05/07/2012

Toy.avi

Fala ai galera, Gabriel aqui! Então, como a Divina e o Pedro andam bastante ocupados esta semana, estarei cuidando do blog postando Creepypastas diariamente e normalmente até domingo. A partir deste dia, entraremos em férias aqui no blog, mas a Divina fará uma postagem separada entrando em melhores detalhes sobre isso. Enfim, como segunda ficou sem Creepypastas, hoje estou postando essas duas pra compensar o dia perdido: Normal Porn For Normal People e Toy.avi. A partir de amanhã. as postagens voltaram a ser diárias. Bons pesadelos! \o/

______________________________________________________________________________________


Em primeiro lugar, isto não é falso. O vídeo existe, e antes que você pense "isso tudo é besteira", aqui está o link para o vídeo:


Eu estou dizendo a vocês, o vídeo é uma loucura, e causa muitos efeitos estranhos em você: dores de cabeça, visão borrada, pesadelos e tal (eu estou sentindo cada um deles, e isso não é engraçado. Estou com medo, e não consigo dormir; estou aterrorizado)

O vídeo parece ser antigo, como se pertencesse a uma fita VHS. Tenho certeza disso, já que ele tem aqueles efeitos de fitas danificadas, e também pelo som ser horrível!

A música parece ser de um som de piano antigo, misturado com um bebê chorando desesperadamente de dor.

Explicar o vídeo em si não é fácil. Ele mostra alguém cortando uma mão com uma pequena faca (Parece muito real). Quando a mão fica quase separada do pulso, a pessoa que estava cortando decide então quebrar os ossos da mão decepada, de forma muito violenta.

A segunda parte do vídeo não é fácil de entender; parece que alguém está brincando com um cérebro de uma maneira infantil.

Há sangue em toda parte, e pra ser sincero, isso me assustou muito. Estou me sentindo horrível enquanto escrevo isso, e eu realmente preciso descansar depois de tudo que vi. Você já tem o link, então se tiver coragem, faça o que quiser, mas que isso fique avisado.

Alguém fez upload do vídeo no Youtube, caso você não queira fazer o download:


ATUALIZADO: Acabei de testar o link do vídeo no Youtube novamente... Ele fora tirado do ar por conter "Conteúdo chocante e repugnante".

Normal Porn for Normal People

Todo o mundo sabe que se você navegar pela internet tempo suficiente, eventualmente encontrará alguma porcaria doentia. E é mais provável de acontecer quando você navega pela “parte obscura” da internet. Eu vi poucas coisas assim, e não ligo de admitir, mas uma coisa que eu sempre me lembrarei é de um site chamado “normalpornfornormalpeople.com”.

A primeira coisa estranha sobre esse site é que eu não consegui achá-lo por meio de sites de busca. Ele fora enviado para mim por alguém que eu não conhecia. No Email, estava escrito o seguinte:

“Fala aí cara
Achei esse site muito bom e achei que você iria gostar
normalpornfornormalpeople.com
passe adiante, pelo bem da humanidade”

Belo contexto para começar um email de corrente, porém o link no final realmente atiçou minha curiosidade. Eu estava tento um dia tedioso quando recebi o email, então certifiquei se meu anti vírus estava ligado, e cliquei.

Era um site muito genérico. Dava a impressão de que o criador não havia dado a MINIMA importância em fazê-lo parecer profissional. O autor parecia não dominar o inglês, e na pagina principal havia um longo e entediante texto que eu não me lembro muito bem como era.

O site tinha um slogan estranho (até hoje ninguém parece ter descoberto o significado dele), que era (traduzido):

“Pornografia Normal para Pessoas Normais, Um Site Dedicado a Erradicação da Sexualidade Anormal”.

Quando vi aquilo, não tinha mais certeza se estava prestes a assistir pornografia ou se estava em uma espécie de programa nazista. Mas eu estava lá naquele momento, e estava muito curioso pra saber com o que as “Pessoas Normais” se excitam também. Então desci a página, pulando todo o texto e... nada. A página parecia não ter links pra site nenhum. Estava prestes a fechar o site quando notei que cada palavra no site possuía um link.

Então cliquei em uma delas, e fui direcionado pra uma pagina em branco que continha uma longa lista de links na forma de:

“normalpornfornormalpeople.com/(letras aleatórias)”

Então parei por um minuto e perguntei a mim mesmo se realmente deveria gastar meu tempo clicando em vários links que possivelmente fariam com que meu computador fosse estuprado por um monte de vírus. Pensei em dar uma olhada no site somente durante uns 5 minutos, apenas pra ver se algo aparecia, então quando cliquei nos dois primeiros links, fui enviado pra outra página. Essa pagina parecia ter links diferentes da antiga.

Eu estava quase mandando tudo se foder, quando cliquei no terceiro link e um vídeo começou a baixar. O nome era “peanut.avi”. Ele tinha 30 minutos, era o vídeo de um homem, uma mulher e um cachorro numa cozinha. A mulher fazia um sanduíche de manteiga de amendoim, e o homem o jogava no chão para o cachorro comer. Essa cena se repetiu pelos 29 minutos seguintes. Era óbvio que o câmera tivera de parar de filmar e esperar até o cachorro ficar apto pra comer de novo, e o cachorro ia parecendo cada vez mais cansado no decorrer do vídeo.

Eu sei o que você está pensando: “Que merda isso tem a ver com pornografia?”. Eu nem acredito que eu vi cerca de doze vídeos desse site, e a maioria não continha conteúdo sexual.

Depois de assistir o “peanut. avi”, fui pra um fórum em que assistia a um vídeo online e comentava sobre ele, como eu sempre fazia quando me deparava com merdas estranhas. Mas alguém já havia criado um tópico sobre isso, algum outro cara que recebera o mesmo email que eu. O mural estava cheio de pessoas que não tinham mais nada de útil pra fazer, e então eu fiquei revirando o site, e foi assim que encontrei os outros vídeos.

Mais de uma dúzia de vídeos contendo coisas rotineiras, pessoas falando com o câmera numa sala vazia, exceto por uma mesinha e poucas cadeiras. Quero dizer literalmente nada, nada na parede, nenhum enfeite ou móvel. A sala inteira passava uma sensação de frio, de vazio, dava pra sentir.

As conversas eram papos furados, sobre trabalho, momentos constrangedores na infância, etc. Esperei por algum tipo de discussão sobre o que as pessoas queriam filmando tudo aquilo, ou sobre o que o site dizia, mas é claro, não recebi nada. Ninguém nunca saberia que esses vídeos tinham algo a ver com pornografia, se tivesse os visto fora do contexto... Apenas um detalhe, todas pessoas que apareciam nesses vídeos eram bem atraentes.

No entanto, os outros vídeos que continham algo que poderia ser chamado de “sexual”, era onde as coisas ficavam estranhas.

Darei breves descrições dos vídeos, e se você realmente estiver realmente curioso, pode tentar procurá-los.

lickedclean.avi

Um vídeo de 10 minutos filmado por uma câmera escondida, onde vemos um mecânico trabalhando numa maquina de limpar carros nos primeiros dois minutos. Quando ela estava consertada, o mecânico falou brevemente com o proprietário da maquina e saiu. O dono da maquina checou se o homem realmente tinha saído, e em seguida começa a lamber toda a superfície da maquina. Isso acontece por cerca de 7 minutos.

jimbo.avi

Um vídeo de 5 minutos de um mímico gordo fazendo uma performance. Era engraçadinho, principalmente numa parte onde ele fingia se sentar numa cadeira, e depois finge que a cadeira quebrara com seu peso. Nos últimos trinta segundos de vídeo, o câmera cortou pra estática brevemente, e cortou de volta para o homem gemendo, ainda vestindo a roupa de mímico e maquiagem. Algum tipo de fetixe obscuro?

dianna.avi

Um vídeo de 4 minutos onde o câmera conversa com uma mulher em uma sala diferente da “sala vazia de entrevista”. Essa sala parecia com um verdadeiro comodo de uma casa. Como de costume, nunca especificam onde estão. Dianna só falava sobre tocar violino. Ela obviamente tocava seu violino, mas freqüentemente se distraia com alguma coisa.

Eu não percebi até postarem no fórum, mas no espelho do fundo, você pode ver um homem gordo com uma mascara de galinha se masturbando.

jessica.avi

Outro vídeo de 4 minutos. Dessa vez, o câmera está fora de uma casa, conversando com uma jovem. Eles conversam sobre canoagem. O câmera dá zoom na cidade atrás deles ocasionalmente.

