18/01/2018

Uma imagem na luz

Quando vejo os relâmpagos, eles dissolvem toda a minha razão, permitindo que medos primordiais percorram por meu corpo e minha mente. As luzes já estavam apagadas, e eu estava na cama, tentando forçar a inconsciência. 

Já havia passado da fase em que acreditava que fechar os olhos, virar para o lado oposto ao da janela e cobrir minha cabeça facilitaria que o sono viesse, e eu estava indefeso, direcionando minha visão para qualquer área que não estivesse completamente escura, esperando me sentir cansado o suficiente para ignorar minha ansiedade irracional. Mas era tudo demais para a minha mente. O vento fantasmagórico, a chuva que caía impiedosamente sobre minha casa e meu gramado, os trovões que pareciam dividir o céu numa cacofonia, e o pior de tudo, os relâmpagos que vinha segundos antes dos trovões e pintavam o meu quintal com uma estranha luz. 

Fui despertado do tipo de hipnose que a tempestade havia lançado em mim por um tipo diferente de relâmpago. Em minhas paredes ele parecia flashes irregulares de uma câmera no lado de fora, e não havia trovões acompanhando. Os relâmpagos normais pareciam ter sido afastados para dar espaço a eles. Olhei pela janela para ver o que estava produzido as luzes que iluminavam as paredes do meu quarto. 

Para minha surpresa, os relâmpagos não vinham do topo das árvores ou de trás das cercas altas, mas aparentemente, vinham do centro do meu quintal, era como se os relâmpagos dos quatro cantos do céu tivessem convergido num enorme globo de luz. 

Não, eles não estavam formando um globo. Estavam sendo emanados por ele. 

O conglomerado de luz relampejava em efeitos irregulares, mantendo perfeito silêncio. Era um rosa de outro mundo, como um tipo de rosa neon. Depois de um tempo ele se apagou, ficou escuro por tanto tempo que pensei que todo aquele terrível jogo de luzes tivesse acabado. Mas depois de alguns segundo ele retornou com dois flashes brilhantes, e pude discernir no interior do globo, tão claro quanto as palavras que você lê agora, uma silhueta humana. 

Depois disso a luz se foi. Os relâmpagos normais retornaram e suas luzes provaram que não havia mais nada em meu quintal. 

Minha mente procurou uma explicação pelo que eu tinha visto, e ainda não encontrou. 

Quando vejo relâmpagos, sempre me lembro daquela noite. Meu medo ainda continua ali, mas agora há um grande mistério acima disso. Em cada relâmpago que ilumina os céus, espero encontrar uma resposta. 

E temo que um dia eu realmente encontre. 

Floyd Pinkerton 

7 comentários:

  1. Okay... gostei pois gosto do efeito dos relâmpagos numa noite de tempestade *-* e é claro, os trovões!!

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  2. Existe um tipo raríssimo de raio que tem formato de esfera. Só há relatos dele. Sua natureza ainda é desconhecida.

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