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22/12/2016

As mensagens criptografadas de Ricky McCormick

Oi Creepers, tudo bom? Hoje, com a parceria da minha página Cons Pirei!, estou trazendo mais um caso real de morte misteriosa. O texto original não é meu, eu apenas o traduzi e o adaptei. As fontes estarão lá em baixo. A leitura é um tanto longa, mas espero que gostem. 

***


Durante três dias quentes em Junho de 1999, ninguém ligou para Ricky McCormick. Não houveram ligações frenéticas para a polícia, ninguém notificou seu desaparecimento, nenhuma mãe ou mulher viúva apelou aos prantos para a mídia por informações ou justiça. Ninguém parecia ligar que o homem negro de 41 anos estava desaparecido, sem contar que poderia até estar morto. Ele tinha sumido e ninguém notara - e então foi encontrado em uma plantação de milho abandonada em St. Charles Country, Missouri. Quando a polícia o encontrou, seu corpo estava tão decomposto que suas digitais já haviam se desfeito.

Imediatamente a polícia suspeitou de um crime: aquele campo era um lugar comum para desovação de corpos. E um descarte após assassinato parecia uma explicação lógica para como McCormick havia parado em um milharal a 30 quilômetros de sua casa - nem sequer de ônibus ele andava. Mas também havia outras razões. Em 1993, ele ficou preso por 11 meses por uma condenação de abuso sexual de primeiro grau; mais recentemente, ele tinha ligações com tráfico de drogas. A polícia então assumiu que, por causa de seu histórico, alguém o queria morto.

Entretanto a polícia não encontrou nenhuma evidência que indicasse quem teria cometido o crime. E que talvez McCormick não teria sido assassinado de fato. O médico legista não havia encontrado nenhum ferimento de facada ou bala; talvez poderia ter sido um ferimento na cabeça, mas o corpo estava em um estado muito avançado de decomposição para que alguém tivesse certeza. “Fizemos tudo que podíamos, mas não podemos provar que tenha sido homicídio, na verdade nem conseguimos descobrir o motivo dele estar morto,” O Major de Polícia de Maryland Heights, Tom O'Connor, disse ao St. Louis Post-Dispatch em 1999.

O xerife classificou a morte de McCormick como "suspeita". Mas sem pistas ou evidências claras de um crime, não havia muito para os investigadores fazerem. Até hoje, o caso permanece aberto.

Nos 12 anos seguintes, o caso de Ricky McCormick ficou frio. Então, em março de 2011, a Unidade de Registros de Criptoanálise e Racketeering (CRRU) do FBI compartilhou duas notas que haviam sido achadas amassadas no bolso das calças jeans sujas de McCormick. As anotações pareciam ser só um monte de bobagens. Mas o FBI acredita que as letras aparentemente aleatórias, números e parênteses rabiscados em papel branco podem conter respostas para a misteriosa morte de McCormick.

A polícia encontrou as notas no corpo de McCormick e, sem saber o que fazer com elas, procurou o FBI para pedir ajuda. Por mais de uma década, o FBI não conseguiu quebrar o código de McCormick, então eles fizeram algo incomum: a agência publicamente compartilhou as anotações. "As rotas padrão de criptoanálise parecem ter atingido paredes de tijolo", disse Dan Olson, chefe da CRRU, na época. "Talvez alguém com um novo olhar possa nos ajudar com uma ideia brilhante." Foi a primeira vez que o público, incluindo a família McCormick, ouviu falar sobre essas anotações.

De certa forma, este anúncio de Olson ressuscitou McCormick - pelo menos digitalmente. Um homem com quem ninguém se importou durante seu sumiço de três dias, enquanto seu corpo se decompôs em um campo, cujo o caso provavelmente já tinha sido esquecido pela polícia, de repente se tornou uma obsessão na internet. Mas ao ressuscitar dos mortos, McCormick estava inclinado aos caprichos dos vivos. Os detetives amadores, redditors ávidos, criptógrafos de fim de semana, e teoristas da conspiração, todos se fixaram nas notas de McCormick. Em suas mãos, Ricky McCormick tornara-se diversas coisas, incluindo  traficante de drogas ou esquizofrênico. Um autista, louco, e até uma criação fictícia de uma agência governamental nefasta.


Quando a Internet se cansou de Ricky McCormick, ele era todas essas coisas e nenhuma delas ao mesmo tempo. Seu código ainda não havia sido desvendado.

Não é de estranhar que o caso de McCormick movimentou a Internet. A morte misteriosa, as notas criptografadas lançadas ao público tardiamente  - é uma história pronta para os teóricos da conspiração e detetives de sofá. Até hoje ele continua aparecendo em blogs, sites e fóruns por conta do fascínio em torno de suas anotações indesvendáveis.

As notas de McCormick entraram em um vortex de textos não-decifrados, que inclui o manuscrito Voynich, o disco Alberti, que inclui ilustrações surrealmente elaboradas do cosmos, o mapa do tesouro codificado Beale Papers e a carta "Dorabella". Mas as notas de McCormick também pertencem a um subgênero dos código indecifrados: os dos casos arquivados, com seus exemplos mais famosos sendo o caso de Tamam Shud (já postado lá na Cons Pirei e aqui no CPBr) e, claro, o Assassino do Zodíaco (pretendo fazer um post sobre ele no futuro, explicando melhor todo o caso).

Na verdade, quando o FBI mostrou as anotações de McCormick, o Assassino do Zodíaco não havia ainda sido esquecido pela internet. O zodíaco é o serial killer desconhecido mais notório dos Estados Unidos. Ativo no norte da Califórnia no final dos anos 60, sua verdadeira identidade ainda é calorosamente debatido na internet até hoje. Suas cartas provocativas enviadas para a mídia incluíram quatro criptogramas, apenas um dos quais foi parcialmente resolvido - por uma equipe  montada por um marido e mulher que eram criptógrafos amadores, Donald e Bettye Harden.