A coisa estranha é que ninguém até agora conseguiu identificar onde essa rua ficava. O fórum era internacional, haviam pessoas da Europa à Austrália, até das Filipinas, mas ninguém fazia idéia de onde essa rua ficava.

tounguetied.avi

Um vídeo de 10 minutos. Os 5 primeiros mostram uma senhora bem velha, vestindo um manequim. O vídeo corta como em “jimbo.avi” bem na metade, e a cena agora é de um grupo de manequins em fila, formando um circulo em volta do câmera. As luzes estavam mais fracas, e não havia sinal da velha senhora. Nesse ponto, não havia mais som.

stumps.avi

Um vídeo de 5 minutos, onde um homem sem pernas está tentando dançar break em um tapete de dança (daqueles jogos de vídeo game). O local se parece com o do vídeo “peanut.avi”, porém muito mais sujo. Tem um rádio escondido tocando uma música no fundo, mas ele para aos 4 minutos de vídeo, quando o homem cai em exaustão no tapete.

Ele respira ofegante, e implora para uma pessoa fora do vídeo para que deixe ele descansar. Essa pessoa se enfurece e grita para que ele continue dançando, e ele o faz. Você escuta a pessoa de fora do vídeo começando a gritar de novo, e o vídeo acaba abruptamente.

privacy.avi

A mulher de “dianna.avi” está se masturbando num colchão na “sala de entrevista”, enquanto o homem de “stumps.avi” anda apoiado em suas mãos em volta dela, vestindo uma espécie de mascara de duende.

A porta desta sala estava sempre fechada nos outros vídeos, mas agora está aberta. A única luz desse vídeo é dessa sala, e o corredor está escuro. Perto do fim do vídeo, você pode ver um animal correndo pela porta de entrada.

E finalmente, o ultimo vídeo que descobrimos:

useless.avi

Neste ultimo vídeo, desta vez de 18 minutos, uma mulher loira de um vídeo anterior está deitada em um colchão na sala de entrevista. Ela tenta gritar, mas sua boca está presa com uma fita adesiva. Depois de 7 minutos, um homem de preto com uma máscara abre a porta, mas não entra.

Ele segura a porta para o animal que estava correndo no vídeo anterior. Aqui, é revelado que o animal era um chimpanzé adulto, com todo seu pelo arrancado, e o corpo inteiro pintado de vermelho. Parecia estar faminto e machucado, com feridas profundas em seus ombros e costas.

Quando o chimpanzé entra na sala, o homem mascarado fecha a porta atrás dele. O chimpanzé cheira o ar (parecia estar cego), e percebe a mulher deitada no colchão. Ele entra em desespero e começa a espancá-la. O ato acontece por 7 agonizantes minutos, até que a mulher finalmente morre. O chimpanzé come a carne de seu cadáver nos 4 minutos seguintes, então o vídeo acaba.

O fórum explodiu de usuários depois que esse vídeo foi descoberto, e as pessoas discutiram isso toda a madrugada. Quando voltei ao mural no outro dia, percebi que todos os tópicos haviam sido deletados. Tentei abrir um novo, mas acabei sendo banido. Tentei mandar um e-mail pra quem me mandou a corrente com o link do site. Cinco mensagens, nenhuma resposta.

Tentei discutir sobre esse site em vários lugares, mas era banido freqüentemente O Site fechou três dias depois do ultimo vídeo ser descoberto; acredito que alguém tenha contatado as autoridades sobre isso.

A única prova de que esse site existiu foram algumas fotos tiradas de imagens dos vídeos que o pessoal salvou e colocou na internet via torrents. O mais popular, “useless.avi”, ainda pode ser encontrado em pouquíssimos sites de “violência repugnante” por aí.

Sempre que você tentar colocar algum desses videos do “normalpornfornormalpeolpe.com” nos sites de hospedagem, ele será deletado rapidamente, sem explicação.

04/07/2012

The Lion King (PC)



Existem diversas Creepypastas sobre videogames assombrados e coisas desse tipo por ai... Freqüentemente as lia, e sempre julgava tudo como histórias falsas e estúpidas, apesar de serem muito divertidas. Eu nunca esperava que algo semelhante acontecesse comigo. Parece que as piores coisas sempre tendem a acontecer com os mais desavisados, não é?

Bem, eu estava em um momento de decepção na minha vida. Eu havia ficado muito doente e fui forçado a abandonar a faculdade. Eu odiava ter meus sonhos colocados em espera, e estava sofrendo de um caso leve de depressão por causa disso. Mas ainda havia um conforto que só acontecera por estar de volta em minha casa, que me tranqüilizara um pouco. Mas ainda havia o tédio que eu tinha que lidar. Sem emprego, sem faculdade, e eu odeio dizer isso, mas, meus amigos, a maioria ainda na faculdade, fizeram com que cada dia se arrastasse lentamente. Os dias que passava vendo TV e filmes antigos na sala de estar me deram inspiração para encontrar uma maneira de aliviar meu tédio crescente. Minha biblioteca de VHS e DVD’s tinham diminuído para apenas meus filmes antigos desgastados da Disney, então decidi assistir a um dos meus filmes favoritos de todos os tempos: O Rei Leão. Os pequenos e coloridos filhotes de leão me fizeram lembrar de uma parte quase esquecida de meu passado: O velho jogo do Rei Leão para PC, The Lion King. Eu costumava jogar sempre quando criança. Minha mãe e eu passávamos horas tentando vencer aquele antigo jogo.

A cachoeira de memórias me levou para meu quarto antigo, onde o velho computador ainda se encontrava na mesa em um canto. Eu estava tão orgulhoso quando comprei aquele computador, que quando tinha 11 anos, economizei o suficiente de minha mesada para comprá-lo eu mesmo. Foi emocionante ver a tela de início e ouvir o som antigo de inicialização do Windows XP. O enorme e velho Compaq Presario ligou novamente, e então eu cliquei no botão Iniciar para procurar pelos meus jogos antigos. Infelizmente, a pasta do jogo estava vazia. Decepcionado, perguntei para minha mãe o que havia acontecido com todos os nossos jogos. Ela parecia um pouco triste, provavelmente vendo a insatisfação em meus olhos. Ela me disse que desde que eu havia comprado um novo notebook, mais ou menos um mês atrás, meu pai estava pensando em vender o computador antigo. Ele tinha removido todos os jogos e alguns documentos antigos. Ela então sugeriu que eu perguntasse ao meu pai se ele havia guardado algum deles.

Mais tarde naquela noite meu pai voltou de seu emprego na fábrica, cansado e desgastado. Ele capotou no sofá e fez o que sempre fazia para relaxar: pesquisar coisas em seu laptop. Então eu me aproximei e perguntei o que havia acontecido com minhas memórias da infância. Ele lamentou ao dizer que achava que eu não me preocuparia mais com tudo aquilo, e que havia excluído. Eu estava claramente triste com isso, e tinha ficado ainda mais ansioso para jogar meu jogo favorito de infância. Odiando ver sua filhinha (filhinha de 19 anos) chateada, ele disse que iria entrar na internet e tentar fazer o download do máximo de jogos que conseguisse encontrar, por meio de sites de freeware e etc.

Felizmente, meu pai conseguiu encontrar e baixar de o jogo The Lion King, por coincidência meu favorito. Primeiro de tudo, este jogo não é como os jogos mais modernos da Disney. Ele não é um centro de atividades infantis ou um jogo de história infantil. Era de história, sim, mas era um jogo de ação. A essência era que você começava jogando como o Simba Jovem, enquanto derrotava vilões e animais mais inocentes e fáceis, como camaleões, porcos-espinhos, sapos, aranhas, abutres e os vilões mais difíceis: hienas. Simba podia derrotar esses adversários simplesmente pulando em cima deles (exceto pelos porcos-espinhos. Você tinha que rosnar para fazê-los virar de ponta cabeça, e depois pular em cima deles). Já o Simba Adulto era estranhamente mais violento. Ele podia arranhar, cortar, avançar, e virar seus inimigos, alguns deles até mesmo mostrando pequenas quantidades de sangue pixelados que voam deles a cada batida. Nada sangrento, e você nunca via os ferimentos dos inimigos, mas quando eu tinha quatro anos, aquilo parecia ser uma grande carnificina.

Na manhã seguinte, eu estava contente em ter a casa toda só pra mim, para poder jogar aquele clássico novamente. Meu pai estava no trabalho e minha mãe havia viajado para Lexington, Kentucky para ajudar minha avó de quase 80 anos de idade. Era em momentos como este que eu agradecia por não ter irmãos. Peguei um pacote de de M&M’s e um pouco de chá doce, e voltei para meu quarto. Meu pai tinha transferido o jogo para o computador antigo na noite anterior, mas não tinha testado para ver se funcionava ou não. Rezei para que funcionasse, e cliquei no aplicativo. Para minha alegria, ele funcionou, e eu assisti a pequena introdução do game; uma imagem da Pedra do Rei com Rafiki erguendo o bebê Simba. Apertei Enter para iniciar o jogo. A tela escureceu, e Timão apareceu dizendo as velhas palavras que sempre diz no começo do jogo: “It starts”.

