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TAMAN SHUD - Capítulo 4

5 comentários

No dia de partirem, Erick teve um pesadelo. Acordou com um aperto no peito, ofegante e suado, em seu sonho ele via uma tripulação de um barco queimando em um grande incêndio. Não levou aquilo como um mal pressagio, nem premonição. Não acreditava nisso.

Na saída do barco do porto, alguns familiares e amigos dos tripulantes acenavam no cais, desejando uma boa viagem e um breve retorno, Erick viu que mais uma vez, não havia ninguém lá por ele. Era melhor seguirem logo para alto mar, pensou Erick e decidiu começar a fazer o que foi contratado para fazer, verificar a carga e trabalhar na manutenção, sendo assim, seguiu para a parte de baixo do navio, onde estava o grande depósito.

Erick havia conversado um bom tempo com o Capitão, sabia que estariam primeiro indo em direção as Ilhas Marshall ao leste da Indonésia e depois partiriam para o México, passando pelo canal do Panamá a fim de entregarem uma carga de alguns produtos químicos em seu destino final, Costa Rica. O problema era que Erick não sabia exatamente o que o Capitão queria dizer com “alguns produtos químicos” e por essa razão foi vasculhar o depósito.

Tinha tanta certeza que aquilo era ilegal quanto tinha certeza que não deveria abrir o bico sobre aquilo para ninguém. Era uma carga perigosa, afinal, ácido devia ser tóxico e explosivo, pensava Erick. Sabia que deveria tirar a claro o assunto com o Capitão, então antes mesmo de estarem em alto mar, foi conversar com ele na cabine principal.

- Erick , meu garoto, entendo que você se preocupe, mas você acima de todo mundo, por sua experiência, deveria saber que isso acontece o tempo todo – Disse o capitão Thomson com um tom bajulador - Todos carregam um extra em seus depósitos, as vezes especiarias, as vezes produtos químicos, até gente, estamos carregando cianeto de potássio e nitroglicerina, são produtos perigosos, mas eu já fiz isso muitas vezes, sou experiente com isso então não há com o que se preocupar amigo.

- Só queria tirar isso a claro, se o senhor garante que não há problema, não tenho mais nada a dizer.

- Não leva isso como um fardo, tudo bem? Você realmente não precisa dizer nada para os demais, principalmente para Agungu, ele daria com a língua nos dentes, e sei que vocês dois são amigos.

- Estou aqui para trabalhar, não para fazer amizades, passar bem Capitão, se precisar de mim, você sabe onde me encontrar.

Erick sabia que não deveria se preocupar, e tinha isso bem concreto em sua mente. Porém, não conseguiu dormir aquela noite. Porque sentia o que estava sentindo? Não se importava com a tripulação, nem com o que o Capitão decidia ou não carregar naquele depósito ou se o dinheiro daquela entrega seria dividido ou não, nunca tinha se importado, mas algo não deixava sua mente descansar. Algo do passado.

Os dias que se seguiram foram um tanto quanto tediosos, o navio estava em bom estado, o tempo estava sempre favorável, a tripulação estava animada e parecia que até Budi, que estava sempre junto de Agungu, estava enfastiado de ser tão mimado com carinho e petiscos. O ar estava sempre quente, o céu sempre azul, o mar verdejante e calmo. Porque então Erick ainda se sentia tão inquieto? Naquela noite, atormentado novamente pela insônia que o acometia quase diariamente, ele resolveu levantar, ascender um lampião e começar a escrever, queria colocar suas ideias em um papel, talvez conseguisse se organizar melhor, foi quando sentiu aquela presença de novo e percebeu o ar ficando pesado e pestilento. Todas as suas lembranças daquele maldito dia no cemitério o atravessaram com fúria. E pôs-se a escrever. Era uma carta de confissão, e ela seria mais longa do que ele imaginava.

O dia seguinte seguiu como de costume, tranquilo. Agungu percebeu que Erick estava cada vez mais distante e taciturno, sempre com uma expressão de medo e desconfiança. Sabia que ele era bastante excêntrico, mas não conseguia entender por que daquela expressão. Ele parecia exausto, mesmo sem trabalho para fazer durante o dia senão uma limpeza básica. Resolveu ir conversar com ele, mesmo sabendo que seria recebido com grosseria.

- Erick, você está bem? Vejo que você anda mais quieto que o normal. Você sabe que se tiver algum problema pode contar comigo e com o pessoal, não é? Querendo você acreditar nisso ou não, mas somos uma equipe, e tentamos nos importar uns com os outros de vez em quando.

Erick manteve o silêncio.

- Bem, imaginei que você não ía querer conversar mesmo. Sei que você não costuma aceitar meus convites também, mas vou fazer a minha parte. Hoje à noite, todos nós vamos no reunir no depósito para jogar cartas, até o capitão topou, vamos beber e fazer umas apostas. Vai ser divertido. Se quiser aparecer, você sabe onde estaremos.

Cada hora que se passava, Erick sentia uma dor em suas costas e um peso em seus joelhos, estava cansado e precisava dormir, mas não seria aquela noite. Antes de anoitecer Erick se dirigiu ao depósito número 4 com um machado, alguns minutos depois voltou e se dirigiu para o seu aposento.

Mais tarde, Erick, de sua cama conseguia ouvir as risadas e a farra dos barqueiros no depósito com suas jogatinas. Levantou-se para tentar escrever novamente, precisava adicionar sua última confissão antes de torná-la realidade, demorou-se, mas acabou escrevendo somente algumas linhas em parágrafos separados, e marcando fortemente as últimas duas palavras, assinando no final.

Aquela noite teria que se livrar de qualquer jeito daquele peso, daquela presença, daquela voz que conversava com seu cerne, sua alma, dentro de sua mente, o tempo inteiro como uma fome voraz e insaciável. A voz que dizia para matar, para destruir, para trair e maltratar, para mentir e enganar, para desgraçar e obliterar, somente assim seria novamente livre. No fim das contas, imaginava-se preso em um buraco escuro sem chances de sair, sentia-se sem ar. Então foi

ao depósito novamente, com um fogareiro na mão, ele ouvia as pessoas agitadas e tosses frequentes, tosses secas e profundas. A última melodia.

Autor: Alison Silveira Morais

5 comentários :

  1. Estamos com você gabriel

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  2. Achei que Taman Shud já tivesse sido abandonada

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  3. Ola eu tenho um canal no youtube de relatos e creepypasta Algumas dessas creepy pastas eu posso gravar com a autorizaçao do blog?

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  4. Final (se esse for o final) meio apressado mas a qualidade do conto é boa, principalmente do primeiro, achei a leitura mt boa e imersiva

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