Quase 45 anos após o último assassinato atribuído à ele, centenas de sites e blogs continuam se dedicando para tentar resolver os código do Zodíaco. Muitos dos tópicos dedicados ao Zodíaco mostram uma certa admiração. Há a implicação de que tais códigos robustos devem ser o produto de uma mente de primeira classe. McCormick, pelo contrário, não ganha tal respeito. Ao contrário do zodíaco, na vida ele era conhecido e altamente julgado: era “mal e mal” alfabetizado e sua própria mãe o descrevia como "retardado". Seu código - se  é que realmente era um código - não era um desafio de assassino enviado aos jornais. Eram letras quase ilegíveis no papel, enfiado nos bolsos de sua calça jeans e recuperado apenas após sua morte. "Eles nos disseram que a única coisa em seus bolsos era um bilhete de pronto socorro", disse sua mãe ao Riverfront Times. "Agora, doze anos depois, eles voltam com essas merdas de rabiscos".

Havia uma desconexão, entre o código indestrutível e o homem derrotado. Para muitos detetives de Internet, não havia um grande background histórico para as anotações de McCormick. Ele era apenas um homem morto em um milharal. Além disso, ele era um homem morto que era pobre e negro - ele era um homem morto que tinha gerado dois filhos com uma menina com menos de 14 anos, um crime pelo qual ele serviu 11 meses na prisão. Resumindo, ele era o tipo de homem que acaba morto em um campo.

Essa avaliação dura, repetida através de muitos fóruns, dividiu a especulação amadora dos decifradores em dois pensamentos. Num deles, McCormick simplesmente não escreveu as notas: elas foram colocadas lá pelos traficantes de drogas que o empregara, como uma distração para a polícia. Em 1999, sua namorada disse à polícia que ele estava carregando drogas para Orlando; McCormick tinha feito sua mais recente viagem apenas duas semanas antes de sua morte - e, como observa o Riverfront Times, seus empregadores eram homens violentos.

A advogada mais proeminente dessa teoria é Elonka Dunin. Ela é uma criptógrafa amadora, descrita como "a criptógrafa favorita de todos" por um site de criptografias; Dan Brown nomeou um personagem em O Símbolo Perdido em sua homenagem. Dunin acredita que McCormick não tinha capacidade para criar um código aparentemente tão sofisticado. Em vez disso, ela diz, provavelmente ele serviu como um mensageiro, carregando o código entre partes desconhecidas. Mas mesmo que seja verdade, essa teoria não explica muito, como um redditor lamentou no fórum de Mistérios não resolvidos: “Não encontro explicações do porquê ele teria sido baleado e as anotações ficarem para trás. Ou o mensageiro lhe deu a mensagem e atirou nele, ou o receptor leu as mensagens e atirou nele, ou alguém o matou entre a opção A e B. Nada disto faz sentido". Se McCormick não escreveu as mensagens, então qualquer um poderia ter escrito - e isso deixa aberto para especulações correrem à solta.

Entretanto, a posição oficial do FBI em relação a esse caso é que sabemos quem é o autor das notas: "Tenho toda a confiança de dizer que foi Ricky quem escreveu as notas", disseram. "São notas escritas de um certo formato que parece que alguém escreveu para si mesmo, não para outra pessoa."

Mas então o que significam as anotações de McCormick? As teorias geralmente se concentram nos números, seguidas pela repetição das letras "NCBE". Alguns sugerem que "71", "74" e "75" podem ser referências a rodovias perto de St. Louis, enquanto outros acreditam que eles se referem à numeração de identificação de veículos (em inglês: VIN numbers), anotações sobre jogos (há uma relação significante entre sites de jogos e sites de criptografia), e ainda alguns sugerem que ele se referia à peças de carros.

Comentaristas do “Above Top Secret”, um fórum de discussão dedicado a "temas alternativos", como conspirações do governo e da Nova Ordem Mundial, oferecem interpretações bastante racistas, expondo McCormick como um traficante de drogas. Nesse universo, "NCBE" provável é uma gíria de rua para "No Cash Being Exchanged - Nenhum dinheiro sendo trocado - em tradução livre para português" ou "Nose Candy Buys Eight Ball - Nariz de doce compra Bola Oito - em tradução livre para português " ou "Nickel Bag Everyday - Niqueleira todo dia - em tradução livre para português". Não é um código real, um comentarista escreve: "Isso são abreviações escritas por um traficante analfabeto. Revela para quem ele vende, o quanto vende, uma breve descrição de como os conhece, se os reconhece ou se não os reconhece". Não existem evidências  de que McCormick tenha sido nada além de uma mula, levando drogas de lá para cá. É bastante improvável que esses códigos sejam algo relacionado a tráfico de drogas.

Novamente, as teorias sobre as anotações de McCormick são muitas vezes baseadas na questão fundamental de que se um homem que não completou o ensino médio teria a capacidade de produzir criptografias sofisticadas o suficiente que ninguém, nem decifradores amadores ou até mesmo o FBI poderiam decifrar. Mas talvez as notas nem sequer sejam códigos. Alguns detetives cibernéticos veem a evidência como um caso de transtorno bipolar, esquizofrenia ou até mesmo dano cerebral. "Tendo trabalhado com pessoas que sofreram com lesões cerebrais, tenho que te dizer, isso parece muito como o tipo de jargão que eles escreviam.  Podia ter um sentido perfeito em suas cabeças, mas a mensagem não era bem transmitida quando escreviam.", um comentou. Um redditor viu padrões de esquizofrenia: a escrita instável, a paranóia, a incontrolável necessidade de criptografar pensamentos e idéias aleatórias.

Talvez exista uma explicação ainda mais banal. Alguns vêem o "código" de McCormick como nada mais do que um cronograma manuscrito para sua medicações.

Este é o retrato mais simpático de Ricky McCormick, e o que mais se encaixa com o suposto "código", pelo pouco que sabemos de sua vida. Embora ele não tenha recebido um diagnóstico ou tratamento psiquiátrico oficial, após sua prisão de 1992 por agressão sexual, sua defensora pública acreditava que ele estava "sofrendo de alguma doença mental". Ela pediu um exame de saúde mental, mas McCormick foi considerado apto para julgamento - o que não sugere muito mais de que ele poderia discernir o certo do errado. Sua família, entretanto, descreveu-o de uma forma que se encaixava com um neuroatípico não diagnosticado: além de sua mãe já o ter descrito como "retardado", uma tia lembra dele como um menino isolado com uma "parede de tijolos em volta de seus pensamentos".

