10/02/15

RASTEJE.MOV



Acabei de entrar para uma pequena comunidade em uma faculdade no Arizona. Já estou a dois semestres estagiando para obter o meu certificado de Produção Multimídia. A faculdade permite que eu utilize algumas horas extras, trabalhando em vídeos para que eu os lance na exposição em uma pequena galeria de arte em frente ao departamento de arte. 

O campus fica afastado da rodovia, a quase 10 milhas da minha cidade, um local geralmente isolado e sombrio. A faculdade é rodeada por um deserto e altas montanhas.

Certa noite, quando acabei o meu turno no estágio decidi continuar trabalhando em um dos meus vídeos. Utilizávamos alguns computadores bem avançados, mas eu sempre notei um pequeno notebook escondido nos fundos de um dos armários. Já que o meu supervisor tinha ido para casa, resolvi matar a minha curiosidade e pegar o notebook para ver se havia algo interessante nele. Eu o liguei, e aguardei enquanto iniciava.

Finalmente, a tela de boas vindas apareceu. Havia duas contas, uma do instrutor e outra do estudante. Loguei na conta do estudante e acessei a pasta intitulada ‘multimídia’, encontrando várias fotos de estudantes. Enquanto abria as fotos, percebi que em todas havia o mesmo homem em algum canto. Um homem de meia idade, calvo e de olhos azuis. No final da longa lista de fotos encontrei um arquivo .MOV. Estava intitulado como RASTEJE.MOV

Como eram umas 8 da noite, comecei a me sentir um pouco desconfortável. O nome do arquivo fez o meu coração acelerar, eu queria assistir, mas sabia que me arrependeria. Resolvi ligar para um amigo, pedindo que ele viesse me buscar, já que a cidade era longe e o ônibus não rodava até tarde, então eu tinha 15 minutos para esperar a minha carona. Cliquei no arquivo e ele foi aberto no Quicktime. Minhas mãos estavam suadas, e meus olhos fixos na tela. A tela escureceu lentamente, com um tipo de som deprimente. Então apareceu o título, RASTEJE, em grossas letras vermelhas. O título sumiu e logo iniciou-se uma gravação no deserto à noite. Tudo que pude ouvir eram os passos na grossa areia do deserto. Comecei a me sentir aliviado, e presumi que era apenas uma filmagem de algum estudante. Acabei rindo quando me lembrei de estar assustado só de pensar em abrir o arquivo.

Olhei para meu celular e procurei por alguma nova notificação enquanto o vídeo continuava passando. Voltei a atenção para o vídeo, e meu queixo caiu. O que vi era terrível e macabro. Um homem coberto de sangue, e era o mesmo homem das fotografias que eu tinha acabado de ver há apenas alguns minutos. O vídeo mostrava apenas o rosto dele, mas logo a câmera descia para revelar que o homem serrava algo que parecia um osso. Seu sorriso... continuava estampado no rosto. A câmera se afastava, e mostrava o que homem realmente estava fazendo. Uma garota, de olhos arregalados enquanto o homem serrava sua perna. Tampei minha boca com as mãos, tentei me convencer que o vídeo era apenas uma montagem, coisa de estudante de cinema, mas parecia tão real... A filmagem se mostrava um material bruto, sem sinais de efeitos ou montagens.

Tudo o que havia no vídeo era o som da perna sendo serrada, e o olhar assustado da garota. Aquele olhar que ficaria por vários dias em minha mente. Quase cinco minutos se passaram e o vídeo finalmente acabou. Me recostei na cadeira, pensando sobre o que tinha visto. De repente ouvi um som, mas a tela continuava escurecida, então lembrei que não tinha diminuído o volume. Lentamente comecei a perceber pequenos gemidos, eram da garota. Verifiquei o tempo do vídeo e percebi que ele ainda estava passando. Ainda tinha uns cinco minutos sobrando. Os gemidos ficavam mais audíveis e logo a imagem retornou. A garota estava jogada no meio da estrada, gemendo e se contorcendo, porém, ainda viva. Suas duas pernas... já não estavam mais lá. “Satan é o meu pai e o Inferno é o meu lar...” a voz do homem repetia. Cerrei os dentes enquanto meu nervosismo aumentava a cada segundo. Logo o homem parou de falar, e começou a assoviar, como se estivesse tentando chamar a atenção da garota, como uma pessoa faria com um cão. Então ele falou “Aqui garota, rasteje garota, vamos! você consegue, rasteje!” A garota olhava diretamente para a câmera.