Consegui passar pelas fases coloridas do jogo com facilidade. Lembrava de todos os truques, bônus e itens secretos. Tudo correu bem, e eu estava me divertindo bastante, assim como costumava ser quando era criança. Depois de um bom tempo, cheguei no último nível: A batalha final entre Simba e Scar na Pedra do Rei. Cheguei até a metade da fase, lutando contra Scar duas das três vezes e matando hiena após hiena. Eu estava tendo um jogo quase perfeito, até que cometi um erro. Eu julguei mal um salto e errei a plataforma que estava tentando acertar, o que resultou em Simba caindo no meio da escuridão do abismo. Não era a primeira vez que eu havia morrido, mas por alguma razão, foi a partir daí que as coisas começaram a dar errado. Ao invés da tela simplesmente desvanecer para preto e me mandar de volta ao começo da fase, como normalmente faria, a tela começou a piscar em cores aleatórias, principalmente em vermelho, preto e roxo, e um barulho que não estava no jogo. Eu deveria saber, pois joguei-o centenas de vezes, e memorizei cada parte. O barulho era do filme. Era da famosa cena da Debandada de Gnus, onde Mufasa caia para sua morte, e onde Simba grita "NÃO!". Então de repente, houve um som tão alto e irreconhecível que eu pulei de susto e desliguei minhas caixas de som.

Pensei que aquilo poderia ser somente uma versão modificada do jogo, que alguém pensara que iria tornar o jogo melhor adicionando clipes de som direto do filme, daí liguei novamente minhas caixas de som. Mas, então, ao invés de retornar à fase onde eu estava, o jogo reiniciou por completo. Isso me irritou bastante, já que eu havia chegado tão longe, e que em nenhuma das outras vezes que eu havia morrido acontecera isso. Mas então, a tela de início mudou. Ao invés da alegre tela de introdução que eu me lembrava da minha infância (ou de algumas horas atrás, nesse caso), aparecera uma tela escura, embaçada e estranhamente colorida; vermelho, preto e azul. Aquilo quase se parecia com uma foto noturna da tela original. Mas eu imaginei que era apenas uma pequena falha no jogo, e com isso, apertei Start de qualquer maneira. Ao invés do Timão dizendo suas palavras de sempre, havia um enorme texto, escrito em vermelho e piscando em frente ao fundo negro. Quando parei pra ler, reconheci a frase na mesma hora: “As fronteiras que separam a vida da morte são as melhores no sombrio e vago. Quem dirá onde o termina, e onde começa o outro?". Era uma citação de meu autor favorito, Edgar Allan Poe. Eu estava um pouco feliz em ver uma de minhas frases favoritas no jogo, mas não tinha como não me sentir um pouco insegura também. Por que aquilo estava em um jogo da Disney? E eu tinha certeza absoluta de que aquilo não pertencia ali. Mas de qualquer maneira, continuei jogando.

A primeira fase estava toda errada. Primeiro de tudo, eu não tinha nenhuma vida, quando deveria ter oito. Segundo, o céu estava escuro. O primeiro nível era geralmente alegre e ensolarada. Mas o pior de tudo, era o Jovem Simba... Ele estava deitado em uma posição que não era normal, meio corcunda e cabisbaixo. Ele também parecia estar tremendo. Isto definitivamente não era normal! Eu tentei movê-lo com as teclas de seta, e ele foi lentamente estendendo as patas e se arrastando pelo chão, deixando um rastro vermelho atrás dele, como uma lesma deixando um rastro de gosma. A progressão foi lenta, mas o clima de outono nítido do lado de fora havia me deixado muito animada para o Dia das Bruxas, então decidi continuar jogando esta nova versão macabra de meu jogo favorito. Quando eu precisava para pular para uma plataforma superior, o filhote de leão saltava quase normalmente, exceto que a cada vez que ele encostava-se ao solo, ele fazia o mesmo som que normalmente faz quando é atingido por um inimigo, como se o salto estivesse machucando-o ainda mais. No final do nível, a hiena também estava um pouco diferente. Seus olhos brilhavam em vermelho, e parecia que ele havia sido arranhado varias vezes, pelas marcas em sua pele. Eu o derrotei com apenas dois saltos, e ele desabou no chão da maneira normal, para minha surpresa. Enquanto a tela mudava para preto, eu imaginava e me perguntava o que me aguardava nas próximas fases.

A segunda fase, “Can’t Wait To Be King", também estava diferente. Tanto o céu como a água estavam com tonalidades bem fortes de vermelho, além de a fase no geral estar muito menos colorida do que o normal. Não havia musica desta vez, somente os choros desagradáveis de Simba sempre que pulava. Ele ainda estava da mesma maneira da primeira fase, encolhido e se arrastando lentamente pelo nível. Me arrastei um pouco, até chegar no rinoceronte. Pulei na cabeça dele, e o rinoceronte me impulsionou em direção as arvores, direto para os braços dos macacos. Esta é a parte onde Simba normalmente salta na cabeça das girafas, para chegar ao outro lado do rio. Mas havia um problema... As girafas haviam sido decapitadas. Havia somente um osso saindo de seu pescoço, tudo incrivelmente e detalhadamente repugnante. Eu pensei: "Caramba, quem modificou este jogo deve ter um lado mais macabro do que o meu!". Mas eu me perguntava como o Jovem Simba conseguiria atravessar o rio vermelho sem a ajuda das girafas. Mas, para minha surpresa, eu consegui saltar de girafa em girafa, como se suas cabeças ainda estivessem lá. Só que pareciam estar mais escorregadias do que o normal, por alguma razão, e com isso, precisei pular cada vez mais rápido para não cair na água. Mais tarde, na parte onde você monta do avestruz, ele também havia sido decapitado, e suas pernas estavam muito mais magras do que o normal, e ele também corria de uma forma um pouco estranha, como se estivesse tropeçando a cada passo. O resto da fase era basicamente a mesma coisa, com o quebra-cabeça dos macacos e tudo mais. Simba foi se rastejando através de toda essa loucura, até finalmente terminar a fase. O barulho extremamente alto de antes voltou, e algo completamente inesperado apareceu na tela: O rosto de Mufasa. Tirando os olhos totalmente negros, ele parecia normal. Então, de repente, ele abriu a boca e disse com uma voz fria: "Scar é inocente, eu sou o culpado".

O que isso queria dizer?! Será que este jogo macabro estava tentando me dizer que Mufasa havia se soltado do penhasco de propósito ou algo assim? Não sei por quê, mas eu estava perturbada com esse pensamento. "Não seja idiota", pensei, "Não deixe que um jogo estúpido te deixe perturbada e chateada com leões de desenhos animados!". Apesar do nervosismo que eu estava experimentando, continuei a jogar e fui para a fase do Cemitério de Elefantes. Nesta fase, Simba estava surpreendentemente normal novamente! Graças a Deus! Levantando-se da maneira como deveria. Hmmm... Talvez o hacker havia se cansado e decidiu deixar este nível sem modificações. Infelizmente, meus pensamentos estavam errados. O cemitério de elefantes estava estranhamente desprovido de vida. Nenhuma hiena veio me atacar, como deveriam. Eu só pensei nisso como uma maneira fácil de sair de lá, e comecei a correr. Enquanto corria, aquele mesmo barulho alto e irreconhecível saiu novamente saiu de minhas caixas de som, desta vez ainda mais alto, tanto que as caixas chegaram a tremer com a intensidade do “grito”. Isso me assustou muito, e então eu imediatamente abaixei o volume, mas não cheguei a desligá-lo, porque estava com medo de perder algo interessante De qualquer forma, reparei que tinha uma coisa nova para me preocupar: O chão estava desmoronando lentamente sob os pés de Simba. Eu tinha que continuar correndo através do cemitério desolado para não cair na escuridão desconhecida abaixo de mim. Quando cheguei na área onde normalmente lutava com o ultimo grupo de hienas, o jogo ficou em câmera lenta, e uma voz fria, a mesma voz de Mufasa que eu tinha ouvido antes, disse a seguinte frase: "A morte é cruel para os justos e os injustos." Ele repetiu isso até eu chegar ao final da fase, onde Scar me observava de uma pedra mais alta.