A resposta para suas anotações misteriosas poderão ficar para sempre somente nessa mente emparedada, que agora já se foi. Quando as anotações de McCormick reaparecem em fóruns de criminologia ou criptografia, elas geralmente desaparecem rapidamente. Não há mais muito onde procurar, não há mais pistas. E talvez haja uma razão mais profunda, mais pungente. Nick Dunning insinua em seu blog de criptografias misteriosas, escrevendo: "Mas tudo que eu realmente sinto é uma sensação de profunda tristeza - que o que estamos vendo nessas duas anotações é a vida de um pobre rapaz analfabeto que deu um passo maior que perna, e acabou caindo no processo.”
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E aí, Creepers?! Qual sua opinião em relação ao caso de Ricky McCormick? Estaria o FBI e os detetives amadores errados em relação da capacidade de Ricky, ou então realmente seria apenas a obra de uma mente perturbada? Quem matou Ricky e porque? Como ele foi parar a quilômetros de sua casa? Comenta aí!


ORIGINAL ARTICLE BY STASSA EDWARDS / TEXTO ORIGINAL DE STASSA EDWARDS:
OUTRAS FONTES:

05/12/2016

Caso Real: Tamam Shud

Olá Creepers! Hoje estou trazendo para vocês um caso real que traduzi e organizei para uma página do face que tenho com a minha amiga, a "Cons Pirei", onde posto conspirações, casos misteriosos e etc. Como achei muito interessante, pensei que vocês gostariam de ler também. Deixa nos coments sua opnião, se devo ou não trazer mais casos reais aqui pro blog.


O Caso de Tamam Shud, ou as vezes como também é chamado, “O Mistério do Homem de Somerton”, pois é sobre um homem morto que foi encontrado por volta das 06:30 da manhã do dia 1º de dezembro de 1948 na praia de Somerton, cidade de Adelaide, Austrália. Considerado um dos maiores e mais profundos mistérios da Austrália, o caso completou 68 anos sem solução anteontem. As dúvidas ficaram entre quem seria o tal homem, quem teria o assassinato, como ele foi parar na praia e os outros milhares de incidentes que cercam sua morte.

Esse meu texto foi inteiramente baseado na página do wikipédia do caso, o link você pode encontrar no final do texto, e no próprio wikipédia você poderá encontrar as fontes para as informações que verá aqui. Fiz algumas adaptações para que o entendimento fique mais fácil, assim como traduções de partes que não podem ser encontradas na versão brasileira do wikipedia. Como todas as páginas e sites brasileiros que visitei que continham matérias sobre isso eram muito simplificadas e vagas, resolvi fazer da forma mais completa e detalhada possível.

Boa leitura, e não esqueça de deixar sua opinião sobre o caso nos comentários!
A VÍTIMA

Descrição física:
O homem parecia ter por volta dos 40 anos, traços “britânicos” e possuía uma boa estrutura física, com ombros largos, cintura estreita, mãos e unhas sem sinais de trabalhos manuais pesados. O primeiro e quinto dedo dos pés dele tinham formato triangular – indicando que o mesmo poderia ter sido um dançarino ou fazendeiro (por causa das botas de montaria), e os músculos da panturrilha eram bastante definidos e fortes (características de bailarino, mas também poderia ser de maratonista). Sua altura era de 1,80 m, cabelos ruivos levemente grisalhos, os olhos eram castanho-claros. Não havia cicatrizes ou marcas de nascença em seu corpo. Sua arcada dentária não bateu com nenhum registro analisado.
Descrição de vestuário:
Vestido com uma camisa branca, gravata vermelha com azul, calça marrom, meias e sapato. E embora o clima na época fosse quente tanto durante o dia quanto à noite, trajava também um suéter tricotado marrom e um casaco cinza marrom no estilo europeu. Suas roupas não tinham etiquetas e o homem não usava chapéu, um fato estranho para o ano de 1948, ainda mais alguém que trajava um terno. Não tinha documentos de identidade em sua posse.

Quando os policiais chegaram ao local do crime, perceberam que ninguém havia mexido no corpo e que o braço esquerdo dele estava em posição reta, e o direito dobrado. Um cigarro não aceso estava atrás de sua orelha, enquanto outro fumado pela metade estava no colarinho direito do casaco. Uma busca em seus bolsos revelou um bilhete de ônibus de Adelaide para St. Leonards em Glenelg, um subúrbio da cidade, e um bilhete de segunda-classe não utilizado do trem de Adelaide para o subúrbio de Henley Beach, e mais um pente americano de alumínio, um pacote pela metade de chicletes Juicy Fruit, um pacote de cigarros Army Club contendo cigarros Kensitas (uma marca diferente) e uma caixa de fósforos Bryant & May. A parada do ônibus relacionado ao bilhete usado localizava-se 250 metros ao sul do lugar onde o corpo foi encontrado.

X indica aonde o corpo foi encontrado.
Testemunhas se apresentaram para declarar que na noite de 30 de novembro avistaram um indivíduo de aparência similar parado no mesmo local, próximo à instituição Crippled Children's Home onde o corpo foi posteriormente encontrado. Um casal que o viu às 07:00 da noite no local onde o corpo foi encontrado, notou o homem esticando todo o braço direito, deixando-o cair de forma frouxa. Outro casal que o viu entre 07:30 e 08:00 da noite, horário em que os postes de iluminação ainda estavam acesos, afirmou não ter notado o homem se mexer durante todo o tempo que estivera em seu campo de visão, mas tivessem a impressão de que sua posição possa ter mudado. Apesar de ficarem em dúvida se o homem estava morto por não reagir aos mosquitos que estavam em sua volta, o último casal pensou que poderia estar apenas bêbado ou dormindo, e sendo assim decidiram não se meter naquela história e foram embora.  

