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Preciso apenas deixar minha nova família feliz!

7 comentários
Sei que não é fácil você tentar fazer uma nova família feliz, até porque nós não nos conhecemos bem. Quando estacionei naquele casarão, no meio do nada, vi que havia outros carros e imaginei que poderia ser algum tipo de pousada. Após bater a porta, deparei-me com uma mulher e uma criança, apesar dos outros veículos, eram apenas nós três que habitavam naquele lugar. No momento em que pisei naquele local, foi aí que eu tentei formar uma família feliz, apesar dos machucados, agressões e ameaças constantes.


O meu objetivo é fazer com que todos estejam bem, essa é a minha missão aqui e não é tão fácil, dado que, a criança, aquela menina que tem nove anos, tenta sempre escapar, é agressiva e diz que eu não sou seu pai. A mulher, minha nova esposa, tem os seus momentos pacíficos, fica observando tudo como se fosse alguém aturdida assistindo um espetáculo de terror em uma platéia. Sei que eu posso manter o equilíbrio do momento e fazer com que ela continue nesse momento estável e, mesmo que eu não tenha sido pai, tentarei fazer com que a garotinha aceite de uma só vez o que está acontecendo.

Ninguém pode escapar, visto que as armadilhas estão em pontos estratégicos, não tem como você conseguir chegar até a estrada, encontrar ajuda, antes de ser capturado e levado de volta para o casarão. Dentro da floresta, ainda com os animais selvagens, você pode muito bem perder um membro do seu corpo por conta da violência daquelas máquinas. É tudo um plano que eu preciso seguir para fazer com que tenha um final feliz, preciso apenas manter aquela família equilibrada. Com todos esses acontecimentos, nos meus últimos dias, eu estou sabendo confrontar tudo da melhor forma possível. Não obstante, às vezes, saímos do nosso controle pessoal.

Já irá fazer quase três semanas que outras pessoas aparecem na mansão. Normalmente, são no máximo três indivíduos, amigos e famílias em viagem, precisando de ajuda, perdidos na região, mas eles não conseguem seguir as regras, pois tentam lutar, fugir e até a matar para sobreviver, contudo não conseguem superar o amor brutal da nossa moradia. Lembro da minha mulher dirigindo o carro e, quando ela morreu, eu tentei e estou tentando construir uma família feliz. A felicidade parece horrível quando você pensa nela muito, no entanto, faz parte desse convívio sangrento e mortal. Sei que eu pareço um monstro frio, ao descrever tudo que está acontecendo, no entanto, desde criança, eu fui criado para aprender a adaptar-me em certas situações e fazer com que tudo fique bem, mesmo dentro de uma jaula com tigres ao meu redor.

No início, não foi fácil me acostumar com a aparência daquela mulher, quando ela abriu a porta, e eu a vi. Sabia muito bem que não estava cuidando da sua fisionomia, mas não é apenas isso que lhe deixa um pouco assustadora: a sua cabeça é um pouco grande e o seu corpo é magro, apesar de carregar uma força grande, isso dificulta muito quando nós nos desentendemos e precisamos usar a força bruta. A parte que mais me incomoda é que ela não dorme, se dorme é por poucos minutos. A não ser que fique em pé, nas escadas, na porta, observando o meu quarto, olhando para a criança. Eu imagino que seja uma forma de proteger a menina ou impedir que ela escape, assim, evitar castigos severos e desnecessários. A Insônia Familiar Fatal deixa-me acordado também, e eu fico ouvindo os barulhos de lamentação da minha nova esposa e a sua respiração ofegante, mas tento não lhe arranjar mais uma forma de se sentir infeliz... As punições não são o que eu desejo.

Mesmo após quase dois meses, a menina tenta escapar, contínua dizendo que eu não sou seu pai e a sua última punição foi algo que passou dos limites até para mim, visto que ficou dois dias desacordada e recebendo tratamentos da sua mãe por conta dos ferimentos. Apesar disso, quando ela recordou, parecia mais calma e cooperativa. Eu me aproximei da cama, o meu braço esquerdo amputado já estava quase cicatrizado, e tentei carregar uma panela grande com alimentos, quase fraco. A garotinha murmurou bem baixinho no meu ouvido, que a mulher dormia. Faz muito tempo que a menina está aqui e sabe que quando a dona da casa está muito cansada acaba dormindo por poucos minutos.

Desde o momento que eu parei o meu carro aqui, precisando de ajuda porque estava perdido, foi quando o meu inferno começou. A minha esposa foi assassinada por aquela mulher, e eu tentei lutar para escapar da sua força descomunal e da sua aparência grotesca. No primeiro dia, acabei perdendo o braço em uma das armadilhas e estou aqui tentando me manter vivo e, ao menos, salvar a garotinha que não colaborava até o momento. Irei aproveitar, tentarei observar e aguardar o momento em que aquele monstro dormir porque irei esmagar o seu crânio com o martelo. Estou cansado das agressões, ameaças e ver o quanto a pobre criança sofre. O pior mesmo é você tentar carregar um sorriso no rosto, o tempo todo, e não parecer apavorado com aquele ser espectral nos observando.

Ela está na porta do quarto respirando sua respiração apavorante. Diferente dos outros dias, está mais cansada e caminha cada vez mais devagar nas madrugadas macabras e observadores. Esperarei até que apague, deixando de lado a sua guarda infernal, e pretendo destruir o seu crânio com apenas uma martelada precisa. Até que isso não aconteça, preciso apenas que minha família nova seja feliz seguindo as ordens da mulher. Tenho que me vingar por tudo que aquela criatura cruel fez comigo! De acordo com o que eu estou observando, ela não pode ficar por muito tempo segurando o sono...

Autor: Sinistro

7 comentários :

  1. descriçao perturbadora sem forçar, boa creepy

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  2. Respostas
    1. No início pensamos que o monstro é ele, que ele está torturando a família, mas ele é uma vítima. O monstro é a mulher, que aprisionou ele e a criança e forçou uma "família". Ele está tentando ficar na dele até a mulher dormir, pra matar ela e salvar a menina.

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  3. Uma creepy muito boa e muito bem escrita. Parabéns ao autor

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  4. Parabéns ao autor, fiquei pensando no começo que era ele o maluco sequestrador e torturador.
    Mas descobrir que era a mulher lá no meio me deu um up, tipo o do anuário de 2008

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