Depois disso, sai de meu quarto e fui pegar uma garrafa de refrigerante para beber. As coisas estavam começando a ficar intensas de verdade, e eu estava em choque com toda a situação. Eu estava sozinha em casa, à noite, jogando uma versão macabra e doentia de meu jogo de infância favorito e não fazia idéia donde aquilo iria chegar. Mas por alguma razão, eu queria continuar, queria ver com meus próprios olhos o quão longe o hacker havia chegado com tudo aquilo. Pensei: “É apenas um jogo hackeado, certo? Não há nada demais nisso”. Então, juntando minhas energias, voltei para meu quarto. A tela ainda estava preta. Por um momento achei que o jogo tinha travado, mas para minha surpresa, quando sentei na cadeira, o jogo prosseguiu com a próxima fase! Foi como se o jogo tivesse parado por conta própria, como se soubesse que eu havia saído da sala. Talvez eu tivesse apertado a tecla Enter ao sair, sem perceber, mas não tinha certeza.  De qualquer maneira, decidi continuar de vez, e então fui para a quarta fase do jogo, “Stampede”, e me preparei para ver o que me aguardava.

Mas, para minha surpresa, tudo estava normal neste nível! O céu estava azul, e o desfiladeiro rochoso estava bronze luminoso, assim como eu me lembrava. Metade de mim ficou agradecida, e a outra metade, a metade mais obscura que eu escondia da maioria das pessoas, estava entediada. Foi só no final da fase que as coisas alteraram. Depois que Simba escapou dos gnus, a tela cortou abruptamente para preto e, em seguida, começou a passar uma cena do filme... Bem, mais ou menos. Foi a cena em que Mufasa escalava as pedras para poder salvar Simba da debandada. Mas, então, algo diferente aconteceu. Foi mostrada uma cena onde Simba observa seu pai, lutando para chegar até o topo da montanha rochosa. Essa cena não estava no filme, só que a animação, em termos de qualidade, era quase tão boa quanto a do filme real. Simba estava chorando, como se soubesse que seu pai não conseguiria. Ele então parou de repente, e virou o rosto em direção à tela. Seus olhos estavam vazios, sem emoção, enquanto olhavam para mim. Então ele se levantou, e caminhou para frente. O ângulo da câmera mudou para mostrar um ponto de vista acima dele, e daí conseguimos ver para onde ele estava caminhando: A borda da montanha. O penhasco. O que era isso?! Eu só consegui assistir com horror, enquanto ele caia do penhasco, direto para a debandada abaixo.

Em seguida, a tela cortou para o rosto de Mufasa, ainda agarrado na beirada do precipício. Ele viu tudo. Ele viu Simba cair para sua morte. Seus olhos se encheram de lágrimas e ele olhou para seu irmão, Scar, sorrindo para ele. "O que você vai fazer, irmão?", Scar perguntou ameaçadoramente. Seus olhos brilhando em um vermelho estranho e suas unhas pra fora, "O que você tem para viver?"

"Nada", respondeu Mufasa, e em seguida, virou seu rosto para a tela: "Ninguém tem." Então ele se soltou da beirada e caiu no precipício. Em seguida, a tela mostra Scar, rindo histericamente, seu rosto lentamente se transformando em um crânio hediondo em forma espectral, parecendo uma espécie de fantasma de leão, enquanto a tela desvanecera para preto em volta do crânio. Então, ele sussurra: "Isso conta pra você também". Em seguida, ele riu e desapareceu.

Nesse momento, eu fiquei totalmente aterrorizada. Parecia que estava vivendo um pesadelo! Que mente doentia pensaria em algo daquele tipo?! Me virei por um momento para tomar um fôlego, e quando olhei de volta para a tela, notei que o “fantasma” havia sumido. Ao invés disso, o jogo havia avançado para a próxima fase, “Simba’s Exile”. Tudo parecia muito normal, até mesmo a musica do jogo original estava tocando. Mais uma vez, a curiosidade levou a melhor de mim, e eu tirei aquele clipe do filme de minha cabeça por um momento para conseguir focar no jogo. Então eu continuei. Eu fui estúpida, eu sei disso agora, mas era dificil eu ficar assustada facilmente com coisas desse tipo. Eu era do tipo que procurava por coisas assustadoras por prazer. Amava tudo isso. Então, eu continuei jogando o jogo com uma atitude cautelosa, mas ainda assim curiosa. Eu apenas esperava para algo estranho acontecer. Não esperava por isso como antes, mas era como assistir a um vídeo de pegadinha na internet, e esperar pelo susto no final. A fase era perfeitamente normal. "Quem modificou este jogo definitivamente tinha um senso de humor", pensei cautelosamente, “colocando você em uma falsa sensação de segurança, e em seguida, assustando-o de uma forma totalmente inesperada."

Eu sabia que estava chegando, mas eu ainda pulei de susto quando isso aconteceu. A fase terminou normalmente, com as hienas observando Simba fugir por entre os espinhos, e gritando: "Se você voltar, te matamos!". Mas então finalmente aconteceu. Algo estranho. A fase “Hakuna Matata” começou, mas Simba não conseguia se mover. Era como se o jogo tivesse travado, exceto que ele ainda estava se mexendo... Não andando pelo paraíso, mas balançando a cabeça, cada vez mais rápido, como se estivesse tentando tirar os pensamentos ruins de sua cabeça. Então, de repente, ele olhou pra frente e desmaiou, sem explicação. Simplesmente caiu na grama, como ele normalmente faz quando você morre no jogo original. Em seguida, a imagem se distorceu e desvaneceu para preto, e abruptamente avançou diretamente para a próxima fase, ignorando completamente “Hakuna Matata”. Parecia apropriado que um jogo tão macabro como este pulasse a fase mais feliz e animada do jogo inteiro.

Então agora Simba havia virado um adulto. Este era o nível representando sua viagem à noite para ver Rafiki, e o fantasma de seu pai nas nuvens. Quando adulto, ele obtivera seus novos poderes de arranhar e cortar. Lembra que mencionei antes sobre a breve violência que normalmente tinha nas fases do Simba Adulto? Bem, isso era muito, muito pior. Quando Simba atacou e matou um leopardo, o leopardo fora literalmente rasgado em pedaços, e seu corpo fora deixado assim, jogado em pedaços empilhados uns em cima dos outros. Cada vez que ele matava algum animal, era sempre desta mesma maneira, impiedosamente violento. Eu deveria saber que algo assim iria acontecer. Então, depois de alguns encontros com Rafiki e ao chegar ao final da fase, onde Simba fica na beira do rio e Mufasa aparece no céu, Simba começou a tremer desesperadamente. Não aleatoriamente, mas em um padrão. O rosto de Mufasa aparece no céu, e em seguida ele se abaixa e abre sua boca, e Simba anda em direção a ela, eventualmente entrando e desaparecendo. Rafiki, em seguida, aparece do meio das folhas, olha para a tela e sussurra: "O Ciclo da Vida é uma mentira. Todos morrem, todos deixam de existir. Sua hora está próxima". Isso arrepiou os pelos de minha nuca. Não sabia mais o que fazer, então só fiquei olhando para a tela, esperando aquele pesadelo terminar. Por alguma razão, o jogo pulou dois níveis inteiros, e eu fui direto pra ultima fase: “Pride Rock”. Já esperando para algo estranho acontecer, segui em frente, e ao invés de lutar com Scar pela primeira vez, ele apenas seguiu correndo por uma fase vazia; não havia hienas, nem fogo, nem Scar, nada. Foi assim durante toda a fase, até ele chegar ao topo da Pedra do Rei, na parte onde Simba e Scar supostamente teriam sua batalha final. Mesmo esperando por algo estranho, fiquei extremamente chocada ao ver o que me esperava no topo... Mufasa?! Ele nem tinha um modelo de personagem no jogo! Parecia com uma versão modificada do modelo de Simba, mas mesmo assim, que diabos eu estava assistindo?!

Pensei por um segundo se deveria lutar com ele. Afinal, ele era o pai de Simba. Mas enquanto pensava, Mufasa pulou pra cima de Simba e começou a mordê-lo e espancá-lo, violentamente, deixando o corpo de Simba completamente ferrado, arranhado e um pouco ensangüentado.  Movi Simba em direção ao seu pai, e ele mancava lentamente, parecido com o Simba nas primeiras fases. A batalha foi extremamente intensa; Mufasa e Simba arrebentando pedaço por pedaço um do outro. Após cerca de dez minutos de luta, eu perdi o controle dos dois. Nada do que eu fazia afetava a luta. Eles estavam lutando por conta própria agora. Depois de alguns segundos, Simba pulou em direção ao seu pai, fazendo com que os dois caíssem para fora do penhasco da Pedra do Rei, e direto para sua morte. Então a tela piscou várias vezes, o grito voltou mais uma vez, e a tela mudou para mostrar uma imagem dos corpos mutilados de Mufasa e Simba, deitados um em cima do outro sobre uma pilha de rochas, mortos. Em seguida, a tela mudou novamente, desta vez para mostrar novamente a caveira do Scar. Sua voz ameaçadora volta: "O mal vive nas profundezas de todas as almas boas. Você não pode escapar dele. Você não pode lutar contra ele. Desista, antes que ele acabe de vez com você". De repente, sem explicação, a tela e o computador desligam. Por mais que eu tentasse, não conseguia ligar o computador novamente, e até hoje, ele simplesmente não funciona. Depois desses acontecimentos, toda noite, eu vejo essas imagens. Eu ouço essas palavras. "Desista, antes que ele acabe de vez com você".