Quando o corpo foi descoberto na manhã seguinte, permanecia na mesma posição observada pelas últimas testemunhas na noite anterior.

A AUTÓPSIA

Uma autópsia foi realizada e concluíram que a morte tinha acontecido por volta das 02:00 do dia primeiro de dezembro. Algumas das observações do legistas foram as seguintes:

“O coração estava em seu tamanho normal, e normal em todos os demais aspectos (...) pequenos vasos incomuns de serem encontrados no cérebro eram facilmente discerníveis com congestão. A faringe estava congestionada, e o esôfago coberto por branqueamento das camadas superficiais da mucosa, com uma trilha medial de ulceração. O estômago estava profundamente congestionado (...) havia congestão também na 2ª metade do duodeno. Havia sangue misturado ao alimento no estômago. Ambos os rins estavam congestionados, e o fígado continha grande excesso de sangue em seus vasos (...) o baço apresentava inchaço expressivo (...) de aproximadamente 3 vezes seu tamanho normal (...) exame microscópico revelou a destruição de lóbulos do fígado (...) hemorragia gástrica aguda, congestão extensiva do fígado e baço, e congestão do cérebro.”

Apesar da revelação de que a última refeição do homem teria sido um pastel assado que comeu três ou quatro horas antes da morte, testes e exames não conseguiram revelar qualquer substância estranha em seu organismo. O patologista Dr. Dwyer concluiu: "Estou convencido de que a morte não foi natural (...) suponho que o veneno utilizado pode ter sido um barbitúrico ou um hipnótico solúvel". Embora o envenenamento tenha permanecido como principal suspeita, chegou-se à conclusão de que o pastel não foi a fonte do veneno. Além disso, o legista não chegou a uma conclusão acerca da identidade do homem, a causa de sua morte ou se a pessoa vista na Praia de Somerton na noite de 30 de novembro era o mesmo homem, pois não surgiram testemunhas que tenham visto seu rosto enquanto ele ainda estava vivo. Apesar de uma fotografia do homem e sua impressão digital circularem ao redor do mundo, nunca se chegou a uma identificação positiva.

Devido à não-identificação, o cadáver foi embalsamado em 10 de dezembro de 1948, o primeiro registro da realização deste procedimento na história da polícia australiana.

IDENTIFICAÇÃO DO CORPO

Em 3 de dezembro, E.C. Johnson foi descartado como suspeito, pois se apresentou a uma delegacia de polícia para se identificar. No mesmo dia, o News publicou em sua primeira página uma fotografia do morto, o que levou a mais denúncias sobre a possível identidade do homem. No dia seguinte, a polícia anunciou que as digitais do morto não constavam em seus registros. No dia 5 de dezembro, o Advertiser divulgou que a polícia estaria pesquisando registros militares em busca de um homem que supostamente teria bebido com outro de aparência similar ao morto em um hotel em Glenelg no dia 30 de novembro. Durante seu encontro, o homem misterioso teria apresentado um cartão de aposentadoria militar que trazia o nome "Solomonson".

Algumas tentativas de identificar o corpo foram realizadas, incluindo uma no começo de janeiro de 1949 quando duas pessoas o identificaram como sendo o ex-lenhador Robert Walsh, de 63 anos. A polícia respondeu com ceticismo, acreditando que Walsh seria velho demais para ser o morto, afirmando no entanto que o corpo seria consistente com o de um antigo lenhador, embora o estado de suas mãos indicassem que ele não cortava madeira há pelo menos dezoito meses. Quaisquer possibilidades de que uma identificação positiva havia sido realizada foram descartadas no entanto quando Elizabeth Thompson, uma das senhoras que havia apontado o corpo como sendo de Robert Walsh, retirou seu testemunho após ver o cadáver uma segunda vez, constatando que a ausência de uma cicatriz em particular, assim como o tamanho das pernas do morto, tornava improvável que aquele fosse mesmo Walsh.

No começo de fevereiro de 1949, havia pelo menos oito diferentes identificações "positivas" do morto, incluindo dois homens de Darwin que acreditavam que o corpo era de um amigo deles, um ajudante de estábulo desaparecido, um funcionário de um navio a vapor e um sueco.

A MALA MARROM

Investigadores com a mala encontrada.

O caso sofreu uma reviravolta quando, em 14 de janeiro de 1949, funcionários da Estação Ferroviária de Adelaide descobriram uma mala marrom com a etiqueta removida, que havia sido colocada no guarda-volumes da estação por volta das 11:00 da manhã de 30 de novembro de 1948. Em seu interior estavam um roupão vermelho listrado, um par de chinelos de feltro vermelho tamanho 37, quatro pares de cuecas, pijamas, utensílios de barbear, um par de calças marrom claro com areia nas barras, uma chave de fenda de eletricista, um pincel de estêncil, uma faca de mesa que fora reduzida a um instrumento de corte curto e afiado, e um par de tesouras como as usadas em navios mercantes para demarcar as mercadorias embarcadas.

Também na mala estava a embalagem de uma linha de costura laranja, um "tipo incomum" similar ao utilizado para remendar um dos bolsos da calça que o morto usava. Todas as marcas de identificação nas peças de roupa haviam sido removidas, mas a polícia encontrou o nome "T. Keane" em uma gravata, "Keane" em um saco de lavanderia e "Kean" (sem o último "e") em uma camiseta, juntamente com três marcas de lavagem a seco: 1171/7, 4393/7 e 3053/7. Os investigadores chegaram à conclusão de que a pessoa que removeu as etiquetas deixara propositalmente o nome Keane nas roupas, sabendo que ele não poderia levar à identificação de seu proprietário.