Seus olhos estavam avermelhados, distorcidos, não pareciam humano. Ela virou-se de bruços, esticou os braços para frente e começou a rastejar para a câmera. Um sorriso sinistro começou a surgir em seus lábios. A pele em seu rosto estava pálida e cheia de cortes. Tudo que podia ser ouvido no vídeo era o som que o corpo da garota fazia ao ser arrastado na estrada suja. Ela seguia lentamente em direção à câmera. Ela finalmente chegou aos pés do homem, deixando um grande rastro de sangue pela estrada. Ela olhou para cima e soltou um terrível grito. Um grito de fazer o sangue gelar. Fechei o notebook rapidamente e o coloquei de volta no armário. Tranquei a sala e quase saí correndo. Quando cheguei no estacionamento, o meu amigo já estava lá. Entrei rapidamente no carro, e fiquei calado durante todo o caminho para casa. 

Na manhã seguinte, falei com o supervisor sobre o vídeo e o que tinha visto. Ele riu e falou o seguinte: “Quem lhe contou essa história?”. Eu o levei até a sala multimídia, peguei o notebook e o liguei. Nada aconteceu. O notebook não funcionava. O supervisor logo começou a falar que o computador estava quebrado, e por isso estava guardado no armário. Ele disse que a história que rodava pela faculdade era sobre uma garota que tinha sido sequestrada e arrastada para o deserto. Suas pernas foram cortadas e ela foi oferecida como sacrifício para Satan por um dos membros do departamento de cerâmica. O supervisor me garantiu que tudo não passava de uma lenda para manter os estudantes afastados do deserto à noite.

Ele ainda adicionou “Alguns dizem que podem ouvir assobios no deserto durante a noite, e a voz de um homem, mandando alguém rastejar. Mas na minha opinião, essa história toda não passa de uma grande besteira. 



17 comentários:

  1. Apesar de ser clichê (O cara acha um vídeo com nome estranho e resolve ver. Então depois ele percebe que não deveria tê-lo feito e blá, blá. blá.) eu realmente estava interessada na leitura.
    Mas aí, do nada, esse final (desculpe pela colocação) bosta.
    Queremos gente se fodendo. E ópera também .-.

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  2. Péssima creppy,alem de clichê tem um final tosco

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  3. Geralmente as creepys curtas, como essas, tem um final mais impactante... Mas será que a história não foi contada assim de propósito, para parecer mais realista?
    Sei lá. Seu quisesse escrever algo realístico, também não colocaria um final f*da. Colocaria um final misterioso, não é?
    De qualquer modo, acho que tudo ficaria mais interessante se tivesse indícios de que o próprio supervisor quebrou o notebook.

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  4. Eu até gostei da creepy, mas tem uma coisa que já vem acontecendo com bastante frequência e, por consequência, já vem se tornando clichê e chato, não sei se pra mais alguém além de mim, mas pra mim já se tornou repetitivo e "preguiçoso", que é o "sorriso do psicopata enquanto comete uma atrocidade". Por que preguiçoso? Porque é mais cômodo pro escritor colocar que o psicopata estava rindo enquanto cometia qualquer que seja a atrocidade do que elaborar algo que seja verdadeiramente surpreendente. Um pedido de um amante dos contos de terror: saiam da mesmice e criem algo mais imprevisivel/surpreendente. Obrigado

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  5. Besteira, vdd...
    Um cara fumou muito e teve contato com o além através de um Laptop velho.
    E dae?

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  6. É claro que quando ele foi mostrar o vídeo ao professor o notebook não ligou.. Típico.
    Creepy legal

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  7. O pessoal ainda lembra do "ópera, porra!" De mil anos atrás. Kkkkkkkkk

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