Às vezes, no meio da noite, eu olho para o computador e vejo aquela caveira na tela. Sinto como se houvesse algo em minha casa. Ele está aqui. Minha mãe e meu pai não conseguem senti-lo. Suas inocências não foram tiradas deles da maneira que a minha fora. É por isso que estou escrevendo este texto. Meus sonhos viraram pesadelos. Minhas memórias doces se transformaram em traumatizantes. Não tenho mais nada para mim, então acho que seguirei o conselho de Scar. Estas são minhas últimas palavras, e me sinto obrigado a perguntar: "O que você vai fazer? O que você tem para viver?”

02/07/2012

Creepypasta dos Fãs - Uma menina pervesa


Esta tarde empurrei a Arturo na fonte. Caiu nela e gorgolejou, gritou e foi ouvido. Papai e mamãe chegaram correndo. Mamãe chorava porque pensou que Arturo tinha se afogado. Mas não era assim. O médico veio. Arturo está agora muito bem. Pediu bolo de marmelada e mamãe lhe deu. Entretanto, eram sete horas, quase hora de dormir, quando pediu bolo, e apesar disso mamãe lhe deu. Arturo estava muito feliz e orgulhoso. Todo mundo lhe fazia perguntas. Mamãe perguntou como tinha caído, se tinha escorregado, e Arturo disse que sim, que tropeçou. É gentil que tenha dito isso, mas eu sigo detestando-o e voltarei a tentar algo na primeira ocasião.


Além disso, se não disse que eu o empurrei, talvez seja simplesmente porque sabe muito bem que mamãe odeia acusações. Outro dia, quando o enforquei com a corda de pular e ele foi contar a mamãe dizendo: “Elena fez isto”, mamãe lhe deu um tapa terrível e disse: “Não volte a fazer uma coisa assim!” E quando chegou papai ela o contou e papai também ficou furioso. Arturo ficou sem sobremesa. Por isso compreendeu, e esta vez, como não disse nada, lhe deram bolo de marmelada. Adoro bolo de marmelada: pedi para mamãe também, três vezes, mas ela não pareceu me ouvir. Suspeitará que foi eu quem empurrou a Arturo?



Antes, eu era boa com Arturo, porque mamãe e papai me agradavam tanto como a ele. Quando ele tinha um carrinho novo, eu tinha uma boneca, e não lhe teriam dado bolo sem dar para mim também. Mas desde faz um mês, papai e mamãe mudaram completamente comigo. Tudo é para Arturo. A cada momento lhe trazem presentes. Com isso não melhora seu caráter. Sempre foi um pouco metido, mas agora é detestável. Sem parar está pedindo isto e aquilo. E mamãe cede quase sempre. Para dizer a verdade, creio que em todo este mês só foi castigado no dia da corda de pular, e o estranho é que nesta vez não era culpa sua.


Pergunto-me por que papai e mamãe, que me amavam tanto, deixaram de repente de interessar-se em mim. Parece que já não sou sua menininha. Quando beijo a mamãe, ela não sorri. Papai tampouco. Quando vão passear, vou com eles, mas continuam desinteressando-se de mim. Posso brincar perto da fonte ou o que for. Dá na mesma. Só Arturo é gentil comigo de vez em quando, mas às vezes se nega a brincar comigo. Perguntei-lhe outro dia por que mamãe ficou assim comigo. Eu não queria tocar no assunto, mas não pude evitar. Ele me olhou de cima a baixo, com esse ar brincalhão que faz de propósito para me irritar, e me disse que era porque mamãe não quer ouvir falar em mim. Falei que não era verdade. Ele me disse que sim, que tinha ouvido mamãe dizer isso a papai e que disse: “Não quero ouvir falar nunca mais dela.” Isso foi no dia em que lhe enforquei com a corda. Depois disso, eu estava tão furiosa, a pesar do tapa que ele tinha recebido, que fui a seu quarto e lhe disse que o mataria.


Esta tarde me disse que mamãe, papai e ele iam à praia, e que eu não iria. Riu e me fez caretas. Então o empurrei na fonte.



Agora está dormindo e papai e mamãe também. Dentro de um momento irei a seu quarto e desta vez não terá tempo de gritar, tenho a corda de pular nas mãos. Ele a esqueceu no jardim e eu peguei.


Com isso, se verão obrigados a ir à praia sem ele.

E logo irei dormir sozinha, no fundo desse maldito jardim, nessa horrível caixa branca em que me obrigam a dormir desde faz um mês.



Traduzido/Enviado por: Letícia T. Antunes (Owata)

30/06/2012

O Porão




Na pequena cidade de Stull, Kansas, existia uma pequena e antiga capela, no topo de uma colina, rodeada por sepulturas. Ao lado da igreja estava um porão, muito difícil de ser encontrado, já que suas portas haviam sido cobertas por grama que crescera lá. Na frente da igreja, havia uma grande árvore que estava sempre sem folhas. Nenhum dos membros da cidade conseguiam se lembrar de ter visto alguma vez uma folha sequer em seus ramos.

Nos primeiros anos da cidade, bem antes da guerra civil, havia várias famílias de agricultores que viviam por lá. A filha do pastor havia se apaixonado loucamente por um jovem que morava perto de lá, mas teve seu coração partido quando descobrira que o jovem havia engravidado uma outra garota sua cidade. Os dois se casaram, e enquanto a filha do reverendo observavam-nos, juntos e felizes, seu ódio pelos dois só aumentava, até que após 9 meses de dolorosa resistência, seu desprezo transbordou. Pouco tempo depois da criança do casal nascer, a filha do reverendo foi em sua casa.

Eles a cumprimentaram alegremente, mas perceberam, tarde demais, que seus olhos estavam sedentos de sangue... Ela cortou as gargantas daqueles dois que haviam feito sua vida tão miserável, e em seguida, arrastou seus corpos, junto com o filho recém-nascido, até o morro da igreja. Ela colocou os corpos no porão e deixou o bebê ali, entre seus corpos, para morrer de fome. Ela trancou fortemente o porão e se enforcou na árvore em frente à igreja. Os corpos do porão não foram encontrados durante três semanas.

Daquele dia em diante, nunca mais cresceram folhas naquela árvore. Algumas pessoas dizem que se você andar no cemitério à noite, você pode ouvir levemente o som do choro arrepiante de um bebê. As pessoas da cidade incendiaram a árvore há muitos anos atrás, na esperança de colocar o espírito da filha do reverendo para descansar. E, mais recentemente, a igreja desabou sobre si mesmo, enterrando o porão já difícil de ser encontrado.

Muitos têm procurado pelas portas, mas os poucos que encontraram e aventuraram-se sob suas profundezas raramente voltavam, com a exceção de alguns que voltaram à luz do sol após cerca de três semanas lá embaixo – quase mortos de fome e cobertos por sangue que não pertenciam a eles.

Egoismo



Marcio era um executivo bem sucedido. Tinha uma grande casa, uma bela esposa e duas adoráveis crianças. Ele era diretor de uma grande empresa, que ficava a apenas dois quarteirões de sua casa. Isso o ajudava muito, pois não precisava de carro para chegar ao escritório. Bastava andar em linha reta até a porta da empresa.

Apesar de ser extremamente egoísta, Marcio se considerava religioso. Como havia uma igreja no caminho rotineiro de seu trabalho, ele costumava fazer um sinal da cruz quando passava pela igreja. Essa igreja sempre estava aberta. De manhã, com alguns fiéis na porta e pouca claridade e a noite, quando Marcio retornava para casa e conseguia ver o padre de costas rezando sua missa rotineira.

A vida desse executivo era regada a muito dinheiro. Sempre em festas sociais, eventos e desfiles glamourosos. Quanto mais dinheiro ele conseguisse melhor pois ele ficaria mais rico ainda. Até que um dia, o destino bateu em sua porta.

Antes de sair para o trabalho, um mendigo tocou a campainha de sua casa. Marcio pediu para a empregada ver o que ele queria. Ela disse que ele gostaria de falar com o Sr. Marcio.