Mas neste primeiro momento, as roupas foram rastreadas até um marinheiro local, Tom Keane. Como ele não foi localizado, alguns de seus colegas de navio foram até o necrotério ver o cadáver, negando categoricamente que aquele era Keane ou que as roupas na mala pertenceriam a ele. Uma busca concluiu que não havia outro T. Keane desaparecido em quaisquer outros países falantes de inglês, e a divulgação nacional das marcas de lavagem a seco também não ajudou. De fato, a único item da mala que pôde ser aproveitado foi um casaco que apresentava uma nesga frontal e um desenho bordado. Determinou-se que ambos poderiam ter sido feitos apenas nos Estados Unidos, que era o único país com o maquinário necessário para tais tipos de costura. Embora os casacos fossem produzidos em massa, a confecção da nesga só era feita após o proprietário do vestuário experimentá-lo. A roupa também não havia sido importada, indicando que o homem ou visitara os EUA ou a comprara de alguém que visitara e cujo corpo era de tamanho similar ao dele.

Os policiais verificaram os registros ferroviários e chegaram à conclusão de que o homem desembarcou de um trem noturno que teria partido de Melbourne, Sydney ou Port Augusta. Eles acreditavam que o homem teria se barbeado e tomado banho no prédio vizinho do chuveiro público municipal antes de retornar à estação para comprar um bilhete para o trem de 10:50 da manhã para Henley Beach que, por alguma razão, ele perdeu ou decidiu não pegar. Após voltar do chuveiro público, ele deixou sua mala no guarda-volumes, partindo de ônibus para Glenelg. As instalações sanitárias da estação estavam fechadas naquele dia, e depois de descobrir isso e ser obrigado a andar até o chuveiro público o homem pode ter atrasado-se até 30 minutos, o que explica o motivo de ele ter perdido o trem e embarcado no próximo ônibus disponível.

INQUÉRITO

Um inquérito legista conduzido por Thomas Erskine Cleland para definir a causa da morte começou poucos dias após a descoberta do corpo, sendo mantido em aberto até 17 de junho de 1949. O patologista investigador Sir John Burton Cleland reexaminou o cadáver e fez diversas descobertas. Burton notou que os sapatos do homem estavam consideravelmente limpos e pareciam ter sido engraxados recentemente, ao contrário do estado esperado dos sapatos de um homem que aparentemente ficou vagando por Glenelg o dia inteiro. Ele acrescentou que esta evidência se encaixava na teoria de que o corpo pode ter sido levado para a Praia de Somerton após a morte do homem, levando em consideração a falta de evidências de vômito e convulsões, os dois efeitos principais de envenenamento.
Thomas Cleland especulou que, como nenhuma das testemunhas pôde identificar positivamente o homem que viram na noite anterior como sendo a mesma pessoa descoberta na manhã seguinte, permanecia em aberto a possibilidade do homem ter morrido em outro lugar e seu corpo ter sido abandonado na praia. Ele enfatizou que essa teoria não passava de especulação, pois todas as testemunhas acreditavam ser "definitivamente a mesma pessoa", devido ao fato do corpo ter permanecido no mesmo local e caído na mesma posição distinta.

Cedric Stanton Hicks, professor de Fisiologia e Farmacologia da Universidade de Adelaide, testemunhou que o uso de drogas que seriam extremamente tóxicas em doses orais relativamente pequenas para não deixar rastros no organismo era praticamente impossível, mesmo que se suspeitasse de sua aplicação em primeiro lugar. Hicks notou que o único "fato" não definido em relação ao corpo foi a evidência de vômito. Ele então afirmou que esta ausência de sintoma não era desconhecida, mas que não poderia estabelecer uma "conclusão realista" sem ela. O professor também afirmou que se a morte tivesse ocorrido sete horas depois que o homem foi visto se mexendo, isso implicaria a ingestão de uma dose alta, mas que ainda assim não pode ser detectada. Notou que o movimento de braço do homem, presenciado pelas testemunhas às 07:00 da noite, pode ter sido a última convulsão anterior à sua morte.

No começo do inquérito, Thomas Cleland declarou: "Eu não me surpreenderia se confirmasse que ele morreu envenenado, e que o veneno provavelmente foi um glicosídeo e que não foi administrado acidentalmente; o que eu não posso dizer é se foi administrado pelo próprio morto, ou por outra pessoa". Apesar de suas descobertas, ele não foi capaz de determinar a causa da morte do Homem de Somerton.

O fracasso em desvendar a identidade e o que levou à morte do homem levou as autoridades a definirem aquele como um "mistério sem paralelos" e acreditarem que a causa da morte jamais seja determinada. Um editorial de época chamou o caso de "um dos mistérios mais profundos da Austrália", observando que, se o homem morreu por consequência de um veneno que de tão raro e obscuro não pôde ser identificado por especialistas em toxologia, então o conhecimento avançado em substâncias tóxicas do autor do crime apontava certamente para algo muito mais sério do que um mero envenenamento doméstico.

LIGAÇÕES COM RUBAYAT, DE OMAR KHAYYAM


Na mesma época do inquérito, um pedaço de papel impresso com as palavras "Tamam Shud" foi encontrado em um compartimento secreto disfarçado no bolso de uma das calças do homem. Oficiais da biblioteca pública foram convocados para traduzir a nota, identificando-a como uma frase, de significado "fim" ou "terminado", encontrada na última página da coleção de poemas Rubaiyat, de Omar Khayyām.

O verso do papel estava em branco, e a polícia conduziu uma busca por toda a Austrália para encontrar uma cópia do livro que apresentasse um verso em branco similar, não obtendo sucesso. Uma fotografia do pedaço de papel foi enviada então para departamentos de polícia inter-estaduais e divulgada ao público, levando uma pessoa, na época sob o pseudônimo de “Roland Francis” a revelar que havia encontrado uma rara primeira edição de Rubaiyat traduzida por Edward FitzGerald e publicada na Nova Zelândia pela Whitcombe and Tombs, no assento traseiro de seu automóvel, que se encontrava estacionado destrancado em Glenalg na noite de 30 de novembro de 1948. Esta pessoa não sabia da conexão do livro com o caso até ver o artigo no jornal do dia anterior, e sua identidade e profissão foram mantidos em segredo pela corte, assim como as razões que levaram a protegê-lo desta forma.

