, tentei a senha por bobagem. Achei que ela tinha trocado em algum momento desses seis anos, mas para minha surpresa consegui entrar. Sério mesmo, Annalise? Ela nunca foi muito boa com segurança digital. 
Sei que eu não devia ter entrado na conta dela. Entendo isso, juro. Mesmo que estivesse morta, é uma invasão de privacidade. Não só com ela, mas com todos os outros. Porém, eu acabara de perder uma das pessoas mais importantes da minha vida e estava de luto. Parecia certo na época. Parecia justificável. Além do mais, não é como se alguém tivesse que ficar sabendo - deixei o status do messenger como "offline", assim ninguém saberia que eu havia entrado. 

Passei muitas noites sem dormir olhando seu Facebook. Os grupos que ela participava, páginas que havia curtido, fotos que postara. Rapidamente se tornou um vício nada saudável. Não que eu ligasse para isso. Meu desespero era reencontrar uma conexão com ela - qualquer coisa. E havia tanta coisa de sua vida catalogada naquela rede social. Era o veneno perfeito. 

Para minha total vergonha, eventualmente comecei a olhar as mensagens. 

Se isso melhora um pouco as coisas (sei que não melhora), não havia nada absurdo ou terrível nas mensagens. Annalise preferia conversar pessoalmente do que online. A maioria eram coisas bem simplórias. Compartilhar fotos do seu cachorrinho com nosso primo, Sam. Compartilhar detalhes de alguma festa em um grupo de amigos. Planejando uma viagem de última hora para ver sua melhor amiga, Freida. 

Essa última me doeu um pouco. Estavam planejando se ver alguns dias depois da morte de Annalise. As mensagens que trocaram eram curtas e tentas, como se tivessem tido uma briga. Freida parecia bastante perturbada no funeral, chorando e falando que Annalise jamais a perdoaria. Deve ter sido muito difícil para ela, sua melhor amiga morrer e não conseguir se acertar por causa de uma discussão idiota. Imagina ficar com essa culpa para sempre. 

É engraçado como sempre achamos que temos tempo. No dia do acidente, eu estava na farmácia comprando sulfato ferroso para minha irmã. Sua anemia tinha voltado com tudo e seus braços estavam ficando com hematomas por qualquer coisa. Estava também meio triste naquela época, então fui nas prateleiras de doce, pensando em levar algum chocolatinho para animá-la - chocolate era sua coisa preferida, e eu sempre dava uma cesta cheia de vários tipos na páscoa - mas foi aí que recebi a ligação. 

Minha irmã. Minha bobona, desajeitada, amada irmã. Não era a primeira vez que ela caía das escadas - acontecia com frequência quando era criança. Mas dessa vez foi a última, não teve sorte. 

Dessa vez, quebrou o pescoço durante a queda. Morreu na hora. 

A memória daquele momento terrível - estar de pé na farmácia, minha boca aberta em um grito que havia morrido em algum lugar dentro do meu peito - essas lembranças passavam vividamente na minha mente enquanto eu estava ali senta, lendo a mensagem de Freida de novo e de novo e de novo.

Não era justo. Não era justo!

Eu ainda estava chorando, de frente para o computador em posição fetal quando Annalise recebeu uma nova mensagem. 

Não era algo incomum Annalise receber novas mensagens no Facebook. A maioria eram de pessoas de luto - desejando que ela não tivesse ido; desejando que tivessem tido mais tempo com ela. Não li nenhuma dessas mensagens. Para falar a verdade, parecia ser invasão demais. Além do mais, só me lembrava que ela não voltaria para casa em breve. 

Mas havia algo diferente nessa. 

Era de Ted. Antes de fechar a janela, meus olhos bateram na primeira frase. 

"Por que as coisas tinham que ser assim?"

As imagens de Ted no funeral passaram pela minha mente. Estava totalmente pálido, tremulo. Como se estivesse morrendo pelo luto. Como se não tivesse ninguém para compartilhar sua dor, mesmo que tentássemos nos aproximar. 

Ignorando a voz da minha consciência, continuei lendo. 

"Por que as coisas tinham que ser assim? 

Não tinha que acontecer dessa forma. Você não pode culpar ninguém além de você mesma, e estou com tanta, tanta raiva de você! Nós podíamos ter resolvido tudo. Podíamos ter feito funcionar. Eu te amo. Mesmo nos nossos piores momentos, você sabia disso - como não poderia? Fiz tudo por ti, DEI TUDO para você. Você foi tão ingrata.

Você sabe que eu não fiz de propósito. Só estava com tanta raiva. Faz aquilo comigo, você sabe - me deixa com raiva. E me magoou também, fazer aquilo. Você não tem ideia de como me senti péssimo nos dias seguintes. Além do mais, aquela briga quase quebrou minha mão. Você não é a única que se machucou. 

Queria que você tivesse me ouvido. Queria que não tivesse corrido. Você achou que eu não descobriria dos seus planos com Freida? Achou que estaria segura com ela? Que piada. Você SABIA que ficaria mais segura comigo. Eu só perco a cabeça as vezes - quem não perde? Você devia me amar e isso significa amar TUDO sobre mim. Ou aqueles votos de casamento eram mentira? 

É sua culpa. Sua culpa de ter deixado o celular desbloqueado para que eu lesse aquelas mensagens. Sua culpa por me magoar quando sabia que eu já estava sofrendo. Sua culpa por me deixar com tanta raiva que fiz algo para te machucar de novo. 

Você não entende? É sua culpa. E você foi punida por isso."
Enquanto eu lia as mensagens, comecei a me sentir muito mal. Vagarosamente, as coisas foram se encaixando na minha cabeça, uma imagem que fez meu queixo cair de novo. 

Não. NÃO. 

Antes que eu tivesse tempo de reagir de novo, outra mensagem entrou. 

"Que porra é essa... quem está lendo?!"

Merda. Tinha esquecido que havia clicado na mensagem, e assim ele receber uma mensagem de "lido". Em pânico, desliguei meu notebook e o afastei como se fosse tóxico. 

Demorou algumas horas para conseguir processar aquilo que li. Entender. Mas quando consegui - quando percebi o que Ted tinha feito com minha irmã - soube exatamente o que tinha que fazer. 

Tirei um print da conversa e fui até a delegacia. Era por volta das três da manhã e ficaram surpresos em me ver, claro - mas ficaram muito interessados em ver o que eu tinha em mãos. 

Começaram a procura por Ted imediatamente. Obviamente, não estava em casa. Já tinha se sumido, junto com sua carteira e documentação. Foram falar com Freida também, que contou toda a história - como estavam planejando para fugir daquele homem abusivo, escondê-la até que conseguisse finalizar o divórcio. Freida queria conversar comigo, mas me recusei. Não tinha nada para falar com ela por não ter revelado isso antes. 

A polícia acha que as chances de o encontrar são grandes - é quase certo que acabe usando seus cartões de crédito no caminho, algo que facilitará encontrá-lo. 

Mas eu, eu prefiro que não o encontrem. 

Porque, se encontrarem, ele estará sob proteção da lei. E eu decidi que a lei não é justa o suficiente, ainda mais nesses casos. Se Ted for declarado culpado - e esse é um grade SE FOR - pode no máximo receber perpétua. E uma vida toda na prisão é boa demais para aquele verme. 

A polícia começou sua procura. Eu comecei a minha. E não vou parar até encontrá-lo e fazer justiça por Annalise, pela minha família. 

Não vou parar até vê-lo sufocando em seu próprio sangue.

FONTE: Sleepyhollow_101

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

17 comentários :

Postar um comentário