- Mas como esse velho sabe o meu nome? - Indagou Marcio perplexo.

Chegando ao portão, Marcio encontrou um velho, careca e com barbas longas e grisalhas. Sujo e com roupas rasgadas. O velho quase se arrastava pelo chão, lhe suplicando:

- Por favor. Dê me um real. Deus lhe agradecerá em dobro.

- Fora daqui ! - Gritou Marcio - Que falta de respeito é esse com pessoas honestas e trabalhadoras? Saia já de frente da minha casa ou eu chamarei meus seguranças !

O velho saiu da frente de sua casa se arrastando. Parecia estar machucado ou com muita fome. Mas isso não comoveu Marcio, que com um beijo despediu-se de sua esposa e foi trabalhar.

Foi trabalhar pelo mesmo caminho. Passou pela igreja, fez um sinal da cruz e continuou sua caminhada. Nem sequer lembrara do pobre mendigo.

Depois de mais um longo dia de trabalho, Marcio volta para casa, pelo mesmo caminho de sempre. Passa pela igreja, vê o vulto do padre rezando a missa e entra em sua casa.

No dia seguinte, no mesmo horário, o mendigo aparece novamente na porta da casa de Márcio:

- Por favor. Dê me um real. Deus lhe agradecerá em dobro.

- Mendigo insolente, vou chamar a polícia

- Eu só preciso de um real para comprar comida. Por favor, Deus lhe agradecerá em dobro.

Enquanto Marcio discutia com o mendigo, sua esposa tinha ido buscar alguns pães para dar ao mendigo. Marcio, irritadíssimo com o velho e pela atitude de sua esposa, tomou-lhe o pão e o pisoteou. Depois carregou o saco para dentro de casa dando gargalhadas. Ao voltar para o portão, para ir trabalhar, o mendigo não estava mais lá.

E mais um dia se passou na vida de Marcio. E foi assim por uma semana. O mendigo tocava a campainha na mesma hora da manhã pedindo dinheiro, e Marcio a cada dia humilhava mais o pobre coitado. Mas, em um certo dia, o mendigo não apareceu. Marcio dava graças a Deus que aquele monte de lixo havia percebido que não conseguiria nada e fora embora. O grande executivo toma seu caminho para o trabalho calmamente, assobiando de felicidade.

Ao passar na porta da igreja, Marcio resolveu parar em frente e "agradecer".

- Obrigado Deus, por tirar aquele homem da minha casa.

E seguiu seu caminho para o trabalho.

O dia de Márcio segue tranqüilamente. Até o momento que ele passa pela igreja. Marcio vê um movimento estranho na porta do templo. O padre não está rezando a missa hoje. O que haveria acontecido? Marcio resolve entrar para ver o que acontecia e pergunta a uma das fiéis, que chorava desesperadamente:

- O que aconteceu?

- O padre Gabriel morreu - Responde a jovem emocionada

- Mas morreu como?

- Ele havia feito uma promessa a Deus. Queria mostrar que ainda havia pessoas boas nesse mundo e fez jejum por uma semana, para sobreviver com a caridade das pessoas. Morreu de anemia hoje de manhã.

- Que triste - exclama Márcio - Vou fazer uma homenagem visitando o corpo.

Mas, ao chegar ao lado do defunto, Márcio leva um choque, ao perceber que aquele velho deitado no caixão era a mesma pessoa que lhe pedira dinheiro por uma semana, para comprar comida. Marcio fica aterrorizado com a visão daquele pobre velho, agora limpo, de batina e de olhos fechados, sem dizer uma palavra.

Marcio fica tonto, sua visão começa a ficar distorcida e ele ouve incessantemente a frase que o Padre lhe falou durante uma semana:

- Por favor. Dê me um real. Deus lhe agradecerá em dobro.

- Por favor. Dê me um real. Deus lhe agradecerá em dobro.

- Por favor. Dê me um real. Deus lhe agradecerá em dobro.

Ele não sabe o que fazer, Márcio olha para os lados e vê todas as pessoas a sua volta. Todos olhando para ele, com a fisionomia do velho. Com a barba branca e careca e olhares que pareciam lhe perfurar o coração.

O executivo não sabe o que fazer, e num gesto de desespero sai correndo em direção à rua. Mas não percebe a chegada de um caminhão em alta velocidade que lhe acerta em cheio. Marcio cai no chão ensangüentado, cheio de fraturas no corpo, até que dê seu último suspiro.

Márcio acorda, em um lugar claro, cheio de luzes brancas e amarelas. Uma paz absoluta. Ele vê uma pessoa vindo em sua direção. Uma pessoa vestida de branco. As luzes atrapalham a visão e Marcio não consegue reconhecer quem é. Ao tocar na mão da pessoa, Marcio percebe as rugas, e ao olhar para cima vê o rosto do velho, com um semblante triste no rosto.

- Infelizmente, meu irmão, você não conseguiu salvar sua alma.

- Como assim? Indaga Márcio

- Deus havia lhe dado à chance de lhe salvar. Mandou-me interferir em sua vida para que deixasse de ser egoísta. Mas agora é muito tarde.

- Mas o que vai acontecer comigo?

Antes mesmo de Marcio terminar sua pergunta, dezenas de mãos negras, todas deformadas e queimadas surgem do solo. Todas elas puxando a perna de Marcio. Para não deixar ele escapar, as mãos em decomposição cravavam suas unhas na carne de Marcio. Ele estava sendo puxado para o inferno, onde seria torturado, queimado e ficaria apodrecendo pelo resto da eternidade. Marcio tenta as últimas palavras para que o velho lhe ajudasse, mas a resposta é a confirmação de sua sentença de morte eterna.

- Desculpe, senhor... mas eu não tenho um real....

Extraído do blog: www.apocalipse2000.com.br/

24/06/2012

Creepypasta dos Fãs - Crianças não devem brincar com coisas mortas


"Eu não queria que tivesse acabado assim, na verdade eu era a única que não queria nem que isso tudo começasse. Só estou escrevendo isso para que nunca mais ninguém caia nessa burrada, ou talvez eu só esteja escrevendo porque este é o único motivo que me mantém assim, viva.

Era só uma brincadeira, eu nunca gostei dessas coisas mas "Link" disse que ficaria tudo bem, claro, o nome dele na verdade não é realmente Link, mas é o nick que ele usa em todas as redes sociais então eu  sempre o chamara assim. Eu acabei aceitando fazer o que ele pediu, afinal de contas o que mais poderia acontecer?
Ele me passou um site, a princípio eu achei incrivelmente idiota o fato de um jogo como a tabua Ouija online, as pessoas precisam mesmo achar mais o que fazer.
Era como um jogo em rede, na minha tela via-se uma mesa com a tabua no centro e mais duas cadeiras com respectivas duas sombras sentadas nas mesmas, sorri ao ver "link" sobre a cabeça de uma das sombras, o relógio marcava 00:00, meu celular tocou e eu atendi em seguida, era link.

- Não é divertido Marry?
Eu ri baixinho da ideia dele de diversão.

- Espero que não seja mais uma de suas pegadinhas, meus pais estão dormindo. você sabe.
Link riu:
- Não é Marry eu juro, o usuário D64 pediu para entrar essa hora, já jogamos juntos de tarde.

Eu corri os olhos no meu monitor, olhei de relance para a sombra sentada ao lado esquerdo da tela "D64 é?" pensei comigo, o nick era muito estranho.

- Vamos jogar ou não?
Link perguntou impaciente, então eu apertei Start.
Movi meu cursor até o centro do ponteiro da tabua e este mexeu sozinho junto com meu mouse físico, eu suspirei de susto e link riu:

- É muito legal né?
Eu revirei os olhos, já devia saber, a caixa de dialogo pedia o microfone, eu coloquei os fones e puxei o microfone para perto da boca.

- Alguém ai?

Perguntei meio vacilante com o tom da minha voz, não queria acordar meus pais de jeito nenhum.

- Eu estou Marry.
Link disse visivelmente segurando o riso, se aquilo fosse algum tipo de brincadeira ele ia se arrepender amargamente.

- Todos presentes?
uma voz masculina pergunto, julgava ser de D64.

- Sim.

Link e eu respondemos, em seguida meu mouse tremeu uma vez mais. uma caixa de dialogo no jogo se abriu com algumas frases e a instrução de lê-las em voz alta
" Hoje abrimos a janela do mundo vivo, arrancamos o véu que separa céu e inferno, convidamos a vir conversar qualquer que seja, sente-se e apresente-se."
me senti meio estranha lendo aquilo, Link não conseguia segurar o riso, o mouse e o ponteiro se moveram para "hello"

- Quem está ai?
Link perguntou, o mouse se moveu formando a palavra Jess.