O livro não trazia as palavras "Taman Shud" na última página, cujo verso estava em branco, e exames de microscopia indicaram que esta página específica havia sido arrancada. O último verso de Rubaiyat, imediatamente antes de "Taman Shud", é:

And when thyself with shining foot shall pass
(E quando você mesmo, com os pés brilhantes, passar)

Among the Guests Star-scatter'd on the grass
(Junto dos convidados espalhados pelas estrelas [?] na grama)
And in your joyous Errand reach the Spot
(E em sua alegre missão alcançar o ponto)
Where I made One - turn down an empty Glass!
(Onde eu fiz um - vire um copo vazio!)

Esta primeira edição, publicada pela Whitcombe and Tombs, usa a palavra "shining - brilhante" no lugar da palavra "silver-prateado" que é encontrada em outras traduções de FitzGerald e edições posteriores. Isto levou a polícia a teorizar que o homem havia cometido suicídio ao ingerir o veneno, embora não exista outra evidência que suporte esta teoria.

Nas costas do livro, foram encontradas algumas anotações feitas fracamente com um lápis. Após exame ultravioleta, foi possível ler cinco linhas de letras maiúsculas, com a segunda delas riscada. As letras riscadas foram posteriormente consideradas significantes por sua similaridade com as da quarta linha, indicando provavelmente um erro e, mais além, uma possível prova de que as letras seriam um código:


WRGOABABD
MLIAOI
WTBIMPANETP
MLIABOAIAQC
ITTMTSAMSTGAB

No livro não está claro se as duas primeiras linhas começam com um "M" ou "W", mas acredita-se ser a letra W, devido à diferença distintiva quando comparado com a primeira letra da quarta linha. A segunda linha “MLIAOI" está riscada. Embora a última letra nesta linha pareça um "L", é bastante claro em uma inspeção mais próxima da imagem que seria um I, mas teria ficado com aparência de L por causa do risco feito por cima. Além disso, o outro "L" tem uma curva característica para baixo. Há também um "X" acima de um 'O' no código, e não se sabe se isso é significativo para o entendimento do código ou não. Inicialmente, especularam ser palavras estrangeiras, até perceberem que era um código. Muitos peritos e especialistas tentaram decifrar o código, porém sem sucesso, declarando que havia “caracteres insuficientes” e que poderia ser “apenas obra de uma mente perturbada”.

Um número de telefone que não constava no catálogo também foi encontrado nas costas do livro. O número pertencia a uma ex-enfermeira que morava na Rua Moseley em Glenelg, situada a 800 metros do local onde o corpo foi encontrado. A mulher declarou que, enquanto trabalhava no Royal North Shore Hospital em Sydney durante a II Guerra Mundial, era dona de uma cópia do Rubaiyat mas que em 1945, no Clifton Gardens Hotel em Sydney, deu-a de presente a um tenente do exército chamado Alfred Boxall, que servia então na Seção de Transporte de Água do Exército da Austrália.

De acordo com informações divulgadas pela mídia, a mulher afirmou que depois da guerra mudou-se para Melbourne e se casou. Tempos depois ela teria recebido uma carta de Boxall, mas respondeu-lhe que já havia se casado. Ela acrescentou ainda que no final de 1948 um homem misterioso perguntara a seu vizinho de porta informações sobre ela. Tendo como base o molde em gesso feito da cabeça até os ombros do cadáver, ela não foi capaz de identificá-lo como sendo Boxall, e que também não conheceria o homem, porém testemunhas, incluído o detetive Leane, no local disseram que a mulher havia “ficado com aparência totalmente abalada, pálida, como se estivesse prestes a desmaiar.” Paul Lawson, técnico que havia feito o molde de gesso, afirmou anos depois em uma entrevista que a mulher havia olhado o molde por poucos segundos, depois se recusou a olhar novamente.

A polícia ainda assim acreditou que o morto fosse Boxall, até encontrá-lo vivo e com sua cópia do Rubaiyat, completa com o "Taman Shud" na última página. Boxall agora trabalhava no setor de manutenção do Depósito de Ônibus de Randwick (onde trabalhara antes da guerra) e não fazia idéia da ligação entre ele e o homem morto. No frontispício de sua cópia do Rubaiyat, a mulher havia copiado o verso 70:

Indeed, indeed, Repentance oft before
(Na verdade, de fato, arrependimento antes)
I swore--but was I sober when I swore?
(Eu jurei - mas eu estava sóbrio quando eu jurei?)
And then and then came Spring, and Rose-in-hand
(E então e depois veio a Primavera, e com a rosa na mão)
My thread-bare Penitence a-pieces tore.
(Minhas penitências descalças se despedaçaram em pedaços.)

Quando questionado por repórteres sobre o significado do verso, Boxall desconversou, dando uma resposta evasiva.

A mulher vivia agora em Glenelg, mas negou conhecer qualquer detalhe sobre o morto ou o motivo de sua visita ao subúrbio que ela morava na noite em que morreu. Solicitou então que, uma vez que havia se casado, seu nome fosse omitido do inquérito policial para evitar quaisquer constrangimentos ao tê-lo ligado ao morto e Boxall. A polícia concordou, impossibilitando que investigações subsequentes contassem com uma das melhores pistas do caso.

Kate Thomson
Em seu livro sobre o caso, Gerry Feltus afirmou que, quando entrevistou Thomson, em 2002, achou que a mulher estava sendo "evasiva" ou "simplesmente não queria falar sobre isso". Feltus acredita que Thomson sabia quem era o homem encontrado na praia. A filha de Thomson, Kate, em uma entrevista no programa “60 minutes”, em 2014, também disse que acreditava que sua mãe conhecia o homem morto. Porém, Thomson faleceu em 2007, levando seus segredos consigo para o túmulo.

PÓS INQUERITO

Após o inquérito, foi feito um molde em gesso da cabeça e ombros do homem, e ele foi então sepultado no cemitério West Terrace em Adelaide. Os serviços fúnebres foram conduzidos pelo Exército de Salvação, e a The South Australian Grandstand Bookmakers Association arcou com as despesas para evitar que o homem fosse enterrado como indigente.

