10/02/14

12 minutos

No outono de 1987, um Canal de notícias local (WSB-TV 2 de Atlanta) deveria ter uma lacuna preenchida em sua grade de programação nas manhãs de domingo.

Depois de algumas solicitações da população local, foi decidido que o jovem Reverendo Marly Sachs deveria pegar o horário disponível para fazer um show religioso. O show estreou no dia 18 de Outubro sem muita divulgação.

Era apenas um programa religioso normal em que o reverendo se sentava em uma cadeira simples e lia passagens da bíblia, discutindo suas interpretações e significância para a nossa vida moderna. O show recebia um razoável número de telespectadores e assim continuou até meados de Dezembro. Foi nessa época que o estúdio começou a receber estranhas queixas dos telespectadores do “Palavras de Luz com o Rev. Marly Sachs”.

As queixas eram de mulheres (apenas mulheres), que se referiam aos desconfortos que sentiam principalmente em alguns intervalos durante o programa. Descreviam náuseas, dores musculares, tontura e visão borrada. Essas mulheres, por alguma estranha razão, estavam convencidas de que a causa desses sintomas era o programa. Mas tarde, depois de 3 semanas de reclamações, foi determinado que esses “sintomas” surgiam com intervalos de 12 minutos durante o programa.

A equipe do pequeno estúdio checou todos os equipamentos de gravação, áudio e vídeo, e não encontraram falhas. Quando o reverendo tomou conhecimento dos incidentes, ele meramente deu de ombros e disse, enigmaticamente, que “Alguns não conseguem lidar com a voz de Deus...” O diretor do estúdio, com a falta de explicações para a causa das reclamações, decidiu continuar com o programa.

Em fevereiro, a audiência caiu drasticamente e foi decidido que o show seria cancelado. O diretor achou que seria mais prudente gastar o tempo do show com as últimas noticias que estavam sendo transmitidas por outros dois canais locais: o surto de abortos. Começando em novembro, o número de mulheres grávidas saudáveis sofrendo aborto na área metropolitana de Atlanta já estava alcançando os 300. O CDC não pôde descobrir uma causa para as terríveis ocorrências.

O reverendo aceitou o cancelamento do show mostrando apenas indiferença. Quando informado, ele não protestou, nem demonstrou qualquer outra reação. Ele deixou o estúdio após filmar o último episódio e sem dizer uma única palavra desapareceu da face da terra. Ninguém nunca mais ouviu sobre ele, nem a sua congregação e nem os membros da igreja. O estúdio preencheu o horário com comerciais e continuou a se concentrar nos casos dos abortos.

Um ano e meio depois, um estagiário do estúdio descobriu as fitas do “Palavras de Luz” e começou a analisa-las á procura de imagens para montar uma matéria sobre o impacto da religião na cidade. O Incidente Atlanta (como o surto de abortos ficou conhecido nos jornais) perdeu forças e cessou três meses depois do cancelamento do programa do reverendo, e já estava desaparecendo das lembranças do público. Enquanto o estagiário verificava as gravações, ele acidentalmente fez uma descoberta perturbadora.

Quando tentava pausar uma gravação em 10 minutos e 45 segundos, ele acidentalmente travou o botão para avançar. Enquanto a gravação avançava, ele tentava destravar o botão com uma chave de fenda. Assim que conseguiu destravar, a gravação tinha pausado aos 36 minutos e 1 segundo. O estagiário caiu da cadeira quando viu o que estava pausado na tela: a imagem de uma cabeça decomposta preenchia completamente a tela. Após se recompor, ele retrocedeu e avançou gravação algumas vezes, e então percebeu que não era uma ilusão. Ele analisou todo o resto da gravação e logo descobriu que a cada intervalo de 12 minutos a imagem aparecia rapidamente.

Pensando que era uma pegadinha para os novatos, ele mostrou a gravação para um dos técnicos, pronto para as zombarias. O técnico ficou tão confuso quanto ele. Ninguém havia tocado nas gravações desde o cancelamento do show. Durante a noite no fim do turno, o estagiário convenceu o técnico a ajuda-lo a analisar todas as outras fitas do show.

Eles descobriram que todos os episódios possuíam essa mesma anomalia. Eles também descobriram que enquanto o show progredia a imagem se tornava mais nojenta, enquanto vermes começavam a corroer a cabeça e pedaços de cabelo e pele pareciam cair com frequência. O técnico deixou claro para o estagiário que o que estavam vendo era tecnicamente impossível como o próprio filme não mostrava sinais de corte. E o próprio técnico estava presente em todas as filmagens e edições do show e sabia que em nenhum momento aquela imagem tinha sido inserida no vídeo.

Tudo isso foi apresentado ao diretor do estúdio, que, temendo algum tipo de reação caso saísse no ar, ordenou que todas as fitas fossem destruídas. Ele disse para o estagiário e para o técnico que não tinha interesse em descobrir quem fez aquilo, apenas que... “Cobrir falhas é tudo o que importa agora.” Ele ordenou que não mencionassem isso para ninguém.

O técnico aceitou facilmente, lembrando da descoberta apenas como uma anedota pessoal sombriamente engraçada, mas o estagiário não esqueceria. Ele copiou o máximo de fitas que pôde antes de serem destruídas e guardou as cópias para tentar descobrir algo que pudesse apontar quem fez aquilo ou por que fez.

Alguns dias depois, o estagiário tentou outra vez pedir ajuda ao técnico, dizendo que acreditava ter descoberto algo mmais perturbador que a própria imagem da cabeça: quando os pequenos frames contendo a cabeça foram editados juntos em ordem cronológica, a boca da cabeça parecia se mexer como se tentasse formar palavras. O técnico, temendo pelo emprego, pediu que o estagiário se livrasse das cópias e não voltasse a falar sobre aquilo.

 ...


Uma semana depois, a policia respondeu um chamado de emergência feito por uma senhora em um dos subúrbios de Atlanta ao anoitecer. Ela tinha ouvido gritos terríveis vindos da casa vizinha onde morava um casal de jovens. A senhora disse para a emergência que a jovem vizinha estava grávida e ela temia que algo ruim tivesse acontecido. Quando os policiais chegaram à casa dos jovens 20 minutos depois, encontraram a porta da frente aberta e a casa completamente escura. Eles entraram cautelosamente e seguiram para a sala.

Na sala, encontraram a jovem morta, com um grande corte no abdômen. O corte estava aberto e uma trilha de sangue levava do corpo para o sofá no outro lado da sala. Ali o marido estava sentado, o estagiário do estúdio, pelado, e com o corpo da criança prematura aos seus pés. Em sua mão estava a faca de cozinha que utilizou para cortar a mulher grávida. A televisão estava ligada passando em uma repetição de 18 segundos um vídeo que mostrava uma cabeça decomposta pronunciando palavras ininteligíveis.

Hoje, o que contam na delegacia, é que o estagiário não parava de murmurar: “A luz de Deus chama por eles...”enquanto era arrastado para fora da casa.




RoboKy