- Você é homem ou mulher jess?
Link novamente perguntou, o mouse mostrou "M" como resposta, depois disso segui-se uma série de perguntas idiotas intercaladas por Link e eu, D64 permanecia em um perturbador silencio.

- Está é a ultima pergunta Link, já são 3 da manhã.
Eu disse já entediada de tudo aquilo, finalmente D64 resolveu perguntar algo:

- como você morreu Jess?

o cursor moveu B.R.U.X.A

- Quando você morreu Jess?

o cursor mostrou 1.8.0.4

Eu estava ficando assustada, D64 não parava de fazer perguntas e eu realmente queria sair do jogo mas a pagina não respondia ao comando.

- Que fizeram com você Jess?

B.R.U.X.A

- Bruxa o que Jess?
Desta vez foi Link que perguntou
B.R.U.X.A.R.I.A

- Como fizeram Jess?
D64 perguntou sombriamente

L.E.V.A.R.A.M .M.E.U.S O.L.H.O.S E.M.B.O.R.A E O R.E.S.T.O O .R.E.S.T.O

- O que você quer Jess?
Link perguntou vacilante.

E.U N.A.O Q.U.E.R.O M.A.I.S F.I.C.A.R S.O.Z.I.N.H.A

- LINK!
Eu gritei mas a página havia fechado, eu peguei o celular que nem havíamos desligado

- Link responde!! está me assustando!
Eu chamei mas não houve resposta, só um silencio perturbador, olhei o visor do celular a ligação estava normal, tinha sinal e os segundos contavam.

- Link! isso não tem graça!eu juro que eu vou...
Ouvi um grito agonizante com a voz de Link, entrei em desespero.

- Link! pelo amor de Deus! pare com isso você está...

- Crianças...

- O que?
A voz do outro lado parecia a de Link mas havia a de mais alguém, elas soavam em uníssono.

- Crianças...

- Crianças o que?

- Crianças não devem brincar com coisas mortas.

o Celular fez um barulho estridente e insuportável, parecia um grito muito fino e parou de repente como se aquilo que gritava tivesse arrebentado as cordas vocais.

- Link?
eu sentia o choro na garganta, o celular desligou e eu o deixei cair no tapete do quarto, sem pensar eu abri o bloco de notas no meu computador e comecei a digitar isso, estou ouvindo os passos, ela esta vindo... parece com algo se arrastando, meu coração está saindo pela boca, ela está aqui, eu posso sentir está esperando eu terminar de digitar para finalmente acabar com tudo, eu não consigo parar de tremer, sinto muito, acho que isso é um adeus a todos. só espero que alguém ache este texto, ai pelo menos tudo vai ter valido apena."
-

Depois disso a policia de diferentes estados encontrou os corpos de um casal de adolescentes mortos em seus quartos, ambos tinham os olhos arrancados e na parede sul de cada quarto estava escrito em sangue "crianças não devem brincar com coisas mortas"


Escrito/Enviado por: Camila de Melo

17/06/2012

Creepypasta dos Fãs: Edição Especial

Olá a todos, meu nome é Suzano Junior, sou uma pessoa muito reclusa e reservada (fui diagnosticado assim), então o único jeito de contar o que se passou comigo é por meio da escrita, pois nunca tive a coragem de desabafar em um ombro amigo... talvez por vergonha ou por não ter os laços necessários para tal. Também é por isso que uso um nome fictício.


Enfim, desde o inicio de minha educação na pré-escola, sempre tive dificuldade com a escrita e leitura, é verdade que compensava essa deficiência na questão artística herdada pela família de minha mãe, era um desenhista muito avançado para a minha idade, nato, muito talentoso mas não conseguia juntar as sílabas para fazer um “bê-a-bá”.


Preocupados com esta situação, provavelmente por não participarem de minha didática por conta do excesso de trabalho, meu pai e minha mãe recorreram a um artifício muito comum entre a grande maioria das famílias brasileiras, as revistinhas da Turma da Mônica. Foi como então tomei gosto e apreço pela leitura e escrita, funcionou perfeitamente, as histórias de Mauricio de Sousa são um anzol para criaturas pequeninas a serem moldadas.


Minha mãe tinha uma irmã que era babá, no momento estava sem emprego, tiveram então a brilhante ideia de contrata-la como empregada-babá, já que era uma pessoa próxima de mim, tudo se tornaria mais fácil e seria supervisionado e educado por minha tia-babá.


O tempo foi passando, e eu não precisava mais de companhia para que lessem ou me ajudassem com a leitura dos gibis, era um passatempo, era diversão para mim e não mais uma obrigação! As revistinhas chegavam duas vezes por mês, sempre comigo contando os dias. Me tornei fiel à turma da Mônica, mesmo crescendo, tornando os valores e a mente cada vez mais velhas.


Três anos depois chegou uma edição em que havia uma proposta para que nós os leitores escrevêssemos ou desenhássemos uma história e enviássemos para editora. Se a mesma fosse boa o bastante, seria publicada juntamente com as histórias dos outros ganhadores em um Gibi para apenas as 10 melhores, que seriam passadas e coloridas aos traços do criador... aos traços de Mauricio de Sousa.


Esta edição não estaria a venda, os 10 ganhadores cada um receberiam em sua casa um único exclusivo exemplar com o seu nome impresso no fim das histórias, é de fazer inveja a qualquer amiguinho, é um troféu para orgulhar meus pais e minha tia babá.


Nesta mesma época minha família passava por dificuldades, estava na quarta série e já era maduro o suficiente para entender que meu pai, que estava doente devido ao câncer estava nos seus meses finais de vida. Como presente, queria muito mostrar-lhe a edição da revista em que tinha certeza que ganharia como uma das histórias vencedoras, onde o time do Cascão ganharia o campeonato do campinho do bairro do Limoeiro em cima do time de seu meu melhor amigo o Cebolinha; tive essa ideia pois eu e meu pai éramos aficionados em futebol.

Não deu tempo...Meu pai acabou falecendo antes que o resultado dos ganhadores fossem revelados. Ah meu Deus, faria qualquer coisa para tê-lo de volta e saudável, talento desperdiçado, deveria ter feito a história e dar para ele ler de minhas mãos!
 
Minha mãezinha então, entrou em um estado quase catatônico, deixou de trabalhar e cuidar de mim, minha tia que também era empregada e babá, decidiu socorrer sua irmã, tornando-se a chefe da família e não mais cobrando um salário para efetuar suas tarefas. Sempre que minha mãe apresentava algum sinal de melhora, ela via alguma foto ou lembrava de meu pai e piorava outra vez, minha tia então deu fim de TUDO o que lembrava meu pai, fotos, roupas, filmes... A comida favorita de meu pai nunca estava no cardápio, e principalmente as CORRESPONDÊNCIAS que davam a ideia que ele ainda estava em casa. Foi como se a existência de meu criador fosse apagada, assim como a de Mauricio de Sousa para com suas personagens.
 
Muito tempo se passou, iniciei o meu ensino superior e tive que me mudar de cidade. A faculdade de Direito, que leva 5 longos anos, deixei para trás a minha mãe e minha tia que praticamente me criou, nunca tive coragem de levar todos os meus pertences, acho que queria passar a ideia de que ALI ainda era meu lar, meu porto-seguro, meu quarto ficara praticamente no mesmo estado em que deixei, fora o guarda-roupa vazio. Eu as visitava todo final de semana.

Logo no final de meu quarto ano de faculdade, minha mãe e minha tia mudariam da casa onde viviam, a casa em que passei minha fase infantil, adolescente e pré-adulta. Achavam que uma mudança de ares faria muito bem a minha mãe. Minha tia, me ligou pedindo para que eu removesse o resto de minhas coisas do local, pois elas já haviam se mudado e me deixou o número do telefone residencial da nova casa.
Esperei o final de semana então e rumei a minha cidade natal. Cheguei em “casa” e tudo estava vazio, apenas meu quarto com meus pertences restantes e o “quartinho-guarda-tranqueira” que possuíamos detinham alguns objetos.

 Era lá onde minha tia guardou tudo relacionado a meu pai, obviamente não levaria para nova casa pois minha mãe deveria se livrar de seus pesadelos e não revivê-los mais, de forma que ela ficaria mais "segura". Fucei em algumas coisas e me deparei com a caixa de papelão que continha as correspondências em nome de meu pai. No meio da resma, me deparei com um almanaque da Turma da Mônica ainda lacrado. Pensei logo em seguida “O que isso esta fazendo aqui?”. Provavelmente minha tia, não considerou que era destinado a mim a correspondência, foi um erro fatal, pois eu era JUNIOR, tinha o mesmo nome que meu pai, ao ler apenas as iniciais já tomara a atitude de se livrar do conteúdo.