Mensagem no túmulo do homem: "Aqui jaz o homem desconhecido que foi encontrado na praia de Somerton no dia 1º de Dezembro de 1948".
Anos depois do enterro, flores começaram a ser depositadas sobre o túmulo. A polícia questionou uma mulher vista deixando o cemitério, mas ela negou que soubesse qualquer coisa sobre o homem. Na mesma época, uma recepcionista do Strathmore Hotel, que ficava em frente à Estação Ferroviária de Adelaide, revelou que um estranho havia se hospedado no quarto 21 no mesmo período da morte, deixando o hotel em 30 de novembro de 1948. Ela relembrou que o homem falava inglês e carregava uma maleta preta, semelhante a de um médico. Outra funcionária havia revelado a ela que teria olhado dentro da mala, e lá teria encontrado um objeto que se assemelharia a uma “agulha” ou “seringa”.

Houve inúmeras tentativas mal sucedidas desde sua descoberta para desvendar o código encontrado no livro, incluindo os esforços de inteligências militares e navais, matemáticos e desvendadores de códigos amadores. Em 2004, o detetive aposentado Gerry Feltus sugeriu em um artigo do Sunday Mail que as 9 primeiras letras da linha final "ITTMTSAMSTGAB" poderia representar as iniciais para “"It's Time To Move To South Australia Moseley Street...", em tradução livre seria algo como "É hora de se mudar para o Sul da Austrália Moseley Street ..." (a ex-enfermeira morava em Moseley Street, que é A estrada principal através Glenelg). Uma análise de 2014 feita pelo lingüista computacional John Rehling apóia firmemente a teoria de que as letras consistem como letras iniciais de um texto em inglês, levando acreditar que seria de fato uma forma mais curta de escrever um texto, e não um código em si. Foi feita uma busca intensa por livros que poderiam conter palavras com as letras iniciais do código naquela mesma ordem, mas nada foi encontrado. O seu significado provavelmente jamais será desvendado.

A Sociedade Histórica da Polícia Australiana do Sul ainda tem posse do busto de gesso, que contém fios do cabelo do homem. Qualquer tentativa adicional de identificar o corpo foi dificultada pelo embalsamamento de formaldeído, tendo destruído grande parte do DNA do homem. Outras evidências-chave também já não existem, como a mala marrom, que foi destruída em 1986. Além disso, declarações de testemunhas desapareceram dos arquivos policial ao longo dos anos.
À esquerda, orelha do homem encontrado na praia, à direita orelha de um homem caucasiano para comparação.
Em investigações adicionais, foi descoberto que o homem tinha uma curvatura da orelha muito característica, algo que só era encontrada em 1-2% da população caucasiana. Também foi descoberto que o homem era portador de Hipodontia, uma condição de possuir menor número de dentes que o natural, acontece em apenas 2% da população mundial; Investigadores tiveram acesso a fotos do filho de Thomson, Robin, e descobriram que o garoto também possuía não somente a orelha característica como Hipodontia também. As chances disso ser uma coincidência é de uma em 10,000,000 e uma em 20,000,000 respectivamente. Por esse motivos foi especulado que Robin Thomson, que tinha 18 meses em 1948, poderia ser filho do falecido. Porém como Robin já havia falecido em 2009, a justiça não concedeu o direito de exumação do corpo para fazer os testes de DNA, pois como foi declarado, “Seria necessário que houvesse razões de interesse público que vão muito além da curiosidade pública ou do interesse científico geral.”


29/08/2016

Não consegue dormir?

Esse é o quinto post de tradução do site yourghoststories, onde é possível encontrar relatos de experiências sobrenaturais no mundo todo. Dessa vez, escolhi alguns relatos sobre paralisia do sono.

Algo está me acordando
postado por: Swood11

Eu sou uma menina de 16 anos. Fui passar um tempo na casa do meu irmão mais velho e ele havia me dito que a casa era assombrada. Deitei no sofá e, em seguida, fui para a cama. Eu acordei de um sono profundo em torno de 3:00 da manhã. Dormi perto da borda da cama enquanto meu irmão deitou no meio e sua namorada na outra ponta. Eu olhei para a frente e observei que a cortina estava se movendo pela porta de vidro corrediça, e não havia ventilação ou aquecedor perto dela.

Rolei e tentei pensar em coisas positivas enquanto tentava voltar a dormir. Eu pensei sobre o meu namorado, e então eu falei para mim mesma "Eu só preciso dormir." e caí em um sono tão profundo que dentro de segundos o meu corpo estava imóvel, mas a minha mente, totalmente acordada. Eu estava pirando e tive que me esforçar tão forte quanto eu podia para abrir os olhos e mover meu braço para acordar o meu irmão.

Eu pulei e acordei o meu irmão, explicando o que aconteceu e falando que estava com medo. Ele me disse que não conseguia dormir e, logo em seguida, nós dois ouvimos alguém subir as escadas da sala. Não podia ser o nosso cão pois ele estava dormindo do lado da cama. Eu peguei o controle remoto e adormecemos com televisão ligada. Essa foi a coisa mais assustadora pela qual eu passei! Alguém pode me explicar o que houve, por favor?!?!

3:00 Am. O que está acontecendo? 
postado por: jess_theturtle

Então, eu tinha 17 anos e estava morando com o meu pai. Nós realmente não temos um bom relacionamento, por isso decidi ir para a cama muito cedo, umas 8:00 da noite.

Era o final da primavera quando em uma noite eu acordei e não sabia o por quê. Durante cerca de três semanas eu iria acordar ás 3:00 em ponto. Naquele ponto, eu já achava que estava completamente louca.

Uma noite, tudo parecia diferente. Eu acordei às 3:00 da manhã como de costume (mas meu quarto estava exageradamente frio) e comecei a escutar algo.
Eu tinha uma velha cama que range e ao pé da minha cama parecia que alguém estava sentado. Neste momento o meu coração estava batendo tão rápido que eu sentia que acabaria morrendo. Eu pensei em ligar para o meu pai, mas nada aconteceu, estava imóvel.
Agora que não era a pior parte. Fosse o que fosse, estava me tocando dos pés até a cintura. Em seguida, se moveu até o caminho do pescoço. Neste ponto, comecei a sentir a sua respiração ao meu lado, sem poder fazer nada. Ele permaneceu assim durante alguns minutos. Depois de passar esse tempo, ele volta a sentar-se ao pé da minha cama. Isto continua a acontecer por alguns meses.

