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Sorriso de crocodilo

O som do alarme fez Jack pular com um surto de adrenalina. Jack se sentia pronto para qualquer coisa que entrasse em seu caminho, mas ele precisava ser o mais silencioso possível, pois não queria acordar a sua esposa. Na ponta dos pés, ele seguiu para o guarda-roupa para pegar o seu short e a camisa de caminhada. Ele pôs os tênis e saiu de sua casa. A brisa congelante atingiu seu rosto no segundo em que ele pôs o pé fora de casa. Era uma rotina, ele queria e precisava se exercitar, então caminhava todas as manhãs às 6 a.m. Porém, hoje o dia seria um pouco estranho. Jack continuava com o seu tradicional percurso de caminhada até que passou pelo lago. Ele sempre passava pelo lago, mas dessa vez havia algo estranho. Algo se moveu dentro do lago, e parecia ser algo grande, maior que os esquilos e patos que costumavam frequentar aquele lago. De fato, não havia patos ou esquilos por ali, era como se estivessem tentando evitar aquele local.

Uma grande criatura emergiu próxima à borda do lago. Jack pôde apenas enxergar os olhos da criatura, pois o dia continuava escuro. Finalmente, Jack pode enxergar a criatura por completo e era um crocodilo. Os olhos do crocodilo estavam fixos em Jack enquanto ele se movia. O animal abriu a boca como se estivesse querendo mostrar todos os dentes afiados que ele possuía. A boca do crocodilo se alinhou para formar um grande sorriso direcionado para Jack. O frio tomou conta da pele de Jack e ele correu para casa, sem olhar para trás.

Jack irrompeu em casa e bateu a porta com um grande estrondo. Sua esposa acordou instantaneamente.

“O que aconteceu, querido?”

“Nada,” Jack murmurou enquanto o suor escorria pelo seu rosto, “tem crocodilos no lago aqui perto de casa, pois acho que acabei de ver um!”

Sua esposa sorriu, “Acho que não, que estranho. Ouvi dizer que tem jacarés, não crocodilos.”

Jack assentiu lentamente e deu um grande beijo na boca de sua esposa. Jack caiu no chuveiro e se vestiu para o trabalho. Então ele entrou em seu carro e seguiu para o trabalho. Ele fez questão de passar pelo lago para ver se o crocodilo continuava lá. Para sua surpresa, ele continuava, mas estava boiando na água, se refrescando. Jack continuou seu caminho para o trabalho.

Jack sabia que não havia com o que se preocupar, mas ele continuava nervoso. Ele sentia como se algo o estivesse observado. Ele tentou varrer tal sentimento como simples paranoia, porém, ele estava presente constantemente. Ele se sentia mais assustado e agitado.

Isso durou por semanas, e logo passou de apenas um sentimento para alucinações auditivas. Jack ouvia um sussurro a cada cinco minutos que dizia, “me alimente” ou “estou com fome”. Jack continuou a ouvi o sussurro e achou que não pudesse piorar, mas piorou. Ele passou a ver o crocodilo em todos os lugares. No shopping, no trabalho, em seu escritório, em sua casa. E o crocodilo continuava sussurrando as mesmas palavras nos ouvidos de Jack.

Um dia os sussurros, as visões, e o sentimento pararam abruptamente. Jack se sentia ótimo, ele finalmente conseguiu uma promoção e agora estaria ganhando mais. Jack não acreditava que a sua vida estava mudando para melhor. Na volta para casa, ele se certificou em não passar pelo temido lago. Ele estava ansioso para dar as notícias para a sua esposa. Jack achou que estava sendo recompensado depois de toda aquela insanidade que passou por meses.

Ele empurrou a porta com uma grande batida, gritando. “Querida, tenho ótimas notícias!”

Mas foi respondido pelo silencio. O puro silêncio que pairava em sua casa.

“Querida?”

Mais silencio.

As vozes voltaram. Mas dessa vez, estavam praticamente gritando. Logo a cabeça de Jack estava quase estourando. Jack gritou, “Cala a boca!”

Mas não paravam, continuavam aumentando rapidamente. “Estou com fome! Me alimente! Vou comer!”

Logo, uma mão bateu no ombro de Jack, ele virou-se rapidamente e viu algo que deixaria qualquer pessoa aterrorizada. A coisa era uma mistura de humano e réptil. A coisa possuía olhos negros que rasgavam através da alma de Jack. Era tão inumano. A coisa tinha uma grande boca que se curvava em um largo sorriso com vários dentes afiados. Sua pele era viscosa e escamosa. As unhas da coisa eram longas e salientes, prontas para perfurarem qualquer coisa ou qualquer um. As vozes continuavam gritando alto. Jack chutou e derrubou a criatura, correndo para a cozinha em seguida. Ele pegou uma enorme faca e começou a apunhalar a criatura, repetidamente, o sangue verde esguichando em Jack. Finalmente a criatura estava morta...

Jack desmaiou, com um suor frio escorrendo por sua testa. Jack finalmente acordou na escuridão. Ele esteve desmaiado por muito tempo, já estava passando de 1 da manhã. Ele tropeçou pela casa à procura do interruptor. Ele ligou a luz e viu algo que o aterrorizaria mais que a própria criatura. Sua esposa... estava no chão, coberta de sangue e mutilada, com os olhos arregalados de medo. Jack começou a chorar desesperado, pois agora ele sabia o que a voz em sua cabeça queria quando repetia, “me alimente”.