Comecei a folhear então a edição e vi que as histórias eram completamente estranhas, pareciam estar deslocadas ali, bem a frente do público destinado, quando finalmente vi meu nome, entendi que eu fui um dos ganhadores da promoção, e NUNCA soubera.
Mas ao começar a ler a história que correspondia ao meu nome, busquei na memória e vi que não era nada daquilo que tinha escrito, a história original fora totalmente editada por outra pessoa.

 Cebolinha e Cascão estavam vestidos estranhamente e brincavam em volta de algo que parecia um circulo para bolinhas de gude. Mônica se aproximou e disse que queria brincar também, eis que cebolinha responde “esta blincadeila é apenas pala meninos, você não pode golducha”
Cascão estava muito tristonho e nos quadrinhos seguintes revelou que havia contado anteriormente ao Cebolinha que havia perdido seu pai, e que queria trazê-lo de volta para vê-lo ganhar a final do campeonato,pois achava-se muito talentoso no futebol, e tinha certeza que sairia vitorioso!
Cebolinha dizia algumas palavras, e no meio delas os símbolos que Mauricio de Sousa usava para caracterizar os palavrões como nuvens, hashtags e cobrinhas.
No final da história, o pai de Cascão assistia ao jogo, porém sem seu filho dentro do time, e ninguém parecia notar a ausência de cascão. Depois do “fim” escrito no quadrinho, vinha meu nome Suzano Jr., tinha certeza que eu não era autor daquela história bizarra.

Não consegui falar com minha mãe ou minha tia, voltei então para minha cidade atual, fazia estágio na sala de um Juiz renomado, usei o sistema de busca de réus, para localizar os outros nove ganhadores das outras histórias...sem sucesso.
Com pesquisas mais aprofundadas que poderiam custar meu emprego, tendo em vista que era para uso federal, vi que nenhum dos outros nove se encontravam vivos, três eram dados como desaparecidos, todos realmente muito talentosos por terem ganho a promoção.

 Jamais deixarei que meus filhos leiam ou aprendam ler e escrever com a Turma da Mônica. Depois de incessantes tentativas de contatar minha mãe e minha tia que pareciam ter esquecido de mim, tendo em vista que mantinha contato em todos os finais de semana, recebo uma ligação do número telefônico da onde estavam vivendo (que foi previamente passado pela minha tia), era meu pai dizendo: “Ah meu filho, você achou a revistinha? Parabéns, você é muito talentoso!”.


Enviado/Escrito por: Tiago Luiz Frank

13/06/2012

Barbie.avi

Olá. Isto aconteceu comigo há alguns meses atrás, eu só precisava dividir com alguém...

Começou na festa de um amigo. Ele é um artista que alugou um loft na parte industrial da cidade, se você puder imaginar um lugar como Detroit em 1920, é como a área se parecia.

E nesse dia eu abusei na festa e decidi dormir por lá, em algum sofá. Acordei as 4 da manhã e decidi ir embora, o sol ainda não havia nascido e caminhar pela cidade naquele horário não era uma opção, eu decidi então ligar para minha namorada e implorar uma carona, sendo ela uma ótima namorada ela foi me buscar e disse que estaria lá em torno de 40 minutos e que me ligaria assim que chegasse.Dez minutos depois de falar com ela acabou a bateria do meu celular, então decidi me sentar á janela e esperar até ver o carro, me sentei ali e meus olhos começaram a ficar pesados e eu comecei a pegar no sono. Um barulho de algo quebrando lá fora me acordou, um barulho não mto alto mas foi o suficiente para me acordar, eu olhei lá fora e procurei por algo mas não vi ninguém, mas do outro lado da rua perto daquelas enormes latas de lixo havia um computador e um monitor jogados no chão que não estava ali antes...

Quando minha namorada chegou, eu desci me lembrei que um amigo estava sem computador e decidi ir até a lixeira e ver o que poderia ser salvo, o monitor não tinha muita utilidade mas eu decidi levar a cpu pra ver se funcionaria. Uma semana se passou e minha namorada ligou dizendo que estava no porta malas do seu carro então fui buscar e trouxe para casa aquela noite. Antes de desmontar a cpu decidi ligar no monitor pra ver se estava funcionando e para minha surpresa estava, tinha um windows xp e parecia ter sido formatado, então decidi procurar por coisas como "porn, pussy, tits" pra ver se encontrava algo que o antigo dono tivesse esquecido, mas não encontrei nada, decidi então procurar por filmes, e um arquivo apareceu, era um .avi dentro de uma pasta chamada "barbie" escondido no diretório WINDOWS/system32, então eu dei play no vídeo.

Agora tudo começa a ficar extremamente perturbador.

O filme tinha mais ou menos uma hora de algo como um arquivo de filmagem raw. A filmagem era de uma mulher sentada em uma cadeira conversando, decidi assistir o vídeo pra ver do que se tratava, depois de 15 segundos de vídeo o áudio começa a ficar inaudível e a face dela começa a mudar como se estivesse desconfortável por estar ali, mas ela continua falando, como ela falava e parava, falava e parava, eu assumi que aquilo era como uma entrevista e que ela estava respondendo perguntas...Ela então começa a chorar e tentar continuar respondendo, e então ela começa a chorar tanto que mal consegue olha para a câmera, e não consegue mais falar. Uma das palavras que consegui ler em seus lábio foi a palavra "skin" (pele). Ela repete essa palavra várias e várias vezes, ela parece não estar contente com sua pele.Nesse ponto ela já não fala mais apenas chora e então tudo fica preto.
Tem muito mais que preciso tirar do meu peito e contar para vocês, mas está ficando tarde e eu não consigo continuar, amanhã eu continuo contando. Deus salve minha alma.

Não consegui dormir, devo continuar.

Eu importei o vídeo para o final cut, para tentar isolar o áudio e ver se eu conseguia algo mais, isolei o áudio e tentei mexer nos equalizadores, mas mesmo assim continuava impossível, eu tentei muito mas não consegui nada, eu percebi que ela não se mexia ou levantava, assisti o video muitas vezes essa noite procurando algo que pudesse me dar mais pistas, eu estava muito insatisfeito, eu queria mais.

Foi quando notei que havia mais 10 minutos de filmagem. Esses dois minuto estão muito tremidos e quase impossível de se assistir, o meu palpite é que enquanto levavam a câmera para algum lugar ela foi esquecida ligada porque só dava pra ver um par de pernas caminhando por um trilho de trem por 6 minutos, então entrando em uma floresta. Foi quando meu coração disparou porque eu lembrei que tem um trilho de trem algumas milhas daqui que parecia muito similar com essa do filme. Eu TINHA que ir checar o lugar.

Em um sábado pela manhã, peguei minha lanterna, minha faca ka-bar, e minha câmera e fui até os trilhos de trem, estacionei meu carro e fui andando pelos trilhos até que entrei em uma floresta e continuei caminhando por duas horas prestando atenção, e parando para ouvir sons ou algo do tipo.

Encontrei uma trilha de árvores e fui seguindo até avistar uma clareira com uma casa que parecia estar sendo consumida pela vegetação selvagem do lugar, demorou um tempo até eu tomar coragem e entrar na casa, eu não queria que me vissem ou até mesmo caminhar em campo aberto, quando finalmente tomei a decisão de entrar na casa...

A porta estava meio aberta e eu empurrei a porta com a minha lanterna e me senti bem ao ver que o interior da casa estava muito bem iluminado. Não havia móveis, o chão estava cheio de tijolos e algumas paredes estavam com buracos enormes, nada de anormal, tirei algumas fotos. Até eu perceber que havia uma porta que me pareceu ser do porão, diferente de todo o resto da casa estava nova, e trancada. Além disso quando eu subi ao segundo andar da casa encontrei algumas cadeiras e uma mesa meio coberta que parecia novas demais para estar ali, eu vi claramente um saco de plástico molhado dentro da banheira, como se alguém tivesse lavado aquilo.

Foi quando ouvi um gemido muito alto vindo do porão então pulei pela janela do segundo andar e voltei pelo caminho de onde eu vim, quando estava voltando eu percebi que o gemido na verdade era um barulho vindo dos canos de água da casa, me senti mais tranquilo, foi quando esse pequeno momento de alívio deu espaço ao terror que senti ao me perguntar porque a água estaria ligada em uma casa abandonada no meio da maldita floresta...

Faz um pouco mais de dois meses desde que isso aconteceu e eu não voltei lá e nem penso em voltar.

Este era um dos videos que estava no computador:



Fonte: Medo B.