Agora, depois de um tempo ele não me assusta tanto, eu até contei ao meu pai (ele é muito religioso, eu não sou). Ele insistiu em abençoar o meu quarto, depois disso eu não tive mais encontros.

Alguém pode potencialmente me dizer o que esta coisa poderia ter sido?


Corpo vibrando durante um pesadelo

postado por: justjess

Alguns meses atrás eu acordei de um pesadelo e meu corpo estava vibrando como se eu tivesse um telefone celular em meu peito. Eu tinha cerca de quatro meses de gravidez e não conseguia me lembrar do sonho, exceto que um fantasma ou um espírito estava furando o meu estômago com as mãos para obter o meu bebê.

Como eu acordei ainda sonolenta, eu tinha pensado inicialmente que minha cama estava tremendo, mas depois percebi que era eu. Isso nunca aconteceu comigo antes. Eu até fui a um cardiologista após isso, com medo que tivesse acontecido apenas para eu ser informada de que o meu coração não estava bem. Além disso, mais tarde naquela noite eu acabei tendo outro pesadelo. Eu não sei por que isso aconteceu e queria saber se alguém poderia me dar algumas dicas sobre este assunto.

Minha mãe me diz que é apenas um sonho de gravidez estranho, mas eu não penso assim. Eu tenho visto pessoas de sombra desde que eu tinha quatorze anos e experimentei fenômenos estranhos ao longo dos anos, mas nunca experimentei isto antes.

Isso me assustou tanto que eu dormi com as luzes acesas até o meu marido chegar em casa de um de seus turnos noturnos no trabalho. Tenho 31 anos e não deveria ter medo do escuro, mas eu tenho, infelizmente.

Eu notei que algumas coisas estranhas foram acontecendo na minha casa ao longo de um período de um ano. Como uma noite em que a minha filha me fez uma pergunta e eu não respondi de imediato, porque estava aplicando protetor labial, e algo sussurrou a partir da janela do canto. Era baixa e ininteligível. Olhei para Maddy e disse: "Por que você respondeu a sua própria pergunta?"
E ela disse: "Mas eu pensei que você estava sussurrando?"
E nós duas sabíamos que algo estava estranho, porque a voz veio da janela do canto por trás da cortina.

Outra vez, uma tigela com leite e cereais se moveu sozinha através de minha mesa de cozinha. Em uma noite diferente, a minha filha veio até o meu quarto e disse-me que uma pessoa sombra veio de seu armário e tocou-lhe enquanto ela estava dormindo ao seu lado, ela estava em pânico absoluto. E eu acredito nela porque eu os vi também. Eu não sei o que está acontecendo!
Essas coisas só aconteceu de vez em quando, mas ainda são assustadores. Qualquer opinião seria útil. Obrigada.


Ocorrências noturnas

postado por: johnboy1964

Eu passei por algumas situações ''inexplicáveis'' durante a minha vida, principalmente durante a adolescência e faculdade, que foram assustadoras naquela época, mas esquecidas na manhã seguinte. Agora que estou muito mais velho, eu penso para trás sobre esses "eventos" e penso que sim, isso foi definitivamente assustador e inexplicável. Eu sou um grande fã de filmes de terror e costumo assistir quase todos eles - principalmente os sobrenaturais - Deixo os trash por vezes, quando estou realmente procurando por um.

Então, este em particular foi gravado no meu cérebro por mais tempo e me lembro que, no momento em que isso aconteceu, eu não estava nem um pouco assustado e não sabia nem o que eu tinha visto. Foi apenas muito mais tarde, talvez vinte anos ou mais, que eu percebi que eu não tinha uma explicação.

Nós fomos uma família de exilados que viveram no Oriente Médio, que é onde eu nasci e cresci, junto com minhas duas irmãs. Ambos os meus pais estavam trabalhando (como a maioria dos expatriados fazem) e nós vivemos em um apartamento de dois quartos. Nada extravagante, um apartamento simples e limpo.

Eu acho que um belo dia, meus pais decidiram que nosso apartamento estava na necessidade de um bom trabalho de pintura e tinham encomendado dois pintores locais para começar a trabalhar ao longo de um final de semana. Os trabalhadores também eram exilados do sexo masculino (não tenho certeza de que país, mas não é relevante). Todo nosso material estava coberto de lençóis, a maior parte da cozinha foi fechada e tivemos que, todos nós, dormir no chão da sala de estar. Como os quartos estavam com tinta fresca, nós tivemos que deixar as janelas abertas.

De qualquer forma, todos nós caímos sobre os colchões. Minhas irmãs e eu (nós éramos cerca de 4, 6 e 9 anos) dormíamos em dois colchões e meus pais no outro extremo da sala em dois outros.

Durante a noite, meio adormecido, vi um homem vestindo a roupa dos trabalhadores (um colete, retalhos de tecidos ao redor da cintura e um pano em volta da cabeça, como um suor band), sentado contra a parede (eu estava mais próximo à parede) com uma perna dobrada debaixo dele e a outra flexionada no joelho, no qual a sua mão estava descansando e ele estava me observando. Voltei a dormir, pensando que era manhã e que os trabalhadores haviam retornado. Na manhã desse mesmo dia, meus pais avisaram que os pintores tiraram o dia de folga.

Eu tive várias situações em que senti alguma força forte sentada nas minhas costas enquanto estou dormindo e eu sou incapaz de virar ou gritar. Muito assustador. Mas nada desde que eu me casei e comecei a minha família.

São os nossos poderes psíquicos mais ativos quando somos crianças? Eu não sei, tenho pensado sobre isso, é claro, mas não tenho uma resposta.

Objetivo dos relatos: mostrar que o sobrenatural pode ocorrer com qualquer um. Não é chocante ou trash como seria em uma creepy. O lado ''assustador'' dos relatos é o famoso ''baseado em fatos reais'' que vemos em muitos filmes. Espero que gostem